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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Grupos Escolares: uma lembrança prazerosa


 Grupos Escolares: uma lembrança prazerosa   

 

                                            Iza Aparecida Saliés

 

Como muitas meninas da minha época, estudei no antigo Grupo Escolar, fiz parte de uma geração que obedecia às exigências de uma escola preparada para ensinar a ordem e o progresso do país.

Pautada nesse pressuposto pedagógico da época, ou seja, de uma escola tradicional onde imperava a disciplina, a rigidez impecavelmente exigidas para as  alunas e alunos.

Então, aprendi obedecer, organizar e ser responsável pelos trabalhos, estudos, tarefas e sabatina, tudo isso, era cobrado rigorosamente pelas professoras e respaldadas pelas mães, em casa.

 Sem dúvida, que esses conceitos, acima citados,  foram fortemente sedimentados em minha vida, são ensinamentos que permanecem  latentes até hoje. Cabe ressaltar, que inegavelmente, também, contribuíram para a constituição da minha identidade  profissional, como também, deu sustentação à  trajetória pessoal.

A modernidade acha que esses pressupostos são  decadentes e ultrapassados, mas, confesso que sempre estou buscando referência nesses ensinamentos, mesmo conhecendo as atuais concepções teóricas sobre educação e ensino, defendidas pelo movimento pedagógico contemporâneo.

Grupo Escolar, escola, que sustentava sua finalidade social, na formação integral dos alunos, associando o conceito de educação e ensino, assim sendo, articular com muita propriedade e sincronia esses conceitos também com a aprendizagem.

No ensino dos chamados grupos escolares, o currículo de ensino era pautado na  perspectiva de um currículo com formatação enxuta, com conteúdos rigorosamente selecionados, e cobrados por parte da coordenação da escola, com acompanhamento sistemático do Planejamento com o Plano de Aula do professor.

Esse currículo atendia também, uma interface com a finalidade de preparar os alunos para a vida, preparando-os em valores sedimentados socialmente.  Sua função era  especialmente direcionada ás questões pedagógicas, ou seja, a de ensinar e de aprender.  O entendimento daquele momento era que, educar era competência da família, e a escola a finalidade de e ensinar e aprender. 

Cabe neste momento, ressaltar que os antigos grupos escolares dispunham de uma qualidade de ensino e aprendizagem,  inquestionável.

Como era obrigação dos pais educarem seus filhos, nós chegávamos para estudar, com a certeza de que  teríamos que comportar, exigiam bons modos, observavam o modo de andar, falar, ou seja, de portar-se, falar era impossível, pedir para ir ao banheiro?Pior ainda. Mesmo com todo esse rigor da escola, nós obedecíamos, rezávamos na cartilha do bom comportamento. 

Eu morava no Proto, bairro antigo da cidade de Cuiabá e os grupos escolares ficavam no centro, seu nome “Grupo Escolar Barão de Melgaço” funcionava onde hoje está a Biblioteca Púbica Estevan de Mendonça, prédio histórico, lembra os idos de 1945.

 Como o bairro era longe tinha que tomar lotação[1][i], a viagem era do porto à cidade, ou seja, ao centro, tomava o rumo Rua 13 de junho até chegar ao ponto final, em frente à loja Miglália [I1] ao lado do correio. Era um prazer fazer esse roteiro todos os dias, rotina que possibilitou uma infância divertida de brincadeiras.

A ida para a escola era puro prazer, momento de desfrutar do rico cardápio de pirulitos, picolés, balas, cacau, suco de saquinho e outras atrações que ficavam na porta do grupo escolar. O lanche hora do leite, do pão com manteiga, do bolo vendido na porta do colégio, a queimada, a amarelinha, as brigas, os acertos.  

Lembro também da hora do sino, da entrada, hora de cantar o hino, a entrada na sala de aula, sapato boneca, meias três quartas brancas, saias azuis e blusa branca, o uniforme impecável de limpo e ajeitado no corpo.

É inenarrável a dedicação das senhoras professoras mulheres dedicadas, deixavam seus lares para fazer o ofício de ensinar, nobres professoras como a Profª Adelaide Fortunato, Elizabeth Sena, Eneida Salla, brilhantes profissionais que ensinaram as primeiras letras e os conhecimentos elementares para o meu letramento escolar.

Ora eram professoras ora eram mães, apesar da rigidez e disciplina, componentes obrigatórios para a formação das escolas da época, exigências do sistema de ensino, ainda assim, agiam com muito carinho.   Professoras que contribuíram fortemente para minha formação são pessoas que até hoje relembro com muita nostalgia.

Chegávamos à escola, educados e comportados jamais poderíamos contestar a professora.  Como a formação familiar era rígida, então não havia estranhamento quanto ao comportamento que deveria ter na escola, assim, ficava fácil para a professora dominar os alunos, e mesmo assim aparecia de vez em quando, um aluno querendo fazer gracinha, sem muito progresso.

Nos bons tempos em que a escola era o espaço de respeito, considerado como o templo do saber, as professoras eram pessoas dotadas de boa vontade, dedicavam parte do seu tempo em ensinar o melhor, não importava a decoreba, não importava se a disciplina era rígida, importava sim, com a formação integral da criança.  

Assim foi o primário, mas o ginásio, esse sim, foi menos rígido, não só pelo fato de estar em outra etapa de ensino, como na década de 70 para 80 já estavam discutindo a escola nova, e em Cuiabá não foi diferente, pois a universidade federal esta sendo instalada na capital.               

Decorei muitos pontos, estudei muitas vezes na madrugada, tinha que memorizar rápido porque as sabatinas eram orais e escritas, tinha ainda as famosas dissertações dos pontos estudos e dos conteúdos que a professora dava do livro.

Certo dia a professora Irmã Teresinha Arruda fez uma prova onde tínhamos que falar tudo que sabíamos sobre a Roma Antiga, na prova tinha que escrever o ponto inteirinho sem esquecer um detalhe, descrever tudo que eu sabia sobre o tema sem esquecer se quer um item, não era fácil, mas sabíamos fazer com perfeição. 

Outra exigência da época era a caneta tinteiro, como sou canhota tinha muita dificuldade para escrever, pois enquanto escrevia de um lado o outro já estava borrado, e as professoras também tinham dificuldade para lidar comigo, ter aluno canhoto na sala de aula era um problema para a professora, é como se fosse trabalhar com aluno deficiente.

As professoras exigiam perfeição, o combate à rasura, o caderno perfeito, sem borrão, sem orelha, sem sujeira, sem rasgado, tudo tinha que ser impecável, eram cobranças que faziam parte da formação do aluno.

A escola da saudade, a do passado, a escola rígida, arbitrária às vezes, ia, contuidista, com curricular de ensino elaborado para atender uma minoria, parece não ter pecado nos seus atos, porque de fato respondia às necessidades da sociedade do seu tempo.

Essa escola do passado que hoje criticamos, pela rigidez, pela forma de ensinar, que os estudiosos da pedagogia denominaram de tradicional, por lidar com o ensino e a aprendizagem numa perspectiva dura, de cobrança, de disciplina de autoridade, ainda assim, com todos esses defeitos propiciou aos seus alunos uma formação escolar de qualidade pelas vias da escola pública.

Agora convivemos com a chamada escola publica para toda a escola que não pode chamar atenção do aluno, que não da conta dos conteúdos, que não da conta da formação de valores, não da conta da educação dos alunos, que não da conta da diversidade, que não da conta da pluralidade cultural, está ai, precisa mudar, mas, ainda não achou o seu rumo.

O modelo de escola que está posto nos dias atuais, precisa romper com essa fábrica de desigualdade, ocasionando em série a exclusão escolar, por meio dos subentendidos índices de evasão, repetência e defasagens idade/série e abandono, que são elevados, conhecidos pelo Sistema Educacional, porém com poucas perspectivas de solução imediata.

A dedicação das professoras e a credibilidade que elas inspiravam faziam delas, pessoas queridas, acolhedoras, de vez em quando passava mão nas nossas cabeças e dizia cuidado. Pouco a pouco elas iam desenvolvendo a difícil arte de ensinar com competência, seriedade e compromisso, isso se dava pelo fato de que elas eram autoridade máxima da sala de aula, sabiam ensinar, estavam sempre preparadas estudavam os conteúdos da aula, tinha respostas certas para os alunos.

               




[1] Transporte que era usado pelas pessoas na época, em geral era Comb.


 







Tema Projeto Político Pedagógico
 
 
                                                                         Iza Aparecida Saliés
 

“Não sei,  pois não somos chamados para  participar de nada.”

 

“O Projeto Político Pedagógico desta escola,  não sei, nunca participei, creio que seja a coordenadora que elabora sozinha. Várias”.

“O Projeto Político Pedagógico é elaborado durante um período  muito extenso, sem nenhum avanço, com pouca participação. Faltam estudos são modificações.”  

“O Projeto Político Pedagógico é feito com rápidas reuniões entre professores, coordenadores e diretor. Há pouca participação,  nem todos participam”.  

“ O Projeto Político Pedagógico continua daquele mesmo jeito onde um fala e os outros obedecem”.
 
“Dentro da escola, o PPP é discutido e observado, alguma sugestão colocada é compartilhada e incluída”.

Temos a dificuldade sobre alguns projetos que são cortados deixando lacunas no aprendizado dos alunos, por exemplo, na parte da biblioteca, inspetores de alunos, etc.
 
“A grande dificuldade que eu vejo para as escolas por em prática o PPP,no caso a que eu trabalho , é a política pública educacional do nosso estado, pois não há uma segurança para o contratado”.

“As ações do PPP são elaboradas e discutidas por nós professores, coordenadores e direção, portanto eu não tenho nenhuma dificuldade em colocá-lo em prática, pois as mesmas são para mim de suma importância, para o desenvolvimento da aprendizagem do educando”.

“Integrar todos os seguimentos da escola, para planejar”.

Por em prática e levar ao conhecimento de todos, que fazem parte da comunidade escolar.

Apesar de haver um esforço por parte da escola e integrar, dificilmente o interesse em conhecer o PPP e por em prática acontece.

“Geralmente cada professor acaba trabalhando, principalmente quando ocorre constantes mudanças no quadro”.

“O PPP deveria ter um tempo mais amplo para ser discutido, pois os professores Contratados muitas das vezes são avisados de última hora e caem de pára-quedas nas salas de aula, sem saber o propósito da escola e também sua clientela, ou seja, seus alunos”.

“O PPP foi feito em conjunto com os professores, alunos e pais, buscando metas para serem desenvolvidas com a realidade dos alunos”.

“E quando se fala de reunião pedagógica o PPP etc., isso não é algo que deve ser realizado em 40 (minutos) ou numa manhã de sábado. Percebemos que aqui os professores são observados por coordenadores, diretores, comunidade, assessoria, e Seduc, mas Cuiabá como estão às escolas lá, pois já tivemos vários professores que vieram de Cuiabá para Lucas do Rio Verde, professores contratados e efetivos que voltaram, pois aqui precisam trabalhar e em Cuiabá dizem eles que não se trabalha professor vai à escola quando quer”.

“Eu ainda não tenho conhecimento do PPP da escola que trabalho, pois sou interina, e não participei do mesmo, mas, ele será discutido em reunião pedagógica, segundo a direção e coordenação da Escola”.

Trabalho com uma variedade de projetos dentro dos conteúdos, pois na Biologia é necessário para que os alunos tenham mais interesse, sendo que está relacionada com o cotidiano.

“Vários métodos, como pesquisa no laboratório de informática, laboratório de ciências e em lócus, pois assim o mesmo irá participar o seu conhecimento”.

“Sou uma profissional recém formada, estou chegando ao MT agora não conheço o PPP (Plano Político Pedagógico), mas tenho necessidade de obter conhecimento na Educação MT, sendo que todos os cursos que estou participando e ainda irei participar, será de grande apoio para minha Promoção, mas acho que pode para profissionais recentes ou recém formados quando chegam às escolas, precisam de um curso nos apresentando todas as normas, direito, deveres, leis, enfim tudo que não temos informação. Desde já obrigada pelo curso, pois está sendo de grande apoio”.  

“PPP-  de extrema importância no processo na escola onde trabalho o PPP é estudado todos os anos”.

Sobre o PPP”. Não vi e nem conheço. Pois fui “jogado do avião” na quinta – feira dia 07/02/2008. De entrada me pediram o plano de curso da minha disciplina.

“Construir uma Proposta que atenda as particularidades de cada modalidade existente na escola - Habilidades e Competências de cada Modalidade de Ensino”
 
“PPP”. É discutido e elaborado junto aos membros escolar. As ações sempre são discutidas no geral em grupo de professor principalmente nas horas de estudo - Sala de professor.As escolas, já reserva esse espaço para discutir todos os tipos de problemas tanto da escola como os com alunos e professores como: PPP, avaliação, disciplina, planejamento, etc.

“Portanto não tenho dificuldades de desenvolver as ações do PPP e nem de avaliar meus alunos, já que faço a avaliação num todo principalmente às competências do aluno e habilidades”. 

 “Como sou professora efetiva, e sempre atuei somente numa escola tenho conhecimento do PPP desde o primeiro que a escola fez, sendo que participei em dois segmentos, professora e mãe de aluno”. O problema é, a entrada de novos professores todos os anos e sua contratação acontecem para o início das aulas. “Sendo que a maioria é contratada, sinto dificuldade na questão do tempo, pois os citados profissionais atuam em até três unidades escolares dessa forma chega para ministrar suas aulas e precisa sair sempre correndo...”.

 “As dificuldades de se colocar em prática o PPP é a falta de recursos didáticos nas escolas, formação continuada que realmente contemple os anseios do professor”.

“Uma das dificuldades sentidas muitas vezes na a aplicação de PPP é estruturação das escolas para e3xecutar todas as propostas que ele oferece, orem sem o PPP fica muito mais difícil à direção que se segue no processo ensino/aprendizagem”.

“Na escola Dom Bosco o PPP, é discutido e todos tem procurado colocá-lo em sua prática pedagógica. Os professores se reúnem no início do ano letivo e alteram, mudam acrescentando o necessário para tender a realidade dos nossos alunos naquele ano letivo, haja vista, que o PPP está em constante processo de construção”.

 “O PPP da escola foi elaborado coletivamente no início do ano letivo, assim como o PDE e Regimento Escolar. Nesses documentos ficam registradas a missão da Escola, bem como sua visão de futuro, projetos interdisciplinares entre outros. Esse ano nosso foco é diminuir evasão e repetência”.

PPP – Isso existe? Ta na lei, né!  Nunca fui apresentada a ele!Não posso comentar o que não existe, nem apresentado.

Por favor, se souber de uma escola em Lucas do Rio Verde /MT, que tenha um, que tenha sido produzido da forma coletiva, por favor, me diga.

§  Quando possível é feito no coletivo.

§  A participação de todos os envolvidos.

 “É a organização do trabalho pedagógico num processo democrático onde haja discussão e reflexão dos problemas da sociedade e da educação num todo, para encontrar uma intervenção da realidade social, econômica e política, transformando-a em alicerce do trabalho pedagógico, o qual estará sempre num processo de reformulação interna, pois o mesmo é inacabado, por isso, é que se articula a participação dos sujeitos do processo educativo (professores, funcionários, pais, alunos e comunidade) para que ocorra uma visão global da realidade e compromisso coletivo”.

“É necessário um plano curricular, pois arte de um princípio organizacional tendo como objetivo desenvolver e bem o PPP. É, enfim, direcionar as atividades pedagógicas rumo ao prioritárias o fim: a aprendizagem do aluno e bom desempenho do professor”.

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ensino Religioso e a interface com o currículo da educação básica.



Iza Aparecida Saliés

Sendo o Ensino Religioso uma disciplina do currículo da educação básica que merece um trato especial, pela sua complexidade de concepções e conteúdos vai requere da escola um rigoroso cuidado com as discussões pedagógicas sobre esse componente escolar.

Como é uma disciplina de fundamental importância para a formação humanística das crinaças, adolescentes e jovens, sua função é propiciar o fortalecimento de cada ser humano como pessoa capaz de perceber a vida, o pensamento, a razão, o que sente, decide, ou seja, ser uma pessoa que age com capacidade de desenvolver seu projeto existencial.

A amplitude das discussões sobre o ensino do ensino religioso na escola está em momento de transformação, pois a adesão de novos paradigmas sociais que contextualizados com os aspectos sociológicos, filosóficos e antropológicos, apoiados em modernas teorias teológicas, ou seja, as atuais concepções de religião estão de certa forma influindo nos meandros escolares, tais como: o que ensinar e como ensinar religião na escola.

A escola deve promover parcerias com os mais diferentes credos como forma de fortalecimento das relações de respeito com todas, sem distinção. Essa interface vai estabelecer laços de lealdade e compromisso com a teologia e não com denominações religiosas, assim, a escola será imparcial, atendendo dessa forma todos dos credos.

Tratando de um componente curricular do ensino fundamental faz-se necessário que os alunos dessa etapa de ensino, ou seja, crianças e adolescentes e jovens em fase de formação precisam de referências, exemplos que possam fortalecer o entendimento de si, do mundo, da sociedade, da religiosidade, da família e as diferentes formas de religião em diferentes culturas.

No contexto pedagógico da disciplina de ensino religioso os temas a serem abordados precisam ser gradativamente introduzidos com a devida complexidade que lhe é peculiar, pois, os conceitos e concepções religiosas fazem parte também das mais diferentes tradições que transitam no universo amplo de diversidade cultural.

O respeito à diversidade deve ser a tônica desse componente curricular. E senso assim, as abordagens teóricas prescindem de respeito aos diferentes conceitos historicamente constituídos pela sociedade (a fé, a esperança, a caridade, o amor) que no campo da educação precisam ser trabalhados sempre numa perspectiva puramente pedagógica.

Além do aspecto dos conteúdos essa disciplina também tem a função buscar articulação com as gerações de adolescentes e jovens que estão sedentos por um presente ativo e produtivo e crer num futuro que possibilite compreender as razões de ser, aprender e saber estar no mundo.

Assim sendo, os conteúdos, metodologias e concepções das disciplinas escolares, em especial o ensino religioso deve ter coerência teológica, ser dinâmica e deve transitar em todas as áreas do conhecimento formal. É preciso dispor de uma didática especial considerando as múltiplas concepções religiosas e considerando a fragilidade que encontramos de estabelecer conteúdos para trabalhar na sala de aula.

O professor deverá utilizar do dispositivo democrático participativo estabelecendo uma relação de troca com o aluno, além de expor os diferentes conceitos integrantes das múltiplas concepções de religião, proporcionando ao aluno conhecimentos que possam conduzir a uma reflexão permanente capaz de ajudar na construção da cidadania, desenvolvendo a capacidade de cultivar atitudes salutares para sua vida em comunidade, no lar, no trabalho, como também, ser competente para gerenciar seu projeto de vida.

E para finalizar quero registrar que o professor de ensino religioso precisa, antes de qualquer coisa, ser uma pessoa capaz de inspirar serenidade, temperança, equilíbrio, complacência, além de dominar os conteúdos disciplinares.

Referências


VIESSER, Lizete C. Um Paradigma didático para o Ensino Religioso. Rio de Janeiro, Vozes, 1994.
Parâmetros Curriculares Nacionais ? Ensino Religioso. Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso. 1996.
CATÃO, Francisco. O Fenômeno Religioso, São Paulo, Editora Letras & Letras, 1995.
Lei de Diretrizes e Bases, 1997.
ALVES, Rubem. Dogmatismo e tolerância. Ed. Paulinas.
BOFF, Leonardo. Igreja, carisma e poder. Ed. Vozes
©Prof. Vanderlei de BarrosRosas- Professor de Filosofia e Teologia. Pós-graduado em educação religiosa peloInstituto Batista de Educação religiosa.
BERKENBROCK, Volney J. A atitude franciscana no diálogo inter-religioso. (in: MOREIRA, Alberto da Silva (org.) Herança Franciscana. Petrópolis, Vozes, 1996.)
Antonio Manoel da Silva,Professor da Rede Estadual há 34 anos e Diretor Adjunto da EEEM Luiz Ubiraci-Vila Nova do Piauí-PI.
 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Política Educacional do Estado de Mato Grosso: uma contextualização histórica.




Iza Aparecida Saliés, Professora Especialista Aposentada
iza.salies.ap@gmail.com 

Espera-se que a “educação prepare os indivíduos para o exercício da cidadania plena, ajudando-os a exercer seus direitos associados ás responsabilidades e deveres de todo cidadão consciente e critico, portanto, socializando na realização da ação comum, e ao mesmo tempo oferecendo a todos a oportunidade de realizar seu potencial” (Ubiratan D’Ambrósio -1994) [1]
        
I – Introdução  
Este artigo tem a finalidade de descrever um pouco do processo histórico que constituiu o Ensino Médio de Mato Grosso na década de 90, momento em que a mudança da organização escolar brasileira passava por sérias e profundas modificações.
 O estudo dos documentos possibilitou transitar por um universo de temas com ricas informações, mas tive necessidade de fazer recortes por deparar com dados, informações que dispunham de densa e significativa importância para contar como se procedeu à reconstrução do Ensino Médio.
Houve necessidade também de adentrar ao ano 2000, de modo a preservar e não deixar ocorrer ruptura ao que interessava delatar, sob pena de perder informações importantes.
Percorri os caminhos traçados pelo acervo documental encontrados durante a pesquisa, que são tipicamente oficiais, e que representam, sem dúvida, a visão estatal de uma política educacional de uma das etapas de ensino da educação básica, por estar na condição de responsável pela elaboração das políticas educacionais de Mato Grosso.
Procurei ser fiel aos documentos pesquisados como forma de garantir uma descrição clara e precisa dos raros e preciosos escritos históricos que encontrei sobre o Ensino Médio do Estado, com a preocupação de não deixar perder o que era relevante para um texto descritivo, não denso e nem muito sintético, mas, sim, uma descrição que pudesse abrigar assuntos de fundamental importância.  
Os destaques foram para os temas que contribuíram significativamente para reforçar o que contribuiu para a reforma do ensino médio, o que ocorreu nesse período histórico, que são: Contextualização sobre educação; A Educação de Mato Grosso na década de 90: Política Educacional; Currículo; Educação para todos; Legislação Educacional, Gestão Educacional.
Os temas foram distribuídos em capítulos sucintos o suficiente para não deixar perder sua objetividade.  Valorizei as descrições dos documentos, procurando sempre pinçar fatos importantíssimos que foram pensados enquanto política educacional, para aquele momento histórico, com a preocupação de aproveitar o máximo os subsídios ali exposto, furto de ideologias, utopias perspectivas de pensadores que acreditaram numa educação melhor para todos deste estado.
Não preocupei com a questão política partidária, considerando que a intenção deste artigo é contar um pouco sobre Política Pública para o Ensino Médio de Mato Grosso na visão governamental de um período rico de perspectivas de mudança na educação brasileira, para isso, necessariamente teria que fazer a leitura, estudo e análise dos documentos produzidos pelo governo, sejam eles de partido a ou b.
Escrever a história da educação de Mato Grosso é um imenso prazer, ao fazer essa viagem penetrei nas entranhas das questões educacionais desse período que disponibilizou referenciais teóricos, conceituais e intenções da época, sendo proposituras que devem constar nos anis do ensino médio e que precisam ser disponibilizados.
Assim, surgiu este artigo, com assuntos de interesse de leitores que são afinados com os temas sobre educação, que não podia ser denso e nem muito resumido, sendo que a intenção primeira foi de preservar a história do ensino médio de Mato Grosso no período em que precisávamos implantar a reforma de uma política educacional prescrita pelo os governamentais, intenções estas descritas nos documentos.
I - A educação dos anos 90 no contexto nacional      
Diante dos problemas que a educação vivenciou nessa década, momento em que solicitava renovação, houve necessidade de rever, e com urgência, a prática da escola enquanto instituição publica, tinha que ser preparada para ser para todos, porém sua história deixava registro de uma educação, cuja estrutura e trajetória, estavam sedimentadas em teorias, práticas, concepções superadas pelo novo modelo de sociedade que estava surgindo. As mudanças no mundo estavam tão céleres e a educação estagnada. A sociedade ansiava por mudanças, ou seja, a educação tinha que redimensionar sua trajetória enquanto escola pública, antes para as elites, para alguns, agora para todos.
Enquanto isso na década de 90 a UNESCO discutia a educação mundial como um problema de governo, ou seja, nacional, dessa discussão surgiu o documento que serviu de referencia para que as nações pudessem traçar suas políticas educacionais como forma de garantir recursos para desenvolver ações necessárias para resolver os problemas da educação básica.
Estávamos saturados, não suportávamos mais escolas públicas que não respondiam às necessidades da sociedade e do mercado de trabalho, com sede de informação e conhecimento, a escolarização apresentava elevados índices de abandono, reprovação e repetência.
Demorou o reconhecimento de que a escola publica deve ser para todos. Por isso, as portas das escolas precisam ficar escancaradas, ou melhor, para todos independente de idade escolar.
O que fazer com tamanha responsabilidade?
O governo precisava adequar à educação existente às novas perspectivas de mudança que ferviam em diversas nações. No Brasil não foi diferente, eram assustadores nossos índices da educação, retratavam a cruel realidade educacional, a escolarização da educação básica era baixíssima.
Precisava revirar tudo o que estava posto em termos de educação, ensino e aprendizagem, o governo tinha pressa em implantar as mudanças demandadas nas discussões internacionais da UNESCO, dentre elas estava a de traçar políticas publicas que pudessem garantir a realização das ações importantes para a educação para todos.
As ações emergiam ao mesmo tempo, parecia não haver tempo hábil para implantar todas as ações necessárias, além de ter que lidar com as mudanças na estrutura organizacional da educação, tinha também, que reformular as antigas e defasadas legislações, melhorar as estruturas físicas das redes de ensino, reorganização o currículo da educação básica e o sistema nacional de ensino.
Os países precisavam constituir suas políticas educacionais respaldadas em projetos com planejamento, objetivos, estratégias, metas, destinar recursos e também reformular o seu aparato legal, tudo isso tinha sido levantado nas discussões sobre a educação para todos que a UESCO estava liderando.
         Como forma de programar as mudanças sugeridas pela UNESCO, o Brasil teve que rever seus antigos referenciais legais sobre educação, colocaram em discussão os pressupostos educacionais por intelectuais, teóricos e cientistas para elaborar uma proposta que pudesse ajustar a educação brasileira na perspectiva do que se discutia internacionalmente, uma educação para todos, ou seja, pública. Daí surge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional/LDB/96. 
A LDB é hoje o documento de referência legal da educação brasileira, nela estão os direitos, deveres e diretrizes do sistema de ensino, consigo abriga consideráveis avanços tais como: universalização da educação básica, melhoria a qualidade da educação, valorização dos profissionais da educação como foco na formação continuada do professor, remuneração, relação de respeito e confiança; garantias de aproveitamento dos cursos de formação continuada, gestão democrática, garantia de recursos financeiros para a educação, e outros.
II – A Educação de Mato Grosso: uma proposta de política pública.
 Mato Grosso começa a discutir a educação existente nessa década em aproximadamente no ano de 1995, com as discussões nacionais sobre as mudanças da educação, o estado estava questionando a educação que vinham oferecendo à sociedade, percebíamos visivelmente que havia um descompasso com o mercado de trabalho e com a vida dos adolescentes e jovens que estavam estudando o antigo segundo grau, que hoje chamamos de ensino médio.     
Foi ai que o Governo do Estado apresentou à sociedade de Mato Grosso a “Proposta de Política Educacional” com o objetivo de ampliar o debate e obtenção de sugestões, visando à construção de uma Escola Publica democrática e de qualidade[2].  Esse documento surgiu a partir dos princípios e diretrizes políticas do “Plano de Metas de Governo”.
A Proposta de Política Educacional do estado assumiu compromisso de buscar alianças para que juntos pudessem desenvolver as proposituras, por muitos considerados utópicas, mas que o governo, naquele momento assumia a responsabilidade de conduzi-las à realização.
Assim, o governo delineou ações estruturadoras das transformações desejadas e descritas no documento, tais como:
1.  Reorganizar o Sistema de Educação do Estado, colocando como foco referencial de suas ações a unidade escolar, promovendo para tanto:
a) a diminuição da estrutura material e humana do escritório de gerenciamento central do sistema;
b) a desativação das instâncias de intermediação educacional nas regiões (Superintendências Regionais de Educação);
c) a ativação de uma linha direta de ação cooperativa com os municípios visando à racionalização das atividades administrativas e a otimização do esforço pedagógico que deverá caracterizar-se como marco de intervenções das diretrizes políticas no sistema;
d) a implantação de um modelo de gestão que deve contemplar a administração democrática, com diretores eleitos, a existência de conselhos para o assessoramento e sustentação comunitária da prática, a garantia de repasse sistemático de recursos financeiros para o custeio e manutenção de pesquisas e possibilite a integração das singularidades, abrindo o veio da criatividade e da identidade regional;
e) a construção gradativa da plena autonomia das unidades escolares;
f) a atualização do conceito de currículo, ativando-o no cotidiano do processo de ensino - aprendizagem;
g) a modernização da prática pedagógica, garantindo a diversidade de multi - meios e a estruturação de pólos regionais de apoio educacional numa prática integrada com a Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT;
h) o monitoramento estatístico da relação entre a demanda real, verificada e o universo de cobertura da rede, identificando as eventuais causas do déficit ou ociosidade no atendimento e orientando a política de expansão do sistema;
i) a instituição, em parceria com os municípios e a sociedade civil organizada, um programa de garantia de permanência do aluno na escola;
j) o estabelecimento de um padrão mínimo de funcionamento das escolas que tenha por paradigma as condições humanas, materiais e físicas;
2 - Promover política de profissionalização docente que estabeleça uma relação madura de responsabilidade e de direito, assegurando:
a) a instalação de um programa de qualificação global que convoque as universidades à elaboração de um programa permanente e de longo prazo visando à eliminação do déficit formativo até o ano de 2014;
b) a revisão e proposição de um novo Estatuto do Magistério e do Plano de Carreiras e Salário;
c) a elaboração de uma política salarial que aponte o resgate da profissão docente.
3 - Instituir um programa de avaliação institucional, interno e externo, que subsidie as necessidades de intervenções e eventuais redimensionamentos de gestão, o acompanhamento permanente da execução da política educacional e instrumentalize a prestação de contas sistemáticas à sociedade[3].
A educação daquele período precisava possibilitar a integração e a cooperação geral de modo a possibilitar a criação de melhores condições para que as mudanças na escola, previstas na política educacional pudessem acontecer exigia uma nova qualidade de ensino que foi assumida pelo governo, que deveria:
a) rever o papel da escola, de modo a entendê-la como espaço privilegiado de trabalho com as características culturais da comunidade escolar, como local de reflexão, estudo e construção conjunta do conhecimento e valorizá-la como espaço de participação;
b) rever a relação educador/educando;
c) rever a concepção de conhecimento de forma: compreendê-lo enquanto um processo dinâmico, que pode ser recriado, reinventado; percebê-lo enquanto resultado das relações que o homem estabelece com o mundo e consigo mesmo, com vistas à instrumentalização para a ação e transformação da realidade; lidar com a pluralidade do conhecimento, superando as noções de “verdades absolutas” ou de “certo ou errado” e com sua relatividade que se constrói com outros homens, marcadas pelo contexto histórico e social.
d) rever a dimensão dos conteúdos na aprendizagem escolar de modo a: repensar a relação entre os conteúdos e a realidade, formando claro que a seleção dos mesmos deve ser sempre objeto de reflexão dos educados; estabelecer relações entre o saber dos alunos e os conteúdos que se pretende que sejam apropriados, sendo para isso fundamental a participação da comunidade no processo da gestão escolar, bem como a investigação da comunidade pela escola; entender a natureza interdisciplinar do conhecimento;
e) Superar o autoritarismo, o desrespeito e o preconceito que ainda marcam as relações da escola;
f) Rever o conceito de currículo, de modo a: entendê-lo como algo dinâmico que requer permanente reelaborará ou reorientação; percebê-lo na perspectiva de gestão democrática como uma construção em processo, portanto, diretamente relacionada ao coletivo da escola através do planejamento participativo; entendê-lo de forma ampla, englobando todas as ações e relações envolvidas no processo ensino-aprendizagem.
g) Formação de Educadores: habilitar professores leigos do ensino fundamental; criar em parceria com o Governo Federal, um Centro de Formação do Magistério que além de habilitação, desenvolva pesquisa na área da educação; formando permanentemente em serviço os educadores de todo o Estado, tendo como referencial o princípio ação-reflexão, o respeito às experiências e a identidade dos profissionais e a consideração das especificidades regionais a partir do incentivo ás mais variadas experiências;
h) Estatuto do Magistério e Jornada de Trabalho
i) Valorização profissional dos educadores.
Na política educacional do estado já havia uma preocupação em garantir a formação dos educadores, numa relação entre a escola que trabalham e o conhecimento, transformando a formação numa perspectiva permanente. E ainda, devendo ser pensada como instrumento de reflexão e de transformação da prática. Devendo ser assegurada em serviço tendo como base as experiências dos educadores.                      
Quanto ao currículo escolar o foco estava direcionado ao tratamento dos conteúdos considerando os objetivos, as estratégias do ensino fundamental, etapa esta, que precisava rever sua finalidade enquanto formação básica, com necessidade de adquiri conhecimentos e habilidades cognitivas e sociais básicas; o desenvolvimento de habilidades e valores que permitam ao conjunto da sociedade incorporar-se forma produtiva aos instrumentos da racionalidade tecnológica; a compreensão ampla de ideias e valores, indispensáveis ao exercício da cidadania moderna. 
Cabe destacar que essas preocupações com os conteúdos foram direcionados á valorização das diversificados e específicos, como educação ambiental, prevenção no uso das drogas, conteúdos voltados para a realidade sócio-cultural permeando os conteúdos básicos na perspectiva de uma prática transdisciplinar.
Além das questões curriculares e de conteúdos que precisavam programar havia outra preocupação de fundamental importância para a vida da escola, a gestão democrática, a autonomia e sistematização de planejamento.
O planejamento nas escolas precisava também passar por sérias transformações, na sua articulação com os órgãos estaduais e municipais, deveria partir das escolas e ser construído por todos os segmentos representados no Conselho Escolar e por ele aprovado.
O Plano Escolar, também chamado de planejamento da escola, tinha que percorrer outro caminho, devendo partir da escola via órgãos competentes e não o inverso, como ocorreu por muito tempo, prática que precisava ser revista por negarmos as imposições advindas do órgão central.
A partir daí, estava aberta a participação para todos e de todos os atores da escola, nascia naquele momento à possibilidade de uma organização escolar democrática, descentralizada, autônoma em suas decisões pedagógicas, com perspectivas para a construção de sua identidade institucional e com capacidade de interagir com o meio social em seu entorno.       
Como a Constituição Federal de 1988 garante a Gestão democrática do Ensino Público à política assegurava a criação de canais para a participação dos diversos segmentos da escola que fazem a educação publica do Mato Grosso, sem deixar de preocupar com a qualidade da educação.  
Surge ai a necessidade de criar um sistema de ensino com gestão democrática e para isso havia necessidade de instituir uma organização de forma colegiada de administração escolar, os chamados “Conselho de Escola”. Aos Conselhos de Escola cabe o papel de gerir as escolas e definir as ações necessárias para que a escola atenda a demanda por educação.
Outro mecanismo de participação democrática sugeridos para serem criados nos Estado e Município são os Fóruns, cuja finalidade é de articular com o governo federal, formas de organização que contribuíssem com a qualidade da educação. Os fóruns deveriam reunir representantes de diferentes entidades educacionais, publica privada e também as organizações sociais.
Enquanto Política Educacional para o Estado de Mato Grosso podemos dizer o estado estava assumindo o compromisso de renovar a educação na perspectiva de colocar no documento os pressupostos emanados pela UNESCO nos aspectos das garantias e de firmar com a sociedade a responsabilidade de tirar do papel o que foi discutido com a comunidade escolar, uma educação para todos.        

Referência
 Secretaria de Estado de Educação, Política Educacional para o Ensino Médio de Mato Grosso: Uma Proposta, Cuiabá, Fevereiro de 1995. 
________________________________________________, Educação Básica de Mato Grosso, Linhas Políticas do Ensino Médio, A construção de uma identidade, 2002, Seduc/MT. 
________________________________________________, Política Pedagógica do Ensino Médio Público Estadual - uma síntese - 2002, Seduc/MT. 
Estamos construindo a Escola Democrática e de Qualidade que a sociedade precisa e deseja. Dante de Oliveira. Educação, revista (falta rever esta referência)  




[1]Citação do documento “Política Educacional para o Ensino Médio: Uma Proposta, p. 10
[2] Política Educacional para o Estado de Mato Grosso/1995 
[3] Política Educacional de Mato Grosso – 1995, p. 15-17   
 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Formação de Professor : ainda não saimos das Disposições Transitórias da LDB/96.

Iza Aparecida Saliés

A educação, como sabemos, precisa avançar muito, conforme dados do MEC 119 mil professores são leigos, ou seja, não possuem habilitação, estão nas redes pública e particulare. A educação básica brasileira ainda convive com pessoas exercendo a docência sem formação apropriada, com formação frágil para a série/turma que leciona.

A formação de professor posta no Artigo 61 da LDB tem como pressuposto garantir uma melhor qualificação e valorização dos profissionais da educação, como também, erradicar os antigos professores leigos , que ainda permanecem nos quadros das escolas, atuando como professor por falta de oferta da habilitação especifica para lecionar .

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ? LDB/96 está preste a completar quase 15 anos e ainda sinaliza necessidades de ser efetivada em alguns quesitos dos dispositivos legais sob a sua égide. Da implantação até os dias atuais percebemos que houve grandes avanços, mas ainda assim, convivemos com fragilidades estruturais no Sistema de Ensino brasileiro, dentre eles, a formação de professor.

Para cumprir os ditames da lei os Sistemas de Ensino Estaduais deveriam ofertar, em convênio com as Instituições Formadoras, cursos de magistério superior (pedagogia) e licenciatura para professores que estavam atuando na educação básica, sem formação inicial tanto na rede publica como privada.

Pois o artigo 87, § 4º da lei diz que, só poderão ser admitidos professores habilitados em nível superior e os sistemas de ensino teriam 10 anos, a partir da data da publicação da citada lei para adaptar suas antigas Políticas Educacionais, tendo em vista a necessidade de suprir a rede com professor habilitado.

As formações realizadas pelos Sistemas de Ensino estavam respaldadas nas necessidades de cada realidade. Mas, o governo entendeu que a Plataforma Freire seria o programa que agregaria todas as ações de formação inicial da educação básica surgidas das demandas dos Estados e do Distrito Federal.

Só que a Plataforma Freire, que foi um cadastro das intenções de formação inicial e de uma segunda habilitação, não teve êxito considerando que ao centralizar as ações do programa o governo licitou instituições de ensino superior de um estado para atender outro estado gerando confronto de finalidades e condições de realização da formação necessária á realidade de cada Sistema.

O Ministério da Educação anunciou recentemente que vai repassar R$ 1,9 bilhão para as instituições de ensino superior para serem investidos na graduação de professores. A finalidade é oferecer cursos para a primeira licenciatura para professores não habilitados, a segunda licenciatura para os que são formados, mas ensinam em áreas diversas das que se graduaram e para bacharéis que precisam de complementação pedagógica para o exercício da docência.

Como forma de garantir a formação inicial para os professores o MEC vai propor ao Congresso Nacional a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), determinando a obrigatoriedade da formação em nível superior para todas as etapas de ensino da educação básica. Atualmente, a LDB permite formação mínima de nível médio na modalidade Normal para os que lecionam nos anos iniciais do ensino fundamental e na educação infantil.

Os professores denominados "leigos" cursaram somente o ensino fundamental (15,9 mil) ou o ensino médio regular (103,3 mil). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação exige que a formação de docentes seja em nível superior, em cursos de licenciatura, admitindo-se o nível médio na modalidade Normal somente para quem ensina no começo do ensino fundamental ou na educação infantil.

Os dados apresentados pelo censo da educação básica de 2007 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacional (Inep), diz que a maioria dos professores tem "apenas" o bacharelado ou lecionam em disciplinas de áreas diferentes da sua formação superior.

Mesmo com os avanços conquistados com a formação de professores no Brasil, encontramos dificuldades quanto aos conhecimentos que são trabalhados na universidade nas disciplinas pedagógicas quanto à matriz curricular, seja do curso de pedagogia ou das licenciaturas. Parece que o tempo acadêmico é curto para todas as demandas teóricas e práticas necessárias para o desempenho da função docente, muitos assuntos de fundamental importância para o professor deixam de ser abordados ou não são tratados com a profundidade que requer, considerando a necessidade de cumprir a extensa matriz curricular dos cursos.

Para Ângela Kleiman? pois os alunos que chegam às universidades têm um embasamento muito precário no que diz respeito à área de linguagem, não sabem fazer uma análise textual, por exemplo, na pedagogia menos ainda.

Essa é a clientela vai para rede pública de ensino. A escola recebe os recém pedagogos e ou licenciados, futuros professores, desprovidos de conhecimentos das Políticas Educacionais do Estado. Para a autora a academia não tem conseguido apresentar conhecimento de linguagem que seja relevante para o professor. A academia não tem produção científica o suficiente para atender as necessidades de formação, ocasionando sérios problemas para o Sistema Estadual de Ensino.

Só para exemplificar, o professor precisa conhecer o aluno e suas fases de desenvolvimento, ou seja, infância, adolescência, juventude, adulta, seu histórico social e econômico, só assim, de posse dessas informações é que o professor pode discutir o currículo de ensino que possa atender de fato as necessidades de aprendizagem para a formação do aluno.

Se o professor vai dar aula na Educação de Jovens e Adultos, ele precisa dominar as metodologias que dizem respeito à aprendizagem do adulto, ou seja, Andragogia.

Então o que aprender na academia para poder ensinar?

Quando o estudante da pedagogia ou da licenciatura faz um diagnóstico dos seus alunos para elaborar o Projeto Político Pedagógico da Escola, de posse desses dados, deve fazer uma análise, essa análise o professor deveria aprender na formação inicial e não na formação continuada, está deve ser para estudos e reflexões sobre a prática do professor.

Quando o aluno (da universidade) faz uma iniciação à pesquisa com um problema de sala de aula, de ensino, ele está avançando muito na sua formação como professor. Ele se vê forçado a reavaliar tudo o que aprendeu na prática acadêmica, tem a possibilidade de uma experiência com uma reflexão sobre a linguagem.

Essa é apenas uma das diversas situações que encontramos nos sistemas estaduais e municipais de ensino. Infelizmente encontramos professores gambiarra, ou seja, pessoas não habilitadas gerenciando salas de aula, esse é um ranço muito antigo.


REFERÊNCIAS

CASTRO, A. H. O professor e o mundo contemporâneo. Jornal O Diário Barretos, opinião aberta, 08 jul 2004.
GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2000.



Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/formacao-de-professor-ainda-nao-saimos-das-disposicoes-transitorias-da-ldb-96/70909/#ixzz292jnV6Jl

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Escola de Tempo Integral, uma perspectiva de qualidade de ensino.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Publicado:www.seduc.mt.gov.br

Iza Aparecida Saliés


O Ministério da Educação está fazendo um estudo para aumentar o tempo de permanência dos alunos nas escolas, ou seja, implantar as escolas de tempo integral na rede pública de ensino, segundo informação do ministro da Educação Fernando Haddad.

A pesquisa foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas e a priori demonstrou que um aumento de dez dias no ano letivo pode elevar o aprendizado do aluno em até 44% no período de um ano. Foram analisados aproximadamente 200 estudos científicos tanto nacionais como internacionais, a partir dos quais elegeu 25 categorias relacionadas com o sistema educacional e avaliou como a alteração de cada um deles afeta o aprendizado dos estudantes. Um dos responsáveis pela pesquisa, André Portela, da Fundação Getúlio Vargas, disse que o objetivo foi avaliar o impacto de uma intervenção, tendo tudo mais inalterado

Foram consideradas também outras medidas de ampliação da exposição do aluno ao professor, tais como: o aumento da carga horária diárias dos alunos, a redução do número de turmas e do absenteísmo docente e a adoção de cursos de recuperação e de férias. André Portela afirma ainda que se todos esses itens formem de fato investidos, o resultado com política publica poderá contribuir para a implantação de cada uma das necessidades estruturais delineadas pela pesquisa.

O Ministério quer sugerir a ampliação dos dias letivos, de 200 para 220 dias e aumentar a jornada diária de quatro para cinco horas, ou utilizar as duas possibilidades. Nessa perspectiva de inovar a jornada escolar dos alunos que o Ministério da Educação pretende implantar nas escolas públicas do país precisa ter foco na sua finalidade precípua, que é a melhoria da qualidade do ensino, pois, sabemos que o fato de ampliar a carga horária do aluno não garante necessariamente que a educação vai melhorar, podendo gerar gastos desnecessários para o sistema de ensino.

Estudiosos e pesquisadores sobre educação acham que aumentar o número de dias letivos pode favorecer muito mais do que o aumento de horas diárias de aula para os alunos, uma vez que dessa forma não é necessário ampliar ou melhorar a infra-estruturar das escolas já existentes. Tanto a ampliação dos dias letivos com os de carga horária, ambos vão exigir do governo mais investimentos para a escola, o que gera sérias preocupações para o sistema.

A jornada escolar que amplia o tempo do aluno na escola precisa ser acompanhada de condições estruturais, físicas, de equipamentos, pedagógicas, de professores, e ainda assim, ela precisa estar amparada em estudos que apontam a possibilidade de impactar positivamente no processo ensino e aprendizagem.

Os especialistas já teceram seus comentários quanto à proposta, alguns vêem a proposta com restrições, tendo em vista, que ela só fará diferença de fato, no processo ensino e aprendizagem, caso esteja inserida no Projeto Político Pedagógico da escola e venha acompanhado de outras medidas, como o investimento na formação e valorização do professor, e digo mais, se for política de governo.

De acordo com Paulo Cezar Carrano, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), para ampliar a jornada escolar da escola que está posta, há necessidade de rever as condições que dispõe a rede de ensino, seria inviável considerando que contamos com escolas sem condição de oferta de tempo integral por falta de espaço, temos muitas escolas com prédios inadaptados, em decomposição, quebrado, derrubado, e mais, professores mal remunerados. Segundo ele, a escola de tempo integral precisa oferecer uma diversidade considerável de atividades, como, trabalhos pedagógicos de pesquisa fora do espaço escolar, trabalhos de arte, música, e outras atividades que surgirem da necessidade da própria escola.

E, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV as crianças brasileiras não passam, em média, mais de quatro horas por dia nas unidades escolares, o que parece muito pouco para desenvolver as atividades acadêmicas com os alunos, mas se bem utilizado pelos professores, pode render mais do que o desejado.

Assim, a escola passará a ser espaço um mais plural, com possibilidade diferente de ensinar e aprender, tanto no próprio espaço escolar como fora dele, contribuindo significativamente com a aprendizagem do aluno.

Somos cientes de que o aumento do tempo não define a qualidade da educação, mas é uma possibilidade a ser utilizada para fortalecer os processos pedagógicos da escola, quando levado em conta o currículo, a condição de trabalho, as condições dos professores e a condição dos alunos.

A escola de tempo integral é para os teóricos uma oferta diferenciada de ensino, com grandes chances de romper antigos paradigmas que estão impregnados na cultura escolar, como a evasão e o abandono, mas, para que isso aconteça, faz-se necessário que as escolas desenvolvam projetos que integrem atividades pedagógicas do currículo escolar do turno de estudo do aluno com as atividades que serão desenvolvidas no outro turno de modo que a carga horária seja organizada aproveitando da melhor forma possível o tempo dos alunos na escola.
O fato de estender o período escolar com projetinhos como de arte, jogos, tarefa sem a orientação de um professor e sem planejamento específico para as atividades desejadas, de nada adiantará, pois, os alunos vão dispersar sem que seja alcançado o objetivo principal, que é melhorar a qualidade do ensino.

Não podemos perder de vista o foco no currículo, o professor do contra turno deve participar das discussões curriculares, da composição das disciplinas na matriz curricular estabelecida no Projeto Político Pedagógico como também das atividades pedagógicas propostas pelo professor da disciplina. Os professores são responsáveis pelas atividades programadas e executadas no seu turno, portanto precisa tomar cuidado, pois o desempenho vai ser analisado pela coordenação pedagógica da escola e pelo professor do turno.

Quanto ao professor que vai trabalhar no outro turno do aluno, o mesmo precisa planejar junto com outro professor as atividades que deverão ser trabalhadas, assim o professor precisa buscar alternativas diferenciadas de trabalhar o currículo utilizando de metodologias diversificadas de modo a garantir a continuidade do processo ensino aprendizagem do aluno.

É atribuição do professor também, promover a articulação para unir os turnos que o aluno estuda, com base nos conteúdos curriculares, montar trabalhos produtivos, as atividades desenvolvidas nos turnos precisam ser integradas, porém, independentes, se assim não acontecer, não haverá sentido e nem finalidade, a escola de tempo integral.

Das experiências vivenciadas por algumas escolas que atendem em tempo integral, percebe-se que há valorização das tarefas mais livres, ou seja, as não pedagógicas, com as brincadeiras, as oficinas e ações com a comunidade, entretanto, as aulas que são para atender necessidades pedagógicas que não foram contempladas no turno, as relacionadas ao currículo, estas, parecem estar em segundo plano, sem conexão com as disciplinas do turno e tidas pelos alunos como uma coisa chata.

Referências

- CE João Bettega, R. Visconde do Ferro Frio, s/nº, 81050-080, Curitiba, PR.

- CIEP Frei Veloso, R. Franklin Távora, s/nº, 21710-030, Rio de Janeiro, RJ.
Artigo Turno e contra turno. Ercília Angeli, Maria de Salete Silva e Maria do Carmo Brant de Carvalho.

- Educação Brasileira em Tempo Integral, Ana Maria Villela Cavaliere, 240 págs, Ed. Vozes

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Onde está a nossa história?

Iza Aparecida Saliés



Sabe que até agora estou passada de ver como foi e está sendo a repercussão da morte do Governador Dr. Garcia Neto, por parte dos ilustres políticos, por que não dizer, também de muitos mato-grossenses.

É uma pena que isso esteja acontecendo, parece que poucos sabem quem foi Garcia Neto, ou não conhecem a história de Mato Grosso.

Acho que não precisa, neste momento descrever o currículo desse político que até hoje carrega sobre os ombros o legado da divisão do estado. Dr.Garcia Neto ao assumir a gestão do estado recebeu do Governo Federal a missão de preparar o povo para a divisão do estado, isso aconteceu nos idos de 1977.

Fiquei pasma ao saber que o velório do Dr. Garcia Neto ocorreu na Capela dos Jardins. Como pode um homem que ajudou a desenvolver o estado antes e depois de dividido, realizando grandes obras para Cuiabá e para a região, não recebeu honras de estadista, ficou deselegante para Mato Grosso, por que não dizer foi uma gafe.

Confesso que nós cuiabanos tínhamos receio da divisão do estado, mas no bojo dessa intenção, tinha um projeto de colonização do norte do estado, ainda assim, continuamos temerosos com a nova situação, tivemos que engolir a divisão, pois não havia retorno era uma proposta do Governo Federal e pronto.

E o respeito a nossa história onde esta? Dr. Garcia Neto, político companheiro, homem de não deixar correligionário na estrada, amigo fiel. Ao solicitar para ele um pedido político, seus companheiros de partido podiam esperar sem resposta a pessoa não ficava, mesmo que não fosse naquele momento, depois você recebia o comunicado em sua residência, e na maioria das vezes, era positiva.

Professor Eduardo de Brito Ferreira da UDN de Rosário Oeste, já falecido, companheiro de Dr. Garcia Neto de partido, acompanhou sua trajetória política, era defensor ferrenho dele na cidade, juntos discutiam as estratégias políticas para o município, ao tomar o saudoso cafezinho, tomado escondido na porta do quintal da sua casa.

Sou admiradores da sua postura política, era homem público de palavra, de fidelidade partidária, de ideologia, a política para ele estava no sangue, nos gestos, na postura como ser humano, no sentimento, no simples aperto de mão, e no respeito aos seus companheiros de trajetória política.

Ainda bem que fiz parte dessa história, que não sabemos onde está.

Não ouve a voz da experiência, sofre.

Iza Aparecida Saliés - iza.salies.ap@gmail.com


Ao fazer as minhas leituras diárias na mídia, deparei novamente com notícia sobre o concurso, dizendo que as provas serão realizadas em três datas, o que não altera em quase nada o que já aconteceu.

A questão é como realizar um concurso de tamanha envergadura de diferentes áreas técnicas da gestão pública, que exige cargos e funções próprias para o desempenho do profissional no trabalho?

Os cargos oferecidos no concurso, possuem teorias e concepções próprias que demandam saberdes de diversas áreas do conhecimento como direito, contabilidade, física, química, matemática, português, estatística, geografia, geologia e outros mais.

Fiquei pensando, o problema do concurso é a gestão dele, parece que o grupo que está conduzindo o certame não domina as artimanhas do serviço público, ou não quer ouvir que sabe.

Cada dia que passa sai uma notícia sobre o concurso parece até que estão tentando várias possibilidades, sem a certeza do sucesso.

Não podemos negar que o vexame foi maior que a encomenda. Qualquer funcionário público de carreira sabe, e creio que profetizou que esse concurso não daria certo da forma que eles queria fazer, não porque estavam torcendo para não dar certo, pelo contrário, pela experiência que temos de fazer concurso e nunca deu errado.

Sabemos selecionar as instituições que queremos, sabemos que prova queremos e precisamos, sabemos selecionar conteúdos, sabemos o perfil de entrada que precisamos para cada cargo, e mais, conhecemos as instituições do mercado que trabalham com concurso.

Ficou visível a total demonstração de falta de visão de gestão pública por parte dos organizadores do concurso ou não quis ouvir quem tem experiência.

Sei que na Sad e em qualquer órgão do Estado que está participando desse evento, possui técnicos competentes para conduzir o concurso, ciente dos passos necessários para realizá-lo o concurso é um processo, tem todo um ritual obrigatório que precisa ser cumprido, caso deixe de fazer, pode esperar, vai dar tudo errado depois, como deu.

Era notório que o governo queria realizar um hiper mega concurso público, e acabou colocando Mato Grosso no cenário nacional como incompetente coisa que nunca fomos, sabemos fazer bem feito, isso para nós servidores é café pequeno. Só para citar um exemplo, a educação é uma área do governo bastante específica, que requer funções próprias, que devem ser cobradas e selecionadas para compor o perfil do futuro docente, assim como a segurança, o planejamento, a fazenda, todas requerem especificidades de finalidades.

Não entendo por que o governo deixou a cargo da Unemat todas as fases e procedimentos para a realização do concurso, a inscrição, a prova, a logística. Não é função de a Sad acompanhar e monitorar a instituição realizadora do evento em todo o percurso e verificar os problemas? Será que os organizadores não sabiam que a instituição estava com problemas internos de gestão?

Qualquer pessoa comum viu pelos jornais os problemas de inscrição, dificuldades de acesso à web da Sad e da Unemat para o atendimento ao público, enfim, situações que não foram solucionados antes da realização do mesmo, seja, pelo órgão responsável (Sad) ou pela instituição contratada para o serviço (Unemat).

É sabido que a Unemat não tinha aporte técnico e estrutural suficiente para atender tal demanda, ainda assim, o governo insiste em quer que a mesma instituição? Só que agora “pediu ajuda aos universitários” (UFMT).

Sem sal e sem graça.

Iza Aparecida Saliés

Tive uma grande surpresa ao assisti a minissérie Dalva e Herivelto, da rede globo, depois do segundo capítulo percebi que não vivenciaria grandes emoções, pois faltou enredo e beleza. Percebi também, que a obra estava empobrecida de texto e contexto significativos sobre a história dos protagonistas.

A obra da autora estava centrada em situações comportamentais, a cenas foram direcionadas para o cotidiano da vida deles, sem aprofundar nos tramas que pareciam conquistas, sucesso. As cenas de brigas, discussões, gritos e agressões foram a tônica da minissérie.

Ao expor a vida profana e tumultuosa dos atores principais, a autora deixou de explorar o lado profissional deles, as conquistas, as lutas para cantar na Rádio Nacional. Pouco se sabe sobre trajetória de sucesso que eles tiveram e como isso repercutiu e ainda repercute para a história da música brasileira.

As composições musicais não foram exploradas pela autora, ou seja, como foi escrita? Em que momento da vida deles, elas surgiram? E o trio? Seu sucesso? Vejo que houve fragilidade quanto ao aspecto histórico do trio e a contribuição do grupo para a música brasileira da época e de agora.

As cenas foram mornas, pouco instigantes e provocativas, ficaram na superficialidade do texto, sem aprofundar na realidade dos fatos, parece até que não podia expor mais sobre o assunto.

Confesso que assisti pálidas cenas de conflito, urgias, empobrecidas no seu texto e contexto, não despertando o encantamento esperado.

Esperei por muito, e acabei assistindo uma trama sem sal e sem graça.

Futilidade também tem utilidade

Iza Aparecida Saliés

Desta vez resolvi assistir o BBB, com atenção, observado os acontecimentos e as situações inusitadas que acontecem no cotidiano do programa.

No dia da abertura do programa percebi um fato, que me causou estranheza, foi no momento em que a Angélica disse para Eliane ficar quieta, como se ela não pudesse fazer parte da conversa, em que todos estavam participando.

Mas, Angélica não satisfeita com o ocorrido na sala, teve um papo particular com a mesma, momento em que soltou suas fúrias pessoais na humilde da Eliana, que nem percebeu ter incomodado a princesa.

As contestações da Angélica com a menina não passaram de coisa pequena, porque não dizer insignificante, a menina ficou assustada, sem entender o acontecido. Quem quer aparecer mais?

Bom, agora vamos falar do apresentador Pedro Bial, ao dizer que a banca que fez a seleção “tem pluralismo, um conceito inteligente” será que ele sabe o que significa pluralismo?

Pluralismo inteligente não é colocar pessoas de opção sexual, o seja, homo no programa e explorar sua condição pessoal, isso não quer dizer que a globo está agindo com pluralismo de idéias, pensamento e concepções, assim sendo, não estão sendo inteligentes, retratando desconhecimento sobre o assunto.

Percebi também que perguntas feitas por eles na maioria das vezes são indiscretas, as brincadeiras são jocosas conduzindo a atitudes desprovidas de sensatez e colocando as pessoas em situação constrangedora. Agindo assim, o apresentador precisa aprofundar seus conhecimentos sobre os conceitos de alteridade, diversidade e pluralismo.

O que parece é que os gays estão no programa para agirem como os palhaços do BBB, se não sabem ou não foi acordado, sinto muito, estão sendo.
Qual a necessidade de apresentar a opção sexual deles? Sei que não tem problemas em declarar a sexualidade deles, então, com que intenção está fazendo isso?

A diversidade sexual não está sendo respeitada pelo programa, Bial precisa entender o devido conceito, posto que a perspectiva seja de aceitação das pessoas do jeitinho que elas são dessa forma estaremos contribuindo com a formação dos jovens que estão assistindo o programa.

Outro detalhe percebido é a improvisação, as atitudes tomadas pelo apresentador no programa, ora o líder é fulano ora é sicrano, demonstrando despreparo por parte da produção do programa.

Ah! Quero falar também, sobre o beijo entre Serginho e Dicesar que para mim, pareceu coisa combinada, a revelação e a euforia dos dois estavam muito aparente, transbordante, o foco da atenção do programa estava direcionado para eles, os gays, ou seja, os coloridos.

Para chocar de verdade o beijo deveria ser entre um gay e um homem, ai sim, seria um beijo estarrecedor, mas, de uma dupla homossexual isso não caracteriza beijo colorido.

Outra coisa que me chamou a atenção foi à discussão sobre a tatuagem nas costas de um rapaz que parece ter sido eliminado por isso, Marcelo Dourado e o ex-brother Rafael Valente estavam conversavam sobre o caso quando Elenita entrou na conversa e aproveitou para dar uma aula sobre os aspectos históricos e o que representa para a humanidade esse símbolo, seus significados e ressignificados.

Cabe ressaltar que toda essa discussão sobre as inépcias atitudes dos participantes e do apresentador, é permeada por desconhecimentos culturais, históricos, por que não dizer de conhecimento acadêmico, também.
Então digo “vivendo e aprendendo e morrendo sem saber” ditado popular que explicita muito bem o que estamos assistindo no BBB.

Mesmo num universo fútil surgem atitudes, comportamentos e conhecimentos úteis.

domingo, 24 de julho de 2011

Matutando sobre o ofício de ensinar

Iza Aparecida Saliés

As discussões no campo educacional estão centradas nos questionamentos quanto à atuação do professor, o que ensina, portanto, precisamos falar sobre as políticas de formação de professor que os Sistemas de Ensino oferecem, tanto a formação inicial como a continuada.

Apesar dos avanços na formação inicial e continuada dos professores, a formação de professor ainda encontra-se em período de estágio, havendo necessidade de uma discussão mais profunda, podendo ser até mesmo conceitual da formação continuada, seja ela reflexiva pesquisadora da ação ou teórica.

Considerando as diferentes concepções que pairam no movimento pedagógico dos intelectuais da educação, sabemos que são fortes as indagações sobre a qualidade da prática pedagógica do professor no ato de ensinar e aprender, o que acontece na sala de aula.

Ao falamos de qualidade do ato de ensinar na educação deparamos com inúmeras demandas que são necessárias, só para citar algumas, tais como; a estrutura física, a de gestão, a pedagógica de investimento, equipamentos tecnológicos e outros que contribuem com o desempenho do professor nas suas atividades pedagógicas na escola, são necessários sim para uma melhor atuação na sala de aula.

A qualidade na educação passou a ser o jargão que atribui ao professor o ônus da educação, como também, faz sérias indagações sobre a forma de ensinar a forma de aprender que consequentemente está afetando a prática e o ofício de dar aula. A prática do professor é uma das mais significativas que permeiam as questões pedagógicas.

A escola está ocupando um espaço social muito relevante, mais que nos tempos passados, além de cuidar das questões pedagógicas a escola precisa agir em momentos de conflito, indisciplina e violência ocasionando contraponto com o ato de ensinar, função precípua da educação.

A função do professor mudou, não é mais o de apenas dar aula, vai mais além, há momentos em que o professor precisa agir como conciliador orientador e amigo fraterno dos alunos. Os pais deixaram do orientar seus filhos e atribuiu à escola essa tarefa.

A escola precisa de professores que estejam preparados para enfrentar a escola que a sociedade quer e precisa uma escola que age com rapidez, que seja moderna atual e de qualidade. Com as transformações ocorridas na sociedade a escola passa a ser o lócus de conciliação das ocorrências que surgem no período de aula durante o tempo de escolarização do jovem, ou seja, o tempo que ele está na escola.

As escolas passaram a preocupar com o acolhimento, o apoio e a compreensão dos problemas dos alunos, o que passou a ser rotina no cotidiano escolar, que sem dúvida está interferindo no processo ensino e aprendizagem. Surgem os conflitos, a violência, a rebeldia, a indisciplina, provocando nos alunos desinteresse, apatia, eles estão muito desmotivados, desinteressados, dificultando a ação pedagógica.

Agora os professores precisam, além de ministrar suas aulas, precisa ainda trabalhar as questões humanitárias, sociais e de assistência aos jovens considerando que a grande maioria não dispõe de uma convivência amistosa com seus familiares.

O professor em muitos casos é a pessoa indicada para ser o mediador de situações conflituosas entre os alunos, fatos que ocorrem na sala de aula sedentos por explicações básicas, formativas que um simples diálogo pode aparar as arestas.

O papel social da escola modificou na medida em que as famílias passaram a preocupar com a sobrevivência, ou seja, com o trabalho e deixando em segundo plano a formação dos filhos, logo, quando surgem as dificuldades, dúvidas sobre suas necessidades íntimas, próprias da idade e dos jovens em formação, é na escola que surge fomenta essa preocupação.



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Iza Aparecida Saliés Sou professora da rede estadual de ensino, com 32 anos estudando, discutindo , pensando educação , gosto muito de ler e escrever , opinar sobre temas relacionados com o ensino.
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terça-feira, 14 de junho de 2011

Lendo e relendo os pressupostos pedagógicos de Nóvoa

•Por Iza Aparecida Saliés

O tema abordado pelo autor a ser discutido neste texto é sobre os “Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo” dentre as citações realizadas durante a apresentação, ele, destacou a importância do bom professor para a sociedade, nada substitui esse profissional. E diz que, os professores precisam fazer um exercício de grande humildade, enquanto profissionais da educação.

Para o autor a escola deve ser centrada no aluno, todos nós partilhamos essa idéia, mas, defendeu também que a escola de ser centrada na aprendizagem, considerando que atualmente, na escola, há um excesso de missões.

O reflexo da sociedade emergente foi aos pouco sendo lançando para dentro da escola, atribuindo a ela muitas tarefas, tanto para a gestão escolar como para os professores, na gestão do ensino, sem perceber o espaço escolar passou a ser uma extensão da comunidade, atrapalhando suas funções, dificultando a defi¬nição de prioridades e caracterizando tudo como de fundamental importância.

Há muitas escolas trabalhando sem foco, são instituições distraídas, dispersivas, são incapazes de definir estratégias claras em seus Projetos Político Pedagógicos. Quando são definidas as ações no Projeto Político Pedagógico a escola tem dificuldade de priorizar, estabelecer sua missão. Será que a escola vai conseguir realizar tudo?

O autor chama de “transbordamento” essas atribuições impostas pela sociedade e a comunidade que parecem importantes, mas que precisam ser analisadas para não dispersar a prioridade principal dos docentes, que é a aprendizagem dos alunos.

Historicamente a pedagogia moderna chega para mexer com os paradigmas do sistema de ensino, que transforma o aluno como centro das discussões pedagógicas. E atualmente discute-se a centralidade das questões pedagógicas com foco no aluno, na aprendizagem e no conhecimento. Sabemos que a aprendizagem está relacionada ao aluno, então, estamos dizendo que como pessoa, precisa ser considerada o seu desenvolvimento, o seu bem-estar. Para que aprendizagem aconteça há necessidade de que haja o conhecimento.

Precisamos fortalecer a escola com foco na aprendizagem, o aluno e o conhecimento são de fundamental importância para o processo ensino e aprendizagem. A aprendizagem não acontece sem aluno, sem considerar as referências às suas subjetividades, sem considerar os seus contextos sociais, suas sociabilidades, ou seja, o seu contexto de realidade.

Segundo o autor, a aprendizagem não acontece sem o conhecimento e sem a aprendizagem desses conhecimentos, ou seja, sem o domínio dos conhecimentos científicos das respectivas disciplinas escolares. Esse conhecimento, só pode acontecer via escola, sem dúvida, o espaço que temos para constituir a sociedades do conhecimento, capaz de acompanhar o desenvolvimento contemporâneo.

Faz-se necessário inovar a aprendizagem, introduzir novas ciências, nas práticas escolares. A peda¬gogia e o trabalho do professor estão ainda muito fechados para as novas ciências, para as tecnologias. O novo modelo de sociedade exige da escola inovações nas práticas pedagógicas e nas discussões curriculares.

Os profes¬sores precisam, com urgência, estudar, pesquisar novas áreas de conhecimento científico que fazem parte da ciência da educação, são teorias necessárias e estimulantes e que deslumbram saberem específicos servindo de aporte teórico aos conhecimentos formais necessários para a aprendizagem do aluno.

Tudo permeia o conjunto de saberes necessários para que o professor possa abordar com propriedade questões de comportamento, sentimento, sociais e da aprendizagem, são temas que estão no dia-a-dia da escola, do professor que nós ainda não sabemos lidar com ele no contexto da nossa prática na sala de aula.

Considerando que a aprendizagem é complexa que permeia diferentes caminhos para se constituir e depende fundamentalmente dos aspectos cognitivos, emocionais e sociais do aluno, não há como instituir um currículo de ensino que não esteja respaldado nos aspectos atuais de respeito à diversidade cultural, social econômica, política e de saberes constituídos pelos alunos (fora da escola). Esse currículo está posto para as escolas, mas, ainda em forma de concepção teórica, conceitual, havendo necessidade de uma longa caminhada de formação para os professores, na perspectiva dos novos paradigmas pedagógicos.

Ao defender a escola centrada na aprendizagem, o autor diz que essa escola precisa ser menos “transbordante”, mais direcionada, precisa saber fazer, inevitavelmente: deve haver um pata¬mar comum de conhecimentos. É importante que as crianças saiam da escola com um patamar comum de conhecimentos para que todos possam estar nas mesmas condições de conhecimento.

Dessa forma, estaremos de fato oferecendo uma escola capaz de conduzir o desenvolvimento do seu currículo com clareza das necessidades e demandas da sua clientela e preparando os alunos para esse novo modelo de sociedade do conhecimento.

Essa é a escola que precisamos



Fonte: http://www.webartigos.com/articles/66182/1/-Lendo-e-relendo-os-pressupostos-pedagogicos-de-Novoa-/pagina1.html#ixzz1PGMXVzF4