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terça-feira, 3 de janeiro de 2017


Uma caminhada no campo da Educação: minha vida no magistério.
 
Iza Aparecida Saliés

 
          A formação escolar que tive, percorreu uma trajetória muito bem cristalizada nas exigências das décadas de 60 e 70, ou seja, tempo das chamadas escolas tradicionais. Passei pelo antigo primário, curso de admissão, ginásio, magistério, licenciatura curta, plena e pós-graduação, uma caminhada que contribuiu para uma carreira profissional sedimentada na ética e nos bons costumes.

          Esse percurso acadêmico fez o diferencial na minha profissão sim, sem dúvida, mas, não posso negar que o fato da minha mãe ser Professora Normalista[1], influenciou consideravelmente para a consolidação da minha opção pelo magistério.

          Percebo que as vivências escolares foram constituídas por bons diretores, bons professores, ensino responsável, disciplinado, sendo em alguns momentos um pouco rígido, contudo, afirmo que esse modelo de escola serviu e ainda serve de referencial para as minhas atividades profissionais e da vida.   

Em 1978, quando estava cursando o segundo ano do magistério, fui convidada para dar aula na primeira série do primário, (na mesma escola onde fazia o magistério), fui trabalhar com a alfabetização, sem a mínima experiência, tive dificuldades de adaptação com a prática pedagógica e pouca orientação pedagógica da coordenação, tudo foi muito inesperado. No ano seguinte peguei uma turma de segundo ano, melhorou um pouco, e assim fui passando pelas diferentes etapas da Educação Básica, Ensino Superior e Pós – Graduação.

Com o termino do magistério precisava fazer um curso superior, morando no interior do Estado, as possibilidades eram mínimas, não passava de um sonho,  bastante distante. Só que em 1979 a Universidade Federal de Mato Grosso, estava interiorizando os cursos de licenciatura, implantando em Nortelândia e Rosário Oeste os primeiros municípios a serem contemplados. Em Rosário Oeste foi oferecido o Curso de Letras e Estudos Sociais, e eu passei para o Curso de Licenciatura de 1º grau em Estudos Sociais, formando em 1982, o curso era modular, intensivo, estudávamos no período das férias escolares, com oito h/a diárias de aula, ou até mais.

Como o curso era de Estudos Sociais, tínhamos disciplinas da Área das Ciências Humanas, a organização curricular era composta por disciplinas do Curso de História e Geografia, para fazer a complementação poderíamos optar por uma ou outra das licenciaturas, assim sendo, fiz opção pelo Curso de História.

A habilitação em História ampliou as minhas possibilidades profissionais, pude pleitear trabalhos técnicos e pedagógicos no trabalho, mas, por outro lado às exigências também foram maiores, as tarefas demandavam mais estudo e aprofundamento teórico para fazer a interface com a prática, trabalhar na área técnica requer o domínio de conhecimentos específicos da área da educação.

Não satisfeita com uma graduação senti necessidade de fazer outro curso, então, escolhi Pedagogia por estar envolvida em ações pedagógicas, por situações vividas no desempenho das minhas funções laborais e por gostar das questões que discutem o ensino, a aprendizagem, metodologias, avaliação e práticas pedagógicas.

Tive a oportunidade de trabalhar na Pro sol, como Coordenadora Pedagógica das Creches de Cuiabá, cuja atribuição era fazer a interlocução da Seduc com essa Secretaria, nessa função, ficou pouco tempo, sendo designada para retornar para o mesmo órgão, assim sendo, fui trabalhar na Equipe de Ensino Médio em 1997, onde permaneci até setembro de 2009.

Recentemente recebi o convite para trabalhar na Superintendência de Formação da Seduc, ao aceitar tive que conhecer os documentos produzidos pela equipe, primeiro precisou ler o Regimento Interno do setor, li também a Política de Formação de Professores, o Projeto Sala de Professor e o Decreto que institui os Cefapros e outras normativas pertinentes.

Pelo fato de trabalhar na Superintendência de Educação Básica e discutir o Currículo de Ensino facilitou o olhar para a formação de professores uma vez que a implantação das Orientações Curriculares da Educação Básica de Mato Grosso passa necessariamente pela formação de professores da rede estadual de ensino e as possíveis demandas de formação que poderão surgir.

Apesar de reconhecer que meus conhecimentos são parcos quanto às especificidades da formação de professores, mesmo assim, ao ler os documentos percebi que há necessidade de rever a Política de Formação de Professores, mas precisamente no que diz respeito à formação de formadores, pois, entendo que quanto à estruturação dos Cefapros, rede física e logística de formação, estes, está bem, havendo necessidade de pensar a formação de formadores.

Posso estar equivocada, mas neste momento vejo uma forte preocupação do órgão em fortalecer os Cefapros o que não deixa de ser preciso, porém o ponto fundamental da Política de Formação de Professores está no papel da Seduc frente à Formação de Formadores.

Cumpri ressaltar, que o meu referencial de formação continuada que construí ao longo desse período de trabalho com formação de professores da Educação Básica da Rede Estadual de Ensino, percebo que os professores que atuam nessa etapa de ensino, encontram dificuldade em conciliar a teoria com a prática, como também de trabalhar as inovações pedagógicas postas pela reforma do governo federal e as implantas pelo Estado.

Essa é uma preocupação que angustia os profissionais que lidam com a formação, sinto que estamos num eterno redemoinho que dificulta reverter essa situação.

As nossas proposituras de cursos quando programadas estão sempre direcionadas para a implantação e ou implementação de Projetos ou Programas do MEC, da Seduc e os da própria escola, deixando a desejar quanto ao aprofundamento da discussão sobre as questões mais específicas da prática escolar, ou seja, pedagógica do professor, quanto ao Currículo de Ensino, Projeto Pedagógico ou (Político), Ensino, Avaliação da Aprendizagem, Metodologias, Concepções de Aprendizagem, inovações pedagógicas, seleção de conteúdos e outros, tudo isso é de fundamental importância para que possamos orientar às escolas e atender as demandas de formação de formadores.    

Apesar de transitar em todas as etapas da educação básica como professora, confesso que só após trabalhar com formação de professores é que senti de fato que a minha profissão é ser professora, não só pelo aspecto social em que está inserida, como em reação à ciência do ensino e da aprendizagem.

Não posso negar que os cursos que fiz ao longo da minha formação continuada em serviço ou não, foram de fundamental importância para a consolidação de uma trajetória profissional madura, com clareza das limitações impostas pelo sistema, que nos faz muitas vezes impotentes profissionalmente, mesmo assim, ainda sonho com a educação, arrepio, tenho utopias, incertezas, desejos de mudança, vontade de transformar a realidade dos jovens de classes sociais economicamente menos favorecidas, por condições desconhecidas que só possuem a escola pública como caminho para uma formação humanística, integral capaz de progredir na vida, no trabalho, ser cidadão e ter uma vida digna.   

Participei de vários projetos da Seduc e também com parcerias com outros órgãos, sempre com o compromisso de articular interesses comuns, na intenção de fazer a integração da educação com a sociedade, ou melhor, desenvolver projetos cujos temas sejam socialmente relevante e que precisam ser abordados no Currículo da Educação Básica e que possam contribuir com a formação de professores.

Considerando a longa trajetória percorrida com professora e tendo em vista o interesse de pesquisar as condições em que se encontram a Formação de Formadores da Seduc, pretendo desenvolver durante a pesquisa de mestrado, caso seja aprovada, o tema proposto, na certeza de poder contribuir para retomar e fortalecer as discussões sobre a formação de formadores enquanto uma ação que está sob o olhar dos próprios Cefapros.

O ponto fundamental do estudo desta proposta está respaldado na indagação: como estão sendo formados os formadores dos Cefapros, havendo necessidade questionar quanto à falta de uma ação afirmativa por parte da Seduc que direcione ou apresente proposições que possam fortalecer essa ação, pois ainda continuamos com deficiências na pratica pedagógica do professor, pouca fundamentação teórica de concepções pedagógicas e dificuldades de romper com práticas seculares de dar aula.

  Cabe neste momento afirmar que essas preocupações surgiram ao longo do desenvolvimento do meu trabalho com o currículo de ensino, com formação de professores e também porque pretendo ampliar, aprofundar os meus conhecimentos acadêmicos, por considerar que um profissional da educação precisa estar atualizado e preparado para o desempenho de suas funções de professor e ou de formador de formadores de professores, pois a sociedade exige profissionais competentes, capazes de contextualizar saberes com a vida, com o mundo do trabalho e em especial na profissão.

  Esta propositura tem a intenção de contribuir com a pesquisa na área educacional, não só pelas experiências que aconteceram durante a minha carreira, mas também, pela vontade de transpor desafios que surgem durante os trabalhos, que superados, com base em estudos profundos que demanda aportes teóricos da academia para ajudar a entender as demandas que a sociedade requer e a escola precisa atender com qualidade.

Para tanto precisamos investigar as causas do hiato que há entre a Seduc, enquanto responsável pela formação de formadores e os Cefapros que são responsáveis pela formação de professores.

Pensando assim, pergunto Como a Seduc definiu a formação de formadores na Política de Formação de Professores da Educação Básica da Rede Estadual de Ensino? ? E a formação dos formadores como está sendo desenvolvida atualmente? A formação de formadores é feita pela Seduc, pelos Cefapros ou por instituições formadoras conveniadas pelo órgão? Há um programa de formação para os formadores por parte da Seduc? Ou dos Cefapros? Onde está garantida essa formação?

Ao finalizar, quero aqui expressar a minha preocupação com essas questões, que hoje estão obscuras tanto para mim como para a Seduc e que requer investigação científica, endossados por uma academia para validação como política de formação para este órgão, são questionamentos que precisam de respostas urgentes, rápidas e eficazes.

Temos pressa, precisamos fazer uma Educação Básica de qualidade, e para tal, faz-se necessário pontuar considerações sobre a Gestão da Formação dos Formadores de Professores para fomentar a discussão sobre a formação de formadores como resposta da Seduc que urge por ações contundentes que possa fazer parte da Política de Formação de Professores e contribua no diferencial da qualidade da prática do professor.                                                 
 

[1] Professora Delza Pereira Saliés

Desabafo da alma.


Iza Aparecida Saliés

                                                            Cuiabá, 10 de Janeiro de 2015.

 

Não sei por que hoje acordei com o coração apertado, sufocado por imensa dose de sentimentos amorosos não vividos, abafados pela dor que insiste em absorver minhas forças, minha vontade, meus desejos, que arrebatam as entranhas de minha alma, como é doloroso sentir saudade do que não podemos mais possuir!   

A vontade de extravasar o que está dentro deste coração sofrido, é forte, e necessária, está latente em mim de tal forma que não consigo controlar, então deixei sair tudo que precisa ser delatado para não implodir este frágil coração que tem passado por muitos dissabores na vida. Tento reerguer mesmo com as dores que cobrem as películas do meu coração, mas acabo caindo, caio e levanto, levanto e caio, assim vou seguindo a vida com o alento do senhor.  

Não é fácil, dói muito, muito mesmo, a necessidade de escrever nasce para aliviar o coração, faz bem, deixar explodir tudo que está preso nos sentimentos que insistem em ficarem encubados na escuridão da saudade que cobre mês pensamentos, vontades, desejos, tudo, tudo mesmo.   

Das pessoas que amo e não estão mais neste plano, agora fazem parte da estrutura familiar divina, mesmo certa disso, ainda assim acho falta, sofro por não tê-los comigo. 

Deixei sair tudo que estava reprimido no meu coração, penso que ao delatar a minha dor posso amenizar o que vivo sozinha na solidão do meu quarto, na solidão quando estou dirigindo, quando estou em grupo, são momentos que vivo para tentar superar e curar essa ferida que sangra meu ser.  

Busco forças que penso ter, elas não aparecem, somem,  quando vejo, não ás vejo mais, assim fico, totalmente dependente das energias superiores e da compaixão do senhor, só ela consegue me levantar quando chega, fortalece  músculos, os sentimentos, as estruturas emocionais, até que eu possa reerguer e continuar vivendo.

Sinto como um pássaro errante, que busca um ninho para ser acalentado, mas só consigo ancorar em ninhos ocupados. Não entendo porque só entro em direção errada, rumo a ocupar lugar que já está ocupado? Pela segunda vez, pouso em ninho ocupado, quando vejo já estou vivendo de aluguel, ocupando propriedade alheia, espaço de outros, e pagando por isso, sem dúvida!Como pago caro por isso! 

Preciso de colo, sinto falta dos afagos dos meus queridos que estão na grande morada, sei perfeitamente que estão bem, mas as ondas de saudade são incontroláveis, deixando um vazio que insiste em fazer parte deste ser tão frágil, impotente, e quase deixa inconsciente, amortece o pensamento, o agir, rasgando e continuar amando ainda que, esse sentimento esteja ferido em minha alma.

Tenho que expressar tudo que estou passando, o que estou fazendo e o que estou sentindo, sabe que você é uma pessoa bastante ponderada, sensível, compreensível, amável, amigo sabe escutar o coração do próximo com sabedoria

Valor este, muito peculiar a sua pessoa, por isso estou profundamente apegada a você, meu amor, amo seu coração, seus valores, sua expressão, ou seja, jeito de ser, tudo, mas tudo mesmo de você, não sei como e nem porque, mas é assim que sinto agora  

Deixei a alma fluir, falar, e fui escrevendo, sempre é assim que acontece, mas hoje foi especial, precisava desabafar, meu peito estava trancado, sentido, choroso, por motivos explicáveis, porém desnecessários de preocupação, coisas do passado que ainda insiste em permanecer cutucando meus sentidos, emoções e de vez em quando aparece para entristecer meu coração.

Mas, como tenho uma alma generosa, bondosa, que tem a paciência de ouvir meu coração pelas palavras, falas e escritas aproveito para soltar as asas das emoções e deleitar nesse campo sereno, manso e suave, que é seu coração sem abusar dessa liberdade que tanto preso e respeito.                                                                          

 

  

Crônica sobre um amor infinfo


João Salgado: uma vida, uma historia amor, e agora saudade. 

 

Iza Aparecida Saliés

 

Nesses dois dias vivi, mais uma vez a emoção da perda, desta vez foi o meu cunhado João Salgado. João fez parte de muitas páginas da minha vida, foi cordato, conciliador e mais, deixou marcas indeléveis de amizade, carinho e consideração.

João Salgado, exemplo pessoa, deixa para todos nós a reflexão de que aqui nesta vida precisamos ser serenos, mansos de coração, seu jeito de ser transbordava serenidade, mansidão que para mim fez a diferença ser humano que foi.   

Tinha uma grande admiração da sua conduta como esposo, pai sogro e avô, tratavam todos com a sua santa paciência, nas diante das dificuldades agia com calma, tudo pra ele estava bom. Eu dizia pra ele, João, eu queria ter esse sangue de barata que você possui.  

Como homem, sinônimo de ótimo marido, pai, irmão, cunhado, sogro, avô, colega, amigo, por onde passou, no trabalho, no lar, nas amizades, sempre esteve solicito, com seu sorriso curto, tímido, porém de profunda serenidade.

Entregamos João Salgado, hoje, nos braços de Jesus, para que ele tome conta dessa pessoa maravilhosa, que em vida seguiu certinhos os preceitos da palavra de Deus.

Estamos com o coração dolorido, choroso, mas, com a certeza de que nosso querido João Salgado já foi recebido na casa do Senhor.