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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O tempo do ba-be-bi-bo-bu ficou para trás


O tempo do ba-be-bi-bo-bu ficou para trás


 
Carilona Tarrui
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Deba­tes sobre a ­melhor ­maneira de alfa­be­ti­zar as crian­ças não são uma novi­dade dos nos­sos dias. "Por mais de um ­século, os esfor­ços de ­mudança das esco­las se con­cen­traram nessa ques­tão", diz Maria do Rosá­rio Longo Mor­tatti, pro­fes­sora livre-­docente da área de edu­ca­ção da Uni­ver­si­dade Esta­dual Pau­lista. Até o final do século 19, as esco­las cos­tu­ma­vam alfa­be­ti­zar ­usando os cha­ma­dos "méto­dos sin­té­ti­cos", que vão da "parte" para o "todo". O ­método alfa­bé­tico uti­liza as ­letras. O fônico, os sons cor­res­pon­den­tes às ­letras. O silá­bico, as síla­bas. Em um ­segundo momento, per­ce­beu-se que seria ­melhor uti­li­zar méto­dos ana­lí­ti­cos, que par­tem do todo. Pas­sou-se então a ensi­nar lei­tura e ­escrita a par­tir de pala­vras, sen­ten­ças ou his­to­rie­tas, que ­faziam mais sen­tido para as crian­ças, para só ­depois che­gar à aná­lise das par­tes: as ­letras. "Mui­tas esco­las mes­cla­ram os dois méto­dos, dando ori­gem ao ana­lí­tico-sin­té­tico ou vice-versa", diz Maria do Rosá­rio. A par­tir de 1980, porém, o uso des­ses méto­dos pas­sou a ser for­te­mente ques­tio­nado. "Nesse ­momento chega ao Bra­sil o pen­sa­mento cons­tru­ti­vista sobre a alfa­be­ti­za­ção, resul­tante das pes­qui­sas sobre a psi­co­gê­nese da lín­gua ­escrita, desen­vol­vi­das pela argen­tina Emí­lia Fer­reiro", ­explica Maria do Rosá­rio. As pes­qui­sas de Emí­lia muda­ram o foco de “como se ­ensina” para “como se ­aprende”. ­Parece pouco, mas essa ­mudança cau­sou uma revo­lu­ção.

 "Suas pes­qui­sas mos­tra­ram que as crian­ças criam hipó­te­ses pró­prias sobre a escrita, muito antes de serem auto­ri­za­das pela ­escola a apren­der. E que o ­ensino pre­cisa dia­lo­gar com essas hipó­te­ses", diz Telma Weisz, coor­de­na­dora do curso de espe­cia­li­za­ção em alfa­be­ti­za­ção, do Ins­ti­tuto Supe­rior de Edu­ca­ção Vera Cruz. Para o pen­sa­mento cons­tru­ti­vista, dei­xar crian­ças peque­nas escre­ve­rem o que qui­se­rem num papel ou lousa faz parte da alfa­be­ti­za­ção. Elas não pro­du­zem rabis­cos, ainda que ­pareça. O que estão ­fazendo é se apro­xi­mar da cul­tura ­escrita. "Não é neces­sá­rio levar o ba-be-bi-bo-bu para a sala, nem falar da foné­tica. A ­criança per­cebe tudo sozi­nha. Isso é o que Emí­lia mos­trou. Para apren­der a ler, o que você pre­cisa é pen­sar sobre a ­escrita. Esse é o ponto difí­cil para algu­mas pes­soas enten­de­rem", ­afirma Telma.

O pen­sa­mento cons­tru­ti­vista foi, gra­da­ti­va­mente, sendo dis­se­mi­nado entre os edu­ca­do­res nas esco­las bra­si­lei­ras. Mas a falta de um "método ­constru­ti­vis­ta" dei­xou os pro­fes­so­res per­di­dos. Eles enten­diam a teo­ria, mas se per­gun­ta­vam como fazer em sala de aula para tra­ba­lhar com essas hipó­te­ses dos alu­nos. "Com isso, às vezes sem ­admiti-lo, esco­las e pro­fes­so­res uni­ram, de for­mas pró­prias e muito dife­ren­tes, o que enten­diam da pers­pec­tiva cons­tru­ti­vista com os méto­dos antes uti­li­za­dos", diz Maria do Rosá­rio, que ­entende que não é pos­sí­vel pres­cin­dir de méto­dos, de um cami­nho, um pro­ce­di­mento.

Construtivismo: discurso e prática


Hoje, muitas ins­ti­tui­ções par­ti­cu­la­res dizem acre­di­tar no pen­sa­mento cons­tru­ti­vista. "Pra­ti­ca­mente não há esco­las que não se assu­mam cons­tru­ti­vis­tas", ­observa Fer­nando José de ­Almeida, ex-secre­tá­rio muni­ci­pal da Edu­ca­ção de São Paulo. "Só que isso não é real para ­grande parte delas, por­que, em mui­tos casos, o cons­tru­ti­vismo se tor­nou um dis­curso, mas não se cons­ti­tuiu em uma pra­tica", diz. Os colé­gios inte­gra­dos Domus Sapien­tiae e Mon­tes­sori Santa Tere­zi­nha, por exem­plo, ini­cial­mente usa­vam ape­nas o ­método ­fônico. "É uma téc­nica de deco­di­fi­ca­ção de sons ­criada no iní­cio de 1900. Com as pes­qui­sas de Emí­lia Fer­reiro, sabe­mos que a ­cri­ança está em con­tato com o mundo ­letrado desde cedo e que pre­ci­sa­mos tra­ba­lhar com isso, antes in­clu­sive de apre­sen­tar os sons. Valo­ri­za­mos mais do que antes a impor­tân­cia dos tex­tos, o tempo que ca­da aluno pre­cisa para ler e escre­ver", diz a coor­de­na­dora ­Solange ­Rodella. No colé­gio, desde peque­nas as crian­ças são esti­mu­la­das a ampliar o seu uni­verso de lei­tura, por meio de his­tó­rias, e a pen­sar sobre a cul­tura ­escrita. "Aos 6 anos, apre­sen­ta­mos gra­fe­mas e fone­mas às crian­ças", conta. ­Depois das ­vogais, elas apren­dem, por meio dos sons, o "PVR" e daí por ­diante. ­Entram, então, os dita­dos: a par­tir de um dese­nho, o aluno forma a pala­vra com letri­nhas de ­madeira. Após a cons­tru­ção das pala­vras, há o ­momento de auto-cor­re­ção, pois a ­criança tem a seu lado o ­modelo cor­reto. "Enten­de­mos que de nada ­adianta ter ­idéias e não saber ­expressá-las orto­gra­fi­ca­mente, assim como não há vali­dade em escre­ver cor­re­ta­mente, mas sem ­idéias", ­afirma ­So­lange. "Torna-se impos­sí­vel sepa­rar os dois". 

 

Ensino da letra cursiva para crianças em alfabetização divide a opinião de educadores


Ensino da letra cursiva para crianças em alfabetização divide a opinião de educadores

 
HÉLIO SCHWARTSMAN
articulista da Folha

Deve-se ou não exigir que as crianças escrevam com letra cursiva? A questão, que divide educadores e semeia insegurança entre pais, está --ao lado da pergunta sobre o ensino da tabuada-- entre as mais ouvidas pela consultora em educação e pesquisadora em neurociência Elvira Souza Lima. A resposta, porém, não é trivial.

Quatro ou cinco décadas atrás, a dúvida seria inconcebível. Escrever à mão era só em cursiva e, para garantir que a letra fosse legível, os alunos eram obrigados desde cedo a passar horas e horas debruçados sobre os cadernos de caligrafia.

Veio, contudo, a pedagogia moderna, em grande parte inspirada no construtivismo de Piaget, e as coisas começaram a mudar. O que importava era que o aluno descobrisse por si próprio os caminhos para a alfabetização e a escrita proficiente. Primeiro os professores deixaram de cobrar aquele desenho perfeito. Alguns até toleravam que o aluno levantasse o lápis no meio do traçado. Depois os cadernos de caligrafia foram caindo em desuso até quase desaparecer.

O segundo golpe contra a cursiva veio na forma de tecnologia. A disseminação dos computadores contribuiu para que a letra de imprensa, já preponderante, avançasse ainda mais. Manuscrever foi-se tornando um ato cada vez mais raro.

No que parece ser o mais perto de um consenso a que é possível chegar, hoje a maior parte das escolas do Brasil inicia o processo de alfabetização usando apenas a letra de forma, também chamada de bastão.

Tal preferência, como explica Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG, tem razões de desenvolvimento cognitivo, linguístico: "No momento em que a criança está descobrindo as letras e suas correspondências com fonemas, é importante que cada letra mantenha sua individualidade, o que não acontece com a escrita "emendada' que é a cursiva; daí o uso exclusivo da letra de imprensa, cujos traços são mais fáceis para a criança grafar, na fase em que ainda está desenvolvendo suas habilidades motoras".

O que os críticos da cursiva se perguntam é: se essa tipologia é cada vez menos usada e exige um boa dose de esforço para ser assimilada, por que perder tempo com ela? Por que não ensinar as crianças apenas a reconhecê-la e deixar que escrevam como preferirem? Essa é a posição do linguista Carlos Alberto Faraco, da Universidade Federal do Paraná, para quem a cursiva se mantém "por pura tradição". "E você sabe que a escola é cheia de mil regras sem qualquer sentido", acrescenta.

A pedagoga Juliana Storino, que coordena um bem-sucedido programa de alfabetização em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, é ainda mais radical: "Acho que ela [a cursiva] é uma das responsáveis pelo analfabetismo em nosso país. As crianças além de decodificar o código da língua escrita (relação fonema/ grafema) têm também de desenvolver habilidades motoras específicas para "bordar' as letras. O tempo perdido tanto pelo aluno, como pelo professor com essa prática, aliada ao cansaço muscular, desmotivam o aluno a aprender a ler e muitas vezes emperram o processo".

Esse diagnóstico, entretanto, está longe de unânime. O educador João Batista Oliveira, especialista em alfabetização, diz que a prática da caligrafia é importante para tornar a escrita mais fluente, o que é essencial para o aluno escrever "em tempo real" e, assim, acompanhar a escola. E por que letra cursiva? "Jabuti não sobe em árvore: é a forma que a humanidade encontrou, ao longo do tempo, de aperfeiçoar essa arte", diz.

Magda Soares acrescenta que a demanda pela cursiva frequentemente parte das próprias crianças, que se mostram ansiosas para começar a escrever com esse tipo de letra. "Penso que isso se deve ao fato de que veem os adultos escrevendo com letra cursiva, nos usos quotidianos, e não com letras de imprensa".

Para Elvira Souza Lima, que prefere não tomar partido na controvérsia, "os processos de desenvolvimento na infância criam a possibilidade da escrita cursiva". A pesquisadora explica que crianças desenhando formas geométricas, curvas e ângulos são um sério candidato a universal humano. Recrutar essa predisposição inata para ensinar a cursiva não constitui, na maioria dos casos, um problema. Trata-se antes de uma opção pedagógica e cultural.

Souza Lima, entretanto, lança dois alertas. O tempo dedicado a tarefas complementares como a cópia de textos e exercícios de caligrafia não deve exceder 15% da carga horária. No Brasil, frequentemente, elas ocupam bem mais do que isso.

Ainda mais importante, não se deve antecipar o processo de ensino da escrita. Se se exigir da criança que comece a escrever antes de ela ter a maturidade cognitiva e motora necessárias (que costumam surgir em torno dos sete anos) o resultado tende a ser frustração, o que pode comprometer o sucesso escolar no futuro.

O que a ciência tem a dizer sobre isso? Embora o processo de alfabetização venha recebendo grande atenção da neurociência, estudos sobre a escrita são bem mais raros, de modo que não há evidências suficientes seja para decretar a morte da cursiva, seja para clamar por sua sobrevida.

Há neurocientistas, como o canadense Norman Doidge, que sustentam que a escrita cursiva, por exigir maior esforço de integração entre áreas simbólicas e motoras do cérebro, é mais eficiente do que a letra de forma para ajudar a criança a adquirir fluência.

Outra corrente de pesquisadores, entretanto, afirma que, se a cursiva desaparecer, as habilidades cognitivas específicas serão substituídas por novas, sem maiores traumas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Práticas inovadoras em educação

Esther Cristina Pereira - cris@escolaatuacao.com.br
Esther Cristina Pereira é psicopedagoga, diretora da Escola Atuação e vice-presidente do Sinepe/PR.



Com o objetivo de divulgar e reconhecer as boas experiências das instituições de ensino que estão interessadas em transformar a educação, o Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR) acaba de lançar o Prêmio Sinepe/PR de Práticas Inovadoras em Educação 2015. O Prêmio é inédito no estado.

As instituições de ensino particular poderão participar com projetos cuja proposta contemple um dos três subtemas: Inovação em Sustentabilidade, Inovação em Inclusão Social ou Inovação Pedagógica.
As inscrições já estão abertas e seguem até o dia 24 de julho de 2015. Podem participar os projetos que foram iniciados a partir de janeiro de 2012 e que comprovem resultados até o ano de 2014, pelo menos. O projeto também precisa descrever um ciclo de implantação de, no mínimo, um ano letivo. Todos as informações sobre o prêmio estão disponíveis no endereço www.sinepepr.org.br, assim como a forma de participação.

O Prêmio pensou em contemplar todos os níveis da Educação. Por isso, podem concorrer as instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio Regular e Ensino Técnico Profissionalizante, Educação Superior e Cursos Livres (escolas de idiomas, dança, música, de artes e academias). Em cada uma das categorias haverá a premiação para 1.º, 2.º e 3.º lugar, totalizando 12 premiações.

Os participantes deverão escrever um projeto que deve incluir um resumo, relatando o início das atividades e número de alunos e profissionais envolvidos; um histórico do projeto, com a apresentação institucional, descrição e justificativa para a implantação, objetivos e desafios. Além disso, o projeto deverá constar o envolvimento e relacionamento com os públicos de interesse, estratégias adotadas, recursos utilizados, relevância e aspectos inovadores da atuação, e o impacto do projeto na comunidade. Por fim, é preciso descrever os resultados alcançados com o projeto e se existem perspectivas de aperfeiçoamento e de continuidade.

Os projetos serão avaliados por uma Comissão Julgadora, que será formada por pessoas de diversas áreas, como social, jurídica, técnica, ambiental, administrativa e de imprensa, que deverão conduzir as decisões relacionadas à avaliação e trabalhos inscritos, mantendo-se isentas em relação a tais atividades.

A Comissão Julgadora vai indicar três projetos finalistas de cada categoria, que atingirão as maiores pontuações, de acordo com a tabela de critérios de avaliação (consulte o regulamento). O julgamento vai adotar critérios de avaliação como a relevância do trabalho para a instituição; qualidade da estratégia desenvolvida; qualidade das ferramentas e ações de comunicação utilizadas; resultados alcançados; envolvimento com os públicos de interesse e apresentação das informações prestadas.

Para se ter uma ideia da amplitude desse Prêmio é só lembrar que hoje temos no Paraná 1.790 instituições privadas de ensino regular que atendem 690 mil alunos da Educação Infantil ao Ensino Superior. Se forem somados mais os números de academias, cursos livres e escolas de idiomas, teremos cerca de 2,5 mil instituições no Estado.

Sabemos que estão acontecendo muitas práticas de Inovação em Sustentabilidade, Inclusão Social e Pedagógica dentro das instituições paranaenses. E o que esse Prêmio propõe é divulgar essas boas e inovadoras práticas. Nós precisamos acreditar no trabalho da escola, do professor, e que a educação é o único caminho para uma nação se tornar verdadeiramente melhor.
No dia 13 de novembro deste ano serão anunciados os vencedores durante a cerimônia de premiação, que acontecerá no Espaço Torres. Anote a data na agenda e participe!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

9 Dicas Preciosas de como Retardar o Envelhecimento

Editoria de Saúde
Mantenha-se Ativo à Medida que Envelhece


Qualidade de vida se conquista com disciplina e força de vontade, nunca com desleixo e acomodação
Praticar atividades físicas é benéfico para as pessoas de todas as idades. O segredo é simples, manter-se ativo. Isso pode ajudar a:
  • Prevenir doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer
  • Melhorar sua força, equilíbrio e disposição física para que você possa se manter independente
  • Aumentar suas defesas imunológicas contra vírus sazonais e oportunistas
  • Aumentar sua capacidade de recuperação contra as enfermidades, especialmente infecções
  • Reduzir os sintomas da depressão e ansiedade.
Antes de você começar...
Se você tiver algum problema como doenças do coração, diabetes ou obesidade, fale com seu médico sobre a melhor forma de iniciar um programa de exercícios. Ele certamente irá sugerir uma avaliação médica para determinar a carga ideal de atividades para seu perfil.
Tente fazer duas horas e meia de exercícios aeróbicos moderados por semana
  • Escolha atividades que aumente seus batimentos cardíacos, como caminhar mais rápido, dançar, ou pedalar uma bicicleta ergométrica.
  • Comece devagar – com menos de dez minutos de exercício por vez e vá aumentando o tempo gradualmente. Por exemplo, primeira semana 10 minutos, segunda quinze, etc. Uma média ideal de seções de exercício é de pelo menos 3 vezes por semana.
  • Avise a seu médico se sentir falta de ar, dor no peito, perda de peso incomum ou algum outro sintoma que julgue fora do normal para sua fisiologia.
Faça atividades de fortalecimento duas vezes por semana
  • Tente fazer levantamento de peso. Você também pode usar latas de alimentos como peso. Não exagere, pegue um peso adequado à sua capacidade.
  • Expire quando levantar o peso e inspire quando abaixar. Segurar a respiração pode provocar mudanças na sua pressão sanguínea.
Faça atividades de equilíbrio três dias por semana ou mais
  • Pratique ficar sobre um pé só
  • Erga os calcanhares ficando apoiado na ponta dos pés pelo menos duas vezes por dia. Isso ajuda a ativar a circulação nas partes inferiores do corpo, eliminando ou minimizando o risco de varizes e tromboses nas pernas. Esse exercício pode ser feito em pé ou sentado.
  • Aprenda Tai-Chi, um exercício de Mente-Corpo Chinês, que envolve o movimento devagar e cuidadoso do corpo. Isso faz aumentar a quantidade de endorfinas benéficas na sua circulação, permitindo um maior relaxamento corporal, uma melhor qualidade de sono e controle da pressão arterial.
  • Entre para uma aula de yoga ou tente fazer em casa com a ajuda de vídeo-aulas.



Autor:
Editoria de Saúde do Site Mundo Simples.
Email: mundosimples@mundosimples.com.br

Bibliografia utilizada: Guia Médico da Família da Assoc. Paulista de Medicina - Ed. Nova Cultural
http://healthfinder.gov/

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

QUAL A DIFERENÇA ENTRE RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO?

Desde a antiguidade os raios fascinam e aterrorizam a humanidade. Por muito tempo acreditava-se que os raios eram castigos enviados por deuses furiosos e, somente no século XVIII, o fenômeno foi cientificamente explicado por Benjamin Franklin.

Um raio é uma descarga elétrica produzida entre nuvens ou entre uma destas nuvens e o solo. Chamamos de relâmpago a descarga visível com trajetórias sinuosas e de ramificações irregulares que vem acompanhado muitas vezes de uma onda sonora chamada trovão.

Os raios são produzidos pelas diferenças de potencial na atmosfera e se apresentam de três formas diferentes:

(i) da nuvem para o solo;
(ii)?do solo para a nuvem e
(iii) entre nuvens.

A descarga ocorre no momento em que as cargas elétricas atingem energia suficiente para superar a resistência elétrica do ar, de forma explosiva, luminosa e violenta. Embora haja um consenso desde o século XVIII com os trabalhos de Franklin sobre a natureza elétrica dos raios, ainda não há uma teoria definitiva que explique a eletrificação da nuvem, havendo controvérsias sobre seu mecanismo de formação.

Contudo, sabe-se que, na maioria dos casos, a descarga ocorre a partir de duas fases: na primeira, libertam-se da nuvem várias descargas menores a partir do ar ionizado, criando assim uma corrente iônica que aumenta à medida que se aproxima do solo. Neste momento, ocorre no sentido inverso ao longo daquele trajeto, uma corrente aniônica (ou catiônica, dependendo do "sinal" da carga). É esta segunda descarga que vemos e ouvimos, e que irá contribuir para equilibrar as cargas iônicas da nuvem e do solo.

Em geral, as descargas verticais normalmente predominam na frente de uma tempestade. Já os raios horizontais se formam na parte de trás e estão sempre presentes em qualquer "trovoada", aquecendo o ar, no local, até temperaturas muito elevadas. O aquecimento do ar causa a expansão explosiva dos gases atmosféricos ao longo da descarga elétrica, resultando numa violenta onda de choque (ou de pressão), composta de compressão e rarefação, que são interpretados como trovão.

Uma tempestade típica produz, em média, três ou quatro descargas por minuto. Esses raios tem, em geral, um comprimento que varia de 0,1 a 20 km, um diâmetro de 2 a 5 cm e são capazes de aquecer o ar a temperaturas em torno de 30000 ºC em alguns milisegundos, contudo, apenas 1% da energia do raio é convertida em ruído (trovão) sendo o resto libertado sob a forma de luz.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Letra feia é um problema?


CALIGRAFIA

Por que algumas crianças têm letra “bonita” enquanto outras parecem ter dificuldade para desenhar as palavras?


Texto Adriana Carvalho

Aprender a escrita de mão na era do computador e da digitação ainda é importante?

Se seu filho está no Ensino Fundamental e não consegue fazer aquele traçado redondinho e perfeito das letras, não se alarme: ter letra bonita não é o essencial. Segundo os especialistas no assunto, a questão principal não é a beleza da letra. O importante é ajudá-lo a se exercitar para ter uma letra legível, para que ele possa efetivamente se comunicar por meio da escrita. "O cuidado precisa ser em ajudar a criança a ter uma letra legível, que possa ser compreendida por diferentes leitores, dentro e fora da sala de aula", diz Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila, de São Paulo.

Uma letra legível se conquista com a prática, ressalta a neurocientista Elvira Souza Lima. "A letra da criança precisa ser compreensível para que ela e os outros leiam. E isso só se consegue com treino. A criança que desenha muito dos 3 aos 6 anos geralmente consegue educar melhor o movimento", afirma Elvira, que é doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Sorbonne, em Paris.

Além de desenhar, exercícios de traçado e cópias de texto também ajudam a desenvolver os movimentos da mão. E para quem acha que a letra cursiva está ultrapassada por causa do uso cada vez mais freqüente da digitação e do computador, vale explicar: esse tipo de letra tem funções que vão além da comunicação escrita. A letra cursiva ajuda a criança a entender a divisão entre as palavras, a exercitar a memória e também a desenvolver habilidades para outras atividades, como o desenho de mapas e de gráficos. Veja abaixo algumas das principais dúvidas sobre o assunto e as respostas das especialistas:

Para ler, clique nos itens abaixo:
Crianças que têm dificuldade com o traçado podem ter algum problema de desenvolvimento motor?A cobrança de ter "letra bonita" pode prejudicar a criança?É correto que crianças misturem letras bastão e cursiva na escrita?Os cadernos de caligrafia estão em desuso?

Na era da digitação e da internet, qual a importância de aprender a escrever em letra cursiva?O tipo de letra de cada pessoa, de cada criança, pode ser considerado uma característica pessoal sua?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A História da Feijoada

Escola Kids



Um prato de sabor maravilhoso e que revela coisas interessantes do nosso passado


A história de um povo pode ser reconhecida de formas muito diversas e não tem a ver somente com a leitura de antigos livros e documentos empoeirados. O passado está presente nos locais mais incríveis de nosso cotidiano e não é preciso muito para reconhecer isso. Uma das maiores provas dessa afirmação está na cozinha, nos pratos que consumimos diariamente. O ato de comer não envolve uma simples questão de sobrevivência, mas também revela nossa história e um amplo conjunto de experiências vividas por nossos antepassados.


A feijoada é um exemplo bastante interessante disso, sendo rotineiramente consumida em diversas regiões do país e bastante identificada como um dos pratos que ainda definem a culinária brasileira. Para muitos, a feijoada é um prato que mostra uma parte dos desafios que os escravos enfrentavam para sobreviver. Afinal de contas, tendo sua força de trabalho explorada, teriam que buscar formas diversas para arranjar uma dieta que fosse capaz de recuperar sua condição física após uma desgastante rotina de trabalho.


É a partir dessa situação que muitos explicam a feijoada como uma estratégia de sobrevivência das populações negras do período escravocrata. Segundo essa tese, os donos de escravos consumiam carne de porco e descartavam os restos que consideravam de menor qualidade. Foi daí que, para incrementar sua própria dieta, os escravos recolhiam essas partes “ruins” para fazerem um cozido com as sobras do porco, feijão e alguns outros legumes que tivessem à disposição. Nascia então, desse modo, a deliciosa feijoada que hoje consumimos em vários lugares do país.


Contudo, existem outras questões que devem ser consideradas antes de falarmos que a feijoada é um simples ato criativo dos escravos. Em primeiro lugar, devemos considerar que o acesso à carne era algo nada simples em tempos coloniais. O consumo de carne fresca era restrito às famílias que tinham condições de criar ou adquirir animais próprios para o consumo. Desse modo, seria minimamente estranho que esses privilegiados se dessem ao luxo de desperdiçar algumas partes do animal que ainda garantissem uma mesa farta.


Ao mesmo tempo, devemos lembrar que essa combinação de carnes e legumes cozidos já existia na Europa. Já nos tempos do Império Romano temos relatos de que os povos latinos realizavam esse tipo de mistura para organizar suas refeições. Entre os franceses, o famoso cassoulet, composto por feijão e diferentes tipos de carne, é um evidente amigo da feijoada brasileira. Além desses exemplos, podemos citar que os espanhóis também, desde o começo da Idade Moderna, consumiam carne cozida junto com “fabas”, uma espécie de feijão branco.


De tal modo, podemos muito bem supor que a invenção da feijoada pode ter sido uma criação bem mais complexa do que a história que estamos acostumados a tomar como verdade. No processo de exploração da força de trabalho dos negros, devemos lembrar que os escravos domésticos acabavam incorporando tradições da culinária europeia dos seus proprietários. Sendo assim, a feijoada brasileira foi uma clara invenção que revela o diverso encontro de povos que origina a cultura e a mesa do nosso país.



Por Rainer Gonçalves Sousa
Colaborador Escola Kids
Graduado em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG
Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG

domingo, 22 de abril de 2012

Sugestão de aula: De grão em grão... a história dos provérbios

De grão em grão... a história dos provérbios
Investigue a origem dos provérbios mais usados em diferentes regiões do Brasil e questione os alunos sobreos valores que estão por trás dos ditados populares

Objetivo
- Perceber o conteúdo ideológico dos provérbios.
- Analisar a relação entre provérbios e "sabedoria popular".

Conteúdos
- Provérbios da Língua Portuguesa.
- Sabedoria popular.

Tempo estimado
Duas aulas

Materiais necessários
Cópias do artigo "'O seguro morreu de velho’: a história de um provérbio vivo" (Veja, Ed. 2245, 30 de novembro de 2011); computador com acesso à internet para mostrar o vídeo da canção "Bom Conselho", disponível em http://abr.io/1Yf7 (você também pode utilizar um aparelho de som para mostrar a canção aos alunos); cópias da letra da canção para todos os alunos; cartolinas e canetinhas para a elaboração de um painel de provérbios.

Introdução
O artigo de Veja sobre o provérbio "O seguro morreu de velho" aponta um caminho interessante para analisar com a turma que conteúdos ideológicos estão por trás das manifestações da chamada "sabedoria popular". Percorra essa trilha com os alunos.

Desenvolvimento
1ª aula
Comece distribuindo aos alunos cópias do artigo de Sérgio Rodrigues, intitulado "'O seguro morreu de velho’: a história de um provérbio vivo" e conte à turma que os dois próximos encontros serão dedicados a analisar os provérbios da Língua Portuguesa que mais utilizamos em nosso dia a dia.
Após a leitura silenciosa do texto, verifique se todos os alunos sabem o que são provérbios. Para tanto, sugira que cada estudante escreva os provérbios que conhece em uma folha de papel. Esse material, depois de eliminadas as repetições, vai servir para a montagem de um painel sobre os provérbios da Língua Portuguesa, e em especial os utilizados nas diversas regiões do Brasil. Lembre que vários deles são formulados de maneira diversa em Portugal e nas regiões de nosso país. E alguns podem soar obsoletos, fazendo referência a coisas que não existem mais: estão "mortos" ou "em estado terminal", em oposição ao que o autor do artigo de Veja chama de "provérbios velhos, mas ainda vivos".
Em seguida, coloque em discussão a ideia de "sabedoria popular". Leve a turma a perceber que se trata de um conhecimento acumulado e transmitido durante gerações e que, por vezes, é identificado ao "senso comum". Os provérbios estão entre os meios de transmissão desse conhecimento, que pode ser confirmado ou negado por pesquisas de cunho científico.
Solicite aos alunos que destaquem os ditados citados no artigo, entre os quais o conhecido: "Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém". Ressalte a existência de rimas em alguns deles: "Confia no futuro, mas põe a casa no seguro" e "Quem corre pelo muro não dá passo seguro". Mostre que esse recurso facilita a memorização do provérbio.
Chame a atenção para a presença, na maioria dessas afirmações, daquilo que o autor chamou de "um tom de cautela e conservadorismo". São expressões de um conhecimento de raízes camponesas e burguesas, que abrangem diferentes conteúdos ideológicos.
Forneça alguns exemplos e peça que os jovens enriqueçam a lista, classificando os provérbios de acordo com a mensagem que desejam transmitir, conforme explicitado abaixo. Eles também devem explicar, com suas próprias palavras, o sentido dessas "pílulas".

Persistência
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Deus ajuda a quem cedo madruga.
De grão em grão a galinha enche o papo.

Aceitação de relações sociais marcadas pela desigualdade
A corda arrebenta sempre do lado mais fraco.
Quando o pobre come frango, um dos dois está doente.
Quem nasceu para dez réis não chega a vintém.
Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
Casa de ferreiro, espeto de pau.

Expectativa de que as faltas cometidas serão punidas
A justiça tarda, mas não falta.
A mentira tem pernas curtas.
Após a tempestade vem a bonança.
Aqui se faz, aqui se paga.
Quem espera sempre alcança.

Solidariedade
A união faz a força.

Individualismo
Cada um puxa a brasa para a sua sardinha.
Cada um por si, Deus por todos.

Igualdade "plebeia" entre os indivíduos
Quando um burro fala o outro abaixa as orelhas.
Cada macaco no seu galho.
Cada cabeça, cada sentença.

Ensine que, em certas ocasiões, o conservadorismo dos setores socialmente dominados tem como contraponto a esperteza de alguns indivíduos desses segmentos. Uma qualidade corporificada em personagens como Pedro Malasartes, protagonista de contos populares portugueses e brasileiros. Numerosos provérbios estão associados a essa astúcia popular. Um deles é citado na revista: "Quem não arrisca não petisca". Mas há muitos outros, como por exemplo:

A ocasião faz o ladrão.
A cavalo dado não se olham os dentes.
À noite todos os gatos são pardos.
Caiu na rede é peixe.
Feio é roubar e não poder carregar.
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Para finalizar, levante a discussão com a turma: essas lições de esperteza dificultaram ou facilitaram a sobrevivência dos setores na base da pirâmide social no Brasil?

2ª aula
Retome a discussão da aula anterior, sobre as ideologias que estão por trás dos provérbios. Em seguida, conte à turma que na composição "Bom conselho", Chico Buarque inverte ou modifica o sentido de alguns ditados populares. Faça com que todos escutem a canção e leiam a letra:

Bom conselho
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Depois da audição e de um breve comentário da turma a respeito da canção, solicite aos alunos a escrita da versão tradicional dos provérbios citados na música. Proponha que cada estudante modifique dois ditados de sua escolha, segundo o modelo de "Bom Conselho". Depois, coloque em debate: a versão feita pelo poeta pode ser considerada mais instigante que a tradicional? Ela sinalizar com mais clareza a ideologia que permeia a construção dos provérbios?
Depois do debate, coordene a montagem de um painel de provérbios da classe, com as versões originais e adaptadas dos ditados escolhidos pela turma.

Avaliação
As atividades vão esclarecer que a maioria dos ditados expressa um senso comum de raízes camponesas e burguesas. Mas, por vezes, a sobrevivência dos setores humildes, em uma sociedade profundamente desigual, dependeu de uma pitada de esperteza individualista - e a "sabedoria popular" também explicita essa dimensão. Além disso, a modificação de alguns provérbios, segundo o modelo de Chico Buarque em "Bom Conselho", veicula uma visão de mundo transformadora e de contestação aos valores estabelecidos. Observe a participação dos alunos em sala e nos trabalhos propostos.
Quer saber mais?
Discografia
"Bom conselho", Chico Buarque, álbum O Político, 1991.



Consultoria Carlos Eduardo Matos
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Como Fazer uma Resenha



A resenha é muito confundida com um resumo, e não é para menos. A única diferença entre a resenha e o resumo é que na primeira, você deve colocar a sua opinião sobre a obra descrita. Há 4 tipos de resenhas, sendo elas: a acadêmica, a temática, a crítica e a descritiva. A função da resenha é fazer com que o leitor tenha uma perspectiva geral da obra que vai ver, seja ele um livro, um filme, uma peça de teatro ou um CD.

Por isso, a resenha deve ser curta, sem levar o leitor à exaustão. Em poucas palavras, você terá que descrever e comentar sobre a obra a fim de que o leitor opte por vê-la ou não.

Se você não sabe como fazer uma resenha, aqui vão algumas dicas, divididas em parágrafos:

1º) Descreva todos os dados bibliográficos da obra descrita: nome do autor, editora, ano de publicação e direção (no caso de filmes ou peças teatrais). Se preferir, escreva o contexto histórico em que a obra foi lançada e qual foi o impacto causado por ela naquele momento e como é hoje.

2º) Apresente a obra em poucas palavras, apenas para que o leitor a compreenda de modo geral. 3 linhas são o suficiente para tal descrição.

3º) A descrição da estrutura da obra vem nesse parágrafo. No caso de livros, escreva em quantos capítulos e seções ele é dividido, qual é o foco narrativo e o número de páginas. Se for um filme ou uma peça teatral, descreva em quantas partes e qual é a estrutura temporal utilizada pelo autor.

4º, 5º e 6º) Essa parte pode ter de 3 a 5 parágrafos e é aqui que você resumirá claramente toda a obra, contando a sua história com mais detalhes. Portanto, depende do número de páginas do livro ou do tempo da peça ou do filme para saber o número de parágrafos.

7º) Agora, você vai colocar o seu senso crítico para trabalhar. Nesse parágrafo, fazendo comparações com outras obras ou usando argumentos de outros autores, faça uma crítica à obra analisada, seja ela positiva ou negativa. O importante é que você tenha argumentos estruturados para fazê-la.

8º) Nesse parágrafo, você recomendará ou não a obra. Para tanto, escreva para que público a obra é direcionada, usando elementos pedagógicos ou sociais, com base na idade, na escolaridade e na renda dos leitores ou espectadores.

9º) Descreva um pouco da vida do autor da obra resenhada, falando um pouco das suas outras obras e qual foi a repercussão delas.

10º) Enfim, chegou a hora de se apresentar. Escreva o seu nome e a sua profissão. Se for estudante, por exemplo, diga de qual curso é estudante e de que período.

Pronto, a sua resenha está pronta. Agora, é só esperar pelas opiniões dos leitores e dos espectadores para ver se eles concordam com você.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sugestão de atividade com o jornal: Alimentação

Tema: Alimentação em sala de aula

luan.santos


1)Descrição
Comer, comer, é o melhor para poder crescer. Assim diz a canção que muitos pais cantam para os seus filhos para destacar a importância da alimentação para sua saúde. Mas “comer, comer” não é o suficiente, é preciso fazer isso unido à uma alimentação saudável, contendo alimentos que façam bem para a saúde de nosso corpo e que também sejam gostosos. Assim, o tema ganha uma relevância muito grande e deve ser levado à sala de aula, para que os alunos conheçam a importância de uma boa alimentação.

2)Questão

Por que conhecer o que comemos é tão importante para nossa saúde?

3)Objetivo

Nosso projeto visa trazer a discussão da alimentação para a sala de aula. Muito se defende que esta temática já deveria obrigatoriamente estar em sala de aula, devido a sua importância. Mas como isso ainda não acontece, vamos mostrar a importância de se alimentar bem e não deixar de sentir prazer com a alimentação, mostrando que não apenas os alimentos com gordura são saborosos.

4)Fontes base
Nos basearemos no Jornal A TARDE, edição de 4 de julho de 2011, página A6, na matéria intitulada ‘Programa estimula mudança nutricional’.
5)Modalidade
Ensino Fundamental I e II
6)Temas Transversais
Saúde
7)Áreas do conhecimento
Ciências, geografia e língua portuguesa.

Aula 1.
Assunto: Pirâmide alimentar

Alimentação saborosa não é sinônimo de alimentação saudável. Nem alimentos gordurosos e industrializados são sinônimo de alimentação saborosa. Com estas duas afirmações vamos iniciar nossa primeira aula. Assim, começaremos mostrando para os alunos uma pirâmide alimentar, de maneira que exporemos para eles cada tipo de alimentos. As pirâmides alimentares são esquemas gráficos que distribuem os vários tipos de alimentos e as proporções que devem ser ingeridas nas refeições de pessoas saudáveis, para ser usado como um roteiro para uma alimentação saudável.

Para ajudar sua aula, utilize como fonte de pesquisa o seguinte site, que será muito útil nesta primeira aula, que ajudará os alunos a entenderem a importância de uma boa alimentação para nossa saúde. http://www.alimentacao.org/

Aula 2.
Assunto: Aliando a produção geográfica com alimentação saudável
Área do conhecimento: geografia

Nesta aula, vamos colocar os alunos para conhecer um pouco do nosso Estado, a Bahia. Mas faremos isso tomando por base a produção de alimentos em cada cidade ou região, mostrando as especificidade que cada um produz. Para isso, divida os alunos em grupos, sendo que cada grupo fique responsável por pesquisar quais são os alimentos produzidos em cada microregião da Bahia: Metropolitana de Salvador, Extremo Sul, Oeste, Serra Geral, Litoral Norte, Sudoeste, Litoral Sul, Médio São Francisco, Baixo Médio São Francisco, Irecê, Chapada Diamantina, Recôncavo Sul, Piemonte da Diamantina, Paraguaçu e Nordeste. Desta forma, os alunos estudarão estas microregiões, da mesma maneira que conhecerão também alimentos que são produzidos nelas, preparando assim para nossa próxima aula.

Aula 3.
Assunto: importância nutricional de uma boa alimentação
Área do conhecimento: Ciências

A pirâmide alimentar surgiu para facilitar a representação de uma alimentação saudável. Ela separa os alimentos em energéticos (pães arroz, cereais e massas), reguladores (vegetais e frutas), construtores (carnes, aves, peixes, feijão, ovos, leite, queijo e iogurte) e energéticos extras (gorduras, óleos e doces), de acordo com suas características, composição e função desempenhada no organismo. Desta maneira, esta aula terá por objetivo falar sobre os alimentos construtores, reguladores e energéticos, mostrando para os alunos como cada um deles age em nosso corpo e quais seus vantagens e desvantagens. Assim, mostre para os alunos por que os alimentos energéticos ficam na base da pirâmide, por que eles devem ser mais consumidos que os demais. De mesma maneira, é importante mostrar por que os alimentos energéticos extras ficam na ponta da pirâmide e por que devem ser consumidos em menor quantidade em relação aos demais. Atividade extra: as informações nutricionais presentes no rótulo dos alimentos são fundamentais. Por isso é interessante que você peça que os alunos pesquisem em suas casas, nos alimentos industrializados que tiverem em seus lares, estas informações e levem para sala de aula para que seja feita uma discussão. Assim, quando os alunos levarem as informações, você pode fazer uma comparação entre as informações de cada alimento, mostrando aqueles que são mais saudáveis e os que são menos.

Aula 4.

Assunto: Comer bem na ponta do lápis

Conteúdo sobre alimentação visto, agora que os alunos já sabem um pouco da importância da alimentação, vamos fazer uma discussão com eles, para que exponham o que aprenderam. Após este momento, peça que construam uma redação, baseada no conteúdo estudado e nas discussões com os colegas, de maneira a trabalhar também com a língua portuguesa. Peça que na redação eles sejam argumentativos, que defendam uma boa educação, baseada em argumentos próprios, que eles construam uma ideia.

Atividade extra: Agora que eles já sabem o que é uma pirâmide alimentar, peça que eles desenhem uma também, mas que seja uma pirâmide diferente, onde eles possam colocar em ação sua criatividade e a importância de cada alimento presente nesta pirâmide. Além disso, peça que eles desenhem a pirâmide alimentar de cada um deles em seu cotidiano, de maneira que eles ponham nela o que comem no seu dia a dia, colocando na base o que comem mais e no topo o que comem menos, mas tudo isso organizado em alimentos construtores, energéticos, reguladores e energéticos extras.

Aula 5. Assunto: Comer!

Depois de tanta teoria sobre alimentação, não vamos pôr em prática, literalmente, o que aprendemos? Claro que vamos. Por isso, nesta aula vamos fazer comer. Utilizando a cantina da escola, vamos fazer receitas gostosas e saudáveis com os alunos. Assim, junto com os alunos você provará que as frases com que iniciamos este projetos são reais: Alimentação saborosa não é sinônimo de alimentação saudável. Nem alimentos gordurosos e industrializados são sinônimo de alimentação saborosa. Com receitas fáceis e saborosas, os alunos finalizarão este projeto e certamente passarão a ter outra visão da importância da alimentação.

Você pode encontrar receitas legais no site da Ong Banco de Alimentos:
http://www.bancodealimentos.org.br/por/index.htm

terça-feira, 7 de junho de 2011

Dica de Filme : 1492: A Conquista do Paraíso

luan.santos
2 junho 2011 Vídeos


Um dos grandes desejos da humanidade sempre foi o de transpor barreiras, principalmente aquelas que pareciam fadadas a perdurar, a existir para sempre, impossíveis de serem derrubadas. Quando as cidades italianas dominavam o Mar Mediterrâneo, entre o final da Idade Média e o início da modernidade, e de forma inclemente impediam as demais nações européias em formação de trafegar por essa região, parecia aos homens de então que superar os medos, os mitos, as distâncias e o poder dos árabes (e de seus aliados italianos) era algo tão distante e inatingível quanto chegar a Lua.
O que os fazia superar todas as dificuldades era o ardente desejo de atingir as fontes das tão badaladas especiarias (cravo, canela, gengibre, pimenta do reino, noz moscada,…) e, dessa forma, garantir para seus próprios reinos, fortunas incalculáveis provenientes do comércio desses produtos em terras européias.

Portugueses, espanhóis, ingleses e franceses não tinham idéia de como seu empenho iria mudar a face do planeta. A América era ainda uma terra desconhecida, povoada por diversos grupos indígenas, alguns dos quais vivendo em níveis civilizacionais muito evoluídos (como os Astecas ou os Incas), outros (entre os quais se incluem os grupos que viviam no Brasil), segundo relatos dos próprios europeus que aqui chegaram no início do século XVI, pareciam viver no Paraíso Terrestre (o Éden).

A envergadura de tão grandiosa conquista ganhou em 1992, em virtude da comemoração mundial em torno dos 500 anos do “descobrimento” da América, um filme da autoria do diretor inglês Ridley Scott (responsável por filmes cultuados como “Os Duelistas”, “Blade Runner” e “Gladiador”).

Uma das grandes qualidades dos trabalhos de Ridley Scott é o apuro visual com que realiza suas obras, caracterizadas por efeitos visuais de primeira qualidade, locações que tentam nos passar uma idéia clara do ambiente em que ocorreram os acontecimentos, figurinos baseados em pesquisas aprofundadas sobre os padrões de vestuário do período e reprodução de objetos e artefatos característicos das épocas que procura apresentar em seus filmes.

Com as atenções internacionais voltadas para o produto final de seu trabalho, Scott fez com que “1492 – A conquista do Paraíso” viesse a ser um épico de grandes qualidades, principalmente nos quesitos em que é mestre (figurino, locações, reprodução de época,…). Além disso, contou com o apoio da música de Vangelis para dar uma aura mais clara de vitória, conquista e êxtase, assim como de religiosidade, a chegada de Colombo a América.

A atuação de Gerard Depardieu como Colombo é convincente, assim como a história que nos é contada. Tudo começa com a grande luta que o navegador teve que empreender para conseguir o apoio necessário para realizar sua viagem, sofrendo restrições por parte dos religiosos, enfrentando o desdém dos políticos e a indiferença dos comerciantes. Somente com o apoio do banqueiro Santangél e da rainha Isabel da Espanha (protagonizada por Sigourney Weaver, um tanto quanto deslocada no papel) foi possível reverter sua perspectiva e permitir que ele viesse a increver seu nome na eternidade.

O grande mérito do filme reside em nos colocar lado a lado com a trajetória de Cristóvão Colombo, acompanhando-o nas caravelas, sofrendo com ele os reveses de uma viagem longa e desgastante e triunfando com o desembarque em terras americanas em 1492. A seqüência da chegada é deslumbrante, os homens se jogando ao chão, os passos de Colombo, as cores das bandeiras e os sons que acompanham esse momento permitem-nos entender como foi grandioso esse acontecimento (a magia do cinema reside em dar ao espectador a oportunidade de vivenciar situações como a da chegada dos europeus na América, dando a esse momento um certo glamour, uma sensação de realização, de grandiosidade; se pudéssemos estar vendo Colombo no instante em que desembarcou, provavelmente ficaríamos desapontados, faltariam os quesitos que tornam os filmes tão charmosos e encantadores).

Como a história dos homens é marcada por vitórias e derrotas, os momentos de sofrimento e humilhações também aparecem no filme. Colombo passou rapidamente de homem festejado a inimigo do estado, seus méritos como navegador foram considerados como indiscutíveis, porém, sua capacidade como administrador deixou muito a desejar. Seus projetos em terras americanas foram grandes fracassos e, as despesas que realizou tornaram-no indesejado na corte espanhola.

Como aula de história o filme funciona bem, cabe ao professor destacar os aspectos relacionados à liberdade artística e a capacidade de criação de diretores, atores e roteiristas de forma a mostrar que, por mais que se tente reproduzir da forma mais aproximada possível um longa-metragem e um acontecimento histórico, muitas são as diferenças e as lacunas não preenchidas.

Além do mais, na análise da história, muitas são as interpretações e várias foram às obras produzidas sobre cada tema. Vale a pena ver, mas, deve-se ter em mente a necessidade de procurar e ler material de apoio para comparar as imagens com o que foi escrito!

Ficha Técnica
1492, A Conquista do Paraíso
(1492, Conquest of Paradise)
País/Ano de produção:- EUA/Fra/Esp, 1992
Duração/Gênero:- 140 min., drama/épico/aventura
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Ridley Scott
Elenco (vozes):- Gérard Depardieu, Sigourney Weaver, Armand Assante,
Fernando Rey, Angela Molina, Tcheky Karyo.
Fonte: Planeta Educação

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quais as propriedades do café?

O café é originário da região de Coffea, na Etiópia (África), tendo sido introduzido no Ocidente pelos árabes. O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e, no século XVl, o café era utilizado em todo o Oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia. A planta é um arbusto bem ramificado desde a base, que chega a atingir de 2 a 3 m de altura. As flores são brancas e agrupadas em ramos, possuindo um aroma agradável. O fruto é constituído por uma polpa adocicada e revestido por uma película de coloração amarela ou vermelha e contém uma ou duas sementes. O uso da semente crua e ainda verde estimula o sistema hepático, sendo ligeiramente diurético. O infuso de café é considerado uma bebida estimulante e seu uso proporciona melhora na coordenação motora e muscular e facilita a concentração e agilidade mental. Também diminui a incidência de apatia e depressão. O café estimula o sistema de vigília do cérebro, atuando diretamente nos neurônios que fazem o cérebro acordar e trabalhar com atenção. O componente mais conhecido e valorizado do café é a cafeína, responsável pelo estímulo do sistema nervoso central. O café possui ainda outros componentes, talvez mais importantes que a cafeína para o ser humano, que são as lactonas. São elas que atuam sobre o cérebro, de forma também benéfica, quase na mesma proporção da cafeína.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Quais as propriedades do café?

O café é originário da região de Coffea, na Etiópia (África), tendo sido introduzido no Ocidente pelos árabes. O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e, no século XVl, o café era utilizado em todo o Oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia. A planta é um arbusto bem ramificado desde a base, que chega a atingir de 2 a 3 m de altura. As flores são brancas e agrupadas em ramos, possuindo um aroma agradável. O fruto é constituído por uma polpa adocicada e revestido por uma película de coloração amarela ou vermelha e contém uma ou duas sementes. O uso da semente crua e ainda verde estimula o sistema hepático, sendo ligeiramente diurético. O infuso de café é considerado uma bebida estimulante e seu uso proporciona melhora na coordenação motora e muscular e facilita a concentração e agilidade mental. Também diminui a incidência de apatia e depressão. O café estimula o sistema de vigília do cérebro, atuando diretamente nos neurônios que fazem o cérebro acordar e trabalhar com atenção. O componente mais conhecido e valorizado do café é a cafeína, responsável pelo estímulo do sistema nervoso central. O café possui ainda outros componentes, talvez mais importantes que a cafeína para o ser humano, que são as lactonas. São elas que atuam sobre o cérebro, de forma também benéfica, quase na mesma proporção da cafeína.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dica de leitura - Cérebro fica mais ativo em interações com pessoas do mesmo status social

Estudo constatou que a pessoa tende a apresentar maior atividade cerebral em resposta à outra de acordo com nível socioeconômico.

Nosso cérebro tende a ficar mais ativo quando nos relacionamos com pessoas que julgamos pertencer a um nível socioeconômico semelhante ao nosso, dizem especialistas do Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos.

Os especialistas dizem que este comportamento é determinado pela percepção que as pessoas têm das outras à sua volta. Seu trabalho foi publicado na revista científica Current Biology.

Estudos anteriores já haviam constatado que macacos se comportam desta forma, mudando seu comportamento em interações com outros macacos de acordo com sua percepção da posição do outro animal no grupo.

Estudo

Como parte do experimento, 23 pessoas com diferentes níveis sociais receberam informações sobre outros indivíduos também com status sociais variados.

A equipe usou exames de ressonância magnética para medir a atividade na região do cérebro conhecida como striatum ventral, associada à sensação de prazer.Os cérebros dos participantes que achavam ser de status social e econômico mais alto apresentaram maior atividade em relação a outros indivíduos tidos como do mesmo nível. Cérebros de voluntários com status mais baixo ficaram mais ativos em resposta a indivíduos percebidos como de status semelhante.

Primeiras Avaliações

"A forma como interagimos e nos comportamos em relação às pessoas que nos cercam é determinada, com frequência, pelo seu status social em relação ao nosso", disse a responsável pelo estudo, Caroline Zink.

"Portanto, informações sobre status social são muito importantes para nós".

A especialista acrescentou que status socioeconômico não se baseia somente em dinheiro, mas pode também incluir fatores como habilidades, proezas e hábitos.

Comentando o estudo, a psicóloga Jane McCartney, membro da British Psychological Society, disse:

"As primeiras avaliações (que fazemos do outro) são muito importantes para todos, porque estão associadas a status, aparência e dinheiro".

"Trata-se de decidir se esta pessoa é do mesmo status e o que você precisa fazer para assegurar que ela sabe que você é de um nível igual", disse McCartney.

Segundo a psicóloga, a avaliação também tenta determinar que papel a outra pessoa pode ter na sua vida. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


Dica de Aula para o professor

Poesia na Sala de Aula

Isabel Florinda Furini


A sala de aula mudou. Ficou para trás aquele lugar onde as crianças escutavam passivamente os discursos dos professores. Sala de aula é hoje um lugar interativo. A educação do século XXI está voltando à verdadeira origem da palavra. Educar deriva da palavra latina educere – “aquilo que vem de dentro”. Quase um segundo nascimento.

O filósofo Lombardo Radice dizia que não nascemos humanos, tornamo-nos humanos com o processo de educação. E o verdadeiro ser humano é aquele que educa a si mesmo. Por isso, os professores precisam de acuidade estética para despertar o gosto pela arte nos educandos e guiá-los para assumirem o processo de constante autoeducação.

Uma experiência muito interessante é diversificar as aulas, torná-las mais dinâmicas e vivas. Vejamos as aulas de poesia, elas podem acordar o lado poético dos educandos. A poesia era muito apreciada pelos gregos, eles valorizavam o poético como enigma, como verdade mítica.

Em grego, Poiesis significa produzir, fazer. Hoje pode resultar estranho o sentido desse termo, pois a poesia é considerada “improdutiva” pela sociedade de consumo. Mas, para os gregos, a poesia produzia uma realidade diferente da objetiva. Para eles a poesia estava unida a uma realidade mítica (dando ao mito seu sentido original).

Uma verdade mítica é aquela que nunca foi, mas que sempre é. Pode parecer um paradoxo, mas o mito não é uma verdade histórica, é algo que sempre acontece, como o Complexo de Narciso e o Complexo de Édipo, tão falados em psicologia, baseados na mitologia grega.

Esses fatos nunca aconteceram da maneira exata como foram narrados, mas podem existir sempre. Existiram, existem e existirão pessoas narcisistas, ou seja, o mito de Narciso é uma verdade que ultrapassa épocas.
Assim é a poesia: uma realidade diferente. Toca as cordas da alma, desperta a sensibilidade estética e ajuda a compreender a filosofia. A poesia nos leva pelo caminho da palavra e das ideias.

Geralmente, consideramos três tipos de poemas: lírico, dramático e épico. O lírico possui ritmo e musicalidade e está relacionado à música. O dramático corresponde à fala por meio de diálogos em conflitos interiores ou sociais e está relacionado ao teatro. Já o épico refere-se a batalhas e guerras.

Como ensinar poesia para crianças?

As aulas de poesia para crianças devem ser lúdicas. Será necessário fazer ênfase nos efeitos de sonoridade, de cores, de imagens, de movimento. O importante é que a criança inicie o processo sem limitações, sem bloqueios. Paradigmas rígidos tolhem a criatividade.

O professor deverá ser paciente, pois nem todos os alunos terão habilidade poética. A finalidade das aulas não é formar poetas, mas despertar o espírito poético. Orientar os alunos para que possam perceber a poesia e (para que possam também) exprimir o sentido estético que os ajudará a crescer como seres humanos e a realizar-se como pessoas.

A poesia para crianças pode começar com “jogo de palavras”. O educador coloca uma lista de palavras que possam rimar e deixa que os alunos escolham livremente.

Por exemplo: Arminho – Burburinho – Carinho – Adivinho – Ninho – Cozinho – Pergaminho - Espinho - Padrinho – Cavaquinho - Passarinho – Sobrinho – Alinho – Anjinho – Armarinho - Engatinho – Desalinho – Marinho - Moinho – Pinho – Focinho – Colarinho.

Ainda que os trabalhos sejam simples como: “O gatinho pisou um espinho”, ou: “O passarinho está no ninho”, o professor não julgará os poemas, só estimulará a produção poética. Aos poucos, as crianças vão se encantando com a sonoridade das rimas e com a possibilidade de criar poemas.

O educador precisará de muita paciência e de bom humor. Quando eu era estudante, um professor de matemática, ainda jovem, mas careca, solicitou aos alunos que escrevessem o que achavam dele como professor. Alguns colocaram elogios, outros criticaram. Mas teve um aluno que escreveu: “Céu sem nuvens / ninho sem pássaros / cabeça sem cabelo”.

Os colegas riram, o professor ficou zangado e o criativo poeta foi encaminhado à diretoria. Mas não podemos negar que ele foi criativo. A poesia contribui para estimular a criatividade, ajuda na aquisição da linguagem, enriquece o vocabulário, contribui para aumentar a sensibilidade estética, exterioriza emoções, além de desenvolver a capacidade de leitura e compreensão.

Exercícios – Primeira Aula: Sensibilizar

A primeira aula deve ser quase uma brincadeira. O educador pode começar com a leitura de um poema livre ou trova. Imediatamente escreve no quadro e faz com que as crianças leiam em coro duas ou três vezes.

Os alunos copiam o poema no caderno. Depois o professor assinalará algumas palavras do poema e solicitará às crianças que procurarem sinônimos ou antônimos, ou palavras que possam substituir a palavra assinalada. Ou ele mesmo proporcionará uma lista de sinônimos, antônimos e palavras afins para que as crianças utilizem as palavras de que mais gostem. Não se preocupar com aspectos teóricos como métrica.

O tom será de divertimento para que as crianças se aproximem da poesia sem medo e sem bloqueios. Nesse primeiro momento, o importante é que elas se aproximem do poema. Que apreciem a sonoridade.

Por exemplo: O professor pode trabalhar o poema da página 33 do livro “O Dr. Pingüim e a Mensagem de Santo Agostinho”, de minha autoria (escolhi um poema de minha autoria porque é preciso autorização escrita para colocar poemas de outros autores).

A Sucuri é uma cobra muito grande / que só sabe fazer ssssshhhh / A Sucuri é uma cobra muito feia / que só sabe carregar uma lancheira / Ela está nas aulas de Filosofia, mas acha que são aulas de Anatomia.

Trabalhar com algumas palavras do poema. Dar liberdade para que os alunos troquem as palavras que desejem. Por exemplo: sucuri - mudar para outro nome de cobra como Coral, Jararaca, Cascavel, Cobra Cipó; grande - procurar outra palavra como enorme, gigante, poderoso, vasto etc., ou antônimos: pequena, mínima, anã, nanica; carregar - levar, transportar, assegurar, sobrecarregar; Anatomia - o aluno pode colocar outras matérias como Geografia, Biologia, Aritmética etc.

Segunda Aula: Percepção

É muito importante treinar o olhar poético das crianças. Peça aos alunos que olhem pela janela. Como está o céu? Tem nuvens? Tem sol? Chove? Tem vento? Da janela dá para ver uma árvore? Um passarinho? Um inseto?
Solicitar que escrevam a experiência em um poema pequeno de duas ou de três linhas. Não exigir métrica. Depois, falar para as crianças que observem a natureza todos os dias e, se sentirem vontade, que escrevam poemas.
Poesia em Sala de Aula

O importante não é só escrever um poema, mas adquirir o pensar poético, a visão poética da vida. A mente se abre para a beleza, e isso também é poesia. É importante solicitar que registrem, no mínimo, uma vez na semana, em três linhas curtas, o que eles observarem.

Devem só falar do que viram, mas sem dizer: eu acho, eu vi, eu percebi, porque... Repetimos que o propósito não é só inventar um poema, mas adquirir o pensar poético, a visão poética da vida, despertar a sensibilidade estética.

Isabel Florinda Furini isabelfurini@hotmail.comEscritora e educadora. É autora de: O Livro do Escritor, da editora Instituto Memória, Curitiba, 2009. Também escreve poesia e livros para o público infantil.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Aula: Páscoa - Temas Transversais

A festa da ressurreição - Conheça o significado da Páscoa, a maior festa do calendário cristão

Por que o coelho é o animal que simboliza a Páscoa?

Imagine que, na Páscoa, você recebeu em sua casa convidados muito especiais: habitantes de um planeta distante. Eles nunca tinham visto ovos de chocolate embrulhados em papéis coloridos, tampouco conheciam a figura do coelho da Páscoa. Encantados, os visitantes resolveram levar a comemoração para o seu planeta e o convidaram para ver o resultado.
Quando você desceu da nave espacial, levou um susto. Os ETs não trocavam ovos de páscoa, mas jiló de Páscoa. E o símbolo da festa era uma girafa! Então, você disse que estava tudo errado! Intrigados, os extraterrestres começaram a perguntar: por que o símbolo da Páscoa é o coelho? Por que os terráqueos trocam ovos? Qual o problema com a girafa? Se você não tem uma resposta na ponta da língua, não se preocupe. Agora você vai ficar sabendo tudo sobre essa festa.

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa ressurreição, vida nova. Os antigos hebreus foram os primeiros a comemorar a Páscoa, que possui diversos significados. Em termos históricos, ela celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito e a passagem através do Mar Vermelho. Livres, eles passaram a formar um povo com uma religião e um destino comuns. É com o sentido de libertação que, até hoje, os judeus celebram esta festa. Os cristãos também comemoram a Páscoa. No entanto, o significado da festividade é diferente no cristianismo. Nela, celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo que, segundo a bíblia, teria ocorrido três dias depois da sua crucificação. Ela é a principal festa do ano litúrgico cristão e, provavelmente, uma das mais antigas, pois surgiu nos primeiros anos do cristianismo. Ainda que todos os domingos do ano sejam destinados pelas igrejas cristãs de todo o mundo à celebração da ressurreição de Cristo (o que é feito por meio da eucaristia), no domingo de Páscoa, esse acontecimento ganha destaque, já que se festeja uma espécie de aniversário da ressurreição.

A Páscoa é uma data móvel, que acontece anualmente entre 22 de março e 25 de abril. Como no Hemisfério Norte esse período coincide com a chegada da primavera, o Pessach também é a festa do início da colheita dos cereais e da chegada da nova estação . Ela é comemorada no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio de março. O equinócio é o ponto da órbita da Terra em que se registra uma igual duração do dia e da noite.

Mas há um modo mais fácil de saber quando é o domingo de Páscoa. Basta contar 46 dias a partir da quarta-feira de cinzas. A Páscoa cristã é antecedida pela Quaresma, período que dura 40 dias entre a quarta-feira de cinzas e o domingo de Ramos, que acontece uma semana antes da Páscoa. Os católicos destinam a Quaresma para fazer penitência, como o jejum, com o objetivo de libertar as pessoas dos pecados.

domingo, 24 de abril de 2011

Dica de Livro - Cangaceiros inspiraram novos políticos

Cangaceiros inspiraram novos políticos: roubavam, matavam e tinham mil mulheres

da Livraria da Folha

Análise do cangaço faz pensar no banditismo visto nos dias de hoje
Os cangaceiros são figuras míticas no mundo popular brasileiro. Entre heróis supostamente vilões, e vice-versa, algumas das histórias ouvidas, contadas e repassadas os colocam ora como frios assassinos, ora como defensores dos mais pobres, quase exigindo o título de Robin Hood para os diversos bandos. E o conhecimento coletivo das pessoas sempre despenca em Lampião e Maria Bonita, mas há muito mais por trás desses personagens.
Felizmente, o ensaio "Os Cangaceiros", de Luiz Bernardo Pericás chega a tempo para contar melhor os detalhes de homens e mulheres que viraram lendas do sertão, com suas vestimentas típicas, facão e arma na mão e motivações várias.

Como bem resume Lincoln Secco, que escreve na orelha da obra, "na história do Nordeste brasileiro o cangaço apareceu como a forma pela qual se moviam as contradições típicas de uma sociedade formada por populações errantes, pobres e vitimadas pelo mandonismo local, e marcada pela instabilidade. No entanto, a miséria não era a única motivação para a entrada no cangaço."

Reuters

Cabeças dos cangaceiros, incluindo as de Lampião e Maria Bonita, foram expostas pr policiais em diversas cidades do Nordeste
Em um texto gostoso de ser lido, o estudioso apresenta o real interesse dos bandos, a maneira que se relacionavam com os coronéis de cada cidade, as regras existentes entre eles próprios, o papel da mulher para seus prazeres e desmitifica o papel de Robin Hood citado anteriormente, apontando que o interesse nas riquezas e outros poderes era para o próprio cangaceiro, e o resto que se explodisse.

O livro ainda traz uma série de documentos valiosos, como cartas e circulares representativas e que reconstroem o linguajar, as leis e o cenário da época.

Leia trecho.
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Mulheres e crianças dentro do cangaço


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Muitas mulheres, em geral de procedência humilde, entravam no cangaço por conta própria, vendo no bandoleirismo a possibilidade, mesmo que idealizada, de uma vida cheia de aventuras e liberdade. É claro que havia algumas jovens raptadas, forçadas a seguir os bandidos.
(...)
A educação feminina muitas vezes era equivalente, na mentalidade sertaneja, à prostituição. Por isso, poucas meninas recebiam uma educação formal. Escolas mistas, de garotos e garotas, eram pouco aceitas pela população.
(...)
Normalmente não se permitia que mulheres sem "maridos" ou "companheiros" permanecessem nos grupos. Se uma jovem ficasse viúva ou solteira, teria de escolher logo um novo parceiro, caso contrário era obrigada a deixar o bando. Algumas quadrilhas chegavam a ponto de executar essas raparigas - como foi o caso de Rosinha -, garantindo, com isso, que suas atividades e coitos não seriam revelados para ninguém.
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"Os Cangaceiros"
Autor: Luiz Bernardo Pericás
Editora: Boitempo
Páginas: 302
Quanto: R$ 54,00
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Dica de Filme - Perfume de mulher

luan.santos

Esse, é o tipo de filme, o qual sentiremos vontade de ver infinitamente. A interpretação de Al Pacino está primorosa como um tenente-coronel reformado do exército.

Chris O’Donnell, aparece no drama, como um jovem estudante bolsista de uma tradicional escola da alta sociedade.

Ao aceitar fazer um “bico”como acompanhante do tenente-coronel, jamais imaginaria que, esse, fosse o final de semana mais marcante da sua vida.
Frank Slade (Pacino), acaba convencendo Charlie Simms (O’Donnell), a acompanhá-lo até N. York, no feriado de Ação de Graças. Durante a viagem, Frank, revela ao jovem Charlie, seu intento de passear. Visitar a família.Hospedar-se em hotel de luxo. Comer e beber muito bem. Dormir com uma maravilhosa prostituta e finalmente, cometer o suicídio. Claro que, esse, último detalhe é omitido quase até o final da película.

Muitas coisas acontecem, nesse, fim de semana, inclusive uma das mais belas cenas do cinema de todos os tempos. Slade, resolve ir a um “dancing” e lá, sentindo o oloroso perfume de uma mulher que julgava linda, e realmente o era, pede ao rapaz que o conduza à mesa da mesma. Em lá chegando, se apresenta e a convida para dançar o belíssimo tango: “Por una cabeza”, do maravilhoso cantor argentino, Carlos Gardel.

Tudo, está indo razoavelmente bem, até que Slade, resolve dispensar os serviços do jovem Charlie, pois, pela manhã dará cabo da própria vida.
Simms, não acredita no que ouve e desesperado, resolve contrariar as ordens de Slade e pela manhã impede a horrível cena que estava prestes a acontecer. Não sem antes, lutarem pela posse da arma.

Slade, é um homem que principia a envelhecer. Extremamente orgulhoso, não quer mais viver num mundo de trevas e onde a sua vontade não possa prevalecer.

O tiro de Slade, sai pela culatra e o rabugento tenente-coronel, acaba se interessando pelos problemas de Charlie e situações incríveis acabam por ensinar sôbre o significado da vida e dos relacionamentos.

Os problemas de Slade, perdem significação perante os de Charlie e a possibilidade de ajudá-lo e voltar a sentir-se participando da engrenagem da vida.

Poderíamos ficar páginas e páginas, falando bem desse filme que, a primeira vista, parece vulgar, mas, indicamos que o vejam e possam atestar que belas lições de vida, podem sair até mesmo de pseudo-infernos.

Fonte: http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/1826253-perfume-mulher/

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dica de Filme

O pagador de promessas

O Pagador de Promessas é a história de Zé Burro, um lavrador simples do interior da Bahia. Símbolo da cultura brasileira – “miscigenada” desde o Descobrimento - Zé precisa pagar a promessa que fizera à Santa Bárbara para que seu burro Nicolau fosse curado de uma hemorragia: levar, até a igreja da santa, uma cruz tão pesada quanto a de Cristo. Não havendo uma igreja perto de casa, Zé fizera a promessa em terreiro de Candomblé, mas estava determinado a cumprir o que prometera ainda que precisasse caminhar léguas até a igreja em Salvador. Ao chegar, Zé é surpreendido pela intolerância religiosa do padre e o oportunismo político de outros personagens.

Escrita por Dias Gomes, a obra pertence ao gênero literário dramático; isto é, foi escrita para a encenação teatral (Lembramos que drama, em grego, significa ação). O texto foi encenado, pela primeira vez, em 29 de julho de 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, sob a direção de Flávio Rangel. Os papéis principais eram interpretados por Leonardo Vilar (atualmente, na novela Passione, no papel de Antero), Natália Timberg e Elísio de Albuquerque.

Em 1962, o texto foi adaptado para a linguagem cinematográfica, o que lhe garantiu a Palma de Ouro, do Festival de Cannes, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo. O elenco, dirigido por Anselmo Duarte, contava com Leonardo Vilar, Othon Bastos, Geraldo Del-Rey, Dionizio Azevedo, Glória Menezes, Norma Bengell. A versão teatral recebeu, sete importantes prêmios em dois anos de apresentação; no cinema, O Pagador recebeu oito. Em 1988, a obra foi adaptada para a TV, com José Mayer no papel principal, e recebeu o Prêmio Fipa de Prata, também no Festival de Cannes.

O crítico de teatro, Sábato Magaldi, escreveu, 23 de julho de 1960, no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo:

Não se considere ingênua ou inverossímil a trama, porque se assenta num episódio estranho aos nossos hábitos civilizados. Zé do Burro é homem primário […], natural do sertão da Bahia e pagando promessa numa igreja de Salvador. Toda a sua psicologia […] se define pela crença na intervenção sobrenatural, que não permite depois, da parte dele, recuo estratégico ou argumento sofista. Por nada deste mundo deixaria de cumprir o compromisso assumido com a santa. […] Dias Gomes foi hábil ao fazer que o público adotasse a perspectiva de Zé do Burro e se solidarizasse com ele.

Em nota, Dias Gomes explica um pouco de sua obra:
Zé do Burro não é trucidado pela Igreja, mas por toda uma organização social, na qual somente o povo das ruas com ele confraterniza. […] O sincretismo religioso que dá origem ao drama é fato comum nas regiões brasileiras que, ao tempo da escravidão, receberam influências de cultos africanos. Não podendo praticar esses cultos, procuravam os escravos burlara vigilância dos senhores brancos, fingindo cultuar santos católicos, quando, na verdade, adoravam deuses nagôs.

No início de 2010, usei esta obra de Dias Gomes como leitura em uma de minhas turmas do Ensino Médio. Nossa motivação foi o alto índice de notícias sobre agressões motivadas por intolerância religiosa (Em 2009, vários templos de candomblé foram depredados na Baixada Fluminense e muitos líderes religiosos foram agredidos.). Os alunos surpreenderam-se com meu pedido, por saberem que sou católica e por haver muitos alunos evangélicos na turma. Não propus nenhuma prova sobre o livro. Organizamos um debate sobre a obra e deixei claro que a discussão não seria sobre religião. Nossa reflexão seria sobre a maneira como o dramaturgo abordou, em 1960, uma questão social muito discutida ainda hoje.

GOMES, Dias. O pagador de promessas. 44.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. 176p. Escrito por Andréa Motta

Aula - Círculos de leitura de "Reinações de Narizinho"

Como formar leitores com ajuda de Narizinho e a turma do Sítio

Entrevista

Pedro Bandeira defende a leitura de Monteiro Lobato na escola

Planos de aula

Primeiras leituras de Monteiro Lobato
Leitura de "Memórias de Emília", de Monteiro Lobato

Introdução

Compartilhar a leitura de uma obra, trocar impressões sobre seu enredo, construir significados comuns e defender pontos de vista divergentes são algumas das práticas que contribuem para a formação de uma comunidade de leitores. É também consenso entre os educadores que é tarefa fundamental da escola criar situações de contato frequente e sistemático com textos literários de qualidade, em especial as obras clássicas que constituem o acervo cultural da humanidade. Elas possibilitam, entre outras coisas, a formação do gosto, criam repertório, oferecem modelos estéticos e favorecem a construção de diferentes sentidos para a leitura. Por meio delas, as crianças podem construir, pouco a pouco, intimidade com a linguagem, apreciando não apenas o que o texto diz, mas também a forma como o faz, aproximando-se da palavra, criando suas próprias interpretações e dialogando com tempos e espaços próprios do universo literário.

E nada melhor do que construir essa intimidade com os livros e com a leitura com base na obra de um dos maiores autores da literatura infantil brasileira: Monteiro Lobato.

Embora sejam inúmeras as referências que atestam a qualidade dos seus textos, grande parte dos alunos conhece suas histórias apenas por meio das referências contidas em livros didáticos e outros materiais educativos, nos quais alguns trechos são citados ou ilustrações de personagens são apresentadas. Poucos são desafiados a ler suas aventuras completas e a experimentar a alegria e o encantamento causados pelo contato com o mundo maravilhoso do Sítio do Picapau Amarelo e seus personagens inesquecíveis.

Essa sequência de leitura pretende contribuir para a valorização da produção literária de Monteiro Lobato a partir de uma proposta de leitura de uma de suas obras mais conhecidas: Reinações de Narizinho. Espera-se que, por meio desse trabalho, as crianças possam compartilhar escolhas, leituras, escutas e comentários sobre os livros lidos, construindo seu próprio percurso leitor, utilizando, aos poucos, os conhecimentos que possuem para interpretar as obras lidas, imprimindo, cada vez mais significado às suas leituras.

Por que Reinações de Narizinho?

Reinações de Narizinho, lançado em 1931, é considerado o ponto de partida da literatura infantil produzida por Monteiro Lobato. Composto pela reunião de várias aventuras publicadas anteriormente de forma isolada, é nesse livro que "se firma o núcleo lobatiano - Dona Benta, Narizinho, Tia Nastácia, Emília, Rabicó, Pedrinho, Visconde de Sabugosa - e se estabelece o Sítio do Picapau Amarelo como espaço das histórias, a partir do qual as personagens partem para viver suas aventuras (BERTOLUCCI in LAJOLO e CECCATINI, 2010)." Nele, Narizinho, movida pelo desejo de viver experiências extraordinárias, transita entre o mundo real e sua imaginação com naturalidade, como se a fantasia pudesse fazer parte do cotidiano, sem necessariamente apoiar-se em explicações - comportamento facilmente observável na maior parte das crianças em idade escolar.

Por meio dessa obra, Lobato resgata parte do patrimônio cultural da humanidade, possibilitando o encontro do leitor com inúmeros personagens da ficção que invadem o Sítio, em um maravilhoso jogo de intertextualidade. Dona Carochinha, O Pequeno Polegar, Pinóquio, Gato Félix e Peter Pan são alguns deles. Enfrentar essa leitura é abrir inúmeras "janelas literárias", favorecendo a construção da autonomia, dos gostos próprios e do desejo de explorar novas obras.

Essa sequência propõe o trabalho com o texto completo, atualmente publicado em dois volumes pela editora Globo. Essa opção justifica-se pelo fato de que, na escola, poucos são os momentos nos quais os alunos lêem os clássicos em suas versões originais e, com isso, perdem a possibilidade de adentrar o universo da literatura em sua forma mais elaborada e conhecer livros mais complexos. Para isso, o desafio de enfrentar uma obra extensa como essa será dosado em momentos de leitura em voz alta feita pelo professor, leitura compartilhada em pequenos grupos e por meio da organização de círculos de leitura.

Dessa forma, pretende-se desenvolver a autonomia leitora, garantindo, inicialmente, momentos de leitura compartilhada e, progressivamente, a organização de situações nas quais os alunos possam também assumir a responsabilidade por suas aprendizagens, desvinculando-se, aos poucos, seu percurso do apoio e da mediação do professor.

A sequência está dividida em duas grandes etapas, as quais poderão ser subdivididas em aulas de acordo com o tempo destinado ao trabalho com leitura e o "fôlego"do grupo para realizar a leitura dos capítulos com autonomia.

Objetivos
- Realizar a leitura integral de um clássico da literatura infantil em sua versão original.
- Valorizar a leitura literária como experiência estética.
- Socializar escolhas, leituras, escutas, comentários e efeitos que as obras produzem nos leitores.
- Utilizar o conhecimento sobre o autor e sobre o mundo para interpretação mais ajustada do texto.

Conteúdo
Leitura.

Anos
Do 3º ao 5º ano.

Tempo estimado
3 meses.

Material necessário
Os dois volumes do livro Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, Ed. Globo.

Desenvolvimento

1ª etapa: Leitura em voz alta feita pelo professor para os alunos

A primeira etapa da sequência consiste na leitura em voz alta, pelo professor, do primeiro volume da obra. O livro é organizado em 7 capítulos, os quais poderão ser lidos semanalmente, dependendo do tempo disponível para esse trabalho na rotina escolar.

Apresentação da proposta de leitura para os alunos

É fundamental que você apresente aos alunos os objetivos dessa leitura, justificando a escolha dessa obra e compartilhando seus motivos, estratégias e interesses relacionados ao autor e a outros livros de Monteiro Lobato, se os conhecer. No início do trabalho, informe como será organizada a proposta, a frequência com a qual os capítulos serão lidos e a previsão de término dessa primeira etapa do trabalho. Também esclareça para o grupo que, em um outro momento, os alunos farão sozinhos a leitura de alguns dos capítulos do segundo volume e conversarão sobre suas impressões com colegas que escolherem a mesma aventura, elaborando uma indicação que convide os demais para a leitura.

Comece apresentando a obra aos alunos e conversando com o grupo sobre os conhecimentos prévios que possuem acerca do autor e dos personagens que fazem parte do Sítio do Picapau Amarelo. É provável que as crianças possuam algumas referências e, portanto, devem ser incentivadas a apresentar as informações que possuem, indicando, se possível, de que forma as mesmas foram descobertas. Nas edições mais recentes de Reinações de Narizinho há um pequeno texto que informa brevemente sobre a vida do Monteiro Lobato e outro no qual o universo do Sítio é apresentado aos leitores. Se desejar, faça a leitura desses textos para a classe.

Preparação da leitura pelo professor

É fundamental que a leitura de cada um dos capítulos seja preparada anteriormente. Nos momentos em que lê para os alunos, você atua como modelo de leitor e, sendo mais experiente, compartilha suas práticas com o grupo, emprestando sua voz para a construção de sentidos do texto. Por isso, é imprescindível que você ensaie sua leitura, observando a entonação a ser empregada, o ritmo e as pausas que deseja fazer.

Antes da leitura, durante a leitura e depois da leitura

A cada capítulo, planeje também as intervenções que serão feitas, pensando em boas perguntas que possam alimentar a conversa apreciativa que as crianças farão após a leitura de cada capítulo, favorecendo a realização de inferências. É fundamental que as questões propostas não sigam os modelos dos chamados "questionários de interpretação de textos".

Comece essa conversa, como qualquer leitor real faria, comentando e justificando o trecho do qual mais gostou (porque lhe pareceu bem escrito ou interessante, por exemplo), uma expressão que julgou bem humorada, algum acontecimento que lhe pareceu inusitado etc. O objetivo é dar início a um diálogo sobre um texto compartilhado pelo grupo, para que os alunos possam começar a se ver, pouco a pouco, como leitores que comunicam suas impressões sobre as leituras que realizam.

No caso dessa obra, em cada uma das aventuras o autor apresenta um dos personagens do sítio que passa a integrar as reinações vividas por Narizinho. Por isso, é interessante que você ofereça espaço nos momentos iniciais de leitura para que os alunos retomem os episódios anteriores. Quais foram os personagens que surgiram? Como são? De que forma apareceram no texto? Ajude-os a estabelecer relações entre os episódios da narrativa e as relações de causa e efeito entre as ações dos personagens nas aventuras por eles vividas em cada um dos capítulos.

Ao final de cada leitura, compartilhe também seu comportamento leitor apresentando e levantando as antecipações sobre as leituras seguintes. Dessa forma, voocê estará gerando expectativas sobre os próximos acontecimentos, podendo questionar o grupo sobre as "pistas" oferecidas pelo autor para sugerir o que o leitor pode encontrar nas páginas que virão.

No caso dos momentos de conversa coletiva dessa obra, especificamente, além de poder evidenciar o conteúdo do texto, incentive os alunos a analisar a linguagem empregada pelo autor. A presença do humor, da ironia, o uso de expressões típicas da linguagem popular e o emprego de termos característicos da época em que a obra foi escrita são exemplos de recursos que podem ser ressaltados durante e após a leitura de cada capítulo.

Ao abrir espaço para que as crianças comuniquem suas opiniões, é preciso estar atento para o fato de que são muitas as leituras possíveis e que os alunos podem apresentar divergências em suas interpretações sobre o texto. Por isso, crie um ambiente propício para que as crianças possam manifestar-se e, principalmente, justificar suas impressões sempre apoiadas no texto ou em seus conhecimentos prévios, apresentando-as claramente para o grupo de forma que todos possam compreender os sentidos construídos a partir da leitura compartilhada.

2ª etapa: Trabalhando com os círculos de leitura

Segundo COLOMER (2007), "o gosto e o juízo de valor são inseparáveis da experiência da leitura logo que esta se inicia na infância e ocorrem sempre em relação a algum parâmetro comparativo. São aspectos que se formam através da prática." Para a especialista espanhola, "não se aprende apenas lendo ‘muito bem’ uns poucos textos, também é necessário ajudar as crianças a estabelecer relações entre muitas leituras."

Por isso, é fundamental criar situações nas quais elas tenham acesso à diversidade de textos e opiniões para que construam seu repertório e possam criar mecanismos de comparação entre diferentes leituras, compartilhando experiências leitoras significativas. Uma das formas de atender a esses objetivos é a proposta de trabalho com os círculos de leitura.

Informe que após a leitura compartilhada do primeiro volume de Reinações de Narizinho os alunos lerão as aventuras do segundo volume da obra em cinco pequenos grupos, conversarão sobre suas impressões acerca do capítulo e farão indicações sobre os textos lidos convidando os demais leitores a conhecê-los. Para isso, é necessário que todos os alunos tenham o livro e possam fazer a leitura do capítulo escolhido com antecedência.

Planeje previamente a formação dos grupos, optando por reunir as crianças de acordo com competências leitoras próximas. Cada grupo deverá ler uma aventura e cada aluno lerá apenas um dos capítulos do volume por vez.

Antes de iniciar o trabalho, compartilhe com o grupo a responsabilidade pela leitura das aventuras que compõem o segundo volume da obra, combinando qual o prazo necessário para realização da mesma. Se achar necessário, os alunos poderão dividir cada capítulo em duas partes, fazendo a leitura e discussão de um primeiro trecho em um momento e finalizando-a em outro.

Decida coletivamente se a leitura será realizada na escola ou em casa, conforme a disponibilidade da maioria e a rotina da sala de aula. Com os maiores pode-se, por exemplo, decidir que toda a leitura será feita em casa e marcar uma data para compartilhar em grupos. O importante é deixar claro o compromisso que todos deverão assumir em fazer a leitura do texto para, no momento oportuno, discutir com os colegas, trocar suas impressões e fazer indicações aos demais.

Para despertar o interesse e oferecer elementos que orientem a escolha das crianças, faça uma breve apresentação do enredo de cada uma das aventuras (Cara de coruja, O irmão de Pinóquio, O circo de cavalinhos, Pena de papagaio e O pó de pirlimpimpim). Convide os alunos a decidirem qual capítulo vão ler durante o período combinado.

Em seguida, explicite o que os alunos deverão observar ao longo do texto, pedindo que anotem sentimentos que a leitura despertou, relações que estabeleceram com outras histórias já conhecidas, características dos personagens, palavras que provocaram dúvidas e os significados que conseguiram atribuir com base no contexto, perguntas que vieram à mente, como imaginaram uma determinada cena etc. Oriente-os a registrar os trechos que acharam engraçados, os "truques" do autor para chamar a atenção do leitor, palavras e expressões interessantes etc.

No dia combinado, o grupo se reúne para trocar impressões sobre o capítulo ou trecho lido. Retome as orientações que foram dadas antes da leitura. Ajude os alunos a guiar a conversa apreciativa com base nas anotações que fizeram durante a leitura. Circule entre os grupos, verificando como estão se saindo nessa tarefa e ofereça ajuda, quando necessário. Também anote os comentários que lhe parecerem interessantes para compartilhá-los no momento da discussão geral.

No trabalho com os alunos maiores, aprofunde as questões relacionadas à intertextualidade oferecendo versões de alguns dos contos citados pelo autor para que os grupos possam estabelecer relações entre o texto original e as referências feita a eles por Lobato nos capítulos dessa obra. Os alunos poderão conversar sobre o modo como os personagens do conto aparecem no Sítio, as "brincadeiras" do autor para fazer referências às características de cada um deles, discutindo se o conhecimento das obras citadas favorece ou não a interpretação do capítulo lido.

Em seguida, amplie a discussão, solicitando que cada grupo conte algo interessante que foi compartilhado durante a conversa, propondo que reflitam também sobre o processo de conversar sobre a leitura, levantando os procedimentos que ajudaram a discussão e as dificuldades encontradas na realização da tarefa.

Esse momento de troca entre os grupos pode durar uma ou duas aulas, de acordo com a produtividade da discussão observada pelo professor. Depois dessa conversa, peça para que os alunos escrevam um pequeno texto, recomendando o capítulo lido para os demais colegas. É importante discutir sobre a realização dessa tarefa: os grupos não devem, por exemplo, revelar ou resumir toda a história, porque assim, poucos se interessariam em lê-la. Esclareça que é preciso garantir um certo mistério, algo no texto de recomendação que destaque o melhor da história, que envolva e convide à leitura, sem revelar muitos detalhes sobre o desenrolar do conto. A descrição de um personagem ou de um sentimento despertado pela leitura são exemplos de estratégias eficientes para "fisgar"o interesse do leitor.

É importante apresentar aos alunos alguns modelos de indicações literárias que podem ser encontradas em catálogos de editoras, em sites que promovem a leitura ou nas quartas capas dos livros, cuidando para selecionar apenas indicações de obras que sejam conhecidas por grande parte dos alunos. Faça a leitura desse material e discuta cada uma delas, destacando os trechos que despertam o desejo de ler.

Após esse contato, peça para que os alunos escrevam a indicação do capítulo que acabaram de ler e discutir. Oriente-os para que coloquem os dados bibliográficos do texto (nome da obra, capítulo, autor e editora).

Terminada a etapa de produção das indicações literárias, organize a sala em uma roda e peça a cada um dos grupos que leia a indicação que escreveu. Caso perceba que a orientação de não constar a história toda não foi cumprida, intervnha, retomando o que havia sido combinado anteriormente.

Depois que todos os grupos apresentarem suas indicações, os alunos escolhem, pautados nas recomendações, qual o capítulo que desejam ler em seguida. Se quiserem, os alunos de um mesmo grupo podem escolher capítulos diferentes e formar novas parcerias com outros colegas. Combine um novo prazo para a realização de uma nova rodada do círculo de leitura.

A proposta é que o trabalho tenha, no mínimo, duas rodadas para que cada criança tenha a oportunidade de explorar a leitura de mais de um capítulo e participar de encontros em que possa conversar em torno do literário, aprendendo a levar em conta o seu ponto de vista e dos demais colegas, refletindo sobre as questões trazidas pelo grupo e suas próprias ideias acerca do que foi lido até o momento.

Se possível, providencie cópias das indicações para que os alunos possam colá-las nos cadernos, organizando uma coletânea. Esse material também pode ser disposto em fichas e guardado em uma caixinha de indicações, às quais podem ser somadas outras recomendações escritas pelos alunos ao longo do trabalho com a leitura de outras obras realizada durante o ano.

Avaliação

Acompanhe as aprendizagens desenvolvidas pelas crianças nessa sequência observando se o aluno:
- mantém-se atento enquanto ouve a leitura realizada pelo professor e concentrado quando realiza suas leituras silenciosamente;
- acompanha a leitura em voz alta, retomando trechos lidos anteriormente, fazendo antecipações coerentes;
- relê (ou pede que o professor releia trechos), esforçando-se para compreender o que não compreendeu inicialmente;
- solicita ajuda do professor ou dos colegas para compreender melhor suas leituras;
- faz uso do contexto para compreender palavras ou expressões desconhecidas;
- participa das conversas apreciativas, citando passagens do texto e complementando as ideias apresentadas pelo grupo;
- identifica pistas para interpretação e avaliação dos textos literários que extrapolam os critérios de gosto pessoal;
- estabelece relações entre suas leituras e outros textos conhecidos e experiências vividas;
- elabora uma indicação literária coerente com a proposta;
- ao fazer a indicação, utiliza passagens interessantes do texto para ampliar o interesse do futuro leitor.
Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA

Andar entre livros, Teresa Colomer, Editora Globo, 2007.
Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira, Nelly Novaes Coelho, Companhia Editora Nacional, 2006.
Monteiro Lobato, livro a livro, Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini, Editora UNESP e Imprensa Oficial, 2008.
Reinações de Narizinho vol. 1 e 2, Monteiro Lobato, Editora Globo, 2008.
NA INTERNET
http://mundodositio.globo.com/

VÍDEO
Sítio do Picapau Amarelo - Reinações de Narizinho - Som Livre - DVD (2010)

Consultoria Denise Silva
Formadora de professores