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domingo, 5 de julho de 2015

Práticas inovadoras em educação


Esther Cristina Pereira - cris@escolaatuacao.com.br
Esther Cristina Pereira é psicopedagoga, diretora da Escola Atuação e vice-presidente do Sinepe/PR.



Com o objetivo de divulgar e reconhecer as boas experiências das instituições de ensino que estão interessadas em transformar a educação, o Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR) acaba de lançar o Prêmio Sinepe/PR de Práticas Inovadoras em Educação 2015. O Prêmio é inédito no estado. As instituições de ensino particular poderão participar com projetos cuja proposta contemple um dos três subtemas: Inovação em Sustentabilidade, Inovação em Inclusão Social ou Inovação Pedagógica.

As inscrições já estão abertas e seguem até o dia 24 de julho de 2015. Podem participar os projetos que foram iniciados a partir de janeiro de 2012 e que comprovem resultados até o ano de 2014, pelo menos. O projeto também precisa descrever um ciclo de implantação de, no mínimo, um ano letivo. Todos as informações sobre o prêmio estão disponíveis no endereço www.sinepepr.org.br, assim como a forma de participação.

O Prêmio pensou em contemplar todos os níveis da Educação. Por isso, podem concorrer as instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio Regular e Ensino Técnico Profissionalizante, Educação Superior e Cursos Livres (escolas de idiomas, dança, música, de artes e academias). Em cada uma das categorias haverá a premiação para 1.º, 2.º e 3.º lugar, totalizando 12 premiações.

Os participantes deverão escrever um projeto que deve incluir um resumo, relatando o início das atividades e número de alunos e profissionais envolvidos; um histórico do projeto, com a apresentação institucional, descrição e justificativa para a implantação, objetivos e desafios. Além disso, o projeto deverá constar o envolvimento e relacionamento com os públicos de interesse, estratégias adotadas, recursos utilizados, relevância e aspectos inovadores da atuação, e o impacto do projeto na comunidade. Por fim, é preciso descrever os resultados alcançados com o projeto e se existem perspectivas de aperfeiçoamento e de continuidade.

Os projetos serão avaliados por uma Comissão Julgadora, que será formada por pessoas de diversas áreas, como social, jurídica, técnica, ambiental, administrativa e de imprensa, que deverão conduzir as decisões relacionadas à avaliação e trabalhos inscritos, mantendo-se isentas em relação a tais atividades.

A Comissão Julgadora vai indicar três projetos finalistas de cada categoria, que atingirão as maiores pontuações, de acordo com a tabela de critérios de avaliação (consulte o regulamento). O julgamento vai adotar critérios de avaliação como a relevância do trabalho para a instituição; qualidade da estratégia desenvolvida; qualidade das ferramentas e ações de comunicação utilizadas; resultados alcançados; envolvimento com os públicos de interesse e apresentação das informações prestadas.

Para se ter uma ideia da amplitude desse Prêmio é só lembrar que hoje temos no Paraná 1.790 instituições privadas de ensino regular que atendem 690 mil alunos da Educação Infantil ao Ensino Superior. Se forem somados mais os números de academias, cursos livres e escolas de idiomas, teremos cerca de 2,5 mil instituições no Estado.

Sabemos que estão acontecendo muitas práticas de Inovação em Sustentabilidade, Inclusão Social e Pedagógica dentro das instituições paranaenses. E o que esse Prêmio propõe é divulgar essas boas e inovadoras práticas. Nós precisamos acreditar no trabalho da escola, do professor, e que a educação é o único caminho para uma nação se tornar verdadeiramente melhor.

No dia 13 de novembro deste ano serão anunciados os vencedores durante a cerimônia de premiação, que acontecerá no Espaço Torres. Anote a data na agenda e participe!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Programa de alfabetização boliviano ensinou mais de um milhão de adultos a ler e escrever

O programa Yo Sí Puedo, importado de Cuba, conseguiu reduzir a taxa nacional de analfabetismo de 13,28% em 2011 para 3,8% em julho de 2014


Fellipe Abreu e Luiz Felipe Silva, da Bolívia 

O programa boliviano Yo Sí Puedo conseguiu reduzir a taxa de analfabetismo no país de 13,28% em 2001, para 3,8% em julho de 2014
"Ler e escrever era proibido. Eu morava no sítio em que meus pais trabalhavam e o patrão dizia que se eu fosse à escola cortaria minha língua." A história é lembrada pelo ex-policial Quintim Pulma, 83, vestido elegantemente em um paletó um tanto quanto surrado e um chapéu preto, o que concede ao simpático senhor um ar ainda mais altivo. "Hoje, sim, eu posso estudar para provar para eles que eu sou capaz", afirma após se levantar e se apresentar em nome de seus 38 colegas de estudo, todos idosos, do grupo rural de alfabetização da cidade de El Alto, vizinha à capital boliviana La Paz.

O grupo de quase 40 estudantes da terceira idade é uma síntese dos mais de um milhão de adultos alfabetizados desde a implantação do programa Yo Sí Puedo (Sim eu posso, em tradução livre) na Bolívia, em 2006. A maioria é formada por mulheres, de origem rural, pobres, e acima de 50 anos. Foi focando neste perfil que o programa conseguiu reduzir a taxa nacional de analfabetismo de 13,28% em 2001 para 3,8% em julho de 2014. Este índice, certificado pela metodologia de fiscalização da Unesco, é suficiente para que o Estado Plurinacional da Bolívia seja reconhecido como um país livre de analfabetismo - o limite, para a Organização das Nações Unidas, é de 4% -, o que aconteceu em julho de 2014, quando a Unesco declarou oficialmente a entrada da Bolívia na ilustre lista de países que erradicaram o analfabetismo. Atualmente a taxa de analfabetismo no país é de 3,2%, segundo dados de março de 2015 do governo boliviano.

Baixo custo

A meta foi estabelecida como prioridade assim que o líder indígena Evo Morales foi eleito presidente pela primeira vez, em 2006. Atualmente ele cumpre seu terceiro mandato consecutivo, que dura até 2020. Ao tomar posse pela primeira vez, Morales estreitou relações diplomáticas e ideológicas com os chefes de Estado de Cuba, então Fidel Castro, e da Venezuela, o falecido Hugo Chávez. Da coalizão entre os "líderes bolivarianos" nasceu o projeto. A Venezuela colaborou com aporte financeiro e Cuba cedeu material e profissionais para implementá-lo na Bolívia. Além da própria metodologia Yo Sí Puedo, desenvolvida pela histórica pedagoga cubana Leonela Relys, falecida em janeiro de 2015. De acordo com os dados oficiais cubanos, o método já alfabetizou mais de oito milhões de pessoas em 30 países diferentes (leia mais sobre o método no box).

Na Bolívia, a primeira fase do programa durou apenas dois anos, mas foi a mais intensa e bem-sucedida. Entre 2006 e 2008, a Brigada Cubana-Venezuelana chegou em peso com recursos materiais como TVs, videocassetes, livros, apostilas etc., e técnicos, sobretudo professores, para treinar os mestres bolivianos e na adaptação das cartilhas ao contexto sociocultural do país - como, por exemplo, a tradução para cinco idiomas indígenas, caso do quéchua e do aimará. Nestes dois anos, o milagre aconteceu: a taxa de analfabetos caiu a 3,7% sob um custo operacional muito baixo, de 18 milhões de pesos bolivianos por ano, equivalente a pouco mais de R$ 7 milhões anuais - valor este mantido até hoje.

O programa então foi incrementado com sua segunda etapa, o Yo Sí Puedo Seguir. Neste segundo passo, os alunos já então alfabetizados - processo este que dura, em média, de três a seis meses - iniciam um ciclo de dois anos para se aprofundar em leitura, escrita e matemática, passando por bases das ciências naturais, e se formam no primário. Na Bolívia, o equivalente aos ensinos fundamental e médio (três anos) é proposto em dois ciclos de seis anos, o primário e o secundário.


Foco no professor

Em 2012 veio o revés: o Censo daquele ano confirmou um aumento de 5,02% no número de analfabetos, índice que tirou a Bolívia do seleto grupo das nações sem analfabetismo. "Demos muita atenção ao programa de pós-alfabetização e negligenciamos esforços na alfabetização. Essa pesquisa nos mostrou que não se pode descuidar nunca", explica o ministro da Educação, Roberto Aguilar Gómez. Lição aprendida, o Ministério precisou investir mais no programa. Com o orçamento já estabelecido, a decisão foi aumentar o engajamento do professor, que no Yo Sí Puedo é chamado de "facilitador".

Como em qualquer programa de educação sério, a figura principal é a do professor. Neste caso, é ainda mais: os cerca de 18 mil facilitadores não recebem um centavo  pelo trabalho de alfabetização. A recompensa é dada em benefícios como um plano de carreira bem estruturado, que prevê um salário mensal inicial de US$ 300 e um teto, a partir de 20 anos de profissão, de US$ 1.200. Há, principalmente, duas formas para os professores recuperarem o tempo investido no programa: aqueles que já dão aulas regulares sobem de nível (e de salário) a cada cinco anos, mas quem trabalha também como facilitador tem o tempo reduzido pela metade; outro caso é dos professores em começo de carreira, momento em que são exigidos dois anos de experiência na província (em regiões rurais do país) e para não precisarem sair de suas cidades, podem realizar esses dois anos no programa de alfabetização.

A partir de 2012, o governo passou a ser mais maleável quanto à concessão dos direitos e a permitir formatos de aulas ainda menos ortodoxas. Entre os professores aceitos no programa está Keyla Guzmán Vélez, que mora com o marido e o filho de três anos ao lado do Mercado Rodriguez, em um bairro de classe média de La Paz. Ela propôs e insistiu em um modelo de aula individual para cada uma de suas alunas (e seu único aluno homem) durante o horário de funcionamento do Mercado (termo em espanhol para feira de rua), entre suas barracas, frutas e legumes que as senhoras vendem.


O programa nas ruas

Há duas maneiras de se formarem grupos do Yo Sí Puedo. Uma associação de cidadãos, como moradores de um bairro ou trabalhadores de alguma categoria, se reúnem e congregam pelo menos dez pessoas dispostas a estudarem. Levam, então, a proposta de grupo, com horário e local de aulas incluídos, para o comitê de alfabetização local - há pelo menos um em cada cidade do país - e o comitê procura um facilitador. Este é o modelo que gerou o grupo de idosos que abre esta reportagem.

Outra forma de um grupo de alfabetização nascer é a partir da vontade de um professor de formar uma classe. É o caso da citada professora Keyla, pioneira no modelo de aulas individuais. Recém-formada na graduação de "professora normalista titulada", como é chamado na Bolívia, Keyla optou pela carreira de professora quando o filho Josué ainda era bebê. Para ter direito à licença profissional, ela teria de prestar os dois anos de "província", quando o professor é obrigado a sair da cidade e dar aula no interior, e, consequentemente, se afastar do marido e, talvez, do filho. Decidiu, então, cumprir esses anos como facilitadora do programa contra o analfabetismo, mas teria, ela mesma, de encontrar seu grupo. E encontrou comprando maçãs.

A rua em que mora faz esquina com uma das maiores feiras de rua de La Paz. Notou que aquelas senhoras que passavam dois terços de seus dias trabalhando não sabiam ler, escrever e faziam contas abstratamente. Pronto: teria seu grupo de alfabetização à porta de casa. Não era, todavia, tão simples. As senhoras iniciavam suas atividades no Mercado Rodriguez às 5h da manhã e deixavam o local apenas às 19h, ou seja, dedicavam quase todo o seu dia ao trabalho. Resultado: não toparam formar classes após a jornada de trabalho ou abrir mão do horário de vendas - que mesmo tão longo, rende somente cerca de 200 pesos bolivianos (aproximadamente R$ 90 reais) por dia a cada uma.

"É preciso entender a rotina, a realidade da vida dessas mulheres. Elas acordam de madrugada, deixam os filhos sozinhos, trabalham realmente o dia todo e ainda precisam voltar para fazer as atividades de casa", explica Keyla. "Compreendi que sou eu que tenho de me adaptar a elas, e não o contrário", conclui. Então começou sua peregrinação, subindo e descendo a feira para encontrar quem topasse as aulas em um modelo flexível. Final feliz: um senhor e 25 senhoras aceitaram. Então, Keyla combinou com cada um a melhor hora para o atendimento e todos os dias percorria o mesmo percurso com uma lousa na mão e apostilas em uma bolsa. Parava 20 minutos em uma barraca, uma hora em outra, ensinava subtração aqui, vogais acolá, tudo entre cebolas, cenouras, maçãs e as onipresentes batatas. "Eu trabalho desde os oito anos. Meus pais morreram quando eu era criança e tive de trabalhar, e trabalho muito até hoje. Só pude começar a estudar por causa da nossa maestra, ela que veio até nós", conta Paulina Flores, alfabetizada aos 49 anos e que, agora, vislumbra realizar o sonho antigo de entrar em uma universidade e se formar fisioterapeuta.

Seja nos grupos grandes, como de El Alto, seja nas aulas individuais, como do Mercado Rodriguez, há algo de fundamental para o programa funcionar: dedicação dos alunos. As aulas não ocorrem todos os dias, então é preciso que os alunos sigam em casa todo o programa determinado pelos facilitadores e pela cartilha. O curso de alfabetização exige leitura diária, assim como a prática de operações numéricas de soma e subtração e exercícios de caligrafia. Na pós-alfabetização, curso que hoje contempla a maior parte dos alunos do programa, já se caminha em direção à interpretação de textos mais longos, à elaboração de frases complexas e à execução de multiplicação e divisão, além de noções básicas de geografia, história e biologia.


Sistema de educação alternativa

O próximo passo, agora, é propor uma alternativa para que esses adultos possam seguir estudando. "É frustrante para eles chegarem até aqui, terem esperança de prosseguir e depois dependerem de colégios comuns para estudar", desabafa Keyla. "A alfabetização e a pós-alfabetização não são áreas de trabalho isoladas do sistema educativo, são parte da estrutura da educação alternativa, que é um subsistema dentro do sistema educacional boliviano. Muitos alunos que terminaram a alfabetização e a pós-alfabetização se incorporaram a programas de educação secundária de adultos. No ano passado, muitos desses estudantes conseguiram seus diplomas do ensino secundário, o que lhes dá a possibilidade de seguir os estudos em nível universitário", contrapõe Noel Aguirre, vice-ministro de Educação Alternativa da Bolívia. Segundo Noel, quando se trata de educação de adultos devem existir programas específicos para cada tipo de necessidade. No ano passado, a Associação de Trabalhadoras do Lar os procurou com um pedido: queriam se formar no ensino secundário, mas só tinham disponibilidade nas manhãs de domingo, quando não trabalham. "Nós adequamos o sistema e agora existem grupos de trabalhadoras do lar que estão estudando aos domingos", diz Noel.

Além disso, com o objetivo de adaptar ainda mais o programa à população boliviana, o governo concebeu projetos alternativos para incentivar os alunos a continuar em contato com os estudos, como é o caso das bibliotecas comunitárias, que são criadas próximas aos pontos de alfabetização espalhados pelo país, para que mesmo depois de formado o estudante não perca contato com a leitura. "Há dois anos realizamos o Festival Nacional de Canção Popular, que tem como objetivo que os participantes escrevam suas próprias músicas. Os melhores do país são trazidos a La Paz no Dia Internacional da Alfabetização (8 de setembro),  quando eles têm a possibilidade de gravar suas músicas em estúdio. Além do resultado cultural, de valorizar as músicas típicas de cada região do país, esse projeto também se transforma em material educativo de apoio aos novos grupos de alfabetização e pós-alfabetização", conta Ramiro Tolaba, diretor-geral do programa de pós-alfabetização.

Avançar é a palavra de ordem na Bolívia. O avanço educacional é evidente, mas é preciso mais modelos de educação alternativa para permitir que o sonho de ler e escrever realizado por Dom Quintim e Doña Paulina sejam apenas o primeiro de tantos.


 Combatendo a evasão escolar
A educação infantil foi também prioridade no programa para erradicar o analfabetismo na Bolívia. O alto investimento em educação (8,7% do PIB, o maior da América Latina) é para que até 2025 o número de analfabetos no país esteja controlado entre 1% e 2%, índice atrelado a outro objetivo: atingir 100% de presença de crianças na escola. O caminho para isto tem nome: Juan Manuel Pinto.

O Bônus Juancito Pinto homenageia um herói boliviano que foi à Guerra do Pacífico com apenas 12 anos. Sua função é semelhante ao do Bolsa Família no Brasil: gratifica monetariamente as famílias que mantêm seus filhos na escola. O valor de US$ 30 é pago anualmente (no mês de outubro) para cada criança que comprovar cumprimento integral do ano letivo.

O resultado já veio: a taxa de abandono escolar caiu de 6,5% em 2005 para 1,7%, segundo dados de 2013. Na educação primária, a meta está em vias de ser atingida, com 99% de cobertura, mas no infantil e secundário, ainda falta: ambos estão com cerca de 70% de alunos com idade adequada.

 Relato de reportagem: uma nova chance para escrever a história da Bolívia
Apesar de ser uma vizinha próxima, a Bolívia é, na verdade, completamente diferente do Brasil em termos de cultura. Isso apenas começa a explicar o quão difícil é fazer uma reportagem como essa neste país tão pobre e tão amável.
Desde o começo, a lógica é diferente: para ter acesso aos grupos de alfabetização e às autoridades, é preciso mandar uma carta (sim, por correios) e aguardar a resposta oficial - que nunca veio. Chegamos lá, com a vontade de dar voz a essa gente que está pela primeira vez recebendo a atenção do Estado que faltou em suas vidas inteiras e, na raça e na vontade - e depois de muito chá de cadeira - conseguimos os acessos.
Iniciou-se, então, uma das mais impactantes experiências que vivemos como jornalistas até então. Não bastasse a história de dedicação da professora Keyla, que lutou até conseguir que seu método de aulas individuais fosse aceito e que pinçou uma a uma suas alunas - história essa que por si só já valeria a matéria e a ida à Bolívia -, conhecemos ainda um grupo de 39 idosos em processo de alfabetização.
Depois de quase duas horas de viagem até El Alto, o carro estacionou e vimos aquelas quase quatro dezenas de senhores e senhoras vestidos impecavelmente para mais uma de suas aulas. Arriscamos um cordial "buenas tardes, amigos" e, em contrapartida, fomos surpreendidos: todos, um a um, e mesmo aqueles com dificuldades de locomoção, se levantaram e nos deram um beijo e um abraço. Ouvimos de cada um deles um "gracias" por simplesmente estarmos lá.
Don Quintim Pulma veio até nós, como uma espécie de representante daquele grupo, para entender nossas motivações. Convencido de que estávamos lá para dar voz a eles, desabafou sobre sua infância pobre, sobre as ameaças que o proibiram de estudar e, emocionado, após dizer que havia estudado apenas para provar "a eles do que é capaz", concluiu: "já posso morrer em paz."
A aula nos permitiu ver que o método é eficiente, mas não milagroso. Funciona melhor com aqueles que já tiveram empregos que exigiram mais do lado intelectual ou que frequentaram esporadicamente a escola. E, sobretudo, funciona para os mais disciplinados: a lição de casa regular é fundamental para o bom andamento do curso. Todos se formam, mas alguns com muito mais condição de seguir que os demais. É, antes de mais nada, um programa para dar auto estima a esses adultos e idosos. Sentem-se mais valorizados, sentem-se, pela primeira vez na vida, parte de uma sociedade que os olha com atenção.
Voltamos a entender a Bolívia: é um país predominantemente indígena que foi governado por uma elite financeira e/ou militar até a ascensão de Evo Morales à presidência. Com erros e acertos, foi uma virada histórica para os povos vulneráveis do país. Os índios pobres que não podiam estudar quando crianças, agora podem aprender depois de velhos e até sonhar com um diploma universitário.
A partir deste momento em que a comunidade se abriu tanto para nós, ouvimos, lá do fundo da classe, uma senhora dizer: "No se percam", algo como "não nos esqueçam" - os olhos molharam e a voz tremeu. "No vamos perder", respondemos. E aqui está a reportagem, para que nem nós, nem vocês, esqueçamos deles.

 Leonela Relys: a madrinha da alfabetização
O nome de Leonela Relys Díaz está escrito nas cartilhas de pelo menos 30 diferentes nações, entre eles diversos países latinos (incluindo aí o Brasil) e africanos e até mesmo a Espanha e a Nova Zelândia. A pedagoga cubana é a principal responsável pelo desenvolvimento do método Yo Sí Puedo, que alfabetizou mais de 8 milhões de pessoas, de acordo com os dados oficiais de Cuba.
Leonela nasceu na cidade de Camagüey em 1947 e, ainda prestes a completar 15 anos, participou da primeira campanha de alfabetização da ilha sob regime comunista. Sete anos depois se graduou "maestra", carreira que seguiu nas salas de aula e na academia, até se formar doutora em ciências pedagógicas pela Universidade de Havana. Passou, então, 20 anos na direção nacional de estudos para adultos de Cuba - período em que desenvolveu uma série de projetos que serviriam de base para sua obra prima.
Após dois anos trabalhando com alfabetização no Haiti, retornou à terra natal com a missão de criar a cartilha de um programa massivo ensinar a ler e escrever em Cuba e que pudesse ser exportado. No mesmo ano, 2001, o Yo Sí Puedo foi colocado em prática da forma como o conhecemos. Seu trabalho foi reconhecido como Heroína da República em Cuba e também pela Unesco com a honraria com o Prêmio Alfabetização Rey Sejong, em 2006. Vítima de câncer, a pedagoga faleceu em janeiro de 2015.

Yo Sí Puedo: o método
O programa de alfabetização regido da maneira original como proposto por Leonela Relys se completa após 65 aulas, divididas em três etapas primordiais: treinamento (10 aulas), ensino de leitura e escrita (42 aulas) e consolidação (13 aulas). As classes são ministradas por professores-facilitadores com o apoio de cartilhas e material audiovisual - cada país produz seu próprio modelo de conteúdo de acordo com a cultura local, mas atendo-se ao programa original cubano. Não há tempo mínimo e máximo para a graduação, embora o período considerado ideal seja de três meses.
Na primeira etapa (treinamento), os alunos são preparados a partir de suas capacidades orais e psicomotoras para iniciar o trabalho de leitura e escrita e, também nessa fase, são apresentadas as vogais e é feita a relação das letras com os números, símbolos geralmente já conhecidos dos alunos (A equivale a 1, B equivale a 2 e assim por diante).
No ensino de leitura e escritura avança-se na relação entre letras e números, formando sílabas e palavras. Neste momento do projeto, cuida-se com atenção do estudo das letras em si e dos fonemas. Encerra-se o ciclo com a consolidação, que é autoexplicativa: são propostos exercícios de fixação do que foi aprendido, como relacionar imagens e palavras, construção e compreensão de frases mais complexas e redação.
Estudantes aptos, então, seguem para o programa de pós-alfabetização Yo Sí Puedo Seguir. 

O que professores têm feito para formar bons escritores

Um dos maiores desafios dos educadores, o ensino da escrita deve estar associado a diferentes habilidades de comunicação e socialização, como a prática dos debates em sala

Márcio Venciguerra




Desafio: ensinar o domínio do código e, ao mesmo tempo, a escrita como expressão
"As professoras mandam eu fazer redação. E eu faço, só que na maioria das vezes eles não consideram porque acham que não foi de minha autoria, acham que não fui eu que fiz. Não dão nota boa, porque acham que eu peguei de algum lugar, por algum autor, por alguma coisa parecida. Mas eles nunca acreditaram que fui eu que fiz." O relato trazido por Valéria Fagundes no filme Pro dia nascer feliz, de João Jardim, lançado em 2005, quando tinha 16 anos, ainda pode descortinar uma das dificuldades da educação brasileira? Aluna da Escola Estadual Cel. Souza Neto, do município de Manari (PE), então considerado o mais pobre do Brasil, Valéria relatava no filme ser leitora assídua da poesia de Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Admitia que os colegas a achavam "diferente" por gostar de ler, e não encontrava seu lugar na escola. Valéria tocava em um ponto que permanece atual: estamos conseguindo ensinar bem redação nas escolas brasileiras?

+ LEIA MAIS - Troca de cartas: uma forma de estimular a escrita em sala de aula

No começo do ano, o Ministério da Educação divulgou o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Um dos dados que mais repercutiram na imprensa foi o de que, dos mais de seis milhões de alunos que fizeram a prova, 529 mil obtiveram nota zero na redação (8,5% dos candidatos). Deste número, 248 mil redações foram anuladas. Fazem parte desse caso não atender à proposta solicitada ou possuir outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo; apresentar texto de até sete linhas, copiar linhas dos textos motivadores, que servem apenas como referência, ou escrever "impropérios", desenhos e outras formas propositais de anulação.

À época do filme de João Jardim, as avaliações do MEC apontavam que a metade dos estudantes do ensino fundamental não conseguiam ler ou escrever corretamente. Hoje, apenas um em cada quatro brasileiros atinge um nível pleno de habilidades no uso da leitura, escrita e matemática, segundo os últimos dados do Inaf Brasil 2011 (Indicador de Analfabetismo Funcional), realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa. Numa avaliação sobre a capacidade de leitura e escrita de alunos do 4.º e 7.º anos do ensino fundamental, divulgada em 2014 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), o Brasil aparece na sexta posição, entre 15 países da América Latina e do Caribe.

Os dados são conhecidos. Mas, em meio a tantos índices desanimadores, o que está acontecendo com a redação dos alunos? Um dos motivos apontados por educadores para as dificuldades está no duplo desafio de ensinar o domínio do código e, ao mesmo tempo, fomentar o uso da escrita como forma de expressão. Outra preocupação compartilhada por professores é a familiaridade dessa geração com textos curtos, como os digitais, e a dificuldade de entrar em contato com textos mais longos e reflexivos.


Falta repertório

Ao invés de paralisarem o trabalho do professor, essas constatações podem servir de aliadas no desenvolvimento de processos de aprendizagem que partam do universo dos alunos.

Nesse sentido, a professora Tamine Cauchioli Rodrigues, da Escola Classe no Paranoá, no Distrito Federal, relata um caso para justificar sua crença de que esses desafios podem ser vencidos. No ano passado, ela se deparou com um adolescente numa turma de 5.º ano do ensino fundamental. Ele era cinco anos mais velho do que os demais. "Era o estereótipo da frustração escolar", diz Tamine. "Retrato de tudo o que leva à desistência, como baixa autoestima e notas de reprovação ano após ano."

Ao trocar mensagens de celular para marcar uma conversa com a mãe do garoto, Tamine teve uma surpresa: "opa, esse menino sabe escrever!" Mas por que então não demonstrava isso na sala de aula? "Se você não está motivado, escrever é muito mais difícil", constata Tamine. "Isso vale para todo mundo."

Para a professora, na fase do domínio do código escrito, há dezenas de ferramentas à mão do professor, já tornar a escrita um espaço de expressão exige estratégias escolhidas caso a caso. No geral, entretanto, Tamine escolhe uma: antes, é preciso trabalhar a leitura do mundo, para que o aluno tenha repertório e seja motivado a escrever sobre suas experiências.

Soleima Cardoso, diretora da Escola Classe 415 Norte, de Brasília, diz que gostaria de ouvir a expressão dos alunos, seja na fala ou na escrita, porém, ela avalia que as crianças estão cada vez mais rápidas, tanto ao escrever como em diálogo. Ela conta ouvir frequentemente os alunos dizerem "já entendi", apenas porque estão com alguma pressa.

Para Soleima, a sala de aula está sendo pressionada a suprir a crescente falta de conversa, no esforço de formar jovens capazes de se comunicar, tanto oralmente como por escrito. "Quando comecei a trabalhar, há 18 anos, a situação era diferente", conta. "De uns cinco anos para cá, noto claramente que os alunos estão mais impacientes, não se apropriam dos conceitos e informações e têm menos vocabulário."

A professora atende a um público variado, que vai dos filhos da classe média aos de famílias de baixa renda. Ela acredita que os pais de todas as origens poderiam ajudar se conversassem mais. Gestos aparentemente simples, mas muito importantes, como incentivar que os filhos contem como foi a visita à casa de um amigo. "Nós vivemos num mundo que exige "ir direto ao ponto", no qual as pessoas não têm mais tempo para respostas longas, e isso acaba limitando as crianças", acredita.


Notas baixas

Dois vetores puxam para baixo a média das provas de escrita de crianças e jovens brasileiros, na opinião da pedagoga Daniele Nunes Henrique Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). O principal é a estrutura precária da rede pública de ensino, com baixos salários e salas lotadas. "O professor faz o possível", diz ela, que ensinou na Educação Básica por dez anos e hoje forma profissionais e pesquisa formas de fomentar a criatividade nas escolas. "O Brasil precisa de uma grande revolução na rede pública, como aconteceu no Canadá, Cuba e Coreia", defende.

A outra força que conspira para não se formarem bons escritores na sala de aula é o ritmo da vida

atual: além da pressa, surgiram muitas tentações. À margem da grande quantidade de estímulos oferecidos para entreter, o professor precisa levar seus alunos a praticar uma atividade que demanda perseverança, trabalho duro e determinação. "Leitura e escrita não dão prazer sempre, apenas eventualmente", constata Daniele.

A professora de literatura Eva Pereira concorda que há novos elementos de sedução que afastam os alunos do ensino médio e fundamental do universo letrado. "O objetivo de saber escrever é de longo prazo e concorre com os estímulos de resultado no curto prazo", avalia a doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).

Ela vê pouco incentivo à escrita na rotina dos jovens. "O acesso à internet é fácil, mas o livro continua com uma aura que afasta", diz. E, apesar de as redes sociais e outros sítios virtuais ampliarem a troca de mensagens de texto, Eva observa que se trata de uma expansão da oralidade, e não propriamente uma experiência de escrita.

Eva formou essa opinião não apenas por causa dos frequentes erros de grafia ou concordância que vê nos textos de seus alunos, mas devido à falta de pontuação. "Pontuar é estabelecer relações lógicas entre as orações e sintagmas, mas também é uma forma de marcar a entonação, que nas mensagens é dada pelos rostinhos (emoticons)." Os comentários de notícias na internet, outra forma bastante usual de escrita, na opinião de Eva costumam revelar a falta de desenvolvimento de uma argumentação, o que caracterizaria linguagem escrita. "Acaba se tornando uma troca de preconceitos e provocações", avalia.


Laboratórios

Para Daniele Nunes, da UnB, só ensina bem quem vivencia as dificuldades de escrever. Por isso, ela defende que laboratórios de escrita façam parte da formação

continuada dos profissionais de educação. "Não temos professores formados para a construção laboratorial escrita", lamenta. "Não temos pauta no currículo para formar um escritor desde o fundamental, a meta é praticar apenas alguns gêneros literários", reflete.

A proposta de Daniele vai ao encontro de um dos eixos do trabalho do professor titular de teoria e história da educação na Universidade de Barcelona, Jorge Larrosa Bondía. Para ele, o professor deveria ser um "ensaísta", ou seja, ter entre suas atribuições praticar a escrita de ensaios. Em entrevista à revista Educação de maio de 2013 (Ed. 193), Larrosa disse que mesmo na Espanha, "em um país onde a maioria dos jovens tem sido altamente escolarizada", eles, no entanto, "não sabem escrever". Para Larrosa, ao escrever ensaios, o professor treina a capacidade de escrever, "algo que não é nada fácil", ao mesmo tempo que pode exercer uma forma de autoavaliação, "porque a escrita de qualquer tipo produz certa exteriorização do próprio pensamento".

Daniele prefere chamar as atividades de produção de texto de "laboratório" porque o termo reforça o caráter "laboral" da escrita. O enfoque na transpiração e não na inspiração é também um modo de combater um mito que dificulta a formação dos escritores. "Há a figura do criador genial, que tem um dom especial", diz Daniele. "Enquanto persistir essa noção de talento nato, a prática formativa não tem como existir", acredita.

A pedagoga usa uma imagem semelhante à do poeta para explicar a arte de alinhar palavras. "Comparo com a escavação arqueológica: poucas atividades são tão metódicas e vão do trabalho pesado com a pá, à delicada limpeza da poeira com um pincel." A metáfora também permite imaginar que a tarefa não se limita à colheita da peça no campo. Há também uma outra fase na bancada, depois de o texto inicial ficar guardado um tempo longe dos olhos do autor.

Esse é também um problema para ensinar, já que demorar mais em uma tarefa contradiz o ritmo da vida moderna, que todos querem acelerar. Daniele relata que atualmente é difícil convencer alguém a deixar o texto na gaveta por alguns dias para revisar e reescrever - uma dica sempre presente quando grandes escritores contam seu método de trabalho. Para ela, a fase da correção, autocrítica e melhoria dos trabalhos é negligenciada nas escolas. "Nós deveríamos começar essa prática já na fase anterior à alfabetização", defende, "costumamos achar lindos todos os desenhos das crianças, quando poderia ser um momento de aperfeiçoamento das habilidades."

Ao orientar teses e dissertações, Daniele se bate contra a urgência dos alunos que prometem redigir e entregar em dois ou três dias. "Essa é uma contradição porque temos sempre a pressão para publicar cada vez mais, porém, a fase da gaveta é importante", diz.

Por outro lado, lembra a pesquisadora, as escolas usam pouco ou quase nada as vantagens da informatização na produção escrita - que podem aliviar e muito a carga de trabalho. Os programas de edição de texto proporcionam o aspecto limpo do trabalho final, mesmo depois de mudar parágrafos de lugar e rearranjar as palavras. E a facilidade de acesso a dicionários não se compara ao trabalho com papel e caneta.


Formas de expressão

O ensino de escrita deve estar atrelado às outras habilidades de comunicação e socialização, no ponto de vista de Eva Pereira - que, além de ter ensinado na Educação Básica e superior, atua como ativista cultural e coordena oficinas literárias.

Associar ler a escrever é o mais comum, mas a redação também não pode ser dissociada de falar e ouvir. A prática dos debates em sala de aula é um passo para a organização das informações, elaborar a narrativa e se expressar. "A voz da criança tem de ser respeitada, mesmo se for problemática", lembra a professora.

Ela cita como exemplo uma roda que coordenou, na qual um aluno mentiu e um colega expôs a mentira. Ao invés de reprimir o mentiroso, como os meninos esperavam, ela disse que também gostava de mentir e criou uma atividade em torno da invenção de histórias. "A brincadeira de mentir revelou os desejos das crianças", conta ela. "Como o menino, todos mentiam para se valorizar", diz Eva, ao lembrar ter explicado à turma que não defendia a mentira fora de seu papel na fabulação.

A quinta dimensão que deve estar associada ao ensino da escrita é o brincar. Além dos jogos de palavras, a brincadeira no ambiente da oficina literária é mais uma forma de favorecer a expressão dos alunos. "Brincar implica o corpo completo envolvido na comunicação, o que inclui também outros modos de expressão, como dançar", diz.

Eva conta o exemplo de uma menina do Uruguai que tinha atitudes violentas na classe, mas que trazia um histórico dramático: o pai matara a mãe e agora ela era criada pela avó, que traficava drogas. Por meio de brincadeiras de rua tradicionais, a menina foi levada a aprender a respeitar regras e assim passou a se integrar na oficina de produção de textos. "Mais tarde, quando já tinha deixado aquela escola, fiquei sabendo que ela voltou a ser agressiva com os colegas", conta. "Na época, junto com os outros professores envolvidos no projeto, fiz parte da rede de apoio à menina, mas a escola tem seus limites."


Ler em voz alta

Como diretora, Soleima Cardoso tem incentivado as colegas a voltar com a prática da leitura em voz alta nas salas de aula. "Há um modismo de acabar com tudo que era característico da escola tradicional", diz. No entanto, para ela, a dinâmica tradicional de cada aluno ler um parágrafo de um texto não deveria ter sido eliminada, pois resultou na falta de fluência verbal dos alunos.

Embora não tenha relação direta com escrever bem, Eva concorda com a necessidade do exercício da leitura em voz alta e defende que deva ser acompanhada de conversa sobre os textos lidos e acontecimentos do cotidiano. "De novo, a participação do corpo é importante. Ler em voz alta exige a atenção à altura da voz, ao domínio das possibilidades da acústica do ambiente, a uma postura corporal específica. Também tem a ver com a fala e a escuta das narrativas, das histórias que o professor e os outros colegas trazem para contar."

Eva defende que a escrita não seja necessariamente o foco central do ensino, mas parte de um trabalho com essas cinco dimensões (brincar, falar, ouvir, ler e escrever), embora o escrever é o que será cobrado em prova. "Isso tudo envolvendo o contexto, como ensinou Paulo Freire", diz.

O foco na necessidade humana de se expressar falando, interagindo em grupo e escrevendo é visto por Eva como a melhor forma de fomentar o gosto pela tal atividade "triste", como definiu Carlos Drummond de Andrade (em O poder ultrajovem): "O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina", ensina o poeta. E olha que no tempo dele não havia a dose de adrenalina programada nos jogos eletrônicos e nem mesmo uma rede social para fofocar.

 Narrar e poetar para bem dissertar
A precocidade com que as crianças estão sendo preparadas para o vestibular é um problema de difícil solução para o ensino da escrita, na opinião da professora de literatura Eva Pereira. O enfoque, que antes ficava restrito ao ensino médio, acaba por tomar o espaço da narrativa, que é o gênero mais empolgante para iniciar o trabalho com literatura, por ser próximo da oralidade. "Esse excesso de exercícios de dissertação acaba por contribuir para a dificuldade da escrita e da leitura", avalia. "As crianças - e os adultos também  - gostam de contar histórias, gostam de ouvir histórias, e gostam de brincar com as palavras. O gênero literário que mais brinca com as palavras é a poesia."

Para ela, é preciso lembrar que os tipos de redação não são estanques. Numa dissertação, o domínio da narração ou da descrição é necessário. "Mesmo que a estrutura geral seja dissertativa, a redação joga com os outros tipos de redação", diz. "O contato com a narração e com a descrição pode contribuir para o aproveitamento dos recursos próprios desses gêneros, inclusive na dissertação."

A professora de ensino fundamental Tamine Cauchioli Rodrigues avalia que essa é mais uma das características da visão da escola conteudista, voltada para o vestibular. "Não posso privar as crianças da dissertação, pois isso será cobrado delas mais tarde, mas posso usar poemas para ensinar a dissertar." 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

DIDÁTICA OCUPA APENAS 10% DO CURRÍCULO DO PROFESSOR, DIZ ESTUDO

São Paulo - Os cursos de licenciatura em letras e ciências biológicas das faculdades e universidades brasileiras dedicam apenas 10% da grade curricular para conhecimentos sobre didática, segundo estudo feito pela Fundação Carlos Chagas a pedido da Fundação Victor Civita. No caso da matemática, a proporção sobe para cerca de 30%. Além disso, 95% deles não têm especificações para seus programas de estágio.

Para completar o cenário, a maior parte dos concursos realizados por prefeituras e Estados para contratar profissionais concentra suas perguntas em aspectos da legislação, sem apresentar bibliografia nem questionamentos sobre práticas de ensino.

Em resumo, as instituições de ensino superior estão formando mal o futuro professor, os estágios dentro das salas de aula são mal formulados e pouco aproveitados e, na hora de contratar, as redes de ensino não sabem selecionar os mais preparados.

Uma primeira etapa da pesquisa, que analisou os cursos de pedagogia, foi divulgada no mês passado. A pesquisa levou em conta as grades e emendas curriculares de cursos oferecidos por instituições públicas (estaduais e federais) e particulares.

"Oferecer apenas 10% da grade para conhecimentos para docência é muito, muito pouco, porque se trata de licenciatura, não de bacharelado. Estamos falando do curso dedicado a formação de professores", afirma a consultora pedagógica da Fundação Victor Civita, Regina Scarpa.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

PARA PEDAGOGOS, ESCOLA DEVE ESTAR ALINHADA COM FAMÍLIA

São Paulo - Pedagogia Waldorf, linha montessoriana, construtivismo, escola tradicional, pragmatismo... esses são alguns termos com os quais os pais se deparam na hora de escolher a escola dos filhos. Mas, afinal, qual tendência pedagógica traz mais resultados de aprendizagem?

A resposta dada por especialistas em educação é simples: basta visitar as escolas, ao lado do futuro aluno. O colégio no qual a família sentir-se mais à vontade e tiver maior identificação será a escolha certa.

Para facilitar o entendimento dos pais quanto aos termos do "pedagogiquês", a coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade Sumaré, Rosemary Soffner , explica que as chamadas tendências pedagógicas podem ser agrupadas como construtivistas e não construtivistas. "A grande diferença entre esses dois grupos é a forma como vêem o conhecimento", explica.

Nas escolas não construtivistas, o conhecimento está pronto e os seus desdobramentos são as chamadas escolas tradicionais e as behavioristas. "Nesses modelos o aluno não interfere na construção do conhecimento, tem o papel mais passivo."

O construtivismo, segundo a educadora, não é uma pedagogia, mas uma teoria. "O conhecimento é construído considerando os saberes historicamente acumulados. Ninguém nega a física ou química. É nesse grupo que surgem as várias tendências pedagógicas como Waldorf e Montessori."

A professora aposentada do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo) Gita Guinsburg, diretora do colégio construtivista I.L. Peretz, cita um exemplo de como a escola tem de estar alinhada à filosofia da família.

"Se o aluno em fase de alfabetização escreve lousa com "z", não vamos corrigir. Entendemos que ele avançou no fato de a pronúncia da palavra ser semelhante à letra "z", está construindo conhecimento."
As informações são do Jornal da Tarde

domingo, 20 de março de 2011

Curriculo de Ensino

Conceitos da Sociologia Contemporânea
Iza Aparecida Saliés
Como trabalhar com eixos temáticos na Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias?
Eixos estruturantes da área
Cidadania;
Trabalho;
Cultura;
Relações entre o individuo e sociedade, instituições sociais;
Importância da participação política dos indivíduos e grupos;
Os sistemas de poder e os regimes políticos;
As formas de Estado;
Modos de Produção;
Produção e consumo;
Mercadoria;
Capital;

Educação

Eixos Temáticos para a Área de Ciencias Humanas e suas Tecnologias
Iza Aparecida Saliés
Como trabalhar com eixos temáticos na Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias?
Eixos estruturantes da área
Cidadania;
Trabalho;
Cultura;
Relações entre o individuo e sociedade, instituições sociais;
Importância da participação política dos indivíduos e grupos;
Os sistemas de poder e os regimes políticos;
As formas de Estado;
Modos de Produção;
Produção e consumo;
Mercadoria;
Capital;
Será dada Continuidade ao assunto....

quinta-feira, 17 de março de 2011

Noticia Nacional

Quem tem letra feia pode ter de trocar a de mão pela de forma


FABIANA REWALD


Letra feia e incompreensível tem cura. Ainda mais quando está associada a um distúrbio psicomotor, o que resulta na chamada disgrafia. Em sua clínica, a fonoaudióloga, psicopedagoga e psicomotricista Raquel Caruso diagnostica a causa e trata o problema. A maioria de seus pacientes, crianças e adolescentes, costuma ser encaminhada por neurologistas, pela escola ou pelas próprias mães. O primeiro a fazer, segundo ela, é avaliar a escrita. Se de fato ela for ininteligível, é dado início ao tratamento, que inclui exercícios para aprendizagem das letras e dos números. Em alguns casos, Raquel indica trocar a letra cursiva pela de forma --em que se gasta mais energia, mas que permite uma melhor visualização.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Didática e Pedagogia



O que é Didática e Pedagogia?

Didática

A palavra didática vem do grego: didatikós/didaktike- arte ou técnica de ensinar.

A Didática é uma disciplina técnica e que tem como objetivo específico a técnica de ensino (direção ténica de aprendizagem). A Didática, portanto, estuda a técnica de ensino em todos seus aspectos práticos e operacionais, podendo ser definida como: "A técnica de estimular, dirigir e encaminhar, no decurso da aprendizagem, a formação do homem". ( AGUAYO)

A formação da teoria da Didática para investigar as lições entre o ensino e a aprendizagem e suas leis ocorreu no XVII, quando João Amós Comênio (1592-1670), um pastor protestante, escreveu a 1ª obra clássica sobre a Didática, a Didática Magna.

Ele foi o primeiro educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras de ensino

Pedagogia

A palavra pedagogia vem do grego ( pais, paidós = a criança; agein = conduzir; logos = tratado ciência). Na Grécia antiga, eram chamados de pedagogos os escravos que acompanhavam as crianças que iam a escola. Como escravos ele era sobmisso à criança, mas tinha que fazer valer sua autoridade quando necessária. Por este motivo desenvolveram grandes habilidades no trato com crianças.

Hoje, o Pedagogo é o especialista em assuntos educacionais e pedagogia o conjunto de conhecimentos sistemáticos relativos ao fenômeno educativo. A Pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social e a Didática é umas das disciplinas da Pedagogia.

Bibliografia:
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 1994.

Postado por Claudia Correa

Alfabetização




A alfabetização de crianças com Síndrome de Down

Por: Daiane Rodrigues

A escola tem uma função reguladora e formativa na vida dos alunos, ela é, em grande parte, responsável pela passagem do aluno para o nível social. Acima de tudo, a escola tem o dever de ensinar o aluno a trocar ideias e ideais, de conviver com as diferenças, lidar com suas emoções e discutir.
A escola regular ou comum tem o dever de introduzir o aluno em um mundo crítico, cultural e diversificado e toda a criança tem o direito de fazer parte desta escola.

A aquisição da língua escrita pela criança é um dos requisitos fundamentais para que ela possa ser bem sucedida em sua trajetória escolar, uma vez que todo saber formal, veiculado pela escola, é realizado primordialmente, através da leitura e da escrita.


É natural que a escola regular tenha dificuldades para lidar com a subjetividade da criança com Síndrome de Down (SD). Este fato já aponta e demonstra a necessidade de existir um espaço para este fim, que não seja eminentemente clínico e que resguarde uma característica tipicamente educacional.

O aluno com SD tem uma maneira própria de encarar o saber, que, invariavelmente, não condiz com os ideais da escola regular. Não corresponder ao esperado pode ocorrer com todo e qualquer aluno, mas a criança de inclusão denuncia estas dificuldades de forma latente.

A criança com SD tem dificuldade de construir o saber com os demais alunos, principalmente quando inserido em escolas tradicionais. A criança incluída na escola regular encontra muitas barreiras para assimilar as coisas mais simples como, por exemplo, as características diretas de um objeto. Já para uma criança com desenvolvimento típico, construir conceitos, por exemplo, caracteriza-se por uma tarefa fácil.

Por isso, para as crianças com dificuldades de aprendizagem, o que inclui a SD, é muito importante o acompanhamento junto ao profissional de Psicopedagogia. É este profissional que irá avaliar as possibilidades de aprendizagem e a melhor forma de encaminhar estas crianças dentro do contexto escolar. Para que o atendimento psicopedagógico, dentro da escola regular, ocorra de forma adequada é preciso uma visão consistente do que é educação especial.

O aluno com SD pode e deve compartilhar o atendimento com colegas de desenvolvimento típico, para que tenha a possibilidade de outros tipos de acesso ao conhecimento. O trabalho especializado dentro da escola deve permitir ao aluno formular suas idéias para que ele não fique alienado diante de qualquer saber.

A partir de minha prática como psicopedagoga entendo que este trabalho não pode ser ordenado de forma rígida, nem planejado sistematicamente, é algo que surge de dentro para fora, ou seja, não deve visar à promoção escolar e, sim, às aprendizagens de vida e socialização da criança.
Referências

Alves, F. (2007) Para entender síndrome de down. Rio de Janeiro: Wak.
Alves, J.M.(1987) Estudo sobre a relação entre a extensão falada/escrita de palavras por crianças portadoras de Síndrome de Dow
n. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos.

Bibas, J.M. ; Valente, M.I. (2009) A alfabetização na Síndrome de Down. Reviver Down. In: http//WWW.reviverdown.org.br/pagina_apr
endiz_alfabetiza.htm

Brasil. (2001) Ministério da educação: Diretrizes nacionais para a educação especial na educação inclusiva. Brasília:Mec/ SEESP.
Bucley, S. ; Bird, G.; Sacks, B. ;Archer, T. (2006) A comparison of mainstream and special education for teenagers with Down syndr
ome: implications for parents and teachers Downs. Syndrome Res Ptact. 9(3), 54-67.

Correa, J.; Maclean, M.(1999) Aprendendo a ler e a escrever: A narrativa das crianças sobre a alfabetização. Psicologia: Reflexão e Crítica, 12(2), 273-286.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Escola




Múltiplas funções desafiam coordenação pedagógica


As inúmeras atividades na coordenação pedagógica deixam Maria Luiza realizada.

Autor: Arquivo da escola


As inúmeras atividades desenvolvidas diariamente pela coordenadora pedagógica Maria Luiza Alves de Moura a deixam muito cansada, mas também realizada. Para ela, a função que exerce é polivalente e muitas vezes engloba, além da parte pedagógica, outras práticas habitualmente desempenhadas por pais e profissionais de diversas áreas. “Procuro fazer o melhor que posso e conto com uma boa equipe de professores e gestores, que fortalecem nosso trabalho num clima familiar, na medida do possível”, assegura Maria Luiza, que trabalha no Centro de Ensino Fundamental (CEF) da 102 Norte. Licenciada em ciências, matemática, e biologia, pós-graduada em psicopedagogia institucional, ela ingressou na carreira do magistério há 32 anos, sempre na rede pública. Desse período, 26 anos foram em regência de classe, como professora de ciências e biologia, e seis como coordenadora pedagógica.

Ela assegura que o principal desafio que tem enfrentado como coordenadora pedagógica é o próprio sistema educacional, seja devido a problemas como falta de professores no início de cada ano letivo ou o grande número de alunos em cada turma. De acordo com Maria Luiza, as crianças hoje atropelam o tempo, pela curiosidade, pelo amadurecimento precoce, pela inversão de valores, pela “sede” de tecnologia em suas vidas, sem contar com a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais (Anees). Tudo isso, “exige do professor habilidades diversas para atender, a contento, as necessidades dos seus alunos”, acredita. Em sua opinião, se as turmas fossem mais reduzidas, o atendimento teria uma qualidade bem superior.

Outro desafio citado por Maria Luiza é a troca de professores no decorrer do ano letivo, com a substituição de profissionais com contrato temporário por outros com cargos efetivos. Segundo ela, isso provoca inúmeros transtornos de relacionamento e de adaptação dos alunos, bem como mudanças no método de trabalho. “Na maioria das vezes isso acontece ao meio de um bimestre, o que particularmente acho lamentável, pois o aluno é muito prejudicado; percebemos claramente como o rendimento cai e a indisciplina aumenta”, destaca.

O excesso de projetos que “minam” o período letivo é outro fator incômodo, na visão da coordenadora. Ela diz entender que a educação não pode se pautar em pilares estáticos, pois a inovação é importante, mas que tudo precisa ser na medida certa, com base no cotidiano da comunidade e, principalmente, no número de aulas previstas para cada professor. “Ninguém sobrecarregado consegue realizar um bom trabalho”, afirma.

A cada início de ano letivo, o CEF 102 Norte realiza a semana pedagógica: “são revistas todas as metas da proposta pedagógica do ano anterior, refeitas as que não fluíram e reforçadas as que obtiveram sucesso.” Nessa ocasião também é feito o acolhimento dos novos professores, a discussão de sugestões para melhoria do trabalho, e o estabelecimento de um cronograma com os eventos previstos para o decorrer do ano, como datas festivas, reuniões de pais, e conselhos de classe. Os estudantes não são esquecidos e na primeira semana de aulas a escola trabalha a importância da boa convivência na escola. São realizadas oficinas com temas que envolvam valores e é feita a distribuição e leitura do Regimento Escolar.

(Fátima Schenini)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Currículo e a Formação para um Mundo Globalizado e Plural



Autora: Cássia Ravena Mulin de Assis Medel[1]


Quando nos tornamos nacionalistas, psicologicamente nos tornamos indivíduos em conflito com o resto do mundo.
Nos dias de hoje, o currículo deve se voltar para a formação de cidadãos críticos, comprometidos com a valorização da diversidade cultural, da cidadania e aptos a se inserirem num mundo global e plural.

A partir do século XX, o currículo passa a ser visto como uma construção, uma seleção da cultura que deve estar comprometida com a emancipação das classes oprimidas, com a ligação de conteúdos a experiências vividas por essas classes, de maneira a provocar uma conscientização de suas condições de vida e uma perspectiva de mudança destas.


O caráter excludente de algumas escolas e do currículo tradicionais, que reproduzem as desigualdades sociais, ao trabalhar com padrões culturais distantes das realidades dos alunos devem ser abolidos, pois além de "expulsar", via reprovação e evasão, os alunos que mais necessitam da escola para sua educação, não estão mais de acordo com as propostas da educação e realidade atuais.

Segundo Canen (2000, 2001, 2002, e 2003), Assis & Canen (2004), Canen e Moreira (2001), o currículo, na visão multicultural, deve trabalhar em prol da formação das identidades abertas à pluralidade cultural, desafiadoras de preconceitos em uma perspectiva de educação para a cidadania, para a paz, para a ética nas relações interpessoais , para a crítica às desigualdades sociais e culturais.

Um currículo multicultural pode trabalhar em todas as perspectivas. Pode apresentar fases folclóricas, em que mostre a influência de diferentes povos na formação da cultura (como, por exemplo, a influência dos árabes nas ciências, na matemática; a influência dos africanos na cultura brasileira e de outros povos), como também pode, em outros momentos, trabalhar com a perspectiva multicultural crítica de desafio a preconceitos, formação da cidadania e questionamentos acerca da desigualdade que atinge determinados grupos (por exemplo, pode-se na literatura trabalhar com textos em que,

Apesar de ressaltado seu valor literário, apareçam traços preconceituosos contra negros, mulheres, idosos, e assim por diante, contextualizando essas idéias, mostrando suas raízes históricas, enfatizando a sua influência acerca do autor e revelando modos de vê-las e enfrentá-las nos dias atuais).

No entanto, pode ainda em momentos diferentes,mostrar a diversidade dentro da diversidade. Nesse caso, por exemplo, pode questionar conceitos esteriotipados em notícias de jornal, que fazem referência a povos e grupos de maneira homogeneizadora.

Dessa forma, as demandas por um currículo multicultural, na época contemporânea de pluralidade cultural, de conflitos, de ataques terroristas de exasperação dos preconceitos e das diferenças, de desafios éticos na formação da juventude, tem sido enfatizada na literatura acerca do currículo, nacional e internacional.








Autora: Cássia Ravena Mulin de Assis Medel
email: ravenamedel@yahoo.com.br
Veja mais detalhes sobre a autora nas notas abaixo.



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Notas:

[1] Professora e Orientadora Pedagógica do CIEP 277 João Nicoláo Filho "Janjão" e da E.M. Prof. Ewandro do Valle Moreira, localizadas no município de Cantagalo-RJ.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pedagogia de projetos

O que é projeto?

Trata-se de uma opção metodológica no processo de ensino/aprendizagem baseada na ideia de ação continuada. "Projeto se apoia no verbo "projetar" que entre outros, tem o significado de estender, prolongar, continuar, espichar. Projeto é, pois, ação continuada, sem final em si mesmo e, possivelmente, provocadora de novas ações" (Paulo Alfonso Ronca).

Os projetos são iniciativas diversificadas, desenvolvidas a partir do conhecimento e do questinamento da realidade, gerando o aprendizado de conceitos e valores.

A prática de projetos podem aumentar a eficiência escolar, eliminando a pedagogia do desânimo e da descrença,e dando lugar a pedagogia da busca, do desfio, do encontro, da esperança, da realização e da transformção.

A origem da pedagogia de projetos

Projeto passou ser palavra de ordem a partir da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1996, como "uma opção metodológica que considera a atuação do educando na construção do seu próprio conhecimento, que valoriza suas experiências, seus conhecimentos prévios e a interação professor/aluno (...)", desenvolvendo no educando de posicionar-se, elaborar projetos pessoais e coletivos, ter senso crítico, participar de ações sociais e eleger príncipios éticos para a construção de uma sociedade justa e solidária" (PCN).

A ideia de adotar projetos como opção metodológica surgiu das necessidades sociais, políticas e econômicas atuais. De um lado houve avanços tecnológicos e de outro avanço da miserabilidade, das doenças, da violênia etc. Neste século, estamos diante de um cenário de vida e de morte, num planeta cada vez mais povoado e desigual, com problemas cada vez mais globais.

Fonte: Especial guia prático para professores projetos ( revista).

Postado por Claudia Correa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Múltiplos instrumentos podem aperfeiçoar avaliação escolar

luan.santos
Acontece


A avaliação escolar é, antes de tudo, um processo que tem como objetivo permitir ao professor e à escola acompanhar o desempenho do aluno, diz a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Clarilza Prado de Souza. E como tal, não deve ser pontual, eventual e realizada somente no final de um período escolar. “Como processo, ela deve permitir acompanhar o aluno no seu cotidiano na escola, identificando seus progressos e retrocessos, suas dificuldades e facilidades”, justifica.

Coordenadora do Centro Internacional de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade da Fundação Carlos Chagas, Clarilza acredita que a avaliação escolar, assim concebida, permite ao professor um retorno constante da adequação das atividades realizadas em classe e do desempenho do aluno.

Para ela, a avaliação é de fundamental importância para garantir ao professor o direcionamento de suas atividades em sala de aula. “Sem uma avaliação escolar bem planejada e bem desenvolvida o professor desenvolve suas atividades às cegas, apenas na intuição e o aluno não tem parâmetros seguros para orientar seu comportamento, seus estudos e toda sua vida escolar”, diz.

Segundo Clarilza, a avaliação não só orienta o professor no desenvolvimento do ensino, como também o aluno em relação a seu comportamento e seu processo de aprendizagem. Em sua opinião, o professor e a escola devem e podem utilizar múltiplos instrumentos na avaliação escolar, que vão garantir maior confiança nos resultados. De acordo com ela, o constante contato com o aluno e a observação direta permitem o uso de instrumentos variados para analisar facetas diferenciadas do desempenho do aluno, favorecendo orientações para a tomada de decisão. O professor pode usar ferramentas como roteiros de observação do caderno, seminários de classe, portifólios, questionários, bem como a aplicação dos testes.

Para a professora, os modelos de avaliação do processo ensino-aprendizagem do aluno, que são inúmeros, devem ser construídos e adaptados em cada escola. No entanto, acredita, todos devem apresentar condições de oferecer uma avaliação que seja diagnóstica do aluno; dos processos de aprendizagem que o aluno está percorrendo; dos procedimentos e estratégias apresentadas pelos professor; e dos resultados que estão sendo obtidos pelo aluno em classe e na escola.

Graduada em psicologia pela PUC/SP, com mestrado e doutorado em educação na mesma instituição e pós-doutorado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, na França, e na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Clarilza entende que o aluno é o ponto mais importante a ser levado em consideração pelo professor, em um processo de avaliação.

“Meus alunos estão aprendendo? O que estão aprendendo? Por que não estão aprendendo? Quais os pontos em que eles apresentam maior dificuldades? O que posso fazer para que os alunos adquiram as aprendizagens fundamentais? Por que essas estratégias de ensino não estão dando certo?” são algumas das perguntas que Clarilza acredita devam ser formuladas pelos professores. “Quando estou interessada nas respostas a questões como estas devo realizar um processo de avaliação e, com certeza, ele poderá oferecer bons elementos para orientar sua prática”.

A professora, que desenvolve pesquisas, ministra cursos e atua principalmente nas áreas de avaliação de sistemas, instituições, planos e programas educacionais, além de avaliação de desempenho docente, diz que uma boa avaliação pode e deve ajudar o aluno e o professor a identificar as dificuldades.
(Fátima Schenini)
Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=272

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Distúrbio auditivo é confundido com deficit de atenção

Valeska Andrade

A semelhança entre os sintomas do deficit de atenção e da hiperatividade ou distúrbio do processamento auditivo central (DPAC) dificulta o diagnostico da criança com problemas de aprendizado.

Muitos dos sintomas são iguais: dificuldade de concentração, desorganização, esquecimento, mau desempenho na escola e problemas de relacionamento. O DPAC é decorrente de uma falha na forma como o sistema nervoso central processa o som.

Entretanto, não há deficiência no aparelho auditivo, mas, uma dificuldade para compreender o significado da mensagem. O distúrbio ainda é pouco conhecido por pais e professores.

Segundo estudos, pode atingir até metade das crianças com dificuldades de aprendizagem. O tratamento da doença é feito com fonoterapia para ajudar a criança a separar e entender o que escuta.

Fonte: Folha de S. Paulo (SP)

O que é Didática e Pedagogia?

A palavra didática vem do grego: didatikós/didaktike- arte ou técnica de ensinar.
A Didática é uma disciplina técnica e que tem como objetivo específico a técnica de ensino (direção ténica de aprendizagem). A Didática, portanto, estuda a técnica de ensino em todos seus aspectos práticos e operacionais, podendo ser definida como: "A técnica de estimular, dirigir e encaminhar, no decurso da aprendizagem, a formação do homem". ( AGUAYO)

A formação da teoria da Didática para investigar as lições entre o ensino e a aprendizagem e suas leis ocorreu no XVII, quando João Amós Comênio (1592-1670), um pastor protestante, escreveu a 1ª obra clássica sobre a Didática, a Didática Magna.

Ele foi o primeiro educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras de ensino

Pedagogia
A palavra pedagogia vem do grego ( pais, paidós = a criança; agein = conduzir; logos = tratado ciência). Na Grécia antiga, eram chamados de pedagogos os escravos que acompanhavam as crianças que iam a escola. Como escravos ele era sobmisso à criança, mas tinha que fazer valer sua autoridade quando necessária. Por este motivo desenvolveram grandes habilidades no trato com crianças.
Hoje, o Pedagogo é o especialista em assuntos educacionais e pedagogia o conjunto de conhecimentos sistemáticos relativos ao fenômeno educativo. A Pedagogia investiga a natureza das finalidades da educação como processo social e a Didática é umas das disciplinas da Pedagogia.

Bibliografia:
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 1994.

Claudia Correa

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dislexia: influências no processo de aprendizagem

Por Sheila Steffen**

A leitura e a escrita são capacidades essenciais ao ser humano inserido em uma sociedade contemporânea, ambas não são habilidades isoladas, necessitam de uma série de fatores para se desenvolver plenamente, tais como: fatores ambientais, sociológicos e cognitivos. Muitos fatores podem interferir significativamente para um distúrbio de aprendizagem na leitura e na escrita, no estudo em questão, a dislexia.

A dislexia é uma disfunção que, conforme FONSECA, significa: "'dis' pobre ou inadequada aprendizagem, ou fraca apropriação de aquisições, e 'lexia' que significa linguagem escrita". (FONSECA, 1995, p. 328). Ou ainda, de acordo com (GRÉGOIRE & PIÉRART, 1997, p.20) "é uma dificuldade para aprender a ler, apesar de uma inteligência suficiente- o QI deve ser normal- e de um ensino clássico".

A dislexia pode ser classificada em três grupos: a disfonética ou auditiva: dificuldade de discriminação auditiva de sons próximos troca de sons próximos; diseidética ou visual: a pessoa apresenta dificuldade na percepção visual das palavras, escrita em espelho, trocas entre letras semelhantes e a mista: possuem características dos dois tipos de dislexia acima relacionadas, as dificuldades apresentadas são muito grandes, pois englobam as duas dislexias (auditiva e visual).

De acordo com a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA: o diagnóstico de dislexia não é simples de ser realizado, deve ser feito por uma equipe multidisciplinar formada por um neuropsicólogo ou psicólogo, um psicopedagogo e um fonoaudiólogo. Em alguns casos há a necessidade de consultar um psiquiatra ou um neurologista e um oftalmologista. É importante levar em consideração o meio social em que a pessoa está inserida, todas as possibilidades devem ser levadas em consideração.

Se não forem proporcionadas ao disléxico, possibilidades pedagógicas favoráveis ao aprendizado, a dislexia pode resultar em dificuldades de aprendizagem. Dessa forma, torna-se de fundamental importância o diagnóstico correto e um trabalho paralelo do desenvolvimento da escrita e leitura com os alunos disléxicos, estabelecendo ação conjunta com a escola, demais alunos, professores e pais e só assim o trabalho pedagógico será efetivo.

Ao entender a importância da leitura e escrita no processo de ensino-aprendizagem delineia-se a idéia de que a dislexia interfere significativamente na vida escolar do aluno que tenha o distúrbio e percebendo, dessa forma, o papel que a família e a escola exercem no auxílio ao indivíduo que apresente tal disfunção.

Cabe aqui ressaltar a importância da responsabilidade e da função do professor frente a esse distúrbio, e que é prioritário a compreensão deste profissional sobre a dimensão implicada na dislexia, a consciência de que ninguém aprende da mesma forma, por isso a importância de se respeitar as individualidades e de diversificar as estratégias de ensino, bem como o modo de se avaliar esse aluno.

Percebe-se, porém, que na maioria das vezes os professores não se encontram preparados para identificar e encaminhar para avaliação (por uma equipe multidisciplinar) o aluno que apresente dificuldades no processo de aprendizagem, com o intuito de constatar se há distúrbio ou não. A avaliação não deve ter como objetivo a rotulação do aluno e sim, a partir desse diagnóstico o professor proporcionar meios para promover a aprendizagem significativa desse aluno.

É um tema que se encontra em constantes pesquisas, com muitas descobertas recentes, que tem tomado cada vez mais espaço no cotidiano escolar, despertando cada vez mais interesse entre pais, educadores e pessoas que compreendem a importância da leitura e da escrita no dia-a-dia do ser humano.

** Escrita por Sheila Steffen, pesquisadora da Dislexia e acadêmica do sétimo semestre do INESA, sob orientação do Psicólogo e Professor Gilmar de Oliveira.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Noções cartográficas através do mapeamento da escola

A elaboração de aulas mais dinâmicas é de fundamental importância para se obter êxito no processo de ensino e aprendizagem. Sendo assim, a realização de atividades práticas é uma ótima alternativa, em especial aulas desenvolvidas nos ambientes externos à sala de aula. Contudo, é essencial que sempre haja relação com o conteúdo estudado, e não apenas uma forma de agradar os estudantes.

Tendo em vista que as atividades em ambientes “abertos” são mais bem aceitas pelos alunos, sugerimos que o educador solicite o mapeamento da escola. Essa é uma boa forma de se ensinar cartografia, promovendo a identificação das diferentes paisagens relacionadas ao local em que estudam, além de auxiliar no processo de construção do conceito de espaço geográfico.

Essa atividade tem como objetivo a representação e análise da organização espacial, onde os estudantes deverão destacar informações que acharem essenciais. Para isso, explique como se confecciona um mapa (croqui), destacando a representação dos elementos, organização, utilização de símbolos, etc.

Em seguida, é necessário encaminhar a turma para o pátio da escola e deixá-los livres para a realização do mapeamento. Auxilie durante a realização da tarefa e discuta sobre alguns dos elementos que podem ser destacados no mapeamento.

Após essa parte da atividade, discuta com os alunos sobre a distribuição dos elementos (salas de aula, pátio, banheiros, bebedouro, cantina, entre outros) no espaço escolar, identificando suas utilidades e analisando a lógica dessa organização espacial. Posteriormente, utilize os mapas produzidos e discuta os pontos mais relevantes da atividade.
Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Sexualidade e AIDS: sugestões de como abordar tais temas na escola

Material do site do Ministério da Saúde.

A AIDS (Acquired Immune-Deficiency Syndrome), ou síndrome da imunodeficiência adquirida, é uma doença cujo causador é o vírus da imunodeficiência humana (em inglês, Human Immunodeficiency Vírus, HIV). Ele compromete os linfócitos T, que são células responsáveis pela imunidade da pessoa, podendo provocar a sua morte em razão da ação de doenças que, em indivíduos com a saúde não debilitada, não causariam o mesmo.

Outrora se manifestando com maior expressividade em certos grupos específicos, a AIDS hoje se mostra mais “democrática”, afetando crianças, jovens e adultos; mulheres e homens; heterossexuais e homossexuais; solteiros e casados. Outro fato que mudou nos últimos anos foi a forma de se encarar a doença. Tempos atrás, seu diagnóstico era basicamente uma sentença de morte. Hoje, com o avanço da medicina e quebra de muitos tabus, principalmente em relação ao seu contágio, pessoas infectadas podem ter uma expectativa de vida maior e com muito mais qualidade – o que não significa que esforços não devem ser feitos para reduzir ao máximo o número de pessoas portadoras do vírus.

É fato que adolescentes têm iniciado sua vida sexual cada vez mais cedo, e que, por outro lado, tal grupo é bombardeado a todo o momento com inúmeras informações, nem sempre corretas e muitas vezes permeadas de preconceitos e falsos valores, não raramente tratando o sexo como mercadoria. Além disso, são poucos os pais ou responsáveis que se preocupam em orientar esses jovens quanto à sexualidade.

Diante desses fatos, e considerando a escola um dos poucos espaços em que os adolescentes têm condições de trocar informações, é importante que tal instituição se preocupe em fornecer informações referentes à sexualidade aos seus alunos, até porque é uma forma de prevenir problemas sérios, como a discriminação de gêneros, homofobia, violência sexual, gravidez na adolescência, e as doenças sexualmente transmissíveis, com destaque para a AIDS. Mais que isso, tais informações devem gerar reflexões e experimentações, ou seja: instigar o aluno a encontrar os caminhos reais para lidar com essa temática de forma produtiva.

O tema "Orientação Sexual" é contemplado nos Parâmetros Curriculares Nacionais, como um dos temas transversais a serem trabalhados nas escolas. Para que tal trabalho seja feito com êxito, é necessário que seja um processo contínuo, e que englobe, além dos aspectos biológicos, questões afetivas e emocionais; além de criar um espaço para que anseios e angústias possam ser discutidos e, quem sabe, sanados. Para tal, é interessante considerar os aspectos socioculturais das pessoas em questão, utilizar uma linguagem acessível e espontânea, e respeitar as diferenças, evitando clichês e também piadas ou sugestões que reforcem a errônea ideia de superioridade entre um grupo frente a outros e/ou relações de poder presentes nas interações sexuais.

Um trabalho conduzido dessa forma permite que os temas surjam com naturalidade, de acordo com a demanda dos envolvidos e ações relativas ao respeito a si mesmo e ao outro, assim como à prevenção de gravidez não planejada e DSTs, ocorram de forma espontânea e natural. Isso significa deixar de lado a ideia do “não faça” - até porque a realidade de muitos jovens não é essa, e considerar o “se fizer, faça com responsabilidade”; incluindo também maneiras de se trabalhar os mitos e resistências emocionais e culturais que impedem os jovens sexualmente ativos a praticarem tal ato de forma segura.

Alguns pesquisadores na área sugerem a implantação da matéria específica, semanalmente, a partir da quinta série do Ensino Fundamental, assegurando sua continuidade e regularidade e adequação a grupos etários específicos. Já outros creem que seja uma boa ideia trabalhá-la como um tema transversal, mas sempre garantindo a realização de encontros semanais entre os professores e coordenadores, a fim de discutir os avanços e desafios do trabalho. De qualquer forma, é importante que os educadores envolvidos tenham o cuidado de não tratar o tema como algo mecânico e tampouco como um conjunto de regras descontextualizadas.
Por Mariana Araguaia
Graduada em Biologia
Equipe Brasil Escola
Biologia - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Alunos com letra ilegível

A letra ilegível é um obstáculo para a leitura!


Primeiramente é necessário que o professor entenda que não há como fazer equiparações entre “letra bonita” e “letra feia” com letra legível e letra ilegível, pois são totalmente diferentes.

As mal traçadas linhas podem ser legíveis, ou seja, “letra feia” não é sinônimo de ilegível.

Para que os traços se tornem letras legíveis exige muito esforço por parte do aluno. Geralmente, essa adaptação da letra acontece no período da alfabetização e pode ter como consequência a continuação do problema com o passar dos anos.

A melhor forma para melhorar a letra ilegível é treinar, seja no caderno de caligrafia ou na reescrita de um texto.

O professor nunca deve deixar de escrever de maneira legível, seja no quadro, no caderno ou na agenda do aluno, pois isso é um bom exemplo.

Uma boa opção é solicitar ao aluno que escreva mais lentamente, observando os contornos, pois a rapidez pode prejudicar os contornos e, consequentemente, o entendimento do leitor.

Outra sugestão é usufruir de temas que incentivem o aluno a escrever. Se o mesmo já souber a diferença entre letra cursiva e letra de fôrma e optar por esta última, permita, pois o que vale é a comunicação. Caso o aluno tenha mais facilidade com a letra cursiva, consinta da mesma maneira.

Para se ter uma letra legível, com traços harmônicos, tudo é uma questão de treino!
Em vestibulares e concursos não é cobrado a “letra bonita”, mas sim legível, se der para entender tudo bem!

No entanto, um texto manuscrito é muito mais prazeroso de se ler quando possui uma letra orquestrada, cada traço no seu devido lugar!

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola