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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Melhorando a elaboração de textos

Educação e Pedagogia


Para começar, a leitura é fundamental para uma boa escrita. A leitura enriquece o vocabulário dando maiores variações de escrita e conteúdos para elaboração de textos.

É importante que ao escrever sobre determinado tema, o assunto seja pesquisado antes. Seja coerente e escreva sobre o tema sem rodeios. Evite gírias, abreviações, redundâncias e palavras muito repetidas.

Organize as ideias. Faça um rascunho antes, escreva tudo e corrija depois. Se ao escrever a pessoas ficar se policiando na correção ortográfica, pode acabar se perdendo na ideia do texto.

É fundamental que após a elaboração do texto, ele seja lido para corrigir os erros e, além disso o escritor torna-se um pouco mais crítico na escrita.

O Portal Educação oferece um curso totalmente online com duração de 80 horas. Após a conclusão do curso, a aluno recebe o certificado em casa. Acesse link www.portaleducacao.com.br/pedagogia/cursos/redacao-e-producao-de-texto/1384 e saiba mais.
Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Biblioteca Estevão de Mendonça: passado, presente e futuro


Por: EDUARDO MAHON

Qualquer mudança gera medo. A sacudida no comodismo causa bastante insegurança. É o caso da transferência da Biblioteca Estevão de Mendonça. Nós, da Casa Barão de Melgaço, formada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e Academia Mato-Grossense de Letras, fomos averiguar as condições atuais da centenária biblioteca para saber, ao certo, o que acontece no espaço. O diagnóstico preliminar foi assustador: uma parte mínima do acervo está catalogada, um risco enorme para a segurança, já que as obras não tombadas podem sumir sem que haja qualquer fiscalização; o espaço atual não contempla uma série de iniciativas que acreditamos indispensáveis, além de fechar as portas na hora do almoço e não abrir aos finais de semana em horários alternativos. Não há um calendário suficientemente interativo, iniciativas que a Casa Barão de Melgaço já está acostumada a conduzir com inquestionável sucesso.
Modéstia à parte, temos uma curadoria espetacular que é exemplo para qualquer biblioteca dentro e fora do Estado de Mato Grosso. A Professora Doutora Elizabeth Madureira Siqueira, reconhecida autora e pesquisadora, é responsável pela conservação do Arquivo da Casa Barão de Melgaço, espaço conservado com rigor. Além de orientar pesquisadores de mestrado e doutorado – estudantes mato-grossenses, de outros estados e mesmo de outros países – a curadoria conserva jornais do século XIX, abriga arquivos particulares de 11 famílias e o conjunto dos acervos de famílias italianas no Estado. A Casa Barão de Melgaço mantém o acervo integralmente catalogado, acondicionado em condições aceitáveis e bastante limpo, tudo disponível para consulta on-line. Elizabeth Madureira Siqueira presidiu o Instituto Histórico e Geográfico por três vezes e compõe a Diretoria da AML, na condição de 1ª vice-presidente. Mato Grosso ainda saberá agradecer o que esta brilhante paulista fez pela historiografia regional.
Foi com enorme alegria que recebemos a notícia do atual Secretário de Cultura, Leandro Carvalho, de que teríamos a oportunidade de abrigar os mais de 100 mil volumes da Biblioteca Estevão de Mendonça. Aceitamos de braços abertos. Não poderia ser diferente. A Casa Barão de Melgaço encerrou, no último dia 27 de julho, os festejos do Centenário Rubens de Mendonça, filho do patrono da Biblioteca. A AML construiu em homenagem ao grande jornalista, historiador, literato, um site para divulgar os trabalhos que o imortalizaram. Faremos o mesmo com Estevão de Mendonça, a fim de que as gerações mais novas possam conhecer quem foi o nosso fundador. A visão do Governador Pedro Taques, ao assinar o contrato de parceria, é promover um circuito cultural produtivo no centro histórico, entregando os aparelhos culturais aos especialistas que entendem da promoção do conhecimento. Ninguém mais habilitado que a equipe de intelectuais do IHGMT e da AML.
O que sempre a Academia Mato-Grossense de Letras realizou deu-se de forma gratuita. Não temos o menor interesse no lucro de qualquer iniciativa, até porque nossa natureza jurídica não tem fins lucrativos. O bicentenário casarão é mantido pela contribuição dos sócios do Instituto e da Academia, assim como a os custos da nossa biblioteca que conta com mais de 12 mil títulos, além de fotografias, jornais, objetos valiosos, tudo organizado com o capricho costumeiro da Profa. Elizabeth Madureira Siqueira. Além do mais, em nossos quadros, há grandes estudiosos de literatura, como o Prof. Dr. Agnaldo Rodrigues da Silva, a Profa. Dra. Marta Helena Cocco, a Profa. Dra. Olga Maria Castrillon Mendes e a Profa. Dra. Maria Cristina de Aguiar Campos, referências estaduais de estudos literários, cujos livros são bibliografias obrigatórias nas faculdades. No Instituto Histórico, grandes nomes compõem o time: João Carlos Vicente Ferreira, Paulo Pitaluga, Aecim Tocantins, Aníbal Alencastro, Nileide Dourado, Suise Monteiro, Fernando Tadeu de Miranda Borges, entre muitos outros estudiosos que pertencem às duas casas, como Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, Benedito Pedro Dorileo, Avelino Tavares, Nilza Queiróz Freire etc. Certos de que será a sociedade quem ganhará com a expertise do IHGMT e da AML e, pautando-nos pela transferência, fizemos questão de chamar para participar do processo o promotor de justiça que atua na defesa do patrimônio cultural mato-grossense, o excelente Dr. Gérson Barbosa.
Trataremos a Biblioteca Estevão de Mendonça com o respeito que ela merece. E faremos mais: promoveremos a transformação do conceito tradicional de consulta para o de participação. Exposições especiais, mostras permanentes, diálogo com as artes plásticas, teatro de bonecos, programas de visitação de crianças e adolescentes, catalogação completa do acervo, divulgação ampla por meio do espaço virtual, saraus quinzenais, tudo para fazer da biblioteca um lugar sedutor. Não foi a Secretaria quem resolveu os problemas da Casa Barão de Melgaço. Provavelmente, seja exatamente o contrário: o Instituto Histórico e a Academia Mato-Grossense de Letras disponibilizaram-se para somar forças com a equipe técnica da Biblioteca Estevão de Mendonça a fim de lembrar do passado, celebrar o presente e pensar o futuro, o que já fazemos há quase 100 anos. Parabéns, Governador Pedro Taques e Secretário Leandro Carvalho pela clarividente estratégia. Até que enfim alguém reconhece o mérito e faz algo de concreto para salvar a nossa mais querida e significativa Biblioteca.
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EDUARDO MAHON - é advogado e presidente da Academia Mato-Grossense de Letras, ocupando a Cadeira 11, cujo patrono é Augusto João Manuel Leverger Leverger, o Barão de Melgaço, foi inaugurada por Estevão de Mendonça, sucedido pelo Des. António de Arruda

Fundação de Cuiabá, conheça um pouco sobre o passado da cidade


Cuiabá hoje é uma metrópole que passou por uma verdadeira metamorfose que atingiu toda e qualquer peça da chamada Capital Verde de Mato Grosso
Muito diferente dos anos de 1719, quando Pascoal Moreira Cabral desbravava os rios e matas, e quando o ouro era produto que mais facilmente se obtinha, Cuiabá hoje é uma metrópole que completa 287 anos de transformação, numa verdadeira metamorfose que atingiu toda e qualquer peça da chamada Capital Verde de Mato Grosso.
Fundada em 8 de abril de 1719 pelos bandeirantes Pascoal Moreira Cabral e Miguel Sutil, às margens do córrego da Prainha, devido a descoberta de ouro, mais tarde denominadas "Lavras do Sutil", a maior fonte de ouro que se teria achado no Brasil até então, Cuiabá só foi elevada a cidade em 17 de setembro de 1818, através de carta régia assinada por D. João VI. Só em agosto de 1835 se tornou Capital da província com a Lei nº 19, assinada por Antonio Pedro de Alencastro, à época, com cerca de 7 mil habitantes. Foi em 1909 que Cuiabá teve seu reconhecimento como Centro Geodésico da América do Sul. Em meados do Século XIX, já estando unidas a parte principal e a portuária da cidade, a população já atingia quase 10 mil habitantes.
Na segunda metade do século XIX, com o fim da Guerra do Paraguai e a livre negociação, a cidade ganha força com obras de infra-estrutura e equipamentos urbanos. Como polo avançado no interior brasileiro, centraliza uma região que passa a ter expressiva produção agroindustrial acuçareira e intensa produção extrativa, em especial de poaia e de seringa.
No século XX, a ligação rodoviária com São Paulo e Goiás e a aviação comercial, a partir de 1940, trouxeram o desenvolvimento da Capital. O grande marco de crescimento, no entanto, têm início na década de 70, quando o Governo Federal inicia um programa de povoamento do interior do País, oferecendo vantagens para os interessados. Em cinco anos, de 1970 a 1975, a população passou de 83 mil para 127 mil pessoas. Hoje, de acordo com o censo do IBGE, publicado em 2004, a Capital de Mato Grosso tem 524 mil habitantes.
Localizada a uma altitude de 165 metros, a Capital possui uma área de 3.984,9 km2, com um clima tropical umido no verão (dezembro a fevereiro) e seco no inverno (junho a agosto). A temperatura máxima, nos dias mais quentes, fica em torno de 45ºC. A mínima varia entre 12 e 14ºC. O município divide águas das Bacias Amazônica e Platina. Entre os principais rios dessas redes hidrográficas estão o Cuiabá e o das Mortes.
O rio Cuiabá, que corta a cidade, divide dois municípios: Cuiabá e Várzea Grande. A Capital mato-grossense limita-se ao Norte com Rosário Oeste, a Noroeste com Acorizal, a Sodoeste com Várzea Grande, ao Sul com Santo Antonio do Leverger, a Leste com Campo Verde e a Noroeste com Chapada dos Guimarães. A economia da Capital hoje está centralizada no comércio e na indústria. No comércio, a representatividade é varejista, constituída por casas de gêneros alimentícios, vestuário, eletrodomésticos, de objetos e artigos diversos. O setor industrial é representado, basicamente, pela agroindústria, com um distrito industrial que dispõe de infra-estrutura necessária, a Capital vem atraindo empresários de várias regiões do País.
Com 288 anos, Cuiabá se prepara para viver outro grande surto de crescimento, com a implantação de vários mega-projetos, entre eles, a ligação ferroviária com o Porto de Santos, a conclusão e pavimentação da rodovia Cuiabá-Santarém, a BR-163, a saída rodoviária para o Oceano Pacífico, a hidrovia do Paraguai, a Usina de Manso, a Termoelétrica e o Gasoduto.
Origem do nome "Cuiabá"
Há várias versões para a origem do nome Cuiabá. Uma delas é de que o nome tem origem na palavra bororo IKUIAPÁ que significa “lugar da IKUIA” (ikuia: flecha-arpão, flecha para pescar, feita de uma espécie de cana brava; pá: lugar). O nome designa uma localidade onde os índios bororos costumavam caçar e pescar, no córrego da Prainha (que corta a área central de Cuiabá). Outra explicação possível é a de que Cuiabá seria uma aglutinação de KYYAVERÁ (que em guarani significa "rio de lontra brilhante"). Uma terceira hipótese conta que a origem da palavra está no fato de existirem árvores produtoras de cuia à beira do rio e que Cuiabá significaria “rio criador de vasilha”.

Há ainda outras versões menos embasadas historicamente, que mais se aproximam de lenda do que de fatos. O certo é que até hoje não se sabe com certeza a origem do nome e cada cuiabano gosta de adotar uma versão ou lenda.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Aonde, Onde ou Donde?



Muito próximos em termos de sonoridade e escrita, os termos aonde, onde e donde estão no rol das palavras que suscitam dúvidas quanto ao seu emprego e, consequentemente, são, diversas vezes, empregadas de maneira errônea. É o que se observa, por exemplo, nas milhares de postagens que nos chegam pulicadas em redes sociais, como o facebook.
Para não errar mais, as regras de uso são bem simples:
Donde tem o mesmo sentido da expressão de onde, transmitindo a ideia de proveniência. Por exemplo em “Donde tu és mesmo, Raquel?”, ou seja, de que local se veio.
Aonde expressa a ideia de para onde, com valor de movimento, deslocamento. Exemplo: “Aonde ela foi com tanta pressa?”.
Por fim, Onde apresenta o valor de lugar fixo, podendo ser substituído pela expressão em que lugar, portanto onde a pessoa se encontra, por exemplo em: “Onde a turma está nos aguardando mesmo? ”.

Lembrando-se de seus significados e por que outras expressões podem ser substituídos, nunca mais você errará!

Graduado em Letras – Língua Portuguesa e Literatura, pela Universidade de Fortaleza (Unifor); Pós-graduando em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura, pela Universidade Estadual do Ceará (UECE); Graduado em Língua Inglesa pelo Centro Cultural Anglo Americano (CCAA); Escritor; atua como Coordenador Pedagógico do Instituto Nacional de Desenvolvimento e Qualificação Profissional (IDESQ); é professor de Língua Portuguesa e Inglesa; palestrante na área da aprendizagem, atuou em diversas instituições de Ensino do país, em consultorias pedagógicas, junto às coordenações pedagógicas, equipe docentes, em momentos de formação, e corpo de alunos, em palestras focadas para a motivação, orientações de estudos e conhecimentos para o ENEM. 

Medida Provisória (MP)


Pela legislação, MPs só devem ser editadas em casos de relevância e urgência
A Medida Provisória (MP) é uma norma legislativa adotada pelo presidente da República que, pela sua definição, deve ser editada somente em casos de relevância e urgência. A MP começa a vigorar imediatamente após sua edição, mas, para virar lei, precisa ser aprovada pelo Congresso.
Em abril de 2002, o Congresso aprovou a Resolução 1/02, que instituiu novas regras sobre a apreciação das MPs pelo Legislativo. Por essas regras, as MPs têm duração de 60 dias, e não mais de 30 – como ocorria anteriormente –, podendo sua vigência ser prorrogada por igual período, caso não sejam aprovadas no prazo inicial. A MP que não obtiver aprovação na Câmara e no Senado até o prazo final perde a validade desde a edição, ficando o presidente da República impedido de reeditá-la na mesma sessão legislativa.
O exame de uma MP começa sempre pela Câmara, após análise da matéria por uma comissão mista específica. No caso de uma MP abrir crédito orçamentário, seu exame é feito pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO). O prazo para a comissão emitir o parecer é de 14 dias. Depois de aprovado o parecer, ou vencido o prazo para o pronunciamento da comissão, a MP é enviada à Câmara, que, se aprová-la, remeterá a matéria ao Senado. Se o texto for modificado pelos senadores, a matéria retornará à Câmara para nova análise.
Decorridos 45 dias da publicação sem que a MP tenha sido votada, a deliberação dos demais projetos em pauta na Casa em que estiver sendo examinada fica obstruída até que a MP seja apreciada ou se extinga o prazo de sua vigência.
No exame da MP, a comissão mista deve manifestar-se quanto aos aspectos de relevância, urgência, mérito, adequação financeira e orçamentária. Caso a comissão decida alterar o texto original da MP enviada pelo governo, será apresentado um projeto de lei de conversão (PLV), que passará a tramitar no lugar da MP. Se a MP for aprovada pelo Senado e pela Câmara sem alterações, é submetida à promulgação do presidente do Senado. Quando é aprovado o PLV, o texto é enviado à sanção do presidente da República. No caso de veto total ou parcial, seu exame pelo Congresso segue as mesmas regras com relação a projeto de lei.
Na hipótese de a MP ser rejeitada pela Câmara ou pelo Senado, o presidente da respectiva Casa deve comunicar o fato imediatamente ao presidente da Republica, além de baixar um ato declaratório de rejeição da MP, que é publicado no Diário Oficial da União.
Entretanto, quando se esgota o período integral de validade da MP sem que a matéria tenha sido apreciada, cabe ao presidente da Mesa do Congresso comunicar o fato ao presidente da República e expedir ato declaratório de encerramento do prazo de vigência da MP. Nos casos de rejeição ou extinção do prazo de validade da MP, o Congresso edita um decreto legislativo disciplinando as relações jurídicas decorrentes do período de vigência da matéria.
A legislação impede que o presidente legisle, por meio de MPs, sobre assuntos relacionados à nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos, direitos penal, processual penal e processual civil, planos plurianuais, orçamentos e créditos suplementares. As MPs foram criadas pela Constituição de 1988 e substituíram o decreto-lei.

Aqui um texto extraído do site do Senado Brasileiro:

Helena Daltro Pontual

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Uma breve história das Copas do Mundo

Jorge Antonio de Queiroz e Silva - queirozhistoria@uol.com.br
Historiador, palestrante e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

 

O Brasil deve sediar a Copa do Mundo?

Os indivíduos mais esclarecidos, em sua maioria, não concordam com os gastos para a realização da Copa num país que apresenta problemas sérios de infraestrutura. Pensemos nos 27 milhões de residências brasileiras que não têm rede de esgoto (IBGE, 2013). Pensemos nas pessoas que morrem diariamente nas portas dos hospitais por falta de atendimento. Pensemos no Brasil que ocupa o lastimável oitavo lugar no número de analfabetos no mundo (UNESCO, 2014). São 13,2 milhões de pessoas com idade superior a 15 anos que não escrevem e nem leem. Ora, saúde e educação deveriam ser prioridades públicas.

E o atraso das obras em estádios brasileiros? O vexame da Arena da Baixada fez com que por pouco Jérôme Valcke, o secretário-geral da FIFA, não cancelasse a realização de quatro jogos da Copa do Mundo 2014 na capital paranaense. E as previsões orçamentarias rebentadas? Um exemplo vem também da Arena da Baixada, cujo orçamento, no valor de R$ 135 milhões, em 2010, passou para 319 milhões de reais, o que representa um aumento assustador de 136%.

Lucélia Lecheta, empresária contábil e presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, desabafa: “Não pode ser sério um país que se aventura a realizar uma Copa do Mundo, quando na periferia das modernas arenas - construídas a peso de ouro e do suor de várias gerações - sobrevive miseravelmente grande parcela da população, sem estudo, comida, saúde, sem nada. Sem sequer compreender o sonho que movimenta um mundial. (...) Não pode ser sério um país que (...) deixa pessoas à própria sorte perecerem nos rincões dessa terra por falta do mínimo de estrutura para uma vida digna. Em contrapartida, investe milhões de dólares na modernização de um porto modelo em outro país, coisa, aliás, que não temos por aqui. (...) O Brasil não precisa de estádios bilionários.

Carece mesmo é de estradas, hospitais qualificados, creches, policiamento intensivo, penitenciárias, escolas, moradias, austeridade com a coisa pública, transparência e paz. Não precisa de mais políticos, mas de gente séria, comprometida com o povo, sensível às necessidades da população, inteligente e honesta”.

Copas do Mundo

Mas se por aqui os problemas citados acima incomodam, imaginem as dificuldades para a realização das primeiras Copas do Mundo, uma iniciativa do Jules Rimet, presidente da FIFA (1928 a 1954) e presidente da Federação Francesa de Futebol (1919 a 1945). Guerras, boicotes e problemas econômicos faziam parte daquele cenário. A Taça Jules Rimet, conquistada definitivamente pelo Brasil em 1970, foi instituída em sua homenagem.

O mundo vivia sob o reflexo do crash (queda) da Bolsa de Valores de Nova York, 1929, quando ocorreu a primeira Copa do Mundo em 1930. O Uruguai, sede do primeiro mundial, sofreu um boicote europeu, aliás, os uruguaios tiveram que bancar a viagem de navio das seleções da França, Bélgica, Iugoslávia e Romênia, mas foram os campeões.

Em 1934, os uruguaios deram o troco boicotando a Copa na Itália, por ser um país europeu. Num momento em que se avizinhava a Primeira Guerra Mundial, Benito Mussolini patrocinou a Copa para, evidentemente, promover o fascismo, uma política nacionalista e autoritária. A Itália foi a vencedora.

A Copa de 1938, na França, afastou algumas seleções do evento, como a Espanha, que estava vivendo uma guerra civil (1936-1939), e a Áustria, que foi tomada pelos nazistas alemães, de Adolf Hitler. A Itália faturou pela segunda vez o mundial, mas Leônidas, o brasileiro que criou a “bicicleta” no futebol, era o artilheiro, com sete gols.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as Copas de 1942 e 1946 não aconteceram. Em 1950, o Brasil sediou a Copa e perdeu para o Uruguai, na final, pelo placar de 2 a 1, porém uma vez mais tivemos um artilheiro brasileiro, Ademir fez oito gols. Detalhe: Curitiba foi uma das sedes da Copa. Os jogos foram realizados no Estádio Durival Britto.

Em 1954, a Suíça era a sede da Copa, e um país dividido após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Ocidental venceu na final a Hungria, favorita ao título. A unificação das Alemanha Oriental e Ocidental ocorreria somente, em 1990, após a queda do Muro de Berlim de 1989.

Nos anos 1958, na Suécia, e 1962, no Chile, o selecionado brasileiro abiscoitou os dois primeiros títulos mundiais. Foi o tempo dos fantásticos jogadores Zagallo, Didi, Vavá, Garrincha (o gênio das pernas tortas) e Pelé (o Rei do futebol). No ano 1960, um assustador terremoto na cidade de Valdivia, no Chile, ameaçou a realização da Copa de 1962. Os chilenos atenuaram as sedes de oito para quatro e reconstruíram partes dos estádios. Vavá e Garrincha estavam entre os seis artilheiros da Copa de 1962, com quatro gols.

Na Copa de 1966, na Inglaterra, duas curiosidades: A taça Jules Rimet foi roubada numa exposição, em Londres, e encontrada pelo cachorro Pickles, sob uma pequena árvore no jardim do seu dono, o senhor David Corbett; a escolha da primeira mascote para a Copa, Willie, um leão, animal símbolo dos ingleses. Estes, inventores do futebol e anfitriões, venceram o torneio mundial daquele ano.

Abro aqui um parênteses para lembrar que o Tatu-bola é a mascote da Copa do Brasil 2014. Para Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA: "Com esta mascote, vamos poder realizar um dos principais objetivos da Copa do Mundo da FIFA 2014, que é comunicar a importância do meio ambiente e da ecologia. Temos certeza de que ela será amada não apenas no Brasil, mas no mundo todo".

Pois bem, os brasileiros, com um elenco imbatível, na Copa de 1970, venceram na final os italianos por 4 a 1, no Estádio Azteca, cidade do México, para um público de 107.412 pessoas. Eu estava em Cianorte-PR, lembro que foi a primeira transmissão da Copa do Mundo em cores pela televisão para o planeta. Zagallo, o primeiro na conquista da Copa do Mundo na condição de técnico e jogador (campeão mundial em 1958 e 1962), escalou para aquela memorável decisão: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Gérson, Clodoaldo, Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino.

No entanto, a Taça Jules Rimet (3, 8 quilogramas de puro ouro), obtida de forma permanente pela nossa seleção com o tricampeonato conquistado na Copa de 1970, seria roubada da sede da CBF, no Rio de Janeiro, aos 20 de dezembro de 1983, e derretida em pleno território brasileiro. De acordo com o jornal Folha de São Paulo: “O roubo nasceu de uma conversa em um bar em Santo Cristo (zona suburbana do Rio). Sérgio Peralta arregimentou dois comparsas – José Luiz da Silva, o Luiz Bigode, e Francisco Rocha Rivera, o Chico Barbudo – para surrupiar o troféu. Bigode e Barbudo renderam o vigia na noite e invadiram o edifício da confederação”.

A Copa de 1974 ocorreu na Alemanha. Os alemães ocidentais venceram os holandeses por 2 a 1 na decisão. Detalhes: No jogo de ida, nas eliminatórias, 1973, em Moscou, a União Soviética empatou com o Chile sem abertura de contagem. Os soviéticos se recusaram a disputar a partida de volta, em Santiago, capital chilena, onde dias antes um golpe político havia derrubado Salvador Allende, o presidente socialista. Era o começo da ditadura de Augusto Pinochet.

Na polêmica Copa de 1978, os argentinos, em casa, derrotaram os holandeses, no jogo derradeiro, por 3 a 1. Por que polêmico? O Brasil esteve bem próximo da final, mas na vitória dos argentinos sobre o Peru por 6 a 0, que suscitou divergências, a seleção canarinha acabou perdendo a vaga no saldo dos gols.

Embora um terremoto tenha atingido a cidade do México, com aproximadamente 10 mil pessoas mortas, não comprometeu os estádios e a Copa do Mundo, edição 1986, aconteceu no próprio México, cuja vitória foi da seleção argentina. Maradona foi o grande destaque do evento. Devido à Guerra das Malvinas (1982) entre argentinos e ingleses, o jogo das quartas de final entre Argentina e Inglaterra foi de intensa disputa, cujo placar foi a favor da Argentina, 2 a 0, com sabor de desforra.

A Itália foi a sede da Copa de 1990. Os alemães ocidentais devoraram os argentinos, na final, por um 1 a 0. Algumas curiosidades: O técnico alemão Franz Beckenbauer (ex-jogador da seleção alemã) foi o segundo que conquistou um mundial como jogador e técnico. Conforme citado neste artigo, o nosso Zagallo foi o pioneiro; o jogador Branco, da seleção brasileira, nas oitavas de final, tomou água de uma garrafa oferecida pelo massagista argentino. Segundo Maradona, a água continha sonífero.

O Brasil alcançaria o tetra, nos Estados Unidos, na Copa de 1994, com uma seleção desacreditada pelos brasileiros, aliás, na decisão frente à Itália, o time comandado por Carlos Alberto Parreira venceu nos pênaltis, por 3 a 2, após uma prorrogação em 0 a 0. E o jogador Maradona, da Argentina, usou o estimulante efedrina no jogo contra a Nigéria, constatado em exame antidoping. Foi suspenso por 15 meses.

Na França, o Brasil decidiu a Copa do Mundo, de 1998, com a própria França, e perdeu por 3 a 0. Os brasileiros entraram em campo abatidos, pensativos com o jogador Ronaldo, o “Fenômeno”, que sofrera uma convulsão no dia da decisão. Dois fatos históricos merecem ser lembrados neste mundial: A atuação de Said Belqola, marroquino, primeiro juiz africano que apitou um mundial; a primeira participação da Croácia, que se libertou da Iugoslávia, e conseguiu um honroso terceiro lugar.

Inédito! A Copa do Mundo, de 2002, aconteceu simultaneamente em dois países da Ásia, Coreia do Sul e Japão. Recuperados, Ronaldo e a seleção brasileira chegaram à final e venceram a seleção alemã, por 2 a 0. O evento foi no Estádio Internacional, em Yokohama, Japão. Brasil é pentacampeão.
Detalhes: O turco Hakan Sukur fez o gol mais rápido das Copas do Mundo, 11 segundos, diante da adversária Coreia do Sul; o nosso Cafu, capitão, foi o primeiro jogador em três finais seguidas de Copas do Mundo.

Era 2006, a Alemanha sediava a Copa. Os italianos venceram os franceses, nos pênaltis, por 5 a 3. O Brasil foi eliminado nas quartas de final pelos franceses, mas Ronaldo, com 15 gols, se tornou o maior artilheiro na história das Copas.

É a vez do continente africano. A África do Sul sediou a Copa de 2010. O Brasil é eliminado mais uma vez nas quartas de final. Os espanhóis são os vencedores. Lembra-se das vuvuzelas? São as cornetas tocadas durante os jogos da Copa. Emissoras de TV e jogadores tentaram proibir o uso do instrumento, mas não deu certo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Reforma Otográfica



USO DO TREMA (totalmente abolido)

ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Como era/
Como fica
pingüim pinguim
tranqüilo tranquilo
cinqüenta cinquenta
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z

NOVO ALFABETO

ü
Nosso alfabeto passa a ter oficialmente 26 letras, com a incorporação do “k”, do “w” e do “y”. Estas letras, porém, continuam a ser usadas para grafar palavras
estrangeiras, como nomes próprios (Darwin) e seus derivados (darwinismo); topônimos (Kuwait) e derivados (kuwaitiano); e siglas (kW — quilowatt, kg — quilograma).

REFORMA ORTOGRÁFICA
Editoria de Arte/Normas extraídas do manual interno do GLOBO da Reforma Ortográfica preparado pelo professor Sérgio Nogueira
ELE/ELA
crê
ELES/ELAS
-eem
creem
deem
leem
veem
ELE/ELA
-em/ém
tem
vem
contém
provém
ELES/ELAS
-êm
têm
vêm
contêm
provêm

Posição da sílaba tônica:
1) Proparoxítona
Sílaba tônica na antepenúltima: lido;
2) Paroxítona
Sílaba tônica na penúltima: palito;
3) Oxítona
Sílaba tônica na última: paletó.

Uso dos acentos gráficos:
A) Regras básicas
(nada muda com a nova reforma ortográfica):
1a-) Proparoxítonas
TODAS recebem acento gráfico:
máximo, cálice, lâmpada, elétrico, estatística,
ínterim, álcool, alcoólico...
Obser vações:
déficit (forma aportuguesada) ou deficit (forma
latina = sem acento gráfico);
habitat; sub judice (formas latinas);
récorde (usual, mas sem registro nos dicionários e
no Vocabulário Ortográfico da ABL) ou recorde
(forma registrada).

2a-) Paroxítonas
Só recebem acento gráfico as terminadas em:
ã(s) – ímã, órfã, ímãs, órfãs;
ão(s) – órfão, bênção, órgãos, órfãos;
i(s) – táxi, júri, lápis, tênis;
us – vírus, bônus, ânus, Vênus;
um, uns – álbum, álbuns, fórum, fóruns;
ons – íons, prótons, nêutrons;
ps – bíceps, tríceps, fórceps;
R – éter, mártir, açúcar, júnior;
X – tórax, ônix, látex, Fênix;
N – hífen, pólen, próton, elétron;
L – túnel, móvel, nível, amável;
ditongos – secretária, área, cárie, séries,
armário, prêmios, arbóreo, água, mágoa, tênue,
mútuo, bilíngue, enxáguem, deságuam...
Obser vações:
Não recebem acento gráfico as paroxítonas
terminadas em:
a(s) – bola, fora, rubrica, bodas, caldas;
e(s) – neve, aquele, cortes, dotes;
o(s) – solo, coco, sapato, atos, rolos;
em, ens – nuvem, item, hifens, ordens;
am – falam, estavam, venderam, cantam.

3a-) Oxítonas
Só recebem acento gráfico as terminadas em:
a(s) – sofá, atrás, maracujá, babás, dirá, falarás,
encaminhá-la, encontrá-lo-á;
e(s) – café, pontapés, você, buquê, português,
obtê-lo, recebê-la-á;
o(s) – jiló, avô, avós, gigolô, compôs, paletó,
após, dispô-lo;
em, ens – além, alguém, também, parabéns,
vinténs, ele intervém, tu intervéns.
Obser vações:
Não recebem acento gráfico
as oxítonas terminadas em:
i(s) – aqui, saci, Parati, anis, barris,
adquiri-lo, impedi-la;
u(s) – bauru, urubu, Nova Iguaçu,
Bangu, cajus, expus;
az, ez, oz – capaz, rapaz, talvez,
xadrez, atroz, arroz;
or – condor, impor, compor;
im – ruim, assim, folhetim.

4a-) Monossílabas
– Só recebem acento gráfico as palavras tônicas
(substantivos, adjetivos, verbos, pronomes,
advérbios, numerais) terminadas em:
a(s) – pá, gás, má, más, ele dá, há,
tu vás, dá-lo, já, lá;
e(s) – fé, ré, pés, mês, que ele dê,
ele vê, vê-los, tu lês, três;
o(s) – pó, dó, nó, nós, cós, vós, pôs, pô-lo.
Obser vações:
a) Não recebem acento gráfico os
monossílabos tônicos terminados em:
i(s) – ti, si, bis, quis;
u(s) – tu, cru, nus, pus;
az, ez, oz – paz, traz, fez, vez, noz, voz;
or – cor, for, dor;
em, ens – bem, sem, trens, ele tem,
ele vem, tu tens, tu vens.
b) Não recebem acento gráfico os
monossílabos átonos:
artigos definidos: o, a, os, as;
conjunções: e, mas, se, que;
preposições: a, de, por;
contrações (combinações): da, das, no, nos;
pronome relativo: que.
c) A palavra QUE recebe acento circunflexo,
quando substantivada ou no fim de frase, já que
se torna uma palavra tônica:
As crianças tinham um quê todo especial.
Procurava não sabia o quê.
Ele viajou por quê?
Palavras com dupla pronúncia (com ou sem acento
gráfico). Em negrito, está a forma preferencial:
Vejamos alguns exemplos que já aparecem nas
mais recentes edições de nossos principais
dicionários e no Vocabulário Ortográfico publicado
pela Academia Brasileira de Letras.
1. ACROBATA ou ACRÓBATA
2. AUTÓPSIA ou AUTOPSIA
3. BIÓPSIA ou BIOPSIA
4. BIOTIPO ou BIÓTIPO
5. BOEMIA ou BOÊMIA
6. CATÉTER ou CATETER
7. CRISÂNTEMO ou CRISANTEMO
8. DUPLEX ou DÚPLEX
9. HIEROGLIFO ou HIERÓGLIFO
10. NECRÓPSIA ou NECROPSIA
11. ÔMEGA ou OMEGA
12. ORTOEPIA ou ORTOÉPIA
13. PROJÉTIL ou PROJETIL
14. TRIPLEX ou TRÍPLEX
15. XÉROX e X E R OX
Palavras que só admitem uma pronúncia, mas
deixam dúvidas. (*marcamos a sílaba tônica, para
reforçar a pronúncia culta)
ACÓRDÃO (acordo judicial); ACORDÃO
(aumentativo de acordo); AMBROSIA; ARGUI (ele
= presente do indicativo); ARGUI (eu = pretérito
perfeito do indicativo); QUI (cor); CAQUI (fruta);
CIRCUITO; CLIRIS; CLÍTORIS (pedra); FICIT;
ESTRAGIA; FILANTROPO; F LU I DO
(substantivo); FLUÍDO (particípio do verbo FLUIR);
FÔRMA; FORTUITO; GRATUITO; HABEAS
CORPUS; HABITAT; IBERO; ÍNTERIM; TEX;
MAQUINARIA; MAQUIRIO; MISTER
(necessário); MOLITO; NOBEL;
OCEANIA; ÔNIX; RECORDE; RUBRICA;
Obs.: Nos canais da Rede Globo e no Sistema
Globo de Rádio, por opção, pronunciam “récorde”,
como se fosse proparoxítona.
B) Regras especiais
1ª) Regra dos hiatos
(abolida pela reforma ortográfica):
Como era?
Todas as palavras terminadas em “oo(s)” e as
formas verbais terminadas em “-eem” recebiam
acento circunflexo: vôo, vôos, enjôo, enjôos,
abençôo, perdôo; crêem, dêem, lêem, vêem.
relêem, prevêem.
Como fica?
Sem acento:
voo, voos, enjoo, enjoos,
abençoo, perdoo; creem,
deem, leem, veem,
releem, preveem.
O que não muda?
a) Eles têm e eles vêm (terceira pessoa do plural do
presente do indicativo dos verbos TER e VIR);
b) Ele contém, detém, provém, intervém (terceira
pessoa do singular do presente do indicativo dos
verbos derivados de TER e VIR: conter, deter,
manter, obter, provir, intervir, convir);
c) Eles contêm, detêm, provêm, intervêm
(terceira pessoa do plural do presente do
indicativo dos verbos derivados de TER e VIR).
Como fica?
2ª) Regra do “u” e do “i”
(parcialmente abolida):
O que não mudou?
As vogais “i” e “u” recebem acento agudo sempre
que formam hiato com a vogal anterior e ficam
sozinhas na sílaba ou com “s”:
Gra-ja-ú, ba-ú, sa-ú-de, vi-ú-va, con-te-ú-do,
ga-ú-cho, eu re-ú-no, ele re-ú-ne, eu sa-ú-do;
I-ca-ra-í, eu ca-í, eu sa-í, eu tra-í, o pa-ís,
tu ca-ís-te, nós ca-í-mos, eles ca-í-ram, eu ca-í-a,
ba-í-a, ra-í-zes, ju-í-za, ju-í-zes, pre-ju-í-zo,
fa-ís-ca, pro-í-bo, je-su-í-ta, dis-tri-bu-í-do,
con-tri-bu-í-do, a-tra-í-do...
Obser vações:
a) A vogal “i” tônica, antes de “NH”, não recebe
acento agudo: rainha, bainha, tainha, moinho...
b) Não há acento agudo quando o “u” e o “i”
formam ditongo e não hiato: gra-tui-to, for-tuito,
in-tui-to, cir-cui-to, mui-to, sai-a, bai-a, que
eles cai-am, ele cai, ele sai, ele trai, os pais...
c) Não há acento agudo quando as vogais “i” e “u”
não estão isoladas na sílaba: ca-iu, ca-ir-mos,
sa-in-do, ra-iz, ju-iz, ru-im, pa-ul...
O que mudou?
Perdem o acento agudo as palavras em que as
vogais “i” e “u” formam hiato com um ditongo
anterior: fei-u-ra, bai-u-ca, Bo-cai-u-va...
Como era/como fica
Feiúra feiura
Baiúca baiuca
Bocaiúva Bocaiuva
3ª) Regra dos ditongos abertos “éu”, “éi”
e “ói” (parcialmente abolida):
Como era?
Acentuavam-se todas as palavras que
apresentam ditongos abertos:
ÉU: céu, réu, chapéu, troféus...
ÉI: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia...
ÓI: dói, herói, eu apóio, esferóide...
Obser vações:
a) Não se acentuam os ditongos fechados:
EU: seu, ateu, judeu, europeu...
EI: lei, alheio, feia...
OI: boi, coisa, o apoio...
b) No Brasil, colmeia e centopeia são
pronunciados com o timbre aberto.
O que mudou?
Perdem o acento agudo somente as palavras
p a r ox í t o n a s :
ideia, epopeia,
assembleia, jiboia, boia,
eu apoio, ele apoia, esferoide, heroico...
O que não mudou?
O acento agudo permanece nas palavras oxítonas:
dói, mói, rói, herói, anéis, papéis, pastéis, céu,
réu, troféu, chapéus...
4ª) Regra do acento diferencial
(parcialmente abolida):
Como era?
Recebiam acento gráfico as palavras homônimas
homógrafas tônicas (para diferenciar das átonas):
Ele pára (do verbo PARAR - só a 3a- pessoa do
singular do presente do indicativo);
Eu pélo, tu pélas e ele péla (do verbo PELAR);
O pêlo, os pêlos (substantivo = cabelo, penugem);
A pêra (substantivo = fruta – só no singular);
O pólo, os pólos (substantivos = jogo ou
extremidade).
Como fica?
Sem acento gráfico:
Ele para (do verbo PARAR — 3a- pessoa
do singular do presente do indicativo);
Eu pelo, tu pelas, ele pela
(do verbo PELAR);
O pelo, os pelos
(substantivo = cabelo, penugem);
A pera (substantivo = fruta);
O polo, os polos
(substantivos = jogo ou extremidade).
O que não mudou?
a) PÔR (verbo – infinitivo): “Ele deve pôr em
prática tudo que aprendeu”; POR (preposição):
“Ele vai por este caminho”;
b) PÔDE é a 3a- pessoa do singular do pretérito
perfeito do indicativo: “Ontem ele não pôde
resolver o problema”; PODE é a 3a- pessoa do
singular do presente do indicativo: “Agora ele
não pode sair.”
Obser vação:
Sugiro que acentuemos fôrma (“fôrma de pizza”),
como orienta o dicionário Aurélio e como permite o
novo acordo ortográfico, a fim de diferenciar de
forma (“forma física ideal”).
Como era?
Usávamos o trema na letra “u” (pronunciada e
átona), antecedida de Q ou G e seguida de E ou I.
O objetivo do trema era distinguir a letra “u” muda
(= não pronunciada) da letra “u” pronunciada:
QUE = quente, questão, quesito;
QÜE = freqüente, seqüestro, delinqüente;
QUI = quilo, adquirir, química;
QÜI = tranqüilo, eqüino, iniqüidade;
GUE = guerra, sangue, larguemos;
GÜE = agüentar, bilíngüe, enxagüemos;
GUI = guitarra, distinguir, seguinte;
GÜI = lingüiça, pingüim, argüir.
Palavras que recebiam trema:
agüentar, argüir, argüição, averigüemos,
apazigüemos, bilíngüe, cinqüenta, conseqüência,
conseqüente, delinqüência, delinqüente, deságüe,
enxágüe, freqüência, freqüente, lingüiça, pingüim,
qüinquagésimo, seqüência, seqüestro, tranqüilo...
Palavras que não recebiam trema:
adquirir, distinguir, distinguido, extinguido,
extinguir, seguinte, por conseguinte, questão,
questionar, questionário...
Como fica?
Todas sem trema:
aguentar, arguir, arguição, averiguemos,
apaziguemos, bilíngue, cinquenta, consequência,
consequente, delinquência, delinquente, deságue,
enxágue, frequência, frequente, linguiça, pinguim,
quinquagésimo, quinquênio, quinquenal, sagui,
sequência, sequestro, tranquilo.
Obser vações:
a) Embora o trema não seja mais usado, a
pronúncia das palavras que recebiam o
trema não mudará, ou seja, deveremos
continuar pronunciando a letra “u”.
b) Não esqueça que jamais houve trema quando a
letra “u” estava seguida de “o” ou “a”: ambíguo,
longínquo, averiguar, adequado...
c) Se a letra “u”, antes de “e” ou “i”, fosse
pronunciada e tônica, devíamos usar acento
agudo em vez do trema: que ele averigúe, que
eles apazigúem, ele argúi, eles argúem...
Este acento também foi abolido: que ele
averigue, que eles apaziguem, ele argui,
eles arguem...
d) Palavras com dupla pronúncia
(o uso do trema era facultativo):
antiguidade, antiquíssimo, equidistante,
liquidação, liquidar, liquidez, liquidificador,
líquido, sanguinário, sanguíneo.
e) Também com dupla pronúncia
(sempre sem trema):
Catorze e quatorze
Cota ou quota
Cotizar ou quotizar