segunda-feira, 16 de maio de 2011

MT- Projeto implantará complexo educativo para prevenção terciária de dependentes químicos

Da Reportagem
Diário de Cuiabá/MT

O projeto De Cara Limpa Contra as Drogas, da Polícia Judiciária Civil, vai implantar neste ano um Complexo Educativo para Prevenção Terciária, destinado ao tratamento e reabilitação de pessoas dependentes do uso de drogas. O espaço será o antigo clube social da Rede Cemat, na Avenida Arquimedes Pereira Lima (Moinho), cedido ao projeto para funcionamento do Complexo, em parceria com o Estado, entidades privadas e grupos de apoio.

No centro, dependentes de drogas receberão tratamento para desintoxicação com acompanhamentos de profissionais da área médica. No período máximo de três meses de internação, os dependentes terão também cursos profissionalizantes, tratamento espiritual e formação desportiva. O lugar dispõe de uma grande área com piscina, campo de futebol, alojamentos, sala de aulas, toda a infraestrutura necessária para acolher os dependentes.

A delegada da Polícia Civil, Elaine Fernandes, gerente do De Cara Limpa Contra as Drogas, disse que o acompanhamento será estendido aos familiares. “A família precisa estar preparada para receber o dependente”, afirma. De acordo com Fernandes, passado o período de internação os pacientes continuarão recebendo acompanhamento junto com a família para que não retornem às drogas.

Desde o ano de 2010, o projeto está em andamento na região do Pedra 90, em 12 escolas da rede estadual e municipal, com cerca de 2 mil alunos. O projeto retoma as atividades nas unidades de ensino em abril próximo, com cursos de teatro, palestras com acadêmicos das faculdades de Medicina, Farmácia e Psicologia, da Universidade de Cuiabá (Unic). Em 2011, alunos, pais e comunidade também terão palestras com especializadas para orientação e prevenção do uso de drogas.

Umas das atividades mais esperada neste ano é a implantação da escola de música do projeto, voltada a despertar nas crianças, adolescentes e jovens o gosto pela arte e formar profissionais.

SINAIS

O grupo de teatro Cena Onze continua em cartaz com a peça “Sinais”. A peça desenvolvida no período que o grupo ministrou oficina de teatro no Pedra 90, aborda a vida de uma família de classe média com enfrentamento às seduções do mundo externo na vida dos filhos adolescentes. As drogas e os efeitos provocados por ela como doenças, violência e criminalidade fazem parte da trama. O espetáculo do Cena Onze está em cartaz desde 2010, quando foi lançado com apoio da Secretaria Municipal de Educação dentro do Programa De Cara Limpa Contra as Drogas.

Depois das apresentações em escolas, a peça está sendo levada para municípios do interior do Estado. As cidades de Nossa Senhora do Livramento, Santo Antonio do Leverger e Chapada dos Guimarães assistiram a peça nesse fim de semana.

A próximas apresentações serão em Jangada e Barra do Bugres, ambas no dia 23 de janeiro; Campo Novo do Parecis, no dia 28; e no dia 30, em Cuiabá, no bairro CPA III, na Igreja Nossa Senhora Imaculada da Conceição.

Interesse de vaga na UFMT deve ser manifestado hoje por candidatos

Joab Barbalho/FE
Folha do Estado/MT

A Universidade Federal de Mato Grosso recebe nesta segunda-feira (16) a 5ª Relação dos candidatos selecionados no Sistema de Seleção Unificado (SiSu), cujos candidatos devem manifestar interesse por vaga na instituição. A lista com os nomes dos candidatos selecionados pode ser conferida no site da própria instituição de ensino superior. (www.ufmt.br/ingresso2011).


Aqueles que tiverem interesse em concorrer as vagas devem comparecer nos locais de matrícula do campus aos quais manifestaram interesse em seguir para a lista de espera do SiSu.

Os interessados devem comparecer das 8:00h às 11:30h e das 14:00h às 17:30h, no Campus Universitário de oferta do curso para o qual foram selecionados.

2º SEMESTRE

Ainda no site da UFMT pode ser conferida a relação de alunos que deverão ingressar no 2º semestre, que tem início previsto para agosto.

Seduc/MT - Secretária visita Tangará a trabalho e recebe título municipal

A secretária Rosa Neide Sandes de Almeida participou de reunião no Centro de Formação e Atualização de Professores (Cefapro), com a diretora, Angela dos Santos Merces. No encontro foi discutida a possibilidade de parceria entre Seduc e prefeitura para a oferta de formação continuada aos professores da rede municipal.

“Rosa Neide pediu informações sobre a proposta de formação pretendida pela Secretária de Educação do município e a Seduc poderá fazer um termo de cooperação técnica para que esse trabalho seja realizado em parceria com o Cefapro. Também tratamos do processo de escolha dos assessores pedagógicos da nossa região”.

Título

Ainda no município, a secretária de Estado de Educação, recebeu na sexta-feira, dia 13 de maio, o título de Cidadã Tangaraense. A honraria foi entregue a gestora durante sessão solene realizada pela manhã, na Câmara Municipal.

Conforme o autor do Projeto de Lei que concedeu a homenagem, vereador José Pereira Filho, “o título foi uma forma de demonstrar o reconhecimento, do parlamento local e da sociedade, pelo trabalho desenvolvido pela secretária em prol de Tangará da Serra”.

Entre as justificativas expressas no (PL), utilizadas para aprovação da homenagem constam as ações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) no município, como “as reformas das unidades de ensino”. “Nos últimos quatro anos a Seduc promoveu vários investimentos nas nossas Escolas Estaduais”, disse o parlamentar.

VOLNEY ALBANO

Assessoria/Seduc-MT

Seduc/MT - Fanfarra é incentivo para boas notas

“Tenho que ser um estudante exemplar e tirar boas notas para permanecer na fanfarra. O meu gosto pelos instrumentos e por toda essa interação também me incentiva a participar”, afirma o estudante do Ensino Médio, Cleber da Silva. O rapaz que toca bumbo fuzileiro, na fanfarra da Escola Estadual Wilson de Almeida, de Nova Olímpia (207 km de Cuiabá), está incluso na programação extracurriculares da escola (teatro, caratê e sala de leitura).

Segundo a diretora da Escola, professora Margarete da Silva, o projeto tem o objetivo de envolver os alunos em trabalhos coletivos, possibilitando o aprimoramento de técnicas musicais e motivando no ambiente escolar, além de incentivar o resgate da fanfarra como patrimônio cultural e cívico.

Atualmente a fanfarra tem 50 componentes, estudantes do 3º ciclo do ensino fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Somente em 2011 realizaram quatro apresentações. A fanfarra fará mais uma apresentação neste dia 13 de maio, na comemoração do 25º aniversário da cidade. As solenidades são comuns na agenda, tendo se apresentado em Nobres e Barra do Bugres. No próximo mês estarão em Campo Novo.

A professora responsável pelo projeto, Fátima Gomes, afirma que a unidade escolar sempre recebe convites para apresentações fora do município. “A fanfarra é uma das atividades que representam a nossa escola em eventos dentro e fora da cidade”.

Assessoria/Seduc-MT

Seduc/MT - Instrução define critérios de licença para qualificação profissional

Publicada em Diário Oficial do Estado que circula hoje, mas com data de 13.05, a Instrução Normativa 012/11 que define critérios e estabelece normas a serem observadas nos processos de solicitação de licença para Qualificação Profissional para realização de cursos de Mestrado e Doutorado.


Assessoria Seduc/MT

Seduc/MT- Projeto UCA garante acesso

“Já sei digitar, pesquisar, tenho acesso a muitos livros. Estou crescendo e me capacitando para o mercado de trabalho”. A frase é do pequeno Mateus Figueiredo Gomes de Andrade, 11 anos, que é um dos cerca de mil estudantes beneficiados por meio do Projeto Um Aluno Por Computador (UCA), desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc/MT), que promove a inclusão digital por meio da rede pública de ensino.

Mateus é aluno do 2º ano do 2º ciclo, da Escola Estadual 25 de Outubro, na cidade de Arenápolis. O Programa disponibiliza ainda internet sem fio para possibilitar o acesso a cibercultura.

No total, nove escolas (sendo cinco estaduais), foram inseridas no projeto, que nasceu no país em 2007. Em Mato Grosso as escolas contempladas da rede estadual são Manoel Gomes (de Várzea Grande), Damião Mamede (Jangada), Professora Maria Nazareth Miranda Noleto (Barra do Garças), Nilce Maria de Magalhães (Diamantino) e 25 de Outubro (Arenápolis). Cada uma delas recebeu lap tops para serem distribuídos aos estudantes e professores da Educação Básica.

Mateus faz ponderações de ‘gente grande’ ao dizer que se prepara para o vestibular em Administração de Empresas ou Agronomia e que o acesso ao computador é de grande importância para alcançar seus objetivos. Antes de receber o laptop, ele não dispunha de uma máquina em casa. "Eu fazia pesquisas para os trabalhos no laboratório da escola”, conta.

“Os alunos empregam o tradutor, fazem pesquisas, podem usar o sistema que facilita e fomenta o estudo de artes, e ainda estão trabalhando na construção de um blog. Fizemos também uma discussão sobre a necessidade de preservação e direitos autorais”,explica a coordenadora pedagógica da Escola Estadual 25 de Outubro, Márcia Piovezan. Ela complementa citando que 18 máquinas foram destinadas aos professores que trabalham no planejamento das aulas.

Na prática percebemos que o interesse dos alunos aumentou de maneira considerável. Eles podem usar qualquer espaço da escola para estudar, pesquisar, realizar as atividades, qualquer espaço é destinado ao conhecimento”, conta ela. No total, o Programa UCA destinou 319 máquinas a unidade. Trezentas foram destinadas aos alunos e 18 para professores.

Ela explica que a metodologia empregada pelo UCA é a mesma do livro didático. O laptop é cedido ao aluno que é responsável pela conservação e entrega do bem após o ano letivo vigente.

A Escola Estadual Rural Damião Mamedes do Nascimento, instalada na cidade de Jangada, possui sete salas de aulas preparadas com tablados, tomadas e espaço adequado a disposição das máquinas. As salas também são adaptadas aos portadores de necessidades especiais. O modelo empregado nesta unidade deverá ser expandido ao restante do estado e os projetos já estão prontos.

O coordenador de Formação e Tecnologia Educacional da Seduc, Edevamilton de Lima Oliveira, explica que o Governo do Estado é responsável pelo fomento do uso pedagógico dos materiais, assim como pelas capacitações. Só ano passado mais de 31 mil profissionais passaram pelo processo de formação continuada em tecnologia educacional. “Trabalha-se para mudança cultural frente as intervenções tecnológicas. O laptop vem com jogos educativos, acesso redes sociais. O estudante tem acesso a informações variadas, como nanotecnologia, robótica, pode fazer parte de grupos de discussões. Nesse mundo residem infinitas possibilidades de aprendizagem”, finaliza.



Patrícia Neves
Assessoria/Seduc-MT

Educação: porta de entrada...

04 de Outubro de 2010
www.sonoticias.com.br

Autor: Rosa Neide Sandes de Almeida


Há marcas de um novo tempo em Mato Grosso. É possível visualizar pontos fundamentais de qualidade estrutural na composição dos pilares de sustentação de desenvolvimento do Estado. As primeiras lições foram feitas e os resultados mostram que se está no caminho certo.

Educação é política estruturante, talvez a maior de todas. Nesta particularidade, Mato Grosso vem realizando com competência o seu dever de casa. Garantiu conforme a lei, vagas para quem deseja estudar. Investiu fortemente em estrutura física, tendo em 2010, 80% da rede escolar reformada. É o primeiro Estado da federação a garantir merenda escolar, desde 2008, a todos os estudantes do ensino médio, EJA e o noturno, que não eram inclusos no programa nacional.

Paralelo a esta questão, definiu com a categoria regras básicas para a carreira, assegurando 60% dos recursos para a folha líquida de salários, sustentando um plano de carreira, com qualidade, assegurando a uma carreira inclusiva aos profissionais da educação. Mato Grosso é o único Estado da federação a ter conquistado com legitimidade esse avanço.

Nas questões referentes às condições de trabalho para o professor, o Estado vem escrevendo uma nova história. Por meio da instalação de internet banda larga em toda rede, laboratórios de informática no campo e na cidade, bibliotecas com profissionais e literaturas à disposição dos professores e estudantes, avançou enormemente na tecnologia de comunicação. O maior investimento, no entanto, vem se consolidando na formação dos profissionais da educação. Existem hoje 15 Centros de formação de professores (CEFAPROS), com mais de 450 formadores, garantindo uma política de formação continuada que desperta a atenção do país. Em Mato Grosso, os profissionais têm a oportunidade de qualificar-se no interior das escolas através do projeto "sala dos profissionais da educação". Em 2010 mais de trinta milhões serão investidos na política de formação.

Na expectativa de construir todos os instrumentos possíveis para a qualidade da educação, no último dia 27, o Estado lançou as Orientações Curriculares para a educação básica, permitindo às escolas públicas orientativo, com base comum, para apoiar os projetos pedagógicos das escolas. Como afirma Paulo Freire: "a educação... não pode fundamentar-se numa compreensão dos homens como seres vazios, a quem o mundo encha de conteúdos... mas sim a da problematização dos homens em suas relações com o mundo".

É nesta vertente que as Orientações Curriculares de Mato Grosso, oferecem as suas escolas pilares que contemplem os conhecimentos necessários para que os estudantes possam romper a condição inicial de quem desconhece o mundo letrado, para estabelecer interfaces com as suas vivências, construindo os saberes fundamentais para a vida e para o mundo do trabalho.

A política de educação ora implementada no estado aponta na direção de que, conforme Boaventura Santos "...uma transformação profunda nos modos de conhecer, deve estar relacionada de uma maneira ou doutra, com uma transformação igualmente profunda nos modos de organizar a sociedade". Nesta perspectiva, o Estado optou por consolidar a educação com política estruturante do seu desenvolvimento.

A inclusão social , avançou tanto em Mato Grosso que passou, por conseqüência, pela porta da escola. Em estudo recente, realizado pela ONG "todos pela educação" , ficou demonstrado que Mato Grosso foi o Estado da federação em que as escolas mais avançaram de forma homogênea , permitindo uma avaliação altamente significativa no contexto das atuais políticas. Os índices apontados pelo MEC (Ideb 2010) elevam Mato Grosso a uma posição de destaque no ranking nacional : 5º lugar nos anos iniciais , 2º lugar nos anos finais do ensino fundamental e 12º lugar no ensino médio.

O ensino médio, desafio em todo país, aqui no Estado vem dando mostras de um novo tempo, são os projetos de ensino médio inovador, de educação média integrada ao ensino profissional, garantindo aos adolescentes e jovens integrar teoria e prática, além de ganhar perspectivas de prosseguimento nos estudos com os conceitos relacionados ao mundo do trabalho já iniciados.

Em todos os países desenvolvidos a educação foi mola propulsora, no Brasil, e especialmente em Mato Grosso, temos indicativos de impulsão do desenvolvimento via educação. Entretanto, a história consolida os conceitos, mas sem decisão política e determinação social dificilmente haverão conquistas. Colocar a educação como moeda de barganha em disputas eleitorais, não é minimamente inteligente.

Discutir ideias e projetos diferentes permite o processo didático de avaliação da sociedade, desmontar projetos em desenvolvimento com avaliações positivas é, quando menos, insano.

O país vive o movimento rico e democrático do processo eleitoral, há proposições diferentes de sociedade em debate. As informações honestas e verdadeiras precisam ganhar as ruas, especialmente com a educação é preciso o respeito, perto do sagrado, aos que de forma anônima, garantem possibilidades de vida nova às crianças que nascem e vivem no Estado de Mato Grosso . A utopia de uma educação pública de qualidade e para todos é uma utopia possível, basta deixar a educação, de forma livre, democrática, justa e responsável prosseguir na caminhada . A porta de entrada da escola e a permanência inclusiva é a condição para que os filhos dos trabalhadores dominem os conhecimentos historicamente acumulados, conviva de forma cidadã com os seus pares e conquiste os instrumentos necessários para viver com dignidade.

Rosa Neide Sandes de Almeida
Secretária de Estado de Educação e professora da educação básica de Mato Grosso há 30 anos.



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Parlamento Mirim define comissão especial e divulga balanço

O coordenador do projeto Parlamento Mirim, Arturo José Tomaselli de Oliveira, divulgou o balanço do da primeira etapa do programa. De acordo com os dados, os números visualizados no site da Assembleia Legislativa mostram que 551 pessoas acessaram as informações no período de 11 de março até 12 de maio. “Isso comprova o interesse das pessoas em participar neste ano e os números superaram todas nossas expectativas.

Após essa primeira etapa, a coordenação informa que foi criada uma comissão especial que vai receber o material para examinar os projetos dos estudantes, com regulamento e manual. Ficou definido que a comissão será composta por Adriangelo Antunes (presidente), Washington Braga Costa, Sérgio Capitula e Manuel Teodoro dos Santos, que começam a receber os projetos de leis dos futuros deputados mirins a partir das 9 horas desta segunda-feira (16).
Cada membro da comissão vai analisar os melhores projetos e, no dia 27 deste mês, o nome dos 24 deputados mirins serão amplamente divulgados pela imprensa. Depois, os parlamentares mirins seguem as regras para a realização de uma sessão em que obedecerão as normas do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso e das Constituições Federal e Estadual.
Na primeira avaliação, feita após o término da primeira etapa, Tomaselli lembrou que Várzea Grande se destacou entre todos os municípios selecionados que participam desta 3ª Legislatura.
“A Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande deu um show de democracia e organização sendo representada com treze escolas municipais, através da coordenadora da equipe várzea-grandense, Fátima Rosana”, explicou o coordenador.
Para a 3ª Legislatura, ele comentou que haverá a participação de 42 escolas da rede municipal, estadual e particular, dos municípios de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Várzea Grande. Este ano, foram escolhidos 12 Partidos Temáticos para elaborar os projetos.
São eles: Partido da Agricultura, Partido dos Direitos Humanos, Partidos dos Esportes, Partidos da Cultura, Partido da Educação, Partido da Educação, Partido da Natureza, Partido do Emprego, Partido da Juventude, Partido da Saúde, Partido da Defesa do Consumidor e o Partido da Segurança Pública.
Confira o cronograma das atividades nos próximos dias:
27/05 – divulgação dos projetos de lei selecionados;
09 a 10/06 – seminário com os deputados mirins eleitos;
14/06 – instalação da 3ª Legislatura.

O dia da escola e a guerra

A maioria das pessoas nem sabe, mas a escola tem o seu dia. E nesse dia precisamos comemorar, pois ainda temos uma trincheira para enfrentar a guerra urbana, uma guerra que o inimigo não é visível, não tem cara, cor ou religião. Os inimigos são o consumismo, o egoísmo, o individualismo, a falta de ética, a desonestidade, a falta de solidariedade, o respeito às diferenças e ao outro.

A escola é a ultima trincheira da sociedade, é praticamente o único lugar que precisa ter regras sociais, de convivência e de respeito. Na escola existe horário para cumprir, tarefas de casa, provas. É lá que a criança e o jovem têm que conviver socialmente e aprender as diferenças do certo e do errado.

Os combatentes dessa guerra por coincidência se reúnem na escola, usam a estrutura das instituições de ensino como comitê e front: são os professores, diretores e educadores. Eles escolheram essa profissão para salvar os humanos, em geral os mais jovens. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência vai até os 20 anos e até essa idade estamos desenvolvendo a personalidade, e nesse caso a escola que citamos atua do berçário à faculdade.

A escola representada com seus soldados: professores, diretores, coordenadores e educadores, na maioria das vezes não pode contar com a ajuda da aviação ou da cavalaria. Fazendo a análise de uma guerra a escola precisava contar com a família, que seria a força aérea da guerra, porém na maioria das vezes a família terceiriza para a escola o ataque a esses inimigos.

O poder público, representado pelos políticos, poderia ser a cavalaria, mas que exemplo eles oferecem a todo o momento para a escola? Que ajuda dão para a última trincheira? Ainda, o poder público, poderia ser representado pelo judiciário, com apoio as causas da escola, porém o que vemos é a judicialização da educação, onde a escola torna-se ré nos assuntos que deveria ser tratados apenas no âmbito da escola.

Ou seja, a escola como única trincheira nessa guerra, está sozinha, e em muitos casos, o professor está sozinho para enfrentar todos esses inimigos. Afinal a escola ainda precisa se aparelhar melhor com bons diretores, pedagogos, e profissionais de apoio, senão corremos o risco de perder essa guerra.

Ademar Batista Pereira ademar@escolaatuacao.com.brProfessor e presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná.

Flexibilizar o currículo do Ensino Médio é a solução?

Antes de criticarmos a educação básica, seja referente ao Ensino Fundamental ou Médio, é necessária uma análise de inúmeros parâmetros envolvidos para não cometermos injustiças.

As estatísticas comprovam que, no Ensino Médio, o aprendizado dos estudantes apresenta níveis alarmantes. Comenta-se também que há uma pequena evolução no Ensino Fundamental, mas que não ocorreu no estágio seguinte, como era esperado. Numa visão recudionista, poderíamos afirmar que o problema está nestes três últimos anos da escola.

Analisando algumas questões dos programas de avaliação oficiais, percebemos que, na matemática, por exemplo, alunos do 3.º ano do Ensino Médio não conseguem resolver um problema simples de proporção. E porque isso acontece? A visão que temos hoje do Ensino Médio nos mostra um currículo que estabelece conteúdos em um grau de complexidade e aprofundamento maior que no Ensino Fundamental. Mas o entendimento na matemática de proporções não ocorreu. Falha no Fundamental? Também não podemos concluir dessa forma!

Então, vamos relacionar alguns parâmetros que nos permitam realizar uma análise mais verdadeira da educação brasileira. A formação de professores é a primeira delas. Diante de tantas mudanças ocorridas nas políticas educacionais, pouca atenção foi dada à preparação deles. Pontualmente, algumas universidades públicas tentaram e ainda tentam promover encontros com docentes de algumas áreas específicas. Mas é muito pouco, é necessário reestruturar os cursos de graduação relacionados à carreira.

Outro ponto é a valorização da carreira, já que décadas de descaso com os docentes, produzidas por políticas públicas ineficientes na educação, acarretaram uma evasão dos cursos voltados ao magistério. E não se trata apenas da remuneração do profissional, mas também do elevado número de alunos nas salas, da falta de segurança e de recursos básicos na manutenção das unidades escolares.

Também destaco o currículo. Isso porque mudanças foram realizadas no Ensino Fundamental ao longo dos últimos anos, porém poucas foram as alterações no Médio. Além disso, as modificações propostas no currículo dos três anos finais produziram uma carga horária na maioria das vezes incompatível com algumas áreas. Diante de uma cobrança permanente das universidades, com seus vestibulares extremamente conteudistas, ficou praticamente impossível desenvolver todos os temas existentes na programação exigida por elas.

Na rede particular, boa parte das escolas foi ampliando suas cargas horárias a fim de tentar proporcionar tempo hábil para a execução dos programas. Já na rede pública de São Paulo, tínhamos situações que se assemelhavam a verdadeiros ”leilões”. Um exemplo disso é o que ocorre na área de ciências da natureza (disciplinas de física, biologia e química), onde a coordenação e os professores tinham que escolher entre uma ou duas aulas semanais em um determinado ano do Ensino Médio. É praticamente impossível trabalhar com os conteúdos dessas disciplinas como são cobrados atualmente, tendo apenas uma aula por semana.

Os exames de avaliações oficiais (Saeb, Saresp, Enem) vêm nos mostrando que mudanças precisam ser feitas e com urgência. Porém, se não solucionarmos principalmente as questões referentes à formação dos docentes, sua valorização e também os currículos de uma forma geral, tais mudanças podem não acontecer e continuaremos tendo resultados sem progressos.

A flexibilização do currículo do Ensino Médio pode ser um fator importante para que as mudanças surtam efeitos positivos. Mas preocupa muito o fato de que escolas (diretores, coordenadores e professores) produzam mudanças significativas em seus currículos entregando a execução dos trabalhos aos professores com formação deficiente. Pode ocorrer um efeito contrário e a situação se agravar.

Também é necessário que as universidades acompanhem de perto as mudanças curriculares para que elas promovam processos seletivos que estejam compatíveis com essa realidade.

Uma coisa é certa. Nossos jovens fazem parte de uma geração tecnologicamente avançada, com recursos ao seu redor que proporcionam a obtenção de informações de maneira rápida e em tempo real, mas ainda carecem de uma atenção especial. O chamado “funil” do Ensino Médio nos mostra uma realidade em que fazer escolhas é muito difícil, especialmente no que diz respeito à carreira a ser seguida. A rede pública tem vagas insuficientes e poucos têm condições de custear uma universidade particular.

Precisamos formar melhor estes jovens para o mundo. É extremamente importante que eles tenham verdadeiras oportunidades de continuar sua formação, seja ela para o mercado de trabalho ou para prosseguir com seus estudo no nível superior.

Antonio Sérgio Martins de Castroanacarolina@libris.com.brCoordenador Pedagógico e Gerente de Mídias Digitais de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva.

Começa a coleta de dados sobre alunos, professores e escolas

A partir do próximo dia 25, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) dará início à coleta dos dados educacionais do ensino básico. Informações sobre escolas, alunos e professores de todas as etapas e modalidades da educação básica do país serão coletadas via internet, por meio do sistema Educacenso.

Os gestores escolares terão prazo até 14 de agosto para preencher e enviar as informações. Em setembro, os dados preliminares serão publicados no Diário Oficial da União e o sistema será reaberto por um período de 30 dias para conferências e eventuais correções.

Os dados fornecidos pelas escolas terão como data de referência o dia 25 de maio, considerado o Dia Nacional do Censo Escolar da Educação Básica. O formulário do Censo Escolar coleta informações de quatro categorias: aluno, docente, escola e turma.

De modo geral, as mesmas questões são respondidas todos os anos, mas o questionário pode ser atualizado para melhor atender às necessidades da sociedade. Por isso, entre as mudanças de 2011, o censo recolherá informações sobre os profissionais tradutores intérpretes de língua brasileira de sinais (libras), acatando uma solicitação da Secretaria de Educação Especial (Seesp) do Ministério da Educação (MEC). A situação das quadras de esportes dos estabelecimentos de ensino – se têm ou não cobertura – também será informada, para auxiliar a execução do Programa de Construção e Cobertura de Quadras Esportivas Escolares, ação do segundo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC 2).

O censo escolar é o mais completo levantamento estatístico sobre a educação básica do Brasil. Desde 1991, ele é realizado anualmente pelo Inep. Os dados coletados são utilizados como subsídio para o planejamento e definição das políticas educacionais desenvolvidas pelo MEC, bem como para o repasse dos recursos destinados às escolas. As informações declaradas também são usadas na composição das médias do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referência para as metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

Proposta fixa pena para fraude em concurso ou vestibular

A Câmara analisa o Projeto de Lei 327/11, do deputado Hugo Leal (PSC-RJ), que estabelece pena de reclusão de dois a seis anos, além de multa, para o crime de fraude em concurso público ou exame vestibular.

De acordo com a Agência Câmara, a proposta acrescenta artigo ao Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40). O deputado explica que o projeto busca preencher uma lacuna, já que ainda não existe legislação específica para o ato de fraudar concursos públicos, e esse crime precisa ser enquadrado em outros artigos do código.

Para o autor, esse tipo de fraude tem semelhanças com o crime de falsificação e, por isso, deve ser enquadrado na mesma parte do código. “Esse tipo de fraude é grave, pois agride a fé pública, que é baseada exatamente na confiança dos cidadãos nas instituições, sendo que essa confiança é essencial para a vida em sociedade”, explica.

Hugo Leal afirma que os órgãos públicos têm buscado cada vez mais atuar com seriedade na elaboração de processos seletivos, mas, apesar dos esforços adotados pelas bancas examinadoras, as fraudes continuam ocorrendo. “Pessoas envolvidas utilizam-se de técnicas cada vez mais sofisticadas, tentando sempre burlar o sigilo e a segurança para que candidatos ligados ao esquema ilícito consigam ser aprovados”, diz.

O projeto tramita apensado ao PL 1086/99, que trata de assunto semelhante. As propostas serão analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.

Audiência pública discutirá conteúdo político em livros didáticos

O presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), Jorge Yunes, será ouvido pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) nesta terça-feira (17).

Yunes participa de audiência pública para discutir o conteúdo de livros didáticos aprovados pelo Ministério da Educação (MEC ) para a rede pública de ensino do país.

Segundo a Agência Senado, a iniciativa da audiência pública foi do senador Cyro Miranda (PSDB-GO) e do presidente da comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR). Os parlamentares apresentaram requerimento para realização do debate sobre o teor dos livros didáticos depois da publicação de reportagem pelo jornal Folha de S. Paulo, no início de maio, com denúncia de que publicações indicadas como bibliografia para o ensino público continham críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso e elogios ao governo Lula.

Na Argentina, escolas particulares têm mais discriminação; públicas têm mais brigas

Enquanto nos estabelecimentos de ensino privados argentinos a violência mais recorrente é a verbal, nos públicos, a violência física é predominante. O dado é da pesquisa "Clima, conflitos e violência na escola" realizada pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a Flacso (Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais), feita com 1.690 alunos da cidade de Buenos Aires e arredores, divulgada no site do jornal Clarín.

De acordo com a pesquisa, 71% dos estudantes de Buenos Aires já presenciou uma briga; 68% afirmaram ter conhecimento de roubo ocorrido em aula; 66% presenciaram situações de humilhação entre eles mesmos; 51% temem ser vítimas de violência no trajeto entre a casa e a escola; 23% estiveram perto de virar vítima de humilhações; e 23% foram humilhados ou insultados por professores na frente de seus colegas.

As provocações, maltrato, assédios, discriminações e humilhações, no entanto, são mais frequentes em nível social alto.

Segundo Elena Duro, especialista em educação da Unicef, a escola não está alheia à realidade do país e é uma "caixa de ressonância que absorve as tensões e os conflitos exteriores da vida escolar". Ela diz que isso se caracteriza como "violência na escola" e não "violência escolar": a primeira é que se manifesta no local, mas não tem relação com as situações do cotidiano da instituição; a outra teria relação com atividades escolares.

A realidade familiar e as companhias, por exemplo, pode levar a conflitos. Sete em dez crianças já presenciou uma briga na escola. A violência verbal é diária e acaba sendo naturalizada como uma "forma de comunicação", assim como comentários discriminatórios, seja pela cor da pele, por ser imigrante, por referências musicais ou vestimentas ou outras rivalidades que, muitas vezes, terminam em agressão física.

*Com informações do Clarín

(UOL)

Alunos não bebem água filtrada em pelo menos 9,6 mil escolas

Pelo menos 9.621 escolas em atividade do país declararam que os alunos não têm água filtrada para beber e, tampouco, recebem água potável da rede pública. Os dados estão no Censo da Educação Básica de 2010, o mais recente disponível. Esse número representa 4,8% das 200.876 unidades em atividade.

O levantamento feito pelo UOL Educação exclui as escolas que não responderam às perguntas, mas os números são autodeclaratórios. Ou seja: esse total pode ser ligeiramente menor ou maior, caso algumas escolas tenham preenchido erroneamente o questionário do censo.

Quando não se considera o quesito água da rede pública, o número mais que duplica e sobe para 21.120 escolas. A maioria delas (8.799 do total) é rural e da rede municipal (7.874 das 9,6 mil). Também há 80 unidades particulares na lista.

A única unidade da federação que não tem nenhuma escola na lista é o Distrito Federal. Lideram o "ranking" Pará (2.552), Rio Grande do Sul (1.688), Amazonas (1.643), Paraná (819) e Santa Catarina (781).

Para Denise Carreira, da Ação Educativa, os números são informações "sintonizadas com os desafios da igualdade brasileira". "Esses dados jogam mais uma vez na nossa cara que essa desigualdade está aí. Ela persiste apesar dos avanços dos indicadores", afirma.

Segundo ela, uma das justificativas para o fato de que a maioria das escolas fica na zona rural é que boa parte desta população é "excluída". "Às vezes, há uma negação do campo brasileiro. Cadê essa população? Há uma negação de que existe uma população aí", diz. "É fundamental que o PNE [Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso] estabeleça metas de equalização. Além das metas de melhoria do acesso de qualidade pra todo mundo, também tem que prever metas para diminuir a desigualdade entre grupos da população."

(UOL)

Estudantes chilenos paralisam as aulas em protesto a favor da educação pública

Está prevista para esta quinta-feira (12/5) uma paralisação de estudantes, em todo o Chile, em prol da recuperação da educação pública no país. A baixa qualidade de instituições de ensino superior, a dificuldade de acesso dos mais pobres, o foco no lucro e a falta de participação da comunidade universitária em decisões públicas são os maiores problemas enfrentados pela educação chilena, segundo o texto convocatório para a Marcha, que acontece na capital, Santiago.

Várias entidades ligadas à educação, além de sindicatos e reitores, aderiram ao protesto, de acordo com o jornal La Nación. Segundo o reitor da Universidade de Ciências e Educação (Umce), Jaime Espinosa, “se trata de demandas justas, legítimas e compartilhadas pela grande maioria dos atores universitários, especialmente os que mantêm a convicção de que a educação deve ser uma prioridade do Estado, e em particular, o que diz respeito à sobrevivência das universidades”, declarou ao jornal.

Outra reivindicação dos estudantes é o aumento do investimento em educação. “Exigimos o aumento do gasto social como porcentagem do PIB [Produto Interno Bruto] investido em educação pública”, declarou a presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH), Camila Vallejos.

A mobilização, organizada pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), é realizada às vésperas do anúncio do presidente Sebastián Piñera de novas medidas para a educação superior, previsto para o dia 21 de maio.

*Com informações do La Nación.

Ampliar jornada, o desafio nas escolas públicas

Maria Christina Toledo Simões *

Nos últimos dez anos, o Brasil não poupou esforços para cumprir o previsto no Plano Nacional de Educação. Porém, pelo elevado volume de itens, houve dificuldades no acompanhamento efetivo das ações.

O novo PNE 2011-2020, para esta década, objetiva fornecer diretrizes às políticas educacionais do país, entre elas aquelas que promovam a erradicação do analfabetismo e favoreçam o processo de alfabetização e letramento de crianças até os oito anos de idade. Não foram poucos os programas destinados a atingir esse objetivo de natureza latente, um desafio que historicamente perdura em nossa nação.

Inúmeras estratégias foram adotadas por sucessivos governos nos estados e municípios, cujos resultados, ainda muito frustrantes, se mostram carregados de uma práxis por vezes com caráter extremamente excludente.

Atualmente, novas medidas estão sendo discutidas e algumas práticas realizadas no sentido de garantir a permanência mais longa dos alunos na escola e com isso melhorar a aprendizagem. Por imposição da própria realidade nacional, cabe à escola assumir um novo papel sócio-integrador, transferindo maior sentido à sua função social.

As metas 5 e 6 do PNE trazem questões que se constituem como verdadeiros gargalos para os sistemas públicos. Por essa razão, algumas medidas foram aprovadas recentemente pelo Senado Federal no intuito de ampliar de 800 horas para 960 horas a carga horária mínima do aluno do ensino básico. Também foi ampliado o percentual de frequência mínima para aprovação dos alunos do ensino fundamental e médio, dos atuais 75% para 80% ao ano.

Assim sendo, duas medidas aparecem como alternativas: a elevação do turno diário nas escolas, acrescentando mais uma aula; ou a ampliação do calendário escolar, variando entre 20 e 40 dias a mais no ano letivo.

Estudos relativos ao período de permanência do aluno na escola revelam que essa ampliação vem provocando resultados positivos quanto à aprendizagem dos estudantes, o que tem feito com que muitos municípios venham insistindo na idéia de criação da Escola em Tempo Integral.

A empresa Vitae Futurekids – Planeta Educação tem trabalhado em parceria com os sistemas públicos, possibilitando às escolas efetivarem a implantação e implementação dessa tarefa de aumentar a jornada dos alunos no Ensino Fundamental, contribuindo também com a redução do índice de evasão.

Seja apoiando o educador no turno regular das aulas ou assumindo atividades no contraturno dessas aulas, a proposta é de que esse tempo adicional proporcione aos estudantes, além do desenvolvimento de inúmeras habilidades requeridas pelo currículo formal, oficinas com atividades lúdicas e prazerosas, incorporando dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais.

Toda a reestruturação da rotina escolar do aluno vem contribuir para a instalação do turno integral, apontando inúmeros caminhos e alternativas para melhoria da qualidade das aprendizagens, num espaço novo de lazer e descontração que favorece a autoestima, o sentimento de pertencimento, o desenvolvimento de talentos e as interações por meio da expressão e comunicação de sentimentos, afetos e emoções.

Laboratório de felicidade

Povoada de brasileiros, especialmente mineiros, uma pequena cidade americana, chamada Somerville, na região metropolitana de Boston, está se transformando num laboratório de felicidade.

Pela primeira vez, a prefeitura de uma cidade dos Estados Unidos resolveu fazer um censo buscando saber a taxa de felicidade de seus habitantes e, a partir daí, traçar políticas públicas. "Estamos querendo medir com mais precisão o grau de satisfação da população", diz Daniel Gilbert, professor de psicologia em Harvard.

Essa experiência, que vem sendo realizada numa cidade de 72 mil habitantes -onde, aliás, se pode comer um divino pão de queijo e um pão francês com manteiga na chapa típico das nossas "padocas"-, faz parte de um experimento da ciência da felicidade.

Bobagem no estilo autoajuda? Ilusão?

O que Harvard está tentando fazer em suas faculdades de medicina e saúde pública é tirar a felicidade do besteirol da autoajuda, colocando-a nas mãos de cientistas, com suas máquinas cada vez mais sofisticadas de investigar o cérebro e os conhecimentos sobre genética.

É uma investigação que atinge o mais profundo dos sonhos e dos pesadelos dos seres humanos. Estudo publicado na semana passada sobre os anos de vida perdidos por causa de doenças mostrou que cerca de 30% dos brasileiros já apresentaram sintomas de depressão. A tristeza ou a felicidade, além de problemas genéticos, são contagiosas?

Pesquisa da faculdade de saúde pública de Harvard revela que sim: tanto a tristeza como a felicidade "pegam". Usando recursos da epidemiologia, os pesquisadores mediram como pessoas que demonstram alegria propagam uma atitude mais positiva entre familiares e amigos, gerando um contágio. Viram também que a tristeza passa por fenômeno semelhante, mas (felizmente) sem a mesma intensidade da felicidade. A informação é baseada no acompanhamento de 5.000 pessoas durante 20 anos.

Os cientistas da felicidade, usando equipamentos de ressonância magnética e grupos de controle, estão dando caráter científico a práticas milenares, como a meditação. Esse conhecimento já vem sendo experimentado nos hospitais para ajudar na recuperação de pacientes.

Também nos hospitais são feitos testes que revelam como pessoas alto-astrais têm menos propensão a problemas do coração, hipertensão, diabetes ou infecções respiratórias. Vemos, assim, como determinadas sensações provocam reações bioquímicas no corpo.

A ciência da felicidade consegue, às vezes, fundamentar o senso comum. O antigo ditado "Dinheiro não traz felicidade" parece comprovar-se. "Vemos que jogar muita atenção na aparência ou nas coisas materiais, como um carro novo, traz muito menos satisfação do que fazer trabalho voluntário, quando nos sentimos relevantes e parte de algo maior", afirma Nancy Etcoff, responsável pelo curso de ciência da felicidade de Harvard.

O trabalho voluntário, segundo ela, aciona um sistema de recompensa no cérebro. Ela percebe, em suas pesquisas, que mulheres muito ligadas à aparência física tendem a ser menos felizes. "Muitas vezes, as pessoas procuram a satisfação no lugar errado. Percebemos isso pelo sistema de recompensa cerebral", diz ela.

Esse tipo de conhecimento pode mudar decisões individuais, dando força a quem defende uma vida mais simples e menos consumista, mas também tende a mudar comportamentos coletivos.

Vários países, entre os quais a Inglaterra e a França, já discutem a ideia de que medições como o PIB são ineficientes para aferir o grau de desenvolvimento de uma nação e de que a felicidade deveria entrar na contabilidade. Esse debate entrou no Brasil com um movimento pela inclusão do direito à felicidade na Constituição.

Isso significa encontrar um jeito diferente -e mais exigente- de cobrar as promessas dos políticos.

PS- Selecionei e incluí no catracalivre.com.br uma palestra extremamente didática, traduzida para o português, da professora Nancy Etcoff.

Arquivo do Estado de SP publica títulos da imprensa negra brasileira

O Arquivo Público do Estado de São Paulo disponibiliza em seu site a partir de hoje, 13 de maio – data que rememora a Abolição da Escravatura no Brasil –, 23 títulos de jornais e revistas da chamada "imprensa negra" brasileira.

Trata-se de uma coleção de periódicos publicados por várias vertentes do movimento negro no país durante as primeiras décadas do século XX. A iniciativa irá facilitar o acesso ao acervo, que antes só podia ser consultado na sede da instituição.

Estes periódicos foram publicados por várias correntes do movimento negro, como o jornal A Voz da Raça, da Frente Negra Brasileira, que circulou até 1937, totalizando 70 edições. A revista Quilombo (1950), editada por Abdias do Nascimento, célebre militante e agitador cultural, tinha a função de articular e divulgar a Convenção Nacional do Negro Brasileiro.

A expressão "imprensa negra" é comum no meio acadêmico para designar títulos de jornais e revistas publicados em São Paulo após o processo abolicionista, no final do século XIX. Estes periódicos destacaram-se no combate ao preconceito e na afirmação social da população negra, funcionando como instrumentos de integração deste grupo na sociedade brasileira no início do século XX.

Para conhecer os periódicos, visite o site do Arquivo do Estado.

MEC deve ter secretaria para sistema nacional articulado antes de julho

Sarah Fernandes

O Ministério da Educação (MEC) deve colocar em funcionamento, até julho, a Secretaria de Articulação dos Sistemas de Ensino, que prevê implantar um sistema de colaboração entre municípios, estados e governo federal nas políticas de educação. A aprovação da secretaria tramita no Congresso Nacional desde janeiro deste ano.

A previsão foi dada pelo futuro secretário do órgão, Carlos Abicalil, durante um debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE) promovido pelo Movimento Todos pela Educação, nesta terça-feira (10/5), em São Paulo (SP). “Acredito que bem antes de julho a secretaria já esteja funcionando”.

Segundo Abicalil, que atualmente é secretário de Educação Especial do MEC, o órgão deve funcionar em três eixos principais: Plano Nacional de Educação e cooperação; valorização dos profissionais de educação; e relações com órgãos normativos nos sistemas de ensino.

“Queremos uma forma de colaboração concreta, para que medidas provisórias de repasse de recurso, por exemplo, não encontrem barreiras”, avaliou. “Concretizar o Plano Nacional de Educação depende de um sistema nacional”.

A secretária de Educação de São Bernardo do Campo (SP), Cleuza Repulho, que também participou do evento, concordou. “Sem um regime de colaboração é inviável que 80% dos municípios consigam alcançar pelo menos uma das metas do Plano”.

No entanto, mesmo com a articulação da nova secretaria do MEC, o presidente do Conselho Nacional de Educação, Antônio Carlos Ronca, avaliou que “no novo Plano Nacional de Educação falta algo mais detalhado sobre o regime de colaboração”.

“O sistema é fundamental para o país”, afirmou. “O Brasil não pode mais conviver com a desigualdade entre estados, municípios e União. Há um hiato que deixa crianças sem transporte escolar, sem merenda e sem construção de novos prédios”.

MT- Vinte e cinco mil alunos podem ficar sem aula

Paralisação deve começar na segunda-feira (16)

Reprodução

Profissionais reivindicam principalmente reajuste salarial

G1

Professores ameaçam cruzar os braços a partir de segunda-feira (16) e aproximadamente 25 mil alunos da rede pública devem ficar sem aula em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, conforme confirmou ao G1 a presidente do sindicato da categoria, Maria Aparecida Cortez.
Os profissionais reivindicam principalmente reajuste salarial. Atualmente os professores de nível médio das escolas estaduais recebem R$ 1.132, enquanto os da rede municipal ganham R$ 653, cumprindo a mesma jornada. Maria Aparecida alega que a categoria está tentando negociar um aumento desde setembro do ano passado com a Prefeitura, mas "não há proposta municipal".
Nesta quarta-feira (11), o Sindicato acompanhou a paralisação nacional da categoria, que reivindica o cumprimento da Lei 11.738, de julho de 2008, que regulamenta o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. De acordo com a lei, o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica será de R$ 950 para a formação em nível médio.
O Plano de Cargos e Salários do município também está sendo criticado pelo Sindicato dos Professores. "Noventa por cento dos professores têm redução nos salários porque o Plano foi mal elaborado", reclama a presidente do sindicato.
Segundo estimativa do Sindicato dos Professores de Várzea Grande, existem cerca de 1.100 docentes trabalhando no município. Maria Aparecida disse que os dados oficiais são muito confusos, "uma vez que a Prefeitura teria demitido os funcionários fantasmas. Infelizmente não temos acesso a estas informações".
Estrutura precária
A presidente do Sindicato dos Professores de Várzea Grande denuncia também a precariedade dos prédios públicos, que precisam com urgência de reforma. São pelo menos sete unidades estaduais e 65 municipais, entre creches e escolas dos distritos. Ao todo, existem 45 colégios estaduais e 72 municipais em Várzea Grande. O número de alunos é de 25 mil nas escolas municipais e 43 mil nas estaduais.
Irregularidades na distribuição da merenda escolar também foram apontadas pelo Sindicato dos Professores. "Está havendo distribuição irregular, e os produtos são de péssima qualidade", alerta. Maria Aparecida Cortez relata que o problema ocorre há pelo menos cinco anos.
A lei garante que alunos das creches devem receber pelo menos cinco refeições por dia, "mas não é o que acontece", denuncia. "Apenas as creches que recebem doações conseguem cumprir o número de refeições regulamentado por lei.
Outro lado
Por telefone, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Várzea Grande informou que a Secretaria de Educação está finalizando o Plano de Cargos e Salários do município, que deve ficar pronto até o próximo dia 20. Disse ainda que o secretário Isac Nassarden vai aguardar a mobilização dos professores para ouvir as reivindicações da categoria. Uma comissão deve ser nomeada para discutir o assunto.

domingo, 15 de maio de 2011

A conseqüência do estresse nos professores

O estresse é um problema frequente para os professores. Em pesquisas realizadas pelo Ibope, no ano de 2007, ficou constatado que a grande maioria dos professores sofre de estresse, em especial os da rede pública.

O estresse dos professores se manifesta de diferentes formas, portanto é de extrema importância que esses profissionais fiquem atentos buscando identificar se estão inseridos nesse grupo.

Profissionais que participaram da pesquisa se queixaram de diversos sintomas, sendo que as dores musculares ocuparam o primeiro lugar e em seguida existiram declarações não muito bem definidas de algum mal-estar.

De acordo com informações científicas, o estresse apresenta sintomas específicos que podem fazer parte do quadro. No intuito de facilitar a identificação do estresse, construímos uma lista com os principais sintomas:

• Aumento da pressão arterial;
• Falta de concentração;
• Dor de cabeça;
• Indigestão;
• Queda de cabelo;
• Nervosismo;
• Insônia;
• Taquicardia;
• Ganho ou perda de peso;
• Alergia;
• Isolamento;
• Memória fraca;
• Irritação;
• Ansiedade;
• Tique nervoso;
• Desmotivação;
• Diminuição dos glóbulos vermelhos.

O ideal é que ocorra o interesse por parte dos professores no sentido de buscar um caminho que possa resolver, ou amenizar o problema apresentado, de forma que venha lhe proporcionar uma saúde melhor.

O professor também deve garantir o exercício da sua profissão, não prejudicando a aprendizagem dos alunos por motivo de afastamento, gerando problemas nas instituições.

Tal questão atualmente tem sido alvo de discussão entre pesquisadores, visto que todos perdem com o afastamento do profissional. Esta é uma questão tão preocupante que só na região de São Paulo, que apresenta a maior rede de professores do país, entre os 250 docentes, há registros de que ocorrem 30 mil faltas por dia em decorrência de problemas de saúde.

As licenças médicas em 2006 foram cerca de 140 mil, com longo tempo de afastamento, seguindo uma média de 33 dias. É um fator preocupante que precisa ser solucionado, visto que além de deteriorar a educação brasileira gera um prejuízo financeiro para o país em torno de 235 milhões.

Ressalta-se o direito do aluno em estudar, mas é fundamental que o professor esteja em boas condições para oferecer uma aula de qualidade, que realmente alcance os objetivos que são propostos.

Atualmente, já existem algumas instituições que estão tendo uma preocupação maior em relação a essa questão, a ponto de certas secretarias de educação já estarem criando programas de prevenção, na qual as escolas e seus educadores se reorganizam, buscando formas educativas de resolver tais problemas apresentados.

Com a finalidade de reduzir ou até mesmo eliminar o cansaço físico e mental, segue algumas sugestões que também irão contribuir para o bom desempenho profissional:

• Reserve um tempo para estudar e planejar;
• Busque reunir-se com colegas, não esquecendo dos momentos de lazer;
• Evite lecionar com carga horária extensa;
• Descanse mais;
• Leia e assista filmes;
• Faça caminhada;
• Prefira reduzir as despesas ao invés de dobrar a carga horária.

E não esqueça a importância de cuidar da saúde, pois se o corpo apresenta-se saudável, conseqüentemente as chances de se sentir bem para exercer a profissão serão maiores, realizado-a de forma extremamente positiva e gratificante.

A arte de contar histórias

O encantamento dos contos de fada.

As histórias infantis têm papel fundamental na formação do indivíduo, tornando-o criativo, crítico e capaz de tomar decisões.

Quando se conta uma história, deve-se ter em mente que aquele momento será de grande valia para a criança, pois através desses contos será formado um banco de dados de imagens que será utilizado nas situações interativas vividas por ela.

Recomenda-se que o educador faça todo um ritual antes do momento de contar histórias.

O ideal é que o professor, ao contar uma história, tenha uma diversidade de estratégias sendo consideradas como principais: tocar a imaginação dos alunos, saber como utilizar a expressão corporal, o ritmo, o gesto, e principalmente a entonação da voz, fazendo com que nesse momento a criança fique envolvida pelo encantamento e pela fantasia.

Sugere-se ao professor que crie em sua sala de aula o livre acesso aos livros através de um cantinho de leitura no qual fiquem disponíveis aos alunos livros, revistas, jornais etc., facilitando o manuseio.
Orienta-se que o professor se informe mais sobre os aspectos que estão envolvidos na apropriação no processo da leitura e seus aspectos fundamentais na visão lingüística, psicológica, social e fisiológica.

Ressalta-se que quando se tem domínio de certo papel a desempenhar o resultado é totalmente diferenciado e qualificado.

Projeto aumenta em 20% a carga horária mínima anual nos ensinos infantil, fundamental e médio

Por: Valeska Andrade

A Comissão de Educação do Senado Federal aprovou o projeto de lei que aumenta de 800 para 960 horas anuais a carga horária mínima para os ensinos infantil, fundamental e médio.

Na prática, a medida vai significar 40 minutos a mais no turno diário dos estudantes ou ampliação de até 40 dias no calendário letivo. A proposta seguirá direto para a Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para votação em plenário no Senado.

Caso a lei seja sancionada ainda este ano, entra em vigor em 2013. O relator do projeto, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), diz que a proposta ajudaria o Plano Nacional de Educação, enviado ao Congresso Nacional pelo governo federal, a alcançar a meta de ter metade das escolas em ensino integral até 2020 e que seria uma forma de preparação para os governos municipais e estaduais.

10 dicas para organizar uma festa junina educativa

10 dicas para organizar uma festa junina educativa

É possível fazer uma festa junina legal e ainda comprometida com a aprendizagem das crianças e dos adolescentes

Texto Camilo Gomide

Descobrir a origem da festa junina pode ser o primeiro passo para a contextualização da festa Pé de moleque, canjica, curau, pamonha, bolo de milho, quentão, bandeirinhas, fogueira, chapéu de palha, sanfona e arraiá. Sim, estamos falando de festa junina. Todo mês de junho é assim: tiramos do armário as camisas xadrez e os vestidos de chita, pintamos sardinhas nas meninas e bigodinhos nos meninos e vamos satisfeitos para a festa na escola, pensando em todos os quitutes deliciosos que nos aguardam.

Esquecemos o principal: o significado da festa. Você conhece as origens das festas juninas? Sabe por que comemos tantas iguarias de milho e de onde vêm as danças? E o colégio do seu filho, aproveita as festas juninas para preencher buracos na grade horária e engordar o caixa ou utiliza os festejos para ensinar alguma coisa para as crianças?

Embora seja uma tradição consagrada e rica da cultura popular, muitas escolas organizam festas de São João, Santo Antonio e São Pedro que pouco, ou nada, contribuem para a aprendizagem dos alunos. O Educar Para Crescer consultou alguns pedagogos e um antropólogo e elencou algumas dicas para garantir que a sua festa junina seja uma verdadeira aula.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Procurar o sentido original da festa2. Descaricaturizar o homem do campo3. Resgatar as manifestações culturais

4. Envolver os estudantes no assunto5. Trazer os alunos para a preparação da festa6. Associar o conteúdo escolar à festa junina7. Valorizar o brincar8. Estimular a participação da família9. Não fazer a festa no horário das aulas10. Não usar a festa para arrecadar dinheiro

Depoimentos de Lya Luft

"Na minha vida o mais definitivo foram as leituras"A escritora conta por que o hábito de ler fez diferença em sua vida

As conversas com o pai foram muito importantes para formação de Lya Luft A Educação formal é indispensável mesmo em um país onde analfabetos sobem a cargos públicos importantes: isso apenas demonstra o descaso com questões educacionais e culturais.

Porém na minha vida o mais definitivo foram certamente as leituras, minha inata paixão por livros. E também o convívio, as conversas em nossa casa, sobretudo com meu pai, que procurava atender a minha insaciável curiosidade.
Educação formal é a espinha dorsal. Leituras, vivências, inquietação do espírito, dão a forma, fornecem asas e botas de sete léguas.

Lya Luft é escritora e colunista da revista VEJA. É autora de "Perdas e ganhos" e "Pensar é transgredir", entre outros

O valor semântico das preposições

Ao falar em Semântica, torna-se necessário que entendamos o seu real significado. A mesma relaciona com o significado estabelecido pelas palavras dentro de um contexto linguístico.

Para melhor entendermos, analisemos estas orações:

Adoro doce de leite.
Aquela menina é um doce de pessoa.

Percebemos que na segunda oração, a palavra doce não é entendida no seu sentido literal, como na primeira. O adjetivo tem o sentido de uma pessoa meiga, amável, carismática.

Especificamente falando sobre as preposições, é importante sabermos que elas fazem parte das dez classes gramaticais e que possuem a função de ligar termos dentro de uma oração.

As mesmas também estabelecem relações semânticas entre o termo regente (aquele que pede a preposição) e o termo regido (aquele que completa seu sentido). Por isso vejamos uma relação em que há esta ocorrência:

Peguei o livro do professor com o compromisso de devolvê-lo amanhã - Valor semântico de posse.

As esculturas de cerâmica fizeram o maior sucesso durante a exposição - Matéria

Estudar com os amigos é muito mais proveitoso - Companhia

O conhecimento é a chave para o sucesso - Finalidade

Fiz o trabalho conforme você sugeriu - Conformidade

Falamos sobre Machado de Assis durante a apresentação do seminário - Assunto

O garoto se feriu com a faca - Instrumento

Aguardávamos com ansiedade o resultado do concurso - Modo

O cachorro morreu de uma epidemia desconhecida - Causa

A plateia protestou contra o alto preço da mensalidade - Oposição

O orientador estipulou um prazo de vinte dias para a entrega da tese de dissertação - Tempo

Conheci uns amigos de Fortaleza - Origem

Dica de Aula para o professor

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai: um conflito marcado por diversos conflitos e muita violência.

Logo depois de proclamar seu Estado independente, o Paraguai buscou formas de desenvolver a sua economia. Sem uma saída para o mar, o país dependia da navegação pelos rios da Bacia da Prata para assim escoar os seus produtos. Dessa forma, os produtos paraguaios passavam por regiões do território uruguaio, argentino e brasileiro para assim exportar suas riquezas. Na época, grupos políticos argentinos pretendiam estabelecer uma nação forte e de caráter expansionista.

Nesse meio tempo, o presidente paraguaio Jose Gaspar Francia, entre os anos de 1813 e 1840, instituiu um governo autoritário em seu país. Para superar os entraves do escoamento, Francia começou a intervir diretamente nas questões econômicas do país. Além disso, procurou reorganizar o cenário econômico paraguaio realizando uma reforma agrária e aprimorando os níveis de educação da população. Depois de sua morte, Francisco Solano Lopez assume o controle do governo paraguaio.

Empregando uma política continuísta, Lopez buscou dar mais força a autônoma economia paraguaia. Recursos públicos foram utilizados para a criação de fábricas e a produção agrícola era acompanhada de perto pelo governo. No ano de 1852, o governo paraguaio conseguiu ter sua independência reconhecida pelos argentinos e conquistou o direito de navegação na Bacia da Prata. Nesse contento, mais precisamente três anos antes, o equilíbrio entre as nações dessa região passou por uma grave crise.

No ano de 1839, o governo argentino, então liderado por Juan Manoel Rosas, firmou uma acordo de cooperação com o governo uruguaio. Entre outros pontos, a aproximação entre Argentina e Uruguai poderia abrir portas para a deflagração de um movimento de reconstituição do antigo Vice Reinado da Prata. Sentindo-se ameaçado, o governo brasileiro resolveu declarar guerra contra os argentinos com o apoio paraguaio, em 1851. Com a vitória das forças brasileiras, o equilíbrio político e a livre navegação seriam preservados.

Depois de conter os interesses dos argentinos, Francisco Solano Lopez pretendia aproveitar a equação entre as forças políticas sul-americanas para instalar um projeto de expansão dos limites territoriais paraguaios. Em 1864, o Brasil se envolvia em uma série de confrontos que visavam desestabilizar o projeto expansionista do partido blanco uruguaio. A esquadra brasileira havia bloqueado a capital Montevidéu, quando Solano Lopez resolveu tomar partido contra os brasileiros.

O presidente paraguaio ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente provincial do Mato Grosso. Além disso, Lopez decretou o fim das relações diplomáticas entre Brasil e Paraguai; e enviou tropas incumbidas de invadir a região do Mato Grosso. A partir desse primeiro movimento, deu-se início à Guerra do Paraguai Dando continuidade à sua ofensiva, Lopez ordenou a ocupação da província argentina de Corrientes.

Esse primeiro passo dos paraguaios visava controlar uma grande porção do território argentino controlada pelo fazendeiro Justo Urquiza. No entanto, Urquiza estabeleceu aliança com o presidente argentino Bartolomeu Mitre, enquanto o Brasil garantiu a vitória política do partido uruguaio colorado, que apoiava o governo brasileiro. Com a aliança entre Brasil e Uruguai, e a unificação de forças dentro da argentina a oposição ao projeto expansionista paraguaio ganhou tremenda força.

Dessa forma, em maio de 1865, os governos brasileiro, argentino e uruguaio uniram força contra o Paraguai no Tratado da Tríplice Aliança. Sem nenhum tipo de apoio político externo, o presidente Lopez avançou as tropas paraguaias rumo ao Rio Grande do Sul. Depois de algumas pequenas vitórias, as tropas uruguaias sofreram um duro golpe dos brasileiros na Batalha do Riachuelo. Com essa vitória, a Tríplice Aliança tinha condições de bater o Paraguai.

Ao longo dos cinco anos subseqüentes, as tropas da Tríplice Aliança conseguiram anular a ofensiva do exército paraguaio. Somente em março de 1870, na Batalha de Cerro Corá, que o Paraguai veio a oficializar a sua derrota no conflito. O desgaste provocado pela guerra trouxe prejuízos astronômicos para a nação paraguaia. De acordo com algumas estimativas, depois da guerra, a população masculina paraguaia reduziu-se em mais de noventa por cento. Na Tríplice Aliança, a vitória militar custou a contração de pesados empréstimos com a Inglaterra.
Por Rainer Sousa
Mestre em História
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PROCLAMAçãO DA REPúBLICAProclamação da República, Movimento Republicano, Abolição da Escravatura, Movimentos militares, Positivismo, Queda de Dom Pedro II, Guerra do Paraguai, Deodoro da Fonseca, José do Patrocínio, golpe de Estado.
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A redação requer uma boa revisão

A revisão do texto implica na boa qualidade do mesmo

A escrita é uma forma de demonstrarmos nossa competência linguística, nosso conhecimento de mundo e nossa capacidade de argumentação.

Porém, sentimo-nos atordoados quando somos incumbidos a produzir um texto. Tal dificuldade poderá aos poucos ser sanada. Mas de que forma isso de dá?

O requisito primordial é sempre termos em mente que nunca falamos ou escrevemos sobre aquilo que não temos conhecimento. Para que esta “competência” seja cada vez mais aguçada, é preciso que estejamos sempre munidos de informações sobre os acontecimentos sociais de uma forma geral.

Aliado a isto, é de extrema importância que desfrutemos do nosso conhecimento sobre as técnicas específicas de uma composição textual, sobre a predominância de uma linguagem formal, isenta de certos coloquialismos que empobrecem o teor da linguagem, e, sobretudo, que saibamos aplicar a nossa intencionalidade discursiva, pois cada texto tem sua finalidade específica.

Ler bons livros, revistas informativas, científicas, ler e assistir a jornais televisivos são formas de ampliarmos os nossos conhecimentos e, consequentemente, desenvolvermos nossa capacidade de argumentação.


Quando se trata da escrita em si, é sempre bom fazermos um rascunho prévio acerca das ideias que serão expostas, a fim de que possamos evitar “possíveis” falhas quanto à estrutura textual, pois o objetivo é que a mesma se apresente de forma plausível.

Um aparato bastante eficaz é ter o dicionário como companheiro inseparável, pois ele não somente nos auxilia com a questão do sentido denotativo das palavras, mas também com a relação de sinonímia e com o uso da grafia correta.

Sempre quando estamos redigindo, as ideias vão fluindo naturalmente, e às vezes não as articulamos da maneira como deveria, fazendo-se necessária uma substituição, uma supressão ou até mesmo um acréscimo.

Por isso, a importância de fazermos uma releitura do texto, uma vez que a escrita é um ato minucioso e requer muita habilidade por parte de quem a pratica. É como se moldássemos uma obra de arte, e a cada retoque renascesse algo mais perfeito e mais criativo.

Espaço do Professor - Professor bonzinho e a indisciplina

Relação professor-aluno

Um professor bonzinho, o amigão da turma, consegue manter o respeito e a organização em sala de aula? Em outras palavras, professores bonzinhos geram alunos indisciplinados? Esta é uma das análises feitas no livro de Celso Antunes “Professor Bonzinho = aluno difícil, A questão da indisciplina em sala de aula” (2006).

Em grande parte, esta postura de professor bonzinho é recorrente para a maioria dos professores que inicia sua carreira docente. Mas o que define este professor bonzinho? Quais são as atitudes de um professor bonzinho que põe em xeque o processo a ser realizado na sala de aula? Estas perguntas se tornam pertinentes, pois ao se perceber que professores bonzinhos podem resultar em alunos difíceis, pode-se ter a ideia errada de que seria necessário assumir a postura de um professor carrasco, malvado, “com cara de poucos amigos”.

O problema, na maioria das vezes, não está em ser o professor bem-humorado, aquele que busca uma aula descontraída e divertida, mas sim na falta de definição de regras e condutas desejáveis para o bom caminhar das aulas. Por mais que durante as aulas ocorra a reflexão quanto à postura que os alunos apresentam, pode-se tornar difícil a tarefa de reverter a concepção que os alunos têm da falta de regras preestabelecidas.

Dessa forma, a leitura da obra de Celso Antunes é de grande ajuda para os educadores que passam por situações como esta, uma vez que ele faz uma reflexão quanto às posturas que um professor assume, que levam à indisciplina dos alunos e ainda mostra algumas ideias que podem auxiliar o professor no dia a dia. Todas elas são importantes para o processo de ensino e aprendizagem, no entanto serão citadas apenas algumas que corroboram este artigo.

• Definir de forma clara as regras disciplinares.

• Estabelecer, se possível em consenso com os alunos, os limites desejáveis das condutas e cobrá-los sempre de maneira imediata e coerente.

• Cobrar, com firmeza, mas sempre com bom humor (quando possível), a colaboração de todos e ser um árbitro sereno no cumprimento das regras de conduta acordadas com a classe.

• Analisar com calma as razões que podem levar alunos ao desinteresse ou à indisciplina e discutir com eles essa postura.

• Cuidar da sua apresentação, dignificando a importância e até o sentido do ato pedagógico.

• Concluir a aula de maneira amistosa e bem-humorada.
Portanto, não é necessário aderir a filosofia de professores carrascos, de cara feia, mal-humorados, para obter a disciplina e atenção dos alunos, pois a relação professor-aluno é de fundamental importância na construção de um ambiente disciplinado. Para isso, por parte dos educadores, é preciso uma constante reflexão quanto ao que decorre na sala de aula, além da exposição clara das regras e atitudes dos alunos, afinal, o papel do educador em sala de aula é o de ensinar e não o de criar alunos “robotizados”.


Por Gabriel Alessandro de Oliveira
Graduado em Matemática
Equipe Brasil Escola

As professoras agredidas em “Caminho das Índias”

Postado por Valdeir

Na novela “Caminho das Índias”, o personagem Zeca infernizava a vida das professoras interpretadas por Débora Bloch e Silvia Buarque. A perseguição ocorria em plena sala de aula, mas também na internet, ao divulgar perfis falsos das docentes.

Os pais do estudante se irritavam, quando eram convocados pela direção da escola para ouvirem as queixas contra ele. Achavam que seu “garoto” estava sofrendo perseguição, só porque era “ingênuo e tinha atitudes normais de uma ‘criança’ de sua idade”. Detalhe: Zeca tinha mais de 18 anos.

Em 2009, em entrevista ao programa “Sem Censura” (Rede Brasil), Glória Perez, a autora da novela, disse que na metade da trama interrompeu o conflito de Zeca com as professoras. Isso porque recebera vários e-mails de pais, reclamando que a novela fantasiava demais a relação entre a família do aluno rebelde e as professoras.

De fato, telenovela é uma história criada. Entretanto, no caso da trama passada na escola, o que existiu foi um retrato da realidade. Portanto, os pais que falaram em fantasia, viram na novela o reflexo do próprio comportamento. Um reflexo que revela a dolorosa verdade de pais coniventes com as atitudes inescrupulosas do filho.



P.S: Na mesma entrevista, Glória Perez disse que o tema deu tanto “pano pra manga” que irá aprofundá-lo em outra novela sua. Para tanto, revelou, fará uma pesquisa mais acurada sobre o universo docente. A autora foi muito modesta ao falar isso, pois “Caminho das Índias” mostrou um “pedaço” da dura realidade do professor.

Alunos e professores nas redes sociais: qual é o limite da amizade?

Suellen Smosinski
Em São Paulo

Uma forma de contato que pode extrapolar os limites da sala de aula são as redes sociais. Os alunos podem ser "amigos" dos professores no Orkut e Facebook e podem seguir seus comentários no Twitter, conhecendo muitas vezes um lado mais pessoal do docente. Amigos, mas nem tanto: professores contam como equilibrar relação com alunos e escapar de cantadas

Segundo Sônia Bertocchi, educadora, que defende o uso pedagógico das redes sociais, "a regra que vale é a do bom senso". “O professor tem que cuidar da reputação como profissional [nas redes sociais]”, diz a consultora que tem forte atuação no Twitter. Sônia dá algumas dicas básicas para chegar a esse equilíbrio: "Se você não expõe seu telefone na rua, você não deve colocá-lo no Facebook. Se você não usa uma roupa mais ousada no serviço, você não vai postar uma foto com uma roupa assim. Essas coisas não se apagam, o que hoje pode ser muito legal, daqui cinco anos pode não ser mais tão legal". Para a educadora, o professor deve investir em um contato com os alunos pela internet se isso puder contribuir para as aulas. "Se o Twitter dele [do professor] é so para falar que ele acordou, dormiu, foi à praia, não vale adicionar aluno. Mas, se tiver uma intencionalidade pedagógica é muito válido", explicou. Perfis duplicados A coordenadora do CNA, Yasmim Salgueiro, 26, afirma que tem muitos alunos no Facebook. "Eles vêm tirar dúvidas, falar de coisas da escola. Mas também gostam de ver se o professor é casado, se ele namora... na minha época de estudante eu não sabia de nada da vida do professor, hoje eles sabem onde eu fui no fim de semana, quem são meus pais, meus amigos", contou Yasmim. Já Willian D' Andrea, 25, professor de geografia para o ensino médio, evita misturar amigos e alunos nas redes sociais: "Eu separo tendo, por exemplo, dois orkuts - um para vida pessoal, outro para os alunos. Faço o mesmo com MSN e mantenho algumas redes sociais, como o Facebook, apenas para pessoas do meio particular. Faço isso para não misturar e para me proteger também".

Descontração na sala dos professores da escola de inglês CNA

Amigos, mas nem tanto: professores contam como equilibrar relação com alunos e escapar de cantadas

Suellen Smosinski

Em São Paulo


O alvo está ali, bem à frente da turma. Ele fala bem – e parece bastante atraente aos olhos da plateia. Primeiro são os olhares (que podem ter, ou não, um jeito malicioso); depois é só puxar um papo ou mandar um bilhete. E o que pode vir depois disso?

O ritual da paquera não seria um problema, se o alvo não fosse professor e o caçador, um de seus alunos. Quem nunca se apaixonou pele mestre na época do colégio? Se não foi personagem principal dessa história, certamente, já ouviu relato de alguém que passou por essa situação.

Mas e o professor? Como ele reage a esse tipo de situação? Jovens professores ouvidos pelo UOL Educação contaram como é esse tipo de assédio e como eles saem das investidas dos alunos de passarem dos limites, seja numa tentativa de conquistar amizade ou uma investida com segundas intenções.

Uso “pedagógico” do interesse "Normalmente eles [os estudantes] ficam curiosos para saber a idade, em que é formado, o que gosta de fazer, essas coisas mais pessoais, como se fossem fazer amizade. Se o professor for 'legal', eles tentam conversar como se fosse um amigo mais velho, chamam para sair e fazer coisas que gostam", contou Willian D' Andrea, 25, professor de geografia para o ensino médio.

D'Andrea procura usar essa curiosidade para melhorar a aula: "Tento conversar com eles, pois fica mais fácil ter a atenção e o respeito deles se eles gostarem de mim, principalmente na hora de fazer trabalho e atividades, mas não deixo eles pensarem que sou um amigo legal a ponto de relaxarem".

Qual é o limite das relações entre professores e alunos nas redes sociais?
Yasmim Salgueiro, 26, é coordenadora pedagógica da escola de inglês CNA e procura adotar uma tática parecida com a do professor de geografia. "Descobri que o melhor professor é aquele que tem aparencia de jovem, se veste como jovem, mas sabe separar. Tem que ser amigável, mas não ser amigo. Senão, ele perde autoridade".

Fã-clube Com uma equipe em que o professor mais velho tem 28 anos, Yasmim repara que as meninas são as mais 'saidinhas': "Eles sofrem muito assédio por parte das alunas adolescentes. Elas escrevem cartas de amor, ficam apaixonadas, escrevem bilhetes nas provas”. Envolvimento entre docente e estudante é proibido. “Se o professor não tem preparo ele pode acabar ficando com a aluna e isso pode influenciar negativamente nas aulas", diz Yasmim.

O novo professor da unidade, Egon Morais, 23, tem despertado grande interesse nas alunas, que ganharam até o apelido de "egonzetes". Ele disse que procura levar tudo na brincadeira, para não deixar a situação "sair do controle" e garante que até hoje nunca aconteceu de ninguém confundir e se apaixonar de verdade. "Eu sempre deixo bem claro que eu namoro. Sempre procuro mostrar que a relação dentro da sala de aula é de aluno e professor e fora pode até ser de coleguismo, mas nada mais", contou.

Segundo D'Andrea, nas aulas de geografia, o assédio não é muito diferente. "Algumas alunas chamam para sair, algumas xavecam sem disfarçar, outras tentam ser mais discretas, algumas se aproximam com malícia...” Sabe o que ele faz? Primeiro tenta se fazer de desentendido e quando isso não dá certo... “Se elas falam durante a aula, tento responder de uma maneira que as deixe com vergonha para não fazer mais, ou tento descontrair e fazer a sala rir, como se tudo fosse brincadeira", conta.

Mas depois que eles se formam, a relação pode mudar. "Tenho alunos que terminaram o ensino médio e hoje são meus amigos, a gente sai junto e tudo, mas antes quando eram estudantes eu só conversava".

Faltam 100 mil professores na pré-escola

diz estudo do MEC

O Brasil tem a meta de universalizar o atendimento de educação infantil nos próximos anos e incluir quase 2 milhões de crianças entre 4 e 5 anos na pré-escola. Para alcançar o número, no entanto, há um problema: faltam 100 mil professores da área no país para suprir a demanda.

Os números são de um estudo do Inep, que mostra a necessidade de um aumento de quase 40% no número de professores do Brasil.

O cálculo leva em conta que, hoje, 75% das pré-escolas estão em redes municipais e 23% são escolas privadas. Portanto, a necessidade de professores será maior em redes públicas.

Em algumas regiões, o crescimento necessário no número de professores supera os 40%. No Centro-Oeste, por exemplo, o aumento precisa ser de 62,3%; na região Norte, serão precisos mais 58,7%; o Sul precisará de mais 53,9%. Já no Sudeste, o aumento percentual é de apenas 32%, em números absolutos são mais de 30 mil docentes.

A situação se deve principalmente pela queda de alunos nos cursos de magistério. Em cinco anos as escolas perderam 155,7 mil alunos, quase 45%.


http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=14,91804


MEC

Vidinha de Professor...

Prof. Pedro João Bérgamo


Meia hora após seis. O arreamento sobre o cavalinho saino. Barrigueiras bem apertadas, para o caso de um refugamento de codorna dormitante em casa-capim. Quase sobre as virilhas. No entre baldrana e couro duro, a vestimenta de um carneiro, agora defunto. O cavalo, sonolento ainda, lambe uns últimos bagos de milho. Primeira refeição em dose cavalar. A dureza do dia por vir fará com que não perca sequer uma faísca. Um minuto depois está marchando, num passo picado estrada afora. Ouve o som repicado dos cascos no leito duro. O chuvisco madruguento lavou o chão da poeira penetrante. Estava contente. Também o cavaleiro. O cavaleiro, então. Nem cavaleiro, nem boiadeiro de profissão; nem peão. Levava preso às argolas misturança: comida, café, cadernos, livros, giz. No bate-que-bate ritmado da alimária assentava seu mundo de esperanças. Dia viria em que comprasse carro; carro bom; ligeiro. Nem precisava dormir de olhos abertos para não perder hora. A légua longa ficaria curta, metros. Enquanto pensava, marchava o cavalo, agora saino bem escuro. O cavalo marchava, ele pensava, o diretor por certo dormia.
Agora já são quilômetros percorridos. A escola cada vez mais perto.
O suor do saininho salifica no peito. Resolveu mudar de passo.

Agora troteia, malgrado o cavaleiro. O bate-que-bate, agora seco, perde o repicado e soca o cavaleiro. Cavalo e cavaleiro num soco ritmante. Onde era fígado é coração e vice-versa. A bílis sobe e desce. Bexiga cheia. Primeiro córrego. Param cavalo e dono. Apeiam-se. O cavaleiro olha para frente, para trás, das bandas. Nada, ninguém. Molha a terra. O cavalo já bebeu? Bebe devagar para retardar o avanço. Bobagem dele, sendo que no reinício, em se estando atrasado, o cavaleiro aperta a espora. Dito e feito. No calor do chicote e cutuco de espora, volta a marchar. Marcha cansada, mais tranqueada. Última curva da estrada. Um jipe passa adiante sem levantar poeira. Bem que bem. Estão cansados. O arreio já está duro para os dois.

Têm pressa de chegar, já está passando das oito. Já se ouve o grita-grita da molecada. Oito e dez. "Seja bem-vindo, professor", diz o inspetor escolar, sisudo, sentado à porta da sala.


EEPSG "João Gobbo Sobrinho" - Taguaí




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Prof. Pedro João Bérgamo


Meia hora após seis. O arreamento sobre o cavalinho saino. Barrigueiras bem apertadas, para o caso de um refugamento de codorna dormitante em casa-capim. Quase sobre as virilhas. No entre baldrana e couro duro, a vestimenta de um carneiro, agora defunto. O cavalo, sonolento ainda, lambe uns últimos bagos de milho. Primeira refeição em dose cavalar. A dureza do dia por vir fará com que não perca sequer uma faísca. Um minuto depois está marchando, num passo picado estrada afora. Ouve o som repicado dos cascos no leito duro. O chuvisco madruguento lavou o chão da poeira penetrante. Estava contente. Também o cavaleiro. O cavaleiro, então. Nem cavaleiro, nem boiadeiro de profissão; nem peão. Levava preso às argolas misturança: comida, café, cadernos, livros, giz. No bate-que-bate ritmado da alimária assentava seu mundo de esperanças. Dia viria em que comprasse carro; carro bom; ligeiro. Nem precisava dormir de olhos abertos para não perder hora. A légua longa ficaria curta, metros. Enquanto pensava, marchava o cavalo, agora saino bem escuro. O cavalo marchava, ele pensava, o diretor por certo dormia.
Agora já são quilômetros percorridos. A escola cada vez mais perto.
O suor do saininho salifica no peito. Resolveu mudar de passo.

Agora troteia, malgrado o cavaleiro. O bate-que-bate, agora seco, perde o repicado e soca o cavaleiro. Cavalo e cavaleiro num soco ritmante. Onde era fígado é coração e vice-versa. A bílis sobe e desce. Bexiga cheia. Primeiro córrego. Param cavalo e dono. Apeiam-se. O cavaleiro olha para frente, para trás, das bandas. Nada, ninguém. Molha a terra. O cavalo já bebeu? Bebe devagar para retardar o avanço. Bobagem dele, sendo que no reinício, em se estando atrasado, o cavaleiro aperta a espora. Dito e feito. No calor do chicote e cutuco de espora, volta a marchar. Marcha cansada, mais tranqueada. Última curva da estrada. Um jipe passa adiante sem levantar poeira. Bem que bem. Estão cansados. O arreio já está duro para os dois.

Têm pressa de chegar, já está passando das oito. Já se ouve o grita-grita da molecada. Oito e dez. "Seja bem-vindo, professor", diz o inspetor escolar, sisudo, sentado à porta da sala.


EEPSG "João Gobbo Sobrinho" - Taguaí

Espaço do Professor - Doce Engano

Prof ª. Floripes Soares dos Santos

Oitava série. Trinta e tantos alunos barulhentos acomodam-se arrastando as carteiras e fazendo piadas.

Em meio a esse tumulto, um garoto sardento, desses que adoram contar as novidades, grita:

- Professora, aluno novo!

Lá no fundo, dois imensos olhos azuis saltam de um rosto em brasas.

Fito-o com simpatia e o cumprimento. Conheço-o, de algum lugar.

Pergunto-lhe o nome e em qual escola já lhe dera aulas. Ele nega, não me conhece. Continuo a interrogá-lo. Seu nome, de fato, me é estranho, mas... o rosto em fogo, o modo de sentar-se e os olhos me são muito familiares. Insisto, faço mais perguntas. Tenho certeza de já o ter visto, assim, sentado diante de mim. Ele, incomodado, já não encontra mais posição para sentar-se.

A classe inteira em silêncio. Eu olhava para ele, procurando em minha memória como decifrar aquele mistério.

De repente, me vejo perguntando-lhe:

- Seu pai se chama Antônio?

Ele sorri aquiescendo e eu complemento:

- Antônio Veloso. Você é parecidíssimo com ele.

A classe me interroga com os olhos.

Milhões de conjecturas deveriam estar fervendo em suas cabecinhas.

E, também, com certeza não descartavam a possibilidade de eu estar "caducando". Conheço bem meus alunos!

Resolvi, então, desvendar-lhes o mistério do aluno novo.

Fiz um parêntesis na aula, para reportar-me aos anos 70, e contar-lhes minha história:

Uma sala de Mobral. Rostos cansados, mãos trêmulas e calejadas, diante de uma professorinha magra, novinha e inexperiente.

Dentre os alunos, destacava-se uma senhora sorridente e bonita, nos seus sessenta anos. Não faltava um dia, não tanto por aprender, mas para acompanhar e, no íntimo, se orgulhar da filha professora. Faz tanto tempo... mas o brilho dos olhos, daqueles seres ansiosos, que se esforçavam ao máximo para aprender o nome e se tornarem alfabetizados é o mesmo que vejo hoje, nos jovens, quando vêem algo novo. Foi assim que reconheci esses olhos azuis. Seu pai, um pedreiro, fizera parte dessa classe de Mobral. A minha primeira turma. Quantas lembranças me vêm à mente. Que saudade, seu Antônio, daquele tempo. Quem diria, eu conheceria seu filho. E que peça nos prega o destino. Eu, a confundi-lo com ele. Como se o tempo não tivesse passado...

No espelho não vejo mais a mocinha magra. Nem a mãe acompanha a filha professora.

Os alunos ouviram em silêncio esse relato confuso, respeitando minhas divagações e lembranças doídas.

Entenderam tão bem e me pareceram quase adultos, crianças queridas, quando, no dia seguinte, trouxeram à porta da sala de aula o senhor Antônio.

Não sei como conseguiram trazê-lo, como o convenceram a vir. Só sei que nossas lágrimas se confundiram num abraço de lembranças e saudade.


EEPG "Profª Nilza M. S. Paschoal" - Agudos

Educadora questiona sexualidade de aluno e é afastada

Como a acusada é concursada, ela continuará como professora da rede

MARCELA GONSALVES - Agência Estado

A Secretaria de Educação da Bahia decidiu exonerar a vice-diretora de uma escola que repreendeu um aluno após flagrá-lo passando a mão na cabeça de um colega. Ela teria tirado o menino da sala da aula e feito perguntas sobre sua preferência sexual, atitude considerada preconceituosa pela secretaria.

A vice-diretora também enviou uma carta à mãe do aluno para informá-la do ocorrido e na qual questiona novamente a preferência sexual do menino. A mãe do rapaz compareceu pessoalmente à Secretaria de Educação para registrar o caso. Como a acusada é concursada, ela continuará como professora da rede, apesar de perder seu cargo na diretoria.




Entrevista

Entrevista publicada na edição nº 415, abril de 2011.

Aprender com um outro modo de ser

jornal mundo jovem

Este é um mundo de diferentes e é importante compreender e respeitar as pessoas, os grupos e os povos que são diferentes de nós. É o que afirma Roberto Antonio Liebgott: “Os brasileiros não são iguais aos japoneses, aos chineses ou aos alemães. No Brasil temos povos Kaingang, Ticuna, Mayoruna, Kaiowá, Xokleng... que têm direito de serem eles mesmos. Cada povo vai construindo o seu modo de ser, e o Estado tem que assegurar para os indígenas o seu espaço”.
Roberto Antonio Liebgott,
vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Endereço eletrônico: cimisul-equipe-poa@uol.com.br

Mundo Jovem: Como está a realidade indígena brasileira?
Roberto Antonio Liebgott: No Brasil, conforme dados divulgados pela Funai, há pelo menos 242 povos diferentes. Existem 70 grupos de povos ainda em situação de isolamento e risco, que não estabeleceram nenhum tipo de contato com a sociedade. Temos também povos que mantêm suas tradições, embora estejam em contato permanente com a sociedade. Existem alguns grupos, principalmente na região Nordeste e alguns no Sudeste, que passaram a reivindicar a sua identidade étnica nos últimos 30, 40 anos. São os grupos ressurgidos ou resistentes. São aqueles grupos que se autoafirmam como indígenas e lutam por seus direitos, mas antes viviam em comunidades, em núcleos e não se afirmavam como indígenas.

Há uma diversidade étnica extraordinária, importante, riquíssima, mas numericamente são grupos bem reduzidos. Temos povos com 70 pessoas, com 300 pessoas. Existem grupos em situação de isolamento e risco, principalmente em Rondônia, no Acre e no Pará, que correm risco de extermínio pelo avanço das grandes fazendas, das grandes plantações de soja. São grupos que viviam isolados e que fogem o tempo inteiro desse avanço capitalista sobre eles. E temos povos, como os Guarani-Kaiowá, que são 40 mil pessoas; os Ticuna, no Amazonas, que são mais de 60 mil pessoas.

Mundo Jovem: Há quantos indígenas no Brasil?
Roberto Antonio Liebgott: Pelo censo de 2000, eram 736 mil indígenas no país. Agora estamos na expectativa dos dados do censo recentemente concluído, que incluiu questões específicas para este levantamento populacional indígena, inclusive dos que vivem nas aldeias e nas cidades.

A população indígena está aumentando consideravelmente. Nos anos 1970, havia um programa do governo brasileiro para a integração dos índios paulatinamente à sociedade brasileira.

Esse plano estabelecia o fim dos índios no Brasil pela integração. Naquela época eram em torno de 150 a 200 mil indígenas identificados. Em 1990 já se calculava em torno de 500 mil indígenas. E hoje se estima em mais de um milhão de indígenas no Brasil.

Mundo Jovem: E quanto às terras indígenas?
Roberto Antonio Liebgott: Pelos dados do CIMI, hoje, são pelo menos 988 terras indígenas. E dessas, 323 estão regularizadas, ou seja, demarcadas para usufruto exclusivo dos índios. As terras restantes aguardam os procedimentos de demarcação a serem concluídos ou iniciados. São em torno de 170 áreas que precisam iniciar os estudos para a demarcação.

A nossa Constituição estabelece que os índios têm direito de se organizarem de acordo com suas culturas, seus costumes, suas crenças e tradições. E dá a eles também o direito ao exercício de sua cidadania política dentro da sua própria cultura.

Mundo Jovem: Que paralelo podemos traçar entre a cultura indígena e a branca, ocidental?
Roberto Antonio Liebgott: Cada povo é um mundo cultural próprio: sua língua, suas crenças, suas tradições, leis internas, organização política interna. São absolutamente diferentes do nosso modo de relacionamento com o direito, com a organização política dentro do país, e cada um tem sua própria organização.

Porém, por fazerem parte do Brasil, eles têm que conhecer o seu modo de ser, sua organização, e ao mesmo tempo conhecer e dominar a nossa organização social, política e jurídica. Isso, às vezes, gera situações conflitivas, principalmente entre aqueles que estabelecem menos relações com a nossa sociedade. E o nosso modelo jurídico não entende as normas que eles têm. Embora a Constituição brasileira reconheça que eles têm direito de se autoafirmar e de conduzir a sua vida a partir da sua lógica e da sua organização interna social, política e até jurídica. E nós, que somos dominantes, temos dificuldade de entender o modo de ser deles. Nós vivemos num apartamento, por exemplo, mas os indígenas não conseguem viver num apartamento. E nós não entendemos por que precisam de tanta terra para viver. Temos uma lógica eminentemente capitalista, de tentar tirar das coisas o máximo possível de valor econômico. E eles têm outra visão.

Mundo Jovem: Ainda há preconceito e violência contra os povos indígenas?
Roberto Antonio Liebgott: São várias as formas de violência. Existe a violência direta, que é quando se estabelece o conflito pela terra, por exemplo. Há, nesse caso, um confronto direto entre um povo, um grupo que está reivindicando terra e outros grupos que tentam negar a eles esses direitos. E esse conflito que poderia ser só ideológico vai se intensificando e chegando à violência física. Existem outras violências decorrentes dessas diferenças, como a discriminação, o desprezo, a não aceitação de que esses grupos não se enquadrem no nosso modelo de sociedade. E isso existe em todo o Brasil.

Mundo Jovem: Por parte dos indígenas também há situações de desconfiança e medo acerca das relações com a sociedade?
Roberto Antonio Liebgott: A desconfiança permeia as relações. Temos a experiência de vários grupos que desconfiam sistematicamente das nossas intenções, porque as relações que foram estabelecidas com eles sempre são para extrair deles alguma coisa, obter vantagens com relação a eles. Desconfiam até de pesquisadores porque ao longo da história eles sempre foram explorados, tanto no seu meio ambiente, nas suas terras, quanto nos seus conhecimentos, suas culturas e seus saberes.

Os Guaranis, na beira das estradas, estão lá acampados vendendo o seu produto, mas têm uma profunda resistência à nossa cultura. Eles mantêm a sua língua, a sua religião, os seus costumes, mesmo estando em nosso meio. É lógico que todas as culturas são dinâmicas. Elas vão se adaptando, se reconstruindo, se redefinindo para possibilitar a convivência.

Mundo Jovem: Como a cultura indígena pode conviver com a nossa?
Roberto Antonio Liebgott: A nossa cultura e as nossas leis são hegemônicas. Dentro dessa hegemonia temos que deixar frestas para que esses grupos possam se expressar. Eles nunca serão iguais a nós e temos que entender isso. Por sermos hegemônicos, tentamos impor o nosso modo de ser sobre o modo de ser dos outros. Mas lutamos muito para que as relações sejam de respeito para com o outro. As universidades hoje estão trabalhando muito com o étnico, com o diferente, nessa linha do respeito.

Mundo Jovem: Como os povos indígenas se organizam em âmbito nacional?
Roberto Antonio Liebgott: Na década de 1970 aconteceram as grandes assembleias indígenas no Brasil inteiro. Foi quando se estruturou a mobilização indígena no Brasil. Depois, nos anos 1980, surgiu a União das Nações Indígenas (UNI), que passou a articular os indígenas em âmbito nacional. A partir daí foram criadas pelo menos umas 300 organizações indígenas (regionais, locais e nacionais), todas com objetivo de congregar as lutas indígenas pela garantia dos direitos que já estavam estabelecidos na Constituição Federal. O movimento indígena tende a se fortalecer para cobrar do poder público as políticas a que eles têm direito.

Mundo Jovem: A educação indígena é diferente?
Roberto Antonio Liebgott: Em termos de princípios, o Estado deve respeitar o modo de ser de cada povo. E a escola indígena tem que ser respeitada. Mas o nosso modelo educacional acaba passando por cima do modo de ser de cada povo.

Há povos que têm sua própria escola adaptada. A escola indígena assimilou aspectos da nossa educação. O povo Tapirapé tem escola há muitos anos, tem formação de professores. Na Raposa Serra do Sol (Roraima) todas as escolas indígenas são administradas pelos próprios professores indígenas. Eles montam seus currículos, adaptados a seu modo de ser. Em algumas escolas os anciãos têm um papel importante porque eles são os historiadores: ensinam na própria escola como foi no passado, como eram as lutas, e vão conduzindo a criança a entender sua própria história.

Nesse sentido, a língua é essencial para que se tenha uma escola indígena mesmo. A luta dos mais velhos é para que as crianças desenvolvam a linguagem indígena desde pequenos e depois aprendam o português na escola. Esse é um processo que vem se intensificando em todos os lugares do Brasil.

Mundo Jovem: Como a escola dos não indígenas pode trabalhar a temática indígena sem reforçar o preconceito?
Roberto Antonio Liebgott: São várias etapas que precisariam ser iniciadas. Tentar mudar no currículo das escolas o conteúdo da nossa história, inserindo a história dos povos indígenas. Isso ajudaria. E fazer um trabalho com os professores, porque são eles que levam o debate para dentro da sala de aula. Se eles não forem preparados, vão levar somente aquilo que aprenderam, enquanto que poderiam tratar do assunto como culturas, um modo de ser diferente etc.
Se ficarmos apagando o indígena da nossa história, o índio continuará parecendo uma fantasia. Mas os índios não são fantasia, eles são parte da nossa cidadania.


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“Nós não somos contra o progresso”
Em geral a sociedade acha que nós somos contra o progresso quando reclamamos, quando pedimos, quando reivindicamos, ou quando somos contra a construção de hidrelétricas, barragens, hidrovias ou rodovias. Não é que nós somos contra o progresso, pelo contrário, nós sabemos da necessidade de ter progresso. Porém nós acreditamos que tem que ser pensado um novo modo de se fazer o progresso. Não só no Brasil, mas no mundo todo. Sem agredir a vida, sem agredir a natureza, o meio ambiente. Até porque nós também progredimos, porém do nosso jeito.

Os povos indígenas sempre viveram o progresso, mas o progresso de uma maneira completamente diferente. Por exemplo, para nós, a terra é sagrada. Ela não pode ser tratada como uma mercadoria. E para muitos não índios a terra é usada apenas para o comércio. Então essas coisas que a sociedade, por não conhecer nossa verdadeira história, não entende e pensa que somos contra o progresso. Nós queremos, sim, o crescimento do Brasil e que toda a população brasileira, indígena ou não, possa viver, ter emprego, ter moradia e viver dignamente como qualquer ser humano, como qualquer cidadão.

A nossa economia se baseia na necessidade de sobreviver. Por exemplo, ainda se vive muito da pesca, da caça, dos artesanatos, porque mantemos a cultura de buscar o suficiente para a nossa sobrevivência no dia a dia. Nós não temos ainda aquele hábito de acumular, acumular, acumular sempre. Nós sempre pensamos no hoje, porque nós acreditamos que amanhã haverá providência.

Isso é uma coisa nossa muito diferente. Talvez falte, por parte de nós povos indígenas, levar esse conhecimento para a sociedade não indígena, para que vocês realmente conheçam mais sobre nós, porque somos povos diferentes. Eu tenho um jeito de uma cultura, o meu marido tem uma outra cultura. Nós conseguimos conviver em harmonia, porém cada um de acordo com a sua cultura.

Eva Kanoé,
da etnia Kanoé, professora, representa
a Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia.