quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

RELAÇÃO ENTRE IDENTIDADE DOCENTE E CONSTRUÇÃO DE LIMITES

Milena Cristina Aragão
Sumário

Relação entre identidade docente e construção de limites na educação infantil: Considerações históricas e contemporâneas


RESUMO
O presente trabalho objetivou investigar a decorrência das representações sobre a mulher-professora na construção dos limites com crianças da educação infantil. Para tanto, transitou-se pela história em busca das representações construídas acerca da função social feminina no magistério brasileiro, em seguida foi realizado um levantamento sobre a trajetória da educação infantil no Brasil, a procura de traços desta representação na construção do perfil docente e por fim discutiu-se as repercussões de tais representações na ação pedagógica, em especial na construção dos limites. Como resultado, observou-se a existência de uma forte interposição entre os papéis materno e docente, fato que influencia negativamente a ação pedagógica, em especial a construção dos limites. Como discussão, foi abordada a responsabilidade dos cursos de formação neste processo, bem como possíveis caminhos para lidar com esta realidade.

Palavras Chave: Educação Infantil, Magistério Feminino, Representação, Limites, Formação docente

Introdução
Na perspectiva da história cultural, as representações são vistas como matrizes geradoras de sentidos, condutas e práticas sociais. São como uma rede de aspectos que levam a significações, aspectos estes que proporcionam a integração dos sujeitos frente a algo que explique, expresse ou traduza o real. Indivíduos e grupos dão sentido ao mundo através das representações, tornando possível decifrar o passado por meio destas, utilizando imagens, símbolos e também discursos com o intuito de construir uma realidade plausível. (PESAVENTO, 2008)
Partindo desta reflexão, o presente trabalho objetivou decifrar as representações construídas sobre a mulher-professora a partir do ingresso destas no magistério e as decorrências desta representação na construção dos limites com crianças da educação infantil.
Para tanto, o texto é iniciado a partir do exame da trajetória feminina na docência, com enfoque nos discursos difundidos sobre a função social e profissional da mulher a partir do século XIX, buscando recortes que auxiliem entender a posição da mulher na sociedade e na cultura. Em seguida tais representações são entrelaçadas com a trajetória histórica da educação infantil no Brasil, buscando compreender a construção deste espaço, bem como o perfil da educadora de crianças pequenas. Após, são investigadas as decorrências das representações acerca do papel docente na prática pedagógica, em especial no que concerne a construção de limites na educação infantil.
Como discussão final, é adordada a importância de a professora tornar-se ciente sobre si, seu grupo social, sua história e o trabalho docente, a fim de sair da posição de vítima frente a uma exigência sócio-cultural e passar a protagonista de sua história, revendo conceitos e questionando certezas, para assim, moldar suas ações pautada em escolhas refletidas.

Representação feminina no magistério brasileiro
A presença da mulher no cenário escolar ocorreu tardiamente na História da Educação Brasileira. Desde o período Colonial, a educação feminina era restrita ao lar e para o lar, com aprendizagens que possibilitassem o bom governo da casa e dos filhos e a isto não incluía leitura e escrita, mas prendas domésticas. Somente na segunda década do século XIX foi decretada a abertura de escolas para meninas, e na terceira década do mesmo século é inaugurada a primeira escola Normal do Brasil, em Niterói/RJ. (VEIGA, 2007)
O ingresso na mulher no universo escolar enquanto professora ocorreu permeada por estereótipos construídos ao longo de um processo histórico de representações sobre a mulher e sua função na sociedade.
A realidade construída acerca do papel social feminino permeia o âmbito doméstico, estando fortemente associada à maternidade e ao casamento. Desde pequena a mulher era criada para casar e ter filhos, sendo estas as únicas formas possíveis de realização feminina e, caminhando na mesma linha de pensamento, apresentava-se a capacidade de ensinar. Em meados do século XX, quando a inserção feminina no mercado de trabalho ainda era tímida, lecionar poderia ser a saída para as mulheres que desejavam se dedicar a outras atividades, sem precisar abandonar o lar e os filhos, já que era possível trabalhar somente meio período, recebendo um salário razoável e ainda ter tempo para cuidar da vida pessoal. Dentro deste cenário, o magistério era visto como a extensão do lar, ou seja, um desdobramento de uma atividade naturalmente praticada, um prolongamento de educar os filhos, numa feliz combinação entre professora competente e dona de casa amorosa. O magistério seria então um espaço onde a mulher colocaria em prática dons que socialmente acreditava-se serem inatos e indispensáveis para o exercício docente: a paciência, o cuidado, a sensibilidade, o educar. (DINIZ, 2001; LOURO, 1997)
Neste sentido, Louro (1997) expõe uma fala importantíssima a qual elucida todo este processo:
(...) se a maternidade é, de fato, o seu destino primordial, o magistério passa a ser representado também como uma forma extensiva da maternidade. Em outras palavras cada aluno ou aluna deveria ser visto como um filho ou filha espiritual. A docência assim não subverteria a função feminina fundamental, ao contrário, poderia ampliá-la ou sublimá-la. (p.78)

A partir desta colocação, um questionamento se faz pertinente: se discursos que associavam a mulher-professora à maternidade eram largamente difundidos e legitimados, inclusive, pelos cursos de formação, como tais discursos penetraram na construção do espaço educativo para crianças pequenas, tendo em vista este ser m espaço tão fortemente maternal?

Heranças de uma representação: a educação infantil e a construção de um espaço
Do século XVI ao XIX, a escola foi uma desconhecida para o público feminino. Pensava-se a escolarização – mesmo que tímida e repleta de restrições – para os meninos a partir dos seis ou sete anos de idade, já crianças menores eram cuidadas e educadas no seio familiar, sempre por mulheres. São as transformações socioeconômicas ocorridas a partir do período republicano - com as alterações nos modos de relação entre os sujeitos, além das mudanças no exercício das funções, em especial as realizadas pelas mulheres - que espaços destinados aos pequenos começaram a ser pensados. (ARIÉS, 1981; PRIORI, 2002)
A posição da mulher na sociedade e na cultura deu o tom para que este processo se iniciasse. Estas passam a trabalhar fora de casa e necessitam de um local para deixar seus filhos. Pode-se cogitar que uma família com uma rede de apoio estruturada poderia deixar as crianças sob os cuidados de parentes, entretanto ocorria também a migração em larga escala de populações rurais para centros urbanos, ocasionando a ruptura na rede de apoio familiar e de vizinhança, o que ocasionou um distanciamento entre os diferentes membros (irmãos, tios, avós...) levando a dificuldades e a busca por soluções para os cuidados da criança fora do espaço familiar. (OLIVEIRA,2002; PRIORI, 2002)
Diante deste cenário, foi trazida para o Brasil uma idéia que já existia na França desde o século XVIII: as creches. De origem francesa, a palavra "crèche" significa "manjedoura", denominação dada aos abrigos para fins de cuidado a bebês e crianças necessitadas. Com caráter basicamente assistencialista, a creche mantinha as crianças para que as mães pobres pudessem trabalhar, já que com a idade inferior aos seis/sete anos não poderiam freqüentar a escola. .(KUHLMANN, 2005) ( )
Concomitante a difusão de creches, havia o crescimento das instituições formadoras de docentes.
Em solo Brasileiro, a primeira Escola Normal foi inaugurada no ano de 1835, em Niterói/RJ. As escolas normais formavam professores para atuar com crianças a partir dos seis/sete anos de idade. A idéia era formar uma população capaz de ler e escrever, diminuindo o número de analfabetos. A formação de professores para a creche não era comum, geralmente as mulheres que lá trabalhavam formavam-se em serviço ou então eram professoras sem qualificação específica, tendo a disposição apenas alguns (raros) cursos de aperfeiçoamento. (ARIÉS,1981;KUHLMANN, 2003)
Vale ressaltar que a “(...) educação da mulher previa a sua preparação nos mistérios da puericultura, de modo que se tornassem mães-modelo”(Kuhlmann, 2003, p.479. Grifo meu). Interessante notar que em 1913 foi veiculada no Congresso Internacional de Proteção a Infância realizado em Bruxelas, uma proposta de ensino da puericultura já em tenra idade: “enquanto os meninos entretivessem com os jogos de construção, a boneca poderia ser um brinquedo instrutivo, transformando-se em uma amável escola de mamãezinhas” (KUHLMANN,2003,P.479)
Assim, não se falava em formação para a professora de creche - já que se acreditava que cuidar de crianças fazia parte da natureza feminina - mas em aprimoramento sobre as regras básicas de saúde e higiene. Tal movimento não era freqüente, uma vez que o olhar para esta etapa do desenvolvimento humano tinha um caráter assistencialista e maternal, reforçado por discursos que interpunham o papel docente ao papel materno. As questões implícitas eram: para que formar professoras para creches se estas já sabem naturalmente o que fazer? Para que investir na primeira infância se o importante é alfabetizar a população?
Neste contexto, a educação para a primeira infância era comumente efetivada por voluntárias, religiosas ou outras mulheres sem quaisquer cursos, atuando de acordo com o que acreditavam ser o melhor para a criança, (KUHLMANN,2003; PRIORI,2002)
Até a década de 70 muito se discutiu e pesquisou sobre a questão da qualidade na educação infantil, ao mesmo tempo em que as demandas aumentavam vertiginosamente, estimulando a construção de mais espaços. Contudo, pouco foi feito em termos de formação para os educadores ou investimento na área. Neste período, em decorrência de uma crescente evasão escolar e repetência das crianças das classes pobres no primeiro grau, foi instituída a educação pré-escolar (chamada educação compensatória) para crianças de quatro a seis anos para suprir as carências culturais existentes na educação familiar da classe baixa. (KUHLMANN, 2003; MARIOTTO,2003)
Cabe ressaltar que ainda nesta época, o trabalho era efetivado por voluntárias, religiosas ou outras mulheres sem quaisquer cursos de formação, atuando de acordo com o que acreditavam ser o melhor para a criança, muitas vezes utilizando de violência física e verbal (já que, munidas do poder de serem consideradas “segundas mães”, era legitimado que agissem desta forma), em ambientes pequenos e superlotados, o que resultava num trabalho de baixa qualidade. (KUHLMANN,2003;PRIORI,2002)
Nos anos 1980, os problemas referentes à educação infantil continuam, apontando a ausência de política global e integrada, predominância do enfoque preparatório para o primeiro grau e docentes despreparados. Entretanto, a mobilização popular em prol da redemocratização, demandava criação e investimentos neste espaço, o que culminou nos anos finais da década de 80 marcados por substanciais transformações no que se refere às políticas públicas para a infância. (KULMANN,2003; MARIOTTO,2003; PRIORI,2002)
A constituição de 1988 fundamenta-se em uma nova concepção da criança cidadã, sujeito de direitos, cuja proteção integral deve ser assegurada pela família, sociedade e pelo poder publico com absoluta prioridade. Neste ínterim, a Constituição retira a educação infantil do âmbito da assistência e a insere no sistema educacional, estabelecendo em seu artigo 206, inciso VII a garantia de qualidade, com ênfase na formação docente. (BRASIL, 1998)
Na década de 1990 os avanços continuam, com a defesa – pela LDB (1996) – do desenvolvimento integral da criança, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade, reforçando a indissociabilidade das funções de educar e cuidar.
Diante deste contexto de desenvolvimento da educação infantil brasileira, qual o peso desta representação na pratica docente, em especial na construção dos limites? Nos dias atuais, ainda existem professoras identificadas com este papel?

Heranças de uma representação: discursos e práticas no ser e agir doente
Tanto educar quanto cuidar são ações construídas culturalmente. Em cada época, a sociedade acreditou que o cuidado deveria ser realizado de certa maneira, assim como a educação.
No contexto atual, onde o cuidado e a educação devem andar juntos, muito foi refletido sobre tais conceitos, visando nortear as professoras a atuar nestas frentes.
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) enfatiza que
... Para se atingir os objetivos dos cuidados com a preservação da vida e com o desenvolvimento das capacidades humanas, é necessário que as atitudes e procedimentos estejam baseadas em conhecimentos específicos sobre desenvolvimento biológico, emocional, e intelectual das crianças, levando em conta diferentes realidades sócio-culturais (BRASIL, 1998, p. 25).

Contudo, o discurso oficial que direciona a atuação docente não garante que todas as professoras cuidarão da mesma forma. Embora as necessidades humanas básicas sejam comuns, a identificação, valorização e atendimento delas são construídas culturalmente. Neste sentido, a maneira de cuidar, muitas vezes, é influenciada por crenças e valores, comumente transmitidos de geração em geração e reproduzidos irrefletidamente. Assim, caso não haja uma formação adequada para esta docente, o cuidado com a criança seguirá os ensinamentos do senso comum.
O Educar, por sua vez, segue a mesma linha. Para o mesmo Referencial Curricular (1998), educar significa favorecer situações de aprendizagens orientadas e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.
Mesmo que o Referencial para a Educação Infantil conceitue “educação”, caso não haja uma formação integral do professor (que ultrapasse o tecnicismo) para compreender o processo educativo na educação infantil, bem como seu papel nele, este irá atuar da forma como aprendeu com outros atores sociais.
Vale salientar que essa aprendizagem vivencial, seja observando ou experimentando, são enraizadas a partir da história de vida, do seu processo de formação profissional e da sua inserção dentro de um contexto social determinado e cultural. Assim, suas concepções e a sua prática são resultados da compreensão de todo esse conjunto de fatores que irão dirigir a sua ação. (ANDALÓ,1995;PERRENOUD,1993)
Esta é uma realidade em qualquer nível de atuação, uma vez que somos todos seres culturalmente construídos e desenvolvemos diversas representações sobre esta ou aquela função ao longo da nossa historia. Contudo, na função docente há a necessidade de uma observância maior. Como este foi um espaço originariamente assistencialista, com profissionais em sua maioria leigos e onde o cuidado prevaleceu em detrimento da educação, a possibilidade de uma professora atuar a partir desta representação acresce.
Pretendo ressaltar com esta exposição que, apesar das mudanças significativas na trajetória da educação infantil, não bastam mudanças textuais para que décadas de assistencialismo associado a maternagem se esvaia do imaginário populacional.
O discurso que interpôs a função docente à função materna, quase como uma simbiose, não foram meras palavras jogadas ao vento e que foi legítima num dado tempo histórico. Para Chartier (1990), os discursos são produtores de
... estratégias e práticas (sociais, escolares, políticas) que tendem a impor uma autoridade à custa de outros, por elas menosprezados, a legitimar um projeto reformador ou a justificar, para os próprios indivíduos, as suas escolhas e condutas.” (Chartier,1990, p. 17).

Assim, os discursos não são simplesmente reflexos da realidade social, mas podem ser instrumentos de constituição e transformação desta realidade. Hall apud Wortmamm (2002) destaca que
um discurso jamais consiste em uma declaração, um texto, uma ação ou uma fonte. (...) o discurso aparece ao longo de uma cadeia de textos, e como forma de conduta, em um conjunto de locais institucionais da sociedade. (p.85)

Neste sentido, os discursos atuam não somente na construção de representações coletivas, mas fundamentalmente na produção de práticas sociais. Assim, é possível aferir que os discursos difundidos acerca do papel docente influenciam e até constroem formas de ser e agir da professora, tanto no planejamento da aula, quanto no relacionamento com alunos.
Autores como Gonçalvez (1996), Zanella, (1999) e Diniz (2001) afirmam que as representações acerca do papel docente, em especial quando se trata da interposição deste com o papel materno, é bastante prejudicial a pratica pedagógica, na medida em que contribui para uma desprofissionalização da função. Esta colocação é corroborada por Campos (2002) quando expõe que o ensino nos cursos Normais era ministrado “de forma muito difusa, sem nenhum método que indicasse uma maior preocupação com a preparação de professores” (p. 18) descaracterizando o magistério enquanto profissão e reforçando-o como um espaço para quem demonstrasse vocação e capacidade maternal. Assim, “para ensinar (...) bastava saber o conteúdo do ensino a ser transmitido. Como ensinar, todavia, não chegava a constituir uma preocupação dominante” (p.23)
Contudo, é justamente no âmbito do como ensinar, o qual envolve aspectos relacionais, que as professoras mostram o peso das representações que lhes foram/são atribuídas. Neste sentido, ao serem interpostas características maternas na função docente, a professora passa a ver seu aluno como mãe, tendendo a protegê-lo e cuidá-lo, agindo em diversos momentos como agiria com seus próprios filhos, o que legitima, inclusive, cenas de violência física e humilhações.
Neste sentido, a questão dos limites entra em pauta, já que são também construções culturais. Desde pequenos somos submetidos a limites impostos por nossos responsáveis e aprendemos que esta ou aquela atitude é correta ou errônea de maneira empírica. À medida que crescemos e adquirimos maiores responsabilidades, vamos também tendo o direito de impor limites a alguém. Somos chefes e impomos limites aos colaboradores, nos tornamos pais e também colocamos limites para os nossos filhos.
Limites são como fronteiras que não devemos ultrapassar. Se ultrapassarmos, teremos conseqüências. Tanto a definição da “fronteira” quanto à conseqüência são construídos culturalmente. Neste sentido, uma mãe constrói o limite de acordo com o que ela acha correto, fruto de aprendizagens ao longo da vida. Já uma professora deve construir os limites pautadas em outros saberes, que não aqueles via senso-comum, mas apoiado em conhecimentos formais. (TAILE,1999, OLIVEIRA,2005)
Dar limites às crianças na Educação Infantil é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro. O limite estipulado deve ser um caminho para a aprendizagem e só o será, caso a professora reflita sobre a importância deste para a aprendizagem do aluno. (OLIVEIRA,2005)
Neste sentido, uma professora identificada com sua função – docente - irá atuar com consciência não só na construção das “fronteiras” com as crianças - sabendo que este é um momento rico de ensino-aprendizagem – mas também na definição das conseqüência caso a criança burle o limite. Certamente esta professora não irá utilizar de métodos que oprimam a criança, que abale sua auto-estima, mas de métodos que as estimulem positivamente.
Já a professora identificada com o papel materno imporão um limite que muitas vezes nem elas sabem explicar o porquê e estipularão uma conseqüência muito similar a que as crianças recebem de seus pais em casa.
Em seus estudos, Aragão (2009) investigou a percepção da professora sobre sua função, em busca de interposições com o papel materno e observou - ainda nos dias de hoje - que as docentes se identificam fortemente com tal papel. Frases como: “sou um pouco mãe, um pouco professora” (p.10) ainda é freqüente na fala de muitas docentes, mostrando a pouca mudança ocorrida ao longo dos anos. Também houve professoras manifestando dificuldades em construir limites e pensar em conseqüências com as crianças, colocando,inclusive, agirem como suas mães agiram com elas, em especial nos momentos de maior tensão. “ ... ás vezes não sei o que fazer, então faço como sempre aprendi na minha vida” (p.10)
Os conteúdos escolares, por sua vez, também sofrem influências desta relação interposta, já que tendem a ser adicionados sem maiores reflexões sobre os objetivos de sua inserção, bem como sua continuidade no processo de educação das crianças. (GONÇALVEZ, 1996; ZANELLA, 1999)
As décadas que impuseram uma representação sobre a função da professora na Educação Infantil “como uma responsável pelos cuidados básicos da criança – tarefa para a qual a afetividade é o maior atributo como: ‘ter jeito’, ‘ter amor às crianças’, ‘gostar’” (Cunha e Carvalho, p.4, 2002) podem ter proporcionado tanto a identificação de uma gama de educadoras com este papel, quanto a legitimação social e ter contribuído para o pequeno investimento na formação docente destas profissionais, bem como o investimento delas para com elas mesmas, no que diz respeito a formação continuada.
Em meio a temática da formação, Perrenoud (1993) e Andaló (1995) afirmam que a função docente é uma função relacional e, portanto, não basta o conhecimento teórico para construir um bom professor. Faz-se necessário refletir sobre sua dimensão subjetiva, já que este sujeito, quando senta nos bancos escolares de um curso de formação, leva consigo representações construídas culturalmente sobre o que é ser professor e como ensinar. Concepções estas, adquiridas de forma não reflexiva, escapando a crítica e convertendo-se em um verdadeiro obstáculo à sua formação profissional.
Paulo Freire (1993) completa o pensamento acima afirmando que “a tarefa de ensinar é uma tarefa profissional que, no entanto, exige amorosidade, criatividade, competência científica (...)” (p.10). E exige, sobretudo, “seriedade, (...) preparo científico, (...) preparo físico, emocional e afetivo” (Freire, 1993, p.09).
Entretanto, para viabilizar um curso de formação inicial e continuada de professores que contemple tais dimensões é preciso, em primeira instância, a valorização da Educação Infantil enquanto espaço de desenvolvimento integral do sujeito. Outro fator importante é ir além do cientificismo e perceber os atores sociais que lá convivem também enquanto detentores de uma historicidade.
Para tanto, Carmem Andaló (1995) levanta uma proposta de formação continuada sistemática através da
(...) formação de grupos que envolvessem os vários segmentos da escola em encontros sistemáticos, que versassem sobre a prática que vem sendo utilizada. Provavelmente, de início esses espaços serviriam apenas como ponto de encontro e continente às queixas e lamentações dos componentes a respeito do seu trabalho”. (p.195)

Diniz (2001) expõe que o comportamento de queixa representa “uma transição, isto é, um sintoma que denuncia um aborrecimento e que, ao mesmo tempo, assegura que tudo siga tal como está” (p.204). Este primeiro momento seria então um tempo de desabafo, um período para que as professoras ouçam umas as outras e se identifiquem nas dores e possibilidades, importante para o aprendizado. Conforme Lisondo (2003) “aprender implica saber sobre sim mesmo, aprender a se questionar, aprender a ser” (p.32)
Andaló (1993) continua afirmando que

Gradativamente, por meio do encaminhamento de um processo de reflexão, esses grupos tornar-se-iam conscientes de suas formas de atuação e mais críticos com relação às (pré) concepções e perspectivas que nutrem a respeito do seu trabalho e da clientela atendida, com quem passariam a comprometer-se mais efetivamente. (p.195)

Desta forma, para atuar de maneira a extrapolar o conhecimento técnico, é de essencial importância que a professora seja estimulada a refletir critica e conscientemente a respeito de crenças e papéis sociais, de teorias e práticas pedagógicas e, fundamentalmente, tenha um espaço para “desabafar” seus medos, angústias, dúvidas e incertezas em grupos de discussão, mediados por profissionais qualificados. Estas são ferramentas que contribuem para que as emoções tomem conta cada vez menos da atuação profissional, uma vez que agem como uma “válvula de escape”, amenizando, assim, o peso de anos de representação cultural sobre sua função, auxiliando a docente a assumir de forma mais segura e consciente seu papel profissional. (ANDALO,1995;DINIZ,2001)

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O sujeito não está no mundo como um simples residente, mas também como construtor, na medida em que por ele é construído. Neste sentido, pode-se aferir que nós, como sujeitos, não nascemos neste século ou no século passado, não temos 10, 20, 30 ou 40 anos, mas somos muito “antigos”, na medida em que somos fruto de um processo histórico que deve ser considerado, entendido e respeitado, uma vez que este processo influencia sobremaneira nosso ser e agir no mundo.
A criança quando ingressa no que hoje entende-se por Educação Infantil, não está entrando numa construção arquitetônica com características específicas, tampouco está sob o olhar de uma pessoa que recebera o título de professora e age da mesma forma que outras recebedoras do mesmo título. Esta criança está adentrando num espaço cultural, está imersa numa cultura que dita ora explicita, ora implicitamente como deve ser vista, cuidada e educada.
As professoras deste nível de ensino, por sua vez, durante décadas construíram sua prática de forma empírica, baseada em crenças e valores legítimos para um dado tempo histórico, mas ineficientes e até prejudiciais para o momento atual.
O mundo está em constante transformação, sendo de suma importância que os óculos adotados para ver este mundo sejam trocados, acompanhando as mudanças. Entretanto, um questionamento é valido: até que ponto as professoras de educação infantil tem consciência sobre as lentes que utilizam? Em outras palavras, será que estas docentes percebem-se enquanto seres históricos, que agem muitas vezes influenciadas por representações acerca de seu papel profissional?
A clareza sobre esta condição é fundamental para que as professoras e futuras professoras possam (re) construir seu pensar e agir pedagógico de maneira consciente.
Neste sentido, é imprescindível que os cursos de formação inicial e continuada invistam na qualificação profissional para além do conhecimento técnico/científico.
Uma educação de qualidade se faz também com professores cientes do seu papel e das dimensões prática, subjetiva e cultural da docência, sob pena de tais influências converterem-se em verdadeiro obstáculo à sua formação profissional e, por conseguinte á aprendizagem do educando.
Tornar-se ciente sobre si, seu grupo social e sua historicidade são passos importantes para amenizar a influência das representações sobre a função docente, abrindo portas para uma atuação profissional onde a mulher sairia da posição de vítima frente a uma exigência sócio-cultural e passaria a protagonista de sua história, revendo conceitos e questionando certezas e então, de forma sistêmica, moldaria suas ações pautada em escolhas refletidas, sabedoras que a docência é uma profissão e a educação infantil um espaço educativo.


Bibliografia

Referencias
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Publicado em 01/09/2011 17:20:00

Currículo(s) do(s) autor(es)

Milena Cristina Aragão - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003). Especialização a nível de MBA em Gestão de Pessoas pela Universidade de Caxias do Sul (2007). Atualmente é docente da Escolas Técnicas Profissionalizantes e realiza consultorias em gestão de pessoas para empresas e escolas. Possui habilidade na utilização de técnicas de dinâmicas de grupo, jogos empresariais e pricodrama

VYGOTSKY E A MENTE HUMANA

Solange Gomes da Fonseca

A psicologia sociohistorica traz seu bojo a concepção de que todo “homem” se constitui como ser humano pelas relações que estabelece com os outros. Desde o nosso nascimento somos socialmente dependentes dos outros e entramos em um processo histórico que, de um lado, nos oferece os dados sobre o mundo e visões, de outro lado, permite a constituição de uma visão pessoal sobre este mesmo mundo.

O momento do nascimento de cada um esta inserido em um tempo e em um espaço em movimento constante.

A historia de nossa vida caminha de forma a processarem toda uma historia de vida integrada com outras muitas historias que se cruzam naquele momento.

Como seres humanos e, portanto, ontologicamente sociais, passamos a construir a nossa historia só e exclusivamente com a participação dos outros e da apropriação do patrimônio cultural da humanidade.

Na teoria sócio interacionista de Vygotsky, encontramos uma visão de desenvolvimento humano baseado na idéia de um organismo ativo cujo pensamento é construído em um ambiente histórico e cultural; a criança reconstrói internamente uma atividade externa, como resultado de processo interativo que se dão ao longo do tempo.

As interações sociais na perspectiva sociohistorica permitem pensar um ser humano em constante construção e transformação que, mediante as interações sociais, conquista e confere novos significados e olhares para a vida em sociedade.

Vygotsky, ao desenvolver sua teoria, parece não ter pretendido criar um modelo simples e linear de transmissão da experiência cultural do adulto para a criança.

O pensamento aparece como dialogo consigo mesmo e o raciocínio como uma argumentação metacognitiva; a atividade mental não é nem pode ser mera copia do dialogo adulto/criança, posto que esta ultima participa ativamente da interação. Desta forma, a internalização não pode ser entendida como adoção passiva do conhecimento previamente apresentado à criança pelo adulto. Antes, é um processo de reconstrução mental do funcionamento interpsicologico.

As proposições de Vygotsky acerca do processo de formação de conceitos nos remetem à discussão das relações entre o pensamento e a linguagem, à questão da mediação cultural no processo de construção de significados por parte do indivíduo, ao processo de internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimentos de natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana.

Em A Formação Social da Mente, Vygotsky coloca que: ‘todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro no nível social, e depois no nível individual; primeiro entre pessoas (interpsicologico), e, depois no interior da criança (intrapsicologico) “.

Do mesmo modo as postulações de Vygotsky sobre a formação dos conceitos cotidianos concretizam suas concepções sobre o processo de formação de conceitos científicos remetem a idéia mais geral acerca do desenvolvimento humano.

As dimensões cognitivas e afetivas do funcionamento psicológico tem sido tratadas, ao longo da historia da Psicologia como ciência, de forma separada, nas diferentes tradições dentro dessa disciplina. Atualmente, no entanto, percebe-se uma tendência de reunião desses dois aspectos, numa tentativa de recomposição do ser psicológico completo.

Em termos contemporâneos, Yygotsky poderia ser considerado um cognitivista na medida em que se preocupa com a investigação dos processos internos relacionados à aquisição, organização e uso do conhecimento e, especificamente, com sua dimensão simbólica.

No entanto, é interessante notar, que Vygotsky nunca usou o termo “cognição”. Na verdade, apenas recentemente é que um equivalente mais precisa de cognitivo entrou no léxico da psicologia soviética, com o termo “kognitivnii”. Isto não significa, de forma alguma, que os psicólogos soviéticos não tenham estudado processos como pensamento, percepção e memória. Os termos utilizados por Vygotsky para designar processos que denominamos cognitivos são “funções mentais” e “consciência”.

O desenvolvimento da linguagem serve como paradigma de todo problema examinado. A linguagem origina-se em primeiro lugar como meio de comunicação entre o aluno e o professor, onde começa acontecer a interação. Dito isso, não é necessário sublinhar que a característica essencial da aprendizagem é que engedra a área de desenvolvimento potencial, ou seja, que faz nascer, estimula e ativa no aluno um grupo de processos internos de desenvolvimento no âmbito das inter-relações com outros que, na continuação, são absorvidos pelo curso interior de desenvolvimento e se convertem em aquisições internas do aluno.

Considerada deste ponto de vista, a aprendizagem não é, em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem do aluno. Conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam no aluno essas características humanas não naturais, mas formadas historicamente.

Para Vygotsky, um aspecto essencial do aprendizado é o fato de ele criar uma zona de desenvolvimento proximal; ou seja, o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação co m seus companheiros. Uma vez internalizados esses processos tornam, -se parte das aquisições do desenvolvi mento independentemente da criança.

O principal componente inovador da teoria de Vygotsky é a incorporação de fatores sociais na formação de conceitos.

Em Vygotsky os conceitos vão sendo formados individualmente por cada sujeito ate atingirem o estagio de pseudoconceitos. Nesta fase é a mediação da cultura que permite uma convergência dos pseudoconceitos em direção a conceitos compartilhados por um certo agrupamento humano. Sem este papel mediador os pseudoconceitos evoluiriam em direção arbitraria, não, permitindo a vida social.

A obra do psicólogo ressalta o papel da escola no desenvolvimento mental das crianças e, é uma das mais estudadas pela pedagogia contemporânea.

A parte mais conhecida da extensa obra produzida por Vygotsky em seu curto tempo de vida converge para o tema da criação da cultura.

Vygotsky atribui a um papel preponderante às relações sociais nesse processo, tanto que a corrente pedagógica que se originou de seu pensamento é chamada de socioconstrutivismo ou sociointeracionismo.


Bibliografia


Publicado em 12/01/2011 11:01:00

Currículo(s) do(s) autor(es)

Solange Gomes da Fonseca - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Graduada em Portugues/Literatura pela Universidade SUAM no Rio de Janeiro, ano 1979. Especialista em Linguagem pela Faculdase Internacional de Curitiba, ano de 2004, e membro do grupo de pesquisa Linguagem e Cultura da UFPR.

O jovem e as exigências do século XXI

Um ser humano autônomo e solidário – eis o ideal de ser humano deste milênio. Esse ideal representa e retrata as novas tendências do mundo em todas as áreas, inclusive no mercado de trabalho. O surgimento de uma cultura planetária de natureza massiva e caráter pluralista se aproxima. Para sobreviver nos novos tempos é preciso atender a essas exigências, o que implica numa nova postura perante si mesmo, o outro e a realidade.

Num projeto de desenvolvimento pessoal e social, tendo como objetivo geral a construção da cidadania, é preciso definir que homem/mulher e que sociedade queremos formar. Dentro da visão do ser humano autônomo e solidário, algumas atitudes e características devem ser desenvolvidas para que essas qualidades possam ser atingidas.

Os Códigos da Modernidade, apresentados a seguir, enumeram as competências que serão necessárias para que as pessoas possam enfrentar mais adequadamente os desafios do milênio.

Códigos da modernidade

• Domínio da leitura e da escrita: Para se viver e trabalhar na sociedade altamente urbanizada e tecnificada do século XXI, será necessário um domínio cada vez maior da leitura e da escrita. As crianças, adolescentes e jovens terão de saber comunicar-se usando palavras, números e imagens. Saber ler e escrever já não é um simples problema de alfabetização, é um autêntico problema de sobrevivência.

• Capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas: Na vida diária e no trabalho, é fundamental saber calcular e resolver problemas. Calcular é fazer contas. Resolver problemas é tomar decisões fundamentadas, em todos os domínios da existência humana. Na vida social, é necessário dar solução positiva aos problemas e às crises. Uma solução é positiva quando produz o bem comum.

• Capacidade de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações: Na sociedade moderna, é fundamental a capacidade de descrever, analisar e comparar fatos e situações. Não é possível participar ativamente da vida da sociedade global, se não somos capazes de manejar símbolos, signos, dados, códigos e outras formas de expressão lingüística, buscando causas e possíveis conseqüências, colocando o fato no curso dos acontecimentos, dentro da história.

• Capacidade de compreender e atuar em seu entorno social: Compreender o entorno social é saber explicar acontecimentos do ambiente onde estamos inseridos. Atuar como cidadão é ser capaz de buscar respostas, de solucionar problemas, de operar, alterar e modificar o entorno. Significa ser sujeito da história.

• Receber criticamente os meios de comunicação: Um receptor crítico dos meios de comunicação é alguém que não se deixa manipular como pessoa, como consumidor, como cidadão. Os meios de comunicação produzem e reproduzem novos saberes, éticas e estilos de vida. Ignorá-los é viver de costas para o espírito do nosso tempo.

• Capacidade para localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada: Num futuro bem próximo, será impossível ingressar no mercado de trabalho sem saber localizar dados, pessoas, experiências e, principalmente, sem saber como usar essa informação para resolver problemas. Será necessário consultar rotineiramente – muitas vezes pela internet – bibliotecas, hemerotecas, videotecas, centros de informação e documentação, museus, publicações especializadas etc.

• Capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo: Saber associar-se, trabalhar e produzir em equipe são capacidades estratégicas para a produtividade e fundamentais para a democracia. Essas capacidade se formam cotidianamente através de um modelo de ensino-aprendizagem autônomo e cooperativo, em que o professor é um orientador e um motivador para a aprendizagem.


Dinâmica

Material: quadro-negro, folha para cada participante, lápis e papelógrafo.

Desenvolvimento

1. Grupo em semicírculo em frente ao quadro;

2. Distribuir para cada participante uma folha de papel e um lápis;

3. O coordenador/a escreve no quadro JUVENTUDE, pedindo ao grupo que crie novas palavras, utilizando-se das letras que compõem esta palavra. As palavras criadas devem ter relacão com esta fase da vida. Deixar claro que é preciso respeitar o número de vogais e consoantes contidas na palavra matriz, ou seja, as palavras criadas nao devem ultrapassar o número de letras existentes na palavra original. Listar o maior número possível de palavras. Tempo.

4. Cada participante lê sua lista de palavras, enquanto o coordenador/a as escreve no quadro.

5. Formar subgrupos, solicitando que tentem construir uma frase sobre a juventude, que contenha o maior número possível das palavras ditas.
Escrever no papelógrafo.

6. Apresentacão das frases feitas pelos subgrupos.

7. Fechamento: o coordenador/a ressalta nas frases apresentadas os pontos mais significativos e a sua relacão com o tema ’o jovem e as exigências do século XXI’.

Fonte: Adaptação dos “Códigos da Modernidade”, de José Bernardo Toro (da Fundación Social da Colômbia), traduzidos por Antonio Carlos Gomes da Costa para a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho.

Dinâmica publicada no Caderno Pedagógico do Consórcio Social da Juventude - RS.

Dica de Sites

www.observatoriodaeducacao.org.br – tem como objetivo central favorecer a intervenção pela sociedade civil na definição e implantação de políticas educacionais.

www.acaoeducativa.org.br – como um importante instrumento de atuação e informação, a Ação Educativa busca promover os direitos educativos e da juventude. No portal encontram-se projetos, notícias, pesquisas e também boletins e notas de opinião que tratam de diversos temas relacionados aos direitos educativos e da juventude.

www.edukbr.com.br – propõe inúmeros projetos, dicas e atividades para auxilio aos professores.

prossiga.ibict.br/bibliotecas/ - Bibliotecas Virtuais Temáticas que reúnem e organizam informações presentes na Internet sobre determinadas áreas do conhecimento.

Humanização da convivência

Enildes Corrêa

“No momento em que você começa a se amar, a se aceitar, a mente que se apresenta como inimiga começa a ficar sua amiga. Quando você se aceita, esta transformação acontece por si mesma e a mente começa a ficar silenciosa, naturalmente”.

Hoje, fala-se muito a respeito da aceitação da diversidade para que haja paz na convivência humana. Porém permanece a questão: onde e como se aprende a importância de viver em harmonia e unidade com a vida que se expressa através de nós e de tudo e todos que nos cercam?

Será que somos ensinados de forma efetiva a aceitar, a compreender, a valorizar cada pessoa na sua própria e única expressão, independentemente de raça, nacionalidade, religião, credo, orientação sexual e status social? Temos aprendido que cada pessoa é uma expressão original e singular, necessária à vida do jeito que é? Que não somos fotocópias uns dos outros, mas uma obra-prima de Deus?

Dessa forma, querer que alguém de natureza A seja igual a de natureza B é reprimir e sufocar a singularidade, os talentos e a potencialidade de cada expressão. A comparação é um veneno para a autoestima.

E muitos, ao sentirem a rejeição no ambiente familiar, escolar, profissional e social, adquirem a doença do “tornar-se” alguém diferente de si próprio. Não aceitar e negar a própria expressão faz nascer o ódio por si mesmo ao invés do amor. Essa é uma das raízes do ódio interno, que, consequentemente, será manifestado na relação com o outro, no convívio social.

O “tornar-se” exige grande esforço e cria distúrbios psicológicos, que deixam a visão turva e criam uma percepção distorcida da realidade. Um dos maiores desconfortos que um indivíduo pode ter é a não aceitação de si mesmo, o que acarreta muitas tensões e perturbações emocionais, mentais e energéticas. O amor não floresce na condição de não aceitação.

O ser humano tem necessidade de ser aceito, acolhido, reconhecido e amado do jeito que é, o que contribui para seu estado de felicidade e fortalecimento interior – quer seja criança ou adulto. Aliás, acolher incondicionalmente alguém com consideração é um ato sagrado.

A humanização da convivência passa obrigatoriamente pelo ato de acolher o próximo de igual para igual, com compreensão e respeito à especificidade de cada um. Vale lembrar estas palavras de Gabriel Garcia Márques: Aprendi que um homem só tem o direito de olhar o outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

Para que haja paz no convívio social, ao invés de conflitos e agressões, é essencial aprender desde cedo a relacionar-se consigo mesmo de maneira harmônica. Para tanto, a autoaceitação com amor é o principal entendimento.

A autoaceitação em nível físico, emocional, mental e espiritual fortalece a autoestima e a autoconfiança, constroi a base da amizade interior, mantém-nos simples, relaxados, criativos e permite-nos viver em sintonia com a vida que se manifesta no aqui e agora. A autoaceitação – o Sim para a nossa expressão - propicia-nos uma constante sensação de preenchimento e assentamento interior. Assentamo-nos no conforto e no silêncio do nosso Ser - bálsamo para as nossas inquietações e angústias.

Para sermos amigos de nós mesmos e tratarmos o outro como semelhante, ao invés de concorrente, é fundamental esse primeiro passo, dado dentro de nós. Então, torna-se natural a prática do ensinamento que Jesus Cristo nos deixou: Ama o próximo como a ti mesmo.

Ao crescermos em autoaceitação, todas as virtudes que buscamos manifestam-se em nós por si mesmas. Lamentavelmente, esse é um ensinamento que passa distante da família, das escolas e das religiões. E essa deveria ser a aula inaugural na nossa educação, pois a escada que nos conduz ao alto, ao despertar da consciência plena, à harmonia e à comunhão com toda a Existência é construída a partir deste primeiro degrau.

Kiran Kanakia, místico sufi indiano, estimula-nos com seu exemplo:

No dia em que me tornei amigo de mim mesmo, todos se tornaram meus amigos. Não há ninguém que esteja abaixo ou acima de nós. Somos todos expressão da vida, daquela divindade. Mas você tem que vir para o ponto em que se torna amigo de si mesmo.

Namastê!

BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA é Administradora e Prof. de Yoga. Ministra seminários vivenciais às organizações governamentais e privadas.

Reino Unido impede 470 escolas de aceitar estrangeiros

BBC Brasil

Mais de 470 instituições de ensino da Grã-Bretanha foram impedidas, nos últimos seis meses, de aceitar novos alunos de países de fora da Europa, segundo informa o Ministério do Interior britânico. As instituições, que oferecem cursos de línguas, profissionalizantes e cursos preparatórios para a entrada em universidades, ou tiveram suas licenças revogadas, ou não aderiram a um novo esquema de inspeção, que faz parte dos esforços do governo para evitar abusos contra o sistema de imigração, e com isso não puderam matricular os alunos.

O ministério estima que, caso não tivessem sido impedidas, essas escolas poderiam ter levado ao país 11 mil estudantes nesse período. O ministro da Imigração britânico, Damian Green, diz que as mudanças no sistema estão começando a gerar resultados.

Regras mais rígidas foram introduzidas este ano para a concessão de vistos de estudantes. Elas visam eliminar cursos que estivessem envolvidos em tentativas sistemáticas de levar trabalhadores para dentro da Grã-Bretanha ao ajudá-los a se fazer passar por estudantes. As medidas pretendem assegurar que os estudantes saibam verdadeiramente falar inglês, que os cursos tenham credibilidade e que os administradores das instituições cumpram com suas obrigações junto à imigração e à concessão de vistos.

As licenças de 302 dessas escolas foram revogadas. Outras 172 instituições tiveram a permissão de continuar dando aula a estudantes já matriculados, mas autoridades afirmam que elas não podem mais aceitar alunos novos de fora da Europa.

Neste ano, a Agência de Fronteiras da Grã-Bretanha investigou mais de cem instituições de ensino, depois que autoridades registraram um grande aumento nos pedidos de vistos de estudantes vindos do sul da Ásia, pouco antes que a rigidez das normas fosse intensificada. Durante a investigação, a agência descobriu que um dos candidatos a estudante, entrevistado por telefone, conseguia responder à maioria das questões apenas com a palavra "alô". Em outro caso, uma escola de Norfolk (leste da Inglaterra) registrou alunos que alegavam viver em Glasgow, na Escócia.

Resultados
Os 11 mil alunos barrados pela perda de licença das instituições representam cerca de 4% de todos os vistos de estudantes concedidos no país, mas o ministro da Imigração afirma que as mudanças no sistema estavam começando a dar resultados. "Muitas instituições ofereciam a estudantes de fora um serviço de imigração em vez de educação, e muitos estudantes vieram à Grã-Bretanha com o objetivo de conseguir empregos e trazer familiares", disse Damian Green.

"Somente provedores de educação de primeira classe devem ter licenças para bancar estudantes estrangeiros. Nós restringimos as oportunidades para trabalhar durante o período de estudos e para trazer familiares (ao país)", afirmou.

"É essencial que o governo pense na maneira como as regras serão comunicadas externamente", disse Nicola Dandridge, presidente da Universities UK (uma associação que reúne universidades britânicas). "É importante que a Grã-Bretanha aparente estar 'aberta para negócio' àqueles indivíduos que estão genuinamente comprometidos em vir ao país para estudar em uma de nossas respeitadas universidades", afirmou.

"Nós também devemos estar conscientes do impacto que os cortes nos cursos preparatórios estão impondo às nossas universidades", disse Dandridge. Segundo ele, muitas instituições possuem programas de acesso à educação de nível superior, garantidos por vários tipos de financiadores.

MEC inclui mais oito instituições no repasse de verbas do Pronatec

G1

O Ministério da Educação atualizou uma portaria de 28 de novembro que anunciou os repasses do governo federal a instituições parceiras do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). A portaria foi republicada na edição desta segunda-feira (5) do "Diário Oficial da União" e incluiu oito novas instituições.

Com a alteração, são 22 as universidades, centros universitários e faculdades que vão receber, neste ano, os repasses para oferecer bolsas de formação a estudantes de trabalhadores matriculados em cursos de ensino técnico "para as turmas que já iniciaram ou iniciarão em breve", segundo o MEC.

Ao valor anunciado anteriormente o ministério somou R$ 7.193.210,00. O total de repasses neste ano é de R$ 458.337.714,00.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), ligada ao ministério, a republicação não foi uma correção, mas uma atualização para incluir turmas que também se conveniaram com o MEC. Ainda segundo a Setec, não estão previstos novos repasses para 2011.

Sistema S
O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que integram o Sistema S, receberão 90% desse dinheiro.

Os institutos federais Catarinense, do Rio de Janeiro, do Pará, do Amapá, de Pernambuco, de Mato Grosso do Sul, do Piauí, de Rondônia, do Acre e do Maranhão, além da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Colégio Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, também foram incluídos na portaria original.

Na republicação, foram incluídos os institutos federais Ceará, Farroupilha, Fluminense, Mato Grosso, Paraíba, Sertão Pernambucano, Tocantins, além da Universidade Federal de Alagoas.

Um novo convênio da UFRN também foi adicionado. O MEC aumentou ainda a carga horária destinada às turmas do IF do Rio de Janeiro que, portanto, recebeu acréscimo de R$ 185 mil no convênio.

Segundo a portaria, os R$ 458 milhões se referem a 53.922.084 horas de aula, ou R$ 8,50 por aluno por hora. Veja abaixo a lista das instituições atualizada pelo MEC nesta segunda-feira, e quanto cada uma vai receber:

R$ 24 bilhões até 2014
O Pronatec foi sancionado há um mês pela presidente Dilma Rousseff. O programa prevê investimentos de R$ 24 bilhões até 2014 para gerar 8 milhões de vagas em cursos de formação técnica e profissional, destinados a estudantes do ensino médio e trabalhadores. Segundo o governo, serão 5,6 milhões de vagas para cursos de curta duração e 2,4 milhões de vagas para cursos técnicos, com duração de pelo menos um ano.

De acordo com o Ministério da Educação , a proposta do Pronatec é reforçar os investimentos no ensino técnico, com ênfase nos jovens que deixam o ambiente escolar sem profissionalização. O programa tem como objetivo ampliar as vagas e expandir as redes estaduais de educação profissional.

Segundo o governo, a ideia é “dar mais celeridade” ao acordo firmado no governo anterior com o Sistema S (que, além do Senai e do Senac, incluem ainda o Sesi e o Sesc e Senac), segundo o qual essas entidades devem aplicar dois terços de seus recursos advindos do imposto sobre a folha de pagamentos do trabalhador na oferta de cursos gratuitos.

Dessa forma, as escolas do Sesi, Senai, Sesc e Senac receberão alunos das redes estaduais do ensino médio, que complementarão a sua formação com a capacitação técnica e profissional.

As escolas do Sistema S e das redes públicas também ofertarão cursos de formação inicial e continuada para capacitar os favorecidos do seguro-desemprego, reincidentes nesse benefício

MT- Alunos recebem certificado de Programa de Resistência às Drogas

Redação 24 Horas News

Cerca de 2,5 mil alunos, de 23 unidades da rede municipal de ensino da capital, participam às 8h30, desta quarta-feira (07-12), no Ginásio Verdinho, da formatura geral do Programa Educacional de Resistências às Drogas e a Violência (Proerd) 2011.

O programa é desenvolvido pela Secretaria de Educação de Cuiabá (SME) em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça de Segurança de Mato Groso (Sejusp). O objetivo principal é orientar os alunos sobre a questão das drogas e da violência, informando os males que elas causam na vida do ser humano e, consequentemente, na sociedade.

A parceria existe desde 2000 e trabalha com alunos do de 5º e 9º ano, que recebem orientações de cidadania e prevenção às drogas. A duração do curso é de três meses.

A mágica do saber

José Ventura Filho

De volta às aulas, deparo-me com as melhores lembranças do meu tempo de criança que hoje cristaliza todo o meu jeito de ser, vindo dos ensinamentos obtidos dos livros didáticos e das aulas ministradas por notáveis professores que desprendiam toda dedicação...

Lembro-me do cheiro dos livros, gizes, lousa, lanches, jogos, brincadeiras, cartilhas; dos cadernos de lição, de desenho e de caligrafias, todos em brochuras; das expectativas em torno dos novos professores e colegas de classe...

Não esqueço, também, dos livros padronizados com temas atualizados, abordando assunto geral, de divulgação técnica e científica, servindo de ano para ano, do ensino infantil ao universitário, onde as despesas diminuíam sensivelmente... O que atualmente não os vejo...

Era um mundo mágico onde o processo de conhecimento e de criatividade caminhavam juntos com a nossa própria realidade...

Existiam suas falhas e enormes eram as migalhas de aplicação dos recursos públicos para com as instituições em nível do ensino básico, fundamental e médio, mesmo com os esforços dos pais do alunado e dos dirigentes daqueles estabelecimentos educacionais...

Hoje, com Programas Governamentais e o uso da mídia, não vislumbro otimismo quanto ao desenvolvimento na área educacional, bem como na política ora desenvolvida na questão da remuneração e qualificação dos professores. Há um espaço a ser desejado e preenchido...

É necessário trazer às salas de aulas, além dos livros didáticos, maiores investimentos no campo profissional e científico e nos materiais acessíveis às informações para que possam atingir com rapidez um processo de aprendizagem mais globalizado, sistematizado e eficaz, a fim de afastar o nosso país de um ensino estagnado.

Gratidão é colocar-se a serviço dos outros

José Carlos Fernandes da Silva

Por conta da realidade de violência em que vivemos, nem sempre é fácil perceber a gratidão. Mas, olhando na experiência do dia a dia, as pessoas demonstram gratidão de diversas formas em atitudes de doação e afeto para com os outros. A solidariedade também é uma forma de gratidão a Deus.

No meu caso, por exemplo, enquanto deficiente, sou grato quando as pessoas me oferecem ajuda. Por me sentir ajudado, acolhido e observado, eu também me sinto obrigado a agradecer às pessoas, o que também ajuda na minha maneira de rezar. A minha oração é de gratidão porque Deus se manifesta através das pessoas. E vivencio isso, pois há 14 anos estou com dificuldade de andar, mas fiquei dois anos paraplégico. E então fui descobrindo a sensibilidade e como as pessoas são capazes de ser gentis.

Atitudes de humildade e louvor

A doação para os outros pode ser uma atitude de gratidão por algo recebido, mas é algo mais amplo do que isso. Nas pessoas gratas há, sim, esse aspecto da retribuição: por ter recebido algo, devolve por gratidão. Contudo é algo que extrapola a atitude de dar e receber.

Posso demonstrar gratidão às pessoas por simpatia, por achar que algumas merecem o meu amor ou por sentir amor por elas. Por exemplo, numa relação de marido e mulher, eles se doam porque se amam. Quando a pessoa ama, se sente no dever de ser grata por ser amada.

A partir do momento em que tomamos consciência de que somos limitados, nos abrimos para aceitar o afeto e a ajuda do outro e de Deus. E isso torna-nos humildes, fazendo-nos reconhecer que somos necessitados. Nesse sentido, a humildade é um elemento importante no processo de gratidão. Ao mesmo tempo em que podemos contar com o outro para as nossas necessidades, nos sentimos gratos e no dever de retribuir de alguma forma.

A gratidão pode ser encontrada em diversos trechos da Bíblia. No Novo Testamento, por exemplo, gosto muito da passagem quando Jesus diz, em uma atitude de louvor: “Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21). No evangelho de Lucas (17,11-19) também é narrado o episódio em que Jesus cura dez leprosos, mas apenas um retornou para agradecer. A carta de São Paulo aos Coríntios, no capítulo 13, quando fala das características do amor, ajuda a nos mantermos humildes, necessitados da graça de Deus e desafiados a retribuir as benesses recebidas.

Cuidar da natureza, cuidar da vida

O próprio São Francisco, na maneira de se relacionar com a natureza e com os seus contemporâneos, revela uma gratidão ao Criador. Hoje, entretanto, quando se observa a questão do desmatamento e das catástrofes ambientais, pode-se pensar que o ser humano não tem sido muito grato por tudo que recebe de Deus. Parece que as pessoas não estão mais ligando para nada, que perderam o sentido da vida e a banalizaram.

Mas podemos olhar também para as pessoas que se colocam em defesa do meio ambiente. O Brasil está cheio de pessoas que cuidam da natureza com carinho. Há pessoas, inclusive, que se tornam mártires dessa causa, como o casal José Cláudio e Maria do Espírito Santo, assassinados em maio, no Pará.

Reconheço as situações negativas, mas vejo também pessoas e entidades que se colocam a serviço da natureza e da vida humana. É um trabalho lento, que requer paciência, especialmente de quem espera resultado imediato ou lucro.

Também o jovem é sensível para as necessidades do outro e para os problemas sociais e ambientais. O jovem também é sensível à gratidão e responde positivamente se for convidado a uma ação concreta. Mas, para isso, ele necessita de referências, de alguém que caminhe ao seu lado, sem tomar o seu lugar nas ações.


AtividadeEu agradeço
Na tradição judaica e cristã, ação de graças é o ato de louvar e bendizer a Deus, fonte de toda vida. Mais do que proferir palavras e orações, ação de graças é um modo de viver e de ser, no qual prevalece o sair de si, o servir e a partilha, pois, como diz o profeta Amós: “Eu quero, isto sim, é ver brotar o direito como água e correr a justiça como riacho que não seca” (Am 5, 24).
Sugerimos ler, recitar e rezar o poema Humildade, da poetisa Cora Coralina, agradecendo o pouco que temos e todas as manifestações de pessoas que defendem a vida.
Humildade (Cora Coralina)
Senhor, fazei com que eu aceite
Minha pobr eza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
E se perdeu por caminhos er rados
E nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
Seja como a chuva desejada,
Caindo mansa.
Longa noite escura
Numa terr a sedenta
E num telhado velho.
Que eu possa agradecer a vós,
Minha cama estreita,
Minhas coisinhas pobr es,
Minha casa de chão,
Pedr as e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
Debaixo do meu fogão de taipa,
E acender, eu mesma,
O fogo alegre da minha casa
Na manhã de um novo dia que começa.

José Carlos Fernandes da Silva,
frei franciscano da Província Santo
Antônio do Brasil, Lagoa Seca, PB.
Endereço eletrônico: carlosfernandes25@yahoo.com.br
Artigo publicado na edição nº 419, jornal Mundo Jovem, agosto de 2011, página 17.

Alunos melhoram habilidades de leitura e escrita com jornal

Luan Santos

Política, economia, esportes e cultura são algumas das seções de um jornal impresso. É uma fonte rica de informações acerca do que acontece na sociedade local e mundial. Mas o jornal não é apenas utilizado como informação, ele é também uma rica ferramenta pedagógica. E o Programa A TARDE Educação está disseminando esta prática e os resultados continuam a aparecer.

Na cidade de Crisópolis, a 215 km de Salvador, o jornal está sendo utilizado em sala de aula pelos professores. Na Escola Municipal Caio Caldas Sobrinho, a professora Mariluce Souza resolveu por em prática sua criatividade com o jornal em sala de aula com alunos do sexto ano do ensino fundamental. Primeiro, ela explicou como é a estrutura de um jornal, passando por todas as seções que formam o periódico. Em seguindo, realizou uma atividade chamada “Lendo Através de Imagens”, com o objetivo de promover maior proximidade dos alunos com o jornal.

“Desta forma, proporcionamos um conhecimento mais amplo das informações contidas no jornal, focando nas imagens e estimulando nos alunos o interesse pela leitura e produção de textos”, relata a professora. Para desenvolver esta atividade a turma foi dividida em grupos de quatro alunos, sendo que cada grupo recebeu um exemplar de A TARDE. De forma dinâmica e criativa, os alunos selecionaram imagens de matérias atuais e através dessas imagens criaram os seus textos.

Desta forma, os alunos criaram textos baseados nas imagens que selecionaram e na breve leitura que fizeram dos textos. “Conclui que o objetivo proposto na atividade teve um bom resultado. Os alunos aprenderam a ler o jornal com uma outra visão e fazer a leitura de imagens, que antes não faziam”, conta Mariluce.

Segundo ela, a atividade estimulou os alunos para que lessem mais, de maneira que melhoraram seu desempenho em sala de aula em relação à leitura e escrita. “Percebi também que através deste trabalho houve maior interesse pela leitura e escrita, pois agora leem e produzem com um outro olhar”, diz.

Sobre o A TARDE Educação

O programa A Tarde Educação é uma iniciativa de A TARDE e visa levar o periódico impresso às escolas, de maneira a democratizar a informação e incentivar a construção de novos leitores. Foi implantado há 15 anos e atende hoje a mais de 3300 escolas das redes estaduais e municipais de ensino nas 40 cidades baianas em que está presente. As instituições integradas ao programa recebem diariamente o periódico impresso para ser utilizado em sala de aula.

Autoestima e Aprendizagem

Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2011

Maria Irene Maluf

Como professora e como psicopedagoga, venho a cada dia me preocupando mais com a questão da baixa autoestima de nossas crianças e jovens. Percebo que essa pode ser uma importante agravante dos problemas de desenvolvimento pessoal, escolar, profissional e da atuação social de muitas crianças, jovens e adultos e que atinge mais rudemente aqueles cujo comportamento, performance acadêmica ou características singulares, demandem atendimentos especiais.

De importância vital para a saúde mental, a autoestima nem sempre é cuidada com a atenção devida e como é comprovadamente um suporte importante para o sucesso da aprendizagem, torna-se um assunto relevante para todos os professores e psicopedagogos.

A partir do nascimento, a criança vai formando uma representação mental de si mesma, que transcende o aspecto físico e envolve os sentimentos e as idéias que constrói a seu próprio respeito. Esta estrutura mental, também chamada deautoconceito, forma-se a partir das mensagens objetivas e subjetivas que o meio ambiente, a família e depois a escola, lhe envia a cada momento e do modo como a própria criança se percebe.

Simultaneamente a criança vai construindo uma imagem ideal da pessoa que gostaria de ser. Da comparação entre a imagem que foi formada através do autoconceito com essa outra imagem internamente idealizada, é que se começa a formar a autoestima, que é em última instância uma manifestação afetiva da pessoa a seu próprio respeito.

Essa questão é facilmente ilustrada pela observação de crianças e jovens com Transtorno do Déficit da Atenção com ou sem Hiperatividade-TDAH, que na sua maioria acabam por apresentar problemas de baixa autoestima. As causas são diversas, desde o fato de receberem muitas advertências e informações seguidas, no sentido de controlarem seu comportamento irriquieto, impulsivo e desatento, como também por se perceberem geralmente pouco populares e queridas entre seus iguais, devido ao seu modo de agir.

Crianças e jovens com TDAH, possuem ao longo da carreira acadêmica, uma chance muito grande de alcançarem resultados pedagógicos abaixo da média e receberem no dia a dia uma série de sinais de que são indesejados, pouco confiáveis e inadequados. São freqüentemente crianças mais difíceis de educar, de aprenderem a cumprir regras, aceitarem normas e acabam por exasperar pais e professores.

Os adultos que os cercam não percebem geralmente, o seu empenho para agradar, para fazer amigos, para controlar a sua própria atenção e até para avaliar objetivamente o resultado de seus trabalhos escolares, etc, o que aumenta a cada dia sua insegurança, sua ansiedade e sensação de frustração. Para eles o esforço realizado é enorme e o resultado, quase sempre medíocre.

Sabemos que tanto na família como no contexto escolar muito cedo se ensina às crianças, qual é o modelo de aluno exemplar. Ao comparar seus resultados pedagógicos e comportamentais com os dos seus colegas e com essa imagem de ideal delineada desde cedo, é de se esperar que sendo inteligentes, os alunos portadores de TDAH, percebam que por algum motivo que não compreendem, estão em desvantagem e que correr atrás do prejuízo, não resulta em melhoria alguma, pois sempre parecem cometer enganos independentes de sua vontade.

A idéia que fazem de si próprios começa rapidamente a ser destruída pelas mensagens do meio, seja de seus professores ou colegas ou mesmo pais e essas são razões mais do que suficientes para explicar o grande número de alunos portadores de TDAH que acabam precisando de ajuda especializada. Sentem-se injustiçados, incompreendidos, destinados ao fracasso, o que só aumenta sua frustração e a certeza de que são incapazes, gerando um ciclo vicioso impulsionado e alimentado pela baixa autoestima que se instala. Com a falta de motivação decorrente, em geral terminam por abandonar as tarefas diante da primeira dificuldade e se escondem por detrás de um comportamento cada vez mais inadequado.

Para melhorar essa questão algumas medidas podem ser adotadas por professores e familiares, entre elas:

- O hábito de elogiar os aspectos mais positivos e as condutas mais próximas da adequada até para que a criança perceba melhor como comportar-se e o que esperam dela na prática;

- Agir empaticamente com a criança, mostrando sua compreensão e seu apoio, enaltecendo todos os pequenos sucessos e deixando para criticar apenas os grandes deslizes: saber tolerar suas dificuldades e dar atenção aos comportamentos indesejados apenas quando muito importantes, diminuirá sensivelmente a sua sensação de fracasso e seus rompantes comportamentais;

- Respeito é básico e as mensagens de advertência devem ser feitas ao comportamento e nunca à criança e sempre de modo carinhoso e calmo;

- Apontar diferenças entre irmãos ou colegas é outro erro que somente aumentará o problema. É preferível elogiar os aspectos positivos de cada criança e usar deles e até das características menos brilhantes como uma vantagem num projeto comum: se um escreve com facilidade, o colega desenha bem, o outro tem idéias criativas, etc,. Veja que bela equipe de trabalho pode ser formada!;

- Incentivar o comprometimento de cada aluno dentro de suas facilidades naturais ou aptidões já adquiridas no trabalho escolar, gera motivação, empenho e desejo de aprender mais. Poucas pessoas sentem-se empolgadas ao deparar-se com dificuldades muito acima de suas potencialidades;

- Ensinar a reconhecer os seus limites momentâneos, tanto nas dificuldades pessoais quanto acadêmicas, é o melhor para criar o desejo de superá-lo;

- Ter sempre em mente que o grande professor, é aquele que faz a diferença na vida do aluno,porque o ajudou a vencer, não aos outros, mas a si mesmo!


Maria Irene Maluf irenemaluf@uol.com.brPedagoga, especialista em Educação Especial e Psicopedagogia.

MT- Após 30 dias, servidores da Secitec continuam em greve

Paralisação seria a mais longa da história de Mato Grosso

Servidores estão em greve há mais de 30 diasDA REDAÇÃO

Após trinta dias em greve, os servidores efetivos das Escolas Técnicas Estaduais, ligados à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, alegam não terem sidos procurados ainda por nenhum representante do Estado para negociar com a categoria.

Para o servidor da Unidade de Rondonópolis Gleyson Cezar Leme da Silva, “será difícil a justiça declarar a greve ilegal, uma vez que apenas os servidores efetivos estão em greve, ou seja, a minoria. “Sem falar que o ato ilegal está sendo do Governo do Estado que recusa a dialogar com a categoria e que nunca nos deram nenhuma resposta".

Essa é a segunda greve dos servidores este ano, a primeira ocorreu em julho por tempo determinado. Desta vez eles prometem ficar em greve até que tenham as suas reivindicações atendidas.

De acordo com o presidente do Sindicato da categoria, Valdivino de Souza Barbosa, “caso o governo continue negligenciando, esta poderá se tornar a greve mais longa da história do estado de Mato Grosso”.

Além de um novo PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários) a categoria luta pela realização de um novo concurso público, pela implantação da gestão democrática nas escolas, um programa de qualificação profissional para técnicos e professores e um aumento nos investimentos nas Escolas Técnicas garantidos em lei.

As aulas nas escolas continuam, pois a maior parte dos servidores são contratados, e sendo assim, não podem aderir à greve. Porém alguns atendimentos técnicos administrativos executados por efetivos e as aulas ministradas por professores efetivos estão paralisados.

TV Escola vai adotar plataformas interativas na programação em 2012

A TV Escola do Ministério da Educação (MEC) prepara-se para atuar, a partir do próximo ano, como uma plataforma interativa de distribuição de conteúdo audiovisual. Com isso, pretende aprimorar a aprendizagem e as práticas de ensino.

A proposta da TV Escola, agora subordinada à Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC, ganha impulso a partir das idéias e experiências sobre interatividade, convergência de mídias e produção de conteúdos digitais para as escolas públicas compartilhadas no encontro Educação e Novos Paradigmas (EduTec), realizado nesta terça-feira, 6, no Rio de Janeiro. As discussões sobre inovações tecnológicas desenvolvidas em várias partes do mundo e suas múltiplas utilizações na educação já induzem a mudanças, como a que se propõe a TV Escola.

Ao longo deste ano, foi desenvolvido trabalho específico de avaliação de um novo formato para ela, até se chegar à realização do encontro da EduTec. “A TV Escola, agora sob a coordenação da SEB, é uma agenda urgente para a educação”, afirma a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. “Queremos explorá-la da melhor forma possível para que seja um avançado espaço de diálogo e aprofundamento da educação, com a participação de todos.”

CE aprova novos critérios para compra e distribuição de material didático na rede pública de ensino

Os programas federais de seleção, aquisição e distribuição de material didático-escolar para a educação básica deverão se submeter a novos critérios e diretrizes. Segundo a Agência Senado, essa mudança vai alcançar a destinação de livros, obras de referência, periódicos e material de apoio pedagógico a alunos e professores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, incluindo a educação de jovens e adultos.

A medida deverá beneficiar estudantes da rede pública e de escolas sem fins lucrativos conveniadas com o governo e está prevista em projeto de lei (PLS 415/11) do senador Paulo Bauer (PSDB-SC) aprovado terminativamente, na terça-feira (6), pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

Para receber esse material, as escolas federais, estaduais e municipais - além das conveniadas - deverão firmar termo de adesão específico. Seu processo de aquisição e distribuição levará em conta os registros oficiais do censo escolar relativos ao número de alunos matriculados e professores em exercício.

O projeto também deixa expressa a responsabilidade de a União, os estados e os municípios atuarem em regime de colaboração para assegurar que esse material didático-escolar chegue às escolas antes do início das atividades letivas.

MT- Abertas inscrições para curso de 2ª Licenciatura em História

Redação 24 Horas News

A Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a Universidade Federal do Mato Grosso, por meio do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor), oferecem 50 vagas para professores da rede pública de ensino interessados em obter segunda licenciatura em História. As aulas serão ministradas por professores doutores e mestres do Departamento de História da UFMT, campus Rondonópolis, e professores convidados.

As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de dezembro. Os candidatos devem ser portadores de diploma de curso superior em licenciatura plena; e professores da rede pública de ensino do Estado do Mato Grosso, que ministram ou ministraram aulas de História e são licenciados. Os interessados devem solicitar a ficha de inscrição pelo endereço eletrônico paulafaustinosampaio@yahoo.com.br e postar a documentação para o seguintes endereço:
Campus Universitário de Rondonópolis –UFMT – Departamento de História – Sala da Coordenação Rodovia Rondonópolis/Guiratinga – MT 270 – Km 06, Bairro Sagrada Família
Rondonópolis-MT - CEP: 787350-901

Após o período de inscrição, os 50 professores serão classificados a partir dos seguintes critérios: 1 - os primeiros 50 professores inscritos, considerando data e horário da inscrição; e 2 - ter ministrado aulas de História, comprovado por declaração das unidades de ensino público. A relação dos candidatos aprovados será divulgada no departamento de História até do dia 23 de dezembro.

O curso de 2ª Licenciatura em História será ministrado no campus universitário de Rondonópolis, pelo Departamento de História. O curso tem carga horária de 1.400 horas, dividida em quatro módulos. As aulas serão ministradas nos períodos de férias escolares, finais de semana e feriados (a ser decido com os alunos). O curso deve começar em janeiro de 2012 e terminar em fevereiro de 2014.

A Universidade Aberta do Brasil é um sistema integrado por universidades públicas que oferece cursos de formação universitária, por meio do uso da metodologia da educação a distância e modular. No caso do Parfor, têm prioridade de atendimento os professores da rede pública, seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos estados, municípios e do Distrito Federal.

Mais informações podem ser obtidas pelos endereços eletrônicos: uabufmtroo@gmail.com e paulafaustinosampaio@yahoo.com.br ou pelos telefones: (66) 8128 7565 (professor Luciano Carneiro) – Departamento de História/UFMT; (66) 9625 4353 (professora Paula Sampaio) – Departamento de História/UFMT; (66) 8418 3317 (professor Jairo Fleck) – Departamento de História/UFMT; e (66) 8112 0347 (professora Thaís Leão)

MT- Programa alfabetiza alunos da Zona Rural de Nortelândia

Redação 24 Horas News


A Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Nortelândia desenvolve num regime de colaboração com o Governo Federal e Estadual, o Programa Brasil Alfabetizado, que objetiva erradicar o analfabetismo no Brasil e especificamente no município.

Em Nortelândia o projeto é coordenado pela professora Brunna Quinteiro e ministrado pelas educadoras Suelen Rodrigues e Daiane Augusta, que neste ano de 2011, alfabetizaram 22 alunos do Assentamento Raimundo da Rocha (Barreirão) na Zona Rural, onde vivem 194 famílias.

A Secretária Municipal de Educação, Marlene Júlia Scarpat, destacou a importância do programa para a sociedade, principalmente para aqueles que por motivos diversos, não tiveram na infância a oportunidade de sentar num banco de escola, e agora podem aprender o alfabeto e a junção das letras que formam palavras, frases e consequentemente conseguir ler e escrever.

“As pessoas se sentem felizes quando conseguem ler e escrever, visto que muitas se quer sabiam escrever seu próprio nome. O mundo para elas sofre uma transformação muito grande” sintetizou a titular da Educação em Nortelândia.

O programa é voltado para alfabetização de jovens, adultos e idosos, se transformando em uma porta de acesso a cidadania, despertando nas pessoas o interesse pela elevação da escolaridade, descobrindo um novo mundo a sua volta e podendo entendê-lo melhor, facilitando inclusive tarefas básicas do dia a dia.

MT- Trabalhadores de Alto Boa Vista sofrem retaliação após fim da greve

Redação 24 Horas News


Os trabalhadores da educação de Alto Boa Vista, no Norte Araguaia de Mato Grosso. estão sofrendo retaliação da Prefeitura desde a suspensão do movimento grevista, no dia 21 de novembro. A greve durou 38 dias. As represálias vão desde o corte de ponto à portaria que designa mudança de cargo. A denuncia foi feita pela presidente da subsede dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), Elione José da Costa.

Ela disse que está inconformada com a política exercida pelo prefeito Wanderley Perin. “Sabemos que a ditadura militar acabou há décadas em nosso país, mas em Alto Boa Vista está ocorrendo barbaridades”, desabafou a sindicalista. ”Querem nos calar. Não fizemos nada de errado, apenas lutamos pelos nossos direitos que estão garantidos na Constituição Federal”, afirmou a presidente da subsede.

A vice-presidente da subsede de Alto Boa Vista, Almiria Rosa Francisca de Souza, é um exemplo das retaliações praticadas pela prefeitura municipal. Efetivada desde 2007 como agente administrativa, a sindicalista exerce cargos importantes na área da Educação no município, dentre eles: a presidência do Conselho Deliberativo da escola - eleita pela comunidade escolar; e membro suplente do quadro técnico administrativo do conselho Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) da Escola Municipal Betel.

Na assembleia em que foi deliberado o fim da greve, por motivo de saúde, Almiria Rosa não compareceu, porém a sua ausência foi justificada com a entrega de um atestado médico válido para o período de uma semana. Mesmo assim, ao retornar as atividades recebeu uma portaria comunicando a sua transferência para a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), cargo que não condiz com as suas especializações.

Com esta determinação, a trabalhadora é excluída do quadro educacional e não poderá ser beneficiada, conforme a Lei 12.014/2009. Graduada em Letras, Almiria Rosa tem especialização em Gestão Orientação e Supervisão Educacional. Na última terça-feira (29), a trabalhadora denunciou o caso ao Ministério Público Estadual (MPE) e espera retomar as atividades na área da Educação.

Dentre as reivindicações da categoria está a reestruturação do Plano de Cargos, Carreira e Salário (PCCS), com o enquadramento dos trabalhadores da educação. De acordo com a presidente da subsede, “agiram de má fé com a trabalhadora; ignoraram o lado humano” e todos os investimentos em formação da trabalhadora.

As retaliações continuam. Os trabalhadores da educação já haviam elaborado um novo calendário de reposição, aprovado pelos pais dos alunos, pelo Conselho Tutelar e protocolado junto à Promotoria da comarca de São Felix do Araguaia. Mesmo assim, o prefeito Wanderley Perin desconsiderou o documento e cortou ponto e salário dos trabalhadores.

MT- Alunos recebem certificado de Programa de Resistência às Drogas

Redação 24 Horas News

Cerca de 2,5 mil alunos, de 23 unidades da rede municipal de ensino da capital, participam às 8h30, desta quarta-feira (07-12), no Ginásio Verdinho, da formatura geral do Programa Educacional de Resistências às Drogas e a Violência (Proerd) 2011.

O programa é desenvolvido pela Secretaria de Educação de Cuiabá (SME) em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça de Segurança de Mato Groso (Sejusp). O objetivo principal é orientar os alunos sobre a questão das drogas e da violência, informando os males que elas causam na vida do ser humano e, consequentemente, na sociedade.

A parceria existe desde 2000 e trabalha com alunos do de 5º e 9º ano, que recebem orientações de cidadania e prevenção às drogas. A duração do curso é de três meses.

Riva destina emendas ao sistema socioeducativo de MT

Redação 24 Horas News


Um dos desafios do Governo do Estado é melhorar o sistema socioeducativo de Mato Grosso, que passa por sérias dificuldades para atender a demanda. Diante desse contexto, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PSD) destinou as emendas que tem direito para ajudar na reestruturação do sistema. Os recursos serão previstos na Lei Orçamentária Anual – LOA 2012, para garantir a execução das obras.

A primeira emenda de Riva adita ao Projeto de Lei 562/2011 da LOA 2012, de autoria do Poder Executivo, e destina à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos - SEJUDH, o montante de R$ 540 mil, da Reserva de Contingência, para o aparelhamento e readequação das unidades de internação da região metropolitana do Complexo Pomeri de Cuiabá.

Riva argumenta que na proposta apresentada pelo Governo foram alocados R$ 800 mil reais, que segundo ele, são insuficientes para a reestruturação do complexo que não dispõe de condições adequadas para a recuperação de adolescentes em conflito com a lei. “E a única alternativa para mudar esta realidade é adequar a estrutura existente aos parâmetros do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – Sinase”, diz trecho da emenda.

Riva também quer garantir na LOA, mais duas emendas para a construção de unidades descentralizadas socioeducativas, sendo uma em Tangará da Serra e outra em Sinop. Para isso, destinou R$ 2 milhões em emendas. A intenção é a de melhorar o sistema e ajudar o Governo a garantir o retorno dos menores infratores à convivência familiar, totalmente recuperados.

Também justifica que nessas cidades não há unidade socioeducativa, bem como não dispõem de espaço adequado para a internação de adolescentes em conflito com a lei. “A construção dessa unidade possibilitará atendimento digno aos adolescentes, possibilitando a recuperação para a reinserção na sociedade”.

CURSO – Riva também apresentou uma emenda que destina R$ 550 mil para a realização do curso de Formação de Sargentos. A iniciativa, segundo o presidente, vai assegurar o preenchimento das vagas existentes, já que desde 2002 o curso vem sendo adiado por medidas judiciais.

Aumento de investimentos em educação pode ficar aquém das expectativas

Agência Brasil



Uma diferença aparentemente sutil no futuro texto do Plano Nacional de Educação (PNE), apresentado ontem (6) na Câmara dos Deputados, poderá fazer a diferença de alguns bilhões de reais em investimentos na área. A proposta de substitutivo elaborada pelo relator, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), coloca como meta o investimento de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) considerando o investimento público total em educação. A proposta encaminhada pelo governo, no ano passado, falava em investimento direto em educação. A diferença entre os dois é que, no primeiro caso, são incluídos recursos públicos investidos em entidades privadas, em bolsas de estudo e até em contribuições sociais de aposentadoria de trabalhadores da área. Já no segundo, são contabilizadas apenas as verbas aplicadas diretamente no sistema público de educação.

Na prática, a mudança do conceito de investimento significa uma ampliação mais tímida dos recursos. Considerando o investimento público total, o patamar atual de investimento em educação é de 5,7% do PIB. A meta de investimento de 8% do PIB definida no relatório significaria, portanto, um crescimento de 2,3 pontos percentuais – enquanto a expectativa das entidades era que esse aumento fosse mais significativo.

Para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, principal entidade que articula a mobilização social em torno da aprovação do projeto, a mudança do texto foi uma “manobra contábil” para camuflar os investimentos reais. A entidade defende, junto com outras organizações da sociedade civil, que o patamar de investimento incluído no PNE seja de 10% do PIB.

O relator da proposta admite que a alteração do texto foi “fruto do processo de negociação” com o governo, mas nega que tenha sido uma manobra. Nas últimas semanas, Vanhoni adiou diversas vezes a apresentação do relatório do PNE porque não chegava a um consenso com o governo sobre a meta de investimento. A proposta inicial enviada pelo Executivo previa a ampliação dos investimentos para 7% do PIB, índice que foi aumentado para 8%. Essa expansão dos recursos deverá ser feita no prazo de dez anos, período que irá vigorar o novo plano. O projeto estabelece 20 metas educacionais que deverão ser alcançadas pelo país neste prazo. Entre elas, o aumento de vagas em creches, a ampliação de escolas em tempo integral e a expansão das matrículas em cursos técnicos.

O relatório apresentado ontem traz o custo financeiro de cada uma das 20 propostas. Segundo Vanhoni, a meta de investimento de 8% do PIB em educação é o suficiente para pagar as mudanças previstas no projeto, ainda que seja considerado o investimento total em educação e não o direto. “A discussão tem que ser feita em torno do plano de metas e não apenas de índices. O debate que a Câmara precisa fazer é quais as metas para as diversas modalidades para incluir desde as crianças até 3 anos a jovens de 18 a 24 anos no sistema educacional brasileiro e de qual valor nós vamos dispor para custear isso”, argumentou.

A vigência do antigo PNE terminou em dezembro de 2010 e, no momento, não há plano em execução. O impasse em torno do percentual de investimento pode deixar a aprovação para 2012. O texto ainda precisa ser apreciado pelo Senado.

MT- Cuiabá lança projeto inovador para preparar para concursos públicos

Da Redação

Está em processo de formatação, a licitação para escolha da empresa, que irá realizar a seleção de prestadores de serviços para ministrar aulas no Cuiabá Vest Concursos. O projeto, pertencente à Fundação Educacional de Cuiabá (Funec) foi autorizado pelo prefeito Francisco Galindo, nesta quarta-feira (07-12).

O Cuiabá Vest Concursos - curso preparatório para concursos públicos, em nível médio, será ofertado gratuitamente pela prefeitura da capital, nos mesmos moldes do Cuiabá Vest. Ao todo serão abertas 250 vagas, a previsão é que o pólo experimental comece as atividades em março do próximo ano. O local ainda está indefinido, entre o anfiteatro da Escola Estadual Presidente Médici e a sede da Funec.

Conforme o diretor executivo da Funec, professor Mário Nadaf, a seleção dos alunos deve ocorrer no início de março. A previsão é que aulas comecem na segunda quinzena do mesmo mês.

Cuiabá Vest

A Funec é a instituição da Prefeitura, responsável pelo Cuiabá Vest. O curso gratuito é uma complementação escolar, que visa preparar alunos da rede pública de ensino, que já concluíram ou ainda estão cursando o ensino médio, para o ingresso no ensino superior. Atualmente, o Cuiabá Vest atende a 2.530 alunos.

A Funec fica localizada na Rua Pedro Celestino, 26 – 1º ANDAR, no centro. O telefone: 3322-4775.

MT - Projeto Fortalecer reduz mais de 90% de evasão escolar

Da Redação

Criado para reduzir a evasão escolar na rede municipal de ensino na cidade de Várzea Grande, o projeto Fortalecer conseguiu reduzir em mais de 90% nos casos atendidos. Dos 2.345 alunos encaminhados pelas escolas, 2.202 deixaram de faltar as aulas depois da intervenção do projeto. Implantado em 2004 pelo Ministério Público Estadual, em parceria com a Prefeitura Municipal e Univag, o projeto Fortalecer atende hoje 47 escolas municipais e duas estaduais em Várzea Grande. Na noite desta terça-feira (06.12), os agentes voluntários que atuam no projeto receberam Certificados de Capacitação e Treinamento.

Para a coordenadora do projeto, procuradora de Justiça Silvana Corrêa Vianna, o resultado das ações deve-se à parceria entre as instituições e aos voluntários. “A finalidade é resgatar os valores da comunidade, da escola e da família. O Ministério Público não obteria êxito se não fosse a união de esforços dessas instituições e de pessoas que acreditaram que poderiam contribuir para a melhoria da educação. No início, tivemos muita resistência porque acreditavam que o projeto era uma espécie de fiscalização, porém, com o tempo, a comunidade escolar entendeu o nosso trabalho e nos recebe de braços abertos”, disse ela.

O projeto, que foi criado em agosto de 2004, desenvolveu um questionário para descobrir os principais motivos das faltas dos estudantes. Entre os problemas constatados estão o bullying, gravidez na adolescência, dificuldades em acordar cedo e falta de recursos para comprar roupas e materiais didáticos. “Outros problemas também foram identificados e encaminhados aos órgãos competentes para as devidas intervenções, como suspeitas de abuso sexual e de exploração sexual, uso de entorpecentes e negligência familiar”, informou a coordenadora do projeto
.
Para a diretora da Escola Municipal Antônio Joaquim de Arruda, Vanilda Pereira Batista, muitas vezes, os alunos faltam as aulas por falta de comprometimento dos próprios pais ou responsáveis. “Essa parceria é extremamente importante para garantir o aluno dentro da sala de aula. Todas as escolas que tiveram apoio do projeto Fortalecer tiveram a evasão escolar reduzida. Em 2010, por exemplo, a evasão na nossa escola foi de apenas 1%”, garantiu ela.

Além dos 31 agentes voluntários que trabalharam projeto, oito estudantes de Serviço Social da Univag também participaram das atividades e receberam Certificados. “A Univag terá um engajamento ainda maior no projeto Fortalecer. Além do curso de Serviço Social, queremos envolver estudantes de outros cursos para atuar e contribuir com as atividades”, enfatizou o professor de Direito da Univag, Ronan Jackson Costa, que representou o reitor do Centro Universitário.

Assim como a Univag, a Prefeitura de Várzea Grande também garantiu o compromisso com o projeto. “Em 2012, vamos continuar contribuindo com o Fortlecer. Isso é obrigação do poder público, que deve ofertar ensino de qualidade à população”, afirmou o prefeito municipal, Sebastião dos Reis Gonçalves. Já a representante do vice-governador, Chico Daltro, professora doutora da Universidade Federal de Mato Grosso, Rosângela Saldanha, ressaltou que o projeto deve ter continuidade em função do sucesso obtido. “A união de esforços possibilitou a mudança no comportamento dessas pessoas”.

“Com um baixo custo, o projeto surtiu um efeito muito grande, pois resgatou a dignidade e o exercício da cidadania. Isso tudo graças a visão dessas instituições e a paixão dos voluntários, que acreditaram que esse trabalho poderia modificar a realidade. Temos que acreditar que a escola pública pode melhorar e contribuir com essa transformação”, afirmou o titular da Procuradoria Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, procurador de Justiça Paulo Prado.

Também participaram da entrega dos Certificados os secretários municipais de Várzea Grande de Educação, Odenil Sebba, da Agência Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Desenvolvimento Humano, João Bulhões, e de Assuntos Estratégicos, Yênes Magalhães e o vereador e secretário de governo de Várzea Grande, Wilton Coelho e Coronel da Polícia Militar, Orestes de Oliveira.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

MT- Silval Barbosa inaugura escola na gleba Coqueiral e reforça que continuará investindo em educação

O governador Silval Barbosa participou neste sábado (03.12) da inauguração da Escola Estadual Cândido Rondon, na gleba Coqueiral, no município de Nobres, durante a Rota das Águas - Manso. O colégio conta com oito salas de aula, biblioteca, sala de informática, quadra coberta, em um investimento de R$ 1.302.712,42.

Silval Barbosa destacou a importância de um colégio com essa estrutura e a diferença que ela poderá fazer na formação dos alunos. “A comunidade precisava muito deste colégio e o povo merece. Além do turismo, da agricultura, nós precisamos investir na educação também. Contem com o governo no que for possível”, assinalou.

O secretário de Educação, Ságuas Moraes, destacou a estrutura da escola Cândido Rondon. “É uma estrutura completa, nós temos tudo para oferecer uma educação completa”, garantiu Ságuas ao lembrar que o seu sonho é que o padrão do novo colégio seja levado para todas as escolas rurais do Estado e pediu apoio da população para conservar este patrimônio do povo.

A diretora do colégio, professora Márcia Rosana, disse que sentiu uma alegria muito grande com a inauguração da nova escola. “Aqui nós temos alunos de todas as idades, de todos os lugares e eles estão empolgados com a estrutura. Nossa escola é muito mais do que apenas um lugar de encontro”, completou a diretora, que foi homenageada pelos 25 anos de serviços prestados à educação em Mato Grosso.

Silval e a comitiva de deputados, secretários de Estado, autoridades locais e imprensa conheceram as salas da escola, todas equipadas com materiais novos, e assistiram apresentações culturais, uma apresentação teatral de alunos do colégio e a execução do hino de Nobres na viola de cocho.

Acompanharam o governador durante a Rota das Águas - Manso, os secretários
Arnaldo Alves, de Transporte e Pavimentação Urbana; Ságuas Moraes,de Educação; Teté Bezerra, de Desenvolvimento do Turismo; José Domingos Fraga, de Desenvolvimento Rurale Agricultura familiar; Osmar de Carvalho, de Comunicação Social; César Zílio, de Administração; Nico Baracat, das Cidades; e Francisco Vuolo, de Logistica de Transportes; o comandante da Polícia Militar, Cel. Osmar Lino Farias; o presidente do Intermat, Afonso Dalberto; o superintendente da Defesa Civil, coronel BM Sérgio Delamônica; os deputados estaduais Romoaldo Júnior, Ondanir Bortolini (Nininho) e Carlos Avalone, os deputados federais Carlos Bezerra e Wellington Fagundes; e o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso, Luiz Antônio Garcia.

GUILHERME BLATT
Redação/Secom-MT

Escola de Tempo Integral, uma perspectiva de qualidade de ensino.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Publicado:www.seduc.mt.gov.br

Iza Aparecida Saliés


O Ministério da Educação está fazendo um estudo para aumentar o tempo de permanência dos alunos nas escolas, ou seja, implantar as escolas de tempo integral na rede pública de ensino, segundo informação do ministro da Educação Fernando Haddad.

A pesquisa foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas e a priori demonstrou que um aumento de dez dias no ano letivo pode elevar o aprendizado do aluno em até 44% no período de um ano. Foram analisados aproximadamente 200 estudos científicos tanto nacionais como internacionais, a partir dos quais elegeu 25 categorias relacionadas com o sistema educacional e avaliou como a alteração de cada um deles afeta o aprendizado dos estudantes. Um dos responsáveis pela pesquisa, André Portela, da Fundação Getúlio Vargas, disse que o objetivo foi avaliar o impacto de uma intervenção, tendo tudo mais inalterado

Foram consideradas também outras medidas de ampliação da exposição do aluno ao professor, tais como: o aumento da carga horária diárias dos alunos, a redução do número de turmas e do absenteísmo docente e a adoção de cursos de recuperação e de férias. André Portela afirma ainda que se todos esses itens formem de fato investidos, o resultado com política publica poderá contribuir para a implantação de cada uma das necessidades estruturais delineadas pela pesquisa.

O Ministério quer sugerir a ampliação dos dias letivos, de 200 para 220 dias e aumentar a jornada diária de quatro para cinco horas, ou utilizar as duas possibilidades. Nessa perspectiva de inovar a jornada escolar dos alunos que o Ministério da Educação pretende implantar nas escolas públicas do país precisa ter foco na sua finalidade precípua, que é a melhoria da qualidade do ensino, pois, sabemos que o fato de ampliar a carga horária do aluno não garante necessariamente que a educação vai melhorar, podendo gerar gastos desnecessários para o sistema de ensino.

Estudiosos e pesquisadores sobre educação acham que aumentar o número de dias letivos pode favorecer muito mais do que o aumento de horas diárias de aula para os alunos, uma vez que dessa forma não é necessário ampliar ou melhorar a infra-estruturar das escolas já existentes. Tanto a ampliação dos dias letivos com os de carga horária, ambos vão exigir do governo mais investimentos para a escola, o que gera sérias preocupações para o sistema.

A jornada escolar que amplia o tempo do aluno na escola precisa ser acompanhada de condições estruturais, físicas, de equipamentos, pedagógicas, de professores, e ainda assim, ela precisa estar amparada em estudos que apontam a possibilidade de impactar positivamente no processo ensino e aprendizagem.

Os especialistas já teceram seus comentários quanto à proposta, alguns vêem a proposta com restrições, tendo em vista, que ela só fará diferença de fato, no processo ensino e aprendizagem, caso esteja inserida no Projeto Político Pedagógico da escola e venha acompanhado de outras medidas, como o investimento na formação e valorização do professor, e digo mais, se for política de governo.

De acordo com Paulo Cezar Carrano, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), para ampliar a jornada escolar da escola que está posta, há necessidade de rever as condições que dispõe a rede de ensino, seria inviável considerando que contamos com escolas sem condição de oferta de tempo integral por falta de espaço, temos muitas escolas com prédios inadaptados, em decomposição, quebrado, derrubado, e mais, professores mal remunerados. Segundo ele, a escola de tempo integral precisa oferecer uma diversidade considerável de atividades, como, trabalhos pedagógicos de pesquisa fora do espaço escolar, trabalhos de arte, música, e outras atividades que surgirem da necessidade da própria escola.

E, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV as crianças brasileiras não passam, em média, mais de quatro horas por dia nas unidades escolares, o que parece muito pouco para desenvolver as atividades acadêmicas com os alunos, mas se bem utilizado pelos professores, pode render mais do que o desejado.

Assim, a escola passará a ser espaço um mais plural, com possibilidade diferente de ensinar e aprender, tanto no próprio espaço escolar como fora dele, contribuindo significativamente com a aprendizagem do aluno.

Somos cientes de que o aumento do tempo não define a qualidade da educação, mas é uma possibilidade a ser utilizada para fortalecer os processos pedagógicos da escola, quando levado em conta o currículo, a condição de trabalho, as condições dos professores e a condição dos alunos.

A escola de tempo integral é para os teóricos uma oferta diferenciada de ensino, com grandes chances de romper antigos paradigmas que estão impregnados na cultura escolar, como a evasão e o abandono, mas, para que isso aconteça, faz-se necessário que as escolas desenvolvam projetos que integrem atividades pedagógicas do currículo escolar do turno de estudo do aluno com as atividades que serão desenvolvidas no outro turno de modo que a carga horária seja organizada aproveitando da melhor forma possível o tempo dos alunos na escola.
O fato de estender o período escolar com projetinhos como de arte, jogos, tarefa sem a orientação de um professor e sem planejamento específico para as atividades desejadas, de nada adiantará, pois, os alunos vão dispersar sem que seja alcançado o objetivo principal, que é melhorar a qualidade do ensino.

Não podemos perder de vista o foco no currículo, o professor do contra turno deve participar das discussões curriculares, da composição das disciplinas na matriz curricular estabelecida no Projeto Político Pedagógico como também das atividades pedagógicas propostas pelo professor da disciplina. Os professores são responsáveis pelas atividades programadas e executadas no seu turno, portanto precisa tomar cuidado, pois o desempenho vai ser analisado pela coordenação pedagógica da escola e pelo professor do turno.

Quanto ao professor que vai trabalhar no outro turno do aluno, o mesmo precisa planejar junto com outro professor as atividades que deverão ser trabalhadas, assim o professor precisa buscar alternativas diferenciadas de trabalhar o currículo utilizando de metodologias diversificadas de modo a garantir a continuidade do processo ensino aprendizagem do aluno.

É atribuição do professor também, promover a articulação para unir os turnos que o aluno estuda, com base nos conteúdos curriculares, montar trabalhos produtivos, as atividades desenvolvidas nos turnos precisam ser integradas, porém, independentes, se assim não acontecer, não haverá sentido e nem finalidade, a escola de tempo integral.

Das experiências vivenciadas por algumas escolas que atendem em tempo integral, percebe-se que há valorização das tarefas mais livres, ou seja, as não pedagógicas, com as brincadeiras, as oficinas e ações com a comunidade, entretanto, as aulas que são para atender necessidades pedagógicas que não foram contempladas no turno, as relacionadas ao currículo, estas, parecem estar em segundo plano, sem conexão com as disciplinas do turno e tidas pelos alunos como uma coisa chata.

Referências

- CE João Bettega, R. Visconde do Ferro Frio, s/nº, 81050-080, Curitiba, PR.

- CIEP Frei Veloso, R. Franklin Távora, s/nº, 21710-030, Rio de Janeiro, RJ.
Artigo Turno e contra turno. Ercília Angeli, Maria de Salete Silva e Maria do Carmo Brant de Carvalho.

- Educação Brasileira em Tempo Integral, Ana Maria Villela Cavaliere, 240 págs, Ed. Vozes

Gasto de prefeituras por aluno é desigual entre regiões apesar do crescimento do investimento municipal na área

Agência Brasil

Entre 2009 e 2010, os gastos municipais com educação cresceram 10,7%, chegando a um investimento total de R$ 80,92 bilhões. Os dados foram divulgados pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e incluem, na conta, repasses da União e dos estados aplicados na área, pelas prefeituras. O aumento dos recursos é consideravelmente superior ao verificado em 2009, quando a crise econômica impactou negativamente na arrecadação fiscal. Naquele ano, os investimentos na área cresceram apenas 2,8%.

Por determinação constitucional, os municípios são obrigados a aplicar pelo menos 25% da arrecadação de impostos e transferências em educação. O aumento nos investimentos, combinado a uma diminuição da população em idade escolar e, consequentemente da matrícula nas redes municipais, fez crescer o gasto médio anual por aluno – que, em 2010, chegou a R$ 3.411,31 ao ano. No ano anterior, esse valor tinha sido R$ 3.005,27, o que significa um crescimento de 13,5%.

Apesar do aumento, há grandes desigualdades regionais nos gastos por matrícula. Um aluno de uma escola pública do Sudeste, por exemplo, recebe o dobro de investimento municipal do que um estudante do Nordeste: R$ 4.722,46 contra R$ 2.309,60, respectivamente. No Norte, o gasto por aluno é R$ 2.381,75 anuais, no Centro-Oeste R$ 3.622,28 e no Sul R$ 4.185,25.

Para Maria do Carmo Lara, prefeita de Betim (MG) e vice-presidente para Assuntos de Educação da FNP, as diferenças salariais dos professores de cada região têm grande impacto nessa conta. Isso porque, em geral, os professores do Sudeste ganham mais do que os do Norte ou Nordeste. “Também tem a questão do investimento em educação de tempo integral. No Sudeste, tem muito mais escolas que já oferecem essa modalidade e o impacto nos investimentos é grande”, explica. A FNP defende uma maior participação da União nos gastos com educação, especialmente nos estados que têm menor arrecadação.

A maior parte dos municípios (42,3%) gasta em média de R$ 3 mil a R$ 5 mil por aluno ao ano. Cerca de 28% investem de R$ 2 mil a R$ 3 mil, 17,6% de R$ 5 mil a R$ 10 mil e 1,4% gastam mais de R$ 10 mil. Uma em cada dez prefeituras investe menos do que R$ 2 mil por aluno anualmente.

A prefeita de Betim avalia que os gastos em educação cresceram não apenas porque há um aumento na arrecadação e, consequentemente, no percentual de recursos aplicados. Para Maria do Carmo, o fato é que as prefeituras estão mais interessadas em investir na área e “vários” municípios já aplicam mais do que os 25% da arrecadação obrigatórios pela Constituição.

“Hoje, você tem as avaliações e o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, indicador que mede a qualidade do ensino], que ajudam as escolas e os municípios a estarem mais bem colocados em relação a outros. Isso faz com que os municípios se organizem para melhorar a rede. O investimento em formação de professores aumentou muito”, diz Maria do Carmo.

Analisando o total dos investimentos, o levantamento mostra que houve crescimento das despesas com educação em todas as regiões. O Norte e o Nordeste registraram crescimento acima da média nacional em 2010: 15,3% e 11,8%, respectivamente. No Sul, o aumento dos investimentos foi 8%, no Centro-Oeste, 9,6% e no Sudeste, 10,4%. Os municípios da Região Sudeste respondem por um terço das matrículas municipais e por 46,7% do total de recursos aplicados pelas prefeituras em educação. O Nordeste responde por 26,1% dos investimentos, o Sul por 13,5%, o Norte por 7,9% e o Centro-Oeste por 5,8%.

MEC inclui mais oito instituições no repasse de verbas do Pronatec

G1

O Ministério da Educação atualizou uma portaria de 28 de novembro que anunciou os repasses do governo federal a instituições parceiras do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). A portaria foi republicada na edição desta segunda-feira (5) do "Diário Oficial da União" e incluiu oito novas instituições.

Com a alteração, são 22 as universidades, centros universitários e faculdades que vão receber, neste ano, os repasses para oferecer bolsas de formação a estudantes de trabalhadores matriculados em cursos de ensino técnico "para as turmas que já iniciaram ou iniciarão em breve", segundo o MEC.

Ao valor anunciado anteriormente o ministério somou R$ 7.193.210,00. O total de repasses neste ano é de R$ 458.337.714,00.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), ligada ao ministério, a republicação não foi uma correção, mas uma atualização para incluir turmas que também se conveniaram com o MEC. Ainda segundo a Setec, não estão previstos novos repasses para 2011.

Sistema S
O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que integram o Sistema S, receberão 90% desse dinheiro.

Os institutos federais Catarinense, do Rio de Janeiro, do Pará, do Amapá, de Pernambuco, de Mato Grosso do Sul, do Piauí, de Rondônia, do Acre e do Maranhão, além da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Colégio Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, também foram incluídos na portaria original.

Na republicação, foram incluídos os institutos federais Ceará, Farroupilha, Fluminense, Mato Grosso, Paraíba, Sertão Pernambucano, Tocantins, além da Universidade Federal de Alagoas.

Um novo convênio da UFRN também foi adicionado. O MEC aumentou ainda a carga horária destinada às turmas do IF do Rio de Janeiro que, portanto, recebeu acréscimo de R$ 185 mil no convênio.

Segundo a portaria, os R$ 458 milhões se referem a 53.922.084 horas de aula, ou R$ 8,50 por aluno por hora. Veja abaixo a lista das instituições atualizada pelo MEC nesta segunda-feira, e quanto cada uma vai receber:

R$ 24 bilhões até 2014
O Pronatec foi sancionado há um mês pela presidente Dilma Rousseff. O programa prevê investimentos de R$ 24 bilhões até 2014 para gerar 8 milhões de vagas em cursos de formação técnica e profissional, destinados a estudantes do ensino médio e trabalhadores. Segundo o governo, serão 5,6 milhões de vagas para cursos de curta duração e 2,4 milhões de vagas para cursos técnicos, com duração de pelo menos um ano.

De acordo com o Ministério da Educação , a proposta do Pronatec é reforçar os investimentos no ensino técnico, com ênfase nos jovens que deixam o ambiente escolar sem profissionalização. O programa tem como objetivo ampliar as vagas e expandir as redes estaduais de educação profissional.

Segundo o governo, a ideia é “dar mais celeridade” ao acordo firmado no governo anterior com o Sistema S (que, além do Senai e do Senac, incluem ainda o Sesi e o Sesc e Senac), segundo o qual essas entidades devem aplicar dois terços de seus recursos advindos do imposto sobre a folha de pagamentos do trabalhador na oferta de cursos gratuitos.

Dessa forma, as escolas do Sesi, Senai, Sesc e Senac receberão alunos das redes estaduais do ensino médio, que complementarão a sua formação com a capacitação técnica e profissional.

As escolas do Sistema S e das redes públicas também ofertarão cursos de formação inicial e continuada para capacitar os favorecidos do seguro-desemprego, reincidentes nesse benefício

Haddad acredita em consenso na votação do PNE

Agência Brasil


O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse acreditar em consenso parlamentar para aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a destinação de recursos para o setor em torno de 7% do Produto Interno Bruto (PIB). De autoria do governo, a proposta tramita na Câmara dos Deputados. Haddad participou neste sábado do 39º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), que será encerrado hoje (4), na capital paulista.

Embora haja uma reivindicação do meio estudantil para que o percentual dos recursos seja ampliado para 10%, Haddad avalia que o país evoluiu muito no que diz respeito aos investimentos destinados ao setor, nos últimos oito anos. Ele informou que o volume passou de R$ 20 bilhões para o montante de R$ 80 bilhões, que é a fatia prevista para 2012. “O ritmo de evolução será determinado pelo Congresso [Nacional]”, ponderou.

Em palestra aos participantes do congresso estudantil, o ministro leu uma mensagem da presidenta da República, Dilma Rousseff, na qual ela manifestou o empenho do governo para ampliar o acesso à educação de nível superior. De acordo com Dilma, a intenção é a de construir mais quatro universidades federais até 2014 e distribuir 75 mil bolsas para cursos de pós-graduação nas melhores universidades no exterior. Essas bolsas serão oferecidas por meio do Programa Ciência sem Fronteiras.

Em um dos trechos lidos por Haddad, a presidenta destaca ainda a criação de 8 milhões de vagas para o ensino técnico por meio Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Também faz parte do processo de incremento do setor a instalação de 208 unidades de educação em todo o país para melhorar o preparo tecnológico dos trabalhadores. “Queremos garantir a qualidade do ensino e um Brasil justo e desenvolvido”, acrescentou Haddad.

O presidente da Ubes, Yann Evanovick, anunciou que a entidade prepara uma grande mobilização denominada Ocupa Brasília, com acampamentos previstos para a próxima segunda-feira (5) e terça-feira (6), em frente ao prédio do Congresso Nacional, como forma de pressionar os parlamentares a votar ainda neste ano o PNE. “Se ficar para o ano que vem, o tempo de vigência será mais curto, em torno de oito anos”, observou Evanovick.

O líder estudantil também informou que, entre as bandeiras de luta da Ubes, está a reivindicação pra que sejam garantidos pelo menos 3 milhões de vagas no ensino técnico. Ele observou que ainda há dúvidas sobre o acesso por meio do Pronatec, já que o critério envolve o Sistema S (Senai, Sesi, Senac, Sest, Senat).

Comunidade escolar de todo o Estado elege diretores no dia 13

Redação 24 Horas News


Pais, alunos e professores elegem novos diretores das escolas em Mato Grosso Cerca de 1 milhão de pessoas, ou quase 1/3 da população do Estado, vai às urnas nas escolas estaduais no próximo dia 13 de dezembro. O motivo é o processo eleitoral para escolha dos diretores das 725 escolas estaduais de Mato Grosso para o biênio 2012-2014. O processo garantido pela Lei 7.040/98 existe no Estado há 12 anos.

Até a data, dia 13 de dezembro, os candidatos ao cargo participam de um ciclo de estudos para conhecimento sobre gestão administrativa, financeira e pedagógica. O processo segue determinação da Portaria 473/2011 e define a capacitação como elemento fundamental para validar a candidatura dos gestores.

Atualmente 90% das escolas estaduais de Mato Grosso são dirigidas por um profissional eleito pela comunidade escolar. Os demais 10% são indicados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para aquela unidade em que não houve candidatura própria ou os candidatos estavam fora das determinações legais. Todo o processo eletivo é feito com o acompanhamento do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar (CDCE), eleito um mês antes.

Segundo a gerente de Gestão Escolar da Seduc, Alcimária Ataídes, o processo de gestão democrática vem se fortalecendo desde 1995, quando o Estado determinou por meio de portaria a eleição direta nas escolas. Na sequência, em 1998, a determinação virou lei (473/2011) e ampara o processo de gestão democrática, inclusive com a criação dos CDCEs.

Nesses 12 anos houve um compromisso maior com o processo democrático. A eleição garantiu maior democracia na gestão escolar. “O compromisso do diretor eleito é referendado o que garante maior comprometimento diante da comunidade que o escolheu”, destaca Alcimária.

Unicef corrige informação sobre adolescente brasileiro na escola

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou informação equivocada em seu relatório, Situação da Adolescência Brasileira 2011, apresentado na quarta-feira, 30 de novembro, em Brasília. Segundo o documento, o percentual de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola no país é de 20%. O índice correto é de 14,8%.

A agência internacional admitiu o problema e informou que tanto o relatório impresso quanto o eletrônico apresentam a informação real. Segundo o professor Mário Volpi, responsável pelo estudo, o erro constava de um slide apresentado durante a entrevista coletiva de divulgação do trabalho.

A informação correta está na página do Unicef na internet.

Economia com sistema de pregões é de R$ 1,39 bilhão em 4 anos

A nova sistemática de compras governamentais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), baseada em pregões eletrônicos para registro de preços nacional, permitiu uma economia de R$ 1,39 bilhão aos cofres públicos de estados, municípios e do governo federal no período de 2008 a 2011. “Além do preço e da transparência, o processo assegura a qualidade dos produtos”, afirma o presidente do FNDE, José Carlos Freitas.

Com base nas estimativas das necessidades dos estados e municípios, o FNDE realiza licitações e registra os preços que passam a ter validade em todo território nacional. Com isso, os ganhos de escala favorecem o governo federal, estados e municípios, que podem aderir a esses registros de preços, realizando, assim, suas compras com rapidez, transparência e economicidade.

“Em outras palavras, a aquisição se faz por uma licitação bem mais rápida e racional, feita em uma escala, bastando aos entes federados pedir adesão ao registro de preços do FNDE para efetivar a compra”, completa o presidente do FNDE.

Deputado apresenta relatório e sugere investimento de 8% do PIB em educação

O relator da proposta que estabelece o Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), apresentou na segunda-feira (5) seu parecer ao texto. Segundo a Agência Câmara, o parlamentar sugeriu o aumento do investimento público em educação dos atuais 5% para pelo menos 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos. A proposta do governo previa o aumento para 7%, mas entidades da sociedade civil pediam a aplicação de 10%.

Vanhoni, que analisou as quase 3 mil emendas apresentadas pelos deputados ao projeto, propôs outras diversas mudanças às 20 metas da proposta. Entre as principais alterações está a manutenção do atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência.

A proposta do governo tratava somente da universalização do atendimento dos alunos com deficiência de quatro a 17 anos de idade na rede regular de ensino. A meta era polêmica e algumas organizações ligadas ao setor temiam que fossem fechados centros de ensino especializado. O relatório de Vanhoni manteve a universalização, mas criou uma ressalva: caso não seja possível integrar esse aluno em classe comum, ele terá assegurado atendimento especial.

Outra demanda dos professores foi atendida no relatório. O projeto original trazia como meta a aproximação do rendimento dos professores àquele de profissionais de mesmo nível de escolaridade. Conforme o documento apresentado hoje, esses salários serão equiparados ao longo da década. Pelo relatório, o governo terá seis anos para garantir que a renda do magistério some 80% da média dos outros profissionais. Ao final de dez anos, deverá atingir 100%.

Com a apresentação do relatório, passa a contar o prazo de cinco sessões da Câmara para que os deputados da comissão especial destinada a analisar o projeto possam oferecer novas emendas. Após essa etapa, Vanhoni deverá apresentar uma nova proposta de substitutivo ao PL 8035/10. O objetivo do relator é que o texto seja votado pelo colegiado ainda neste ano.

O relatório também amplia a meta de expansão do ensino profissional técnico de nível médio. O governo propôs a duplicação dessas matrículas em dez anos. De acordo com o parecer, contudo, as matrículas serão triplicadas no mesmo período.

Já no caso do ensino em tempo integral, em que os estudantes têm aulas nos dois períodos do dia, o parâmetro de avaliação de cumprimento da meta também mudou. Pela proposta original, até 2021 deveriam ser oferecidas classes integrais em pelo menos 50% das escolas de todo o País. Segundo o documento apresentado hoje, em dez anos esse tipo de atendimento deverá beneficiar pelo menos 25% de todos os alunos da rede pública de educação básica.

A comissão especial do PNE se reúne nesta terça-feira (6), às 14h30, para ouvir uma exposição de Vanhoni sobre o relatório e debater as mudanças. A reunião ocorrerá no Plenário 10.