segunda-feira, 23 de abril de 2012

O STF e as cotas

Na próxima 4ª, 25, o Supremo Tribunal Federal (STF) estará julgando uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) proposta pelo Partido dos Democratas (DEM), a qual pede que o Supremo declare inconstitucional o sistema de cotas na UnB

ANA FLÁVIA


Na próxima 4ª feira, 25 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) estará julgando uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) proposta pelo Partido dos Democratas (DEM), a qual pede que o Supremo declare inconstitucional o sistema de cotas na UNB.

Os argumentos do DEM são bem parecidos com os argumentos também utilizados por esse partido e a COFENEN – Confederação Nacional de Ensino (organização dos donos das escolas privadas) contra o PROUNI, quais sejam: “violação do princípio da igualdade”, “direito universal à educação”, “princípio meritocrático” e outros argumentos “legalistas”.

A referida ação foi proposta em 20.07.2009 e, na ocasião, também solicitava uma medida liminar para que o sistema de cotas adotado fosse suspenso imediatamente, antes do julgamento final do mérito da referida ação.

Em 31.07.2009, o Ministro Gilmar Mendes, então presidente do STF, levando em conta as manifestações da Procuradoria Geral da República e da Advocacia Geral da União, contrárias à ação do DEM, indeferiu o pedido de liminar.

Mesmo sendo uma ação contra o sistema de cotas na UNB, a decisão do STF terá repercussão em casos semelhantes de adoção de cotas, seja pelas universidades, a exemplo da UFMT que corajosamente adotou o sistema de Reserva de Vagas, com 50% para estudantes oriundos do ensino público, (mesmo enfrentando resistência de setores retrógrados e/ou equivocados).

O dado alvissareiro é que a presidência do STF está sendo ocupada pelo Ministro Ayres Britto, o qual preferiu um voto lapidar na a ação do PROUNI, na condição de relator daquele processo.

Referindo-se ao princípio da igualdade, assim sentenciou: “Não há outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo decidido combate aos fatores reais de desigualdade. (…) É como dizer: a lei existe para, diante dessa ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do equilíbrio social, impor outra desigualação compensatória”.

Na ocasião, o Ministro Ayres Britto buscou inspiração para fundamentar sua defesa na famosa “Oração aos Moços”, do grande jurista Rui Barbosa: “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. (…) Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”.

Mesmo sabendo da predisposição do Presidente Ayres Brito e de outros três ministros com opiniões semelhantes (Joaquim Barbosa, autor do livro: “Ação afirmativa & princípio constitucional da igualdade: o Direito como instrumento de transformação social. A experiência dos EUA”; Carmem Lúcia e Marco Aurélio Mello), entendo que devemos está vigilantes para garantir que essa ação interposta pelo DEM seja indeferida e jogada no “lixo da história”, lugar em que merece ser esquecida.

Assim, considero fundamental e urgente uma ação das entidades estudantis e juvenis, no sentido de mobilizar os estudantes, a juventude e a sociedade em geral para manifestarem a favor das cotas e contra a ação proposta pelo DEM. Afinal, o objetivo maior das políticas de “ação afirmativa” é a conquista da igualdade real com a inclusão de segmentos da sociedade historicamente excluídos.

(*) ANA FLÁVIA é estudante de Serviço Social da UFMT, presidente estadual da União da Juventude Socialista – UJS/MT, vice-presidente do PCdoB de Cuiabá, foi candidata de deputada federal em 2010, alcançando 23.718 votos.

Estudo revela causas de dores de cabeça após ingestão de sorvete

BBC Brasil

Um estudo conjunto realizado pela Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e pela Universidade da Irlanda em Galway revelou porque as pessoas sentem dores de cabeça súbitas quando tomam sorvete. Os autores da pesquisa acreditam ainda que ela pode apontar para possíveis tratamentos contra a enxaqueca.

Os resultados do estudo, realizado com 13 participantes, foram divulgados na revista científica online Live Science.

Os cientistas tentaram reproduzir as sensações de dor nas têmporas característica de quando se toma um sorvete ou se bebe algo muito gelado, fazendo os voluntários ingerir água gelada através de um canudo.

O voluntários tinham de sinalizar quando começavam a sentir dor e quando deixavam de senti-la. Ao longo desse processo, o cérebro de cada voluntário era monitorado por meio de um método similar à ultrassonografia, em que ondas sonoras de alta frequência são usadas para observar as mudanças internas do corpo.

O estudo mostrou que enquanto os participantes sentiam a dor nas têmporas característica de quando se toma um sorvete, a artéria cerebral se abria e registrava um aumento do fluxo sanguíneo.

De acordo com Jorge Serrador, pesquisador-sênior da Escola de Medicina de Harvard, como o cérebro precisa estar trabalhando o tempo todo e ele é muito sensível à variações de temperatura, daí a ocorrência da "vasodilatação (a ampliação dos vasos sanguíneos), que serve para levar sangue quente para dentro do tecido, de modo a fazer com que o cérebro permaneça aquecido''.

O aumento do fluxo sanguíneo e a rápida dilatação da artéria situada no meio do cérebro e atrás dos olhos estariam diretamente ligados à ''dor de cabeça do sorvete'', que gradualmente era dissipada à medida que o fluxo sanguíneo voltava ao normal.

Segundo os autores do estudo, o súbito fluxo de sangue aumenta a pressão dentro da cabeça e provoca a dor.

A fim de impedir que a pressão alcance um nível perigoso, a artéria se contrai, causando a queda da pressão. Os pesquisadores concluíram que a contração da artéria que ocorre em seguida, como uma resposta à sensação de súbito esfriamento que ocorre quando se toma algo muito gelado, é um mecanismo de autodefesa que visa reduzir a pressão na cabeça antes que esta alcance um nível perigoso.

Os cientistas acreditam que outros tipos de dores de cabeça possam ter causas similares e que o estudo poderia levar ao desenvolvidos de novos tratamentos contra enxaquecas, como o uso de drogas para prevenir a dilatação de vasos sanguíneos ou de outras que induzem à contração de vasos sanguíneo.

MT- Teatro educa crianças sobre o trânsito


Os agentes de trânsito Mauro Gouvêa e Geny Martins, que interpretam os palhaços Gilika e Ximbica da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos de Cuiabá (SMTU), irão apresentar a peça de teatro “Picolé Atropelado”, nesta terça-feira (24-04) às 14h30. O público são crianças entre 4 e 10 anos da Escola e Berçário Peninha Verde, no Bairro Jardim Cuiabá.

O teatro tem o objetivo de conscientizar crianças e adolescentes sobre os cuidados a serem tomados para que o trânsito da nossa capital seja mais humano e seguro. Um dos temas abordados pela dupla é a maneira correta de atravessar a rua, na faixa de pedestres. A forma lúdica do teatro auxilia a compreensão por parte das crianças.

A SMTU lembra que as palestras e teatros para o trânsito são gratuitos, e que os interessados em participar do programa precisam entrar em contato com o setor de Educação para o Trânsito da SMTU através do telefone 3315-4222.

Educação nas prisões é tema de seminário em Brasília

Os ministros Aloizio Mercadante, da Educação, José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, participam hoje (23) em Brasília de seminário sobre educação nas prisões. O encontro começa às 8h na sede do Conselho Nacional de Educação.

O objetivo é discutir as diretrizes nacionais da educação de jovens e adultos em situação de privação de liberdade em estabelecimentos penais. O seminário vai analisar ainda formas de oferecer educação nas prisões.

As secretarias de Educação dos estados do Rio de Janeiro e do Paraná apresentarão os resultados obtidos na educação de presos no Brasil. A Rede Latinoamericana de Educação em Espaços de Encarceramento (Redlece) e o Programa Del Cárcere, do Ministério do Uruguai, vão divulgar dados sobre educação nos presídios de outros países da América Latina.



Fonte: Agência Brasil

MT- Homem invade escola e gera insegurança; Seduc só paga um vigia

Agência da Noticia e Redação 24 Horas News



A população de Confresa, no Norte Aragauaia de Mato Grosso, está tensa. No ultimo dia 19,sexta-feira, a Escola estadual 29 de Julho, foi invadida. Cairo Ronieli de Sousa, 24, aparentava estar em estado de embriaguez e, uniformizado, entrou na escola como se fosse aluno. Em uma sala de aula começou a desferir insultos a professores e alunos e em seguida pulou o muro e fugiu. Em rondas pelas redondezas o suspeito foi encontrado e detido.

A invasão chamou atenção para a falta de segurança nas escolas tanto de Confresa. Segundo a diretora da unidade escolar, Aldaires Alves o fato gerou medo na escola. A diretora explicou que ha cerca de 3 anos a unidade está sem guarda nos períodos de aulas.

’A Secretaria Estadual de Educação paga apenas um vigia que fica das 22 as 6 horas para cuidar apenas do patrimônio. Ficar sem guarda é muito perigoso’’ explicou a diretora.

Ainda de acordo com ela os funcionários do apoio da escola é quem ajuda no controle da entrada de pessoas na unidade escolar, mas apenas quando não estão desempenhado suas atividades normais. “Eu fiquei morrendo de medo por que sempre vemos casos nos noticiários que pessoas loucas invadem as escolas e matam alunos e professores, estou com medo, precisam tomar alguma providência” disse uma aluna da escola 29 de Julho que prefere não se identificar.

Procurada a SEDUC, confirmou que Secretaria paga apenas o guarda noturno e que a pasta desenvolve projetos de prevenção de segurança, para evitar casos como este.

“Queremos um resposta imediata da SEDUC, isso não pode ficar assim nosso filhos estão expostos aos perigos” desabafou uma mãe ao Agência da Notícia.

A falta de segurança nas escolas passou a chamar a atenção no país após o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, onde onze crianças morreram e outras 12 ficaram feridas.

Após a invasão Cairo Ronieli de Sousa de 24 anos que é residente do distrito de Veranópolis foi preso é encaminhado para a delegacia de polícia civil, onde está a disposição da justiça.

Restaurante estudantil

Autor: Gabriel Novis Neves


A história me obriga ir ao passado para esclarecer fatos desconhecidos, ou esquecidos, em que fui protagonista.
Faço isso, não por vaidade pessoal, mas para deixar às futuras gerações depoimentos da história não falsificada.
Escrevo o cotidiano da minha cidade, ouvindo, sentindo, palpando, cheirando e vendo o simples, que sempre foi o importante. Muitos dos meus artigos têm essa genética.

Nunca tinha pensado em escrever sobre a história do primeiro restaurante estudantil de Cuiabá.
Isso aconteceu há quarenta e quatro anos, motivado pela intensa migração da população do interior.
Era o início da ocupação desordenada do nosso imenso território, onde o trabalhador rural foi expulso pelas máquinas.
Sem qualificação para o trabalho urbano, esse produtivo camponês começou a ocupar a periferia da cidade com a sua numerosa família passando necessidades básicas, como educação para as suas crianças e alimentação para a família toda.

A merenda escolar não era suficiente para um aluno. A evasão escolar no ensino médio era assustadora, assim como a taxa de analfabetismo no Estado.

O governo Pedrossian determina à Secretaria de Educação que faça uma adaptação na antiga garagem do Estado – ao lado da Academia de Letras – para o funcionamento de um restaurante para estudantes. Nascia assim, na Rua do Campo, o primeiro restaurante estudantil de Cuiabá.

Essa medida social atraiu estudantes pobres de todo o interior do Estado para frequentar alguns cursos superiores que estavam iniciando na velha capital.

Eram os famosos cursos de cuspe, carinhosamente chamados pelos meninos, em que todo o arsenal didático se constituía em uma sala de aula calorenta, lousa, giz, apagador e o professor borrifando saliva.
Com o surgimento da universidade, os alunos do ensino superior passaram a frequentar o restaurante onde hoje funciona o Museu Rondon.

Um restaurante maior foi construído na Praça Universitária, oferecendo condições excepcionais para atender alunos, servidores e professores. Do projeto original, apenas metade foi entregue a comunidade universitária, há trinta e dois anos.
Como não faço diários, anotações, nem tampouco pretendo escrever uma enciclopédia sobre a implantação do ensino superior em Mato Grosso, preencho o espaço de um artigo para relembrar certos eventos que marcaram a vida desta cidade.

Muitos detalhes sobre esses três restaurantes me são trazidos pelos atores de diálogos que não me recordo, pois nunca trabalhei com o objetivo da cobrança.

Dia desses um dos candidatos a reitor da nossa universidade, o professor doutor em química Edinaldo de Castro e Silva, que veio de Barra do Garças para estudar na recém nata UFMT, perguntou se eu me lembrava para quem tinha dado a primeira autorização para usufruir do restaurante da piscina da UFMT. Respondi que não me recordava.

Exultante, ele me contou minúcias do encontro e da satisfação em ter sido o primeiro estudante a provar a boa comida do nosso restaurante.

Satisfeito fiquei em saber que as calorias do bandejão foram úteis à inserção de um menino pobre do interior ao pico da carreira universitária, com a conquista dos títulos acadêmicos e o orgulho de pretender comandar a universidade onde estudou.

Gabriel Novis Neves


MT- Deputado diz que política de cotas é de exclusão e vai recorrer à justiça

Da Redação - Laura Petraglia



Baseado no artigo 5º da Constituição Federal, que diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, o deputado estadual Aray Fonseca (PSD) repudiou a atitude da reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em adotar o sistema de reserva de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas e negros.

“Eu sou contra essa atitude da reitoria e dos conselheiros da UFMT, pois acho que não é por aí que vamos fazer com que as classes menos favorecidas tenham mais acesso à educação. Estamos invertendo os valores. O ideal é a criação de mais projetos de inclusão social como o ProUni, por exemplo, e não de exclusão social, como esse modelo de cotas aprovado. Precisamos é melhorar o ensino de 1º e 2º grau das escolas públicas investindo mais recursos, como parte dos do pré-sal por exemplo”, disse.

Segundo Aray, a forma adotada diminui em 50% as chances das famílias de classes média e média-alta, que passaram a vida se sacrificando e se privando para pagar escola particular e garantir um estudo de qualidade aos seus filhos, de conseguirem uma vaga na Universidade Federal.

“No modelo que temos hoje, o ensino de primeiro e segundo graus nas escolas públicas deixam a desejar, porém as universidades públicas são as melhores. Com esse modelo adotado pela UFMT, pode-se fomentar conflitos raciais e sociais, que não existem no Brasil”, argumentou.

Outro ponto a ser observado, segundo o deputado, é com a relação à legalidade desta política, já que a Universidade Pública é custeada com recursos públicos, oriundos de impostos pagos em sua maioria pela classe média e média alta. “São os impostos pagos por essas famílias que custeiam a universidade e não podemos fazer com que essas pessoas tenham as chances dos seus filhos ingressarem lá, diminuídas em 50%”, defendeu.

Para Aray, a aprovação de cotas na UFMT vai gerar um aumento na demanda por vagas das já deficientes nas escolas públicas de 1º e 2º graus, bem como a criação de universidades nos moldes americanos, que podem gerar uma debandada de mestres e doutores das universidades públicas.

“Vai gerar o caos e o ensino que já é ruim vai ficar pior com a sobrecarga de alunos. Modelos dinheiristas de universidades, a exemplo do que é praticado nos Estados Unidos, serão implementados no Brasil. Lá as melhores universidades são as particulares. Em Harvard, por exemplo, paga-se U$ 80 mil por ano para estudar medicina”, finalizou ou dizer que pretende acionar judicialmente a UFMT para tentar barrar o sistema de cotas.


STF pode acabar com cotas de negros e alunos de escolas públicas na UFMT

Da Redação - Lucas Bólico


O sistema de cotas para estudantes negros e oriundos de escolas públicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pode estar com os dias contados. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que o primeiro julgamento de sua gestão vai decidir sobre a constitucionalidade da política de cotas em instituições de ensino no Brasil.

As cotas são contestadas em três ações que tramitam no STF. Consta da pauta da próxima quarta-feira (24) o julgamento da ação protocolada pelo DEM contra o sistema da Universidade de Brasília e do recurso que questiona a política adotada pela Universidade do Rio Grande do Sul, que combina dois critérios para a seleção: a origem de escola pública e a "raça". Os dois processos são de relatoria do ministro Ricardo Lewandowski

Outra ação que deve ser analisada na próxima semana é a que contesta o sistema de reserva de bolsas de estudo para negros, indígenas, pessoas com deficiência e alunos da rede pública implementado pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) do governo federal.

As ações se baseiam no argumento as cotas ofenderiam princípios constitucionais como o da igualdade e da isonomia. As entidades sustentam, por exemplo, que não seria legítima a reserva de vagas com base na condição sócio-econômica do aluno ou em critério racial.

A decisão do STF respingará diretamente na UFMT, que aderiu ao sistema em outubro do último ano. A proposta inicial da UFMT é que decorridos dez anos da implementação deste programa, uma comissão formada pela Proeg (Pró-reitoria de Ensino e Graduação) e representantes das entidades fará uma análise da situação para elaborar um relatório sobre a necessidade de se manter ou não o sistema de cotas.

O pedido para a adoção do sistema de cotas foi feito pelo Ministério Público Federal, que solicitou o cumprimento da política sobre vagas. A análise do processo foi feita no início de outubro de 2011. Com G1.


domingo, 22 de abril de 2012

Ser ou não ser homossexual, eis a questão

ROSE VELASCO

Eu confesso que, se pudesse escolher, seria um homem

Essa frase poderia ser comparada a uma outra, tão qual descomprometida e descontraída, como, por exemplo, “Usar ou não um Índigo Blue” (Índigo Blue, também tema de uma música de Gilberto Gil).

Fiz essa introdução, para me reportar aos recentes artigos e debates sobre a homossexualidade, assunto tão em voga em nosso país. Entretanto, como é sempre prudente lembrar, uma questão tão séria como essa não pode, jamais, ser tratada como se fosse algo, como ter que decidir “estar ou não na moda.”

No mundo da moda escolhemos o que vestir, que corte de cabelo usar, que cor de esmalte pintar, etc.. (as opções não faltam e elas vem e vão e vice-versa) e as segue quem quer. Mas na vida de cada indivíduo, na qual me incluo, existem inúmeros fatores que podem ou não influenciar em nossas atitudes, comportamentos, modos, posturas, opções sexuais, entre outras tantas.

Eu, por exemplo, confesso que, se pudesse escolher, seria um homem! É que ser mulher não é nada fácil, principalmente, em uma sociedade, ainda, machista e preconceituosa, e na qual, infelizmente, ainda, vivemos. Mas, agradeço, todos os dias, pelo que sou e pelos filhos e neta que tenho.

Deixando os (parênteses) de lado, voltemos ao objeto dessa minha modesta manifestação: a homossexualidade. Venho acompanhando com muita preocupação as diversas opiniões divulgadas a respeito do assunto; as que consegui ler até o final, me levaram a refletir muito a respeito e, após, me levaram a tirar as minhas próprias primeiras conclusões, claro, influenciadas por fatores externos e internos, os quais me ajudam a formar a minha postura diante dos fatos que nos são postos pela vida.

Sem menosprezar ou desrespeitar a opinião alheia, considerei que todos têm o direito de se expressar sobre o tema, mas que é preciso, urgentemente, tratarmos a situação com mais profissionalismo, respeito ao próximo, seriedade e buscando sempre as opiniões de especialistas.

Diante disso, conclui também que precisamos cobrar e instigar a realização de estudos científicos a respeito que nos tragam respostas e certezas, bem como a promoção de debates, sérios e sem

preconceitos, sobre o tema. Não podemos esquecer que vivemos em um mundo de provações constantes e de desafios permanentes. E que para enfrentá-los e superá-los com sucesso, precisamos nos preparar, buscarmos o conhecimento correto, termos serenidade e seriedade para estarmos conscientes de nossos atos.

Talvez, nessa atualidade, essa seja a nossa provação, o nosso desafio.

Portanto, conclamo aos jornalistas, as autoridades, aos profissionais da área da saúde, da psicologia, aos membros de igrejas, aos pais, aos doutores, cientistas e sábios, a contribuírem com o seu valioso conhecimento para a construção de uma sociedade mais humana e mais justa entre os seus e para com os seus semelhantes.

Creio que a pergunta que deve ser feita nesse momento é: Para quê? E não Por quê?

Para Quê estamos nos deparando com essa situação?

Creio, ainda, que é importante desarmarmos os ânimos e o espírito de todo preconceito ao lidarmos com essa questão, pois estamos nos referindo a seres humanos, capazes de sentir, de pensar, de ouvir, perceber, de amar, que têm família, mãe, pai, que são seres capazes.

Que peçamos, sempre, muita sabedoria e discernimento para fazermos as nossas escolhas e tomarmos as nossas decisões, sem ilusões ou incertezas. E que saibamos preservar e respeitar a nossa própria intimidade.

ROSE VELASCO é jornalista em Cuiabá.

Salve a poesia e a arte!

CRISTINA CAMPOS

Louvemos aqueles que trazem a beleza e a visão singular das coisas


Hoje, 14 de março, acordei cedo, lembrando-me da importância das coisas inúteis para a existência humana, afinal é o Dia Nacional da Poesia.

Ontem, a professora Edsônia Melo, colega no IFMT – Campus Cuiabá (antiga Escola Técnica), abordou-me no corredor solicitando ajuda para organizar visualmente dois murais com produções de seus alunos – uma coletânea de textos poéticos. Eu tinha outras coisas pra fazer e fiquei meio assim-assim, mas, diante do volume de papéis em suas mãos e da sua disposição, juntei-me ao trabalho.

No meio da forte chuva que caiu à tarde, com pessoas curiosas perguntando-se o que estaríamos aprontando, tecendo comentários e dando sugestões, alguns alunos aprochegaram-se e, folha por folha, colorimos o mural. Esta professora desenvolve um projeto dedicado à aprendizagem da leitura de textos literários.

O brilho nos olhos dos alunos envolvidos no projeto me comoveu, reforçando a crença de que à aprendizagem deve se juntar o prazer de criar e produzir. A meninada tem sorte, porque este tipo de intervenção é cada vez mais rara. Denomino-a 'Laboratórios de Sensibilização', que devem temperar a disciplina que o conhecimento requer. Às vezes, pequenos gestos marcam a alma da pessoa para sempre, o que constitui a essência (se é que posso chamá-la assim) do trabalho educativo.

De repente, lembrei-me também da versão brasileira da fábula A Cigarra e a Formiga, que enfatiza a importância do artista para o equilíbrio da vida. Vivemos um tempo meio desencantado, em que o ceticismo, o pragmatismo e a pressa imperam, relegando à Arte e à Cultura uma posição marginal dentro do sistema.

Uma das principais marcas do artista é a sua sensibilidade. Ela faz com que ele perceba e sinta a vida com tal intensidade que, às vezes, se torna quase impossível suportar as pressões do sistema e do cotidiano.

Ele precisa renovar-se continuamente, e isso implica um desajuste/desacerto com relação à vidinha acostumada de cada dia. No entanto, a fábula sabiamente instrui que a Formiga também se destempera sem a presença da cigarra, com seu canto mavioso, o que significa um alerta.

Dizem que os antigos chineses atentavam cuidadosamente para a qualidade da Arte em seu meio, porque, se ela entrasse em decadência, era um sintoma de que toda a sua cultura também iniciava um processo de derrocada.

Por isso, pelo menos neste dia, vamos louvar estes bêbados, loucos e vagabundos sagrados que nos salvam com o seu dom de trazer a beleza e a visão singular das coisas para a nossa vida.

CRISTINA CAMPOS é graduada em Letras e mestre em Educação, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT, 1983; 1997); e doutora em Educação, pela Universidade de São Paulo (USP, 2007). Leciona Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso - Campus Cuiabá

Encontro com Manoel de Barros

ENILDES CORREA

É indescritivel o momento de conhecer esse mensageiro da poesia


“Sou livre para o silêncio das formas e das cores.
Só quem está em estado de palavra pode enxergar as coisas sem feitio.
A poesia não existe para comunicar, mas para comungar.
A palavra é o nascedouro que acaba compondo a gente.”
Manoel de Barros

Assisti, mais uma vez, ao excelente documentário “Só dez por cento é mentira - a desbiografia oficial de Manoel de Barros”, do diretor Pedro Cezar. Foi inevitável reavivar em mim o desejo antigo de conhecer pessoalmente o poeta nascido à beira das águas do rio Cuiabá, reconhecido nacional e internacionalmente pela originalidade, artesania e mestria de sua obra literária.

Que bênção seria se o anseio de chegar a esse fantástico mensageiro da poesia, que transformou em extraordinária arte escrita a simplicidade das coisas comuns, se tornasse realidade. E por que não? Resultasse em poesia - a poesia do encontro.

Quem sabe seria “abençoada a garças” nessa transmissão que acontece na presença e no silêncio de ambas as partes, na dimensão invisível do Ser, e aprenderia, pelo menos um pouquinho, o idioleto manoelês, presente único da Vida a Manoel de Barros, nosso amado Poeta da palavra, que nos leva a deixar os pesados halteres do mundo de lado, nos instiga a desamarrar a nossa visão, deslimitá-la, e experienciar a liberdade de “transver” a expressão das formas e das palavras.

Se morasse em Campo Grande, iria tomar coragem de dirigir-me até sua casa e daria som ao mágico botão musicado que anuncia chegada de visitantes (era assim minha visão de campainha na infância). Então, esperaria ansiosa diante da porta e, se ela se abrisse e eu fosse convidada a entrar, caminharia feliz pela morada de Francisco de Assis dos nossos tempos.

Seu olhar desperto, sua sensibilidade e simplicidade, suas palavras e a relação de intimidade e profundidade que tem com elas deixam-me de boca aberta, com vontade imensa de “voar fora da asa” e encontrar o poeta que se juntou e se tornou Um com a natureza da palavra e a Vida.

Manoel de Barros “monumentou” a infância humana. Sua obra que narra seus nascimentos literários e ”empoema o sentido das palavras”, desperta os nossos sentidos, abre portas de novas percepções e lança encantamento sobre seus leitores.

Neste ano, vou ser avó pela segunda vez. É outro menino. Quando chegar o tempo de essa criança se interessar pelos contos de fada, espero poder contar-lhe que, um dia, esta avó (de 53 anos), tomada pela sede de “crescer pra passarinho”, foi visitar o Grande Poeta Manoel de Barros, que assim poetizou:

“Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando.

Por viver muitos anos dentro do mato.

Moda ave.

O menino pegou um olhar de pássaro – contraiu visão fontana.

Por forma que ele enxergava as coisas por igual.

Como os pássaros enxergam.

Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”

Em estado de graça com mais um Anjo neto em meu colo de mãe e avó, embevecida com a inocência de seu olhar, contarei a ele que Manoel Wenceslau Leite de Barros, o menino Nequinho que nasceu poeta, “tentara pegar na bunda do vento – mas o rabo do vento escorregava muito” - e não conseguira. Prosseguirei, fazendo-lhe esta pergunta: e você, meu presente de Deus, será que conseguirá segurar-se no rabo do vento?

E rezarei para que todas as crianças cresçam guardando em si a beleza da inocência manifestada na poesia de Manoel de Barros, que não se esqueçam da “pedra que toma banho de orvalho da manhã".

Em homenagem a todos os inocentes, em especial ao Poeta e ao recém-chegado viajante do Cosmos, amado desde a sua concepção, como deveriam ser todas as crianças que chegam à dimensão da forma, recitarei este trecho do livro Cecília Meireles - Obra em Prosa:

“E se outro São Francisco se ajoelhar na gruta rústica, o Menino virá todo em luz aos seus braços, porque só o Santo Poeta entendia dessa irmandade geral do céu e da terra, e da graça de todos os despojamentos, e da alegria de não precisar ter, pela contemplação de todos os enganos, e da leveza da vida em expressão absoluta.”

Arrisco a dizer que passarinho se fez humano neste nosso imortal conterrâneo cuiabano, nasceu do “vazio da ponta do lápis” do Santo Poeta e cresceu pra Manoel de Barros.
Namaste!

ENILDES CORRÊA é aprendiz da vida poética. Autora do livro “Vida em Palavras”.
omsaraas@terra.com.br
http://www.solautoconhecimento.com.br

Prostituição infantil

FABIANO RABANEDA

É descabido o STJ descriminalizar o crime de estupro contra criança

Desde a concepção da Constituição de 88, os direitos das crianças e adolescente passam por profundas modificações que introduzem o conceito da Doutrina da Proteção Integral, considerando o caráter de ser humano em formação como condição fundamental para a tutela de direitos, sendo primazia dos fundamentos do Estado à proteção do menor, cabendo à família e a sociedade o dever concorrente de assegurá-los.

Foi no pós-guerra, em que organismos internacionais vêm assegurar às crianças e adolescentes a condição de sujeitos de direitos, com efeitos incidentais à mudança de paradigma até então existente: A Declaração dos Direitos da Criança, em Genebra, 1942 e a adoção pelas Nações Unidas em 1959, constam como marcos internacionais no reconhecimento das garantias fundamentais de proteção e cuidados especiais.

As nações subscritoras do documento obrigaram-se a assegurar os direitos com absoluta prioridade: da proteção especial contra discriminação; do direito ao desenvolvimento físico, mental, moral e espiritual; da educação obrigatória; e, da proteção contra negligência, crueldade e exploração.

Passou o tempo em que era permitido ao pai manter vivas apenas as crianças saudáveis; o sacrifício religioso de crianças foi definitivamente afastado dos costumes sociais; a venda de crianças como escravas e os limites sucessórios ao primogênito estão em direito passado, morto e enterrado.

Da época em que crianças recém-libertas da escravidão, que preponderava o analfabetismo e doenças venéreas, recolhidas das ruas puramente pela política de caridade definidas como higienistas; à preocupação dos órfãos expostos diante da prática de abandono de crianças nas portas das igrejas, evoluindo na prática mantida pelas Santa Casas, definidas como Rodas dos Expostos, não havendo diferenciação no tratamento a ser dado aos abandonados e delinquentes.

A criminalização da infância pobre, com a adoção do Código de Menores de 1927, cujo fundamento foi apenas medidas preventivas de modo a minimizar a infância de rua, sem, contudo, resolver o problema social do menor abandonado.

Daí surgiu a necessidade de reforma dos valores ceifados no período militar, nos anseios de uma sociedade justa e fraterna, influenciado pelo Direito Funcional pró-sociedade, transferindo o modelo defasado garantidor do patrimônio para o binômio coletivo/social, ampliando o leque de defesas dos interesses coletivos e difusos, em influência direta na constituinte pelos ideais do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, cuja atuação reuniu mais de um milhão e duzentas mil assinaturas para a fusão dos textos constitucionais inscritos nos artigos 227 e 228 da Constituição Federal.

A adoção do sistema garantista estabeleceu importante instrumento de defesa para o acesso aos bens essenciais à vida dos indivíduos e da própria coletividade.

Diante deste novo modelo democrático e participativo, no qual a família e o estado são cogestores do sistema de garantias que não se restringe à infância e juventude pobres, protagonistas da doutrina da situação irregular, mas de todos os adolescentes, pobres ou ricos, lesados em seus direitos fundamentais de pessoas em desenvolvimento.

Está na Constituição Federal: o Princípio da Prioridade Absoluta leva em consideração que criança é pessoa em desenvolvimento, possuindo uma fragilidade peculiar de pessoa em formação, correndo mais risco que o adulto.

Há evidente socialização da responsabilidade do dano, sendo suportado pelo grupamento social de modo a impedir, ou minimizar as influências negativas no contexto infanto-juvenil.

Sob esse manto de proteção especial, primaz como condição de Estado, cabe ao poder público, em todas as suas esferas (legislativa, judiciária ou executiva) respeitar e guardar em primazia os direitos fundamentais da criança e adolescente.

A primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias asseguradas às crianças e adolescentes é a primeira garantia de prioridade estabelecida no parágrafo único do artigo 4º da Lei 8.069/90.

É por isso que não podemos aceitar, como entes responsáveis pela proteção infantil, que o Superior Tribunal de Justiça relativize a condição de vulnerável do crime de estupro, sob a alegação descabida e desproporcional que a criança de doze, onze, dez, esteja em condições de consentir a conjunção carnal.

A descriminalização da prostituição infantil leva a sociedade aos tempos da doutrina da situação irregular, onde criança pobre era tratada como objeto pelo Estado, jogadas nas sarjetas ou internadas em presídios disfarçados de centros correcionais.

Não admitir e levar a decisão para o Tribunal Constitucional é obrigação dos litigantes desse processo, a fim que o possa-se, definitivamente, decidir em prol das garantias da Doutrina da Proteção Integral.

FABIANO RABANEDA é advogado, vice-presidente da Comissão de Direito Eletrônico da OAB/MT e professor da disciplina Estatuto da Criança e do Adolescente da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT).

Olimpíadas Escolares

ADMAR PORTUGAL

Silval marca um gol de placa ao assinar convênio com o Comitê Olímpico

O governador Silval Barbosa marcou um gol de placa ontem ao assinar convênio com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para realização das Olimpíadas Escolares no período de 25 de novembro a 8 de dezembro deste ano em Cuiabá.

Nesse período, nossa querida Cidade Verde será invadida por milhares de atletas/estudantes, com idade entre 15 e 17 anos, de outros 26 estados brasileiros, num evento que a cada ano ganha reconhecimento internacional. É a bola da vez para Cuiabá, uma das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, como bem lembrou o governador, ao pedir empenho de todas as secretarias na organização do evento.

O convênio assinado ontem estabeleceu as responsabilidades de cada parte. Ao Estado, por exemplo, caberá a infraestrutura para os jogos (quadras, piscinas, pistas de atletismo, etc.), logística e outros serviços. Já o COB fica responsável pela hospedagem e alimentação, entre outros, e investirá cerca de cinco milhões de reais no evento em Cuiabá. É a chance que os gestores queriam para mostrar que Cuiabá estará preparada para sediar eventos esportivos de grandeza internacional, oferecendo suporte logístico de primeiro mundo.

O evento tem por objetivo resgatar a hegemonia esportiva entre os adolescentes brasileiros, como bem destacou o diretor-geral de Olimpíadas Escolares do COB, Edgar Hubner. Desde 2005, quando sediou a primeira edição das Olimpíadas Escolares, mais de dois milhões de jovens com menos de 18 anos já soltaram o grito de ‘é campeão!’ em uma das modalidades disputadas no torneio, visando valorizar as potencialidades esportivas nas escolas públicas e privadas do Brasil inteiro.

Ao governo do Estado, que abraçou a causa, é bom lembrar que vai, sim, precisar não somente das secretarias, como também do envolvimento de toda a sociedade para recepcionar os milhares de visitantes de todo o país em um evento que visa fomentar a prática esportiva no Brasil. E vem em um bom momento, já que daqui a dois anos Cuiabá sedia a Copa do Mundo e o Rio de Janeiro, em 2016, as Olimpíadas.

Os governos estadual e municipal têm que fazer sua parte dando condições adequadas para nossos atletas treinarem para bem representar nosso Estado, já que o torneio será seletivo para as modalidades de atletismo, judô e natação para o Festival Olímpico de janeiro de 2013, na Austrália.

Cuiabá, por ser a sede das Olimpíadas Escolares, será contemplada com duas vagas nas três modalidades, sendo uma para os representantes da Capital e outra, para o do estado de Mato Grosso.

É preciso trabalhar o quanto antes na divulgação do evento, bem como também na realização das reformas de praças esportivas onde serão realizados os jogos e desejar sorte aos representantes de nosso estado.

ADMAR SILVA DE PORTUGAL é repórter do jornal Diário de Cuiabá.
asportugal@diariodecuiaba.com.br

Projeto de Lei combate prática de bullying nas escolas de Mato Grosso

A violência física ou psicológica, de moto intencional e repetitivo, exercida por indivíduo e grupos, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de constranger, intimidar, agredir, causar dor, angústia ou humilhação à vítima, conhecida como bullying, será combatida em Mato Grosso.

Projeto de lei de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PSD), que estabelece medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate ao bullying escolar no projeto pedagógico elaborado pelas escolas públicas e privadas no Estado, foi sancionado nesta semana pelo Poder Executivo.

Com a apresentação do projeto e sanção posteriormente da lei 9.724, a comunidade escolar de Mato Grosso deve ser conscientizada sobre o conceito do bullying, abrangência e necessidade de medidas de prevenção e combate. “Os docentes, equipe pedagógica e servidores das escolas devem ser capacitados para a implementação de ações para solucionar o problema, além de orientar os envolvidos na violência física ou psicológica visando à recuperação da auto-estima”, explicou José Riva.

A prática do bullying aumentou excessivamente em Mato Grosso nos últimos anos e na visão do presidente da Casa de Leis, uma das medidas preventivas para combater a violência é a criação da “Semana de Combate e Prevenção ao Assédio Escolar Bullying em Mato Groso”, sendo realizada anualmente, na primeira semana de abril para discutir o tema.

“Devemos envolver a família no processo de construção da cultura de paz nas escolas, além de promover e estimular atividades de esclarecimentos e debates sobre esta violência em espaços públicos, especialmente nas escolas”, argumentou Riva.

Falta de profissionais qualificados ainda é grande impasse no mercado cuiabano

Da Redação - Priscilla Vilela

As oportunidades de empregos estão anunciadas em praticamente toda Cuiabá. É só andar pelas ruas no centro, por exemplo, que os cartazes de ‘contrata-se’ estão espalhados, e mesmo assim, a reclamação pela falta de oportunidade de emprego ainda é constante.

Essa problemática da variação entre oferta e demanda de trabalhos está basicamente situada na qualificação da mão de obra, segundo o produtor de eventos Shipú Dorilêo, que há nove anos traz à capital palestras e cursos sobre profissionalização.

Proprietário da marca “Shipú Marketing e Vendas”, ela trabalha diariamente na construção de cronogramas com palestrantes altamente gabaritados, e os traz até o Mato Grosso para aumentar a profissionalização seja para grupos de empresas ou profissionais ‘avulsos’.

O empresário comenta que há muitas vagas disponíveis no mercado de trabalho, mas infelizmente pouca gente capacitada. “Tem muita gente, mas poucas qualificadas. Algumas ocupam as vagas disponíveis por um tempo, mas não dão retorno às empresas”, ressalta.

Assim, os próprios empresários tem buscado selecionar grupos de trabalhadores para investir no atendimento ao cliente ou melhorar a capacitação. Redes como a Subway, Luciula, Shopping Popular, Alasca, entre outras, já buscam nesses eventos formas de capacitar.

“Esses eventos trazem resultados positivos de fato para as empresas porque passam o conteúdo de forma efetiva”.

A preocupação com essa profissionalização está cada vez mais evidente, ainda mais com a proximidade da Copa do Mundo, quando os cuiabanos terão de receber pessoas do mundo todo e prestar um atendimento de qualidade como forma de ‘porta de entrada’ do estado.

“Falta muito ainda, há muito espaço. E os empresários precisam entender que gente boa pronta não existe no mercado. É preciso investir”, destaca.

Nas salas de aula não existe presença obrigatória

Nenhum aluno fica em classe se não estiver interessado. Pode até estar lá, sentado, para não ter falta. Mas seu coração e mente não estão presentes, só seu corpo. Problema do professor? Claro que grande parte dos mestres pensa que desinteresse de alunos não é seu problema, e lhes basta ter a consciência tranquila de estar cumprindo o programa de sua disciplina.

A questão não é simples. Uma série de fatores presentes na atualidade fez surgir agora uma geração que contesta o sistema como nunca acontecera antes. Penso que não se trata de uma degenerescência social, mas do produto do cruzamento entre a era da comunicação, agora com a internet, com o ímpeto do desejo de mudança dos jovens, melhor percebido desde 1968.

Nossos alunos de hoje, pesquisados, declaram que a maior utilidade que encontram na escola é a formação de sua rede de relacionamentos. Vemos que são também atraídos pelo diploma que, de alguma forma, pensam, deve facilitar sua vida. De resto, franzem o nariz: “não quero seguir o caminho de meus pais, que não são felizes”. Como esses jovens receberão o bastão do revezamento social?

Nesse contexto, nós, professores, só poderíamos mesmo nos sentir pouco desejados, e, por isso, pouco ouvidos e respeitados como mestres. Esse panorama, claro, não é geral, há ressalvas. A primeira é de uma parcela (estima-se em 20%) de jovens com vocação para o aprendizado – os curiosos que procuram informações, de todo tipo. Outra exceção é a de alunos de universidades públicas, na qual entraram por meio de uma rigorosa seleção, e que por isso tendem a valorizar o aproveitamento das aulas. Algo parecido acontece em escolas muito procuradas, onde o ingresso também é difícil. Finalmente, também são mais interessados os que se sacrificam, trabalhando de dia e estudando à noite, e entendem a necessidade do conhecimento para sua carreira.

Entretanto, no geral, vemos que quando a maioria dos alunos está na escola para “cumprir tabela”, a contragosto, não se pode esperar boa disposição deles para com os professores. Eles fazem parte da “chatice da escola”. São uma extensão dos pais, que dizem uma coisa e fazem outra. Jamais pode ocorrer ao aluno, nessa condição, procurar estabelecer com o professor uma relação que não seja a obrigatória, pouco mais do que responder a chamada. Por isso, se houver possibilidade de mudança, esta precisa vir do professor. Só ele pode tomar a iniciativa de estabelecer uma relação diferente. Ou constrói uma ponte e a atravessa para chegar ao aluno, ou fica deste lado falando sozinho, também cumprindo sua tabela, dentro de um contexto perverso. Cabe ao professor tomar a iniciativa, ainda que ele, pessoalmente, nada tenha a ver com a culpa de sua geração que construiu uma sociedade problemática. Cabe a ele, portanto, também usar a criatividade como uma ferramenta para que suas aulas possam ser mais aproveitadas.

Colegas professores, claro, a criatividade não resolve os problemas do ensino brasileiro, mas pode se tornar a ferramenta para fazer a diferença no seu trabalho pessoal. Sempre há campo para nós, mestres, nos colocarmos muito além da “obrigação básica do programa”. Se nos posicionarmos assim, e também a favor dos alunos, nunca nos conformando de antemão com seu pouco interesse, e se adicionarmos a magia da criatividade ao planejar nossas aulas, aí sim, teremos feito a nossa parte. Concluímos lembrando que mudanças não são fáceis, mas muitas vezes são necessárias.


Texto do professor José Predebon, organizador e co-autor do livro Profissão Professor (Cia dos Livros).
E-mail: jose@predebon.com.br

Fonte:Análeses do Corumbah

A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento...

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza...

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.....

É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam...

Nas pessoas que escutam mais do que falam...

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca...

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo...

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros....

É possível detectá-la em pessoas pontuais...

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está...

Oferecer flores é sempre elegante...

É elegante não ficar espaçoso demais...

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros...

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro...

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais...

É elegante retribuir carinho e solidariedade...

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto...

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante...

É elegante a gentileza...

Atitudes gentis falam mais que mil imagens...

Abrir a porta para alguém é muito elegante...

Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante...

Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...

Oferecer ajuda... é muito elegante...

Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social:

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la...

Fonte: Blog do Valdemir
Adaptação de texto extraído do Livro: EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO.
Datroa : 29/01/2009


Postado por Iza Aparecida Saliés às 08:56
Marcadores: Comportamento

O amor e seus adendos


Bia Willcox

O amor é puro? Reformulando a minha pergunta: existe o sentimento do amor pelo amor, sem quaisquer acessórios de fábrica que o deixem mais brilhante, mais vibrante, mais sofisticado? E mais: esses adendos deixam o amor menos amor? Sempre me questionei sobre até onde vai o amor e aonde entram os múltiplos interesses humanos que podem interferir neste sentimento.

Mas, nesta semana, essas questões ocuparam mais tempo do meu pensamento, pois me encontrei com uma conhecida que me disse estar noiva. Imediatamente lhe perguntei: "Está apaixonada?" E ela: "Sim, sim. Mas a palavra que melhor define o que sinto é uma enorme segurança e carinho." Ok! Segurança não é amor. Nem carinho. Mas ela estava feliz, com os olhos brilhando.

Então a sua felicidade (a dela) se deve a ter arranjado um marido-pai-banco-guarda-costas a quem ela não ama? Ou ela ama sinceramente o seu noivo e, principalmente, pelo fato de ele lhe dar carinho e segurança? Como equilibrar essa equação aparentemente simples? Tenho tentado ser simplista. Minimalista mesmo. Tenho tentado montar axiomas cotidianos na minha cabeça que me permitam encontrar luzes no fim dos túneis nossos de cada dia, sem precisar recorrer à psicanálise, centro espírita ou tarólogo.

Hoje, vejo as coisas sob um prisma mais aritmético: o amor é amor e se torna mais amor ainda quando tornar os nossos momentos leves, felizes e nos fizer desejar repeti-los. O amor é amor quando conseguimos ser nós mesmos, sem medos, cuidados excessivos ou dramatizações. O amor é amor quando vemos no outro um conjunto de possibilidades alegres, bem-humoradas e que resultem em algum tipo de crescimento - intelectual, emocional, profissional ou material (por que não?!) - para nós.

Sem medo das palavras, quando amamos, somos interesseiros. Queremos algo que não conseguimos sozinhos. Queremos um complemento, uma melhoria. Selecionamos o que queremos amar. Racionalizamos este acontecimento dentro de nós para que ele seja mais amplo e maior em possibilidades. O amor, então, passa a ser maior e mais complexo que a sua essência. Se torna um conjunto de fatores agregados a ele que nos permite perceber o tempo juntos como algo que traz ganhos para nós mesmos. E que nos possibilite sentir "empatados" com o outro, já que também oferecemos ganhos nesta troca afetiva. São os famosos interesses (de naturezas diferentes) mútuos.

Amar, então, é uma troca de interesses positivos, interesses do bem, que tornam as pessoas em questão mais felizes, satisfeitas e quites umas com as outras, desde que seja sentimento correspondido - com interesses e intensidades correspondidos também. E quem tem algo a ver com isso?

Bia Willcox é publisher, palestrante, conferencista e diretora executiva da Editora Faces. E-mail: contato@editorafaces.com.br

Todas as Religiões são Verdadeiras

Autor: Ricardo Chioro


Não são difíceis as pessoas acharem que suas religiões são as melhores do mundo e querer que os outros sigam suas religiões e crenças.

Devemos saber que Deus e o plano espiritual estão em todos os lugares, principalmente nos lugares de culto a Deus e a Luz em modo geral. Quase todos os procedimentos religiosos são iguais, todos usam velas, incensos, orações e até mesmo mandalas.

Mas tudo isso para dizer que o plano espiritual e a própria realidade é uma só, apesar de algumas diferenças entre as religiões, como a existência ou não da reencarnação, as diferentes formas de se representar Deus e as formas de abordar as revelações metafísicas.

Um exemplo é no cristianismo falar: que Deus é justo e em outras religiões falar da lei do Karma, ou do Karma e do Dharma. Deus é chamado assim no Cristianismo, mas no Islamismo é Alah, no Hinduismo é Brahma, no Pajeismo é Tupã, no Egito é Há e etc. Os cristãos vêem a palavra de Deus na Bíblia mas os índios e os wiccans vêm na natureza.

Todas estas palavras e formas de ver estão corretas, o que muda é a forma e a linguagem.

Deus possui um tríplice aspecto não apenas no Cristianismo, mas também na Teosofia e no Hinduismo. No Cristianismo Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; no Hinduismo é Brahman, Shiva e Vinshu e na Teosofia é o Logo1, Logo2 e Logo3. Porém cada religião tem uma maneira de falar e do que enfatizar destes três aspectos de Deus.

Deus jamais abandona seus filhos e também nunca o fez nas religiões.

A revelação de Deus para o homem é pura e as distorções religiosas são causadas pelo ego de algumas pessoas. Muitas vezes as distorções são feitas para provar que a religião é única e verdadeira ou como sendo a melhor de todas, também para manipular o dinheiro e a cabeça dos fiéis que trás poder. Essas distorções só dificultam ainda mais as pessoas enxergarem que Deus está em todas as religiões.

Talvez Deus permita essas distorções para que as pessoas olhem para Dentro de si mesmas, pois lá está a verdade e não fora. Deus está dentro de nós e ele é tudo e tudo está dentro de nós.

A pessoa que trilha o caminho da iluminação enxergará diversas dessas enganações, pois a luz ilumina e mostra a verdade.

O caminho da luz é enxergar os próprios defeitos, as qualidades e as falsidades de outras pessoas, também transformando os seus defeitos enxergados, perdoando, buscando cada vez mais a fé em si mesmo e em Deus e ser verdadeiro e com isso fazendo cada vez mais presente o Deus que existe dentro de si mesmo.

O que importa mesmo é a luz que as pessoas desenvolvem nas religiões e isso implica: amor, fé, verdade, bondade, carinho, sentimento, coração, sabedoria, transformação e paz. Estas coisas são eternas, nos completam e dão real sentido para nossas vidas.

Geralmente os Espiritualistas, principalmente os Kardecistas, criticam muito os católicos, mas foi no Catolicismo que Madre Tereza de Caucutá atingiu o eterno Nirvana. E não só ela, como também Santo Hilário (Mestre Hilarion – Senhor da Luz Verde) e outras personalidades.

Lembre-se: a religião não é má, alguns seres é que são muito egoístas, mas mesmo assim siga o caminho da luz e perdoe-os.

Existem diversos enganos em diversas religiões, seitas, ordens, escolas de mistério, lugares espiritualistas ou não, lugares de muito nome e muito comentados e lugares de pouco nome e pouco comentados.

Não importa qual é a religião da pessoa, mas sim a luz que ela desenvolve com a religião.

Isto é Deus, isto é Divino.


Obs: A Igreja São José fica na rua Dinamarca, numero 32, no Jardim Europa.





Autor: Ricardo Chioro
email: richard_c@uol.com.br



Dicionário das línguas indígenas


Elias Januário

Está sendo concluído um impressionante trabalho na área da linguística e da educação, que se trata de um dicionário enciclopédico eletrônico das línguas indígenas da maioria dos povos de Mato Grosso, cujo foco da pesquisa é o estudo e sistematização de duzentos verbetes (palavras) em vinte e oito línguas indígenas.

Esses verbetes são de temas como animais, plantas, objetos, partes do corpo humano e elementos da natureza. Deles foram feitos a palavra em português, na língua indígena, o tronco linguístico, a família linguística, a transcrição fonética, a transcrição ortográfica, definição na língua indígena, definição na língua portuguesa, exemplo na língua indígena e na língua português e o desenho, além da gravação do som na língua indígena.

Trata-se de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Faculdade Indígena Intercultural da Universidade do Estado de Mato Grosso em parceria com órgãos de fomento de Mato Grosso e organizações indígenas.

No Brasil temos cerca de 180 línguas indígenas faladas, sendo que Mato Grosso abriga um número considerável dessa parcela de falantes das línguas maternas.

A proposta de elaboração do dicionário surgiu da preocupação em estar desenvolvendo um trabalho efetivo que contribuísse com a manutenção das línguas existentes e pudesse estar revitalizando algumas que entraram em processo de desaparecimento.

A intenção do dicionário é que ele seja disponibilizado aos indígenas e, também, à população não índia, na perspectiva de mostrar a diversidade para a comunidade educacional brasileira, notadamente aquela dedicada à educação escolar indígena, na expectativa de que seja usado na escola não índia, mostrando assim a diversidade étnica e cultural, as diferentes lógicas de ver e pensar o mundo presente em nosso país, estimulando ainda a produção de materiais didáticos.
Foi pesquisando e estudando essas 28 línguas indígenas que o grupo envolvido neste projeto, conseguiu digitalizar textos, imagens e sons, fazer a revisão linguística e de português dos verbetes, além da elaboração do projeto de multimídia.

Metodologicamente o trabalho seguiu uma abordagem qualitativa, contando com a participação efetiva dos estudantes indígenas e suas comunidades, onde foram feitas entrevistas, gravações, anotações e um intenso trabalho de campo e laboratório.

Ao desenvolver pesquisa com os indígenas, em um processo de convivência interativa e criativa, caracterizando pela compreensão e reconhecimento da diferença étnica, acreditando contribuir com a produção e circulação de uma literatura indígena que possa superar a ausência de materiais de leitura nas escolas e respectivas comunidades indígenas.

Ao mesmo tempo tem-se a expectativa que ao possibilitar a devolução de parte da produção escrita e de imagens aos estudantes indígenas, estimular-se-á a elaboração de outras publicações, de autoria individual e coletiva, por parte dos professores indígenas e de seus alunos, que possam subsidiar o processo educativo nas escolas das aldeias.

Em síntese, a proposta do dicionário que agora se conclui promove o registro e a divulgação de experiências e reflexões geradas por indígenas e não indígenas ao longo de mais de dois anos, possibilitando com isso a construção de políticas públicas no estado de Mato Grosso, particularmente no que refere ao ensino da língua indígena, visando à afirmação da identidade étnica e cultural do patrimônio imemorial linguístico existente.

Elias Januário é doutor em Educação, professor de Antropologia da Unemat e escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

História da Educação Brasleira:As Primeiras Escolas Normais


No Brasil, só o governo central - a Metrópole, no Brasil-Colônia, e a cidade do Rio de Janeiro, no Brasil Império e na República – podia fundar escolas superiores. Aliás, os presidentes das Províncias não dispunham de condições para a fundação de uma Universidade ou de uma Faculdade Isolada: iniciativa de tamanha envergadura era suposta encontrar-se além de seus recursos humanos, financeiros e culturais. Em educação, o máximo, a que uma Província podia almejar, era criação de uma Escola Normal. “Em 1835 funda-se a primeira de nossas Escolas Normais, em Niterói, e, em 1842, a da Bahia. De tal modo, porem andava inferior o nível do ensino brasileiro que, além de não poder fundar escolas superiores, via-se, muitas vezes, coroada de fracasso, até a própria fundação da Escola Normal. Em virtude desta realidade educacional, melancolicamente dizia, em 1867, o Presidente da Província do Paraná: “Reconheço a necessidade de uma Escola Normal; mas no Brasil elas têm sido plantas exóticas: nascem e morrem quase o mesmo dia”
A Província de São Paulo, considerada a primeira em instrução, estabelece, em 1846, sua primeira Escola Normal, instalada em 1847; e, em 1867, apesar de tudo, é surpresa esta Escola Normal, a única da Província de São Paulo. Na Província de Minas Gerais já em 1835, luta-se pela consecução de uma Escola Normal. Em 1879, o Presidente da Província de Minas Gerais, Roberto Horta, informa à Assembléia Legislativa: “Conta a Província atualmente com cinco Escolas Normais: a da capital e a de Campanha funcionam desde 1872; a de Diamantina instalada no presente ano, e as Paracatu e Montes Claros que só poderão funcionar no ano próximo”. Na Província do Espírito Santo, a reforma da instrução primária, em 1873, manda criar uma Escola Normal. Na Província do Rio Grande do Norte, a Escola do Normal é instalada em 1874, enquanto, na Província do Amazonas, em 1882.

Papel Da Escola Normal
Na História da Instrução Feminina no Brasil, papel único e de relevante importância desempenharam as Escolas Normais que, silenciosa mas profundamente, arrancaram as mulheres de seu enclausuramento, elevando-as, instruindo-as e delas fazendo as primeiras professoras do Brasil; além disso, ofereceram-lhes oportunidade de serem úteis ao próximo, de se realizarem, de trabalharem fora, capacitaram-na a melhor educar seus próprios filhos e deram-lhes, pela primeira vez, instrução de grau médio, fato jamais acontecido no Brasil, ainda mais de maneira oficial e sistemática. Deste modo, constituíram as Escolas Normais a ponte natural para entrada da mulher no ensino superior e, mais tarde, em todas as esferas de atividade. Por isso, apesar de deficiente e cambaleante, vital e inolvidável foi o papel das Escolas Normais, criadas no Brasil do século XIX. O principio da democratização do ensino feminino começou com as Escolas Normais, uma vez que “antes disso, somente as moças de famílias abastadas recebiam alguma instrução, por via de regra eficiente e de aparato, já em casa de seus pais com mestres particulares, que há mais de meio século tem existido no Brasil, como Indústria lucrativa.

Cronologia Histórica
Formação dos Professores
Apesar de todas as limitações é um dado adquirido que a formação de professores conheceu no início do século XX uma efetiva expansão. Durante a 1ª. República ocorrem algumas importantes inovações institucionais, mas devido às convulsões internas do regime, estas raramente ultrapassaram o nível experimental. A ditadura que se inicia em 1926, teme a ação dos professores, e procura limitar a sua profissionalização, mas também a sua formação. Os anos trinta foram neste aspecto uma época de verdadeira regressão no sistema de formação de professores. Será preciso esperar pela agonia do regime, no Consulado Marcelista, para que se sejam introduzidas importantes alterações na formação de professores, impostas pela expansão do sistema educativo. Os grandes aumentos na profissionalização dos professores só ocorrem, contudo, depois do 25 de Abril de 1974. Os anos oitenta serão marcados pela diversificação dos modelos e modalidades de formação, mas também de consolidação das ciências da educação.
1901:
- Criação do curso de habilitação para o ensino do magistério secundário, no Curso Superior de Letras ( decretos 4 e 5, de 24 de Dezembro).

• O curso de habilitação para as disciplinas de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Histórico-Naturais e Desenho, tinha a duração de 4 anos. O três primeiros eram destinados à formação de especialidade na Universidade de Coimbra, na Escola Politécnica de Lisboa, ou ainda na Academia Politécnica do Porto. O último ano, era dedicado à formação pedagógica e era ministrado no Curso Superior de Letras, em Lisboa.
Cadeiras pedagógicas: Psicologia e Lógica; Pedagogia do Ensino Secundário; História da Pedagogia e em especial de Metodologia de ensino.

• O curso de habilitação para as disciplinas literárias (Línguas, História e Geografia), tinha 4 anos de duração, sendo ministrado apenas no Curso Superior de Letras, em Lisboa . As cadeiras pedagógicas eram ministradas no 2º e 3º., ano sendo o 4º. ano de iniciação ao exercício do ensino secundário.
Cadeiras Pedagógicas: Psicologia e Lógica ( 2 º. Ano); Pedagogia do Ensino Secundário e História da Pedagogia e em especial da Metodologia do Ensino (3º. Ano); o último ano, como dissemos, era consagrado à prática pedagógica.

1902:
- Regulamentação do ensino normal primário, a 19 de Setembro. O curso passa a ter a duração de 3 anos.

1910:
- Quando foi proclamada a República a 5 de Outubro, existiam escolas normais primárias em Lisboa, Porto e Coimbra, havendo ainda escolas para habilitação ao magistério nas sedes de todos os distritos, com exceção de Santarém.

1911:
- Reforma dos cursos para habilitação para o magistério secundário ( Decreto de 21 de Maio). Nas Universidades de Lisboa e Coimbra, em anexo às respectivas Faculdades de Letras e Ciências são criados as Escolas Normais Superiores , destinadas a preparar professores pra o magistério dos liceus, das escolas normais primárias e das escolas primárias superiores, assim como para a admissão ao concurso para os lugares de inspetores de ensino. Em anexo às Faculdades de Letras são também criados Laboratórios de Psicologia, considerados indispensáveis para os estudos filosóficos e os estudos pedagógicos das referidas escolas normais superiores.

Como era prática corrente na monarquia, sucedem-se agora durante a República os desfazimentos entre o que era legislado e o que era efetivamente realizado. As escolas normais superiores só começaram a funcionar no ano letivo de 1915/16. A preparação psicopedagógica dos professores do ensino secundário continuou a processar-se, sem grande alterações, segundo o disposto nos Decretos 4 e 5 de Dezembro de 1901, e Decreto de 18 de Novembro de 1902!
Plano de Estudos das escolas Normais Superiores
(Componente Pedagógica, segundo o Dec.21/5/1911)
1º. Ano (preparação pedagógica)
• Pedagogia
• História da pedagogia
• Psicologia infantil
• Teoria das ciências
• Metodologia geral das ciências matemáticas e das
• Ciências da natureza (Secção de Ciências).
• Higiene geral e especialmente higiene escolar
• Moral, instrução cívica superior • Metodologia especial
2º. Ano ( Iniciação à prática pedagógica)
• Prática pedagógica
• Metodologia Especial
Esta componente pedagógica manteve-se sem grandes alterações até 1930.
- Reforma do ensino normal primário(Decreto de 29 de Março), na qual são criadas três escolas normais primárias, em Lisboa, Porto e Coimbra, em regime de co-educação. Estas novas escolas passam a ter vários tipos de cursos, tais como:

1.Curso Geral do magistério primário, comum a ambos os sexos. Este curso tinha a duração de 4 anos, e compreendia um total de 19 disciplinas.
2. Curso Especial para cada sexo. O curso especial destinado a professoras constava das seguintes matérias: jardinagem e horticultura; trabalhos manuais e economia doméstica; freqüência duma maternidade nos últimos meses dos cursos. O curso especial destinado ao sexo masculino, constava de trabalhos manuais e agrícolas; exercícios militares e de natação.
3. Cursos Complementares
4. Curso Colonial
5. Curso destinado a professores de "alunos diminuídos, intelectuais ou físicos".
Esta reforma é suspensa a 16 de Dezembro, continuando o ensino normal primário a funcionar nos moldes anteriores!
1914:
- Reforma do Ensino Normal Primário (Lei 233, de 7 de Julho). Apesar das 3 escolas normais criadas em 1911 ainda não terem entrado em funcionamento, no plano legislativo paravam de serem introduzidas alterações: O Curso Geral passou de 4 para 3 anos, foram extintas várias disciplinas (Língua Francesa e Inglesa, Moral e Instrução Cívica, Contabilidade Comercial, Industrial e Agrícola...), foram criadas algumas novas (História da Instrução Pública em Portugal...).A idade mínima dos alunos foi fixada em 16 anos, sendo exigido o diploma de aprovação no curso das escolas primárias superiores e da aprovação em exame de 3ª. classe do Curso Geral dos Liceus.
Como era habitual, a execução da Lei 233 que reorganizava o ensino normal foi suspensa em Junho de 1916 e depois em Agosto de 1917.

1915:
- Entram em funcionamento no ano letivo de 1915/16 as Escolas Normais Superiores de Lisboa e Coimbra. A prática pedagógica dos alunos da escola de Lisboa fazia-se nos Liceus Camões, Passos Manuel, Pedro Nunes, a que se acrescentou depois o Liceu Gil Vicente (1916). Em Coimbra, a prática pedagógica era feita no Liceu José Falcão.
1918:
- Começa a funcionar, no ano letivo de 1918/19, a primeira das escolas normais criadas em 1911. Trata-se da Escola Normal de Lisboa. Abre as suas portas 4 de Dezembro, nas salas da Sociedade "Desportos Lisboa - Benfíca", a mudança para o novo edifício, construído especialmente para o efeito, só começou a fazer-se após as férias de natal.
No ano letivo de 1919/20 começam a funcionar as novas escolas normais de Coimbra e Porto.
1924:
- É extinta a Escola Normal Superior de Coimbra (Dec. 10.205, de 22 de Outubro). A Escola Normal Superior é desintegrada da Universidade. Face à reação dos professores a Escola Normal Superior de Coimbra é de novo restabelecida (Fevereiro de 1925). Ao longo da 1ª. República o funcionamento destas escolas foi sempre marcado pela precariedade do funcionamento.
1927:
O Ensino Normal Primário durante a 1ª. República
Com a Ditadura Militar (1926-1933) e depois durante a fase de consolidação do Estado Novo, o ensino normal primário sofre uma brutal repressão. A generalidade dos professores são encarados com desconfiança. Assim, logo em 1928, o Decreto 15.365, de 12 de Abril, tendo em vista reduzir as despesas públicas extingue as escolas normais primárias de Coimbra, Braga e Ponta Delgada. Contudo, atendendo às elevadíssimas taxas de analfabetismo do país (superiores a 50%), o decreto 15.886 de 21 de Agosto, volta a restabelecer as referidas escolas. Foi o primeiro ensaio de um processo que terá o seu epílogo em 1936.
1928:
- Reorganização do ensino normal primário (Decreto de 16.037, de 15 de Outubro). O curso geral é aumentado para 4 anos, procurando-se desta forma compensar a redução da idade mínima obrigatória para o poder freqüentar, para além de deixar de ser exigido também o curso geral dos liceus aos candidatos.
1929:
- Cria-se a Escola Superior de Educação Física. O primeiro estabelecimento do país destinado á formação de professores de professores educação física. Esta escola privada funciona junto da Sociedade de Geografia de Lisboa. Em 1940 seráa extinta, sendo substituída pelo então criada Instituto Nacional de Educação Física.
1930:
- As Escolas Normais Superiores são extintas, criando-se para as substituir nas Faculdades de Letras de Coimbra e de Lisboa, uma Secção de Ciências Pedagógicas (Dec.18.973, de 16 de Outubro). O novo modelo de formação de professores para o ensino secundário (liceu e técnico), assentava numa divisão entre "cultura pedagógica" e "prática pedagógica". A primeira era ministrada durante um ano nestas Secções. A segunda, correspondia a um estágio com a duração de dois anos, feito num dos liceus "normais" escolhidos para o efeito: O liceu Normal de Pedro Nunes em Lisboa, e o Liceu Normal Dr. Júlio Henriques em Coimbra.
1931:
-As Escolas Normais Primárias, passam a designarem-se "Escolas do Magistério Primário". Esta reorganização do ensino normal é aproveitada para suspender os cursos do magistério infantil.
1936:
-É suspensa a matricula nas escolas do magistério primário, tanto nas oficiais como nas particulares, o que conduziu à sua rápida extinção (Dec-Lei 27.279, de 24 de Novembro). Surge então um novo tipo de docentes- os regentes escolares, exige-se apenas que tenham o exame da 4ª. classe e que saibam a matéria que ensinam. No ano letivo de 1935/36 eram já 740, depois chegam a atingir 6.700.
1940:
- Consta-se que 380 escolas não possuíam professores primários diplomados.Mesmo recorrendo a regentes escolares, 134 escolas primárias acabam por ser encerradas (Dec.-Lei 30.951, de 10 de Dezembro).
1942:
- Perante a enorme carência de professores primários, o regime salazarista é compelido a reabrir algumas escolas do magistério primário (Dec-Lei 32.243, de 5 de Setembro). Em 1945, eram elevadas para 6 o número destas escolas (Dec.Lei 35.076, de 26 de Outubro, e 35.227, de 7 de Dezembro). É criada a escola da Horta, no liceu desta cidade. Em 1948, é criada a escola de Angra do Heroísmo.
1947:
- A profissionalização dos professores do ensino liceal é mais que nunca dificultada com o encerramento dos estágios no Liceu Pedro Nunes em Lisboa, mantendo apenas em funcionamento o estágio no Liceu D. João III, de Coimbra. Apenas em 1956 será reaberto o estágio no Liceu Pedro Nunes, e só em 1957 será criado no Porto, estágios para o 5º.,6º., 7º. e 9º. grupos.
1957:
- Um diploma dispensa de exame de admissão ao estágio do ensino liceal, e mesmo do1º. ano de estágio, os candidatos do sexo masculino que estivessem abrangidos por certas condições específicas.
1960:
- Reforma dos currículos das escolas do magistério primário (Dec.Lei 43.369, de 2/12).
1964:
- Em virtude da criação do ensino primário complementar com a 5ª. e 6ª. classe, estabelecem-se nas escolas do Magistério Primário cursos complementares de preparação de professores para estes anos terminais.
1968:
- Instituiu-se nas Faculdades de Ciências e de Letras o grau de bacharelato que habilitava par o acesso ao estágio.
1969:
O Ensino Normal Primário entre 1926 e 1970
Observações: a) 2 estabelecimentos particulares; b) 8 estabelecimentos particulares; c) 5 estabelecimentos particulares.
- Face à necessidade de recrutar mais professores para o ensino secundário, o regime decide finalmente criar estágios em grande número de liceus e escolas, o que se irá traduzir no aumento do número de professores profissionalizados.
1971:
- Nas Faculdades de Ciências é criado um ramo educacional para a formação de professores. A formação cientifica fazia-se nos 3 primeiros anos, antes de iniciarem o 4º ano, os alunos tinham que optar entre o ramo educacional e o ramo científico. Os que optavam pelo ramo educacional, freqüentavam no 4º. ano algumas cadeiras psicopedagógicas. O 5º ano era destinado a um estágio (Dec.443/71).
1974:
- Elimina-se a figura do exame de Estado, tanto para o magistério primário, como para os estágios no preparatório e do secundário.Os professores estagiários passam a participar no seu processo de avaliação.
- Acabam nas Faculdades de Letras os cursos de Ciências Pedagógicas, criados em 1931. A formação centra-se agora nas escolas onde se realizam os estágios (os centros de estágio). A formação dos estagiários está agora mais do que nunca dependente dos denominados Orientadores de Estágio, em geral, com uma formação psicopedagógica muito deficiente. Em resultado deste processo, amplamente descentralizado, multiplicam-se por todo o país os centros de estágio e o número de professores profissionalizados
1977:
- Criação do sistema público pré-escolar e as escolas normais de educação de infância (Leis 5 e 6/77, de 1 de Fevereiro). No ano letivo de 1977/78, existiam em Portugal, apenas 1,916 educadoras de infância no ensino oficial, e 1.1317 no ensino particular. A formação era garantida por 4 escolas oficiais – as Escolas do magistério infantil de Coimbra e Viana do Castelo, e as escolas normais de educadores de Infância de Viseu e Guarda . Asseguravam ainda esta formação 4 escolas particulares, duas em Lisboa e 2 no Porto. No ano letivo de 1978/79, iniciaram o 1º ano do Formação .Educadores de Infância, as escolas do magistério primário das Caldas da Rainha, Évora, Fundão, Guimarães, Lamego, Penafiel.
- Criação das Escolas Superiores de Educação (Dec.Lei 427-B/77, de 14/10, retificado pela Lei 61/78, de 28/7). A esses tinham por finalidade formar educadores de infância e professores primários.
1978:
- Criação das Licenciaturas em Educação, nas atuais Universidades de Aveiro, Minho, Beira Interior (Covilhã), Açores ( Ponta Delgada), Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real).
1979:
- Criação do Modelo de Formação em Exercício (Dec.Lei 519-T1, de 29 de Dezembro), destinado à formação pedagógica de professores já em exercício no ensino preparatório e secundário. Este sistema este em vigor nos anos letivos de 1980/81 a 1985/86, quando foi substituído por outro modelo (Dec.Lei150-A/85, de 8 de Maio).
- A formação era realizada nas escolas durante dois anos (Desp.358, de 31/10/1980). A formação assentava num "Plano Individual de Trabalho", definido de acordo com as características de cada formando.
Intervinham nesta formação um vasto conjunto de entidades: Conselho Orientador; direções de ensino; equipas pedagógicas; orientador pedagógico; conselho pedagógico; delegados; conselhos de grupo, e por último o próprio professor em formação.
1982:
- Inicio da formação da professores nas escolas superiores de educação. Os primeiros cursos destinavam-se a formar educadores de infância e professores do ensino primário. Os cursos tinham a duração de 3 anos, e conferiam o grau de bacharelato. Em 1985, a esses passaram a ministrar a formação pedagógica; a professores do ensino preparatório e secundário, em regime de formação em serviço.
1986:
-Lei de Bases do Sistema Educativo
- Reconhece-se, no plano dos princípios, o direito dos professores a uma formação contínua (LBSE, 1986). Será necessário esperar por 1992 para que a mesma seja institucionalizada ( regime jurídico da formação contínua- Dec.Lei 249/92, de 9/11) e se dê inicio aos primeiros programas concretos (Foco e Forgest, 1992).
1987:
-No ano letivo de 1987/88. as Faculdades de Letras das Universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, ditas "clássicas", iniciam finalmente os ramos de formação educacional.
1989:
- Numa ação de formação à distância, conduzida pela Universidade Aberta, milhares de professores são após longos anos de atividade profissional "profissionalizados".
1992:
-Arranque da formação contínua, numa escala sem precedentes.
1999/2000
- Início do Mestrado 2000.

Bibliografia
História da Educação Brasileira, autor: José Antonio Tobias, Editora Juriscredi LTDA.
Manual Didático de Pesquisa, autor: Manoel Cardoso, Durval Barbosa Alves Ferreira, Alexandre Fabris, Maria Fernanda Major Tinari, Editora Didática Paulista.
Autoria: Carlos Carvalho

Minorias se unem contra ensino religioso obrigatório no Rio

Se tudo sair como planeja o prefeito Eduardo Paes (PMDB), em breve as 1.063 escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro passarão a contar com ensino religioso. Para levar à frente a medida, a prefeitura terá de contratar 600 novos professores, o que deve causar um impacto orçamentário anual de aproximadamente R$ 12 milhões. Embora a lei determine a obrigatoriedade do ensino nas escolas públicas, a frequência será facultativa. Na Câmara Municipal o debate pega fogo.

Audiência pública realizada nesta terça-feira (14) mostrou que além de polêmica, a lei pode aumentar as pilhas de processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Representantes das minorias temem o aumento do preconceito entre estudantes e suas famílias e argumentam que a proposta fere o artigo 19 da Constituição, que garante o Estado laico.

Porém, o ensino religioso também está previsto no artigo 210 da Carta Magna e conta com o respaldo do artigo 33 da lei 9.394 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional – cujo conteúdo levou o Ministério Público Federal a entrar com uma ação de inconstitucionalidade que foi acolhida pelo STF, mas ainda aguarda parecer final.

“O ensino religioso já existe nas escolas estaduais do Rio. E nós sabemos que todas as vezes em que os segmentos mais hegemônicos entram na escola, eles começam a fazer a cabeça de alunos para entrarem nas suas religiões e perseguirem as religiões de matrizes africanas”, reclama o babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Ele afirma que se a pluralidade das diferentes religiões não for respeitada, irá recorrer ao STF. “Se houver cerceamento às religiões de matrizes africanas vamos recorrer ao Judiciário. Ou é para todo mundo ou não é para ninguém”.

Apresentado à Câmara no dia primeiro de abril, o projeto chegou com a recomendação de que fosse votado em caráter de urgência. Porém, depois do escândalo com a compra milionária dos automóveis Jetta para os parlamentares da Casa, os 51 vereadores optaram por não jogar lenha em mais nenhuma fogueira. Assim, foi o próprio líder do governo, Adilson Pires (PT), que retirou a proposta da pauta, para que fosse realizada uma audiência pública. Ainda não foi estabelecida nova data para a votação.

Em fevereiro, o Conselho Municipal de Educação emitiu um parecer contrário à proposta.

No projeto de lei nº 862/2011, o Prefeito Eduardo Paes explica que para cumprir “preceitos constitucional e infraconstitucional” os futuros professores de ensino religioso terão de ter como “formação mínima a licenciatura plena em Sociologia, Filosofia ou História, ou bacharelado em teologia desde que comprovada, também, licenciatura plena em outros campos específicos do conhecimento que constituam disciplinas obrigatórias do ensino fundamental”.

Representante do Conselho Nacional de Educação (CNE) no Rio de Janeiro, o professor de Sociologia da Educação da UFRJ Luiz Antônio Cunha recomendou aos edis que aguardem a formação de uma comissão intercameral, que irá estudar a questão e propor normas que orientem a oferta do ensino religioso nas escolas públicas, antes de cabalarem votos a favor ou contra o projeto.

“Pesquisas realizadas por docentes da UFRJ e da USP mostram que o ensino religioso tem sido evocado como um mecanismo de controle individual e social supostamente capaz de acalmar os indisciplinados, de conter o uso de drogas, de evitar a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis”, afirmou Cunha, sem no entanto sinalizar com uma data para a apresentação das normas indicativas.

O vereador Paulo Messina (PV), presidente da Comissão de Educação e Cultura na Câmara de Vereadores do Rio apresentou uma emenda ao projeto. Quer que, além de opcional, o ensino religioso seja oferecido fora do horário mínimo das 800 aulas anuais de aula. "Isso limitaria a proposta a ser aplicada apenas nas escolas que oferecem horário integral o que hoje, no Rio, não passa de 200", disse ele, que é contra o projeto.

(IG)

EUA abandonam ensino da letra de mão

Defensores da medida, que provoca polêmica, argumentam que as crianças não necessitam mais escrever com caneta no papel

CORRESPONDENTE
NOVA YORK

Paulo Liebert/AE-19/8/2010

Ultrapassado. Escolas de cerca de 40 Estados americanos vão abandonar ensino da letra cursiva, por considerá-la hoje ultrapassada e desnecessária

O ensino da letra cursiva (de mão) será opcional em Indiana e deverá ser banido definitivamente nos próximos anos. A decisão deve ser seguida por mais de 40 Estados americanos que também consideram esta forma de escrever como ultrapassada. Na avaliação deles, é mais importante se concentrar no aprendizado das letras bastão (de forma).
O argumento dos defensores desta lei, que provocou polêmica nos Estados Unidos nas últimas semanas, é de que hoje as crianças praticamente não necessitam mais escrever as letras com caneta ou lápis no papel.

Seria mais importante elas aprenderem a digitar mais rapidamente, já que quase toda a comunicação acontece por meio de letras de forma nos celulares e computadores.

"As escolas devem decidir se pretendem ensinar letra cursiva, mas recomendamos que deixem de ensinar e se foquem em áreas mais importantes. Também seria desnecessário encomendar apostilas que ensinem letras cursiva", diz um memorando do Departamento de Educação de Indiana.

A Carolina do Norte também já anunciou que adotará uma medida similar, segundo suas autoridades educacionais.
A Geórgia é outro Estado americano que recomenda o fim do ensino, segundo seu porta-voz Matt Cardoza, apesar de "aceitar que os alunos aprendam a letra de mão caso os professores considerem necessário".

Esses Estados, assim como outros 40, integram o Common Core Stated Standards Initiativa (Iniciativa para um Padrão Comum de Currículo), responsável por tentar padronizar o ensino básico nos Estados Unidos. O grupo defende abertamente o fim do ensino da letra cursiva.

Jody Pfister, diretor de um distrito escolar em Indiana, escreveu artigo em um jornal local defendendo as mudanças. "Se olharmos antigos documentos ou se vermos a escrita de mão dos tempos da guerra civil, eles eram verdadeiros trabalhos artísticos e certamente perderemos parte disso. Mas temos de levar em conta o progresso", escreveu o diretor.

Os opositores, além de levar em conta a tradição, dizem que a letra representa em parte a personalidade das pessoas, especialmente nas assinaturas, e também permite que sejam lidos documentos históricos, como a declaração de independência dos Estados Unidos.

Um encontro da Master Penmen, a associação internacional dos instrutores de letra de mão, deve se encerrar hoje no Arizona com um repúdio à decisão em Indiana. Eles contam também com um apoio indireto do presidente Barack Obama, que tem o costume de escrever cartas de próprio punho para algumas pessoas, inclusive para eleitores.

Trajetória. Até poucas décadas, o ensino da letra cursiva nos países ocidentais era inquestionável, e crianças passavam horas aperfeiçoando a letra em cadernos de caligrafia. O importante, além de tornar os traços legíveis, era ser capaz de escrever de uma forma considerada bonita. Foi com a pedagogia moderna que a exigência da letra cursiva começou a ser questionada. Com o tempo, cadernos de caligrafia caíram em desuso.



Estudante aprende 68% mais com bom professor

Alunos que têm os melhores professores aprendem mais do que aqueles com docentes piores

O conceito de que o aluno é quem faz a escola acaba de ser derrubado com a revisão de quase 200 artigos científicos nacionais e internacionais sobre Educação, reunidos em único estudo chamado Caminhos para Melhorar o Aprendizado. De acordo com o documento, alunos dos melhores professores aprendem 68% mais do que os colegas orientados pelos piores docentes. Quantidade de alunos por sala, apoio e estrutura da escola também são fundamentais para esses resultados.

Fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Instituto Ayrton Senna e movimento Todos pela Educação, o levantamento considerou apenas as pesquisas cuja amostra contou pelo menos com 2 mil pessoas ou cem escolas – entre instituições de ensino fundamental e médio.

A compilação reúne dados a partir de experiências em salas de aula que obtiveram resultados positivos para o aprendizado. De acordo com o documento, os textos analisados e tornados públicos demonstram que “uma boa escola e um bom professor são indispensáveis para o aprendizado do aluno”.

“Por muito tempo, os estudos mostraram que o ambiente familiar era mais importante para o aprendizado e o professor, pouco. Os estudos passados falharam”, afirma Renato Paes de Barros, secretário da SAE. “Os novos demonstram que a qualidade do professor é a coisa mais importante da escola”, completa.

E nem sempre os educadores com mais tempo de carreira e com a melhor formação acadêmica são os melhores. De acordo com Barros, as pesquisas não apontam exatamente as características que o bom docente tem – ou deveria ter –, mas argumenta que “todo aluno e toda direção sabe quando o professor é bom”. E frisa: “Os alunos realmente aprendem.”

Especialistas e gestores ouvidos pela reportagem sustentam que a educação continuada do educador é fundamental para seu desempenho em sala. Para Paes de Barros, as escolas deveriam ter fichas – semelhantes a dos médicos – com um tipo de diagnóstico escolar do estudante, além de avaliações, como a Prova Brasil, todos os anos. “Ajudaria a medir o quanto as crianças aprenderam”.

Outros fatores

Se os progressos no campo da educação dependem do corpo docente de cada instituição de ensino, há outros fatores que também interferem nesse processo. Salas com até 15 alunos aprendem 44% mais que aquelas com 22 pessoas. Aulas com mais de 50 minutos não ampliam a absorção de conhecimento, mas as faltas são extremamente prejudiciais ao ensino: um aula a menos em cada dia letivo leva a uma queda de 44% no aprendizado. O mesmo baixo porcentual é percebido quando há redução de quatro dias de aula por mês ou crescimento da turma em 30%.

“A exposição do aluno ao professor é importante”, acrescenta o professor André Portela, coordenador do Centro de Microeconomia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas e também participante do estudo Caminhos. Para ele, o ambiente escolar, bem como o tempo que a criança passa na escola são determinantes para o seu desenvolvimento.

O foco do estudo é a educação básica. É nesse período, que inclui desde a alfabetização dos pequenos, aos 6 anos, até a conclusão do ensino médio, com 17 anos, que o aluno desenvolve várias competências. Por exemplo: “raciocínio, habilidades analíticas e tomadas de decisões”, aponta Portela.

Educadores em estudo contínuo

Especialistas concordam que a qualidade do professor é fundamental para o bom desempenho dos estudantes, mas fazem ressalvas.

“Se colocar as expectativas de aprendizado apenas no professor, deixamos, por exemplo, as instituições de ensino e as políticas públicas fora desse processo. E isso me preocupa”, alerta Neide Noffs, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e coordenadora do curso de Psicopedagogia da mesma entidade. “Outras variáveis interferem no aprendizado, como número de alunos em classe, infraestrutura, o envolvimento do aluno e sua capacidade cognitiva, emocional e psicológica”, completa.

Contudo, no que diz respeito à formação de um bom educador, Neide afirma que a educação continuada é fundamental.
É com essa formação, segundo a professora da PUC-SP, que o docente aprende a lidar com o magistério de fato e aproveita o tempo para, por exemplo, saber como lidar com o aluno hiperativo, displicente, acomodado.

“A formação continuada é importante para encontrar formas de adequar seu conhecimento à realidade dos alunos”, concorda Flavinês Rebolo, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação d a Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Contudo, ela questiona a inserção de mais avaliações para medir o desempenho do docente e o aprendizado dos estudantes. “Muitos profissionais relatam que param o conteúdo para direcionar as aulas para as exigências dessas provas”, revela.

Para ela, a educação, no Brasil, só poderá avançar se o País voltar a considerar a educação, não como uma forma de obter títulos e status, mas como o centro onde se “amplia o conhecimento, de humanizar o ser humano por meio do aprendizado”.

Finalmente, a reestruturação do magistério e a valorização do profissional, com melhores salários e condições de trabalho, são, para Flavinês, outro fator importante na formação de um bom profissional e do progresso do ensino brasileiro.

Bandeirantes tem bom resultado com foco no professor

Com 240 profissionais ligados diretamente à educação – dos quais 140 são professores –, o Colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, zona sul da capital, figura entre as melhores escolas do País e está entre as dez primeiras do Estado de São Paulo, de acordo com os resultados divulgados pelo governo federal do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O último exame divulgado corresponde às avaliações de 2009.

Segundo o diretor-presidente da instituição de ensino, Mauro Aguiar, “professores motivados e qualificados” são a chave do aprendizado. “E uma boa infraestrutura e equipe de apoio também são fundamentais”, diz.

No Bandeirantes, todos os docentes fizeram uma especialização e são estimulados pela instituição a prosseguirem com os estudos de pós-graduação, a participar dos congressos nacionais e internacionais de suas áreas e de grupos com psicopedagogos, uma vez por semana, para debater temas relativos à sala de aula. “Temos uma professora de espanhol defendendo sua dissertação em Madrid (Espanha) e outras duas em aperfeiçoamento na Inglaterra”, conta Aguiar. A escola arca com todos os custos da formação dos docentes.

Coordenador de uma escola estadual em São Roque, no interior de São Paulo, o pedagogo Roque Jesus da Silva, viu os índices evasão caírem para zero, a frequência atingir a média de 97% a aprovação chegar a 90% dos alunos, depois de receber orientações do Instituto Ayrton Senna, que tem na formação continuada do professor um de seus braços de atuação.
Um dos motivos para a melhora dos índices é a adoção de fichas de acompanhamento mensal, que permitiu aos professores e ao próprios alunos verificarem a evolução de seu aprendizado.





Sugestão de aula: De grão em grão... a história dos provérbios

De grão em grão... a história dos provérbios
Investigue a origem dos provérbios mais usados em diferentes regiões do Brasil e questione os alunos sobreos valores que estão por trás dos ditados populares

Objetivo
- Perceber o conteúdo ideológico dos provérbios.
- Analisar a relação entre provérbios e "sabedoria popular".

Conteúdos
- Provérbios da Língua Portuguesa.
- Sabedoria popular.

Tempo estimado
Duas aulas

Materiais necessários
Cópias do artigo "'O seguro morreu de velho’: a história de um provérbio vivo" (Veja, Ed. 2245, 30 de novembro de 2011); computador com acesso à internet para mostrar o vídeo da canção "Bom Conselho", disponível em http://abr.io/1Yf7 (você também pode utilizar um aparelho de som para mostrar a canção aos alunos); cópias da letra da canção para todos os alunos; cartolinas e canetinhas para a elaboração de um painel de provérbios.

Introdução
O artigo de Veja sobre o provérbio "O seguro morreu de velho" aponta um caminho interessante para analisar com a turma que conteúdos ideológicos estão por trás das manifestações da chamada "sabedoria popular". Percorra essa trilha com os alunos.

Desenvolvimento
1ª aula
Comece distribuindo aos alunos cópias do artigo de Sérgio Rodrigues, intitulado "'O seguro morreu de velho’: a história de um provérbio vivo" e conte à turma que os dois próximos encontros serão dedicados a analisar os provérbios da Língua Portuguesa que mais utilizamos em nosso dia a dia.
Após a leitura silenciosa do texto, verifique se todos os alunos sabem o que são provérbios. Para tanto, sugira que cada estudante escreva os provérbios que conhece em uma folha de papel. Esse material, depois de eliminadas as repetições, vai servir para a montagem de um painel sobre os provérbios da Língua Portuguesa, e em especial os utilizados nas diversas regiões do Brasil. Lembre que vários deles são formulados de maneira diversa em Portugal e nas regiões de nosso país. E alguns podem soar obsoletos, fazendo referência a coisas que não existem mais: estão "mortos" ou "em estado terminal", em oposição ao que o autor do artigo de Veja chama de "provérbios velhos, mas ainda vivos".
Em seguida, coloque em discussão a ideia de "sabedoria popular". Leve a turma a perceber que se trata de um conhecimento acumulado e transmitido durante gerações e que, por vezes, é identificado ao "senso comum". Os provérbios estão entre os meios de transmissão desse conhecimento, que pode ser confirmado ou negado por pesquisas de cunho científico.
Solicite aos alunos que destaquem os ditados citados no artigo, entre os quais o conhecido: "Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém". Ressalte a existência de rimas em alguns deles: "Confia no futuro, mas põe a casa no seguro" e "Quem corre pelo muro não dá passo seguro". Mostre que esse recurso facilita a memorização do provérbio.
Chame a atenção para a presença, na maioria dessas afirmações, daquilo que o autor chamou de "um tom de cautela e conservadorismo". São expressões de um conhecimento de raízes camponesas e burguesas, que abrangem diferentes conteúdos ideológicos.
Forneça alguns exemplos e peça que os jovens enriqueçam a lista, classificando os provérbios de acordo com a mensagem que desejam transmitir, conforme explicitado abaixo. Eles também devem explicar, com suas próprias palavras, o sentido dessas "pílulas".

Persistência
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Deus ajuda a quem cedo madruga.
De grão em grão a galinha enche o papo.

Aceitação de relações sociais marcadas pela desigualdade
A corda arrebenta sempre do lado mais fraco.
Quando o pobre come frango, um dos dois está doente.
Quem nasceu para dez réis não chega a vintém.
Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
Casa de ferreiro, espeto de pau.

Expectativa de que as faltas cometidas serão punidas
A justiça tarda, mas não falta.
A mentira tem pernas curtas.
Após a tempestade vem a bonança.
Aqui se faz, aqui se paga.
Quem espera sempre alcança.

Solidariedade
A união faz a força.

Individualismo
Cada um puxa a brasa para a sua sardinha.
Cada um por si, Deus por todos.

Igualdade "plebeia" entre os indivíduos
Quando um burro fala o outro abaixa as orelhas.
Cada macaco no seu galho.
Cada cabeça, cada sentença.

Ensine que, em certas ocasiões, o conservadorismo dos setores socialmente dominados tem como contraponto a esperteza de alguns indivíduos desses segmentos. Uma qualidade corporificada em personagens como Pedro Malasartes, protagonista de contos populares portugueses e brasileiros. Numerosos provérbios estão associados a essa astúcia popular. Um deles é citado na revista: "Quem não arrisca não petisca". Mas há muitos outros, como por exemplo:

A ocasião faz o ladrão.
A cavalo dado não se olham os dentes.
À noite todos os gatos são pardos.
Caiu na rede é peixe.
Feio é roubar e não poder carregar.
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Para finalizar, levante a discussão com a turma: essas lições de esperteza dificultaram ou facilitaram a sobrevivência dos setores na base da pirâmide social no Brasil?

2ª aula
Retome a discussão da aula anterior, sobre as ideologias que estão por trás dos provérbios. Em seguida, conte à turma que na composição "Bom conselho", Chico Buarque inverte ou modifica o sentido de alguns ditados populares. Faça com que todos escutem a canção e leiam a letra:

Bom conselho
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Depois da audição e de um breve comentário da turma a respeito da canção, solicite aos alunos a escrita da versão tradicional dos provérbios citados na música. Proponha que cada estudante modifique dois ditados de sua escolha, segundo o modelo de "Bom Conselho". Depois, coloque em debate: a versão feita pelo poeta pode ser considerada mais instigante que a tradicional? Ela sinalizar com mais clareza a ideologia que permeia a construção dos provérbios?
Depois do debate, coordene a montagem de um painel de provérbios da classe, com as versões originais e adaptadas dos ditados escolhidos pela turma.

Avaliação
As atividades vão esclarecer que a maioria dos ditados expressa um senso comum de raízes camponesas e burguesas. Mas, por vezes, a sobrevivência dos setores humildes, em uma sociedade profundamente desigual, dependeu de uma pitada de esperteza individualista - e a "sabedoria popular" também explicita essa dimensão. Além disso, a modificação de alguns provérbios, segundo o modelo de Chico Buarque em "Bom Conselho", veicula uma visão de mundo transformadora e de contestação aos valores estabelecidos. Observe a participação dos alunos em sala e nos trabalhos propostos.
Quer saber mais?
Discografia
"Bom conselho", Chico Buarque, álbum O Político, 1991.



Consultoria Carlos Eduardo Matos
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.