sábado, 23 de março de 2013

MT - Sem mantimentos, escolas oferecem pipoca e leite como merenda após dispensar carne estragada

Lucélia Andrade | Rádio Pioneira

 
Escolas Municipais de Tangará da Serra, uma das principais cidades do médio Norte de Mato Grosso, enfrentam problemas com a falta de merenda escolar. Mesmo com o cardápio para ser seguido à risca, a ausência de mantimentos impede que os alimentos sejam preparados e servidos aos estudantes. Na Escola Sílvio Paternez, o  lanche servido na tarde de sexta-feira, 22, era composto de leite com achocolatado e bolachas. Uma das cozinheiras do local relatou que na dispensa só tem arroz. E desta forma seguir o cardápio é impossível.
 
A situação começou desde o início do ano e até agora não foi resolvida. Os alunos estão se alimentando apenas com bolachas e suco, adquiridos pela própria escola. O cardápio improvisado foi alternado inclusive com pipoca e leite e até fatias de abacaxi. Contudo o problema na merenda escolar não para por aí. Todas as escolas municipais receberam carne estragada.
 
O cardápio elaborado por nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec) é bem nutritivo e a cada dia traz uma variedade. Para o mês de março, por exemplo, o cardápio é diferenciado, e oferecem pratos como arroz à grega com ovos, salada de tomate e fruta; macarronada à bolonhesa e fruta; pão doce e suco de abacaxi; torta de frango com legumes e suco de limão; arroz, feijão, carne com mandioca e salada de tomate; arroz temperado com banana e carne e fruta; galinhada e suco; sopa de legumes com carne e fruta, entre outros.
 
A discrepância entre o cardápio disponível nas escolas, e os alimentos de fato oferecidos foi observada pelo vereador Odair José da Silva. “Visitei in loco a escola Sílvio Paternez, entrevistei alguns alunos que relataram que estão comendo bolacha e até pipoca no lanche. Na escola, o cardápio estava fixado na parede do refeitório. Considerando que o Município tem duas nutricionistas minha indagação é qual o motivo de estar ocorrendo isso nas escolas municipais”, questiona o vereador.
 
Odair relata que depois de constatada a situação na Sílvio Partenez, foi procurado por professores de outras escolas que relataram a mesma situação. “Diante disto, fizemos um requerimento que será protocolado na próxima sessão da Câmara para buscar informações sobre a questão de volume de recurso para a merenda e sua aplicabilidade”, fala o edil.
 
A questão da carne estragada foi o foco do vereador que diante distou identificou os demais problemas. “Semana passada chegou às escolas um carregamento de carne em estado de putrefação. O produto foi entregue pela empresa contratada de Cuiabá e que ganhou a licitação”, frisa. Por ser biólogo o vereador afirma conhecer um pouco da área de Controle de Produto de Origem Animal. “Se não tiver acompanhamento efetivo no local de origem, a carne acaba congelando e descongelando e mesmo assim mandada para o município. Na hora das cozinheiras abrirem os pacotes e se não estiverem bem atentas, pode acontecer de colocar a carne na panela, misturar os demais ingredientes, como batatinhas, repolho e tomate e neutralizar o odor, e acabar oferecendo carne estragada para os alunos”, comenta.
 
Odair lamenta que o fato de acordo com ele, poderia não ter caído no seu conhecimento. “Tentaram ocultar essa informação. O que me deixou bastante chateado. As servidoras da escola disseram que iam resolver internamente sem que os vereadores tivessem que ficar sabendo. Isso não pode acontecer. Os servidores têm que ajudar a cobrar”, lamenta. De acordo com o vereador, a Vigilância Sanitária acompanhou a troca da carne, no entanto, não sabia do fato da putrefação.
 
O diretor da escola Sílvio Paternez, José Fernandes, confirmou que de fato os alunos têm sofrido bastante neste início de ano, principalmente porque não estão se alimentando conforme oferecido no cardápio escolar. “Existem muitos itens que não tem chegado a tempo na escola e há cobrança da comunidade e dos alunos que vêem o cardápio exposto e questionam às servidoras, por que os alimentos não estão sendo oferecidos”, diz.
 
José Fernandes afirma que a escola está ‘em uma saia justa’. De acordo com ele, o que a Semec colocou é a dificuldade na questão da licitação. “Grande parte dos alimentos vem de uma empresa de Cuiabá, por isso há lentidão na chegada deles”, ressalta.
 
O diretor destacou que se a situação persistir vai chegar o dia que não haverá nenhum alimento para ser oferecido aos alunos. “Acreditamos no esforço da Semec. O secretário e sua equipe vão observar com bons olhos essa questão e fazer com que a merenda chegue às escolas com mais qualidade e nutrição”, finaliza.

Desenvolvimento da Leitura e Escrita através de Pesquisas



Autoras: SELMA PAULINA CARVALHO DE JESUS
LUCINEI ALVES NOGUEIRA PEREIRA
ESCOLA ESTADUAL VALE DO GUAPORÉ
A experimentação é uma prática fundamental para o crescimento do aluno na aprendizagem, diante disso é que se abrem várias portas para o professor trabalhar com aulas práticas, segundo as várias vertentes a que se propõe o meio escolar.

Dessa forma, as experiências além de ajudar no processo do desenvolvimento cognitivo, também auxiliam no desenvolvimento de conhecimentos científicos; assim as aulas práticas permitem que os estudantes aprendam como abordar objetivamente o seu mundo e como desenvolver soluções para problemas complexos. Servem também como estratégia e podem auxiliar o professor a construir com os alunos uma nova visão sobre um mesmo tema.

Buscando estimular a aprendizagem é que a escola procura meios de trabalhar com projetos das mais diferentes formas. Com isso teve início o projeto desta turma( 2º Ano, II fase do 1 ciclo), com aulas dialogadas sobre as diversas vertentes do tema que originou-se em uma roda de conversa, com os alunos questionados sobre temas propostos para estudar durante o ano letivo 2012.

Através desta atividade foi possível observar o quanto nossos alunos apreciam atividades diferenciadas, interativas e participativas, onde podem construir e manipular diversos conhecimentos. A busca por respostas pode ser visivelmente ampliada quando trabalhamos teoria e prática lado a lado. Nesta abordagem, o aluno é o sujeito ativo do processo de ensino aprendizagem assim o professor deixa de ser somente o transmissor de conhecimentos e passa a ser facilitador ao criar condições para que os alunos aprendam em um ambiente de compromisso, em que ao estar na sala de aula por interesse e não por obrigação se sentem no dever de pesquisar e estudar. Segundo Pessoa (2001), durante uma atividade prática o docente pode estimular o aluno a gostar e a entender os conteúdos, fazendo isso através de práticas que partem da realidade do cotidiano dos alunos.

Conhecer os animais e observar o seu comportamento através de filmes, analise de imagens e experiências trazidas do cotidiano é uma forma de produzir conhecimentos e transmitir uns aos outros, o que motiva a pesquisa e a analise da proposta de aprendizagem. Um trabalho complementa o outro.
Após as discussões e diálogos do grupo chegou-se ao tema escolhido que foi o reino animal. Onde através do qual, levantaram alguns questionamentos, sendo estes: Como é a vida dos animais que moram na água? Como é a vida dos animais na floresta? Como é sua forma de se alimentar? Como acontece a sua reprodução?

Para a construção do tema com os alunos, visitamos o laboratório de zootecnia da Universidade do estado de Mato Grosso – UNEMAT campus Pontes e Lacerda/MT. Onde os alunos puderam observar os diversos animais catalogados pelos universitários e também conheceram um pouco sobre cada espécie, já que foram acompanhados por alguns acadêmicos do curso de Zootecnia que falaram para as crianças sobre as classes a que cada animal pertence e sua importância para a natureza. A visita ao laboratório propiciou aos alunos ver e observar as diversas partes que compõem o corpo dos animais, desde os invertebrados até os maiores vertebrados que existem no reino animal.

Com o decorrer deste trabalho a turma pode trabalhar a leitura, escrita e a produção de texto, durante o processo pode-se perceber o envolvimento com a aprendizagem através do conhecimento dos animais. Além de um estimulo para a escrita dos respectivos nomes de cada animal e consequentemente a leitura e sua história na vida do homem e na natureza. Os resultados são visíveis, pois as crianças ao final do projeto podem ler e compreender as palavras que escrevem.

Com isso no transcorrer das pesquisas e debates foram agregando novos conhecimentos, como também refutando. Um dos primeiros passos desta pesquisa foram os animais que podem ficar perto do homem, sem causar transtorno físico e mental ao mesmo, sendo que estes animais são classificados como animais domésticos. Contudo, há os que não podem viver próximo das pessoas pertencentes à classe conhecida como animais selvagens.

Outra classe estudada pela turma foi dos animais mamíferos e como se dá sua reprodução, estes animais são vivíparos, por ser gerado dentro da barriga da mãe.

Dando continuidade as nossas pesquisas em sala de aula, prosseguimos com o assunto sobre as aves, onde abordamos suas características, sua forma de reproduzir, de se alimentar e como também sua colaboração na polinização das plantas. Neste estudo fizemos a diferenciação entre os animais vertebrados e invertebrados.
Para conclusão do nosso projeto de trabalho analisamos sobre os anfíbios, répteis e peixes.

Currículo Escolar e a Comunicação como Base para a Formação Educativa



Patrícia Edí Ramos


            Esse texto elenca uma breve reflexão sobre o currículo escolar na visão de Carlos Eduardo Ferraço e também sobre a práxis do educador com o educando e vice-versa na visão de Paulo Freire. Nosso objetivo aqui vai além da busca de tentar entende o currículo escolar, mas também nos propomos repensar e discutir o que confere sentido e significado à comunicação visto que esta é a base para a formação educativa.
Em relação ao que se entende por currículo escolar nos atentamos para aquilo que Ferraço traz no texto Possibilidades para Entender o Currículo Escolar, em que o autor vem discutir sobre o fato de se associar o currículo escolar a um manual, uma receita ou mesmo uma prescrição, no qual há uma proposta prescrita com conteúdos e metodologias a serem seguidas, como se o currículo fosse um percurso ou trajetória a ser realizado. Assim segundo o autor, o currículo é visto como algo que se implanta sobre as pessoas, onde se tem o dever de formar sujeitos de acordo com o que está proposto no papel.
            Visto por este lado o autor Gimeno Sacristán (1995) defende a ideia de que a cultura escolar é muito mais do que conteúdos proposto em um papel, para o autor currículo escolar é uma análise do que realmente encontramos dentro do ambiente escolar, sendo de caráter cultural e social, visando sempre à melhoria das decisões educativas, por isso, quando falamos de currículo temos que pensar na realidade escolar, na multiplicidade cultural que vivenciamos na escola, pois é pensando nas diferenças que se consegue planejar e implantar o currículo escolar de forma ampla ou restrita, pois este deve abranger todas as atividades desenvolvidas dentro da escola.
 Enquanto projeto, o currículo é um guia para os encarregados de seu desenvolvimento, um instrumento útil para orientar a prática pedagógica, uma ajuda para o professor, no entanto devemos entender que o currículo não é apenas uma prática pedagógica, mas sim uma série de ações.
O currículo não se trata de algo pronto e acabado, mas de algo a ser construído no dia-a-dia da escola, com a participação ativa de todos os interessados na atividade educacional, onde se valoriza o processo de vivência dos sujeitos, estando em constante mudança, portanto é imprescindível assegurar que os verdadeiros protagonistas assumam seus papéis e participem de forma direta e efetiva na construção e nas discussões acerca do currículo escolar.
 É pensando nas escolas, em seus sujeitos e em toda complexidade do campo educacional, que temos que redirecionar nossos olhares para destacar tudo aquilo que tem sido realizado no ambiente escolar, analisar a forma que tem sido feito e principalmente porque tem sido realizado, qual o objetivo desta prática ou mesmo deste projeto?
 Todas essas indagações proporcionam que a escola se envolva de forma efetiva com o currículo escolar e a assim a partir de discussões que geram novas ideias e troca de experiências é possível recriar e reinventar a cada dia a sala de aula, ou melhor, a escola. É através da prática do conhecimento construído, isto é, partilhado em que ocorre a partilha dos conteúdos, das experiências e também das novas ideias, expondo-os a críticas e a divergências que acabam por enriquecer a pesquisa de todos envolvidos. É a partir dessa prática que a educação é concebida como um ato político e de comunicação, pois comunicação é educação, é dialogo, “na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados” (Freire, 2001, p. 65).
É com esse olhar sobre o currículo escolar que devemos refletir sobre o momento que estamos vivenciando na educação, se pararmos alguns minutos para pensar em como era a educação a cem anos atrás em termos da prática pedagógica e pensarmos em como ela é atualmente, talvez possamos entender porque nossos alunos estão sempre cansados e entediados do cotidiano escolar.
Atualmente o aluno não se contenta mais com o rigor e o formalismo educacional, sentem se fadigados da mesmice, aonde todos os dias vão para sala de aula, sentam se em fileiras alinhadas, abrem o livro didático leem ou copiam conteúdo e ouve o professor explicar, muitas vezes leem textos didáticos e interpreta a partir daquilo que o autor propõe no próprio texto, sem que haja muitas vezes nenhuma contribuição do leitor que pode atribuir sentido ao texto a partir de sua própria trajetória sociocultural e seu mundo interior.
Com toda a tecnologia disponível é preciso que a escola esteja atualizada quanto aos fatos do mundo, que o professor torne o conteúdo mais atraente aos jovens, pois os alunos de agora não são os mesmo de vinte anos atrás, o aluno que temos em sala de aula hoje é muito mais prático e informado, não aceitam mais a prática do decorar.
Não é mais necessário que o professor seja o dono da verdade, que saiba tudo e tenha a resposta na ponta da língua, até porque na era da informação, isso se tornou impossível, aluno e professor tem que andar juntos de mãos dadas, ser uma equipe em busca do conhecimento e do aprendizado, ambos compartilham do mesmo interesse e objetivo que é aprender, então porque não o professor fazer uso de uma postura desarmada e aberta? Em que se torna muito mais fácil à relação aluno professor. Em relação e esse ato Paulo Freire, afirma:
 No momento em que o educador “bancário” vivesse a superação da contradição já não seria “bancário”. Já não faria depósitos. Já não tentaria domesticar. Já não prescreveria. Saber com os educandos, enquanto estes soubessem com ele, seria a sua tarefa. Já não estaria a serviço da desumanização. A serviço da opressão, mas a serviço da libertação. (Freire, 1987, p. 62).
A nosso ver o grande desafio dos educadores é justamente abandonar a situação de liderança, e passar a ser um agente transformador, crítico e reflexivo, transformando a escola em um ambiente em que a educação sirva para auxiliar no processo de transformação e de mudança. E não mais um local onde se disserte sobre conteúdos que nada tem a ver com os anseios e necessidades de uma sociedade. No entanto para que haja comunicação entre educador e educando é preciso que se estabeleçam de comum acordo conteúdos a serem trabalhados, e todo esse processo só é possível mediante uma metodologia libertadora, em que escola e aluno trabalhem juntos no processo do aprendizado, aluno aprendendo com a escola e vice-versa, essa situação hoje é totalmente possível graças à tecnologia que tomou conta do dia-a-dia de todos e principalmente dos alunos, que são grandes conhecedores dos equipamentos de informação e comunicação e cabe à escola redirecionar este conhecimento para um bom aprendizado, pois segundo Freire (1987, p. 38), é a práxis do educador com os educandos e vice-versa que cria o significado emancipador e não a tecnologia por si mesma, portanto é a ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo.  
A esse respeito os autores Paulo Freire e Shor afirmam, em seu livro Medo e Ousadia, que:
O educador libertador tem que estar atento para o fato de que a transformação não é só uma questão de métodos e técnicas. Se a educação libertadora fosse somente uma questão de métodos, então o problema seriam algumas metodologias tradicionais por outras mais modernas, mas não é esse o problema. A questão é o estabelecimento de uma relação diferente com o conhecimento e com a sociedade (Freire e Shor, 1993, p. 48).
            É pensando no ensino onde haja uma participação efetiva que se tornará possível uma aprendizagem concisa, pois ao vivenciarmos a prática do ensino-aprendizagem nas escolas nos deparamos com um lugar em permanente atualização, onde os sujeitos recriam e reinventam a cada dia, e é a partir de discussões em torno do currículo escolar que escola e aluno caminharam para uma educação transformadora, em que a cada dia ocorra à possibilidade de ambos aprenderem um com o outro, não esquecendo que os olhos do autor Ferraço estão voltados para os fazeres e saberes dos praticantes do cotidiano, que a escola seja um lugar onde se pratique currículos que não se deixem aprisionar a todo o momento por identidades culturais ou políticas, pois segundo o autor pensar o currículo de uma escola pressupõe viver seu cotidiano, incluindo se assim toda uma dinâmica das relações estabelecidas.



Referencial Bibliográfico

FERRAÇO, C. E. Currículos e Conhecimento em Rede. In: ALVES, N.; GARCIA, R. L. (Orgs.). O sentido da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.
_______ (Org.). Cotidiano escolar, formação de professores (as) e currículo. São Paulo: Cortez, 2005.
FREIRE, P. 1987. Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
________. 2001ª. Extensão ou Comunicação? 11ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
FREIRE, P.; SHOR, I.1993. Medo e Ousadia. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
GIMENO SACRISTÁN, J. Currículo e Diversidade Cultural. In: SILVA, T. T.; MOREIRA, A. F. (Orgs.). Territórios contestados. Petrópolis: Vozes, 1995.

O ENSINO DE MATEMÁTICA COM PERSPECTIVAS DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA.


 ARTIGO: O ENSINO DE MATEMÁTICA COM PERSPECTIVAS DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA.
                       *Sirlene Aparecida Henrique (Licenciatura Plena em Matemática)

O ensino da Matemática é um fator muito importante na construção da cidadania dos indivíduos, na medida em que a sociedade se utiliza cada vez mais de conhecimentos científicos e recursos tecnológicos, dos quais os cidadãos devem se apropriar. Nesse sentido a Matemática escolar deve estar ao alcance de todos, não deve ser considerada como algo pronto e acabado, mas sim a construção e a apropriação de um conhecimento que irá auxiliá-lo na compreensão e transformação de sua realidade.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais preveem que o ensino da Matemática deve explorar a intuição e a dedução dos alunos além de demonstrar a importância da disciplina no dia-a-dia, portanto propõe:

Identificar os conhecimentos matemáticos como meios para compreender e transformar o mundo a sua volta e perceber o caráter de jogo intelectual, característico da Matemática, como aspecto que estimula o interesse, a curiosidade, o espírito de investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas. (PCNs, 1997, p.51)

Assim sendo, é importante que os alunos se sintam seguros quanto a sua aprendizagem e se tornem capazes de construir conhecimentos matemáticos, desenvolvendo desse modo sua autoestima, procurando sempre soluções para os problemas propostos, aprendendo a agir de maneira cooperativa, respeitando sempre o modo de pensar dos demais colegas e também aprendendo com eles.

È de fundamental importância que o professor através do preparo de suas aulas de Matemática vise contribuir na formação da ética dos indivíduos, procurando direcionar o trabalho no sentido de desenvolver atitudes, em que demonstrem confiança em si mesmo e nos outros, para que construam conhecimentos matemáticos, participando ativamente nas atividades para que as mesmas se tornem significativa.  O gosto do aluno pela Matemática deve ser alimentado pelo professor através de ações didáticas e pedagógicas durante todo o seu percurso escolar, segundo Reis (2006, p. 09):

As noções básicas em matemática, lógica e geometria começam ser elaboradas a partir dos 4,5 anos de idade, portanto é vital que a base seja sólida, bem construída e bem trabalhada, para              que nela se assentem os conhecimentos matemáticos futuros.               Mas é importante lembrar que estimular o raciocínio lógico-matemático é muito mais do que ensinar matemática – é estimular o desenvolvimento mental, é fazer pensar.

As escolas não podem mais formar pessoas passivas, que executem tarefas repetitivas, que se baseiem apenas em modelos, sem uso de criatividade ou de certa autonomia intelectual. As instituições escolares que ainda formam pessoas com essas características não estão preparando cidadãos capazes de se adaptarem às novas tecnologias e novos desafios da atualidade, ou seja, cidadãos conscientes e atuantes.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1997, p.80):
          
 È por meio das trocas que estabelecem entre si, que os alunos passam a deixar de ver seus próprios pontos de vistas como verdades absolutas e a enxergar os pontos de vistas dos outros, comparando-os aos seus. Isso lhes permite comparar e analisar diferentes estratégias de solução.

O professor de Matemática tem um grande desafio dentro da sala de aula, um deles é à busca de procedimentos e ações que visam superar as dificuldades dos alunos em relação à aprendizagem Matemática, o outro é o desgosto que muitos deles, têm em relação à disciplina. O maior motivo desse desgosto relacionado a esta disciplina está vinculado ao desgastado método tradicional, com que muitos professores vêm desenvolvendo o ensino de Matemática, resultandoo desinteresse dos alunos em frequentar as aulas, pois a insatisfação destes em relação às aulas é oriunda de uma prática desmotivadora, abstrata e fora do contexto do aluno. É notório que o ensino de Matemática e seus educadores estão diante de um grande desafio neste novo milênio e, segundo D’Ambrósio (2001, p. 15), “o grande desafio que nós, educadores matemáticos, encontramos é tornar a matemática interessante, isto é, útil, atual, isto é, integrada no mundo de hoje”.

As dificuldades encontradas por professores e alunos no ensino-aprendizagem são muitas e conhecidas. Por um lado o aluno não consegue entender a Matemática que a escola lhe ensina, pois na maioria das vezes, trata-se de uma Matemática correta, mas irrelevante e desinteressante para o aluno, contribuindo para que o mesmo acabe se distanciando do acesso a esse saber que é fundamental para a sua formação integral.

A Matemática da escola, da forma em que vem sendo ministrada por muitos professores, na maioria das vezes através da metodologia tradicional da aula expositiva, através da qual o professor resume sua aula nessas três etapas: apresentação do ponto, resolução de um ou mais exercícios modelo, e proposição de uma série de exercícios para os alunos resolverem, não tem contribuído para despertar o interesse nos alunos.  Vasconcellos (1999) tece várias críticas relacionadas à condução desta metodologia muito usada atualmente e que perdeu muito da sua concepção original cujo ritual era constituído por passos didáticos importantes seguidos pelo professor, dentre eles citamos os propostos por Herbart (apud Vasconcellos, 1999, p. 18): “Preparação, Apresentação, Assimilação, Generalização e Aplicação”.

Segundo Lorenzato (2006, p.21): “O ensino da matemática precisa ser planejado e ministrado tendo em vista o complexo contexto de identificação de seus alunos, considerando e respeitando a cultura deles, bem como suas cooperações, necessidades e possibilidades”.

A Matemática não deve ser apresentada como “pronta e acabada”, mas construí-la com os alunos a partir do seu surgimento, através da sua história e evoluir nos conteúdos até a sua aplicação no dia de hoje, sempre de uma forma construtiva, onde o aluno será o agente ativo dessa construção.

Diante dessa realidade, temos o desafio de tornar as aulas de Matemáticas mais significativas para os alunos. O que caracteriza uma aprendizagem como sendo significativa é o fato de envolver o indivíduo como um todo. Esta deve ir de encontro com as suas necessidades, gerando um desafio para o mesmo, o que o impulsionará para que vá a busca daquilo que necessita aprender. Como ponto de partida o professor deve diagnosticar o que os alunos já conhecem sobre os conteúdos a serem estudados, para que possa planejar atividades com o intuito de fazer com que os mesmos avancem em seu aprendizado.

Deste modo o professor deve valorizar o conhecimento prévio do aluno, buscando aproximar o saber escolar do universo cultural em que o mesmo se encontra inserido. Lembrando que a valorização desses saberes é muito importante para a superação de preconceitos e socialização entre aluno-professor e aluno-aluno.

Ensinar a Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. É necessário que o aluno saiba que a utilidade da Matemática ultrapassa os muros da escola.

Ao aluno deve ser dado o direito de aprender. Não um aprender mecânico e repetitivo, de fazer sem saber o que faz e por que faz. Mas um aprender significativo do qual o aluno participe raciocinando e compreendendo.

De acordo com Lorenzato (2006, p.27):

Ninguém vai a lugar algum sem partir de onde está, toda a aprendizagem a ser construída pelo aluno deve partir daquela que ele possui, isto é, para ensinar é preciso partir do que ele conhece, o que também significa valorizar o passado do aprendiz, seu saber extraescolar, sua cultura primeira adquirida antes da escola, enfim, sua experiência de vida.

O cotidiano está repleto de situações matemáticas, portanto, devemos aproveitar essas situações para reforçar a aprendizagem significativa e os vínculos entre os mesmos, o educando deve perceber que o professor é seu parceiro e amigo, com quem ele pode interagir questionar e tirar dúvidas.

Desse modo, cabe à escola, através do professor e de suas metodologias diferenciadas, contribuírem para sanar as dificuldades durante o processo de ensino-aprendizagem proporcionando aulas mais interessantes e envolventes, onde os alunos se integrem e demonstrem mais interesse e participação.


OS DESAFIOS DO PROFESSOR ALFABETIZADOR



ELIDIANE DE BRITO PAGLIUCA[1]
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo discutir as questões que permeiam o cotidiano escolar do professor alfabetizador, com ênfase nos desafios enfrentados em sala de aula por esse profissional, pois muitas vezes o alfabetizador se depara com obstáculos que limitam seu trabalho e retardam o processo de ensino aprendizagem dos alunos. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica considerando as contribuições teóricas de autores como:Cambi (1999), Ferreiro (1985), Lemle (1988),Nérici (1972), Piaget (1977), Poerch (1990).Constatando que alguns dos desafios enfrentados pelo alfabetizador são a pouca formação focada na alfabetização, a falta de participação dos pais na vida escolar dos filhos e a o alto índice de indisciplina presente na sala de aula. Mediante estes resultados concluiu-se que para superar os desafios propostos o educador deve agir em conjunto com a comunidade escolar e com os pais para rever ações e criar outras no intuito de oferecer uma educação qualitativa ao aluno.

Palavras – chave: Desafios. Professor alfabetizador. Sala de aula.

Introdução

O presente trabalho tem como papel analisar as dificuldades do professor alfabetizador em sala de aula, já que nos dias atuais a sociedade tem atribuído ao professor a grande responsabilidade sanar as carências intelectuais dos alunos e evitar que estas sejam futuros analfabetos funcionais. Nesta busca constante por novos métodos e práticas pedagógicas o professor tem visto a alfabetização como uma fase distinta, que requer mais conhecimentos específicos na área.
Nesta perspectiva, construiu-se questões que nortearam este trabalho, tais como:Quais os desafios que dificultam o fazer pedagógico do professor alfabetizador?Por que o professor alfabetizador se encontra tão tenso na atualidade em relação à sua práxis pedagógica?
Falar de alfabetização é um tanto complexo até mesmo pela diversidade de métodos utilizados, e ainda devido às dificuldades deaprendizagem dos alunos, reprovações e evasão escolar. Assim, a alfabetização caracteriza-se por uma fase muito importante no desenvolvimento do aluno, sendo a base para conhecimentos futuros. Segundo o dicionárioAurélio alfabetizar é ensinar a ler e a escrever oudar instrução primária, sabemos que alfabetizar vai muito além de ensinar a ler e escrever, nesta tarefa a linguagem é uma fiel aliada dos educadores neste processo de ensino/aprendizagem.
A linguagem é uma área importante na aquisição da leitura e escrita, pois ela permite que o homem estabeleça uma comunicação intersubjetiva, ou seja, estabeleça a troca e o diálogo. Assim ele amplia seu vocabulário e elabora novas hipóteses silábicas. Muitos estudos afirmam que o  sujeito se constitui em dois momentos, primeiro no social e depois no individual numa apropriação ativa e constante. Na escola esse processo ocorre de forma contínua, remetendo ao educador um papel importante como mediador do processo da aquisição da leitura e escrita, com intervenções pedagógicas coerentes, já que os conhecimentos resultam da pluralidade de sentidos e significações compartilhadas no coletivo, que aos poucos vão sendo produzidos. Conforme Lemle:

È claro que, além dos conhecimentos básicos, o alfabetizador precisa de outros dons para se sair bem. Ele deve ter respeito pelos alunos, evitar o papel de cúmplice de um sistema interessado em manter esmagada uma grande parte do seu povo, confiar na capacidade de desenvolvimento dos alunos e ter criatividade, inventividade, iniciativa, combatividade e fé em sua capacidade de tornar este mundo melhor.
(LEMLE, 1988, p.6)


Contudo grandes são os anseios do alfabetizador em favor de uma educação qualitativa e igualitária, que ofereça oportunidades para o educando avançar rumo à conhecimentos significativos, que inclua o aluno na cultura grafocêntrica (cultura centrada na escrita)e não exclua. Por esta e outras atribuições que o professor alfabetizador se encontra apreensivo diante de tamanha responsabilidade no cenário educacional.
Diante de tantos desafios, é visível a fuga dos professores das séries iniciais das salas de alfabetização, assim poucos encaram e adquirem experiências metodológico-pedagógicas para enriquecer o universo da alfabetização.
Para alcançar os objetivos propostos, este estudo utilizou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo. Mediante revisão bibliográfica, compilando estudos sobre obras que trazem em seu bojo informações e definições relevantes ao desdobramento do trabalho.
O estudo foi ancorado nas idéias e concepções de autores como: Cambi (1999), Ferreiro (1985), Lemle (1988), Nérici (1972), Piaget (1977), Poerch (1990).

Desenvolvimento

A alfabetização é uma fase distinta, cheia de novas experiências e sensações em que o aluno se depara ao chegar à escola, para aqueles que não freqüentavam a Educação Infantil, é o primeiro contato com a educação formalizada. Durante muito tempo a alfabetização foi vista como a mera aquisição do código escrito, que formava alunos para as fases seguintes.
Nos anos 70 e 80 o elevado índice de analfabetismo, a repetência e a evasão escolar estimularam a busca por novas formas de conceber e direcionar o trabalho educativo na alfabetização e os conceitos equivocados foram aos poucossuperados. Conforme Cambi (1999):

A partir dos anos 80 e sucessivamente até hoje, a pedagogia foi atravessada por um feixe de “novas emergências”, novas exigências e novas fórmulas educativas, novos sujeitos dos processos formativos/educativos e novas orientações políticos culturais.
(CAMBI, 1999, p.638)

Esses novos tempos foram marcados por reflexões acerca do individuo como ponto de partida para a construção de novos conhecimentos. O quadro educacional passou por grandes mudanças devido ao novo modo construir conhecimentos, alinhados aos acontecimentos atuais com foco na particularidade do aluno. Portanto, na alfabetização a ação educativa do professor também sofreu esta influencia, com a utilização de temas atuais com ênfase na formação intelectual e social do aluno.
Essa mudança no cenário educacional se deu também devido aos estudos sobre a psicogênese da aquisição da língua escrita, com as contribuições de Emilia Ferreiro & Ana Teberosky (1985) que enfatizava que a alfabetização não era a mera codificação e decodificação do sistema lingüístico, mas se caracterizava como um processo ativo em que a criança em contato com a cultura escrita ia aos poucos (re) construindohipóteses sobre a língua escrita, até chegar à escrita convencional, como nos afirma Ferreiro (1985):

Nossa visão atual do processo é radicalmente diferente: no lugar de uma criança que espera passivamenteo reforço externo de uma resposta produzida pouco menos que ao acaso, aparece uma criança que procura ativamente compreender a natureza da linguagem que se fala à sua volta, e que, tratando de compreendê-la, formula hipóteses, busca regularidades, coloca à prova suas antecipações e cria sua própria gramática (que não é simples cópia deformada do modelo adulto, mas sim criação original).(FERREIRO, 1985, p. 22)


De acordo com esses estudos o professor terá a função de mediar este processo, e propor desafios por meio de atividades planejadas com intencionalidade pedagógica. Assim, aos poucoso educando faránovas descobertas e (re) construirá hipóteses. Por isso, o estímulo visual com o uso de diferentes gêneros textuais é imprescindível nessa etapa.
No contexto da alfabetização o professor é muito importante, porém em muitos casos esse profissional nem sempre está habilitado para executar tal tarefa, pois, visto quemuitos não obtiveram uma boa formação e nem sabem quais são as etapas do processo de construção da escrita. Como esse profissional irá conduzir esse processo, se nem compreende como ele se dá?
A implantação de ações que tragam um bom suporte teórico/pedagógico para esses profissionais são urgentes no meio educacional, pois muitos estão “grudados” nos livros didáticos por medo de ousar e errar.É preciso que ocorram novas mudanças no fazer educativo com ênfase nas práxis pedagógica, ação – reflexão – ação de sua prática educativa atrelada à teoria. Considerando que esses professores terão mais dificuldades para alfabetizar seus alunos e ainda poderá desencadear nesses alunos dificuldades de leitura e escrita ao longo de sua vida escolar.

O alfabetizador é um profissional do ensino de línguas e, como tal, além do domínio e das técnicas pedagógicas deve possuir sólidos conhecimentos lingüísticos tanto da língua, enquanto meio de comunicação, quanto sobre a língua, enquanto objeto de análise. (POERSCH, 1990, p. 37)

Na verdade o professor que está inserido em sala de aula tem o dever de oferecer uma educação de qualidade, e isso requer formação e competência para desenvolver um trabalho satisfatório. É visível também em alguns professores a falta de interesse por novos conhecimentos, pela busca pessoal de novas ferramentas pedagógicas em sala de aula para aperfeiçoar seu trabalho. Portanto o alfabetizador será o agente que estimulará as descobertas da língua escrita até chegar à escrita convencional.
Outro desafio bem pertinente é a falta de apoio e acompanhamento dos pais na vida escolar dos filhos, o professor se depara sozinho nesta missão de alfabetizar a qualquer custo. Um fator bem interessante é que os pais atribuem ao professor a culpa do fracasso escolar do filho, assim se estabelece no seio escolar a “briga”histórica entre Escola X família.
O abandono escolar de alguns pais é revoltante, pois esse cenário é visível com muita freqüência no meio escolar, pois muitos alunos vão e voltam com as tarefas em branco, chegam à sala de aula desmotivados, sendo que muitas vezes necessitam de estímulos exteriores para a construção de aprendizagens e não encontram. Essa é a realidade em muitas salas de aula, pais negligentes e omissos em reuniões escolares, datas comemorativas e outros eventos que favorecem a interação escola/família.
A legislação é bem clara e específica quanto às atribuições da família e do Estado, a Constituição Federal, em seu artigo 205, afirma que“a educação é direito de todos e dever do Estado e da família”. A educação informal é obrigação da família e formal do Estado, por isso as duas instituições devem sempre estar em constante sintonia para priorizar uma boa educação. Sobre essa relação Nérici (1972) salienta que:

A educação deve orientar a formação do homem para ele poder ser o que é, da melhorforma possível, sem mistificações, sem deformações, em sentido de aceitação social. Assim, a ação educativa deve incidir sobre a realidade pessoal do educando, tendo emvista explicitar suas possibilidades, em função das autênticas necessidades das pessoas e da sociedade. (NÉRICI, 1972,p.12)


Nesta perspectiva entendemos que escola e família se complementam na tarefa da formação social da criança, se uma das duas se omite quanto à sua atribuição o processo de ensino/aprendizagem fica prejudicado. Nesta perspectiva Nérici (1972) considera que a influência da família é básica e fundamental no processo educativo do imaturo e nenhuma outra instituição está em condições de substituí-la.  Embora muitas vezes o trabalho ou a falta de tempo são algumas justificativas para essa ausência, considera-se que essas “desculpas” futuramente não irão sanar as carências intelectuais, afetivas e sociais que poderão aflorar no aluno.
Outro desafio notável presente na sala do alfabetizador é a indisciplina dos alunos durante as atividades diárias propostas pelo professor, a falta de interesse e a falta de otimismo para conquistar uma vida futura próspera está cada vez mais distantes dos nossos alunos. Falta amor pela busca do conhecimento, pois para a grande maioria dos alunos a atividade estudar é fatigante e obrigatório.
Uma boa parcela da aula é reservada para advertir os alunos indisciplinados, que muitas vezes até lançam “palavrões” pejorativos contra o professor e os outros alunos. Nesta perspectiva nota-se que cada vez está mais difícil estabelecer regras para ordenamento e coerção desses alunos. De acordo com Piaget (1977, p.7) “toda moral é um sistema de regras e a essência de toda moralidade consiste norespeito que o indivíduo sente por tais regras".
Por isso mais uma vez o professor entra em ação na busca constante de meios que estabeleçam regras de convivência e de respeito ao próximo, priorizando a cidadania. Cabe ao educador usar ferramentas dinâmicas e eficazes para uma boa sintonia entre os aspectos intelectuais/sociais. Essa tarefa faz parte da interdisplinaridade vivenciada em sala de aula com os múltiplos usos dos eixos de formação humana propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais que considera o aluno em sua totalidade, e não fragmentado.
Estes são alguns desafios que tem afrontado o professor alfabetizador em seu fazer educativo, que causam angústias, dificuldades e sofreres. Que dia a dia o conduz à ação/reflexão/ação de sua prática pedagógica na busca de soluções para transformar esse cenário frustrante do contexto educacional.  Como medidas paliativas o educador “consciente” busca conhecimentos diversificados mediante cursos de formação continuada, leituras de temas diversificados para enriquecer e aperfeiçoar sua ação educativa.

Conclusão 

Diante deste estudo, concluiu-se que a tarefa do professor alfabetizadoré árdua, pelas grandes dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar, afinal é o alfabetizador quem irá abrir as janelas da leitura e da escrita para educando avançar rumo às novas aprendizagens. Segundo algumas raízes teóricas é oeducador deve oferecer condições ao educando para a construção da leitura e da escrita no contexto escolar.
Deve-se se descartar a concepção errônea de que o aluno deve ser fruto de uma educação bancária, e incluir nas práticas educativas metas em prol deuma educação com sentido de construção não só de conhecimentos científicos, mas de significados, valores e cidadania no dia a dia escolar. Faz-se necessário repensar a educação com foco nas relações interpessoais, oferecendo ao aluno meios e possibilidades para a construção de uma aprendizagem significativa.
Mas para realizar um trabalho satisfatório é imprescindível a interação entre família-escola, esquecer a “rixa” antiga de um culpar o outro pelo fracasso escolar do educando. È tempo de paz, atitudes conjuntas que visem restaurar os laços de companheirismo e respeito mútuo no objetivo de expandir e contribuir para uma educação qualitativa.
Portanto, sonhar com uma educação que objetive uma transformação social, é romper com o velho e ousar com o novo, na utilização de meios diversificados que conduza o aluno à não somente ler letras, mas, essencialmente atribuir sentido e significado naquilo em que se lê. Compreender que o papel do alfabetizador não é transferir conteúdos, mais sim dividir e construir saberes e oferecer aos alunos com dificuldades de aprendizagem conhecimentos contextualizados e prazerosos.
Outro ponto bem pertinente neste estudo é falta da participação da família na vida escolar do aluno, assim faz-se necessário idealizar estratégias que despertem o interesse por relações de trocas de experiências no seio escolar entre família-escola-aluno. Uma boa sugestão para sanar essa deficiência seria o trabalho com projetos interdisciplinares com foco na família, convidando os pais para assistir palestras, participar de oficinas, contribuir com ações diversificadas para o sucesso escolar do filho.
O grande índice de indisciplina na escola atual é bem assustador, para reverter esse quadro faz-se necessário a implantação de ações que sensibilize o educando no respeito por normas e regras. O aluno através dessas medidas deverá aprender o verdadeiro sentido da cidadania e dos valores morais, que irão refletir na sua formação social e ética.
Neste estudo foram elencados alguns desafios do professor alfabetizador em sala de aula, para superá-los o educador deve agir em conjunto com a comunidade escolar e com os pais para rever ações e criar outras no intuito de oferecer uma educação qualitativa ao aluno.
Sabemos cotidianamente são atribuídos ao professor alfabetizador a   responsabilidade de alfabetizar e letrar o aluno, e lhe é exigido resultados por este trabalho. Porém o professor não desenvolverá um bom trabalho sozinho e desamparado, mas necessitará de apoio pedagógico e da família.
Portanto, nessa tarefa árdua lhe compete o papel de promover o uso social dos diversos textos apresentados aos alunos, mostrar significados nas atividades diárias com ênfase na contextualidade do educando. Na verdade os desafios são importantes para amadurecer em uma prática inovadora e transformadora, são eles que ofereceram ao professor subsídios para a construção do fazer escolar cotidiano.
O alfabetizador não deve permitir que os desafios o amedrontem, mas que estes lhe provoquem uma constante inquietude que estimulará a busca de meios para desenvolver uma prática significativa e fundamentada teoricamente. Lidar com a alfabetização requer competência e compromisso com um ensino que vise uma genuína transformação social dos pequenos cidadãos que interagimos no dia a dia escolar.

REFERÊNCIAS

AURELIO, O mini dicionário da língua portuguesa. 4a edição revista e ampliada do
mini dicionário Aurélio. 7a impressão – Rio de Janeiro, 2002.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federal do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Imprensa Oficial. Brasília, DF, 1988.

CAMBI, Franco. História da pedagogia. Tradução de Álvaro Lorencini. São Paulo. Fundação editora da UNESP (FEU), 1999 – (Encyclopaidéia)

FERREIRO, Emilia. Psicogênese da língua escrita. Emília Ferreiro e Ana Teberosky; tradução de Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. – Porto Alegre: Artes Médicas. 1985.

LEMLE, Miriam. Guia teórico do alfabetizador. 2ª Ed. São Paulo. Ática. 1988. Série Princípios.

NÉRICI, Imídeo G. Lar, escola e educação. São Paulo: Atlas, 1972.

PIAGET, J. O julgamento moral na criança. São Paulo: Mestre Jou, 1932/1977.

POERSCH, J. M.Suportes Lingüísticos para a alfabetização. 2 ed. Porto Alegre: Sagra, 1990.



[1] Professora do I Ciclo 1ª FASE da Escola Estadual Treze de Maio em Porto Esperidião-MT pós graduando do curso Alfabetização e letramento do Instituto UCAM/PROMINAS.

Repensando a Prática Pedagógica em 2013.


                                                                              Edson Luis Ismael do Carmo[1]
                                                              
Resumo: Mas  um ano letivo começa , é hora de planejarmos para termos um bom resultado no final deste, deixando de maximizar os problemas e filosofias negativas.
Palavras Chaves:  Incentivo, linguagem pedagógica e experiência.
No dia 4 de fevereiro do corrente ano, iniciam – se as aulas e então novamente, voltamos a trabalhar, hora de acertar os ponteiros e cultivar pensamentos que possam nos ajudar a planejar boas aulas e cativar nossos alunos.
Na sociedade contemporânea é visível o bombardeamento da era informativa, nós professores as vezes sentimos frustrações ao perceber que quase sempre não temos  resultados positivos em nossas aulas. Mas o que fazer de fato?
Não temos uma fórmula correta, mas devemos mediar  algumas situações do nosso dia- a- dia. Hoje os alunos vivem conectados ao facebook, no entanto seria uma boa oportunidade para surpreendê–los  mostrando  algo diferente no que diz respeito ao conhecimento de  forma clássica. Uma dinâmica por exemplo,  poderá com certeza surtir efeitos positivos. É obvio que nunca conseguiremos alcançar o nível de um computador, embora ele seja muito útil e composto de ferramentas que nem sempre são absorvidas pelos seus usuários.
Muitas vezes perdemos tanto tempo em procurar justificativas para nossos erros que nem temos tempo para planejar atividades diversificadas e interessantes para os alunos, pois as vezes é mais fácil falar que o quadro da sala tal é horrível, que a temperatura está insuportável, que a água está quente, que não temos computadores e por fim que os alunos estão cada vez mais indisciplinados.  Que isso não seja uma maneira de escondermos nossas fraquezas e levar este ano como aqueles que já se passaram, independente da situação, se é precária ou não, se está quente ou frio, os nossos alunos precisam do professor. Ao ouvir em qualquer lugar que a internet está ai e que tudo o que você fizer será insuficiente, desconsidere  esse fato, pois  na internet existe um universo de informações fragmentadas e as pessoas precisam de um professor para extrair aquilo que se precisa. Hoje mediar é a palavra e a atitude do nosso presente. Muitas vezes nas salas dos professores ouvimos colegas reclamarem que algumas atividades não tiveram sucesso, que os alunos não querem nada, etc., no entanto pouco se fala em leituras que envolvam o mundo pedagógico, infelizmente há colegas que influenciam a negatividade no ambiente escolar com o seu desinteresse e falta de iniciativa. Não podemos deixar esses por menores nos afetar, pois dentro da ótica escolar somos os maiores, não podemos deixar que a redundância e desinteresse destrua sonhos e horizontes de pessoas que precisam de nós. Ensinar é buscar, cativar pacientemente, transmitir com amor e sabedoria. Quantas foram  as vezes que pecamos, fomos negligentes e não tivemos a humildade de nos corrigir na hora que precisávamos? É importante salientar que existem os PCNs, e por mais que existam muitos comentários  e críticas sobre o mesmo, ainda é a melhor solução  para o amparo pedagógico. O que temos que aprender é saber “vender o peixe[2]”, existem muitas pessoas que não sabem fazer esse trabalho, o que significa que já se esqueceram da linguagem pedagógica.[3]
Seguem dez dicas para o sucesso de suas aulas em 2013
Sobre a relação professor – aluno segundo Maria Isabel da Cunha – do livro: “Repensando a Didática”
1-    Os limites do conceito relação professor – aluno se implicam na prática do processo pedagógico com o conteúdo e com a metodologia adotada.
2-    A relação professor –aluno no sistema formal é parte da educação e insubistituível na sua natureza.
3-    O aluno espera ser reconhecido como pessoa e valoriza no professor as qualidades que os ligam efetivamente.
4-    O compromisso político do professor não é atualmente um aspecto explícito na sua ação.
5-    Do professor se espera um papel que lhe é próprio. Ele tem muito mais poder para definir a relação entre os papéis.
6-    O comportamento do professor e dos alunos fazem  parte de uma expectativa baseada na ideologia definida pela sociedade.
7-    A escola retifica a classe social do aluno e suas expectativas e o convence a aceitar sua situação na sociedade.
8-    O ambiente institucional interfere no desempenho e nas relações  professor  - aluno.
9-    O professor é um ser contextualizado
10- Quanto mais o professor é próximo do aluno, mais influência ele tem sobre seu comportamento.

       Devemos  apresentar de forma clara e discursiva o que pretendemos alcançar, assim não haverá dúvidas e nem insucesso, os objetivos nascem de várias situações, facilitando a entrada para a boa aula que faz a diferença ; uma coisa que também não podemos esquecer em hipótese  alguma são os componentes básicos do planejamento de ensino, pois neles estão inseridos as metas e os valores mais amplos que procuramos atingir.
     O presente artigo tem por objetivo repensar a prática pedagógica no âmbito educacional e sem dúvida fazer um bom trabalho em 2013, tendo claro que,
como diz Paulo Renato Souza[4].

         “ O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e das sociedades ampliam-se ainda mais no despertar do nosso milênio e aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos”.
  
Bibliografia

- BECKER,F. Espistemologia do professor, cotidiano da escola. Petropolis : Vozes,  1993.
- Gaotti,M.A escola cidadã. São Paulo: Contexto, 1990.
- GIUSTA, A.S. Concepção e aprendizagem e políticos pedagógicos. Educação em revista. Belo Horizonte,n,1,p.24-31,jul.1985.



[1] Licenciado em geografia pelo Univag  e pós graduado em Urbanização e Ordenamento do territorio , pela universidade de Lisboa Faculdade de Letras.
[2]  Expor seu ponto de vista, argumentar em seu próprio favor.

[3] Didática
[4] Ex. Ministro da Educação e Desporto