quarta-feira, 27 de março de 2013

MT - Saúde nas Escolas começa dia 25 de março em VG




A Rede Municipal de Ensino de Várzea Grande se prepara para o início do Programa Saúde na Escola, uma ação do Governo Federal, realizada em parceria com a secretaria municipal de Saúde. O trabalho será realizado entre os dias 25 de março a 4 de abril. Os estudantes das 28 escolas participantes farão avaliação antropométrica - estudo das proporções e medidas das diversas partes do corpo. 

Os alunos serão medidos, pesados, além de serem submetidos a exame de vista, tudo realizado por enfermeiros da secretaria municipal de Saúde. A partir daí será feito acompanhamento do calendário vacinal, avaliação clínica, oftalmológica, auditiva, nutricional e saúde bucal. Os trabalhos serão acompanhados por um professor de educação física. Nessa primeira etapa, consta também palestras nas unidades educacionais.
Os enfermeiros trarão equipamentos clínicos como: aparelho de aferição da pressão arterial balanças de pesagens e fita métrica, para facilitar os trabalhos nas visitas às escolas, em todas as etapas. 

Segundo o secretário municipal de Educação, Jonas S. da Silva, o programa é de suma importância, uma vez que os alunos terão acompanhamento de profissionais da área de saúde, durante todo o ano. “Muitas vezes, a dificuldade na aprendizagem está em algum problema de saúde. Com o programa, é possível acompanhar o desenvolvimento por completo de nossos alunos”, destaca. 

Parceria - Desenvolvido pelo Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação (MEC), o projeto visa atenção às crianças, adolescentes e jovens, das escolas públicas para o cuidado e a prevenção de doenças. 

A proposta do Programa Saúde na Escola é de reduzir a vulnerabilidade dos jovens às doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência, uso de álcool entre outras drogas.
Os trabalhos também abrangerão a prevenção de doenças, por meio de orientações aos hábitos alimentares, atividades físicas e prevenção da violência.


Marketing pessoal


Autor: Laura Santos
Marketing é um processo social, sendo o conjunto de estratégias através do qual as pessoas usam a criatividade, para lançamento, divulgação e venda de produtos ou serviços, para o mercado consumidor.

Já marketing pessoal é uma ferramenta para agregar pessoas, ou seja, a utilização de todas as ações para se promover, para se fazer conhecer, seja dentro da sociedade ou no campo profissional.

Segundo o ditado popular: “A primeira impressão é a que fica’”, importante esclarecer que sempre a primeira impressão, e o primeiro momento é a melhor forma de mostrar um diferencial e causar boa impressão. Como exemplo típico no mercado de trabalho há pessoas que vão para entrevista e veste a melhor roupa apropriada para laborar, ou seja, fazem de tudo para causar boa impressão. Assim, também quando marcamos o primeiro encontro, a preocupação do visual, seja roupa, sapato, maquiagem, o que falar, como se comportar para causar uma boa impressão. E isso, nada mais é do que um marketing pessoal. Preocupação com o que as pessoas vão achar e pensar ao nosso respeito. Aqui um erro inoportuno, pode colocar tudo a perder.

O marketing pessoal além de necessidade, destaque, diferencial, não é mais um luxo e sim conseguir vender a imagem, seja pessoal ou profissional, agregando valores e condutas, com marcas positivas.
Não tem natureza nata, ou seja, não nasce com a gente e sim é adquirido, aperfeiçoado com o tempo e com a força de vontade de cada um, de se tornar um diferencial. Lembre-se: de iguais o mercado está cheio e precisa dos que fazem a diferença.

As habilidades e características do marketing pessoal ocorrem com o tempo até se tornar uma marca reconhecida e respeitada. No caso, temos exemplo, de marcas super reconhecidas, vamos recordar de algumas: quando compramos amido de milho pedimos “maizena”, ao invés de refrigerante pedimos “coca-cola”, esponja de aço pedimos “bombril”, uma lâmina de barbear pedimos “gillete”, achocolatado pedimos “toddy ou nescau”, fotocópia utilizamos “xerox”, hastes flexíveis utilizamos “cotonete”, cola de cianocrilato de “super Bond”, Luís Inácio da Silva que agregou “LULA” como parte do nome, Mara da Graça Meneghel que também inseriu “XUXA” e são reconhecidos pelo nome criado, divulgado. Verifica-se que uma marca precisa de estratégias, aprendizado, esforço e que nada surge do nada, sempre com um porque e com uma finalidade. Atingir o fim almejado é o ápice de tudo. Insta esclarecer que uma marca, tendo atingido seu grau máximo, não pode ficar estagnada, caso contrário ficará no esquecimento, por isso da importância da evidência no mercado constantemente. Aqui também cabe o ditado: “quem não é visto não é lembrado”.

Como características primordiais do marketing pessoal, poderíamos ficar escrevendo páginas e páginas, porém algumas merecem maior destaque, vejamos:
- Da visão: onde se encontra o que se faz, para onde quer chegar e fazer a mudança acontecer, conseguir visualizar futuro diferente e melhor;
- liderança: conseguir influenciar pessoas, fixar o marketing pessoal na cabeça das pessoas formadoras de opinião;
- otimismo: ser sempre otimista, enxergar sempre o lado bom das coisas;
- paciência: saber esperar momento certo, fazer acontecer nas etapas estabelecidas, não atropelar;
- integridade: utilizar ferramentas de forma não prejudicar ninguém, não sendo ambicioso;
- empatia: saber elogiar, reconhecer o mérito das coisas, utilizar a inteligência emocional, tendo capacidade de compreender o outro, e experimentar reações emocionais por meio de opiniões alheias;
- maturidade: saber contornar os problemas, os conflitos de modo inteligente, com excelência;
- trabalho e espírito de equipe: oferecer ajuda, não ser individualista;
- confiança: resultado do conhecimento de informação a alguém, formando um conceito positivo;
- personalizar o tratamento: tratar as pessoas bem, de preferência pelo nome, e com cumprimentos singelos, como bom dia, boa tarde, boa noite, obrigada, por favor, com licença, entre outros;
- networking: necessário se faz os contatos sociais e profissionais, e quanto mais contatos, maiores chances de fidelizar o marketing pessoal.

Enfim, inúmeras são as formas de conquistar um marketing pessoal eficaz. Deve-se articular pensamentos, atitudes, apresentação, comunicação, ética, auto-motivar, sempre em prol de um resultado efetivo. Fazer a diferença em tudo e principalmente nos detalhes, proporcionando bem-estar e permitindo mudanças do velho para o novo, ou seja, uma quebra de paradigma, para se tornar um diferente privilegiado em todos os sentidos.

Que possamos começar uma excelente semana com infinitas oportunidades e podermos promover um marketing pessoal ou profissional e ficarmos sempre em evidência, em destaque...


MT - Ceja Almira apresenta economia solidária durante feira de trocas



Cerca de 1,5 mil estudantes do Centro de Educação de Jovens e Adultos Almira Amorim, instalado em Cuiabá,  participam de uma ação pedagógica inovadora, com a proposta de promover o debate, a reflexão e o  estímulo  à prática de um jeito diferente de produção  e acesso a bens e serviços, a Economia Solidária.

“Um trabalho como esse gera repercussão imediata, é amplo e possibilita a atuação de todas as áreas do conhecimento”, pontua o coordenador pedagógico Edivaldo Maciel.  Ele ainda cita que o Ceja -  que atende a cerca de 100 estudantes com algum tipo de deficiência -  sempre busca novas referências para o desenvolvimento do trabalho, fomentando o processo de ensino aprendizagem.

Após conhecerem os conceitos de Economia Solidária  em sala de aula, os alunos foram convidados a participar de uma ação prática, batizada como  ‘Dia de Troca’. A primeira experiência foi realizada na quarta-feira, dia 20. 

 “Nosso público é composto por adultos e procuramos uma intervenção condizente com o contexto social deles. No ‘Dia da Troca’ é possível acessar bens, serviços,  e também partilhar uma música, um poema... Essa proposta contempla ainda o diálogo, a reflexão e se  apresenta como uma alternativa ao sistema capitalista”, pontua o coordenador da área de Humanas, Salvador Flávio Pereira.

O despertar para a ação pedagógica teve o  acompanhamento da professora da Gerência Ambiental da Seduc-MT, Rosângela Goés. “A ideia foi discutida,  amadurecida, pensamos em ações práticas e todos os professores ficaram animados com o projeto”, cita Salvador.

Ele finaliza que a ação será executada ao longo do ano letivo de 2013 e deverá ser ampliada para comunidade.

PATRÍCIA NEVES
Assessoria/Seduc-MT

Escolas devem monitorar faltas O Projeto Ficai faz a adoção de medidas legais previstas no ECA

Organização das escolas é ferramenta eficaz às faltas

DA REDAÇÃO

O Projeto Ficai - Ficha de Avaliação do Aluno Infrequente, Indisciplinado e Infrator - e a adoção de medidas legais previstas pelo Estatuto de Defesa da Criança e Adolescente (ECA) para o acompanhamento da frequência escolar foi tema de discussão entre representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e o promotor de Justiça e de Defesa da Educação, Miguel Slhessarenko Júnior. O encontro aconteceu nesta terça-feira (26.03), na Seduc.

“É inadmissível a retenção de um aluno por faltas. Há todo um aparato legal para evitar que essa situação ocorra.O FICAI e o ECA são instrumentos importantes, mas a organização da escola é fundamental”, pontua Catarina Cortes, superintendente de Educação Básica. Conforme ela, empregando dados disponibilizados pelo sistema de gerenciamento escolar da Seduc (SigEduca), é possível efetuar notificações aos gestores das unidades escolares. “Temos de garantir o direito à educação, mediante a responsabilização formal. A educação é a prevenção a todos os males”.

Para o promotor Miguel Slhessarenko, a questão do acompanhamento dos estudantes remete a uma ação elementar da atividade dos profissionais da educação e por isso ele defende a organização das escolas como ferramenta eficaz no processo. O promotor sugere ainda, ampliar o acesso da comunidade ao ambiente escolar, disponibilizando ações e projetos que fomentem e estimulem o envolvimento da comunidade com o espaço e as ações promovidas ali. “Essa reunião denota o compromisso da educação na resolução de demandas. Temos inúmeras, mas a Seduc sempre se mostra empenhada para a resolução das questões apontadas”, frisou o promotor.

Paz nas Escolas

Ainda durante a reunião, o promotor debateu a finalização da Cartilha Paz nas Escolas, fruto do projeto que associa ações da Educação e Segurança Pública tendo como público alvo as escolas. O material será enviado as 739 escolas com informações sobre a rede de proteção à criança e adolescente.
Como sugestão, o promotor apontou a necessidade de encaminhamento do material tanto à Promotoria da Infância e Juventude como para o Juizado da Infância e Juventude. “A cartilha é extremamente positiva para orientar as escolas a como lidarem com as questões da violência e denota nossa união de esforços”

segunda-feira, 25 de março de 2013

Leia trecho de 'Um Bom Professor Faz Toda a Diferença'

Leia trecho de 'Um Bom Professor Faz Toda a Diferença'


da Livraria da Folha

No livro, professor conta a sua experiência no ensino fundamental

Com o subtítulo "Uma Defesa Apaixonada do Trabalho dos Professores e os Motivos Pelos Quais Precisamos deles Mais do que Nunca", "Um Bom Professor Faz Toda a Diferença" é uma apologia ao magistério.



O autor, Taylor Mali, narra as suas experiências no ensino fundamental e dá exemplos de como um professor pode incentivar e influenciar os alunos de maneira positiva, estimulando o desenvolvimento, a cidadania e a criatividade



O poema, "O que os Professores Fazem", foi inspirado no comentário que um advogado fez em uma festa. "Os professores são tão explorados e desrespeitados que qualquer pessoa que escolha essa profissão hoje deve ter sua inteligência questionada e, portanto, não poderia nem mesmo ser autorizada a ensinar", disse.



Abaixo, leia o trecho que abre a edição.



*

O que os professores fazem



Ele diz que a grande questão é:

O que um aluno vai aprender com alguém

cuja melhor opção na vida foi ser professor?

Ele comenta com os convidados do jantar que é verdade

o que dizem sobre os professores:

Quem sabe faz; quem não sabe ensina.

Decido morder minha língua - em vez da dele -

e resistir à tentação de comentar com os convidados

que também é verdade o que dizem sobre os advogados.

Afinal, estamos jantando e temos que conversar educadamente.



Então, Taylor, você é professor.

Seja honesto, não deve fazer lá muito dinheiro.

Quanto você ganha?



Gostaria que ele não tivesse feito isso -

me pedido que eu fosse honesto -

porque eu tenho uma regra

sobre honestidade e passa-foras:

Se pediu, vai levar.

Você quer saber quanto eu ganho ou o que eu faço?

Eu faço os alunos trabalharem mais duro do que eles imaginavam

ser possível.

Eu faço uma nota 5 parecer uma medalha de honra

e um 9 ser um tapa na cara.

Como ousa me fazer perder tempo com um trabalho inferior ao seu

potencial máximo?



Eu faço crianças ficarem sentadas por mais de 40 minutos na sala

de aula em silêncio absoluto.

Não, vocês não podem trabalhar em grupo.

Não, você não pode fazer nenhuma pergunta agora.

Por que eu não deixo você ir ao banheiro?

Porque você está entediado.

E não precisa realmente ir ao banheiro, precisa?



Eu faço os pais tremerem de medo quando ligo para eles:

Oi. Aqui é o professor Mali. Espero não estar incomodando.

Só queria conversar sobre algo que seu filho disse hoje.

Diante do maior brutamontes da turma, ele defendeu um colega,

dizendo: "Deixe o garoto em paz. E daí que ele está chorando?

Eu ainda choro de vez em quando. Você não?"

E foi o ato mais nobre de coragem que já presenciei.

Eu faço os pais verem os filhos como eles realmente são

e o que poderão vir a ser.



Quer saber o que mais eu faço?



Eu faço os alunos imaginarem,

Questionarem.

Criticarem.

Eu os faço pedir desculpas sinceras.

Eu os faço escrever, escrever, escrever,

E depois ler.

Eu os faço soletrar

Ansioso, exceção, ansioso, exceção,

Até gravarem para sempre a grafia correta dessas palavras.



Eu faço os alunos demonstrarem todos os cálculos matemáticos

realizados

para chegar às respostas dos problemas.

E faço com que apresentem a redação final como se nunca tivessem

produzido um rascunho sequer.

Eu os faço entender que, se você tem um talento,

deve segui-lo.

E se alguém quiser julgá-lo pelo que você ganha, mostre

o que você faz.

Olhe, deixe-me explicar direitinho,

para você entender que estou dizendo a verdade:

Sabe o que os professores fazem?

Os professores fazem a diferença!

E você?



"Um Bom Professor Faz Toda a Diferença"
Autor: Taylor Mali
Editora: Sextante
Páginas: 128
Quanto: R$ 17,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

Estudante coloca hino de time de futebol na redação do Enem

FLÁVIA FOREQUE

DE BRASÍLIA



Num universo de 4,1 milhões de redação do Enem 2012, cerca de 300 textos apresentaram algum tipo de "inserção indevida": trechos aleatórios e citações desconexas com o tema do ano passado --movimento imigratório para o Brasil no século 21.

A irreverência do aluno, no entanto, não justifica uma nota zero, afirma o Inep, órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame.


Editoria de Arte/Folhapress

Um aluno que usou um trecho de hino do Palmeiras em um dos parágrafos da prova recebeu nota 500, por exemplo. A nota máxima é 1.000.

"As capitais, praias e as maiores cidades são os alvos mais frequentes dos imigrantes, porque quando surge o alviverde imponente no gramado onde a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente e que a dureza do prélio não tarda", afirma trecho do texto, em referência ao hino do Palmeiras.

A homenagem ao time ocupou parte de um dos quatro parágrafos do texto --os demais, seguiram o tema sugerido. Para o Inep, as palavras e expressões usadas estão "em estilo inadequado" e por isso o aluno foi penalizado.

"Retirando-se do texto os trechos do hino transcrito pelo participante, ainda restaram ideias e argumentos aproveitáveis ao desenvolvimento do tema", afirma nota técnica do órgão a qual a Folha teve acesso.

"A nota final, relativamente baixa, deve-se também aos numerosos erros de adequação da linguagem à escrita padrão", completa a nota.

RECEITA

Argumento semelhante foi dado para justificar a pontuação de redação que citou receita de Miojo, como revelou ontem o jornal "O Globo". A escolha do aluno foi considerada "inoportuna e inadequada" --a pontuação final nesse caso foi 560.

"Acrescente-se ainda que o texto, em sua totalidade, não fugiu ao tema, e não feriu os direitos humanos. Tampouco cabe dizer que o participante teve a intenção de anular sua redação, uma vez que dissertou sobre o tema e não usou palavras ofensivas", justificou o MEC.

Professores de redação, entretanto, ponderam que a nota dada ainda é muito alta. "No mínimo, o aluno não está levando a sério o trabalho de avaliação do Enem, o que já deveria ser motivo de repreensão", afirma Waldson Muniz, professor de português do ensino médio do colégio Galois, em Brasília.

"E ele fugiu completamente do assunto. É como se eu estivesse numa entrevista e começasse a falar de futebol. Onde está a sequência do raciocínio?", questiona.



Educação: Flexibilizar o currículo do Ensino Médio é a solução?

por Antonio Sérgio Martins de Castro*

Educação: Flexibilizar o currículo do Ensino Médio é a solução?Antes de criticarmos a educação básica, seja referente ao Ensino Fundamental ou Médio, é necessária uma análise de inúmeros parâmetros envolvidos para não cometermos injustiças.

As estatísticas comprovam que, no Ensino Médio, o aprendizado dos estudantes apresenta níveis alarmantes. Comenta-se também que há uma pequena evolução no Ensino Fundamental, mas que não ocorreu no estágio seguinte, como era esperado. Numa visão reducionista, poderíamos afirmar que o problema está nestes três últimos anos da escola.

Analisando algumas questões dos programas de avaliação oficiais, percebemos que, na matemática, por exemplo, alunos do 3º ano do Ensino Médio não conseguem resolver um problema simples de proporção. E porque isto acontece? A visão que temos hoje do Ensino Médio nos mostra um currículo que estabelece conteúdos em um grau de complexidade e aprofundamento maior que no Ensino Fundamental. Mas o entendimento na matemática de proporções não ocorreu. Falha no Fundamental? Também não podemos concluir dessa forma!

Então, vamos relacionar alguns parâmetros que nos permitam realizar uma análise mais verdadeira da educação brasileira. A formação de professores é a primeira delas. Diante de tantas mudanças ocorridas nas políticas educacionais, pouca atenção foi dada à preparação deles. Pontualmente, algumas universidades públicas tentaram e ainda tentam promover encontros com docentes de algumas áreas específicas. Mas é muito pouco, é necessário reestruturar os cursos de graduação relacionados à carreira.

Outro ponto é a valorização da carreira, já que décadas de descaso com os docentes, produzidas por políticas públicas ineficientes na educação, acarretaram uma evasão dos cursos voltados ao magistério. E não se trata apenas da remuneração do profissional, mas também do elevado número de alunos nas salas, da falta de segurança e de recursos básicos na manutenção das unidades escolares.

Também destaco o currículo. Isso porque mudanças foram realizadas no Ensino Fundamental ao longo dos últimos anos, porém poucas foram as alterações no Médio. Além disso, as modificações propostas no currículo dos três anos finais produziram uma carga horária na maioria das vezes incompatível com algumas áreas. Diante de uma cobrança permanente das universidades, com seus vestibulares extremamente conteudistas, ficou praticamente impossível desenvolver todos os temas existentes na programação exigida por elas.

Na rede particular, boa parte das escolas foi ampliando suas cargas horárias a fim de tentar proporcionar tempo hábil para a execução dos programas. Já na rede pública de São Paulo, tínhamos situações que se assemelhavam a verdadeiros ”leilões”. Um exemplo disto é o que ocorre na área de ciências da natureza (disciplinas de física, biologia e química), onde a coordenação e os professores tinham que escolher entre uma ou duas aulas semanais em um determinado ano do Ensino Médio. É praticamente impossível trabalhar com os conteúdos dessas disciplinas como são cobrados atualmente, tendo apenas uma aula por semana.

Os exames de avaliações oficiais (Saep, Saresp, Enem) vêm nos mostrando que mudanças precisam ser feitas e com urgência. Porém, se não solucionarmos principalmente as questões referentes à formação dos docentes, sua valorização e também os currículos de uma forma geral, tais mudanças podem não acontecer e continuaremos tendo resultados sem progressos.

A flexibilização do currículo do Ensino Médio pode ser um fator importante para que as mudanças surtam efeitos positivos. Mas preocupa muito o fato de que escolas (diretores, coordenadores e professores) produzam mudanças significativas em seus currículos, entregando a execução dos trabalhos aos professores com formação deficiente. Pode ocorrer um efeito contrário e a situação se agravar. Também é necessário que as universidades acompanhem de perto as mudanças curriculares para que elas promovam processos seletivos que estejam compatíveis com essa realidade.

Uma coisa é certa. Nossos jovens fazem parte de uma geração tecnologicamente avançada, com recursos ao seu redor que proporcionam a obtenção de informações de maneira rápida e em tempo real, mas ainda carecem de uma atenção especial. O chamado “funil” do Ensino Médio nos mostra uma realidade em que fazer escolhas é muito difícil, especialmente no que diz respeito à carreira a ser seguida. A rede pública tem vagas insuficientes e poucos têm condições de custear uma universidade particular.

Precisamos formar melhor estes jovens para o mundo. É extremamente importante que eles tenham verdadeiras oportunidades de continuar sua formação, seja ela para o mercado de trabalho ou para prosseguir com seus estudos no nível superior.

* Antonio Sérgio Martins de Castro é coordenador pedagógico e gerente de Mídias Digitais dos Sistemas de Ensino da Editora Saraiva.

** Publicado originalmente no site Plena Mulher.

(Plena Mulher)

Novo Sistema de Ensino ainda causa polêmica em Salvador

Adalton dos Anjos

Ag. A TARDE



Livros que compõem os kits adquiridos pela Prefeitura para a rede municipal

Um mês após a paralisação de 48h dos professores da Rede Municipal de Salvador por conta da implantação do Sistema de Ensino do Instituto Alfa e Beto, a nova metodologia ainda causa polêmica entre os docentes. Os educadores devolveram, segundo a Secretaria Municipal da Educação, 562 maletas das 3.780 distribuídas no início do ano, por não concordarem com o método e conteúdos expostos nos kits. O investimento total da prefeitura para adquirir o material foi de R$ 12 milhões.

Ao longo de todo este mês, a APLB vem realizando seminários e reuniões entre professores da Rede Municipal e outros profissionais da área da Educação para questionar a proposta pedagógica do novo sistema de ensino. Na próxima segunda, dia 25, uma sessão especial na Câmara de Vereadores discutirá o novo método adotado para as escolas públicas soteropolitanas. O presidente da Comissão de Educação da Câmara, Silvio Humberto (PSB), informou aos professores que convidará o Secretário Municipal da Educação, João Carlos Bacelar, para participar da sessão.

Os professores da Rede Municipal afirmam que o material, que faz parte da Operação Alfabetiza Salvador, não respeita a individualidade dos alunos, a identidade das escolas municipais baianas e ainda tem textos com conteúdo homofóbico e racista. "Estamos chamando atenção para os valores que estão arraigados aqui dentro e os valores fazem parte da metodologia", afirma a Diretora de Educação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), Jacilene Nascimento.

A APLB também questiona o fato da prefeitura não ter consultado os professores antes da licitação para o sistema que pretende alfabetizar os alunos em seis anos - dois a menos do que prevê o Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, do Ministério da Educação.

A Secretaria Municipal da Educação, ao ser questionada sobre as críticas feitas pelos professores, informou - através de sua assessoria de imprensa - que o material já foi usado em mais de 700 municípios brasileiros e as polêmicas nunca foram levantadas. Ainda segundo o órgão, as críticas pertinentes foram encaminhadas ao Instituto Alfa e Beto, mas "cabe à própria Secretaria trazer a identidade da Rede e da Cidade para a sala de aula e não a um Sistema de Ensino que cobre todo o território nacional". Por conta disso, durante os encontros ao longo do ano letivo, a Secretaria orientará os professores a substituírem os textos "que não estejam alinhados com a identidade soteropolitana".

Tecnicista - A TARDE enviou ao professor titular do mestrado e doutorado em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Elizeu Clementino, uma maleta com os materiais didáticos do 1º ao 5º ano, que foram distribuídos nas escolas municipais, e ele identificou alguns equívocos no kit. "O material é curto, raso, parte do conceito de alfabetização fonética e não discutem o letramento" afirma o docente, que ainda completa: "É um pacote pronto, engessado, tecnicista. O professor é apenas um instrutor e deve cumprir metas".

Elizeu também identificou problemas relacionados ao conteúdo do material. "Desrespeita a autonomia do aluno, do professor e o histórico da Rede. Há preconceito em relação à nossa cultura", declara.

Instituto Alfa e Beto - O presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB), João Batista Oliveira, afirma que não recebeu comunicação formal sobre as reclamações dos professores de Salvador. "Nossos materiais circulam em milhares de escolas há vários anos e nunca nos chegou nenhuma informação ou crítica", declara.

Oliveira ainda salienta que as escolhas metodológicas dos materiais do IAB são baseadas em evidências científicas sobre o que funciona. O pedagogo, no entanto, não descarta a possibilidade de examinar eventuais erros. "É claro que estamos abertos ao diálogo e aprimoramento - desde que sejam apresentados formalmente e de forma apropriada", conclui.

Incentivos - Para incentivar o uso dos materiais, a Prefeitura publicou no Decreto 23.810/2013, que criou a Operação Salvador Alfabetiza, que graticará mensalmente os professores, coordenadores pedagógicos e supervisores que utilizarem os kits e participarem de reuniões aos sábados, com benefícios de R$ 300 até R$ 900. Quanto ao material que foi devolvido pelos professores, a Secretaria informa que ele não poderá ser reenviado ao Instituto e será usado na formação dos professores das escolas que aderirem ao Sistema. As escolas terão até o próximo dia 28 de março para entregar o termo de adesão ao sistema à Prefeitura.

Um desejo do educador para 2013



Francisca Romana Giacometti Paris - frgparis@editorasaraiva.com.br



Pedagoga, mestra em Educação e diretora de serviços educacionais do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva.


Para quem vive no mundo da educação, há dois calendários distintos e igualmente importantes: um é o calendário greco-romano, de 365 dias, que todos seguimos. Mas há também o calendário letivo, que dita o ritmo das escolas. Nesses calendários, 2013 começou há não muito tempo, marcando o início de um novo ciclo. Pois bem, qual é o seu desejo, como gestor, para este ano?

Muitos pensarão: mais alunos, resultados acadêmicos melhores, uma comunidade mais satisfeita, mais harmonia, mais sucesso escolar, educação à altura de nossos melhores ideais, reconhecimento. E é verdade: o mundo pedagógico é ─ talvez mais do que outras áreas ─ movido por grandes inspirações, por um idealismo a toda prova, no qual a esperança é diariamente desafiada e cotidianamente renovada.

Pois aqui vai uma sugestão: o começo do ano letivo é uma boa ocasião para que a escola preste muita atenção – e ponha foco total, mesmo – na qualidade do ambiente ou “clima” escolar. Não estamos falando de disciplina, nem de interação entre professores e comunidade. Não apenas. Ambiente é o conjunto de dinâmicas, relacionamentos e procedimentos que determinam a rotina escolar.

Numerosos estudos internacionais vêm mostrando que a qualidade do clima escolar é um dos indicativos mais fortes do sucesso de uma instituição, tanto do ponto de vista da formação acadêmica, como da perspectiva da construção de atitudes e valores. Todos nós já conhecemos uma escola assim: um lugar que parece ter no próprio ar que se respira algo de diferente, um local harmônico, equilibrado, onde não há caras fechadas, tampouco alegria histérica.

Nas escolas que têm ótimo clima escolar, as regras são razoáveis, pactuadas por todos e alicerçam a qualidade do relacionamento humano. Estuda-se na hora de estudar, descontrai-se quando é tempo de brincar. Os objetivos a serem atingidos são conhecidos por todos, e juntos todos enfrentam os desafios e assumem os insucessos. Os professores atuam em equipe, “vestem a camisa” da escola, mas sem perder a autoridade e a autonomia de quem lidera uma sala de aula.

Escolas assim apresentam espaço físico visivelmente organizado e limpo e não toleram problemas de infraestrutura fáceis de solucionar, como rachaduras e outras imperfeições, que dão ar desleixado aos ambientes pedagógicos. Escolas assim são espaços sociais sem vácuos de liderança e claramente orientados para o ensino-aprendizagem, que tratam o processo educativo com o respeito e a seriedade que este impõe – e por isso suas decisões são acatadas e compartilhadas pela comunidade.

Não há milagre nenhum nessas instituições, e todas as escolas podem ser assim. Mas querer é preciso e também é preciso trabalhar todos os dias na construção do ambiente escolar, que é feito de detalhes, muitos detalhes. Sempre é tempo de começar.



TCE-PR adere à auditoria nacional que prevê identificar problemas relacionados ao ensino médio

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) vai atuar em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU) na realização de auditoria nacional que visará identificar os principais problemas que afetam a qualidade e a cobertura do ensino médio, além de avaliar ações que possam eliminar suas causas.

O presidente do TCE, conselheiro Artagão de Mattos Leão, assinou nesta quinta (21), em Brasília, a adesão do órgão ao programa de Auditorias Coordenadas na Área de Educação do TCU.

O programa envolve também o Instituto Rui Barbosa (IRB) e a Associação dos Membros de Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). No caso do TCE, três auditores serão destacados para o trabalho, que deve durar seis meses. A etapa inicial de planejamento começa ainda este mês. O trabalho de fiscalização se iniciará, ao mesmo tempo, em todo o país, no dia 3 de junho.

O objetivo é verificar a qualidade do ensino médio oferecido pelo poder público, em todo o país. Além da Corte de Contas paranaense, outros Tribunais, representando 24 Estados brasileiros, assinaram o termo de cooperação. Ao final do trabalho, será apresentado um diagnóstico da realidade nacional sobre o ensino médio.



domingo, 24 de março de 2013

Ao mestre com carinho

24/03/2013 - 00:00


Jackelyne Pontes

Neste artigo peço licença aos leitores deste Blog e do portal RDNews para prestar uma homenagem àqueles que são primordiais na formação de um ser humano e que, muitas vezes, não são reconhecidos de maneira justa, seja financeiramente, moralmente, eticamente e institucionalmente. Poucos são aqueles que têm a alegria de ver o seu nome vinculado a um grande feito, a uma grande descoberta, a um grande projeto. Geralmente passam desapercebidos nas organizações de ensino engolidos pelo sistema ou ainda incompreendidos.

Existe uma grande diferença entre ser professor e ser mestre. Professor é aquele que ensina. Mestre é aquele que acumula conhecimentos ao longo da vida e sabe compartilhá-los, fazendo com que os seus alunos os assimilem, e estes, fazendo uso da paixão despertada pelo mestre tomem gosto pelo conhecimento e agreguem suas vivências ampliando assim a gama de outros muitos saberes. Um professor é um mero conhecedor da matéria, enquanto o mestre faz com que essa matéria inanimada tenha alma.

Em diversas situações a “criatura” supera o “criador”, e vejo aqui a beleza instigante de transmitir conhecimento. Esse exercício de fazer com que o outro teste a sua própria capacidade de evolução e de crescimento, encorajando-o, repreendendo-o quando necessário e reconhecendo o seu sucesso é louvável, uma virtude das mais raras. Regorzijar-se com a vitória da “criatura” engrandece o “criador”. Sabemos que existem muitos mestres sem títulos e muitos títulos sem mestres, infelizmente.

O mestre influencia a vida e a caminhada acadêmica do seu aluno positivamente, faz história. Temos ao longo da vida vários professores que marcaram: o palhaço, o animador de torcida, o parceiro da hora do intervalo, o carrasco, o charmoso, o amigão, o sisudo e outros incontáveis perfis, mas o mestre faz com que os alunos reflitam sobre a sua própria caminhada e procure lapidá-la e direcioná-la para os objetivos desejados com mais vigor, vontade e dedicação.

Citando parte de um texto do professor e economista Cesar Augusto Dionísio, que tive acesso em um desses acasos da vida e que me inspirou a escrever este agradecimento público: “...O Mestre olha para uma conclusão lógica e diz “Aqui começa o conhecimento”, e isto o incomoda. O Professor olha para uma conclusão lógica e diz “Aqui termina o conhecimento”, e isto o pacifica...” Digo ainda que: todo mestre pode ser chamado de professor, mas nem todo professor pode ser chamado de mestre, e que fique claro que aqui não estou falando de título acadêmico, estou falando de postura, de grandeza de espírito e de saber doar-se.

Ageo Mário, representando todos os “mestres” merecedores de tal título, em meu nome, e em nome de todos aqueles que você ao longo de sua história como docente já incentivou e encantou por este mundo nada descomplicado, porém, fascinante, da epidemiologia posso dizer: você é mestre!
Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestranda em Saúde Coletiva pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com