terça-feira, 29 de abril de 2014

A narrativa de García Márquez: o poder da palavra escrita ou simplesmente dita...

Ana Lúcia Trevisan - imprensa@mackenzie.br
Doutora em Letras, professora do Programa de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
A prosa de García Márquez, que incorpora tanto a tradição ficcional européia como as tradições da oralidade e das lendas do interior da Colômbia, nos instiga a desvendar um cosmos narrativo em que temas e personagens se desdobram. Em seu primeiro romance, _La hojarasca_, de 1955, a cidade imaginária de Macondo surge pela primeira vez congregando uma trama cujo foco narrativo está pulverizado nas memórias e opiniões de três personagens durante um funeral. Esse romance, ainda sem tocar os contrastes mais definidores do estilo do autor, torna-se seminal, uma vez que aponta para um aspecto recorrente: a relevância do microcosmos espacial como uma dimensão simbólica.

Partindo dessa primeira Macondo, inevitavelmente chegamos ao romance _Cem anos de solidão _(1967)_ _e, antes de qualquer reflexão, vale a ressalva de que esse texto parece renovar-se ao longo dos anos com uma vitalidade que despertaria a dúvida quanto à existência de uma fonte da juventude escondida e não mencionada na casa de Úrsula Buendia. A força narrativa de García Márquez se esconde e se revela em um binômio indissociável, próprio da verdadeira literatura quando esta agrega uma boa história a uma forma diferenciada de narrar. _Cem anos de solidão _alcança esse binômio com a perfeição expressa no tempo predestinado à saga familiar dos Buendia e à leitura dos misteriosos pergaminhos intraduzíveis. Esses manuscritos passam de mãos em mãos ao longo do romance, são textos em busca de quem queira e possa decifrá-los, entretanto, somente nas últimas páginas do romance o sentido desses escritos será revelado. Lemos o fim do romance ao mesmo tempo em que conhecemos o fim de Macondo, lemos com os olhos duplicados na figura do narratário. Uma vez que somos leitores do texto que Aureliano Babilônia está decifrando, percebemos que o tempo da nossa leitura poderia também inscrever-se no tempo mítico e circular que ordenou a vida em Macondo.

Será permitido habitar Macondo pelo tempo determinado na velocidade da nossa própria leitura e, assim, conviver com Aurelianos e Josés Arcadios, sofrer com os amores e os ciúmes de Rebeca ou Amaranta, deleitar-nos com a praticidade estarrecedora da matriarca Úrsula Buendia e da objetividade visionária do alquimista e patriarca José Arcádio Buendia. Com assombro observamos a aparição do gelo, do imã ou da fotografia e, por outro lado, desprovidos de total espanto vemos ascender aos céus, Remédios, a bela - já convencidos pela lógica da causalidade interna do romance que tal corpo ofuscante deveria, verdadeiramente, retornar a sua condição celestial.

As referências históricas aos descobrimentos, às colonizações ou mesmo aos movimentos de independências, que se rearticulam no interior da cidade de Macondo, juntamente com as peripécias da estirpe dos Buendia, têm ocupado estudos literários há 40 anos. No entanto, se pensarmos em uma primeira e sempre irrepetível leitura do romance, vale ressaltar que cada vez que essa pequena cidade imaginária se constrói e se destrói diante dos olhares de seus personagens e de seu leitor derradeiro, cada vez que esse romance escrito e circunscrito na esfera da leitura e da escritura se instaura, entendemos que estamos diante de um deslumbramento, como leitores nos tornamos completamente solidários no maravilhoso e traremos na lembrança, por muito tempo, a imagem da primeira vez que nos foi mostrado o gelo pelo olhar de Aureliano Buendia.

A narrativa ficcional de García Márquez parece retornar sempre a mesma questão: o poder da palavra seja ela escrita ou simplesmente dita. Os falares literários e populares compõem os desdobramentos da ficção e sugerem uma leitura que caminha em uma espiral de referências. Ora as cidades tornam-se palavras e podem ser lidas até que se consumam, ora a narrativa histórica é palavra e pode reinventar criticamente o passado. E, tantas vezes, o amor faz-se verbo, começando e terminando no desejo de possuir as palavras, do outro, de nós mesmos.

PL que obriga escola a oferecer atividades nas férias é rejeitado

Agência Câmara -

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados rejeitou na última quarta-feira (23) o Projeto de Lei 4260/12, da senadora Angela Portela (PT-RR), que obriga as escolas públicas de educação infantil a oferecer atividades pedagógicas aos seus alunos durante as férias, desde que haja interesse de mais da metade dos pais pelo serviço.

O objetivo do projeto é garantir que, mesmo no período das férias escolares, os pais e responsáveis tenham a tranquilidade de contar com as creches e pré-escolas, com atividades pedagógicas, para cuidarem dos seus filhos.

O parecer do relator, deputado Francisco Praciano (PT-AM), foi contrário à matéria. Segundo ele, o funcionamento ininterrupto das unidades de educação infantil pode acarretar problemas para a execução do planejamento curricular e para a avaliação das atividades educacionais pelos professores. “É nesse período de férias escolares que as equipes pedagógicas avaliam o período transcorrido e planejam as atividades vindouras”, salientou.

Além disso, conforme o parlamentar, se os estabelecimentos escolares receberem as crianças durante o ano todo, sem períodos de recesso, não haverá momento hábil para fazer pequenas reformas e adaptações na estrutura física dos prédios, além de atividades como dedetização e desratização.

TRAMITAÇÃO - De caráter conclusivo nas comissões, o projeto será arquivado, caso não haja recurso para apreciação pelo Plenário.

Comissão proíbe cobrança por prova em segunda chamada


Agência Câmara -

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira (23) o Projeto de Lei 5389/09, do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que proíbe escolas e faculdades de cobrarem taxa para aplicação de provas em segunda chamada quando a ausência for justificada.

A proposta modifica a Lei da Mensalidade Escolar (9.870/99) e prevê que a falta será justificada pelas mesmas razões que fundamentam, na legislação trabalhista ou estatutária, a falta ao serviço sem perda de remuneração – ou seja, nos casos de problemas de saúde e de falecimento de familiar, entre outros.

O parecer do relator, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), foi favorável à matéria. “A realização de segunda chamada em decorrência de falta justificada, como prevê a proposta, não pode penalizar o educando”, afirmou.

TRAMITAÇÃO - O projeto, que já havia sido aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor, será ainda analisado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Alunos poderão aproveitar disciplinas em caso de transferência


Agência Câmara -

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (23), o Projeto de Lei 4762/12, do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), que garante aos estudantes de nível superior o direito ao aproveitamento dos estudos, quando for feita a transferência para outro curso ou instituição. Para isso, as disciplinas deverão tratar de matérias idênticas, similares ou correlatas.

Pelo texto, a disciplina que não tiver correspondência para aproveitamento servirá como créditos em atividade complementar. O projeto ainda prevê que as diferenças de nomenclatura ou de ementa ou de objetivos gerais das disciplinas dos cursos de graduação não impedem aproveitamento requerido pelo estudante.

EXCLUSÃO DA PUNIÇÃO - O parecer do relator, deputado Eurico Júnior (PV-RJ), foi favorável à proposta, com emendas. Ele suprimiu do texto artigo que prevê multa de 12 vezes o valor da mensalidade para a instituição que negue, de forma infundada, o aproveitamento das disciplinas.
“Considerada a autonomia universitária assegurada constitucionalmente e os cuidados para com a liberdade acadêmica que perpassam os dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei 9.394/1996 - , e, principalmente, o bom senso dos membros dos colegiados de curso das instituições, não cremos necessário estabelecer sanções explícitas para as instituições que receberem os transferidos”, afirmou.

AVALIAÇÃO DO HISTÓRICO - O relator também modificou o dispositivo do projeto inicial que determina que serão passíveis de aproveitamento de crédito as disciplinas componentes do currículo pleno de cursos de graduação autorizados ou reconhecidos pelo Ministério da Educação concluídas com aprovação.

O novo texto prevê apenas que o aluno transferido ou em processo de transferência submeterá à análise do colegiado do curso a que se destina, para fins de aproveitamento de estudos, o histórico escolar e o currículo de seu curso de origem, contendo as disciplinas cursadas com aprovação, seus respectivos programas, cargas horárias e créditos, devidamente expedidos pela instituição de ensino superior de proveniência. Segundo Eurico Júnior, é necessária avaliação individual criteriosa do histórico escolar para o aproveitamento dos estudos já realizados.

TRAMITAÇÃO - A proposta será analisada em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Violência Sexual

Uma linha imaginária divide as duas áreas do Porto de Manaus (AM): de um lado, há pequenos e malcuidados barcos, usados para transportar populações ribeirinhas, superlotados e, às vezes, sem documentação. Do outro, ficam ancorados os luxuosos navios estrangeiros, recebidos com festa.
Empolgados, os turistas internacionais desembarcam na capital do Amazonas em transatlânticos com capacidade para até três mil pessoas.

Não raramente, são recepcionados por banda marcial da Marinha e, antes de deixar o terminal, param em quiosques de artesanato armados especialmente para recebê-los, onde podem comprar joias e produtos regionais, como bijuterias feitas de sementes da Amazônia.

Ao cruzar o portão das docas, os visitantes enxergam um lado nada festivo de Manaus. A feira, a poucos metros do desembarque, apresenta uma capital que rifa a infância de suas meninas.
Garotas entre 10 e 17 anos, com o corpo à mostra e os pés calçados em chinelos velhos, passeiam em meio às barracas de frutas, peixes e verduras, com blocos de papel nas mãos ou nos bolsos.

De acordo com o Conselho Tutelar de Manaus, meninas são usadas como iscas por comerciantes, às vezes os próprios pais, para atrair fregueses. Quando homens se aproximam, além de oferecer os produtos, elas vendem um bilhete por R$ 5.

Quem compra tem o nome incluído em uma lista. Se for sorteado, o “prêmio”é uma noite de sexo com uma das participantes do esquema.

Isso é Brasil! Em ritmo de Copa do Mundo.
Fonte: Correio Braziliense

Aluno de ensino médio vai ter livro digital

A partir de 2015, o aluno do ensino médio da rede pública poderá acessar seu livro didático em um tablet ou computador e, ao clicar em uma gravura ou trecho da obra, será direcionado para um gráfico interativo ou um vídeo sobre o tema em estudo.

Essa possibilidade está prevista em edital lançado pelo Ministério da Educação para compra de 80 milhões de livros para alunos do ensino médio. É a primeira vez que o livro digital está previsto na compra de obras didáticas feita pela pasta.

Isso não substituirá o livro impresso. “Estamos comprando a obra multimídia. Ela é formada por um livro impresso e um livro digital, que reúne o mesmo conteúdo do impresso mais os objetos digitais integrados na mesma tela”, disse Rafael Torino, diretor de ações educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Fonte: Folha de S. Paulo

Redução da idade penal é principal pedido da população ao Senado

A morte de uma estudante pelo ex-namorado que completaria 18 anos um dia após o crime chocou o Distrito Federal e pode levar o Congresso Nacional a aprovar um projeto de lei que reduz a idade penal para crimes hediondos.

O tema é defendido, aliás, por grande parte dos eleitores que entraram em contato com o Senado neste ano.


Segundo o assessor especial da Secretaria de Transparência do Senado, Thiago Cortez, três proposta de emenda à Constituição (PECs) que propõem reduzir a idade penal se estabeleceram, neste ano, como o maior interesse da pessoas que buscam o “Alô Senado”, canal de comunicação pelo qual os senadores recebem sugestões da sociedade – os dados do acesso neste início de 2014 ainda serão fechados na próxima semana.

Por ano, o Senado recebe, em média, 1,2 milhão de mensagens dos eleitores brasileiros. Líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN) destaca que as demandas recebidas pela ferramenta de comunicação refletem o que a população vive e quer.
Fonte: Folha de Boa Vista

Unicef lança estudo sobre crianças e adolescentes no futebol

As oportunidades e os riscos a que estão expostos crianças e adolescentes que desejam ser jogadores profissionais de futebol são o foco da publicação “A Infância entra em campo –riscos e oportunidades para crianças e adolescentes no futebol”, na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA).
 
O estudo realizado na Bahia com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que nem sempre os ambientes destinados à prática esportiva se constituem espaços seguros, onde os direitos da infância e da adolescência são respeitados.
 
Segundo a pesquisa, meninos e meninas que frequentam centros de formação de atletas para o futebol, como clubes e escolinhas privadas de futebol, são expostos a riscos como profissionalização precoce, exploração e abuso sexual e afastamento do ensino regular.
 
Também estão expostos à discriminação racial e de gênero e a riscos em relação a sua integridade física por conta de prática esportiva de alto impacto. Podem ainda ser afastados de suas famílias, o que facilita, dessa forma, a ação de aliciadores.
 
 
A publicação é uma iniciativa do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca/BA), do UNICEF e da Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 (Secopa/Bahia).
 
A iniciativa contou com o apoio da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP).
 
Fonte: Jornal de Brasília

PROJETOS TEMÁTICOS NA ESCOLA ESTADUAL MARIA EDUARDA PEREIRA SOLDERA



Francisca Aparecida Ramos
Patrícia Edí Ramos
São José dos Quatro Marcos

            O trabalho com projetos temáticos é uma prática pedagógica que vem apresentando excelentes resultados na Escola Estadual Maria Eduarda Pereira Soldera, iniciado no ano de 2011, com o título de Noite Cultural, o evento vem se aperfeiçoando e diversificando seu tema a cada ano, o qual mobiliza a escola em torno de um mesmo objetivo. Cada projeto torna-se uma proposta única de trabalho, que precisa ser articulada pelo corpo do docente da referida escola.
            O primeiro projeto desenvolvido pela escola trouxe a tona um tema bem polemico devido as questões raciais que envolvem preconceito implícito e explicitamente contra os afro-descendentes no nosso país.
O tema do projeto foi “Memória, cultura e história dos afro-descendentes no Brasil”, o projeto teve como finalidade ensinar e levar ao conhecimento de toda comunidade escolar a história e a luta do povo negro no Brasil, esse tema ganhou ênfase e chamou atenção de todos devido aos métodos utilizados pelos professores e alunos para contar sobre a história em geral desse povo lutador e guerreiro, as formas utilizadas pelos professores e alunos da escola foram contar história, apresentar danças, representar teatros, realizar documentários, leituras e interpretações, deste modo foi possível romper com a indiferença e despertar o potencial ético dos participantes.
O segundo projeto, trouxe como tema “Adversidade cultural nas cincos regiões brasileiras, conhecer para respeitar os diferentes grupos e culturas que compõe o mosaico das nossas regiões”, o projeto teve como estratégia de ensino leitura e produção de textos, tendo por base autores da nossa literatura a serem homenageados através da dança, teatro, leituras, comidas típicas, etc.
O terceiro projeto também foi de grande sucesso, com o tema “Anos 60”, devido grande fascínio que esta década ainda nos dias de hoje exerce sobre a geração atual, desde os modelitos usados na época, a rebeldia, a revolução sexual e as grandes participações dos jovens na política em grandes modificações que ocorreram em todo o mundo.
O referido projeto proporcionou uma viagem prazerosa ao túnel do tempo, com o intuito de conhecer e homenagear mais de um segmento cultural, como: a Jovem Guarda, Bossa Nova, Tropicalismo e a Ditadura Militar. Sem esquecermos-nos de citar autores como, Dias Gomes e Millôr Fernandes.
No ano de 2014, outro projeto esta a caminho, cujo tema se trata: “Clássicos X Contemporâneos: encontro Fantástico no mundo da imaginação”, nesse projeto a ênfase será dirigida a um dos mais respeitados e representativos autores dos Clássicos da Literatura Universal os “Irmãos Grimm”. Conhecidos como mestres da literatura clássica dedicaram anos de sua vida a recolher contos maravilhosos e registrá-los em livros. A escolha desse tema parece-nos muito feliz, visto que, os clássicos têm encantado pessoas de todas as gerações. Assim acreditamos que estudá-los será uma nova magia já que estamos na era mágica da internet.
Cada projeto tem duração de aproximadamente seis meses e envolvem todas as áreas do conhecimento num mesmo objetivo. Assim a oportunidade de trabalhar com projetos temáticos têm nos incentivado a trabalhar com ações inovadoras, o que é forma de re-significar o espaço educativo. O aluno sai do papel figurante para protagonizar a sua própria aprendizagem, por meio da pesquisa, da experimentação do estímulo a dúvida, enfim o aluno envolve o aprender muito mais do que aprenderia numa situação de simples receptor de informações, como afirma Kilpatrik (1967):
Quanto mais cedo nos convencemos de que o ensino não é tarefa mecânica, mas uma arte que exige criação, melhor será. Assim estamos contribuindo com a missão de formar cidadãos completos, competitivos, humanizados e solidários (KILPATRICK, 1967, p. 87).
 Também por acreditarmos que a união interdisciplinar abordaria com mais eficiência do projeto. E falando em união interdisciplinar vejamos o que diz Ivani Fazenda (1999):
O caminho interdisciplinar é amplo no seu contexto e nos revela um quadro que precisa ser redefinido e ampliado. Tal constatação induz-nos a refletir sobre a necessidade de professores trabalharem unidos, se conhecerem e se entrosarem para juntos vivenciarem uma ação educativa mais produtiva (FAZENDA, 1999, p. 30).
Referências Bibliográficas

FAZENDA, Ivani. Práticas Interdisciplinar na Escola, 6ª ed. São Paulo: Cortez, 1999.

KILPATRICK, Willian Heard. Educação para uma civilização em mudança. 5ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1967.
 
Parâmetros Curriculares Nacionais: Pluralidade Cultural; orientação sexual/ Secretaria da Educação Brasília: MEC/SEF, 1997.

O professor frente às novas tecnologias de informação e comunicação


Patrícia Edí Ramos
Escola Estadual Maria Eduarda Pereira Soldera

As reflexões em torno do assunto tecnologia e educação tomou conta da sociedade há várias décadas, na realidade desde que se notou sua influência na formação do sujeito contemporâneo, e da necessidade de explorar o assunto diante do rápido desenvolvimento nos meios de informação e comunicação. O mundo atual esta passando por inúmeras e cada vez mais aceleradas transformações em torno de todos os campos da sociedade, desde o princípio da civilização o homem esta sempre em busca de adaptações, mudanças, novos conhecimentos, aliás, fato este implícito em sua constante busca do saber e aprender.

A preocupação com o impacto que as mudanças tecnológicas podem causar no processo de ensino-aprendizagem impõe a área da educação a tomada de posição entre tentar compreender as transformações do mundo, produzir o conhecimento pedagógico sobre ele auxiliar o homem a ser sujeito da tecnologia, ou simplesmente dar as costas para a atual realidade da nossa sociedade baseada na informação (SAMPAIO e LEITE, 2000, op cit SANTOS, 2012, p. 9).

Desde a década de 1940, quando se deu inicio as grandes transformações tecnológicas a sociedade atribuiu a escola e as instituições de ensino a responsabilidade de formação da personalidade do individuo, tendo em vista a transmissão cultural do conhecimento acumulado historicamente. No que se referem à escola as tecnologias sempre estiveram presentes na educação formal, o que faz necessário é o fato de que as instituições de ensino tem o papel de formar cidadãos críticos e criativos em relação ao uso dessas tecnologias. Para tanto é preciso que as mesmas abandonem a prática instrumental das tecnologias, e faça avaliações sobre o trabalho com a inserção das novas tecnologias educativas, visto que:
Dessa forma, temos de avaliar o papel das novas tecnologias aplicadas à educação e pensar que educar utilizando as TICs (e principalmente a internet) é um grande desafio que, até o momento, ainda tem sido encarado de forma superficial, apenas com adaptações e mudanças não muito significativas.
Sociedade da informação, era da informação, sociedade do conhecimento, era do conhecimento, era digital, sociedade da comunicação e muitos outros termos são utilizados para designar a sociedade atual. Percebe-se que todos esses termos estão querendo traduzir as características mais representativas e de comunicação nas relações sociais, culturais e econômicas de nossa época (SANTOS, 2012, p. 2).
A internet atinge cada vez mais o sistema educacional, a escola, enquanto instituição social é convocada a atender de modo satisfatório as exigências da modernidade, seu papel é propiciar esses conhecimentos e habilidades necessários ao educando para que ele exerça integralmente a sua cidadania, construindo assim uma relação do homem com a natureza, é o esforço humano em criar instrumentos que superem as dificuldades das barreiras naturais. As redes são utilizadas para romper as barreiras impostas pelas paredes das escolas, tornando possível ao professor e ao aluno conhecer e lidar com um mundo diferente a partir de culturas e realidades ainda desconhecidas, a partir de trocas de experiências e de trabalhos colaborativos.
Em uma sociedade com desigualdade social como a que vivemos, a escola pública em alguns casos torna-se a única fonte de acesso às informações e aos recursos tecnológicos, das crianças de famílias da classe trabalhadora baixa. A esse respeito Pretto (1999, 104) vem afirmar que “em sociedades com desigualdades sociais como a brasileira, a escola deve passar a ter, também, a função de facilitar o acesso das comunidades carentes às novas tecnologias”.
O uso da informática na educação implica em novas formas de comunicar, de pensar, ensinar/aprender, ajuda aqueles que estão com a aprendizagem muito aquém da esperada. A informática na escola não deve ser concebida ou se resumir a disciplina do currículo, e sim deve ser vista e utilizada como um recurso para auxiliar o professor na integração dos conteúdos curriculares, sua finalidade não se encerra nas técnicas de digitações e em conceitos básico de funcionamento do computador, a tudo um leque de oportunidades que deve ser explorado por aluno e professores. Valente (1999) ressalta duas possibilidades para se fazer uso do computador, a primeira é de que o professor deve fazer uso deste para instruir os alunos  e a segunda  possibilidade é que o professor deve criar condições para que os alunos descreva seus pensamentos, reconstrua-os e materialize-os por meio de novas linguagens, nesse processo o educando é desafiado a transformar as informações em conhecimentos práticos para a vida. Pois como diz Valente:
[...] a implantação da informática como auxiliar do processo de construção do conhecimento implica mudanças na escola que vão além da formação do professor. É necessário que todos os segmentos da escola – alunos, professores, administradores e comunidades de pais – estejam preparados e suportem as mudanças educacionais necessárias para a formação de um novo profissional. Nesse sentido, a informática é um dos elementos que deverão fazer parte da mudança, porém essa mudança é mais profunda do que simplesmente montar laboratórios de computadores na escola e formar professores para utilização dos mesmos. (1999, p. 4)
Implantar laboratórios de informática nas escolas não é suficiente para a educação no Brasil de um salto na qualidade, é necessário que todos os membros do ambiente escolar inclusive os pais tenham seu papel redesenhado.
Atualmente o mundo dispõe de muitas inovações tecnológicas para se utilizar em sala de aula, o que condiz com uma sociedade pautada na informação e no conhecimento, pois através desses meios temos a possibilidade virtual de ter acesso a todo tipo de informação independente do lugar em que nos encontramos e do momento, esse desenvolvimento tecnológico trouxe enormes benefícios em termos de avanço científico, educacional, comunicação, lazer, processamento de dados e conhecimento. Usar tecnologia implica no aumento da atividade humana em todas as esferas, principalmente na produtiva, pois, “a tecnologia revela o modo de proceder do homem para com a natureza, o processo imediato de produção de sua vida social e as concepções mentais que delas decorrem” (Marx, 1988, 425).
Com toda essa disponibilidades é preciso formar cidadãos capazes de selecionar o que há de essencial nos milhões de informações contidas na rede, de forma a enriquecer o conhecimento e as habilidades humanas. Pois segundo Marchessou (1997):

(...) excesso nas mídias, onde as performances tecnológicas e o consumo de informação submergem, “anestesiam” a capacidade de análise dessa informação e de reflexão tanto individual quanto social. Saturação e superabundância ameaçam o navegador da internet que, como certas pesquisas mostram, não tira partido das riquezas de informação pertinente, não estando formado para ir diretamente ao essencial (Marchessou, 1997, p. 15).

Antes de introduzir as novas mídias interativas nas aulas expositivas é preciso entender suas funcionalidades e as consequências de seu uso nas relações sociais, pois somente a partir desse momento é possível utilizá-las de forma a transformar as aulas em eventos de discussão onde ocorra de maneira efetiva à participação de todos os indivíduos, bem como professores, alunos e pesquisadores, propiciando assim a comunicação que só é possível a partir do momento que todas as partes se envolvem.
Para que os recursos tecnológicos façam parte da vida escolar é preciso que alunos e professores o utilizem de forma correta, e um componente fundamental é a formação e atualização de professores, de forma que a tecnologia seja de fato incorporada no currículo escolar, e não vista apenas como um acessório ou aparato marginal. É preciso pensar como incorporá-la no dia a dia da educação de maneira definitiva. Depois, é preciso levar em conta a construção de conteúdos inovadores, que usem todo o potencial dessas tecnologias.
A incorporação das TICs deve ajudar gestores, professores, alunos, pais e funcionários a transformar a escola em um lugar democrático e promotor de ações educativas que ultrapassem os limites da sala de aula, instigando o educando a enxergar o mundo muito além dos muros da escola, respeitando sempre os pensamentos e ideais do outro. O professor deve ser capaz de reconhecer os diferentes modos de pensar e as curiosidades do aluno sem que aja a imposição do seu ponto de vista, pois com lembra Freire:
Não haveria exercício ético-democrático, nem sequer se poderia falar em respeito do educador ao pensamento diferente do educando se a educação fosse neutra – vale dizer, se não houvesse ideologias, política, classes sociais. Falaríamos apenas de equívocos, de erros, de inadequações, de “obstáculos epistemológicos” no processo de conhecimento, que envolve ensinar e aprender. A dimensão ética se restringiria apenas à competência do educador ou da educadora, à sua formação, ao cumprimento de seus deveres docentes, que se estenderia ao respeito à pessoa humana dos educandos (2001, p. 38-39).

As escolas são locais onde ocorre a emancipação do estudante, desde cedo já se molda cidadãos conscientes de suas responsabilidades socioambientais, formar-se indivíduos empreendedores do conhecimento e lapidam-se vocações. Portanto a necessidade de que os ambientes educativos se tornem lugares onde crianças e jovens tenham habilidades de interferir no conhecimento estabelecido, desenvolver novas soluções e aplicá-las de forma responsável para o bem estar da sociedade. Como Piaget enunciou: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram”.
Podemos considerar que a educação ao longo da vida será o único meio de evitar a desqualificação profissional e de atender às exigências do mercado de trabalho da sociedade tecnológica. Assim segundo BELLONI (1999) op cit CAPELLO (2011), faz-se necessário uma flexibilização forte de recursos, tempos, espaços e tecnologias, que abrigam à inovação constante, por meio de questionamentos e novas experiências.
Nesse processo colaborativo de interatividade, o educador deve assumir um novo papel no processo educacional, deixar de lado a postura de provedor de conhecimento e atuar como mediador, até mesmo porque diante dos rápidos avanços em sua área, somente um profissional pleno e capaz de se ajustar aos avanços tecnológicos sobreviverá nesse mercado. É fundamental que o professor se torne mediador e principalmente orientador na aprendizagem mediada pelas novas tecnologias, pois é seu papel criar novas possibilidades para ensinar e aprender. Segundo Moran (2000) o papel do professor é dividido em:
Orientador/mediador intelectual – informa, ajuda a escolher as informações mais importantes, trabalha para que elas sejam significativas para os alunos, permitindo que eles a compreendam, avaliem – conceitual e eticamente -, reelaborem-nas e adaptem-nas aos seus contextos pessoais. Ajuda a ampliar o grau de o grau de compreensão de tudo, a integrá-lo em novas sínteses provisórias.
Orientador/mediador emocional – motiva, incentiva, incentiva, estimula, organiza os limites, com equilíbrio, credibilidade, autenticidade e empatia.
Orientador/mediador gerencial e comunicacional – organiza grupos, atividades de pesquisa, ritmos, interações. Organiza o processo de avaliação. É a ponte principal entre a instituição, os alunos e os demais grupos envolvidos (comunidade). Organiza o equilíbrio entre o planejamento e a criatividade. O professor atual como orientador comunicacional e tecnológico; ajuda a desenvolver todas as formas de expressão, interação, de sinergia, de troca de linguagens, conteúdos e tecnologias.
Orientador ético – ensina a assumir e vivenciar valores construtivos, individual e socialmente, cada um dos professores colabora com um pequeno espaço, uma pedra na construção dinâmica do “mosaico” sensorial-intelectual-emocional-ético de cada aluno. Esse vai valorizando continuamente seu quadro referencial de valores, ideias, atitudes, tendo por base alguns eixos fundamentais comuns como a liberdade, a cooperação, a integração pessoal. Um bom educador faz  a diferença. [grifos do autor] (p. 30-31)

A educação não pode mais viver sob o modelo antigo, sob o risco de virar virtual e invisível para a sociedade, às novas tecnologias devem ser exploradas para servir como meios de construção do conhecimento, e não somente para a sua difusão. Nos últimos anos a presença dos alunos em sala de aula diminuiu consideravelmente, sem falar nas universidades onde alunos viraram atores virtuais, invisíveis para a estrutura acadêmica, eles tem buscado na internet as fontes de conteúdos programáticos das disciplinas, ignoram a oportunidade de debates e reflexões em sala de aula.
Diferente de anos atrás, hoje os alunos tem acesso muito mais rápido e fácil às informações, esse fator tornou as aulas expositivas desinteressantes e assim sua presença se tornou limitada, aos eventos protocolares como: exames e atividades extraclasses. O horizonte de uma criança, de um jovem, hoje em dia, ultrapassa claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade ou de seu país, quer se trate do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional. Diante disso é importante lembrarmos que os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos, sim.
Segundo Xavier (2005), as novas gerações tem adquirido o letramento digital antes mesmo de ter se apropriado completamente do letramento alfabético ensinado na escola. Esta intensa utilização do computador para a interação entre pessoas a distancia, tem possibilitado que crianças e jovens se aperfeiçoem em práticas de leitura e escrita diferentes das formas tradicionais de letramentos e alfabetizações. Essas inúmeras modificações nas formas e possibilidades de utilização da linguagem em geral são reflexos incontestáveis das mudanças tecnológicas que vem ocorrendo no mundo desde que os equipamentos informáticos e as novas tecnologias de comunicação começaram a fazer parte intensamente do cotidiano das pessoas.
A aprendizagem intermediada pelo o computador gera profundas mudanças no processo de produção do conhecimento, se antes as únicas vias eram de sala de aula, o professor e os livros didáticos, hoje é permitido ao aluno navegar por diferentes espaços de informação, que também nos possibilita enviar, receber e armazenar informações virtualmente.
O trabalho educacional a partir da informática tem papel fundamental na prática pedagógica das escolas, pois possibilita a transição de um sistema de ensino fragmentado para uma abordagem de conteúdos integrados. Sendo possível também o processo de criação, busca, interesse e motivação, através de atividades que exigem planejamento, tentativas, hipóteses, classificações e motivações, impulsionando a aprendizagem por meio da exploração que estimula a experiência. Segundo Oliveira (2000), os trabalhos pedagógicos podem ser coerentes com a visão de conhecimento que integre o sujeito e objetivo, assim como aprendizagem e ensino. Nessa perspectiva, as tecnologias tornam-se ferramentas poderosas, capazes de ampliar as chances de aprendizagem do aluno.
O computador e os demais aparatos tecnológicos são vistos como bens necessários dentro dos lares e saber operá-los constitui-se em condição de empregabilidade e domínio da cultura, é impossível fechar-se a esses acontecimentos.
Quem de nós não se lembra dos ditados de palavras e das regras gramaticais decoradas sem que soubéssemos qual seria a situação em que um dia poderíamos usa-las? Sem esquecermos também, das variadas datas comemorativas, fórmulas de matemáticas, química e física, ossos e órgãos do corpo humano e acidentes geográficos, todas as atividades decorativas que fazíamos sem entender qual seria o significado aquilo poderia ter para nossa vida, muitas vezes ouvíamos de nossos professores que um dia precisaríamos daquele conhecimento. Mas como incorporá-los se naquele momento eles não faziam sentido a nós, pareciam apenas regras a serem decoradas para resolução de exercícios e de avaliações.
Com grande frequência temos ouvido professores reclamarem que seus alunos não sabem escrever, e da parte dos alunos ouvimos, que a escola os leva a escrever sobre coisas que não tem significado algum para a sua realidade.
Notemos que atualmente não se trata mais apenas de fazer redações escolares com começo, meio e fim. Com a era digital, as crianças estão se tornando especialistas em lidar com o hipertexto, o sistema informação que inclui textos, fotos, áudio e vídeo, com infinitas possibilidades de navegação. No que se refere o hipertexto é preciso que o internauta desenvolva habilidades de avaliar criticamente as informações encontradas e saiba identificar quais são as fontes mais confiáveis entre as inúmeras apresentadas. Por essa razão é importante que o professor tenha conhecimento sobre o hipertexto e a linguagem utilizada na internet, para poder assim melhor orientar seus alunos.
Ferreiro (2000) afirma que o laboratório de computação na escola possibilita aos jovens o ato de escrever e publicar. Muitas vezes a escrita na escola pode se tornar algo maçante, visto que na maioria das vezes o único a ler e ter contato com os textos escritos pelos alunos é o professor. O fato de se escrever apenas por encomenda na escola, onde o professor solicita aos alunos a produção de uma redação, este a faz e aquele corrige isto é algo que se torna para o aluno muito sofrido, afinal escrever para quê? Ou melhor, para quem? Notemos que falta ao aluno motivação para fazer um bom texto, fazer só porque o professor solicitou torna a atividade desagradável e descontextualizada.
A integração da tecnologia de informação e comunicação na escola favorece em muito a aprendizagem do aluno e a aproximação de professores e alunos, pois através deste meio tecnológico ambos tem a possibilidade de construírem conhecimento através da escrita, reescrita, troca de ideias e experiências, o computador se tornou um grande aliado na busca do conhecimento, pois se trata de uma ferramenta que auxilia na resolução de problemas e até mesmo no desenvolvimento de projetos.  As TICs têm como característica o fazer e o refazer, transformando o erro em algo que pode ser revisto e reformulado instantaneamente para produzir novos saberes, cada individuo que explora as tecnologias de informação e comunicação se torna um emissor e receptor de informações, mais especificamente leitor, escritor e comunicador, esse emaranhado de possibilidade ocorre graças ao poder persuasivo das informações contidas nas TICs que envolve o sujeito incitando-o à leitura e à expressão através da escrita textual e hipertextual.
A internet proporciona ao professor compreender a importância de ser parceiro de seus alunos, navegar junto com os alunos apontando possibilidades de percorrer novos caminhos sem a preocupação de ter experimentado passar por eles algum dia, provocando assim a descoberta de novos significados, permitindo aos alunos resolverem problemas ou desenvolverem projetos que tenham sentido para a sua aprendizagem, é nesse processo que a educação resultaria em um exercício ético-democrático:
Não haveria exercício ético-democrático, nem sequer se poderia falar em respeito do educador ao pensamento diferente do educando se a educação fosse neutra – vale dizer, se não houvesse ideologias, política, classe sociais. Falaríamos apenas de equívocos, de erros, de inadequações, de “obstáculos epistemológicos” no processo de conhecimento, que envolve ensinar e aprender. A dimensão ética se restringiria apenas à competência do educador ou da educadora, á sua formação, ao cumprimento de seus deveres docentes, que se estenderia ao respeito à pessoa humana dos educandos (FREIRE, 2001ª, p. 38-39).
O processo de incorporação das tecnologias nas ações docentes guia professores e alunos para uma educação libertadora e humanista, na qual homens e mulheres imergem na construção do conhecimento, se tornando sujeitos da condução de sua própria aprendizagem, ou seja, um sujeito participativo e responsável pela sua própria construção, deixando de lado o sujeito passivo para se tornar autônomos e cidadãos democráticos do saber, a esse respeito Freire enfatiza que:

A educação é uma resposta da finitude da infinitude. A educação é possível para o homem, portanto esse é inacabado. Isso leva a sua perfeição. A educação, portanto, implica uma busca realizada por um sujeito que é o homem. O homem deve ser sujeito de sua própria educação. não pode ser objeto dela. Por isso, ninguém educa ninguém (FREIRE, 1979, p. 27-28).

Uma educação comprometida é aquela que propicia aos seus indivíduos o desenvolvimento e autoformação, disponibiliza e oportuniza aos seus indivíduos o papel de construção de sua própria história, de sua autonomia de negociar e tomar decisões em defesa de seus direitos e de sua coletividade, pois é a partir da autonomia que o individuo conquista e exerce sua plena cidadania. É importante frisarmos aqui que a autonomia não é algo que se transmite ao aluno, mas que se constrói e conquista conforme sua vivencia, cada homem constrói sua autonomia de acordo com as varias decisões tomadas ao decorrer de seu dia e de sua vida. Freire defende que: “o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros” (1996, p. 66). A autonomia ajuda o homem a se tornar um cidadão crítico, libertar-se do comodismo, da passividade, da omissão e da indecisão.
As TICs também tem papel fundamental no desenvolvimento de projetos, pois permite o registro desse processo construtivo, funciona como um recurso que irá diagnosticar o nível de desenvolvimento dos alunos, suas dificuldades e capacidades, favorecendo também a identificação e a correção dos erros e a constante reelaboração, sem perder aquilo que já foi criado.
Uma inovação é como ver algo novo nas coisas às vezes conhecidas, deve-se pensar em ações que promovam novos papéis para a escola, ações em que a utilização das TICs no contexto educacional estabeleça uma rede dialógica de interação com o intuito de promover a ruptura do distanciamento entre sujeito-sociedade.
O computador ligado à internet propicia ao professor atuar de forma diferente em sala de aula, é possível instigar os alunos a desenvolver pesquisas, investigações, críticas, reflexões, aprimorar e transformar ideias e experiências, não é preciso que professores se tornem donos da verdade e do conhecimento, mas sim parceiros de seus alunos, andando juntos em busca de um mesmo propósito o conhecimento e a aprendizagem. Essa atuação leva os profissionais da educação a se desprender do livro didático, que deixa de ser o guia da prática do professor e passa a ser mais uma, entre outras, fontes de informação e de desenvolvimento do trabalho.
No momento atual em que a sociedade vive é imprescindível que a educação caminhe no sentido do conhecimento compartilhado, com liberdade para se expressar e se comunicar.
 O professor que caminha de forma a tentar conhecer o aluno e entendê-lo em sua realidade, é um profissional que podemos considerar ativo, crítico empenhado no seu papel de ensinar, pois a partir do momento que se sente desafiado pelo aluno, este vive uma busca constante do aprendizado ao ensino. 
Atualmente o professor não é um mero propagador de conhecimento, mas sim ambos (aluno e professor) são parceiros do ensino-aprendizagem, o professor tem o papel de planejar a aula de acordo com a necessidade de seus alunos e estes também tem seu papel que é contribuir com aquilo que deseja aprender, como por exemplo, o tema a ser abordado, no qual se leva em conta dúvidas, curiosidades, indagações, conhecimentos prévios, valores, descobertas, interesses.  O professor é desafiado a conhecer seu aluno, não é mais apenas aprendiz de conteúdo, mas de individuo, para que possa respeitar os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem, temos uma situação que não é mais o professor o único a planejar as aulas para os alunos executar, e sim ambos trabalham em busca de aprendizagem, cada atuando segundo o seu papel e nível de desenvolvimento.
Notemos que é a partir do respeito e da confiança que aluno e professor caminharão para uma escola nova e avançada, onde há preocupação com aquilo que se é proposto para o aluno ler, pois é através de uma leitura prazerosa que acontece o despertar para outras leituras e para uma escrita criativa. Assuntos interessantes levam a questionamentos, a participações efetivas, espírito cooperativo e solidário em ambiente escolar.
A mudança na escola começa a partir de uma mudança pessoal e profissional, capaz de levantar uma escola que incentive a imaginação, a leitura prazerosa, a escrita criativa, favoreça a iniciativa, a espontaneidade, o questionamento, que se torne um ambiente onde promova e vivencie a cooperação, o dialogo, a partilha e a solidariedade.
Enfim para que todo esse leque de oportunidades aconteça, seja vivenciado é preciso que professor e aluno andem juntos, trabalhem num mesmo ritmo de cooperatividade, principalmente falem a mesma língua que é a da era da informação, pois somente trabalhando os interesses da juventude será possível um aprendizado de forma gratificante e com resultados positivos para ambos os envolvidos no ensino-aprendizagem.

MT - Prazo para inscrições na 4ª Olimpíada da Língua Portuguesa termina dia 30


Termina do dia 30 de abril o prazo de inscrições e adesões para a 4ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Podem participar professores e estudantes da rede pública. No Estado, 528 escolas já se inscreveram nas categorias: poema, memórias literárias, crônica e artigos de opinião. O tema escolhido neste ano é  ‘O Lugar Onde eu Vivo’.

Podem se inscrever os professores que estejam lecionando, em 2014, a alunos matriculados em instituições de ensino mantidas pela rede pública no 5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos /4ª, 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e classes de aceleração equivalentes e aqueles que estejam atuando no 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio.

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro vai além de um concurso: oferece propostas de formação dos educadores, seja por meio da distribuição de materiais com orientações pedagógicas, seja pela participação do educador em encontros para reflexão sobre as práticas educativas, com oobjetivo de aprimorar o processo de escrita dos alunos. Desse modo, pre¬tende contribuir para uma prática pedagógica de melhor qualidade.

Serviço:
Inscrições e informações no portal on-line
www.escrevendoofuturo.org.br
Serviço:
Inscrições e informações no portal on-line
www.escrevendoofuturo.org.br e ainda no telefone de apoio: 0800 771 9310

Mais informações com a professora Neiva Boeno, da Coordenadoria de Projetos Educativos neiva.boeno@seduc.mt.gov.br

Assessoria Seduc-MT

MT - Escola 19 de Maio trabalha bullying durante Semana da Saúde


Dando continuidade a temática trabalhada durante o mês de abril no Programa Semana Saúde na Escola, a Escola Estadual 19 de Maio, no município de Alta Floresta, realizou o debate sobre bullying. Segundo a diretora da escola, Solange Silva, o assunto tem sido reforçado em debates em conjunto com instituições e famíliares. “O que nos impulsionou a realização da semana da saúde é o efetivo trabalho com desenvolvimento de valores. O bullying foi trabalhado em dois seminários da juventude e neste ano tivemos de forma mais efetiva a base legal no artigo 42 da Constituição Estadual que determina a inclusão de medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar” diz Solange Silva.

Na ocasião crianças e jovens foram sensibilizados sobre temáticas pertinentes a saúde como bullying, drogas, HPV e alimentação saudável. “O trabalho desenvolvido pelo grupo de profissionais da educação nos últimos quatro anos tem intuito de sensibilizar a comunidade escolar da importância de hábitos alimentares saudáveis e consequências do consumo exagerado de guloseimas dentre doces, salgadinhos e refrigerantes” diz a diretora.

Segundo a coordenadora do projeto Saúde na Escola, Romana Vitória Andrade Camilo o trabalho que está sendo desenvolvido e os  resultados estão sendo obtidos. “No período vespertino onde concentrava-se mais o consumo de guloseimas, apresentou uma redução de  70% . Ficamos felizes com resultado alcançados um trabalho de longa data. Temos hoje os próprios alunos monitoram uns aos outros no sentido de sensibilização” afirma.

O evento contou com a colaboração dos profissionais do Programa Saúde na Escola através da psicóloga Drª Silvana da Silva, nutricionista; Mainessa Mello; enfermeira Letícia de Souza Oliveira; Técnico Claudiomirio Vieira. Foram realizadas palestras, pesagem de alunos para trabalhar o assunto obesidade, entre outras ações. 

ALINE MARQUESAssessoria/Seduc-MT

MT - Seduc realiza formação sobre Prestação de Contas

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) inicia no mês de maio processo formativo tendo como foco  o processo de prestação de contas de recursos federais e estaduais. O evento é organizado conjuntamente entre a Superintendência de Gestão Escolar e a Secretaria Executiva do Núcleo Educação (SENE), por meio da Coordenadoria de Convênios e Recursos Descentralizados.

Inicialmente, considerando a demanda nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande, o cronograma de atendimento foi elaborado cumprindo uma escala de cinco datas. Cada processo terá carga horária total de 8 horas. Além de ser um momento de explanação e de socialização de dúvidas e experiências, gestores e  assessores pedagógicos poderão ainda participar de atividades práticas. O primeiro evento programado foi agendado para o dia 13 de maio e reunirá em espaços distintos os gestores de Cuiabá e Várzea  Grande.

No dia 15 a formação reunirá os profissionais das cidades de Acorizal e Poconé. Dia 16,  os gestores da cidade de Jangada e de Nossa Senhora do Livramento. Já em 20 de maio será a vez dos profissionais que atuam  em Barão de Melgaço e Chapada dos Guimarães e em 21 de maio, a atividade formativa terá como alvo os gestores  de Santo Antônio do Leverger, Nova Brasilândia e Planalto da Serra.

Atualmente os gestores e Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar devem prestar contas de recursos federais (PDDE- Básico, Educação Integral, Qualidade  e Estrutura) e também da fonte estadual (PPP, Recurso Emergencial e Merenda Escolar). “É fundamental é que os novos gestores se atenham aos prazos de execução, de acordo com a legislação vigente”, pontua Juvercy Alves Gonçalves, da Coordenadoria de Convênios Descentralizados.

A coordenadora de Planejamento e Monitoramento da Gestão Escolar da Seduc,  Alcimária Ataídes da Costa, explica que a seleção inicial do tema nasceu a partiu de uma demanda constatada durante Encontro de Gestores biênio 2014/2015, realizado em março deste ano. Dentre as demandas solicitadas estava o maior detalhamento sobre as ações tendo como enfoque os processos de prestação de contas. Paulatinamente, novos calendários serão executados para atendimento a todo o Estado. 

Patrícia Neves Assessoria Seduc-MT

MT - Educação no Sistema Prisional é tema em Comissão Federal

Educação no Sistema Prisional será o tema em debate hoje (29.04),  da Câmara Federal, em Brasília, a partir das 14h. O evento contará com Especialistas e abordará experiências regionais recentes, com a apresentação do Plano Estadual em Prisões, de Mato Grosso. A convite do Deputado Ságuas Moraes – titular da Comissão de Educação – a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), enviou para a explanação o gerente da Educação de Jovens e Adultos (EJA), professor Joaquim Ventura Lopes.

O Seminário que discute as ações educacionais nas prisões brasileiras foi apontado pelo presidente da CE, deputado Glauber Braga (PSB/RJ), autor do Requerimento 355/2014, como um  assunto complexo e que exige reflexão ampla e aprofundada.

De acordo com dados da Unesco, no Brasil, 50% da população carcerária é reincidente. O percentual demonstra o fracasso das instituições prisionais e aponta claramente para a necessidade de mudanças na estrutura atual.

Possibilitar que os detentos estudem e se profissionalizem enquanto cumprem suas penas é um caminho que precisa ser seguido. Além de ser um direito de todos,  o acesso à Educação é ressocializador e fundamental para garantir a reintegração do ex-detento na sociedade.

São essas questões que serão debatidas durante o encontro que terá a presença de representantes do Ministério da Justiça, Ministério da Educação e dos Governos de Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão, Distrito Federal e Mato Grosso, bem como o público em geral.  (com informações da Seduc-MT)

Câmara Federal/Comissão de Educação.

Com o fim dos quintais cheios de frutas, pela chegada do progresso, o curupira foi embora de Cuiabá...


Reza a lenda que o Curupira andava pelos grandes quintais das casas cuiabanas catando frutas para levar para os animais que viviam nos cerrados

NELSON SEVERINO



Tem gente em Cuiabá – principalmente as pessoas mais idosas – que ainda afirma que o lendário curupira, considerado ferrenho protetor das matas e dos animais, existe sim! Só não é visto mais por estas bandas, porque com a chegada do progresso a Cuiabá nos últimos 50 anos e que trouxe em suas esteiras o fim dos quintais cheios de frutas, hoje ocupados por arranha-céus, grandes condomínios e conjuntos habitacionais, o curupira foi embora.

Reza a lenda sobre essa figura do folclore brasileiro que em outros tempos era comum se ver o curupira, uma espécie de menino de baixa estatura, bem troncudo, de cabelos vermelhos, perambulando pelos grandes quintais das casas de Cuiabá catando frutas para levar para os animais que viviam nos cerrados das cercanias da cidade. Era visto, principalmente, nos períodos de estiagem prolongada, quando escasseavam as frutas do cerrado.


O curupira era bem folgado – dizem: se na casa cujo quintal invadia não tinha ninguém, ele não vacilava em dar uma boa espairecida, puxando um ronco na primeira rede que encontrava debaixo de uma frondosa mangueira. E quando ia embora, levando as frutas que coletava para os animais dos cerrados, deixava caroços da deliciosa fruta espalhados por todo o quintal.

Como defensor dos animais e das matas, o curupira estava sempre em estado de alerta aos perigos a que seus protegidos estão expostos. No caso dos agressores das matas e dos caçadores, o curupira tem um jeito especial de afugentá-los: aproxima-se deles sem ser percebido e dispara estridentes assobios aos pés de seus ouvidos. “Não tem quem não sai em disparada, enchendo as calças de medo...” – assegura um velho cuiabano, que nunca viu, mas crê que o curupira não é só lenda não!

Tentar perseguir o curupira é tempo perdido. E perigoso. Com os dois pés virados para trás, quando o perseguidor do curupira pensa que está se aproximando dele, está, na verdade, é se distanciando. Conta-se, inclusive, histórias de gente que se perdeu na vegetação densa dos cerrados da região de Cuiabá, tentando seguir os passos do lendário curupira...

Saúde mental e espiritualidade

Autor: Paiva Netto

Recente estudo do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, denominado “Transtornos mentais em megacidades”, aponta que 30% dos casos investigados de moradores da capital paulista e região metropolitana apresentaram algum tipo de transtorno psiquiátrico nos 12 meses anteriores à entrevista. Expressivo número que merece a atenção de todos.

Todavia, outra perspectiva nos leva a considerar que parte dessas ocorrências pode estar erroneamente catalogada como distúrbio. Há de se verificar também o conjunto de naturais manifestações de uma sensitividade espiritual malconduzida, necessitada de equilíbrio e de orientação específica.

O programa “Conexão Jesus”, da Boa Vontade TV (canal 20 da SKY), conversou com um especialista no assunto. Trata-se do dr. Júlio Peres, psicólogo clínico, doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da USP, com pós-doutorado no Centro para a Espiritualidade e a Mente da Universidade da Pensilvânia/EUA e pós-doutorado em radiologia clínica pela Unifesp. Declarou ele aos telespectadores: “Há uma linha de pesquisa muito importante — e nós gostamos muito desse tema, estamos trabalhando nesse sentido — que visa justamente ao diagnóstico diferencial entre uma crise espiritual envolvendo mediunidade, a conexão com Espíritos, Espiritualidade, e um episódio psicótico, um transtorno psiquiátrico. É muito importante que possamos reconhecer que uma condição é distinta da outra, porque, se o indivíduo estiver tendo uma manifestação mediúnica, uma crise espiritual, não necessariamente ele manifestará um episódio psicótico, psiquiátrico. No entanto, se for medicado nessas condições, ele pode criar uma história, uma linha de futuro psiquiátrica. Contudo, se o indivíduo estiver de fato tendo um episódio psicótico e não for medicado, o sofrimento se exacerba. Então, é fundamental que nós, profissionais da saúde, identifiquemos quais são os diferenciais para esse diagnóstico”.

Essas palavras nos fazem lembrar o testemunho do dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900), ilustre médico que no século 19 escreveu “A loucura sob novo prisma” (estudo psíquico-fisiológico), pondo em evidência os casos em que determinadas patologias mentais teriam causa espiritual de ordem inferior, requerendo, portanto, uma abordagem distinta: “Meu plano é determinar a natureza especial da loucura sem lesão cerebral — estabelecer as bases de um diagnóstico diferencial de uma para outra espécie — e oferecer os meios curativos deste gênero desconhecido de loucura”.

Observa-se assim que a matéria (aliada à Espiritualidade) é verdadeiramente digna de pesquisas cuidadosas e isentas de qualquer preconceito. Afinal, sabemos que muito há para ser estudado. No campo da Neurociência, por exemplo, o que não falta são lacunas de incertezas. E numerosos pacientes dependem desse esforço, pois podem estar padecendo com terapêuticas radicais quando o caminho é bem outro.

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com