domingo, 11 de dezembro de 2011

A importância da interpretação textual

Avaliar Entender a mensagem de um texto é característica de um bom leitor A leitura faz parte de nosso dia a dia, seja na escola, nas tarefas de casa, durante algum percurso que fazemos, enfim, em todos os momentos ela está presente. O fato é que quando a praticamos, muitas vezes não paramos para pensar sobre a sua verdadeira importância, ou seja: até que ponto este ou aquele texto fez sentido para nós enquanto mantínhamos contato com ele? Você sabe o porquê dessa pergunta?


  Muitas vezes, principalmente na escola, a professora sugere uma leitura e, logo em seguida, ordena que seja feita a interpretação referente ao texto lido. Mas como realizá-la, se não lembramos quase nada daquilo que acabamos de ler? Quando isso acontece é porque ainda não temos a habilidade necessária a todo bom leitor. Essa habilidade em saber interpretar um texto, pelo fato de ser muito importante, precisa ser rapidamente conquistada, pois ela nos ajudará em todas as disciplinas, a começar por aquele probleminha de matemática.... Ah!

Quantas vezes o lemos e não conseguimos resolvê-lo, não é verdade? Pois bem, o mais importante nessa atividade é sabermos decifrar qual a mensagem que um determinado texto quer nos transmitir e, para isso, é essencial analisarmos alguns pontos. Precisamos estar atentos ao título, uma vez que ele nos fornece pistas sobre o assunto que será tratado posteriormente. Logo após, surge o primeiro parágrafo que, dependendo do texto, revela os principais elementos contidos no assunto a ser discutido.

Geralmente, nos parágrafos seguintes, o emissor (a pessoa que escreve) costuma desenvolver toda a sua ideia de um modo mais detalhado e, ao final, faz um uma espécie de “resumo” sobre tudo o que foi dito, para não deixar que nada fique vago, sem sentido para o leitor. Até aqui falamos sobre a forma pela qual o texto se constrói, mas há também outro detalhe que não podemos nunca nos esquecer: a pontuação. Às vezes, uma vírgula pode mudar o sentido de uma frase, os pontos de interrogação e exclamação dizem tudo sobre as “intenções” do autor, ou seja, ele pode deixar uma pergunta para refletirmos, pode também elogiar ou fazer uma crítica, utilizando o ponto de exclamação, concorda? Assim sendo, resta ainda dizer que nem sempre numa primeira leitura podemos identificar todos os elementos necessários a uma boa compreensão.

Caso a mensagem não fique clara ao nosso entendimento, realizamos uma segunda, desta vez um pouco mais atenta, dando importância aos sinais de pontuação, como também analisando cada parágrafo e retirando dele a ideia principal. Agindo assim, considere-se um leitor competente!!! Por

Vânia Duarte Graduada em Letras Equipe Escola Kids

Unesco lançará documento contra homofobia nas escolas


Material orienta governos de todo o mundo sobre a homofobia Divulgação Documento orienta sobre o combate à homofobia AGÊNCIA BRASIL Em 2012, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) vai lançar um documento com orientações a governos de todo o mundo para o enfrentamento da homofobia em ambiente escolar. O bullying contra estudantes LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transexuais) foi tema de uma reunião promovida pela entidade esta semana no Rio de Janeiro, com a presença de especialistas de 25 países. Os participantes conheceram experiências de combate ao problema desenvolvidas por diferentes países e houve o consenso de que a homofobia prejudica o desempenho de alunos homossexuais e muitas vezes leva a uma trajetória escolar interrompida, já que o jovem acaba desistindo de estudar por causa das agressões sofridas.



Entre as principais recomendações que vão constar no documento estão a formulação de políticas específicas para atender esse público, o treinamento de professores para lidar com a questão e a produção de materiais de combate ao preconceito contra homossexuais nas escolas. Nesta semana, durante evento em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que o bullying contra crianças e jovens homossexuais é um problema que ocorre em escolas de todas as partes do mundo. “Ele afeta os jovens durante todo o caminho para a vida adulta, causando enorme e desnecessário sofrimento. Crianças intimidadas podem entrar em depressão e abandonar a escola. Algumas são até mesmo levadas ao suicídio. Isso é um ultraje moral, uma grave violação dos direitos humanos, além de ser uma crise de saúde pública”, defendeu. Segundo dados divulgados pela Unesco, nos Estados Unidos, mais de 90% dos estudantes LGBTs dizem ter sido vítimas de assédio homofóbico.



 Na Nova Zelândia, 98% dos homossexuais contam que já foram abusados verbal ou fisicamente na escola. Pesquisa realizada em 2009 pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) apontou que no Brasil 87% da comunidade escolar – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais.



O Ministério da Educação (MEC) estava preparando um kit contra a homofobia que seria distribuído em escolas de ensino médio. O material continha vídeos e cartilhas elaboradas por entidades que defendem os direitos da população LGBT. A produção do material, entretanto, foi suspensa pelo governo após reclamações de parlamentares da bancada religiosa sobre o seu conteúdo, que também desagradou à presidenta Dilma Rousseff.

Biometria: tecnologia precisa

Seus olhos podem ser sua senha.A palavra Biometria vem do grego: bios (vida) metron (medida), e se refere à tecnologia que identifica uma pessoa através de traços biológicos. Esta técnica vem sendo muito difundida na identificação de pessoas para controle de ponto, regulamentação de acesso e identificação criminal.

Por que a Biometria é uma tecnologia precisa?

A eficiência de um sistema de segurança é algo almejado por qualquer empresa ou estabelecimento privado. Ao contrário de uma senha bancária, os traços biológicos não podem ser copiados nem esquecidos, pois fazem parte da pessoa. Graças a essa particularidade de cada indivíduo, a Biometria se torna o método mais eficiente na emissão de senhas.

As técnicas mais conhecidas estão listadas abaixo:

Impressão digital: tecnologia biométrica muito usada, ela se baseia no fato de que todas as pessoas têm impressões digitais únicas e imutáveis.

Geometria da mão: a estrutura venosa e o formato das mãos é que identificam o indivíduo.

Íris dos olhos: técnica que se baseia na leitura dos anéis coloridos existentes em torno da pupila.

Reconhecimento facial: a definição dos traços do rosto de uma pessoa é usada como identificação: considera-se o formato do nariz, do queixo, das orelhas, etc.

Verificação de voz: este método funciona através da dicção de uma frase que atua como senha. A frase deve ser mencionada sempre que for necessária a identificação do usuário.

Como vemos, todas estas técnicas se utilizam de traços biológicos, em alguns casos a leitura biométrica é mais precisa, como por exemplo, a identificação pela íris, que usa quatro vezes mais dados que a digital.
Veja mais!

Ambiente seguro com ondas eletromagnéticas

Por líria alves de souza

Escola Shirlene estimula a leitura

Jorge Antonio de Queiroz e Silva


Nos últimos anos, o Governo Federal tem estimulado a leitura. No Paraná, na administração do governador Roberto Requião (2003-2010), inúmeros livros foram lançados pelas Secretarias da Educação e da Cultura. As bibliotecas das escolas estaduais receberam uma diversidade de obras. A Biblioteca do Professor é uma realidade. No entanto, a maioria dos educadores lê pouco, logo, o estudante, sem referência, não desenvolve o hábito saudável da leitura.

De acordo com Rosane Magaly Martins: “A situação da leitura no Brasil é precária. Todo o conhecimento acadêmico da humanidade está nos livros, sejam eles concretos ou virtuais. Na França, cada pessoa lê, em média, 25 livros por ano. No Brasil, a estatística aponta a leitura de pouco mais de um livro por brasileiro. A questão é cultural, de hábito, de vivência”.

Os exímios educadores da Escola Estadual Shirlene de Souza Rocha, de Rio Branco do Sul, comprometidos com o ideal da transformação social, têm despertado nos estudantes a prática da leitura. Na semana do Dia Nacional do Livro (29 de outubro), a escola recebeu o escritor Nelson Girardi, na quarta-feira, 26 de outubro, para falar do seu livro Vencendo os medos pela escrita. Na semana anterior à palestra, Girardi doou uma quantidade suficiente de livros à referida escola, para preparar a comunidade escolar ao evento.

Estive presente naquela tarde memorável. Constatei o interesse do pessoal da sétima e oitava séries, aproximadamente sessenta estudantes, além da dedicação dos professores. Entre as frases citadas pelos alunos sobre a fala do escritor, destacam-se conhecimento, superação do medo e autoconhecimento.

Houve o despertar da procura pela essência do ser. Nessa viagem fantástica pelo mundo do saber, o Padre António Vieira (1608-1697) diria que “o livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”.

Jorge Antonio de Queiroz e Silva queirozhistoria@uol.com.brHistoriador, palestrante e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

O adjetivo dá qualidade ou qualifica?

Compreender se o adjetivo dá qualidade ou se qualifica representa um avanço acerca dos conhecimentos gramaticais Desde o início de nossa convivência com os aspectos que norteiam a gramática, aprendemos dizeres mais ou menos assim: “o adjetivo dá qualidade ao substantivo”. Assim, em face dessa realidade, ocupemo-nos, a princípio, em analisar os enunciados que seguem:

Vestido feio
Garoto mal-educado
Casa assombrada...

Partindo para uma análise mais apurada dos fatos, eis que alguns questionamentos tendem a nos instigar, a começar por:
“Feio, mal-educado, assombrada” entre muitos outros que existem por aí (no mal sentido, é claro), podem ser considerados como qualidades? Ora, “qualidade” denota algo positivo, não acha?

Embrenhando pelas veredas sinuosas da análise sintática, vamos além, baseando-nos no seguinte exemplo:
A garota está triste.
Deparamo-nos mais uma vez com o fato expresso anteriormente, ou seja, ao analisarmos o termo em destaque, constatamos ser ele o predicativo do sujeito, porque dá qualidade, caracteriza o sujeito, haja vista se tratar de um adjetivo. Assim, sentimo-nos questionados mais uma vez: “triste” é realmente uma qualidade? Ou seria uma qualificação?

Caros (as) usuários (as), tais exemplos foram usados somente no intuito de revermos um simples e corriqueiro conceito: o adjetivo dá qualidade ou qualifica o substantivo?

Assim, tendo em vista os aspectos expressos pela palavra “qualificação”, esta pode se constituir tanto de traços positivos, quanto de traços negativos. Daí o fato de qualificação ser o termo mais indicado.

Por Vânia Maria do Nascimento Duarte

Entrevista - "O país precisa de uma lei de responsabilidade educacional"

Entrevista com Carlos Roberto Jamil Cury

Para o especialista, é necessário fixar padrões curriculares e metas de desempenho nacionais e punir aqueles que não segui-los

Elisângela Fernandes (novaescola@atleitor.com.br)



CARLOS ROBERTO JAMIL CURY
"O país precisa de uma lei de responsabilidade educacional"



A existência de um plano de carreira e de um padrão mínimo salarial é fundamental para tornar efetivo o sistema nacional de Educação, baseado na articulação e na cooperação entre os entes federados. Isso é o que defende Carlos Roberto Jamil Cury, um dos maiores especialistas na área no país, docente da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ele, o grande problema está em não haver um padrão de qualidade e uma base de conteúdos que sejam disponibilizados para todos.

Às vésperas da elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE), Cury alerta que "a qualidade não virá se não houver um desempenho melhor dos alunos, a qualificação de professores e também melhores atrativos para o exercício da docência". Ele foi um dos principais debatedores da Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada no fim de março de 2010, que discutiu pontos para a elaboração do PNE. Nesta entrevista para NOVA ESCOLA, o especialista destacou os principais pontos discutidos na Conferência e falou das perspectivas para a Educação do país.

Há uma crítica generalizada ao ensino brasileiro. Falta um sistema nacional para a Educação?

CARLOS ROBERTO JAMIL CURY Tem uma longa tradição essa repartição - a União com o Ensino Superior e as províncias, depois os estados, com o que se chamava de ensino primário e secundário, hoje Fundamental e Médio. Isso se manteve e se mantém, agora com os municípios incluídos. O problema está em não termos um padrão de qualidade e de conteúdos. O que não quer dizer que esse padrão deva ser exclusivo, absoluto e único para todas as redes do país.

Por que isso ocorre?

CURY Sempre existiu na legislação o espaço para que estados e municípios mantivessem em seus currículos a cor local porque somos um país muito diversificado. Mas não é aí que está o problema. Ele está, sobretudo, na Constituição de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, que deram aos municípios a prerrogativa de ente federativo, coisa praticamente única no mundo. O que ficou para a União foi a noção de diretrizes curriculares nacionais. Entretanto, isso não significou um currículo mínimo obrigatório que satisfizesse aquilo que precisa ser transmitido para todo brasileiro, pouco importa se ele é paulista, goiano ou amazonense.

A municipalização dificulta a construção de um sistema nacional?

CURY Essa é uma questão importante. A constituição deu aos municípios uma autonomia que eles nunca tiveram. E esse é um país de cidades pequenas, a maioria tem menos de 20, 30 mil habitantes. Certamente é possível exigir muitas coisas das capitais, mas como controlar as menores? Até 1988, pelo menos do ponto de vista da Educação, os municípios eram subsistemas dos estados e ficava menos complicado articular o Plano Nacional com 27 representantes sentados numa mesa. Hoje, a articulação precisa ocorrer entre a União e os estados e entre os estados e mais de 5 mil municípios. Fica muito difícil planejar qualquer coisa no médio e no longo prazo.

Qual é o papel do Ministério da Educação nesse processo?

CURY O ministério deveria ser o responsável por garantir um currículo mínimo. Hoje, isso é feito, em certa medida, pelas avaliações - como a Prova Brasil. O problema é que elas incidem sob uma dispersão curricular enorme porque cada ente federado discutiu as diretrizes a seu modo e os resultados ficam prejudicados. É necessário definir um padrão do que se espera que todo cidadão domine ao terminar a Educação Básica.

É preciso criar uma Agência Nacional de Avaliação Escolar independente do poder executivo, como prevê um projeto do senador Cristóvam Buarque?

CURY Isso foi discutido na Conae e eu, em princípio, não sou favorável. Acredito que temos de caminhar com aquilo que temos e que já é suficiente. Nós precisamos melhorar, aperfeiçoar e aproximar, sobretudo os polos de gestão, formação e prática, que hoje estão bastante distanciados entre si. De forma geral, nossas avaliações são bem feitas, mas não temos como saber se o que está sendo avaliado é aquilo que foi ensinado.

A falta de um padrão curricular é o único ponto que caracteriza a ausência de um sistema nacional?

CURY A questão do currículo é provavelmente mais forte, mas há outras que o sistema nacional pode fazer valer, como um plano de carreira e o piso salarial dos professores. Os planos nacionais acabam ficando frouxos pela falta de padrões. É possível dizer que o Conselho Nacional de Educação (CNE) criou as diretrizes para o plano de carreira em 1997, porém há toda uma discussão: esse assunto deve ser objeto de lei? Essa lei não irá ferir a autonomia de estados e municípios? O governo federal conseguiu o padrão mínimo salarial, ainda que contestado no Supremo Tribunal Federal. Já do ponto de vista de médio e longo alcance, nós temos de ter metas, nas quais se inclui obviamente um ensino de qualidade e acessível a todos.

Qual sua avaliação sobre o PNE que está chegando ao fim?

CURY O plano nasceu de uma duplicidade: uma proposta do governo e outra da sociedade civil. Aí houve uma negociação que deixou determinadas coisas bem ajustadas. Por exemplo, o PNE tem uma boa radiografia da nossa Educação, com algumas metas e objetivos claros. A versão que saiu do Congresso previa os recursos, mas o presidente Fernando Henrique vetou os valores. Com isso, o documento se tornou um mero plano de intenções. Sem verba, como cumpri-lo? Essa foi a razão do fracasso. Além disso, o PNE pecou pelo excesso de metas: 295. Se fossem em menor número e mais claras, talvez tivéssemos conseguido os recursos junto à área econômica do governo.

Apesar disso, a Educação avançou nesses dez anos?

CURY Houve avanços significativos, mas a despeito do PNE. É evidente que alguns estados tiveram de investir para viabilizar o Ensino Médio e muitos municípios buscaram convênios para ampliar a oferta da Educação Infantil. Quem não conseguiu vaga pôde recorrer à Justiça amparado pelo plano. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) alicerçou a universalização do Ensino Fundamental. Mas foi preciso uma nova legislação para conquistarmos coisas que, se houvesse recurso, poderíamos ter antes. Com a bandeira do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o atual governo sensibilizou o parlamento e assim repartiu o dinheiro disponível com mais racionalidade. Isso permitiu a ampliação do Ensino Fundamental para nove anos e a progressividade do Médio e da Educação Infantil. Honras sejam feitas: o Fundef abriu a porta e o Fundeb a ampliou.

O próximo PNE vai evitar os velhos erros e avançar? Como?

CURY Acredito que sim. Devem servir como lição todos os antigos planos que fracassaram. Espero que o Congresso diminua o número de metas. Como a Emenda Constitucional 59/2009 prevê planos a cada dez anos, é preciso ver quais são as metas factíveis para 2020 e os recursos necessários para cumpri-las. É importante questionar a correlação que deve haver com o Produto Interno Bruto (PIB) e como será feita a distribuição desse dinheiro para que as metas sejam alcançadas. Temos recursos para isso, mas é preciso uma lei de responsabilidade educacional que comprometa os governantes a cumprir o que foi acordado.

A Conae propôs o aumento do financiamento da Educação para 7% do PIB a partir de 2011 e para 10% a partir de 2014. Isso é viável e, se conquistado, impacta diretamente a qualidade?

CURY Passar de 4,8 para 7% do PIB é difícil. Creio que, se conseguirmos crescer a cada ano 1% até a meta final, será fantástico. Por outro lado, não podemos abrir mão da qualidade. Por isso, defendo a ideia do plano de cargos e carreira e salários. Na medida em que você torna atraente o exercício da docência, há legitimidade para cobrar um melhor desempenho. O que não se pode é fazer cobranças em meio à situação confusa que temos hoje. Os sindicatos não querem saber de avaliação. Na outra ponta, as secretarias planejam melhorar a qualidade, mas não estão dispostas a elevar o salário. Não há diálogo entre eles e isso é muito ruim. É preciso ficar claro: a qualidade não virá se não houver uma qualificação de professores e também melhores atrativos para o exercício da docência.

É preciso qualificar especificamente para o uso de novas tecnologias?

CURY É necessário fornecer assessoria técnica para garantir que a infraestrutura da escola seja bem utilizada. E, além de equipamentos, é essencial disponibilizar gente que os conheça e domine, especialmente os de informática. Antigamente havia uma carreira no âmbito federal de Técnicos em Assuntos Educacionais (TAE), que eram responsáveis por elaborar estatísticas e assessorar as redes, sobretudo as municipais. Precisamos de um profissional assim para as novas tecnologias. Recentemente o MEC constatou que mais de 1,2 mil municípios não têm uma pessoa qualificada para utilizar o computador. Assim, todos os 127 programas de que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) dispõe são praticamente nulos para essas redes.

A ideia de escola com um turno integral é viável no país?

CURY Sim, mas de forma progressiva. O Brasil não tem condições de dobrar num estalar de dedos a presença dos alunos de quatro para oito horas por dia na escola. Isso impacta a infraestrutura e o número de professores - que hoje já não temos em quantidade suficiente. Mas é inegável que isso seria maravilhoso.

Estamos num ano de eleição de presidente e governadores. Não ficam prejudicadas a discussão e a aprovação do novo PNE nesse cenário?

CURY Depende. Fica mais difícil porque a partir de junho a revoada dos parlamentares do Congresso é inevitável. Por outro lado, há a obrigação porque o plano consta em uma emenda constitucional e já há grupos mobilizados na sociedade para cobrar dos candidatos, o que é muito interessante.

O Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, lançado no ano passado, é bom? Quando trará resultados?

CURY Esse tipo de iniciativa dá resultado a médio prazo, isso porque existe todo um ciclo de formação. Depois que o professor conclui a graduação existe um tempo de estágio, inclusive o probatório. Só então ele assume a titularidade de uma cadeira, de uma sala, de uma escola e as coisas começam a funcionar. Porém há outra exigência, que é a de criar o ambiente de trabalho escolar coletivo. Somente com essa nova formação, teremos efeitos positivos. Hoje a situação é ruim, com muitos licenciados que não seguem a carreira docente. E a falta de professores, em algumas áreas, é crítica.

A estabilidade dos professores públicos ajuda ou atrapalha?

CURY Em princípio, para efeito de fixação e algum grau de atração, ela ajuda. Agora, temos de refletir de uma forma mais franca sobre o acomodamento e a falta de compromisso de um número significativo de profissionais.

Quando a Educação brasileira vai alcançar um nível satisfatório?

CURY Há avaliações que indicam cerca de 50 anos, outras mais otimistas falam em 20. Em Educação, o ritmo nunca é rápido e as nossas lacunas, de ordem administrativa e de formação, ainda são muito grandes. Tenho a impressão de que temos pela frente pelo menos uns bons dez anos para que os efeitos comecem a ser produzidos.

A MÚSICA NA SALA DE AULA

Solange Gomes da Fonseca

A Música na Sala de Aula: um recurso facilitador para o ambiente na hora do ensinar/aprender

É fundamental que o ensino de Musica seja feito de modo agradável e divertido para que o ambiente na hora do ensinar/aprender surta efeito positivo, tanto para quem ensina, como para quem aprende.

A prática de aula de musica em sala desenvolve habilidades, define conceitos e conhecimentos e estimula o aluno a observar, questionar, investigar e entender de maneira lógica os seres vivos, o meio em que vive e os eventos do dia a dia, através da musicalidade. Além disso, estimula a curiosidade, imaginação e o entendimento de todo o processo de construção do conhecimento de forma sonora e descontraída.

O objetivo do texto é mostrar uma maneira facilitadora e descontraída, apresentando a musica e a musicalização como recursos facilitadores para o desenvolvimento da inteligência e a integração do ser, na hora do ensino/aprendizagem. Mostrando assim, a capacidade que a musica tem de influenciar o homem física e mentalmente, podendo contribuir para a harmonia pessoal e facilitando a integração entre o professor/ aluno e aluno/aluno.

A intenção do texto, também é de apresentar a musica na sala de aula, não apenas como experiência estética, mas também como facilitadora do processo de aprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo, e também ampliar o conhecimento musical do aluno. Afinal, a musica é um bem cultural e seu conhecimento não deve ser privilegio de poucos. Sugerindo assim, que a escola oportunize a convivência com os diferentes gêneros, apresentando novos estilos, proporcionando uma análise reflexiva do que é apresentado e permitindo que o aluno se torne um sujeito mais crítico em suas escolhas pela vida.

A musica é uma linguagem universal tendo participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Suas atividades de musicalização permitem aos alunos conhecer melhor a si mesmo, desenvolvendo sua noção de esquema corporal e, também permitindo a comunicação com o outro, contribuindo de maneira facilitadora de descontração, como reforço no desenvolvimento cognitivo/lingüístico, psicomotor e socioafetivo do aluno.

Seu desenvolvimento cognitivo/ lingüístico é a fonte de conhecimento do aluno, onde ele tem a oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que o aluno receba melhor será seu desenvolvimento intelectual.
No seu desenvolvimento psicomotor, as atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que o aluno aprimore sua habilidade motora, aprendendo a controlar seus impulsos e controlando o seu equilíbrio do seu sistema nervoso. Isto, porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Daí nasce, na sala de aula a necessidade das atividades como cantar fazendo gestos, bater palmas, sendo experiência importante para o aluno, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, que são fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.

É fundamental que o ensino de Musica seja feito de modo agradável e divertido para que o ambiente na hora do ensinar/aprender surta efeito positivo, tanto para quem ensina, como para quem aprende.

A prática de aula de musica em sala desenvolve habilidades, define conceitos e conhecimentos e estimula o aluno a observar, questionar, investigar e entender de maneira lógica os seres vivos, o meio em que vive e os eventos do dia a dia, através da musicalidade. Além disso, estimula a curiosidade, imaginação e o entendimento de todo o processo de construção do conhecimento de forma sonora e descontraída.

O objetivo do texto é mostrar uma maneira facilitadora e descontraída, apresentando a musica e a musicalização como recursos facilitadores para o desenvolvimento da inteligência e a integração do ser, na hora do ensino/aprendizagem. Mostrando assim, a capacidade que a musica tem de influenciar o homem física e mentalmente, podendo contribuir para a harmonia pessoal e facilitando a integração entre o professor/ aluno e aluno/aluno.

A intenção do texto, também é de apresentar a musica na sala de aula, não apenas como experiência estética, mas também como facilitadora do processo de aprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo, e também ampliar o conhecimento musical do aluno. Afinal, a musica é um bem cultural e seu conhecimento não deve ser privilegio de poucos. Sugerindo assim, que a escola oportunize a convivência com os diferentes gêneros, apresentando novos estilos, proporcionando uma análise reflexiva do que é apresentado e permitindo que o aluno se torne um sujeito mais crítico em suas escolhas pela vida.

A musica é uma linguagem universal tendo participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Suas atividades de musicalização permitem aos alunos conhecer melhor a si mesmo, desenvolvendo sua noção de esquema corporal e, também permitindo a comunicação com o outro, contribuindo de maneira facilitadora de descontração, como reforço no desenvolvimento cognitivo/lingüístico, psicomotor e socioafetivo do aluno.

Seu desenvolvimento cognitivo/ lingüístico é a fonte de conhecimento do aluno, onde ele tem a oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que o aluno receba melhor será seu desenvolvimento intelectual.

No seu desenvolvimento psicomotor, as atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que o aluno aprimore sua habilidade motora, aprendendo a controlar seus impulsos e controlando o seu equilíbrio do seu sistema nervoso. Isto, porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Daí nasce, na sala de aula a necessidade das atividades como cantar fazendo gestos, bater palmas, sendo experiência importante para o aluno, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, que são fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.

E por ultimo temos o desenvolvimento socioafetivo, aonde o aluno aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferentes dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Nesse processo a autoestima e a autorealização desempenham um papel muito importante, na hora do ensinar/aprender. Através do desenvolvimento da autoestima, o aluno aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações.

As atividades musicais coletivas numa sala de aula favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação entre o professor e a aluno. Através dessas atividades, o professor pode perceber quais os pontos fortes e fracos dos alunos, principalmente quanto à capacidade de memória auditiva, observação, discriminação e reconhecimento dos sons, podendo assim, vir a trabalhar melhor o que esta defasado.

O professor pode selecionar musicas que falem do conteúdo a ser trabalhado em sua área, isso vai tornar as aulas dinâmicas, atrativas e vai ajudar a recordar informações passadas. Mas, a musica também deve ser estudada como matéria em si, como linguagem artística, forma de expressão e como um bem cultural da nossa sociedade.

Ao considerar as diferentes habilidades, a escola esta dando oportunidade para que o aluno se destaque em pelo menos uma delas, ao contrário do que acontece quando se privilegiam apenas as capacidades lógico/matemática e lingüística.

De acordo com esta perspectiva, a musica é concebida como um universo que conjuga expressão de sentimentos, idéias, valores culturais e facilita a comunicação do individuo consigo mesmo e com o meio em que vive.

Ao atender diferentes aspectos do desenvolvimento humano: físico, mental, social, emocional e espiritual, a musica pode ser considerada um agente facilitador e descontraído em todo o processo educacional.

A presença da musica na educação auxilia a percepção, estimula a memória e a inteligência, relacionando-se ainda com as habilidades lingüísticas e lógico/matemática, ao desenvolver procedimentos que ajudam o professor a se reconhecer e a se orientar melhor no mundo, contribuindo para o envolvimento social e despertando noções de respeito e consideração pelo outro, abrindo espaço para um melhor rendimento do ensinar/aprender.

A linguagem musical tem sido destacada como importante área de interesse e de gosto de todo ser humano. Sendo assim, considerada como um recurso interessante, importante e vasto para a elaboração de atividades na sala de aula. Tendo com certeza, um aprendizado de qualidade e satisfação tanto para o aluno como para o professor.

A musica como alternativa didática aguça o interesse do aluno, que muitas vezes, sem perceber se encontra totalmente envolvido no processo, uma vez que o conjunto de palavras contidas no texto da musica é aproveitável em distintas temáticas como ponto de partida na construção do ensino/aprendizagem.

Diante das afirmativas fica explícito que a musicalização contribui diretamente no desenvolvimento cognitivo, lingüístico, psicomotor e socioafetivo do aluno, independente de sua faixa etária.

A musica promove em alunos com necessidades especiais uma maior inserção no convívio social.

É notável em uma sala de aula que a musica utilizada como base curricular em diferentes disciplinas é de extrema importância, pois garante um resgate do aluno para com o conteúdo e para com o professor.

O simples fato de ter uma musica no ambiente escolar, enquanto são desenvolvidas as explicações do conteúdo didático, já favorece um melhor comportamento disciplinar por parte dos alunos no transcorrer da aula.

E, através da musica, o professor tem uma forma privilegiada de alcançar seus objetivos, podendo explorar e desenvolver características no aluno.

O aluno com a educação musical cresce emocionalmente, afetivamente e cognitivamente, desenvolvendo sua coordenação motora, acuidade visual e auditiva, bem como memória e atenção e, ainda, sua capacidade e sua criatividade na comunicação.

Com isso, percebe-se que a musica não pode estar dissociada das práticas pedagógicas do cotidiano dos alunos, uma vez que, as atividades musicais são envolvidas pelo canto, a dança, o movimento e a improvisação e já fazem parte do ambiente dos alunos, no meio familiar ou fora dele.

Professor e aluno devem buscar um consenso ao selecionar um repertório, ou mesmo um tema a ser abordado em sala de aula, onde o processo de ensino/aprendizagem envolva uma conscientização e disposição para esclarecer a real proposta da educação musical, estando em sintonia com as necessidades, as expectativas e a formação integral do aluno.

O professor pode e deve trabalhar todo o tipo de musica: popular, clássica, massa, folclórica, vanguarda, religiosa, entre outras, pois reforçam a pluralidade do universo musical e abre portas para que o ensinar/aprender torne-se prazeroso, facilitador e descontraído no ambiente de sala de aula.

Entretanto, vale ressaltar no texto que, infelizmente, o uso da musica na escola não é uma realidade para todos os alunos. Se pararmos para verificar, vamos concluir que a musica, como ensino sumiu das escolas. Isso é ruim porque o aprendizado da prática musical favorece a condição do aluno em relação a sua criatividade. Porém, pior do que não trabalhar a musicalidade, como uma ferramenta importante para a aprendizagem, é enxergá-la somente sob o ponto de vista estético. Uma vez que, a musicalidade é muito mais que isso... É alma, é emoção, é crescimento espiritual, é ação, é reação, é o mundo no universo dos sons e das melodias.

Musica e linguagem são organizações sonoras que servem ao homem como veiculo de expressão. No entanto, não se pode conhecer precisamente o significado, daquilo que foi expresso por meio da musica. Uma vez que, a organização do som na musica é uma cadeia de significantes sonoros que não tem uma conotação intrínseca. Ou seja, não existe dicionário musical que possa definir melhor a presença da musica num ambiente de sala de aula para transportar o ensinar/aprender, de uma maneira facilitadora e descontraída, para que todo inserido no processo educacional faça uso desse recurso e, assim garanta, o sucesso do trabalho do professor, na busca de novas estratégias, criando e recriando subsídios e respeitando a linguagem expressiva de cada aluno.

Além de tudo já explorado no texto, ressalto a importância da musica como recurso na facilitação da aprendizagem e no dinamismo da aula, onde o tempo passa sem que se perceba e, o interesse pelo conteúdo programado é mantido todo tempo com entusiasmo e completa disponibilidade por parte dos alunos e do professor.


Bibliografia


Publicado em 21/09/2011 10:19:00

Currículo(s) do(s) autor(es)

Solange Gomes da Fonseca - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Graduada em Portugues/Literatura pela Universidade SUAM no Rio de Janeiro, ano 1979. Especialista em Linguagem pela Faculdase Internacional de Curitiba, ano de 2004, e membro do grupo de pesquisa Linguagem e Cultura da UFPR.

O inventor da crônica

Roberto Taddei

Rubem Braga levou o biscoito fino da prosa aos milhões de leitores de jornais do Brasil e influenciou gerações de escritores, inclusive as mais novas

Rubem Braga é o cronista brasileiro por excelência; nos temas e nas formas.
Carlos Drummond de Andrade disse uma vez que elementos típicos da crônica como sensualidade, ternura, tédio, poesia e humor podem ser “manipuláveis por qualquer um”. Mas, quando operados por um escritor como Rubem Braga, “formam um composto que até dispensa assinatura”. Rubem Braga é o cronista brasileiro por excelência; nos temas e na forma.

Nascido no Espírito Santo, passou por Belo Horizonte, Recife e São Paulo, mas achou-se mesmo foi no Rio de Janeiro, onde se juntou aos mineiros Fernando Sabino, Drummond, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende (todos também cronistas), e ao carioca Vinicius de Moraes, nascido no mesmo ano que ele, 1913.

Dos sonetos de Vinicius, Antonio Candido disse que eram a realização do ideal modernista de Oswald e Mário de Andrade de levar o “biscoito fino” das artes para as massas. O mesmo se pode dizer de Rubem Braga, que levou o -biscoito fino da prosa aos milhões de leitores de jornais espalhados pelo Brasil com suas crônicas.

Ao longo da vida, Braga evitou associar-se a grupos com intenções literárias mais elaboradas. Fazia questão de dizer que não queria inferir nos rumos da literatura nacional. Fazia literatura sob pressão, como disse Ignácio de Loyola Brandão, explicando o gênero da crônica. Coisa sem importância, dizia, não chegava a ser jornalismo, nem contos.

Braga jamais escreveu romances ou novelas; apenas uns poucos poemas, e muitas crônicas. E foi com elas que mostrou como a irreverência e o impulso de ruptura dos modernos, de Macunaíma a Serafim Ponte Grande, podia se misturar com uma tradição de humor, leveza e lirismo característica da literatura brasileira, presente em escritores como Machado de Assis e Manuel Bandeira.

Com a utilização de ordem direta, voz ativa, coordenação e vocabulário simples, Rubem Braga mostrou o caminho da simplicidade sonhado pelos modernistas. Não escolheu a ruptura, e sim a lapidação de uma linguagem brasileira: fácil como um verso de Camões que adorava, “a grande dor das coisas que passaram”.

Evolução

Se as crônicas de Rubem Braga fossem publicadas hoje nos jornais diários, o leitor talvez notasse certo idealismo e nostalgia ao ler parágrafos como “sou um homem quieto, o que eu gosto é de ficar num banco sentado, entre moitas, calado, anoitecendo devagar, meio triste, lembrando umas coisas, umas coisas que nem valiam a pena lembrar”. O tempo hoje não é o de lamentações, é de pessoas decididas, proativas. Braga está associado a um lirismo do século passado, aquele capaz de se encantar com um porquinho-da-índia, ou que diz “coisas tão lindas” como queriam Bandeira e Vinicius e, talvez nem fosse escalado a figurar nos grandes jornais.

Mas foi ele quem mostrou os caminhos para outros escritores com projetos literários distintos e talvez impensáveis até então. Entre os herdeiros do velho Braga estão Millôr Fernandes, Sérgio Porto, Clarice Lispector, Moacyr Scliar, Carlos Heitor Cony e Luis Fernando Verissimo. Clarice revela que um dia ligou para Rubem Braga, preocupada: “Rubem, não sou cronista, e o que escrevo está se tornando excessivamente pessoal. O que eu faço?” Ele respondeu: “É impossível, na crônica, deixar de ser pessoal”.

Das gerações mais novas, influenciou de Mario e Antonio Prata, passando por Xico Sá. Mas foi com Milton Hatoum e Fabrício Corsaletti que a crônica lírica de Braga ganhou novos ares e se modernizou. Hatoum trabalha em um registro mais próximo do conto e explora a relação com o real e o dia a dia, elevando o fato à categoria de ficção. Em seus textos, Hatoum parte do acontecimento para construir uma narrativa típica da ficção. Em geral, do fato é que se delineiam personagens que pensam e agem. Ao final da crônica, o que importa já não é mais o fato originário ou a lembrança inicial do autor, mas sim a evolução dos personagens. Isto é, de certa forma, uma evolução do que fazia Braga, preocupado sempre em manter o texto ao rés do chão, como disse Antonio Candido. Em outras palavras, o correlato objetivo em Hatoum passou a ser um pequeno núcleo ficcional, em vez de elementos físicos e concretos do mundo real.

Mais recentemente ainda, o escritor e poeta paulista Fabrício Corsaletti seguiu a linhagem lírica braguiana já transfigurada por Milton Hatoum. Em suas crônicas, Corsaletti faz também as conexões com o cotidiano simples, com a vida da classe média paulista, a padaria, o livreiro, a caminhada, a rua. Mas aqui, a nostalgia de Braga dá lugar a um aceitar-se em um mundo em que os poderes do autor são mínimos, às vezes nem mesmo suficientes para alterar o gosto musical de um vizinho, ou de se fazer enxergar por outro passante.

Em Corsaletti não há mais a ilusão de ordem e organização do mundo, nem mesmo quando o choque entre o passado e o moderno pode gerar humor. O choque não produz nada a não ser a confirmação de que o ser é soberano, sem nostalgia e sentimentalismos, mas apenas dentro do seu próprio mundo. Esse mundo do cronista não é mais o seu universo privado, o seu apartamento conjugado, os amigos, ou o bar onde se sabe o nome do garçom e do caixa. O mundo é interior, onde a profusão ativa de conexões e associações impede que o niilismo possa se instaurar, mesmo quando, aparentemente, “o pessoal anda muito desorientado”, como diria Braga.

Prosa

Após as grandes guerras do século XX, o romance brasileiro da época de Braga já começava a abandonar as narrativas de iluminação, os grandes temas, as ideias de salvação moral, espiritual ou simplesmente amorosa. Só muitos anos depois é que a crônica brasileira o acompanha. Mas, ao contrário do que aconteceu nos romances, o abandono do sonho de elevação e salvação pelos cronistas não cedeu espaço a um niilismo oco e sem beira. Virou antes a narrativa de pequenas epifanias que nada resolvem, para nada servem, não estão dentro de nenhuma ordem e não operam em nenhum sentido superior. São narrativas de transparência. É o que é, sem que isso tenha de significar nada além.

Braga fazia do choque entre o mundo exterior e o interno seu motor nostálgico que justificava o movimento de busca na natureza e no passado por um sentido na vida (é dele a frase: “Devo confessar preliminarmente que, entre um conde e um passarinho, prefiro um passarinho”). Em muitos dos seus textos, tratou do jardim suspenso de sua cobertura em Ipanema, de momentos da infância, e da passagem do tempo, como na crônica de 1980 em que diz a Vinicius: “É a primeira- primavera, de 1913 para cá, sem a sua participação”.

O escritor capixaba ajudou a enxugar a língua portuguesa falada no Brasil, a limitar aquilo que é conhecido como o mínimo léxico comum, o conjunto de palavras necessárias para nos comunicarmos. O léxico de Braga é uma mochila de escoteiros com apenas os termos essenciais. Nele está o mínimo para que sigamos vivos, atentos e suscetíveis às pequenas epifanias e maravilhas de um mundo que, apesar dos arroubos da tecnologia, globalização e sonhos interplanetários, ainda é pequeno, lento e enigmático, e onde se escondem, ao mesmo tempo, todas as grandezas.

Você sabe onde quer chegar? E onde está?

Lair Ribeiro


Muitas pessoas, em um determinado momento da vida, vêem-se sem perspectivas, literalmente perdidas. Não sabem mais o caminho de volta nem fazem idéia de para onde estão indo. Apenas caminham, até que um dia, um chamado interior consegue falar mais alto e clama por mudanças. De alguma forma, o corpo se manifesta, física ou psicologicamente, por meio de doenças como estresse, depressão, ansiedade ou outras mais graves.

O problema é que a maioria das pessoas não pára para pensar na sua própria vida, achando que é perda de tempo. O grande desperdício de tempo acontece quando não fazemos tais reflexões e nos deixamos levar pela correnteza.

Nunca é tarde para se conhecer melhor. Antes de fazer escolhas para sua vida, como a carreira seguir, por exemplo, o primeiro passo é identificar quais são as suas verdadeiras habilidades. É possível, sim, unir trabalho e prazer.

Reflita sobre as coisas de que você gosta de fazer. Lembre-se de que o que você faz por diversão é trabalho para muita gente. Enquanto você gasta dinheiro para alugar uma quadra de tênis, Gustavo Kurten já ganhou milhões jogando tênis profissionalmente. Quando transforma o seu hobby em trabalho, você sente como se não estivesse trabalhando; conseqüentemente, realiza-se profissionalmente e ganha dinheiro.

Tudo o que é feito com prazer tem muito mais chances de dar certo! O problema é que muitas pessoas acabam abortando sua criatividade e imaginação em detrimento de imposições sociais ou familiares. Como vivemos grande parte tempo trabalhando, se o trabalho que realizamos não permitir que nos sintamos bem, temos de mudar de trabalho!

Às vezes, basta um ajuste de ponto de vista para que alguém passe a sentir-se bem com aquilo que faz. De repente, o jovem médico que se formou por imposição do pai, mas não tem a menor habilidade para cuidar de pessoas, pode se revelar um exímio pesquisador ou administrador hospitalar, por exemplo. Em outros casos, é preciso fazer uma parada brusca, respirar fundo e começar tudo, do zero, buscando reconectar-se à sua força interior e descobrir um novo ser.

Em geral, estamos tão familiarizados com nossas habilidades que nem as vemos mais como uma habilidade e, menos ainda, como uma possível fonte de realização profissional.

Para descobrir suas verdadeiras habilidades, é importante fazer uma investigação profunda. Reflita. Escreva num papel tudo o que você gosta de fazer e faz sem esforço. Tudo o que lhe proporciona prazer e satisfação deve entrar nessa lista.

Também é útil resgatar sua criança interior. Volte no tempo e procure lembrar-se do que você mais gostava de fazer quando tinha entre 7 e 8 anos de idade. Avance no tempo e relacione as habilidades que conservou ou adquiriu na adolescência, entre os 14 e 15 anos. Depois, eleja outra idade, entre a adolescência e o dia de hoje, e relacione o que você faz de melhor. Feito isso, compare, analise as respostas, observe que características permaneceram desde a infância, reflita sobre o que se perdeu no meio do caminho e procure descobrir por que isso aconteceu. Este é um bom exercício para você começar a sua investigação pessoal.

Costumo dizer que sorte é quando preparação encontra oportunidade. Por isso, esteja sempre preparado, pois as oportunidades estão sempre passando diante nossos olhos, basta estar preparado para as enxergar. A partir do momento em que você se propuser a mudar, tudo o mais estará mudando com você.

TRANSTORNO DA ARITMÉTICA OU MATEMÁTICA

Angela Cristina Munhoz Maluf

Discalculia é considerado um dos transtornos específicos das habilidades escolares. Acomete um número significativo de educandos na fase escolar.Pode trazer aborrecimento e desgaste para os indivíduos, suas famílias e para as escolas.

O transtorno da aritmética ou matemática, conhecido como Discalculia, é um problema causado por má formação neurológica, que se manifesta como uma dificuldade do educando em realizar operações matemáticas, classificar números e colocá-los em seqüência. Nas fases mais adiantadas da vida escolar, a Discalculia também impede a compreensão dos conceitos matemáticos e sua incorporação na vida cotidiana.

Para Novaes (2007) “A palavra discalculia vem do grego (dis, mal) e do latin”.
(calculare, contar) formando: contando mal. Essa palavra por calculare vem, por sua vez, de cálculo, que significa o seixo ou um dos contadores em um ábaco”.
Já para José & Coelho (1997, p.148), a discalculia infantil ocorre em razão de uma falha na formação dos circuitos neuronais, ou seja, na rede por onde passam os impulsos nervosos. Normalmente os neurônios transmitem informações quimicamente através da rede. A falha de quem sofre de discalculia está na conexão dos neurônios localizados na parte superior do cérebro, área responsável pelo reconhecimento dos símbolos. Detectar o problema, no entanto não é fácil.

Na pré-escola é possível notar algum sinal do distúrbio, quando a criança apresenta dificuldade em responder ás relações matemáticas propostas - como igual e diferente, pequeno e grande. Mas nesta idade é cedo para um diagnóstico preciso. Somente partir dos 7 ou 8 anos, com a introdução dos símbolos específicos da matemática e das operações básicas, que os sintomas se tornam mais visíveis.
Segundo Garcia (1998, p. 213) a discalculia é classificada em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos de aprendizagem:

Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de simbolos matemáticos.
Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.
É importante advertir que o distúrbio neurológico que provoca a Discalculia não causa deficiências. O discalcúlico necessita da compreensão de todas os individuos, pois depara com muitas dificuldades nos acontecimentos que são inconfundíveis.

De acordo com Johnson e Myklebust (1987), as seguintes dificuldades podem
ser encontradas em crianças com transtorno matemáticos:

Dificuldade na leitura e compreensão

Confusão com o aspecto parecido dos números, 6 e 9 ou 3 e 8.
Falta de habilidade para compreender os espaços entre os números como, por Exemplo: 5 69 é lido como quinhentos e sessenta e nove.
Dificuldades no reconhecimento, e, portanto, no uso dos símbolos para
calcular: mais, menos, multiplicação e divisão.
Dificuldades na leitura de números com mais de um dígito. Números com zero podem especialmente dificultar. Exemplo: 4002 ou 304.
Confusão na leitura da direção dos números: o 12 pode se tornar 21. Não é
usual para algumas crianças mudarem a direção de alguns números que são lidos precisamente, da esquerda para direita, enquanto outras lêem de trás para frente.
Problemas com leitura de mapas, diagramas e tabuada.
Dificuldade em entender conceito e Símbolos

Dificuldades em entender os símbolos matemáticos e em lembrar como deve ser usado, por exemplo, o sinal de subtração.
Problemas com o entendimento de conceitos de peso, direção e tempo.
Problemas para entender perguntas orais ou escritas que são apresentadas
com palavras, texto ou figuras.
Problemas para entender conceito de soma, onde números são usados em
conjunto com unidades como, por exemplo, 100 metros. Os problemas tam-
bem podem ser no entendimento dos números ordinais, pois não entendem a seqüência, primeiro, segundo terceiro, etc.
Problemas em entender as relações entre as unidades.
Problemas na aplicação prática da matemática, por exemplo: A distância da
casa de Ana até a escola é de 1 km. Maria mora duas vezes mais longe. Qual à distância que Maria tem que percorrer para chegar à escola?
Métodos que podem ajudar

Consentir utilizar a calculadora e a tabela de tabuada
Usar caderno quadriculado.
O educador deve elaborar as avaliações contendo questões claras e diretas.
Reduzir ao mínimo o número de questôes.
O educando fará a avaliação individual, sem limite de tempo e com o auxílio do educador, para responder e sanar as possíveis dúvidas.
O educando poderá fazer avaliações oralmente.
As tarefas para casa devem ser moderadas, com exercícios repetitivos.
O que é acalculia?
A acalculia ocorre quando o indivíduo, após sofrer lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico, perde as habilidades matemáticas já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para realização de cálculos matemáticos.

Sabemos que cada educando tem sua forma e tempo para aprender.Temos a Psicopedagogia que nos mostra a necessidade de analisar o jeito característico e individual com que cada educando aprende.

Cabe aos educadores buscar modos e métodos significativos para aplicar em sala de aula. Esse desafio se benquisto de fato, pode revolucionar e, sobretudo, tornar muito mais atraente a aprendizagem, inclusive da matemática.


Bibliografia

Referências Bibliográficas
GARCIA, Jesus Nicasio, Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas. 1998.
JOSÉ, Elisabete Assunção e Coelho, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. Editora Ática. São Paulo. 1997
JOHNSON, D.J e Myklebust, H.M. Distúrbios de aprendizagem: princípios e práticas educacionais. Tradução Marília Zanella Sanvincente. 2ª Ed. São Paulo: Pioneira, 1987.
NOVAES. Maria Alice Fontes. Transtornos de aprendizagem. 2007. Disponível em:

Publicado em 21/09/2011 10:15:00

Currículo(s) do(s) autor(es)

Angela Cristina Munhoz Maluf - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Ms. em Ciências da Educação,docente de graduação e pós-graduação,psicopedagoga, especialista em Educação Infantil e Especial, escritora, palestrante e consultora de projetos.

Entrevista - Diálogo entre pesquisa e escola

Ano XV - Nº 57 - A Matemática em Questão - Fevereiro / Abril 2011

Terezinha Nunes

Brasileira, mas com boa parte de sua carreira desenvolvida na Inglaterra, a doutora em psicologia Terezinha Nunes está hoje envolvida em múltiplas atividades na Universidade de Oxford. "No ensino, eu me dedico principalmente à supervisão de doutorandos e à coordenação e ao ensino no mestrado em Psicologia da Criança e Educação. Com relação à pesquisa, continuo desenvolvendo investigações sobre a aprendizagem e o ensino da leitura e da matemática entre crianças ouvintes e surdas", conta.

Com um novo livro, escrito em colaboração com o marido, o também professor Peter Bryant, lançado no Brasil pela Artmed (leia a Resenha na p. 21), Terezinha Nunes concedeu esta entrevista à Pátio Ensino Fundamental, na qual aborda o processo de ensino-aprendizagem da matemática e o que a ciência tem trazido de importante para esse campo. "A matemática no ensino fundamental não deveria ser vista como um conjunto de técnicas a serem aprendidas, mas como uma forma de representar o mundo para compreendê-lo melhor", afirma.

Nos últimos anos, foram feitos muitos avanços no ensino da leitura e da escrita, mas o ensino da matemática continua sendo um problema na maior parte das escolas. A que a senhora atribui esse fato?

Os avanços em pesquisa sobre o ensino da matemática também foram consideráveis nos últimos anos, e eu tenho certeza de que um número muito maior de alunos poderia estar não só aprendendo matemática melhor, como também gostando de matemática se os resultados de pesquisa fossem aproveitados no ensino. Para isso, precisaríamos de duas mudanças radicais.

Quais seriam elas?

A primeira seria uma nova maneira de pensar sobre essa questão. A matemática no ensino fundamental não deveria ser vista como um conjunto de técnicas a serem aprendidas - aprender aritmética, aprender álgebra, aprender a fazer contas com frações e com decimais -, mas como uma forma de representar o mundo para compreendê-lo melhor. As pesquisas mostram que, desde 5 ou 6 anos, as crianças começam a estabelecer relações entre quantidades e a raciocinar logicamente sobre essas relações. Quando entendem as relações entre quantidades, elas se tornam capazes de compreender as mesmas relações no campo simbólico dos números.

Poderia exemplificar?

A maioria das crianças de 6 anos é capaz de entender que, se adicionarmos uma quantidade a outra e depois retirarmos a mesma quantidade, a quantidade inicial não se altera. A descoberta dessa relação lógica entre quantidades deveria ser estimulada na sala de aula de matemática através de perguntas e problemas que provocassem a criança a pensar sobre relações entre quantidades. Quando ela compreende essa relação no mundo, pode ampliar tal raciocínio, bem como entender a relação inversa entre adição e subtração no mundo dos números.

Isso já não está sendo feito nas escolas?

Atualmente, na maioria dos currículos de matemática, não existe a previsão de trabalhar com a criança sobre a lógica das quantidades. A escola espera que a criança já entenda essa lógica e passa direto ao ensino dos números. No entanto, nossas pesquisas mostram que entre metade e um terço das crianças precisariam trabalhar esses raciocínios na escola, pois, quando ingressam no ensino fundamental, ainda não tiveram oportunidades anteriores para pensar sobre relações entre quantidades. Nossas pesquisas mostram ainda que, se as crianças que estão correndo o risco de fracasso na matemática tiverem as oportunidades certas para desenvolver esse raciocínio lógico sobre as quantidades, seu desempenho posterior poderá ficar até mesmo um pouco acima da média.

Qual seria a segunda mudança necessária?

A segunda mudança relaciona-se à formação de professores para o ensino fundamental. Se eles não tiverem a oportunidade de repensar a matemática, não terão como trabalhar com seus alunos de uma nova maneira. A participação dos professores é essencial para que qualquer mudança ocorra na educação. Portanto, para transformar o ensino da matemática, é essencial haver um conjunto integrado de mudanças, apoiando os professores em formação e a formação continuada dos professores. Transformar a educação matemática significa transformar toda uma cultura escolar, pois os professores têm de recriar a matemática escolar na sala de aula todos os dias. Por isso, as mudanças em educação são sempre demoradas, porque se trata de mudanças culturais que não são conquistadas de um dia para o outro.


O processo de ensino-aprendizagem da matemática também é um problema em outros países?

As comparações internacionais mostram que os níveis de desempenho nas mesmas provas variam de modo significativo entre países diferentes. Alguns sempre se saem bem, outros sempre mostram resultados baixos, e outros oscilam, melhorando em alguns anos, porém demonstrando quedas nos resultados em outros anos.


O que faz com que certos países
tenham bons resultados?

As comparações internacionais devem ser interpretadas cuidadosamente, já que não podem ser vistas como medidas somente da eficácia do ensino escolar. Sabemos, por exemplo, que as diferenças socioeconômicas têm consequências para o sucesso escolar. Em alguns países, como a Finlândia, as diferenças socioeconômicas são muito pequenas; portanto, espera-se que o resultado dos alunos seja em média mais alto e homogêneo. Em outros países, como os Estados Unidos e a Inglaterra, existem diferenças socioeconômicas marcantes, embora não sejam comparáveis às diferenças existentes no Brasil.


Por que tais diferenças não são comparáveis?

Uma criança pobre na Inglaterra tem acesso a alimentação e saúde básicas, enquanto as mães têm acompanhamento durante todo o período pré-natal e visitas de uma especialista após o nascimento do bebê para orientá-las no cuidado infantil. O acesso a alimentação, saúde e orientação nos cuidados infantis não é o mesmo no Brasil. Outra diferença importante entre países é o acesso à educação pré-escolar, que em muitos países pode começar aos 3 ou 4 anos, dando às crianças uma aceleração inicial quando elas ingressam na escola, porque já começam socialmente adaptadas ao ambiente e tendo algum conhecimento preparatório construído na pré-escola. Finalmente, em muitos países, existe uma tradição de ensino particular, além do ensino escolar. Nos países em que o ábaco é utilizado, é comum que as crianças frequentem aulas particulares para dominar tal uso. Logo, seria ingênuo concluir que podemos simplesmente importar para o Brasil as características dos sistemas educacionais que apresentam melhores resultados nessas comparações.


Que lições podem ser retiradas
das avaliações internacionais?

Feitas essas ressalvas, não se pode esquecer que o desempenho do Brasil nas comparações internacionais revela o mesmo que as provas feitas por professores brasileiros para estudantes brasileiros: o ensino de matemática precisa ser melhorado. O Brasil tem dado passos importantes para melhorar o ensino, como, por exemplo, a análise de livros didáticos, que identifica aqueles que são mais adequados, bem como a biblioteca do professor, que facilita o acesso a livros que possam contribuir para a sua formação continuada. Contudo, o país não utiliza os recursos disponíveis em sua plenitude. Existem fortes grupos de pesquisa em educação matemática e pesquisadores de renome internacional que poderiam contribuir para a melhoria do ensino, mas cujo trabalho ainda não é aproveitado.


Que novos aportes a ciência tem trazido para ajudar os professores de matemática?

É difícil listá-los, pois são muitos, mas é possível exemplificá-los, fazendo uma comparação entre a tradição atual de ensino no Brasil e as novas concepções que surgiram a partir da pesquisa em educação matemática. Por exemplo, no ensino de matemática pensa-se em ensinar as operações aritméticas. Na pesquisa em educação matemática, pensa-se em campos conceituais, o que significa que a adição e a subtração precisam ser compreendidas como aspectos diferentes do mesmo raciocínio.


Como esse processo funciona na prática?

Quando alguém compra algo que custa 80 reais e o vendedor calcula o troco para uma nota de 100, ele pode calcular por soma (80 mais 20 igual a 100) ou por subtração (100 menos 80 igual a 20). O importante não é a conta que o vendedor faz, mas o uso de um raciocínio parte-todo segundo o qual o todo (o dinheiro que o freguês deu ao vendedor) é igual à soma das partes (o que ele gastou mais o que recebeu de troco). Esse raciocínio caracteriza as situações chamadas aditivas e é diferente daquele usado em situações chamadas multiplicativas. Em uma situação multiplicativa, as relações entre as quantidades não são do tipo parte-todo, e sim do tipo correspondência um-a-muitos. Por exemplo, se um caqui custa 5 reais, existe uma relação 1:5 entre o número de caquis e o preço. Os problemas que envolvem esse tipo de raciocínio situam-se no campo do raciocínio multiplicativo e são resolvidos por multiplicação ou divisão.


De que modo essas questões se relacionam com as pesquisas?

As pesquisas indicam que os alunos precisam pensar sobre as quantidades de modo diferente quando os problemas versam sobre situações aditivas ou situações multiplicativas. A base dos dois tipos de raciocínio é completamente diferente. Essa perspectiva sobre situações aditivas e multiplicativas é bastante diferente da prática atual, ou seja, a de se ensinar primeiro a adição e depois a subtração, como dois tópicos distintos, e também é muito diferente do ensino da multiplicação como adição repetida. É verdade que se podem resolver contas de multiplicar por adições repetidas, porém o raciocínio multiplicativo é completamente diferente do raciocínio aditivo. Esses aportes da ciência para o ensino poderiam transformar a educação matemática se fossem concebidos como política nacional.


Muitos professores de matemática resistem à inclusão de alunos com necessidades especiais, pois dizem que a matemática é impossível para tais alunos. Qual é a sua opinião a esse respeito?

O significado da inclusão vai além da questão do ensino de matemática. A expressão alunos com necessidades especiais encobre muitas diferenças que precisam ser compreendidas. Minha opinião é a de que todos os alunos devem receber o melhor ensino possível - e, para isso, é necessário compreender essas necessidades especiais, em vez de encobri-las com uma terminologia inespecífica. Por exemplo, sabemos que os alunos surdos aprendem melhor quando usamos recursos visuais, como objetos ou figuras, para apoiar a apresentação de problemas de matemática, não importando se essa apresentação seja feita usando língua de sinais ou língua oral. Sabemos também que os alunos precisam discutir ideias matemáticas para que se tornem conscientes do próprio raciocínio. Portanto, eles precisam participar de uma comunidade linguística que permita a discussão das ideias matemáticas. A questão é se a classe regular tem condições de oferecer ao aluno surdo as condições de ensino que correspondem às suas características.


Nesse caso, a seu ver, o uso de recursos visuais não seria suficiente?

O uso de recursos visuais algumas vezes ajuda igualmente o aluno ouvinte; outras vezes não o ajuda, mas também não o atrapalha. Por isso, é fácil atender às necessidades do aluno surdo nesse sentido em uma classe regular, mas como garantir que ele não seja marginalizado em uma discussão sobre ideias matemáticas entre pares? Essa é uma questão que merece a atenção dos professores. A importância de uma comunidade de aprendizes não pode ser ignorada na sala de aula. l,

Definindo conceitos

Grupo de Jovens

a) Participação

“A pessoa faz história tomando parte na definição dos rumos e na construção de uma nova sociedade. Na perspetiva cristã, o indivíduo é chamado a orientar-se e a comprometer-se para ser mais humano. Assumir-se sujeito e participar e comprometer-se com as decisões e ações no processo histórico.

“A participação do maior número no máximo de responsabilidade não é somente uma garantia de eficácia coletiva; ela é também uma condição de felicidade individual, uma tomada de poder cotidiano sobre o destino. Não se trata mais para o cidadão de delegar seus poderes, mas de exercer, em todos os níveis da vida social e em todas as etapas da vida” Faure.

O planejamento participativo... “é um processo em que as pessoas realmente participam porque a elas são entregues não só as decisões específicas, mas os próprios rumos que se deve imprimir à escola. Os diversos saberes são valorizados, cada pessoa se sente costrutora - e realmente o é - de um todo que vai fazendo sentindo à medida em que a reflexão atinge a prática e esta vai esclarecendo a compreensão, e à medida em que os resultados práticos são alcançados em determinados rumos” Gandim.

b) O que é planejar?

O planejamento relaciona-se com a vida diária do homem. Vive-se planejando. De uma forma ou de outra, de uma maneira empírica ou científica, o homem planeja. Sempre que se buscam determinados fins, relacionam-se alguns meios necessários para atingi-los. Isto, de certa froma, é planejamento.

a) planejar é transformar a realidade numa direção escolhida;
b) planejar é organizar a própria ação (de grupo, sobretudo);
c) planejar é implantar um processo de intervenção na realidade;
d) planejar é agir racionalmente;
e) planejar é dar clareza e precisão à própria ação (de grupo sobretudo);
f) planejar é explicitar os fundamentos da ação do grupo;
g) planejar é realizar um conjunto de ações, proposta para aproximar uma realidade um ideal;
h) planejar é pôr em ação um conjunto de técnicas para racionalizar a ação.

O que é um planejamento?
Planejamento é um processo de tomada de decisões. Processo significa uma série de ações, de reuniões, discussões, reflexões e decisões envolvendo todos os participantes do grupo, setor ou serviço que planeja. É pensar ANTES, DURANTE e DEPOIS.

Planejamento é o processo de tomada de decisões sobre o trabalho a ser feito. Não se faz numa reunião. Ele começa bem antes de se registrar qualquer coisa por escrito e não termina depois que elaboramos um plano de ação. Esse processo acompanha todo o trabalho e vai indicando caminhos o tempo inteiro.

O que é um plano
Plano é o registro por escrito das motivações e tomadas de decisões para dar andamento ao trabalho. O plano pode ser modificado se, no decorrer do processo de planejamento, for percebido uma necessidade de correção das decisões anteriores.

O que é ação
Ação é o ato de interferir na realidade. Este ato de interferir na realidade pode ser planejado ou não. No primeiro caso nós teremos uma açao que tem tudo para ser eficaz e que provocará transformações. No segundo caso teremos um simples ativismo, que certamente não vai levar a nada. Pelo contrário, vai deixar todo mundo iludido de ter feito uma coisa boa. O essencial é a ação refletida, executada e avaliada.


Planejamento
Pastoral/comunitário/acompanhamento

1. Descreva a situação do grupo que você acompanha.
a) Número de participantes;
b) Tempo de existência;
c) Como são os participantes (cidade, comportamento, compromisso, interesse);
d) Quem os acompanha no grupo;
e) Existe preparação das reuniões? como?

2. Olhando para a realidade do grupo descreva que resultados você espera alcançar daqui a um ano?

3. Diante desta realidade descreva as cinco maiores dificuldades.

4. Quais são as necessidades que estas dificuldades apontam?

5. Priorize uma necessidade para planejar.

6. Passos - O que? Como? Quando? Onde?

7. Como será divulgado e partilhado este projeto?

8. Como será o processo de planejamento?

Elaboração: Equipe da Casa da Juventude Pe. Burnier, Goiânia, GO.
(Adaptação do roteiro de como iniciar um grupo de jovens, volume 1, CAJU).

A Lei das Cotas

LUCIANE ESTEVES SAMPAIO

Proponho neste texto refletir sobre a inclusão do Portador de Necessidades Especiais no mundo do trabalho, tema que considero pouco abordado no mundo em geral.

A simples inclusão pela inclusão teríamos como resultado a total exclusão; seja, a interpretação preponderante que se tem dado às previsões legais quanto à inclusão do portador de necessidades especiais, tem sido objeto da pior das exclusões.

O simples cumprimento da inclusão pela iniciativa privada é realizado sem a preocupação adequada por parte do Estado, quanto à adequação (habilitação e reabilitação) do deficiente ao exercício da função e ao novo mundo do trabalho.

A Constituição Federal estampa dois princípios fundamentais onde estão inclusos o trabalho livre dos portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho.

São eles: defesa da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho. Desde que aprovadas as qualificações profissionais que a lei estabeleça, a própria liberdade de trabalhar encontra limites na qualificação da pessoa Portadora de Necessidades Especiais.

Este tema no Brasil existe uma previsão normativa para a inserção do deficiente, preenchendo requisitos obrigatórios a seguir como inicialmente a Habilitação ou reabilitação profissional realizada pela Previdência Social; por seguinte com a Emissão de certificado pela Previdência Social para a função que o reabilitado tem possibilidade de exercer e por fim a Inserção, pela empresa privada, de referidos empregados deficientes com obrigatoriedade do cumprimento de cotas no mercado de trabalho de pessoas habilitadas ou reabilitadas pelo INSS.

Entretanto, o Estado não é capaz, como em quase todos os setores responsáveis, em propiciar a habilitação ou reabilitação dos deficientes no mercado de trabalho, em incentivar, cobrar e por consequência, permitir a aplicação de multas às empresas que tem tentado suprir a própria deficiência do Estado.

É evidente a necessidade e a importância de uma postura ativa do Estado.

A iniciativa privada também submete aos princípios constitucionais para suprir o que o estado precisaria cumprir, exerce também esta função na introdução do deficiente.

Essa função social na forma da lei, vai desde a contratação, remuneração até a garantia de emprego dos deficientes após sua contratação, salvo a substituição do portador de necessidades especiais por outro, o que não parece ser pouco.

A iniciativa privada contribui dessa forma com a garantia da renda do portador de necessidades especiais mediante a contraprestação dos serviços e aquecendo a economia, o que garante sua integração no campo do trabalho.

A dispensa sem justa causa deve ser precedida em contratar outro portador de necessidades especiais, sob pena de manutenção no emprego.

A empresa que cumpre com o objetivo em contrato ou estatuto social com objetivo, na maioria dos casos, da obtenção do lucro, viabiliza a inclusão social do deficiente físico através da contratação. Muitas vezes cumprindo a própria função do Estado, qualificando e treinando o deficiente, por meio de uma postura ativa.

Assim, a aplicação de sanção às empresas que não conseguem cumprir a cota, embora demonstrem inequivocamente a tentativa, se revela inconstitucional.

Observe a atitude quanto à inclusão de deficientes de outros países, existem incentivos especiais para a contratação, contribuição para um fundo destinado à habilitação e reabilitação, assim como incentivos fiscais para as empresas que cumpram cotas - parece apropriado à realidade brasileira.

Importante é reconhecimento que o alvo de implemento das cotas é de toda a sociedade. O regime de cotas isoladamente não resolve hoje e não resolverá no futuro o problema da inclusão do deficiente.

LUCIANE ESTEVES FERREIRA SAMPAIO é advogada em Cuiabá, da Mattiuzo & Mello Oliveira Advogados Associados.

Você é responsável pela sua vida

Lair Ribeiro


Dar-se conta de que você é responsável pela sua vida pode ser algo transformador, pois lhe dá a possibilidade de escolher entre assumir a responsabilidade ou não. Se não assumir, muito provavelmente alguém o fará e você passará a trabalhar para a realização dessa pessoa, que pode perfeitamente ser a empresa na qual você trabalha... Se você vive dizendo “Eu trabalho para Fulano” ou “Eu trabalho para tal empresa”, é possível que já esteja perdendo o controle sobre a sua vida... E se assumir, você terá de abandonar a confortável posição de vítima em que se coloca e ir em busca do que você realmente deseja para si.

Então, você pensa: “Abrir mão da minha vida, nem pensar. Mas assumir a responsabilidade por tudo dá muito trabalho!”. Pois vou lhe contar um segredo: a posição de vítima pode ser muito mais pesada do que os esforços que você venha a fazer para alcançar sua realização pessoal e profissional. Portanto, a hora é agora. E uma das ações mais importantes no momento de retomar as rédeas da sua vida é perdoar.

Desde criança, nos ensinam que devemos perdoar, e muitos de nós crescemos sem saber direito o que isso significa. Perdoar pode ser muitas coisas, mas, antes de mais nada, é uma atitude inteligente. Se alguém o ofendeu e você insiste em não perdoar, quem carrega o peso da ofensa é você. Logo, perdoar é assumir a responsabilidade por aquilo que você sente.

Perdoar é diferente de esquecer. Esquecer uma ofensa, por exemplo, é pôr uma pedra em cima dela. Você pode nem pensar mais naquilo, mas a energia fica lá, estagnada embaixo da pedra! Ao perdoar, porém, você se liberta das amarradas do passado e permite que a sua energia flua positivamente, trazendo mais alegria ao seu ser.

Perdoar pode demandar tempo, paciência e dedicação. Pode não ser fácil, pode demandar muita força e sabedoria, mas os resultados são compensadores! Além de purificar a alma e proporcionar um sentimento de leveza, afinal de contas, você está abrindo mão de sentimentos negativos como raiva, ódio, desprezo, entre outros, também renova as energias, o perdão traz mais vitalidade e força para lutar pelos seus ideais. Isso porque enquanto você estiver guardando mágoas, remoendo ofensas e permitindo que a dor e o sofrimento cresçam e se multipliquem em seu interior, você estará gastando valiosas unidades de energia, principalmente cerebrais, que poderiam ser muito mais bem empregadas em prol do seu crescimento pessoal e profissional.

Quando uma pessoa nutre pensamentos rancorosos, tais pensamentos tendem a se acumular, gerando tensões, insônia, agitação e destruindo sua paz. Se você tem uma dívida que não consegue pagar é porque está precisando perdoar alguém. Dívida é falta de perdão no passado. Na hora em que você perdoar, tenha certeza de que o dinheiro aparece e você consegue pagar a dívida.

Ao perdoar, você libera a dor e o ressentimento que, durante anos, vinha carregando como se fosse um fardo pesado e inconveniente. Ao perdoar, você deixa de ser vítima de quem o prejudicou, recupera seu poder e assume a responsabilidade pelo que você sente. Lembre-se de que nossos verdadeiros inimigos são a raiva e o ódio, emoções que podem crescer desordenadamente quando nos descontrolamos e que são potencialmente destrutivas, que nos corroem, minando a nossa energia e vitalidade, podendo gerar doenças tão graves como o câncer.


Publicado por Lair Ribeiro - 06/12/2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

O ensino profissionalizante e o mercado

José Patrocínio

No começo da semana chamou a atenção o comentário feito pelo principal mandatário do Estado de São Paulo a respeito da operacionalização de aparelhagem técnica altamente sofisticada destinada ao Centro de Urologia do Hospital das Clinicas de São Paulo, permitindo ampliar consideravelmente o número de cirurgias urológicas para os pacientes do SUS e a população em geral, possibilitando diminuir bastante a fila de espera das pessoas que se encontram necessitando de serviços dessa natureza.

Na oportunidade da inauguração o governador paulista - médico de profissão - enfatizou diante da moderna aparelhagem a necessidade de curso de especialização para sua operacionalização, o que de todo está correto, pois de nada adiantaria produzir equipamentos de alto custo e tecnologia, sem pessoas preparadas para a sua execução.

Pois bem! A nossa economia ainda - nada obstante a crise mundial instalada - continua se mantendo firme em todos os setores, requerendo trabalho qualificado em todas as áreas e também em todos os níveis. A carência de mão-de-obra qualificada é sentida no dia-a-dia. A alta tecnologia é fato e está presente, mas falta gente habilitada para operacionalização, refletindo num atendimento pífio, ineficaz e que gera na maioria das vezes insatisfação aos usuários dos serviços, seja público ou privado.

O compromisso do país em sediar a copa do mundo de futebol, exige um alto volume de investimentos do poder público e da iniciativa privada reclamando qualificação das pessoas em diversos segmentos de atuação, para isso momento oportuno para resgatar os cursos profissionalizantes em seus diversos níveis, objetivando preparar as pessoas a curto e médio prazo, a fim otimizar os serviços a todos os usuários, primando pela qualidade e eficiência.

Mesmo consciente da forte restrição realizada pela intelectualidade brasileira sobre o ensino profissionalizante, não há como ignorar que a desqualificação dos jovens constitui um forte componente para o desemprego pela dificuldade de acesso ao trabalho que vem exigindo trabalhador qualificado para desempenho de atividade cada vez mais requintada.

O mercado global é competitivo e penso que assim continuará, a alta tecnologia é parte integrante da nossa vida e mais avanços ocorrerá constituindo novos desafios, exigindo dos profissionais atualizações permanentes para atender o próprio mercado. A economia está em constante metamorfose havendo obrigatoriedade de incentivo ao Ensino Profissionalizante para formação de pessoas qualificadas para acompanhar o dinamismo verificado no mundo científico e tecnológico, por isso temos urgência em preparar e inserir nossos jovens e adultos profissionais no atual e futuro contexto econômico, lembrando que o produto que era avançado hoje, poderá ser obsoleto amanhã.

José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br

ENADE: divergência de opinião

Rosângela Cadidé

O Ministério da Educação avaliou 2.176 instituições de ensino superior, sendo 229 públicas e 1.947 privadas, centros universitários e faculdades. Ao anunciar os indicadores de qualidade, o ministro Fernando Haddad afirmou que a qualidade do ensino está melhorando. A avaliação gerou o Índice Geral de Cursos (IGC) por instituição, com notas de um a cinco pontos. As notas de três a cinco significam conceito satisfatório e as notas um e dois, desempenho insatisfatório.

No quadro de notas obtidas pelas 2.176 instituições, 27 delas alcançaram cinco, sendo 16 públicas e 11 privadas; 131 obtiveram nota quatro (65 públicas e 66 privadas) que não obtiveram o Conceito Preliminar de Curso (CPC) por não atender a um ou mais itens dos oito, medidas de cálculo e ficaram sem conceito. O CPC é uma nota aferida pelo MEC e varia de 1 a 5; indicativo importante pois orienta visitas in loco feitas pelo Inep às instituições.

Sete centros universitários e uma universidade com baixa qualidade e avaliação insatisfatória estão perdendo sua autonomia. Não podem abrir cursos sem autorização do MEC, nem novas vagas. Essas medidas também valem para as instituições de ensino superior que oferecem educação a distância, pois segundo o ministro é uma maneira de impedir que essa modalidade importante para a democratização do acesso à educação superior sofra com problemas de qualidade, principalmente, porque o sistema está em forte expansão.

O ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), de certa forma, representa um avanço em relação ao antigo Provão (aplicado anteriormente nas instituições superiores), pois analisa não só os conhecimentos da formação específica, mas também os da formação geral. Além disso, as instituições podem utilizar os resultados do ENADE para fazer uma análise mais ampla dos cursos que elas oferecem, e, desse modo aperfeiçoar os seus projetos.

Do outro lado estão os problemas quanto ao ENADE, que levam muitos estudantes a ser contra. Dentre eles, os resultados, que deveriam ser divulgados para que cada instituição melhore seu projeto pedagógico tornando-o cada vez mais eficiente, e para que as entidades superiores competentes possam analisá-los e intervir em prol de melhorias. Mas, não é o que tem ocorrido. Os resultados são utilizados para estabelecer um ranking entre as instituições, o que não é o objetivo do exame. O que vemos com frequência são propagandas de mercado, como: “venha estudar na universidade... conceito 4 do MEC, etc... Outros problemas se somam como, por exemplo, uma prova única tanto para os ingressantes quanto para os concluintes.

As opiniões a respeito dos pontos positivo e negativo do ENADE se divergem. São notáveis os problemas no método, mas temos que admitir que evoluções estão ocorrendo no tocante a qualidade de ensino oferecido nas universidades brasileiras É importante ressaltar, que a luta por um método de avaliação de boa qualidade que demonstre as necessidades de nossas universidades deve ser constante.

Rosângela Fernandes Cadidé é professora há 10 anos das redes pública e particular, formada em Letras com Especialização em Recreação e Lazer pela Universidade Federação de MT, coordena o Centro de Estudos às Forças Armadas(CEAM) e escreve neste blog às sextas - rosangelacadide@hotmail.com

Múltiplas inteligências: qual é a sua?

Eduardo Ferraz

O significa inteligência para você? Muita gente relaciona esta característica apenas a pessoas com alto QI (Quociente de Inteligência). Mas, para o psicólogo Howard Gardner, essa é uma abordagem equivocada. Ele, que apresentou a teoria das Múltiplas Inteligências, afirma que não há apenas um tipo de inteligência, mas pelo menos oito e que cada uma delas contém subinteligências. O cientista ainda ressalta que “nossa genética define um limite para o desenvolvimento de nossas inteligências, mas nossas conquistas são fortemente influenciadas pelos valores que aprendemos com nossa família e pela cultura do meio que vivemos”.

Gardner escreveu esta teoria baseado em seus estudos que mostravam que as pessoas são habilidosas de diferentes formas e que nem todos aprendem da mesma maneira. Qualquer pessoa tem cada um desses oito talentos que diferem em sua combinação e intensidade. Essas inteligências começam a se manifestar entre os três e seis anos de idade, o que significa que quanto antes os pais proporcionarem aos filhos estudo e acompanhamento, mais desenvolvidas elas se tornarão. O sucesso pessoal e profissional dependerá da dedicação em aprimorar essas inteligências e do modo como o indivíduo as utiliza. Vamos a elas:

1 - Inteligência Corporal: É a capacidade de utilizar o corpo para expressar atividades artísticas. Esta inteligência aparece em atores, bailarinos, mímicos, comediantes... Pessoas que usam a expressão corporal para encantar e entreter, como artistas de rua que, na maioria das vezes, não são famosos, mas talentosos a sua maneira. Também entram aí as pessoas que têm habilidade e destreza no uso das mãos como artesãos, cirurgiões e os que dependem do corpo para executar seus trabalhos.

2 - Inteligência Espacial: É a habilidade para interpretar e reconhecer fenômenos que envolvem posicionamento de objetos. Essas pessoas conseguem prever e se antecipar a um movimento, por milésimos de segundo, antes das outras. É o caso de jogadores de futebol, vôlei, basquete, beisebol, tênis e vários outros esportes que têm relação com a bola em movimento.

3 - Inteligência Linguística: É a capacidade elevada de utilizar a linguagem para se expressar. Essas pessoas possuem grande articulação verbal, conseguem se expressar de modo claro e convincente tanto na forma escrita como na falada. Aqui estão inseridos os grandes escritores, poetas, negociadores, relações públicas, professores, assim como as pessoas que têm facilidade para aprender idiomas.

4 - Inteligência Naturalista: É o talento para análise dos fenômenos da natureza, identificando e classificando objetos e compreendendo os sistemas naturais. Aqui se enquadram os cientistas que estudam a natureza, os ecologistas, agrônomos, veterinários, técnicos de laboratório, meteorologistas, pesquisadores, físicos, geólogos, astrônomos e químicos.

5 - Inteligência Musical: Manifesta-se por meio da habilidade para apreciar ou reproduzir uma peça musical. Inclui a interpretação de sons, sensibilidade para ritmos, habilidade para tocar instrumentos e para cantar. Aqui entram os compositores e músicos famosos, mas também os músicos diletantes.

6 - Inteligência Lógico-Matemática: É o atributo de pessoas que têm grande inteligência cognitiva. Chegam a conclusões baseadas em dados numéricos e na razão. Têm facilidade em explicar as coisas utilizando fórmulas, números e estatísticas. Aqui entram os matemáticos, gestores e financistas que têm muita facilidade para lidar com decisões complexas em pouco tempo.

7- Inteligência Intrapessoal: Pessoas com essa inteligência têm a capacidade de se autoconhecer e tomar decisões capazes de melhorar suas vidas. São indivíduos que podem ajudar outros a se conhecerem, pelo exemplo ou pela experiência. São os analistas, psicólogos, psiquiatras, teólogos e consultores.

8- Inteligência Interpessoal: Trata-se da capacidade que um indivíduo tem para analisar o estado de espírito, motivações, intenções e desejos de outras pessoas. Possui grande empatia, presença de espírito e flexibilidade para se adaptar aos mais diferentes ambientes com grande desenvoltura. Aqui entram os grandes gestores de empresas, técnicos de atividades esportivas, vendedores empáticos e políticos carismáticos.

"Essas oito inteligências sempre funcionam combinadas, e qualquer papel adulto sofisticado envolverá uma fusão de várias delas", complementa Gardner. Isso significa, por exemplo, que um presidente de empresa, além da inteligência lógico-matemática, precisaria ter as inteligências intra e interpessoal bem desenvolvidas. Pode também ocorrer que um indivíduo não tenha nenhuma das oito inteligências em alto grau, mas em virtude da combinação ou mistura de cinco ou seis dessas capacidades possa ser muito bem-sucedido em sua área de atuação. Assim, analise qual é sua combinação de inteligências e tire delas o maior proveito possível.

Eduardo Ferraz contato@eduardoferraz.com.brPós-graduado em Direção de Empresas pelo ISAD PUCPR e especializado em Coordenação e Dinâmica de Grupos pela SBDG.

A educação fechada para balanço e planejamento para 2012

Eduardo Shinyashiki


Enquanto os alunos se preparam para aproveitar as sonhadas férias, os profissionais da área da Educação têm uma importante missão a cumprir: planejar o próximo ano letivo. Assim como acontece no mundo corporativo, os últimos dias do ano devem ser utilizados para se fazer um balanço geral do período, o que inclui avaliação de resultados e criação de saídas inovadoras para o futuro, especialmente para os problemas do cotidiano.

Mesmo não existindo fórmulas mágicas, há alternativas interessantes para quem vai se empenhar em traçar os próximos passos da carreira ou da instituição de ensino em que atua. E, ao contrário do muitos pensam, essa tarefa é mais simples do que parece e, quando efetuada com empenho e dedicação, gera resultados surpreendentes. Quer refletir sobre o tema? Então vamos conhecer as quatro perguntas-chave para um bom planejamento.

“Onde quero chegar?”

Quem já utilizou um GPS sabe que a primeira etapa para se traçar uma rota é determinar o lugar em que se quer chegar. Esse método pode ser replicado para diferentes áreas da nossa vida, inclusive para a determinação de estratégias. Por isso, discuta com seu grupo de trabalho quais são os sonhos e metas para 2012.

“Onde estou?”

Depois de sabermos o ponto de chegada é necessário ter clareza sobre onde estamos atualmente. Avalie quais foram os resultados alcançados por você, por seus alunos e pela instituição que representa, dando a mesma atenção às conquistas e ao que pode ser melhorado. Com um bom mapeamento podemos diminuir as chances de criarmos roteiros que desconsideram os pontos cegos, responsáveis, diversas vezes, por fazer com que erros do passado sejam repetidos desapercebidamente.

“Como chegar lá?“

No terceiro movimento já sabemos o nosso ponto de partida para os objetivos traçados. Então, agora é a hora de pensar os caminhos que vamos tomar. Será que é possível desenhar uma linha reta ou precisaremos de determinados desvios para alcançar nossas expectativas? Em outras palavras, veja se há condições para seguir em frente com os recursos existentes ou se é preciso dedicar tempo e energia na aquisição de novas ferramentas.

“Como estou evoluindo?”

Parâmetros para medir a evolução de suas ações são imprescindíveis. Com base nas suas necessidades e desejos para o próximo ano é possível criar indicadores customizados, que servirão de bússola dizendo quais adaptações serão oportunas no meio do caminho. O aumento da média dos alunos nos exames bimestrais, a diminuição do número de faltas e a quantidade de aprovados no vestibular são exemplos do que pode ser adotado.

Por último, vale dizer que é importante engajar o maior número de pessoas ao longo das quatro etapas. Isso porque a diversidade de opiniões e visões sobre uma mesma realidade traz a riqueza de detalhes necessária para que possamos aprender com nossas atitudes e, assim, dar passos firmes rumo à evolução.

Eduardo Shinyashiki edu@edushin.com.brConsultor, palestrante e diretor da Sociedade Cre Ser.

MT- Professores e estudantes avaliam período de estágio supervisionado da Geografia

Redação 24 Horas News

O I Encontro de Estágio Supervisionado da Geografia, com o tema “Diálogo entre Universidade e Escola”, reuniu professores e estudantes do 5º, 7º e 8º semestres para avaliação do período de estágio desenvolvido nas escolas de Cuiabá. Ao todo participaram do evento 85 alunos, além de professores de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada.

O encontro, realizado ontem (07), foi organizado pelas professoras Adriana Nascimento e Meire Oliveira, do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A avaliação feita pelos professores envolvidos foi positiva, pois consideraram que os alunos da UFMT tiveram a possibilidade de estabelecer um verdadeiro diálogo entre o conhecimento adquirido em sala de aula e a prática do ensino de Geografia. A troca de experiências permitida pelo estágio possibilita a identificação das dificuldades e a elaboração de possíveis medidas para solucioná-las, concluíram.

O evento, que acontece pela primeira vez, pretende se repetir nos próximos anos para tornar constante a avaliação das atividades de estágio.


| |

Ministérios firmam parceria para levar políticas públicas culturais às escolas

Agência Brasil


Os ministros da Cultura, Ana de Hollanda, e da Educação, Fernando Haddad, assinaram hoje (8) um acordo de cooperação técnica com o objetivo de estender políticas públicas culturais às escolas brasileiras.

A parceria prevê, inicialmente, seis ações a serem desenvolvidas em escolas de educação básica a partir de 2012: os programas Mais Cultura, agentes de Leitura, Cine Educação, Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), a formação continuada de professores de arte e o mapeamento das ações desenvolvidas. O orçamento para a primeira etapa é estimado em R$ 80 milhões.

A ministra Ana de Hollanda disse que essa aproximação acompanha a política do governo Dilma Rousseff de integrar as ações dos ministérios em vez de trabalhar em projetos paralelos. “A cultura vai abrir os olhos para outros valores”, destacou a ministra.

Fernando Haddad ressaltou que a parceria “visa a levar mais cultura para dentro da escola e levar ensino para fora das salas de aula, apropriando-se dos espaços públicos para o aprendizado”. Segundo ele, durante muitas décadas a escola se distanciou da cultura, e essa aproximação é muito importante para “oferecer um pouco mais para a nossa juventude”.