quinta-feira, 26 de maio de 2011

Associações de linguistas manifestam apoio ao livro "Por uma Vida Melhor"

A Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e a Associação de Linguística Aplicada do Brasil (Alab) publicaram nesta sexta-feira, 20, nota pública em que condenam a cobertura de veículos de imprensa sobre livro da Coleção Viver, Aprender.

A Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e a Associação de Linguística Aplicada do Brasil (Alab) publicaram nesta sexta-feira, 20, nota pública em que condenam a cobertura de jornalistas e veículos de imprensa que apresentaram a proposta de ensino de língua contida no livro “Por uma vida melhor”, da Coleção Viver, Aprender, como contendo “erros” gramaticais. As associações também corroboram com a versão, já apresentada por alguns linguistas que defendem a proposta do livro, de que é preciso ensinar a norma culta sem desprezar as outras variantes linguísticas usadas pelos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), aos quais o livro é destinado.

Na nota da Abrali, intitulada Língua e Ignorância, a entidade questiona o fato de não ter sido perguntada a respeito do livro (o que seria caminho natural, tendo em vista, sua expertise no assunto). Além disso, dentre os questionamentos realizados pela entidade está o fato de a cobertura jornalística ter se pautado em frases pinçadas do livro e descontextualizadas da proposta de ensino nele contida. “As críticas se pautaram sempre nas cinco ou seis linhas largamente citadas”, diz a nota.

A entidade também questiona o fato de os meios de comunicação terem publicado comentários de críticos que nem sequer tiveram o trabalho de ler e analisar a publicação. Assim, vale destacar, conforme o trecho da nota da Abralin “que o livro acata orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) em relação à concepção de língua/linguagem, orientações que já estão em andamento há mais de uma década. Além disso, não somente este, mas outros livros didáticos englobam a discussão da variação linguística com o intuito de ressaltar o papel e a importância da norma culta no mundo letrado”.

Já ALAB, também em nota cujo título é Polêmica em relação a erros gramaticais em livro didático de Língua Portuguesa revela incompreensão da imprensa e população sobre a atuação do estudioso da linguagem, denuncia a falta de compreensão dos jornalistas quanto ao trabalho dos pesquisadores que se debruçam sobre o estudo dos usos situados da linguagem. Dessa forma, a ALAB compreende que houve, por parte da mídia, e consequentemente, da população, um entendimento deturpado da proposta de ensino contida no livro. Assim, diz a nota:

“Tal deturpação ressalta um problema sério de leitura, muito provavelmente decorrente da prática cristalizada historicamente de se ensinar a gramática pela gramática, de forma abstrata e não situada. Pois, ao situar e inscrever as frases incorretas responsáveis por tanto desconforto no contexto concreto em que foram enunciadas, fica clara a intenção da autora de mostrar que precisamos adequar a linguagem ao contexto e optar pela variante mais adequada à situação de comunicação, preceito básico para participação nas diversas práticas letradas em que nos engajamos no mundo social.”

Práticas culturais e educação: a instituição escolar enquanto elemento difusor de uma cultura.

Por: Francielle

Conceituar cultura é, com certeza, uma tarefa extremamente árdua, especialmente quando se considera que o termo pode ser definido e entendido a partir de várias perspectivas. Para o senso comum, cultura é sempre sinônimo de conhecimento, inteligência; assim, ela possui matiz individual e, pode ser fonte de preconceito e alienação, tanto para os que “a possuem”, quanto para os que “não a possuem”. Em uma perspectiva antropológica, a cultura pode ser entendida como o elemento diferenciador.

Ela ocupa relevante papel no que tange a explicitação das diferenças entre as sociedades, sobretudo, no que se refere aos modos de pensar, sentir e agir das mesmas. Neste sentido, cultura oferece uma visão de mundo, evidencia como um determinado grupo social enxerga as práticas de outros grupos. Partindo deste prisma, corre-se o sério risco de cair no erro de avaliar as práticas culturais de outrem, sem, contudo, respeitá-las. Tal fenômeno é denominado de etnocentrismo, Gustavo Lins Ribeiro afirma que este fenômeno pode ser entendido como “relativismo cultural”.

Ainda pensando na conceituação do que vem a ser cultura, o antropólogo Roque Laraia afirma que Tylor quem definiu “cultura” pela primeira vez, se tratando de todo o complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.

É bem verdade que a audácia de interpretar o mundo a partir da própria cosmovisão pode ser fonte de discriminação, haja vista, a tendência em evidenciar as diferenças culturais como algo anormal. Seguindo essa direção, corre-se o risco de cair no equívoco de estigmatizar traços sociais presentes em outra cultura que não são recorrentes na sua própria. Esse pode ser o elemento fomentador do nascimento do preconceito discriminatório; que confere à cultura status de raça, que por sua vez, está embasada em elementos biológicos, já, a cultura, fundamenta-se em elementos étnicos e não biológicos, apontando para o fato que indubitável, que não existe cultura superior. Nessa perspectiva, as instituições em sua maioria são portadoras de cultura. No que tange as instituições escolares, sabe-se que elas representam uma cultura de uma determina sociedade em uma determinada época. O professor Demerval Saviani afirma que: “com a divisão dos homens em classes, a educação também resulta dividida; diferencia-se em conseqüência a educação destinada à classe dominante daquela a que tem acesso a classe dominada”.

Assim, convém destacar que a instituição escolar é porta voz de uma determinada cultura. Embora nosso país seja multicultural e, as políticas públicas para educação preconizem uma educação pautada no interculturalismo, onde o diferente deve ser aceito e respeitado, se contrapõe ao conceito pregado pelo Conselho Nacional de Educação que é o de interculturalismo, que trata da interação entre os sujeitos que se diferem no modo de agir e pensar estabelecendo uma relação mútua de troca, como salienta Mauss (1923) o bem estar do ser humano não está em outra parte que não na “dádiva” do dar e receber.

Considerando que o conhecimento nunca é neutro, desinteressado e imparcial, subtende-se que a instituição escolar, criada pelo homem, também não é neutra. Ela visa atender alguma necessidade humana, especialmente daquela parcela que a criou. Quanto à escola, a própria palavra encontra sua raiz etimológica no vocábulo grego que significa: lugar do ócio. Assim, os membros da classe que se dispõem do ócio, de lazer, de tempo livre passaram a organizar-se na forma escolar. Ora, sendo assim, vale salientar que a escola difundi a cultura da classe dominante, a burguesia; que por sua vez, possui caráter excludente. Uma vez portadora dessa cultura, a escola torna-se porta voz de uma tradição herdada da colonização portuguesa, que aconteceu por meio de um processo de assimilação. Deste modo, a instituição escolar defende uma cultura européia cristã, voltada para brancos, e, apesar das políticas educacionais versarem sobre uma educação de caráter intercultural, sua prática não é efetivada, o que se observa na escola enquanto instituição, é que ela veicula um discurso de educação multicultural o que ferozmente ratifica o preconceito que subjaz na mente da sociedade contemporânea.

Isso posto, faz-se urgente a produção de um modelo educacional que contemple o diferente. A educação escolar tem de ser pensada não para um grupo específico, mas deve ser elaborada para o todo, considerando suas práticas culturais. Há que se elaborar currículos que contemplem a diversidade cultural presente no país. Criar disciplinas que tratam sobre práticas interculturais, não apenas de outras etnias, mas também práticas que se refiram a grupos vulneráveis, marginalizados perante a cultura dominante e que são olvidados em meio o contexto escolar segragador.

Portanto, deve-se atinar para a diversidade presente no nosso país por meio de um viés sociológico e democrático, no qual todas as pessoas, independente de seus conhecimentos, crenças, valores morais, costumes, etnia ou hábitos possam ter seus direitos garantidos e preservados.

Quadro-negro

Claudia Laitano | claudia.laitano@zerohora.com.br

Todo mundo já ouviu – do pai, da mãe ou de ambos – um “quando eu tinha a tua idade não era assim”. Essa é uma daquelas frases que a gente passa a adolescência inteira escutando – convictos de que, esclarecidos como somos, jamais vamos passá-la adiante para a geração seguinte. Até que um dia, em uma discussão boba com o filho sobre lavar ou não a louça, ganhar ou não o último modelo de videogame, você é surpreendido pelo som da própria voz dizendo uma frase que obviamente foi implantada no seu cérebro por forças muito mais poderosas do que suas convicções de adolescência: “Quando eu tinha a tua idade...”.

Pai trocando fraldas, mãe pagando as contas, filho morando em casa até os 30 anos e achando ótimo, casais gays adotando crianças, tudo isso transformou e continua transformando os arranjos familiares tradicionais. Mas existe alguma coisa na relação de pais e filhos que, em essência, mudou pouco ou quase nada. Continua havendo o período do amor incondicional, o momento da ruptura e, com sorte, o retorno ao entendimento mútuo na maturidade. Até mesmo acusar seu filho pelo crime de não ser exatamente como você era na idade dele (queixa que traz implícita a confissão de que você não foi um pai exatamente como o seu, para o bem e para o mal) parece fazer parte de um script tão antigo quanto inescapável. E la nave va.

Meu palpite é que as maiores vítimas do ocaso do patriarcado não foram os pais, mas os professores. Muito mais do que na família, é na sala de aula que o modelo de hierarquia que sustentava boa parte do processo de apredizagem tradicional parece ter ido para o espaço. Dentro de casa, pais e filhos tendem a concordar que o ideal para a convivência – e a sobrevivência – é encontrar um meio-termo entre a família de antigamente, que proibia tudo, e a ausência total de limites. Na sala de aula, em muitos casos, saiu-se da palmatória para o vácuo total de autoridade. O modelo O Ateneu de ensino – alunos massacrados por professores tiranos que espancavam com a régua quem errava a tabuada – tornou-se tão anacrônico quanto as polainas. E não podia ser diferente. O problema é que o oposto desse modelo, o não-reconhecimento da autoridade do professor, virou lugar-comum no Brasil, tanto na escola pública quanto na particular – onde o aluno aprendeu a ver o educador como um prestador de serviços, um funcionário que pode ser confrontado inclusive quando faz corretamente seu trabalho, reprovando e cobrando desempenho.

Uma notícia publicada na semana passada ilustra o ponto a que chegou esse clima de enfrentamento em sala de aula. Uma universitária de Brasília foi condenada a pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais a um professor por tê-lo xingado e ameaçado fisicamente. Depois de ter sido pega colando e ter a prova recolhida, a universitária deu uma aula de falta de civilidade para o professor e os colegas: “Ela me chamou de babaca, moleque e usou até palavrão. Disse que iria me bater na saída da aula”, contou o professor estarrecido.

Um professor ameaçado fisicamente pode chamar a polícia ou abrir um processo, como fez esse professor de Direito. Mas os pequenos desrespeitos cotidianos – já ouvi histórias até de alunas sacando da bolsa o esmalte e a acetona para fazer as unhas durante a aula... – são os mais assustadores. Não apenas porque mostram que os alunos (futuros juízes, futuros médicos, futuros professores...) não têm a mínima noção do que estão fazendo ali, mas porque uma instituição de ensino que permite que isso aconteça está mais perdida ainda do que os alunos.

No meu tempo de aluna, definitivamente não era assim. Ops.

Publicado em 24 de janeiro de 2009 em Zero Hora

Que queremos ver na educação?

CÍNTIA MURUSSI SILVEIRA, Professora Estadual

A educação brasileira já passou por inúmeras transformações, umas para melhor e outras nem tanto. Para melhor para alguns e nem tanto para outros. Se decidíssemos aprofundar a questão na discussão das pessoas com deficiência, certamente depararíamos com diversos tipos de realidades. Por certo, veríamos pessoas ainda na beira da pura miséria e analfabetas, apenas sobrevivendo de doações, de caridade de familiares e de outros que não as conhecem, mas sentem que precisam fazer algo. De maneira um pouco diferente, encontraríamos pessoas com deficiência e, aqui me dedico às que são deficientes visuais (as pessoas cegas ou com baixa visão), com sua vida em ascensão, com sua família, com seu trabalho. Tudo bem, o Brasil é um país de dimensões continentais, quem não sabe disso, mas a questão é: as políticas públicas não são feitas para todos?

Ao tentar responder a esta questão, surgem em reflexão os anos de experiência em educação e mais precisamente na educação das pessoas com deficiência visual. No Rio Grande do Sul, a situação vem se modificando, melhorando e posso acrescentar, sem sombra de dúvida, somos responsáveis por muitas mudanças no comportamento de colegas, alunos, familiares e comunidade em geral. Só que, ainda, o conhecimento mais específico fica em poucas mãos, precisamos compartilhá-los de forma eficiente e que tenha sempre um objetivo maior, a melhor qualificação dos alunos com deficiência visual.

Contudo, o que realmente queremos ver? Uma educação que favoreça o conhecimento a todos os alunos sem qualquer discriminação? Me parece que essas reflexões já passaram da criação de condições, da preparação dos profissionais, do acompanhamento dos pais, mas resta um obstáculo que parece persistir no dia-a-dia escolar, que são as barreiras atitudinais. São aquelas que por vezes nem sabemos que temos, mas são demonstradas diretamente ao aluno com um simples gesto, com uma palavra mal ou bem colocada, com a disposição do ensinar seja para quem. Bom, poderíamos enumerar uma série de situações que presenciei e que alunos relataram-me.

A diversidade dos alunos existentes na escola atual deve impulsionar-nos, os professores, a buscar novos conhecimentos. Agindo como verdadeiros curiosos e pesquisadores, teremos uma ampliação de conceitos sobre potencialidades e possibilidades, especialmente quando falamos de pessoas com deficiência visual. Ao tratarmos da pessoa, aceitamos diferenças que podem ser variadas considerando a nossa multiplicidade como seres humanos.

A escola, dentro de seus dilemas entre qualidade de ensino e democratização do mesmo, sem conseguir equivalência ainda, tenta resolver esse problema preocupante e não superado. No entanto, o processo de inclusão educacional é um processo dinâmico, onde há uma alteração de paradigma, pois a inclusão é vista como um direito humano, então não existe mais discussões se a inclusão é boa ou ruim, pode haver discussões nas formas que pensamos para agilizar o processo. Ou será que ainda existem profissionais na área da educação que não conseguem ver que há pessoas que enxergam de diferentes formas? Que a relatividade é um conceito mais atual que nunca? Que a escola deve priorizar a formação de valores humanos, para realmente melhorar as pessoas?

No início, a escola foi criada para poucos privilegiados, depois as mulheres e os negros puderam frequentá-la, hoje, este direito é estendido a todos os brasileiros, resta apenas que eles cheguem até a escola e lá permaneçam, sendo crianças quando são crianças, jovens quando quiserem mudar o mundo e adultos quando a resiliência permear seus pensamentos e atitudes.

Então, o que queremos ver? Igualdade, equidade e qualidade da escola pública.

Escola expulsa 11 alunos por bullying em Votorantim-SP

Sorocaba - A direção da Escola Estadual Prof. Daniel Verano, de Votorantim, a 102 quilômetros de São Paulo, decidiu punir com a expulsão 11 alunos acusados de prática de bullying. Os adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, são acusados de terem agredido e humilhado alunos da 6ª série do ensino fundamental, na faixa etária de 11 anos. As agressões teriam ocorrido no último dia 5, mas a punição foi confirmada hoje. Na sexta-feira, pais dos alunos agredidos foram à escola para pressionar a direção a tomar providências.

De acordo com informações dos pais, os acusados cercaram as crianças durante o recreio. Meninos e meninas foram agredidos a socos e pontapés. Um dos agressores chegou a empunhar uma faca. Uma professora que tentou intervir foi agredida com uma pedrada. A ação dos adolescentes contra os alunos da outra série teria sido combinada pela internet.

Cinco estudantes identificados como agressores já foram transferidos. Os outros estão suspensos e aguardam a confirmação de vaga em outra escola. Os pais de um aluno que já tinha sido expulso de outro estabelecimento decidiram que ele não voltará a estudar. O caso será encaminhado para o Conselho Tutelar.

A Diretoria Regional de Ensino de Votorantim informou que a decisão de transferir os onze estudantes envolvidos no incidente partiu do Conselho Escolar, formado por professores, funcionários da unidade, pais e representantes do corpo estudantil, em reunião que contou com a presença dos responsáveis por todos os envolvidos. A resolução se baseou no histórico dos estudantes e na gravidade do caso.

Fonte: Uol Educação

Cenários e tendências para o jovem do futuro

Sebrae-SP (Sebrae-SP)

Palestra com consultor do Sebrae-SP durante a Educar 2011 abordará as possibilidades de atuação profissional dos estudantes
Os desafios profissionais dos jovens que estão hoje nas salas de aulas de escolas e universidades mudam e se multiplicam a cada instante. É a Era da Informação, da recomendação de empresas e marcas por seus usuários, da revolução científica e tecnológica. Isso sem falar da eliminação de fronteiras promovidas pelas conexões, pelas redes sociais e pelo comércio eletrônico.

Esses são alguns dos temas a serem debatidos nesta quinta-feira, dia 19 de maio, a partir das 17h45, com os visitantes da 18ª edição da Educar 2011.
Emerson Morais Vieira, consultor do Sebrae-SP, conduzirá o debate, e ele afirma que esses são temas que definirão o futuro dos estudantes. “São assuntos que impactam em novas oportunidades de negócios e no reposicionamento das atuais, além de abrir novas formas de atuação no mercado”, diz.

Segundo o consultor, as escolas de hoje formam os alunos para o presente, sem pensar na atuação deles no futuro. “A aprendizagem de hoje será aplicada de modo diferente daqui a 5 anos e mais ainda daqui a 10 anos. É este processo que é preciso ser feito, antecipar-se às tendências”, completa.

A palestra acontecerá na Arena, na 18ª edição da Educar 2011, que acontece entre 18 e 21 de maio, no Centro de Exposição Imigrantes.
Estande

Durante o evento, o Sebrae-SP realizará em seu estande, quatro diferentes atividades lúdicas, de aproximadamente 30 minutos cada, que promovem interação e reflexão e podem ser trabalhadas com grupos de no mínimo três pessoas. O objetivo é fomentar o empreendedorismo, levando conhecimentos e vivências que permitam ao jovem pensar seu futuro profissional e ao educador trabalhar conceitos e práticas que orientem seus alunos nessa jornada.

O estande do Sebrae-SP na Educar 2011 fica na rua 6 (Vasco Moretto), esquina com a rua 2 (Lourenço Filho).

Esta seção disponibiliza materiais sobre a atuação, a função e o papel do pedagogo na escola.

Quem é o pedagogo na escola?
Segundo Saviani:

"Pedagogo é aquele que possibilita o acesso à cultura, organizando o processo de formação cultural. É , pois, aquele que domina as formas, os procedimentos, os métodos através dos quais se chega ao domínio do patrimônio cultural acumulado pela humanidade. (...) A palavra pedagogia traz sempre ressonâncias metodológicas, isto é, de caminho através do qual se chega a determinado lugar. Aliás, isto já está presente na etimologia da palavra: conduzir (por um caminho) até determinado lugar."

"Empenhem-se no domínio das formas que possam garantir às camadas populares o ingresso na cultura letrada, vale dizer, a propriação dos conhecimentos sistematizados. E, no interior das escolas, lembrem-se sempre de que o papel próprio de vocês será provê-las de organização tal que cada criança, cada educando, em especial aquele das camadas trabalhadoras, não veja frustrada a sua aspiração de assimilar os conhecimentos metódicos incorporando-os como instrumento irreversível a partir do qual será possível conferir uma nova qualidade às sua lutas no seio da sociedade".(SAVIANI,1985)

Segundo Libâneo:

“Pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação ativa de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação histórica. Em outras palavras, pedagogo é um profissional que lida com fatos, estruturas, contextos, situações, referentes à prática educativa em suas várias modalidades e manifestações.”

“A atuação do pedagogo escolar é imprescindível na ajuda aos professores no aprimoramento do seu desempenho na sala de aula(conteúdos, métodos, técnicas,formas de organização da classe),na análise e compreensão das situações de ensino com base nos conhecimentos teóricos, ou seja, na vinculação entre as áreas do conhecimento pedagógico e o trabalho de sala de aula.” (LIBÂNEO, 1996)

Referências:
LIBÂNEO, J. C. Pedagogia, Ciência da Educação? Selma G. Pimenta (org.). São Paulo; Cortez, 1996, p. 127.

SAVIANI, Demerval, Sentido da pedagogia e papel do pedagogo, ANDE / Revista da Associação Nacional de Educação, n.º 9, 1985.

Juventude, riscos e a violência

"O comportamento de risco leva à situação de risco. Podemos citar drogas, violência, más companhias, iniciação sexual precoce, prática sexual desprotegida, evasão escolar e inatividade como problemas". Por jovem, entende-se a população entre 15 e 29 anos.

Por exemplo, na faixa de 15 a 17 anos, apenas 48% frequentam o ensino médio, sendo que todos deveriam estar no colégio. Na faixa de 18 a 24 anos, só 13% estão no ensino superior." A frase é do livro "Juventude e Políticas Sociais no Brasil", lançado nesta terça-feira em Brasília, pelo IPEA - Instituto de Pesquisas Aplicadas, do Ministério do Planejamento.

As pesquisas vastamente divulgadas no país mostram, também, que entre os 15 e os 24 anos está se formando um vácuo de jovens do sexo masculino, vitimados por algum tipo de violência. Ou como produtores, ou como vítimas da violência.

Por isso, gostaria de voltar aqui a um assunto recorrente: família e educação. Nessa ordem. Mas, antes, lembro do exemplo dos Estados Unidos, espalhado pelo mundo depois da segunda guerra mundial que acabou em 1945. Durante a guerra toda a economia norte-americana voltou-se para produzir comida, armas, munições, equipamentos e veículos para a guerra, vendidos à Europa, que estava a cada dia se destroçando mais. Os homens foram para o campo produzir comida e as mulheres, como aqui na época, donas de casa, foram para as fábricas. Depois de 1942, com o ataque à base marítima de Pearl Harbour, os jovens foram para a guerra.

Depois de 1945, a Europa e o Japão arrasados pela guerra, compravam comida e bens de consumo dos Estados Unidos, que se tornariam a partir dali a maior economia mundial. O que tem isso a ver com o tema proposto? As mulheres norte-americanas continuarem necessárias na indústria, no comércio e nos serviços, e os homens no campo e na indústria. Havia um vácuo de juventude, por causa da guerra. Mas para manter esse esquema econômico de altíssima produção, o país criou a escola e regime integral, coincidindo com o horário de trabalho dos pais.

Num dos períodos, ensinava-se a educação básica, e no outro a cidadania e as habilidades como música, artes manuais, teatro, literatura e tudo o mais que formasse o caráter do aluno e o seu comportamento social. Os resultados estão aí. O Brasil também cresceu muito durante a guerra exportando alimentos para os Estados Unidos e este para o mundo. Depois de 1945 o Brasil deu um salto de desenvolvimento com a industrialização e a urbanização em massa da sua população rural. Mas a escola continuou em horário parcial. Na década de 70 as mães foram para o mercado de trabalho e os filhos ficaram meio período na escola e o outro sem rumo.

O resultado está aí, na primeira frase e no conteúdo do livro, vítimas da violência e sem destino, o que, aliás, é assunto para um próximo artigo.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.
onofreribeiro@terra.com.br

Dia Internacional contra Discriminação Racial

Élida Pereira Jerônimo
21/03/2011
www.odocumento.com.br


Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza... (Art. 5º CF)

Infelizmente este preceito constitucional é perfeito na teoria. Na prática é ferido diariamente.

A discriminação ocorre contra judeus, americanos, árabes, brasileiros, gordas (os), evangélicos, anões, pobre, dentre outros e o de prática reiterada é contra negros.

Por isso o foco é a discriminação racial, vez que esta é a que possui o maior índice de incidência no mundo. E 21 de março é o Dia internacional contra a Discriminação Racial.

Origem

Em Joanesburgo capital da África do Sul, no dia 21 de março de 1960, 20 mil negros se reuniram para protestar contra a lei do passe, pois tal lei obrigava-os a transportar cartão de identificação, especificando quais os locais poderiam frequentar.

A manifestação seguia serenamente, o objetivo dos negros era apenas chamar atenção dos legisladores para o absurdo da lei. Porém durante a manifestação depararam com tropas do exército que atiraram sobre a multidão. A ação do exército matou 69 pessoas e deixou 189 feridas.

Em memória a este massacre a Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu 21 de março o dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial.

O Racismo no Brasil

A legislação brasileira instituiu os primeiros conceitos de racismo em 1951 com a Lei Afonso Arinos (1.390/51), que classificava a prática como contravenção penal.

Somente a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, XLII, é que classificou a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível, sujeitando o delinquente a pena de reclusão.

A prática do racismo na Internet

Muitos internautas que antes da popularização do conglomerado de computadores interligados não tinham coragem de se manifestar, encontraram na internet a ferramenta perfeita para alcançar o maior número de pessoas possíveis a fim de divulgar seus pensamentos preconceituosos.

Neste sentido existem milhares de sites, blogs, comunidades dos sites de relacionamentos que pregam o racismo, genocídio, neonazismo. As pessoas aproveitam a facilidade de criar perfis falsos para disseminarem o ódio racial e intolerância.

No ano de 2006 foi aprovado projeto de Lei do Senador Paulo Paim (PT-RS), que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa aos responsáveis por crimes de discriminação divulgados via internet. Em questão de segundos a discriminação alastra por todo país ferindo a moral, dignidade, ego das vitimas, por isso acredito que a lei serve para obrigar internautas a refletirem e atuarem com responsabilidade neste meio de comunicação.

Conclusão

Especialistas acreditam que a maioria dos racistas foram domesticados, convivendo ouvindo/vendo os pais assumirem e manifestarem posições preconceituosas/racistas em situações vividas.

Por isso o essencial é que todos conscientizem e policiem, no sentido de pensar antes de qualquer manifestação discriminatória.

Nesta data reflita: tens ou já teve atitudes racistas?

Vamos seguir a lógica: “não fazer ao próximo o que não gostaríamos que fizessem conosco”.

Afinal todos somos iguais perante a lei e Deus.

Élida Pereira Jerônimo é Advogada pós-graduada em Processo Civil. E-mail: elida_pj21@hotmail.com

Dia Mundial da Juventude!

Élida Pereira Jerônimo
30/03/2011
www.odocumento.com.br

Em uma roda de amigos um dos participantes ergueu a voz e disse: “não se faz mais jovens como antigamente”, e emendou o assunto desabonando atitudes/conduta dos nossos jovens.

Um dos pontos de destaque da fala foi à menção ao fato da juventude ser “preguiçosa” não exercitar a mente e utilizar a tecnologia como subterfúgio. Todas as dúvidas, inclusive namoro passaram a ser sanadas/executadas através da rede mundial de computadores.

Para relacionar-se com outra pessoa não há o contato físico freqüente dos tempos anteriores, cada um acessa sua página de relacionamento, msn, ou qualquer outro sistema de comunicação online, conectam, paqueram e até fecham negócios através da internet.

Essa “evolução” é malévola?

Depende do ponto de vista de quem analisa. Para quem tem dificuldades e não consegue seguir a evolução, classifica infaustamente como malévola. Para quem tem prática, chega dizer que não consegue viver sem tecnologia, classificando como fundamental.

E isso é o que o ser humano procura: prática. Quanto mais prático se tornar a forma de solução de procedimentos melhor é, não?
Nesta vertente há também alguns jovens que não têm o hábito de ler, escrever cartas ou redações, o máximo que escrevem são e-mails utilizando linguagens “internautas” cujo o resultado futuro pode ser desastroso.

Este resultado é materializado todo ano com divulgação de e-mail com as “pérolas” do Enem/Vestibular. Alguns dizem não acreditar na veracidade do teor destes e-mails, outros manifestam preocupação, vez que estes jovens ‘serão os futuros dirigentes do país.

Alheia a divulgação das “pérolas” do Enem temos a comemoração do dia mundial da Juventude em 30 de março criada pela ONU no ano de 1985. O objetivo deste dia é justamente mobilizar os jovens a fim de instigá-los a querer crescer em conhecimento, envolvê-los na promoção de práticas de respeito, diálogo e entendimento mútuos, para o fortalecimento de uma nova cultura de paz. E a meu ver esse deve ser o escopo da sociedade, organizações, igrejas, instituições etc.

Existem jovens que contribuem para as tais “pérolas”, porém existem jovens brilhantes que dirigem grandes empresas e chegam ao topo do sucesso antes dos 30 anos.

No dia 18/03/2011 foi postado no site terra a lista dos maiores bilionários divulgada pela Forbes, mostrando que é possível fazer parte dela mesmo sendo jovem. Os primeiros da lista são Dustin Moskovitz e Mark Zuckerberg, ambos de 26 anos confundadores do facebook, após outros dois desenvolvedores da rede social mais popular da internet, o brasileiro Eduardo Saverin, 28 anos e Sean Parker, 31 anos e o terceiro é Albert Von Thurn Und Taxis, 27 anos, chefe da família famosa na Alemanha por ser proprietária de cervejarias e construtora de castelos.

Analisando os primeiros nomes da lista e a função/forma com que obtiveram sucesso acumulando fortuna, a conclusão que chegamos é de que estas originaram justamente da famosa rede de relacionamentos criticada por uns e venerada por outros.

Todo exposto supra, traz a baila a necessidade de efetuarmos a seguinte reflexão neste dia mundial da juventude: o que é malévolo para você é a vida, felicidade, sucesso do próximo.

Por isso antes de julgar/condenar as atitudes/atividades dos jovens temos que entendê-los e extrair o melhor fruto de todas as situações.
Aos jovens, parabéns! Continuem na batalha com toda força e vigor, afinal: A glória do jovem é a sua força (Provérbios 20:29, p.a).

Élida Pereira Jerônimo é Advogada E-mail: elida_pj21@hotmail.com

Seduc/MT - Ceja Paulo Freire realiza I Feira de Ciência

Com a temática “Educação ao longo da vida”, o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Paulo Freire, em Nova Mutum (260 km de Cuiabá) realizou a 1ª Feira de Ciências, na segunda quinzena de maio. O evento reuniu 930 estudantes matriculados na unidade e toda a comunidade escolar.

Os estudantes produziram textos e vídeos relacionados ao tema, organizaram exposições de obras de arte e mostra dos trabalhos desenvolvidos durante o trimestre. A catalogação de objetos antigos também foi uma das atividades desempenhadas pelos alunos e que foi inserida na exposição. O espaço da mostra foi intitulado “Sala da Memória”.

No evento estiveram presentes representantes da assessoria pedagógica de Nova Mutum e da Secretaria Municipal de Educação. Além das atividades pedagógicas, os convidados puderam prestigiar a apresentação da Fanfarra Paulo Freire, integrada por 60 estudantes do Ceja, que abriram o evento tocando o Hino Nacional Brasileiro.

Apesar de executores do projeto, a diretora ,professora Jânia Maria do Nascimento, afirmou serem eles os principais convidados da festividade. “Os estudantes foram nossas maiores autoridades. Eles se identificaram muito com os trabalhos”, disse ela. O resultado obtido promoveu alegria e orgulho nos alunos, demonstrando satisfação.

Até o final do ano, a diretora pretende realizar outras duas feiras de Ciências, relacionada às ciências exatas e à área de linguagens, nos meses de junho e outubro, respectivamente. “Foi a primeira vez que realizamos um evento desse porte e, pretendemos repeti-lo a cada trimestre”.



Assessoria/Seduc-MT

Escolas receberão material educativo sobre Cultura Cigana

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) irá encaminhar nos próximos 40 dias a todas as 724 escolas da rede estadual, materiais orientativos sobre a Cultura Cigana. A ação articulada pela Superintendência de Diversidades da Seduc visa repassar aos profissionais da educação instrumentos para introdução da temática, na prática pedagógica das unidades de ensino.

O material é composto por três produtos: um vídeo documentário, denominado “É Kalon – Olhares Ciganos”; um radioconto, “Contos Ciganos: A Roda de Fogo e o Desafio da Princesa”; e um fascículo, com informações sobre a história, a Cultura Cigana, mitos e origem, além de fotos e orientações pedagógicas sobre como trabalhar com o tema de forma didática.

O documentário, que foi patrocinado pelo Fundo Estadual de Cultura (FEC-MT), e o radioconto premiado pelo Ministério da Cultura (Minc) serão lançados nesta terça-feira (24/05) às 20h, no Palácio da Instrução, em Cuiabá. Os três materiais foram idealizados pela cigana kalin e professora da Escola Estadual Bento Muniz de Tangará da Serra, Irandi Rodrigues Silva; e seu filho, o jornalista cigano Aluízio de Azevedo Silva Júnior.

A superintendente de Diversidades, Débora Pedrotti ressalta que o envio dos produtos trata-se de um primeiro passo da Secretaria na construção de um processo educacional que envolva os povos ciganos. “Nossa meta é buscar mais conhecimento sobre sua cultura, saber onde eles vivem no Estado e como se organizam para poder ofertar educação de qualidade que atenda aos seus anseios e reafirme suas identidades e tradições”, disse.

Ineditismo

Aluízio Júnior destaca que o encarte que será patrocinado e distribuído pela Seduc é inédito no país. Segundo ele, o governo de Mato Grosso é um dos primeiros a desenvolver políticas públicas para o povo cigano no país.

O jornalista acredita que os materiais contribuirão para desmistificar preconceitos e estereótipos relacionados aos ciganos. “Esse ‘kit pedagógico’ contém informações sobre a cultura e os costumes da etnia. Utilizá-lo no trabalho com as crianças é fundamental no combate aos preconceitos”, disse.

A professora Irandi Silva destaca que a parceria com a Seduc é fundamental para a conquista da cidadania cigana em Mato Grosso. “É muito gratificante mostrar um pouco das nossas raízes. Esperamos que os materiais ajudem a conservar e registrar memórias e narrativas, desmistificar preconceitos, e até mesmo sirva como uma obra pedagógica”, observou.

Estimativa

O governo federal estima que o Brasil possua uma população de mais de 800 mil ciganos. Aluizio Junior acredita que destes, cerca de 1 mil estão em Mato Grosso. “Não é possível dizer o número exato porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) não quantifica essa população”, explica.

Entre as ações adotadas pelo governo brasileiro na promoção e reconhecimento da cidadania cigana está a implantação do dia Nacional dos Ciganos, comemorado nesta terça-feira. A data entrou no calendário étnico brasileiro em 2006, por meio de um decreto publicado pelo ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Outra ação federal foi o reconhecimento das três etnias ciganas (Rom, Sinti e Kalon) como povos tradicionais, colocando-os ao lado de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outros. Cabe a Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à presidência da República a implementação de políticas públicas para essas populações.

Confira aqui um pouco da história dos Ciganos



VOLNEY ALBANO
Assessoria/Seduc-MT

Bullying: procedimento vital ao grupo e mortal para quem o sofre

Vítima constante de apelidos humilhantes e gozações inadequadas durante toda a infância e adolescência, um jovem aluno, de 18 anos, entra na escola onde estudava e, com um revólver calibre 38, faz vários disparos, ferindo oito pessoas, e se suicida em seguida. Esse triste fato aconteceu em 2004, na cidade de Taiuva, no interior de São Paulo.

Passados sete anos, em abril de 2011, um jovem ex-aluno entra na escola onde cursou parte do Ensino Fundamental e com dois revólveres, calibre 32 e 38, faz muitos disparos, ferindo e matando vários alunos para suicidar-se em seguida, após a intervenção de um policial militar.

Esses trágicos acontecimentos, felizmente, não são comuns na realidade brasileira, porém sua natureza nos leva à perplexidade e angústia. Assim, interrogamo-nos: por que esses jovens escolheram suicidar-se em um cenário em que outros, sem culpa pela sua decisão, precisam morrer com eles? Por que voltar à escola e provocar a morte de inocentes? Certamente as respostas não são evidentes e nem singulares; todavia há uma possibilidade para tão bárbara determinação: trata-se de pessoas gravemente perturbadas mentalmente, portadores de males que lhes tiram a percepção da realidade.

Diante da violência praticada nos episódios de 2004 e 2011 há, entre outras, uma questão que merece reflexão: os dois jovens eram introspectivos, de pouco ou nenhum relacionamento. E, segundo relatos da mídia, sofreram bullying durante a vida escolar. As pessoas vitimizadas por bullying não alcançam a solidariedade imediata das escolas. Há poucos dias, uma cena gravada ganhou contornos midiáticos por conta do efeito YouTube: um rapaz australiano obeso, farto de ser vítima de bullying na escola, resolveu reagir e agredir com violência quem o insultava. O vídeo se tornou sucesso na internet e só então foi notado e discutido pelos educadores da escola.

Quando se trata de um jovem adolescente, a negação dos pares causa muito sofrimento, uma vez que, para construir sua autonomia, é preciso o “rompimento simbólico” das referências familiares, principalmente em relação aos pais, e a aquisição de outras referências que são exclusivas de seu grupo. Nessa direção, não ser aceito ou sofrer humilhação dos elementos do grupo pode significar a impossibilidade de se tornar autônomo, crescer, fazer escolhas e tomar decisões independentes. Em outras palavras, se ele não existe para seu grupo, não existe para ninguém, inclusive para si mesmo.
O grupo, por sua vez, escolhe alguns membros e os elege como “vítimas sacrificiais”, são os “bodes expiatórios” nos quais o grupo projeta as limitações e imperfeições dos demais elementos. Isso para que o grupo sobreviva.

As pessoas todas, sem exceção, vivem conflitos grupais e o único meio de se livrarem desses conflitos é escolher um bode expiatório e depositar nele suas frustrações. Se tal procedimento é vital ao grupo, torna-se mortal para quem o sofre.

Não estou aqui para fazer a defesa dos jovens que cometeram os bárbaros disparos nas duas escolas, mesmo porque não conseguimos vislumbrar qualquer justificativa possível. Todavia, não podemos esquecer que os dois jovens violentos foram alunos daquelas escolas.

Talvez pelo fato de serem “silenciosos”, não foram motivo de discussão ou atenção nas reuniões de conselho de classe, uma vez que ficavam quietos em seus cantos, sem incomodar o transcurso das aulas. Ou talvez, por serem distanciados de si mesmos e dos outros, não foram alvo de uma relação pessoal e mais presente de algum educador.

É simplificar demais, mas, sendo professora, faço-me uma pergunta: será que tais barbáries tiveram, para eles, o objetivo de manifestar uma dor insuportável? Queriam ser reconhecidos como colegas abarbarados e temidos? Queriam ser notados? Gostariam de ser chamados pelo nome e não pelo número? Desejariam ter um olhar educador que os reconhecesse como de fato eram e não como o grupo os definia?

Termino sem respostas, citando Bertolt Brecht: “A árvore que não dá fruto / É xingada de estéril. / Quem examinou o solo?/ O galho que quebra / É xingado de podre, mas não haveria neve sobre ele? Do rio que tudo arrasta / se diz que é violento / Ninguém diz violentas / as margens que o cerceiam”.


Francisca Romana Giacometti Parisfrgparis@editorasaraiva.com.brDiretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino, pedagoga e mestra em educação e ex-secretária de Educação de Ribeirão Preto (SP).

Avaliação Diagnóstica - Identificar problemas e planejar soluções

Um dos conceitos de avaliação é análise, ou seja, avaliar é lançar mão de uma totalidade de coisas, dividindo-a em partes para permitir que cada uma das partes seja devidamente e rigorosamente examinada.

Ao se aplicar avaliações no decorrer do ano letivo, o professor precisa ter claro dentro de si o que é realmente o ato de avaliar, pois muito mais do que dar uma prova, a avaliação é uma excelente ferramenta para identificar quais ações em sala de aula podem ou não ter continuidade.

Além disso, a avaliação não pode ser apenas tratada como algo destinado aos alunos, mas sim, ao aplicar uma avaliação, o professor também tem a oportunidade de rever conceitos e valores sobre sua prática, enquanto um profissional comprometido realmente com o bom desenvolvimento de seus alunos.

É importante também compreendermos que a avaliação não pode ser entendida apenas como a aplicação de provas no final de alguns conteúdos trabalhados. Ela precisa ser desenvolvida em todo o momento da aula no decorrer do ano letivo, pois desta forma sempre será possível a tomada de decisões no bom direcionamento de esforços que visam o desenvolvimento acadêmico do aluno, assim como o desenvolvimento profissional do professor.

Desta maneira, é interessante sempre refletirmos que avaliação precisa ser no começo, no meio e no fim. Em todas estas fases, as avaliações são diagnósticas, ou seja, servem para diagnosticar o grau de conhecimento de seus alunos, assim como se estão ou não apresentando alguma dificuldade na execução de alguma tarefa ou daquilo que se espera deles e, não menos importante, buscar o porquê de tais dificuldades e suas origens.

No começo, a avaliação serve para diagnosticar o nível de habilidade que um aluno já tem e, a partir de então, traçar planos para melhor aproveitar o conhecimento prévio e fazê-los frutificar, de modo que o aluno siga sem deficiências e impedimentos os seus estudos. Convém lembrar que não são raras as vezes que dificuldades de alunos na sala e aula têm origens no seu convívio social e, também, no âmbito familiar.

As avaliações realizadas em meio às ações do ano letivo, ou seja, as avaliações no decorrer do ano são excelentes ferramentas para o professor saber se aquilo que planejou e que está executando está ou não obtendo boas respostas e se está ou não caminhando para atingir os objetivos traçados no começo.

As avaliações realizadas no decorrer das práticas em sala de aula fazem o professor, muitas vezes, pensar num “plano b”, pois não são poucas as vezes que o aluno obtém melhores ou piores resultados que se esperava dele. Isto é comum acontecer porque todos os alunos estão sujeitos às mudanças, sendo que há casos de alunos que tinham estímulos positivos em casa, como auxílio de um ente querido, ao verem-se sem tal estímulo, sente-se dispersos e desmotivados e, como já sabemos, tais fatores influenciam muito nos rendimentos do aluno em sala de aula.

As avaliações no final do ano são a prova não apenas dos bons resultados dos alunos, mas também de seus professores e equipe pedagógica. Contudo, como estamos frisando nestas linhas, a avaliação final só terá bons resultados se o professor for sensível à necessidade de sempre diagnosticar os impactos de suas ações em seus alunos.

Desta maneira, convém reafirmar que toda avaliação é diagnóstica, sendo as ações a que dela surgirem são fundamentais para o objetivo que todo professor comprometido com sua profissão deseja atingir, ou seja, o real crescimento acadêmico de seus alunos.

Como percebemos, não é só o aspecto acadêmico que é identificado nos diagnósticos do professor, há também como se identificar problemas ou soluções de problemas na vida pessoal e familiar do aluno ou até mesmo se ele está ou não tendo algum problema com seus colegas em sala de aula.

Não dá para imaginarmos que os motivos de o aluno não conseguirem aprender os conteúdos abordados pelo professor estão apenas relacionados a aspectos dentro do ambiente escolar. Muitos dos insucessos dos alunos podem ter origens dentro da própria família e/ou estão relacionados ao mau convívio social entre estudantes da própria escola.

Desta forma, a avaliação diagnóstica em qualquer etapa visa o aperfeiçoamento dos alunos, professores e equipe pedagógica e pode, certamente, ter impactos muito positivos na vida acadêmica, familiar e social de cada um de nossos alunos e nós, professores, ao auxiliar na resolução de quaisquer conflitos destas ordens, teremos um aluno muito mais aberto para receber e construir seu conhecimento.

Erika de Souza Bueno bueno.erikasouza@gmail.comProfessora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, sociedade e família.

Plante uma ideia “verde”

Colaborando com a Campanha da Fraternidade (CF), que tem como tema - “ Fraternidade e a Vida no Planeta - escrevemos mais um artigo sobre preservação do Meio Ambiente, com sugestões de ordem prática e de fácil implementação.

Celebrado anualmente no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente catalisa a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e preservação ambiental.

Os princípios objetivos da comemoração são: 1) mostrar o lado humano das questões ambientais; 2) capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável; 3) promover a compreensão de que é fundamental que comunidade e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais; 4) advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero.

Diante dessas diretrizes, estabelecidas pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, – cabe aos Órgãos Públicos, classe empresarial, profissionais liberais, entidades diversas e para cada um de nós, a responsabilidade de ações de ordem prática, focadas na preservação do planeta terra.

Entre o simples hábito de jogar o lixo nas lixeiras, até os mais complexos processos que objetivam a sustentabilidade, existem pequenas ideias que geram resultados surpreendentes, como as sugestões abaixo.

Frases inseridas nos carnês de IPTU, nas contas de água, energia elétrica e telefone atingirão 100% das residências de uma cidade, com custo zero. Selo adesivo no parabrisa de ônibus urbanos, cartazes nos terminais de passageiros e em Unidades de Órgãos públicos despertam a percepção das pessoas para os problemas ambientais.

Faixa verde fixada na cancela automática de shopping centers, supermercados, empresas em geral, condomínios, clubes e estacionamentos públicos e privados, terão efeito altamente positivo.

Incentivar os funcionários a sugerirem ideias e premiar as que forem implementadas com resultados comprovados, faz parte do processo de conscientização.

A sustentabilidade do meio ambiente não precisaria de leis, se tivéssemos lido, refletido e agido com o que nos ensina a Bíblia Sagrada sobre a flora, a fauna, o solo e as águas do nosso planeta.

Na expectativa de que essas idéias sejam aproveitadas na Semana de Meio Ambiente, em junho próximo, lembramos que a natureza não reclama, vinga-se.

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Faustino Vicente faustino.vicente@uol.com.brProfessor, Advogado e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos.

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Ministro profere primeira aula na universidade da integração afro-brasileira

Soraia, Nelson e Lidiana, estudantes de Cabo Verde, país insular do oeste da África, integram o primeiro grupo de africanos a ingressar na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que tem sede em Redenção, Ceará. Buscar conhecimentos para ajudar a desenvolver Cabo Verde é a missão comum desses universitários.

Os alunos da Unilab participaram, na manhã de quarta-feira (25), da aula inaugural proferida pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, em prédio cedido pela prefeitura de Redenção. As instalações servirão como espaço inicial da nova instituição de ensino.

De acordo com Haddad, o projeto político-pedagógico da universidade tem na base a formação de jovens que, após formados, trabalharão no desenvolvimento de suas nações. É também papel da Unilab promover o intercâmbio educacional do Brasil com países da África e, especialmente, entre instituições de educação superior. Segundo ministro, está em estudo a possibilidade de universitários brasileiros e africanos cumprirem parte da graduação no Brasil e parte na África.

A concretização da Unilab, com o início das atividades acadêmicas, foi avaliada pelo ministro do ensino superior, ciência e inovação de Cabo Verde, Antonio Correa e Silva, como símbolo da parceria entre o Brasil e nações africanas e do aprofundamento da integração acadêmica e cultural.

Expectativas — Soraia Figueiredo, 21 anos, cursa administração pública; Nelson Coutinho, 21, e Lidiana Sabino, 19, engenharia de energias.

Aproveitar o sol e os ventos de Cabo Verde para diversificar as fontes de energia é a expectativa dos futuros engenheiros Nelson e Lidiana.
Os africanos que compõem a primeira turma da Unilab vêm da Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Angola, Timor Leste e Cabo Verde. São 43 jovens, selecionados pelas embaixadas do Brasil em cada país. A seleção dos estudantes brasileiros teve como base o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, combinado com um bônus para estudantes de escolas públicas.
As aulas na Unilab começaram no início deste mês, com cerca de 300 alunos matriculados nos cursos de agronomia, enfermagem, licenciatura em ciências da natureza, matemática, administração pública e engenharia de energias. O objetivo da universidade é ter na graduação 50% das vagas ocupadas por africanos e 50% por brasileiros.

Câmara aprova assistência psicológica obrigatória para professores e alunos

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou hoje, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 7500/06, da ex-deputada Professora Raquel Teixeira, que prevê a obrigatoriedade de assistência psicológica a professores e alunos da educação básica. A proposta agora será encaminhada para o Senado, se não houver recursos para análise pelo Plenário.

De acordo com a Agência Câmara, o texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Efraim Filho (DEM-PB), que corrige vícios de iniciativa da proposta. Segundo o texto aprovado, ficará assegurada assistência psicológica, por profissional habilitado, a alunos e professores . A proposta estabelece que, na regulamentação da medida, o executivo deverá observar relação adequada de número de alunos e número de escolas por psicólogo.

O objetivo da projeto é assegurar um mecanismo de prevenção para reduzir casos de repetência, abandono e violência escolar.

Escola implanta política de "tolerância zero"

Luciana Cristo, iG Paraná

Escola implanta política de "tolerância zero" com atrasos de alunos
Direção do Instituto Estadual de Maringá veta entrada na escola, durante todo o período de aulas, de quem não chega no horário


A+ A- Compartilhar: A direção do Instituto de Educação Estadual de Maringá, cidade a 436 quilômetros de Curitiba (PR), resolveu endurecer as regras para o horário de entrada dos alunos no colégio. Desde a semana passada, todos os estudantes que não chegam pontualmente ao horário marcado para início das aulas são mandados de volta para casa, perdendo as cinco aulas do dia, não só a primeira.

“ O que mais lutamos aqui no município é contra a evasão escolar e nesse caso o incentivo parte da própria escola?”, diz conselheiro tutelar
Nem com a presença dos pais a escola tem sido maleável. Na semana passada, por causa do trânsito, uma mãe atrasou para deixar a filha na escola, de cinco a dez minutos depois do horário estipulado, segundo relato que foi feito ao conselho tutelar do município. “Não houve conversa e ela foi até maltratada. A filha teve que voltar para casa”, conta o conselheiro tutelar Vandré Fernando.

A medida causou revolta no conselho tutelar, que ingressou com duas representações no Ministério Público Estadual contra a decisão da escola. “O que mais lutamos aqui no município é contra a evasão escolar e nesse caso o incentivo parte da própria escola? Essa é uma postura inaceitável, arbitrária e inconstitucional, que fere os direitos da criança e do adolescente”, critica o conselheiro.

De acordo com Fernando, a regra do Instituto de Educação, localizado na região central da cidade, expõe os adolescentes a riscos. “Há inúmeras denúncias de prostituição e tráfico de drogas no entorno da escola. Quem garante que o adolescente vai voltar para casa se perder o horário da aula?”, pergunta ele.

Para tentar chegar a um acordo sobre a questão, uma reunião foi marcada para a manhã desta quinta-feira, envolvendo diretoria do colégio, conselho tutelar, núcleo de educação e promotorias da Educação e da Criança e da Juventude.

As duas diretoras da escola passaram a tarde toda em reunião com o Núcleo Regional de Educação de Maringá para tratar do assunto e por isso não puderam atender à reportagem do iG.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou, por meio de nota oficial, que o núcleo regional já contatou a escola e reforçou as orientações sobre a liberação de entrada de alunos atrasados. “Desde a última terça-feira (24) os alunos que chegam atrasados não estão mais sendo dispensados pela escola”, diz a nota.

No posicionamento, a Seed deixa claro que a determinação do colégio é contrária à postura do governo estadual. “É direito do aluno permanecer na instituição de ensino, mesmo em casos de atrasos, evitando, assim, uma situação de vulnerabilidade ante os perigos que rondam a escola. Neste caso, o estabelecimento de ensino deverá receber o aluno e comunicar aos pais ou responsáveis sobre o atraso”, finaliza o documento.

Suspensão do kit anti-homofobia é "retrocesso", dizem especialistas

Letícia Mendes
Em São Paulo

A suspensão do kit anti-homofobia do MEC (Ministério da Educação) é um "retrocesso" na opinião dos especialistas ouvidos pelo UOL Educação. Para Jaqueline Gomes de Jesus, professora da UnB (Universidade de Brasília), esse tipo de material sobre a diversidade é "fundamental".

“Como as crianças vão conhecer a realidade se não houver material que leve a elas essa informação?”, questiona a psicóloga e doutora em Psicologia Social pela UnB. Ela aponta que em outros países, como nos Estados Unidos, são utilizadas apostilas sobre o assunto e que este é um modo de “atingir as pessoas em um aspecto afetivo”.

Na manhã desta quarta-feira (25), o governo suspendeu a produção e a distribuição do kit anti-homofobia, que estava em planejamento no MEC, após pressão da bancada evangélica e de grupos católicos do Congresso. Alguns parlamentares ameaçaram apoiar investigações sobre o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, porém o governo nega que esse tenha sido o motivo da suspensão.

Para Evaldo Amorim, presidente da ONG Elos LGBT-DF, impedir a divulgação do kit anti-homofobia é um "retrocesso da sociedade". “A informação é necessária no espaço escolar. É um material didático, responsável, adequado para a faixa etária do ensino médio”, afirmou.

Amorim conta que já foi proibido por alguns pais de alunos de dar palestras sobre orientação sexual em escolas. “Alguns jovens se suicidam por falta de diálogo com os pais, outros são agredidos na escola por falta de esclarecimento, até por parte dos professores que não sabem lidar com os estudantes por falta de informação”, argumenta a favor do kit.

Falta esclarecimento Sobre os parlamentares da bancada religiosa que alegaram que o material fazia apologia da homossexualidade, Amorim diz que são poucos, “mas estes estão tentando destruir um trabalho que está sendo pensando há um bom tempo”.

Amorim ainda afirma que o kit anti-homofobia fala de todas as orientações sexuais e que trata de questões importantes tanto para os estudantes quanto para o corpo docente. “Os jovens têm suas dúvidas e, em nenhum momento, o material os condicionará, mas esclarecerá e colaborará em sua própria construção de vida”.

Frente LGBT O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou a suspensão do kit anti-homofobia pelo governo na tarde desta quarta (25). Segundo o líder da Frente LGBT na Câmara, não basta que a presidente Dilma seja "sensível à violação de Direitos Humanos em terras estrangeiras, essa proteção precisa ser feita, antes, aqui".

Ele apela, ainda, à "inteligência" da presidente para que ela não ceda às pressões dos grupos religiosos. E conclui: "Se a presidenta optar por ceder à chantagem - não há outro nome - dos inimigos da cidadania plena fazendo de seu mandato um lamentável estelionato eleitoral, só me resta esperar que, na próxima eleição, os LGBTs e pessoas de bom senso despertem sua consciência política e lhe apresentem também sua fatura: não voto!".

Senadores tucanos pedem medidas contra livro do MEC

Brasília

Os senadores tucanos Cyro Miranda (GO) e Alvaro Dias (PR) recorreram à Procuradoria-Geral da República para pedir medidas administrativas e judiciais com relação às denúncias sobre o material didático adotado pelo Ministério da Educação (MEC). Eles afirmam que os livros, além de conterem erros gramaticais, fazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso e elogios ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as medidas sugeridas, os tucanos pedem o "imediato" recolhimento do material didático com os erros e sua substituição.

Da tribuna, Alvaro Dias disse que esperou o comparecimento do ministro da Educação, Fernando Haddad, na Comissão de Educação, na semana passada, mas ele não compareceu. Alvaro Dias lembrou que o artigo 37 da Constituição, que trata dos princípios da moralidade e da impessoalidade, não considera "moral" a atitude do órgão público de aprovar material didático que faz apologia de um partido político em detrimento de outro. "De igual modo, tampouco é impessoal a atitude do ministério."

O senador afirma que se criou a ideia de tratar-se apenas um livro e não de vários, como é o caso. "São vários livros, além daquele que traz os erros crassos de português, como o que autoriza os alunos a falar sem concordância, como é o caso dos livros ilustrados, dizendo que a falta do plural pode ser alvo de preconceito linguístico", afirmou.

Além de ignorar normas da língua portuguesa, Dias acusa o Ministério da Educação de "instalar um comitê eleitoral", ao adotar material didático com "proselitismo político afrontoso à Constituição". Segundo ele, em todos os livros, critica-se na maior parte das vezes a gestão do ex-presidente Fernando Henrique e se elogia o governo do ex-presidente Lula