sábado, 14 de novembro de 2020

OS CONTEÚDOS CONCEITUAIS, PROCEDIMENTAIS E ATITUDINAIS EM CORRELAÇÃO COM OS EIXOS TEMÁTICOS DO PCN

 

Vamilson Souza D`Espindola²

RESUMO: Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram criados em dezembro de 1996, através do Ministério da Educação, com a intenção de nortear e garantir a formação básica comum. Buscam unificar os Currículos Escolares para que nenhum individuo tenha uma educação deficitária Os conteúdos são assumidos como portadores de três características distintas: temos, assim, os conteúdos conceituais, os procedimentais e os atitudinais. Os conteúdos conceituais são o inicio: é através deles que o aluno entra em contato com os fatos e princípios. Assim, são responsáveis por toda construção da aprendizagem, pois são detentores das informações: são as bases para assimilação e organização dos fatos da realidade. Inconscientemente, o ser humano guarda e atenta a tudo que vê, mas não entende. Como uma reação em cadeia, os fatos passam a compreensão.


INTRODUÇÃO

O propósito dos PCN é apontar metas de qualidade que ajudem o aluno a enfrentar o mundo atual como cidadão participativo, reflexivo e autônomo, conhecedor de seus direitos e deveres.
Os PCN servem de referencial a para o trabalho do professor respeitando a concepção pedagógica própria e a pluralidade cultural brasileira. São abertos e flexíveis, podendo ser adaptados à realidade de cada região.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam os conteúdos das matérias em eixos temáticos para que não sejam tratados como assuntos isolados. Os eixos temáticos indicam perspectivas de abordagem e dão organização aos conteúdos de importância local e fazer conexão entre conteúdos dos diferentes eixos, das demais áreas inclusive dos temas transversais.


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1 - Trabalho apresentado ao Curso de Pedagogia na disciplina de Metodologia e Conteúdos Básicos de Ciências Naturais no ano de 2009.
2- Graduado em Educação Física pela Universidade do Sul de Santa Catarina no ano de 2008.
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Em cada eixo temático, são apontados conceitos, procedimentos e atitudes para a compreensão da temática em foco
Seguindo uma linha de posse dos conteúdos conceituais, o aluno detém os fatos, mas não pode lidar com eles. Os conteúdos procedimentais visam o saber fazer, atingindo uma meta através das ações. Ao contrario do que ocorre na maioria das vezes, é necessária a intervenção do professor, pois este não é um processo individual. Saber resolver não implica na compreensão do conteúdo, uma aprendizagem mecânica não é o objetivo da atual educação, mas sim fornecer instrumentos para que o aluno possa resolver diferentes questões.
Por sua vez, os conteúdos atitudinais estão presentes em todo conhecimento escolar, estão enredados no dia a dia e proporcionam ao aluno posicionar-se perante o que apreendem. Detentores dos fatos e de como resolvê-los, é imprescindível que o aluno tenha uma postura perante eles. É na escola onde se forma grande parte do indivíduo, por isto a escolha deste conteúdo é complexa: sobre o estudante, devem ser levados em consideração o lado emocional e o grupo a que pertence, além das questões serem tratadas de maneira imparcial pelo educador, formando assim verdadeiros cidadãos.

CONTEÚDOS CONCEITUAIS, PROCEDIMENTAIS E ATITUDINAIS

Os conteúdos conceituais são mais abstratos, eles demandam compreensão, reflexão, analise comparação. As condições necessárias para a aprendizagem dos conteúdos conceituais demandam atividades que desencadeiem um processo de construção pessoal, que privilegie atividades experimentais que acionem os conhecimentos prévios dos alunos promovendo atividade mental. Para tanto, as aulas meramente expositivas que lance mão apenas da memorização, não darão conta.
Já, os conteúdos procedimentais envolvem ações ordenadas com um fim, ou seja, direcionadas para realização de um objetivo, aquilo que se aprende a fazer, fazendo, como: saltar, escrever com letra cursiva, desenhar, cozinhar, dirigir, podem ser chamados de regras, técnicas métodos, destrezas ou habilidades.
Os conteúdos atitudinais podem ser agrupados em: valores, atitudes ou normas. Dentre esses conteúdos podemos destacar a título de exemplo: a cooperação, solidariedade, trabalho em grupo, gosto pela leitura, respeito, ética. Vale ainda salientar que esses conteúdos estão impregnados nas relações afetivas e de conivência que de forma alguma podem ser desconsiderados pela escola como conteúdos importantes de serem trabalhados.

Assim, Coll (1997) propõe que os conteúdos:

 Factuais e Conceituais - que correspondem ao compromisso científico da escola: transmitir o conhecimento socialmente produzido.
 Atitudinais - (normas e valores)- que correspondem ao compromisso filosófico da escola: promover aspectos que nos completam como seres humanos, que dão uma dimensão maior, que dão razão e sentido para o conhecimento científico.
 Procedimentais - que são os objetivos, resultados e meios para alcançá-los, articulados por ações, passos ou procedimentos a serem implementados e aprendidos.

A escola deve, portanto, coordenar (Filosofia) e conhecimento científico (Ciência) para instrumentalizar-se teórica e praticamente.

CORRELAÇÕES AOS EIXOS TEMÁTICOS DO PCN

O propósito dos PCN é apontar metas de qualidade que ajudem o aluno a enfrentar o mundo atual como cidadão participativo, reflexivo e autônomo, conhecedor de seus direitos e deveres.
Os PCN servem de referencial a para o trabalho do professor respeitando a concepção pedagógica própria e a pluralidade cultural brasileira. São abertos e flexíveis, podendo ser adaptados à realidade de cada região.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam os conteúdos das matérias em eixos temáticos para que não sejam tratados como assuntos isolados. Os eixos temáticos indicam perspectivas de abordagem e dão organização aos conteúdos de importância local e fazer conexão entre conteúdos dos diferentes eixos, das demais áreas inclusive dos temas transversais.
Em cada eixo temático, são apontados conceitos, procedimentos e atitudes para a compreensão da temática em foco.

CONCLUSÃO

Re-significar a compreensão dos professores acerca dos conteúdos é fundamental quando se pretende empreender práticas pedagógicas que favoreçam a aprendizagem dos alunos. Se diferentes conteúdos se aprendem de diferentes formas, não podemos organizar uma rotina pedagógica que desconsidere tal diferenciação.
O planejamento das rotinas de sala de aula deve considerar as exigências sociais do contexto atual e suas demandas como também promover um ensino significativo para os alunos articulando os conteúdos factuais, procedimentais, conceituais e atitudinais de maneira eficiente abandonando a dimensão informativa, a fim de alcançar um espaço verdadeiramente formativo.
Não poderemos tornar uma atividade significativa se não considerarmos os conteúdos que pretendemos ensinar, para que a prática educativa seja realmente significativa para os alunos caberá ao professor conhecer respeitar os saberes que os alunos já tem, ter clareza do que se pretende ensinar, considerar a diversidade de saberes existentes na sala de aula, conhecer diferentes estratégias de ensino com planejamento de intervenções pontuais para que seus alunos avancem em suas aprendizagens , como apontava Vygotsky (1979) caberá ao professor atuar na zona de desenvolvimento proximal, contribuindo para que o aluno supere os desafios propostos, avançando sempre.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.
COLL, C et al. O construtivismo na sala de aula. 3o ed. São Paulo: Ática, 1997.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. Lisboa: Edições Antídoto, 1979.


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

DICIONÁRIO CUIABANO

 


Ah! Uuum 
- Expressão que indica indignação, concordância ou não. É aplicada dependendo da situação E a entonação da voz muda.

Ex: ‘Ah! Uuum. Pára cô isso.”

Agora quãndo!? – Interjeição de duvida.
Ex: ‘Maria teve três namorado… hummm.. agora quando!?”

Agora o quequeesse! – Espanto
Ex: ‘Agora o quequeesse, mas que cabelo mais tchum tchum…”

Aguacêro – Bastante chuva, poças de água.
Ex: ‘Não deu pra ir lá, tava o maior aguacero na estrada.”

Arroz-de-festa – Denominação de quem não perde nenhuma festa . Está sempre em festa. Ex: ‘Ele vai em casamento, batizado, 1a comunhão, crisma, formatura,.. . é um arroz de festa.”

Atarracado (a) – Abraçado, juntos.
Ex: ‘Os dois tão atarracado ali no escuro.”

Até na orêia – Repleto, cheio, demais.
Ex: ‘Zé Bico comeu tanto peixe, que tá até na orêia.”

Bejô, bejô, quem não bejô, não beja mais – Fim da festa.
Ex: ‘Acabou o baile… bejô, bejô, quem não bejô, não beja mais.”

Bocó de fivela – Pessoa boba, burra, ignorante.
Ex: ‘Por mais que ocê explica, ela não entende, é uma bocó de fivela.”

Bonito prô cê - Expressão que indica quando a atitude tomada, não foi boa.
Ex: ‘Chegô em casa bêbado, bonito prô cê.”

Catcho – Namoro, paquera, amante.
Ex: ‘Aquele cara tá de catcho cô Maria.”

Cânháem – Latido de cachorro. Expressão usada para discordar.
Ex: ‘Você namora Maria Taquara? Canháem.”

Cêpo – Bom, ótimo, grande, admirável.
Ex: ‘O atlético Mato-Grossense era um cêpo de time.’

Chialá – Espia lá – Olhe lá.
Ex.: Maria, tchialá Mané, cêpo de burro veio fazeno quiném criancinha!

Coloiado (a) – Junto, próximo em grupo.
Ex: ‘Saldanha Derzi tá coloiado cô Garcia Neto.”

Cordero (a) – Denominação de quem gosta de dar corda nas pessoas.
Ex: ‘Não vai no papo dele, ele é cordero.”

Corre Duro – Andar mais rapido
Ex: ‘Vamos chegar atrasado vamos, corre duro.”

Cotxá – Relação sexual.
Ex: ‘Os dos devem ta cotxando, ta demorano demas.”

Tchá por Deus – Expressão de espanto, admiração, dúvida.
Ex: Chá por Deus, esse ônibus tá muito cheio. ‘

De jápa – Grátis, o que vem a mais.
Ex: Quando se compra uma dúzia de bananas, e recebe treze unidades. ‘Esse adicional é a de jápa.’

Digoreste – Ótimo, bom, exímio.
Ex: ‘O guri é digoreste pá pega manga.’

Ê aaah! – Indagação.
Ex: ‘Oia o tamanho do short? Ê aaah!’

Espia lá – Olha lá, veja.
Ex: ‘Espia lá, uma batida de carro.”

Futxicaiada – Muito fuxico. Excesso Excesso de mixirico.
Ex: ‘O ambiente ali não tá bom, é só futxicaiada. ”

Festá – Festar, participar de festa.
Ex: ‘Maria foi festá.”

Foló – Folgado, largo.
Ex: ‘Maciel usa calça foló.”

Garrô – Pegou, começou, realizou.
Ex: ‘Ele garrô cedo no trabaio.”

Grocotchó – Pessoa mole, doente, desanimado.
Ex: ‘Tchico tá grocotchó.”

Jururú – Triste, quieto.
Ex: Padre Luiz Ghisoni tá jururú na porta da igreja de Várzea Grande.’

Leva-e-tráz – fofoqueiro.
Ex: ‘Kitú é um grande leva-e-tráz.”

Londjura – Distância. Longe, muito distante.
Ex: ‘Nessa lonjura não dá pá ir a pé.”

Malemá – Popular de ‘mal e mal’. Mais ou menos.
Ex: ‘E aí cumpadre como vai? Vou indo malemá tenteano.”

Mea orêa – Minha orelha. Expressão usada para indicar quem está sem lado, sem falar o nome da pessoa.
Ex: ‘Mea orêa aqui, tá a fim do cê.’

Micaje – Ato de fazer imitação de alguém, fazer caretas.
Ex: ‘Ela faz micaje de todo mundo que passa por aqui.”

Moage – Frescura. Enrolação.
Ex: ‘Você não quer ir com a gente? Larga de moage!”

Na txintxa – Levar uma ação com seriedade. Sob controle.
Ex: ‘Professora leva a turma na txintxa.”

Não tá nem aí pá paçoca – Não liga para nada. Não quer saber das conseqüências.
Ex: Tchá Bina, não ta nem aí pá paçoca. ‘

Nariz furado – Veio na vontade, veio na certeza.
Ex: ‘Chegou de nariz furado, certo que iria ganhar na conversa.’

Negatófi – Negativo. Não, nunca.
Ex: ‘Negatófi, hodje não tem televisão.’

O quá – Duvidar, não acreditar.
Ex: ‘Ele vem aqui? O quá!’

Pá terra – cair.
Ex: “Ele vinha correndo, e pá terra”! ‘

Podre de chique – Bonito, elegante, bem vestido.
Ex: ‘Jejé tá podre de chique.”

Pongó - Bobo, tolo, idiota.
Ex: ‘Gente Pongó não serve.’

Por essa luz que me alomea – ‘Por essa luz que me ilumina’ Pra dizer que está falando sério, que não está mentindo.
Ex: ‘Por essa luz que me lomea, ele tá falando a verdade.’

Quinco – Denominação carinhosa de Joaquim.
Ex: ‘Quinco Lobo era vereador em Cuiabá.’

Que, que esse? – O que é isso.
Ex: ‘Que, que esse? Como você apareceu aqui?’

Quá! – Expressão de espanto, indignação.
Ex: ‘Quá! Pode esquecer ele não volta mais.”

Quebra-torto – Comer no desjejum comida reforçada como carne com arroz farofa, etc…
Ex: ‘No sítio de manhã, sem quebra-torto é impossível.’

Rufar – Bater.
Ex: ‘Se aparecer aqui , o povo rufa ele.’

Refestelá – Sorrir, rir.
Ex: ‘Nico Padero é bom pra refestelá.’

Ribuça – Cobrir o corpo com lençol ou cobertor.
Ex:’Tá esfriando, rebuça menino.’

Rebuça e Chuça – Baile.
Ex: ‘Na guarita vai tê hoje uma chuça e rebuça.’

Rino no tchá cara – Rindo na presença de alguém.
Ex: ‘Ocê fala, ele fica rino no tchá cara.’ (rindo na sua cara)

Sucedeu - Aconteceu.
Ex: ‘Quando sucedeu isso?’

Tá de tchico – Está menstruada.
Ex: ‘Hoje ela não pode tá de tchico.”

Tchá mãe - Expressão características para xingar alguém.
Ex: ‘Tchá mãe, rapaz, vá tomá na tampa.’

Tóma corno(a) – Expressão usada quando alguma coisa não acontece de forma correta.
Ex: ‘Toma, corno. Marimbondo pegô na cara dele.”

Verte água – Urinar (educadamente) .
Ex: ‘Vidona foi verte água.’

Fonte: Prefeitura de Cuiabá - MT  

Grupo Escolar Senador Azeredo -Cuiabá/ Mato Grosso

 


AZEREDO (Antônio Francisco de).

Escritor, jornalista e notável político. (Cuiabá-MT, 22/08/1861 – Rio de Janeiro-RJ, 08/03/1936).
Nascido em berço humilde, formou-se em Direito em 1895, no Rio de Janeiro. Atuou de forma magnífica no jornalismo brasileiro, sendo colega de José do Patrocínio, Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Benjamim Constant, Laudo Sodré e Euclides da Cunha. Na República elegeu-se deputado federal por Mato Grosso, e, em seguida foi senador, por mais de quarenta anos. Foi chefe da Política Nacional por mais de quinze anos, pois assumiu a presidência do Senado em 1915, deixando-a somente em 1930. Com a Revolução de 1930 e a dissolução do Congresso foi instalado o regime ditatorial no país, nesta fase o senador Azeredo exilou-se na Europa, voltando ao Brasil em 1933, já envelhecido, com a saúde abalada e sem prestígio político. No entanto viveu apenas três anos após seu regresso à pátria, sua doença maior foi a depressão, em função do poder político perdido e do prestígio arranhado. No período em que esteve na Europa recebeu condecorações na França, Itália, Bélgica, Portugal. Publicou vários livros, a exemplo de A Situação de Mato-Grosso, e outros que ilustram a bibliografia brasileira e matogrossense, deixando transparecer o grande homem público que foi. Ainda é, nos dias de hoje, diante da grandeza política que vivenciou, um matogrossense pouco valorizado em sua terra natal. Não fosse uma instituição de ensino localizada no bairro do Porto, em Cuiabá, que leva seu nome, pouquíssimas pessoas iriam se lembrar de seu nome, quanto mais de seus feitos em benefício de nossa terra.
Fonte: Portal Mato Grosso
Disponível em: Portalmatogrosso.com.br
(acessando em 22 de outubro)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Totalmente destrambelhada!!!!



                                                            Iza Salies

 

Sinto assim!!!

Não consigo controlar meu ser biológico!!!

Está tudo destrambelhado em mim !!!!

Totalmente sem rumo!!!

Sou vítima de um metabolismo lento!!!

Querem que eu seja refém do tempo verão!!!

Não sou, não consigo!!!!

Nem vou ser !!!

Tempo verão destrambelhar minha vida !!!

Briga com o meu próprio organismo!!!

Quer acelerar o meu biológico!!!!

Quando nem penso em relógio!!!

Para acompanhar o tempo verão !!!

Que tempo verão e esse, que destrambelha tudo em mim?

Ah !!!! Eu não dou conta !!!

O tempo verão passa e eu, destrambelhada!!!

Durmo sem sono!!!! Acordo sonolenta!!!

Rolo na cama!!!

Zumbi é meu companheiro!!!

Tempo verão sem pedir licença, busca abrigo!!!

Tipo pé de pano!!!! Sem barulho!!!!

Ao meu lado tenta deitar!!!

De fininho, ele apossa da minha razão

Em total dominação!!!!

 

Cuiabá , 30 de Janeiro de 2019.

 

     

Eu quero!!!

 Seu olhar!!! Seu beijar!!!

Seu pecado!! Seu dobrado!!! 

Seu poder!!! Seu quere!!!

Seu ar!! Seu mar!! Seu par!!!

Seu guia!!! Seu consolo!!!   

Seu sonho!!! Seu banho!!! Seu ganho!!!

Seu caso!! Seu abraço!!! Seu amaço!!!  

Seu calor!!! Seu fervor!!! Seu vapor!!!

 

Brincadeira dançante!!!


                                                        Iza Salies

Brincadeira dançante, coisa da gente!!!

Na casa de Carmelita, e ela, toda bonita!!!

Oferecia sua casa, e a festa só que arrasta!!!

Dona Ester, sondando nós, e nós dançando!!!

 

Brincadeira dançante, e o garçom ambulante!!!

Carmelita tinha prazer, ela tinha poder!!!

A brincadeira era boa para a besteira!!! 

Sua sala virava salão, e nós, parecendo um botão!!!     

 

As mães espiando, e a moçada andando!!!

Todos cuidando, e a rapaziada espiando!!! 

 

Calçada lotada, e gente afobada!!!

Moçada chegando, e o som esquentando!!!

Moçada desfilando e rapaziada observando!!!

Musica lenta na vitrola, vovó de estola!!!

Salão lotado, e eu, esperando o namorado!!!

 

As paquerinhas rolando e o povo aproveitando!!!

As meninas recepcionando e s meninos esperando!!!

 

Dança dança moçada, e a sapatilha molhada!!!  

Balança as cadeiras mulata, menina abestada!!!

Sapateia com ninguém, e outras, ficam aquém!!!

 

Moçada que dança, e os quartos que balança!!! 

Dançava e paquerava!!! E a brincadeira não acabava!!!

A vitrola tocando!!! E eu esperando!!!

A música lenta!!! E o corpo que não aguenta!!!

Era bom demais!!! Logo vinham atrás!!!

 

Servíamos o ponche, dia de frio usava poncho!!! 

Penumbra no salão, beijo com batom!!!

Dançando lento, beijando Bento!!!    

Desfile de sapatos, cabelos arrumados!!!

Mamãe que sonda, e Zé que apronta!!!

 

Desfiles de mocinhos, desejos de carinhos!!!

Piscadinhas e olhos, previsões de namoro!!

Paquera que agrada!!! Beijo que estala!!!

Moçada apavorada, paquera revelada!!!

 

Moreninha do Porto, lindeza de broto!!!

Recadinho para a Belinha, vestidinho de linha!!!   

Conquista que rima, beijo da minha prima!!!!  

Dança decente!!! Salão quente!!!!! 

Ponche que serve, fui breve!!!

 

 Corre-corre de regateiras, amor para a besteira!!!

Arrocho de amor!!!! E Elisa como flor!!!

Namorado que brota, amiga que importa!!!

 

Anos insubistituíveis!!! Lembranças insquecíveis!!! 

Saudade dobrada!!! O tempo não atrapalha!!!

Simininas do Porto!!! Amizade que nem broto!!!  


   

Sou Cuiabá...

 


 

                               Iza Salies

 

Sou calor, sou flor!!!

Sou verde, sou cor!!!

Sou caminho, sou cantinho!!

Sou ninho, sou quentinho!!!  


Sou grande, sou forte!!!

Sou manjedoura, sou acolhedora!!! 

Sou calmaria, sou colo, sou solo!!!

Sou pé d’água, sou broa, sou atoa!!!

 

Sou paixão, sou fervor, sou calor!!!

Sou abrigo, sou contigo!!!

Sou braço, sou abraço!!!sou compasso!!!

Sou simples, sou encanto!!!

 

Sou calada, sou amada!!!

Sou cuiabana, sou xomano!!! 

Sou moage, sou tiragem!!!

Sou sorriso, sou coragem!!!  

 

Sou doce, sou manga!!!

Sou angu, sou caju!!!

Sou mangueira, sou pedreira!!!

Sou pitomba, sou fronteira!!!

 

Sou Porto, sou Cidade!!!

Sou pequena, sou grande!!!

Sou festeira, sou alegria!!!

Sou graciosa, sou brejeira!!!

 

Sou fervor, sou calor!!!

Sou amiga, sou querida!!!

Sou lugar, sou popular!!!

Sou amada, sou chamada!!!

Sou quente, sou calor!!!

Sou gente, sou caliente!!!  

  

Sou dança, sou siriri!!!

Sou peixe, sou lambari!!! 

Sou melado, sou assado!!!

Sou mistura, sou juntado!!!

 

Sou do Bosque, sou do Quilombo!!!

Sou do Despraiado, sou do São Gonçalo!!!

Sou do Terceiro, sou do pesqueiro!!!

Sou do Barcelos, sou elos!!!

 

Sou ribeirinha, sou prainha!!!

Sou quebra torto, sou Porto!!!

Sou largo, sou poço!!!  

Sou de praça, sou de rua !!!

 

Sou guri, sou do Pari!!! 

Sou do Campo Velho, sou Buriti!!!

Sou Pico do amor, sou flor!!!

Sou do Mundéu, sou céu!!!

Sou do Dom Aquino, sou sol à pino!!!

 

Sou carne picadinha, sou revirado!!!

Sou macarrão, sou quiabo!!!

Sou carne com arroz, sou suculenta!!!

Sou frango com arroz, sou pimenta!!!  

  

Sou tuiuiú, sou gambá!!!

Sou brejo, sou Aguaçú!!!

Sou do rio, sou bagre!!!

Sou peixinho, sou lambari!!!

 

Sou poema, sou tema!!!

Sou banana, sou cana!!!

Sou piranha, sou pantanal!!! 

Sou pássaro, sou liberal!!! 

 

Sou picolé, sou Zé Petete!!!

Sou Jeje, sou capilé!!!

Sou rapadura, sou pura!!!

Sou furrundum, sou queimado!!!

Sou raspada, sou caramelada!!!

 

Sou reboliço, sou suspiro!!!

Sou estreita, sou perfeita !!!

Sou simplicidade, sou caridade!!!

Sou gostosa, sou teimosa!!!

Sou ternura, sou doçura!!!

 

Sou solidária, sou Santa Amália!!!

Sou agregadora, sou Auxiliadora!!!

Sou Taquara, sou amarra!!! 

Sou Bonifácia, sou falácia!!! 

 

 

Domingo cuiabano ......

 

Iza Salies

 

Gente chegando, casa enchendo!!

Barulho musicando e povo falando!!

Junta!!!Junta de gente!!! E a panela quente!!!!

Verdadeira romaria !!E mocada só que ria

Gente sem quantia, demais iguaria!!

Casa de mamãe, corredor de correria!!

Povo falando, eu, espiando!!

  

Café quente no bule, muito povo, muita gente!!!

Fogo que queima, fofoca que reina!!!

Desfile de recitas, menu das estrelas!!!

Família que junta, domingo com pergunta!!!

Pratos quentes, farofa da gente!!!  

Ensopado gostoso, pirão cabuloso!!!

Ensopado suculento, guri barulhento!! 

Muitas iguarias macarrão da Maria!!!!

Com frango ao molhos!!! Picadinho de repolho!!!

Arroz de forno na travessa!!! E Seo Zico com pressa!!!

 

Feijão empamonado, e as meninas visita o namorado!!!

Farofa saborosa, aniversário da sogra!!!

Menu generoso, duvida na gente!!!     

Loucas na pia, disputa arrepia!!!

Mesa de iguarias, amor sem quantia!!!

Costumes cuiabano, coisas da gente!!!

Cultura do agregado amor vazado!!!  

Muita gente, povo contente!!!

Amor gotoso, amor quente. Amor da gente!!!!  

Sol que frita, luz aflita!!! 

Balsamo que cura, amor com mistura!!

Trânsito desajustado, costumes enrolados!!!

 

   

 

 

 

Dia cuiabano !!!

 

Iza Salies

 

Frango assado na panela, e vovó na janela!!!

Papai chamando e mamãe chorando!!!

O cachorro latindo e Jose rindo!!!

O menino no quintal e Mariquinha de avental!!! Titia conversando e a lua recitando!!!

Meu amor brincando e o sol esquentando!!!

Tomates na horta e Judite que não comporta!!!

O arroz pipocando e o vovô cochilando!!!

O chinelo no lugar e seu Zico `a procurar!!!

Cadeira de balanço na varanda, e no quarto cheiro da lavanda!!!

Nilza varrendo o quintal e papai lendo jornal!!

Comida quente na mesa, Janete só que mente!!!

A vizinha está ai e Judite tá ali!!!   

Abotoado na frigideira e Elza falando besteira!!!

Quero café, quero com fé!!!

Café gostoso, fruta sem caroço!!!

Colo gostoso, almoço saboroso!!!

Casa de moca bonita, carro que apita!!!

Sondando a paquera, hora que espera!!!

Carro que passa, coração que dispara!!!

Disputa do broto, moca sem garoto!!!

Volta no jardim, passeio sem fim!!!

Confusão que apronta, meninas que contam!!!

Papo de rapaz, só é capaz!!!

O perfumado passa e a admiração repassando!!!

Ajeitando a roupa, beijando a boca!!

Menina brejeira, beleza regateira!!!

Morena bonitas, gosta de fazer fita!!!

Cabelos escuros, meninos seguros!!!

Fazendo trote, engano que dá morte!!! Atendendo telefone, música no fone!!!

      

 

  

 

Cuiabá dos meus amores!!!!

 

Ah!!!! Quanta saudade da velha Cuiabá !!!

Da poeira das ruas, das praças, da vizinhança, das ruas sem asfalto, das poças d’água na calcada, das brincadeiras de rua, das carreiras na Praça Major Joao Bueno, ou melhor, no largo do Porto, de uma infância rica em compartilhamento humano.

Pode não acreditar, eu ciscava a avenida onde eu morava, depois da chuva, para ver se pegava ouro, isso acontecia depois de uma gostosa e torrencial chuva, que desaguava na Avenida Mario Correa. Cada vidrinho de ouro valia uma caixinha de chiclete, que fazia essa troca era o Dr. Braga, dentista que atendia por ali.

 Era uma alegria só, uma disputa saudável, corríamos tanto que até escorregávamos na lama. Sem esquecer de dizer que de vez em quando dava uma confusão!!!! Mas anda que pudesse causar desavença entre nos.

Sou do tempo dos quitutes no fundo do quintal. Nós tínhamos uma vizinha muito bacana, Dona Carmelita, mãe de Eneida Yonezava, Leticia Yonezava, Eneias Yonezava, e Ester Yonezava, que deixava as crianças da vizinhança brincar na sua casa. Eu amava, eu vivia lá. Sua casa tinha um quintal muito lindo, era um misto de jardim e quintal. Ali, era o nosso espaço, brincávamos, conversávamos e também brigávamos.   

Como minha casa era muro como muro com a casa dela, eu vivia mais lá do que na minha própria casa, isso porque eu não tinha crianças da minha idade para brincar. Assim, nossas proezas eram feitas no quintal da Dona Carmelita, com Dona Ester cuidando de tudo.

Não posso esquecer de uma pessoa que cuidava de nós, Dona Ester, mãe de Dona Carmelita, ficava de olho em tudo. Quando a algazarra estava muito grande Dona Ester mandava todos nos irmos para casa. Chega !!!!Cada um vai pra sua casa!!! Tá na hora !! 

Para mim, a casa da Eneida, era um parque de diversão, tinhas lindos brinquedos, tudo era deslumbrante para mim. Seu pai, Seo Noriak, trazia as novidades dos lançamentos dos brinquedos do Japão, naquela época, era difícil encontrar variedade de brinquedos.

Eu nem sabia onde ficava esse lugar, o Japão, só sabia que eram brinquedos diferentes dos vistos em nosso meio. Só para lembrar, minha amiga, a Eneida tinha um telefone com fio que a gente fala com outra pessoa, ele tocava e você atendia, conversávamos de verdade, e brincando, isso marcou muita minha infância. Vai ser inesquecível. São lembranças vivas em mim.

Vivi com muito prazer o tempo dos quitutes, para quem não sabe o que e quitute, era uma brincadeira onde as meninas reuniam e combinavam de fazer um quitute? Com certeza seria na casa de Dona Carmelita, cada criança pegava em sua casa uma coisa que podia ser utilizada para fazer o almoço, podia ser, um punhado de arroz, um ou duas cebolas, macarrão, tomate, um pedaço de carne, depois de checar o que tinha, ai resolvíamos o que fazer.

Os meninos faziam o tacuru, onde íamos cozinhar. O que e tacuru? Era o fogão onde cozinhávamos, era feito por três pedras grandes que servia para apoiar a panela, lenha, gravetos para que o fogo pudesse fazer a comida. Depois de um certo tempo eu peguei   um fogareiro a gás do meu pai, ai ficou mais fácil e rápido.

O cardápio seguia as regras do que as crianças traziam, geralmente era arroz, macarrão ou carne com arroz. Tinha que ser um cardápio que fosse rápido e fácil de fazer, mesmo porque tinha apenas uma boca de fogo. E era bem feito, gostos, ela lindo ver a comida pipocando na panela e todos em derredor aguardando para comer em baixo de uma  frondosa e generosa mangueira. Nem te conto com era bom, gostoso, prazeroso.              

Ah!!!! Não posso esquecer das brincadeiras dançantes que aconteciam na casa das meninas. Momento dos encontros entre amigos, paqueras e de dançar bastante. Tudo era realizado na casa dela, Dona Carmelita, ela tinha o prazer que ver a meninada lá, na tarde de sábado reuníamos para organizar a festa, cada uma fazia uma coisa, cortando maca para fazer o ponche, lavava os copos, arrumava toda a copa, o salão, o som, não podia esquecer da meia de seda, uma bebida também denominada de licor de leite, que podia ser com coco ou não.

Passávamos a tarde toda por conta da brincadeira dançante, eu, Eneida a dona da casa, Nine Curvo, Tete, Eliane (as netas de Dona Nina de Seo Severiano) Lilian, Marilia Malheiros, Wilma de Dona Aline, Cida (falecida), Ana Catarina, Elisa, Silvia, Helo, Marlene, Simone Malheiros, Zoca Malheiros, Silvia Malheiros. Pepe.    

Cada menina convidava seu amigo ou paquera, quando ficávamos com vergonha de convidar o nosso pretendente, pedíamos para uma amiga fazer isso por nos. Ai, era a hora da troca de favores, eu faço para você e você faz para mim, tá bom? Combinado? Combinado.

E assim tramávamos tudo nos conformes!!! Depois de tudo no jeito, íamos para a porta da rua, para comentar sobre as expectativas da festa.  Comentávamos se os rapazes vinham ou não. Era uma preocupação geral, ficávamos apreensivas, curiosas para saber se os paqueras e amigos iam.   

Não lembro que tínhamos preocupação com o corpo, com as curvas, com o cabelo, com o sapato de salto, vaidade excessiva, não fez parte dessa época, pelo menos para nos. Tínhamos desejo de usar um vestido novo, um sapato ajeitado e um perfume que a mãe usava.

Tá na hora da brincadeira dançante!!!!! A sala estava pronta, a eletrola ok, os discos de vinil selecionados, e para não ficar com a luz acesa ou apagar totalmente, nos colocávamos um papel salofane colorido para ficar um pouquinho escurecido. Com era gostos e saudável esse momento, rolava muita paquera, muita conversa. Dançávamos bem coladinhos, a músicas escolhidas eram só lentas.  

O coração parecia que ia sair pela boca, quando via o paquerinha subindo a rampa da garagem da casa de Dona Carmelita. Meu Deus!!!! Ele veio, pulava de alegria e comentava com as amigas. Santa ingenuidade!!!! Gostosa pureza!!!! Não havia brigas nem confusão, bafão nem pensar!!!! Tudo na mais perfeita ordem e educação. Superdelicadas!!! Supereducadas!!!

 

Cuiabá, 27 de Maio de 2019

 

  

 

   

                      

 


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Amor deposto!!!!

 

Amor deposto!!!!

 

Iza Salies

 

Quando te vi!!!!

Senti!!! Não resisti !!Logo reli!!!!

Achei!!! Peguei!! Fiquei!!!

Foi bom!!! Foi bombom!!!

 

Voou!!! Findou!!! Desviou!!

Sonhos acabados!!! Desejos levados!!! Tudo acabado!!!

Levou tudo!!!Varreu de vez!!! Sem sensatez!!!

Rasgou ilusões!!! Fez bagunça!!! Cravou dor!!!

 

Foi demais!!! Durou pouco!!! Passou louco!!!

Foi passageiro!!! Foi ligeiro!!!

Deixou!!! Caminhou!!! Eternizou!!!

Foi lenda!!! Foi presença!!! Foi sentença!!!

Virou momento!!! Não comento!!! Experimento!!!  

Vento atroz!!! Hoje sem voz!!!!

 

Foi o tempo!!! Foi o vento!!! Foi a morte!!!

Amei!!! Gostei!!! Fiquei!!! Colei!!! Copiei!!!

Foi misterioso!!! Foi fugaz!!! Foi demais!!!

Foi posto!!!foi deposto!!!

Está morto!!!

 

                         Cuiabá 27 de março de 2020

 

 

Publicado no Facebook,  9 de Setembro de 2020

segunda-feira, 27 de maio de 2019


São 12 anos....

A dor da saudade e inexplicável, são borbulhas de sentimentos que pipocam em nós, que fere, machuca, maltrata a gente.  

Esse sentimento, segundo o pensar, fazem parte de pequenos investimos emocionalmente que fazemos em alguém e para alguém. Dedicamos momentos bons e ruis de nossas vidas, cevando iscas de dedicação, cuidado, paciência, resignação, podemos enumerar milhares de qualificações, ainda assim, não daremos conta de decifrar esse indecifrável código secreto do Criador.

Assim como ele nos criou, ele também possibilitou a nossa volta ao seu encontro, o que chamamos de Morte, no seu momento, na sua hora. Alguns são beneficiados pela possibilidade de despedir dos seus entrequeridos e outro vão sem despedir. 
No meu caso ocorreu a partida sem despedida, pela segunda opção, a de não dar tempo de despedir. Apenas deixou um recadinho que dizia assim “Iza, ele vai partir de repente, que não vai dar tempo de despedir de você. Fiquei estarrecida, chocada, totalmente besta, sem ação. 

E assim está sendo a mina vida, repleta de dúvidas, buscando sentido para essa nova trajetória de vida que preciso reconstruir dos escombros da minha alma. Nesses anos, sem você, estou tentando catar cada peça que restou do que ficou de mim. Fácil não está sendo mas, como diz o ditado popular, a vida e hoje, e agora e deve ser vivida.  

Fui consumida pela dor da falta, o chão tornou-se um buraco, a perspectiva de uma velhice a dois, foi esfacelada, desmoronou todos os projetos de vida, foram desconstruídos os investimentos sentimentais cultivados por 10 anos. Fique em estado de falência emocionalmente falando, dormi rica de sentimento e acordei sem nada!!!!...... Nada!!!.....Nada!!!...    

Os horizontes ficaram nublados, meus olhos só viam um buraco fundo, tudo ruim, tudo chato, tudo sem graça, sem alegria. Faltava sua presença, faltava sua voz, faltava sua companhia, faltava você.

Por longos anos, eu não sabia o que e ser alegre, tudo lembrava você, a dor da sua ausência, fazia morada em mim e incestai em permanecer, a saudade sapateava em meu coração. Sua partida causou um estrago muito grande, abalou os pilares estruturais dos meus sentimentos. Arrebentou!!!! Dilacerou!!!Esmagou!!!Arrasou!!!Feriu!!!Saqueou!!Bombardeou!!!     
Hoje entendo como consegui driblar essa imensa dor que ocupava espaços importantes de mim, só por Deus, esse sim foi o responsável total da restauração de mim mesma.   

A perda de uma pessoa querida e um pedaço do seu coração que rasga e vai embora, nunca mais será recomposto, poderá vir outros amores, outras paixões, mas aquele, tem um espaço especial, indiscutível, incomparável, onde a fidelidade e eterna, assim entendo que pessoas que amamos soa imortais em nossos corações.

Aqui, descrevo minha experiência de sofrer a dor da perda, ou seja, da morte de alguém. A cada pessoa que perdemos passamos por processos dolorosos diferenciados, quando perdemos nossos pais, sentimos um tipo de dor, quando perdemos marido e outro tipo de dor e quando perdemos filho, suponho que deva ser muitíssimo dolorosa. 
   
Não pretendo fazer uma manual de procedimento de como viver uma dor de perda, escrevo porque seu coração sente necessidade de externar toda essa minha trajetória de vivencia no deserto.

                                                                         Iza Salies