quarta-feira, 18 de junho de 2014

Construção do Conhecimento e Teorias da Aprendizagem



Autor: Rodrigo de Oliveira Marques
Data: 05/05/2014

RESUMO

Considera-se fundamental analisar o processo de formação que vem sendo dada aos nossos profissionais e, ainda conforme ouvimos com frequência, refletir acerca do descompasso existente entre a formação profissional acadêmica e o campo de trabalho, a ação pedagógica propriamente dita. Significando afirmar que a formação docente deve assegurar uma cultura científica de base em ciências humanas e sociais no que se refere à educação; a capacidade de realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino; o exercício da docência em contextos institucionais escolares e não-escolares. Portanto, pode-se afirmar que nada ainda está pronto, estamos em um processo de redefinição da nossa profissão e da compreensão da nossa prática. E para tal, precisamos estar atentos às mudanças que estão sendo exigidas de nós e, para isto precisamos estar atentos ao conhecimento que se produz nesta área e que é fundamental para o fortalecimento a nossa profissão e para a nossa própria sobrevivência como educadores. Sendo assim, falar sobre formação do educador implica, definir o que entendemos por formação, no qual não basta só trabalharmos com propostas de modernização a educação, mas tratando-se de repensar a dinâmica do conhecimento no seu sentido mais amplo e as novas funções do educador como mediador deste processo.

Palavras-chave: Formação do professor; Cognição infantil; Construtivismo


 
1 INTRODUÇÃO


    Aprender é construir, tal conceito de aprendizagem contribui para o desenvolvimento na medida em que aprender não é copiar ou reproduzir a realidade.

    Para a concepção construtivista, aprende-se quando somos capazes de elaborar uma representação pessoal sobre um objeto da realidade ou conteúdo que pretendemos aprender. Essa elaboração implica aproximar-se de tal objeto ou conteúdo com a finalidade de apreendê-lo; não se trata de uma aproximação vazia, a partir do nada, mas a partir das experiências.

    Dentro da concepção construtivista da aprendizagem e do ensino, há um caráter ativo do qual participa não apenas o sujeito que aprende como também outros elementos a sua volta ficam em evidência, na frase do aluno, esse aspecto da aprendizagem escolar como um processo ativo no qual o aluno constrói, modifica, diversifica seus esquemas de conhecimento, reelabora, soma com outros para se chegar a um objetivo.

    As implícitas referências ao ensino e à aprendizagem são portadoras dos conceitos fundamentais de Piaget: "inteligência como adaptação, comportando mecanismos de assimilação (ajuste do objeto aos esquemas de compreensão do sujeito)  e  acomodação  (ajuste do sujeito,  transformação  dos seus esquemas de compreensão em função do objeto) e conhecimento como resultado do ato cognitivo".

    É fundamental que a criança perceba a necessidade de determinada aprendizagem para envolver-se, realmente, com sua tarefa. Essa tarefa deve parecer atraente, interessante e, a partir do momento que se lhe é apresentada como algo que permite preencher suas necessidades de aprender, saber, influir, e mudar, proporcionando as condições de interesse e aprendizagem.

    Em síntese, a aprendizagem, entendida como construção de conhecimento, pressupõe entender tanto sua dimensão como produto quanto sua dimensão como processo, isto é, o caminho pelo qual os alunos elaboram pessoalmente os conhecimentos. Ao aprender, o que muda não é apenas a quantidade de informação que o aluno possui sobre um determinado tema, mas também sua competência, a qualidade do conhecimento que possui e as possibilidades pessoais de continuar aprendendo.

    Pode-se enfocar o aluno, dentro dos princípios do Construtivismo, percebendo-se que há um processo de elaboração pessoal do conteúdo,  por parte dele, como  também ver o aluno depondo como se ele fosse autônomo, responsável por sua própria aprendizagem.

    Segundo Piaget, os adultos incentivam o desenvolvimento da autonomia quando trocam pontos de vista com  crianças.Vê-se, então, nessa frase, o professor como o adulto, fazendo o seu papel e o aluno agindo como o autônomo.   

    De acordo com a análise de Coll (1996, p. 27):

Quando o aluno enfrenta um novo conteúdo a ser aprendido, sempre o faz armado com uma série de conceitos, concepções, representações e conhecimentos adquiridos no decorrer de suas experiências anteriores, utilizando como instrumentos de leitura e interpretação e que determinam em boa parte as informações que selecionarão como serão organizadas e quais tipos de relações estabelecerão entre elas.

    Cabe salientar que o conhecimento que o aluno possui não é um obstáculo para a aprendizagem, mas o requisito indispensável para ela, pois os educandos não aprendem apesar de seus conhecimentos prévios, mas por meio deles, e a compreensão da realidade é um processo gradual, que ocorre  simultaneamente ao enriquecimento desses conhecimentos prévios, pois não se trata de suprimi-los, mas de usá-los, revisá-los e enriquecê-los progressivamente.

    Na concepção construtivista, os alunos aprendem e se desenvolvem na medida em que podem construir significados adequados em torno de conteúdos. Este e outros conceitos que fazem parte da concepção construtivista da aprendizagem e do ensino, que não apresentam uma exposição tão profunda dessa concepção, mas aponta alguns de seus conceitos fundamentais que estão intrinsecamente relacionados com a fala.

    Pode-se enfatizar que ao construir significados, os saberes adquiridos formarão outra rede de conhecimentos que, sempre associada ao conhecimento prévio, fará parte da sua memória construtiva ou compreensiva. Ao estar constantemente formando essa memória, pode ter condições de vir a utilizar o conhecimento adquirido quando for necessário, inclusive em contextos diferentes daqueles nos quais foram  construídos.
1.1    Objetivos

Constitui objetivo geral deste trabalho, enfocar uma contextualização generalizada das referências das teorias de aprendizagem aplicadas na formação do professor.
Constituem objetivos específicos:

    a) Entender a aprendizagem como construção de conhecimento;

    b) Fazer com que os alunos aprendam e se desenvolvam na medida em que possam construir significados em torno de conteúdos;

    c) Enfatizar que ao construir significados, os saberes adquiridos formarão uma teia de conhecimentos.

1.2 Procedimentos Metodológicos

    O processo metodológico baseou-se através de pesquisas exploratórias (GIL, 2002, p. 41) que têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vista a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses.

    Pode-se dizer que tais pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante  flexível,  de  modo  que  possibilite  a  consideração  dos  mais  variados aspectos  relativos  ao  fato  estudado. 

    Na maioria  dos  casos,  essas  pesquisas  envolvem:  (a) levantamento  bibliográfico;  (b)  entrevistas  com  pessoas  que  tiveram  experiências  práticas com  o  problema  pesquisado;  (c)  análise  de  exemplos  que  "estimulem  a  compreensão". (SELLTIZ,  1967, p. 63)

    Embora o planejamento da pesquisa exploratória seja bastante flexível, na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso. Em se tratando  de  pesquisas  descritivas  (GIL,  2002,  p.  42)  têm  como  objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento  de  relações  entre  variáveis.  São  inúmeros  os  estudos  que  podem  ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de  técnicas  padronizadas  de  coleta  de  dados,  tais  como  o  questionário  e  a  observação sistemática.

    Já a pesquisa  bibliográfica  (GIL,  2002,  p.  44)  é  desenvolvida  com  base  em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase  todos  os  estudos  seja  exigido  algum  tipo  de  trabalho  dessa  natureza, há pesquisas desenvolvidas  exclusivamente a partir  de  fontes  bibliográficas. Boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas.
  
    As pesquisas sobre ideologias, bem como aquelas que se propõem à análise das diversas posições acerca de um problema, também costumam a ser desenvolvidas quase exclusivamente mediante fontes bibliográficas.

    Sendo assim, tal estudo possibilita  focalizar  a  realidade  de  forma  profunda  e contextualizada,  utilizando-se  várias  fontes  de  informação,  sejam  elas,  através  de  sites especializados  no  tema,  tais  como:  Revista  Eletrônica;  e  pesquisa bibliográfica na qual aprofundam e discutem o tema.  Dessa forma, utilizamos os artigos acadêmicos, disponibilizados virtualmente, os quais foram de grande fortuna crítica para o desenvolvimento deste trabalho.

1.3  Estrutura do trabalho

O TCC está esquematizado da seguinte forma:

O capítulo 2, a seguir, trata do referencial teórico, ou seja, abrange breves considerações teóricas a respeito da contribuição piagetiana para a formação do construtivismo e consequentemente implicam na formação do professor, pois, de acordo com o conceito de Piaget, o sujeito procura ajustar o objeto aos seus esquemas de compreensão. Por sua vez, o conhecimento não nasce com o indivíduo, nem é dado pelo meio social. Sendo assim, sujeito constrói seu conhecimento na interação com o meio tanto físico como social.

O terceiro capítulo resgata uma rica revisão a partir de uma perspectiva de formação da prática docente, procurando incentivar os professores a assumirem a autoria de suas experiências.

Enquanto a tomada de consciência das ações permitirá a renovação dos compromissos e as responsabilidades como professores. Ao propor uma estratégia e forma de aprendizagem com a finalidade de expor teoricamente elementos que buscam valorizar e orientar um estudo aprofundado sobre a teoria construtivista no âmbito escolar. Procura-se situar epistemologicamente a temática no contexto da escola atual, da pedagogia seletiva e tradicional e do professor, partindo de uma perspectiva Piagetiana, e, consequentemente buscando por uma pedagogia diferenciada. 

    Por outro lado, o Capítulo 4, discute a importância da teoria da educação e as contribuições Walloniana na formação do pensamento infantil, na qual uma educação humanista considera todas as disposições que constituem o homem por completo, mesmo estando desigualmente repartidas entre os indivíduos, pois qualquer indivíduo potencialmente pode se desenvolver em qualquer direção, a depender de seu aparato biológico e das condições em que vive.

    Por fim, nas considerações finais, procura-se concluir de forma sintetizada o conceito das teorias de aprendizagem e a prática docente.  2 REFERENCIAL TEÓRICO

     Procura-se tecer breves considerações teóricas a respeito da contribuição piagetiana para a formação do construtivismo e que consequentemente implicam na formação do professor.

   Primeiramente, o sujeito que aprende põe-se  frente  ao  objeto  de sua aprendizagem, transferindo essa experiência para a ação. No conceito de Piaget, o sujeito vai ajustando o objeto aos seus esquemas de compreensão.

    Tais concepções que as ciências foram construindo ao longo da historia, refletem-se na Filosofia e na Sociologia. Hegel e Marx expressam este movimento pela dialética, ou seja, dialética no pensamento e dialética na realidade objetiva. O  princípio da transformação está na essência do próprio ser.

    Contudo, Piaget (1975) faz refletir estas ideias na Psicologia, na Filosofia e, mais especificamente, na Epistemologia, construindo uma nova ciência a que chamou de Epistemologia Genética. Sendo assim, Piaget (1975)  mostra como o homem, logo que nasce, apesar de trazer uma fascinante bagagem hereditária que remonta a milhões de anos de evolução, não consegue emitir a mais simples operação de pensamento ou o mais elementar ato simbólico, apontando que o meio social, por mais que sintetize milhares de anos de civilização, não consegue ensinar a esse recém-nascido o mais elementar conhecimento objetivo. Isto é, o sujeito humano é um projeto a ser construído; o objeto é, também, um projeto a ser construído. Sujeito e objeto não têm existência prévia, a priori: eles se constituem mutuamente, na interação, constroem-se.

   O sujeito age sobre o objeto, assimilando-o: essa ação assimiladora transforma o objeto, na qual o objeto ao ser assimilado resiste aos instrumentos de assimilação de que o sujeito dispõe no momento. Por isso, o sujeito reage refazendo esses instrumentos ou construindo novos instrumentos, mais poderosos, com os quais se torna capaz de assimilar, isto é, de transformar objetos cada vez mais complexos.

  Essas transformações dos instrumentos de assimilação constituem uma ação acomodada. Conhecer é transformar o objeto ou transformar a si mesmo. Assim, o processo educacional que nada transforma está negando a si mesmo.

    Por sua vez, o conhecimento não nasce com o indivíduo, nem é dado pelo meio social. O sujeito constrói seu conhecimento na interação com o meio tanto físico como social.  Essa construção depende, portanto, das condições do sujeito, indivíduo sadio, bem-alimentado, sem deficiências neurológicas etc.

    Além disso, Piaget (1975) derruba a tese de um universo de conhecimento dado, seja na bagagem hereditária (apriorismo), seja no meio (empirismo) físico ou social, criando a ideia de conhecimento-construção, expressando, nessa área específica, o movimento do pensamento humano em cada indivíduo particular, apontando como isto se daria na Humanidade como um todo.

     No entanto, assim como o marxismo atual exerce uma crítica sobre sua conceituação de "classe social", na medida em que "estudos concretos desvendaram formas originais de práticas coletivas?, e na medida em que se toma consciência de que a classe social é alterada pelo modo mesmo como é vivida, a Epistemologia Genética exerce sua autocrítica no sentido de ampliar a compreensão do que significa o "objeto" entendido como  mundo das relações sociais, no sentido do conflito sociocognitivo ou das representações sociais da inteligência, pois a vida social não pode continuar a ser entendida simplesmente como coordenação de operações individuais.

   Na verdade, Construtivismo significa a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do Indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento. (BECKER, 1984, pp. 7-15)

     Na prática, Construtivismo é, portanto, uma ideia; ou  melhor, uma teoria, um modo de ser do conhecimento ou um movimento do pensamento que emerge do avanço das ciências e da Filosofia dos últimos séculos. Uma teoria que nos permite interpretar o mundo em que vivemos.

    Já, para Piaget (1975), o mundo do conhecimento: sua gênese e seu desenvolvimento. Construtivismo não é uma prática ou um método; não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (re)interpretar todas essas coisas, jogando-nos para dentro do movimento da História da Humanidade e do Universo. Não se pode esquecer que, em Piaget (1975) aprendizagem só tem sentido na medida em que coincide com o processo de desenvolvimento do conhecimento, com o movimento das estruturas da consciência.

    Entende-se que construtivismo na Educação, pode ser a forma teórica ampla que reúne várias tendências atuais do pensamento educacional. Tendências que têm em comum a insatisfação com um sistema educacional que teima ideologicamente em continuar essa forma peculiar de transmissão, que é a Escola, consistindo em fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto, em vez de fazer agir, operar, criar, construir a partir da realidade vivida por alunos e professores, isto é, pela sociedade.

    A Educação deve ser portanto,  um processo de construção de conhecimento ao qual  em condição de complementaridade, alunos e professores e, por outro lado, os problemas sociais atuais e o conhecimento já construído, passem a ser o "acervo cultural da Humanidade".

    O professor afirma que o conhecimento é algo que entra pelos sentidos, ou seja, algo que vem de fora da pessoa e se instala no indivíduo, independentemente de sua vontade, e é sentido por esse indivíduo como uma "vivência". A pessoa,  de modo geral, o sujeito não tem mérito nisso, é passivo. Esse modo de entender o aparecimento, a gênese do conhecimento em um indivíduo, é chamado de empirismo.

    Pode-se dizer que empiristas são aqueles que pensam que o conhecimento acontece porque nós vemos, ouvimos, tateamos etc., e não porque agimos. O conhecimento será, então, sensível no começo, abstrato depois. Alguns exemplos da concepção empirista, na fala dos professores, ilustra este modo de pensar: "o conhecimento, dá-se sempre via cinco sentidos, de uma ou outra maneira; dá-se à medida que as coisas vão aparecendo e sendo introduzidas por nós nas crianças; dá-se pela reação da pessoa através de alguns estímulos, a partir de situações estimulantes, na medida em que a pessoa é estimulada, perguntada, incitada, questionada, ela é até obrigada a dar uma resposta?.

    A concepção de conhecimento acredita que se conhece porque já traz algo, ou inato ou programado na bagagem hereditária, para amadurecer mais tarde, em etapas previstas, chama-se apriorismo. No entanto, pode-se dizer que aprioristas são todos aqueles que pensam que o conhecimento acontece em cada indivíduo porque ele traz já, em seu sistema nervoso, o programa pronto. O mundo das coisas ou dos objetos tem função apenas subsidiária: abastece, com conteúdo, as formas existentes a priori. Como se vê, o apriorismo opõe-se ao empirismo, porque acaba propondo uma visão passiva de conhecimento, pois, de outra maneira, suas condições prévias já estão todas determinadas, independentemente da atividade do indivíduo.

    Presume-se que raramente o professor consegue romper o vaivém entre empirismo e apriorismo: nota-se que a explicação empirista não convence, lança mão de argumentos apriorísticos, e volta, na primeira oportunidade, ao empirismo, se o mesmo acontecer com a explicação apriorista.

    Ao apropriar-se de sua prática, constrói ou reconstrói as estruturas do seu pensar, ampliando sua capacidade, simultaneamente, em compreensão e em extensão. Essa construção é possível na medida em que ele tem a prática, a ação própria; e, também, na medida em que ele se apropria de teorias suficientemente críticas para dar conta das qualidades e dos limites de sua prática. Essas duas condições são absolutamente indispensáveis para o avanço do conhecimento, para a ruptura com o senso comum na explicação do conhecimento. Deste ponto de vista, o conhecimento não é dado nem nos objetos (empirismo) nem na bagagem hereditária (apriorismo).

    O conhecimento é uma construção, ou seja, o sujeito age, espontaneamente, isto é, independentemente do ensino, mas não independentemente dos estímulos sociais. Em seguida, reconstrói (reflexão) o que já tem, por força dos elementos novos que acaba de abstrair. Trata-se da  síntese dinâmica da ação e da abstração, do fazer e do compreender, da teoria e da prática. É dessas sínteses que emerge o elemento novo, no qual o apriorismo e o empirismo são incapazes de processar porque só valorizam um dos polos da relação.

    Na visão construtivista, sujeito e meio têm toda a importância que se pode imaginar, mas essa importância é radicalmente relativa. A partir disso, pode-se afirmar que uma simples mudança de concepção epistemológica não garante uma mudança de concepção pedagógica ou de prática escolar, mas sem essa mudança de concepção, superando o empirismo e o apriorismo, certamente não haverá mudança profunda na teoria e na prática de sala de aula. Sobretudo, a superação do apriorismo e, do empirismo é condição necessária, embora não suficiente, de avanços apreciáveis e duradouros na prática docente.

    Nas palavras de Piaget (1975, p. 386):

As relações entre o sujeito e o seu meio consistem numa interação radical, de modo tal que a consciência não começa pelo conhecimento dos objetos nem pelo da atividade do sujeito, mas por um estado indiferenciado; e é desse estado que derivam dois movimentos complementares, um de incorporação das coisas ao sujeito, outro de acomodação às próprias coisas.

    E, quanto ao problema da construção do novo, Piaget (1975) diz: "a  organização de que a atividade assimiladora é testemunha é, essencialmente, construção e, assim, é de fato invenção, desde o princípio". (PIAGET, 1975, p. 389)

    Isto é, a novidade emerge da própria natureza do processo de desenvolvimento do conhecimento humano. Para que ela não ocorra deve-se obstruir esse processo, trata-se do papel da ideologia que impregna a consciência do professor, determinando suas ações e prática, e seu modo de pensar. 

    Teoricamente, o Construtivismo concebe o conhecimento através de sua gênese e desenvolvimento, e por consequência, um novo modo de ver o universo, a vida e o mundo das relações sociais.
2.1 O desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem para Piaget

    Ao elaborar a teoria psicogenética, Piaget procurou mostrar quais as mudanças qualitativas por quais passa a criança, desde o estágio inicial de uma inteligência prática (período sensório-motor), até o pensamento formal, lógico-dedutivo, a partir da adolescência.

    A adaptação do sujeito vai ocorrendo, de maneira que é necessário investigar. Para que esta adaptação se torne abrangente, é necessário investigar como esses conhecimentos são adquiridos.

Segundo Piaget, o conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista, nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. Resultando das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada  desde a infância, através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer, sejam eles do mundo físico ou cultural.

Os objetos do conhecimento têm propriedades e particularidades que nem sempre são assimiladas pela pessoa. Por isso, uma criança que já construiu o esquema de sugar, com maior facilidade, utiliza a mamadeira, mas terá que modificar o esquema para chupeta, comer com colher, etc. Também será mais fácil para essa criança, ela já tem esquemas assimilados.

A este processo de ampliação ou modificação de um esquema de assimilação. Piaget chamou de acomodação, embora seja estimulado pelo objeto, é também possível graças à atividade do sujeito, pois é este que se transforma para a elaboração de novos conhecimentos.

Com sucessivas aproximações, construindo acomodações e assimilações, completa-se o processo a que Piaget chamou de adaptação. A cada adaptação constituída e realizada, o esquema assimilador se torna solidificado e disponível para que a pessoa realize novas acomodações. O que promove este movimento é o processo de equilíbrio, conceito central na teoria construtivista.

Diante de um estímulo, o indivíduo pode olhar como desafio, uma suposta falta no conhecimento, faz com que a pessoa se "desequilibra" intelectualmente, fica curioso, instigado, motivado e, através de assimilações e acomodações, procura restabelecer o equilíbrio que é sempre dinâmico, pois é alcançado por meio de ações físicas e também mentais.

O pensamento vai se tornando cada vez mais complexo e abrangente, interagindo com objetos do conhecimento cada vez mais diferentes e abstratos.

A educação é um processo necessário, é importante considerar o principal objetivo da educação que é autonomia, tanto intelectual como moral.

A criança vai usando o sistema, pela sua própria estrutura mental, que Piaget destaca; a lógica, a moral, a linguagem e a compreensão de regras sociais que não são inatas, que não são impostas de dentro para fora e sim construídas pelo sujeito ao longo do desenvolvimento, através de estágios diferentes um do outro.

A afetividade está correlacionada a esta inteligência e desempenha papel de uma fonte energética da qual dependeria o funcionamento da inteligência. "A afetividade pode ser a causa de acelerações ou retardos no desenvolvimento intelectual e que ela própria não engendra estruturas cognitivas, nem modifica as estruturas do funcionamento nas quais intervém".

Para Piaget o conhecimento é construído, como forma de constituição individual.

2.2 Breve  histórico sobre a formação do professor

    A formação do professor é um ciclo que abrange a experiência docente como aluno (educação base), como aluno-mestre (graduação), como estagiário (práticas de supervisão), como iniciante (nos primeiros anos de profissão) e como titular (formação continuada). Esses momentos só serão formadores se forem objeto de um esforço de reflexão permanente. Segundo Nóvoa (2001, p. 15), a formação dos professores:

É algo que pertence ao próprio sujeito e se inscreve a um processo de ser (nossas vidas e experiências, no passado, etc.) e num processo de ir sendo (nossos projetos, nossa ideia de futuro), ela nunca se dá por mera acumulação. É uma conquista feita com muitas ajudas: dos mestres, dos livros, das aulas, dos computadores. Mas, depende sempre de um trabalho pessoal. Ninguém forma ninguém, cada um forma a si próprio.

    O professor, em qualquer nível de ensino que atuar, deve ter uma formação que inclua competência na especificidade de sua tarefa em um momento sócio-histórico. Tal competência deve possibilitar-lhe reavaliar constantemente, tanto sua própria experiência anterior como aluno, quanto seu aprendizado, no presente, enquanto docente atuante em um mundo complexo e em constante mudança.

   Deve-se dispensar uma atenção especial a uma formação sólida reclamada pelos avanços do mundo  contemporâneo  e voltada para o desenvolvimento  de habilidades básicas para aprender a situar-se no mundo, além  de  aprender  a conviver com a diversidade  e ser solidário  com os demais.
2.3 Como era  e como é a formação dos professores

    Até a reforma de 1971, os professores para as séries  iniciais do ensino de primeiro  grau, antigo primário,  eram formados  na escola normal de  grau colegial.  De no mínimo, em prosseguimento ao grau ginasial,  e na escola normal de grau ginasial, de quatro séries anuais, sendo esta última quem conferia  o diploma de regente do ensino primário.

    Os institutos de educação ofereciam além dos recursos  normais  de formação de  professores  primários,  de cursos de especialização  para os normalistas:  de aperfeiçoamento, de Especialização em Educação Pré-primária e  de Administradores Escolares.
    Segundo Werebe (1994, p. 193):

Em toda a história do ensino normal, verificou-se a predominância do elemento feminino entre os alunos. O magistério primário, desvalorizado socialmente e mal remunerado, não poderia atrair mesmo os jovens do sexo masculino. Por outro lado, o magistério ocupa poucas horas diárias, oferece férias escolares, constituindo assim uma profissão conveniente para as mulheres, permitindo-lhes mais facilmente acumulá-la com as funções domésticas. Note-se que a feminilização do magistério não é fenômeno apenas brasileiro.

    Com a reforma do ensino de segundo grau de 1971 e de acordo com a nova lei 5692/71, o ensino normal, tal como existia antes, desapareceu. Extinguindo também os institutos de educação. O curso normal passou a constituir uma das habilitações do ensino de segundo grau: Habilitação para o Magistério. Embora a escola normal se constituísse na instituição ideal para a formação docente do antigo ensino primário, os cursos que a substituíram não eliminaram seus defeitos, mas acrescentaram outros, muito mais graves.

    Em decorrência disso, houve diminuição da procura da habilitação do magistério. Assim, segundo Werebe (1994, p. 198): "em 1982, foi elaborado o projeto de Criação dos Centros de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério e, em 1987, foi proposta a revisão Curricular de Habilitação do Magistério".

    Os Cefans instalados em São Paulo compreendiam  quatro  anos obrigatórios  de escolaridade, funcionando  em tempo integral, devendo  oferecer  bolsas de estudo aos alunos  e mantendo-se  integrados  com a pré-escola,  a escola  de primeiro grau e as universidades. Dessa forma, eliminou-se a possibilidade de ingresso de alunos transferidos de outras habilitações de segundo grau. O funcionamento em tempo integral permitiu o enriquecimento do currículo, não apenas com o aumento de horas consagradas às  diferentes disciplinas,  mas com a ampliação do tempo reservado aos estágios obrigatórios,  ou seja, 300 horas, o que corresponde  à cerca de 10% da carga horária global do curso.

    Foram inicialmente  instaladas 19 Cefams no estado de São Paulo, com uma matrícula  de2.214  alunos até 1988. Segundo um levantamento  feito pelo Serviço de Pesquisa da CENP, os resultados obtidos nesses  centros  parecem satisfatórios.  Mas, eles constituem  ainda a exceção no conjunto  das instituições que preparam  os professores para as primeiras  séries do ensino fundamental, mesmo no estado de São  Paulo.

    Todavia, mesmo nas melhores escolas, os cursos de Pedagogia não são estruturados de maneira a assegurar um bom preparo para os docentes que vão atuar nas escolas de formação do magistério  para o ensino fundamental.  Os alunos não recebem nesses cursos a formação necessária para lecionar essas matérias pedagógicas  e quase sempre  saem da universidade  sem conhecer a realidade  do ensino em que vão atuar. As crianças oriundas dos meios desfavorecidos e que representam a maioria dos alunos,  não são objetos de estudo,  por exemplo, nos cursos  de  Psicologia.  Para Werebe (1994, 1994, p.200; grifos do autor):

A Psicologia "oficial" ensinada nas habilitações para o magistério e mesmo nas escolas superiores é principalmente  baseada  em estudos estrangeiros  ou, na melhor das hipóteses  em pesquisas feitas com populações de crianças de classes média e alta. E, como dizia um professor comentando o alheamento do ensino  normal à realidade das nossas escolas primárias: "o normalista fica conhecendo o Emílio de Rousseau, mas ignora o Joãozinho, aluno da escola brasileira". 

    Corroborando com o mesmo pensamento, Gatti (1996, p. 59),  assinala que:

A função docente vem passado por diversas transformações  resultantes de mudanças nas concepções de escola e de construção do saber que vem ocorrendo na sociedade e que trazem como consequências, a necessidade  de repensar a prática escolar cotidiana.  Além disso, as novas relações sociais e de trabalho criadas no mundo contemporâneo, com suas novas tecnologias, vem introduzindo um novo contexto em que a informação  e a comunicação ocupam papéis centrais.

    Olhando por este prisma, o aprimoramento do processo de formação do professor requer muita ousadia e criatividade para que se construam novos e mais promissores modelos educacionais necessários à urgente  e fundamental tarefa de melhoria da qualidade de ensino no país.

    A LDB, em seu artigo 62, estabelece como regra que a formação docente para a educação fundamental e para a educação infantil, far-se-á em nível superior. A percepção é de que se faz necessário à elevação docente para esses níveis de escolaridade, reivindicação de longa data em nosso país e já consolidada em grande parte nos países em desenvolvimento, ficando assim contemplada.

    Por outro lado, as disposições transitórias da referida lei (Título IX, art. 87, parágrafo 4º) determinam que, até o final da Década da Educação, ou seja, 2007, somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço.

A formação continuada é considerada um direito do profissional em educação e um dever do sistema de ensino.

    Como dispõe a Lei 9393/96, em seu artigo 67, os sistemas de ensino deverão assegurar aos profissionais em exercício, aperfeiçoamento continuado, tendo em vista a valorização dos profissionais da educação. Também em seu artigo 61, inciso 1, a respectiva Lei, trata da questão da educação continuada, definindo que a formação de professores terá como fundamento "a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço".

    Estas disposições apontam para a necessidade de se deixar de lado formas de capacitação caracterizadas pela descontinuidade  e fragmentação,  muitas vezes fundadas em modelos teóricos que não reconhecem os conhecimentos  produzidos pelos professores em sua profissão, acentuando o distanciamento entre o conhecimento teórico e a prática dos professores nas escolas. (In. Revista de Educação, Maio, 1999, n. 10, p. 66)
 2.4 Contribuições Walloniana na formação do pensamento infantil

    Uma educação humanista, segundo Wallon, deve considerar todas as disposições que constituem o homem completo, mesmo estando desigualmente repartidas entre os indivíduos, pois qualquer indivíduo potencialmente pode se desenvolver em qualquer direção, a depender de seu aparato biológico e das condições em que vive.

    Segundo Wallon, como uma aptidão só se manifesta se encontrar ocasião favorável e objetos que lhes respondam. Muitas aptidões novas poderiam manifestar-se no encontro das necessidades psicológicas das crianças e as necessidades crescentes da sociedade.

    Assim, o acesso à cultura é função primordial da educação formal, pois ela é a expressão do florescimento das criações e das aptidões do homem genérico, universal, sejam manuais, corporais, estéticas, intelectuais ou morais.  A escola é parte das  condições de existência na qual a pessoa se desenvolve e constitui, devendo intervir neste processo de maneira a promover o desenvolvimento de tantas aptidões quantas  for possível.

    Visando uma educação preocupada com a formação geral sólida, para a autonomia, a cidadania e a orientação profissional, fundamentadas pelos princípios de justiça, igualdade e respeito à diversidade, o projeto sistematizou e sugeriu etapas consecutivas que priorizassem aspectos e necessidades específicas de cada faixa etária, respeitando o desenvolvimento afetivo, cognitivo de socialização e maturação biológica de cada indivíduo.

    Os programas educacionais deveriam ser reformados de maneira que toda aptidão pudesse ser orientada, cultivada segundo sua natureza, de forma que o ensino recebido fosse uma preparação suficiente para o exercício de qualquer função que poderia oferecer-se mais tarde.

    A teoria de desenvolvimento de Wallon é pouco divulgada nos meios educacionais. Por acreditar que ela possa contribuir para a psicologia da educação. Assim, a ênfase é para a integração entre organismo e meio e entre as dimensões: cognitiva, afetiva, e motora na constituição da pessoa. A pessoa é vista como o conjunto funcional resultante da integração de suas dimensões, cujo desenvolvimento se dá na integração de seu aparato orgânico com o meio, predominantemente o social.

    O desenvolvimento das funções psicológicas superiores se dá, portanto, a partir do desenvolvimento das dimensões motora e afetiva. É a comunicação emocional que dá acesso ao mundo adulto, ao universo das representações coletivas. A inteligência surge depois da afetividade, e a partir das condições de desenvolvimento motor, alterna-se e se confronta.

    O aspecto cognitivo é visto como parte da pessoa integralmente que só pode ser compreendido integrado a ela, cujo desenvolvimento se dá a partir das condições orgânicas da espécie, e é resultante da integração entre seu organismo e o meio, predominantemente o social. Assim, o desenvolvimento é condicionado tanto pela maturação orgânica, como pelo  exercício funcional, propiciado pelo meio. Segundo Wallon  (1979, p.131):

O que permite à inteligência essa transferência do plano motor para o plano especulativo não é evidentemente explicável no desenvolvimento do indivíduo  mas nele pode ser identificada [a transferência] são as aptidões da espécie que estão em jogo, em especial as que fazem do homem um ser essencialmente social.

    A evolução da espécie humana fez do homem um ser geneticamente social, desenvolvendo nele aptidões específicas. A função simbólica é a aptidão específica da espécie humana que se refere ao poder de encontrar, para um objeto, a sua representação e, para esta representação, um signo. O desenvolvimento deste potencial pela espécie tem na sua base a vida em sociedade que pressupõe objetivos comuns e necessidade de comunicação. Assim, o desenvolvimento da inteligência se processa em um organismo a priori capaz disso, depende tanto de seu encontro com o meio social.

    Por sua vez, o desenvolvimento não se dá de maneira linear e contínua, mas por integração de novas funções e aquisições às anteriores. A acumulação quantitativa de funções culmina na evolução qualitativa das mesmas a partir de uma nova organização em que as dimensões motora, afetiva e cognitiva se integram de maneira diversa da fase anterior, alternando-se no exercício de predominância de uma sobre as demais. A preponderância de um dos aspectos sobre os demais é decorrente da sua integração, que é plástica, dinâmica e resultante da superação da oposição de um em relação aos outros.

    Uma visão de conjunto, em que as dimensões da pessoa se integram de forma dinâmica, alternando-se em relação à predominância de uma frente às demais é necessária para a compreensão da concepção de desenvolvimento walloniano. A integração não é um estado alcançado ao final de um processo, mas define a condição plástica, o equilíbrio dinâmico da pessoa em desenvolvimento.

    No entanto, Wallon (1979) admite a existência de três leis que regulam o processo de desenvolvimento da criança em direção ao adulto: a lei da alternância funcional, a da preponderância funcional e a da integração funcional. A primeira, chamada lei da alternância funcional, indica duas direções opostas que se alternam ao longo do desenvolvimento: uma centrípeta, voltada para a construção do eu e a outra centrífuga, voltada para a elaboração da realidade externa e do universo que a rodeia.

    Essas duas direções se manifestam alternadamente, constituindo o ciclo da atividade funcional. A segunda é a lei da sucessão da preponderância funcional, na qual as três dimensões ou subconjuntos preponderam, alternadamente, ao longo do desenvolvimento do homem: motora, afetiva e cognitiva. A função motora predomina nos primeiros meses de vida da criança, enquanto as funções afetivas e cognitivas se alternam ao longo de todo o desenvolvimento, ora visando a formação do eu (predominância afetiva), ora visando o conhecimento do mundo exterior (predominância cognitiva). A última lei, chamada de lei da diferenciação e integração funcional, diz respeito às novas possibilidades que não se suprimem ou se sobrepõem às conquistas dos estágios anteriores, mas, pelo contrário, integram-se a elas no estágio subsequente.

    A integração dos três subconjuntos funcionais; motor, afetivo e cognitivo, constitui o último e quarto subconjunto funcional, denominado por Wallon como "pessoa". Para Wallon, em qualquer momento, ou fase do desenvolvimento, a pessoa é sempre uma pessoa completa.

    Outra tendência apontada por Wallon manifesta no desenvolvimento da pessoa completa é a de caminhar do sincretismo em direção à diferenciação. Movimentos, sentimentos e ideias são a princípio vividos de uma maneira global, até mesmo confusa, quando a pessoa não tem clareza da situação. Aos poucos, tornam-se mais claros e adequados às necessidades que a situação apresenta. Sobre esta questão, nos diz Mahoney (2000): "Desenvolver-se é ser capaz de responder com reações cada vez mais específicas a situações cada vez mais variadas". (MAHONEY, 2000, p.14)

    Para Wallon (1979, p. 143), a emoção é a exteriorização da afetividade, um fato fisiológico nos seus componentes humorais e motores e, ao mesmo tempo, um comportamento social na sua função de adaptação do ser humano ao seu meio:

As emoções, são a exteriorização da afetividade. Nelas que assentam os exercícios gregários, que são uma forma primitiva de comunhão e de comunidade. As relações que elas tornam possíveis afinam os seus meios de expressão, e fazem deles instrumentos de sociabilidade cada vez mais especializados.

    Antes da linguagem, a emoção, é o meio utilizado pelo recém?nascido para estabelecer uma relação com o mundo humano. Gradativamente, os movimentos de expressão, primeiramente fisiológica, evoluem até se tornarem comportamentos afetivos mais complexos, nos quais a emoção, aos poucos, cede terreno aos sentimentos e depois às atividades intelectuais.

    A afetividade evolui conforme as condições maturacionais de cada pessoa e com formas de expressões diferenciadas, que se configuram como um conjunto de significados que o indivíduo adquire nas relações com o meio, com a cultura, ao longo da vida.

    Os significados representam para cada pessoa as diferentes situações e experiências vivenciadas num determinado momento e ambiente social. Por este motivo afetividade não permanece imutável ao longo da trajetória da pessoa.

    A afetividade corresponde à energia que mobiliza o ser em direção ao ato, enquanto a inteligência corresponde ao poder estruturante que o modela a partir dos esquemas disponíveis naquele momento.

    Para Wallon, a emoção precede nitidamente o aparecimento das condutas do tipo cognitivo e é um processo corporal que, quando intenso, pode impulsionar a consciência a se voltar para as alterações proprioceptivas, prejudicando a percepção do exterior. Em virtude de seu poder de sobrepor-se à preponderância da razão, é necessário, manter-se uma "baixa temperatura emocional" para que possa trabalhar as funções cognitivas. Assim, a emoção é capaz de preponderar sobre a razão sempre que à última faltem recursos para controlar a primeira. O desenvolvimento deve conduzir à predominância da razão, pois, para Wallon, "a razão é o destino final do homem".

    A integração entre as dimensões motora, afetiva e cognitiva, conceito central da teoria de Wallon, é claramente descrito por Mahoney (2000, p.15):

O motor, o afetivo, o cognitivo, a pessoa, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa. 2.5 O papel do meio na constituição da pessoa

    O conceito de meio é fundamental na teoria walloniana. Nela, como já foi acima referido, a pessoa constitui-se na integração de seu organismo com o meio, estando o social sobreposto ao natural. As atitudes pessoais são consideradas complementares às do meio, tanto quanto determinadas pelas suas disposições individuais e pelo papel e lugar que ocupa no grupo social. Portanto, a pessoa deve ser vista integrada ao meio do qual é parte constitutiva e no qual, ao mesmo tempo, constitui-se. A este respeito nos diz Wallon (1975, p. 20):

Sem dúvida que o papel e o lugar que aí ocupa [a criança] são em parte determinados pelas suas próprias disposições, mas a existência do grupo e as suas exigências não se impõem menos à sua conduta. Na natureza do grupo, se os elementos mudam, as suas reações mudam também.

    A constituição da pessoa se dá de acordo com suas condições de existência. O meio social e a cultura constituem as condições, as possibilidades e os limites de desenvolvimento para o organismo.

    Durante o desenvolvimento, a simbiose respiratória do feto se transforma em simbiose alimentar no recém-nascido e, por volta dos três meses, em simbiose afetiva, característica específica da espécie humana. A esta fase Wallon chama de Estágio Emocional.

    A criança aos poucos aprende a contagiar o adulto com sorrisos e sinais de contentamento, o que caracteriza laços de caráter afetivo com aqueles que estão à sua volta, e demonstra necessidade de manifestações afetivas, necessidade que precisa ser satisfeita para que tenha um desenvolvimento satisfatório.

    Vivenciar a necessidade de se perceber como indivíduo, e, ao mesmo tempo, de medir sua força em relação ao grupo social a que pertence, faz desta fase um período crítico do processo de socialização, pois segundo Wallon (1975): "Há tomada de consciência pelo indivíduo do grupo de que faz parte, há tomada de consciência pelo grupo da importância que pode ter em relação aos indivíduos".  (WALLON, 1975, p. 215)

    O meio social e cultural passam a ser de grande importância. Os adolescentes tornam-se intolerantes em relação às regras e ao controle exercidos pelos pais,  e necessitam identificar-se com seu grupo de amigos.

    Para Wallon o processo de socialização da pessoa não se dá apenas no seu contato com o outro nas diversas etapas do desenvolvimento e da vida adulta, mas também no contato com a produção do outro. O encontro com o texto, com a pintura ou com a música produzida pelo outro, propiciando a identificação como homem genérico e, ao mesmo tempo, a diferenciação como homem concreto, o que contribui ao processo de individuação e constituição do eu. É por isso que, segundo Wallon, a cultura geral aproxima os homens, à medida que permite a identificação de uns com outros, enquanto a cultura específica e o conhecimento técnico afastam-nos, ao individualizá-los e diferenciá-los.

    A cultura é, para Wallon, ao mesmo tempo, fator constituinte da pessoa e representante das aptidões totais do homem genérico, à medida que é constituída pela totalidade dos homens de determinada época e lugar.
 3 RESULTADOS

3.1 ESTRATÉGIAS E FORMAS DE APRENDIZAGEM

    Ao propor uma estratégia e forma de aprendizagem com a finalidade de expor teoricamente elementos que buscam valorizar e orientar um estudo aprofundado sobre a teoria construtivista no âmbito escolar, situa-se  epistemologicamente a temática no contexto da escola atual, da pedagogia seletiva e tradicional e do professor do ensino,  partindo de uma perspectiva Piagetiana, e buscando por uma pedagogia diferenciada. 

    Desde uma posição sócio-cultural e pedagógica, apresentam-se duas dimensões pelas quais procede a escola: a seletiva e a inclusiva, sendo a primeira entendida como aquela que procede por semelhanças excluindo as diferenças, e a outra, como a que procede pela diferença para incluí-la no processo de aprendizagem.

    A partir de uma perspectiva de formação da prática docente, procura-se incentivar os professores a assumirem a autoria das experiências deles. A tomada de consciência das ações permitiria a renovação dos compromissos e as responsabilidades como professores. 

    Lino Macedo (2005) enfatiza alguns eixos fundamentais sobre os quais seria necessário refletir e se basear no momento de elaborar um projeto curricular: 1. Crítica à escola fundamental; 2. A possibilidade de construir uma escola inclusiva; 3. Os desafios para a prática docente; 4. Como devem aprender os professores e quais as competências requeridas para contribuir com essa formação; 5. Que elementos novos devem ser destacados no planejamento escolar; 6. A perspectiva construtivista para superar problemas de aprendizagem; 7. Formas de avaliação na escola; 8. O cotidiano na sala de aula; 9. A disciplina no processo educacional; e, 10. Aspectos para elaborar um projeto curricular.

    A crítica à atual escola fundamental construída sobre a cultura das semelhanças e no nível do "devem" ainda impregna o raciocínio e discurso docente, ainda que o debate na sociedade seja por uma escola sustentada na cultura das diferenças.

    É necessário saber como os educadores aprendem ou aprenderam e é, também, fundamental entender que os professores estão interessados nesse conhecimento e em entender como opera a escola tradicional vigente, especialmente, a progressão continuada. Ao considerar  importante o espaço onde eles aprendem, a sala de aula, que o professor deve vivenciar também como aluno, aberto ao desconhecido e com a consciência de que não sabe tudo e que necessita formação pessoal e profissional permanente. Nessa proposta, considera-se o contexto onde o professor aprende, seja a sala de aulas, um projeto institucional de formação continuada, a relação com os colegas, pais, a comunidade escolar, a participação em palestras, cursos, seminários e/ou congressos. 

    As atividades de aprendizagem assumidas pelos professores são interdependentes e envolvem desafios para os quais eles devem estar preparados. Assim a observação e reflexão sobre suas ações, a análise do modo de regular as trocas sociais e culturais com colegas e alunos, as escolhas e o modo de atuação, o contexto no qual aprende seus conhecimentos prévios e pesquisas realizadas por eles e por outros, tudo isso contribui para a sua formação. 

    É na formação que o professor adquire as competências e habilidades para trabalhar na escola. São consideradas três formas de competências: a) com relação a si mesmo, portanto, se realiza em qualquer contexto ou situação. Este tipo de competência favorece a cultura das semelhanças, com quem as possui e a da exclusão com quem não as possui. Representa a competência adquirida e também a perdida. b) com relação a um objeto, desde uma visão construtivista, considerando-se que os objetos representam um recurso que contribui na construção do conhecimento em certo contexto pessoal e sócio-cultural de uso para certa realização. Esse recurso se manifesta em função do uso que o aluno ou professor possa dar quanto ao que ele assimilou do máximo que ele oferece;  c) do sujeito em termos relacionais que se expressa nas mais variadas situações da vida cotidiana e escolar, permitindo articular elementos conhecidos e outros inesperados que só acontecem em contextos interativos como resultado de produções coletivas. 

    Em situações práticas, é fácil confundir competência com habilidade: a competência é uma habilidade de ordem geral, enquanto a habilidade é uma competência de ordem particular, específica. (MACEDO, 2005, p. 71)

    Na perspectiva relacional há a necessidade da habilidade tanto quanto da competência. Segundo o autor, é aquela que, como qualidade geral, coordena, estrutura, e articula a multiplicidade de concorrência, a convergência com a unicidade expressa na competição que, por sua vez, requer que o professor saiba lidar, num determinado espaço de tempo, com diferentes fatores, em diferentes níveis, permitindo mobilizar-se  para a aprendizagem no contexto da pedagogia diferenciada, que acolhe crianças ricas e pobres, com ou sem problemas de aprendizagem, sem segregação. 

    As estratégias utilizadas para o trabalho na escola diferenciada envolvem situações de aprendizagem, situações problema, jogos com oficinas ou com tutorias. A autonomia, o envolvimento e a cooperação entre professores e a comunidade escolar, com as diferenças e singularidades existentes. Sendo assim, é fundamental tomar decisão em contexto de incerteza, concorrência, confronto, conflito, ou oposição, na qual, implica correr riscos, e assumir os medos, seja nas atividades em sala de aula ou a nível institucional. 

    Sob este aspecto, ser competente, é ter criatividade, inventividade, criticidade, mobilidade, e fazer uso de esquemas que permitam organizar o pensamento, as ações e condutas que possibilitem experiências físicas, sociais e lógico-matemáticas. Saber o "como" e o "porquê" do agir do professor que orientem as atividades racionalmente. 

    No quotidiano escolar, acredita-se que o professor deva administrar bem o tempo e espaço escolar, o ritmo, as narrativas, os imprevistos, os obstáculos, selecionar bem os objetivos e tarefas escolares, dosar os conteúdos, construir a convivência,  a avaliação e assim fazer uso da competência relacional. Para isso, desde uma perspectiva construtivista, deve-se preocupar com a articulação das diferenças numa proposta curricular diferenciada para o qual é necessária uma comunicação eficaz e significativa na sala de aula. 

    O fazer em sala de aula envolve antecipação, regulação e observação, procedimentos necessários para o planejamento do semestre e ano letivos. Durante um tempo estipulado, os professores, coordenadores, diretores, secretários de educação e todos os que foram convocados reúnem-se para, a partir da reflexão sobre a cultura da escola, as experiências habituais e a situação social e política da educação fundamental, a fim de construir uma proposta de escola inclusiva.

    Em contrapartida, o "sujeito epistêmico", segundo Piaget (1975), tem problemas a resolver, procedimentos a construir, compreensões a formular. Nos sucessivos estágios de desenvolvimento, a criança vai progredindo, o que não acontece com crianças com problemas de aprendizagem, frustradas na sua expectativa e desejo de aprender. 

    Assim, a psicopedagogia reflete as necessidades interdisciplinares do processo de aprendizagem onde a dialética sujeito e objeto é irredutível, complementar e indissociável. Em uma perspectiva construtivista, Macedo (2005) apresenta duas visões dos problemas de aprendizagem: a primeira vista em uma dimensão interna, de desenvolvimento do sujeito, e a segunda, como alguma questão externa, conhecida ou desejável para os outros. Assim, o psicopedagogo, reconhecendo esses enquadramentos, pode pensar as dificuldades de aprendizagem da criança e adotar os procedimentos de intervenção-pedagógicos ou terapêuticos  mais adequados.

    Para Macedo (2005), o quotidiano de sala de aula exige lidar com as práticas concretas e com outras não muito visíveis que produzem indisciplina, dispersão, desorganização, problemas no planejamento, bem como desperdício de tempo, espaço e dinheiro. Para isso, registros, observações, reflexões, consultas com colegas, queixas etc. são bem-vindas como elementos que podem promover ações favoráveis ao trabalho docente e à aprendizagem na interdependência tempo, espaço, objetos e relações escolares. Todavia, os objetos usados pelo professor e o aluno na sala de aula são fundamentais junto ao desenvolvimento de competências específicas para o seu uso.

    Tornando-se importante neste contexto o relacionamento sujeito e objeto além da relação docente e aluno, a interação entre as crianças e com as tarefas. Por isso, o relacionamento implica envolver-se, responsabilizar-se, cooperar, cuidar e conviver com outros, gerando autonomia no desenvolvimento da criança durante a aprendizagem.

    Nesta proposta de escola inclusiva, considera-se  relevante a disciplina no processo educacional. Após analisar, refletir e enumerar definições sobre a proposta de disciplina na escola, permite-se propor uma (disciplina) com relação ao tempo, ao espaço, aos objetos e aos relacionamentos de modo inter-relacional no processo de conhecimento. Tal função seria de mediadora no processo de conhecimento, estando a serviço dos sentimentos e valores envolvidos e assim possibilitando o encontro subjetivo entre o que se é e o que se pretende ser.

    Portanto, a formação da disciplina na criança envolve a norma, a atitude e o valor na realização de atividades no contexto escolar. 
3.2 Uma reflexão sobre a formação do professor da escola básica

    A profissão docente envolve um processo que se constrói ao longo da trajetória formativa dos sujeitos. Compreende a trajetória pessoal e profissional, bem como pelo exercício continuado da docência,  em um único, ou em variados espaços institucionais, nos quais  a "professoralidade" poderá se desenvolver.

    A problemática da prática docente envolve uma série de questões que vão desde a indagação sobre qual é a função dos professores, passando pela discussão sobre qual a natureza dessa profissão e do processo formativo que a constitui, envolvendo a concepção de professoralidade que tem por pressuposto básico o conhecimento pedagógico compartilhado.

    Nessa perspectiva, é necessário proporcionar aos professores principiantes e em serviço, apoio e recursos dentro das instituições nas quais atuam, além de ajudá-los a aplicar o conhecimento que já possuem ou que podem obter por si mesmos.

    Logo, pensar a formação como uma rede de relações implica compreendê-la dos seguintes pontos: a atenção ao papel da reflexão; as relações entre e a teoria e a prática pedagógica; a análise de situações pedagógicas; a transformação das representações e das práticas; as observações entre professores;  a percepção de como acontece a ação pedagógica, o saber-fazer e o saber-saber; a metacomunicação entre professores e entre professores e alunos; os modos de interação através da rede de relações estabelecida para apropriação dos conhecimentos; a experimentação e  a experiência.

    Ao refletirmos sobre o desenvolvimento profissional, precisamos compreender a tipologia dos saberes que o constituem, compreendendo os saberes teóricos a serem ensinados, para podermos ensinar que são os conceitos, os fatos, os saberes da cultura, o saber-saber.

3.3 A questão dos fundamentos da formação docente

    Há década tem-se discutido qual a formação ideal ou necessária do professor do ensino básico (fundamental e médio), numa demonstração ostensiva de insatisfação generalizada com relação aos modelos formativos vigentes, principalmente nos cursos de licenciatura.
    No entanto, dessa ampla e continuada discussão, não tem emergido propostas que ultrapassem o nível de recomendações abstratas sobre a necessidade de sólida formação dos professores, da integração de teoria e  prática, da interdisciplinaridade.

    Nessas discussões, quase sempre se parte de uma noção vaga e impressionista de 'escola brasileira', caminha-se para a afirmação da necessidade de uma política nacional de formação de professores e, em seguida, desenha-se o perfil profissional desses professores por meio de um arrolamento de competências cognitivas e docentes que deveriam ser desenvolvidas pelos cursos formadores.

    Embora esse traçado das discussões seja um pouco simplificado, capta duas tendências sempre presentes no encaminhamento do tema "formação de professores": o vezo centralizador das normas gerais e a fixação na figura individual do professor.

    Com relação à primeira tendência, talvez seja sensato convir que, em um país com tão grandes diferenças econômicas, sociais e culturais, a única política nacional de formação de professores deva ser uma simples indicação de rumos, tal como a própria LDB já fez.

    Ultrapassar esse limite e tentar estabelecer normas gerais pode conduzir à formulação de um modelo abstrato inviável na ampla variedade da situação nacional.

    Quanto à segunda tendência, o problema é ainda mais grave, porque as discussões e propostas que surgem  têm-se detido na caracterização abstrata de um profissional dotado de determinadas qualidades como sendo um ideal de formação.

    Em linhas gerais, as preocupações sobre a formação docente aproximam-se da concepção de Comênio em Didática Magna (1657), segundo o qual o 'bom professor' seria aquele capaz de dominar a "arte de ensinar tudo a todos". Comênio influenciado pelo pensamento filosófico de Bacon,  tinha uma profunda confiança no poder do método, achando possível que a arte de ensinar fosse codificável em um conjunto de prescrições cuja observância estrita faria de uma pessoa interessada um professor competente, queria, no entanto, implantar no campo da educação a reforma pretendida por Bacon no domínio das ciências.

    Como para Bacon fazer ciência era aplicar um método, Comênio imaginou que ensinar era também a aplicação de um método.

    Contudo, quando Comênio falava em método de ensino era no sentido claro e forte de uma transposição para a educação da concepção baconiana, respaldava-se em uma discutível analogia entre o desenvolvimento do conhecimento individual e o desenvolvimento social da ciência, sobrevivendo até os trabalhos de John Dewey.

    Essa vinculação direta entre método de conhecimento e método de ensino, teve seu significado original substituído por uma pletora de metáforas sobre conhecimento das quais se fazem enigmáticas ilações sobre o ensino.

    No que diz respeito às propostas de formação docente, o estado de coisas estão tão desestruturado que, quando se fala em metodologias e estratégias de ensino, não se consegue discernir entre possíveis relações conceituais entre conhecimento, ensino, valores e hipotéticas relações entre capacidade de aprender e supostas fases de desenvolvimento psicológico.

    Enfim, nem sempre se procura e se consegue distinguir entre o que são exercícios de um jargão na moda daquilo que tem respaldo em investigações teóricas e empíricas.
    A ideia de que ensino eficaz é basicamente a aplicação competente de um saber metodológico, epistemologicamente fundamentado em outros saberes, principalmente de natureza psicológica, é altamente discutível.

    Assim, teorias da aprendizagem, da inteligência e do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança e do adolescente aparecem. Pouco há de seguro, nessas áreas do conhecimento, permitindo fundamentar a formação do professor.

    Além disso, é preciso chamar atenção para o fato de que tentativas de derivar regras práticas de teorias científicas são exercícios do ponto de vista lógico, por desconsideração das complexas questões implicadas no trânsito entre o conhecimento de fatos e possíveis regras que consistiriam em uma aplicação do conhecimento.

    A relação pedagógica preceptorial nunca foi, na verdade, uma relação escolar, isto é, seu contorno social natural não era a escola, mas a casa, o convento, o castelo, etc. Há algumas décadas, no Brasil, principalmente, para a nascente e escassa escola pública pretende-se transplantar um estilo de relacionamento pedagógico que era, no seu aspecto geral, uma espécie de "preceptora do coletivo".

    No entanto, a grande expansão do ensino fundamental deu origem a um tipo de escola que é uma novidade institucional, na qual as relações pedagógicas possíveis conhecimentos não podem ser modeladas a partir apenas de métodos e procedimentos de alguém que ensina e de habilidades, competências e qualidades psicológicas de alguém que aprende.

    A própria relação preceptorial desapareceu como instituição educativa, mas não sem deixar vestígios em uma concepção idealizada da relação pedagógica. Sobretudo, essa contraposição entre a figura do preceptor e a do professor não pode ter uma interpretação simplificada, que consistiria na ideia de que aquele estaria apenas empenhado em relação de ensino individual, enquanto este, numa relação de ensino coletivo.

    Essa passagem de ensino de feição preceptorial para o ensino escolar é muito complexa e não se reduz à questão didática de um ensino individualizado versus um ensino coletivizado. Essa redução seria fruto de uma confusão entre individual e privado e entre coletivo público, obscurecendo o fato essencial de que o preceptor era um agente da família e a escola é um agente social.
   
Conforme Arendt (1972, p.88), a escola é:

A instituição que interpomos entre o domínio privado do lar e o mundo com o fito de fazer que seja possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo. Aqui, o comparecimento não é exigido pela família, e sim pelo Estado, isto é, o mundo público, e assim, em relação à criança, a  escola representa em certo sentido o mundo.

    O preceptor atuava em nome da família, o professor atua na escola em nome de um mundo público. Por isso, não é suficiente contrapor o caráter individual do ensino preceptorial ao caráter coletivo do ensino escolar.

    Em contrapartida, a escola contemporânea é uma novidade social  e cultural. Nesse novo espaço institucional, o desempenho do professor não mais pode ser pensado como uma simples questão de formação teórica de alguém que ensina,  como também o desempenho do aluno não mais pode ser considerado como uma simples questão de motivação e de esforços individuais.

    A escola de hoje é uma ruptura com a escola do passado, sempre inspirada numa visão preceptorial da relação pedagógica. Analogamente, a família contemporânea é uma novidade social e cultural em comparação com a família de algumas décadas atrás. As relações entre pais e filhos, nessa nova situação, não podem tomar como modelo aquelas vigentes no passado.

    Tanto no que diz respeito à escola como no que se relaciona com a família houve mudanças e rupturas institucionais. Ao descrever esse quadro como sendo de crise é uma apreciação valorativa que pode ser um descaminho teórico de análise e de investigações empíricas e, por isso mesmo, conducente a sérios equívocos na fixação de diretrizes de atuação na esfera pública ou privada.

    A emergência de novidades não é necessariamente uma indicação de crises institucionais, mas talvez apenas de mudanças sociais inerentes aos quadros da sociedade atual.

    No caso da escola, haveria crise se o mundo escolar, que tem uma subcultura própria, permanecesse imobilizado em um momento que é caracterizado por fortes mudanças sociais e culturais.

    No entanto, a escola básica de hoje não é um retrocesso com relação à escola de ontem. É outra escola, principalmente por ser altamente expandida, e suas alegadas deficiências precisam ser enfrentadas por um esforço permanente de investigação e busca.
    A questão da formação docente não será convenientemente encaminhada se insistirmos na busca alquímica de panaceias pedagógicas. Não há dúvida de que o professor deve ser um profissional competente, mas não há uma estrada real para conseguir esse desiderato. "Escola brasileira" é uma expressão excessivamente abstrata para ter poder descritivo, consequentemente, uma política nacional de formação docente poderá ser um malogro se ignorar a imensa variedade da situação escolar brasileira.

    As instituições formadoras de docentes têm de ver nessa variedade o ponto de partida para formular suas propostas. Diferentemente de outras situações profissionais, o exercício da profissão de ensinar só é possível no quadro institucional da escola, que deve ser o centro das preocupações teóricas e das atividades práticas em cursos de formação de professores. O professor precisa ser formado para enfrentar os desafios da novidade escolar contemporânea.

    Nessas condições, qualquer proposta de formação docente deve ter um sentido de investigação e de busca de novos caminhos. A premência do problema educacional não justifica o apressamento de soluções, devendo ter sempre o caráter de tentativas.

    O ponto de vista pedagógico não deve, pois, ser uma tentativa de aplicação de conhecimentos auferidos em possíveis descrições e explicações de fatos escolares, mas um esforço de compreensão da escola como um projeto institucional para transformar uma comunidade espiritual fundada em uma visão ética cujos efeitos educativos se prolongam além dos anos de escolaridade.

 3.4  Novo quadro legal da formação docente

    Quando a primeira lei de diretrizes e bases da educação nacional, Lei nº 4.024/61, foi sancionada, Anísio Teixeira publicou um breve artigo, entitulado  Meia vitória, mas vitória, na qual o educador saudava a nova lei que, embora não à altura das circunstâncias, era "resultado de uma luta em que as pequenas mudanças registradas constituem vitórias e não dádivas ou modificações arbitrárias do legislador".

    Trinta e cinco anos depois, foi finalmente sancionada uma nova lei nº 9394/96, que caso não haja uma visão e vigilância, a inovação ensejada pela lei poderá ter como resultado apenas mais uma imposição de papelada. Haja vista, a escassa consequência que teve a introdução na rede pública, no início de 1970, da ideia de planejamento das atividades escolares como preliminar ao ano coletivo.

    Neste caso, na escola pública brasileira sempre houve pouca compreensão do caráter coletivo do trabalho escolar, provavelmente como reflexo da concepção que focaliza esse trabalho como se fosse principalmente uma relação entre professor e aluno. A ideia de que uma boa escola é mais do que a simples reunião de bons professores tem sido de difícil penetração nas práticas escolares.

    Na verdade, tal como sempre ocorreu nos cursos normal e de licenciatura, nem se suspeita que essas práticas possam ser algo mais do que ensino do aluno.



4 CONSIDERAÇÕES FINAIS


    Pode-se concluir que "não há ensino de qualidade nem reforma educativa, nem renovação pedagógica, sem uma adequada formação de professores".
   
É por esta razão que defendemos que este é o grande desafio da modernidade: investir na formação do professor para que possamos alcançar outro patamar educacional.

    Sabe-se que esta formação vem se dando em vários níveis e, segundo estabelece a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Lei nº 9394/96), que dedica a formação do profissional da educação. Esta exigência vem se preocupando os sistemas de ensino, pois, se reconhece a necessidade de uma melhor formação, porém, por outro lado, ainda há determinadas regiões do país onde esta exigência não poderá ser atendida.

    Atualmente, as instituições formadoras encontram-se em crise: precisam se adaptar às mudanças e às exigências legais e da própria sociedade para fazer jus à própria modernidade. A crise em que deparamos nos faz perceber que vivemos um momento de incerteza cujos postulados são a velocidade, a angústia, a temporalidade, a espacialidade, a comunicação, o movimento e a subjetividade. No entanto, este professor deverá ser capaz de se adaptar às mudanças de trabalhar com a criatividade, originalidade, novas tecnologias, valores humanos, com a incerteza, e reflexão.

    Portanto o professor que precisamos é alguém que faça uso da reflexão como uma forma de ação. Não uma reflexão pura e simples, mas a reflexão sobre a ação em uma visão investigativa, de busca de uma ampliação do saber e do conhecimento, construindo de fato este conhecimento.

    Todas estas questões nos conduzem a pensar neste desafio que nos é imposto. Levantamos algumas considerações que esperamos venham a contribuir para este repensar da formação do educador.

    Defende-se a ideia de que a formação de professores precisa ser repensada na sua gênese levando em conta a construção do habitus do professor, ou seja, considerando que a formação se dá através da interação entre experiência, tomada de consciência, discussão e envolvimento em novas situações de ensino-aprendizagem que começam a aflorar.

    Atualmente, os professores são acusados de quase tudo, pelo fracasso da educação, da falência do sistema educacional, da não aprendizagem dos seus alunos, entre outros. Anos atrás, os professores eram exigidos apenas no tocante ao seu compromisso com a sala de aula, com o domínio do conteúdo a ser trabalhado, através do resultado da sua turma.

     No momento, as funções docentes passam por uma série de exigências para a qual o professor nem sempre está preparado e, ao invés de se lhe oferecer condições de atualização, resolve-se condená-lo pelo insucesso.

    Essas situações tem gerado o que Esteve (apud Nóvoa, 1991), chama de "mal-estar docente". Isto é, os professores enfrentam sua profissão com uma atitude de desilusão e de renúncia, que se tem desenvolvido na medida em que se vem degradando sua imagem social.

    Cabe salientar, portanto, dentre os fatores de mudança apresentados, encontram-se o aumento das exigências em relação ao professor, pois, exige-se hoje que, além de saber a matéria que leciona, o professor seja facilitador da aprendizagem, pedagogo eficaz, organizador do trabalho de grupo, e que, para além do ensino, cuide do equilíbrio psicológico e afetivo dos alunos, da integração social e da educação sexual.

    Entretanto, apesar de se exigir que cumpram todas estas novas funções, não houve mudanças significativas na formação dos professores. Como resultado, produziu-se um aumento da confusão no que diz respeito às competências de que o professor necessita para exercer a complexa função que se lhe atribui.

    A crise pela qual passa nossa escola pública e nossa universidade tem estimulado a reflexão sobre o preparo e a prática do professor. O ensino universitário atual encontra-se em descompasso com os pressupostos básicos para o ensino que atendam às exigências. A questão da informação, a produção do saber, a construção do conhecimento caracterizam um novo paradigma e as reflexões sobre essa problemática tornam-se urgentes e relevantes.

    Defende-se, portanto, que a formação do professor passe necessariamente, pela escola; lugar onde se trabalha e, pela licenciatura; lugar onde se forma. No entanto, não acreditamos ser possível distinguir o lugar da prática e o lugar da teoria com dois loci estanques, desarticulados, mas entende-se o lugar da formação como o espaço onde a ação pedagógica é refletida criticamente.

    Esse modelo atual de formação docente em que o aluno (futuro professor) depara nos primeiros anos de formação com uma situação totalmente distanciada da realidade vivida na sala de aula concreta, e apenas adquire conhecimentos teóricos que serão posteriormente, trabalhados no período do estágio ou prática de ensino, não pode mais ser considerado como o ideal.

    Sugere-se então que a formação do professor passe a considerar o exercício da atividade docente como profissional, de forma escalonada, através de princípios que norteiem a formação exigindo, assim uma mudança de concepção dos formadores de professores e invertendo o processo de formação por meio da observação, acompanhamento e docência numa forma integrada, tendo o estágio como eixo central para reformular a formação inicial.

    Nota-se, no entanto, que no movimento de formação de professores, dialeticamente, práticas fluem e refluem e as ideias persistem, transformam-se e retornam à práxis, agregando elementos novos, ou negando velhos.

     Portanto, cabe afirmar que esse profissional docente deve ser formado para ter domínio das relações que se estabelecem no trabalho pedagógico, constituindo o núcleo central de sua formação.

Certamente, a tarefa de educar demanda posturas e conhecimentos diferenciados da parte do professor, pois ele desempenha o papel de mediador do processo escolar de aquisição da cultura pelo aluno, e, portanto, de cultivador de aptidões.  Desta forma, apresenta-se a nós uma tarefa complexa, que requer habilidades e conhecimentos específicos, autoconhecimento e conhecimento do universo social do professor e do aluno, para aí então tomar decisões comprometidas com a constituição da pessoa do aluno.

O conhecimento do desenvolvimento do aluno, das necessidades específicas de cada etapa, deve pautar a prática pedagógica, que é uma intervenção nesse processo em determinada direção, a ser feita de maneira consciente e responsável, em consonância com valores morais e sociais, objetivos e metas educacionais.

A definição dos objetivos em termos de capacidades  e não de comportamentos, visa ampliar a possibilidade de concretização das intenções educativas, uma vez que as capacidades se expressam por meio de diversos comportamentos e as aprendizagens que convergem para ela podem ser de naturezas diversas.

Ao estabelecer objetivos nesses termos, o professor amplia suas possibilidades de atendimento à diversidade apresentada pelas crianças, podendo considerar diferentes habilidades, interesses e maneiras de aprender no desenvolvimento de cada capacidade. Respeito à diversidade dos alunos é parte integrante da nossa proposta, para que seja incorporada pelas crianças, a atitude de aceitação do outro em suas diferenças e particularidades precisa estar presente nos atos e atitudes dos adultos com os quais convivem na instituição.

Começando pelas diferenças de temperamento, de habilidades e de conhecimentos, até as diferenças de gênero, de etnia e de credo, o respeito a essa diversidade deve permear as relações cotidianas. É tarefa primordial da escola a difusão de conteúdos. Não conteúdos abstratos, mas vivos e concretos, portanto, indissociáveis da realidade social.

REFERÊNCIAS


ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1972.
AZANHA, José Mário Pires. A formação do professor e outros escritos. São Paulo: Editora Senac, 2006.

BECKER, Fernando. O que é construtivismo? In. Revista de Educação AEC, Brasília, v. 21, n. 83, p. 7-15, abr./jun. 1992. Disponível em:  < http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf>. Acesso, 12 de Novembro, 2012.

COLL, César. O construtivismo  na  sala  de  aula. São Paulo: Editora Ática, 1996. Disponível em: . Acesso, 12 de Novembro, 2012.

KULLOK. Maisa G. Brandão. As exigências da formação do professor na atualidade. UFAL, 2000.

MACEDO, Lino de. Ensaios pedagógicos: Como construir uma escola para todos? Porto Alegre: Artmed, 2005.

Disponível em: . Acesso, 14 de Novembro, 2012.
PIAGET, Jean.  A linguagem e o pensamento da criança.  6. ed. São Paulo: Martins Fontes Editora, 1993.
_________.Aprendizagem e conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1975. In. O nascimento da inteligência na criança. São Paulo: Zahar.

__________.A formação do símbolo na criança: imitação, jogo, sonho-imagem e representação. Trad. Álvaro Cabral; Christiano Monteiro. 3.ed. 1964.

WALLON, Henri. Do ato ao pensamento. Lisboa: Moraes, 1979.
__________.Psicologia e Educação da Infância. Lisboa: Estampa, 1975.
 

Construindo as Competências na Escola



Autor: Eudimar Chaves de Souza
Data: 18/06/2014

RESUMO

A grande tarefa enquanto instituição de ensino nas escolas públicas, não é a de instruir, mas a de educar o nosso aluno como pessoa humana, como pessoa que vai trabalhar no mundo tecnológico e afins, mas povoado de sentimentos, dores, incertezas e inquietações humanas. A escola não se pode limitar a educar pelo conhecimento, destituído da compreensão do homem real, de carne e osso, de corpo e alma. De nada adianta o conhecimento bem ministrado em sala de aula, se fora da escola o aluno se torna um homem brutalizado, desumano e patrocinador da barbárie. O propósito deste trabalho é mostrar algumas considerações importantes na questão: Organização e planejamento nas instituições escolares, que venham favorecer e contribuir para o desenvolvimento intelectual, cognitivo e efetivo de seus alunos anos iniciais de 1° ao 5° ano do ensino fundamental, propondo estratégica pedagógica para o bom funcionamento de suas ações e, esclarecer do ponto de vista metodológico suas ações e, de como proceder nos processos de ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: Ensino fundamental dos anos iniciais. Organização e planejamento da ação pedagógica na rede pública Municipal de Manaus.


1-INTRODUÇÃO


A organização do trabalho científico deste (Artigo) está embasada nos princípios que norteiam a escola democrática, pública e gratuita. Estes princípios são:

1.1-IGUALDADE PARA TODOS;
1.2-QUALIDADE DO ENSINO;
1.3-GESTÃO DEMOCRÁTICA: Tanto para o gestor como também para o corpo docente.
1.4-LIBERDADE, de expressão e de acesso à escola, e da valorização do ensino fundamental, baseados na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. (Constituição Federal 1988 apud LDB, Lei nº 9394, 1996).

Que tem como propósito uma educação de qualidade, voltada para nossas crianças, e ao mesmo tempo ter o cuidado na aplicação das práticas pedagógicas de nossos professores.

Em todo momento temos observado que o planeta terra está em fase de transformação e, que está mudando constantemente em todas as áreas do conhecimento humano, na paisagem e no meio da sociedade.

A educação brasileira não pode ficar de fora dessa mudança, mesmo por quer, ela não pode perder sua finalidade maior que é a integração do indivíduo no ambiente escolar, dentro do contexto social. De acordo com Feltrin:

Cabe a escola ter sensibilidade aguçada para lidar com os casos de alunos que apresentem problemas, os "diferentes". Se o castigo e a exclusão fossem a saída, teríamos as penitenciárias e as "Febens" como instituições modelos de educação. È no convívio que se lida com as diferenças. Castigo, suspensões e expulsão são o ultimo recurso, se entendermos que o aluno deve sentir-se bem na escola e permanecer nela (FELTRIN, Antonio Efro, 2007, p. 133, grifo nosso).

Faz-se necessária a contribuição de todos os atores no ambiente da educação, para que haja uma total contribuição na formação integral do estudante, sendo assim, criando condições para o seu pleno desenvolvimento cognitivo, social e democrático no ambiente escola.
2-PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO (PPP)

É e será construído com a certeza de que educamos pela vida como perspectiva de favorecer a felicidade e a paz entre os homens. Educar a criança da infância à adolescência para que se torne sujeito de sua própria história e, não apenas objeto na sociedade capitalista/consumista é um dos desafios que a equipe de trabalho assume que em seu propósito, reconhece que sem a participação da família, o resultado positivo é quase impossível. Hoje em dia há a necessidade de a escola estar em perfeita sintonia com a família.

A escola é uma instituição que complementa a família e, juntas tornam-se lugares agradáveis para a convivência de nossos alunos. A escola não deveria viver sem a família e nem a família deveria viver sem a escola

Fazer com quer a direção da instituição escolar, juntamente com o corpo docente, venham proporcionar a melhor elaboração, planejamento e desenvolvimento dos procedimentos pedagógicos, bem como na organização dos mesmos. De acordo com Feltrin:

O conhecimento do aluno: essencial para que a escola tenha a possibilidade de estabelecer estratégias que visem aumentar a possibilidade de sucesso e não rotular e segregar. O professor é sempre a pedra fundamental nesse conhecimento, porque ele, melhor que ninguém, pode observar e avaliar (FELTRIN, Antonio Efro, 2007, p. 91).

O que se pretende na realidade é, que os alunos e professores e a própria comunidade, tenham melhor desempenho no processo educativo no ambiente escolar.

Se a escola conseguir seguir, os padrões pré-estabelecido pela LDB que é garantir aos alunos, o espaço necessário para o seu pleno desenvolvimento intelectual e afetivo dentro da realidade escolar.

Quanto menos a escola se organizar, mais distante fica da comunidade e da sociedade em geral, que é proporcionar uma educação de qualidade.

Desta forma fica bem claro e evidente que a escola tende oportunizar aos alunos, condições necessárias para a sua formação intelectual, cognitiva e afetiva como um ser pensante, preparando para atuar no mundo do trabalho e na sociedade, através da aprendizagem na escola, segundo Feltrin:

Além de outros aspectos, definições e considerações sobre a educação propriamente dita podem atentar para um sentido mais restrito, escolar, e dizer que a educação ser entendida como um processo de aprendizagem e de mudança, um processo pelo qual o aluno deve passar por meio do ensino e de quaisquer outras experiências a que ele fique exposto nos ambientes onde interage (FELTRIN, Antonio Afro, 2007, p. 90).

Sendo assim, fica o desafio com relação a nós professores que todos têm um forte compromisso com a formação continuada, tanto para professores, especialistas e doutores da rede pública e, das instituições privadas que atuam no ensino fundamental dos anos iniciais.

3-RELATO DAS OBSERVAÇÕES E CARACTERIZAÇÕES DA PRÁTICA GESTORA

O currículo escolar está constituído numa perspectiva de mundo, alicerçada em ideais de formação dos alunos para o conhecimento interdisciplinar e transversal de eixos propostos pelas instituições de ensino que regulamentam a educação, dos avanços da ciência e tecnologia, dos conhecimentos básicos de cada área de ensino e da atenção aos problemas emergentes tais como: A violência, política internacional, desestrutura familiar.

Com isso pretende ser um instrumento de emancipação social e como um desenho das práticas educativas escolares, onde se priorizam eixos, conteúdos e temas em detrimento da necessidade dos discentes, dos docentes e da comunidade. Constitui-se ainda como instrumento conflitante para debates sobre as mudanças no âmbito pedagógico escolar.

A gestão pedagógica também contempla como parte diversificada os seguintes temas, social contemporânea como é mostrado nos itens a seguir.


4-GESTÃO PEDAGÓGICA

5.1-SAÚDE E ORINTAÇÃO SEXUAL;
5.2.-MEIO AMBIENTE;
5.3-PLURALIDADE CULTURAL;
5.4-ORIENTAÇÃO PARA O TRÂNSITO
5.5-ÉTICA;
5.6-ORIENTAÇÃO PARA O TRABALHO E CONSUMO;
5.7-VALORIZAÇÃO DO IDOSO;
5.8-EDUCAÇÃO FÍSICA;
5.9-VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL;
5.10-COMBATE AO USO DE ENTORPECENTES/DROGAS;
5.11-FAUNA E FLORA AMAZÔNICA
5.12-NOVAS TECNOLOGIAS: As estratégias diferenciadas norteiam professor a ser o mediador no processo ensino-aprendizagem, respeitando as especificidades dos alunos.

Pretende com esta ação educativa, proporcionar aos seus alunos, o preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado do trabalho, através de projetos educativos.

É evidente que todos esses mecanismos da aprendizagem e o desenvolvimento da criança no ambiente escolar, dizem respeito também ao professor em suas práticas pedagógicas.

Afinal de contas, educar não é só ensinar é ter amor pelo que faz, onde se pretende formar um ser humano com capacidade de conviver e compreender as diversidades presentes no ambiente educacional, na comunidade e no mundo.

De acordo com o Ministério da Educação, através da Lei de Diretrizes Básica de Educação Nacional (LDB, 1996). Exigem que a Educação estejam presentes na vida das crianças, conforme cita o artigo:

TÍTULO I
Da Educação.
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

TÍTULO II
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Lei de Diretrizes e Base. Lei n° 9.394, 1996).
Desse modo Perrenoud afirma: Que, o profissional tem que estar preparado constantemente para poder agir eficazmente em determinado tipo de situação, para poder atender melhor a população em modo geral:

São múltiplos os significados da noção de competência. Eu a definirei aqui como sendo uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. Para enfrentar uma situação da melhor maneira possível, deve-se, via de regra, pôr em ação e em sinergia vários recursos cognitivos complementares, entre os quais estão os conhecimentos. (PERRENOUD, P, 1999, p. 4).

5-PLANEJAMENTO - GESTÃO EDUCACIONAL

O ato de planejar faz parte da história do ser humano, pois o desejo de transformar sonhos em realidade é uma preocupação de todas as pessoas.
Em nosso dia a dia, sempre estamos enfrentando situações que necessitam do planejamento, mas nem sempre as nossas atividades diárias são delineadas em etapas concretas de ação, uma vez que já pertencem ao contexto da nossa rotina. Entretanto, para a realização de atividades que não estão inseridas em nosso cotidiano, usamos os processos racionais para alcançar o que desejamos.       
               
Planejar, em sentido amplo, é um processo que visa a dar respostas a um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação, de modo a atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro, mas considerando as condições do presente, as experiências do passado, os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico, cultural, econômico e político de quem planeja e com quem se planeja.

O planejamento como uma ação fundamental para o funcionamento da escola remete-nos a um processo de reflexão, tomada de decisão, previsão de necessidades e recursos disponíveis, para concretização de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, e pelo seu caráter flexível em que estará sujeito à avaliação.

Qual a importância do ato de planejar?
Para evitar a improvisação, prever o futuro, estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa, prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. Planejar e avaliar anda de mãos dadas.

Ao pensarmos em planejamento na área da educação há de se considerar os diferentes níveis de concepção, ou seja, do macro ao micro sistema, do amplo ao restrito.
Significa dizer que o planejamento da escola está subordinado ao Sistema Nacional de Educação aos planos.

Quanto ao planejamento curricular, deve-se considerar a realidade escolar, buscando contemplar expectativas dos alunos, dentro de uma perspectiva e realidade também dinâmica.

Planejamento curricular é um processo de tomada de decisão, portanto, essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola, pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos componentes curriculares.

Planejamento de ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo as ações e situações, em constantes interações entre professor e alunos, esse nível de planejamento trata do processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno, na situação de ensino-aprendizagem.

Para O'Connor e Seymour (2000 apud EDWARD. T. Hall): As profissões bem como o relacionamento das pessoas fazem com que elas se tornem mais felizes.

[...] Para cada tipo de profissão e relacionamento, para o tempo, o espaço, o trabalho e o lazer. Existem pessoas bem-sucedidas e felizes, que têm empregos produtivos e gratificantes. Quais são as determinantes, os detalhes e os padrões que diferenciam a vida dessas pessoas daquelas que têm menos sorte? Precisamos encontrar uma maneira de diminuir o lado fortuito da vida e torná-la mais prazerosa. (O'CONNOR, Joseph: SEYMOUR, John, 2000, p. 3).

Com base na ideia do autor acima citado, o planejamento de ensino deve pautar-se prioritariamente na relação ensinante - aprendente, no sentido de que o professor, ao mesmo tempo em que ensina, aprende, havendo uma troca de saberes. E para que isso aconteça é imprescindível que as atividades sejam planejadas no sentido de fortalecer essa relação, o que torna o processo de ensino-aprendizagem eficaz.

Portanto, planejar é um ato que exige do educador direção de atitudes, seleção de conteúdos, definição de objetivos. Que possa envolver o coletivo pedagógico, as áreas de gestão e de coordenação e os professores de diferentes turmas e séries e, finalmente, o que diz respeito a cada sala de aula isoladamente.

Para isso faz-se necessário que o planejamento contemple em sua totalidade as particularidades dos discentes, e os grupos sociais nos quais estão inseridos. Nesse sentido, o coordenador pedagógico é uma figura de extrema importância na elaboração do planejamento, é ele o responsável em organizar a jornada pedagógica e assegurar que ela crie uma estrutura de formação continuada no ambiente escolar e que não seja apenas um evento isolado.
6-METODOLOGIA - PLANEJAMENTO

6.1-PLANEJAMENTO:
6.1.1-Aula expositiva;
6.1.2-Conversa informal (roda de conversa);
6.1.3-Contação de História;
6.1.4-Atividade de Coordenação viso motora;
6.1.5-Dinâmicas;
6.1.6-Desenhos Livres.

6.2-ATIVIDADES ESCRITAS
6.2.1-Arguições (Atividades Orais);
6.2.2-Desenhos Orientados;
6.2.3-Pesquisa;
6.2.4-Rótulos.

7-METODOLOGIA - ENSINO

Para o avanço da leitura e escrita, a escola desenvolve suas atividades por meio de projetos literários e a prática de sala de aula tem sido assunto do momento, pois o conceito de alfabetização se ampliou com a necessidade e surgimento do letramento, palavra nova e abrangente que define alfabetização como o ato de ler, escrever e interpretar.

Alfabetizar - letramento, considerando as características da população do bairro que é de maioria analfabeta e de famílias desestruturadas, faz se necessário praticas diversificada, para atender as peculiaridades e processo inclusivo de educação.

Tomando como ponto de partida esse pressuposto, a escola com o desenvolvimento de projetos ancorados na proposta curricular do município de Manaus fundamenta-se nas teorias sócio interacionistas e pretende nortear suas ações, suas práticas em sala de aula por meio de metodologias que abarquem as necessidades de nossos alunos respondendo aos objetivos exigidos por série.

Nessa condição verifica-se que o método sintético predominante na escola não responde de forma satisfatória aos objetivos dos projetos implantados e implementados e não corresponde ao significado mais amplo de letras, visto que os textos trabalhados valorizam os conhecimentos prévios do educando, sua construção enquanto sujeito ativo e reflexivo e direciona seus conhecimentos e estudos do todo para as partes.

Para essa ação dentro das expectativas e resultados esperados dos discentes, os contos, fábulas e textos diversos preconizam para a alfabetização o método analítico que prioriza e considera a atuação do aluno no processo histórico, significativo e transformador dentro de uma pedagogia interativa e dialógica numa perspectiva de mudança.                                      

Para os alunos de 1º ao 5º ano, temos considerado importante a interação professor aluno para avanços nos resultados, uma vez que, essa reciprocidade tem reforçado a dinamização das aulas e, os interesses dos discentes pelo conteúdo quando compreende protagonista na construção do conhecimento.

8-INCLUSÃO DIGITAL

Importante considerar a necessidade da inclusão digital, da alfabetização científica, ensino e pesquisa em museus de ciências e espaços não formais de educação. Evidente que enquanto estabelecimento de ensino público, nossas escolas ainda não desenvolve tais práticas, mas pretende acompanhar e promovê-las de modo planejado e em parceria com outras instituições.

Lei nº. 11.274/06. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32, e 87 da Lei nº. 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade.

Neste sentido as escolas tende a se adequar às normas estabelecidas em lei, promovendo a inclusão social dos seus alunos, para poder chegar a um objetivo comum que é a inclusão digital, promovendo meios e condições favoráveis na integração dos indivíduos, na sua preparação de conhecimento na área de informática.   
                         
9-AVALIAÇÃO

O Conhecimento das necessidades atuais e futuras dos alunos nas escolas públicas Municipal de Manaus é o ponto de partida na busca da excelência do desempenho destas instituições de ensino. Assim, a gestão administrativa e pedagógica das escolas centraliza esforços para atingir as metas e objetivos traçados no Projeto Político Pedagógico da Escola.

Neste sentido, queremos conhecer cada vez mais a instituição, utilizando-nos de instrumentos de avaliação tais como: Questionários, pesquisas de satisfação, entrevistas abertas e fechadas, para saber se a mesma está se organizando adequadamente no sentido de atender às necessidades de desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes. Segundo Balbinot (20006 apud TEIXEIRA, 2000, p. 20, 21): O educador é, guarda e responsável pela educação.

A verdadeira doutrina é a que enxerga na criança o impulso e a tendência e, na experiência organizada da espécie, o termo e o alvo desta tendência. Por meio de experiência já adquirida da humanidade, deve o educador traçar o roteiro do desenvolvimento individual, dirigir o seu curso, corrigir os seus desvios, acelerar a sua marcha, assistir, enfim, em todos os passos, a obra da educação de que é guarda responsável. [...] O educador moderno não acredita que o pensamento e a ação se gerem no vácuo [...] (BALBINOT, Rodinei, 2006, p. 91).

O monitoramento permitirá a equipe escolar, avaliar os resultados do desenvolvimento do projeto, para sabermos se a instituição está prestando um bom serviço ao público a que esta se destina.

Utilizaremos instrumentos de avaliação, do tipo questionários de satisfação a ser aplicado com os servidores com as seguintes perguntas:
Como você se sente no ambiente de trabalho;
Insatisfeito - Satisfeito - Muito Satisfeito.

Para monitorá-los a melhoria do processo ensino aprendizagens, aplicarão o questionário com os critérios de eficácia do plano de desenvolvimento da escola, através dos pais e da comunidade.

A organização da escola requer a valorização das pessoas que nela trabalham e que dela dependem, por isso requer um relacionamento transparente, sadio mutuamente proveitoso reforçando as habilidades de todos, reforçando valores positivos, promovendo desenvolvimento, bem estar e satisfação da equipe escolar.

Assim como Juliana Naves Fenelon (2004 apud TARDIF, 2002, p. 49): Observa-se que, cada profissional de qualquer área de sua atuação, envolvido no atendimento as crianças e adolescentes precisam está bem preparado profissionalmente e emocionalmente para poder atendê-los melhor.

[...] esses saberes não se encontram sistematizados em doutrinas ou teorias. São saberes práticos (e não da prática: eles não se superpõem à prática para melhor conhecê-la, mas se integram a ela e dela são partes constituintes enquanto prática docente) e formam um conjunto de representações a partir das quais os professores interpretam, compreendem e orientam sua profissão e sua prática cotidiana em todas as suas dimensões. (FENELON, 2004, p.14).
Deste modo, o homem é capaz de transformar-se diante de uma práxis social, desde que o meio proporcione condições que possibilite tal transformação.

10-CONSIDERAÇÕES FINAIS

O PPP (Plano Político Pedagógico) e o currículo da escola são visto como o documento importante da instituição escolar e, que para isso, tem que ser bem planejado e organizado através do corpo docente, de modo atingir seus objetivos que é o aprimoramento e aplicações das questões: Administrativa, gestão escolar e coordenação pedagógica. O que se pretende dizer é que tanto o ppp e o currículo institucional são documentos sério, que para isso não tem que ser copia de outra escola, pois se baseia na vida escolar de seus alunos e da comunidade onde estão inseridos. Assim que cada indivíduo são diferentes uns dos outros, assim é o currículo de uma determinada escola, pois não são iguais, tem suas características particulares que venha ser diferente uma da outra.

Fala-se muito sobre o ato de planejar no ambiente escolar, que por sua vez faz parte da história do ser humano, tanto no convívio na comunidade como na sociedade de modo geral planejar requer tomada de decisão, compromisso com o currículo da escola e com o desempenho no desenvolvimento intelectual de seus alunos no ambiente escolar, desta forma planejar não é tão fácil, mas não impossível, requer habilidade, estratégia e desempenho da coordenação pedagógica e do corpo docente, exigem determinação de todas as partes envolvidas, para depois colocar em prática o que se pretende, pois o desejo de transformar sonhos em realidade é, e sempre foi uma preocupação de todas as pessoas envolvidas, na escola e na comunidade.

Hoje em dia o que se fala muito é sobre os cursos de Transversalidade (Transversal), a coordenação pedagógica juntamente com o corpo docente da escola, deveriam sentar e discutir estratégia de como elaborar um plano de curso transversal, visando o aprimoramento de conhecimento ampliado de seus alunos no ambiente escolar. Curso desta natureza facilitaria o desenvolvimento intelectual e cognitivo de seus alunos, proporcionando o entendimento de si mesmo e do mundo. Poderia ministrar cursos como: Saúde sexual, meio ambiente, orientações de transito e outros.

Acredita que o plano de aula de um professor não é igual de outro, pois o mesmo prepara suas aulas baseado através de observações de seus alunos dentro e fora da sala de aula, pois acredita que os mesmos trazem de casa ou da comunidade bagagem adquirida em seu convívio no meio onde vive, e que para isso, o professor tem que ser preparado de conformidade com o grau de intelectualidade de seus alunos, baseados no que eles trazem consigo para o ambiente escolar, observando suas particularidade e dificuldade que possuem, para assim preparar suas aulas. Desta forma o educador se enquadra como profissional moderno, que pretende ensinar aprendendo.

Muitas são as formas de explanar uma aula no ambiente escolar como:
Aula expositiva, que consiste em explorar variados conteúdos, visando maior aproximação de determinadas disciplinas e de diferentes maneiras, tendo uma visão globalizada.

Pesquisa em biblioteca seria outra maneira eficaz de aprimoramento de conhecimento e aproximação das literaturas clássicas de modo geral.

Na questão da inclusão Digital de seus alunos no ambiente escolar, é verificado e ao mesmo tempo notado, que nem todas as escolas na rede escolar municipal possuem estruturas de redes de computadores, quando tem é sucateados e de péssimas condições para seu manuseio, quanto mais computadores para seu uso. Cabe a Prefeitura e a Secretaria de Educação Municipal de Manaus, tomar decisões que venham (re) organizar essa situação que não é muito confortante.

A avaliação da institucional e de seus alunos é algo preocupante da escola, onde procura de maneira democrática, estabelecer critério de aprovação na busca da excelência do ensino escolar, desta forma se preocupam em traçar esforços para atingir objetivos desejados, de forma como o PPP (Plano Político Pedagógico) foi planejado e organizado.

 A organização da escola requer a valorização das pessoas que nela trabalham e que dela dependem, por isso requer um relacionamento transparente, sadio mutuamente proveitoso reforçando as habilidades de todos, reforçando valores positivos, promovendo desenvolvimento, bem estar e satisfação da equipe escolar, educando e comunidade.

Neste sentido a instituição de ensino utiliza-se de instrumento de ação como:
questionários, pesquisas de satisfação, entrevistas abertas e fechadas para saber se a mesma está se organizando adequadamente para atender às necessidades de desenvolvimento integral da criança e adolescente. Para tanto precisa dos pais e da comunidade, participando das reuniões e fazendo o acompanhamento dos seus filhos no convívio escolar.


O estudante e a escola no século XXI

Henrique de Castelo Branco - henrique.b@grupouninter.com.br
Mestre em Administração, professor e coordenador do Centro Universitário Internacional Uninter.

Há uma história na qual se diz que se tivéssemos congelado um médico há 100 anos e o descongelado hoje, ele ficaria tão encantado com a medicina moderna que se sentiria incapaz de praticá-la. Porém, se fizéssemos a mesma coisa com um professor, ele não se encantaria tanto e sairia lecionando normalmente. Isto porque a prática do aluno sentado e o professor de pé, se virando nos trinta com cuspe e giz, não é assim tão diferente do que acontecia um século atrás.

É preciso considerar que as mudanças mundiais foram imensas e que questões como informação, conhecimento, tecnologia e estilo de vida mudaram completamente. Se tudo mudou, a forma de se ensinar também precisa mudar. É claro que várias “inovações” visando mudar o engessado modelo de dar aulas surgiram. O ensino a distância, o semipresencial, as ferramentas virtuais de aprendizagem, as videoaulas e várias outras possibilidades estão hoje presentes em boa parte das instituições. Mas, mesmo assim, o sentimento é de mesmice entre os alunos.

Os estudantes vivem em um mundo de globalização, de tempo escasso, trânsito intenso, concorrência acirrada e também de expertise. Eles querem resultados efetivos, em menor tempo, com menor esforço e viabilizados por qualquer dispositivo. Logo, os dias na sala de aula com hora marcada passam a ser um martírio.

Não há mágicas pedagógicas que acelerem o processo de ensino e aprendizagem a um grau de baixíssimo esforço. Aprender é um processo, uma construção, um esforço que demanda atenção, dedicação e informação. Simplificar isso significa absorver algumas falhas e limitações, pois o processo se torna irreal. A questão que se coloca não é de que a sala de aula como conhecemos hoje é algo ruim ou retrógrado mas, sim, o que podemos fazer para que seja mais eficaz. Ou, em outras palavras, o que pode ser feito para que ela volte a “funcionar” tão bem quanto antigamente.

Preparar melhor os professores, assimilar melhor as tecnologias, ampliar as possibilidades de acesso a conteúdos e criar sistemáticas que não demandem tanto a questão de tempo e espaço são alguns dos possíveis métodos de ensino adequados ao perfil de aluno do século XXI. É preciso trazer mais da realidade atual, como as redes sociais, os games, smartphones e tablets para o ambiente de ensino. A educação necessita de um upgrade no seu modo de operação.

Estamos cercados de iniciativas nessa direção e é preciso agir em prol de mudança da educação para se ter novamente o interesse, atenção e motivação do jovem. Este é o desafio colocado aos educadores e às instituições de ensino de hoje.

Escolas públicas têm até dia 30 para aderir ao Mais Educação


O programa Mais Educação, da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, receberá adesões de escolas públicas até o dia 30 deste mês. Atualmente, 49 mil escolas de todo o país adotam a jornada ampliada de sete horas. A meta do programa é atingir 60 mil até o fim do ano.

A proposta do Mais Educação é contribuir para a melhoria da aprendizagem, com o estímulo à ampliação do tempo de permanência na escola pública de crianças, adolescentes e jovens. O programa amplia a jornada nas escolas públicas para no mínimo sete horas diárias e garante aos estudantes do primeiro ao nono ano do ensino fundamental a participação em atividades orientadas no contraturno, além de reforço escolar.

A diversificação de atividades inclui esporte e cultura. As instituições de ensino integrantes do programa oferecem orientação de estudos e leitura, com acompanhamento pedagógico, obrigatória para todas as escolas. As atividades no contraturno são monitoradas, preferencialmente, por estudante de licenciaturas vinculadas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) ou estudantes de graduação com estágio supervisionado.

Além do acompanhamento, os participantes podem optar por ações nas áreas de educação ambiental; esporte e lazer; direitos humanos em educação; cultura e artes; cultura digital; promoção da saúde; comunicação e uso de mídias; investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica.

O cadastramento das unidades de ensino deve ser feito pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) interativo, de acordo com os procedimentos passo a passo.


Veja o que os governos podem fazer para reduzir o atraso escolar

Marcelle Souza
Do UOL, em São Paulo
Cada ente federativo tem responsabilidades determinadas em ações para diminuir o número de alunos atrasados na escola – segundo o Censo da Educação Básica 2013, 8,5 milhões não estavam na série correta naquele ano.

Especialistas ouvidos pelo UOL listaram alguns dos pontos de atenção para reduzir a reprovação e o abandono escolar, que impactam diretamente na distorção entre a idade e a série. Veja abaixo o que municípios, Estados, o Distrito Federal e a União podem fazer para combater esse problema.
Distorção idade-série

Valorização do professor

"Nos anos iniciais, temos que investir pesado em professores; realmente selecionar de forma a atrair os melhores formandos dos cursos de pedagogia e com um concurso que tenha, além da prova de conhecimento, prova didática", afirma José Marcelino Rezende Pinto, professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP em Ribeirão Preto.

Os primeiros anos do ensino fundamental estão a cargo dos municípios, que são os responsáveis pela alfabetização dos alunos que ingressam na rede pública. No segundo ciclo (do 6º do 9º ano), Estados e municípios compartilham a responsabilidade, enquanto o ensino médio é oferecido pelos governos estaduais.

São os governos estaduais e as prefeituras, portanto, que devem implementar o piso nacional (reajustado em 2014 para R$ 1.697) e um plano de carreira para a categoria.

Além disso, especialistas dizem que é preciso diminuir o número de professores temporários nas redes públicas de ensino, já que essa forma prejudicaria o trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas e o desempenho dos alunos.

Estrutura e financiamento

Apenas 0,6% das escolas brasileiras têm infraestrutura próxima da ideal para o ensino, isto é, têm biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva, laboratório de ciências e dependências adequadas para atender a estudantes com necessidades básicas.

"Além do problema de infraestrura e localização das escolas, temos a falta de condições e de espaços necessários para um bom trabalho pedagógico. A escola não tem boas bibliotecas, espaços para aprender as diferentes áreas dos conhecimentos, não tem lugar de recreação", afirma a representante do MEC.

O nível de infraestrutura adequada inclui os itens considerados mínimos pelo CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), índice elaborado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Esse custo está previsto no PNE e deve ser cumprido por Estados e municípios, com complementação financeira do governo federal.

"Para se conseguir um salto de qualidade, é fundamental que o governo federal amplie sua participação no financiamento. Hoje ele fica com mais da metade do que se arrecada no país e responde por menos de 20% do gasto em educação. Por isso os 10% do PIB no PNE e para o CAQi", diz o professor da USP.

Alfabetização na idade certa

O PNE (Plano Nacional de Educação), que deveria ter entrado em vigor em 2011 e ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados, prevê a universalização da pré-escola para as crianças de 4 e 5 anos e a alfabetização de todas as crianças no máxima até o final do 3º ano do ensino fundamental, quando a criança deve ter 8 anos.

"Algumas crianças entram mais tarde na escola, não fizeram a educação infantil e não tiveram um bom desenvolvimento da linguagem e da coordenação motora fina, que é exigida pela escrita", diz Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica do MEC.

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que é um compromisso assumido pelos governos federal, do DF, dos Estados e municípios, já trabalha desde 2012 para a implementação da meta de alfabetização até os 8 anos. No pacto, municípios se comprometem com a alfabetização dos alunos, apoiados pelo auxílio financeiro e técnico de Estados e da União.

Currículo do ensino médio

Um dos principais sintomas da ineficiência do currículo do ensino médio são as taxas de abandono e de atraso escolar no nessa etapa, que é de responsabilidade dos Estados. "Historicamente o nosso ensino médio foi direcionado à elite e voltado à preparação para os exames de seleção do nível superior. Ao contrário dos países com boas escolas no mundo, que preparam para a vida, com formação básica para o trabalho", diz o professor da USP.

Cabe aos Estados oferecer aulas de qualidade na rede pública, enquanto o governo federal é quem define diretrizes curriculares, meio do Conselho Nacional da Educação, e dá assistência técnica e financeira aos Estados.

Está em vigor o Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, que funciona em parceria entre a União e as secretarias estaduais, e tem o objetivo de atacar o problema no ensino médio. "Nós temos que fortalecer a política de valorização salarial dos professores, e o pacto tem a proposta de formação de professores, que tem um grande impacto na sala de aula", afirma Adriana Aguiar,secretária de Educação do Tocantins e vice-presidente do Consed.

Atraso tem causas sociais e escolares, diz secretária do MEC


Marcelle Souza
DO UOL, em São Paulo

A secretária de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação), Maria Beatriz Luce, diz que o problema dos 8,5 milhões de alunos que estão na série errada no Brasil tem causas sociais e escolares. Por isso, ela defende: só uma política de Estado com articulação entre os diferentes entes da Federação e parcerias com a sociedade civil pode solucionar esse atraso.

"O MEC considera esse um problema razoavelmente bem diagnosticado e estamos diante de um desafio de qualidade, gestão e planejamento da educação e de atenção da sociedade", afirma a secretária.

Luce defende a necessidade de uma ação integrada com secretarias de saúde e de assistência social, já que as condições de vida da criança dentro da comunidade influenciam no seu rendimento escolar e geram problemas, como faltas e abandono escolar. "No caso da família que tem dificuldades de atenção à saúde da criança desde o seu nascimento, os problemas também se manifestam na escola", afirma a secretária.

Ela ainda diz que outros fatores sociais, como migração dos pais, trabalho, gravidez na adolescência e a (pouca) valorização pela família e pela comunidade do estudo e das atividades escolares, podem causar a repetência e o abandono da sala de aula. 

Na escola

Entre os problemas escolares que levam à distorção entre idade e série ideal, Luce afirma que eles vão desde as condições estruturais do colégio até a valorização do professor. No campo e nas periferias das cidades, um dos fatores é a localização das escolas, que muitas vezes exige das crianças verdadeiras viagens até a sala de aula.

"Além do problema de infraestrura e localização das escolas, temos a falta de condições e de espaços necessários para um bom trabalho pedagógico. A escola não tem boas bibliotecas, espaços para aprender as diferentes áreas dos conhecimentos, não tem lugar de recreação", afirma a representante do MEC.

Outro item que tem influência direta no desempenho dos estudantes, afirma Luce, é a falta de professores concursados e estáveis, com a formação adequada para as aulas que leciona.

"Nós temos esse descompasso, que é a falta de correspondência entre e a idade e o ano escolar. A responsabilidade de solucionar esse problema é do governo federal e dos governos estaduais e municipais, junto com a sociedade. Não é só um problema de gestão do setor público, é uma questão das prioridades que a sociedade estabelece", afirma a secretária.

No Brasil, 8,5 milhões de alunos estão atrasados duas séries na escola

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Marcelle Souza
Do UOL, em São Paulo

  • Danilo Verpa/Folhapress
Mais de 8,5 milhões de alunos brasileiros estão atrasados pelo menos dois anos na escola. Os dados são do Censo da Educação Básica 2013 e mostram que 6,1 milhões de estudantes do ensino fundamental e 2,4 milhões do ensino médio não estão na série ideal.

Nessas duas etapas de ensino o país tinha 37,3 milhões de matrículas em 2013. São crianças e adolescentes que reprovaram, abandonaram a escola ou já foram alfabetizados com atraso.

"Nós temos esse descompasso, que é a falta de correspondência entre e a idade e o ano escolar. A responsabilidade de solucionar esse problema é do governo federal e dos governos estaduais e municipais, junto com a sociedade. Não é só um problema de gestão do setor público, é uma questão das prioridades que a sociedade estabelece", afirma Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação).

O ideal é que o aluno tenha 6 anos no 1º ano do ensino fundamental e complete 14 anos no 9ª ano. Já as três séries do ensino médio devem ser feitas entre os 15 e os 17 anos. A realidade, porém, é que 21% dos estudantes do fundamental e 29,5% do ensino médio não estão na sala correta.

Para especialistas, as principais causas desse atraso são a repetência e a evasão escolar, que refletem problemas estruturais e pedagógicos das escolas. "O fluxo escolar melhora quando há acompanhamento mais perto dos alunos, escolas menores e próximas às casas dos alunos, equipe escolar estável e programas de recuperação ao longo do período letivo", afirma José Marcelino Rezende Pinto, professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto.

O pico de defasagem ocorre no 6º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio, fases importantes de transição na vida escolar. No primeiro caso, os alunos deixam salas menores e com apenas um professor para entrar em uma etapa de maior exigência, muitas vezes acompanhada da troca de escola.

"Na primeira fase do ensino fundamental [do 1º ao 5º ano] o aluno tem uma rotina, menos professores, menos disciplinas e está acostumado com um ritmo na escola. No 6º ano pode acontecer de mudar de escola, então há uma adaptação, mais disciplinas e mais professores", afirma Adriana Aguiar, secretária de Educação do Tocantins e vice-presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

Para especialistas, as principais causas desse atraso são a repetência e a evasão escolar, que refletem problemas estruturais e pedagógicos das escolas. "O fluxo escolar melhora quando há acompanhamento mais perto dos alunos, escolas menores e próximas às casas dos alunos, equipe escolar estável e programas de recuperação ao longo do período letivo", afirma José Marcelino Rezende Pinto, professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto.

O pico de defasagem ocorre no 6º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio, fases importantes de transição na vida escolar. No primeiro caso, os alunos deixam salas menores e com apenas um professor para entrar em uma etapa de maior exigência, muitas vezes acompanhada da troca de escola.

"Na primeira fase do ensino fundamental [do 1º ao 5º ano] o aluno tem uma rotina, menos professores, menos disciplinas e está acostumado com um ritmo na escola. No 6º ano pode acontecer de mudar de escola, então há uma adaptação, mais disciplinas e mais professores", afirma Adriana Aguiar, secretária de Educação do Tocantins e vice-presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).


 

http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,coracao-de-leao-discute-as-receitas-para-ser-feliz,1513759

MEC suspende ProUni e Fies em 79 instituições de ensino superior


Instituições com índice de qualidade abaixo da média sofrem penalidades; faculdades têm 15 dias para apresentarem defesa

Agência Brasil 

O Ministério da Educação (MEC) abriu processo administrativo para punir 79 instituições de educação superior que obtiveram resultados insatisfatórios no Índice Geral de Cursos (IGC) e que não tenham assinado Termo de Saneamento de Deficiências do MEC. A decisão e a lista de instituições estão publicadas na edição desta quarta (18) do Diário Oficial da União.

As instituições têm 15 dias para apresentar defesa à Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC. As instituições com o índice considerado insuficiente ficam impedidas de firmar novos contratos do Programa de Financiamento Estudantil (Fies), de participar de processo seletivo para oferta de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

O IGC é um instrumento construído com base numa média das notas dos cursos de graduação e pós-graduação de cada instituição. Assim, sintetiza num único indicador a qualidade dos cursos de graduação, mestrado e doutorado da mesma organização de ensino. O índice tem notas de 1 a 5. Instituições com IGC 1 ou 2 estão abaixo da média e sofrem penalidades como suspensão de vestibulares e até fechamento do curso. O índice é divulgado anualmente pelo MEC.

Pâncreas biônico: tecnologia monitora açúcar no sangue e ajuda diabéticos


Pesquisadores da Universidade de Boston e do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, testaram com sucesso um “pâncreas biônico” em 20 adultos e 32 adolescentes com diabetes tipo 1. O aparelho é um dispositivo vestível que monitora continuamente os níveis de açúcar no sangue de um paciente e administra insulina automaticamente quando necessário.
 
O dispositivo é chamado de Bionic Pâncreas (pâncreas biônico) porque emula a função fisiológica do órgão, regulando a quantidade de insulina (que reduz os níveis de glicose no sangue) e de glucagon (que aumenta os níveis de glicose no sangue) injetada no corpo.
 
O conjunto em si tem três partes: duas bombas de tamanho de telefones celulares que administram insulina e glucagon, bem como um iPhone com um aplicativo para controlar via rede sem fio, utilizando algoritmos que ditam as injeções subcutâneas.
 
Os níveis de glicose são transmitidos a partir de uma pequena unidade de sensor/transmissor usado pela pessoa em um receptor, que, em seguida, passa os dados para o smartphone, onde um aplicativo utiliza algoritmo para decidir a dosagem de insulina ou o glucagon, que serão feitas com duas bombas de infusão pequenas a cada cinco minutos.
 
Produtos semelhantes já fornecem sistemas assistidos por smartphones projetados para ajudar as pessoas com diabetes a monitorar sua condição, mas o abrangente sistema do Bionic Pâncreas apresenta uma forma passiva de monitoramento, permitindo uma vida mais normal para o usuário.
 
Normalmente, quando as pessoas pensam em “tecnologia vestível”, lembram-se de gadgets como o Google Glass, FitBit ou do Samsung Galaxy Gear, mas uma das fronteiras mais importantes para esse tipo de tecnologia é exatamente no campo da medicina, no qual o pâncreas biônico pode se tornar uma das soluções mais conhecidas e utilizadas.
 
A equipe por trás do dispositivo espera poder apresentá-lo ao FDA (Food and Drug Administration. o órgão governamental dos EUA responsável pelo controle desse tipo de aparelho) para a revisão em 2016, na esperança de obter a aprovação para uso generalizado em 2017.
 
Via The Verge e Mashable

Educação moral e cívica


Poderemos nos revoltar e exigir retratação dos que vierem agredir o Brasil na pessoa de quem o representa?

MARIA LYGIA B. GARCIA


Educação Moral e Cívica fazia parte do currículo escolar há muitos anos atrás.
Se a matéria foi abolida, com certeza também não foi observada na vivência dos jovens de um passado não tão remoto como o meu e não tão recente como os de agora.

Isto é uma conclusão pelo que se lê na reportagem do jornalista Luiz Nassif, que aponta na elite brasileira a primazia dos impropérios dirigidos à presidente da República durante o jogo inicial da Copa.

Diante da observação feita pelo jornalista, muito temos o que pensar.

Se no exterior, em qualquer circunstância, for desrespeitada a pessoa que recebeu a missão, outorgada pelo povo, de representar o nosso Brasil, a Nação que amamos, qual poderá ser a nossa reação?

Nós demos, ao mundo, um exemplo de incivilidade.

Poderemos nos revoltar e exigir retratação dos que vierem agredir o Brasil na pessoa de quem o representa?

A ofensa não será para a pessoa, ela não poderá ser observada pela sua carteira de identidade, CPF, grupo sanguíneo, carteira de motorista, grau de instrução e outras exigências atuais. Pelo cargo, sua autoridade será reconhecida e sua investidura como representante de uma nação lhe dará o tratamento que a ética do convívio entre as nações determina: a diplomacia mesmo quando há discordância de rumos políticos.

Assim vemos sempre, mesmo pelos contrários, forma respeitosa de tratamento.

Voltando a falar sobre a abertura da copa, o que passou, passou. Não poderemos ficar "mascando borracha", repisando o que não foi do nosso agrado.

Vencemos o jogo! Vibramos! Estamos vivos e assim aproveitando o momento de festa e de convívio com nossos irmãos de outras terras.

Aqui em Cuiabá, segundo os "hermanos", na terra hospitaleira, se sentiram em casa.

Mas o que não podemos aceitar é que venha do Governo Federal alguma forma de revide. Isso não poderá acontecer.

Espero que o grande CAMÕES seja lido, relido e observado.

"EM VOSSO ARREPENDER, MINHA VINGANÇA"


* MARIA LYGIA DE BORGES GARCIA é poetisa, escritora, ex-primeira-dama de Cuiabá e de Mato Grosso e escreve para HiperNotícias.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Quadrinhos e super heróis

Andréa Marques - andrea@nota10.com.br
Diretora e Editora do Site Nota 10
Se fiz descobertas valiosas, foi mais por ter paciência do que qualquer outro talento.

Isaac Newton
Heróis e heroínas de histórias infantis possuem fraquezas e fragilidades, o que os tornam mais humanos e próximos da realidade de muitas crianças. Mais que um ótimo passatempo, essas personagens são grandes influenciadoras na formação da personalidade dos pequenos. Os quadrinhos e super heróis na vida de uma criança, além serem decisivos em sua formação, podem ter grande importância na imaginação e no incentivo pela leitura. Segundo Reginaldo Aparecido da Silva, fundador e diretor geral da RAS Empreendimentos, aproximando alunos da leitura, independentemente de ser uma leitura em quadrinhos, os faz ter um senso crítico e os transformam em leitores. São cada vez mais comuns escolas que adquirem gibitecas da RAS Empreendimentos com títulos da Panini e Maurício de Souza Produções, para seus alunos. Os gibis disponíveis são grandes influentes à leitura, que está diretamente ligada ao aprendizado. Os valores de ética, humildade e coragem são características sempre ressaltadas nos protagonistas. Na maioria das histórias, as personagens que estão passando por alguma dificuldade ou medo escolhem o caminho do bem, mesmo que o caminho certo seja o mais complicado.

Perda da memória

Os problemas relacionados à memória têm sido cada vez mais constantes, devido ao envelhecimento da população brasileira. O coordenador do Centro de Atenção à Memória do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo, Renato Anghinah, destaca que nem sempre a perda da memória significa Doença de Alzheimer, como geralmente é associado, e ressalta a importância de contar com um diagnóstico diferencial. São diversas as alterações neurológicas que comprometem a memória. Os diagnósticos possíveis em distúrbios de memória podem ter causas primárias, como – sim - a doença de Alzheimer, demência por corpos de Lewy, demência Fronto-Temporal e causas secundárias, como causas vasculares, endócrinas, hematoma subdural, metabólica, tóxica, infecciosa (HIV, PRION, LUES), hidrocefalia de pressão normal, depressão e distúrbio do sono.

Direitos Humanos

A capital do Paraná, Curitiba, inaugurará o Centro de Referência em Direitos Humanos, um projeto que começa a ser desenvolvido pela Cáritas Brasileira em parceria com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). O Centro será coordenado pela Cáritas Regional Paraná. A inauguração ocorrerá nesta quarta-feira (21), no Auditório do Asilo São Vicente de Paula, que fica na rua São Vicente, n.º 100, bairro Juvevê, a partir das 14h.

Calendário na Copa

As escolas particulares do Distrito Federal estão liberadas de cumprir o calendário proposto pela Lei Geral da Copa, durante o torneio mundial no próximo mês. A decisão, da 7.ª Vara da Fazenda Pública do DF, é resultado de ação judicial impetrada pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe). Em agosto do ano passado, a entidade conseguiu liminar na Justiça que proíbe o governo do DF de penalizar as escolas pelo não cumprimento do calendário de 31 dias de férias estabelecido na Lei Geral da Copa.

Proteção infantil

A imagem de uma criança acuada por um homem demonstrando poder com uma moeda em mãos simboliza a campanha “Copa das Meninas”, iniciativa da Plan International Brasil, organização não-governamental de desenvolvimento. A campanha quer alertar a população sobre a situação da proteção infantil durante a Copa do Mundo e a conscientização de turistas sobre o aumento da exposição e vulnerabilidade de crianças e adolescentes a situações de violência, principalmente a exploração sexual. Segundo a Universidade Brunel, da Inglaterra, somente na última Copa do Mundo (África do Sul – 2010) houve aumento de 63% nos casos de exploração sexual infantil.
A delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araraquara (SP), prendeu na madrugada desta terça-feira uma quadrilha acusada de tráfico de drogas. Cinco pessoas foram presas, entre elas, o vereador com mandato na cidade de Bocaina, Fabiano Romão (PHS). 
O quebra-cabeça mais famoso do mundo assoprou 40 velinhas na segunda-feira, 19 de maio. Já faz quarenta anos que a invenção do arquiteto húngaro Ernö Rubik enlouquece tanto os grandes quanto os pequenos, com suas seis faces coloridas para alinhar.

Quando a soma não passa da subtração

Gilberto Alvarez G. Jr. - giba@cursinhodapoli.org.br
O professor Giba, é professor, autor do material de Física do Sistema de Ensino do Cursinho da Poli (SP) e diretor da instituição.
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) avaliou a capacidade de estudantes de 15 anos do mundo inteiro para resolver problemas de matemática aplicados à vida real. Como era de se esperar, o resultado para nós é alarmante: o Brasil ficou em 38° lugar, em um total de 44 países.
Segundo o relatório, apenas 2% dos alunos brasileiros conseguiram resolver problemas de matemática mais complexos. Esse resultado tem raízes no próprio cotidiano do brasileiro. Antes mesmo de o aluno entrar em uma sala de aula, seja em casa com a família ou em uma roda de amigos, a aversão à matemática é um tema recorrente. Ela é descrita como uma disciplina rígida, que não dá espaço para a criatividade.

Essa percepção muitas vezes é passada pelos pais aos filhos e reproduzida, de maneira massiva, pelos meios de comunicação. Aliado a isso, há uma realidade em nosso sistema de ensino que em nada colabora para mudar esse quadro. Na grande maioria das escolas, as aulas obedecem ao mesmo padrão há dezenas de anos: são repetitivas, sem inovação ou criatividade, com livros didáticos desinteressantes. Tudo é muito mecanizado. E chato; muito chato. Nada que estimule o aluno a pensar.

Sendo assim, aulas pouco dinâmicas, alunos desinteressados, professores com formação deficiente e uma boa dose de preconceito se aliam para a má formação de milhares de estudantes brasileiros. Afinal, não saber calcular é também uma espécie de analfabetismo.

A matemática é uma ciência rica, que estimula o raciocínio e permeia vários outros conhecimentos. Como o português, é uma ciência cumulativa de conhecimento em que é preciso aprender bem um conteúdo prévio para compreender o posterior. De nada adianta termos excelentes centros de formação técnica ou universidades públicas se os nossos alunos não são capazes de acompanhar o aprendizado pela ausência do conhecimento que deveria ter sido obtido no início de sua vida acadêmica.

Essa dificuldade ainda é um dos maiores entraves da educação brasileira. No Cursinho da Poli temos alguns casos em que os alunos não conseguem acompanhar o conteúdo transmitido na sala de aula, justamente porque há uma deficiência vinda da etapa anterior. Para tentar sanar essa defasagem, promovemos módulos adicionais de matemática básica para oferecer ao aluno o conhecimento prévio necessário para o acompanhamento de todo o programa curricular.

Essa situação reflete um quadro ruim e crônico da educação básica no Brasil. O resultado não surpreende, mas nem por isso devemos nos conformar. Somos capazes e temos recursos para alavancar o país e transformar esta realidade. Precisamos mudar esses números para que no próximo relatório sejamos realmente – e positivamente – surpreendidos.

Corrija, mas sem exageros

Alexandra Lima - ale_lima68@hotmail.com
Coordenadora pedagógica do Centro de Educação João Paulo II (CEJPII).
A língua portuguesa é para os fortes. Quem nunca cometeu aquele “pequeno grande deslize” no idioma? E pior, quem nunca foi criticado por inventar uma nova forma de uma palavra? As pessoas apontam os erros mas, muitas vezes, não explicam por que certa construção gramatical está errada. Corrigir demais, sem dar maiores explicações, pode gerar ainda mais confusão em quem tenta aprender a falar ou escrever adequadamente a língua portuguesa.

A hipercorreção é o fenômeno de corrigir demasiadamente o vocabulário mesmo quando as palavras nem mesmo estejam erradas. Segundo Bortoni Ricardo (2004), “a hiper ou ultracorreção decorre de uma hipótese errada do falante num esforço para ajustar-se à norma-padrão. Ao tentar ajustar-se à norma, acaba por cometer um erro”.

Este fenômeno é principalmente observado quando uma pessoa tenta florear seu vocabulário, torná-lo mais pomposo e agradável linguisticamente. Porém, se não há conhecimento da língua, a variação do vocabulário pode ser uma armadilha. A partir daí, pode-se cometer erros crassos. A intenção de “corrigir-se”, apesar de boa, produz o erro, já que a correção aplicada a um termo pode ser desdobrado a outras palavras não regidas pelas mesmas regras gramaticais. Por exemplo, na sentença “isto é uma cauda de baunilha”, corrige-se a palavra “cauda” para “calda”, para se adaptar ao contexto, porém a mesma palavra, em outra situação, como em “a cauda do animal”, é corretamente grafada com a letra u.

Nas escolas, é preciso sempre exemplificar e explicar a origem das correções, em vez de simplesmente corrigir, pois a língua portuguesa possui muitas regras e exceções. Uma vez um amigo entrou na sala de aula de uma escola para entregar presentes para os alunos. Assim que todos receberam os brindes, a professora perguntou: “Gostaram, crianças?” Ao que todas, em uníssono, responderam: “Gostemos!”. Não é de se culpar que aqueles alunos, que estavam no ensino fundamental aprendendo o português, confundissem a frase com “gostamos”. Na cabeça deles, provavelmente, constava que “gostemos” estava certo, já que em certas frases, a palavra está realmente correta, como em “gostemos ou não, ele está aqui para ficar”.

Desta forma, é papel do professor incentivar os alunos a aprenderem a forma correta de escrever a palavra, mas sem cobranças excessivas, já que isto pode gerar uma tendência no aluno de hipercorrigir as frases, como colocar o plural onde não há (ex: fazem dois anos). Assim, o ideal é que sempre haja uma boa fundamentação em sala de aula, contrapondo situações em que determinada palavra esteja errada com outras em que ela esteja correta, sempre explicando o porquê.

Os desafios da nova gestão diante da geração Z

Allan Esron Pereira Inácio - imprensa@marista.org.br
Coordenador do curso técnico em Administração do TECPUC – Centro de Educação Profissional Irmão Mario Cristóvão do Grupo Marista.
Nos tempos atuais, os gestores organizacionais são convidados a vencer desafios impostos por uma nova mão de obra que chega às empresas e às entidades, a geração Z. Formada por pessoas nascidas na segunda metade da década de 1990 e anos 2000, essa geração tem características expressamente distintas dos profissionais de gerações anteriores.

Os profissionais da geração Z, investidos de suas características, estão modificando a maioria dos padrões tradicionais de recrutamento, seleção, promoção, planos de carreira, nível de salários, entre outros. A mudança na gestão desses profissionais é fundamental para o sucesso da retenção dessa nova força de trabalho. Sem essas mudanças, o resultado é um alto grau de rotatividade provocada pela pouca aderência desta geração às organizações atuais e tradicionais que atuam no mercado.

Dois fatos sociais, um mundial e outro local, caracterizam esta geração de profissionais e são os principais condicionantes para a necessidade de alterações nos modelos de gestão.

O primeiro é um fenômeno internacional. Esta geração nasceu na era da tecnologia da informação e foi criada em meio a múltiplas opções de mídias digitais, com acesso muito rápido às informações de que necessita. A velocidade com que conseguem informações levou a uma grande ansiedade relativa às atividades profissionais. Esta geração não pretende ou sonha com longevidade no trabalho como a de seus pais. O que se deseja hoje é a realização pessoal rápida.

O segundo fenômeno é um fato social local. O Brasil passou por uma série de transformações econômicas nos últimos 20 anos, que levou o país a uma condição de pleno emprego (desocupados somaram 5,1% nas capitais em fevereiro de 2014, segundo IBGE). Esta configuração leva à escassez de mão de obra, especialmente a mais qualificada, tornando-se mais um elemento desafiador para as empresas na conquista e manutenção do corpo funcional.

Este cenário, no qual se somam uma geração mais ansiosa, pró-ativa e tecnológica a um mercado carente de trabalhadores e, consequentemente, com mais concorrência pela mão de obra, cria um novo mercado. Nesse novo mercado, o profissional é mais exigente, quer saber qual a proposta da empresa para ele, quer se identificar com a organização e não se incomoda em mudar de ocupação, buscando satisfação no ambiente de trabalho.

Para os gestores, cabe modificar suas estratégias para atender às disposições de um novo funcionário que agora tem perfil particular, informacional, novo e desafiador. Planos de carreira modernos, administração participativa, descentralização diretiva, remuneração por resultados e outras estratégias de gestão compartilhada são exemplos de boas práticas que podem servir como solução a este novo mercado de trabalho. As boas e novas práticas de gestão devem adaptar-se ao novo mercado de trabalho, sem se tornar refém deste. As mudanças devem quebrar apenas os paradigmas antigos e que não são mais adequados.

Programa pode ajudar governo na construção de creches

 - Agência Brasil -

Programa idealizado por participantes da segunda edição do Hackathon Dados Educacionais pode ajudar o governo a construir creches em áreas de maior necessidade. O instrumento mostra aos gestores públicos as áreas de maior carência de acordo com o nível de renda, de desemprego e de desenvolvimento humano. O chamado GeoEdu ficou em segundo lugar na competição.

Dois integrantes do grupo, Rafael Rocha e Rafael Crespo, têm uma startup, empresa de inovação tecnológica, no Rio de Janeiro, onde trabalham com educação infantil. Eles se juntaram a Marcelo Reis, de São José dos Campos (SP). "Sabemos da necessidade de creches no Brasil. Uma criança não aprende, não tem desenvolvimento adequado para continuar os estudos, se enturmar, sem a educação infantil", explica Rocha.

Em todo o país, dados de 2011 mostram que o atendimento em creches chegava a 22,95% das crianças até 4 anos de idade. Segundo o Censo da Educação Básica, esse número correspondia a 2,3 milhões de crianças. Em 2013, a oferta aumentou em 500 mil vagas e o atendimento chegou a 2,7 milhões. Ainda assim, os problemas estão em todo o país. O atendimento terá que praticamente dobrar para atender à meta de 50% até 2020, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso Nacional.

Senado aprova cota para negros em concursos públicos

- Agência Senado -

O Senado aprovou na terça-feira (20) a reserva de vagas para negros ou pardos em concursos públicos federais. Em votação simbólica, os senadores aprovaram o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 29/2014, que garante aos candidatos negros 20% das vagas de concursos a serem realizados por órgãos da administração pública federal, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União.

Durante a votação, o Plenário e as galerias contavam com a presença de deputados e representantes de entidades de defesa da igualdade racial. Para entrar em vigor, a reserva só precisa ser sancionada pela presidente da República, Dilma Rousseff.

Pelo texto, de iniciativa do próprio Poder Executivo, os candidatos deverão se declarar negros ou pardos no ato da inscrição do concurso, conforme o quesito de cor ou raça usado pelo IBGE. Esses candidatos concorrerão em duas listas: a de ampla concorrência e a reservada. Uma vez classificado no número de vagas oferecido no edital do concurso, o candidato negro será convocado pela lista de ampla concorrência. A vaga reservada será ocupada pelo próximo candidato negro na lista de classificação.

O poder de superação


A maior força que a vida nos dá...

WILSON FUÁH


Divulgação
Viver em sociedade é administrar sucessivos conflitos que são fontes permanentes de estresses, por isso, muitas pessoas vivem no limite da contrariedade e atritos interpessoais, que mal resolvidos transforma em angústias.

O espetáculo da vida é formado de painéis de início e término de convivências sociais, mas as pessoas, por não suportar a solidão, saem de suas ilhas pessoais em busca de aproximação e, ao abrir as portas da expectativa de relacionamento, estão preparadas apenas, para entender que é muito fácil conviver com pessoas fortificadas nos seus próprios atos e que não precisam de nós; é muito fácil presentear quem não precisa do nosso amparo material; é fácil doar a quem nunca nos pediu nada, mas por outro lado, é muito difícil estar ao lado daqueles que estão situados abaixo da linha da prosperidade e carente de tudo.

O importante é saber que fazer o bem só nos causa bem, mesmo que ao fim das contas haja traição ou ingratidão. Doar um pouco de nós é a principal virtude para se chegar a um bom relacionamento.

Devemos estar preparados para aceitar algumas decepções e talvez receber pequenos reconhecimentos, ou seja, a gratidão, a obrigação mútua, a consideração e o respeito deixam de fazer parte da ação benéfica conquistada, pois existem pessoas necessitadas de bengalas espirituais permanentes, pois não fixam nas suas próprias lembranças a grandeza de ter recebido uma graça, o ato emocional não se restringe e se acaba ao dizer mecanicamente “Deus lhe pague”.

A ajuda não é evolutiva para aqueles que sentem carência de tudo, pois em sua cabeça impera o ato de pedir, fazendo com que suas emoções positivas sejam jogadas na lata de lixo.

Pouco conhecemos das pessoas só pelo convívio. Na ânsia em ajudá-las, retiramos delas a melhor coisa que existe, que é o crescimento pessoal, ou seja, o exercício de saber vencer pelos seus próprios esforços. Entretanto, há a consciência de que muitos não irão mudar sua maneira de viver pela simples ajuda recebida, pois a vida para essas pessoas se resume em momentos.

Devemos ter a consciência de que, ao fazer o bem aos outros, estamos fazendo indiretamente para nós mesmos. Os riscos dos nossos atos são de nossa exclusividade e não devemos culpar aos outros se alguma coisa em forma de gratidão não der certo.

Na luta entre o coração e a razão, muitos optam por retardar as decisões à procura de justificativas inúteis. Somam-se os porquês, acumulando os desperdícios das possibilidades que são de exclusividade pessoal. A maioria das pessoas está dosando demais os seus desafios e, ao fazer isso, limita a sua própria capacidade de assumir a maior força que a vida nos dá: o poder de superação individual
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* WILSON CARLOS FUÁH é economista, especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: wilsonfua@gmail.com

MT - Campo Novo do Parecis recebe mais um festival cultural indígena


 
Da Reportagem local / Assessoria

O VIII Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Parecis acontece no município de Campo Novo do Parecis/MT, no Estádio Ari Tomazelli, na Avenida Mato Grosso, de 05 a 08 de junho, com objetivo de alavancar o etnoturismo e a sustentabilidade econômica através das atividades esportivas e culturais do Povo Haliti e outras etnias convidadas.

Diante da história de contato do Povo Paresi e da sua realidade, é prerrogativa legítima das comunidades Paresi-Haliti implementar o evento em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Novo do Parecis, a Administração Executiva Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Governo do Estado de Mato Grosso através de Secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo (Sedtur/MT), buscando transformar o evento num produto turístico, como uma nova fonte alternativa de renda para as comunidades indígenas, visando melhorar a qualidade de vida e ao mesmo tempo revitalizando, preservando seus valores culturais e garantindo o equilíbrio do meio ambiente com atividades econômicas sustentáveis.

Acredita-se que os segmentos Cultura e Esporte são os mecanismos mais salutares, agregadores e incentivadores para a boa convivência dos haliti e o respeito mútuo com a sociedade não indígena, mostrando os seus valores e por consequência diminuir determinados preconceitos que possa vir a existir por falta desse conhecimento entre ambos.

Desta forma, o segmento Esporte é o mecanismo mais salutar e agregador para a boa convivência e o respeito mútuo entre os povos, e a realização do VIII Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Parecis busca promover uma nova relação de aproximação, conhecimento, troca e revitalização dos valores das tradições indígenas com a sociedade envolvente e de afirmação como povos autóctones.

Durante os Jogos serão observados:

O respeito, valorização e a revitalização das manifestações culturais do povo Paresi-Haliti; Intercâmbio cultural; União entre as várias etnias; Incentivo do uso sustentável dos recursos naturais em terras indígenas; Fazer do Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Parecis um produto turístico, transformando-o em um processo contínuo e auto sustentável.

ETNIAS PARTICIPANTES

Os Povos Indígenas participantes do evento 2014 são da região descendentes do tronco lingüístico Aruak, e serão convidadas outras etnias do estado de Mato Grosso.

Os critérios para a participação serão prioritariamente em função daquelas etnias possuidoras de suas tradições originais: línguas, costumes, manifestações culturais (cantos, danças, pinturas corporais e outros), artesanatos e seus esportes tradicionais.

O cuiabano que trouxe a Copa


José Antônio Lemos   
Domingo passado, dia 18, devíamos ter reverenciado Dutra, o cuiabaninho do Mundéu, que vendia bolos no centro de Cuiabá e que chegou a presidente da República. 

Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem nenhuma ajuda saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá à presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida.

Um motivo de orgulho nacional, cujo aniversário, entretanto, passou despercebido, em especial, em sua própria terra, desprezo agravado por ser o ano da Copa do Mundo, da qual Cuiabá é uma das sedes. Dutra merecia ser homenageado pela Copa do Pantanal, pois foi este cuiabano quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950.

Presidente, queria mostrar ao mundo um Brasil novo, com grandes cidades, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior do mundo, que junto com a Copa trazida por ele foi um dos motivos da consolidação do futebol como uma das maiores paixões nacionais. "

Não fosse pela Copa, mesmo assim o aniversário de Dutra tem que ser lembrado. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos, o ministro brasileiro mais duradouro, onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifascistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil.

De imediato, convocou a Constituinte organizando a volta do país à democracia. Eleito para um mandato de seis anos, curvou-se à nova Constituição, aceitando os cinco anos que estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país.

Aos que temiam a volta de Getúlio e lhe propunham um golpe para ficar mais um ano, respondeu: “Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”.

Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele. Como pode ser esquecido?

Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano Salt e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a Chesf.

É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas Sesi, Sesc e Senai, e durante seu governo foi inaugurada a TV no Brasil.
Ficou com a culpa do fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso, e também por ter fechado os cassinos, desagradou à esquerda formadora dos historiadores, jornalistas e artistas da época, e foi jogado ao ostracismo.

Uma das promessas iniciais da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente tão importante para todos os brasileiros em sua terra natal.

O projeto foi depois abandonado pela Copa, mas não pode ser abandonado pelos cuiabanos. Talvez até ampliado com o nome em uma rua como já tem o adversário que derrotou nas eleições presidenciais.

Não teria sobrado um viaduto, trincheira ou avenida para ele? Talvez trazer para Cuiabá um Colégio Militar, prometido desde a década de 50?

Toda cidade é um centro de produção, mas o produto de uma cidade vai muito além da economia. Seu principal produto é sua gente e a qualidade de seu povo deveria ser a melhor medida de seu sucesso.

Por isso, as cidades lembram e reverenciam seus vultos. Infelizmente, nem todas.

MT - Mostra de cinema traz curtas e longas alternativos no Sesc

Da Redação - Isabela Mercuri

Começa nesta quarta-feira (21), no Sesc Arsenal, a “Mostra do Filme Livre”. Com o slogan “O cinema alternativo em destaque”, a mostra vai até domingo e traz filmes de diversos lugares do país.

No primeiro dia, quarta, uma homenagem aos dez anos do filme “Cidade de Deus” integra a Sessão Cavídeo. “Cidade de Deus – 10 anos depois” é um filme de Cavi Borges e Luciano Vidigal, de Brasília.

Na quinta (22) acontecerá a sessão homenagem 2014, com o filme “Das tripas coração” da carioca Ana Carolina.

Sexta (23), um filme de ficção fará a “Sessão Longa Livre”, com “Luíses c-Solrealismo Maranhense”. Sábado (24) e domingo (25) serão exibidas diversas criações.

Programação:

21/05 às 19h30
Sessão Cavídeo
Cidade de Deus – 10 anos depois. (Cavi Borges e Luciano Vidigal, Bra, 2012, Doc.)

22/05 às 19h30
Sessão Homenagem 2014 - Ana Carolina
Das tripas coração. (Ana Carolina, RJ, 1982)

23/05 às 19h30
Sessão Longa Livre
Luíses c-Solrealismo Maranhense. (Lucián Rosa, 2013, Fic.)

24/05 às 19h30
Sessão Mundo Livre
Square Times (Daniel Caetano)

Estação Bahia (André Michelis e Fabio Barbella)
Turismo de Guerra (Felipe Raphael Lopes)
Tango (Louis Robin)
Delírios de Françoise (Lucas Pelegrino)
Relatório número 1 (Ricardo Mendonça)
Hoje (Alessandra Colasanti)
Vuvuzela’s dream (Felipe Kowalczuk)

25/05 às 19h30
Sessão Curtas Livres
A eleição é uma festa (Fabio Rogério)
Malha (Paulo Roberto)
Camila, agora (Adriel Nizer Silva)
No interior da minha mãe (Lucas Sá)
Em trânsito (Marcelo Pedroso)
Trans*lucidx (Tamíris Spinelli)

Escola Aberta do Terceiro Setor

Autor: José de Paiva Netto

Desde 27/12/2012, o Brasil conta com a Fundação Escola Aberta do Terceiro Setor, que promove, por meio do ensino a distância, pela internet, a melhoria da capacitação dos profissionais desse importante segmento.

Parabéns ao ilustre curador de Fundações de São Paulo, dr. Airton Grazzioli, pela pioneira iniciativa de criar esse projeto, que já proporcionou capacitação e conhecimento a mais de 1.200 alunos. Aos interessados, os cursos estão disponíveis gratuitamente no site www.escolaaberta3setor.org.br.

Agradeço ao seu presidente, dr. José de Arruda Silveira Filho, os relatos que recebi, pertinentes ao trabalho desenvolvido em 2013. Além de ser uma de suas instituidoras, a Fundação José de Paiva Netto (FJPN) participa ativamente das ações da Escola Aberta do Terceiro Setor. A entidade tem o apoio da LBV na gravação das aulas.

Em 2014, essa profícua parceria continua. Temos aí novos cursos, preparados por renomados professores. Assim, vamos construindo agentes mais qualificados no atendimento às numerosas demandas sociais do país.

CONGRESSO BRASILEIRO DO TERCEIRO SETOR

Na próxima sexta-feira, 23 de maio, a cidade de São Paulo/SP sediará o 15º Congresso Brasileiro do Terceiro Setor. Uma realização da empresa “Econ ômica Desenvolvimento Social”, destinada a administradores, dirigentes públicos e de ONGs, assistentes sociais, auditores, captadores de recursos, contabilistas, religiosos, estudantes, membros de conselhos municipais ou estaduais e operadores de Direito.

Levando em conta as transformações legais, contábeis e de sustentabilidade do Terceiro Setor, o evento contribui para a a tualização e o aprimoramento daqueles que atuam na área. Entre os temas e seus respectivos palestrantes para o dia, estão: “Contabilidade Social” — Sebastian Yoshizato Soares, formado em Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu e em Ciências Contábeis pela Universidade Paulista; “Auditoria do Terceiro Setor” — Demetrio Cokinos, graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Mackenzie, pós-graduado em Finanças Empresariais pela Unisescon Trevisan e Curso de Controladoria pela FEA-USP; “Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) — A nova plataforma do SPED — também aplicável ao Terceiro Setor” — Daniel Belmiro Fontes, coordenador Nacional do projeto eSocial da Receita Federal do Brasil; “eSocial — Governança e Complaince” — Abdias Melo, formado em Ciências Contábeis e especialista em Controladoria e Gestão Financeira pela Unitau; “As Relações do Ministério Público com as Organizações do Terceiro Setor e as Peculiaridades das Prestações de Contas” — Airton Grazzioli, promotor de Justiça e vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social (Profis); “CEBAS da Educação” — Eneida Cardoso de Britto Corrêa, coordenadora de Certificação de Entidades Beneficentes na área da Educação, no Ministério de Educação (MEC).

O Congresso ocorrerá das 8:45 às 18:30h no Hotel Tivoli Mofarrej, na Alameda Santos, 1.437. Para outras informações, ligue: (11) 5102-4654 ou acesse: www.economica.com.br.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com