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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Presidente do CNE defende mudança no ensino médio e debate do tema com sociedade.
                                     Quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Um dos temas mais debatidos na área da educação atualmente é a reformulação do ensino médio no país. Em entrevista à TV NBR, o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Deschamps, defendeu a implantação das mudanças. “Essa é uma demanda muito antiga; os resultados apontam para isso”, disse. “Eu participo da discussão da questão do ensino médio desde 2012. Discuti essa demanda como secretário da educação e como presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação [Consed] com seis ministros, e basicamente há um consenso.”
 
Eduardo Deschamps foi o entrevistado da semana do programa Educação no Ar, produzido pela TV MEC e transmitido semanalmente pela TV NBR. A entrevista, veiculada na manhã desta quinta-feira, 15, será reprisada a partir das 16h10. Também será possível assisti-la na sexta-feira, 16, às 8h e às 19h. No sábado, 17, haverá reprise às 20h, e no domingo, 18, às 13h30.

“Pelo Brasil é possível verificar que todos concordam que o ensino médio atual não dá conta das demandas que nós temos”, disse o presidente. Segundo ele, a proposta de mudança é fruto de vários estudos. “É lógico que o debate com a sociedade precisa ser aprofundado – e será, dentro do CNE. Há todo um processo ainda de construção a ser feito, e o conselho vai abrir as portas para que esse debate possa ser feito”, garantiu. “Mas, de maneira geral, é preciso olhar também para as experiências que têm dado certo no exterior e as adaptações que precisam ser feitas para o Brasil.”

Atração — O presidente lembrou, no entanto, que a reformulação do ensino médio não trata só da mudança de currículo. Ele destacou que a proposta envolve, ainda, a formação de professores, a organização da escola, da estrutura, a forma de contratação dos professores e a chegada do material didático no ambiente escolar, além de questões relacionadas a novas tecnologias. “O principal é a forma de tornar esse ensino médio mais atrativo para o jovem, que faça sentido para ele”, ressaltou.

“Para a imensa maioria dos jovens, o ensino médio é apenas uma etapa de passagem para a universidade. Mas, para outros, nem isso é. Então, eles acabam evadindo, reprovando. Eles acabam perdendo o estímulo com o ensino médio”, disse Deschamps. Atualmente, mais de um milhão de jovens de 17 anos que deveriam estar no terceiro ano do ensino médio estão fora da escola. “Esses dados apontam para a necessidade de fazer a reformulação.”

Deschamps comentou que o trabalho do CNE neste processo implica a regulamentação das alterações propostas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), caso seja confirmada a aprovação da Medida Provisória nº 746/2016, que reformula o ensino médio no país. “Nós vamos ter que revisitar, por exemplo, as diretrizes curriculares nacionais do ensino médio para verificar onde há conflito com a nova legislação e fazer todo um trabalho de orientações para os sistemas estaduais de ensino acerca desse novo ensino médio”, explicou.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também está entre as atribuições do CNE. Segundo o titular do conselho, o órgão já possui uma comissão bicameral voltada à análise da proposta. “Assim que o Ministério da Educação encaminhar a última versão do documento, os conselheiros vão se debruçar sobre os textos que foram elaborados, realizar seminários, consultas públicas e audiências para aprimorar ainda mais a proposta e, a partir daí, gerar um parecer que poderá se transformar em resolução.”

O entrevistado explicou que a BNCC é um dos pilares para a nova organização do ensino médio, pois só a partir de sua aprovação é que a reformulação poderá ser colocada em prática. Isso não significa dizer, no entanto, que o que for aprovado agora na LDB será aplicado imediatamente. “Essas mudanças orientam a elaboração do novo ensino médio. Primeiramente, muda-se a arquitetura do ensino. Dessa mudança, é elaborada a Base Comum Curricular, e a partir daí, é feita a regulamentação, que levará às escolas as mudanças que todos estão esperando do ensino médio”, concluiu.

A proposta de reforma, em debate no Congresso Nacional, acaba de ser enviada para apreciação do Senado Federal. Os destaques ao texto-base da Medida Provisória nº 746/2016 foram aprovados pelo plenário da Câmara dos Deputados na última terça-feira, 13.

CNE – O Conselho Nacional de Educação é composto por 24 conselheiros, sendo dois membros natos – o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, na Câmara de Educação Básica, e o secretário de Educação Superior, na Câmara de Educação Superior. Os demais 22 são escolhidos a partir de consulta à sociedade e de nomeação pela Presidência da República.

O papel do CNE é o de regulamentar e normatizar as ações nacionais da educação brasileira. Uma das metas do conselho é zerar a pauta da educação superior ainda este ano. “Nós tínhamos uma demanda significativa e muitos processos represados. Eram mais de 600 processos, e agora nós estamos com cerca de 200”, celebrou Eduardo Deschamps. Segundo ele, houve um esforço muito grande dos membros da casa para fazer a relatoria dos processos, o que permitiu um grande avanço nos trabalhos. “A intenção é que nós possamos zerar essa pauta no início do ano que vem, na reunião de janeiro.”

Assessoria de Comunicação Social 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Guimarães Rosa: a opulência simples da linha


Autor: Matheus Guménin


[Antes de começar a coluna de hoje, vou repetir o aviso dado na coluna anterior (e farei isso por mais algumas semanas); a saber: “Acho interessante esclarecer algo que já me parecia claro, mas que talvez ainda não esteja: este texto (ou os anteriores, ou os próximos) não é uma análise propriamente dita – lhe falta profundidade de análise, profundidade essa que nem é meu objetivo desenvolver aqui nem me caberia alcançar num texto de jornal. Este texto é uma conversa com o leitor. Apenas isso. Aviso feito, vamos à conversa de hoje.]

Falar sobre Guimarães Rosa (1908-1967) (como falar sobre Machado de Assis, Drummond, Cecília Meireles e outros) é repetir o já mais do que dito. Quase sempre, aliás, escrever sobre artistas é repetir, mas o caso se intensifica 1) quando se trata de um autor da projeção e da importância dos quatro que citei e 2) quando quem fala não é um crítico literário (e eu não sou).

Por esses e outros motivos, falarei o mínimo possível.

Novelas como “A hora e vez de Augusto Matraga”, “Minha gente”, “O burrinho pedrês” e “Corpo fechado” (isso só para ficar em ‘Sagarana’, primeiro livro publicado pelo autor) são alguns dos muitos pontos altos da nossa literatura brasileira, tanto em matéria de enredo quanto de técnica narrativa, inovação e frescor de linguagem. Que leitor atento nunca se viu diante de uma ou duas linhas de Guimarães Rosa, aparentemente banais, mas em cujo espaço mínimo se tem a impressão de estarem guardadas – entre buritis, vaqueiros e loucos – a primeira e a última palavras sobre a condição humana? São muitas as nódoas no tecido sempre excessivo da escrita de Rosa, e nunca a palavra ‘nódoa’ teve uma conotação tão positiva quanto nesse tecido especificamente. Há trechos que carregam simultaneamente um frescor e uma brutalidade tão fortes que fica difícil entender como foi possível unir elementos narrativos aparentemente tão contrários; assim como fica impossível reconhecer para esses trechos outro destino senão o Absoluto.

Até em novelas consideradas ‘menores’ pelo próprio autor, como “Sarapalha” (“SARAPALHA – Desta, da história desta história, pouco me lembro. No livro [Sagarana], será ela, talvez, a de que menos gosto” escreveu Guimarães Rosa em carta a João Condé), alguns trechos se destacam e se pregam à mente do leitor, para zunir nesse grande mundo movimentado, caótico e verdadeiro que é o das reminiscências de nossas leituras. Em “Sarapalha”, por exemplo:

“(...)

Ir para onde?... Não importa, para a frente é que a gente vai!... Mas, depois. Agora é sentar nas folhas secas, e aguentar. O começo do acesso é bom, é gostoso: é a única coisa boa que a vida ainda tem. Para, para tremer. E para pensar. Também.

Estremecem, amarelas, as flores da aroeira. Há um frêmito nos caules rosados da erva-de-sapo. A erva-de-anum crispa as folhas, longas, como folhas de mangueira. Trepidam, sacudindo as suas estrelinhas alaranjadas, os ramos da vassourinha. Tirita a mamona, de folhas peludas, como o corselete de um caçununga, brilhando em verde-azul. A pitangueira se abala, do jarrete à grimpa. E o açoita-cavalos derruba frutinhas fendilhadas, entrando em convulsões.

— Mas, meu Deus, como isto é bonito! Que lugar bonito p’r’a gente deitar no chão e se acabar!...

E o mato, todo enfeitado, tremendo também com a sezão.”

As narrativas de Rosa são quase sempre ‘excessivas’, e constantemente trazem à mente a imagem de um fruto bastante maduro, pesando já de tão doce, quase luxuriante. Para compará-lo à escritora sobre a qual conversamos na última coluna deste jornal, a genial Orides Fontela, eu diria que a escrita de Rosa é o oposto da escrita mínima de Fontela: Rosa é fruto quase pingando na volúpia do açúcar, Fontela é um fruto que teima em se manter verde e duro como pedra, apesar da maturidade; ou, usando outra imagem, Fontela teima em se manter água, enquanto Guimarães Rosa se faz vinho.

Seja como for, Guimarães Rosa continua sendo um dos cinco ou seis escritores de prosa mais significativos da literatura brasileira, e isso não é segredo para ninguém. Eu não precisava repetir o óbvio, repeti por pura birra. E tomado por essa mania de repetição, repito o que passei as últimas semanas dizendo aos amigos: releiam Rosa! Escolham uma ou duas novelas do mestre e leiam ou releiam Rosa! Talvez “A hora e vez de Augusto Matraga” e “O burrinho pedrês”? Talvez “São Marcos”? Tanto faz. Mas façam.

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*Matheus Guménin estuda literatura alemã na USP, escreve sobre literatura para jornais do estado de Mato Grosso, é tradutor e escreveu um livro ainda inédito de poemas, que sairá entre 2016 e 2017.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Aula : Egito Antigo

1. A evolução política do Egito Antigo

Período pró-dinástico: a formação do Egito

O trabalho coletivo deixou de ser uma necessidade no Egito Antigo, uma vez que cada família passou a ser proprietária das terras que cultivava. A desagregação das comunidades primitivas ocorreu na medida em que a agricultura se desenvolveu e os utensílios de cobre foram substituindo os de osso e pedra até então utilizados. A perda das propriedades por muitas famílias fez com que aumentasse o número de camponeses dominados pelos senhores poderosos. Surgiram, assim, pequenas unidades politicamente independentes, denominadas nomos, cada uma delas governada por um nomarca.

Todos esses acontecimentos ocorreram antes que surgisse o primeiro faraó — chefe supremo. Por isso, tal fase é conhecida como período pré-dinástico. Os nomos não demoraram a entrar em choque uns com os outros. Os nomos menores desapareceram, anexados pelos mais fortes. O represamento das águas obrigou muitas famílias a abandonar suas terras e ir trabalhar em nomos vizinhos.

As lutas levaram à constituição de dois remos, um ao sul e outro ao norte, conhecidos como Alto e Baixo Egito. O reino do sul tinha como símbolo uma coroa branca e o reino do norte era simbolizado por uma coroa vermelha.

Por volta de 3200 a.C., um rei do sul, Menés, venceu o norte e unificou o Egito, colocando em sua cabeça as coroas branca e vermelha. A capital do reino passou a ser Tínis e Menés tomou-se o primeiro faraó.

O Antigo Império (3200 a 2200 a.C.)
Os sucessores de Menés permaneceram no poder por mais de um milênio e durante todo esse período o Egito antigo viveu um isolamento quase completo. O faraó detinha o poder supremo, sendo considerado uma encarnação do próprio deus Rá (o Sol). Sua presença era imprescindível até para as enchentes do Nilo, nas épocas certas do ano.

Durante essa fase da história egípcia, a camada sacerdotal adquiriu grande influência e riqueza. Foram construídas as três grandes pirâmides de Gizé, atribuídas aos faraós Quéops, Quéfrem e Miquerinos. Na nova capital, Mênfis, havia grandes estoques de grãos arrecadados ao povo e rigorosamente vigiados pelos escribas.

Pirâmides de Quéops, Quéfrem e Miquerinos.
Uma nobreza privilegiada cooperava na administração e na exploração dos camponeses, angariando grande poder. Esse fortalecimento levou-a a tentar assumir o controle direto do Estado.
Seguiu-se um período de anarquia em que praticamente cada nobre se julgava em condições de ocupar o trono faraônico; o clero aproveitou-se para expandir seu poder político, apoiando ora este, ora aquele pretendente ao título de faraó.
O Médio Império (2000 a 1750 a.C.)

Nessa fase teve início uma nova dinastia e outra capital: a cidade de Tebas. O Egito antigo expandiu-se em direção ao sul, aperfeiçoou a rede de canais de irrigação e estabeleceu colônias mineradoras no Sinai. A ambição dos nobres e do clero fez com que o cobre fosse buscado fora da África, tomando o Egito conhecido de outras populações do Oriente Médio.

Alguns povos procedentes da Ásia Menor desencadearam uma série de ataques em direção ao vale do Nilo. Finalmente, os hicsos, povo semita que já conhecia o cavalo e o ferro, derrotaram as forças faraônicas do Sinai e ocuparam a região do delta do Egito, onde se instalaram de 1750 a 1580 a.C. Foi durante essa dominação estrangeira que os hebreus se estabeleceram no Egito.
O Novo Império (1580 a 1085 a.C.)

O faraó Amósis I expulsou os hicsos, dando início a uma fase militarista e expansionista da história egípcia. Sob o reinado de Tutmés III, a Palestina e a Síria foram conquistadas, estendendo o domínio do Egito até as nascentes rio Eufrates. Portal de entrada do templo de Luxor, construído por Ramsés II, um dos maiores nomes do novo Império Egípcio.

Durante esse período de apogeu, o faraó Amenófis IV empreendeu uma revolução religiosa e política. O soberano substituiu o politeísmo tradicional, cujo deus principal era Amon-Ra, por Aton, simbolizado pelo disco solar. Essa medida tinha por finalidade eliminar a supremacia dos sacerdotes, que ameaçavam sobrepujar o poder real. O faraó passou a denominar-se Akhnaton, atuando como supremo sacerdote do novo deus. A revolução religiosa teve fim com o novo faraó Tutancaton, que restaurou o politeísmo e mudou seu nome para Tutancamon.

Com a instauração da capital em Tebas, os faraós da dinastia de Ramsés 11(1320-1232 a.C.) prosseguiram as conquistas. O esplendor do período foi demonstrado pela construção de grandes templos, como os de Luxor e Carnac.

As dificuldades do período começaram a surgir com as constantes ameaças de invasão das fronteiras. No ano 663 a.C., os assírios invadiram o Egito.
O Renascimento Saíta (663 a 525 a.C.)

O faraó Psamético I expulsou os assírios e instalou a capital em Saís, no deita do rio Nilo. A recuperação do período foi marcada pela ampliação do comércio, graças ao trabalho de alguns soberanos.

As lutas pela posse do trono levaram o Egito à ruína. Os camponeses se levantaram e a nobreza digladiava-se com o poderoso clero. Novas invasões sobrevieram: os persas, em 525 a.C., na batalha de Pelusa; o rei macedônio Alexandre Magno, em 332 a.C.; e os romanos, em 30 a.C., pondo fim ao Egito como Estado independente.
2. A organização econômica do Egito Antigo

No decorrer de sua história, o Egito transformou-se em uma imensa civilização presa ao comportamento do rio; a população dedicava-se a lavrar o solo e a levar uma vida pacífica. Gozando de uma proteção natural, proporcionada pelos acidentes geográficos — Mar Vermelho, a leste; deserto da Líbia, a oeste; Mediterrâneo, ao norte; e o deserto da Núbia, ao sul — o Egito pôde gozar de paz externa durante a maior parte da Antigüidade.

O Egito antigo teve na agricultura a maior concentração de trabalho, constituindo-se em uma das mais privilegiadas civilizações do Oriente Médio, considerada o grande celeiro do mundo antigo. As terras mostravam-se férteis e generosas, favorecidas pelo rio e pela fertilização natural, beneficiadas pelos diques e canais de irrigação. Ao longo do Nilo estendiam-se as plantações de trigo, cevada e linho cuidadas pelos felás (camponeses egípcios), desenvolvendo-se rapidamente graças ao aperfeiçoamento das técnicas de plantio e semeadura. A charrua, puxada pelos bois, e o emprego de metais propiciaram grandes colheitas.

 Teoricamente, as terras pertenciam ao faraó, porém a nobreza detinha grande parte delas. Enormes armazéns guardavam as colheitas, que eram administradas pelo Estado. Uma parte da produção chegava a ser exportada.

O comércio processava-se entre o Alto e o Baixo Egito por meio de embarcações que subiam e desciam o rio abarrotadas de cereais e produtos artesanais. A presença da tecelagem, da fiação e a confecção de sandálias de folhas de papiro, bem como a ourivesaria, propiciaram um desenvolvimento razoável do comércio interno, uma vez que poucas relações eram tidas com o exterior.

O pastoreio completava os trabalhos na terra. Rebanhos de gado bovino e ovino podiam ser vistos nos campos próximos ao rio, cuidados por pastores.

De um modo geral, a economia egípcia é enquadrada no modo de produção asiático, em que a propriedade geral das terras pertencia ao Estado e as relações sociais de produção fundamentavam-se no regime de servidão coletiva (não se pode, porém, falar em modo de produção servil, aplicável somente ao sistema feudal). As comunidades camponesas, presas à terra que cultivavam, entregavam os resultados da produção ao Estado, representado pela pessoa do rei. Este, às vezes, obrigava os camponeses a trabalhar na construção de canais de irrigação e barragens, propiciando o desenvolvimento da agricultura e o sustento precário dos aldeães.
3. A sociedade egípcia

Nessas “sociedades hidráulicas”, a distinção social começou a se fazer notar quando a luta pela posse das áreas cultiváveis levou a se defrontarem os camponeses, na posição de possuidores da força de trabalho, e os proprietários das terras, que delas se apoderaram e as mantinham invocando a proteção dos deuses e dos sacerdotes.

O topo da pirâmide social era ocupado pela família do faraó; este, por se considerar um deus encarnado, possuía prerrogativas únicas.

O estamento sacerdotal também ocupava uma posição invejável, juntamente com a nobreza detentora das terras e do trabalho dos camponeses. Com o crescimento do comércio e do artesanato, durante o Médio Império, surgiu uma classe média empreendedora, a qual chegou a conquistar uma certa posição social e alguma influência no governo.

Os burocratas passaram a ocupar um lugar destacado na administração, principalmente no que tangia ao recolhimento da produção dos camponeses. Havia toda uma hierarquia de escribas, cujo grau variava de acordo com a confiança neles depositada pelo faraó e nobreza.

Os artesãos ocupavam uma posição inferiorizada, junto aos camponeses. Estes eram fiscalizados por funcionários especiais.

Apesar de o governo manter escolas públicas, estas formavam, em sua maioria, escribas destinados a trabalhar na administração do Estado Faraônico. A imobilidade e a rígida hierarquização são marcas essenciais da sociedade egípcia antiga.

4. A vida religiosa e o politeísmo no Egito Antigo

A religiosidade dos povos orientais pode facilmente ser aquilatada por uma constatação atual, pois as cinco grandes religiões de nossos dias tiveram suas origens no Oriente. Uma enorme variedade de deuses, fórmulas religiosas e cultos são provenientes dessas regiões.

A existência dos deuses satisfazia à ânsia do homem em ver atendidas suas aspirações e ao mesmo tempo afastava seus temores íntimos. Protetores da água, da chuva, da colheita, das plantas, dos pescadores, eram todos cultuados por formas que iam desde o incenso até ao sacrifício de animais e homens, tudo com intenção de conseguir suas boas graças. Os próprios governantes se revestiam de caracteres divinos a fim de serem mais respeitados. Paralelamente à instituição religiosa, estruturaram- se os sacerdotes, uma camada fechada que cresceu em praticamente todas as civilizações antigas. O clero ocupava uma posição social e econômica privilegiada, influenciando o governo e o povo.

No Egito antigo, como em quase toda a Antigüidade, a religião assumia a forma politeísta, compreendendo uma enorme variedade de deuses e divindades menores.

No Egito, muitos animais gozavam de um culto todo especial, como era o caso do gato, do crocodilo, do íbis, do escaravelho e do boi Apis; havia também divindades híbridas, com corpo humano e cabeça de animal: Hator (a vaca), Anúbis (o chacal), Hórus (o falcão protetor do faraó). Havia ainda deuses antropomórficos, como Osíris e sua esposa Isis.

O Mito de Osíris ilustra bem a religiosidade dos egípcios, a ponto de terem se decidido a erigir túmulos e templos em homenagem à morte e à vida futura.

O principal deus egípcio era Amon-Ra, combinação de duas divindades, e que era representado pelo Sol; em torno dele girava o poder sacerdotal. A preocupação com a vida futura era grande e os cuidados com os mortos eram contínuos, bastando lembrar as cerimônias fúnebres, nas quais se realizavam as oferendas de alimentos e de incenso.

Acreditava-se em um julgamento após a morte, quando o deus Osíris iria colocar em uma balança o coração do indivíduo, para julgar seus atos. Os justos e os bons teriam como recompensa a reincorporação e depois iriam para uma espécie de Paraíso.

O trecho abaixo, extraído do Livro dos Mortos dos egípcios, descreve o júbilo daquele que foi absolvido pelo tribunal de Osíris:

“Salve, Osíris, meu divino pai! Tal como tu, cuja vida é imperecível, os meus membros conhecerão a vida eterna. Não apodrecerei. Não serei comido pelos vermes. Não perecerei. Não serei pasto dos bichos. Viverei, viverei! As minhas entranhas não apodrecerão. Os meus olhos não se fecharão, a minha vista permanecerá tal como hoje é. Os meus ouvidos não deixarão de ouvir .
A minha cabeça não se separará do meu pescoço. A minha língua não me será arrancada, Os meus cabelos não me serão cortados. Não me serão raspadas as sobrancelhas. O meu corpo conservar-se-á intacto, não se decomporá, não será destruído neste mundo.”

A experiência monoteísta

Por volta de 1360 a.C., o Egito antigo viu nascer o primeiro culto monoteísta — o culto a Aton. Afirma-se que foi a primeira religião monoteísta da História, sendo mesmo ante- flor à dos hebreus. O politeísmo entravava o progresso egípcio, pois a camada sacerdotal era muito grande e sua manutenção resultava onerosa para o Estado. Os sacerdotes interferiam constantemente nos assuntos políticos e o próprio faraó, muitas vezes, não passava de um joguete do clero. Aproveitando-se da religiosidade do povo, os sacerdotes alcançaram uma extraordinária ascendência, convertendo a civilização egípcia como que em sua propriedade particular.

O perigo do poder clerical foi sentido por Amenófis III que, para se livrar da influência do clero, mudou seu palácio para longe dos templos.
Contra a tradição politeísta levantou-se o faraó Amenófis IV, que instituiu uma nova religião, com o culto dedicado a um deus único: Aton (o disco solar). Esperava com isso quebrar o poder da camada sacerdotal. Organizou um novo clero e mudou sua capital para a cidade de Aquetaton, “horizonte de Aton” (atual Tell ElAmarna). Trocou seu nome para Akhnaton, “servidor de Aton”, e compôs um Hino ao Sol. Essa tentativa monoteísta, porém, foi efêmera. Com a morte de Amenófis, as coisas voltaram ao estágio anterior e o clero e a nobreza recuperaram sua influência. Akhnaton realizando o culto ao sol.


Muitos edifícios construídos no Egito antigo chegaram até nós em bom estado de conservação. Pirâmides, hipogeus, templos e palácios de dimensões gigantescas atestam a importância da arquitetura egípcia.
Tendo-se voltado para a vida coletiva e religiosa, as construções egípcias são marcadas pela grandiosidade dos templos e dos túmulos. Os templos de Carnac e Luxor nos dão mostras de como a arte e a religião estavam interligadas. A solidez, a grandiosidade e os artifícios procurando exaltar o volume são as características mais salientes dessas obras. Estátuas de deuses e faraós acompanham essas dimensões, com decorações esculpidas e pintadas descrevendo episódios ligados às figuras representadas.

A pintura egípcia prendeu-se principalmente a temas da Natureza e da vida cotidiana, sendo muitas vezes acompanhada de hieróglifos explicativos.

A invenção da escrita propiciou o desenvolvimento da literatura. A escrita ideográfica, nascida no Egito, iria evoluir para o alfabeto fonético com os fenícios. Utilizando três formas de escrita (hieroglífica, hierática e demótica), os egípcios deixaram-nos obras religiosas como o Livro dos Mortos e o Hino ao Sol, além da literatura popular de contos e lendas.

A decifração da escrita egípcia foi feita por Jean-François Champollion que, observando e comparando os diversos tipos de escrita encontrados em um achado arqueológico, estabeleceu um método de leitura graças ao grego arcaico que também se encontrava no texto. Surgiu assim a ciência conhecida como Egiptologia, a qual vem constantemente evoluindo com novas descobertas e restaurações.

As ciências exatas também tiveram oportunidade de expansão, uma vez que as necessidades de ordem prática forçaram o desenvolvimento da Astronomia e da Matemática. A Geometria desenvolveu-se pela necessidade de se redemarcarem as terras quando as águas do Nilo voltavam a seu leito. A Medicina, por sua vez, está de certa forma ligada à própria prática da mumificação, o que a levou a um desenvolvimento razoável; por outro lado, a farmacopéia egípcia notabilizou-se por sua variedade. Havia instituições de sacerdotes-médicos e os papiros atestam o regular conhecimento de doenças e a própria especialização da atividade médica.

A mumificação constituiu uma técnica de grande importância na civilização do Egito antigo. Os métodos, até hoje pouco conhecidos, produziram resultados notáveis, que se podem ver em museus de diversas partes do mundo.
5. A herança cultural do Egito Antigo
 
 

domingo, 29 de maio de 2011

Rusga: o grande movimento cuiabano

Autor: Wilson Carlos Fuá

Porque será que nós cuiabanos não valorizamos nossa história?
Porque será que muitos cuiabanos não sabem o que foi o movimento rusga?
Porque será que tudo que acontece aqui, é logo diminuído na importância e na grandeza. Guerras e revoluções aconteceram pelo mundo afora, muitos morreram por uma causa, muitos defenderam uma causa. No Rio Grande do Sul comemora-se a Revolução Farroupilha, (foi instituída a semana Farroupilha), e aqui em Cuiabá?

A Rusga, foi jogada no esquecimento, não tem um vereador, e nenhum prefeito para instituir a Semana da Rusga, é importante que os nossos jovens cuiabanos saibam o que foi a Rusga, porque ela existiu e o resultado dela como movimento revolucionário, o que foi feito dos lideres?

Porque os cuiabanos matavam os traidores com bala de prata?

Porque Cuiabá foi a segunda cidade do País a desenvolver esse movimento político?

São perguntas que ficaram perdidas no tempo, e que apenas são relembradas como simples acontecimento, é através da história que podemos entender o nosso passado e com certeza vamos ficar sabendo que nossos parentes, nossos bisavôs viveram historicamente nessa passagem de luta pela liberdade e independência governamental de Cuiabá.Para dar um sentido de exaltar essa passagem histórica para todos os cuiabanos, fatos que aconteceram aqui nas ruas de Cuiabá, e informar que movimentos iguais a este aconteceram concomitantemente em cinco estados do Brasil no período de 1832 a 1.838.

Após a independência do Brasil, nasceram vários movimentos liberais para instalar um governo com autonomia nas províncias e em Cuiabá não foi diferente, e tendo como o principal sentido a reforma das antigas práticas exercidas pelos portugueses durante o período colonial. No século XIX, conta a história que os nativos cuiabanos passavam por situação de opressão, abuso de autoridade e imposição de poder, que eram situações impostas pelos comerciantes portugueses, que gozavam de todos os privilégios, regalias e licenciosidades durante o período regencial.

Membros do comando da elite cuiabana e com a simpatia do governo provisório de ideologia liberal, Sr. João Poupino Caldas que tentou abafar o movimento, não conseguiu, pois a revolta era grande, foi esquematizado uma estratégia de tomada do poder e vingança contra os comerciantes portugueses e assim aconteceu o primeiro posicionamento dos cuiabanos contra a situação impostas pelos costumes e organização de mando trazido pelo regime colonial. Para uns historiadores essa revolta organizada foi considerada apenas um movimento, e para outros historiadores esse fato histórico foi considerado como uma revolução, pois o movimento foi desenvolvido através de uma luta armada e subjugado a Guarda Municipal, e que tinha com resultado final a mudança do poder e do regime que era baseado em costumes coloniais.

A Rusga aconteceu no dia 30 de maio de 1834, durante a tarde a ala dos radicais liberais reuniram no Campo do Ourique (hoje Praça Moreira Cabral), e esquematizaram para a noite a maior matança de portugueses já ocorrida no País até então, (o movimento Farroupilha acontece em 1.835) através de grupo armado eclode o que ficaria conhecida como a Rusga Cuiabana, dentre os considerados como líderes da rusga citamos os alguns revoltosos: Pascoal Domingues de Miranda; Braz Pereira Mendes; José Jacinto de Carvalho; Bento Franco de Camargo; José Alves Ribeiro; Euzébio Luís de Brito; Manoel do Nascimento e Antonio F. Mendes.

A história conta sobre várias revoluções em que os trabalhadores reuniam forças para combater injustiças e os movimentos sociais organizados promoveram grandes lutas, morrem e matam pessoas por uma causa, tendo como objetivo a libertação do poder imposto pela elite dominante. Mas a Rusga foi um movimento de revolta popular que saiu do controle das lideranças liberais, e que propunha uma mudança nas estruturas econômicas e políticas. Não era um movimento nacionalista ou xenófobo, era um movimento em busca da obtenção de independência de poder e mudança comando do governo.

Na noite de 30 maio de 1834, ao aproximar da meia-noite, oitenta revoltosos instalaram a situação de horror das ruas, e ouviam-se pelas ruas de Cuiabá os barulhos de machados que arrombavam as portas e gritos dos portugueses sendo degolados e violentados de maneira cruel e desumana, e "os rusguentos" levavam como troféu as orelhas dos "bicudos" mortos. E para evitar conflitos com a força policial, os revoltosos tomaram o Quartel dos Guardas Municipais, e assim executavam todos os inimigos sem confronto e com maior liberdade, durante o acontecimento, sangue corria em todas as casas de comércio, e ouviam-se gritos de guerras dizendo: "que morram todos os bicudos" (nome pejorativo dado aos portugueses) e, na contagem dos mortos não se tem a quantidade exata, para uns tombaram quatrocentos portugueses, outros dizem que foram duzentos e para outros foram mais de cem.

Após a matança, instalou-se um quadro caótico em Cuiabá, os revoltosos foram presos e encaminhados para julgamento, e foi nomeado pelo governo regencial, o nome do Sr. Antonio Pedro de Alencastro, e o ex-governador provisório, Sr. João Poupino Caldas, antes de embarcar para o Rio de Janeiro foi assassinado pelas costas por uma bala de prata, ( pois para o povo cuiabano, ele foi o traidor que entregou os nomes dos líderes, e fazia parte da tradição cuiabana: que todos os traidores deveriam ser assassinados com uma bala de prata). Durante esse período ocorreram várias revoltas por todo o País: Cabanada no Pará em 1832; Rusga em Cuiabá/MT no ano de 1834; Farroupilha 1835 no Rio Grande do Sul, Cabanagem no Pará em 1837; Sabinada na Bahia em 1837 e Balaiada no Maranhão em 1838, portanto o movimento cuiabano não foi um fato isolado em Cuiabá, a revolta era geral em todo o País.

Esta crônica tem apenas o sentido de relembrar os momentos históricos ocorrido em Cuiabá, sem querer ser impositivo ou mesmo achar que é um texto científico. Nós como cuiabanos temos que ser os porta-vozes da história, são fatos políticos, apesar da violência do movimento, tudo isso aconteceu aqui, e não tem como esconder ou julgar como algo que dever ser esquecido ou jogado na lata do lixo, é um relato com a sensibilidade de um cuiabano que ama esta terra, e sempre estará do outro lado, em posição diferente daqueles que tentam diminuir os acontecimentos e fatos ocorridos neste lugar abençoado e reverenciado por todos aqueles que são verdadeiramente cuiabanos.

Que os outros fiquem sabendo que os nossos antepassados lutaram por um ideal, que os nossos líderes lutaram para mudança de regime político e econômico exatamente no dia 30 de maio de 1834, e que Cuiabá não começou agora, aqui existe uma história muito linda e que deve sempre ser relembrada e comemorada. Que as autoridades instituam a "Semana da Rusga", na forma de apresentações de Peças Teatrais, Show Musical com apresentações Musicas Tradicionais e Culinárias Regionais.

Mas, hoje no regime democrático prevalece a vontade do povo, e vontade da maioria sempre vence, contra os traidores políticos, não se usa a bala de prata, mas sim o teclado de ouro das urnas eletrônicas, as lutas são no campo ideológico, é através de confrontos de ideias e debates programáticos que o povo faz a melhor escolha, por isso que prevalece a máxima: o povo tem o governo que merece, na democracia a vontade da maioria sempre vence.

Wilson Carlos Fuá - economista, ouvidor Geral da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra/MT)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Aula- As sesmarias

As implicações históricas e culturais ligadas ao emprego das sesmarias.Durante os primeiros anos da colonização brasileira, notamos que o governo de Portugal não teve condições necessárias para empreender ações que viabilizassem a exploração econômica do espaço colonial. Por conta deste impasse, o sistema de capitanias hereditárias foi adotado como um sistema de administração indireta em que a Coroa abria mão de várias obrigações e gastos com a colonização, repassando-as para a responsabilidade de particulares.

O donatário, recebedor da capitania hereditária, tinha entre outros direitos, realizar a doação de sesmarias para os demais colonizadores. O termo “sesmaria” era empregado para todo aquele terreno pertencente à Coroa Portuguesa onde não era observado o desenvolvimento de atividades econômicas ou a ocupação do espaço colonial. Tendo em vista as grandes dimensões do espaço colonial brasileiro, a possibilidade de realizar a doação de sesmarias era bem relevante.

A doação de sesmarias é um hábito político antigo de Portugal, tendo sido inicialmente empregado no século XIV. Nessa época, os constantes problemas gerados pela falta de alimentos motivaram o governo português a realizar a distribuição de sesmarias como um meio de incrementar a produção agrícola do país. No entanto, repassado para o contexto da colônia brasileira, o sistema sesmarial teria outras características e objetivos.

Intimamente ligadas à lógica mercantilista, as sesmarias brasileiras deveriam ser utilizadas para a formação de atividades agrícolas que atendiam às demandas do mercado europeu. Notamos que a exploração da cana-de-açúcar foi uma das primeiras ações econômicas ligadas às sesmarias. Desse modo, os donos das sesmarias (também chamados de “sesmeiros”) transformavam-se em peça-chave no desenho da colonização do Brasil, realizando a junção entre os interesses públicos e privados.

Ao longo da colonização, os proprietários das sesmarias tornaram-se os grandes proprietários de terra que compunham a elite colonial. Ocupando o topo da hierarquia social, não só concentravam terras, mas também abriam caminho para a conquista de vários outros direitos restritos aos seus semelhantes. Não raro, os sesmeiros ocupavam importantes cargos públicos, integravam os altos postos das instituições militares e garantiam seus interesses em desfavor da maioria da população.

Nas últimas décadas, as intensas discussões e conflitos envolvendo a questão do acesso à terra no Brasil, evocam com grande destaque a utilização do sistema de sesmarias. Por meio das funções políticas e sociais que tiveram, vemos que as sesmarias explicam a origem do problema de concentração de terras no Brasil. Ao mesmo tempo, revelam a primeira das várias e imprecisas leis que garantiram o uso da terra para uma pequena parcela da população brasileira.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Mundo Educação

sábado, 8 de janeiro de 2011

O tango é brasileiro

Já sabemos que o Brasil não é apenas o país do samba. Mas, além da bossa nova, do maxixe, do choro, do forró e de uma infinidade de gêneros, é possível que tenhamos inventado o tango. É claro que hoje o tango é universalmente aceito com argentino, imortalizado na música de artistas como Carlos Gardel. Mas o que nem todos sabem é que, segundo o crítico Ary Vasconcellos, os primeiros tangos foram compostos e executados no Brasil.

Oficialmente, o gênero nasceu em 1871 com a música "Olhos Matadores", de Henrique Alves Mesquita. No final do século XIX e início do XX, o grande compositor de tangos brasileiros foi Ernesto Nazareth, com peças como "Brejeiro", de 1893. Os primeiros tangos argentinos foram escritos somente em 1880, quase uma década depois de "Olhos Matadores". Os hermanos chegaram depois, mas deram ao tango uma projeção internacional tão grande que o ritmo passou a ser considerado argentino por adoção.

Fonte: Em História e inventário do choro, de Ary Vasconcellos. Rio de Janeiro: Gráfica Editora do Livro Ltda, 1984.
Postado por Prof. Adinalzir