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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

E você, agradece?


E você, agradece?


:: Rosana Braga ::

Se você é uma pessoa gostosa, comprometida com o bem-estar de todos (inclusive por saber que isso tem tudo a ver com o seu próprio bem-estar), coerente com seu coração e disposta a ser feliz de verdade, certamente receberá, ao longo da vida, muitos méritos.

Mas, sobretudo, saberá desde sempre que ninguém ganha nada nesta vida sozinho. Contamos com a ajuda direta e indireta de várias pessoas. Seja o precioso incentido de amigos e parentes, e até a colaboração de alguns que nem notamos, o fato é que precisamos dos outros para subir os degraus da longa escada rumo ao sucesso.

Por isso, seria uma enorme falta de gentileza se não nos lembrássemos dessas pessoas quando chegássemos lá em cima. Seria uma demonstração horrorosa de falta de consideração, de sabedoria e de gostosura.

Sendo assim, fique atento. Seja grato. Demonstre o quanto a participação de cada um soa como um presente para você. E fazer isso não é um esforço; muito pelo contrário! À medida que você presta atenção, é fácil encontrar motivos para agradecer.

Eu tenho uma ótima referência disso e vou usar como exemplo. A Daci é uma alegre pessoa que trabalha em minha casa há mais de 4 anos. Muitas vezes, enquanto estou no meu escritório, escuto-a cantando, enquanto varre o chão ou limpa os vidros.

Outras vezes, enquanto penso que não haverá nada de interessante para o almoço, de repente sinto um cheiro maravilhoso vindo da cozinha e grito: “Daci, o que você está fazendo?”.

E ela dá uma de suas gargalhadas adoráveis e responde: “É surpresa. Espere até a hora do almoço e verá!”. Pronto. Ela consegue transformar a minha manhã numa expectativa deliciosa.

Além disso, ela já me conhece e sabe que sou manhosa. Adoro ser mimada. Poderia ignorar isso, afinal, não está em nosso contrato que ela deve me tratar com carinho ou fazer qualquer coisa para que eu me sinta querida, mas ela é gostosa, muito gostosa!

De repente, lá está ela com uma xícara de café e um pedaço de bolo quentinho, do jeito que eu tanto gosto; ou senão, ela arruma minhas gavetas e cabides, separando tudo por cor e estação. Fico tão alegre quanto uma criança que acaba de ganhar um brinquedo. Sinto-me cuidada e adoro isso!

A Daci é parte fundamental dos meus méritos, do meu bem-estar, da minha alegria; tento, do meu jeito, fazer com que ela saiba disso. Porque, enfim, sou muito grata por ter ao meu lado uma pessoa tão gostosa.

(Texto retirado do livro O PODER DA GENTILEZA, de Rosana Braga. Capítulo 09 – Seja uma pessoa gostosa! Esta é a 9ª característica da pessoa gostosa – “Agradece pelos méritos recebidos”)

 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Como fazer observação de sala de aula - III

Como fazer observação de sala de aula

Entrar na classe para analisar as interações entre os alunos e o professor requer planejamento e quebra de resistência

Gustavo Heidrich (gestaoescolar@fvc.org.br)

O que observar

Durante a observação em sala de aula, é preciso verificar como se desenvolvem as interações entre professores, alunos e conteúdos e de que forma elas podem se tornar tema da formação continuada na escola. Abaixo estão algumas questões que podem servir de roteiro para essa prática. Relacione as frases com destaque colorido com as explicações nos tópicos abaixo do quadro.
Pauta de observação de sala de aula
Nome do professor ___________________________
Disciplina ___________________________
Conteúdo da aula ___________________________
Data da observação ___________________________


1. A interação entre os alunos e o conteúdo
- O conteúdo é adequado às necessidades de aprendizagem da turma?
- As atividades e os problemas propostos são desafiadores e proveitosos para todos os alunos ou para alguns foi muito fácil e, para outros, muito difícil?
- Há a retomada de conhecimentos trabalhados em aulas anteriores como um ponto de partida para facilitar novas aprendizagens ou as atividades apenas colocam em jogo o que já é conhecido pela turma?
- Os recursos utilizados são adequados ao conteúdo?
- Como está organizado o tempo da aula? Foram reservados períodos de duração suficiente para os alunos fazerem anotações, exporem as dúvidas, debaterem e resolverem problemas?

2. A interação entre o professor e os alunos
- Os objetivos de aprendizagem de curto e longo prazos dos conteúdos em questão estão claros para a turma?
- As propostas de atividades foram entendidas por todos? Seria necessário o professor explicar outra vez e de outra maneira? As informações dadas por ele são suficientes para promover o avanço do grupo?
- As intervenções são feitas no momento certo e contêm informações que ajudam os alunos a refletir?
- O professor aguarda os alunos terminarem o raciocínio ou demonstra ansiedade para dar as respostas finais, impedindo a evolução do pensamento?
- As hipóteses e os erros que surgem são levados em consideração para a elaboração de novos problemas?
- As dúvidas individuais são socializadas e usadas como oportunidades de aprendizagem para toda a turma?

3. A interação dos alunos com os colegas
- Os alunos se sentem à vontade para colocar suas hipóteses e opiniões na discussão?
- Nas atividades em dupla ou em grupo, há uma troca produtiva entre os alunos?
- Com que critérios a classe é organizada?
- Os alunos escutam uns aos outros?
Para pensar em novas abordagens Problemas adequados são os que representam um desafio possível. Ou seja, não podem ser tão fáceis a ponto de serem solucionados sem esforço nem tão difíceis que se tornem desestimulantes. Quando 80% da turma acerta sem dificuldade as questões propostas, é hora de lançar novos desafios. Se mais da metade não encontra solução, é preciso orientar o professor para que ele tente novas abordagens e ajudá-lo a diversificar as atividades.

Como usar bem o material pedagógico
Mapas, slides, ilustrações, fotos e vídeos precisam ser adequados ao conteúdo trabalhado, utilizados em momentos certos e ter qualidade técnica. Quando alguma dessas coisas não acontece, busque com o professor novas ferramentas ou indique maneiras mais eficientes de usar as já disponibilizadas pela escola. No caso de recursos tecnológicos, é sempre recomendável testá-los antes da aula.

Em busca de clareza e objetividade
Muitas dificuldades que aparecem durante os momentos de aprendizagem têm origem em uma proposta confusa, mal elaborada ou comunicada de forma ineficiente. Durante a observação, anote as falas do professor para posteriormente discutir a clareza e a pertinência das propostas. Para torná-las mais claras, geralmente são necessárias mudanças simples, como a substituição das palavras difíceis.

Fazer do erro uma oportunidade de ensinar
Durante a observação, anote os erros e as dúvidas apresentados pelos alunos e verifique se o professor consegue fazer com que as dificuldades individuais sejam oportunidades de avanço para todo o grupo. Os erros e as intervenções dos professores também podem ser registrados para a tematização da prática durante os encontros coletivos e os individuais.

Ajuda na formação de grupos É preciso observar se as duplas ou os grupos foram formados aleatória ou intencionalmente. A escolha dos pares precisa ser planejada e a formação vai variar de acordo com os conteúdos. Ao perceber que um agrupamento não é produtivo, analise com o professor o perfil dos alunos e ajude a montar outros mais eficazes.

Para cada situação, um grupo

Ao perceber uma inadequação entre a organização da sala e o conteúdo, você pode indicar, na devolutiva, outras formas de dispor os alunos. Em roda, em duplas, trios ou quartetos. A forma como a turma trabalha deve estar relacionada aos objetivos pedagógicos. Geralmente, grupos grandes servem para socializar estratégias, mas não para trocar informações. Já quando o objetivo é colocar os conhecimentos de cada aluno em jogo, o melhor são as atividades individuais.

sábado, 13 de junho de 2015

Faça do espelho seu melhor amigo

Lair Ribeiro

  A aparência influencia no sucesso e na empregabilidade de um executivo. Não basta ter um rostinho bonito para ser bem-sucedido profissionalmente, mas isso é uma condição que pode influenciar em muito no sucesso da sua carreira profissional.


Não estamos falando de beleza, mas de aparência, do modo como você se apresenta à sociedade, que engloba desde os cuidados básicos com higiene pessoal (unhas limpas e bem cortadas, barba feita, cabelos bem cortados e saudáveis, maquiagem discreta, etc.), passando pelo modo como você se veste (usando roupas adequadas ao seu tipo físico e cargo, sapatos em excelente estado, acessórios sem extravagância, entre outros itens), até o seu comportamento dentro e fora do local de trabalho (etiqueta profissional), sem esquecer da sua comunicação. E quando o assunto é aparência, estar em paz com a balança é fundamental. Pesquisas revelam que obesidade é fator de rejeição para 65% dos 31 mil executivos pesquisados pelo Grupo Catho (empresa de recolocação profissional), em um estudo realizado em 2005.


Hoje, ser magro não é apenas sinal de beleza, mas também de agilidade, auto-estima elevada, segurança, credibilidade e profissionalismo. Ser obeso, por sua vez, passa a mensagem de cansaço, de baixa auto-estima, de problemas de saúde, como pressão alta, diabetes ou problemas cardíacos, e tudo isso pode ser resumido à idéia de “não dar conta do recado”. A verdade, sem entrar no mérito dessa questão, é que pessoas obesas são discriminadas no mercado de trabalho.


A aparência é tão importante na contratação de profissionais porque é a primeira qualidade que o selecionador pode avaliar nos candidatos. É, literalmente, a primeira impressão, que, como se sabe, é a que fica!


Sua carreira profissional se beneficiará em muito a partir do momento em que você começar a cuidar mais da sua aparência. E cuidando da sua aparência você também cuida da sua saúde física e emocional.


Com o peso em dia você se torna mais saudável, com menos risco de desenvolver várias, passa a sentir-se de bem com a vida, torna-se mais produtivo e isso se irradia na sua aparência. E os outros percebem isso facilmente, tanto que seu fator de empregabilidade aumenta.


Se você estiver desempregado ou em busca de promoção, não precisa fazer greve de fome. Para sua energia — e seu peso — se equilibrarem, basta optar por uma alimentação saudável, balanceada e de acordo com as suas necessidades nutricionais, que variam conforme sua idade, altura, sexo e nível de atividade física.


Aliás, dedicar-se a uma atividade física regular é altamente aconselhável, não apenas porque acelera o metabolismo e intensifica o processo de emagrecimento, como também porque ajuda a descarregar as tensões do dia-a-dia, restabelecendo a energia e mantendo afastados o nervosismo, o estresse e a ansiedade!


E não se esqueça: Todo esse cuidado não deve ser interrompido após conquistada a vaga ou a promoção. Ao contrário, devem ser mantidos por toda a vida. Sua carreira e a sua saúde agradecem!

Lair Ribeiro é Palestrante internacional, ex-diretor da Merck Sharp & Dohme e da Ciba-Geigy Corporation, nos Estados Unidos,

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Prática frequente no ensino, bullying marca vida de estudantes


Psicóloga afirma que a prática ultrapassa os muros escolares e que apoio da família é fundamental

Bruno Cidade/MidiaNews



Adolescentes confessam baixa autoestima e tentativa de suicídio após serem alvos de chacotas dos colegas
VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO


Tornar-se motivo de chacota dos colegas, ouvir apelidos maldosos e ter de lidar com a rejeição são alguns dos fatores enfrentados por quem sofre 'bullying' - atos de violência física ou psicológica praticados de forma intencional e repetitivos.

Seja na infância, adolescência ou mesmo na vida adulta, as palavras vexatórias fazem parte da rotina de muitas pessoas e, segundo especialistas, podem acarretar em problemas sérios, como a depressão.

Entre os alvos principais de quem pratica bullying estão aquelas pessoas que não se encaixam em determinados padrões estéticos. É o caso da estudante Ana*, de 17 anos, aluna de uma escola pública tradicional de Cuiabá.

Ela disse sofrer sempre que relembra os momentos de humilhação que passa na escola, onde cursa o terceiro ano do ensino médio.

"Desde criança, eu sou assim e sempre fui chamada de gorda, baleia, entre outros apelidos. Neste ano, me colocaram o apelido de Peppa Pig [personagem infantil]"
O motivo das ofensas, de acordo com a adolescente, é por ser considerada gorda pelos colegas.

Segundo ela, o sobrepeso a acompanhou durante toda a vida, assim como as palavras maldosas dos companheiros de classe.

“Desde criança, eu sou assim e sempre fui chamada de gorda, baleia, entre outros apelidos. Neste ano, me colocaram o apelido de Peppa Pig [personagem infantil]”, lembrou.

Em entrevista ao MidiaNews, a adolescente chorou ao comentar sobre o bullying que sofre diariamente por parte dos colegas de classe e confessou ter baixa autoestima e o emocional fragilizado desde que passou a ser alvo das palavras de desprezo na escola.

Segundo a jovem, ela procurou a ajuda dos pais e relatou o tratamento que recebia. Como resposta, eles a aconselharam a ignorar as ofensas, o que, segundo Ana, não resolveu o problema.

“A situação só melhorou quando fui procurei a coordenação da escola, mas ainda assim sofro bullying, pelo mesmo garoto. Ele sempre fala que vai parar, mas continua fazendo piadinhas”, lamentou.

Sexualidade


Além da aparência, questões referentes a sexualidade também são motivos para bullying. Desde que assumiu sua homossexualidade, Lucas*, 17 anos, sofre com os comentários e piadas dos colegas na escola.

“Desde que entrei na escola, sofro preconceito. Me xingam de 'bichinha' e várias outras coisas que acham que possa me ofender”, relatou.

Lucas afirmou que, em meio às ofensas, acabou perdendo a paciência e chegou a agredir um colega de classe.

Ele afirmou, ainda, que já chegou a ser internado num hospital, após tentar o suicídio em razão dos apelidos jocosos. Hoje mais forte, ele diz que os xingamentos continuam, porém, não o incomodam mais.

“Teve uma época em que eu cheguei a cortar os pulsos porque não aguentava mais os apelidos, mas isso não me incomoda mais. A minha mãe é homossexual também e sempre me ensinou que isso não é pecado. Ela só tem medo, diz que é perigoso brigar por causa disso”, afirmou.

A coordenação da escola, conforme Lucas, é omissa aos casos de bullying e não costuma resolvê-los.

Também em razão da sua orientação sexual, a adolescente Juliana*, 17, contou que já foi alvo de bullying na escola por diversas vezes.

Ela e a namorada costumam andar de mãos dadas pela escola onde estudam e, conforme relato, sempre são alvos de olhares preconceituosos.

Nem a coordenação da escola, de acordo com a adolescente, escapa de ações preconceituosas.


“A minha namorada me pediu em namoro no pátio da escola e, por causa disso, a inspetora nos levou para a diretoria. Ela nos disse que a gente estava desrespeitando a escola”, afirmou.

Juliana contou sofrer com a rejeição também dentro de casa, onde os pais não aceitam a sua orientação sexual. Segundo a jovem, eles chegaram a querer tirá-la da instituição, para que ela não pudesse mais ver a namorada.

“Os meus pais nunca apoiaram o meu namoro, mas também sofro bullying dos coordenadores da escola. As pessoas são preconceituosas em todo o lugar. Uma coordenadora me disse uma vez que o mundo era heterossexual e eu estava errada”, falou.

Apoio é fundamental


Conforme a psicóloga Estelita Rodrigues, o culto à aparência na atualidade fez com que o bullying se tornasse mais recorrente.

Rodrigues explica que o bullying é uma atitude social e a busca por um padrão estético ideal acaba fazendo com que aqueles que não correspondem à expectativa tornem-se motivos para chacotas e exclusão.

"A estrutura familiar é muito importante para quem sofre bullying, pois isso evita que a vítima sofra grandes abalos emocionais. Atualmente, há isolamento social dentro da própria casa"
“A vida inteira, desde que as pessoas passaram a viver em grupo, os apelidos existem. Porém, não havia essa supervalorização da aparência. Atualmente, qualquer coisa que tire do padrão social, tende a ser considerada ofensa”, disse.

A profissional afirmou que o bullying ultrapassa os muros da escola, quando os jovens vítimas de tais atos não contam com o apoio dos pais ou familiares, apontado por ela como fundamental para evitar possíveis traumas.

“A estrutura familiar é muito importante para quem sofre bullying, pois isso evita que a vítima sofra grandes abalos emocionais. Atualmente, há isolamento social dentro da própria casa”, explicou.

Segundo a psicóloga, o bullying pode ocorrer em outras situações, como na faculdade ou em ambientes de trabalho, não sendo um problema exclusivo das escolas.

Durante a vida acadêmica, conforme a especialista, campanhas devem ser feitas para garantir a boa formação das vítimas, a fim de que elas não sofram consequências de tais atos de agressão no futuro.

“É importante que haja a promoção de relacionamentos sadios, a escola deve promover campanhas de aceitação. Em casa, é importantes os pais reforçarem os laços e incentivarem a vítima de bullying a se aceitar do modo que é”.

O ambiente escolar, conforme a psicóloga, deve incentivar os alunos a promover a inclusão de gêneros, raças e culturas, principalmente na adolescência, que é uma das fases mais complicadas para a formação pessoal.

“A adolescência é uma criação social que ocorre no período da puberdade. É uma fase crítica, onde qualquer arranhão na autoimagem mexe com a pessoa, por isso é fundamental acompanhamento familiar”, explicou.


Lei anti-bullying

Em 2012, o Governo de Mato Grosso sancionou a Lei Nº 9.724, sobre prevenção e combate ao bullying. O documento incentiva as escolas públicas e particulares a desenvolverem projetos pedagógicos de medidas de conscientização, prevenção, diagnóstico e combate ao bullying escolar.

A lei define o bullying como prática de atos de violência física ou psicológica, de modo intencional e repetitivo, exercida por indivíduo ou grupos de indivíduos, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de constranger, intimidar, agredir, causar dor, angústia ou humilhação à vítima.

O decreto propõe a instituição da “Semana de Combate e Prevenção ao Assédio Escolar bullying no Estado de Mato Grosso”. O evento deve ser realizado anualmente, sempre na primeira semana de abril.

Paz na Escola


Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), além da lei estadual, o Governo conta com o projeto “Paz na Escola”, desenvolvido pela pasta, que possui o objetivo de coibir atos de violência no ambiente escolar. De acordo com a coordenadora da ação, Ana Carolina Costa, o bullying é um dos itens do projeto.

Costa afirmou que muitas das agressões ocorridas dentro de instituições de ensino são motivadas pelo bullying.

“Quanto maior a vulnerabilidade, maior a violência. A maioria dos casos de violência em escola estão ligados a questões comportamentais ou a problemas familiares”, disse.

*Os nomes dos adolescentes entrevistados na reportagem foram alterados para que suas identidades sejam preservadas.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A vó que me ensinou a pensar tecnologia

Vinícius Soares Pinto - vinicius@colegiomedianeira.g12.br
É responsável pela Educação Digital e a Comunicação do Colégio Medianeira. É formado em Publicidade e Propaganda (UP), especialista em Comunicação, Cultura e Arte (PUCPR) e Cinema (Tuiuti).



Uma cozinha bem equipada com liquidificador, processador de alimentos, batedeira, fritadeira, chaleira elétrica, entre outras invenções do mundo moderno é o ambiente da casa em que a minha vó, uma senhora de quase setenta anos, mais gosta de passar o tempo. As máquinas, suas aliadas no preparo da comida simples e de sabor incomparável, dividem espaço com as toalhas bordadas, os pratos com detalhes na porcelana, além de panelas e travessas que, apesar de antigas, estão impecáveis como novas. Transformou a cozinha num ambiente em que a tecnologia divide espaço com a tradição e os costumes da família. Por exemplo, servir uma refeição sobre uma mesa sem toalha e guardanapos? Jamais!

Sempre comenta comigo das dificuldades que passava para fazer essa ou aquela receita quando não se tinha um liquidificador ou um freezer. Como cozinheira experiente, me conta que a culinária é como uma alquimia, em que experimentar ingredientes e técnicas novas são condições básicas para quem quer ter domínio sobre as receitas. Comenta também que errar faz parte do processo, pois nem sempre o resultado final fica como o planejado, como tudo na vida. No entanto, sempre me alerta: "Informe-se o máximo possível sobre aquilo que você gosta. É lendo, estudando, escutando e experimentando que a gente aprende a fazer direito e errar menos. Você já reparou que fora da cozinha tô sempre com uma revista nova de receitas e que conheço todos os programas de receitas da televisão? Ainda mais agora com a tv a cabo no quarto!".

Quando ganha ou compra alguma novidade para a cozinha, como um triturador novo de alimentos, já sabe com clareza como que o utensílio vai lhe ajudar a melhorar a consistência do recheio crocante daquela torta, ou que vai conseguir preparar com mais facilidade um tempero para a salada. Ao mesmo tempo, não é porque se tem agora um triturador, por exemplo, que ela irá preparar uma refeição toda em torno do novo equipamento. Afinal, a vó sabe identificar os processos que considera mais trabalhosos, que lhe tomam mais tempo e que, talvez, um utensílio doméstico poderia lhe ajudar a tirar de letra.

Portanto, saber identificar melhorias para as atividades diárias a partir da tecnologia, acho que é um dos pontos principais que a minha vó me ensinou. Poder ter os pés no chão e dizer "não!" ao modo como a tecnologia tem nos sido empurrada goela abaixo, criando novas necessidades a todo momento e entulhando nossos dias com novas demandas a uma velocidade em que não estamos conseguindo mais acompanhar. Algo mais ou menos assim: não é porque você comprou um carro com freios de última geração que você irá dirigir de maneira imprudente no trânsito, porém você sabe que a tecnologia do freio está ali disponível, caso você julgue necessário utilizá-la. Parece um exemplo bobo, mas o motorista que se torna imprudente porque agora tem a tecnologia nas mãos não é diferente do homem moderno que conseguiu tornar-se refém dos aparatos tecnológicos, acreditando que conseguiria mais liberdade e qualidade de vida.

Esses exemplos podem ser muito bem aplicados à realidade escolar. Compreender que não é porque agora se pode ter uma lousa interativa ou um tablet em sala de aula, que precisamos, realmente, preparar aulas inteiras pensadas para esses equipamentos. Seria a mesma coisa se a minha vó só fizesse comida triturada depois da compra do triturador. Portanto, encerro citando o jornalista e educomunicador Alexandre Le Voci Sayad, autor do livro Idade Mídia: "Tecnologia sozinha não faz boa educação, mas é indispensável a ela, num projeto mais amplo."