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quarta-feira, 21 de maio de 2014

MT - Mostra de cinema traz curtas e longas alternativos no Sesc

Da Redação - Isabela Mercuri

Começa nesta quarta-feira (21), no Sesc Arsenal, a “Mostra do Filme Livre”. Com o slogan “O cinema alternativo em destaque”, a mostra vai até domingo e traz filmes de diversos lugares do país.

No primeiro dia, quarta, uma homenagem aos dez anos do filme “Cidade de Deus” integra a Sessão Cavídeo. “Cidade de Deus – 10 anos depois” é um filme de Cavi Borges e Luciano Vidigal, de Brasília.

Na quinta (22) acontecerá a sessão homenagem 2014, com o filme “Das tripas coração” da carioca Ana Carolina.

Sexta (23), um filme de ficção fará a “Sessão Longa Livre”, com “Luíses c-Solrealismo Maranhense”. Sábado (24) e domingo (25) serão exibidas diversas criações.

Programação:

21/05 às 19h30
Sessão Cavídeo
Cidade de Deus – 10 anos depois. (Cavi Borges e Luciano Vidigal, Bra, 2012, Doc.)

22/05 às 19h30
Sessão Homenagem 2014 - Ana Carolina
Das tripas coração. (Ana Carolina, RJ, 1982)

23/05 às 19h30
Sessão Longa Livre
Luíses c-Solrealismo Maranhense. (Lucián Rosa, 2013, Fic.)

24/05 às 19h30
Sessão Mundo Livre
Square Times (Daniel Caetano)

Estação Bahia (André Michelis e Fabio Barbella)
Turismo de Guerra (Felipe Raphael Lopes)
Tango (Louis Robin)
Delírios de Françoise (Lucas Pelegrino)
Relatório número 1 (Ricardo Mendonça)
Hoje (Alessandra Colasanti)
Vuvuzela’s dream (Felipe Kowalczuk)

25/05 às 19h30
Sessão Curtas Livres
A eleição é uma festa (Fabio Rogério)
Malha (Paulo Roberto)
Camila, agora (Adriel Nizer Silva)
No interior da minha mãe (Lucas Sá)
Em trânsito (Marcelo Pedroso)
Trans*lucidx (Tamíris Spinelli)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Criação da capitania de Mato Grosso

Autor: Pedro Félix é escritor

Em 9 de Maio de 1748 o rei de Portugal D. João V, conhecido em sua terra como o rei sol português, criou a Capitania de Mato Grosso. Um ato simbólico de grande importância para nossa região. Dois anos depois ele garantiria pelo Tratado de Madri o território de forma legal, retirando da Espanha um território que era dela desde 1494 com a assinatura de outro tratado anterior.

Essa vitória sobre a Espanha teve um longo percurso que começou com uma crise; a crise do açúcar no final do século XVII. Tudo começou coma expulsão dos holandeses do Brasil em 1654. Os batavos levarem mudas de cana de açúcar brasileiro para as Antilhas.

O plantio na América central quebrou economicamente o Brasil e fez a coroa portuguesa se voltar para o interior da Colônia em busca de novas riquezas, além do açúcar do litoral nordestino.

A meta de interiorização foi inicialmente realizada pela coroa e esse processo foi chamado de “Entradas”. Essas expedições que adentravam a mata a procura de outras riquezas, foram substituídas por empreendimentos particulares chamadas de “Bandeiras” e seu membros denominados de “Bandeirantes”.

Os mais conhecidos bandeirantes saíram de São Paulo, e caçavam índios e prospectavam metais preciosos. Atacavam aldeias e Missões jesuíticas, escravizando aqueles que sobreviviam a seus ataques. De Sorocaba, Itu, São Vicente e Porto Feliz vieram muitos desses para a região de Mato Grosso.

Muitos desses bandeirantes acreditavam que encontrariam a Serra dos Martírios, uma lenda criada pela bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o pai. A lenda dizia que no interior do Brasil existia uma Serra, que por obra da natureza havia uma coroa e a lança e cravos da paixão de Jesus Cristo esculpidos em ouro e cristais.

A lenda da Serrados Martírios também incentivou o desbravamento a Mato Grosso e o Morro de São Jerônimo chegou a ser referenciado com a serra da Lenda. Mas seja pela lenda, mas principalmente pela ótica econômica,outros bandeirantes chegaram aqui em nossa terra.

O Filho de Bartolomeu Bueno, que tinha o mesmo nome que o pai, juntamente com Manoel Campos Bicudo e posteriormente seu filho Antônio Pires de Campos, são os primeiros portugueses a pisarem em solo mato-grossense.

Por volta de 1680 a 1718 eles adentraram em nosso solo levaram muitos índios para as lavouras de São Paulo. De São Paulo partiam geralmente da cidade de Porto Feliz, na época chamada de Araritaguaba (terra das Araras). De modo fluvial chegavam aqui depois de cinco a seis meses de viagem.

Em 1719 após encontrar Pires de Campos, Pascoal Moreira Cabral, soube da existência de índios Coxiponé na região. Sua chegada trouxe a descoberta de ouro oficialmente em 8 de abril de 1719.

A descoberta levada como notícia, trouxe diversas lendas sobre os achados. Diziam que em Ikuiapa (como era chamada Cuiabá pelos índios) havia tanto ouro que qualquer fogão de chão era feito de pedras de ouro. Os bacamartes (armas de fogo de cano longo) tinham balas de ouro.

A lenda trouxe uma enxurrada de gente de todo tipo, muitos sem eira nem beira. Algumas ordens religiosas foram proibidas de entrar nas minas, pois os padres só queriam enriquecer e depois sumiam no mato deixando as batinas.
A leva de gente cresceu e me 1727, Cuiabá já tinha mais de quatro mil pessoas. O Arraial virou vila com o nome de Nosso Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Mas o ouro era de aluvião, fácil de achar, mas rápido para acabar.

A fome de ouro fez muitos dos habitantes de Cuiabá migrar para o norte e noroeste em busca de mais metais. Nesse desbravamento mais para o centro da América do Sul, fez surgir novos Arraiais, entre eles São Pedro Del Rei (Poconé), Vila Maria do Paraguai (Cáceres), Diamantino Alto Paraguai e mais a noroeste Vila Bela da Santíssima Trindade, dentre muitos outros.

Estava configurado um povoamento português em terra legalmente ainda da Espanha. Como fazer para reverter tal situação. Foi então assinado um tratado que tinha um princípio baseado na ocupação da terra. Onde existisse gente daquela nacionalidade a terra pertenceria àquela nação.

O principio foi chamado de Utti Possidetis, sendo um princípio de direito internacional segundo o qual os que de fato ocupam um território possuem direito sobre este. A expressão advém da frase uti possidetis, ita possideatis, que significa "como possuís, assim possuais". Essa argumentação foi defendida por um nobre da Corte portuguesa, mas de nascimento no Brasil chamado Alexandre de Gusmão.

Argumento aceito, as duas coroas assinaram o Tratado de Madri em 13 de janeiro de 1750 e Mato Grosso que já existia desde 9 de maio de 1748, passou legalmente a ser terra de Portugal.

Hoje Mato Grosso completa duzentos e sessenta anos de existência, sendo um grande estado com múltiplos aspectos geográficos, banhados por três bacias geográficas(Bacia Amazônica, Bacia do Paraguai e Bacia do Tocantins), com uma exuberante vegetação compreendo os biomas pantaneiro, amazônico e o cerrado. Abriga diferentes etnias, ganhando cada vez mais expressão dentro e fora do Brasil. Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado em 2010, Mato Grosso possui 3.035.122 habitantes, o que representa 1,59% da população brasileira. Temos muita terra que pode abrigar ainda uma imensidão de gente.

Parabéns a todos que de uma forma ou de outra contribuíram e contribui com o progresso de nosso Estado.

Pedro Félix é escritor, autor dos Livros de História de Maro Grosso 1ª, 2ª e 3ª edições, e Cuiabá, centro da América do Sul.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Com o fim dos quintais cheios de frutas, pela chegada do progresso, o curupira foi embora de Cuiabá...


Reza a lenda que o Curupira andava pelos grandes quintais das casas cuiabanas catando frutas para levar para os animais que viviam nos cerrados

NELSON SEVERINO



Tem gente em Cuiabá – principalmente as pessoas mais idosas – que ainda afirma que o lendário curupira, considerado ferrenho protetor das matas e dos animais, existe sim! Só não é visto mais por estas bandas, porque com a chegada do progresso a Cuiabá nos últimos 50 anos e que trouxe em suas esteiras o fim dos quintais cheios de frutas, hoje ocupados por arranha-céus, grandes condomínios e conjuntos habitacionais, o curupira foi embora.

Reza a lenda sobre essa figura do folclore brasileiro que em outros tempos era comum se ver o curupira, uma espécie de menino de baixa estatura, bem troncudo, de cabelos vermelhos, perambulando pelos grandes quintais das casas de Cuiabá catando frutas para levar para os animais que viviam nos cerrados das cercanias da cidade. Era visto, principalmente, nos períodos de estiagem prolongada, quando escasseavam as frutas do cerrado.


O curupira era bem folgado – dizem: se na casa cujo quintal invadia não tinha ninguém, ele não vacilava em dar uma boa espairecida, puxando um ronco na primeira rede que encontrava debaixo de uma frondosa mangueira. E quando ia embora, levando as frutas que coletava para os animais dos cerrados, deixava caroços da deliciosa fruta espalhados por todo o quintal.

Como defensor dos animais e das matas, o curupira estava sempre em estado de alerta aos perigos a que seus protegidos estão expostos. No caso dos agressores das matas e dos caçadores, o curupira tem um jeito especial de afugentá-los: aproxima-se deles sem ser percebido e dispara estridentes assobios aos pés de seus ouvidos. “Não tem quem não sai em disparada, enchendo as calças de medo...” – assegura um velho cuiabano, que nunca viu, mas crê que o curupira não é só lenda não!

Tentar perseguir o curupira é tempo perdido. E perigoso. Com os dois pés virados para trás, quando o perseguidor do curupira pensa que está se aproximando dele, está, na verdade, é se distanciando. Conta-se, inclusive, histórias de gente que se perdeu na vegetação densa dos cerrados da região de Cuiabá, tentando seguir os passos do lendário curupira...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CUJO OU ONDE?

Por Thaís Nicoleti
 
O leitor Emanuel Jackson traz uma questão sobre o emprego do pronome relativo “cujo”. O trecho apresentado por ele, extraído de prova de concurso, é o seguinte:

Eles também mencionaram a importância do esforço conjunto que está sendo feito pelos TCs, cujo objetivo é traçar um diagnóstico sobre a gestão sustentável de zonas de preservação da floresta amazônica, estudando e analisando as principais ações do governo para a proteção do patrimônio ambiental…

Pergunta ele se haveria prejuízo da correção gramatical e do sentido original do texto caso se substituísse “cujo” por “onde o” e qual seria a função desse “onde o” na frase.

Em primeiro lugar, cumpre relembrar o emprego do pronome “cujo”, que estabelece com o antecedente relação de posse. Nas palavras de Celso Cunha e Lindley Cintra (“A Nova Gramática do Português Contemporâneo”), “cujo é, a um tempo, relativo e possessivo, equivalente pelo sentido a do qual, de quem, de que”.

No fragmento acima, o pronome pode relacionar os substantivos “esforço” e “objetivo” ou “Tribunais de Contas” e “ objetivo” (“o esforço cujo objetivo”, ou seja,  “o objetivo do esforço”; “os TCs, cujo objetivo”, ou seja, “o objetivo dos TCs” ). Essa equivalência nos dá uma pista para descobrir a função sintática do relativo “cujo”: o pronome substitui “do esforço” no sintagma “objetivo do esforço” ou “dos TCs” no sintagma “objetivo dos TCs”, logo exerce a função de adjunto adnominal, a mesma função exercida pelas referidas locuções.

Por estabelecer necessariamente a relação de posse entre dois substantivos (a moça cujos olhos = os olhos da moça; o rapaz cuja mãe = a mãe do rapaz), cujo sempre exercerá a função de adjunto adnominal.

O advérbio relativo “onde” equivale a “o lugar em que, no qual”. O termo aplica-se a lugares, portanto seu antecedente deve ser um nome que indique lugar (o país onde nasceu = o país no qual nasceu; a empresa onde trabalha = a empresa na qual trabalha) ou mesmo um advérbio de lugar (ali, onde nasce o sol = ali, no lugar em que nasce o sol). Sua função sintática é sempre a de adjunto adverbial de lugar.

O objetivo da questão proposta no concurso talvez fosse mostrar que o relativo “onde” retomaria TCs (Tribunais de Contas) como lugar em que alguma coisa tem existência, o que, a meu ver, alteraria o sentido original do texto, pois estaria sendo dito que os TCs são lugares onde [existe] o objetivo de traçar um diagnóstico sobre a gestão sustentável etc. Tal objetivo, como se depreende do contexto, está relacionado ao esforço conjunto que vem sendo feito pelos TCs. O objetivo desse esforço conjunto feito pelos TCs é traçar um diagnóstico sobre a gestão sustentável etc.

Note ainda que, para empregar “onde o”, aceitando o fato de que o sentido da mensagem se modificaria, seria necessário fazer algumas alterações no texto original. Não se construiria um texto assim: “… esforço feito pelos TCs, onde o objetivo é traçar um diagnóstico…”. Para que fosse cabível o emprego do “onde”, teríamos algo assim: “… esforço feito pelos TCs, onde existe o objetivo de…”.

É provável que a pergunta do exame tenha nascido da percepção de que o advérbio relativo “onde” tem sido usado com muita frequência nas mais variadas situações, como uma espécie de “articulador universal”, enquanto o pronome “cujo” tem sido escanteado por muita gente. Vale reforçar que cada um deles tem seu uso.  O manuseio seguro das formas contribui muito para a clareza e a fluência do texto.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Resenha - Gestão Pedagógica: Gerindo escolas para a cidadania crítica


A WAK Editora lançou o livro "Gestão Pedagógica: Gerindo escolas para a cidadania crítica", de Wolmer Ricardo Tavares, que mostra que a educação não é para ser padronizada e, tampouco, deve ser limitada a um simples compêndio a ser traduzido em plano de ação sem uma visão holística.

Gestão Pedagógica: Gerindo escolas para a cidadania crítica é um livro que mostra que a educação não é para ser padronizada e, tampouco, deve ser limitada a um simples compêndio a ser traduzido em plano de ação sem uma visão holística. Essa visão se faz mediante uma gestão pedagógica e escolar.
Alguns gestores, por desconhecerem conceitos intrínsecos nesta obra, deixam de oferecer algo a mais para alavancar uma educação que leve o educando a um protagonismo, fazendo com que a criticidade seja um norte para interagir e mudar todo o redor no qual o educando se encontra inserido.
Para uma minoria elitizada, a educação não se limita apenas a um apanhado de conteúdos considerados essenciais para a vida do educando. Por isso, cabe ao gestor tanto escolar quanto pedagógico não só conhecer mas também aplicar conceitos, como teoria de Gestalt, inteligência emocional, letramento, crowdsourcing,sensemaking, educação social, socialização, gestão de pessoas, dentre outros, todos tão relevantes quanto os anteriores.
Diante desse novo conhecimento, os gestores poderão se sentir mais confiantes para direcionar seus educandos a uma educação para a vida. Esses conceitos são tão relevantes quanto os já citados.
Título: GESTÃO PEDAGÓGICA - GERINDO ESCOLAS PARA A CIDADANIA CRÍTICA
Autor: WOLMER RICARDO TAVARES
Formato: 14x21cm   -   196 páginas
ISBN/COD. BARRAS:  978-85-7854-078-4
Preço: R$ 28,00


www.wakeditora.com.br
(21) 3208-6113

Resenha - Educação e Competências - Pontos e contrapontos


Como o termo competência foi introduzido na educação? O ensino por competências representa um avanço em relação aos modelos educativos existentes? Como formar os profissionais da educação para esse modelo? Essas e outras questões são tratadas ao longo da obra, escrita pelo educador espanhol Joan Rué e pela educadora brasileira Maria Isabel de Almeida.

A qualidade do ensino brasileiro está bem abaixo da desejada. Mas a introdução do conceito de competências na educação pode ajudar a reverter esse quadro, pois se trata de uma oportunidade de refletir e aprofundar um processo de mudança necessário para melhorar o sistema vigente.
A introdução de um novo conceito, contudo, requer avaliação. Afinal, o ensino por competências representa ou não um avanço em relação aos modelos educativos existentes? Como formar os profissionais da educação para esse modelo de ensino? Como deve ser o sistema de avaliação nessa perspectiva? Essas e outras questões são abordadas no livro Educação e competências (168 p., R$ 37,80), lançamento da Summus Editorial.
Elaborado em três etapas diferentes e complementares, o livro integra a série Pontos e Contrapontos, cuja proposta é promover um debate acadêmico e científico sobre temas educacionais candentes. Ao longo da obra, o educador espanhol Joan Rué e a educadora brasileira Maria Isabel de Almeida estabelecem um diálogo que, além de defender uma visão sobre o conceito de competências na educação, tem como propósito lançar novas luzes sobre esse debate, permitindo vislumbrar perspectivas inovadoras para melhorar a qualidade do ensino brasileiro, favorecendo o pensamento complexo das próximas gerações.
A primeira parte é composta por artigos originais dos dois educadores, apresentando e sustentando seu ponto de vista sobre o tema da obra. Nessa etapa, o professor Joan, da Universidade de Barcelona, faz uma análise histórica do conceito de competência no campo educacional e conclui com uma síntese que orienta e encoraja os profissionais da educação a enveredar por esse modelo de ensino.
Já a professora Maria Isabel, da Universidade de São Paulo, discorre sobre os diversos significados e usos da noção de competência e os modos como as políticas educacionais a têm incorporado. Assim, faz uma análise cuidadosa de seu surgimento e de suas implicações no contexto atual. Para concluir, fala sobre a figura do professor competente, problematizando desde sua formação até suas ações.
Na segunda parte da obra, cada educador elabora quatro questões contemplando suas eventuais dúvidas e discordâncias a respeito das informações expostas pelo colega. O objetivo é pontuar suas ideias e contrapor as colocações de seu interlocutor.
A terceira e última parte é composta por questões elaboradas pela organizadora da coleção e mediadora do diálogo, Valéria Amorim Arantes, para retomar pontos convergentes e divergentes do diálogo estabelecido e acrescentar a ele novos conceitos. Nessa etapa, a organizadora retoma a problemática da formação de professores e solicita que os autores apresentem uma proposta para tal formação, visando um ensino por competências.
Os autores
Joan Rué é pedagogo, professor e pesquisador da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade Autônoma de Barcelona. Atualmente preside a RED-U, rede espanhola de profissionais da educação que promovem a qualidade da docência universitária. Coordenador e conferencista de inúmeros congressos científicos, dedica-se a pesquisas sobre qualidade docente e aprendizagem, além de ser consultor de revistas internacionais de educação. Participa de vários projetos em universidades europeias e de programas de mestrado e doutorado em instituições espanholas, latino-americanas e brasileiras. Entre suas publicações recentes estão: Enseñar en la universidad (Narcea, 2007) e El aprendizaje autónomo en la educación superior (Narcea, 2009). Também é autor de O que ensinar e por quê (Moderna, 2003) e de um capítulo do livro Aprendizagem baseada em problemas (Summus, 2008).
Maria Isabel de Almeida é formada em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), fez mestrado e doutorado em Didática pela Faculdade de Educação da mesma instituição e pós-doutorado pela Universidade Autônoma de Barcelona. Professora da Faculdade de Educação da USP, é uma das coordenadoras do Gepefe (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Formação de Educadores). Tem se dedicado também a pesquisas e orientações nas áreas de didática, formação de professores, políticas e reformas educacionais e ensino superior. Foi professora de História em escolas de educação básica durante quinze anos.
Título: Educação e competências – Pontos e contrapontos
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Joan Rué e Maria Isabel de Almeida
Editora: Summus Editorial
Preço: R$ 37,80
Páginas: 168
ISBN: 978-85-323-0650-0
Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890
Site:
www.summus.com.br

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Os Períodos Filosóficos

Antes, de mais nada façamos um breve esclarecimento histórico.
Durante muitos séculos aquilo que chamamos de Grécia não era um país como nós entendemos hoje, mas sim várias cidades-estado, independentes e autônomas entre si. Uniam-se ou se separavam de acordo com as circunstâncias e conveniências.

Essas cidades-estado possuíam culturas e características diferentes com alguns elementos em comum. Várias delas possuíam poder central e, em alguns casos, algumas colônias. A parte circulada, no mapa, representa a Grécia (região continental e insular). Os demais pontos em destaque verdes eram as colônias ou as regiões com as quais os gregos mantinham relações comerciais.

Todas essas regiões receberam influência e influenciaram o mundo grego. Esse contato interativo possibilitou aos gregos as comparações entre os elementos culturais que fizeram nascer a filosofia.
Mas isso se fez lentamente, obedecendo alguns períodos. Podemos até dizer que a forma de fazer filosofia evoluiu ao longo dos séculos. Como vimos anteriormente, houve um longo processo para que a capacidade reflexiva do homem chegasse ao ponto de ser chamada de Filosofia. E isso só aconteceu na Grécia, por volta do século VII. O pensar, antes desse período, ainda era envolto em mitos e religiosidade que dificultava a racionalidade específica da filosofia.

Ao nascer, a filosofia grega tinha um objetivo: explicar racional e coerentemente o mundo. Com o transcorrer dos anos esse objetivo foi se aprimorando e novas temáticas foram sendo incorporadas à reflexão filosófica. Hoje podemos estudar a história da filosofia tanto pela sua evolução cronológica como pelas abordagens temáticas. E mais ainda: a história da filosofia não se faz da mesmaforma que a história geral da humanidade. A história da Filosofia é a história de como e porque o pensamento filosófico assumiu determinadas característica, em cada época.

Período Pré-Socrático

Este período é assim chamado porque desenvolveu temáticas diferentes daquelas inaugurada pela "mosca de Atenas". É também é chamado de período Cosmológico. Os pensadores deste período são de várias cidades ou das colônias gregas. Nenhum era de Atenas.

A preocupação dos pensadores deste período é encontrar uma explicação racional e sistemática (uma cosmologia) para o mundo (o cosmo), que substituísse a antiga cosmogonia (explicação mítica).
E um dos primeiros pensadores de que se tem registro é da cidade de Mileto. Daí seu nome: Tales de Mileto (623/546 aC). Foram seus concidadãos e contemporâneos: Anaximandro (610/547 aC) e Anaxímenes (588/524 aC). Para estes pensadores o mundo era constituído a partir de determinados elementos.

O que sabemos de Tales vem principalmente de Aristóteles, que diz: "a maior parte dos filósofos antigos concebia somente princípios materiais como origem de todas as coisas. (...). Tales, o criador de semelhante filosofia, diz que a água é o princípio de todas as coisas" (Aristóteles, apud, Bornheim, [198?], p. 23 ) Tales, além de ser considerado Pai da Filosofia, deixou valiosas contribuições para o desenvolvimento da matemática e da geometria.

Anaximandro, discípulos de Tales, afirmava que o princípio (Arché) de tudo era o ÁPEIRON (ilimitado). "Todas as coisas se dissipam onde tiveram sua gênese; pois pagam umas às outras castigo e espiação pela injustiça, conforme a determinação do tempo" (apud Bornheim, [198?], p. 24).

Anaxímenes, seu sucessor, discordava, dizendo que a origem de todas as coisas é o ar: "assim como nossa alma, que é ar, nos mantém unidos, da mesma maneira o vento envolve todo o mundo" (apud Bornheim, [198?], p. 28).

Outros pré-socráticos foram: Pitágoras (570/490 aC) que nasceu na ilha de Samos e afirmava que as coisas são constituídas de Números. A esse pensador se devem importantes contribuições à matemática e geometria. É indiscutível a atualidade de seu teorema, afirmando que a "soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa"

Por sua vez Heráclito de Éfeso (504aC) dizia que tudo está em movimento e as realidades se manifestam pelos seus contrários. "O frio torna-se quente, o quente frio, o úmido seco e o seco úmido". "A doença torna a saúde agradável; o mal, o bem; a fome, a saciedade; a fadiga, o repouso". "Não se entra duas vezes no mesmo rio. Dispersa-se e reúne-se; avança e se retira"

Parmênides de Eléa (500 aC?) irá fazer uma afirmação exatamente oposta e dirá que o ser é eterno, dirá que o "ser é e o não ser não é". Mostra os "únicos caminhos de investigação cabíveis. O primeiro diz que o ser é e o não-ser não é; este é o caminho da convicção, pois conduz à verdade.[...]. Pois não podes conhecer aquilo que não é  isto é impossível , nem expressa-lo em palavras" Com isso inaugura o princípio lógico da "não contradição" que foi desenvolvido mais tarde por Aristóteles.

Demócrito foi o criador da teoria Atomista, segundo a qual o mundo é composto de partículas indivisíveis, os átomos que se misturam ao acaso, dando origem a cada uma das realidades. Afirma a inacessibilidade à verdade ao dizer que "no entanto, ver-se-á bem que não se pode chegar a saber o que cada coisa realmente é". Afirma também que "o homem é um microcosmo".

Conhece-se, além desses, outros pensadores, também chamados de pré-socráticos. É o caso de Zenão de Eléia para discutir o problema do conhecimento e do movimento, propõe vários paradoxos como o da tartaruga, do arqueiro. Ele diz que "o que se move está sempre no mesmo agora". Já Empédocles falava de quatro elementos: ar, fogo, terra, água e que o princípio de todas as coisas é a luta dos contrários (amor x ódio). Leucipo diz que "nada deriva do acaso, mas tudo de uma razão e sob a necessidade". Cada um desses pensadores deu sua contribuição para o desenvolvimento humano. Hoje seu pensamento pode nos parecer ultrapassado ou coisa corriqueira. Entretanto, não importa como os vejamos, ultrapassado ou simplórios, o fato é que muito do que temos devemos a eles. Seu mérito é, em tempos remotíssimos, ter dado o pontapé inicial.

Período Socrático

Por volta do século V aC. começa o que podemos considerar como um novo período na história da filosofia, ao qual podemos chamar de período Socrático ou ANTROPOLÓGICO. Esse também é chamado deperíodo clássico da filosofia.

Podemos marcar o início desse período com a atuação dos Sofistas que estavam preocupados mais com a linguagem e a erudição do que com a explicação do mundo. Para os sofistas o importante era o bem falar e a arte de convencer o interlocutor.
As contendas políticas e os conflitos de opiniões favoreceram a ação desses professores ambulantes que consideravam não haver uma verdade única. Alguns comentadores da história da filosofia viram com maus olhos a atuação dos sofistas, principalmente devido a escritos de Platão que os considerava não filósofos, mas manipuladores do raciocínio sem amor pela verdade. Essa visão, entretanto, começa a ser revista, pois se percebe que os sofistas não eram os aproveitadores mencionados em alguns manuais, mas pessoas que se utilizaram, de forma pragmática, da filosofia.

O fato é que o centro das atenções tanto dos sofistas como de Sócrates, Platão e Aristóteles (e dos posteriores) volta-se para o homem e suas relações. Protágoras, um sofista dirá que "o homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são enquanto são; daquelas que não são, enquanto não são". E Górgias, outro sofista, preocupado com o discurso, fará a seguinte afirmação: "o bom orador é capaz de convencer qualquer pessoa sobre qualquer coisa".
A postura dos sofistas, demonstrando pouca preocupação com a verdade e muito mais com o argumento, levou Platão a colocar na boca de Sócrates a afirmação de que "Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei". Vê-se, portanto que a preocupação dos sofistas é a argumentação e a de Sócrates/Platão é a verdade daquilo que se sabe ou do que se pode saber.

O período antropológico que também é chamado o período Clássico da Filosofia recebe essa denominação por que nessa época floresceu não só a filosofia como também as artes e o começo da organização de todo o saber. Principalmente pela atuação de Aristóteles e seus discípulos do Liceu (nome de sua escola, em homenagem ao deus Apolo Lício) floresceu o processo de aquisição e sistematização de vários saberes. A filosofia chegou ao seu apogeu com esses três pensadores que foram uma das maiores marcas da história do saber.

Algumas curiosidades: Sócrates ensinava na praça de Atenas, dialogando com seus discípulos e interlocutores. Usava a maieutica e a ironia, como instrumentos metodológicos. Em virtude de sua postura filosófica foi chamado de "inseto", comparado com uma mosca: a mosca de Atenas. Um de seus principais discípulos foi Platão. Esse criou uma escola, a Academia, onde se reunia com seus discípulos e onde ditou os textos de seus diálogos em que Sócrates é o personagem principal. Um dos principais ensinamentos de Platão é a teoria do Mundo das idéias e a da Reminiscência da Alma. Na porta de sua academia estava escrito: "não entre aqui quem não for amante da matemática". Aristóteles discípulo de Platão, também fundou uma escola, o Liceu, mas não lecionava dentro de uma sala e sim andando pelos corredores. Daí vem a denominação de escola peripatética (andar ao redor). Aristóteles foi o grande sistematizador da filosofia (dos conhecimentos da época), classificando em várias áreas. Fez, através de uma grande rede de discípulos, estudos de Botânica, Zoologia, Química, Psicologia etc. A esses estudos denominou Física. Aos estudos sobre o Ser, o conhecimento, entre outros, chamou de Metafícia (depois da física).

Ainda hoje a cultura e o saber ocidental são tributários à mentalidade e à filosofia grega, do período clássico: quando falamos em corpo-alma estamos nos referindo a conceitos originários de Platão. Quando pretendemos maior clareza de nosso interlocutor, e para isso lhe fazemos uma série de questionamentos, estamos nos reportando a Sócrates. Quando falamos em lógica, organização e sistematização de conhecimentos, estamos aplicando uma metodologia aristotélica.

Outra conseqüência da ação desses três pilares da filosofia grega foi o fato de, após suas mortes, a filosofia ter entrado em um período de declínio. Não por ter perdido qualidade ou preocupação com o saber, mas pelo fato de, por um longo período, não terem aparecido grandes nomes, propondo novos sistemas.

Helenismo
Com isso chegamos ao período do HELENISMO. A partir do século III aC. inicia-se a decadência político-militar da Grécia. Trata-se de uma época em a sociedade e os valores entraram em decadência.Conseqüentemente, para ocupar o vácuo do poder grego ascenderam os macedônios que assimilam a cultura grega, através de Alexandre, discípulo de Aristóteles. O Helenismo se caracteriza pelo sincretismo de elementos culturais provindos dos povos do oriente, conquistados por Alexandre e a cultura grega. A filosofia desse período é, ao mesmo tempo, continuação dos ensinamentos de Platão e Aristóteles, mantidos pelos seus discípulos e uma reelaboração desses ensinamentos filosóficos.

As preocupações da filosofia no período Helenista, entretanto, mudam de curso. Deixa de estar centrada no homem social, político e na compreensão da natureza. Ou seja, a preocupação deixa de ser em relação a "explicação dos mistérios do universo"(MONDIN, p. 1982, p. 107) para se voltar para problemas éticos. A filosofia começa a tratar não do coletivo, mas da vida interior do homem. Essa preocupação ética permaneceu durante todo o período Helenista, passou pelo Império Romano e continuou com a chegada do Cristianismo, quando começou uma nova etapa da história da filosofia.

No período Helenista desenvolveram-se várias escolas filosóficas. Podemos destacar:

O CINISMO: esta escola pode ser apresentada como aquela que caracteriza a decadência moral da sociedade grega e macedônica. Pode-se dizer que o personagem que melhor caracteriza essa escola é Diógenes que em pleno meio dia, com uma vela acesa andava pelas ruas dizendo: "procuro o homem". Cinismo vem de Cão (xýon) o que se justifica, pois o pensador afirmava: "faço festa aos que me dão alguma coisa, lato contra os que não me dão nada e mordo os celerados" (Diógenes, Apud, REALE; ANTISERI, 1990, p. 233). Num banquete, ao lhe atirarem osso ele teria urinado em cima, como fazem os cães. "Diogenes tomava sol quando Alexandre, o homem mais poderoso da terra se aproximou e lhe disse: 'pede-me o que quiseres'; ao que Diógenes respondeu: 'afasta-te do meu sol'" (ibidem, 1990, p. 233). A partir disso já podemos ter uma idéia do que essa escola pregava: desprezo àquilo que a sociedade dominante considera valor e valorização da simplicidade do viver. Foi uma escola que atravessou os séculos e podemos dizer que a postura socrática esteve sempre muito próxima do ideário cínico. Aliás, se levarmos em conta a afirmação de Gaarder podemos dizer que foi com Sócrates que nasceu o cinismo: diz o autor: "Conta-se que, um dia, Sócrates parou diante de uma tenda do mercado em que estavam expostas diversas mercadorias. Depois de algum tempo, ele exclamou: 'Vejam quantas coisas o ateniense precisa para viver!'. Naturalmente ele queria dizer com isto que ele próprio não precisava de nada daquilo.

Esta postura de Sócrates foi o ponto de partida para a filosofia cínica, fundada em Atenas por Antístenes um discípulo de Sócrates -, por volta de 400 a.C." (Gaarder, 1998, p. 147, grifo no original)
O ESTOICISMO: esta escola caracteriza-se pelo espírito de completa austeridade física e moral. Ou seja, o Homem deve suportar os sofrimentos, fugir dos prazeres fáceis e afastar-se das permissividades e licenciosidades. A sabedoria consiste em manter uma vida austera. A pratica da virtude "consiste na apatia (apátheia), isto é, na anulação das paixões" (MONDIN, 1982, p. 112) Essa corrente filosófica influenciou profundamente o cristianismo, marcando-o até nossos dias, como, por exemplo, a prática da penitência.

EPICURISMO: é a escola que pode ser colocada no extremo oposto ao estoicismo. Ela se caracteriza pela idéia de que o homem deve buscar o prazer, entendido como "ausência da dor e não como satisfação das paixões" (Mondin, 1982, p. 114). Desfrutar do prazer é virtude, portanto é um bem, enquanto a dor é um mal. O supremo prazer é o saber que pode ser obtido quando se superam as paixões que são a causa da degradação social. Diz Epicuro "Quando dizemos que o prazer é o bem supremo não queremos referir-nos aos prazeres do homem corrompido, que pensa só em comer, em beber e nas mulheres" (Epicuro, apud, Mondin, 1982, p. 115).

O CETICISMO: Nesse mesmo contexto histórico formou-se o ceticismo. O Ceticismo se caracteriza pela postura de constante busca do conhecimento. Para os céticos a sabedoria não "não é o conhecimento da verdade, mas sua procura" (Mondin, 1982, p. 116). Pirro, fundador dessa escola, teria dito que as coisas "são igualmente sem diferença, sem estabilidade, indiscriminadas; logo nem nossas sensações nem nossas opiniõessão verdadeiras ou falsas" (REALE; ANTISERI, 1990, p. 268). Assim sendo, o homem deve se concentrar em desfrutar do que as aparências proporcionam, visto ser impossível chegar a um saber completo e universal; é impossível ao homem, saber se as coisas são, de fato, o que parecem ser. Como não há certeza, não existe avanço nos conhecimentos. O progresso, portanto fica impossibilitado de acontecer.

O ECLÉTISMO: Esta escola desenvolve-se em oposição aos céticos. Afirmavam os ecléticos que a verdade não se limita a um sistema filosófico e, portanto, deve ser complementada por elementos das diversas escolas. A base de sua reflexão é assim sintetizada pela padre B Mondin: "para eles, o desacordo dos filósofos deve-se ao fato de que, não podendo a fraca ente humana abarcar toda a verdade com um só olhar, um filósofo limita a sua investigação a um aspecto e outro filósofo a outro aspecto. Assim, estudando aspectos diferentes da realidade é natural que cheguem a conclusões diferentes. Por isso, para se chegar a uma compreensão adequada das coisas, não se deve confiar em um só filósofo, mas é necessário reunir as conclusões das pesquisas dos melhores entre eles" (MONDIN, 1982, p. 118). A postura eclética pode ser apresentada como um dos elementos centrais da cultura romana. Seu exército se fez poderoso por que foi capaz de, entre outras coisas, assimilar valores dos povos e exércitos vencidos.

Os ecléticos, como todos os outros pensadores do período helenista não foram criadores de sistemas, mas assimiladores, releitores e divulgadores do pensamento grego, com algumas variantes e acréscimos.

O Cristianismo

Além dessas correntes filosóficas e dentro desse mesmo período nasceu o cristianismo. E várias das correntes helenistas influenciaram no desenvolvimento dessa nova mística. Em base disso é que podemos dizer que o cristianismo, nasceu não de Jesus Cristo e do grupo inicial de discípulos, mas a partir do sincretismo de elementos helênicos, judeus, orientais e romanos. O cristianismo, portanto é uma religião que se fez por ecletismo. O grande criador-divulgador do cristianismo foi Paulo de Tarso que após sua conversão levou os ensinamentos de Jesus para além do mundo judeu. O cristianismo demorou a ser aceito por alguns judeus, mas se desenvolveu rapidamente entre os chamados gentios. O que teria sido a proposta de Jesus Cristo, passa a ser reinterpretada de acordo com categorias greco-romanas. Isso, entretanto, só foi possível devido à crescente decadência do Império Romano e à releitura de Platão, feita principalmente por Plotino e os demais Neoplatônicos. Para percebermos a influência grega sobre o cristianismo primitivo podemos ler as cartas de Paulo, um primor de argumentação e retórica grega. Emblemática, sobre isso, também, o chamado um discurso de Paulo aos Atenienses, que o ouvem embevecidos, embora não se convertam por considerarem absurda a pregação sobre a Ressurreição.

Num primeiro momento o cristianismo se apresenta como Patrística (do séc I ao V, aproximadamente), e depois como Escolástica, até o fim da Idade Média. Um dos grandes nomes da Patrística foi Santo Agostinho e da Escolástica foi Santo Tomás de Aquino.
Durante a patrística os ensinamentos sobre Jesus podem ser agrupados em dois blocos: os textos dos apologistas e os textos contra as heresias. As apologias surgiram por que os cristãos precisavam mostrar às autoridades romanas uma defesa de sua fé. Entre os cristãos também aparecem algumas distorções sobre como entender os ensinamentos de Jesus ou como falar sobre sua divindade. Contra essas distorções são formulados os textos para "corrigi-las", uma vez que são consideradas Heresias.

Nos dois casos o trabalho precisa ser desenvolvido através de uma boa argumentação, que tenha por base os ensinamentos de Jesus, a tradição Judaica e seja apresentado de forma clara, para que a argumentação seja convincente. Isso foi feito utilizando-se de elementos e argumentação lógico-formal da filosofia grega. Nesse meio é que se desenvolveu o Neoplatonismo e se cristalizou, cada vez mais a visão platônica de que este mundo é onde reside o pecado e a maldade. Por isso devem ser evitados todos os vícios (estoicismo) para se chegar à pureza do céu (mundo das idéias, de Platão). Graça a isso é que a partir do século III o cristianismo passou a exercer domínio não só sobre o pensamento, mas também sobre o mundo político dos romanos. A influencia do cristianismo se tornou cada vez maior e permaneceu até o fim da Idade Média. Com o Renascimento, com o advento da Reforma Protestante e o desenvolvimento das bases do capitalismo, o cristianismo católico perdeu espaço quando desenvolveu-se os tempos modernos com um vasto leque de correntes filosóficas e políticas.

O segundo momento do cristianismo, a ESCOLÁSTICA, já se confunde com a Idade Média quando os ensinamentos e valores cristãos são claramente travestidos de elementos gregos provindos, principalmente, de Aristóteles.

O pensamento cristão, durante a Idade Média, aos poucos, foi deixando de se fundamentar em Platão para assumir as categorias aristotélicas. Isso se deve ao fato de a filosofia grega ter, em grande, parte se perdido no mundo ocidental. Permanecia só a vertente neoplatônica. Mas a partir do nascimento do Islamismo de sua Guerra Santa e de seu avanço religioso, militar, econômico e político, sobre a Europa, afogando os domínios dos monarcas católicos surge a necessidade de uma postura de defesa. O comércio passou a ser assimilado positivamente: os dois lados estavam ganhando. Com isso o perigo militar também estava contido e as instituições políticas. Mas permanecia o perigo religioso: o islamismo crescia sobre o cristianismo. E uma das características que permitiam a fácil assimilação dos valores religiosos islâmicos era a sua lógica e sua apresentação a partir dos conceitos de Aristóteles, que os europeus e o cristianismo desconheciam.

Para conter o avanço da religião islâmica os cristãos se viram obrigados a rever seus conceitos e fundamentos de base platônica. Passou-se a ler Aristóteles, suas categorias filosóficas e "científicas". Ao mesmo tempo elementos cristãos embebidos na filosofia Aristotélica começavam a ser ensinadas nas escolas das catedrais e nos mosteiros. Nascia a Escolástica.

Nesse momento da história da filosofia quando há aliança do poder temporal com o espiritual, a filosofia esteve a serviço da teologia que estava serviço da igreja que pretendia sempre manter o domínio sobre reis, reinos e povos.

Pode-se dizer que o cristianismo desenvolveu-se, inicialmente, ao desvincular-se do judaísmo assumindo uma conotação greco-romana, ao se expandir dentro do Império Romano influenciando rumos dentro do Império. Depois, com uma estrutura romana e com roupagens gregas, durante a Idade Média, o cristianismo, já como instituição forte, assumiu o aristotelismo como instrumento de manutenção do poder. Ou seja, o cristianismo sobreviveu ao saber trocar de "roupa" em momentos determinantes da história, sabendo fazer a releitura da proposta de Jesus Cristo dentro de cada contexto. Um dos grandes nomes desse processo de adaptação do cristianismo aos conceitos aristotélicos fundamentando a escolástica foi Santo Tomás de Aquino.

O coroamento da Idade Média, com os avanços e tropeços desses mil anos de história, foi o processo do RENASCIMENTO e a inauguração dos TEMPOS MODERNOS. Ou seja, a passagem da patrística para a escolástica e todo o processo de reinauguração do pensamento preparou um novo momento histórico que recebeu o nome de renascimento

Os valores e as referências do mundo medieval (escolástica) era a religião. Por isso se chama essa épocade Teocêntrica. A partir do Renascimento ocorreu uma reviravolta e os valores e referências passam a ser o Homem (antropocentrismo). Em todas as áreas, desde as artes, a filosofia (nascem as ciências), a teologia, a economia, a política e todo o desenvolvimento teve o homem como referência.

A arte sacra com motivos religiosos cede lugar à arte centrada no homem, no corpo que é evidenciado e mostrado em sua beleza física. Exemplo disso é a pintura de L. da Vinci e a escultura de Michelangelo. 

A filosofia escolástica deixa espaço para o Racionalismo, o Humanismo e o Empirismo, privilegiando a razão, o homem e o conhecimento advindo da experiência. Com Galileu a ciência ganha um método experimental e juntamente com outros pensadores vão se estruturando as várias áreas da ciência. A teologia, antes dominada pelos dogmas católicos começa a ser contestada pelos reformadores, onde se destaca a ação de Lutero e todo o movimento reformador. Em oposição à Idade Média em que praticamente inexistem relações comerciais os tempos modernos assistem às intensas viagens marítimas, caracterizando uma transformação geográfica, que são expressão do desenvolvimento do comércio (está nascendo o capitalismo). Na política medieval o poder estava nas mãos dos senhores feudais que pagam tributo aos monarcas. Essa prática permitiu aos monarcas acumulem riquezas que serviram para financiar as inovações tecnológicas e comerciais, que aceleraram a queda do poderio feudal e, paradoxalmente, são as raízes da Revolução Francesa quando a burguesia faz as mais diferentes alianças para derrubar definitivamente o poder dos senhores feudais e de toda a nobreza, inclusive tomando o poder dos monarcas.

Nos TEMPOS ATUAIS, a partir do Iluminismo, que sustentou a Revolução Francesa, a filosofia deixa de ser a única via de interpretação do Real. O desenvolvimento das ciências fez com que a filosofia deixasse de se ocupar com a explicação do mundo e dos fenômenos passando a dedicar-se a temas específicos. Atualmente, ao mesmo tempo que a filosofia é um complemento à ciência, apresenta-lhe questionamentos ou questiona-lhe os resultados. A ciência nasce da filosofia e desenvolve-se a partir dos questionamentos que ela levanta. Por isso podemos dizer que não há ciência sem filosofia.

Os resultados da ciência aparecem a partir dos questionamentos que são originários da filosofia. Ou seja, a Filosofia levanta os problemas e a ciência se encarrega de fazer as investigações. Diante desses resultados a filosofia coloca novas indagações e problemas.

Isso não significa, entretanto, que não se tenham desenvolvido correntes e sistemas de pensamento, depois do nascimento das ciências. Várias correntes merecem um estudo particular: o empirismo, o iluminismo, o idealismo, o pragmatismo, o positivismo, a fenomenologia, o marxismo, o existencialismo. Além de campos específicos onde se faz filosofia: filosofia da ciência, filosofia política, filosofia da linguagem, filosofia da educação, filosofia do direito, entre outras.

Essas são só algumas das adaptações que o pensar filosófico fez para adaptar-se e continuar interpretando o mundo.

REFERÊNCIAS
BORNHEIM, Gerd A. (org) Os filósofos pré-socráticos São Paulo: Cultrix. [198?]
GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Cia. das Letras, 1998
MONDIN. Batista. Curso de Filosofia (v 1). São Paulo: Paulinas, 1982
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia. (v 1) São Paulo: Paulinas, 1990
Neri de Paula Carneiro Mestre em Educação
Filósofo, Teólogo, Historiador


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Desculpas esfarrapadas, funcionam?

Autor: Nathaly Bispo

Em momentos de desmotivação, alguns profissionais utilizam artifícios para escapar do trabalho, um deles é contar alguma mentira.


Uma pesquisa divulgada pelo site de carreiras CareerBuilder, apontou que empregadores dos Estados Unidos (EUA) revelaram algumas desculpas esfarrapadas “bizarras” que os profissionais inventam para conseguir uma folga das tarefas profissionais. Entre as justificativas estão dentes que voam pela janela, paredes e janelas grudadas, abstinência de cigarro e indecisão de que roupa vestir para o trabalho.

Ainda de acordo com a pesquisa, cerca de 30% dos trabalhadores mentiram que estavam doentes para faltar ao trabalho. Por outro lado, outros 30% disseram que vão trabalhar doentes para poder faltar quando estão se sentindo bem e poder mentir que estão doentes.

O levantamento foi feito on-line pela Harris Interactive entre 13 de agosto e 6 de setembro com 3.484 trabalhadores e 2.099 gerentes de contratação e profissionais de recursos humanos em vários setores e empresas dos EUA.
Segundo Sylvia Ignacio da Costa, coordenadora do curso Superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Anhembi Morumbi, as pessoas mentem, muitas vezes por não terem um canal de comunicação aberto com suas chefias, o funcionário, na necessidade de faltar, prefere inventar desculpas que não necessite comprovar. “Algumas histórias, apesar de absurdas, são tão bem contadas, que sensibilizam os outros”, afirma a especialista.

Como o líder deve se posicionar nestas ocasiões?


Para Sylvia o líder deve dizer que é melhor a verdade  do que ouvir uma desculpa ridícula. Também, deixar claro que desculpas deste gênero podem comprometer a carreira do profissional. “Uma conversa franca irá levar o funcionário a se sentir seguro em revelar suas necessidades. Infelizmente, a falta de flexibilidade e de uma comunicação aberta, faz com que os funcionários inventem desculpas grotescas, que inclusive correm o risco de não serem aceitas”, explica a coordenadora.

Segundo a especialista, a imagem positiva é importante na carreira de um profissional, e uma mentira pode comprometê-la, pois, se descoberta, ele acaba perdendo a sua credibilidade, afinal, se ele mente por algo simples, como acreditar que não fará em outros casos?

Quais mentiras são contadas?


De acordo com a pesquisa da SulAmérica, os empregadores  respondentes listaram as desculpas “mais memoráveis” que já ouviram dos funcionários para as faltas, confira 6 delas:

- Os dentes falsos do empregado voaram pela janela enquanto ele dirigia pela estrada;

- O time de futebol favorito do empregado perdeu no domingo, então precisou da segunda-feira para se recuperar;

- Empregado está parando de fumar e estava “ranzinza”;

- O funcionário disse que alguém grudou suas portas e janelas, então ele não poderia sair de casa para trabalhar;

- O empregado sentiu que estava com tanta raiva que se ele fosse trabalhar poderia machucar alguém;

- O empregado se perdeu e acabou indo parar em outro estado.

Apesar das mentirinhas, muitos profissionais não conseguem fugir das responsabilidades, devido aos avanços tecnológicos, faltar ao trabalho não significa tirar dia de folga – 20% dos trabalhadores disseram que no ano passado tiveram que trabalhar de casa mesmo dizendo à empresa que estavam doentes.

As principais razões dos funcionários para faltar é que eles não têm vontade de ir para o trabalho (33%), porque precisam relaxar (28%), para ir ao médico (24%), para pôr o sono em dia (19%) ou executar tarefas pessoais (14%).


Fonte: MSN Empregos

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Médicos alertam para os riscos das doenças cardiovasculares

Cristina Indio do Brasil | Rio de Janeiro

O Brasil é um dos países que assinaram o compromisso internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) de diminuir o número de casos de mortes por infarto e por acidente vascular cerebral (AVC), o chamado derrame, em 25% até o ano de 2025. O diretor de Promoção da Saúde Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Carlos Alberto Machado, disse à Agência Brasil que para atingir a meta é preciso conscientizar a população para a gravidade desses problemas no Brasil. Segundo ele, os dados de um relatório de 2011 do Ministério da Saúde apontam que anualmente 344 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares no país.
 
O médico acrescentou que um congresso americano, em Indianápolis, mostrou que crianças com sobrepeso têm duas vezes mais risco de desenvolver hipertensão e, no caso de adultos, o risco sobe para quatro vezes mais. “É preciso tratar os fatores de risco para evitar o infarto lá na frente”, ressaltou.
 
O cardiologista ressaltou a necessidade de conscientizar a população a ter hábitos sadios como alimentação mais saudável e evitar o fumo. “Devemos começar o mais cedo possível. A última Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] mostrou que a população está comendo mais carne com gordura. Antes as crianças brincavam jogando bola.
Hoje elas passam até seis horas diante do computador e da televisão com videogame”, disse.
 
Carlos Alberto Machado alertou que, se nada for feito, o Brasil terá em 2040 o maior número no mundo em mortes por doenças cardiovasculares, segundo previsão da OMS.
 
Para conscientizar a população, a Sociedade Brasileira de Cardiologia está promovendo ações em vários estados para passar informações sobre os cuidados para evitar essas doenças. No Rio de Janeiro, as ações ocorrem em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. No município, segundo a cardiologista Sandra Coelho, a SBC desenvolve um trabalho de rotina com a população e intensifica os esclarecimentos em datas específicas. No próximo domingo (29), por exemplo, será comemorado o Dia Mundial do Coração.
 
“Estamos fazendo palestras e distribuindo folders em policlínicas e unidades básicas de Saúde, orientando a população para os riscos de doenças não transmissíveis, porque não são nem bacterianas e nem virais como a hipertensão e a diabetes”, explicou à Agência Brasil.
 
A médica disse ainda que atualmente Belford Roxo tem 27 mil e 700 pacientes inscritos no Sistema de Gestão Clínica de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus da Atenção Básica (Hiperdia), do Ministério da Saúde. As ações no município antecedem ao 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que começa no sábado (28) e segue até o dia 1º de outubro, no Riocentro, zona oeste do Rio.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Educador dá dicas de como falar sobre sexo com as crianças

RAFAEL BALAGO
DE SÃO PAULO


Como falar sobre sexo com as crianças em cada fase da infância? Quais termos evitar? Veja as respostas para essas e outras dúvidas quando o assunto é sexo e o público é infantil, segundo César Nunes, 54, presidente da Associação Brasileira de Educação Sexual.

Sãopaulo - Como falar sobre sexo com as crianças em cada fase da infância?

César Nunes - Por volta dos quatro anos, as crianças começam a se perguntar de onde vieram. Quando meu filho tinha essa idade, contei que a mãe dele e eu juntamos o melhor de cada um para criá-lo. O pensamento nessa idade é fantasioso e egocêntrico, o que desperta interesse por histórias mágicas e que mostram o quanto a criança é querida.

E nas fases seguintes?

Perto dos oito anos, a criança já começa a prestar atenção no sexo oposto. A conversa pode ir um passo além e contar que o pênis e a vagina são usados para gerar os bebês. Quando chegar à adolescência e surgirem questões como a primeira menstruação, já terá sido trilhado um caminho desde a infância. Os adolescentes geralmente evitam falar sobre sexo. Para eles, livros podem ser um meio mais interessante.

Divulgação
Peça do museu interativo Catavento
Quais termos evitar?

Meu pai dizia que crianças más tinham sido deixadas pela cegonha em um bambuzal. Coisas assim são retrógradas. A criança precisa sentir que sua chegada foi um momento especial e também, entender, desde pequena, que seu valor vai muito além das questões de gênero.

E o papel da escola?

Cabe aos pais as primeiras lições de educação sexual. Às vezes, terceiriza-se para a escola a formação moral e ética. Na sala de aula, há um discurso médico-científico, que aborda o funcionamento biológico e a prevenção, mas não gera referências para o comportamento.

Como abordar a homossexualidade?

É importante mostrar que há vários modelos possíveis de família além do que há em casa e deixar claro que se trata de algo diferente dos estereótipos que aparecem na TV.

Como lidar com o erotismo na TV?

A criança não deve ser exposta a situações de sexualidade que ainda não consiga assimilar. Caso isso ocorra, os pais precisam abrir espaço para conversar sobre o que foi visto.