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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Como fazer observação de sala de aula - I I

Entrar na classe para analisar as interações entre os alunos e o professor requer planejamento e quebra de resistência

Gustavo Heidrich (gestaoescolar@fvc.org.br)

Atenção à postura dentro da sala de aula

Alguns detalhes vão ajudar você a não ser invasivo no momento da observação. O primeiro deles é lembrar que aquele espaço é do professor. Por isso, procure sentar-se no fundo da sala ou nas laterais, manter a menor interação possível com os alunos e nunca interferir na fala do docente.

Mesmo que a pauta tenha sido discutida e fechada previamente, uma vez na sala é preciso analisar todas as interações e estar aberto para se surpreender com situações que não esperava encontrar - que podem, inclusive, ser extremamente positivas.

O que é observado deve ser apenas anotado nesse momento. Durante e após a observação, você vai construindo hipóteses sobre as interações que dão certo e as que precisam de ajustes - e essa será a base do registro e da conversa posterior com o professor.

Devolutivas consistentes apontam caminhos

O trabalho de observação não termina quando o coordenador sai da sala de aula. Ao contrário. Talvez a parte mais importante venha a seguir: a conversa com o professor. Tire uma cópia das anotações feitas e entregue a ele antes da devolutiva para que possa se preparar para a conversa, que deve ser sempre individual e, no máximo, uma semana após a data da observação. Inicie o bate-papo citando tudo de positivo que você viu, demonstrando com isso que reconhece o bom trabalho feito. Em seguida, trate dos pontos que precisam ser melhorados.

Um procedimento que sempre enriquece esse debate é a apresentação do embasamento teórico (para dar consistência às observações e à apresentação de sugestões para a mudança da prática). Não se esqueça de ouvir o professor, que certamente vai expor as dificuldades que encontra e as necessidades que ele tem para colocar em uso as propostas feitas por você.

"Todo processo formativo é sempre conflituoso. O coordenador só conquista o respeito do grupo quando o docente percebe que as devolutivas têm resultados positivos na maneira de ensinar e, consequentemente, no desempenho dos alunos", afirma Fátima Camargo, mestre em Didática pela Universidade de São Paulo (USP) e consultora pedagógica.

O resultado final desse processo deve ser um planejamento de formação para o professor e para toda a equipe docente. Acreditar nessa perspectiva pressupõe encarar o educador como um profissional capaz de construir as próprias estratégias de ensino com base na reflexão sobre a prática.
Em busca de potencialidades

PAUTA CONJUNTA Juliana Parreira, de São Paulo, escolhe o que vai ser bservado junto com o professor

Na entrada da favela de Paraisópolis, em São Paulo, a EEI Espaço Nossa Casa atende 120 crianças da comunidade local. Professora por sete anos, a coordenadora Juliana Parreira assumiu a nova função há quatro. No começo, entrava nas salas sem avisar. "Mas me lembrei de quando era professora e quanto era difícil ter na classe alguém analisando meu trabalho." Hoje ela combina com os docentes todas as visitas e as pautas são discutidas e compartilhadas nos encontros semanais de formação. 

Muitas vezes, são os professores que pedem à coordenadora ajuda para melhorar em determinados pontos. "A observação não é inimiga do professor, mas uma forma de valorizar o trabalho dele. Ao observar, busco tanto o que está bom e pode ser disseminado quanto o que pode ser aprimorado. Na devolutiva, é fundamental se apoiar na teoria e se colocar também como aprendiz no processo formativo", finaliza Juliana.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Qual talento seu filho esconde?

Um pequeno observador da natureza hoje, tanto pode ser um poeta ou um cientista amanhã. E talvez você só seja feliz se deixá-lo ser livre pra escolher ser os dois, ou nenhum dos dois.

 
Quando estava grávida do nosso primeiro filho, gostávamos de conversar sobre os ensinamentos que passaríamos a ele. Nada muito elaborado: eu queria que o pai ensinasse a gostar de futebol, jogar botão, plantar bananeira debaixo d’água. Ele gostaria que eu ensinasse os nomes das flores, amar filmes clássicos e apreciar frutas. Nessa nossa brincadeira de casal estávamos falando, sem saber, dos talentos apreciados mutuamente e de como desejaríamos que essa nossa capacidade de contentar-se com pequenas coisas fosse passada aos nossos filhos, como herança genética. Mas, será que isso a gente consegue, como pais, ensinar aos filhos os nossos talentos? O talento como habilidade física ou intelectual, acho que não. Tenho amigos esportistas que lamentam a falta de habilidade de seus herdeiros com a bola. E não só lamentam, mas esbravejam na beira da quadra da escola, dando uns berros indecentes como se fossem técnicos do filho! Conheço músicos que não se cansam de oferecer aos filhos novos instrumentos, de sopro, de corda, de percussão, na expectativa que uma hora, de algum deles, saia um dó-ré-mi. E conheço gente como eu, que tem tanto horror de achar que está pressionando os filhos a descobrirem sua vocação, que foge das escolinhas de esporte, das aulas de iniciação musical, dos cursos personalizados para crianças.

Desconfio que erramos todos, na abordagem. Talento é aquele que nasce com a gente, sim. Mas tem o talento que desabrocha depois. Aquela habilidade que vai se revelar em um momento de precisão, de melhor oportunidade, e que pode ser até que precise de espaço próprio para aparecer. Longe dos pais. A cantora Maria Rita, filha da Elis Regina, já tinha uma voz espetacular aos 15 anos, quando a conheci, mas pavor de cantar. Soltou a voz anos depois, primeiro em outro país, longe das comparações com a mãe famosa, em paz para permitir que seu talento desabrochasse. Outra coisa é a vocação da alma, o espírito humano, o talento como dom. Nesse caso, acredito que nós, pais, podemos (e devemos) direcionar a herança. Mostrar-lhes como descobrir seus talento com precisão. Digo a ela que é meu GPS particular. E ela fica tão feliz e acredita tanto nisso que se aperfeiçoa espontaneamente. Seu talento para observar, quem diria, hoje em dia ajuda na hora de fazer uma redação, que fica muito mais rica em descrição. Detalhe: a Bruna não gosta de escrever, mas gosta de desenhar. E vejo que pode descobrir, no tempo dela, como seu dom com tintas e pincéis pode ajudá-la com letras e palavras. O que a gente não sabe, quando confabula sobre o futuro dos filhos, é o quanto temos a aprender com eles, primeiro no presente também.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O que não pode faltar na pré-escola

Para que as turmas de pré-escola se desenvolvam plenamente, é importante conhecer as características de cada faixa etária e fazer com que algumas experiências essenciais façam parte do planejamento. Veja aqui como trabalhá-las e por que são tão importantes

Beatriz Santomauro (bsantomauro@fvc.org.br) e Luiza Andrade. Colaboraram Bianca Bibiano, Denise Pellegrini, de Curitiba, PR; Julia Browne, de Belo Horizonte, MG; Thaís Gurgel, de Sobral, CE; e Vilmar Oliveira, de São José dos Campos, SP.
 
Lino de Macedo
Professor do Instituto de Psicologia da USP fala sobre o desenvolvimento dos 4 aos 6 anos.

Como se caracteriza o pensamento da criança pré-escolar?
Ele é principalmente substitutivo e imitativo. Substitutivo porque ela descobre que objetos, pessoas e ações podem ser trocados ou evocados por outros. Imitativo porque ela entra no universo da ficção: imagina e faz correspondências.

De que maneira o faz-de-conta desenvolve as linguagens?
No faz-de-conta, a criança realiza um esforço de tradução. Ela não é velha, mas representa esse papel no jogo simbólico. Também não é um bicho, mas pode imitá-lo. Esse fingimento aumenta o repertório das diversas linguagens, como o desenho, a fala, a música e a dança.

Como aproveitar a capacidade de representação?
A criança descobre simbolicamente a importância do adulto em sua vida e as diferenças entre ambos. Isso ocorre, por exemplo, quando ela faz de conta que é mãe e repreende o fi lho. Cabe ao professor, portanto, possibilitar que ela entenda essa assimetria e, ainda que intuitivamente, o valor do adulto.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As possibilidades e os limites do cérebro no desenvolvimento das crianças de zero a seis anos


Nosso governo, nas últimas décadas tem priorizado a educação do ensino médio e do ensino fundamental em detrimento aos primeiros anos de vida (0-6 anos). Porém, estudos neurocientíficos de relevância e consenso evidenciam que o investimento nos primeiros períodos de desenvolvimento do cérebro são cruciais. Ora, para ler e escrever contamos com o cérebro, ambiente de estímulos, fatores sociais, físicos, psicológicos, neurocognitivos e educacionais.

Fica simples se usarmos a metáfora da construção de um prédio: se o solo não estiver firme e bem nutrido e as estruturas não forem feitas com qualidade de material, mão de obra e planejamento apropriado o resultado da construção não será competente. Remendos e "puxadinhos" não são competentes nem na estética, função e muito menos em qualidade.

Sabemos hoje, através das neurociências, que nascemos com quase 100 bilhões de neurônios e que vamos os perdendo ao longo da vida. Nos primeiros anos de vida existem podas neuronais muitos significativas e que são vitais para a exuberância do desenvolvimento cognitivo. Mas por que perdemos neurônios? Para nos tornarmos inteligentes e competentes. A máxima "menos é mais" deve ter sido pensada a partir desta realidade cerebral, não é mesmo?

Nesta fase das primeiras grandes podas o cérebro se encontra apto para algumas funções em detrimentos de outras. Por exemplo, entre zero e três anos o cérebro pode aprender mais de uma língua com muita facilidade e sem sotaque! Já o mesmo cérebro não consegue colocar uma linha na agulha. Cada fase tem uma importância ímpar. A natureza, com suas regras e pré-condições é tão complexa e incrível que chega a maravilhar qualquer um, mesmo quem não se interessa por cérebro. Estimular, criar oportunidades, aproveitar as janelas de oportunidades e promover o desenvolvimento saudável é de grande valia e prioridade.

É importante ressaltar que da mesma forma que o cérebro tem possibilidades, também tem limites. Somos seres humanos e enquanto humanos não podemos voar. Podemos, sim, criar formas de voar, desenvolver recursos, estratégias, etc. Inclusive, podemos voar com a imaginação, atividade bastante exclusiva, até então, de nossa espécie.

Outro exemplo, até por volta dos três anos de idade se a criança não for estimulada a ver, enxergar, ou melhor, se for privada dos estímulos visuais, mesmo se não tiver lesões na área da visão, não poderá "ver", pois a janela de oportunidade da visão se fecha nos primeiros anos.

Logo a importância de se conhecer, estimular e prevenir desde a primeira infância é fundamental.

Adriana Fóz

adriana@adrianafoz.com.br

Educadora (USP), pós-graduada em Psicologia da Educação (USP), especialista em Psicopedagogia (Instituto Sede Sapientiae) e Neuropsicologia (CDN-Unifesp). Pesquisadora CNPq em Neurociências na Educação. Consultora e autora de livros.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Hora de impor limites



Algumas crianças aos dois anos de idade nem saíram das fraldas mas já querem mandar em todos da família. É hora de mostrar quem manda para não criar uma situação de grandes conflitos no futuro.

Uma das tarefas mais difíceis na educação das crianças é o momento de impor limites. Muitos pais não sabem a hora certa de negar as coisas para seus filhos, porém quando limites não são impostos, eles terão dificuldade de aceitar um simples não. Não existem regras para dar liberdade ou não as crianças, afinal, cada família deve levar em conta os costumes próprios e a confiança que o filho tem.

É importante ressaltar que a família e a escola têm papel fundamental na educação de valores para as crianças. Os pais que sempre estão por perto e mostrem com exemplos e atitudes o que é certo, permitem a construção de um comportamento mais maduro por parte dos filhos. Vale ficar atento por que os filhos também costumam fazer pedidos inesperados aos pais como uma forma de testá-los.

Crianças, a partir dos 2 anos, começam a ter autonomia natural e é necessário que os pais entendam este processo de crescimento pelo qual passa o filho. É preciso deixar a criança livre para que ela aprenda a se defender, porém, sempre estando por perto para se fazer presente e preocupado para que ela não cresça infantilizada.

Sempre equilibre os desejos com o que é permitido. A criança não poderá escolher se vai estudar ou não, ou se fará a lição de casa ou não, mas poderá escolher o esporte que vai praticar, por exemplo. Por isso se faz necessário acompanhar de perto o crescimento dos filhos para que você faça que ele entenda que cada escolha tem hora certa e acarretam renúncias.

Ou você também pode atender aos pedidos da criança conforme ela mostrar que é responsável e sabe se colocar bem nas situações cotidianas. Com isso, você colabora para que ela seja mais capacitada ao enfrentar dificuldades e crie soluções próprias para seus problemas.

Se seu filho pede para dormir fora de casa, na casa de um amiguinho, o que você fará? Normalmente, ainda mais nesta idade, a resposta é não. Porém as coisas não funcionam assim. Verificar o que acontece no mundo da criança, quem são seus colegas, seus pais e que tipo de criação que recebe, é o primeiro passo. E isso deve estar de acordo com a criação dada ao seu filho. Se estiver tudo bem, não há por que não permitir que seu bebê durma na casa do amiguinho, afinal, este é o momento ideal para que ele comece a pôr em prática a socialização fora do ambiente do lar.

Paula R. F. Dabus

Discordar pode. Desautorizar não pode.



Cada família tem sua criação e seus valores. Quando um casal resolve ter uma vida em comum as diferenças aparecem. Quando resolvem ter um filho, então, os valores a serem passados para essa criança parecem mais diferentes ainda.

Esse é o ponto onde queremos chegar: os pais podem, sim, discordarem em alguns assuntos. O problema começa quando um deles desautoriza o outro na frente do filho.

A discordância entre os pais é saudável para a criança se esta vê que os pais conseguem conversar e chegar a um consenso. O filho percebe que com uma boa conversa, cada um cedendo um pouquinho, ouvindo os argumentos da outra pessoa, se chega a um ponto em comum e tudo se resolve.

O que deixa a criança perdida e sem limites claros é o casal onde a discordância se transforma em desautorização.

É o caso onde a mamãe não deixa o filho passear no parquinho porque tem que fazer a lição de casa. Mas aí chega o papai do trabalho e autoriza a criança ir ao parquinho sem consultar a mamãe ou por achar que mesmo sem ter feito a lição a criança pode brincar. Isso cria um nó na cabeça da criança na questão do "até onde vai o meu limite".

A criança, principalmente dos três aos cinco anos, vai testar os pais até conseguir o que quer. Ela se aproveita dessas situações para alcançar seu desejo.

Se descobrir que com o papai é mais fácil, espera a mamãe sair de perto e pede o que quer para o papai. Se a mamãe é mais "coração mole", o pedido vai esperar o papai sair. Agora, se é chorando ou fazendo um pouco mais de birra ela consegue o que quer, pois é assim que a criança vai agir.

O que fazer? - O ideal é que os limites básicos a serem passados para a criança devam ser discutidos antes entre o casal e depois serem transmitidos para o filho, como doces antes das refeições, hora da lição de casa, passeios, programas de televisão que os pequenos poderão assistir, entre outros.

Se houver uma situação inusitada onde ainda não há um consenso, o melhor é conversar antes de dar uma resposta à criança.

Se o papai não concordou com a atitude da mamãe, que deixou a criança jogar vídeo game mesmo a criança estando de castigo, ele não deve repreendê-la na frente da criança e, sim, chamá-la para uma conversa longe do filho para chegarem a um acordo e isso não mais acontecer.

Se há discussão na frente da criança, esta percebe que os pais não cedem no seu ponto de vista e vai agir automaticamente assim na sua vida, não abrindo mão dos seus desejos, olhando somente para si.

Não podemos "unificar" pensamentos. Isso é uma utopia e completamente abominável. Mas uma boa conversa pode reparar eventuais desequilíbrios entre os pais, mostrando aos filhos que as pessoas têm pensamentos diferentes, sem desrespeito e ouvindo outras argumentações.

Dicas

O não deve ser não sempre. Se a mamãe ou papai não deixa dormir até mais tarde, nem com birra ou choro a concessão deve ser feita.

Ninguém é perfeito, os pais erram também. Se vir que errou, não hesite em mostrar ao seu filho o erro e peça desculpas.

O exemplo é melhor do que as palavras. Mostrar aos filhos que uma boa conversa resolve tudo é melhor do que somente dizer

Bruno Rodrigues

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Hora de impor limites


Algumas crianças aos dois anos de idade nem saíram das fraldas mas já querem mandar em todos da família. É hora de mostrar quem manda para não criar uma situação de grandes conflitos no futuro.

Uma das tarefas mais difíceis na educação das crianças é o momento de impor limites. Muitos pais não sabem a hora certa de negar as coisas para seus filhos, porém quando limites não são impostos, eles terão dificuldade de aceitar um simples não. Não existem regras para dar liberdade ou não as crianças, afinal, cada família deve levar em conta os costumes próprios e a confiança que o filho tem.

É importante ressaltar que a família e a escola têm papel fundamental na educação de valores para as crianças. Os pais que sempre estão por perto e mostrem com exemplos e atitudes o que é certo, permitem a construção de um comportamento mais maduro por parte dos filhos. Vale ficar atento por que os filhos também costumam fazer pedidos inesperados aos pais como uma forma de testá-los.

Crianças, a partir dos 2 anos, começam a ter autonomia natural e é necessário que os pais entendam este processo de crescimento pelo qual passa o filho. É preciso deixar a criança livre para que ela aprenda a se defender, porém, sempre estando por perto para se fazer presente e preocupado para que ela não cresça infantilizada.

Sempre equilibre os desejos com o que é permitido. A criança não poderá escolher se vai estudar ou não, ou se fará a lição de casa ou não, mas poderá escolher o esporte que vai praticar, por exemplo. Por isso se faz necessário acompanhar de perto o crescimento dos filhos para que você faça que ele entenda que cada escolha tem hora certa e acarretam renúncias.

Ou você também pode atender aos pedidos da criança conforme ela mostrar que é responsável e sabe se colocar bem nas situações cotidianas. Com isso, você colabora para que ela seja mais capacitada ao enfrentar dificuldades e crie soluções próprias para seus problemas.

Se seu filho pede para dormir fora de casa, na casa de um amiguinho, o que você fará? Normalmente, ainda mais nesta idade, a resposta é não. Porém as coisas não funcionam assim. Verificar o que acontece no mundo da criança, quem são seus colegas, seus pais e que tipo de criação que recebe, é o primeiro passo. E isso deve estar de acordo com a criação dada ao seu filho. Se estiver tudo bem, não há por que não permitir que seu bebê durma na casa do amiguinho, afinal, este é o momento ideal para que ele comece a pôr em prática a socialização fora do ambiente do lar.

Paula R. F. Dabus

Pais não são amigos


Muitos pais procuram ajuda, pois não conseguem controlar seus filhos pequenos. São crianças muito novas, entre dois e cinco anos e que ganharam de seus pais o direito de assumir a função que antes era deles.

Como assim? Com alguns subterfúgios, incluam-se as birras, a criança consegue reverter a decisão dos pais a seu favor, mesmo que não seja a mais adequada.

No começo, acham que é uma gracinha, pois demonstra que seu filho "sabe o que quer", "tem opinião própria", etecetera e tal. Só que a criança não fica para sempre com a mesma idade... ela cresce e, sem limites, a situação se complica.

Os pais devem compreender que não podem ser amigos dos próprios filhos, pois na amizade supõe-se uma interação linear, quer seja, não há hierarquia e todos se manifestam da maneira que têm vontade, algumas vezes com muito exagero. Os pais podem e devem ter atitudes amigas, mas não são amigos. Pais são pais, devem dar as regras e limites de comportamento a seus filhos, pois estes não conseguem lidar sozinhos quando o problema é mais conflituoso ou quando as emoções se exacerbam.

Os pais devem ter autoridade sobre os pequenos, sem necessidade de serem autoritários. Basta que lhes expliquem o motivo pelo qual tomaram determinada decisão. E, uma vez tomada, mantê-la, para não confundirem a cabecinha deles. Para isso é preciso que reflitam antes sobre como desejam educá-los e, mais importante ainda, que o parceiro não o desautorize na frente deles.

Não enviem mensagens dúbias, aquelas que a criança compreende como lhe convém ou, ainda, não tomem decisões de acordo com o humor do momento. Sejam sempre claros e firmes.

É claro que algumas regras e limites têm prazo de validade. Conforme a criança se desenvolve e adquire mais autonomia e, com ela, maior responsabilidade, serão alterados. A criança precisa saber disto. Assim, informe-a dos que valem para sempre como respeito, honra, generosidade.

É através do limite que a criança passa a enxergar "o outro" e que vai assimilando que não se pode ter ou fazer tudo o que se deseja, principalmente se invadir o espaço alheio.

Se por muitas gerações a criança não teve vez ou voz ativa, parece que atualmente alguns pais são muito permissivos, têm receio de impor limites, regras e valores sociais, com a compreensão de que lhes farão mal ou provocarão trauma psicológico. Puro engano. Certa dose de frustração não faz mal a ninguém e algumas satisfações terão que ser adiadas.

Há de se encontrar equilíbrio naquilo que se ensina e espera de uma criança. Ela tem que aprender que muitas e muitas coisas pode fazer e outras tantas, não. E lhe demonstrar que isto é verdadeiro.

Quando tiver que evitar um comportamento inadequado, pode lembrá-la de um positivo, esclarecendo que é mais saudável e aceita a substituição de um pelo outro. Sempre com muito carinho, compreensão e tranquilidade, pois criança não nasce sabendo como viver e se comportar em sociedade. Ela sempre vai precisar de um adulto responsável para lhe ensinar.

Ana Maria Morateli da Silva Rico

Psicóloga Clínica

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Socialização infantil no ambiente familiar


Uma das mais importantes funções dos pais é o processo de socialização da criança, ensinando-lhe os padrões de conduta e de moral, de acordo com a cultura em que vivem e acreditam ser o ideal.

Desde o nascimento, o bebê observa o mundo ao seu redor e, em especial, seus próprios pais, ou seja, o modo como se comportam, sentem e expressam seus sentimentos e atitudes de agrado e desagrado.

Por volta dos sete, oito meses e que coincide com o momento em que se percebe um ser diferenciado da mãe, a observação começa a apresentar um objetivo prático: a imitação. É através da imitação que se dá a maior aprendizagem da criança. Ela vai absorvendo tudo o que consegue e é possível, de acordo com sua maturação.

O modo como os pais reagem à imitação infantil, com risadas e elogios ou críticas negativas, vai incentivar ou reprimir o bebê, uma vez que ele pode imitar também os aspectos não aceitáveis do comportamento e atitudes paternas.

É aqui que se deve tomar muito cuidado, já que a tendência dos adultos é acreditar que os bebês não prestam atenção ou mesmo não compreendem o que estão vendo e ouvindo.

Pode-se dizer que muitos dos padrões e valores a criança aprende por observação dos pais e dos adultos mais próximos, como avós, tios e também com irmãos mais velhos e outras crianças de seu convívio.

Como cada criança é um indivíduo único, o modo como os pais interagem com cada filho deverá estar de acordo com o temperamento e personalidade de cada um, apesar de que os valores sociais e morais são os mesmos para todos.

Se a ligação afetiva que se estabelece na família for sólida, à medida que a criança for crescendo adotará comportamentos que sabe são esperados pelos pais e, consequentemente, pela sociedade e cultura na qual estão inseridos. Importante dizer que se ela perceber que ainda é incapaz de alcançar os padrões de comportamento impostos por eles, sentirá muita angústia e desespero. Muita paciência e compreensão neste momento.

A partir dos dois anos e meio, a criança começa a adquirir noções de certo e errado, do bem e do mal. Tornam-se mais sociáveis e compreendem melhor como funcionam as relações. É claro que algumas crianças são mais sociáveis que outras mas, de certa forma, já aceitam mais tranquilamente as que são estranhas, brincando com elas também, principalmente se desde muito cedo conviveram com outros bebês.

Sendo a família o centro do mundo social do bebê, são os pais os modelos de comportamento. Portanto é fundamental que sejam coerentes e constantes com o que esperam que seja aceitável ou não e ajam de acordo, para não confundirem a cabecinha de seu filho.

Entre dois anos e meio e três anos, a criança começa a assimilar que seus atos podem ter consequências, que não pode fazer tudo o que deseja, principalmente se afetar outra pessoa.

É esperado que se ela não ver agressão dentro do ambiente familiar, aprenda a solucionar seus problemas mais adequadamente, muito embora a violência está exposta em todos os veículos de comunicação diariamente, tornando inviável que não tenha contato de alguma forma

Os pais devem lidar com esta questão, discursando sobre a diversidade de comportamentos e de culturas que existe na sociedade e expressando honestamente seus conceitos e sentimentos de aprovação ou desaprovação, conforme o caso.

Cabe aos pais ensinar seu filho a respeitar regras e limites do grupo a que pertencem, formando uma consciência moral e social com muito amor e compreensão, mas sempre com autoridade e disciplina. Afinal, a socialização na esfera familiar funciona como uma preparação para a introdução adequada num universo muito maior.

Ana Maria Morateli da Silva Rico

Psicóloga Clínica

Meu filho é mau-humorado: como mudar isso


Seu filho que era um “doce” se transformou em uma criança bem chatinha. Imediatamente, surge aquela velha indagação: onde é que eu errei? Fique tranquila, não é falta de carinho nem de atenção, esse mau-humor faz parte do desenvolvimento infantil.

As várias mudanças impostas pelo crescimento, pelo desenvolvimento da personalidade e pela conquista da independência são fatores para as crianças ficarem emburradas, entediadas, birrentas e negativas. “Toda mudança de fase desestabiliza a criança, seja aos 8 meses, aos 3 anos, aos 6 ou aos 12, porque ela entra em novo momento de conquistas”, relata a pedagoga Patrícia Victo.

Nos primeiros 3 anos de vida, a rebeldia é mais evidente, já que nesta fase a personalidade começa a ser definida e a criança ainda está voltada para si e para o seu prazer. Qualquer contrariação dos pais é motivo de frustração e, por não ter experiência e muito menos vocabulário para expressar o que sente, o choro, a birra, as manhas e as mordidas são as maneiras que utilizam para a manifestação.

Nesse caso, Patrícia Victo orienta. “Os pais devem dar atenção, porque a criança precisa de carinho para se sentir segura. Os acessos de mau humor são boas oportunidades para ensinar o filho a encontrar alternativas e superar frustrações. É cansativo, dá trabalho, mas faz parte da educação e do crescimento”.

A frustração é a palavra para traduzir o mau-humor do seu filho. Quando a frustração existe, a criança não consegue dizer que está triste, então, faz birra. O melhor a fazer é trocar a “brincadeira” proibida por outra novidade: trocar o giz e os rabiscos na parede por um instrumento musical. O mau-humor passa rapidinho.

Ajudar seu filho com todo esse sentimento novo é difícil, mas é o começo para que os pequenos aprendam sobre suas emoções e que as outras pessoas também passam por isso.

A fase entre os 5 e 7 anos é um outro período de mudança comportamental, chamada de “adolescência da primeira infância”. De acordo com a pedagoga, nesta fase há alterações físicas, psíquicas e sociais. Para completar, a criança enfrenta uma das principais barreiras (senão a maior!) rumo ao mundo adulto: ler e escrever. Tudo isso torna o humor da criança instável, que começa a questionar as regras, aprendendo que neste mundo precisa ter jogo de cintura.

A partir dos 8 anos, a rebeldia dos 3 anos volta à tona, mas os ataques de mau humor parecem mais intensos. A criança espera ter todas as respostas, todos os desejos atendidos, toda a atenção do mundo. Esse período costuma durar até o fim da puberdade.

Os pais precisam ter muita calma e paciência para ensinar, argumentar e perceber o que está ocorrendo. “Quando não há o que acalme seu filho, o melhor é impor limite dizendo para parar com o mau-humor” orienta a Patrícia Victo.

Se nada mudar o comportamento instável do seu filho, a conversa com um profissional especializado em desenvolvimento infantil pode ajudar. Mas é preciso cuidado, pois é comum dizer que a criança é hiperativa ou deprimida. Casos de mau-humor que levam à depressão são raros. Motivo de preocupação somente quando esse baixo-astral atrapalhe nas atividades que dão prazer a criança e isso se mantenha por pelo menos seis meses.

“O mau humor tem origem normalmente num estresse escolar, como dificuldade de aprendizado ou de relacionamento. A criança não consegue resolver o problema sozinha. É difícil ser adulto”, comenta a profissional.

16 factos que provavelmente desconhece sobre o comportamento infantil


Nem tudo o que parece é, principalmente com as crianças. Embora algumas sejam mais difíceis do que outras em termos de comportamento, felizmente a maioria passa apenas por fases de “mau comportamento” que não chegam a marcar, negativamente, as suas personalidades. Mesmo assim, existem vários factos, simples e despretensiosos, que foram compilados ao longo dos anos com o intuito de orientar os adultos no sentido de fazerem sobressair o bom comportamento sobre o mau.

1. É mais fácil as crianças memorizarem e cumprirem poucas e simples regras do que um conjunto de regras complicadas.

2. Um aviso de 5 minutos é o suficiente para eliminar um protesto de 15 ou 20 minutos.

3. Embora as crianças tenham de obedecer aos adultos e fazer o que lhes mandam, isso não significa que têm de gostar daquilo que estão a fazer, nem fazer de conta que gostam.

4. Chorar não é sinónimo de portar-se mal, mas sim uma forma de expressão involuntária.

5. A maior parte das vezes, as crianças com 3 anos ou menos não sabem porque é que fazem aquilo que fazem, ou seja, os miúdos são extremamente impulsivos.

6. Por vezes, quando uma criança diz imediatamente que “não”, apenas necessita de 5 minutos para reagir e mudar de ideias.

7. Faça questão de notar e elogiar o bom comportamento da criança, não apenas o mau.

8. Uma fase onde o comportamento infantil é especialmente mau pode ser um sinal de stress, instigado por um mal-estar físico, problemas escolares ou outro assunto qualquer que a criança pode não conseguir exprimir sem a ajuda de um adulto.

9. A disciplina não é sinónima de controlo absoluto, mas sim de uma aprendizagem a longo prazo onde é necessário ter um conhecimento profundo da personalidade, capacidades e necessidades da criança.

10. Até a criança mais pequena tem de ser respeitada e bater, gritar ou insultar não tem nada de respeitoso.

11. As consequências mais eficientes são aquelas que encorajam a responsabilidade e a solução de problemas.

12. Existem muitas alturas em que um momento calmo e carinhoso com uma criança será mais eficaz do que qualquer castigo ou outra consequência.

13. Opções seguras e apropriadas para cada idade contribuem para a redução de conflitos entre pais e crianças, ao mesmo tempo que incentivam uma independência crescente.

14. Negociar com as crianças ensina-as como ser assertivas e resolver problemas. No entanto, ceder a todos os seus pedidos, lágrimas e birras não é negociar. Adicionalmente, existem coisas que não são negociáveis, ou seja, as crianças precisam de conhecer bem os limites.

15. As crianças têm de aprender a comportar-se e os adultos são os seus modelos de eleição. Dê o exemplo.

16. As crianças têm de aprender a comportar-se, mas também têm as suas próprias cabeças e têm de aprender a utilizá-las. Deixe-as.

Birra é inevitável, mas pode ser controlada

Experts em comportamento infantil explicam a origem da birra e como controlá-la

Cáren Nakashima e Livia Valim, especial para o iG São Paulo

Jo Frost auxilia os pais a imporem limites nas manhas e birras dos filhos

Segundo a educadora Cris Poli, a Supernanny do programa de televisão brasileiro, a birra é uma maneira de a criança expressar o que quer ou não quer, e faz parte do seu desenvolvimento. E mesmo que os pais ensinem aos poucos a forma mais adequada de se colocar perante ao mundo, as birras vão acontecer, não tem jeito. “Os primeiros sinais de mau comportamento começam a aparecer na primeira infância, a partir dos 18 meses, e ficam mais evidentes em crianças com mais de 2 anos e meio. A birra é conseqüência da falta de limite. Se os pais não definirem nenhum tipo de limite, terminarão com crianças que não sabem se controlar”, completa a babá inglesa Jo Frost, a Supernanny do programa norte-americano.

A fonoaudióloga Carmen Carbone, 37 anos, é mãe da Renata, 3 anos e 10 meses e reconhece a birra no choro (algumas vezes acompanhado de berros) que vem depois do “não”. “Considero um teste de força e paciência para ver quem vai ceder primeiro”, relata. Segundo a especialista em comportamento infantil Patrícia Brum Machado, autora do livro Estabelecendo limites (editora Mediação), os pais acabam reforçando o comportamento ao cederem. “A criança fica condicionada e aprende que toda vez que fizer birra vai ganhar o que quer”, explica. Por isso, a técnica comportamental mais eficaz, de acordo com a expert, é deixar o pequeno se debater e chorar a vontade, até que perceba que as conseqüências de tanta cena não serão positivas. “Quanto mais cedo os pais procederem dessa forma, mais fácil se torna a extinção da birra”, acrescenta.
Na prática

“De 0 a 2 anos, é difícil estabelecer regras pra que o pequeno aprenda, memorize e obedeça. Nesta idade, o ideal é falar que não gosta de determinado comportamento e que ela não precisa se jogar no chão. Mostre com a expressão do rosto e a voz firme que você desaprova, afinal a criança entende mais a linguagem de expressão e o tom de voz”, aconselha Cris Poli.

• Educar sem bater é possível

• Pais têm atitudes equivocadas na educação de filhos

• Cuidado para não terceirizar a educação dos filhos

A partir dos 2 anos, os pequenos já têm condições de entender o que são regras, então chegou o momento de dizer com todas as letras “não pode gritar, nem chorar sem motivo, se debater ou bater nos outros”. Carmen, a mãe de Renata, diz que agora, perto dos 4 anos, ela já entende melhor e é possível dialogar e explicar os porquês de não poder ficar sem lavar o cabelo, descer para o parquinho do prédio à noite, ganhar o brinquedo novo... “Finjo também que ela não está chorando, mantenho o sorriso e mostro que quem está no comando sou eu. Agora (depois de muita birra!) ela percebeu que chorando não vai conseguir nada”, conta.

Determine as regras para ensinar o comportamento adequado de maneira tranquila e racional, para que a criança assimile gradativamente. “A parte visual ajuda a visualizar, portanto desenhar as regras estabelecidas pode ser um aliado!”, complementa Cris Poli. Jo Frost explica que tudo isso deve ser feito a partir do primeiro ano. “Porém é possível reverter o quadro, se a birra é constante e os pais já cederam algumas vezes. Neste caso é importante introduzir técnicas básicas de disciplina aliada a uma nova rotina e a um conjunto de regras domésticas, com muitos elogios e incentivos”, diz. Ou seja, dê os parabéns cada vez que um bom comportamento brotar no lugar da birra. No bom relacionamento entre pais e filhos, há amor e respeito de ambas as partes. E todas as entrevistadas colocam esta regra em primeiro lugar.

Dicas práticas

Cris Poli , Jo Frost e Patrícia Brum Machado ensinam o beabá das estratégias antibirra:

Siga as dicas para controlar as birras dos seus filhos

- Estabeleça regras. E se elas não forem cumpridas, dê uma advertência pra que ela saiba que está fazendo errado. “Este aviso permite que a criança mude o comportamento, sem necessidade de ser disciplinada”, diz Cris.
- Se a criança continuar desobedecendo, mande para o cantinho da disciplina (por um minuto por ano de idade, afinal mais do que isso ela dispersa e o efeito não é o mesmo) pra refletir sobre o que não cumpriu. Segundo as especialistas, este método não é castigo, ensina a criança a controlar as birras e aprender a lidar com o sentimento de raiva por não conseguir o que ela quer. Use-o até os 10 anos de idade.

- A criança fez escândalo em público? Separe do grupo, leve para um cantinho e dê advertência. Se ela não parar, mande para o cantinho da disciplina assim que chegar em casa. “É um processo que requer paciência, dedicação e calma”, conta Cris. Patrícia lembra que é fundamental manter a calma nessa hora e diminuir a platéia.

- Corte aquilo que ele gosta, quando o “momento de reflexão” não surtir mais efeito. Tire o computador, a brincadeira na rua, o desenho preferido... Para que ele aprenda a se comportar e reconquiste tudo por meio do cumprimento de regras.

- Use tom de voz firme e baixo ao dizer não.
- Evite a raiva: não grite, nem bata, ameace ou castigue. Introduza o diálogo depois do choro. “As explicações se fazem oportunas assim que a crise cessar”, justifica Patricia. Seja firme, sem punir.

- Identifique os comportamentos inadequados e ensine melhores formas, deixando claro de qual jeito você quer que o seu filho se porte. “Mas pense também nas preferências e particularidades dele, deixando-o fazer escolhas na medida do possível”, diz Patricia.

- Sirva de modelo, não reforce o comportamento agressivo com as suas atitudes. Mostre interesse na vida e atividades do pequeno, separando um tempo exclusivo para conversa e brincadeiras.

- Entre em acordo com o pai. Os dois precisam ser coerentes e ter a mesma postura perante os acessos de birra.

- O mais importante: imponha limites.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

É tempo de investir na Educação Infantil

Anita Adas

Novos recursos tecnológicos? Primeiramente, para os alunos mais velhos. Laboratórios de ciências sofisticados? Melhor priorizar o Ensino Médio. Formação de professores? Ah! Formaremos inicialmente os professores especialistas... Ao longo do tempo, as escolas geralmente focaram os principais investimentos nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Isso ocorre por diversas razões, entre elas, pela crença de que o trabalho pedagógico nesses segmentos é mais complexo e que há uma demanda mais clara das famílias e da sociedade por qualidade de ensino.

Entretanto, é muito importante rever essas ideias. Os avanços da ciência e da pedagogia vêm mostrando que é essencial concentrar esforços também na educação de crianças pequenas.

A escola de Educação Infantil é, muitas vezes, o primeiro espaço público com o qual os pequenos entram em contato. É neste palco privilegiado da vida coletiva que eles se encontram com o conhecimento elaborado. Dele se espera que eles se apropriem em um movimento contínuo e se exercitem como pessoas do mundo.

É nesse espaço público que se pode valorizar a construção de repertório, o desenvolvimento do pensamento lógico e a formação de valores e atitudes positivas, entre outras possibilidades que terão impacto para sempre. A educação escolar é um longo processo que se fundamenta na diversidade de experiências culturais, educativas, intelectuais e sociais durante toda a vida escolar de uma criança.

Ainda que os argumentos pedagógicos não sejam suficientes para a reflexão a respeito da importância de maiores investimentos na educação de crianças pequenas, pode-se pensar no atendimento às expectativas das famílias. Com as tendências de estabilização ou queda das taxas demográficas e o aumento da concorrência, elas vêm buscando projetos de uma educação “mais completa e abrangente” para seus filhos desde o primeiro momento. Então, os pais ou responsáveis pelas crianças procuram escolas já de olho em seus futuros: se confiarem no projeto, permanecem; se não estiverem convencidos, partem para aquelas escolas que oferecem propostas mais consistentes.

Para que se construa uma educação de qualidade, é urgente superar o nosso olhar “adultocêntrico”, como diria a educadora e doutora em psicologia Telma Weisz. É também urgente estabelecer coerência entre o que consta nos documentos oficiais e o que se realiza no ambiente escolar, assim como é urgente acreditar na importância do investimento – humano e material – nas escolas de Educação Infantil.


Anita Adas
aagalo@editorasaraiva.com.br
Pedagoga, mestre em educação escolar e coordenadora pedagógica do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva.

sábado, 16 de junho de 2012

Como responder “A fase dos porquês?”

Paula Pessoa Carvalho


Um filho é sempre uma grande alegria: suas roupinhas, sua carinha, seu jeitinho de descobrir o mundo... e de repente... opa! Ele começa a falar e perguntar, Por quê? Será que para os pais esta etapa é tão esperada assim? Será que eles sabem o que fazer? Como responder a todos os questionamentos dos pequenos? Como falar de assuntos delicados como sexo, educação e limites? O que fazer na fase dos porquês?

Realmente é uma fase complicada para os pais que, por um lado, querem ter uma relação de confiança com os filhos e ao mesmo tempo não sabem qual é o limite para responder aos questionamentos das crianças.

Mamãe e Papai: fiquem calmos! É possível responder aos questionamentos dos filhos com tranquilidade e sinceridade, o que é mais importante. Por volta dos 2 a 3 anos, as crianças, começam a falar e perceber o que está ao seu redor e que não existe somente a mãe e o pai. Nessa fase também se iniciam algumas atividades em grupo, vão à escola, passam a perceber as diferenças do corpo de menino e de menina.

Estão em uma fase do desenvolvimento de autonomia do corpo. Começam a comer sozinhos, a tirar a fralda. Também começam a ficar curiosas sobre o que não entendem e fazem perguntas que são das mais variadas. No início os questionamentos são: O que é isso? Podendo ser um objeto ou algum lugar do corpo. Neste momento os pais devem ser muito claros com as crianças, respondendo o que foi perguntado, falando, por exemplo, que isso é uma boneca, isso é uma bola, isso é sua mão e esse é o seu pé.

Quando essa fase é solucionada para as crianças, com muita tranquilidade e verdade os pequenos passam para a próxima fase que é a de “como?”. Primeiro eles perguntam: como eu nasci? Como fui parar dentro da sua barriga? Como é essa brincadeira? Como é a escola?

Já na fase dos porquês: Por que eu vou ao médico, por que tenho que tomar o remédio? Por que eu nasci? Nesse momento os pais começam a ficar encabulados com algumas perguntas, com duvidas se devem responde-las ou não e qual é o limite.

Primeiro temos que lembrar que nesta fase a criança precisa ter uma fonte de informação segura. Se ela está perguntando é porque não sabe e precisa tirar suas dúvidas com pessoas que confia para que comece a compreender as coisas e fique menos ansiosa em relação a tudo.

Os pais por sua vez devem sempre ouvir exatamente a pergunta e responder SOMENTE o que foi perguntado, sem pular fases ou responder outra coisa que a criança ainda não perguntou. Sempre usando a verdade, sendo diretos e usando termos corretos.

Os pais podem ficar tranquilos com as perguntas, pois, se as crianças obtiverem respostas verdadeiras e diretas não perguntarão novamente já que sua dúvida foi sanada e uma ultima dica importante, a criança só pergunta sobre aquilo que está preparados para ouvir a resposta. Então não tenha medo de responder as duvidas do seu filho, isso faz parte de seu desenvolvimento.



Paula Pessoa Carvalho
contato@estimuloconsultoria.com.br
Especializada pela USP em - Terapia Clínica Analítico Comportamental. Psicóloga com formação e aprimoramento em Terapia Analítico Comportamental Infantil pelo Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Livro infantil usa bichos para falar de personagem misterioso

Celina Cardoso
Do UOL, em São Paulo


Existe uma pessoa que tem qualidades como pernas de guepardo para correr mais rápido que o vento, braços de polvo para carregar várias coisas ao mesmo tempo e não deixar cair nada, e ouvidos de elefante que ouvem chamados a quilômetros de distância. Já sabe quem é? A menina personagem do livro “Quem é ela?" também não.

Na obra, um garoto e uma garota olham pela janela enquanto alguém se aproxima. Então o menino começa a fazer perguntas, que mais parecem charadas, para saber se a menina é capaz de adivinhar quem está chegando.

O divertido texto usa características de bichos como a maritaca, a girafa, a tartaruga, o leão, o tamanduá, o urso e outros para falar da personagem misteriosa, mas muito importante na vida de todo mundo. Quem será que é ela? Uma dica: ela gosta muito de você e tem um dia especial para homenageá-la.

Ver em tamanho maiorImagens do livro "Quem é ela?"Foto 3 de 3 - O livro "Quem é ela?" usa animais para falar sobre uma personagem misteriosa Divulgação
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“QUEM É ELA?”
Idade: A partir de 2 anos
Editora: Brinque-Book
Autora: Eliane Pimenta
Ilustradora: Ionit Zilberman
Páginas: 20
Ano da edição: 2012

domingo, 18 de março de 2012

Crianças: Como Educar Hoje ?


Educar hoje é diferente
O ambiente e a situação sócio-econômica da sociedade fazem com que as circunstâncias educativas de hoje não tenham precedentes.
Temos de saber responder, entre muitas outras perguntas, as seguintes:
- O que queremos conseguir com os nossos alunos ?
- Quais conhecimentos, capacidades e virtudes queremos que eles adquiram e desenvolvam ?
- O que poderemos melhorar nestes alunos e como ajudá-los ?
Formação Humana
A formação humana se dá por duas influências:
- Transmissão genética
- Aprendizagem pelo ambiente exterior (adestrar, instruir e educar)
Os conhecimentos que são transmitidos geneticamente são conhecidos como Instintos Guia. Eles ordenam as ações primárias (respirar, mamar, chorar) de todos os seres vivos e permitem o desenvolvimento dos conhecimentos adquiridos, constituindo assim a base do ser humano.
A formação do ser humano se dá por três partes: a Matéria, a Inteligência e a Vontade.
Nível Pessoa Formar Tendência Natural Ação
1 Matéria Adestrar Satisfazer os sentidos Praticar
2 Inteligência Instruir Buscar a verdade Aprender
3 Vontade Educar Fazer o bem Querer ser
OS INSTINTOS GUIA SÃO
OS CONHECIMENTOS INATOS
QUE TODAS AS PESSOAS POSSUEM.

PERÍODOS SENSITIVOS
Tanto no crescimento como no amadurecimento de uma pessoa há uma série de momentos (chamados períodos sensitivos) nos quais a maturação cerebral e pessoal facilita a rápida aquisição de certas aprendizagens.
Períodos - correspondem a uma determinada etapa.
Sensitivos - porque são independentes da vontade.
Os períodos sensitivos correspondem, por um lado, a procriação e por outro à formação.
Procriação - são repetitivos durante o tempo de fertilidade do ser vivo.
Formação - ocorrem de uma só vez e desaparecem ao chegar na idade adulta.
Pessoas - Somos seres:
• racionais
• únicos
• transcendentais
• possuímos vontade
• livres e responsáveis à liberdade responsável
Liberdade responsável: só se é livre quando se pode escolher. Quanto melhor nossas escolhas, melhor o uso de nossa liberdade. Responder bem (responsabilidade) aos nossos deveres perante Deus, ao próximo e a si próprios é o que caracteriza a liberdade responsável.
Período sensitivo: cada etapa se torna mais fácil aprender algo; uma habilidade porque baseia-se na força de vontade e no trabalho.
Durante os períodos sensitivos as células cerebrais se acomodam a uma determinada ação, que dão por aprendida de uma maneira natural. Por outro lado são capazes de repetir a ação mencionada de forma também natural e sem esforço, durante o resto de sua vida, sempre que funcione o mecanismo da memória.
PROCESSO DE APRENDIZAGEM HUMANA
Percebe um MODELO ---------------------------------- Agente externo
+ saber IMITAR ---------------------------------- Instinto Guia
Tem vontade de REPETIR ---------------------------------- Período Sensitivo
Resultado: APRENDE

Quando se aprende algo fora do Período Sensitivo as células cerebrais se encontram com uma certa rigidez dificultando a aprendizagem necessitando assim, utilizar-se de sua vontade e esforço para o aprendizado.
OS INSTINTOS GUIA SÃO OS CONHECIMENTOS INATOS QUE TODAS AS PESSOAS POSSUEM.

Para entendermos melhor a ligação de Instintos Guia e Períodos Sensitivos podemos dizer, por exemplo, que a capacidade de IMITAR constitui um Instinto Guia e a ânsia de repetir as coisas é um Período Sensitivo.
ADQUIRINDO HÁBITOS
Os hábitos bons são a base das virtudes e podem começar a ser vividos desde o nascimento.
A palavra valor não é sinônimo de virtude, porque:
Valor - Ajuda as pessoas a praticarem o bem
Virtude - É um hábito operativo bom, feito com liberdade (conhecido e querido pela
própria pessoa.
Para adquirir um hábito a pessoa necessita de:
ESFORÇO E REPETIÇÃO - TER VONTADE SEM COAÇÃO - DE FORMA CONSCIENTE (LIVRE) - PRECISA “QUERER”
Todo ato repetido gera um circuito cerebral que facilita agir daquela maneira.
ATOS LIVRES:
São atos conscientes e queridos pela pessoa que os faz.
Ato bom: aperfeiçoa a pessoa que o faz.
Ato mau: faz mais imperfeita a pessoa que o faz.
Com LIBERDADE - ter a capacidade de decidir-se, para dirigir a própria vida e ser “dono dos meus atos”.
FAZENDO O BEM A PESSOA TORNA-SE MAIS LIVRE, GANHA-SE EM LIBERDADE
O primeiro passo para educar em virtudes é ajudar os filhos a adquirirem hábitos bons desde pequenos.
VIRTUDES HUMANAS
A família é a primeira escola de valores, é onde os filhos crescem motivados pelo amor porque são amados pelo que são. Na família é que se dá a formação da pessoa e o desenvolvimento da personalidade.
Os valores são adquiridos pelas vivências comuns, sendo importante os fatos e exemplos, mais do que as palavras.
É importante destacar que os pais, para formar seus filhos no desenvolvimento das virtudes humanas, precisam aproveitar os acontecimentos cotidianos da vida familiar promovendo os valores que querem que se vivam no lar.
Tendo em conta que cada família é diferente, e que cada filho e cada pai requer uma atenção diferente, vamos considerar com brevidade, um esquema de virtudes por idade, tendo em conta os traços estruturais das idades e a natureza das virtudes.
ATÉ OS 6 ANOS:
Antes da criança completar 7 anos ela possui apenas o uso da razão, sua aprendizagem realiza-se pela imitação e repetição, é fundamental o bom exemplo dos pais e educadores.
Devemos animá-los, a cumprir por amor, para ajudar seus pais e professores, e assim começar os primeiros passos com relação às virtudes da obediência, sinceridade e ordem.
Obediência:
Para que ocorra a obediência é necessário que a informação seja:
- Clara - a criança deve saber o que se espera dela
- No momento oportuno - não em momentos de irritação ou aborrecimentos
- Apoiada - com uma exigência serena, perseverante, amorosa e alegre
- Reconhecer seus esforços depois - terão mais interesse em obedecer
Uma aliada da obediência é a autoridade que quando exercitada ajuda na atuação ordenada. Quando pais e professores exigem algo, é necessário que se esforcem por exigir o cumprimento de tudo o que mandam e não retrocederem até que a criança tenha-o feito.
Quando existe o hábito da obediência, o exercício da autoridade se simplifica. Obedecer é uma necessidade de convivência – que isso fique claro aos filhos (pais obedecem leis, seus superiores, as regras sociais, etc.). Pessoas que obedecem livremente e porque querem, são mais livres e responsáveis.
AUTORIDADE E OBEDIÊNCIA REQUEREM UM CLIMA DE CONFIANÇA
Ordem:
A ordem é uma virtude que está na base de todas as demais virtudes humanas e lhes servem de apoio. Proporciona confiança, segurança e evita contratempos.
Saber organizar-se é algo que se aprende desde pequeno:
Regularidade nos horários de:
- sono
- alimentação
- higiene
- passeio
- organizar suas roupas
- guardar os brinquedos quando terminar de brincar
É importante lembrar que os pais e professores devem ser muito pacientes e perseverantes, sendo modelos de conduta ordenada (ordenar livros na biblioteca, ordenar e limpar a casa, ajudar os pais na arrumação da casa – armários, roupas, etc.)
CUIDADO: COM A MESMA FACILIDADE QUE IMITAM A ORDEM, IMITAM A DESORDEM
Sinceridade:
Desde pequenos, as crianças já distinguem entre verdade e mentira. Sabem que a mentira é algo que não deve ser feito e o motivo para que sejam sinceros é o fato de que seus pais e professores os amam e estarão sempre dispostos a corrigirem seus erros.
Com o uso da razão, começam a entender a importância da sinceridade e seu valor moral, que “é bom dizer a verdade”, esforçando-se para vivê-la mesmo que algumas vezes seja custoso.
Para desenvolver o hábito da sinceridade deve-se estimular as crianças para que contem coisas de sua vida diária. Se não há comunicação, não há como orientá-los.
O exemplo, dos pais e professores, é de fundamental importância pois a criança possui uma enorme facilidade de captar a sinceridade que seus pais e educadores demonstram.
A educação da sinceridade deve ter um enfoque positivo, além de descobrir e castigar possíveis mentiras, deve-se insistir no valor da sinceridade como algo próprio de crianças valentes e de elogiar os atos concretos de sinceridade.
Como trabalhar a sinceridade com as crianças:
- Pedir perdão quando se incomodou a alguém e compensar-lhe;
- Evitar os apelidos e os gestos que ferem;
- Evitar o ridículo aos demais;
- Falar confiadamente com seus pais e professores de suas preocupações;
- Não mentir nos jogos e não trapacear;
- Não acusar os colegas ou irmãos;
- Avisar-lhes para que possam retificar;
- Não falar mal do irmãos e colegas;
- Admitir o próprio erro ou equívoco sem ficar inventando desculpas.
DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA
O desenvolvimento intelectual das crianças não depende apenas da genética, mas também depende do grau de estimulação que recebeu durante seus primeiros anos.
No útero, o cérebro registra o que percebe no meio fluído no qual se encontra: vai arquivando impressões auditivas, gustativas, luminosas e cinestésicas (emoções da mãe, palavras ternas, batidas do coração da mãe, música suave, etc.)
O funcionamento do cérebro determina sua estrutura e quanto mais o façamos funcionar, mais e melhor ele se estruturará. O cérebro de uma criança cresce tanto quanto mais oportunidades lhe damos.
QUANTO MAIS E MELHOR AMADUREÇA E SE ORGANIZE UM CÉREBRO,
MAIOR SERÁ SUA CAPACIDADE PARA APRENDER
Ao falarmos de estimulação do sistema nervoso central, nos referimos à estimulação de cada um dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato.
Uma criança que recebe no útero durante os primeiros meses, e depois até os sete anos, a estimulação adequada, fará com que em seu córtex cerebral se crie uns circuitos neurais que serão as bases, previamente estabelecidas durante estes primeiros anos, para aprender no futuro.
Nos seis primeiros anos de vida a criança imita constantemente aquilo que a rodeia; daí a necessidade de que os entornos familiar, escolar e social sejam ricos em estímulos e que os educadores – os pais (os primeiros) e professores – se conscientizem da conveniência de mostrar o mais claramente possível o que desejam que a criança aprenda.
Oferecer numerosas ocasiões para que a criança desenvolva ao máximo seus sentidos facilitam e enriquecem o desenvolvimento e a configuração do cérebro.
OS BITS DE INTELIGÊNCIA
Um bit seria uma mensagem esquemática e elementar (um desenho, por exemplo) que apresentamos à criança para que ela capte. Para Doman – autor de vários livros sobre o tema de desenvolvimento do bebê – um bit de inteligência é um bit de informação – um fato.
Os fatos são a base de inteligência, na qual devemos potencializá-la para novas aprendizagens.
Um bit deve conter um controle de qualidade:
- Ter detalhes preciosos
- Conter só um elemento
- Estar bem definido
- Ser novo
- Ser grande
- Ser claro
- Seguindo regras básicas
Para que servem os bits de inteligência ?
Para dar à criança a máxima informação que possa receber com o mínimo esforço por sua parte: olhar e prestar atenção. Posteriormente, ela construirá sua aprendizagem mediante associação e raciocínio. Além disso, desenvolvem a observação, o vocabulário, a audição, o interesse por novos fatos.
Fatos:
• São a base sobre a qual a inteligência é construída
• Sem fatos não existe inteligência
• Fatos individuais são pedaços de inteligência
• O primeiro requisito para que exista inteligência é a habilidade de receber fatos
• O segundo requisito para que exista inteligência e a habilidade para armazenar fatos
• O terceiro requisito para inteligência é habilidade de recorrer a fatos armazenados para utilizá-los como conhecimentos úteis
• O quarto requisito para inteligência é habilidade de usar fatos, conhecimentos, e leis para solucionar com sucesso problemas de importância crescente
• O quinto requerimento para inteligência é a habilidade de combinar e permutar fatos e conhecimentos para descobrir novos fatos e leis
• O primeiro passo para multiplicar a inteligência de seu bebê é alimentá-lo com um número enorme de fatos simples
• O segundo passo para multiplicar a inteligência de seu bebê é apresentar os fatos com uma freqüência que assegure seu armazenamento permanente
• O terceiro passo para multiplicar a inteligência de seu bebe é prover oportunidades freqüentes para recorrer a estes fatos para propósitos úteis
• O quarto passo para multiplicar a inteligência de seu bebê é apresentar-lhes oportunidades crescentes de resolver problemas de importância crescente
• O quinto passo para multiplicar a inteligência de seu bebê é apresentar-lhe um conjunto de fatos relacionados com os quais ele possa combinar e permutar em um número enorme de maneiras úteis
OBS.: Para maiores detalhes ler: “Como multiplicar a inteligência do seu bebê” – Glenn Doman (Editora Best Seller).

A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO COLÉGIO

Os pais precisam receber informações freqüentemente sobre o conteúdo e objetivos das atividades que as crianças realizam dentro da instituição educacional em que se encontra.
Precisam também saber do desenvolvimento do processo educativo da criança em cada momento, os êxitos que vão alcançando e as dificuldades com que se deparam, de tal modo que possam oferecer devidamente a sua colaboração a esses estímulos educativos, reforçando assim na família o trabalho educativo.
O colégio precisa incentivar os pais para que dediquem o melhor de seu tempo aos filhos. Os pais necessitam que lhe dêem esperança e segurança de que são capazes de educar muito bem os seus filhos e uma ampla gama de sugestões práticas de procedimentos educativos na sua família.
Os pais que são os primeiros educadores necessitam continuar a educar-se, pois, só na medida que o façam, serão capazes de educar bem os seus filhos. Precisam colocar em prática na vida familiar alguns critérios educativos básicos coincidentes com os do colégio, porque de outra forma a incoerência entre estes dois âmbitos naturais da educação prejudicaria a nossos filhos. Por esta razão, uma boa instituição educativa deve facilitar, nos aspectos profissional e humano, os meios oportunos para que os pais aprofundem o sentido vocacional do casal e da educação dos filhos, ajudando-os a serem coerentes com os princípios educativos que os levaram a escolher esse colégio.
O colégio é um local de convivência, de alegria e participação. Convivência porque estimula a pensar nos demais e a ajudar aos demais. A alegria se dá em realizar o trabalho bem feito, tendo a retificação por fazê-lo, com elogios como forma de motivação.
Os professores devem oferecer numerosas possibilidades de aprender mediante ricos e variados estímulos, promovendo a participação do aluno (fazendo com que ele queira participar) num ambiente de aprendizagem.
A aprendizagem deve se realizar com disciplina, deixando claro para o aluno o motivo e objetivo de cada tarefa proposta, ressaltando que todo o trabalho que ele realiza ajuda-o a ser melhor como pessoa
O COLÉGIO DEVE SE PREOCUPAR COM A FORMAÇÃO DOS PAIS
FORMAÇÃO DOS PAIS
Se educar é uma arte e uma ciência, devem portanto ter um suporte de conhecimentos. Com novas pedagogias surgindo, apresentamos novos conhecimentos que ajudam de forma mais fácil a tarefa de educar:
- Períodos Sensitivos
- Instintos Guias
- Estimulação Precoce
- A motivação da vontade
- A Educação Preventiva
- A qualidade total aplicada à educação
- Como educar em futuro, etc.
- Escola de famílias
Ajudar a família a promover a formação educativa para os filhos requer uma orientação familiar, através de reuniões de casais, propondo planos concretos de atuação, revendo esses planos constantemente com acompanhamento contínuo para atingir os resultados esperados.
REGRAS BÁSICAS PARA AJUDAR A VIVERMOS MELHOR
1) Fazer aos demais o que gostaríamos que fizessem para nós
2) Cuidar dos detalhes, das pequenas coisas – “Poderemos vencer grandes desafios se quisermos vencer os pequenos”.
SUGESTÕES DE ENCARGOS
Anos Desde essa idade, podem se responsabilizar por...
1 – 2 1. Levar sua fralda ao cesto de lixo
2. Colocar no lugar seus brinquedos, seus sapatos...
3. Colocar a chupeta na boca do irmão...
2 – 3 1. Colocar ocasionalmente algumas coisas na mesa: tirar os guardanapos ou coisas pequenas
2. Ajudar em tarefas concretas, como: regar plantas e jardim, acompanhar a coleta de lixo...
3. Guardar seus brinquedos
3 – 5 1. Dispor sistematicamente coisas fáceis na mesa
2. Ser o responsável de ajudar e em alguns casos colocar a mesa
3. Cuidar de alguma coisas: flores, animais... (com lembretes e supervisão).
4. Ajudar a arrumar sua cama
5. Arrumar seus brinquedos
5 – 7 1. Ajudar na limpeza
2. Cuidar de algum animal
3. Tarefas domésticas simples: ordenar as cadeiras, varrer, tirar a mesa, recolher o lixo...
4. Colocar a roupa suja no cesto de roupas.
5. Vestir-se e banhar-se sozinho
6. Atender ao telefone e a porta
7. Ajudar a cuidar das plantas do jardim, vasos...
8. Lavar o quintal, carro...
9. Arrumar sua cama e quarto
10. Guardar seus brinquedos
11. Manter seu material escolar organizado
12. Passar o aspirador
13. Ajudar a cuidar de um irmão mais novo
14. Apagar as luzes quando necessário

ENCARGOS ESCOLARES
o Apagar a lousa
o Guardar o giz
o Organizar a sala (limpeza)
o Manter as carteiras alinhadas
o Desligar luzes e ventilador ao sair
o Ajudar a organizar a fila
o Ajudar o colega que apresenta dificuldades
o Auxiliar a professora
o Manter seu material organizado em cima da carteira

Fonte: IDE - Instituto de Desenvolvimento da Educação
Publicado no Portal da Família em 24/01/2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O que fazer quando algumas crianças terminam a atividade antes do que as outras?

Deixá-las simplesmente esperando ou apressar o restante da turma não é a solução. Conheça propostas inteligentes para entreter a garotada sem atrapalhar a rotina

Amanda Polato (novaescola@atleitor.com.br)

ATIVIDADES PARALELAS Na EMEB Olavo Bilac, em São Bernardo do Campo, quem termina a atividade primeiro (à direita) tem livros e jogos para ler e brincar enquanto espera os colegas que ainda estão trabalhando com o auxílio da educadora (à esquerda).

Não se trata de falta de planejamento. O ritmo com que os pequenos realizam as propostas que você apresenta faz com que o dia não se desenrole em um compasso perfeito, a ponto de todo mundo fazer a mesma coisa ao mesmo tempo. É claro que organizar as atividades prevendo a duração de cada uma delas é algo a que o educador tem de se dedicar. Porém tão importante quanto isso é planejar sugestões para quem termina as tarefas primeiro com intencionalidade. Isso quer dizer não eleger qualquer coisa somente para distrair a turma, e sim pensar em trabalhos significativos e nas habilidades a serem aprimoradas por meio deles.

Pedir que as crianças esperem os colegas terminar o que estão fazendo não é uma opção (embora muitas sejam submetidas a isso na Educação Infantil). "Se não têm o que fazer, elas ficam entediadas e atrapalham os demais. A situação foge do controle", explica Maria Carmen Barbosa, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

As atividades de transição (ou de passagem) são válidas não só para organizar o tempo como também para as crianças aprenderem a esperar e respeitar o ritmo dos outros. Ambas as habilidades devem ser construídas aos poucos, tendo sempre você como mediador. Na EMEB Olavo Bilac, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a turma já está habituada a elas.

"Com a opção de uma atividade paralela, ninguém tem de abandonar a tarefa incompleta só porque alguns colegas já a concluíram", diz Maévi Nono, professora da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Confira o que e quando propor, quais os encaminhamentos, o que observar e o que evitar.
OPÇÕES ESCOLHIDAS COM INTENCIONALIDADE Brinquedos e massinha são boas ideias para as atividades de passagem desde que o educador tenha objetivos claros ao ofertá-los aos pequenos. Vale observar as escolhas deles, se preferem brincar sozinhos ou em grupo e como manipulam as peças.
O que propor Se a sala tem espaços diferenciados, como o canto dos brinquedos e o da biblioteca, vale liberar os pequenos para se divertir neles. Disponibilize também quebra-cabeças, livros, gibis, fantoches, massinha, papel e lápis de cor para desenhar e jogos de montar, entre outros. Na EMEB Olavo Bilac, a educadora Márcia Regina Marques guarda esses materiais em caixas que ficam ao alcance de todos da pré-escola. "Dependendo do número de crianças, organizo um ou dois grupos, não mais do que isso, e distribuo algumas opções", ela explica.

Quando propor Esse tipo de atividade deve ser apresentada não só como uma alternativa enquanto a turma aguarda um novo desafio. Existem outros momentos que requerem propostas paralelas: os imprevistos (uma criança se machuca e precisa de cuidados) e as tarefas individuais (como escovar os dentes).

Encaminhamentos Quando a maioria dos pequenos acabar a tarefa, diga que eles podem brincar um pouco enquanto esperam os demais, mas sem atrapalhá-lhos. Indique o material que pode ser usado e o distribua ou libere o grupo para pegá-lo. Explique que, quando a atividade principal for terminada por todos, a rotina deverá ser retomada. "É uma oportunidade para as crianças construírem a noção de que formam um grupo que trabalha junto a maior parte do tempo", diz Maria do Rosário de Souza, da EPG Olavo Bilac, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O que observar Mesmo acompanhando mais de perto os que ainda estão realizando a atividade principal, não deixe de prestar atenção nas crianças que estão lendo ou brincando. Maria Carmen explica que o momento de transição é muito importante para analisar quais os interesses dos pequenos, como eles interagem uns com os outros e se têm mais autonomia.

O que evitar É desaconselhável oferecer várias opções para não dividir a criançada e apresentar livros ou jogos desconhecidos. "A turma não pode depender 100% do educador para brincar, já que ele deve estar mais direcionado a quem ainda não terminou a atividade principal", diz Daniela Munerato, orientadora educacional da Educação Infantil na Escola da Vila, em São Paulo.

domingo, 15 de maio de 2011

A arte de contar histórias

O encantamento dos contos de fada.

As histórias infantis têm papel fundamental na formação do indivíduo, tornando-o criativo, crítico e capaz de tomar decisões.

Quando se conta uma história, deve-se ter em mente que aquele momento será de grande valia para a criança, pois através desses contos será formado um banco de dados de imagens que será utilizado nas situações interativas vividas por ela.

Recomenda-se que o educador faça todo um ritual antes do momento de contar histórias.

O ideal é que o professor, ao contar uma história, tenha uma diversidade de estratégias sendo consideradas como principais: tocar a imaginação dos alunos, saber como utilizar a expressão corporal, o ritmo, o gesto, e principalmente a entonação da voz, fazendo com que nesse momento a criança fique envolvida pelo encantamento e pela fantasia.

Sugere-se ao professor que crie em sua sala de aula o livre acesso aos livros através de um cantinho de leitura no qual fiquem disponíveis aos alunos livros, revistas, jornais etc., facilitando o manuseio.
Orienta-se que o professor se informe mais sobre os aspectos que estão envolvidos na apropriação no processo da leitura e seus aspectos fundamentais na visão lingüística, psicológica, social e fisiológica.

Ressalta-se que quando se tem domínio de certo papel a desempenhar o resultado é totalmente diferenciado e qualificado.

domingo, 24 de abril de 2011

Conhecimento - Desenvolvimento Infantil

Apoio Familiar é Essencial no Desenvolvimento Infantil

Presidente do Lar Escola Cairbar Schutel (LECS) fala sobre a influência da família durante a formação infantil. Para Monain Nogueira, a família é o lugar onde a criança aprende a controlar suas emoções, se expressar, interagir e adotar padrões de comportamento convenientes com seu tempo e espaço.

Quando uma criança nasce tudo para ela é estranho. Sair do útero da mãe significa entrar em contato com o desconhecido e, neste momento, o receio e a insegurança costumam ser marcas fortes no pequeno. Mas eis que neste mundo tão estranho e selvagem, inclusive, há um porto seguro, um lugar que a criança reconhece como seu, se sente protegida e amparada: a família.

Estar na presença dos pais, em casa, junto de seus pertences pessoais já conhecidos. Para a presidente do Lar Escola Cairbar Schutel (LECS) Monain Nogueira, “são estes alguns dos elementos que garantem segurança para a criança nos seus primeiro estágios de desenvolvimento, quando ela está começando a dar os primeiros passos”.

Monain diz que, no entanto, existem muitos casos em que a família não consegue ter meios para criar os filhos adequadamente. “As péssimas condições financeiras, assim como os vícios em bebidas e drogas não impedem os casais de terem seus filhos (e nem deveriam mesmo), mas retiram das crianças a possibilidade de ter uma fonte de proteção, conduzindo-as à situação de risco social”, explica.

Entenda-se o termo “situação de risco social” quando o desenvolvimento da criança não ocorre de forma compatível com aquilo que é esperado para sua idade. Monain esclarece: “uma vez neste estado, a criança corre o risco de ficar exposta aos problemas sociais que já são bem conhecidos pela nossa população como a violência, a exploração sexual e do trabalho infantil e o acesso às drogas”.

É diante deste contexto que entidades do terceiro setor, como o Lar Escola Cairbar Schutel, atuam para abrigar crianças sob situação de risco social e também para lhes garantir assistência a fim de que ela tenham uma boa formação. Ao todo, são 60 meninos e meninas atendidos pelo LECS, entre 0 e 17 anos.

Ao falar sobre o atendimento aos abrigados, a presidente da entidade cita a importância em proporcionar uma assistência voltada para o núcleo familiar. “O tratamento feito pelas instituições com as crianças deve ser sempre o mais próximo possível ao de uma família padrão. Isso para que ela não se sinta excluída das demais que possuem uma boa estrutura familiar e que, portanto, sempre viveram com este acolhimento”, explica.

Mesmo com assistência mais próxima de uma família padrão possível, cabe ressaltar que as entidades que abrigam crianças jamais podem substituir o vínculo familiar. Pois é ela, a família, um fator intrínseco ao desenvolvimento pessoal e social da criança. É o lugar onde o pequeno aprende a controlar suas emoções, a reagir, se expressar, interagir e adotar padrões de comportamento convenientes com seu tempo e lugar.

"No Lar Escola, a criança consegue obter o vínculo material. É onde ela tem acesso à educação, à alimentação e faz amigos, mas a relação familiar, afetiva e emocional só pode ser obtida junto de seus pais, biológicos ou substitutos, quando são adotadas por meio de regulares processos judiciais", afirma Monain. A curto prazo, os problemas de socialização e exclusão podem ser marcantes caso a criança não tenha este porto seguro que é a família. Já a longo prazo, o problema se reflete na vida adulta.

O efeito da carência do vínculo familiar faz com que algumas das crianças, uma vez adultas, lutem por aquilo que não tiveram durante a infância. "Outras têm muita dificuldade para se adaptarem no mundo a fora, sendo-lhes difícil a inserção no mercado de trabalho e na dedicação aos estudos”.

Para a dirigente do LECS, “a função da família é tão importante que, ao atribuir assistência aos abrigados, as instituições exercem também um papel ativo no acompanhamento dos familiares das crianças para que, ao deixarem o abrigo, elas voltem ao lar de origem com todas as condições necessárias para encararem os desafios da vida”. Caso não seja possível são disponibilizadas para adoção para que possam desenvolver em um ambiente seguro e acolhedor.

Por último, consideramos o atual contexto nacional. Com a crescente desigualdade social e com a concentração de renda nas mãos de poucos, muitas famílias de baixa renda têm dificuldades na criação dos seus filhos e acabam entrando em crise. “O resultado disso é a desestruturação familiar e, no caso das crianças, estas podem partir para a marginalidade ou se sentirem excluídas socialmente. De uma forma ou de outra, os reflexos serão nítidos na vida adulta se estas crianças não forem amparadas desde a sua infância”, finaliza a dirigente do Lar Escola.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Estresse na infância

Valeska Andrade

Adversidades e estresse no início da vida podem levar a problemas de saúde no futuro e até mesmo à morte prematura, segundo uma série de estudos apresentados em encontro da Associação Americana de Psicologia, na Califórnia (EUA), na última semana.

Os estudos, que apoiam outras pesquisas já realizadas, sugerem que o estresse na infância, provocado pela pobreza ou por abusos, pode desencadear doenças cardíacas, inflamação e acelerar o envelhecimento celular das crianças.

Para a cientista e coordenadora dos estudos, Karen Matthews, ambientes imprevisíveis e com estresse levam meninos e meninas a ficarem hipervigilantes em relação a percepções de ameaças do ambiente ao seu redor, o que gera problemas duradouros a longo prazo.

Fonte: O Tempo (MG)