sábado, 18 de setembro de 2010

Seleção de Conteúdos: um pressuposto necessário nas discussões do Currículo de Ensino.

Iza Aparecida Saliés


Para alguns teóricos do currículo a antiga lista de conteúdos das disciplinas escolares, deixou de ter prioridade. Hoje a recomendações é que o conteúdo não precisa ser necessariamente o eixo importante para as discussões curriculares na escola, considerando que a linearidade das disciplinas escolares deixou de ter importância pela interdisciplinaridade e a contextualização dos conteúdos, concepções pedagógicas que dispensam a hierarquização das disciplinas.

Sedimentados na concepção de que as disciplinas escolares não precisam ser hierarquicamente organizadas no currículo, então, faz-se necessário refletir sobre o que se pretende com os conteúdos escolares, o que ensinar para quem ensinar e como ensinar de modo que a contemplar a educação básica com uma educação na perspectiva da formação integral do ser humano.

Quando estamos discutindo o que ensinar e o estamos ensinado surge ai uma grande dúvida para o professor, que conteúdo selecionar para a compreensão e o entendimento de determinado assunto que preciso ensinar? Qual é a relevância social desse conteúdo? Que conteúdo da minha disciplina pode possibilitar a interdisciplinaridade na área de conhecimento? Que conteúdo é de fato significativo para o aluno?

Com essas indagações precisamos parar e refletir sobre o que estamos ensinando para nossos alunos e o que está de fato surtindo efeito na aprendizagem deles. Só assim, poderemos conseguir entender que o professor está ensinado não representa necessariamente o que o aluno precisa, deseja, e que saber e ou aprender.

Como reverter à disparidade que há entre o que ensina e o que o aluno precisa aprender? Presos à antiga listagem de conteúdos da capa do livro didático, determinados professores encontram dificuldade em mudar sua prática de planejamento na hora de selecionar conteúdo, quando suscita essa necessidade verificamos certa resistência por parte dos professores em inovar suas cristalizadas práticas.

A discrepância que há entre a listagem de conteúdos e apenas uma questão metodológica, considerando que temos que estabelecer o que realmente preciso ensinar. É tão visível, que pouco se discute a seleção de conteúdos como um exercício necessário para compor e recompor as disciplinas dos componentes curriculares da educação básica.

Precisamos lembrar que quem está estudando tem expectativas quanto a sua escolarização, precisa saber o que vai aprender o que precisa aprender e o que vai servir para ele (a). A escola enquanto espaço de ensino e aprendizagem deve ter o compromisso não só de ampliar o acesso, mas também, de viabilizar a construção de conhecimento científico, suficientes para fortalecê-lo para a cidadania, para a vida e para o mundo do trabalho.

A nova escola, esse onde o aluno pode participar, ou seja, a democrática, nela o aluno precisa saber e entender o que precisa aprender como vai ser a sua avaliação, conhecer a proposta pedagógica da escola, o trabalho do professor e mais, participar como protagonista do processo de ensino e de aprendizagem, numa interface aberta, transparente e sem restrições, como também, com o devido respeito.

Agindo assim, o professor ficará mais seguro para diagnosticar e saber como está a sua turma, assim sendo, o professor estabelece uma relação amigável e de confiança com seus alunos, oportunizando a participação de todos nas discussões sobre os temas, eixos e até conteúdos que estudarão durante o ano letivo.

O professor ao escolher seus procedimentos metodológicos de ensino, selecionar os conteúdos da sua disciplina, o que é necessário e significativo para seus alunos, suas escolhas precisam ser fundamentadas num contexto bem próximo da realidade vivenciada por eles (as).

Sampaio (1995) faz a seguinte pergunta, o segredo da qualidade do conhecimento escolar está no currículo de ensino? Para ela os conteúdos precisam dar pistas para o trabalho pedagógico do professor e possibilitar mais flexibilidade, como também facilitar a formação dos alunos, que em muitos casos são economicamente e socialmente vulneráveis e marginalizados pela própria escola.

Então o professor pode indagar como valorizar os saberes que o aluno já possui de modo que eles possam servir de referencial para a seleção de conteúdos? Que conteúdos são necessários para ampliar sua compreensão de mundo? Que conceitos ensinar nos respectivos componentes curriculares das matrizes da educação básica, que sejam capazes de contextualizar com os conhecimentos do aluno, ou seja, da sua realidade com os conhecimentos científicos?

Ao discutir currículo, disciplina e área de conhecimento o professor precisa ter a clareza e o entendimento para selecionar conteúdos que possa ser socialmente relevante, que seja amplo quanto ao aspecto global, que valorize o regional e local, como deve também, atender as complexidades do mundo contemporâneo, as exigências da sociedade, das tecnologias, sempre na perspectiva da construção de conhecimentos que sirvam para a vida do aluno.

Assim, ao selecionar os conteúdos de forma ampla, discutida, pensada e repensada, fundamentada num currículo que não seja centrado apenas em conhecimentos básicos das disciplinas, apesar de encontrarmos os professores que insistem nessa prática, que ainda é comum nas escolas.

Precisamos alertar os professores para não deixar acontecer velhas práticas que freqüentemente se diluem no dia a dia da escola, pois alguns ainda persistem em trabalhar com conteúdos antigos, porém conceituados de clássicos, mas que na realidade podem estar promovendo o insucesso dos alunos.

As pesquisas realizadas no campo do currículo têm contribuído consideravelmente para melhorar as práticas escolares, e também traz no seu bojo contribuições e alertas, suficientes para compreender que o currículo oculto, aquele que de fato acontece na sala de aula é bastante diferente do currículo recomendado pelos Sistemas de Ensino.

Segundo Apple a King (1985, p.51), essa reflexão é importante porque o professor que compreende sua posição e suas práticas no contexto mais amplo está em melhor situação para entender o que, quando e como pode alterar em seu trabalho.

Para finalizar e concordando com os autores citados neste texto, afirmo em dizer que a prática pedagógica do professor que até pouco tempo era uma ação realizada entre quatro paredes, onde a relação professor, aluno, conteúdo, prova, avaliação acontecia sem o devido reconhecimento da pessoa interessada que é o aluno, as atividades pedagógicas importantes da escola ainda acontecem sem a devida participação do ator principal, o aluno, mas já estamos mobilizando para que seja efetivada realmente a participação dos alunos nas discussões curriculares da escola.



Referências

APPLE, Michael W. Repensando ideologia e currículo. In: MOREIRA, Antonio Flávio, SILVA, Tomás Tadeu (orgs.) Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 1994. P.39-57.

GIMENO SACRISTÁN, José. Escolarização e cultura: a dupla determinação. In: SILVA, Luiz Heron et al. Novos mapas culturais, novas perspectivas educacionais. Porto Alegre: Sulina, 1996. p.34-58.

LEITE, Siomara B. Considerações em torno do significado do conhecimento. In: MOREIRA, Antonio Flávio (org.) Conhecimento educacional e formação do professor. Campinas: Papirus, 1995. p.11-25.

SAMPAIO, Maria das Mercês F. Problemas da elaboração e realização do currículo. Idéias, São Paulo, n.26, p.143-50, 1995.

SAMPAIO, Maria das Mercês F. Ensinar e Aprender: Reflexão e Criação.Vol.1.

SANTOS, Lucíola L. C. P., MOREIRA, Antonio Flávio. Questões de seleção e de organização do conhecimento. Idéias, São Paulo, n,26, p.47-65, 1995.

SILVA, Tomás Tadeu. O que produz e o que reproduz em educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992

Ontem falta de educação, hoje agressão, amanhã ameaças: sou professor o que fazer?

Iza Aparecida Saliés


Agora, nós professores convivemos constantemente com conflitos sociais que explodem na escola, sejam eles da parte dos alunos, da comunidade ou dos pais. A escola passou a ser o espaço de deságüe dos das frustrações sociais das crianças, adolescentes e jovens, dos desajustes emocionais, dos desacertos pessoais e amorosos deles.

Por ser desta forma, nós professores temos que preparar para saber lidar com situações de conflito sem que haja desgaste emocional da nossa parte. Sabemos que não será fácil ter que agir como “apoio fraterno” na sala de aula, só que, para o ensino e aprendizagem aconteça com sucesso faz-se necessário trabalhar o emocional dos alunos, fator sentimento, econômico e familiar, pois a sua história de vida, traz consigo o bônus e o ônus de uma vivencia satisfatório ou não.

No “Blog do Corumbá” mais precisamente na coluna educação tinha uma notícia sobre um fato que ocorreu no Centro de Assistência Integral à Criança de Juiz de Fora (MG), um aluno agrediu com palavras, pontapés, tapa no rosto e ameaça de morte a vice – diretora da instituição, tudo aconteceu porque foi solicitado ao aluno que tirasse o boné, o que não é permitido o seu uso dentro da escola.

E mais, revoltado com a solicitação, o aluno ofendeu a vice-diretora com palavras de baixo calão e ameaçou quebrar o carro dela, e para completar, disse gritando que iria trazer uma faca para afrontá-la e colocar o revólver na cabeça dela. Por questão de segurança a mesma teve que registrar queixa na Polícia, visando prevenir maiores conseqüências, uma vez que um adolescente de 13 anos com esse tipo de comportamento parece ser um inconseqüente.

Temos problemas na escola com o uso do celular, do boné, da pulseira do sexo, de tudo que faz parte do mundo jovem, que quando usado fora dos padrões, interferem consideravelmente na vivencia escolar. O consumo exacerbado, o ter para ser, a vontade de pertencer a uma tribo e de ser aceito pelos (as) amigos (as) são necessidades que angustiam os jovens quando tornam difícil ou impossíveis de alcançar.

Como conviver com situações de conflito na escola? Conflitos que tornam os professores vulneráveis, expostas e indefesas. Tudo isso está acontecendo com freqüência no espaço escolar transformando a instituição num local de amparo, imposta a agasalhar adolescentes e jovens infratores e desprotegidos do seio familiar.

Os acontecimentos desagradáveis que acontecem no espaço escolar transformam a instituição num local assustador, desprotegido e preocupante, onde professores e funcionários estão sujeitos à agressão, desacato de adolescentes e jovens inconseqüentes que tentam tumultuar a rotina escolar.

Infelizmente chegamos a esse ponto, pois a falta de educação dos adolescentes e jovens, a falta de respeito pelas pessoas está prejudicando consideravelmente o processo ensino e aprendizagem deles, dificultado a relação professor – aluno, como também, as relações interpessoais na sala de aula.

A escola agora passou a ser o espaço onde os alunos deixam explodir suas mazelas, mágoas, ressentimentos do que acontece dentro ou de fora dela, não importa se o fato aconteceu fora da escola, o combinado entre eles é, na hora da aula, resolveremos.

Não importar se eu e o outro, se nós estamos ofendendo as pessoas os amigos e colegas, o que importa é que eu estou defendendo o que é interessante para mim, o que sinaliza a falta de referencia, de valores, de formação familiar, o que faz deles vítimas das próprias atitudes sejam elas benéficas ou maléficas.

Houve um tempo em que a escola era uma instituição de respeito, local de estudo, concentração, mas atualmente, não é essa a impressão que temos dela. As novas demandas sócias chegam à escola antes mesmo dela conseguir resolver, mesmo com todo aparato pedagógico que possui, ainda assim, não conseguimos resolvê-los. Muitos são os motivos que permeiam esses desconhecidos acontecimentos que pipocam na escola, que são realizados muitas vezes por menores de idade que fazem coisas erradas e dificilmente são punidos.

Apesar do imperioso trabalho que os Conselhos Tutelares estão realizando pelo Brasil afora, ainda assim, as apurações dos casos ficam a desejar, como bem sabemos uma hora a falha é do Sistema ou da legislação, em outra é da família ou da escola.

A situação está tão grave que a cada dia que passa um professor pele afastamento por motivos de saúde, há casos em que o professor passou a fala sozinha (o), sente seu coração disparar sem motivo aparente, não consegue controlar os alunos na sala de aula, ou seja, estão tendo dificuldade de domínio de classe ou não consegue atrair os alunos. O mais grave de tudo é que tudo isso acontece no momento de passar o conteúdo para eles, poucos ficavam prestando atenção na fala do professor.

Para os professores que são comprometidos profissionalmente, ficam apavorados, sentem angustiados (das) e impotentes diante da situação, ficam sem saber com lidar com os alunos na sala de aula, acaba que o professor fica nervoso, confuso, sendo que antes de entrar na profissão não era assim, era calmo.

Isso está acontecendo com professor que acabaram de ingressou na rede pública de ensino, recentemente foi aprovado no concurso, considerado apto a dar aulas. E para surpresa do Sistema e dele mesmo, ao passar três anos trabalhando com sala de aula, precisa tirar licença médica por sentir ansiedade, depressão e inquietude, sintomas que motivam a renovação constante de seus afastamentos da sala de aula.

Vejamos como está a situação do profissional da educação, aquele que foi preparado para ensinar está passando pó momentos de dificuldade para desempenhar sua própria função docente por falta de educação das crianças, adolescentes e jovens que deveriam ir para a escola educada como antigamente.

Projeto Político Pedagógico, documento escolar que deve retratar a cara da escola.

Iza Aparecida Saliés
 

A retórica sobre a concepção de educação que perpassa as discussões pedagógicas atuais, conduzem a perspectiva de um Currículo para a Educação Básica que esteja estruturado num Projeto Político Pedagógico configurado pelo conjunto de atores envolvidos com as questões pedagógicas da escola e validado pela comunidade escolar.

O Projeto Político Pedagógico da escola tem como princípio fundamental a participação de todos os envolvidos com as questões da escola, na sua discussão e elaboração. Além de ser um instrumento que possibilita o diálogo sobre as questões pedagógicas como currículo, a avaliação da aprendizagem, as metodologias, os temas relevantes, os eixos temáticos, os conceitos e ou conteúdos, ele estabelece os rumos da escola, rumo este, que precisa ser consenso de todos que participaram do processo e validado pela comunidade escolar.

No bojo dessa discussão a escola não pode deixar de considerar os saberes que os estudantes possuem, pois esse, servirão como referencial para os professores no momento de discutir a seleção de conteúdos a serem trabalhados na sala de aula, pois os mesmos, com certeza servirá de roteiro para delinear temas relevantes e contextualizados com a realidade vivida por eles.

Baseados nessa perspectiva, as estratégias de ensino escolhidas pela escola, com certeza serão mais significativas, pois, os temas, os conceitos e ou conteúdos surgirão das necessidades educativas deles, e servirão de base para compor o conjunto de aporte teórico necessários para a construção de conhecimento do estudante.

Por isso, faz-se necessário, que a escola reflita sua antiga prática pedagógica, discuta as diferentes concepções, organize grupo de estudo com os professores, para discutir, estudar e refletir sobre temas, teorias, concepções pedagógicas e metodológicas que possam contribuir com a formação integral do educando, para que mesmo esteja preparado para a vida e para o mundo do trabalho.

Essa nova forma de ensinar e aprender que nós professores precisamos dominar, antes de tudo precisa ser entendida, compreendida e aceita pelo professor. Faz-se necessário tempo para que a escola e os professores possam ajustar a essas novas necessidades socias.
 
Atualemtne discute-se a formação continuada como mecanismo de estudo individual ou coletivo onde o professor exercita o diálogo de modo que cada participante do grupo compartilhe suas idéias, crenças e concepções com seus pares.

Quando o processo de elaboração do Projeto Político Pedagógico passa pela discussão com a comunidade escolar, oportunizando a todos participarem ativamente da gênese do documento, os objetivos, metas e finalidade são estabelecidas com o respaldo e de acordo com os que os pais querem para seus filhos, nesse momento, a escola está decidindo, assumindo posturas, optar por um currículo de ensino adequado as reais necessidades dessa clientela.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sabatina sobre História de Mato Grosso: e agora o que faço? *

Iza Aparecida Saliés


Achei oportuno falar sobre Mato Grosso não só pelo fato da comemoração do seu aniversário foi no dia 9 de maio, data comemorativa que desperta em nós um sentimento de saudade, aquela que relembra o velho e pequeno Estado, com pela vontade expor um problema que me angustia muito, é História de Mato Grosso nas escolas estaduais e particulares.

Mato Grosso um estado que até trinta anos atrás tinha as cidades na baixada cuiabana e alguns pequenos lugarejos que surgiam em decorrência da propaganda de colonização das terras mato-grossense, a parir daí houve um número significativo de pessoas que vinham para o Estado em busca de uma vida melhor.

O progresso foi inevitável, a população disparou , houve um número significativo de investimentos no Estado, a explosão migratória foi assustadora ocasionando sérios problemas estruturais, não houve tempo para Estado organizar melhor as cidades que surgiam. O nosso crescimento é célere, somos a síntese da diversidade brasileira, temos uma riqueza de diversidade cultural, abrigamos quase que todas as culturas brasileiras, estas, quando entrelaçadas com as nativas fazem de Mato Grosso, um Estado mais colorido, simpático e atraente.

Para expressar o carinho que tenho pela minha terra, pensei em descrever o que é amar este Estado, que é belo, acolhedor, aconchegante, caloroso e solidário, estes, são adjetivos que descrevem perfeitamente o que é este canto do país.

Sua trajetória foi permeada por descobertas de ouro, diamantes, terras férteis e de um povo simples que recebe de braços aberto qualquer pau rodado que aqui chega. Como diz o ditado cuiabano, quem não nasceu aqui “São Bom Jesus de Cuiabá mandou buscar”, para aqui ser feliz.

A História de Mato Grosso, apesar de estar nos livros e na memória coletiva de seus nativos, ainda assim precisa ser estudada pelos mato-grossenses por adesão. Faz-se necessário divulgá-la e colocá-la disposição de todos. Assim entendo que a educação é de fundamental importância para a concretização desse desejo, ou seja, garantir no Currículo Escolar conteúdos sobre a História do Estado tanto quanto ao seu passado como a contemporânea.

Não é difícil encontrar pessoas que aqui residem, ocupam cargos públicos e desconhecem a nossa história. Seu passado brilhante deve ser de conhecimento de todos, sem restrições, não podemos admitir que uma autoridade fale ou deixe de considerar os acontecimentos e personalidades que contribuíram significativamente com a história deste Estado, fiquem onipresentes, nas falas, nos discursos e eventos.

Para que possamos garantir que a História de Mato Grosso fique viva e seja respeitada, precisamos envidar esforços para preparar a escola com subsídios teóricos e fazer a formação dos professores. A escola está desenvolvendo alguns trabalhos pedagógicos sobre a História do Estado, são atividades ainda insuficientes, não contemplam a totalidade de conhecimento necessária para que o aluno conheça de fato o que foi e o que é seu Estado.

Por estar dessa forma, a História de Mato Grosso, nas escolas, faz-se necessário garantir no Currículo da Educação Básica do Estado, conteúdo sobre a História, Geografia, Literatura e Cultura, Costumes, Valores, pouco se vê e pouco se sabe sobre o Estado, constantemente vejo pessoas comentando fatos do cotidiano de forma descontextualizados sem aprofundamento conceitual do passado da nossa história.

As publicações sobre a História, Geografia, Literatura e Cultura Mato-grossense são muito acadêmicos e pouco didáticos, para ser adotado pelas escolas precisam ter uma leitura mais pedagógica, de modo que possa ser utilizada pelo professor e pelo aluno. Como é sabido, há necessidade de garantir recursos para investir em publicações de livros didáticos e pedagógicos sobre Estudos sobre Mato Grosso para que a escola possa utilizar com os alunos de uma foram bem didática.

Além dos investimentos realizados e ou programados, é preciso que o Sistema Estadual de Ensino priorize ações que fortaleçam a Formação de Professor com capacitação especifica oficinas e cursos com foco no ensino de conteúdos referentes ao passado e presente de Mato Grosso e garantir que os conteúdos nas disciplinas escolares, obrigatoriamente.

É visível que a falta de conteúdos e material pedagógico e didático sobre o Estado, isso, dificulta consideravelmente os trabalhos dos professores com os componentes curriculares do Currículo da Educação Básica de Mato Grosso. Notadamente percebemos os reflexos dessa deficiência da escola, quando o aluno vai fazer um concurso ou uma seleção, eles, ficam preocupados com o conteúdo sobre Mato Grosso que devem estudar. Parece que as pessoas sabem pouco ou quase nada sobre Mato Grosso.

Nosso jeito de ser surgiu das misturas que fez desta terra um espaço geográfico ocupado por diferentes povos, culturas, costumes, tradições que sem querer, sufocaram nossa vidinha de cidade provinciana, mas, que abriga pessoas ilustres, pessoas simples, também chamadas de acomodados.

Sabe que eu até gosto, de ser chamada de acomodada, um matogrossense de verdade é tranqüilo, calmo, de pouca ambição, pouco atrevido, gosta de sombra e água fresca sim, pode caçoar, nós não zangamos.

Garantir nossos costumes e valores, é um compromisso da escola, como também, é o de ensinar as novas culturas que estão lentamente integrando a nossa, mudando de forma benéfica o nosso cotidiano, na escola, no trabalho e na vida.

*Artigo publicado no http:// www.seduc.mt.gov.br
terça-feira, 13 de julho de 2010



Iza Aparecida Saliés
Comissão de Qualificação Profissional
Superintendência de Formação de Professor/Seduc
O tempo político na TV, como dar uma aula instigante.

Iza Aparecida Saliés

Parece chato, ver e ouvir o tempo político na TV, nós, que já estamos cansados dessa façanha obrigatória, achamos que de nada adianta assistir a fala e as propostas políticas dos candidatos. Mas, o assunto, o tempo político na TV, demanda uma grande variedade de possibilidades pedagógicas que a escola pode utilizar numa aula de qualquer disciplina escolar.

Sabemos, melhor do que ninguém que muitas das falas são apenas promessas impossíveis de serem realizadas, outras possíveis, ainda assim, o professor pode explorar pedagogicamente o que passa no tempo político da TV. Quando o professor coloca o assunto em pauta, na sala de aula, ele está possibilitando aos alunos uma discussão fundamentada em conhecimentos científicos. Ao dispor para os alunos esse conhecimento, os mesmos terão a oportunidade de entender, compreender e analisar as possíveis situações do fato, ou seja, o que está sendo discutido sobre a fala do candidato.


Ao fazer a analise conjunta professor e alunos, na sala de aula, deixando que eles falem, discutam e formem o seu próprio conceito, sobre o assunto, ao utilizar dessa prática, o professor está dando uma aula motivada, de interesse deles, com tema atual, contextualizado, despertando o interesse em discutir, com conhecimento, assunto do cotidiano deles.

Então, a escola pode explorar pedagogicamente as propostas para as políticas publicas apresentadas pelos candidatos ao cargo de governador e as sugestões dos candidatos ao cargo de legislador. Esta seria a pergunta que o professor faria para os alunos, quais seriam as necessidades do mato-grossense em relação os assuntos políticos, sociais, econômicos, ou seja, globais de interesse da sociedade? Esta é apenas uma sugestão, pois, o professor sabe melhor do que ninguém, selecionar o seu conteúdo ou tema a trabalhar.


Ao trabalhar temas complexos no currículo escolar, com o tempo político na TV, o professor precisa tomar o cuidado no momento de selecionar os conteúdos que deverão abordar durante a aula, esses conteúdos, precisam necessariamente ter significado para os alunos, próximos da sua realidade, além de estar relacionado com os conhecimentos científicos necessários para a sua formação escolar, seja ela, em que etapa de aprendizagem o aluno está estudando.

Quando a escola utilização da estratégia de escolher temas atuais para provocar a aprendizagem, ela está possibilitando uma aula dinâmica, motivadora, polêmica, envolvente, onde, todos podem e devem discutir o assunto, emitir sua opinião, mesmo que ela seja ancorada em saberes do senso comum, não importa o que é fundamental, é a participação do aluno. Esta o professor não pode abrir mão, deixar passar.

Não é fácil delimitar esse tema para abordar na sala de aula, mas, o professor deve estar preparado para as possíveis demandas de curiosidades, necessidades e indagações feitas pelos alunos. Dar uma aula dessas, antes de tudo, o professor precisa planejar, estudar, dirimir toda a duvida e listar os referencia teóricos estudados, para não deixar dúvidas sobre o assunto. E ainda, o professor deve sugerir possíveis leituras, caso o aluno queiro aprofundar no assunto.

Para o currículo escolar essas discussões de cunho nacional, atual e de interesse da sociedade, como dizem assunto do momento, passa a ser um tema significativo, instigante tanto para o aluno domo para o próprio professor, considerando que muitas pessoas discutem política de forma caseira, sem fundamentação conceitual, coisa que a escola é responsável de desenvolver esse conhecimento, portanto precisamos utilizar desses mecanismos pedagógicos que estão disponíveis para o professor.

O tema o tempo político na TV, é um temas bastante provocador de ampla discussão, que pode possibilitar a interdisciplinaridade nas áreas de conhecimento do currículo, pois ao professor é possível um universo de possibilidades na sua disciplina, podendo utilizar práticas pedagógicas dinâmicas e apresentando conteúdos contextualizados com a realidade do aluno.

Publicado - quinta feira, 09 de setembro de 2010
http://www.seduc.mt.gov.br/

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Magistério: um tempo para conhecimento profissional.

Iza Aparecida Saliés

Como filha de professora normalista, tive uma formação familiar e educacional pautada no rigor do capricho, tinha que ser comportada na escola, fazer tarefa mesmo chorando, ler livros, decorar os pontos da professora, passa o caderno de ponto a limpo e ainda mais, ficar quieta na sala de aula, o que era cruel para mim. Ah! Que dificuldade.

Por ser canhota, sofri muito com os antigos cadernos de rascunho e o caderno para passar a limpo os conteúdos das matérias, isso tinha que ser feito quase todos os dias. Lembro que para passar o caderno a limpo tinha que usar a caneta tinteiro, então, eu chorava, rasgava folhas e folhas do caderno, e ainda mais, ficava com o caderno e a mão toda borrada de tinta.

Já no ginásio, as dificuldades eram outras, estudar o ponto para aprova oral, tinha que falar o ponto inteiro sobre a Independência do Brasil, ou seja, os temas que a professora escolhia tudo isso era realizado na frente de todos da sala, caso errássemos, era repreendida na frente das colegas, na sala só tinha meninas.

Nada de ficar revoltada porque levou bronca da professora na sala de aula, gozação, essa nem podia fazer na sala, só no corredor, no intervalo. Hoje fico relembrando, como éramos obedientes, passivos, tínhamos respeito pelo professor, não fazíamos gracinha perto deles e nem respondia com atrevimento, senão ia para a diretoria e levava três dias de suspensão, na caderneta.

O cenário da época já vislumbrava a possibilidade de trabalhar como professora, por tratar-se de um curso próprio para moças (magistério) que tinham formação para casar, ser professora, trabalhar apenas um período, ah! Isso podia. 

Estávamos vivenciando o fim de uma geração que precisou romper muitos paradigmas sociais, pois, mulheres formadas para casamento não podiam trabalhar fora. Como comigo não foi diferente, passei essa faze também.

Quando estava cursando o segundo ano do Magistério, fui convidada para dar aula no primário, (na mesma escola onde fazia o magistério), peguei uma turma para alfabetizar, sem a mínima experiência, sofri bastante, fui tomando o rumo pela própria sorte, contava com pouca orientação pedagógica por parte da coordenação pedagógica.

Confesso que hoje eu avalio como uma vivência profissional permeada por dificuldades, falta de apoio, orientação, posto que, a alfabetização e uma etapa da aprendizagem bastante complexa, difícil para ensinar e que exige experiência. No ano seguinte peguei uma turma de segundo ano e assim fui passando pelas diferentes etapas da Educação Básica, na rede estadual de ensino.

Como sempre fui inquieta quanto às questões da educação instigou-me a quere compreender por que o professor encontra dificuldade para trabalhar com as áreas de conhecimento, os conteúdos, as metodologias, as teorias, as concepções, tudo que envolve o currículo escolar e a prática pedagógica do professor.

Apesar de transitar em todas as etapas da educação básica e no ensino superior, como professora, confesso que só após de trabalhar com formação de professores é que cristalizou em mim a certeza de que realmente é a educação a minha profissão, não só pelo aspecto social em que está inserida, como em reação à ciência do ensino e da aprendizagem, que é fascinante.

Sei que em muitos momentos da profissão senti impotente, mesmo assim, continuo sonhando, arrepiando, tenho utopias, incertezas, desejos de mudança, vontade de transformar essa realidade, ai posta.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Exclusão Não Explicada pelo MEC/ENEM

Iza Aparecida Saliés


Fiquei preocupara ao ver os jovens tensos, nervosos em conseguir uma vaga no bingo da educação brasileira. Aconteceu de tudo nesse evento, problemas na gestão do sistema, previsão de vagas com falhas, falta de definição de critérios claros e concisos, dúvidas na forma de seleção, empate, e por ai vai.

Para não ser muito pessimista, digo que as falhas que surgiram não foram humanas e sim da máquina.

Percebi muita ansiedade por parte do governo em querer imprimir uma nova imagem sobre um velho sistema de avaliação, que por ora, vinha sendo desenvolvido de forma satisfatória, mesmo assim, poderia sofrer inovações gradativas, levando em conta os aspectos do tempo, as condições geográficas do país, a diversidade regional, o acúmulo de inscrições num mesmo sistema (internet) e o elevadíssimo número de estudantes que utilizariam desse mecanismo para ter acesso ao ensino superior.

Não sou contra o ENEM, mas, precisamos ser coerente ao pensar que alterar um sistema de avaliação, já consolidado, para mexer na sua função finalistica, transformar o Enem em vestibular unificado, tudo isso, para acontecer em apenas alguns meses, como foi desejado e realizado, vai causar demandas de busca por direitos, pois para implantar uma reforma na educação precisamos de décadas para que possamos romper arraigas culturas e romper velhos paradigmas parta não causar profundas rachaduras sociais.

Não somos ingênuos em pensar que não haveria sérios problemas estruturais que prejudicaram e futuramente prejudicarão seriamente os alunos. Os alunos da rede particular terão menos dificuldade para ajeitar ao sistema, pois o universo de possibilidades para ele é bem maior enquanto que para os da rede pública, estes, são eternos sofredores das deficiências da gestão educacional brasileira.

No artigo que escrevi “Quem ganha e quem perde com as mudanças no ENEM”? Eu havia previsto que os problemas agravariam à medida que a complexidade do programa fosse exposta, então, no bojo disso tudo, quem sai perdendo nessa é o aluno que preparou o ano inteiro, estudou, sonhou com o curso desejado, além de envolver os familiares na expectativa de cursar o ensino superior.

Parece que agora só paira nuvens negras para os que não conseguiram passar pela nota de corte. Então, nota de corte, novo conceito para o termo “reprovação” conforme denomina o MEC, em nada altera a nossa realidade, apenas expõe uma das vísceras da educação, dentre elas, as excessivas reprovações em todos os níveis e modalidades de ensino.

Na educação brasileira os que estão em melhores condições abocanham as melhores vagas das federais e para os menos favorecidos, os que ficam à mercê das ofertas das políticas social, afirmativas de inclusão, como Sistema de Cota, Prouni, e Fies, para ver se consegue fazer uma graduação, estes precisam lutar, se não for assim, são excluídos da escolarização.

Conforme informações do Ministério sobraram 233 vagas referentes às ações afirmativas, ou seja, o sistema de cotas adotado por cada instituição de ensino independentemente, então, eu faço a seguinte indagação, quer dizer que essas vagas não estavam previstas por esse órgão, ou seja, as vagas referentes às cotas? A reserva de vagas para o sistema de cotas das instituições de ensino superior, públicas e privadas, não foram consideradas pelo programa?

Segundo Maria Dallari/MEC o grande mérito deste sistema é que os alunos podem se inscrever em outros lugares e não precisam esperar mais um ano para entrar na universidade. Tenho cá minhas dúvidas, será que realmente é vantagem inscrever para cursos que não quero fazer e em universidade onde não vou estudar? Por que posso inscrever para qualquer lugar?

Para o Ministério, na fala da representante “Os alunos com a nota mais alta foram ficando, e os demais perceberam que poderiam ter outras escolhas”. Lógico, pois isso caracteriza garantia da vaga para os que estavam fora da nota de corte, enquanto que os outros tinham que rastrear diuturnamente sua posição no bojo do vale dos desesperados, ou seja, dos reprovados para o curso desejado, fazendo opção para qualquer curso de uma universidade federal, mesmo não sendo o desejado de modo a não ficar retido.

Só para descrever uma situação que fiquei sabendo e ocorreu aqui em Cuiabá, a jovem inscreveu para o curso de direito na UFMT, com sua nota estava abaixo da nota de corte, logo a mãe orientou para que ela inscrevesse em outro curso que fosse da área ou que estivesse próximo da área do seu curso desejado, direito, sendo que, o procedimento de inscrição deveria ser feito para UFMT. E assim procedendo, a jovem faria dois cursos, sendo, o curso de filosofia na federal e na particular o curso de direito.

Falando de Cuiabá, a UFMT foi à única instituição federal que aderiu totalmente ao programa utilizando as notas do Enem com vestibular, por isso as inscrições chegaram num total de 56.703 conforme informação do próprio Ministério, por isso está justificada a tamanha corrida pela federal do nosso Estado.

Ainda falando de inscrição, a UFMT teve 23.499 inscrições (dados do Mec) de alunos do Estado e um total de 33.204 de alunos de fora, o que caracteriza que mais de 50% são de fora. O Curso de Medicina teve n. 4.055 inscrições, Direito n.3123 e Psicologia n. 1.566, todos da UFMT, esses números são expressivos.

Então está explicado porque a Federal de Mato Grosso teve o maior número de inscrição do país. Se antanho a concorrência era acirrada, agora então, seria muito pior, como foi. Será que tem algum pobre de outro estado que vem para Cuiabá estudar?

O que vai acontecer? Fazendo uma análise percebo que agora é que os pobres não vão mesmo fazer curso superior nas federais e a burguesia continua linda, poderosa, e deixando o pobre ver a banda passar.

Quer saber? Quem perde com tudo isso é o filho do Senhor José, aquele trabalhador que da um duro danado para formar sua prole, trabalhador que encontra sérias dificuldades para orientar seu filho na internet, nas tarefas, nas leituras. Homem simples, que não tem tempo para ficar vasculhando uma vaga para uma universidade decente para seu filho, mesmo com o acesso á informática pelas instituições que ofereceram à comunidade, ainda assim, seu filho depende totalmente do ENEM, sonha ter um filho formado, esse desejo faz parte do seu projeto de vida, viu sua vontade interrompida por que não dizer, frustrada, por um programa chamado “Exclusão Não Explicada pelo Mec/ENEM”.

Recomendo que vocês aguardem, muitas águas vão rolar por debaixo da ponte, vai acontecer muito baco-baco por ai.

Publicado no Circuito Mato Grosso
09/02/2010 10:17



Quem ganha e quem perde com as mudanças no ENEM?

Iza Aparecida Saliés

Após as provas do ENEM, surgiram contradições que podemos chamar de opiniões ou de avaliação, da tão misteriosa prova, evento programado e preparado para os estudantes que estão terminando ou já terminaram o Ensino Médio.

Conforme está estampado nas páginas dos jornais impressos e digitais, sua realização foi permeada por um turbilhão de problemas, para os organizadores parecem insignificantes, porém, para os alunos que preparam o ano inteiro, o que restou foi apenas decepções, este é o sentimento do momento da galera estudantil.

Houve problemas de fuso horário, problema com questões identificadas como erradas, questões longas, alunos que perderam aprova por motivos de ordem da natureza, transporte, tempo, inscrição errada e outros, que de uma forma ou de outra prejudicou o aluno. Segundo um aluno que foi entrevistado, disse que, mesmo tendo o hábito da leitura o tempo acabou sendo curto.

Para alguns alunos a prova não foi difícil, enquanto que para outros a reclamação foi quanto às extensas perguntas que exigiam o desenvolvimento da habilidade de fazer cálculos, isso, demanda memorização das fórmulas solicitas na questão e gasta tempo para resolver, esses acontecimentos prejudicou sobremaneira o desempenho deles na solução das questões.

Como as áreas de conhecimento forma colocadas de propósito de forma que não forçassem a capacidade de entendimentos dos alunos, ainda assim, muitos alunos divergiram quanto o nível da prova de humanidades em detrimento da prova de natureza. Para alguns, independentemente da área de conhecimento a prova foi mediana, mesmo abordando temas da atualidade, com questões complexas e cobrando capacidade de análise.

Agora pergunto, e os alunos da rede pública de ensino, como foram prova? Se um aluno que lê muito, encontrou dificuldades para fazer a prova, vejamos os alunos da escola pública que na grande maioria não lê jornal, revista, ou por não possuir ou por falta de incentivo em casa e na escola.

Penso que a mudança realizada na prova do ENEM foi um pouco precipitada, uma vez que muitas escolas públicas de Ensino Médio do país, ainda não trabalham o currículo na perspectiva do desenvolvimento de habilidades e na construção de competências, conceitos este que respaldam a concepção teórica da prova.

Os alunos da rede pública levam desvantagem uma vez que estudam orientados pelos conteúdos disciplinares, sem ser interdisciplinar e contextualizado de forma efetiva, há alguns, poucos professores trabalhando com essa concepção metodológica.

Vamos aguardar os resultados para de fato sabermos que leva vantagem nessa, alunos da escola pública ou das escolas privadas.

Publicado no Jornal Ccircuito Mato Grosso
0/12/2009 13:44



Muita moagem pra pouco caldo: a carta de Silval Barbosa


Iza Aparecida Saliés


A denúncia da carta enviada por Silval para eleitores e crianças, com sua assinatura, parece sem sentido, nem precisava causar tanta celeuma, não é mesmo? Não sei como uma simples carta pode provocar tamanha preocupação para alguns políticos, a ponto de torná-la numa descabida e improcedente denúncia.

Confesso que estou preocupada com o pensamento dos políticos da baixada cuiabana, lógico de alguns, em especial do autor da denúncia, que ao fazer uma leitura erronia sob os objetivos da mesma, sai às pressas bombardeando o fato, interpretando maliciosamente uma correspondência inofensiva, que propões conversar com os cuiabanos.

Sabe de uma coisa? Estou sentindo que estão com medo, não sei de que, mas é o que parece. E tem mais uma, eles nem sabem de que, será do desconhecido?

Acho que nem o próprio Silval sabia que essa carta daria tanto pano pra manga, assim. Gente não precisava de tanta arrelia!

Lembra daquele ditado, quem sai na chuva é pra molhar, então caros políticos, procurem outras formas de enfrentamento com seus adversários político, pois os mecanismos disponíveis na mídia estão ao inteiro dispor de qualquer cidadão, podendo ser eu, você e o próprio Silval, todos nós podemos e devemos utilizá-los.

Estou confusa, com o conceito de política que estão utilizando atualmente, sinto ignorante, quanto à compreensão do conceito contemporâneo de política. Penso que não se faz política apenas por tramas e tessituras realizadas nos gabinetes, nos acordos, entre aliados, correligionários e interessados, com também por meio de retaliações contra adversários e desafetos, e sim, pelo diálogo com o eleitor, com a participação do povo, e por que não com a opinião das crianças e adolescente?

Ao enviar a carta, Silval, penso eu, teve a intenção de dialogar sobre os problemas sociais da cidade e buscar subsídios para sua proposta de governo. Quem pensa que as crianças e os adolescentes estão descontextualizados quanto aos assuntos do cotidiano, estão redondamente enganados. A carta teve também, o intuito de apresenta-se, solicitar opiniões e sugestões.

Não vejo, como indevida para o momento, pois o Senhor Presidente faz campanha eleitoral abertamente e ninguém faz nada, ficam de bico calado, não tomam uma providência, ou seja, uma atitude mais rigorosa com ele. Quando estamos tratando de direito, pressupõe igualdade de condições, então, vamos dar um tempo, e observar todos os ângulos da questão. Os dispositivos legais eleitorais estão desde antanho, sendo transgredidos pelo país afora, convivemos todos os dias com notícias, sobre isso, e nada se faz.

Não pretendo aqui, fazer apologia ao erro, pelo contrário, sou a favor do correto e de igualdade para todos, sem distinção de partido político ou ideologia, mesmo quando se trata do Senhor Presidente, que também é igual a nós, simples mortal.

Silval, na ânsia de instituir um canal aberto com o público cuiabano, teve suas pretensões banalizadas de forma maliciosa, por algumas pessoas, que não tiveram a oportunidade enxergaram o outro lado da moeda, o lado bom, ou seja, a vontade de descobrir quais seriam as necessidades da população cuiabana, de modo a contemplar na sua plataforma de governo, seja ela para o período transitório ou não. Com certeza essas contribuições serviriam como pressupostos reais para a propositura das políticas públicas que ele pretende implantar no seu governo.

A atitude pareceu ingênua, sem malícia, enviar uma correspondência simplória para o povo cuiabano, o que há de errado no texto da carta? Pra que tanto estardalhaço por uma inofensiva conversa de um político com uma criança, adolescente?

Por que um político como Silval Barbosa, não pode enviar uma carta aberta à sociedade cuiabana para dialogar democraticamente com as crianças ou seus familiares? Esta não é uma prerrogativa apenas de Silval Barbosa, qualquer político decente pode enviar uma carta aberta, respeitosamente para o cidadão.

Avalio esse fato como uma atitude sábia, pois, quando propomos pedir e ou apresentarmos para alguém, estamos, nesse instante, despindo da nossa timidez, vaidades e orgulho, para humildemente ouvir o outro, dando a possibilidade de expor suas idéias, exercitando o respeito à pluralidade de pensamento, concepções e por que não dizer, e de oportunizar e valorizar os saberes do outro e não achar que só o meu pensamento que deve prevalecer.

Como diz a sabedoria antiga, nós enxergamos com os olhos que temos, ou seja, eu vejo com olhar que tenho sobre o fato, nesse olhar, vão todas as mazelas, bondades, serenidade, carinho, respeito e solidariedade que tenho ou não pelas pessoas, então, quem teve pensamento ardiloso sobre a carta para as crianças e adolescente não entendeu o objetivo da correspondência, direciono-a para considerá-la como um prato cheio para uma denúncia desnecessária.

Gente!Sabe que eu nem conhecia esse vereador, Antônio Fernandes (PSDB), sou cuiabana, eleitora da capital e nunca vi fala nele, foi surpresa saber que o senhor era político, agora eu entendo o porquê de tanto alvoroço por uma singela carta enviada para Larissa e Nadine.

Silval está dando sinais de um político comprometido, e responsável, assumiu a autoria da carta, o que poderia contestar negar e até deixar a justiça julgar, deixar a coisa rolar, como é de costume, coisa de brasileiro, demorar anos para decifrar a questão, até ai ficaria ileso, até a eleição, firme na situação de candidato, como muitos políticos brasileiros fazem e continuam fazendo, a bel prazer dos olhares do cidadão e da justiça.

Não, preferiu assumir o fato acontecido, uma vez que a sua intenção não foi compreendida, havendo necessidade de defesa quanto à prática de propaganda inoportuna. Sua finalidade, da carta, é de saber da boca do povo o que eles desejam e precisam para melhorar Cuiabá e conhecer melhor os cuiabanos.

Para finalizar, gostaria de expor minha grande preocupação, como pode a simplicidade humana culminar numa presepada de confusões e os diferentes olhares do ser humano focar muito mais nas ações carregadas de acidez, maldades do que enxergar o verdadeiro, o belo e o bom das coisas que acontecem em nossa vida.

Publicado no jornal Circuito Mato Grosso
23/02/2010 15:21


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Será que podemos chamar de Reforma, o Ensino Médio Inovador?


Iza Aparecida Saliés

Em 2009 o Ministro da Educação enviou para o Conselho Nacional de Educação (CNE) a proposta de reforma curricular e organizacional do ensino médio, também chamada de Projeto Ensino Médio Inovador, sendo apreciada e aprovada pelo colegiado, agora, só falta implantá-la nos sistemas estaduais de ensino e no Distrito Federal.

A priori o projeto irá apoiar iniciativas e alternativas pedagógicas das escolas, que possam contribuir com a qualidade do ensino médio oferecido atualmente, etapa de ensino, que não estão formando nem para a vida e muito menos para o mundo do trabalho.

Um dos pontos discutíveis da proposta apresentada pelo MEC, é quanto à organização curricular do Ensino Médio Inovador, a flexibilidade oferecida pelo projeto, não garante que será benéfica, em pouco vai influir no contexto curricular dos jovens, podendo ocasionar problemas de cunho social e pedagógico também.

Assim sendo, os jovens irão estudar disciplinas diferenciadas e conteúdos diversos, o que pode ocasionar um descompasso na hora as provas do Enem e dos vestibulares, pois o aluno pode ficar em defasagem de conhecimento.

Quais seriam as disciplinas que poderiam ser escolhidas pelo aluno? Pela proposta não deu para visualizar os componentes curriculares que farão parte dos 20% que o aluno pode optar em fazer ou não.

Todas essas mudanças têm por objetivo tornar a escola mais atraente para o jovem. Estudos realizados por pesquisadores que investigam a educação dizem que o modelo de Ensino Médio que está posto no sistema de ensino do país não responde mais às demandas sócias, políticas e econômicas contemporâneas provocando desinteressante e evasão por parte dos jovens. São assuntos escolares desarticulados com a realidade do aluno, com as necessidade e com o contexto do mundo do trabalho, assim sendo, eleva os índices de abando escolar, ampliando assim, o tempo do brasileiro na escolarização básica.

Será que as escolas estão preparadas para receber essa nova proposta? Para o aumento da carga horária de 2400 para 3000 horas/ano? As escolas públicas do Brasil a fora, estão abarrotadas de alunos nas salas, na sua grande maioria sem condições estruturais para ampliar o horário escolar e os Estados com parcos recursos para investir num ensino médio de qualidade, pois esta etapa de ensino da educação básica, exige investimentos muito caros.

A atual matriz curricular do Ensino Médio da rede estadual de ensino de Mato Grosso, utilizada pelas escolas em 2009 foi orientada na perspectiva da organização curricular por área de conhecimento, mas, a escola ainda trabalha por disciplinas e os professores são lotados, também por disciplina.

A proposta estabelece quatro eixos conceituais que devem permear as discussões curriculares do Ensino Médio, que são: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, que segundo os autores da proposta, a finalidade desses eixos é de promover a interdisciplinaridade e a contextualização dos componentes curriculares e áreas de conhecimento.

É importante implantar corretamente a proposta e trabalhar a formação contínua de forma sistematizada e seqüencial de modo que o professor tenha o compromisso de utilizar essa aprendizagem para inovar sua prática pedagógica na sala de aula. É preciso também, que as instituições formadoras compreendam qual é a proposta e que pense numa reformar curricular das licenciaturas.

A escola precisa apontar sua direção às expectativas cognitivas, emotivas, culturais e sócias dos jovens e não mais utilizar das antigas aulas monótonas, cujo planejamento está sob a égide da simplória listagem de conteúdos ou das aulas da pagina 52 do livro didático.

Temos um referencial teórico, metodológico que pode ser utilizado pelas escolas que são os Parâmetros Curriculares Nacionais/PCNs da Educação Básica, documento que sugere novas abordagens pedagógicas, indicando possibilidades de trabalhar diferentes conteúdos, conceitos, metodologia, temas relevantes, concepções teóricas, habilidades e contemporâneas.Esse documento está nas prateleiras das bibliotecas escolares e é pouco explorado pelas escolas, o que é uma pena acontecer.

Essas proposituras que são colocadas no projeto Ensino Médio Inovador/Mec, já são conhecidas pela escola, porém, nem todas trabalham nessa perspectiva, pois as recomendações não fluíram com a necessidade desejada que uma reforma precisa, por isso, não consolidou.

Não se faz uma reforma educacional sem abalar as estruturas básicas do sistema educacional, resolvendo questões basilares, tais como: piso salarial nacional (ainda não consolidado); formação de professores (adequada as necessidades do atendimento dos alunos); reforma das licenciaturas; investimentos em rede física; tecnologias ;equipamentos; livros; material didático para o aluno e para o professor; livro didático, universalizar o ensino básico, instituir um Sistema Nacional de Ensino do Brasil, que segundo Salviani ainda não temos.

Como não é reforma, não revolucionou em nada, posso dizer que são pequenas dicas de inovação, enquanto proposta de reforma, apresenta-se empobrecida de alternativas relevantes, pois a mesma, não define ações que possam resolver questões fundamentais para que aconteça uma revolução de fato que o ensino brasileiro precisa.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ensino Médio

Ensino Médio: para a vida? Para o mundo do trabalho? Ou para o jovem?

Iza Aparecida Saliés


 
A Lei de Diretrizes E Bases da Educação Nacional – LDB estabelece a organização do ensino em dois níveis Educação Básica e Ensino Superior. A Educação Básica, com 3 etapas de ensino, Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

O Ensino Médio, última etapa da Educação Básica, tem como finalidade aprofundar os conhecimentos do ensino fundamental e preparar o estudante para a vida e para o mundo do trabalho. Esta etapa de ensino ainda não está consolidada como um espaço tempo escolar próprio para eles, então, faz-se necessário que o Estado invista mais na estrutura básica necessária para ofertar aos alunos da rede pública de ensino o que eles não possuem em casa para complementar os estudos.

A escola para jovem precisa ter um espaço com possibilidades de oferecer ampla diversidade de atividades escolares, sociais e recreativas. Segundo Gimeno a escola deve proporcionar ao jovem todo apoio para que ele possa superar suas necessidades advindas das suas condições sociais e econômicas que interferem no processo ensino aprendizagem deles.

Só para citar um exemplo, se o jovem não possui um computador em casa, e o trabalho do professor é uma pesquisa, como esse aluno vai fazer esse trabalho?

Então a escola precisa estar aberta para acolher esse jovem carente de aporte tecnológico necessário que os professores utilizam como ferramenta para contribui com a compreensão dos conhecimentos científicos úteis para contextualizar o mundo, facilitando o entendimento dos conteúdos disciplinares da escola.

As especificidades e necessidades desses jovens são pontos fundamentais para o sistema de ensino começar a pensar novas formas, alternativas e metodologias de ensino, que possam de fato transformar o Ensino Médio em um ensino que promova a formação humanística e integral, com disciplinas e conteúdos interessantes, investigativas, provocantes e próprias para a linguagem dessa geração.

Sei que não é fácil para o professor mudar sua prática pedagógica aprendida na universidade e sedimentada na sala de aula, não é confortável rever todos os procedimentos didáticos e metodológicos de antanho e ter que reconstruir rapidamente, tudo para atender exigências do mundo em que vivemos fazendo com que a sociedade cobre novos comportamentos, conhecimentos e habilidades que vão requere um outro modo de ensinar e aprender da escola.

Como sabemos, as necessidades contemporâneas são referenciais que norteiam a trajetória social de nossos jovens, e como a escola é o espaço onde essa construção é preparada, então, não podemos deixar o ensino que eles precisam sendo praticado ainda nas antigas aulas expositivas do professor ou de leitura do Livro Didático.

Parece que não, mais ainda temos professores utilizando dessa prática ou só essa, não quero dizer que essas metodologias não devem ser utilizadas, só que, hoje temos um universo de possibilidades, alternativas de inovações pedagógicas que podemos usar para tornar o assunto da aula mais significativo.

Penso que o Ensino Médio merece estudos mais profundos quanto ao seu currículo de ensino, quanto à atuação docente, assim sendo, faz-se necessário atitudes mais contundentes por parte do Estado, vejo que ao incentivar a implementação do Projeto Político Pedagógico da Escola de modo que a escola entenda que o projeto é um processo que precisa ser construído pela via da discussão coletiva do currículo de ensino de forma participativa, e a relação dialógica pode ser o norte da sua elaboração e que as ações planejadas sejam factíveis, assim sendo, podemos rever a escola que temos para termos a escola que precisamos.

O Ensino Médio que estamos oferecendo não está ainda na sua plenitude, os índices mostram que há problemas estruturais que apontam a urgente necessidade de mexer nas entranhas da escola para promover um ensino mais significativo onde os conceitos estudados na escola própria sirvam para a vida eles, ou seja, que apresente um currículo de ensino que estejam articulados com a vida com o mundo do trabalho, com o trabalho além de abordar os clássicos conteúdos da formação geral.

Como está o ensino de quem ensina?

Ao avaliar o ensino superior no país o MEC está fazendo o que é de fato sua obrigação, mesmo porque, dentre as diversas competências está é de fundamental importância para a sociedade, uma vez que avaliar e regular as instituições de ensino superior do país, tanto pública como privada, são ações obrigatórias legalmente, e servem também, para delinear Políticas Públicas Educacionais que possam atender as demandas sociais emergentes e necessárias para o universitário brasileiro, este, que acredita estar fazendo um ensino superior de qualidade.



Para avaliar e regular as instituições formadoras o Ministério precisa ser mais rigoroso no momento de autorizar e regulamentar os cursos, em especial as licenciaturas, considerando que é o próprio órgão que concede a liberação para funcionamento.



Os cursos de licenciaturas, habilitação para docentes, estes, não estão mais respondendo às inovações do campo educacional, os acadêmicos saem das universidades com dificuldade de articular teoria e prática, com dificuldade de transformar os conceitos científicos em saberes pedagógicos, com carência de conteúdos escolares específico de sua disciplina, ou seja, se o estudante faz licenciatura em física, cujo componente curricular é um conjunto de disciplinas focadas para o bacharelado em física, assim sendo, o tempo para as disciplinas pedagógicas fica reduzido para cumprir uma matriz curricular para 4 anos e ou 3 anos.



Quando esse licenciado chega à escola da rede estadual de ensino, o mesmo, não recebe nenhuma formação continuada para conhecer o sistema estadual de ensino, a política educacional, as orientações curriculares, como também, não sabe em que etapa ou modalidade de ensino vai trabalhar , vai para o enfrentamento da gigantesca estrutura escolar, da sala de aula, da comunidade escolar, da convivência conjunta com seus pares, e ainda , com a responsabilidade de lida com competência no seus afazeres pedagógicos.



Entendo que a Avaliação Institucional é necessária, mas, há necessidade de mais orientação, assessoramento técnico por parte do Ministério, para não deixar chegar ao ponto de ser suspenso o curso e causar riscos de investimento para o estudante, sem garantias, no caso das privadas, eles são refens da qualidade do ensino.



Só para citar um exemplo, no Estado/MT temos instituições de ensino superior que colocam 100 (cem) alunos em uma sala de aula, isso é inviável, a aprendizagem fica a desejar, com certeza.



Sabemos que com esse elevado número de alunos na sala de aula, o professor tem dificuldade de ministrar sua aula, por outro lado ele fica apreensivo com a avaliação de desempenho, uma vez sendo insuficiente o seu trabalho, a perda do cargo com certeza vai acontecer.



Por outro lado, as instituições formadoras recebem alunos que chegam do Ensino Médio e trazem em sua bagagem de saberes, dificuldades em relação aos conhecimentos necessários para acompanhar esse novo nível de ensino, o superior, chegam com déficit de conteúdo e de aprendizagem, alguns, ou seja, muitos, não conseguem interpretar um texto, lêem com muita dificuldade.



Não podemos culpar apenas as instituições formadoras, as deficiências da escolarização estão em todas as etapas e níveis de ensino. Só tem um detalhe, essa ainda é a nossa mais pura realidade.



Com diz Dr. Gabriel Novis, ex-secretário de educação “a educação é uma tragédia”, estamos constantemente procurando culpados, onde estão as deficiências, porém pouco estamos resolvendo os problemas educacionais, apesar dos hercúleos empenho dos gestores da educação.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Proeja, educação de jovens e adultos,na perspectiva do ensino técnico*

Iza Aparecida Saliés

Este texto, tem como finalidade provocar reflexão quanto aos conceitos educação e trabalho na perspectiva de uma formação integrada entre currículo formal e currículo da área técnica para a Educação de Jovens e Adultos ou seja, Proeja.

As discussões e debates que permeiam a Educação de Jovens e Adultos enquanto modalidade de ensino, ou seja, por tratar-se de clientela com especificidades de natureza cognitiva, emocional e de construção de conhecimento, cujas limitações estão associadas não só ao aprender, mas também, na associação da teoria com a prática laboral.

A forma de ensinar e de aprender dessa clientela interferem consideravelmente na forma em que a educação está sendo oferecida para essa clientela, além de ensinar considerando os saberes que o aluno já possui, precisa ainda, fazer a interface da formação básica com os conhecimentos técnicos específico do curso que ele (a) vai fazer.

Partindo do pressuposto, de que hoje a educação deve ter como eixo de discussão curricular os conceitos de cultura, ciência, conhecimento e trabalho, este, entendido não só na ótica do capitalismo, como produção, exploração, como na perspectiva ontológica,ou seja , do ser, dessa forma faz-se necessário pontuar algumas indagações quanto à relação conceitual educação e trabalho, educação formal e o mundo do trabalho, numa abordagem fundamentada nas concepções atuais para que de fato fazer a integração curricular aconteça, nessa nova modalidade de ensino - Proeja.

O Programa Proeja/MEC, enfocando sua finalidade, sua demanda e também a importância que tem essa nova modalidade para os jovens e adultos, sedentos por uma resposta imediata às suas necessidades de melhorar sua vida, conhecer o mundo do trabalho e ter um bom desempenho trabalho.

Deixo em aberto, para um próximo artigo, a necessidade de abordar com mais profundidade a questão curricular dessa modalidade de ensino, cuja vertente carece de estudo e do aprofundamento teórico, uma vez que a integração deve ser feita sem que haja prejuízo para qualquer uma das partes da formação geral ou técnica.

Este programa, Proeja, cujos fundamentos apontam para a possibilidades de novos desenhos curriculares, que possam ser adequados aos nossos alunos da Educação de Jovens e Adultos e às propostas de ensino tradicionais dessa modalidade de ensino , possibilitando uma nova oferta integrada de Ensino Fundamentla ou Médio e Ensino Técnico, num mesmo curso.

* Artigo publicado no www.seduc.mt.gov.br/artigo
Dia 2/12/2009