sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Professor brasileiro ganha menos que metade do salário dos docentes dos países da OCDE

Karina Yamamoto
Do UOL, em São Paulo


Um professor brasileiro do fundamental 2 (6º a 9º anos) ganhou, em média, US$ 16,3 mil por ano em 2009. Enquanto isso, na média, um profissional com formação e tempo de experiência equivalentes recebeu US$ 41,7 mil nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Falta de dados brasileiros sobre salário é “absurdo”

“É um absurdo o Estado brasileiro não ter esse dado [sobre a remuneração do professor]”, afirma Rubens Barbosa de Camargo, pesquisador em financiamento da educação básica na USP (Universidade de São Paulo).

O especialista lembra que o MEC (Ministério da Educação) realiza anualmente o Educacenso, um levantamento detalhado da educação básica. “Faz o censo escolar [com estatísticas do perfil dos professores, como sua escolaridade e número de escolas em que leciona] e não pergunta quanto ele [o professor] ganha?”, diz Camargo.

Se for levada em consideração a situação do professor da rede pública, a comparação fica ainda pior. A média anual é U$ 15,4 mil. Os salários dos docentes brasileiros foram calculados, com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional Amostra de Domicílios) 2010 pela Metas - Avaliação e Proposição de Políticas Sociais a pedido do UOL. Já os dados da OCDE foram divulgados no começo de setembro no relatório anual Education at a Glance ("Olhar sobre a Educação" em tradução livre).

“Salário é o principal [fator de atração para carreira docente]”, afirma o pesquisador Rubens Barbosa de Camargo, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). E os estudos - além da experiência prática - confirmam e reafirmam a importância do professor na qualidade da educação.

“Há muitos licenciados [profissionais com licenciatura que podem dar aulas] que deixam a profissão. Melhorando o salário, não só atrai a juventude como pode trazer de volta esses professores”, diz Camargo.

Para a economista Fabiana de Felício, da consultoria Metas - Avaliação e Proposição de Políticas Sociais, a questão que se coloca é: como selecionar bons professores se a profissão não é valorizada. “É uma atividade desgastante e [dar aula é] um compromisso inadiável. Tem de pagar um salário compatível [para que valha a pena ser professor]” , diz Fabiana.

Diferença com outros profissionais

Pelos cálculos da consultoria Metas, o salário médio de um professor da rede pública com curso superior e com, pelo menos, 15 anos de experiência (US$ 15,4 mil) não chega a metade (48,5%) da remuneração dos demais profissionais (US$ 31,7 mil) no Brasil.

No caso dos profissionais do fundamental de modo geral a diferença é um pouco menor. O salário anual médio de um professor da rede pública (US$ 13,1 mil) é 54,7% do médio das demais profissões (US$ 24,4 mil) com a mesma formação e o mesmo tempo de serviço.

Os números são ruins, mas já foram ainda piores. "Com a introdução do Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério] que depois virou o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], o professor deixou de ter salários acintosos", diz Camargo.

Essa desproporção é comum mesmo nos países ricos da OCDE. Na média, os países da OCDE pagam a seus professores 85% do valor com que remuneram os demais profissionais da etapa equivalente ao fundamental 2.

Na Finlândia, país tido como exemplo pela qualidade da educação, um professor secundário com 15 anos de experiência tem salário praticamente equivalente ao restante da força de trabalho (98%). Dos 30 países com dados disponíveis, apenas quatro têm proporções na casa dos 50%. São eles: Islândia (50%), República Tcheca (53%), Estônia (57%) e Hungria (58%).

Em comparação com os países da OCDE, o Brasil está entre aqueles com menor investimento anual por aluno do grupo, sendo o terceiro que menos investe por aluno no pré-primário (US$ 1,696) e no secundário (US$ 2,235) e o quarto colocado no primário (US$ 2,405).

PNE

Uma das 20 metas do documento original do PNE (Plano Nacional de Educação), elaborado no final de 2010, diz respeito à remuneração dos professores. Segundo o documento a 17ª meta das 20 propostas é “valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente”.

Mais sobre relatório da OCDE


O PNE, que deveria estar em vigor no período de 2011 a 2020, ainda se encontra na Câmara dos Deputados. A disputa que mais tem causado o atraso de sua aprovação é o percentual de investimento em educação. Movimentos em defesa da educação apontam para 10% do PIB (Produto Interno Bruto).

No último capítulo dessa novela, a meta de investimento em educação subiu de 7,5% para 8% do PIB e criou a possibilidade de elevar esse percentual a 10%, caso metade dos recursos do pré-sal, a serem investidos na área, representem 2% do total.

Segundo um relatório elaborado pela Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), o salário dos professores abocanham um valor equivalente a 1,5% do PIB nos dias de hoje. “Com 2% do PIB seria possível alcançar a média dos outros trabalhadores”, avalia Rubens Barbosa de Camargo. Segundo ele, a valorização do magistério passa ainda por melhoria nas condições de trabalho, como infraestrutura de qualidade e diminuição do número de alunos por sala.

Volta ao mundo em 87 escolas

 Fotógrafo inglês registrou o cotidiano de jovens estudantes em todos os continentes; em entrevista à Educação, ele fala sobre o projeto que durou oito anos


Deborah Ouchana
 

Da moderna escola japonesa, equipada com computadores de última geração, passando por uma aula de violoncelo, na Espanha, até uma escola rural no Peru, com suas paredes cor de ocre e chão de terra batida. Ou de uma escola na Nigéria apenas para meninas cobertas dos pés às cabeças por suas burcas, até os 30 meninos iemenitas e seus uniformes verdes estilo militar. Entre 2004 e 2012, as lentes do fotógrafo inglês Julian Germain viajaram todos os continentes para registrar o cotidiano de diferentes salas de aula ao redor do mundo. O projeto resultou no livro Classroom Portraits (Retratos de salas de aula, em tradução livre), que traz 87 fotos tiradas em 19 países ao longo de oito anos. Lançado em setembro no Reino Unido, o volume ainda não tem previsão para chegar ao Brasil. Em entrevista à Educação, Germain fala sobre seu processo de criação e as experiências que vivenciou entre estudantes e professores. Confira abaixo uma seleção das fotos do livro Classroom Portraits.

De onde surgiu a ideia de fotografar salas de aula?
Essa vontade começou quando eu percebi que nunca mais havia estado em uma escola desde que terminei o ensino médio. Quando você é criança, a escola é uma das coisas mais importantes da sua vida. Ao mesmo tempo em que você deixa a escola, muita coisa fica para trás e você acaba retomando essas lembranças apenas quando tem seus próprios filhos e eles começam a frequentar as salas de aula. Além disso, comecei a olhar ao redor e descobri que não existia arte sobre a escola. Você vai a museus e galerias de arte e a escola não é representada. Eu sou um artista fotográfico e há uma tradição de se fotografar assuntos dramáticos, mas eu também me sinto atraído por fatos cotidianos. Como a escola é um objeto inexplorado nas artes e muito importante em nossas vidas, achei que seria interessante criar um projeto sobre ela.

Quando você decidiu retratar escolas ao redor do mundo?
A minha ideia não era fazer um grande projeto internacional. Meu plano inicial era fotografar seis escolas apenas no Reino Unido. Comparado a outros países, como o Brasil, o Reino Unido é muito pequeno, mas percebi que escolas separadas por 100 quilômetros de distância podiam ser completamente diferentes. Por exemplo, na cidade de Washington, as crianças são praticamente todas brancas. Já em Bradford, havia apenas três crianças brancas na sala de aula, porque a cidade tem uma grande população asiática - a maior parte de Bangladesh. Nós temos no mesmo país uma variedade enorme de escolas. Por outro lado, quando olhamos para as fotografias, reconhecemos nelas o lugar onde estudamos e surgem diversas memórias. Certo dia fui para a Argentina fazer um trabalho e acabei visitando algumas escolas. Depois fiz o mesmo no Brasil. Olhando essas fotografias da Argentina e do Brasil, achei interessante ver escolas de diferentes países e culturas e tomei a decisão de tentar fotografar salas de aula quando eu viajasse para outros lugares.

E como foi fotografar em países diferentes?
Quando comecei a fotografar em outros países, fiquei um pouco nervoso, com medo de estar culturalmente desconectado. Quando eu olho as fotos do Reino Unido, há um reconhecimento, um monte de memórias da minha época de escola. É lógico que a escola muda, mas de muitas maneiras é a mesma da minha época. Um pouco desse reconhecimento pessoal é perdido quando eu vejo as fotos de outros países. Apesar disso, é interessante reparar nos pequenos detalhes diferentes em cada cultura.

Você notou semelhanças e diferenças entre as escolas fotografadas?
Eu fiz muitos retratos e há centenas de crianças nas minhas fotos, mas ainda é uma parcela muito pequena de quantas escolas ou alunos existem. Por isso digo que esse não é um projeto científico, são apenas impressões. Mas uma coisa que chamou minha atenção foi a diferença do controle que os professores têm sobre os alunos em cada país. Posso te dizer que em todas as escolas que eu visitei a ordem e a disciplina eram boas, mas em alguns países os professores eram mais rígidos do que em outros. Na Nigéria, por exemplo, há um senso de rigor e autoridade muito forte. Já na Alemanha, eu senti que os alunos são mais descontraídos em relação aos professores. Eu não sou professor, mas acho que o mais importante é haver respeito de ambas as partes. Estive em uma escola rural na Etiópia, onde fiquei muito tocado com a relação dos alunos com o professor de física. Acho que por se tratar de uma escola num país muito pobre, ser professor de física tem um status muito alto. Os alunos o respeitavam muito e ele realmente amava as crianças. Havia nessa classe uma atmosfera incrível de querer estudar e entrar em uma universidade.

Ao folhear o livro, a expressão das crianças chama muito a atenção. Elas estão todas sérias, olhando diretamente para a câmera. Por que você escolheu fotografá-las dessa forma?
Eu me interesso muito por retratos, por isso os alunos estão olhando diretamente para a câmera. Eu gosto de lidar com a câmera de forma direta; isso se torna psicologicamente poderoso, especialmente quando é um grupo grande de pessoas. Mas eu nunca disse como os alunos deveriam olhar ou que eles deveriam ficar sérios. Acho que o próprio processo de criação das fotos fez as crianças compreenderem que aquele era um momento importante para mim. Eu tinha que falar com todo mundo. Pedia para eles se movimentarem, virem um pouco para a direita ou para a esquerda. Eles entenderam que todos tinham um espaço na foto e todos eram importantes para ela. Eu lembro que, em uma das fotos que fiz numa escola rural, um dos meninos colocou a mão no coração para a fotografia, como os jogadores brasileiros fazem ao ouvir o hino do país.

Por que a foto do Brasil foi escolhida para ser a capa do livro?
Eu não queria passar a impressão de que o livro era apenas sobre a Europa. Ao mesmo tempo, se eu escolho uma foto da África, por exemplo, as pessoas logo pensam que é um livro sobre pobreza. Eu acho que essa era uma classe bem misturada, de uma forma brasileira. Não há só pessoas brancas ou negras. Outra coisa sobre essa foto é o garoto da frente, com o boné do São Paulo. Ele atrai o olhar para a fotografia. Quando se tem uma fotografia com 30 ou 40 pessoas, é comum escolher para a capa alguma que tenha um indivíduo que atrai o olhar por um caminho.

A foto do Brasil foi uma das primeiras da série, certo?
Sim, essa foto é de 2005. Nossa... é impressionante como o tempo voa. Os alunos brasileiros que eu fotografei já até deixaram a escola. Esse também é um elemento interessante no livro; ele fala sobre o futuro. Quando eu fiz a exposição dessas fotos, ela se chamou "O futuro é nosso". Eu gosto de fazer essa referência sobre como a educação é essencial para um país. Outra coisa que eu acho muito forte é que quando olho o livro página a página, com essas centenas de crianças me olhando, a sensação que tenho é a de que, como adultos, somos todos responsáveis por elas. Estamos construindo o mundo para elas. Eu espero que as pessoas também tenham essa sensação quando olharem o livro.

Garota bissexual é impedida de assistir à aula por usar camiseta "eu gosto de vagina" nos EUA

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/New York Daily News

A estudante bissexual Brianna Demato foi impedida de assistir às aulas na última terça-feira (2) por usar uma camiseta em que estava escrito "eu gosto de vagina". Os funcionários da escola Newton High School, em Nova York, teriam considerado a camiseta "muito distrativa".

Homofobia


As informações são do jornal norte-americano New York Daily News. A jovem de 15 anos considera que seu direito de expressão foi violado pela escola.

"É hipocrisia", disse Brianna ao New York Daily News, "Eles usam a palavra durante a aula. Por que eu não posso usá-la em uma camiseta?"

A jovem diz já ter usado a mesma camiseta outras vezes na escola e essa foi a primeira vez em que houve problemas. Ela conta ter sido vista por um funcionário durante o horário de almoço no refeitório, que pediu para que ela trocasse de camiseta ou fosse embora.

A mãe da garota, Cathy Demato, disse ao jornal Daily News que o ato foi discriminatório. "Ela não está prejudicando ninguém", disse, "Ela pode usar a camiseta que quiser."

Para o departamento de Educação municipal, o tipo de linguagem usado na camiseta é inapropriado para o ambiente escolar e pode causar conflitos.

MEC tenta frear inclusão de novas disciplinas no currículo da educação básica

Da Agência Senado

Contrário ao inchaço dos currículos escolares com novas disciplinas, o MEC (Ministério da Educação) articulou-se com o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), para evitar que fosse enviado imediatamente à Câmara dos Deputados projeto de lei que insere duas novas matérias na grade escolar do ensino básico: Cidadania Moral e Ética no ensino fundamental e Ética Social e Política no ensino médio.

Para atender ao ministério, Braga entrou com recurso solicitando que o PLS 2/2012, do senador Sérgio Souza (PMDB-PR), também seja apreciado pelo Plenário, para decisão final. Inicialmente, a análise pelo Plenário estava dispensada, já que a proposta havia sido aprovada pela CE (Comissão de Educação, Cultura e Esporte), em setembro, em decisão terminativa.

Na visão do MEC, a aprovação do projeto não é a solução mais adequada para tratar dos temas da ética e da cidadania. Em nota técnica enviada à liderança do governo, o ministério argumenta que os documentos orientadores dos currículos “não sugerem a criação ilimitada de disciplinas nem de conteúdos, mas que a escola oportunize condições para que temas socialmente relevantes sejam incluídos e tratados no desenvolvimento dos conteúdos escolares”.

Complementação

Ainda de acordo com a nota, atualmente os componentes curriculares obrigatórios, de abrangência nacional, estão estruturados em cinco áreas: Línguas, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Religioso. Na avaliação do ministério, por meio desses componentes, assim como na parte diversificada, que pode ser agregada aos currículos pelos demais entes federativos e as próprias escolas, podem ser abordados temas abrangentes para complementar a formação dos alunos.

Como exemplo, a nota cita assuntos contemporâneos que afetam a vida humana em escala global, regional e local, bem como a esfera individual. Destaca temas como saúde, sexualidade e gênero, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), e a preservação do meio ambiente, nos termos da política nacional de educação ambiental (Lei 9.795/99), além de educação para o consumo, educação fiscal, trabalho, ciência e tecnologia e outros que revelem a diversidade cultural.

Tempo reduzido

A nota informa que são frequentes as iniciativas legislativas e proposições vinda da sociedade no sentido da inclusão de novas disciplinas e temáticas nos currículos. Apesar da relevância das sugestões, ressalta que antes de novas inclusões é necessário debater e decidir “sobre o tempo e o espaço que a escola e seus professores vão dispor para organizar o desenvolvimento do trabalho a ser realizado”.

O ministério assinala, ainda, que é difícil incluir a diversidade de componentes desejada diante de uma estrutura de horas de atendimento ao aluno que não se modificou desde a aprovação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases). Conforme salientado, a LDB indica apenas um mínimo obrigatório de quatro horas de atividades diárias, em um calendário de 200 dias letivos.

Esvaziamento ético

Na CE, o projeto de Sérgio Souza foi aprovado com base em relatório favorável do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). O relator elogiou a proposta, a seu ver uma iniciativa para fazer frente ao “esvaziamento ético no Brasil”.

A senadora Ana Amélia (PP-RS), por sua vez, lembrou que o projeto foi colocado em votação poucos dias depois da realização de protestos de jovens em diversas cidades contra a corrupção, durante a celebração da Independência.

Lídice da Mata (PSB-BA), no entanto, demonstrou preocupação com a criação de mais uma disciplina escolar, sugerindo que os conteúdos relativos ao tema sejam abordados no âmbito das matérias já existentes.

Sérgio Souza, o autor do projeto, ponderou que as aulas da nova disciplina poderão ocorrer no turno contrário ao das aulas normais dos estudantes.

Plano Estadual de Cultura apresenta resultados até final de outubro


Segundo Laino, há tempos o Estado tenta organizar o setor através de um Plano

DA ASSESSORIA

O Plano Estadual de Cultura de Mato Grosso tem previsão de ficar pronto até o fim de outubro e estará disponível à sociedade em novembro, no “II Fórum Estadual de Planejamento da Cultura”, evento organizado para discutir o que foi apresentado nos fóruns regionais, assim como as execuções do que foi proposto. A informação é do coordenador da equipe de Planejamento Estadual de Cultura de Mato Grosso, Rômulo Fraga.

O secretário de Estado de Cultura, João Carlos Laino, explicou que o Plano será o argumento base para garantir o fortalecimento do setor, uma vez que o documento reforça a necessidade de recursos, como forma de desenvolver a cultura em Mato Grosso com um direcionamento melhor a cada área.

Segundo Laino, há tempos o Estado tenta organizar o setor através de um Plano. "Este documento surge com a participação importante dos interessados no segmento durante as reuniões dos Fóruns, o que garante a contemplação de forma necessária a todos eles. A quem não participa desse processo, lamento, já que esta é uma forma de garantir uma busca mais qualificada de recursos para o setor de modo a contemplar da melhor maneira possível o incentivo às diversas práticas culturais mato-grossenses", pontuou Laino.

Vale lembrar que, após a realização do I Fórum Estadual de Planejamento e Cultura, ocorrido em 24 de agosto, na Assembleia Legislativa (AL), por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), já aconteceram duas reuniões do Fórum Regional de Cultura, a primeira no dia 10 de setembro e outra dia primeiro de outubro. A próxima reunião deve ser realizada no dia 20 de outubro.

Fraga lembra que, em cada encontro regional, foi deliberado, em plenária, um diagnóstico da realidade cultural daquela região, estabelecendo diretrizes e prioridades para o Plano Estadual de Cultura e formado um grupo técnico para acompanhar o processo. “As discussões são abertas para toda a comunidade, em especial aos grupos técnicos de cada comarca que, juntos, buscam deliberar propostas e diagnósticos do setor cultural de Mato Grosso e estabelecer diretrizes e prioridades deste plano”, revela.

 

Alunos conhecem projetos para a Copa do Mundo


Assessor Especial da Secopa, Agripino Bonilha filho, também falou sobre as
DA ASSESSORIA SECOPA

Um grupo de aproximadamente 70 alunos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec Copa) participou na manhã desta quarta-feira (03.10), na Faculdade Afirmativo, em Cuiabá, de uma palestra ministrada pelo assessor especial da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo Fifa 2014 (Secopa), Agripino Bonilha Filho. Ele destacou os projetos do governo estadual que preparam Mato Grosso para o maior evento esportivo do planeta, além de ressaltar as oportunidades geradas pelo Mundial.

Os estudantes presentes frequentam os cursos de Agente de Viagens, Auxiliar de Agenciamento de Viagens, Agente de Informações Turísticas e Recepção de Eventos, ministrados pelo Senai-MT por meio do Pronatec Copa, um programa de qualificação criado pelo Governo Federal.

Bonilha explicou que a Copa do Mundo será televisionada para 214 países em 376 canais que devem gerar uma audiência de 26,29 bilhões de espectadores. Cada partida de futebol gera 400 horas de transmissão, pois a imprensa que cobre o evento faz diversas abordagens sobre a cultura, economia e curiosidades das cidades-sede. Como Cuiabá terá quatro jogos, Mato Grosso somará pelo menos 1.600 horas de exposição da mídia internacional, o que poderá fortalecer o turismo e atrair investimentos para o Estado.

“Estrategicamente bem servido, Mato Grosso tem um potencial econômico gigantesco para o ecoturismo, agronegócios, turismos de negócios e dezenas de atrativos num raio de apenas 200 km de Cuiabá, como o Pantanal, Chapada dos Guimarães e Nobres”, disse.

“Tenho expectativa de trabalhar durante a Copa do Mundo, que já vem trazendo benefícios Mato Grosso”, comentou o estudante do curso de Agente de Informações Turísticas, Quenalt Viana da Silva.

Para receber um evento dessa magnitude, a capital mato-grossense já está sendo transformada por dezenas de obras de mobilidade urbana em andamento, como viadutos, pontes, trincheira e a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), modal de transporte público de primeiro mundo. “Teremos também um estádio de excelente qualidade, que é a Arena Pantanal, com condições de realizar também eventos artísticos, como shows e exposições”, comentou.

Outra obra importante é a reforma e ampliação do Aeroporto Marechal Rondon, que elevará a capacidade do terminal de 2,5 milhões para 5,7 milhões de passageiros ao ano, oferecendo melhor estrutura e segurança durante a Copa de 2014, além de ser um importante legado para Mato Grosso. A obra está em fase de licitação e será concluída até dezembro de 2013.

Bonilha citou ainda projetos que aguardam aprovação de financiamento como a revitalização da região portuária, na capital mato-grossense. A proposta será analisada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que poderá liberar recursos para construção de um complexo de arte e cultura na região do Cais do Porto.

O empreendimento inclui um teatro municipal com capacidade para 2.500 pessoas, além de três espaços digitais com tecnologia 3D: museu, aquário e planetário. A estrutura engloba também um restaurante panorâmico e pontos comerciais, como lojas para venda de artesanato.

A criação de novos espaços para valorização da cultura regional e uma estrutura capaz de receber eventos de médio porte são alguns pontos defendidos por Bonilha. “O complexo, portanto, estaria integrado a todo o processo de requalificação do Porto, fortalecendo o turismo local e possibilitando novas oportunidades de investimento”, explicou.

 

Curso de pintura em tela está com inscrições abertas

Com 40 horas de carga horária, o curso acontece todas as segundas, quartas e sextas-feiras, das 13h30 às 17h30

SECOM/MT

O Pavilhão das Artes está com as inscrições abertas para o curso “Pintura em tela”, ministrado pelo artista plástico, Carlos Lopes. Com grande procura por parte da sociedade, o curso vai para sua 3ª edição e inicia suas atividades no próximo dia 08 de outubro. Com 40 horas de carga horária, o curso acontece todas as segundas, quartas e sextas-feiras, das 13h30 às 17h30.

Os interessados em participar podem se cadastrar gratuitamente na sede do Pavilhão das Artes, que fica no segundo andar do Palácio da Instrução, em frente à Praça da República no centro de Cuiabá, das 13h às 19h. Os materiais necessários para a realização das pinturas devem ser trazidos pelos alunos.

Dúvidas e informações podem ser obtidas no telefone: 65 3613-8230.

IFMT realiza 1ª Jornada Científica e 1º Simpósio Caminhos da Extensão

De Rondonópolis - Cairo Lustoza - Olhar Direto/Agência Pauta Pronta

O Instituto Federal de Mato Grosso – Campus Rondonópolis realiza nos dia 04 e 05 de outubro a 1ª Jornada Científica e o 1º Simpósio Caminhos da Extensão. O evento promoverá um encontro de saberes com a apresentação de trabalhos científicos e de atividades extensionistas de diferentes instituições de ensino nas áreas de Educação, Cultura, Tecnologia, Saúde e Meio Ambiente.

Os participantes poderão acompanhar a mesa redonda "A Importância da Pesquisa e da Extensão na Comunidade", apreciar a mostra ‘Arte Educação Ambiental’, conhecer as ações da Comissão Socioambiental do IFMT Campus Rondonópolis e participar das oficinas sobre Elaboração de Projetos e Artigos Científicos, entre outras atividades.

O evento será realizado nas instalações do IFMT – Campus Rondonópolis, situado na Rua Ananias Martins de Souza, nº 861 - Vila Mineira e será aberto a toda a comunidade. As atividades iniciam às 14 horas do dia 04 de outubro. A abertura oficial está programada para as 19 horas e o encerramento no final da tarde de sexta-feira (05).

A violência na escola e a novela da Globo


Por Maria Odete, em 20 de abril de 2009.

Antonio Caloni e Duda Nagle, caracterizados como César e Zeca

Num estudo que realizei sobre a construção simbólica da violência em nossas televisões (e que pretendo publicar ainda este ano), ficou evidente a “química” existente entre o telespectador e a televisão, quando um determinado assunto monopoliza a sua atenção. Conscientes disso, óbvio, as emissoras usam e abusam de vários recursos e tecnologias para fazer a manipulação de diversas linguagens, sejam visuais, sonoras ou interpretativas, justamente para captar a sua atenção. Quando um determinado programa consegue isso você “prega o olho” e não troca de canal.

Fiz essa contextualização para entrar no assunto da reportagem sobre a violência na escola, que foi ao ar dia 18/04/09, no programa Educação e Cidadania. Na verdade, não existem estatísticas desta violência, as escolas encobrem as ocorrências (e aqui me refiro a escolas públicas e privadas também) e os pais são capazes de bater no professor que disser que o seu filhinho ou sua filhinha são tremendos arruaceiros em sala de aula. Mas a violência na escola ou nas escolas de Santa Catarina, existe sim. Em muitas delas, como o Forquilhão de São José, os educadores admitem a sua existência, debatem o assunto com os estudantes, pais e até criaram um Código de Convivência, por estarem se tornando insustentáveis as brigas das oitavas séries.

O que dizem os educadores

1) Conversar abertamente com os estudantes ajuda muito. De um debate realizado só entre os professores e os alunos no auditório do Centro Educacional no início do ano, alunos baderneiros se desculparam publicamente e garantiram que ajudariam a reverter o quadro nos intervalos, onde acontecem as maiores brigas;

2) A direção do Centro Educacional, resolveu também fazer acordos com os alunos mais problemáticos. Troca de turmas e até turnos das aulas estão entre as providências;

Aulas de boullying em rede nacional

Mas todos foram enfáticos em criticar a novela da Globo (Caminho das Índias), pela prática da violência do aluno Zeca (Duda Nagle) e as atitudes permissivas do seu pai, o advogado mau-caráter César Gallo, personagem de Antonio Calloni .

Todos entendem a atitude na escritora Glória Perez em mostrar como é a prática do boullying (que em Santa Catarina rendeu a lei 14.651 sancionada pelo governador Luís Henrique no início desse ano) e acreditam que lá no final da novela ocorrerão punições…em um capítulo. Enquanto isso, em rede nacional aulinhas de truculência do pitboy Cesar acobertado pelo paizão mau-caráter em pequenas doses, semana a semana, mês a mês no período de duração da novela, vão “fazendo” a cabeça da garotada que adora ver brigas na escola (Vide orkut. Escreva as palavras brigas na escola e surpreenda-se ou não).

“O que é violência para você?”

Assim o professor e antropólogo Theóphilos Rifiotis (coordenador do Levis/UFSC), iniciou sua aula da disciplina Antropologia das Violências e dos Conflitos: a construção do perigo e da sujeira, no curso de Ciências Sociais da UFSC.

Aquela foi uma aula onde mais nos indagamos do que obtivemos respostas. Seria a violência um julgamento? Quando um pai bate num filho, ele está sendo violento ou como justificam alguns pais, apenas tentando educar aquela criança, já que “a vida irá bater” nela de várias formas? Quando é mesmo que a mulher é vítima? Seriam as marcas de vários hematomas no rosto ou corpo da mulher espancada pelo marido? E como classificar as mulheres que verbalmente agridem e humilham seus maridos no dia-a-dia pela incapacidade deles em conseguir emprego, sustentar a família ou de estarem apáticos ou incapacitados sexualmente e que em contrapartida recebem agressões físicas? Violência é isso?

Prosseguindo com este raciocínio, não seria a violência um problema social justamente porque o senso comum a considera apenas do ponto de vista da indignação, da negatividade, da criminalidade e como problema a ser resolvido?

Quando colocamos certas questões “pequenas”, aparentemente banais, como as que acabamos de formular, relacionadas a dúvidas do senso comum e que justificam a razão da existência de páginas policiais, percebemos que pela dificuldade que temos em dar um significado sobre o que é violência, pela falta de visibilidade de um significado, ela, a violência, se transforma num receptáculo de qualquer significação. E justamente por causa dessa invisibilidade é que a violência seria o ponto cego da sociedade.

Para os educadores é aqui que mora o problema quando são avaliadas não somente a postura e dinâmica dos alunos em sala de aula, mas todo o entorno sócio cultural da origem deles e principalmente o contexto familiar. Para as emissoras, dentro dos critérios políticos de concessão e por uma ótica estritamente comercial, altos índices de audiência, uma grande e oportuna polêmica e um tremendo negócio. Bem-vindos ao debate!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

QUAL A DIFERENÇA ENTRE RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO?

Desde a antiguidade os raios fascinam e aterrorizam a humanidade. Por muito tempo acreditava-se que os raios eram castigos enviados por deuses furiosos e, somente no século XVIII, o fenômeno foi cientificamente explicado por Benjamin Franklin.

Um raio é uma descarga elétrica produzida entre nuvens ou entre uma destas nuvens e o solo. Chamamos de relâmpago a descarga visível com trajetórias sinuosas e de ramificações irregulares que vem acompanhado muitas vezes de uma onda sonora chamada trovão.

Os raios são produzidos pelas diferenças de potencial na atmosfera e se apresentam de três formas diferentes:

(i) da nuvem para o solo;
(ii)?do solo para a nuvem e
(iii) entre nuvens.

A descarga ocorre no momento em que as cargas elétricas atingem energia suficiente para superar a resistência elétrica do ar, de forma explosiva, luminosa e violenta. Embora haja um consenso desde o século XVIII com os trabalhos de Franklin sobre a natureza elétrica dos raios, ainda não há uma teoria definitiva que explique a eletrificação da nuvem, havendo controvérsias sobre seu mecanismo de formação.

Contudo, sabe-se que, na maioria dos casos, a descarga ocorre a partir de duas fases: na primeira, libertam-se da nuvem várias descargas menores a partir do ar ionizado, criando assim uma corrente iônica que aumenta à medida que se aproxima do solo. Neste momento, ocorre no sentido inverso ao longo daquele trajeto, uma corrente aniônica (ou catiônica, dependendo do "sinal" da carga). É esta segunda descarga que vemos e ouvimos, e que irá contribuir para equilibrar as cargas iônicas da nuvem e do solo.

Em geral, as descargas verticais normalmente predominam na frente de uma tempestade. Já os raios horizontais se formam na parte de trás e estão sempre presentes em qualquer "trovoada", aquecendo o ar, no local, até temperaturas muito elevadas. O aquecimento do ar causa a expansão explosiva dos gases atmosféricos ao longo da descarga elétrica, resultando numa violenta onda de choque (ou de pressão), composta de compressão e rarefação, que são interpretados como trovão.

Uma tempestade típica produz, em média, três ou quatro descargas por minuto. Esses raios tem, em geral, um comprimento que varia de 0,1 a 20 km, um diâmetro de 2 a 5 cm e são capazes de aquecer o ar a temperaturas em torno de 30000 ºC em alguns milisegundos, contudo, apenas 1% da energia do raio é convertida em ruído (trovão) sendo o resto libertado sob a forma de luz.

Veja os melhores momentos do debate do iG com estudantes


Grupo de 10 alunos de escolas públicas de São Paulo discutiu o ensino médio e apontou que cotas podem gerar preconceito na universidade

iG São Paulo

Na última terça-feira, o iG promoveu um debate com dez estudantes de escolas públicas de São Paulo para ouvir o que eles pensam sobre a qualidade da educação e o ensino médio, etapa na qual o País avançou pouco no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011. A nota do Brasil no ensino médio ficou em 3,7, apenas 0,1 a mais do que na última edição do Ideb.

Com mediação do colunista do iG e especialista em Enem, Mateus Prado, os alunos debateram por uma hora e divergiram sobre a adoção das cotas sociais e raciais em universidades públicas. Eles acreditam que a política pode causar preconceito nas universidades. “Se (a cota) for por uma questão de cor/raça, eu acho que geraria um preconceito lá dentro (na universidade)”, disse Maick Souza, aluno da Escola Estadual Antônio Emílio de Souza Penna. Natalia Simão, estudante da ETEC Raposo Tavares, concordou: “Colocando uma cota, você vai gerar uma exclusão dentro da universidade”.
“(A cota) É um dos poucos meios facilitadores, que conseguem colocar pessoas de classes trabalhadoras, da periferia, no ensino superior. [...] Meu processo, minha caminhada, minha história é muito diferente do aluno de uma escola privada”, defendeu Luis Felipe Chrystian Silva, aluno da Escola Estadual Governador Paulo Sarasate. Tawany Gabriela de Oliveira, estudante da Escola Estadual Cidade de Hiroshima, rebateu: “Se o Luis tem a mesma capacidade do que eu, que sou negra. Por que eu deveria 'ter a oportunidade' e ele não ter?", declarou .

Arthur Mello, 15 anos, aluno do Instituto Técnico Federal de São Paulo (IFSP), em Osasco, discorda que a política seja positiva: “Para mim as cotas de escola públicas é o governo admitindo e se acomodando por ter o pior ensino possível. [...] Não quero ter 50% (de cota), quero ter um ensino de qualidade”. O estudante também relatou problemas na infraestrutura de sua escola: "Quando chove cai água do teto (na sala de aula). Meu irmão já teve que fazer prova com guarda-chuva".

Violência também foi um dos temas levantados pelo grupo. “Minha professora de sociologia já levou cadeirada e mesada de alunos do período da noite”, relatou Mariana Thimoteo da Silva, da Escola Nossa Senhora da Penha.

“Minha professora já confessou para mim que vai dar aula com medo. A região da periferia já tem uma fama ruim. Muitos professores são do centro, não estão acostumados e ver favela, e ficam com medo de nós, da periferia”, declarou Anny Gomes, da Escola Estadual Presidente Café Filho.

Pais "terceirizam" educação e esperam que escola ensine filhos a usar a web, diz estudo


Guilherme Tagiaroli
Do UOL, em São Paulo

Em pesquisa, pais citam escola, meios de comunicação e governo para educar crianças sobre a internet

A maioria dos pais de crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos esperam que as escolas se encarreguem de ensinar aos filhos sobre o uso seguro da internet. A informação é da pesquisa TIC Kids (Tecnologias da Informação e Comunicações), divulgada nesta terça-feira (2) pelo CGI (Comitê Gestor da Internet). O levantamento tem como objetivo medir o impacto da internet entre os jovens.

Fontes que os pais esperam que ensinem as crianças sobre segurança na internet


Escola do filho (a)
61%
Televisão, rádio, jornais ou revistas
57%
Governo
30%
Família e amigos
29%
Provedores de serviços de internet
15%
Sites com informações sobre segurança
13%
ONGs/Institutos em prol das crianças
11%
Próprio filho (a)
8%

Segundo o estudo, além da escola, os responsáveis esperam que os meios de comunicação (57%) e o governo (30%) interfiram na educação sobre uso seguro da internet. Dos pais entrevistados, 29% citaram a importância de família e amigos em serem fontes de informações sobre segurança.

Além de “terceirizar” o processo, os pais demonstraram confiar nas atividades dos filhos enquanto acessam a internet: 71% consideram que as crianças utilizam a internet com segurança. É importante notar que dos responsáveis entrevistados, 47% não usam a internet.

“De acordo com os pais, a criança consegue resolver os eventuais problemas que ela encontrar na internet. Mas não está tudo bem, as crianças sofrem riscos na rede”, disse Juliano Cappi, coordenador de pesquisas do Cetic.br (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação).

O levantamento mostra que das crianças e adolescentes entrevistados, 14% informaram ter tido contato de mensagens de ódio contra pessoas ou grupos de pessoas; 10% tiveram acesso a conteúdos sobre formas para ficar magro e 9% disseram já ter visto páginas que falam ou compartilham experiências sobre o uso de drogas.

Dicas para pais mostram como os filhos podem usar a internet com segurança


 

Foto 4 de 14 - Deixe o computador à vista
Uma dica simples, mas que pode ajudar no monitoramento das atividades do seu filho na internet é manter o computador em um local onde todos convivam, como a sala, por exemplo. O objetivo aqui não é espionar o que a criança faz, mas estar por perto para orientá-la sempre que necessário Think Stock

Atividades das crianças na internet

A pesquisa TIC Kids apontou ainda que as atividades que as crianças mais declararam fazer na web foram usar para trabalho escolar (82%), visitar um perfil em uma rede social (68%) e assistir vídeos na web (66%).

Porém, quando questionados sobre a frequência, 53% informaram que usam redes sociais todos os dias. A mesma porcentagem respondeu que utiliza aplicações de mensagens instantâneas diariamente. Quanto às atividades escolares, 13% disseram utilizar a rede para esse fim de segunda a segunda.

Redes sociais


O uso de redes sociais entre as crianças é grande, segundo o estudo. Sete entre dez dos entrevistados informaram ter perfil próprio em algum site. O restante afirmou que possui dois ou mais cadastrados em uma mesma plataforma social.

No que diz respeito à popularidade, o Facebook também já ultrapassou o Orkut entre os mais novos. Segundo o estudo, 61% informaram que o Facebook é a rede social que mais utiliza, enquanto 39% disseram ser o Orkut.

“É importante notar que a adesão ao Facebook é maior conforme a idade. Geralmente os mais novos começam no Orkut e há então uma migração para a rede social de Mark Zuckerberg”, disse Tatiana Jereissati, coordenadora da pesquisa TIC Kids.

Apesar do uso massivo de redes sociais, o estudo também mostra que é comum entre os jovens mentir a idade nesses tipos de plataforma. Pouco mais da metade dos entrevistados (57%) disse que utiliza falsa data de nascimento. Á título de curiosidade, a idade mínima recomendada pelo Facebook para uso do site é 13 anos. No Orkut, a rede pede uma espécie de autorização dos pais para usuários entre 13 e 18 anos.

A pesquisa TIC Kids (disponível aqui na íntegra) foi realizada entre abril e julho e entrevistou 1.580 pais e 1.580 crianças e adolescentes (pessoas com faixa de idade entre 9 e 16 anos). A metodologia utilizada é baseada em um sistema da London School Of Economics (instituição de ensino superior britânica) empregado para medir tendências de uso da web em toda a Europa.

Educação, boa e velha


Rosely Sayão

Nós não consideramos os velhos importantes em nossa sociedade. Todos pensamos que é muito mais importante ser jovem, não é verdade?

A palavra "velho" foi transformada em um xingamento e passou a ter um caráter tão pejorativo que não conseguimos mais dizer com naturalidade que alguém é velho. Procuramos criar outras expressões que consideramos mais apropriadas. Usamos em substituição, por exemplo, eufemismos como "terceira idade" ou "melhor idade".

Atualmente, os velhos estão segregados em espaços que abrigam seus pares, ou seja: outros velhos.

Realizamos bailes para a terceira idade, excursões e shows especiais para eles etc. Isso não deixa de ser uma maneira de nos protegermos da velhice. Quando nós isolamos os velhos, tornamos a velhice invisível.

Quando não há jeito de não reconhecer que uma pessoa é velha, sempre há um modo de amenizar a situação. Afirmar que uma pessoa é "jovem de espírito", independentemente da sua idade avançada, é um elogio. Para quem diz e para quem ouve. Nem mesmo os velhos aceitam a própria velhice.

É esse contexto sociocultural que precisamos considerar ao refletirmos sobre o papel dos avós na atualidade.

Creio que todo mundo se lembra do tempo em que as famílias consideravam natural o fato de os avós mimarem seus netos. Algumas décadas atrás, essa função era valorizada, inclusive pelos pais das crianças, que não conseguiam esconder seu orgulho quando "reclamavam" que seus pais mimavam ou estragavam os seus filhos.

Era simples assim: os avós podiam mimar seus netos porque seus filhos --os pais das crianças e adolescentes-- estavam ocupados demais com a tarefa educativa e não tinham tempo, portanto, (não me refiro aqui ao tempo cronológico) para satisfazer os gostos de sua prole.

Hoje, os avós não podem e nem devem mais mimar seus netos. Isso porque são os pais que, agora, se ocupam dessa função. É difícil encontrar mães e pais que não tentem, a qualquer custo, satisfazer todas as vontades de seus filhos, desde as mais simples às mais complexas e caras --em todos os sentidos.

Pois eu conheço muitos avós que conseguiram inovar o sentido da palavra "mimar" na relação com seus netos. Para esses velhos da atualidade, mimar passou a ser dedicar tempo aos netos e ter paciência com eles.

Contar histórias da família, lembrar casos que aconteceram com seus filhos, agora adultos, quando eram pequenos como são os netos agora, fazer relatos sobre a formação do grupo familiar são meios de passar aos mais novos noções de como é o grupo ao qual eles pertencem. Isso ajuda a construir vínculos e identidade.

Gastar o tempo com os netos é o maior mimo que, hoje, os novos avós podem fazer.

Esses mesmos avós lutam com seus filhos para ter um papel mais ativo na educação de seus netos. Lutam mesmo, já que a maioria dos pais considera invasiva essa postura de seus pais de querer ajudar a formar as crianças.

Nessa linha da perda de importância que aconteceu com os velhos em nossa sociedade, os pais dos mais novos não acreditam que os avós tenham alguma coisa a acrescentar na educação de seus filhos.

É: querer ter participação ativa na educação dos netos virou motivo de intensos conflitos familiares.

Mas esses avós insistem, porque acham que vale a pena ensinar aos netos que autonomia se conquista e não se ganha, que ter liberdade é muita responsabilidade, que há, sim, certo e errado e falso e verdadeiro, entre tantas outras coisas.

Esses avós estão conscientes de que essa atitude que escolheram adotar é duramente criticada pelos filhos. Mesmo assim, eles não desistem. É que eles sabem o quanto é preciosa a boa educação.

Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. É autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha), entre outros. Escreve às terças na versão impressa de "Equilíbrio".