terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O preconceito limita -O respeito liberta


Laíse Rezende



Para reconhecer o outro na sua condição de pessoa.
Não é preciso que ele veja o mundo como você vê
Nem que distingua formas, rostos e cores com o olhar.
Mas é preciso vê-lo acreditando que ele é capaz de enxergar de outro jeito,
Mesmo que seus olhos não possam ver,
Porque não ver não é impedimento para enxergar o mundo.

Não é preciso que ele escute os sons e as vozes que você escuta
Nem que fale assim como é mais comum falar.
Mas é preciso escutá-lo com a atenção de quem sabe ouvir o que também dizem mãos, olhos e gestos.
Mesmo que ele não ouça, nem pronuncie uma só palavra.
Porque não ouvir não é impedimento para escutar a vida.

Não é preciso que ande com os próprios pés como você anda
Nem que use as mãos para tocar o mundo e acenar.
Mas é preciso caminhar lado a lado, sabendo que ele tem o domínio do seu passo,
Mesmo que não tenha o domínio de seus pés, braços, mãos e corpo,
Porque não andar não é impedimento para caminhar no mundo.

Não é preciso que compreenda tudo rápido como você compreende
Nem que na pressa e na urgência dos outros deva se enquadrar.
Mas é preciso compreender e alcançar o ritmo do seu pensamento e o sentido do seu gesto.
Mesmo que ele seja mais lento e exija mais proximidade, mais atenção e mais ternura.
Porque compreender devagar não é impedimento para aprender ou para compreender a vida.

Para reconhecer o outro na sua condição de pessoa,

Mais que de olhos que vejam,
Mais que de ouvidos que escutem,
Mais que de pernas que andem,
Mais que de inteligência que se escravize à rapidez,

Precisamos de coração e mente livres para vê-lo, ouvi-lo, seguir seu passo, compreendê-lo e respeitá-lo
No seu direito à igualdade - porque pessoa;
No seu direito à diferença - porque único e singular como todo ser humano.


 

Crônica sobre um amor infinfo


João Salgado: uma vida, uma historia amor, e agora saudade. 

 

Iza Aparecida Saliés

 

Nesses dois dias vivi, mais uma vez a emoção da perda, desta vez foi o meu cunhado João Salgado. João fez parte de muitas páginas da minha vida, foi cordato, conciliador e mais, deixou marcas indeléveis de amizade, carinho e consideração.

João Salgado, exemplo pessoa, deixa para todos nós a reflexão de que aqui nesta vida precisamos ser serenos, mansos de coração, seu jeito de ser transbordava serenidade, mansidão que para mim fez a diferença ser humano que foi.   

Tinha uma grande admiração da sua conduta como esposo, pai sogro e avô, tratavam todos com a sua santa paciência, nas diante das dificuldades agia com calma, tudo pra ele estava bom. Eu dizia pra ele, João, eu queria ter esse sangue de barata que você possui.  

Como homem, sinônimo de ótimo marido, pai, irmão, cunhado, sogro, avô, colega, amigo, por onde passou, no trabalho, no lar, nas amizades, sempre esteve solicito, com seu sorriso curto, tímido, porém de profunda serenidade.

Entregamos João Salgado, hoje, nos braços de Jesus, para que ele tome conta dessa pessoa maravilhosa, que em vida seguiu certinhos os preceitos da palavra de Deus.

Estamos com o coração dolorido, choroso, mas, com a certeza de que nosso querido João Salgado já foi recebido na casa do Senhor.

ENVELHECER

Blog do Marcelo Sandrin


 

Palavra com diferentes sinônimos, coaduna melhor com dignidade. Havemosde envelhecer, mas a dignidade  é que nos traz a certeza do amadurecimentoconsciente, sem traumas.

Hoje cresce o armamentário na tentativa de encontro do Santo Graal, afonte da eterna juventude, mas infortúnio maior, estamos distantes dalongevidade eterna.

Em meio século de pesquisas e trabalhos árduos, agregamos quase trêsdécadas de vida média a população brasileira. É muito, mas podemos realizar mais.

Orientados podemos fazer o de melhor prevenir antes de remediar.Podemos ainda minimizar ou postergar nossos problemas com medidas dietéticas,com utilização adequada do nosso sistema nervoso central e de nosso físico.

Exercícios mentais específicos e orientação nutricional, associada aexercícios físicos sob medida, individualizados fazem o viver, melhor, e maior,em qualidade e quantidade.

Informe-se e prolongarás sua vida.

O tempo do ba-be-bi-bo-bu ficou para trás


O tempo do ba-be-bi-bo-bu ficou para trás


 
Carilona Tarrui
----- PAGINA 01 -----
Deba­tes sobre a ­melhor ­maneira de alfa­be­ti­zar as crian­ças não são uma novi­dade dos nos­sos dias. "Por mais de um ­século, os esfor­ços de ­mudança das esco­las se con­cen­traram nessa ques­tão", diz Maria do Rosá­rio Longo Mor­tatti, pro­fes­sora livre-­docente da área de edu­ca­ção da Uni­ver­si­dade Esta­dual Pau­lista. Até o final do século 19, as esco­las cos­tu­ma­vam alfa­be­ti­zar ­usando os cha­ma­dos "méto­dos sin­té­ti­cos", que vão da "parte" para o "todo". O ­método alfa­bé­tico uti­liza as ­letras. O fônico, os sons cor­res­pon­den­tes às ­letras. O silá­bico, as síla­bas. Em um ­segundo momento, per­ce­beu-se que seria ­melhor uti­li­zar méto­dos ana­lí­ti­cos, que par­tem do todo. Pas­sou-se então a ensi­nar lei­tura e ­escrita a par­tir de pala­vras, sen­ten­ças ou his­to­rie­tas, que ­faziam mais sen­tido para as crian­ças, para só ­depois che­gar à aná­lise das par­tes: as ­letras. "Mui­tas esco­las mes­cla­ram os dois méto­dos, dando ori­gem ao ana­lí­tico-sin­té­tico ou vice-versa", diz Maria do Rosá­rio. A par­tir de 1980, porém, o uso des­ses méto­dos pas­sou a ser for­te­mente ques­tio­nado. "Nesse ­momento chega ao Bra­sil o pen­sa­mento cons­tru­ti­vista sobre a alfa­be­ti­za­ção, resul­tante das pes­qui­sas sobre a psi­co­gê­nese da lín­gua ­escrita, desen­vol­vi­das pela argen­tina Emí­lia Fer­reiro", ­explica Maria do Rosá­rio. As pes­qui­sas de Emí­lia muda­ram o foco de “como se ­ensina” para “como se ­aprende”. ­Parece pouco, mas essa ­mudança cau­sou uma revo­lu­ção.

 "Suas pes­qui­sas mos­tra­ram que as crian­ças criam hipó­te­ses pró­prias sobre a escrita, muito antes de serem auto­ri­za­das pela ­escola a apren­der. E que o ­ensino pre­cisa dia­lo­gar com essas hipó­te­ses", diz Telma Weisz, coor­de­na­dora do curso de espe­cia­li­za­ção em alfa­be­ti­za­ção, do Ins­ti­tuto Supe­rior de Edu­ca­ção Vera Cruz. Para o pen­sa­mento cons­tru­ti­vista, dei­xar crian­ças peque­nas escre­ve­rem o que qui­se­rem num papel ou lousa faz parte da alfa­be­ti­za­ção. Elas não pro­du­zem rabis­cos, ainda que ­pareça. O que estão ­fazendo é se apro­xi­mar da cul­tura ­escrita. "Não é neces­sá­rio levar o ba-be-bi-bo-bu para a sala, nem falar da foné­tica. A ­criança per­cebe tudo sozi­nha. Isso é o que Emí­lia mos­trou. Para apren­der a ler, o que você pre­cisa é pen­sar sobre a ­escrita. Esse é o ponto difí­cil para algu­mas pes­soas enten­de­rem", ­afirma Telma.

O pen­sa­mento cons­tru­ti­vista foi, gra­da­ti­va­mente, sendo dis­se­mi­nado entre os edu­ca­do­res nas esco­las bra­si­lei­ras. Mas a falta de um "método ­constru­ti­vis­ta" dei­xou os pro­fes­so­res per­di­dos. Eles enten­diam a teo­ria, mas se per­gun­ta­vam como fazer em sala de aula para tra­ba­lhar com essas hipó­te­ses dos alu­nos. "Com isso, às vezes sem ­admiti-lo, esco­las e pro­fes­so­res uni­ram, de for­mas pró­prias e muito dife­ren­tes, o que enten­diam da pers­pec­tiva cons­tru­ti­vista com os méto­dos antes uti­li­za­dos", diz Maria do Rosá­rio, que ­entende que não é pos­sí­vel pres­cin­dir de méto­dos, de um cami­nho, um pro­ce­di­mento.

Construtivismo: discurso e prática


Hoje, muitas ins­ti­tui­ções par­ti­cu­la­res dizem acre­di­tar no pen­sa­mento cons­tru­ti­vista. "Pra­ti­ca­mente não há esco­las que não se assu­mam cons­tru­ti­vis­tas", ­observa Fer­nando José de ­Almeida, ex-secre­tá­rio muni­ci­pal da Edu­ca­ção de São Paulo. "Só que isso não é real para ­grande parte delas, por­que, em mui­tos casos, o cons­tru­ti­vismo se tor­nou um dis­curso, mas não se cons­ti­tuiu em uma pra­tica", diz. Os colé­gios inte­gra­dos Domus Sapien­tiae e Mon­tes­sori Santa Tere­zi­nha, por exem­plo, ini­cial­mente usa­vam ape­nas o ­método ­fônico. "É uma téc­nica de deco­di­fi­ca­ção de sons ­criada no iní­cio de 1900. Com as pes­qui­sas de Emí­lia Fer­reiro, sabe­mos que a ­cri­ança está em con­tato com o mundo ­letrado desde cedo e que pre­ci­sa­mos tra­ba­lhar com isso, antes in­clu­sive de apre­sen­tar os sons. Valo­ri­za­mos mais do que antes a impor­tân­cia dos tex­tos, o tempo que ca­da aluno pre­cisa para ler e escre­ver", diz a coor­de­na­dora ­Solange ­Rodella. No colé­gio, desde peque­nas as crian­ças são esti­mu­la­das a ampliar o seu uni­verso de lei­tura, por meio de his­tó­rias, e a pen­sar sobre a cul­tura ­escrita. "Aos 6 anos, apre­sen­ta­mos gra­fe­mas e fone­mas às crian­ças", conta. ­Depois das ­vogais, elas apren­dem, por meio dos sons, o "PVR" e daí por ­diante. ­Entram, então, os dita­dos: a par­tir de um dese­nho, o aluno forma a pala­vra com letri­nhas de ­madeira. Após a cons­tru­ção das pala­vras, há o ­momento de auto-cor­re­ção, pois a ­criança tem a seu lado o ­modelo cor­reto. "Enten­de­mos que de nada ­adianta ter ­idéias e não saber ­expressá-las orto­gra­fi­ca­mente, assim como não há vali­dade em escre­ver cor­re­ta­mente, mas sem ­idéias", ­afirma ­So­lange. "Torna-se impos­sí­vel sepa­rar os dois". 

 

Ensino da letra cursiva para crianças em alfabetização divide a opinião de educadores


Ensino da letra cursiva para crianças em alfabetização divide a opinião de educadores

 
HÉLIO SCHWARTSMAN
articulista da Folha

Deve-se ou não exigir que as crianças escrevam com letra cursiva? A questão, que divide educadores e semeia insegurança entre pais, está --ao lado da pergunta sobre o ensino da tabuada-- entre as mais ouvidas pela consultora em educação e pesquisadora em neurociência Elvira Souza Lima. A resposta, porém, não é trivial.

Quatro ou cinco décadas atrás, a dúvida seria inconcebível. Escrever à mão era só em cursiva e, para garantir que a letra fosse legível, os alunos eram obrigados desde cedo a passar horas e horas debruçados sobre os cadernos de caligrafia.

Veio, contudo, a pedagogia moderna, em grande parte inspirada no construtivismo de Piaget, e as coisas começaram a mudar. O que importava era que o aluno descobrisse por si próprio os caminhos para a alfabetização e a escrita proficiente. Primeiro os professores deixaram de cobrar aquele desenho perfeito. Alguns até toleravam que o aluno levantasse o lápis no meio do traçado. Depois os cadernos de caligrafia foram caindo em desuso até quase desaparecer.

O segundo golpe contra a cursiva veio na forma de tecnologia. A disseminação dos computadores contribuiu para que a letra de imprensa, já preponderante, avançasse ainda mais. Manuscrever foi-se tornando um ato cada vez mais raro.

No que parece ser o mais perto de um consenso a que é possível chegar, hoje a maior parte das escolas do Brasil inicia o processo de alfabetização usando apenas a letra de forma, também chamada de bastão.

Tal preferência, como explica Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG, tem razões de desenvolvimento cognitivo, linguístico: "No momento em que a criança está descobrindo as letras e suas correspondências com fonemas, é importante que cada letra mantenha sua individualidade, o que não acontece com a escrita "emendada' que é a cursiva; daí o uso exclusivo da letra de imprensa, cujos traços são mais fáceis para a criança grafar, na fase em que ainda está desenvolvendo suas habilidades motoras".

O que os críticos da cursiva se perguntam é: se essa tipologia é cada vez menos usada e exige um boa dose de esforço para ser assimilada, por que perder tempo com ela? Por que não ensinar as crianças apenas a reconhecê-la e deixar que escrevam como preferirem? Essa é a posição do linguista Carlos Alberto Faraco, da Universidade Federal do Paraná, para quem a cursiva se mantém "por pura tradição". "E você sabe que a escola é cheia de mil regras sem qualquer sentido", acrescenta.

A pedagoga Juliana Storino, que coordena um bem-sucedido programa de alfabetização em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, é ainda mais radical: "Acho que ela [a cursiva] é uma das responsáveis pelo analfabetismo em nosso país. As crianças além de decodificar o código da língua escrita (relação fonema/ grafema) têm também de desenvolver habilidades motoras específicas para "bordar' as letras. O tempo perdido tanto pelo aluno, como pelo professor com essa prática, aliada ao cansaço muscular, desmotivam o aluno a aprender a ler e muitas vezes emperram o processo".

Esse diagnóstico, entretanto, está longe de unânime. O educador João Batista Oliveira, especialista em alfabetização, diz que a prática da caligrafia é importante para tornar a escrita mais fluente, o que é essencial para o aluno escrever "em tempo real" e, assim, acompanhar a escola. E por que letra cursiva? "Jabuti não sobe em árvore: é a forma que a humanidade encontrou, ao longo do tempo, de aperfeiçoar essa arte", diz.

Magda Soares acrescenta que a demanda pela cursiva frequentemente parte das próprias crianças, que se mostram ansiosas para começar a escrever com esse tipo de letra. "Penso que isso se deve ao fato de que veem os adultos escrevendo com letra cursiva, nos usos quotidianos, e não com letras de imprensa".

Para Elvira Souza Lima, que prefere não tomar partido na controvérsia, "os processos de desenvolvimento na infância criam a possibilidade da escrita cursiva". A pesquisadora explica que crianças desenhando formas geométricas, curvas e ângulos são um sério candidato a universal humano. Recrutar essa predisposição inata para ensinar a cursiva não constitui, na maioria dos casos, um problema. Trata-se antes de uma opção pedagógica e cultural.

Souza Lima, entretanto, lança dois alertas. O tempo dedicado a tarefas complementares como a cópia de textos e exercícios de caligrafia não deve exceder 15% da carga horária. No Brasil, frequentemente, elas ocupam bem mais do que isso.

Ainda mais importante, não se deve antecipar o processo de ensino da escrita. Se se exigir da criança que comece a escrever antes de ela ter a maturidade cognitiva e motora necessárias (que costumam surgir em torno dos sete anos) o resultado tende a ser frustração, o que pode comprometer o sucesso escolar no futuro.

O que a ciência tem a dizer sobre isso? Embora o processo de alfabetização venha recebendo grande atenção da neurociência, estudos sobre a escrita são bem mais raros, de modo que não há evidências suficientes seja para decretar a morte da cursiva, seja para clamar por sua sobrevida.

Há neurocientistas, como o canadense Norman Doidge, que sustentam que a escrita cursiva, por exigir maior esforço de integração entre áreas simbólicas e motoras do cérebro, é mais eficiente do que a letra de forma para ajudar a criança a adquirir fluência.

Outra corrente de pesquisadores, entretanto, afirma que, se a cursiva desaparecer, as habilidades cognitivas específicas serão substituídas por novas, sem maiores traumas.

E você, agradece?


E você, agradece?


:: Rosana Braga ::

Se você é uma pessoa gostosa, comprometida com o bem-estar de todos (inclusive por saber que isso tem tudo a ver com o seu próprio bem-estar), coerente com seu coração e disposta a ser feliz de verdade, certamente receberá, ao longo da vida, muitos méritos.

Mas, sobretudo, saberá desde sempre que ninguém ganha nada nesta vida sozinho. Contamos com a ajuda direta e indireta de várias pessoas. Seja o precioso incentido de amigos e parentes, e até a colaboração de alguns que nem notamos, o fato é que precisamos dos outros para subir os degraus da longa escada rumo ao sucesso.

Por isso, seria uma enorme falta de gentileza se não nos lembrássemos dessas pessoas quando chegássemos lá em cima. Seria uma demonstração horrorosa de falta de consideração, de sabedoria e de gostosura.

Sendo assim, fique atento. Seja grato. Demonstre o quanto a participação de cada um soa como um presente para você. E fazer isso não é um esforço; muito pelo contrário! À medida que você presta atenção, é fácil encontrar motivos para agradecer.

Eu tenho uma ótima referência disso e vou usar como exemplo. A Daci é uma alegre pessoa que trabalha em minha casa há mais de 4 anos. Muitas vezes, enquanto estou no meu escritório, escuto-a cantando, enquanto varre o chão ou limpa os vidros.

Outras vezes, enquanto penso que não haverá nada de interessante para o almoço, de repente sinto um cheiro maravilhoso vindo da cozinha e grito: “Daci, o que você está fazendo?”.

E ela dá uma de suas gargalhadas adoráveis e responde: “É surpresa. Espere até a hora do almoço e verá!”. Pronto. Ela consegue transformar a minha manhã numa expectativa deliciosa.

Além disso, ela já me conhece e sabe que sou manhosa. Adoro ser mimada. Poderia ignorar isso, afinal, não está em nosso contrato que ela deve me tratar com carinho ou fazer qualquer coisa para que eu me sinta querida, mas ela é gostosa, muito gostosa!

De repente, lá está ela com uma xícara de café e um pedaço de bolo quentinho, do jeito que eu tanto gosto; ou senão, ela arruma minhas gavetas e cabides, separando tudo por cor e estação. Fico tão alegre quanto uma criança que acaba de ganhar um brinquedo. Sinto-me cuidada e adoro isso!

A Daci é parte fundamental dos meus méritos, do meu bem-estar, da minha alegria; tento, do meu jeito, fazer com que ela saiba disso. Porque, enfim, sou muito grata por ter ao meu lado uma pessoa tão gostosa.

(Texto retirado do livro O PODER DA GENTILEZA, de Rosana Braga. Capítulo 09 – Seja uma pessoa gostosa! Esta é a 9ª característica da pessoa gostosa – “Agradece pelos méritos recebidos”)

 

Grupos Escolares: uma lembrança prazerosa


 Grupos Escolares: uma lembrança prazerosa   

 

                                            Iza Aparecida Saliés

 

Como muitas meninas da minha época, estudei no antigo Grupo Escolar, fiz parte de uma geração que obedecia às exigências de uma escola preparada para ensinar a ordem e o progresso do país.

Pautada nesse pressuposto pedagógico da época, ou seja, de uma escola tradicional onde imperava a disciplina, a rigidez impecavelmente exigidas para as  alunas e alunos.

Então, aprendi obedecer, organizar e ser responsável pelos trabalhos, estudos, tarefas e sabatina, tudo isso, era cobrado rigorosamente pelas professoras e respaldadas pelas mães, em casa.

 Sem dúvida, que esses conceitos, acima citados,  foram fortemente sedimentados em minha vida, são ensinamentos que permanecem  latentes até hoje. Cabe ressaltar, que inegavelmente, também, contribuíram para a constituição da minha identidade  profissional, como também, deu sustentação à  trajetória pessoal.

A modernidade acha que esses pressupostos são  decadentes e ultrapassados, mas, confesso que sempre estou buscando referência nesses ensinamentos, mesmo conhecendo as atuais concepções teóricas sobre educação e ensino, defendidas pelo movimento pedagógico contemporâneo.

Grupo Escolar, escola, que sustentava sua finalidade social, na formação integral dos alunos, associando o conceito de educação e ensino, assim sendo, articular com muita propriedade e sincronia esses conceitos também com a aprendizagem.

No ensino dos chamados grupos escolares, o currículo de ensino era pautado na  perspectiva de um currículo com formatação enxuta, com conteúdos rigorosamente selecionados, e cobrados por parte da coordenação da escola, com acompanhamento sistemático do Planejamento com o Plano de Aula do professor.

Esse currículo atendia também, uma interface com a finalidade de preparar os alunos para a vida, preparando-os em valores sedimentados socialmente.  Sua função era  especialmente direcionada ás questões pedagógicas, ou seja, a de ensinar e de aprender.  O entendimento daquele momento era que, educar era competência da família, e a escola a finalidade de e ensinar e aprender. 

Cabe neste momento, ressaltar que os antigos grupos escolares dispunham de uma qualidade de ensino e aprendizagem,  inquestionável.

Como era obrigação dos pais educarem seus filhos, nós chegávamos para estudar, com a certeza de que  teríamos que comportar, exigiam bons modos, observavam o modo de andar, falar, ou seja, de portar-se, falar era impossível, pedir para ir ao banheiro?Pior ainda. Mesmo com todo esse rigor da escola, nós obedecíamos, rezávamos na cartilha do bom comportamento. 

Eu morava no Proto, bairro antigo da cidade de Cuiabá e os grupos escolares ficavam no centro, seu nome “Grupo Escolar Barão de Melgaço” funcionava onde hoje está a Biblioteca Púbica Estevan de Mendonça, prédio histórico, lembra os idos de 1945.

 Como o bairro era longe tinha que tomar lotação[1][i], a viagem era do porto à cidade, ou seja, ao centro, tomava o rumo Rua 13 de junho até chegar ao ponto final, em frente à loja Miglália [I1] ao lado do correio. Era um prazer fazer esse roteiro todos os dias, rotina que possibilitou uma infância divertida de brincadeiras.

A ida para a escola era puro prazer, momento de desfrutar do rico cardápio de pirulitos, picolés, balas, cacau, suco de saquinho e outras atrações que ficavam na porta do grupo escolar. O lanche hora do leite, do pão com manteiga, do bolo vendido na porta do colégio, a queimada, a amarelinha, as brigas, os acertos.  

Lembro também da hora do sino, da entrada, hora de cantar o hino, a entrada na sala de aula, sapato boneca, meias três quartas brancas, saias azuis e blusa branca, o uniforme impecável de limpo e ajeitado no corpo.

É inenarrável a dedicação das senhoras professoras mulheres dedicadas, deixavam seus lares para fazer o ofício de ensinar, nobres professoras como a Profª Adelaide Fortunato, Elizabeth Sena, Eneida Salla, brilhantes profissionais que ensinaram as primeiras letras e os conhecimentos elementares para o meu letramento escolar.

Ora eram professoras ora eram mães, apesar da rigidez e disciplina, componentes obrigatórios para a formação das escolas da época, exigências do sistema de ensino, ainda assim, agiam com muito carinho.   Professoras que contribuíram fortemente para minha formação são pessoas que até hoje relembro com muita nostalgia.

Chegávamos à escola, educados e comportados jamais poderíamos contestar a professora.  Como a formação familiar era rígida, então não havia estranhamento quanto ao comportamento que deveria ter na escola, assim, ficava fácil para a professora dominar os alunos, e mesmo assim aparecia de vez em quando, um aluno querendo fazer gracinha, sem muito progresso.

Nos bons tempos em que a escola era o espaço de respeito, considerado como o templo do saber, as professoras eram pessoas dotadas de boa vontade, dedicavam parte do seu tempo em ensinar o melhor, não importava a decoreba, não importava se a disciplina era rígida, importava sim, com a formação integral da criança.  

Assim foi o primário, mas o ginásio, esse sim, foi menos rígido, não só pelo fato de estar em outra etapa de ensino, como na década de 70 para 80 já estavam discutindo a escola nova, e em Cuiabá não foi diferente, pois a universidade federal esta sendo instalada na capital.               

Decorei muitos pontos, estudei muitas vezes na madrugada, tinha que memorizar rápido porque as sabatinas eram orais e escritas, tinha ainda as famosas dissertações dos pontos estudos e dos conteúdos que a professora dava do livro.

Certo dia a professora Irmã Teresinha Arruda fez uma prova onde tínhamos que falar tudo que sabíamos sobre a Roma Antiga, na prova tinha que escrever o ponto inteirinho sem esquecer um detalhe, descrever tudo que eu sabia sobre o tema sem esquecer se quer um item, não era fácil, mas sabíamos fazer com perfeição. 

Outra exigência da época era a caneta tinteiro, como sou canhota tinha muita dificuldade para escrever, pois enquanto escrevia de um lado o outro já estava borrado, e as professoras também tinham dificuldade para lidar comigo, ter aluno canhoto na sala de aula era um problema para a professora, é como se fosse trabalhar com aluno deficiente.

As professoras exigiam perfeição, o combate à rasura, o caderno perfeito, sem borrão, sem orelha, sem sujeira, sem rasgado, tudo tinha que ser impecável, eram cobranças que faziam parte da formação do aluno.

A escola da saudade, a do passado, a escola rígida, arbitrária às vezes, ia, contuidista, com curricular de ensino elaborado para atender uma minoria, parece não ter pecado nos seus atos, porque de fato respondia às necessidades da sociedade do seu tempo.

Essa escola do passado que hoje criticamos, pela rigidez, pela forma de ensinar, que os estudiosos da pedagogia denominaram de tradicional, por lidar com o ensino e a aprendizagem numa perspectiva dura, de cobrança, de disciplina de autoridade, ainda assim, com todos esses defeitos propiciou aos seus alunos uma formação escolar de qualidade pelas vias da escola pública.

Agora convivemos com a chamada escola publica para toda a escola que não pode chamar atenção do aluno, que não da conta dos conteúdos, que não da conta da formação de valores, não da conta da educação dos alunos, que não da conta da diversidade, que não da conta da pluralidade cultural, está ai, precisa mudar, mas, ainda não achou o seu rumo.

O modelo de escola que está posto nos dias atuais, precisa romper com essa fábrica de desigualdade, ocasionando em série a exclusão escolar, por meio dos subentendidos índices de evasão, repetência e defasagens idade/série e abandono, que são elevados, conhecidos pelo Sistema Educacional, porém com poucas perspectivas de solução imediata.

A dedicação das professoras e a credibilidade que elas inspiravam faziam delas, pessoas queridas, acolhedoras, de vez em quando passava mão nas nossas cabeças e dizia cuidado. Pouco a pouco elas iam desenvolvendo a difícil arte de ensinar com competência, seriedade e compromisso, isso se dava pelo fato de que elas eram autoridade máxima da sala de aula, sabiam ensinar, estavam sempre preparadas estudavam os conteúdos da aula, tinha respostas certas para os alunos.

               




[1] Transporte que era usado pelas pessoas na época, em geral era Comb.


 





Causos de uma menina travessa



 Causos de uma menina travessa

 

Iza Aparecida Saliés

 

Vou contar uma estórinha que aconteceu comigo, na época do ginásio, nos idos de 1960, quando estava fazendo admissão, tive um professor de geografia muito  rígido, Professor Cleonício.

Um certo dia, antes da sua chegada á sala de aula, eu estava brincando com as colegas, e para provocar uma menina chata, eu escrevi no quadro negro, “Donata fresca da Silva” e assinei meu nome por extenso. De repente ouvi dizer professor Cleonício está chegando, logo tentei apagar o que estava escrito no quando, não havendo tempo hábil, apague apenas o meu nome, e a frase continuou ali. O Professor ao pegar o apagador para começar sua aula, leu o que estava escrito e perguntou, que escreveu isso aqui? A classe inteira ficou calada, nada de aparecer quem foi, então após fazer a pergunta por três vezes, ele disse, vou suspender a classe toda. Fiquei preocupada, pensando não ser injusta com os colegas, levantei e disse, fui eu professor, a resposta foi,  vá para a diretoria e espera o termino da aula. Fui suspensa por três dias.

Ao chegar em casa com a fatídica suspensão, entregue a caderneta para minha mãe,  que  passou para meu pais decidir o que fazer com a tamanha danadeza e audácia, minha para a época.

Papai leu o que dizia sobre a suspensão e disse, filha conta a verdade para seu pai, ao relatar o fato sem temor, ele respondeu não tem problema você errou, assumiu e contou a verdade, por isso não merece castigo. E para não perturbar muito minha mãe, nos dias de folga, da suspensão, passei a ir para chácara com ele.

Então, veja bem, como fui formada, criada, para não mentir e  assumir meus erros, penso que isso ainda é muito latente em mim, é difícil para mim esconder a verdade.   

 

 

 

 


Tema Projeto Político Pedagógico
 
 
                                                                         Iza Aparecida Saliés
 

“Não sei,  pois não somos chamados para  participar de nada.”

 

“O Projeto Político Pedagógico desta escola,  não sei, nunca participei, creio que seja a coordenadora que elabora sozinha. Várias”.

“O Projeto Político Pedagógico é elaborado durante um período  muito extenso, sem nenhum avanço, com pouca participação. Faltam estudos são modificações.”  

“O Projeto Político Pedagógico é feito com rápidas reuniões entre professores, coordenadores e diretor. Há pouca participação,  nem todos participam”.  

“ O Projeto Político Pedagógico continua daquele mesmo jeito onde um fala e os outros obedecem”.
 
“Dentro da escola, o PPP é discutido e observado, alguma sugestão colocada é compartilhada e incluída”.

Temos a dificuldade sobre alguns projetos que são cortados deixando lacunas no aprendizado dos alunos, por exemplo, na parte da biblioteca, inspetores de alunos, etc.
 
“A grande dificuldade que eu vejo para as escolas por em prática o PPP,no caso a que eu trabalho , é a política pública educacional do nosso estado, pois não há uma segurança para o contratado”.

“As ações do PPP são elaboradas e discutidas por nós professores, coordenadores e direção, portanto eu não tenho nenhuma dificuldade em colocá-lo em prática, pois as mesmas são para mim de suma importância, para o desenvolvimento da aprendizagem do educando”.

“Integrar todos os seguimentos da escola, para planejar”.

Por em prática e levar ao conhecimento de todos, que fazem parte da comunidade escolar.

Apesar de haver um esforço por parte da escola e integrar, dificilmente o interesse em conhecer o PPP e por em prática acontece.

“Geralmente cada professor acaba trabalhando, principalmente quando ocorre constantes mudanças no quadro”.

“O PPP deveria ter um tempo mais amplo para ser discutido, pois os professores Contratados muitas das vezes são avisados de última hora e caem de pára-quedas nas salas de aula, sem saber o propósito da escola e também sua clientela, ou seja, seus alunos”.

“O PPP foi feito em conjunto com os professores, alunos e pais, buscando metas para serem desenvolvidas com a realidade dos alunos”.

“E quando se fala de reunião pedagógica o PPP etc., isso não é algo que deve ser realizado em 40 (minutos) ou numa manhã de sábado. Percebemos que aqui os professores são observados por coordenadores, diretores, comunidade, assessoria, e Seduc, mas Cuiabá como estão às escolas lá, pois já tivemos vários professores que vieram de Cuiabá para Lucas do Rio Verde, professores contratados e efetivos que voltaram, pois aqui precisam trabalhar e em Cuiabá dizem eles que não se trabalha professor vai à escola quando quer”.

“Eu ainda não tenho conhecimento do PPP da escola que trabalho, pois sou interina, e não participei do mesmo, mas, ele será discutido em reunião pedagógica, segundo a direção e coordenação da Escola”.

Trabalho com uma variedade de projetos dentro dos conteúdos, pois na Biologia é necessário para que os alunos tenham mais interesse, sendo que está relacionada com o cotidiano.

“Vários métodos, como pesquisa no laboratório de informática, laboratório de ciências e em lócus, pois assim o mesmo irá participar o seu conhecimento”.

“Sou uma profissional recém formada, estou chegando ao MT agora não conheço o PPP (Plano Político Pedagógico), mas tenho necessidade de obter conhecimento na Educação MT, sendo que todos os cursos que estou participando e ainda irei participar, será de grande apoio para minha Promoção, mas acho que pode para profissionais recentes ou recém formados quando chegam às escolas, precisam de um curso nos apresentando todas as normas, direito, deveres, leis, enfim tudo que não temos informação. Desde já obrigada pelo curso, pois está sendo de grande apoio”.  

“PPP-  de extrema importância no processo na escola onde trabalho o PPP é estudado todos os anos”.

Sobre o PPP”. Não vi e nem conheço. Pois fui “jogado do avião” na quinta – feira dia 07/02/2008. De entrada me pediram o plano de curso da minha disciplina.

“Construir uma Proposta que atenda as particularidades de cada modalidade existente na escola - Habilidades e Competências de cada Modalidade de Ensino”
 
“PPP”. É discutido e elaborado junto aos membros escolar. As ações sempre são discutidas no geral em grupo de professor principalmente nas horas de estudo - Sala de professor.As escolas, já reserva esse espaço para discutir todos os tipos de problemas tanto da escola como os com alunos e professores como: PPP, avaliação, disciplina, planejamento, etc.

“Portanto não tenho dificuldades de desenvolver as ações do PPP e nem de avaliar meus alunos, já que faço a avaliação num todo principalmente às competências do aluno e habilidades”. 

 “Como sou professora efetiva, e sempre atuei somente numa escola tenho conhecimento do PPP desde o primeiro que a escola fez, sendo que participei em dois segmentos, professora e mãe de aluno”. O problema é, a entrada de novos professores todos os anos e sua contratação acontecem para o início das aulas. “Sendo que a maioria é contratada, sinto dificuldade na questão do tempo, pois os citados profissionais atuam em até três unidades escolares dessa forma chega para ministrar suas aulas e precisa sair sempre correndo...”.

 “As dificuldades de se colocar em prática o PPP é a falta de recursos didáticos nas escolas, formação continuada que realmente contemple os anseios do professor”.

“Uma das dificuldades sentidas muitas vezes na a aplicação de PPP é estruturação das escolas para e3xecutar todas as propostas que ele oferece, orem sem o PPP fica muito mais difícil à direção que se segue no processo ensino/aprendizagem”.

“Na escola Dom Bosco o PPP, é discutido e todos tem procurado colocá-lo em sua prática pedagógica. Os professores se reúnem no início do ano letivo e alteram, mudam acrescentando o necessário para tender a realidade dos nossos alunos naquele ano letivo, haja vista, que o PPP está em constante processo de construção”.

 “O PPP da escola foi elaborado coletivamente no início do ano letivo, assim como o PDE e Regimento Escolar. Nesses documentos ficam registradas a missão da Escola, bem como sua visão de futuro, projetos interdisciplinares entre outros. Esse ano nosso foco é diminuir evasão e repetência”.

PPP – Isso existe? Ta na lei, né!  Nunca fui apresentada a ele!Não posso comentar o que não existe, nem apresentado.

Por favor, se souber de uma escola em Lucas do Rio Verde /MT, que tenha um, que tenha sido produzido da forma coletiva, por favor, me diga.

§  Quando possível é feito no coletivo.

§  A participação de todos os envolvidos.

 “É a organização do trabalho pedagógico num processo democrático onde haja discussão e reflexão dos problemas da sociedade e da educação num todo, para encontrar uma intervenção da realidade social, econômica e política, transformando-a em alicerce do trabalho pedagógico, o qual estará sempre num processo de reformulação interna, pois o mesmo é inacabado, por isso, é que se articula a participação dos sujeitos do processo educativo (professores, funcionários, pais, alunos e comunidade) para que ocorra uma visão global da realidade e compromisso coletivo”.

“É necessário um plano curricular, pois arte de um princípio organizacional tendo como objetivo desenvolver e bem o PPP. É, enfim, direcionar as atividades pedagógicas rumo ao prioritárias o fim: a aprendizagem do aluno e bom desempenho do professor”.

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

         
  

A cidade e o Natal

                                                                     José Antonio Lemos dos Santos 

A cidade é uma só e de todos, da cidadania, ou não é de ninguém e começa a morrer.


Ainda refletindo sobre Civilização, Cidade e Cidadania é fácil ver que o conceito de Liberdade também é visceralmente ligado a estas três gêmeas inseparáveis.

Peguei o tempo em que a liberdade de um terminava onde começava a do outro. Mas o mundo evoluiu e todos nos transformamos com ele. As melhores tendências do mundo atual apontam para uma visão de inclusão, compartilhamento e sustentabilidade. Hoje seria mais correto dizer que a liberdade de um não mais termina, mas se complementa na liberdade do outro. Não mais a liberdade solitária, mas a liberdade solidária. Ou somos todos livres ou não somos livres.
    
O Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo que veio para religar o homem a Deus, como Maomé, Buda e outras figuras grandiosas, conforme seus seguidores de fé. Aliás, essa “re-ligação” com o divino está na origem da palavra “religião” e é o mais importante estágio da evolução humana, mesmo que o homem ainda evolua muito. Religado a Deus o homem pensa no outro como irmão e que a felicidade está na comunhão, comum-união de todos na grande família divina. A felicidade solidária, não solitária. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre tudo.
    
A cidade é uma invenção humana, a maior e mais bem sucedida delas. Um objeto artificial que é construído numa construção permanente. Importante é que se trata de uma construção coletiva, feita no dia-a-dia com o trabalho de cada cidadão, que por isso é seu verdadeiro dono. A cidade é do cidadão, célula da cidadania.

Ele constrói a cidade com sua casinha, do casebre à mansão, com seu estabelecimento comercial, da pequena borracharia aos grandes empreendimentos. E a cidade é construída para ser o lócus das múltiplas relações urbanas, sendo justamente a convivência lado a lado dessas diversas relações, na integração e no conflito de seus diferentes interesses que surge a fantástica sinergia das cidades que faz a Humanidade dar saltos de desenvolvimento cada vez mais rápidos ao longo da História.

A cidade é a unidade dessa diversidade e por isso é solidária. Ou pensamos um no outro, do passado, do presente e do futuro, ou perecemos como seres urbanos, como civilizados.
    
Como no conceito de Liberdade, a cidade de cada um não mais termina onde começa a cidade do outro, elas se complementam. A cidade de um embeleza ou enfeia, ajuda ou atrapalha a cidade do outro, pois não existe uma cidade para cada um, a cidade é uma só, ainda que percebida pelas pessoas de maneira diferente, de acordo com o uso individualizado. A cidade é uma só e de todos, da cidadania, ou não é de ninguém e começa a morrer. É a expressão máxima da comunhão do espaço na grande obra destinada ao bem de todos. É o bem comum a ser compartilhado, convivido por todos. E aí ela é divina. Talvez por isso as cidades ficam especialmente belas no Natal.
    
A grave crise das cidades no mundo, em especial Cuiabá e Várzea Grande só será resolvida quando a cidadania retomar a cidade como sua, seu maior bem, feita por ela e que tem as autoridades públicas como seus funcionários para coordenar e promover essa grande obra.

Não basta mais cada um fazer sua parte e, muito menos, apenas esperar El-Rey. Além de fazer nossa parte, temos direito a que o outro faça a parte dele, de acordo com o projeto comum firmado nas leis urbanísticas, no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano que, por isso, deve ser técnica e democraticamente elaborado.

Construir a cidade, além de cada um fazer bem sua parte, é participar ativamente, apoiar, discutir, criticar, aplaudir e cobrar. Só ou em grupo. E já existem bons sinais nesse sentido. Além da cidade de cada um, há sempre a cidade do outro. Nada mais cristão, nada mais natalino.

José Antonio Lemos dos Santos é arquiteto e urbanista e professor universitário.    joseantoniols2@gmail.com

Cada sistema de ensino vai escolher como usar hora a mais

MEC não quer mais disciplinas na ampliação da jornada escolar para cinco horas/dia. Proposta para o Congresso não definirá modelos

Priscilla Borges, iG Brasília |
O debate sobre a ampliação da jornada de aulas nas escolas brasileiras promete ser longo ainda. O Ministério da Educação já anunciou que quer aumentar em uma hora por dia o turno escolar no País e está formulando uma proposta de concretização da medida para enviar ao Congresso Nacional. O texto, que está sendo elaborado por técnicos da pasta com a ajuda de gestores municipais e estaduais, no entanto, deixará lacunas para serem respondidas depois.

O ministro Fernando Haddad disse em setembro que gostaria de ampliar o tempo que as crianças e os adolescentes brasileiros passam na escola. A proposta inicial era aumentar o número de dias letivos anuais. Segundo o ministro, a “pouca exposição a conhecimento” dos estudantes prejudica o aprendizado. Na última semana, o MEC promoveu uma reunião entre professores, gestores, parlamentares e especialistas sobre o tema.

É a partir das discussões dessa reunião que um grupo de trabalho – formado por técnicos do MEC e representantes de gestores municipais e estaduais – definirá a proposta oficial que vai para o Congresso Nacional. Ouvidos pelo iG , integrantes desse grupo contaram que o texto final não definirá, por exemplo, como as escolas devem utilizar essa “hora extra”.

A ideia é que opções sejam oferecidas, mas cada sistema de ensino escolha o modelo que mais se adequar à própria realidade. Entre as sugestões colhidas na reunião técnica estão: trabalhos de projetos interdisciplinares, aulas de reforço ou atividades culturais. “Ninguém quer mais tempo para as crianças copiarem mais coisas do quadro. Precisamos reinventar o tempo escolar . O grande debate deve ser em torno de qual projeto educativo cada escola quer traçar”, afirma Jaqueline Moll, diretora de Currículos e Educação Integral do MEC.


Segundo Jaqueline, o MEC vai sugerir que as escolas sigam as orientações do Conselho Nacional de Educação (CNE) para a educação integral na elaboração de seus projetos pedagógicos. O ministério não enviará um projeto de lei sobre o tema para o Congresso Nacional. Como já existem projetos tramitando na Câmara e no Senado sobre o tema, o MEC enviará um parecer ao deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) sobre o tema.

Lelo conta que há dez projetos sendo analisados em diferentes comissões do Congresso sobre a ampliação da jornada escolar. O deputado unirá as propostas e apresentará um substitutivo. O parecer do ministério, segundo ele, servirá como mais um subsídio. “Só houve um consenso na reunião: o de que não deveríamos aumentar os dias letivos. Acho que o ideal seria apresentarmos um conjunto de opções para que as escolas possam se adaptar a um deles”, diz.

O deputado admite que há muitos detalhes ainda para serem definidos. “Ninguém é contra mais tempo na escola, mas as visões gerais são muito díspares. Quero ouvir experiências que estão funcionando antes de fechar a proposta”, afirma Coimbra.

Adaptação em três anos

A presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, que participa do grupo de trabalho do MEC, conta que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está fazendo um levantamento de quantas redes de ensino já oferecem as 1 mil horas anuais de aulas. De acordo com Cleuza, há muitos municípios que oferecem essa jornada ampliada já. “Precisamos saber o que falta para as outras redes implantarem também”, comenta.

Só com esses dados o grupo deve fechar o relatório. A expectativa dela é terminá-lo em novembro e encaminhar ao Congresso antes do recesso parlamentar. Ela conta que os gestores pediram aos parlamentares para não “inventarem mais disciplinas” para ocuparem essa hora a mais de aulas.
“Temos de respeitar a autonomia dos sistemas. Mas não podemos ter mais disciplinas. Ouvir os educadores e os gestores nesse processo é fundamental”, afirma.

Para Cleuza, o prazo de adaptação que deve ser colocado na lei é de três anos. No máximo, pode ser ampliado para cinco. Mas ela ressalta, porém, que o aumento deve ser gradativo e só poderá ser concretizado com mais investimentos. “ Infraestrutura é fundamental para isso. Temos de ter escolas para todos e ainda não temos. Aposto muito no Plano Nacional de Educação para isso”, diz.


Estrutura escolar

O horário de aulas das 11h às 15h, chamado de turno da fome e ainda praticado por muitos municípios para atender a demanda de alunos, terá de acabar. “É inaceitável que ainda haja alunos com menos de quatro horas diárias de aulas. Teremos de fazer um esforço para enfrentar as dificuldades que esses municípios e Estados enfrentam para acabar com esse turno”, ressalta a diretora do MEC.

Outra preocupação de quem participa das discussões é como garantir esse tempo maior de carga escolar para os estudantes do ensino noturno . Todos concordam que é impossível aumentar a carga horária diária. “Ainda não temos uma resposta sobre o que fazer no turno da noite. Precisamos discutir inclusive o que já é feito hoje, temos de pensar numa forma de dar significado ao ensino noturno”, admite Jaqueline.

Na opinião de Cleuza, é preciso rediscutir todo o planejamento para quem estuda à noite. Ela lembra que muitas redes têm matriculado adolescentes de 15 anos em cursos noturnos e não deveriam. Esse é mais um ponto que ficará aberto para discussões dentro do Congresso.

Validação para diplomas emitidos no exterior passa a ter novas regras

Reconhecimento nacional dos certificados deve acontecer no prazo máximo de 180 dias


 

 Portal Brasil publicado: 14/12/2016
 
Luiz Filipe Barcelos/ UnB Agência                        
 
 
O Ministério da Educação anunciou, nesta terça-feira (13), que a revalidação dos diplomas de estudantes brasileiros que concluíram cursos de graduação e pós-graduação no exterior poderá ser realizada de forma mais ágil e eficiente. As novas regras de validação do documento foram publicadas na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União.
 
medida assinada pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, altera as atuais regras e procedimentos. Uma das principais mudanças diz respeito ao prazo de revalidação. Antes, estudantes formados fora do País tinham que aguardar até 3 anos para conseguir que o diploma fosse aceito no Brasil. Com as novas regras, o documento deverá ser revalidado em até 180 dias. Bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras terão prioridade e, para eles, o limite será de 60 dias.
 
Outra mudança importante faz referência à fundamentação da análise, que deve ser relativa ao mérito e às condições acadêmicas do curso ou programa efetivamente cursado. Deverá ser levado em consideração diferenças existentes entre as formas de funcionamento dos sistemas educacionais das instituições e dos cursos em países distintos.
 
“O passo que consagramos, a partir de hoje, é muito importante e vai em direção da facilidade para pesquisadores, professores e acadêmicos que estudam no exterior. A burocracia não pode atrapalhar a vida das pessoas,” disse o ministro.
 
No caso dos diplomas de graduação, caberá às universidades públicas fazer a validação. Já nos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), há também a permissão para que universidades particulares realizem os procedimentos de verificação.
 
Portal Carolina Bori 
 
Com o objetivo de facilitar o processo de revalidação, o MEC anunciou o lançamento do Portal Carolina Bori. O site, que homenageia a primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reúne informações sobre a nova legislação e sobre o trâmite mais simplificado da documentação.
 
Tanto os responsáveis nas universidades, pelos processos de validação, quanto os diplomados no exterior vão poder consultar a legislação vigente e as orientações necessárias para submeter um diploma à validação. 
 
A diretora de Relações Internacionais da Capes, Concepta Margaret McManus Pimentel, explica que o portal estabelece uma plataforma única padronizada para a realização dos pedidos.
 
“Mesmo antes de sair do País para estudar no exterior, as pessoas terão conhecimento sobre os documentos necessários para o reconhecimento e revalidação dos diplomas no Brasil, os prazos para os procedimentos, bem como informações sobre os cursos no exterior em que os alunos que já tiveram seus diplomas validados”, disse a diretora.
 
Fonte: Portal Brasil, com informações da Capes