terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Professores são educadores, não babás

Autor do 2º artigo mais compartilhado no Facebook em 2011, americano diz que pais desrespeitam regras de escolas, pondo em risco o futuro dos filhosNathalia Goulart Ron Clark e seus alunos: em defesa de mais cooperação entre pais e professores (Divulgação/Ron Clark Academy)

"Hoje, existe uma preocupação grande com a autoestima da criança. Por isso, muitas pessoas se veem obrigadas a dizer aos pequenos que eles fizeram um ótimo trabalho e que são brilhantes, mesmo quando isso não é verdade"

O segundo artigo mais compartilhado em 2011 por usuários americanos do Facebook foi escrito por um professor, Ron Clark (o primeiro trazia fotos da usina de Fukushima). Mais de 600.000 pessoas curtiram o texto na rede, escrito a pedido da rede de TV CNN e entitulado "O que os professores realmente querem dizer aos pais". O artigo descreve um cenário de guerra, travada entre pais e professores. Na visão de Clark, os pais vêm transferindo suas responsabilidades para a escola, sem, contudo, aceitar que seus filhos se submetam de fato às regras da instituição. Por isso, assim que surge a primeira nota vermelha ou uma advertência, invadem a sala de aula culpando os professores – a pretexto de preservar a reputação e o orgulho de seus filhos. "Precisamos estar mais atentos à excelência acadêmica e menos preocupados com a autoestima das crianças", diz o professor, na entrevista concedida a VEJA.com e reproduzida a seguir.

 "Essas crianças deixam de aprender que é preciso se esforçar muito para conseguir bons resultados. No futuro, elas não terão sucesso porque, em nenhum momento, exigiu-se excelência delas." Clark conhece sua profissão. Aos 39 anos, vinte deles dedicados à carreira, o americano já lecionou na zona rural da Carolina do Norte, nos subúrbios de Nova York e atualmente comanda uma escola modelo no estado da Geórgia que oferece treinamento a educadores. Graças à função, manteve, desde 2007, contato com cerca de 10.000 educadores de diversas partes do mundo, incluindo brasileiros.

Em seu artigo, o senhor fala de um ambiente escolar em que pais e professores não se entendem mais. O que tornou a situação insustentável, como o senhor descreve? A sociedade se transformou. Hoje, vemos pais muito jovens, temos adolescentes que se veem obrigados a criar uma criança sem ao menos estarem preparados para isso. São pessoas imaturas. Por outro lado, temos famílias abastadas, em que pais trabalham fora e são bem-sucedidos profissionalmente. Pela falta de tempo para lidar com os filhos, empurram toda a responsabilidade da educação para a escola, mas querem ditar as regras da instituição. Ou seja, eles querem que a escola eduque, mas não dão autonomia a ela.

Que tipo de comportamento dos pais irrita os professores? Acho que o ponto principal são as desculpas que os pais criam para livrar os filhos das punições que a escola prevê. Se um aluno tira nota baixa, por exemplo, ou deixa de entregar um trabalho, os pais vão à escola e descarregam todo tipo de desculpa: dizem que o filho precisava se divertir, que a escola é muito rigorosa ou que a criança está passando por um momento difícil. Ou, ainda, culpam os professores, dizendo que eles não são capazes de ensinar a matéria. Mas nunca culpam seus próprios filhos. É muito frustrante para os professores ver que os pais não querem assumir suas responsabilidades.

Problemas com notas são bastante frequentes? Sim. Certa vez tive uma aluna que estava indo mal em matemática. A mãe dela justificou-se dizendo que, na escola em que a filha estudara antes, ela só tirava boas notas, sugerindo, assim, que o problema éramos nós, os novos professores. Infelizmente, essa ideia se instalou na nossa sociedade. Se a nota é boa, o mérito é do aluno; se é baixa, o problema está com o professor. E quando as notas ruins surgem, os pais ficam furiosos com os professores. O resultado disso é que muitos profissionais estão evitando dar nota baixa para não entrar em rota de colisão com os pais, que nos Estados Unidos chegam a levar advogados para intimidar a escola.

Os pais poupam os filhos de lidar com fracassos? Hoje, existe uma preocupação grande com a autoestima da criança. Por isso, muitas pessoas se veem obrigadas a dizer aos pequenos que eles fizeram um ótimo trabalho e que são brilhantes, mesmo quando isso não é verdade. Essas crianças deixam de aprender que é preciso se esforçar muito para conseguir bons resultados. No futuro, elas não terão sucesso porque, em nenhum momento, exigiu-se excelência delas. Precisamos estar mais atentos à excelência acadêmica e menos preocupados com a autoestima das crianças.

Que conselho o senhor dá aos professores? É possível evitar que os pais surtem diante de notas ruins e do mau comportamento dos filhos se for construída uma relação de confiança. Em vez de só procurar os pais quando as crianças vão mal na escola, oriento que os professores conversem com os responsáveis também quando a criança vai bem. Na minha escola, procuro conhecer os pais de todos os meus alunos. Procuro encontrá-los com frequência e envio cartas a eles com boas notícias. Assim, quando tenho que dizer que a criança não está rendendo o esperado, eles me darão credibilidade e confiarão na minha avaliação.

É possível determinar quando termina a responsabilidade dos pais e começa a da escola? As duas partes precisam trabalhar em conjunto. Os pais precisam da escola e a escola precisa do apoio da família para realizar um bom trabalho. Um conselho que sempre dou aos pais é que nunca falem mal da instituição de ensino ou do professor na frente dos filhos. Se a criança ouve os próprios pais desmerecerem seus mestres, perde o respeito por eles. O contrário também é verdadeiro. Os professores precisam respeitar os pais, porque eles são parte fundamental na educação de uma criança.

Em algumas situações a discussão sobre responsabilidades da família e da escola surge com muita força. Em casos de bullying, por exemplo, pais e professores trocam acusações. Sobre quem recai a maior parte da responsabilidade nesses casos? A minha resposta novamente é que precisamos trabalhar em conjunto. Quando o bullying acontece na escola, é obrigação dos professores intervir imediatamente. Mas muitos não agem assim porque querem evitar conflitos com os pais. E isso é muito grave. O bullying está devastando nossas crianças. Precisamos combatê-lo. Para que os professores tenham liberdade para agir, precisam do apoio dos pais. Mas você sabe o que acontece? Muitas vezes, quando os pais são chamados na escola para serem alertados de que seu filho está praticando bullying contra um colega de classe, o que ouvimos é: "Mas qual o problema disso? Tenho certeza de que outros colegas também zombam do meu filho e ele não se sente mal por isso." Mais uma vez, vemos os pais se esquivando da responsabilidade.

A que o senhor atribui o sucesso do artigo que estourou no Facebook? Eu escrevi o que todos os professores tinham vontade de dizer aos pais, mas não podiam dizer, porque isso os enfureceria. O que eu fiz foi dar voz a milhões de profissionais. Fiquei sabendo que muitas escolas imprimiram o texto e enviaram uma cópia a cada família. Na internet, pessoas de outros países também compartilharam a minha mensagem.

O senhor criou uma escola modelo, a Ron Clark Academy. Como é a relação de seus professores com os pais? Procuramos estabelecer uma relação próxima. Como eu disse, estamos constantemente em contato com os pais, nos bons e nos maus momentos. Também promovemos encontros semanalmente, nos quais ofereço aos pais a oportunidade de assistir a uma aula na escola, destinada exclusivamente a eles, para que acompanhem o que está sendo ensinado a seus filhos. Ou seja, trabalhamos muito para conquistar uma relação harmônica. Não estou dizendo que é fácil lidar com os pais. Alguns deles podem ser bem malucos.

O senhor, na sua escola, recebe professores de diversas partes dos Estados Unidos e tambem de outros países, como o Brasil. Além dos problemas de relacionamento com os pais, do que mais professores de todo o mundo reclamam? As avaliações tiram o sono dos professores. Não sei exatamente como funciona no Brasil, mas nos Estados Unidos os professores são constantemente cobrados a melhorar o desempenho de suas escolas em testes padronizados. E todo o processo educacional passa a girar em torno de algumas provas. Isso é massacrante, para os alunos e para os professores. Os professores precisam de mais diversão na sala de aula.

A “força estranha” do Natal

Jorge Antonio de Queiroz e Silva


A preparação do Natal provoca nas pessoas ideias de solidariedade, encontros familiares, presentes. Mesmo que muitas não se recordem de que o aniversariante é Jesus Cristo, este distribui fraternidade, doação e salvação, no universo, buscando presentear a cada um com sentimentos bons. É o perdão que, enfim, se dá, e a humildade que se realiza. Chances terminadas renovam-se. O diálogo busca novos atores. Mesmo aqueles que não acreditam em um Criador encontram motivos para se reunir, pois é tempo de preparação para a festa.

No entanto, eu penso nas novas vidas que vão se transformar em Natal. Enquanto me locomovo, observo nas ruas e nos meios de transporte aquelas mulheres que carregam em seus corpos as vidas de outras pessoas. Talvez semelhantes ao que expressa o cantor Roberto Carlos em Força estranha: “Eu vi a mulher preparando outra pessoa. O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga. A vida é amiga da arte. É a parte que o sol me ensinou. O sol que atravessa essa estrada, que nunca passou... Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha no ar...”

As vidas que estão sendo preparadas já carregam suas histórias. Algumas foram precedidas por longo planejamento familiar, outras dão sequência a irmãos já presentes na família, outras não foram desejadas ou foram frutos de agressões e, no caso das mães adolescentes, resultam, talvez, das primeiras experiências sexuais e da falta de diálogo na família. Independentemente dos motivos, os Natais que estão nas barrigas das diferentes mulheres se anunciam, os Jesus, os Josés, as Marias e crianças de tantos outros nomes irão nascer.

O que elas irão encontrar? O momento do nascimento é especial. O pediatra e psicanalista Donald Woods Winnicott (2000), em sua obra Memórias do nascimento, trauma do nascimento e ansiedade, preocupou-se especialmente em informar aos pais sobre a importância de preparar o ambiente para a chegada da nova vida. A mãe deve tentar reproduzir no ambiente externo a segurança que a criança tinha na vida intrauterina. A família inteira precisa ajudar. O psicanalista considera que as primeiras experiências de nascimento de uma criança são tão importantes que seus indícios podem ser observados em manifestações verbais de alguns pacientes em clínicas de tratamento na fase adulta. Caso o parto-nascimento não ocorra em condições adequadas, a criança poderá ter uma experiência de sofrimento e trauma, diante de uma possível experiência de descontinuidade da vida que tinha na gestação.

Família e sociedade, todos temos a responsabilidade de favorecer o bem-estar das gestantes e preparar o “presépio” da nova vida. Esta não espera encontrar um berço sofisticado, mas todos os itens necessários a lhe transmitirem segurança: afeto, bem-estar e harmonia familiar, que farão dela uma pessoa tranquila. E o aleitamento materno é a forma mais forte da mãe demonstrar-lhe seu amor. A mãe saberá como tocá-la de forma a lhe dar sustentação psíquica e física, lembrando que a sua voz é ouvida como melodia pela criança, conforme Winnicott.

Então, preparemos ambientes bons, sem fome, sem ódio, sem violência, para que as mães possam dizer belas palavras que se transformam em canto para suas crianças. Assim, a força estranha do Natal se concretiza em felicidade. Feliz Natal.


Jorge Antonio de Queiroz e Silva
queirozhistoria@uol.com.br
Historiador, palestrante e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.



Educação e analfabetismo

LICÍNIO CARPINELLI STEFANI

Para ser uma grande nação e nela ter grandes e eficientes unidades federativas é indispensável que o fator móvel e propulsor do seu progresso, a educação, tenha atenção e investimentos indispensáveis a possibilitar seu deslanche. Numa retrospectiva nacional, teríamos um quadro digno de grandes surpresas.

O Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) nos traz a seguinte radiografia levando em consideração o período abrangendo os anos de 2004 a 2009. O número de analfabetos de 15 e mais anos teria caído a nível nacional em 7%. Cinco estados teriam aumentado o contingente de analfabetos, situando-se infelizmente entre eles Mato Grosso.

O analfabetismo seria maior entre as pessoas de mais de 25 anos e a sua redução no Brasil seria superior a mais de um milhão de pessoas. A região Centro-Oeste contemplou a menor queda na redução do analfabetismo, situando-se na faixa de 1,6% contra 16,6% no Nordeste e 17,% no Norte.

Esse índice alarmante merece uma reflexão e uma resposta adequada dos nossos dirigentes estaduais do setor educacional. A média nacional de queda é de 7,3%. Entre os idosos, o maior número de analfabetos se situa na faixa etária superior a 65 anos, havendo uma redução do índice de 34,4% para 30,8%. Teria havido um aumento de analfabetos na ordem de 490 mil.

Enfim, há uma espiral que aumenta e concomitantemente diminui por força da política da alfabetização. O que não se consegue é equilibrar o positivo e negativo, saindo vitoriosa a taxa de analfabetismo apesar dos esforços governamentais.

A Pesquisa Nacional por Amostragem por Domicilio (Pnad) também traz uma radiografia interessante. A taxa de alfabetização de 2007 para 2008 não se alterou na faixa etária de 6 a 14 anos, mantendo-se em 96,3% - de 15 a 17 anos a progressão educacional foi de 0,9%, totalizando 85% das pessoas que sabem ler. No Brasil, segundo estimativas, 14,2 milhões de pessoas sequer sabem ler ou escrever um bilhete.

A média de escolarização de Mato Grosso é excelente, alcançando a faixa de 34%, superior à brasileira, que é de 30% na faixa de 18 a 24 anos. Também a escolarização de pessoas com mais de 25 anos foi a melhor do país.

Os esforços dos governantes se fizeram presentes e estão expressos na Carta Magna e nas estaduais, onde se consignou ser a educação direito de todos e dever do Estado e da família. Para tanto, as leis de diretrizes e bases consignam valor determinado vinculado a educação, porcentagem de recursos prefixada nas leis orçamentárias estaduais, mas, dada a imensidão territorial do país, suas diversidades e peculiaridades regionais, e especialmente a má distribuição de renda, a proposta de levar educação e de qualidade a todos torna se árdua.

O Pantanal de Mato Grosso e a Amazônia são exemplos notáveis dessa diversidade, dificultando sobremaneira o acesso ao ensino. Via de regra, falando da grande mola mestra que é o ensino básico, falta infraestrutura, com estabelecimentos inadequados, mal localizados e estruturados, faltando cadeiras escolares, cartilhas, livros, objetos escolares como lápis, régua, compassos, cadernos, bancos, alimentação como a sopa escolar, aparelhamentos, informatização, segurança e professores, sobretudo especializados.

Falta a adoção de um piso salarial móvel reajustando-se na proporcionalidade da inflação. Sem dúvida, os baixos salários ofertados constituem uma das causas fundamentais da carência de profissionais do ensino no Brasil, não sendo o professor, apesar de sua dedicação e importantíssima função, valorizado como deveria ser.

Certa ocasião, observei em Juara, num exclusivo galpão, diversos grupos de alunos de faixas etárias distintas, recebendo lições escolares, sem haver divisão no estabelecimento, por falta de outro em condições ideais. Fiquei admirado da dedicação das professoras e do entusiasmo dos alunos, apesar das condições adversas.

Penso que, apesar dos revezes e das nossas deficiências, estamos no caminho certo e adotando programas e investimentos razoáveis. Nosso presente e futuro é promissor e ninguém, por menos inspirado que seja, segura nosso país, berço esplêndido dado por Deus e nessa adoção de medidas alcançaremos frutos numa trajetória mais célere e produtiva.

LICÍNIO CARPINELLI STEFANI é desembargador aposentado e advogado.
liciniocarpinelli@cfadvocacia.com.br

A LITERATURA DE CORDEL NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO TRANSVERSAL

André B. de Santana, Camila Maria N.Vieira Santos, Josefa C. Sandes Irmã, Lenira P. de Santana e Lucivânia Maria S. Souza

1. INTRODUÇÃO

O estudo da ocupação territorial brasileira mostra uma diversidade regional marcada pela desigualdade, sobre o atendimento aos direitos da cidadania, valorizando diferentes práticas culturais. A formação histórica do Brasil mostra os mecanismos e resistência ao processo de denominação pelos os grupos sociais em diferentes momentos. Sendo assim, cabe a cada grupo, encontrar uma forma de preservar sua identidade cultural e lingüística de forma clandestina.

Os problemas vividos no cotidiano, pela diversidade, são caracterizados por ser um dos potenciais mais férteis de preconceito lingüístico. Tipicamente brasileiro por muito tempo se acreditava que era uma fraqueza social. Contudo isso faz com que a integração sociolingüística divulgue o tradicionalismo regional das várias formas lingüísticas. Como forma de valorizar a identidade de uma região, busca-se levar para a sala de aula um contexto social diferente, através do cordel.
Tratando-se da necessidade de usar temas básicos para a conquista da língua, e suas utilidades no cotidiano, procura-se fazer aqui uma análise sobre os estudos dos conceitos da linguagem. Esse projeto tende a multiplicar a inclusão nos currículos de conteúdos que informem sobre a riqueza de suas manifestações culturais e a influencia sobre a sociedade com um todo. Neste contexto, deve-se consolidar a participação das escolas numa realidade social local.
O ponto de partida que orienta a construção deste projeto de pesquisa baseia-se no desenvolvimento de atividades interdisciplinares que promovam tanto a aprendizagem de conteúdos significativos quanto à aproximação dos alunos ao cordel. Na prática, essas atividades permitem que o aluno mergulhe no universo literário, mundo esse repleto de personagens, ritmos, temas, imagens, poesia, rimas, entre outros. A proposta surge para que esta forma cultural possa ser apresentada e reconhecida pelos alunos no ensino fundamental, qualquer que seja seu nível intelectual, tendo como plano de fundo o resgate da cultura popular e de seus valores. Levar o Cordel, para sala de aula, implica em mostrar a vitalização do gênero cultural como ferramenta didática na educação.
Sabe-se que a escola é o caminho para transformação educacional. Analisando o dia-a-dia do educando, percebe-se a ausência de auto-identificação com sua realidade regional, não sabendo ele, o valor de preservar suas raízes lingüísticas, através de suas experiências diárias, levando seu conhecimento para dentro da sala de aula, compartilhando seus pontos do saber e do interpretar a vida utilizando os materiais didáticos, para-didáticos e tecnológicos que a escola oferecer como ferramenta de aprendizagem diferenciada. Podem-se induzir nossos alunos para uma prática de leitura, através da literatura de cordel, que trata de assuntos reais da sua formação diária, sendo ela uma leitura fácil, rápida e de simples interpretação.
Para Freire (2003), a educação ensina, exige a aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação, desta forma, devem-se observar os alunos como seres empenhados em buscar o conhecimento como meio de transformação intelectual e social. Utilizando a literatura de cordel, literatura essa que trabalha o cidadão simples e suas ocorrências do seu habitat, para transmitir casos diferenciados do povo da zona rural e urbano. Transfigurando em palavras faladas numa versão escrita, para compreender o seu próprio povo, busca-se trabalhar a valorização do ambiente geográfico e histórico como meio facilitador da aprendizagem dos discentes numa visão lingüística.
O cordel, leitura simples, pode ser utilizado em sala de aula nos estudos sociolingüísticos numa educação transversal? Paulo Freire diz que o aluno quando se confronta com uma codificação de uma imagem, tomando como base e destaca esse objeto como experiência para formar suas próprias critica sobre o elemento codificando. O aluno quando está tendo um conhecimento dos signos através da imagem, logo vem o reconhecimento da junção dos fonemas, que poderá criar novas palavras e dotar palavra, criando combinações de fonemas comuns. Tornando-se um indivíduo pensante fazendo analise do que seja uma propaganda enganosa, por exemplo: Um março de cigarro, fumados por uma bela moça de biquíni, sorridente e feliz, e que com seu sorriso, sua beleza nada tem haver com os cigarros, quando um ser transformam sua concepção, a propaganda fica legível ao contexto.
O educador procura de forma clara educar o aluno de modo que ela possa ter um papel ativo na sociedade, tendo-se como base a aprendizagem da leitura e da escrita descobrindo o mundo de cultura e fantasia. Pode-se afirmar que vivemos em um país onde o individuo é oprimido em uma classe de membros inconsciente dos seus direitos como cidadão e o desprezo por si mesmo é outra característica do oprimido, que demonstre a interiorização da opinião dos opressores em que se limita em aprender nada, que são débeis, pregressos, que acabam por convencer de sua própria incapacidade e de transformar o aluno em um ser inconsciente de opiniões. .
Para ter-se uma conscientização devemos ter evolução da realidade histórica e cultural de uma sociedade. No qual os valores e o estilo de vida de uma sociedade não dependem do poder econômico, dando ao educador uma visão de estruturação e transformação educativa.
Falar da conscientização e manifestasse naturalmente seus próprios métodos de ensino, pois todo o sistema procede de opções de imagens de uma concepção do mundo, de determinados modelos de pensamento críticos. O educador como revolucionário não pode ser aquele que se expressa como ditador, ou seja, o professor ensina os alunos o que são ensinados; o professor sabe tudo, os alunos não sabem; o professor fala e os alunos escutam esse método escolar da educação, jamais prepara os alunos para se tornar um ser crítico e preparado para vida. O aluno crítico é fundamental para interagir na sociedade moderna, sendo consciente e capaz de atuar na realidade em que vive.
Este artigo tem como objetivo geral promover o intercâmbio da leitura entre o popular ao erudito, como também mostrar aos estudantes a importância do cordel, como prática de aprendizagem diferenciada. O teatro em cordel sendo levado para escola pode ajudar aos educadores como meio de comunicar aos seus docentes temas educativos relacionados à sociedade, cultura, meio ambiente, saúde, comportamento e até em matérias específicas aguçando a criatividade dos seus alunos com a didática inovada, transformando seus alunos em seres pensantes e com sede de buscar, de pesquisar coisas novas que possam levar ao amadurecimento intelectual.
Além disso, explicitar a utilização de um método diferenciado das manifestações da língua, numa visão escrita, utilizando o cordel como base de pesquisa. A mesma pode conceder aos discentes a ajuda na solução de problemas encontrados dentro da escola ,na sala de aula e até na comunidade onde a instituição está inserida realizando a novidade do teatro sendo uma coisa interessante de se ver com temas que se trate do momento e o local que está sendo apresentado,dando soluções com conteúdos que seja assimilado e transformado num espetáculo ,curto, preciso, engraçado e educativo.
Deve-se também usar a literatura de cordel como fonte importante para apontar e valorizar as diferenças regionais existentes no artesanato, na dança, na culinária, e na forma de falar (sotaques). Este trabalho é essencial para minimizar e ajudar nas diferenças, às vezes preconceituosas entre os alunos na sala de aula. Além de mostras as riquezas existentes na diversidade cultural brasileira.
A metodologia e as práticas pedagógicas aplicadas com literatura de cordel, através dos PCN’s foi mostrada pelo Prof. Luiz Andrade que projetou um método diferente de prática de leitura através do cordel na turma da 4ª série do Ensino Fundamental. A pesquisa pretende abordar 02 (dois) conjuntos de indicadores, são eles: 1) situação do ensino da língua portuguesa com utilização da educação transversal na Escola Municipal Padre Possidônio Pinheiro da Rocha, povoado Gameleira; e 2) o posicionamento do desenvolvimento da aprendizagem com a utilização da literatura de cordel como canal de transformação sociolingüístico. Por fim, será feita uma análise comparativa dos resultados obtidos em sala de aula com as ideologias sociolingüística de Bagno (2006) que trata dos preconceitos lingüísticos regionais. Aplicando também os estudos de Lopes (1994), mostrando a literatura de cordel como base de valorização dos preceitos literários, que torna a educação transversal mais flexível.
2.A LITERATURA DE CORDEL COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO
O curricular escolar determina que os fatores regionais e culturais devam ser analisados de forma isolada. Por isso, investigar a utilização da literatura de cordel como método de trabalho pedagógico, estabelece um elo entre os alunos e sua cultura. Como efeito o estudo que se encontra na sociedade sobre os conhecimentos sociológicos, é indispensável à discussão da pluralidade cultural, que abre a compreensão do processo, onde as interações entre fenômeno cultural e as diferenças sociais. Além das diversas contribuições da sociologia, aspectos particulares voltados para a discussão curricular têm sido desenvolvidos por autores que se ocupam da sociologia da educação e da sociologia do currículo.
Tratando-se de linguagens e representações o trabalho com diferentes linguagens ampliam as possibilidades de se expressar e falar de forma predominante de comunicação na sociedade. Quando fala de linguagens abrem-se as possibilidades de transversalização com língua portuguesa tendo o valor de diferentes formas de linguagem oral e escrita. Respeitando as manifestações regionais pela possibilidade de contato e integração com a diversidade línguas e de linguagem presente na vida de crianças e adolescentes no Brasil. Isso significa que conhecer a existência do uso de outras línguas diferentes horizontes como também sua complexidade, referindo à existência e a estrutura do uso dos dialetos lingüísticos. Segundo Freire:
[...] a educação ou ação cultural para a libertação; em lugar de ser aquela alienante transferência de conhecimento, é o autêntico ato de conhecer, em que os educandos – também educadores – como consciência “intencionada” ao mundo ou como corpos conscientes, se inserem com os educadores – educandos também – na busca de novos conhecimentos, como conseqüência do ato de reconhecer o conhecimento existente (FREIRE, 1984, p.99).
De acordo com Freire, tanto os educandos quanto os educadores transferem conhecimento e conseqüentemente compartilham o aprendizado do seu cotidiano para a transversalidade da educação. Sabe que, os conhecimentos antropológicos caracterizam os reconhecimentos do valor inerente a cada cultura. Os conhecimentos antropológicos encontram subsídios para entender algumas questões difíceis do tempo que vai ao encontro do terceiro milênio.
De maneira crescente, as novas tecnologias sobre uma aparência de misturas ortográficas e desvios de escrita fazem com que os diferentes grupos sociolingüísticos trabalhem a cultura com ritmos distintos em diferentes regiões. Falar da cultura é tratar das permanências das manifestações, expressando com freqüência e atuante, nem sempre percebida o seu conjunto de códigos simbólicos reconhecíveis pelo grupo em que o individuo está inserido, formando uma concepção nos mesmos códigos diferenciados na infância, introduzindo as modificações na vida adulta, numa forma social.
A cultura tem um código simbólico, que se apresenta com dinâmica, envolvendo todas as manifestações que estão em constantes processos de introdução de novos símbolos e atualizando valores no processo intelectual. Entretanto o processo de mudança cultural foi entendido como desfiguração da cultura tradicional, assumindo assim um sentido de sobrevivência, estímulo e resistência tanto valorizando e reconhecendo como partes indispensáveis das identidades individuais e sociais. Convém lembrar que a diversidade das sociedades explica pela diferença genética de qualquer grupo, mas sim pela cultura, através dos estudos literários e folclóricos que fascina e insere na literatura de cordel, um panorama popular brasileiro. Desafiando e mobilizando as argúcias riquíssimas do nosso folclore, frisando igualdade, que a literatura de cordel, tem sido estudada e aplicada no mais variado aspecto e análise da linguagem.
Para fins educativos, a literatura de cordel presta um serviço de utilidade pública para informação de calamidades ou de situações emergenciais, orientando campanhas de órgãos públicos ou privados. O ser humano é ao mesmo tempo produtor e produto social e cultural, e apresenta um fator de identidade individual, o que pode ser usado para promove respeito por diferentes linguagens, do regional para o nacional.
Através da literatura de cordel, o regionalismo dá um toque especial aos acentos da língua oral nos versos escritos. A percepção do sotaque nordestino em diferentes relações típicas da região, a escola pode mediar esse trabalho da linguagem com expressões típicas de grupos étnicos, fazendo da educação transversal a diferença e dando qualidade em outras formas da prática pedagógica. Visando o cotidiano dos estudantes, ampliando os aspectos voltados para os códigos lingüísticos e literários na exploração do saber tradicional. Segundo Linhares apud Lopes:
A literatura de Cordel teve sucesso, em Portugal, entre os séculos XVI e XVIII. Os textos podiam ser em verso ou prosa, não sendo invulgar trata-se de peças de teatro, e versavam sobre os mais variados temas. Encontram-se farsas, historietas, contos fantásticos, escritos de fundo histórico moralizantes, etc., não só de autores anônimos, mas também daqueles que, assim, viram a sua obra vendida a preço, como Gil Vicente e Antônio José da Silva, o Judeu. Exemplos conhecidos de literatura de Cordel são histórias de Carlos Magno e os Doze Pares de França, A princesa Magalona, histórias de João de Calais e A Donzela Teodora (LINHARES, 2006, p. 325).
Segundo o cordel, a cultura popular brasileira vem se transformando tanto em pesquisas nacionais quanto estrangeiras, dando consistência ao fenômeno cultural de um povo nordestino. Sendo assim a literatura de cordel vem através de uma linguagem típica de um povo que conserva a sua origem expressiva dando êxito a sua regionalidade. Os estudiosos lutam para manter a expressão legítima de um povo sofrido, tendo a sua regionalidade e ideologia, refletindo-se incerto climático. Graças à literatura de cordel que se anuncia por poesia, o sofrimento de um povo nordestino pode-se passar por meio da narrativa, resgatando a cultura popular, ou seja, uma expressão da região de um lugar com a sua linguagem popular.
Os meios no qual a literatura de cordel, chega ao nosso conhecimento, são feito através de jornais propriamente dito, do rádio, da TV e levados pelos vendedores ambulantes, às feiras do interior e mercado. Além de resgatar a cultura de um povo, a literatura de cordel diz respeito a auxiliar a alfabetização, pois se sabe que o nordestino é carente de leitura. A literatura de cordel é um acontecimento de cultura brasileira que vem sendo questionada em universidade, no país e no exterior, vivenciando a própria literatura de cordel, por meio de folhetos ou na apresentação dos cantos, pela televisão, no noticiário do dia-a-dia.
Em termos simples, cultura no campo etnológico é o modo de viver típico, o estilo de vida comum, o ser, o fazer e o agir de determinado grupo humano, desta ou daquela etnia. Há diferentes posições dos antropólogos de nosso tempo sobre cultura. Para fins didáticos, podemos distinguir quatro tendências:
Há os que vêem cultura como sistema de padrões de comportamento, de modos de organização econômica e política, de tecnologias, em permanente adaptação, em vista do relacionamento dos grupos humanos com seus respectivos ecossistemas; há os que tratam a cultura como um sistema de conhecimento da realidade, como o código mental do grupo, não como um fenômeno material, mas cognitivo; há também os que encaram a cultura como um sistema estrutural, em que o eixo de tudo é a bipolaridade natureza-cultura, tendo como campos privilegiados de sua concretização o mito, a arte, a língua e o parentesco. Por fim, há os que entendem cultura como sistema simbólico de um grupo humano, sistema que só poderá ser apreendido por outro grupo por meio de interpretação e não por mera descrição (VANNUCCHI apud LOPES, 2008, p. 119).
Percebe-se que para identificar o cordel em uma ideologia que ele reflete o poeta popular nordestino, típico conservador, dá a sua forma de expressar por meio de uma linguagem e conceitos que ali transparecem com espontaneidade. Dentro da linguagem de cordel, abrangem as diversas características regionais, como a beleza das variedades ecológicas, com seus vales úmidos, suas regiões serranas, sertões, chamada de caatinga, além de sua extensa costa marítima de praias encantadoras. Sendo assim, a literatura de cordel não poderia deixar de ser sensível a essas variações regionais.
Os grandes leitores de cordel são em sua maioria pessoas residentes naturais do interior nordestino, que vivenciam a linguagem de cordel, principalmente nos folhetos mais antigos, pois traz uma linguagem coerente a sua realidade e os problemas do homem do campo. Assim a literatura de cordel guarda no tempo a sua forma como o homem vive no seu “habitat”. Pode-se afirmar que os nossos poetas populares são exatos no que se refere às informações principais dos acontecimentos como: O ataque de Lampião a Mossoró, essa literatura é divulgada através dos romanceiros popular, podendo construir toda a episódio, por intermédios dos folhetos que tínhamos às mãos.
Para a literatura de cordel ser uma informação de fontes históricas da vida real, constitui fatos precisos da história de um povo nordestino, passando essas informações contidas e transformadas em poesia e canções. Com passar do tempo à literatura de cordel foi se aprimorando com novas técnicas, dando mais êxito a poesia e as canções.
Há, entretanto que a xilografia consiste em aprimorar os folhetos da literatura de cordel, dando mais vida as gravuras. Estas marcam os traços de um povo sofrido pela seca do nordeste. Por mais contraditório que possa parecer à xilografia nordestina está cada vez mais abrindo uma promissora faixa de poder aquisitivo da classe média, com o custo de produção, está sendo distribuída em edições limitada.
Markj Curran diz que ,quando uma pessoa lê os folhetos de literatura de cordel ,se envolve com os fatos abordados na poesia. O leitor pode perceber que o estilo dos versos de cordel é a representação da vida de um povo sofrido que traz as marcas de uma vivência apanhada.
O cordel é a voz do povo com sua magia e do fantástico reino da imaginação, onde entidades e seres místicos circulam lado a lado com figuras reais de cangaceiros, coronéis, boiadeiros, beatos, donzelas, burocráticas, policia e políticos. E a literatura de cordel não é só fantasia, mas sim a realidade existente no sertão nordestino. O poeta de cordel passa o seu ponto de vista sobre a vivência de um povo sofrido através dos seus cantos e poesias.
A característica da noticia transmitida nos folhetos sempre inclui o comentário da época, são autênticos ao seu publico, pois cordel conhece muito bem suas idéias, seus problemas e aspiram as suas opiniões, anseiam as suas esperanças, vivem a sua vida. Já Jorge Amado fala que a literatura de cordel corresponde à informação de comentários criticas de uma sociedade. E a poesia do mesmo povo que concebe e consome a literatura de cordel, ao mesmo tempo transmite as informações para o mundo, no país, no Estado, na cidade, no bairro, e sua interpretação do ponto de vista popular. E ao mesmo tempo faz uma critica poética a realidade da vida do povo com a sociedade que limita, oprime e explora as populações pobres e trabalhadoras. Dessa forma a literatura de cordel passa a ser uma forma de educar o povo mostrando as diferenças sociais e culturais de uma sociedade.
O domínio da língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação do homem no acesso da comunicação, informação expressando e compartilhando as variedades lingüísticas na visão regional brasileira. Assim, considerando os diferentes níveis de conhecimento local e regional, a escola é a promotora dessa inclusão sociolingüística, progressivamente durante o ensino fundamental, sendo capazes de interpretar os diferentes textos e contextos literários nas mais diversas situações. Para Lessa apud Lopes:
Criações artísticas de ordem popular, pelo imprevisto da imaginação, pela delicadeza da sensibilidade, pelo poder de observação, pela força de expressão, pela intuição poética, pelo arrojo das imagens, pelo sentido de crítica, de protesto e de luta social que muitas vezes apresentam, estão a exigir a atenção dos estudiosos (LESSA, 1994, p. 9).
A língua é um sistema de signos histórico e social, o qual possibilita o significado e a realidade do mundo, aprendendo não só palavras mais também os significado e interpretação do meio e do espaço que cada um convive. Permitindo construir novas maneira de compreender o mundo com representações sobre o interior do funcionamento das linguagens. A necessidade de atender uma demanda implica numa revisão substantiva das práticas de ensino que tratam à língua como algo sem vida. As práticas da leitura possibilitam ao estudante a aprender a diversidade cultural que existem no convívio. Os textos é um conjunto de regras a serem aprendidas, aplicando na sua realidade os textos produzidos, lidos e ouvidos que retratam o seu universo. Formando um elo entre o literário e as formas lingüísticas regionais. A literatura cordel é uma cópia do irreal (lendas, mitos e crenças) e do real (problemas com a violência, drogas e prostituição), trabalhando o cotidiano do seres humanos em determinados locais ou situações, conforme o poeta popular Zezé de Boquim, na seguinte estrofe do cordel Violência e Juventude:
[...] Às vezes se ver um jovem
De aspecto adiantado
Na caneta é um doutor
Mas vive sempre drogado
Dizem que isso é avanço
Pois se morrer for descanso
Prefiro viver cansado.
(SANTOS, 2006, p.4)
O poeta popular, Zezé de Boquim, trabalhou uma situação real, que é o uso das drogas, para mostrar através da linguagem direta as suas conseqüências e a desmoralização do individuo perante a sociedade, ele trabalhou o meio que ele está inserido, o espaço geográfico e as suas seqüelas. O cordel envolve uma diversidade de formatos para serem incluídos nas metodologias de ensino da disciplina Língua Portuguesa em sala de aula, utilizando os assuntos atuais e de cunho social. A transversalidade da língua portuguesa pode ser abordada em duas questões: a língua como veículo de representações, concepções e a língua com seu valor sócio-cultural. Desta forma, sua atitude de instrumentação e intervenção social nos critérios e princípios metodológicos em projetos de estudos e pesquisas. Se adequado à linguagem em instâncias da oralidade, forma-se mais competente tratado na relação entre os interlocutores e a intenção comunicativa.
Estabelecer a motivação em relação a esse aspecto da cultura popular e organizar todo um processo de aplicação e estímulos em direcionamento ao fator principal, que é a apresentação, reconhecimento da origem e fruição da Literatura de Cordel. A pesquisa mostrou-se de suma importância, tendo em vista que os valores culturais para ser repassados no processo de ensino e aprendizagem de conteúdos curriculares.
As formas de preconceito da fala não têm nenhuma fundamentação racional, exige que se investiguem os valores e convicções da sociolingüística. Se relacionado à ausência de conhecimento e intolerância de um discurso com dimensão ideológica. O qual relaciona as marcas deixadas no contexto com as suas condições de produção, paradoxalmente servindo de formação ideológica. A escola tenta impor sua norma lingüística como se ela fosse, de fato, a língua banal a todos os 160 milhões de brasileiros, independente de sua idade, de sua origem geográfica, de sua situação socioeconômica de seu grau de escolarização, etc. O fato de no Brasil ser uma região de dialetos diferenciados em que cada uma tem a própria maneira de falar. É preciso que todas as instituições voltadas para a educação e a cultura, acabem com esse mito do português no Brasil e passam a distinguir a diferença lingüística d nosso país para melhor planejarem o dialeto de variedades não-padrão. Do ponto de vista cientifico o falante é completamente competente dessa língua, o individuo já nasce com sua própria fala, sem cometer erros, assim só se erra naquilo que é aprendido no seu cotidiano. Segundo Azevedo:

Qualquer língua expressa à cultura da comunidade que se fala, transmitindo-a através das gerações e fazendo circular no seio dessa comunidade. Por desempenhar tão ampla função, a língua é considerada um autêntico alicerce da estrutura social: além de sua utilidade mais óbvia como instrumento cotidiano da interação humana, ela possibilita a construção de conhecimento e sua armazenagem em arquivos sonoros ou impressos para uso na ciência, na educação, na literatura, no direito, na religião, no lazer, na administração publica, etc (AZEVEDO, 2008, p. 11).
É importante ressaltar que uma pessoa tendo pouco uso da leitura poderá trocar x por ch, j por g,s por z,assim por diante, o uso da escrita é codificado, já a fala será utilizada de acordo o meio que o individuo encontra-se, no contexto adequado,com as pessoas certas, no ambiente em que ele se encontra para utilizar uma linguagem forma ou não-formal. Conforme Azevedo, “não é escrever um texto segmentado correto, mas sim ter uma coesão dentro do contexto, acabando com a idéia de que escrever ortograficamente correto”. Cabe ao educador fugir das regras, gramaticais e dando ênfase ao conteúdo contido no contexto. Sendo assim, a união de letras do nosso alfabeto que se junta para transmitir em palavras, que não são coerentes com o sistema ortográfico, e o mesmo tempo se nenhuma interpretação fonética, no qual são possíveis representações d som. E assim que se dá o direito de se educar, dar a voz ao outro, reconhecer seus direitos de cada cidadão tem a sua origem, ou seja, cada região tem o seu próprio dialeto.
As alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo o acordo ortográfico de língua portuguesa, assinada em Lisboa, outubro de 1990, por Portugal, Cabo verde, Guiné-Bissau, Moçambique, e posteriormente por Timor Leste. Esse acordo e simplesmente ortográfico por tanto restringe-se a língua escrita não afetando nenhum aspecto da língua falada. A língua expressa à cultura da comunidade que a fala, transmitindo através das gerações envolvida dessa comunidade, tendo um conflito insuperável entre o ideal de uniformidade de um sistema ortográfico e a realidade oral de uma língua caracterizada pela variação social tanto quanto regional.
Segundo Antônio Houaiss afirma que, uma das mais importantes instituições ligada a língua portuguesa em qualquer forma de comunicação escrita. É fundamental para que todos conheçam as novas regras que vão reger a língua e para quem quer escrever corretamente. Por tanto as línguas são como são em virtude do uso que seu falante fazem dela, e não de acordos de grupos ou de decretos de governo.
Porém a língua e muito importante e tem um meio de comunicação ele é um patrimônio historicamente construído pelas sociedades que a falam e também em muitos casos a escrevem. O estudo da língua pode focalizar uma existência no curso do tempo considerada em sua sincronia sendo assim sua formação e evolução através da história que pode observá-la em sua diacronia.
A origem do português e o latim antiga língua falada no Lácio, região central península Itálica. Em meados do século VIII a.c, Roma fundada nessas terras e uma civilização em que iniciava com o passar do tempo dos séculos Expansionismo romano atingiram a suas fronteiras, atingido localidades mais e mais distantes.
Considera-se que a historia da nossa língua tem inicio do século VIII por seu momento que aparece registros escritos. Antes disso, porém e possível assinalar dois estágios de sua evolução: Uma pré-história quando o idioma, embora falado não e documentado e uma proto-história, época que as primeiras palavras do português surgem.
Em relação à ortografia abrange três ciclos, o da ortografia fonética (do século VIII e XVI) o ciclo pseudo-etiológico que foi no século XVI até 1904. O primeiro ciclo e arcaico quando a escrita procurava buscar-se na pronuncia os copistas não grafavam letra que não fossem pronunciadas. Ex: Como o caso do H iniciais. No fim desse ciclo a influência latina se fez sentir a escrita e começou a distanciar da pronúncia, escreveu-se nocte por noite e bructo por fruto.
No segundo ciclo pseudo-etimológico escrita sofreu forte influência greco-latina pois a grafia do latim passa a ser o modelo da escrita do português que absorve ortografias clássicas. É o dos RH (como rhomboida). TH (como em thatro) já o terceiro ciclo tem a fase simplificada que surgiu com o trabalho foneticista português Gonçalves Viana publicado em 1904 o livro ortografia nacional em que desenvolveu uma análise da historia interna da língua e estuda as tendências fonéticas. Qualquer o uso da língua esta sujeita a variações fonéticas, morfológicas, sintáticas, vocabulares. Por tanto que, sendo falada por uma população tão grande dispersa por localidades e diversas a língua portuguesa apresenta diferenças razoáveis entre as variedades brasileiras, européia e africana. Sua escrita segue hoje dois sistemas ortográficos, o do Brasil e o do Portugal adotado nos demais países.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo poderia ser caracterizado como um resgate cultural. Porém, acredita-se que resgate não seria o termo mais adequado, porque nos remete a ideia e traz algo de volta ao seu lugar, ou como definido pelo dicionário de língua portuguesa Aurélio, sinônimo de “restituir”, o que significa “Fazer voltar ou retornar” (FERREIRA, 1993), o que não foi o caso, pois até então, a literatura de cordel, assim como outras formas de expressão da cultura popular, não foram introduzidas no contexto escolar.
Da perspectiva apresentada nesse estudo apresentamos a seguir algumas considerações: a literatura de cordel se tingiu de uma tonalidade político-social, onde o preconceito e a discriminação continuam a subjugar. Ocorre, no entanto que este cordel que se fez crítica da realidade é entre educador e educando.
Buscou-se enfatizar a necessidade de uma reflexão sobre o cordel que não pare no tempo, que não se limite a exaltar sua produção tradicional sem perceber os rumos que toma a produção contemporânea. Neste sentido observou-se que a educação é vista nas lentes dos poetas populares. Adquirido uma outra dimensão, foi discutida a educação brasileira e um dos seus expoentes, Paulo Freire, de maneira critica, mas com a suavidade que o prisma da poesia desvela.
O Cordel diversificou em outras vertentes, coisa que para alguns estudiosos só podemos chamar de cordel o que se prende unicamente a escrita. É relevante mostrar essa a arte aos alunos do ensino fundamental e médio nos seus diversos tipos, tais como: escrita literária, música e repente. A importância de adolescentes entrarem em contato com essa literatura é justamente um alerta para o fato do multiculturalismo e não ficarem presos a formas literárias, bem como conhecerem um pouco do seu país e de sua cultura não tornando submissos a estereótipos literários que fazem sobre nossa cultura.
Outro expoente maior é dá continuidade ao processo de resgate da literatura de cordel que enfraqueceu no nordeste nas últimas décadas, sobretudo devido ao uso de novas tecnologias pela população que tirou um papel importante do cordel que era de informar o homem do campo, o qual só tinha acesso à informação, mídia, e educação por meio do cordel nas feiras populares do interior.
Evidente que a tecnologia trouxe uma nova perspectiva educacional para a região em questão e de forma alguma fica a repreensão ao seu uso. Entretanto, devido a outros fatores também, seu uso contribuiu ao longo do tempo para a perda do caráter informativo do cordel nas feiras populares, tornando essa arte mais um meio de expressão, de opinião, de literatura popular.
Levar o cordel para a sala de aula é contextualizar o aluno no meio social e fazer discurso com outras disciplinas como história, geografia e artes. É reafirmar a literatura de cordel como identidade não somente do povo nordestino, mas do povo brasileiro. Por conseguinte, é sempre importante ressaltar, que a sociedade contemporânea não valoriza a cultura popular, deixando-a a margem do processo educativo, mascarando por vezes, sua riqueza, esta perdida no tempo e no esquecimento.
Bibliografia
REFERÊNCIAS
AZEVEDO, José Carlos. Escrevendo pela nova ortografia. 2. ed. São Paulo: Publifolhas, 2008.
BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 42. ed. São Paulo: Loyola, 2006.
CASCUDO, Luís da Câmara, 1898-1986. Dicionário do folclore brasileiro. 9. ed. São Paulo: Global, 2000.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 26. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.
FREIRE, Paulo. Conscientização. 3. ed. São Paulo: Moraes, 1980.
LOPES, José de Ribamar (org.). Literatura de cordel: Antologia. 3. ed. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil S.A., 1994.
MENEZES, Virgínia Lúcio da F. Teatro em contra a Aids. Aracaju: Iracema, 2006.
PCNS. Parâmetros Curriculares Nacionais. Apresentação dos temas transversais e ética. Brasília: MEC/SEF, 1997.
PCNS. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.
SANTOS, José Marciano. Violência e juventude. Aracaju: Cordeliana Sergipense, 2006.
SILVA, René Mare da Costa. Cultura popular e educação. Brasília: Salto para o Futuro/TV Escola/SEED/MEC, 2008.
Publicado em 04/07/2011 15:54:00
Currículo(s) do(s) autor(es)
André B. de Santana, Camila Maria N.Vieira Santos, Josefa C. Sandes Irmã, Lenira P. de Santana e Lucivânia Maria S. Souza - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) -

A antiga escola moderna

Josiane Benedet

Autor de mais de 180 livros didáticos, paradidáticos e pedagógicos, Celso Antunes, mestre em ciências humanas e especialistas em inteligência e cônico, mostra na sua mais recente publicação, Antiguidades Modernas, a importancia de o professor repensar e qualificar o seu cotidiano pedagogico. Baseado em diversas crônicas, Antunes abre espaço para que o professor faca uma analise sobre temas tradicionais, antigos e modernos da educação.

Atualmente e coordenador geral de ensino de graduação das faculdades Sant'Anna, diretor do colégio Sant'Anna Global e professor da Universidade Sênior e revela, em entrevista exclusiva a revista Professo Mestre, porque as aulas de alguns professores ficam para sempre na memoria dos alunos.


Professo Mestre? Qual e a importância de ministrar aulas com emboco? Por que e necessário alcançar a mente do aluno pelo caminho do corpaço?

Celso Antunes? O professor no deve, necessariamente, estar emocionado. No se trata, como se poderia a primeira vista pensar, que ele deve ser um ator onde externa sentimentos de aguda emboco. Se ele os externar, sem duvida ajuda, mas no e nesse aspecto que o educar, atraves da emboco, se ressalta. O que se busca realçar e que toda aprendizagem significativa necessita, fundamentalmente, de cinco componentes na acho cognitiva do aluno, e um desses componentes e a emboco. Entoo a emboco, como os outros quarto paradigmas, e um dos fatores cruciais da aprendizagem. Isso no e um referencial desejavel, e um componente essencial do processo de aprendizagem da crianca, do adolescente e do ser humano de maneira geral.

PM? Além da emoção, quais são os outros componentes do processo de aprendizagem?

CA? A memoria, indiscutivelmente. O professor deve conhecer estratégias para poder trabalhar a memoria do aluno, claro que no uma memoria mecanica, repetitiva, mas uma memoria onde o aluno contextualiza, onde o aluno associe saberes novos aos que naturalmente ele possui. Além da memoria, a atenção. Ele deve saber trabalhar a atenção do aluno, descobrir formula para capta-la. E por fim a motivação desse aluno e fundamentalmente a linguagem. Entoo esses quatro mais a emoção são componentes estruturais do processo de aprendizagem.

PM? O que e uma boa aula?

CA? Uma boa aula e aquela que contempla a intensidade com que esses elementos sejam trabalhados. Fazendo uma compareço com o quadro educativo e o quadro medica o que seria um paciente com uma boa saude? Seria um paciente que realmente no apresentaria, em nenhum aspecto do seu cônico biológico, qualquer tipo de deficiência. Uma boa aula e aquela que, no seu aspecto cognitivo, no apresenta nenhuma deficiencia desses cinco componentes.

PM? Por que as aulas de alguns professores são mais sedutoras do que outras?

CA? Ha uma infinidades de rases, mas em linhas gerais, o que tenho observado e que a estrategia atraves da qual a aula e ministrada e um componente muito importante. A maior parte dos professores brasileiros, infelizmente, confunde aula com aula expositiva, e a aula expositiva e apenas uma maneira de dar aula. Sabendo ser colocada pode ser excelente, mas e obvio que se o professor conhece apenas essas estratégias e em todas as circunstancias a utiliza, e impossível que ele possa escapar da monotonia. E como o mecânico que precisa conhecer diferentes ferramentas porque a natureza do trabalho dele vai exigir em situações diferentes a oportunidade de uso diversificado e isso tambem ocorre com o professor. A ferramenta do professor e a aula, mas se ele tem apenas a aula expositiva como ferramenta muitas vezes isso e fator de monotonia, por isso às vezes o aluno tem um grau de motivação na primeira aula do dia que no apresenta no final do dia e assim por diante, porque ha uma repetitividade de conceito nesse processo.

PM? E como o professor pode tornar a aula mais sedutora?

CA? Uma das outras formas de dar aula que ele poderá desenvolver, além da aula expositiva, e trabalhar projetos. Por exemplo, os projetos na verdade parte de um desafio, de situações problemas e os alunos são orientados a buscar caminhos e respostas, interagindo entre si nessa busca, que naturalmente e mediada pelo professor. Alternativa são os chamados jogos operatorios onde a situação problema e colocada de uma maneira similar a um desafio, mas que envolve diferentes estratégias para esse alcance. Quando o professor e um arquiteto de desafios, quando ele e um propositor de problemas. Quando ele leva o aluno a se perguntar, a se educar, a dizer no a si mesmo, geralmente ele e um professor muito bem aceito e a aula acaba sendo uma daquelas aulas memoraveis que efetivamente seduz o aluno.

PM? Em um dos seus artigos o senhor cita o jogo de palavras. Como o professor pode utilizar esse método em sala de aula?

CA? De uma maneira muito simplificada, se eu disser a você: "Amanhã? eu no vou passear porque vou chover", eu estou concluindo essa afirmação sem propor nenhum desafio, ela e apenas uma informação que você assimilara, mas se eu alterno a ordem das palavras e digo algo como "Passear amanhã? chover se vou no", para que você, juntamente com seus colegas estruture e de ordem, portanto de sentido a essas palavras aparentemente soltas, mas que integram um todo, você esta se reperguntando, você esta desafiando. Entoo a essencia do jogo de palavras e a proposição de desafios, de questões que levam o aluno a construir soluce e respostas. Ele despe de palavras, mais ou menos, como quem tem peca de um quebra-cabeca no devidamente montado, só que essas pecas são naturalmente palavras que voo compor a sentença, mas que ele construirá.

PM? Entoo, nesse tipo de aula, o professor e um facilitador...

CA? O professor verdadeiramente educador e sempre um mediador e nesse tipo de aula ele e efetivamente o mediador. Ele levou a situação problema, instrumentalizou os alunos para buscarem a resposta. Esses alunos sabem de quais instrumentos despe. Mas realmente ele esta atuando como um desafiador, como um verdadeiro arquiteto de desafios. Nesse contexto a aula acaba se tornando naturalmente mais atraente, mais interessante.

PM? O professor busca ministrar aulas menos cansativas para os alunos. E como ele pode fazer para no cansar-se tambem?

CA? Na verdade, embora o objetivo de se trabalhar em projetos, trabalhar com jogos operatórios seja o aluno e o ensino eficiente, inegavelmente o maior beneficiário disso tudo e o professor. Em primeiro lugar porque, na medida em que ele e um propositor de desafios diminuem muito a carga ver balizadora dele. No vai a cinco aulas fazer cinco discursos. Em segundo lugar, na medida em que ele dispôs aquele aluno num esquema de motivação, de interesse, de participação, ele no tem aquele desgaste de cobrar uma atenção, de impor uma rigidez e nem perceber, no desanimo do aluno, quase que um convite ao seu tedio também. O professor que trabalha assim chegara à noite cansado too somente pelas horas que ficou em PE, mas no existe aquele cansaço de uma irritabilidade provocada pela tentativa de construir a forca uma tenso que espontaneamente no se tem.

PM? O professor deve apoiar-se naquelas lembranças do passado, de quando ele era aluno, para dar aulas mais contagiantes?

CA? No deve. Ate creio que e uma rotina mais ou menos comum, mas no deve. Eu respondo com uma metáfora: se você hoje, com qualquer problema de natureza biológica, qualquer doença, procura um medico e ele diz "olha eu vou tratar você como o meu avo medico me tratou", você sai correndo desse consultório porque a medicina evoluiu muito, a farmacologia teve um progresso absolutamente espetacular. Na educação, de forma alguma e diferente. O que se pensava sobre memoria, o que se pensava sobre atenção, aula e motivação ha 20, 30 anos e muito diferente do que se pensa hoje, entoo e obvio que se ele teve um professor extremamente talentoso, que se emocionava, assumir as qualidades dessa pessoa, com o que hoje se sabe, ele estaria fazendo a composic?o ideal. Voltando a metafora, voce ter no medico de hoje a paix?o, o entusiasmo, o interesse por voce, do medico de antigamente mas com a tecnologia da medicina de agora, ai sim seria ideal. Mas aquela copia literal seria passar por cima de tudo quanto de novo se descobriu.

PM ? O que nunca vai deixar de ser antigo na sala de aula?

CA ? Nunca sera antigo o professor n?o responder o que o aluno pode por si mesmo descobrir. Isso sempre sera uma estrategia extremamente significativa. O professor nunca pode pensar-se assassino da curiosidade respondendo aquilo que o aluno pode sozinho descobrir, mas tambem, ao lado disso, nunca sera antigo numa sala de aula o entusiasmo, paix?o pelo que se faz, percepc?o do progresso do aluno e entusiasmo por esse progresso. Isso nunca envelhecera, indiscutivelmente.

PM ? As lembrancas da escola influenciam o aluno na vida adulta?

CA ? Ele carrega essas lembrancas de uma maneira muito forte e mesmo quando pensa que n?o esta as carregando, as vezes na maneira como ele segura uma caneta, como se dirige aos colegas, ele pode n?o ter consciencia da lembranca, mas por detras desses atos sempre esta um professor, esta uma aula, esta um texto que ele leu. As marcas e as lembrancas da escola s?o extremamente fortes e poucas vezes temos plena consciencia disso mas, incontestavelmente, esses professores est?o sempre atras daquilo que fazemos. Portanto, nega-la e como voce negar a importancia da memoria na aprendizagem ou negar a importancia da linguagem, ou mesmo da motivac?o, ou ainda da atenc?o.

PM ? Muito se discute a influencia do professor sobre o aluno. E a influencia do aluno sobre o professor?

CA ? Esse e um dos campos mais novos da educac?o.Um pensador chileno, que esta realmente em evidencia, Maturana, sempre dizia que havia referencias e cuidados com respeito a influencia do professor sobre o aluno, mas que na verdade, seres humanos s?o interdependentes, e da mesma maneira como num conceito, eu diria, ate ecologico, que o solo depende da planta mas a planta tambem depende do solo. E muito dificil perceber que possa existir um e outro sem interac?o. Um modifica o outro, e isso e absolutamente verdadeiro em relac?o ao aluno para o professor. Isso n?o significa dizer que essa imagem esteja consciente, mas e obvio que, na maneira como somos, aquele professor que evolui o faz por forcas das marcas e dos registros daquele envolvimento que ele teve com os alunos, e essa relac?o hoje e muito forte, muito reciproca e n?o e a toa que Maturana e um biologo, porque ele tirou esse conceito da propria biologia, onde no ecossistema, A depende de B e B depende de A. E o proprio Paulo Freire ja dizia isso tambem. E uma troca.

PM ? Quais s?o as principais barreiras no processo do aprendizado?

CA ? A principal barreira no processo do aprendizagem e o professor ainda acreditar-se proprietario de um saber, cuja finalidade e transmitir aos alunos, esquecendo de identificar que esse saber se banalizou, que hoje e o encontro na Internet, que hoje eu vivo num mundo onde ha multiplos canais de televis?o. Um material escolar, de maneira geral, e muito bem formado, ent?o aquele professor repetidor de saberes, tem para cada aula aquele tema e aquela pilula, e realmente acaba sendo um professor muito pouco sedutor. Portanto ele esta impondo uma barreira imensa na aprendizagem, porque esta indo na contram?o daquilo que realmente o aluno precisa para crescer.

PM ? Para que o aluno realmente aprenda, o senhor afirma que e necessario que ele tenha liberdade interna. O que quer dizer?

CA ? Ele e o agende essencial no processo de construc?o do seu saber. O saber n?o e algo que venha de fora, a aprendizagem se constroi com aquilo que eu sei e com aquilo que e colocado em relac?o ao meu ambiente. Ent?o, na verdade, essa liberdade e no sentido de fazer com que o saber que o professor transmite, n?o pode pretender que seja o saber que o aluno adquire. Aquele saber se transforma com os saberes que o aluno tem, ent?o, isso significa a liberdade. Cada aprendente precisa ser livre para aprender, porque ele e o agente construtor da sua propria maneira de aprender e dos proprios saberes que constroi.

PM ? De que forma os professores podem despertar a consciencia de liberdade nos alunos, como o senhor cita no livro Antiguidades Modernas, ensina-los a pensar seus proprios pensamentos?

CA ? Sendo um professor interrogador, desafiador. Um professor que se negue a assassinar a curiosidade do aluno apresentando-lhe uma resposta pronta. Em outras palavras, um professor onde a maior parte das suas interlocuc?es terminem com pontos de interrogac?o e n?o com pontos de exclamac?o. N?o adianta eu lancar o desafio se eu n?o mobilizo recursos para que o aluno possa caminhar para o desafio. Ent?o, eu preciso ser um levantador de quest?es, realmente trazer muitos pontos de interrogac?es mas mostrar caminhos para faze-los pontos de exclamac?o.




Unespar deverá ser centro de excelência para formação de professores

A Universidade Estadual do Paraná (Unespar), que deverá ser credenciada pelo Conselho Estadual de Educação ainda neste primeiro semestre, deverá ser um centro de excelência para a formação de professores. Esta é a intenção do governo estadual para a nova universidade que será formada a partir da união de sete faculdades estaduais e mais a Academia Policial Militar do Guatupê, localizada em São José dos Pinhais. A criação da Unespar foi estabelecida pela Lei Estadual 13.283, de 25 de outubro de 2001, mas somente agora, mais de uma década depois, começa a sair do papel, para se tornar a sétima universidade pública do estado.

“O Paraná e o Brasil têm carência de professores. Queremos contribuir para a formação de professores qualificados e, desta forma, para a melhoria tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio”, afirma o secretario de estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal. Entre os 64 cursos de graduação ofertados atualmente pelas instituições que formarão a Unespar, 33, ou seja, mais da metade, são licenciaturas. “É uma universidade que nasce vocacionada para a formação de profissionais para o magistério”, destaca o secretário.

A Unespar será constituída pela união das faculdades de Apucarana (Fecea), Paranavaí (Fafipa), Campo Mourão (Fecilcam), União da Vitória (Fafiuv) e Paranaguá (Fafipar). A unificação também envolve a Escola de Música e Belas Artes (Embap), da Faculdade de Artes do Paraná (FAP), de Curitiba, e da Academia Policial Militar do Guatupê, localizada em São José dos Pinhais.

A instituição iniciará suas atividades com 600 professores, 12 mil alunos, 64 cursos de graduação, 36 de especialização, dois de mestrado, além de um doutorado. Estas características farão da Unespar a segunda maior universidade do estado, atrás apenas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ao considerar o critério de vagas de graduação presencial que são ofertadas anualmente. A UEM disponibiliza cerca de 3.250 vagas.

Para que seja finalmente implantada, no dia 15 de dezembro foi formada a Comissão de Avaliação Externa, que irá analisar a documentação para a criação da universidade num prazo de 90 dias. A ideia é que ainda este ano seja realizada a eleição do primeiro reitor, pela comunidade acadêmica, e também o primeiro vestibular da nova instituição.

Para que o projeto se consolide de forma positiva, alguns desafios ainda precisarão ser superados, como o trabalho de pesquisa e melhoria da qualidade dos cursos, que dependerá de investimentos. A unificação das instituições deverá gerar economia para o governo do Estado. “Em Curitiba, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) está distribuída em três edificações, todas alugadas a um custo de R$ 50 mil por mês. Vamos reestruturar e criar um espaço novo”, afirma Leal. No interior, as faculdades de Paranaguá, União da Vitória e Campo Mourão já receberam os primeiros investimentos para o novo projeto.

Foto: Faculdades de Artes do Paraná, em Curitiba, que integrará a Unespar.


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Educação sentimental


Wanda Camargo

Atualmente, pensadores de diversas áreas têm se manifestado sobre a crescente “sentimentalização” das pessoas em temas ligados ao conhecimento, ou seja, a crença de que emoções e percepções podem, por si só, substituir o estudo sério e aprofundado, como se fossem suficientes boa vontade e boas intenções para garantir o domínio técnico ou intelectual sobre quaisquer assuntos.

Em razão disso, vemos organizações estabelecendo em seus projetos a necessidade de consciência, por parte dos envolvidos, da diferença entre propósitos (expressões de desejo) e possibilidades (viabilidade concreta). Educadores, por vezes, também sucumbem à tentação de nortear-se mais por crenças e expectativas, e menos pelo rigor estritamente científico. Isso pode ocorrer, inclusive, na definição efetiva do aprofundamento do conteúdo para, e o modo de, ensinar, que é a tarefa fundamental do professor e essencial para que escolas possam oferecer ensino de qualidade.

Instituições de ensino superior necessitam proporcionar as condições para o pensamento livre, a busca do conhecimento, o debate, exercício da reflexão e da crítica. E devem, à sociedade, a formação de profissionais competentes tecnicamente; o jovem que ingressa em uma faculdade quer, legitimamente, qualificar-se para o mercado de trabalho e melhorar sua condição de vida.

No entanto, o professor tem estado, ao compor seu “programa”, envolvido em declarações absolutamente genéricas de desejo, as quais, embora demonstrem seus bons sentimentos, raramente serão factíveis. Se, por um lado, aumentou sensivelmente a demanda sobre os professores, pois se deseja um país mais competitivo do ponto de vista internacional, por outro houve uma ruptura no consenso do que vem a ser uma educação de qualidade, já que hoje muitos grupos, fora do segmento educacional, e até mesmo pertencente ao econômico, como o Banco Mundial, opinam sobre o tema, e cada um deles tem sua visão específica.

Novos alunos ingressam hoje na escola, advindos de camadas sociais que anteriormente não contavam com amplo acesso, trazendo valores inéditos, culturas e diferente contexto hierárquico, mudando a relação do docente, cuja formação não incluiu, salvo honrosas exceções, este preparo com a própria escola. Tal aluno, assim como todos os demais, é usuário da internet e da televisão, que facilitaram o acesso à informação, muitas vezes superficial e carecendo de base científica, mas que obriga o professor a uma crescente consulta aos meios digitais relacionados às suas disciplinas, inclusive atendendo estudantes durante fins de semana, diminuindo o tempo dedicado à leitura de livros, periódicos e artigos científicos propriamente ditos.

Seu tempo de lazer, de dedicação à família e aperfeiçoamento cultural é indiscutivelmente baixo, e, se a isso agregarmos a crescente onda de violência que permeia o ambiente escolar (e outros da sociedade, porém é este que choca mais, por envolver seres ainda em formação), e ainda o fato de, socialmente, esperar-se do professor a formação do aluno “crítico, reflexivo e investigativo”, com o adendo premente de “ensinar a pensar”, mesmo que as providências práticas neste sentido estejam perigosamente próximas de zero, não se pode estranhar que este seja conhecido como o trabalhador da contradição.

O magistério tem estado na dependência, infelizmente, da fé do ministrante em alguns passos que poderiam garantir o atingir de seu objetivo, constitui uma das profissões de nível superior – exigindo inclusive especialização - de mais baixa remuneração no cenário brasileiro, e necessita urgente melhoria na formação e no exercício, além de valorização por parte da comunidade.

Em certo sentido é necessário, sim, ajudar o sol a nascer todas as manhãs, como acreditam certos aborígenes; e a vontade coletiva pode, efetivamente, interromper guerras estúpidas. O sonho e a fantasia são partes indispensáveis do nosso arquétipo.

Todavia, o compromisso da educação é com a realidade palpável, o educador propaga o conhecimento estabelecido, o cânone, “... a função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver” (Hannah Arendt). E dessas matérias também são feitos os sonhos.

Wanda Camargo
assessoria@unibrasil.com.br
Presidente da Comissão Central de Processo Seletivo da UniBrasil.

Pais devem ficar atentos a itens abusivos em listas de materiais escolares, orienta Procon

Neste mês, um dos maiores desafios para pais de alunos de escolas públicas e particulares é a compra dos materiais escolares. Na busca pelo menor preço e pela melhor condição de pagamento, é preciso ter cautela quanto aos itens da lista que podem ser abusivos, em alguns casos. O alerta é do vice-diretor do Procon de Brasília, Luis Cláudio da Costa.

“Material abusivo é todo aquele que não tem conexão com a atividade pedagógica”. Ele informa que a escola pode até pedir papel higiênico, por exemplo, desde que seja destinado a algum exercício educativo. É obrigação da escola informar em qual atividades de ensino o produto será usado.

O vice-diretor do Procon orienta que, mesmo em caso de produtos lícitos, o consumidor pode negociar com a instituição.

“Se não estiver em condições de pagar, ele pode pedir para fornecer o material no decorrer do ano”, disse. Caso o problema não se resolva, ele pode acionar o Procon, que poderá aplicar as sanções necessárias. Da Agência Brasil.


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Currículo escolar está defasado

Karina Costa

Transformações contínuas estão acontecendo na sociedade, consequentemente na educação formal, mas o currículo escolar permanece seguindo os moldes do século XIX. Foi o que disse a doutora em Teoria e Desenvolvimento Curricular pela Simon Fraser University (Canadá) Maria do Céu Roldão em palestra realizada durante o 12º Educar Educador, que discute novos rumos para uma educação escolar mais qualitativa e inclusiva.

De acordo com a colaboradora da Unesco na América Latina, a escola vem transmitido o saber de uma forma muito estática e passiva. Alunos ouvem, decoram a matéria exposta pelo professor e, depois não conseguem ver uso naquilo que lhes foi ensinado. Para Roldão, a escola não deve se limitar a avaliar se o aluno aprendeu ou não a disciplina proposta, mas sim oferecer a ele elementos básicos que contribuam para seu crescimento.

"A escola tem de fazer um currículo diferenciado. Não se trata de tirar ou colocar novas disciplinas mas, saber trabalhar com o currículo que se tem. É importante ensinar o aluno a ir em busca da construção de novos conhecimentos e não apenas pegar o que já está pronto", acredita.

Mais do que construir conhecimentos, a educadora avalia que, questões ligadas ao contexto social, no qual a escola e o aluno estão inseridos, devem ser consideradas. Na sua opinião, o acesso e conhecimento artístico, científico, musical, cultural e às novas tecnologias reforçam a apropriação do aprendizado e podem despertar as potencialidades do aluno.

"O problema maior é não adaptar o ensino as necessidades do aluno. O que os professores fazem hoje nas escolas não pode ser chamado de ensinar. Ignorar a voz do aluno contribui para que o saber se torne inacessível", diz.

Para concluir, a doutora afirma que as escolas têm que repensar a situação atual de aprendizado. "Temos que modificar este quadro para que isso não se repita continuamente na educação. A escola tem de se evoluir e caminhar num objetivo comum que é o de tornar nossos alunos cidadãos e indivíduos competentes".

"A escola sempre foi chata"

Isadora Rupp

O consultor de educação e tecnologia, Eduardo Chaves, costuma dizer que sua paciência para assistir palestra alheia é mínima: não consegue se prender por muito tempo e logo fica entediado se o que está sendo dito não for extremamente interessante. É esse o paralelo que ele faz com a escola: a informação e as possibilidades atuais fizeram com que ela ficasse ainda mais desinteressante. Por isso, Chaves, que também é membro do programa Parceiros na Aprendizagem, da Microsoft, e já foi presidente do Instituto Lumiar, de São Paulo (SP), acredita que as escolas e os professores devem focar cada vez mais nas competências dos alunos e em uma educação individualizada. Ele conversou com a Profissão Mestre sobre as características desse novo formato e criticou o modelo “supermercado” de escola.

Profissão Mestre: No Brasil, já existe espaço para escolas inovadoras?

Eduardo Chaves:Estamos explorando isso. Passamos por uma série de mudanças na nossa sociedade, onde aquele modelo industrial foi encerrado. Não está muito claro quais características vão prevalecer, mas é evidente que aquele modelo antigo não vai funcionar. A nossa vida foi estruturada durante a sociedade industrial em estágios: até os sete anos a gente brincava. Do sete aos 21, aprendia. Depois trabalhava até os 60, 65 anos e, se ainda desse tempo, se divertia depois. Era tudo dividido em compartimentos: uma hora você se diverte, na outra aprende, depois trabalha e aí se diverte de novo. O que acontece na sociedade hoje é que esses limites entre diversão, trabalho e aprendizado ruíram. Na maior parte do tempo, você não sabe o que está fazendo. Muitas vezes você está trabalhando, divertindo-se e aprendendo. E acho que a chave para encontrarmos uma educação inovadora está aí. Do mesmo jeito que quem trabalha fazendo o que gosta o faz até se não fosse pago, temos de encontrar formas de realizar coisas interessantes e que contribuem para nosso crescimento e desenvolvimento pessoal.

Profissão Mestre: A educação individualizada é o caminho?

Chaves:A educação era personalizada antes da sociedade industrial. Nós não tínhamos megaescolas. Antigamente, aprendíamos no contexto da família e da comunidade. Se a criança queria aprender outras coisas, a família arrumava um tutor, um artesão, enfim, que ensinasse a habilidade. Não havia um algo que todo mundo deveria aprender. Aí veio a sociedade industrial; veio e regimentou tudo, dizendo que para aprender a criança deveria ir para a escola. A primeira grande falha é que antes se aprendia o tempo todo, agora é necessário ir para a escola. É como se fosse: até os sete anos você “não aprende”. E a escola ainda parece com a sociedade industrial. Tem aula de Português, Matemática, História, Geografia... E quando a criança pergunta: Por que eu tenho de estudar tudo isso? Não se sabe responder. A educação personalizada tem que ser assim: o que você gosta de fazer e aprender? É o interesse que dá motivação. Se um aluno diz que gosta de escrever poesia e o professor vai contra ele, vai talhar a vontade e fazer com que a criança não fique boa em Matemática e outras áreas. O docente deve construir o tempo todo em cima dos pontos fortes da criança. Quando um aluno vai bem em Literatura e mal em Matemática, o professor sempre diz: “vai estudar mais Matemática que é o seu ponto fraco, deixa o forte para lá”. E essa é a receita para o fracasso. A educação personalizada leva a sério o projeto de vida de cada um.

Profissão Mestre: Não é cedo enfatizar isso na infância?

Chaves:Cedo nunca é. Trabalhei com o Instituto Ayrton Senna por 10 anos e vi fotos do Ayrton Senna menino. Ele sempre estava segurando carrinho, depois tinha um de pedalar, com quatro anos ganhou um kart do pai. O menino era vidrado em carro. Ou seja, eles construíram em cima daquilo. Muitas vezes aprendemos elementos no decorrer do caminho que vira um subproduto do principal interesse. Não há uma idade “muito cedo”. Claro, podemos mudar sempre. Eu mudei de interesse. Várias vezes você muda o seu projeto de vida. Isso pode começar a ser conversado com as crianças muito cedo. Fazemos correções de rumos a vida toda. O principal desafio da educação é definir um projeto de vida e transformar ele em realidade.

Profissão Mestre: Mas o direcionamento na vocação não restringiria a possibilidade de mudar o rumo?

Chaves:Houve uma época em que isso poderia ser verdade. Quando eu cresci em Marialva, nos anos 1940, havia poucas universidades e poucos modelos de profissões para observar. Era preciso que a escola apresentasse várias possibilidades, porque, fora da escola, não tínhamos oportunidades de travar conhecimento. Funcionava em um contexto supermercado: vamos mostrar tudo o que é possível e ele decide. Hoje a sociedade é diversificada, com uma imprensa rica, com televisão e internet.

Profissão Mestre: Para chegar ao ensino de competências, é interessante que o currículo mude?

Chaves:Absolutamente. O que aconteceu no Brasil com os Parâmetros Curriculares Nacionais foi tentar mudar, mas preservando o legado anterior. A escola trabalha as matérias, temas transversais e mais um monte de coisas. Dificilmente ela acerta. Não há tempo disponível para o professor e eles nem estão preparados. Não há a menor dúvida de que o currículo tem de mudar, esquecendo essas disciplinas e focando em competências. O que eu preciso para viver bem? Certamente é necessário saber ler, escrever e calcular, mas é preciso, essencialmente, conviver bem. Saber seus direitos, negociar objetivos, resolver conflitos, administrar o tempo, comunicar-se bem em uma ou mais línguas estrangeiras. Se você quiser saber nadar ou andar de bicicleta, o que tem de fazer? Pular numa piscina e subir em uma bicicleta. Não adianta eu ler sobre isso, tenho que fazer, provavelmente cair e ter medo de me afogar, com alguém que me apóie.

Profissão Mestre: A escola perde tempo ensinando coisas que não são mais úteis?

Chaves:Claro. Por que a escola não dá condições para a pessoa aprender a falar em público? Resolver conflitos, administrar tempo, negociar objetivos? Que é o que interessa no mercado de trabalho. Hoje você chega na empresa e precisa fazer cursos sobre tudo isso. As pessoas pagam caro para desenvolver habilidades que poderiam ser estimuladas na escola.

Profissão Mestre: Não estão jogando responsabilidade demais para a escola?

Chaves:Estão jogando demais porque se fazem coisas que não precisariam mais ser feitas. A escola gasta 75% do seu tempo dando informações ao aluno que ele pode achar com extrema facilidade na internet.

Profissão Mestre: O fácil acesso alcança todas as classes sociais? Muitas escolas públicas, por exemplo, ainda estão longe de tal realidade. Qual a sua avaliação?

Chaves:É um problema que será resolvido com extrema rapidez. Os preços das máquinas estão barateando tão rápido que não vai demorar nem metade do tempo que levou para todo mundo ter uma televisão em casa. Em 2000, 98% dos brasileiros tinham TV, em 50 anos da chegada dela no Brasil. Computador será muito mais rápido. O governo federal está sendo um pouco conservador, prometeu comprar milhões e não comprou grande coisa até agora, mas os programas que existem já ajudaram muito. O que aconteceu é que quando foi proposto um computador de US$ 100 para cada aluno, a suposta medida assustou a indústria de modo que todo mundo começou a fazer máquina mais barata. Hoje você compra por R$ 500 no supermercado para pagar em 10 vezes. O preço de um computador, levando em conta que se pode comprar em prestação, é acessível.

Profissão Mestre: Existem problemas na hora de ensinar elementos mais próximos dentro da tecnologia?

Chaves:Sim, e isso é errado. Temos que ensinar aquilo que o Excel ajuda a fazer. Para que serve isso? Para fazer planilha. Mas para que serve a planilha? Você tem que mostrar contextos em que aquilo é útil. Mesma coisa com o Word. Serve para escrever. Mas o aluno argumenta que não tem nada para escrever. Então, se o estudante não tem esse estímulo por parte do professor para contar histórias, não adianta. Em suma: tem que mostrar que aquilo é útil.

Profissão Mestre: Temos uma estrutura hierarquizada na educação. Geralmente as escolas que tentam algo novo são modelos isolados. No Brasil, é mais difícil montar currículos fora do padrão?

Chaves:Primeiro, a lei de diretrizes e bases abriu uma série de possibilidades para inovação. É possível trabalhar de uma maneira totalmente diferente das outras escolas e ainda cumprir o que ela exige. Trabalhei com a Escola Lumiar por muito tempo, que não é nada tradicional, e o currículo foi aprovado, já que englobava o ensino essencial. Não aproveitamos os espaços que a lei deixa, por costume, por inércia. Mas existem experiências inovadoras no Brasil. Trabalhei com escolas de Araxá (MG) e Rio das Ostras (RJ), que questionaram muito a Secretaria de Educação para colocar o mínimo do que é obrigatório. Esse pessoal negociou a redução. Se a escola não fizer isso, todo o espaço é ocupado com o que é obrigatório.

Profissão Mestre: Os professores reclamam muito do desinteresse dos alunos em relação à escola. Como o senhor enxerga esta questão?

Chaves:Se a pessoa não quer fazer nada e não se interessa por nada, isso vem do que a escola oferece. Fora da escola estas pessoas fazem e aprendem a fazer um monte de coisa. Há uma falta de sintonia entre o que a escola oferece de oportunidade de aprendizado e aquilo que elas querem. É preciso que a educação esteja mais sintonizada com o interesse que as pessoas têm. Na hora que você encontra oportunidade de aprender algo, em geral o problema da motivação está resolvido.

Profissão Mestre: Um estudo do Observatório das Favelas mostra que crianças e adolescentes que entram para o tráfico abandonam a escola imediatamente, com o seguinte argumento: o tráfico provém a elas algo mais palpável, o dinheiro. Por que isto acontece?

Chaves:Porque as pessoas, em um determinado estágio da vida, não conseguem separar o ganho imediato nem mesmo com os riscos envolvidos. A expectativa de vida dessas crianças é baixa. Mas isso é preciso ser discutido, sem dúvida. Estive em um debate no Rio Grande do Sul e as professoras de arte se juntaram para dizer que os alunos não queriam aprender arte, que elas tentaram fazê-los apreciar ópera, mas ninguém estava interessado. Que eles gostavam apenas de música popular. Eu disse para as professoras: se as crianças já estão interessadas em música, é um grande passo. Tem que começar de onde eles estão e diversificar aos poucos. Vai dar para chegar na ópera? Provavelmente, para a maioria das pessoas, não. Mas para algumas crianças esse início vai enriquecer muito o universo musical. Não adianta impor algo. Todos sabem que precisam saber ler e escrever. Mas às vezes a criança não se interessa. Então, pergunte se ela não quer ler algo sobre o time dela ou sobre a sua banda preferida. Tem de partir com algo que ela goste, mesmo que o conteúdo seja algo que você acha desprezível. É daí que ela adquire a habilidade da leitura e conhecimento.

Profissão Mestre: Com tanta informação disponível, a escola está ficando chata?

Chaves:A escola sempre foi chata! O problema é que antes não havia muita alternativa, e agora tem. Essa é a diferença. A gente tem tanta alternativa que ficar sentado uma hora ouvindo o professor falar sobre um negócio que não interessa para você é tortura. Temos de reconhecer que algumas pessoas aprendem bem assim, são tão disciplinadas que conseguem se sair bem. Às vezes é a coisa mais chata e eles ficam lá, prestando atenção e balançando a cabeça. Mas é difícil; a maioria das pessoas não tem essa tolerância.

Reportagem publicada na revista Profissão Mestre de março de 2010.
Editora das revistas Profissão Mestre e Gestão Educacional

Letras


Entrevista com Antonio Nóvoa :Não se pode ensinar tudo", diz especialista português

Para Antonio Nóvoa, aprovação de muitos novos conteúdos atrapalha escola no ensino do que é fundamental

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 23/04/2011

Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, e em História por Sorbonne, na França, o atual reitor da Universidade de Lisboa, o português Antonio Nóvoa, é considerado uma referência em ensino e aprendizado. Em suas palestras pelo mundo – e pelo Brasil - tem defendido que os conteúdos excessivos atrapalham o processo por não permitir reflexão e aprofundamento nem das novas disciplinas e nem das que já eram tradicionais. No caso dos novos temas impostos às escolas brasileiras, ele aprova a inclusão de música que julga “estruturante”. No mais, acha que o professor precisa ter formação e liberdade de escolha. Leia entrevista:

Educador português defende menos conteúdos obrigatórios e mais autonomia aos professores

iG: Nos últimos anos, o Brasil incluiu mais conteúdos no currículo da escola básica. O que o sr. acha disso?

Antonio Nóvoa: Tudo depende do tipo de conteúdos. Não se pode ensinar tudo. O fundamental é ensinar o que é estruturante na formação de um jovem, o que lhe permite ler e analisar o mundo, o que lhe permite continuar a aprender, o que lhe dá as bases para uma educação pela vida afora.

iG: Entre os que entraram estão cultura africana e educação financeira e, em agosto, música passa a ser obrigatório.

Nóvoa: O conhecimento das culturas do mundo e, sobretudo, a capacidade de estimular o diálogo entre elas é absolutamente fundamental. Uma das grandes missões da escola é ensinar as crianças a se comunicarem umas com as outras. Mas não creio que a cultura africana, ou qualquer outra, devam ser automatizadas. O mesmo se poderá dizer da educação financeira. Situação totalmente distinta é a música. Aqui, sim, estamos perante um conteúdo que é estruturante da educação das crianças e dos jovens. A música é um elemento central da cultura e da formação das novas gerações.

iG: Como Portugal, Europa e o mundo de forma geral lidam com essa equação de ver cada vez mais conteúdos a ensinar?

Nóvoa: Ninguém lida bem com isso. Todos nos queixamos de que os programas e os currículos são excessivamente extensos. Mas todos nos dedicamos a acrescentar dia após dia mais matérias, mais conteúdos, mais disciplinas. É uma insensatez.
iG: O Brasil ampliou o tempo de educação obrigatória, que ia dos 6 aos 14 anos e agora vai dos 4 aos 17 anos. Isso significa criar condições para que todos os conteúdos sejam dados de forma adequada?

Nóvoa: Não. Esse alargamento é muito importante e acompanha as evoluções mundiais. Mas, por si só, não resolve os problemas da organização do currículo, das disciplinas e dos conteúdos a ensinar.

iG: Professores e gestores que recebem a imposição da lei podem agir de que forma para promover a melhor educação possível?

Nóvoa: Não devemos ter quaisquer ilusões. As reformas, os programas, os conteúdos, a pesquisa e a gestão escolar são muito importante. Mas nada substitui um bom professor. É por isso que os professores devem ter uma excelente formação, que lhes permita agir com autonomia e independência, e bom senso, na escolha dos meios pedagógicos e dos conteúdos de ensino. Sem liberdade dos professores não há qualquer possibilidade de melhorar a educação nas nossas escolas.


A outra fumaça

Enviado por Cristovam Buarque (*)

Fonte:Análises do Corumbá

O Brasil deu um salto civilizatório ao proibir em escala nacional a fumaça de cigarros em ambientes fechados. Milhões de vidas serão salvas graças a esta decisão nacional. É surpreendente que outros problemas igualmente graves não sejam enfrentados com a mesma vontade, para que o salto seja ainda maior.

Não se vê como igualmente grave, o problema do analfabetismo de adultos que já deveria estar resolvido há décadas. O fumo mata por câncer, o analfabetismo impede a vida plena de um adulto na vida moderna.

Mesmo assim, continuamos aceitando a morte cívica de dezenas de milhões de brasileiros ao longo das últimas décadas. Não percebemos que, na semana passada, completamos 122 anos de República, com uma bandeira que não é reconhecida por 13 milhões de brasileiros adultos.

Eles não sabem a diferença entre as palavras “Ordem e Progresso” ou quaisquer outras que forem escritas.

Nem nos incomoda tanto quanto a fumaça de cigarros, o fato de quase 10% de nossas crianças chegarem a 4ª série sem saber ler. Por ser tratado pela média, esse percentual não reflete a gravidade do problema ainda maior sobre as camadas pobres.

Estamos enfrentando o grave problema de cigarro na saúde pública, mas fechando os olhos à permanência da pobreza, característica da sociedade brasileira.

Aceitamos como natural que milhões de crianças trabalhem em vez de estudar. Mesmo que livres do fumo, essas crianças não terão futuro melhor do que a vida dos fumantes.

Uma parte delas trabalha na prostituição. Não estamos vendo isso como uma tragédia ainda pior do que o fumo. Se víssemos, seria possível uma ação tão forte como a lei antitabagista, abolindo de vez a possibilidade desse tipo de condenação de nossas crianças.

*Cristovam Buarque é professor da UnB e senador do PDT-DF

Corumbá

Eu quero em 2012


A energia do Amor


A energia de maior frequência do universo em que vivemos é o amor. Ao emanarmos amor vibramos em alta frequência. Isso significa dizer que numa escala de zero a dez se vibramos amor a nossa nota é dez!

Estudos científicos provaram que pensamentos e emoções são energias físicas que têm grande impacto no desempenho dos sistemas biológicos, físicos, emocionais e espirituais. O amor é uma das formas de energia à qual a mente humana responde mais rapidamente quando estimulada. Ele é tão poderoso que até mesmo curas são praticadas usando apenas a energia do amor.

Criamos com a nossa consciência, e independente do tipo de energia que emitimos, seja ela negativa ou positiva, recebemos de volta exatamente os mesmos correspondentes vibracionais, influenciando, dessa forma, o universo dentro e fora de nós.

Em 1991, uma organização americana, chamada HeartMath, interessada em explorar o poder das emoções sobre o corpo humano e o impacto que estas têm no mundo em que vivemos, realizou a seguinte experiência: eles isolaram o DNA humano em um copo de béquer e fizeram uma série de testes envolvendo cinco pessoas treinadas em aplicar um tipo de emoção conhecida como Emoção Coerente. A técnica consiste em se fazer silêncio com a mente, focalizar o consciente no coração e enviar emoções positivas, ou seja, energia do amor.

Os resultados foram surpreendentes e inegáveis: Sem que houvesse nenhum contato físico dos participantes com as amostras de DNA, estes foram capazes de influenciar e alterar as moléculas de DNA do béquer. Portanto, ficou provado que as emoções humanas são capazes, até mesmo, de alterar o DNA da célula.

Ora, de certa forma, as ciências só vêm a comprovar fatos que nem sempre soubemos como explicar. Por exemplo, como é possível o ser humano ser capaz de erguer um automóvel sozinho, usando apenas as duas mãos, para salvar a vida de um ente querido? Entre outras justificativas, sabemos que nesses momentos um complexo mecanismo do sistema endócrino, conhecido como "luta ou fuga", prepara o indivíduo para ação liberando na corrente sanguínea hormônios poderosos capazes de nos dar os poderes de: "Shazam!". No entanto, sabemos que a energia capaz de desencadear a série de reações químicas e hormonais associadas a essa força descomunal é a energia do amor! Não é incrível?!

Mas a energia do amor não está presente somente entre os seres humanos. Quem já não ouviu falar de estórias de pessoas que foram salvas pelo amor e carinho dos animais? Ou casos incríveis como o do leopardo que, por defesa, após matar uma fêmea do macaco babuíno, adota e protege o macaquinho babuíno nascido no instante em que a mãe foi morta?

Exemplos como esses comovem e nos fazem pensar: Estaríamos nós fazendo bom uso do poder que a natureza nos deu? Seríamos capazes de influenciar nossas mentes a viver com mais frequência sob a emoção do amor?

Aparentemente, segundo estudos feitos pelo Professor Semir Zeki na Universidade UCL, amor e ódio partilham do mesmo circuito cerebral. A única diferença entre os dois é que partes do cérebro relacionadas ao raciocínio não são desligadas sob a emoção de ódio, enquanto o julgamento é severamente afetado pelo amor. Se amor e ódio dividem o mesmo circuito cerebral e o raciocínio lógico não é desligado sob o efeito do ódio, acredito que aí resida o livre arbítrio e a chance de nos movimentarmos, conscientes, em direção a energia do amor.

É claro que nem sempre é tão simples assim, pois às vezes nos vemos diante de desafios tão intensos e complexos, que estes turvam a nossa visão e raciocínio. No entanto, só para partilhar mais um pedacinho de ciência, segundo Jill Botle Taylor, neuroanatomista afiliada à Universidade Escola de Medicina de Indiana, embora existam alguns programas emocionais que podem ser acionados automaticamente - por exemplo, a raiva - estes, uma vez detonados, os componentes químicos liberados pelo cérebro, provocando uma resposta fisiológica, levam menos de 90 segundos para percorrer a corrente sanguínea e serem completamente eliminados do sistema. A relevância desse fato é que após 90 segundos continuar sentindo raiva é uma questão de escolha. O que quero dizer com isso?

Bem, se algo o aborrecer, respire fundo e espere apenas 90 segundos, pois durante esse tempo você estará sob o efeito de componentes químicos que foram lançados na corrente sanguínea. Daí em diante, as chances de conseguir usar o bom senso e a razão, dissipar o sentimento da raiva ou do ódio e retornar à energia do amor são bem maiores. Pois lembrem, além da energia do amor ser a vibração nota dez, ela constrói, transforma, cura e nos faz enxergar o mundo com óculos cor-de-rosa. Nos tempos de hoje acredito que esse seja o sentimento e a energia que mais precisamos: o Amor!
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Rosanne Martins
rosannemartins@aol.com
Escritora e palestrante motivacional.

AUMENTE A SUA INTELIGÊNCIA

09/01/2012
Lair Ribeiro

Os hemisférios esquerdo e direito de nosso cérebro têm propriedades diferentes. O segredo do sucesso é balancear os dois.

Como a nossa educação valoriza o hemisfério esquerdo, o direito se inibe. Pode-se dizer que ele vai definhando pela falta de uso. Para reverter essa atrofia e obter um balanceamento, vamos nos concentrar na expansão do hemisfério direito, que é a porta de entrada para o inconsciente.

Quando as pessoas começam a desenvolver o hemisfério direito do cérebro, costumam dizer coisas como: “Eu pensava que era inteligente, agora vejo o quanto tinha para melhorar”. O que ocorre é uma mudança na referência que essas pessoas tinham.

Uma fonte de idéias

As grandes idéias vêm todas do hemisfério direito do cérebro. E, para o hemisfério direito trabalhar, você tem de estar relaxado.

Sabe como Albert Einstein descobriu a teoria da relatividade? Deitado numa rede, no fundo do quintal de sua casa, imaginando que viajava num raio de luz.

E sabe como Arquimedes descobriu o princípio que leva o seu nome? O rei ganhara de um vizinho uma coroa de ouro e Arquimedes, sábio da corte e reconhecido matemático, foi chamado para descobrir, sem destruir a coroa, se ela era mesmo de ouro ou se tinha prata misturada. Ele disse que isso era impossível. E o rei disse que, impossível ou não, ele tinha cinco dias para resolver o problema. Se não conseguisse, seria decapitado ao final do quinto dia. (Boa motivação, não?)

Arquimedes foi para casa, ba­talhou, batalhou, até que desistiu de resolver o problema e foi tomar um banho. Estava na banheira, quando, de repente, encontrou a solução para o problema do rei. Foi então que ele saiu nu pela rua gritando: Eureca! Eureca! Eureca! (achei, em grego). Ou seja, ao tomar banho, relaxado, ele teve a idéia de que a densidade da prata era diferente da densidade do ouro e, em conseqüência, iam afundar na água em tempos diferentes. Fazendo, então, uma nova coroa de ouro, para não destruir a original, e uma similar de prata, e submetendo-as a sucessivas avaliações dentro da água, ele descobriu o que ficou conhecido como o princípio de Arquimedes, graças ao qual as navegações, naquela épo­ca, se tornaram pos­sí­veis.

Veja só! Arqui­medes, dei­ta­do na banheira, e Eins­tein, deitado na rede.

Quem iria imaginar que grandes idéias, que impulsionaram a civilização para frente, nasceram de momentos de reflexão do hemisfério direito do cére­bro? Por isso é importante aprender a trabalhar com o hemisfério direito, que também está ligado ao nosso sistema emocional.

Ou seja: quanto mais você utiliza seu hemisfério direito, mais você modifica a sua percepção. E, à medida que você modifica a sua percepção, mais você modifica a sua realidade. — Percepção é realidade; tudo o mais é ilusão.




Diário Oficial publica portaria com regras para o ProUni 2012

Agência Brasil

A cinco dias do início das inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni) – que se destina a conceder bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica em instituições privadas de educação superior –, o Ministério da Educação publicou hoje (9) portaria, no Diário Oficial da União com as regras do processo seletivo. As inscrições serão feitas apenas no site http://siteprouni.mec.gov.br, de 14 a 19 de janeiro.

De acordo com o documento, para concorrer à bolsa, o candidato deve ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2011 e obtido nota mínima de 400 pontos. Também é necessário que o estudante tenha cursado o ensino médio em escola pública. Caso o candidato tenha passado tanto por instituições públicas quanto privadas, é necessário provar que teve bolsa integral para cursar o ensino particular.

Para a pré-seleção, a análise será feita da maior para a menor nota. Mas a vaga só estará garantida após participação e aprovação nas fases seguintes do processo. As instituições de ensino superior cadastradas deverão divulgar o número de bolsas para cada curso e turno oferecidos.

A portaria define ainda que professores da rede pública também podem se inscrever no ProUni. Porém, estão autorizados apenas a pleitear bolsas em cursos de licenciatura e pedagogia. O objetivo do governo é incentivar o aperfeiçoamento dos profissionais de educação, sobretudo, os que estão em sala de aula.

As bolsas integrais contemplarão os candidatos que tenham renda inferior a um salário mínimo e meio (R$ 933). Para quem tem renda até três salários mínimos (R$ 1.866), podem ser concedidas bolsas de 25% a 50%. Os indígenas, negros, pardos e pessoas com deficiência devem pleitear bolsas referentes a ações afirmativas, segundo a portaria.

Estudante de direito no Centro Universitário UDF, em Brasília, Heitor Cristian Pereira Kalil, de 18 anos, disse que o ProUni o ajudou a chegar ao ensino superior. “A maior parte das pessoas que eu conheço não conseguiriam fazer faculdade se não fosse o ProUni. Eu, por exemplo, não posso pagar um curso que custa R$ 1,3 mil por mês. O ProUni que me ajuda a realizar um sonho”, disse o universitário.

STF dá liminar que garante 28,86% a aposentados da UFMT

Decisão garante recebimento integral de proventos

STF

Ministro Cezar Peluso concedeu decisão que beneficia servidores aposentados da UFMT
DA ASSESSORIA

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, concedeu liminar que garante a servidores aposentados da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) o recebimento integral de seus proventos, inclusive do índice de 28,86%.

Com a decisão, os efeitos do Acórdão nº 305/2011, do Tribunal de Contas da União (TCU), que suprimiu o percentual do vencimento dos aposentados, ficam suspensos até o julgamento final (mérito) do Mandado de Segurança (MS) 31099 no STF.

Para o ministro, a medida cautelar é necessária em razão da razoabilidade jurídica do pedido e da urgência da situação, visto que se trata de verba de natureza alimentar, cuja redução já incidiria sobre o pagamento deste mês.

Além disso, conforme destaca na decisão, o direito dos aposentados de receberem os 28,86% já havia sido reconhecido em decisão judicial transitada em julgado em 1996. Desde então, o percentual foi incorporado em definitivo aos vencimentos de todos os professores daquela instituição de ensino.

"A ordem de supressão, emanada pelo Tribunal de Contas, esbarra no óbice jurídico da intangibilidade da coisa julgada", ressaltou o presidente do STF, ao deferir a liminar. De acordo com jurisprudência da Suprema Corte, "a situação jurídica coberta pela coisa julgada somente pode ser modificada pela via da ação rescisória" (MS 25009).

O MS 31099 foi impetrado por servidores aposentados da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para garantir o recebimento integral de seus proventos. No pedido, eles sustentam que a determinação do TCU ofende a coisa julgada e o direito adquirido, garantias individuais previstas na Constituição Federal.