segunda-feira, 24 de junho de 2013

Programa mobiliza alunos em todo Estado de Goiás

Programa implantado pela Secretaria da Educação de Goiás tem orientados os alunos na produção de seus textos

Fonte: Tribuna do Planalto (GO)


O polo da Escola de Formação em Monte Alegre de Goiás, da Subsecretaria Regio­nal de Campos Belos, realizou em maio uma ação estratégica para atrair os estudantes da 3ª série do Ensino médio para a plataforma virtual do programa “Reescre­vendo o Futuro” e garantir maior participação dos Alunos na produção das redações.

Os resultados foram surpreendentes. A mobilização dos Professores, tutores pedagógicos e vice-diretores das Escolas, durante uma oficina realizada em Campos Belos, fez com que os acessos à plataforma ead.seduc.go.gov.br, bem como o envio de textos via internet, triplicassem.

De acordo com Walkiria Pereira Ramos Carneiro, diretora do polo da Escola de Formação de Monte Alegre de Goiás, o intuito dessa mobilização foi alcançar o maior número de estudantes possível dentro do contingente de 300 Alunos da 3ª série dos colégios estaduais Antônio José de Oliveira, de Monte Alegre, e Polivalente Professora Antusa e Felismina Cardoso Batista, de Campos Belos.

Além da mobilização nas Escolas, a oficina reuniu mais de 10 Professores de Língua Portuguesa, tutores pedagógicos e vice-diretores das três unidades. “Foi importante sensibilizar os Professores a utilizarem suas aulas para trabalharem o tema A Melhor Idade e apoiar os Alunos que queriam produzir a redação”, disse Walkiria.

Segundo ela, a oficina também serviu para orientar profissionais e estudantes sobre como utilizar a plataforma do “Reescrevendo o Futuro”, que oferece, mensalmente, duas propostas de redações, corrigidas por Professores da Pontifícia Universidade Católica (PUC/GO), parceira da Secretaria de Estado da Educação nesse programa. “Nós percebemos que era preciso agir para beneficiar um número maior de Alunos”, afirma Walkíria, justificando que a saída foi envolver a Escola, os Professores, tutores e gestores no “Reescrevendo o Futuro”. “É um programa muito bom que oferece oportunidade para os estudantes produzirem os textos nos mesmos moldes do Enem (Exame Nacional do Ensino médio) e vestibulares”, comenta.
Reestruturação
A experiência de Monte A­le­gre de Goiás, conforme destaca o diretor do Polo Central da Es­co­la de Formação da Seduc, Mar­celo Jerônimo Araújo, poderá ser ampliada para toda a rede, ao lado de outras ações constantes do plano de reformulação do “Rees­crevendo o Futuro” para o próximo semestre.
O programa foi expandido para 300 Escolas e demanda uma nova estrutura. Em abril último, mais de 10 mil estudantes responderam às propostas de redação e, desse total, cerca de 40% a enviaram em papel para a correção.

Em maio, apenas uma redação foi proposta até que o trabalho dos corretores de textos fosse concluído. A partir de junho, o programa retoma as duas propostas mensais. “Até agora, o “Reescrevendo o Fu­turo” estava focado na produção das redações com vistas às devolutivas pelos Professores da PUC, mas agora é preciso considerar o impacto que o programa vem produzindo na comunidade Escolar”, ressalta Marcelo Jerônimo.

Segundo afirmou, a Escola de Formação vai incrementá-lo para que o plano de trabalho dos Professores na Escola sirva de suporte aos Alunos também no “Rees­crevendo o Futuro”.

Nesse sentido, a realização de oficinas nos diferentes polos da Es­­cola de Formação dará a preparação necessária a esses Professores, assegura o diretor do Polo Central.


Opinião: Novo futuro

A Escola de Ensino Mé­dio em Tempo Integral é realidade em Goiás. Está em curso nas esco­las estaduais uma das mais bem sucedidas experiências pedagógicas e de gestão Escolar, em que o Aluno recebe a formação acadêmica e, ao mesmo tempo, orientação profissional e preparação para a vida.

Com este programa, também chamado “Novo Futuro”, cumprimos mais uma diretriz do Pacto pela Educação - o nosso plano de reforma educacional - e avançamos na execução do Plano Nacional de Educação que, entre outras metas, estabelece a oferta de Educação em tempo integral para o Ensino médio, visando ainda a redução das desigualdades educacionais e o fim da situação de exclusão de milhares de Alunos da rede pública. Sem contar que resgatamos a importância histórica de tradicionais colégios goianos que tanto contribuíram para a formação de milhares de estudantes em nosso estado, como o Lyceu de Goiânia, Pedro Gomes e José Carlos de Almeida, todos beneficiados por este programa.

Segundo o último Ideb, nossa rede pública estadual registrou o maior crescimento em qualidade do país. Ainda assim, temos muitos desafios para chegarmos ao patamar ideal para os nossos 270 mil Alunos que cursam o Ensino médio. Para assegurarmos um avanço ainda mais expressivo no desempenho destes estudantes que será replicado aqui o projeto das Escolas de tempo integral já existente em Pernambuco e em estados como Ceará e São Paulo e na cidade do Rio de Janeiro.

Com métodos e tecnologias inovadoras de gestão, planejamento pedagógico e acompanhamento diferenciado serão oferecidas oportunidades aos estudantes de promoverem o que chamamos de “Projeto de Vida” - sob orientação de um Educador que irá potencializar suas habilidades e seus anseios, pondo fim ao estigma de que precisam reproduzir a condição social em que vivem. Ou seja, nestas Escolas de tempo integral, os Alunos estarão em situação melhor do que se estivessem em subempregos e sem perspectiva de contribuírem para mudar a realidade socioeconômica de suas famílias.

Quinze Escolas adotaram, desde janeiro de 2013, o programa a ser expandido, posteriormente, para as demais unidades educacionais, beneficiando cerca de oito mil Alunos. Os estudantes que optarem pela formação superior são preparados com atividades que irão ampliar suas chances de ingresso na universidade. Aqueles que, no seu “Projeto de Vida”, demonstrarem interesse em entrar direto no mercado de trabalho, terão a formação acadêmica acompanhada de orientações para o desenvolvimento de competências próprias para isso.

Na Escola de Ensino médio em Tempo Integral, os estudantes vão encontrar, além do currículo básico com 13 disciplinas e duas disciplinas eletivas, inúmeras oportunidades de exercerem seu protagonismo juvenil e o associativismo, participando de Atividades Pedagógicas Integradas que também estimularão o empreendedorismo juvenil.

O “Projeto de Vida” do jovem é o grande diferencial desse programa porque leva o estudante a pensar no seu futuro e a projetá-lo ao mesmo tempo em que avança nos estudos acadêmicos. Ele segue os dois caminhos sem prejuízos para um ou para o outro, se conhecendo melhor, identificando como deseja atuar, como se tornar um bom profissional e também se realizar individualmente. Todo este processo que ele vivenciará vem preencher uma lacuna, um vazio que angustia os nossos jovens quase sempre despreparados para lidarem com suas incertezas e medos. Eles precisam de boas e reais oportunidades ao longo da vida.

Eles merecem um novo futuro.

Fracasso escolar é mais recorrente entre alunos negros

Dados revelam altas taxas de repetência e de evasão entre meninos autodeclarados pretos

 
Fracasso escolar é mais recorrente entre alunos negros
 
João Bittar/MEC


Mariana Mandelli
A porcentagem de alunos negros com mais de dois anos de atraso escolar chega a 14% no Brasil. Entre alunos brancos, a taxa cai pela metade: 7%. Além disso, apenas metade dos estudantes negros, ao atingir o 6º ano do Ensino Fundamental, tem a idade correta para o ano em que estuda. Os números estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011.

Dados como esses mostram que o fracasso escolar – entendido como baixo rendimento, repetência, abandono e evasão – atinge de formas diferentes estudantes que fazem parte de grupos distintos, quando observados aspectos étnico-raciais. Esse é o tema do artigo “Fracasso escolar e desigualdade no Ensino Fundamental”, da pesquisadora Paula Louzano, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). O texto está publicado no relatório De Olho nas Metas 2012, quinta edição de monitoramento das 5 Metas do Todos Pela Educação (leia mais aqui).

A pesquisadora usa também, no artigo, dados dos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, respondidos pelos próprios estudantes. Os números mostram que, entre as crianças autodeclaradas pretas, 43% já tiveram algum tipo de fracasso escolar – entre as que se dizem brancas, essa taxa é de 27%. Ou seja: os alunos pretos abandonam e reprovam com mais frequência do que brancos e pardos, independentemente do lugar do País e da escolaridade dos pais.

“A contribuição do estudo é apresentar a raça/cor como uma variável válida, uma vez que muitos acreditam que as diferenças nos dados estão ligadas apenas a discrepâncias no nível socioeconômico. Os números provam que a raça/cor tem, de fato, impacto no desempenho acadêmico”, explica Paula. “Além disso, é interessante mostrar que a variável não deve ser considerada somente no Ensino Superior”, afirma Paula.

No ano passado, o Brasil ganhou a chamada Lei de Cotas, que reserva 50% das vagas das universidades federais para estudantes que cursaram o Ensino Médio na rede pública. Metade dessas vagas considera apenas critérios raciais e a outra metade analisa ainda a renda familiar do candidato. A raça é autodeclaratória.

“Antes, a discriminação acontecia porque a proporção de negros fora da escola era maior. Ou seja, o problema era o acesso. O País conseguiu incluir com a universalização do Ensino Fundamental, mas acabamos criando novas formas de exclusão, que são o fracasso escolar e o baixo aprendizado, especialmente entre os meninos negros”, explica a pesquisadora.

Segundo Paula, não é possível ter respostas objetivas para as explicar as diferenças, uma vez que os estudos qualitativos existentes sobre o tema não podem ser generalizados. “Ainda precisamos diagnosticar o que ocorre. Algo se dá durante a experiência escolar desse aluno, seja dentro ou fora da escola, que contribui para esses resultados”, explica Paula. “É preciso estudar as relações sociais dentro da sala de aula e da escola, além de pesquisarmos as expectativas que os professores têm sobre seus alunos e como se dá a autoestima dos estudantes negros dentro do ambiente escolar.”

Em 2009, um estudo dos pesquisadores Ricardo Madeira, Marcos Rangel e Fernando Botelho, do departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), comparou as notas que os professores davam aos seus alunos com as notas obtidas pelos estudantes no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), a avaliação anual do governo paulista.

Os dados mostraram que alunos negros e brancos com os mesmos resultados no Saresp tinham notas diferentes dadas por seus docentes em sala de aula – as notas das crianças brancas eram maiores. Entre meninos e meninas, eram elas que apresentavam os melhores desempenhos, de acordo com os professores.

Localização

O artigo de Paula Louzano também mostra as diferenças entre as regiões do Brasil. Os dados analisados revelam que meninos pretos residentes no Norte e Nordeste, de pais sem o Ensino Fundamental completo, têm 65% de probabilidade de chegar ao 5º ano tendo repetido um ano ou abandonado a escola no mínimo uma vez. De acordo com a análise, esse é o grupo mais propenso ao fracasso escolar.

Em contrapartida, no outro extremo, meninas brancas da região Sudeste que têm pais com Ensino Médio completo, apresentam a mais baixa probabilidade de fracasso escolar avaliada: 10%.

Os dados ainda revelam que ser negro aumenta a probabilidade de fracasso escolar da criança entre 7 e 19 pontos percentuais, considerando apenas as crianças com pais que completaram a Educação Básica.
Para Paula, o problema deve ser atacado como um todo, criando ações que evitem a repetência, a evasão e o baixo desempenho independentemente da raça/cor, região onde vive e escolaridade da família. “Temos de pensar em políticas para cobater o fracasso escolar para todos porque, se a média melhora, também melhora para as crianças negras, uma vez que o nível de ensino no Brasil é muito baixo para todo mundo”, reflete.

Políticas

A falta de valorização da cultura negra dentro da escola e na sociedade brasileira de forma geral, segundo Paula, pode ser uma possibilidade para explicar a maior incidência das situações de fracasso escolar entre os alunos negros. Desde 2003, está em vigor no Brasil a Lei 10.639, que inclui no currículo oficial das redes de ensino a obrigatoriedade de temáticas referentes à história e cultura afro-brasileira. “Nós não valorizamos a diversidade no Brasil. Precisamos trabalhar a tolerância”, afirma.

A professora Ione Jovino, pesquisadora do Núcleo de Relações Étnico-Raciais, de Gênero e de Sexualidade (NUREGS) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), concorda e destaca a necessidade de reforçar políticas educacionais já existentes, como aumentar a produção de material didático com a valorização desses conteúdos e reforçar a formação continuada dos professores. "O MEC (Ministério da Educação), por meio da Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão), tinha muitos editais de proposição de obras didáticas, cursos de formação e fóruns de discussão. De dois anos para cá, essas ações diminuíram. É preciso retomá-las”, opina. “Professores e funcionários não podem ver como natural situações de preconceito ou achar normal que um aluno negro vá pior na escola do que um branco.”

Para Ione, existe algo intrínseco à escola que impacta na questão racial. “As pesquisas apontam que, mesmo quando igualamos as variáveis de brancos e negros, os negros sempre aparecem em piores condições. Existe algo além do socioeconômico”, explica. “Negros são massivamente reprovados e realmente abandonam mais a escola.Enquanto não combatermos esse preconceito social e histórico, as coisas não vão mudar. É preciso fazer as pessoas entenderam que existe a necessidade de todos serem tratados igualmente, da mesma forma. Por essa razão, denunciar casos de racismo e promover cada vez mais pesquisas que tragam o tema à tona são ações importantes.”

Aprendizado nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio se distancia das metas

Só 10% dos alunos saem da Educação Básica com aprendizado adequado em matemática

 
Aprendizado nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio se distancia das metas
 
Divulgação/Todos Pela Educação


Do Todos Pela Educação

Os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio apresentam hoje os dados mais preocupantes de desempenho do País. O Brasil tem hoje, na segunda etapa do Ensino Fundamental, apenas 27% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa e 16,9% em matemática (leia abaixo o que o movimento considera como aprendizado adequado*). Apesar de terem crescido de 2009 para 2011, as duas taxas estão abaixo das metas traçadas pelo Todos Pela Educação, que eram de 32% para língua portuguesa e de 25,4% para matemática. As metas definidas pelo Todos Pela Educação são parciais e crescem ano a ano, até o patamar de 70% em 2022.

No Ensino Médio, o desempenho é ainda mais sofrível: o índice se manteve estagnado em 29% em língua portuguesa, sendo que a meta parcial era de 31%. Em matemática, houve piora, pela primeira vez desde que o Todos Pela Educação começou a monitorar o indicador: a taxa caiu de 11% para 10% —a meta era o dobro, 20%.

Os dados fazem parte do relatório De Olho nas Metas 2012, quinta edição de monitoramento das 5 Metas do Todos Pela Educação (leia mais aqui), divulgado hoje. Os indicadores foram calculados com base nos resultados da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2011.

“Com exceção da queda em matemática no Ensino Médio, estamos avançando, mas muito pouco. É um crescimento que está nos distanciando das metas. É insuficiente porque partimos de um patamar muito baixo. A queda de 11% para 10% em matemática, estatisticamente, pode ser considerada uma estagnação, mas revela que não estamos reagindo”, explica Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação. “Além disso, devemos lembrar que as médias escondem extremos, não mostram as grandes distorções que temos no País.”
Priscila destaca o gargalo que está formado no Ensino Fundamental II. “A partir do 6º ano, temos uma queda de rendimento dos alunos – tanto que essa é a série com maior índice de repetência. Os estudantes, que passam pela fase conturbada da adolescência, saem de uma realidade com poucos professores e poucas disciplinas para um modelo complexo”, afirma Priscila. “Assim, o aluno chega ao fim do Fundamental com muitas lacunas, ingressando no Ensino Médio com aprendizado insuficiente.”

Uma pesquisa da Fundação Victor Civita revelou, no ano passado, a falta de políticas públicas específicas para o Ensino Fundamental II (leia mais aqui). De acordo com o estudo, entre os 42 programas e ações para a Educação Básica da Secretaria de Educação Básica (SEB) do governo federal, apenas dois focam exclusivamente os anos finais: Programa Gestão da Aprendizagem Escolar (Gestar II) e a Coleção Explorando o Ensino.

Anos iniciais

A primeira etapa do Ensino Fundamental aparece com dados menos alarmantes. Enquanto a meta de matemática foi superada em 1 ponto percentual, atingindo 36%, a de língua portuguesa chegou a 40%, para uma meta parcial de 42%.

Ruben Klein, consultor da Fundação Cesgranrio e membro da Comissão Técnica do Todos Pela Educação, afirma que os avanços se devem ao foco que as recentes políticas públicas em Educação têm dado aos anos iniciais desse segmento.

“Todo o investimento vem sendo feito nos anos iniciais. Ações como o pacto pela alfabetização (o Pnaic, Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), a criação de projetos pedagógicos e de projetos de formação de professores ajudam a reforçar isso”, explica.

Para Priscila Cruz, os bons resultados nos anos iniciais podem se perder caso não sejam implementadas medidas eficientes de mudança nos anos finais e no Ensino Médio. “Os indicadores dos anos inicias não encontram um ambiente frutífero nas etapas seguintes para continuarem a trajetória de melhora. Isso precisa ser corrigido.”

Gargalos

Quatro estados não cumpriram a Meta 3 em nenhuma disciplina de nenhuma das etapas de ensino. São eles Alagoas, Amapá, Pernambuco e Roraima.

Já os destaques positivos vão para Tocantins, que superou as metas tanto no 5º quanto no 9º ano do Ensino Fundamental, em ambas as disciplinas, e para Amazonas, que superou as metas dos anos iniciais do Ensino Fundamental em ambas as disciplinas e a de língua portuguesa nos anos finais do Fundamental e no Ensino Médio.
Ideb
Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, divulgados no ano passado, também desenham um cenário alarmante para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio. Para os anos finais, o índice subiu somente 0,1, atingindo 4,1. Foi o menor crescimento da etapa desde a criação do Ideb, em 2005.
Já o Ensino Médio cresceu apenas 0,1 desde que o índice começou a ser medido. Entre 2009 e 2011 – a divulgação é de dois em dois anos – não foi diferente e o índice chegou a 3,7.
Por outro lado, o Ideb dos anos iniciais do Ensino Fundamental acompanha a tendência de melhora apresentada pelos dados das metas do Todos Pela Educação e, confirmando a tendência de anos anteriores, avançou 0,4 e pulou de 4,6 em 2009 para 5,0 em 2011.

Reforma do Ensino Médio

A divulgação do Ideb no ano passado provocou debates em todo o País. Na época, o ministro da Educação Aloizio Mercadante afirmou que o Ministério da Educação (MEC) pretende mudar o currículo para essa etapa de ensino e fazer valer as diretrizes curriculares já aprovadas (leia mais aqui).

Também chegou a declarar que quer utilizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para compor o Ideb do Ensino Médio, já que atualmente a medição se dá de forma amostral e o uso da avaliação tornaria o índice universal, fornecendo dados mais precisos (leia mais aqui).

No fim do ano, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) entregou ao MEC um documento com a proposta do órgão para tornar o Ensino Médio mais atraente.

Vale ressaltar também que uma Comissão Especial (CESP) para discutir a situação do Ensino Médio foi instalada na Câmara dos Deputados. O objetivo do grupo é realizar estudos e pesquisas, além de apresentar propostas para a reformulação da etapa.

*A Meta 3, de aprendizagem, trata do percentual de alunos que atingiram pelo menos o nível esperado para a série, nas disciplinas de língua portuguesa e matemática, na Prova Brasil e no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Os níveis de proficiência considerados adequados esperado por disciplina para a respectiva série na escala Prova Brasil e no Saeb e adotados pelo movimento são os seguintes:


Nível de proficiência esperado por disciplina para a respectiva série na escala da Prova Brasil e no Saeb
Série
Língua Portuguesa
Matemática
5º ano do Ensino Fundamental (anos iniciais do EF)
200
225
9º ano do Ensino Fundamental
(anos finais do EF)
275
300
3º ano do Ensino Médio
300
350

Presidente faz chamamento para a melhoria da Educação

Em discurso, Dilma Roussef pede que royalties do petróleo sejam destinados para a área

 
Presidente faz chamamento para a melhoria da Educação
 
Wilson Dias/ABr


Do Todos Pela Educação
O pronunciamento da presidente Dilma Roussef exibido em rede nacional na noite da quarta-feira, dia 1º de maio, Dia do Trabalho, teve grande parte do seu conteúdo dedicado às políticas educacionais que estão sendo realizadas no País. Além disso, a presidente fez um chamamento público para que toda a população brasileira se envolva no desenvolvimento da Educação do Brasil.

Dilma ressaltou que a Educação não é apenas uma obrigação do poder público e um direito de cada brasileiro, mas também é “tarefa da família e responsabilidade de todos, sem exceção”. De acordo com ela, somente assim o Brasil poderá se tornar uma “pátria educadora”.

“A Educação começa com você. Todos têm que procurar a Educação por seu próprio desejo, e lutar pela Educação com sua própria força. Somente sua força de vontade vai fazer você descobrir tempo e meios para educar-se. Somente sua atenção como pai, como mãe vai estimular seu filho na escola. Somente sua dedicação de mestre fará você, professor, superar as dificuldades que enfrenta. Somente a pressão de todos vai fazer os governos, as empresas, as igrejas, os sindicatos, em suma, toda a sociedade trabalharem ainda mais pela Educação”, afirmou a presidente.

Além de apresentar dados sobre emprego, trabalho e renda para construir um panorama econômico do País, Dilma destacou dados das principais ações do Ministério da Educação (MEC), como a construção de creches, implantação do regime integral nas escolas e a aprovação da Lei de Cotas.

Financiamento
A presidente aproveitou para destacar o posicionamento do governo federal em relação à polêmica do destino dos royalties do petróleo, reafirmando a ideia de que a Educação pública receba 100% do montante. Ela anunciou o envio de uma nova proposta para garantir a destinação e pediu que os eleitores pressionem os deputados em que votaram, para que o texto seja aprovado pelo Congresso.
“O papel do Estado é criar condições para isso, em especial, abrindo portas para os que mais precisam. Mas um governo só pode cumprir bem o seu papel se tiver vontade política e se contar com verba suficiente”, afirmou Dilma. “Por isso, é importante que o Congresso Nacional aprove nossa proposta de destinar os recursos do petróleo para a Educação. Peço a vocês que incentivem o seu deputado e o seu senador para que eles apoiem esta iniciativa.”
Abaixo, leia a íntegra do discurso da presidente.

Pronunciamento – Presidente Dilma Rousseff – dia 01/05/2013

“Queridas trabalhadoras e queridos trabalhadores, o Brasil passou a ser mais Brasil quando o brado por mais emprego, mais salário e mais comida deixou de ser um grito solitário dos trabalhadores para ser a voz e o compromisso de toda uma nação. É por isso que nós, brasileiras e brasileiros, estamos tendo, nos últimos anos, a alegria de comemorar o 1º de Maio com recordes sucessivos no emprego, na valorização do salário e nas conquistas sociais dos trabalhadores.

Neste 1º de Maio, o Brasil pode garantir outra vez a vocês que nada ameaça estas conquistas. Ao contrário, elas vão se ampliar ainda mais, beneficiando a todos vocês, sem exceção. O Brasil vai continuar usando instrumentos eficazes para ampliar o emprego, o salário e o poder de compra do trabalhador.

Mas, a partir de agora, vai privilegiar como nunca o instrumento que mais amplia o emprego e o salário: a Educação. Para isso, várias medidas estão sendo executadas e outras estão em discussão. A mais decisiva delas é a que determina que todos os royalties, participações especiais do petróleo e recursos do pré-sal sejam usados, exclusivamente, na Educação. Anuncio hoje a vocês que enviei ao Congresso Nacional uma nova proposta para que isso possa virar realidade.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil avançou muito nos últimos anos por causa de políticas econômicas corretas e de políticas sociais profundas. Hoje, há um reconhecimento internacional de que temos as políticas sociais mais amplas e modernas do mundo. Isso nos orgulha e nos estimula. Mas há um ponto que tem passado desapercebido: o fato do emprego e do salário terem se tornado os dois maiores fatores de diminuição da desigualdade. Mesmo com a importância dos programas sociais, foi a renda do trabalho que mais contribuiu na diminuição da desigualdade.


Com os programas de transferência de renda, já tiramos 36 milhões de brasileiros da miséria. Mas são o emprego e o salário que estão impedindo que essas pessoas voltem para a pobreza, e também aceleram a ascensão social de milhões de outros brasileiros. Foi assim que 40 milhões de brasileiros foram para a classe média. Isso se deu por causa da valorização do salário-mínimo, do recorde na geração de emprego com carteira assinada e do ganho real em todas as faixas salariais.

O Brasil gerou, nos últimos dez anos, 19 milhões e 300 mil empregos com carteira assinada, e o salário-mínimo cresceu mais de 70% em termos reais. Somente nos dois anos do meu governo foram criados 3 milhões e 900 mil novos empregos. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o FMI, isso nos colocou numa situação privilegiada no mundo: fomos o país que mais reduziu o desemprego entre 2008 e 2012, ou seja, reduzimos em 30% a taxa de desemprego. Por sinal, em 2012 enquanto lá fora cresciam o desemprego e as perdas salariais, aqui ocorria exatamente o contrário.

Tivemos o menor índice de desemprego da história e, segundo o Dieese, o melhor ano de reajustes, com 95% das categorias conquistando aumento real de salário. Não houve apenas aumento, mas também melhoria na qualidade do emprego: cresceram os níveis de escolaridade dos empregados e ampliou-se a formalização do emprego. Ao mesmo tempo, diminuiu a taxa de desemprego entre os jovens e aumentou o emprego entre os mais maduros. E, em termos gerais, ocorreu uma queda acentuada no tempo de procura por trabalho. Levando-se em conta a renda das pessoas, tem ocorrido também uma redução da desigualdade entre homens e mulheres, entre brancos e negros, e entre as áreas urbanas e rurais. Os brasileiros estão se tornando mais iguais.

Os direitos trabalhistas avançam e as dívidas sociais históricas estão sendo resgatadas, como ocorreu recentemente com a aprovação da PEC que estende os direitos previstos na CLT aos trabalhadores domésticos.

Tudo isso ocorre porque o Brasil tem uma política eficiente de emprego e salário, porque o país dialoga com o trabalhador e os sindicatos e respeita os direitos trabalhistas. Inclusive, devido a este diálogo, os trabalhadores, entre outras vantagens, obtiveram a isenção do Imposto de Renda na participação dos lucros e resultados.

O mais importante é que os efeitos da renda do trabalho e das políticas sociais reduziram pela metade o risco das pessoas ficarem mais pobres, e praticamente dobraram a possibilidade das pessoas melhorarem de vida.

Estes fatores têm garantido a diminuição das desigualdades e inibido, entre nós, os efeitos da prolongada crise financeira que ainda atinge o mundo. Trabalhadoras e trabalhadores, acreditem apaixonadamente no Brasil e na força do trabalho de cada um de vocês. Não tenham dúvida de que o Brasil, com a força de vocês, pode e vai crescer mais, garantindo o emprego de hoje e o de amanhã.

Vamos seguir na rota de crescimento com estabilidade, distribuição de renda e diminuição das desigualdades. Este governo vai continuar sua luta firme pela redução de impostos e pela diminuição dos custos para o produtor e consumidor, mesmo que tenha que enfrentar interesses poderosos.

É mais do que óbvio que um governo que age assim e uma presidenta que pensa desta maneira não vão descuidar nunca do controle da inflação. Esta é uma luta constante, imutável, permanente. Não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica, que têm por base o crescimento sustentado e a estabilidade. E não abriremos mão jamais dos pilares fundamentais do nosso modelo: a distribuição de renda e a diminuição da desigualdade no Brasil.

Minhas amigas e meus amigos,

Só uma Educação de qualidade pode garantir mais avanço para o emprego e para o salário. Nos últimos anos, ampliamos o acesso e melhoramos a qualidade do ensino. Já estamos com 32 mil escolas funcionando em tempo integral, ou seja, em dois turnos.


Tivemos o maior avanço da história do Brasil nos cursos técnicos e de qualificação profissional. Geramos, com o Pronatec, mais de 3 milhões de novas vagas e vamos chegar, até o final de 2013, a quase 5 milhões de matrículas.

Mais de 1 milhão e 200 mil jovens já receberam bolsas do ProUni, 870 mil estudantes estão sendo beneficiados pelo financiamento do Fies e 41 mil estudantes brasileiros já tiveram bolsas aprovadas para estudar nas melhores universidades do mundo no Programa Ciência sem Fronteiras.

E tudo isso está sendo acompanhado pela expansão das universidades federais, que já oferecem mais de 1 milhão de matrículas. A partir deste ano, de forma crescente, vamos garantir, através da nossa política de cotas, que metade das vagas de todos os cursos das nossas universidades federais seja ocupada por alunos das escolas públicas.

Tudo isso é muito bom, mas ainda é pouco. O Brasil precisa de uma grande revolução no ensino capaz de garantir o nosso futuro como nação líder e soberana no mundo. Vamos, principalmente, formar os jovens, as trabalhadoras e os trabalhadores brasileiros para que possamos triunfar num mundo cada vez mais desenvolvido e altamente competitivo.

A Educação deve ser uma ação permanente em todos os instantes da vida de uma pessoa. Ela começa na creche, passa pela escola de tempo integral, pelo ensino médio, pela qualificação profissional, pela universidade, o mestrado, o doutorado e tem que prosseguir, de forma ininterrupta, até o fim da vida.


O papel do Estado é criar condições para isso, em especial, abrindo portas para os que mais precisam. Mas um governo só pode cumprir bem o seu papel se tiver vontade política e se contar com verba suficiente.

Por isso, é importante que o Congresso Nacional aprove nossa proposta de destinar os recursos do petróleo para a Educação. Peço a vocês que incentivem o seu deputado e o seu senador para que eles apoiem esta iniciativa.

Para encerrar, faço um chamamento decisivo a você, trabalhador, e a você, trabalhadora: a Educação não é apenas um dever do Estado e um direito do cidadão. É também tarefa da família e responsabilidade de todos, sem exceção. A Educação começa com você. Todos têm que procurar a Educação por seu próprio desejo, e lutar pela Educação com sua própria força. Somente sua força de vontade vai fazer você descobrir tempo e meios para educar-se. Somente sua atenção como pai, como mãe vai estimular seu filho na escola. Somente sua dedicação de mestre fará você, professor, superar as dificuldades que enfrenta. Somente a pressão de todos vai fazer os governos, as empresas, as igrejas, os sindicatos, em suma, toda a sociedade trabalharem ainda mais pela Educação.
Somente assim poderemos gritar, em uma só voz, uma nova marca de fé e amor para nosso país. Poderemos gritar, do fundo do nosso coração: Brasil, pátria educadora!
Viva o Brasil! Viva a trabalhadora! Viva o trabalhador brasileiro!
Obrigada e boa noite.”
 


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Cai atraso crônico entre alunos do Ensino Médio

Segundo Ministério da Educação, 31,1% dos secundaristas estão fora do chamado fluxo escolar, isto é, não cursam o ano correspondente à idade; em 2000, índice era de 54,9%

Fonte: Jornal do Commercio (RJ)


Um em cada três estudantes do Ensino médio está fora do fluxo Escolar. Apesar de alarmante, o índice de 31,1% — correspondente ao ano passado —, divulgado na sexta-feira pelo Ministério da Educação (MEC), confirma a tendência de queda dos últimos 12 anos. Em 2000, mais da metade dos secundaristas — 54,9% — tinham idade acima da esperada para a série cursada. Mesmo com a melhora, o indicador de desvio do fluxo Escolar do Ensino médio é mais alto se comparado com o Ensino fundamental. Na segunda metade do fundamental, quando o estudante passa a ter um Professor para cada disciplina, o índice é de 28,2%.

Nos primeiros anos (que correspondem ao antigo primário), 16,6%. Para a diretora executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, a alta quantidade de Alunos defasados é reflexo de um passivo de atrasos, de reprovações, de Alunos que abandonam e voltam para a Escola. "O verdadeiro nó está nos anos finais do Ensino fundamental. Lógico que o desenho do Ensino médio contribuiu para o resultado ruim, mas é na etapa dois do fundamental que a taxa de aprendizado é menor, quando o Aluno sai de um momento favorável nos anos iniciais e a Educação começa a perder o jogo", diz. Maior desafio Os números também chamam atenção do governo, que considera o Ensino médio o maior desafio da Educação, hoje.

As preocupações se intensificaram no meio ano passado, quando o resultado Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) mostrou que o país estava estagnado justamente nessa etapa do Ensino que prepara o estudante para a universidade. E a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) acendeu outro alerta, ao mostrar uma redução no percentual de estudantes com idade entre 15 e 17 anos matriculados nessa etapa da Educação básica. Quase um ano depois, o governo e os secretários estaduais de Educação ainda trabalham na formalização de uma nova metodologia. "Nós devemos fechar o entendimento com o Consed em breve. E fazer um grande acordo, nos moldes do Pacto da Alfabetização na Idade

Certa",prometeu o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao comentar os números. Com aumento de 24% em relação ao ano passado, o Exame Nacional do Ensino médio (Enem) deste ano será feito por 7,17 milhões de estudantes. Do total, 114,7 mil são do Distrito Federal (28% a mais que em 2012). Pela primeira vez, a Universidade de Brasília (UnB) usará a nota na prova como critério de seleção, em substituição ao vestibular tradicional de início de ano. Mercadante atribui o salto do número de participantes ao momento econômico do país, que exige mais trabalhadores qualificados; às políticas públicas de acesso ao Ensino superior, como Fies, ProUni, sistemas de cotas, Sisu e Ciência sem Fronteira; assim como a consolidação do Enem como exame nacional.

Brasil não cumpre metas parciais de distorção idade-série

Taxa de conclusão do Ensino Fundamental aos 16 anos registrada em 2011 foi de 64,9%

 
Brasil não cumpre metas parciais de distorção idade-série
 
João Bittar/MEC


Do Todos Pela Educação
O Brasil não cumpriu as metas intermediárias relativas à Meta 4 do Todos Pela Educação, que estabelece que, até 2022, 95% ou mais dos jovens brasileiros devem ter concluído o Ensino Fundamental até os 16 anos e, no mínimo 90%, o Ensino Médio até os 19 anos.

A taxa de conclusão do Ensino Fundamental aos 16 anos registrada em 2011 foi de 64,9%, bem abaixo da meta traçada para este ano, que era de 72,9%. Já a taxa do Ensino Médio finalizado aos 19 anos foi de 51,1%, sendo que a meta parcial era de 53,6%.

Os dados fazem parte do relatório De Olho nas Metas 2012, o quinto relatório de monitoramento das 5 Metas do Todos Pela Educação (leia mais aqui), divulgado hoje. A base de informações utilizada foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, publicada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o relatório, somente a região Centro-Oeste conseguiu cumprir a sua meta intermediária para o Ensino Fundamental. A taxa parcial, que era de 74,1%, foi superada por um índice de 74,3%. Já para o diploma do Ensino Médio até os 19 anos, além da região Centro-Oeste, que chegou a 58,4%, para meta de 53%, a região Nordeste cumpriu a meta de 39.5%, ao chegar a um índice de 41,4%.

Observando as unidades da Federação, encontra-se apenas um estado acima das metas para as duas etapas de ensino: o Mato Grosso. Por outro lado, quatorze outras unidades não conseguiram atingir as metas parciais nem do Fundamental nem do Médio. São eles Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.
O relatório ainda revela mais um agravante: o Brasil está, progressivamente, se distanciando das metas projetadas pelo movimento ao longo do tempo. Houve uma piora em relação à publicação anterior, relativa a dados de 2009 – naquele ano, o País havia atingido as metas parciais nas duas etapas de ensino.
O De Olho nas Metas 2011 também revelou que o fluxo escolar é um dos principais desafios da Educação brasileira na próxima década. O texto apontara que o País pode não atingir as metas de conclusão do Ensino Fundamental e Médio até 2022, caso não encontre uma solução para questões problemáticas relativas ao atraso escolar, como ingresso tardio, a repetência e o abandono.

“Estamos estacionados”, sintetiza Ruben Klein, consultor da Fundação Cesgranrio e membro da Comissão Técnica do Todos Pela Educação. “Não estamos olhando para os anos finais do Ensino Fundamental e não se ‘ataca’ o Ensino Médio sem antes olhar justamente para o Fundamental II. Todo o investimento tem sido feito no primeiro ciclo e não se aumenta a taxa de conclusão da etapa como um todo se focarmos apenas em uma parte dela.”

Para o pesquisador, é necessário um esforço para que os alunos concluam o Ensino Fundamental com aprendizado adequado porque somente assim o País passará a sentir os efeitos disso na etapa seguinte.
Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação, pede urgência nas discussões para mudar a última etapa da Educação Básica. “O Ensino Médio é a porta de saída de uma longa trajetória. Se o aprendizado está baixo e os alunos não estão concluindo a etapa, estamos falhando em todo o processo”, afirma. “É preciso mudar a sua estrutura curricular, que é muito fragmentada e inchada. São treze disciplinas obrigatórias, o que é muito. Os jovens não veem sentido no que é oferecido.”

País tem mais de 3 milhões fora da escola

Apenas sete Estados cumpriram as metas parciais de acesso entre 4 e 17 anos

 
País tem mais de 3 milhões fora da escola
 
João Bittar/MEC


Do Todos Pela Educação
Apesar dos grandes progressos nas últimas décadas – frutos, em grande parte, da quase universalização do Ensino Fundamental –, o Brasil ainda tem pouco mais de 3 milhões de crianças na faixa etária que vai dos 4 aos 17 anos fora da escola. O País conseguiu atingir a taxa de 92% da população dessa idade matriculada nas redes de ensino. A maioria dessas crianças tem entre 4 e 5 anos – cerca de 1 milhão – e entre 15 a 17 anos – aproximadamente 1,5 milhão.
Os dados foram obtidos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e fazem parte do De Olho nas Metas 2012, o quinto relatório de monitoramento das 5 Metas do Todos Pela Educação (leia mais aqui). A Meta 1 busca que, até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, 98% das crianças e jovens de 4 a 17 anos estejam matriculados na escola.

O relatório mostra que o Brasil tem hoje 92% da sua população de 4 a 17 anos matriculada. No entanto, o número é insuficiente para atingir a meta parcial de 94,1% que o movimento estabeleceu. Apenas Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Roraima e Sergipe cumpriram as metas parciais. Por outro lado, Rondônia foi a unidade da federação que ficou mais distante: atingiu 86,3% para uma meta parcial de 91,6%. Porém, deve ser destacado o avanço desse estado, uma vez que foi o que mais progrediu desde 2000, quando a taxa era de 73,9%.

Nenhuma região do País conseguiu tal feito. A taxa mais baixa é a da Norte, com 89,7% - a meta era de 92,7% para a região.

Idade
Aprovada em 2009, a Emenda Constitucional 59 prevê o atendimento de 100% da população de 4 a 17 anos nas redes públicas de ensino até 2016. Os dados do De Olho nas Metas 2012 mostram, porém, que essa realidade ainda não se concretizou. Segundo o relatório, uma em cada cinco crianças brasileiras entre 4 e 5 anos de idade não encontra vaga para cursar a Pré-Escola. Isso significa que precisam ser criadas 1.050.560 vagas para que toda a população dessa faixa etária seja atendida e, a lei, cumprida.

Ruben Klein, consultor da Fundação Cesgranrio e membro da Comissão Técnica do Todos Pela Educação, afirma que a perspectiva para a Educação Infantil é otimista. “Com a legislação obrigando a inclusão até 2016, o atendimento de 4 e 5 anos tem crescido. O investimento vem sendo feito e haverá um crescimento grande”, afirma.

Para o Ensino Médio, que compreende a população entre 15 e 17 anos, a situação é diferente e, para os especialistas, mais complicada. A taxa de atendimento nessa faixa é de 80,6%.

“O problema do Brasil hoje está justamente na saída da Educação Básica – e não na entrada, onde o acesso está sendo garantido. Ações feitas nos primeiros anos do Ensino Fundamental, juntamente à inclusão do Ensino Médio no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e no Bolsa Família podem, a longo prazo, melhorar esse cenário”, afirma Klein. “No entanto, é preciso resolver o problema da falta de motivação – e, consequentemente, de baixa aprendizagem – no segundo ciclo do Fundamental. Os jovens saem com um preparo ruim para o Médio e muitos acabam nem entrando na etapa seguinte.”

Plano Nacional de Educação
A meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), que atualmente tramita no Senado Federal, estipula a universalização do atendimento escolar a crianças de 4 e 5 anos até 2016 e 50% do atendimento das crianças de 0 a 3 anos até o fim do período de vigência do PNE. Já a meta 2 visa a universalização do Ensino Fundamental de 9 anos entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos e a conclusão da etapa na idade adequada para, no mínimo, 95% deles. Por fim, a meta 3 do plano foca na universalização do atendimento dos jovens de 15 a 17 anos até 2016 e também o aumento para 85%, até o fim da vigência do plano, da taxa líquida de matrícula do Ensino Médio.

Perfil
Em agosto do ano passado, um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação traçou os perfis das crianças e jovens que não estudam no País (leia mais aqui). Pessoas com deficiência, baixa renda, indígenas, repetentes, moradores na zona rural e envolvidos com trabalho infantil são os mais propensos a abandonar os estudos. A pesquisa destaca a urgência da criação de políticas públicas intersetoriais que contemplem iniciativas de saúde e de assistência social, além da própria área de Educação. A articulação entre os entes federados, promovendo o regime de colaboração, também é outra necessidade indicada pelo documento.

Outras metas

O relatório também entrega dados sobre as Metas 2 e 5 do Todos Pela Educação. A Meta 2 é toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos. Os dados disponíveis para o acompanhamento dessa meta estão na Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, (Prova ABC). As informações que estão no relatório referem-se à edição de 2011 da avaliação e já foram divulgadas. Os resultados ficaram abaixo da meta de 2010 do movimento, que estabelecia 80% das crianças plenamente alfabetizadas até os 8 anos: 56,1% dos estudantes aprenderam o que era esperado em leitura, e 42,8% em matemática (leia mais aqui).
Os dados sobre a mais recente edição da Prova ABC, aplicada no fim do ano passado para 54 mil alunos do 2º e 3º anos do Ensino Fundamental serão divulgados ainda no primeiro semestre de 2013.

Quanto à meta 5, que trata do investimento em Educação ampliado e bem gerido, não houve atualização em relação ao último relatório do movimento, uma vez que o investimento na Educação Básica pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) não foi divulgado até o fechamento da edição. O último dado, de 4,3%, é referente a 2010. Para 2011, o MEC divulgou apenas o percentual do PIB que foi investido em todos os níveis de ensino, incluindo o Superior: 5,3%. Apesar do crescimento gradual que o Brasil vem apresentando, o investimento do País em Educação Básica não supera os 5% da meta para 2010, estabelecida pelo Todos Pela Educação.

Cabe ressaltar que o Brasil não aparece em boa posição entre os países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o relatório Education at Glance 2012, o País está na antepenúltima colocação entre 35 países no ranking de investimento anual por estudante do Ensino Fundamental ao Ensino Superior.

De Olho nas Metas 2012

De Olho nas Metas é o relatório anual do Todos Pela Educação para o acompanhamento dos indicadores educacionais do País sobre atendimento escolar à população de 4 a 17 anos, alfabetização, desempenho dos alunos no Ensino Fundamental e Médio, conclusão dos estudos e financiamento da Educação.

Nesta quinta edição, o destaque fica por conta da Meta 3, que monitora o desempenho dos alunos. Os indicadores foram atualizados com os resultados da Prova Brasil 2011, divulgados pelo Ministério da Educação no segundo semestre de 2012. A Meta 1, que retrata a situação do atendimento à população de 4 a 17 anos, e a Meta 4, que acompanha a conclusão dos estudos no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, também tiveram seus dados atualizados conforme os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em setembro de 2012.
 
Na segunda parte da publicação, apresentamos seis artigos escritos por nove renomados especialistas que, a convite do movimento, discorreram sobre formação de professores, atendimento e qualidade na Educação Infantil, ensino de matemática, fluxo e fracasso escolar e controle social dos gastos públicos em Educação. Nossa intenção é qualificar o debate e aprimorar cada vez mais a fundamentação das políticas públicas de Educação no País.
 
Complementam o relatório, nas páginas finais, boletins que apresentam as Metas 1, 3 e 4, além de indicadores educacionais e socioeconômicos para cada unidade da federação.
Autor: Todos Pela Educação

Desafios no dia a dia da Educação

Do nível Médio, em que há mais vagas que alunos, a questões salariais, documento traça raio X do ensino

Fonte: Estado de Minas (MG)


Transformar um cenário no qual 1,1 milhão de estudantes concluem o Ensino fundamental, mas não ingressam no nível médio, é um desafio para Minas Gerais. Os dados do Censo 2010 apontam que, desse total, 90 mil Alunos estavam na idade correta para ingressar nesse nível Escolar (15 anos). Como consequência desse abismo, há vagas e espaço ocioso na rede estadual, responsável pela Educação nas três séries finais do Ensino básico. “O problema não é vaga, é a atratividade do Ensino médio, que não está universalizado, é excessivamente noturno e monótono”, afirma a secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola.

Uma das medidas para enfrentar o problema é o Reiventando o Ensino médio, programa no qual as áreas de empregabilidade são a principal aposta. A secretária destaca que não se trata de cursos profissionalizantes, mas de aumento da carga horária com áreas formadoras de habilidades e competências.

 O programa começou no ano passado, em 11 Escolas de Belo Horizonte, e em 2014 será estendido para toda a rede estadual. Com ele, os Alunos têm a oportunidade de saber um pouco mais sobre o universo da comunicação aplicada, turismo, tecnologia da informação, meio ambiente e recursos naturais, empreeendorismo e gestão, entre outras áreas.

Esse e outros assuntos são tratados em documento divulgado pelo governo do estado com perguntas e respostas para esclarecer dúvidas sobre a Educação em Minas Gerais. Nele, estão explicados os funcionamentos da jornada de trabalho dos Professores e da Educação física nos anos iniciais do Ensino fundamental. São apresentados também resultados e a evolução dos indicadores mineiros, entre outros pontos. Fazem parte do documento ainda temas como processo de concessão de aposentadoria e a abrangência dos principais programas em vigor na rede estadual.

Uma das primeiras questões tratadas é o salário dos Professores. A secretária Ana Lúcia Gazzola afirma que o salário inicial de um Docente da rede é R$ 1.386, valor 47,42% superior ao piso da categoria, de R$ 940,20. “O piso nacional, estabelecido pelo Ministério da Educação pela Lei 11.738/2008, é de R$ 1.567 para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. O nosso é pago para uma jornada de 24 horas, ou seja, é proporcional. Não somente cumprimos a lei, como pagamos além do que ela determina”, afirma.

O documento informa ainda como são as aulas de Educação física, disciplina que não é dada nos anos iniciais do Ensino fundamental (1º ao 5º ano). Segundo o informativo, no Brasil e no mundo, o que existe é o “componente curricular” de Educação física, que não deve ser confundido com a disciplina. Resolução do Conselho Nacional de Educação diz que esses componentes devem estar a cargo do Professor de referência da turma ou daqueles licenciados para ministrar as respectivas atividades.

Mas, como em Minas os anos iniciais da Educação básica obedecem ao sistema de unidocência (os Alunos têm aula com um único Professor no período), cabe a ele ministrar todos os componentes (Educação física, arte e Ensino religioso). As aulas de Educação física só são obrigatórias do 6º ao 9º ano do fundamental e nas três séries do Ensino médio. O documento que faz um raio X da Educação mineira está disponível na internet, no www.educacao.mg.gov.br.

Falta de tecnologia afasta estudante do Ensino Médio

Disciplinas que pouco interessam e professores que faltam muito também são problemas, aponta Fundação Victor Civita

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)


Uma Escola em que as disciplinas não fazem sentido, com Professores que faltam muito e um projeto pedagógico que não contempla o uso da tecnologia. Essa é a visão que os jovens de 15 a 19 anos, oriundos de áreas pobres, têm do Ensino médio, indica pesquisa inédita da Fundação Victor Civita (FVC).

A questão da tecnologia é um dos principais achados. Mais de 80% dos jovens pobres declararam utilizar a internet para estudar. Enquanto isso, em menos de 50% das Escolas eles têm acesso ao recurso. O dado, somado ao despreparo dos Professores com o suporte, faz com que haja um descontentamento dos jovens em permanecer num ambiente classificado por eles como “atrasado”.

O Ensino médio é considerado a fase com os maiores desafios. Cerca de 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos já abandonaram os bancos Escolares.Para diretora da FVC, Angela Danemann, a pesquisa explica o alto índice de evasão dessa etapa.“OAluno vai embora por que não vê sentido em estar ali. A Escola não responde à sua aspiração, não usa os suportes que ele tem familiaridade.”

Dentre as características do Professor categorizado como“ ruim” aparece o fato de ele utilizar apenas a apostila e fazer os Alunos copiarem. “O relacionamento do Professor com a tecnologia é ruim. Isso se traduz na dificuldade de incorporar ao cotidiano Escolar o uso de novas tecnologias”, explica o coordenador da pesquisa, Haroldo da Gama Torres, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. A fala de um dos entrevistados, de 17 anos, ilustra bem a situação:“A Professora de artes queria passar um desenho, um quadro, mas não sabia como. Eu disse que ela podia postar no Facebook para todo mundo baixar e fazer a lição. Ela não sabia o que era Facebook”.

E eu com isso?

O estudo aponta outro problema: a falta de conexão do conteúdo com a realidade do estudante. Para os entrevistados, só português e matemática têm utilidade, e é significativa a proporção daqueles que declaram que a principal razão para frequentarem a Escola é conseguir um diploma: 20%.“Os jovens têm interesse no trabalhar. Em São Paulo, 16 anos é a idade com que acham que se deve começar a trabalhar.

Será que o Ensino médio,do jeito em que está, interessa a esse público? A formação precisa ser diversificada,com modelos diferentes para projetos de vida distintos”, diz Torres.

Antes mesmo do abandono, o baixo apelo da Escola tem outro reflexo. Não raro a “zoeira ”possui, em muitas situações, posição primordial.

Segundo o estudo, 77% dizem que a zoeira e a bagunça são comuns.A estudante Kassia Gomes Monteiro, de 16 anos, reclama.“Quem faz a Escola são os Alunos,mas também não depende só da gente”, disse ela, aluna da Escola Estadual Luiz Gonzaga Righini, na zona norte de São Paulo. Leandro Alves, de 16 anos, diz que o principal objetivo dele ir à Escola é para jogar futebol. “Nem entro em todas as aulas, é muito chato”, diz ele, aos sorrisos. 

Para empregadores, jovens recém-formados não têm preparo para o mundo do trabalho

Opinião é de empregadores de nove países ouvidos em estudo da McKinsey & Company

 
Para empregadores, jovens recém-formados não têm preparo para o mundo do trabalho
 
Divulgação


Do Todos Pela Educação

Um estudo que envolveu empresários, instituições de ensino e jovens de nove de países mostra que, na opinião de 40% dos empresários, os jovens recém-formados não são preparados para cargos do nível iniciante no mundo do trabalho. Já entre as instituições de ensino, a opinião é mais positiva: 72% delas afirmam que os estudantes estão prontos para assumir cargos. Entre os próprios jovens, 45% dizem estar preparados.

A pesquisa foi apresentada pela consultoria McKinsey & Company durante o Encontro Nacional de Educação Empreendedora, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Brasília, no fim do mês passado. Os autores são Mona Mourshed, Diana Farrell e Dominic Barton.

O estudo, chamado “Educação para o trabalho: Desenhando um sistema que funcione”, avaliou os seguintes países: Alemanha, Arábia Saudita, Brasil, Estados Unidos, Índia, Marrocos, México, Reino Unido e Turquia. Eles foram escolhidos por formarem um grupo bem diversificado de contextos sociais, econômicos e educacionais. Os nove representam aproximadamente 40% do PIB global (FMI, 2011) e 30% da população mundial.

Em cada um deles, foram entrevistados no segundo semestre de 2012 ao menos 500 jovens entre 15 e 29 anos que estivessem trabalhando ou estudando e com a intenção de buscar um emprego nos próximos seis meses. No total, 4.656 jovens participaram da pesquisa. Também foram ouvidos 300 empregadores e 100 instituições de ensino em cada país, o que totaliza 2.700 empresários e 900 escolas em toda a amostra.
A pesquisa ainda destaca três desafios para a melhoria da qualificação dos jovens: oportunidades insuficientes para proporcionar aos formandos uma aprendizagem prática; a limitação de recursos das instituições de ensino e como encontrar um corpo docente qualificado e também a resistência dos empregadores em investir em treinamento.

Debate

Após a apresentação do estudo, houve debate entre especialistas e empresários, que discutiram os desafios da Educação Básica brasileira. “No Brasil, a indústria em geral acha que o problema é do Estado e do indivíduo. Não há um olhar integrado holístico”, afirma Luís Norberto Pascoal, presidente da DPaschoal e conselheiro do Todos Pela Educação. “Temos que pensar em conjunto e plantar uma Educação integrada.”
José Pastore, professor titular da Faculdade de Economia e Administração, da Universidade de São Paulo (USP), e da Fundação Instituto de Administração (FIA) destacou as habilidades que o mundo do trabalho exige hoje de seus futuros profissionais. “Os empregadores querem pessoas com domínio do ofício e com conduta adequada para o trabalho. O recrutamento é rigoroso, porque querem um profissional com bom senso, lógica e capacidade de raciocínio, de trabalhar em grupo e de se comunicar. Ou seja, querem o generalista e o especialista”, explica.

Para Pastore, isso impõe um desafio imenso às escolas. “A formação básica que vem do Ensino Fundamental é falha em muitos lugares”, afirma.
Educação Básica
Deficiências de aprendizagem que se arrastam desde os primeiros anos de escolaridade foram um dos pontos mais discutidos durante o debate. Marco Antonio de Oliveira, titular da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação (MEC), destacou que a maior parte dos problemas começa na alfabetização e vai até o Ensino Superior. “O MEC tem se preocupado em dar conta desses desafios nos diferentes âmbitos. No caso da alfabetização, lançamos o Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), que ataca o problema que está na origem do déficit educacional de todo o sistema brasileiro”, disse.

Mozart Neves Ramos, assessor do Todos Pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), ressaltou a falta de atratividade na carreira docente e a fragmentação na formação básica. “O aluno sai do Fundamental e não há dialogo com o Médio e nem com o pós-Médio, caso do Tecnológico ou Superior”, explica. “Temos melhorado nos anos iniciais, mas o Ensino Médio ainda é gargalo. Não sabemos o que fazer com a escola do jovem. Qual é a escola que precisamos apresentar pra nossa sociedade?”, questiona.

Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou a necessidade de mais investimentos em Educação Profissional, citando o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal, como exemplo de iniciativa. “Nosso índice é pequeno se comparado com o dos outros 30 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Enquanto a média dos que fazem o Ensino Médio regular com profissional é acima dos 40%, temos 6,6% - muito atrás”, afirma. “Muitos deles também fazem faculdade depois, o que mostra que o jovem não precisa optar por um sistema em detrimento do outro.”

22% dos professores trabalham em mais de uma escola

Dados são do Censo Escolar de 2011; especialistas afirmam que rotina pode estafar docente

 
22% dos professores trabalham em mais de uma escola
 
João Bittar/MEC


Do Todos Pela Educação
Pouco mais de um quinto dos professores brasileiros trabalham em duas ou mais escolas de Educação Básica. Entre as regiões, Sul e Sudeste são as que apresentam os maiores percentuais: 25%.
Os dados são do Censo Escolar 2011, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e estão no Anuário Brasileiro da Educação Básica (para baixar, clique aqui).

Muitos são professores que lecionam, normalmente, em mais de uma rede, mesclando a municipal e a estadual ou uma pública com a particular. Há casos também de docentes que dão aula em uma unidade e são diretores em outra. As dificuldades impostas pelo trabalho em mais de uma unidade de ensino, independentemente do tipo de combinação, segundo especialistas, são diversas. A falta de tempo decorre de uma série de fatores que o trabalho em mais de uma unidade de ensino gera.

Deslocamento e qualidade de vida

Percorrer a distância entre uma escola e outra, seja de carro, seja de transporte público, pode ser complicado em grandes cidades e capitais. “O deslocamento em uma cidade como São Paulo, por exemplo, é muito difícil, independentemente do tipo de transporte que se usa. O trânsito é intenso. É correr contra o tempo”, afirma Roberto Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). “Não sobra tempo para nada e atividades como ler um livro, jornal e revistas se tornam raras. É contraproducente para a escola.”

Para ele, o professor deveria ter uma jornada que desse espaço para o preparo de uma boa aula. “No cenário ideal, não deveria ser necessário fazer malabarismos entre redes. A implementação da jornada do piso, que está na lei, já seria um começo”, diz Leão (para ler sobre a aprovação de um parecer sobre a jornada, clique aqui). “O cansaço é outro fator. Mais exausto, o professor tem pouca disposição para se atualizar e investir em formação continuada.”

A solução, segundo Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), seria o fortalecimento de um regime de colaboração entre as escolas de um mesmo território, para que os professores dessem aula em unidades próximas. “Isso evitaria transtornos como o deslocamento, por exemplo”, afirma.

Vínculo

Escolas com equipes estáveis costumam ser benéficas para os professores, diretores, coordenadores e, principalmente, para os alunos, uma vez que é possível construir trabalhos em grupos com outros docentes e aperfeiçoar metodologias. Para pesquisadores da área, quanto mais tempo e convivência o educador tem com os alunos, melhor ele apreende o perfil deles e também da comunidade onde a escola está inserida.

“Na Educação Infantil, obviamente, e no Ensino Fundamental, é extremamente importante que se crie um vínculo entre o professor e os alunos. No início da escolarização, ele é a ponte entre a criança e o conhecimento, porque vai descortinar a relação dela com o estudo”, explica Cisele Ortiz, coordenadora adjunta no Instituto Avisa Lá, especializado na formação continuada de professores. “O favorecimento do aprendizado depende muito de como, de fato, esse professor vai se dedicar a cada criança.”

Segundo ela, um número muito grande de alunos, em diferentes turmas de diversas escolas, dificulta que o professor conheça e acompanhe todos em suas dificuldades. “Detectar o jeito de cada um demanda tempo e dedicação. Pois é preciso preparar melhor as aulas, pensando no tipo de didática que funciona melhor de acordo com a dinâmica de cada turma”, afirma Cisele.

Angela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita, acredita que não é necessário que o professor dê aula apenas em uma unidade. “Não podemos criar um contrassenso. É claro que uma rotina atribulada afeta a tarefa intelectual do professor, porque ‘pular de galho em galho’ não contribui para o seu trabalho, que é formar crianças e jovens”, afirma. “Mas não necessariamente precisamos disso agora. Há adaptações possíveis. O Ministério da Educação tem feito um grande esforço com programas como o Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) e o Parfor (Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica) para aumentar a qualificação das licenciaturas.”

Segundo ela, a criação de grupos interdisciplinares nas escolas, que funcionassem no contraturno e envolvessem docentes de várias disciplinas, seria uma opção para manter o professor que tem poucas turmas por conta do currículo fragmentado (caso de sociologia, por exemplo) por mais tempo na escola.

Colegas
Para Anna Helena, do Cenpec, lecionar em várias unidades de ensino pode prejudicar o relacionamento do docente com a equipe pedagógica das escolas. “Fica difícil para os diretores reunirem todos os professores quando necessário. É um impeditivo para o professor se envolver plenamente no projeto pedagógico da escola. O trabalho é coletivo. Fica faltando integração com colegas, em reuniões pedagógicas e no HTPC (horário de trabalho pedagógico coletivo), por exemplo”, explica.

Apesar de achar ideal que o docente trabalhe apenas em uma escola, ela reconhece que, no caso do Ensino Fundamental II e principalmente do Ensino Médio, o currículo extremamente fragmentado, com algumas aulas ocupando apenas um espaço na grade semanal de cada turma, é um problema de difícil solução.
“No Fundamental I é mais fácil fixar o professor. Mas no caso dos anos finais, em aulas como sociologia e artes, o professor dá no máximo duas aulas para cada classe. Não tem aula para dar a semana toda”, explica. “Assim, só entra na escola para dar aquelas aulas e pronto. É como se estivesse de passagem.”

80% das matrículas da Educação Especial estão em escolas públicas

País tem 752 mil crianças e jovens com deficiência nas escolas de Educação Básica

 
80% das matrículas da Educação Especial estão em escolas públicas
 
João Bittar/MEC
Mariana Mandelli
Do Todos Pela Educação

Quase 80% do total de matrículas da Educação Especial estavam nas escolas públicas em 2011, segundo o último resumo técnico do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O restante, quase 20%, está nas instituições particulares de ensino.

Hoje, a Educação Especial no País tem 752.305 matrículas, somando os estudantes em escolas regulares e especiais. O Inep considera como alunos especiais as crianças e jovens com deficiências físicas, mentais, intelectuais e aqueles que apresentam superdotação e altas habilidades.

Os dados também reafirmam a tendência de crescimento do número de alunos com deficiência em salas regulares. Contabilizando todos os incluídos – na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, Educação Profissional e de Jovens e Adultos (EJA) –, o aumento entre 2010 e 2011 foi de 15,3%. Em contrapartida, as escolas especiais enfrentaram uma queda de 11,2% no número de alunos.

O ano de 2008 foi o primeiro em que o total de matrículas de crianças com deficiência em salas regulares superou o de salas especiais.

O tema é tratado hoje, dentro do Ministério da Educação (MEC),  na Diretoria de Políticas de Educação Especial (DPEE), que faz parte da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). Antes, havia uma secretaria específica para o tema.

Para o MEC, que defende a matrícula das crianças com deficiência em salas regulares de ensino – e não em escolas especiais –, os números mais recentes mostram a efetivação da política de Educação Inclusiva.

Nas tabelas abaixo, é possível observar a evolução da matrícula das crianças com deficiência no sistema educacional do País.

Matrículas por Etapa de Ensino – Classes Especiais e Escolas Exclusivas
 
Ano Total
Educação 
Infantil
Fundamental Médio EJA
Educação 
Profissional
2007 348.470 64.501 224.350 2.806 49.268 7.545
2008 319.924 65.694 202.126 2.768 44.384 4.952
2009 252.687 47.748 162.644 1.263 39.913 1.119
2010 218.271 35.397 142.866 972 38.353 683
2011 193.882 23.750 131.836 1.140 36.359 797
Diferença 2010/2011 em % -11,2 -32,9 -7,7 17,3 -5,2 16,7

Matrículas por Etapa de Ensino – Classes Comuns (Alunos Incluídos)
Ano Total
Educação
Infantil
Fundamental Médio EJA
Educação 
Profissional
2007 306.136 24.634 239.506 13.306 28.295 395
2008 375.775 27.603 297.986 17.344 32.296 546
2009 387.031 27.031 303.383 21.465 34.434 718
2010 484.332 34.044 380.112 27.695 41.385 1.096
2011 558.423 39.367 437.132 33.138 47.425 1.361
Diferença 2010/2011 em % 15,3 15,6 15 19,7 14,6 24,2
Fonte: Inep 2011.

O debate sobre a inclusão das crianças com deficiência em escolas comuns já dura décadas. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, afirma que o atendimento educacional especializado gratuito às crianças com necessidades especiais deve se dar, preferencialmente, na rede regular de ensino.

Na tentativa de efetivar o processo, algumas mudanças ocorreram. Desde 2008, é admitida a dupla matrícula no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) dos estudantes da rede pública regular que recebem o chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Segundo uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 2009, o AEE deve ser ofertado em salas multifuncionais das escolas regulares, nos centros de AEE da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. Ele deve ocorrer no contraturno como uma atividade complementar aos conteúdos da sala de aula comum e deve contar com professor, material e projeto pedagógico direcionado ao aprendizado e desenvolvimento dos alunos com deficiência.

A discussão da inclusão ganhou novo fôlego no fim de maio, quando o relator do Plano Nacional de Educação (PNE), deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), alterou o texto do relatório, garantindo o atendimento educacional especializado dos alunos com deficiência quando a integração em classes comuns não for possível.

Um artigo do decreto nº 7.611, assinado pela presidente Dilma Rousseff em novembro passado, já ia nessa direção. O texto considera, para a Educação Especial, as matrículas na rede regular de ensino, em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou especializadas.

OBSTÁCULOS
Segundo especialistas em Educação Especial, apesar do número de alunos com deficiência nas redes regulares de ensino ter aumentado, os desafios para se atingir a inclusão ainda são muitos – como, por exemplo, o comprometimento do gestor da escola que recebe essa criança.

“Hoje, temos as salas multifuncionais, a formação continuada, o duplo Fundeb e outros recursos. Existe um investimento por parte do MEC e dos governos. Mas isso não basta porque o compromisso tem que ser de todos”, explica Elisa Tomoe Moriya Schulünzen, professora da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente. Elisa é pesquisadora de Educação Inclusiva e já trabalhou com mais de 250 crianças com deficiências diversas. “As escolas devem revisar seus projetos políticos-pedagógicos e os diretores devem solicitar as verbas, além de colocar essas metas no plano de desenvolvimento institucional da sua escola.”

A discussão de um projeto pedagógico que contemple a diversidade dos alunos, segundo os especialistas, é bastante complexa. “A escola da homogeneidade foi uma ilusão do passado – era muito exclusiva. Hoje, essa escola tem diferentes etnias, crenças, cores e alunos com diversos ritmos de aprendizagem. A diversidade não está presente em quem tem deficiência. Por isso, é preciso flexibilizar sem deixar ninguém de fora, percebendo o que é desafio para cada um dos estudantes”, explica Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita.

No entanto, ela aponta obstáculos como a infraestrutura das escolas, especialmente as públicas, que muitas vezes não oferecem o espaço adequado para o aprendizado e socialização das crianças com deficiência. “Tem que ter sala de apoio, tradutor de Libras (língua brasileira de sinais), materiais específicos, profissional de apoio especializado, entre outras coisas. Não adianta a criança com surdez estar numa escola regular que não tem um tradutor para Libras, por exemplo”, afirma Regina. “Ter deficiência não impede a criança de participar da maioria das propostas da escola. Mas a inclusão a qualquer custo pode resultar em não aprendizagem.”

A avaliação das crianças com deficiência também é alvo de discussão entre os especialistas. “A inclusão demanda transformações estruturais em toda comunidade escolar, a começar pela ruptura da ideia de que os estudantes devem aprender da mesma forma, no mesmo ritmo, avaliados por instrumentos padronizados de desempenho”, avalia Rodrigo Mendes, do Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos na área de Educação Inclusiva.

Para Helena Machado Albuquerque, docente da Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP),é necessário mais investimento na Educação Especial. “Para a inclusão ocorrer, precisamos querer incluir. Para isso, faltam dinheiro e políticas focadas. Precisamos investir mais em professores e materiais”, considera.

Pais de autistas buscam escola para desenvolvimento social dos filhos

O resultado é de uma pesquisa realizada pela fonoaudióloga Ana Gabriela Lopes Pimentel na Faculdade de Medicina da USP

Fonte: Agência USP


Para 53% dos pais de crianças autistas, o principal motivo para levarem seus filhos à escola é o desenvolvimento social. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Apenas 18% acredita que a escola desenvolve a aprendizagem, a independência, a comunicação e o comportamento dessas crianças.
No entanto, a contribuição positiva da escola para as crianças com espectro do autismo é quase unanimidade entre os seus cuidadores, chegando a 85%.
Este foco no desenvolvimento social é diferente da expectativa tradicional da educação e pode ser explicado por o espectro do autismo afetar principalmente a interação da criança com outras pessoas, segundo a definição da Classificação Internacional das Doenças, necessitando que o espaço escolar também auxilie neste processo.
A autora da pesquisa "Autismo e escola: perspectiva de pais e professores", a fonoaudióloga Ana Gabriela Lopes Pimentel, explica que "a falta de menção de resultados educacionais pode ser devido a um de dois fatores: ou o potencial educativo das crianças e adolescentes com autismo está sendo subestimado, ou os resultados escolares estão sendo ignorados pelas pessoas que devem compartilhar a responsabilidade por sua qualidade".
Maioria está na escola
Ana Gabriela iniciou os estudos em 2010 indagando-se sobre o processo de inserção escolar das crianças com espectro do autismo. Na primeira etapa, entrevistou individualmente 56 cuidadores de crianças com o diagnóstico do espectro do autismo enquanto seus filhos estavam na terapia fonoaudiológica.
A maioria dos pacientes era composta por meninos e a idade deles variou entre 3 e 16 anos.
Quantitativamente, a escolarização dos filhos destes entrevistados era grande — 54 crianças, o que corresponde a 96,4%. A opção pela educação regular foi feita por 85% dos cuidadores. Ana Gabriela também constatou que 100% das crianças cujos cuidadores afirmaram não ver benefícios na escolarização contavam apenas com um professor em sala de aula.
Educadores
Em geral, os educadores afirmaram ter o apoio da escola no processo de educação destas crianças, mas perceberam que falta respaldo tecnológico. O questionário aplicado a 51 professores, do ensino regular e especial, pedia para eles avaliassem a contribuição escolar para os alunos com autismo e a dificuldade que sentiam durante o processo de aprendizagem.
As áreas que os professores relataram ter mais dificuldade em seu trabalho diário em crianças com o diagnóstico do espectro do autismo foram a comunicação, a aprendizagem e o comportamento. Já a contribuição da escola e de seus trabalhos foi mais citada no desenvolvimento das áreas de comunicação e relações interpessoais destas crianças. Entre pedir informações e objetos, comentar fatos, interagir, focalizar o assunto e protestar, estes professores relataram que a maior dificuldade é em interagir.
Os profissionais também responderam, em sua maioria, que a agressão a si ou a outros colegas foi o comportamento menos observado durante os anos de trabalho com crianças autistas.

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Richa encaminha projeto para adiantar parcela de equiparação dos professores

Com a aprovação na Assembleia, o aumento salarial dos docentes atingirá, em menos de três anos, o acumulado de 50,16%

Fonte: O Estado do Paraná (PR)


O governador Beto Richa encaminhou ontem para a Assembleia Legislativa do Paraná projeto de lei que garante aumentos e equiparação salarial aos Professores da rede estadual do Paraná. Com a aprovação na Assembleia, o aumento salarial dos Professores atingirá, em menos de três anos, o acumulado de 50,16%.

O novo projeto soma mais 0,6% ao reajuste de 6,49%. Com o novo índice, será atingido o reajuste de 7,11% do piso do magistério. O mesmo projeto também trata da antecipação da última parcela da equiparação salarial dos Professores, de 3,94%, prevista para outubro.“Nosso compromisso de valorizar e de melhorar a qualidade da Educação no Paraná vem sendo cumprido com muito diálogo e transparência com a categoria”, destacou o governador.

Com a equiparação salarial, pela primeira vez na história do magistério estadual, os Professores concursados ingressam na carreira com salário inicial igual aos demais servidores com nível superior de outras áreas do Executivo estadual.Dirigentes da APP-Sindicato receberam ontem, no gabinete da Secretaria de Estado da Educação, a notícia do envio do projeto para a Assembleia.

Opinião: Faltam professores

"Brasil tem um déficit de 300 mil professores na Educação Básica", afirma Andrea Ramal

Fonte: O Globo (RJ)


O Brasil tem um déficit de 300 mil Professores na Educação básica. Em alguns estados, como Rio Grande do Norte, as Escolas precisam fazer rodízio de aulas: o Aluno fica em casa dois dias por semana, enquanto o Professor atende outra turma.

Segundo pesquisa da Fundação Carlos Chagas, só 2% dos jovens brasileiros querem ser Professores. O número de Docentes formados caiu pela metade nos últimos anos. Por que isso acontece?

Primeiro, porque a remuneração não atrai talentos. O piso salarial é de R$ 1.567, 10% do que ganha um Professor na Suíça e cinco vezes menos do que em quase todos os países da Europa e nos EUA.

Segundo, porque aumentou a cobrança da sociedade por resultados, sem melhoria nos recursos para lecionar e nas condições de trabalho. Só 4% das salas de aula das Escolas públicas têm computadores, apenas 28% têm biblioteca. Há Escolas sem água potável e sem banheiro. A indisciplina e a violência na Escola aumentaram, tornando a profissão estressante e insegura.

Terceiro, pelas perspectivas reduzidas de ascensão profissional. O plano de carreira inexiste em boa parte das redes. A preparação dos Docentes é defasada frente às necessidades dos estudantes da cibercultura, e há poucas oportunidades de formação continuada.

Quarto, porque a profissão está socialmente desprestigiada. Quase meio milhão de Professores leciona sem diploma de Ensino superior. Dos quase 60 mil Professores que dão aulas de física, mais da metade não tem formação na área (MEC, 2012). Um estudo da Fundação Lemann mostra que 30% dos que ingressam nas licenciaturas estão entre os Alunos do Ensino médio com desempenho mais fraco. Esses fatos reforçam uma falsa ideia de que qualquer um pode lecionar. As famílias tampouco promovem, em casa, a importância da figura do mestre.

Agora o MEC está montando um portal inspirado na Khan Academy, com videoaulas pela internet. Será que o Ministério e as redes de Ensino desistiram dos Professores? Deixam de levar em conta, entretanto, que o Ensino à distância e o autodidatismo puro têm bons resultados em culturas com hábitos de leitura e estudo consolidados, o que, no nosso caso, ainda precisa se construir - certamente com a orientação de Professores motivados e bem formados.

Ao esquecer os Professores, o Brasil marca passo na construção de um novo projeto de país - na contramão do que deu certo em países que, pela Educação de qualidade, construíram economias fortes e sustentáveis. 

Destinação de royalties para a Educação é tema de audiência

Reunião entre a comissão especial que analisa a proposta de destinar 100% dos recursos dos royalties do petróleo para a Educação e convidados ocorrerá nesta terça-feira

Fonte: Agência Câmara


A comissão especial que analisa a proposta de destinar 100% dos recursos dos royalties do petróleo para a Educação (PL 5500/13) realiza audiência pública nesta terça-feira (25), às 14h30.

Em pronunciamento à Nação na última sexta-feira (21), a presidente Dilma Rousseff pediu a aprovação do projeto na Câmara. A proposta tramita em urgência constitucional.

“A melhoria da qualidade do sistema de Ensino é condição indispensável para que qualquer projeto de desenvolvimento do País se sustente a longo prazo”, afirma o deputado André Figueiredo (PDT-CE), que propôs o debate.

Foram convidados:
- o ministro da Educação, Aloizio Mercadante;
- o senador Cristovam Buarque (PDT-DF);
- o assessor de Diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Rodrigo Serra; e
- o coordenador-geral da Campanha Nacional pela Educação, Daniel Cara.
O local da audiência ainda não foi definido.
Íntegra da proposta:PL-5500/2013Da Redação/DC

Dilma quer o apoio dos governadores ao projeto que destina os royalties do petróleo à Educação

Se passar na Câmara, a proposta ainda terá de ser apreciada no Senado antes de chegar à mesa de Dilma, para a sanção

Fonte: Blog do Josias (UOL)


Encontra-se no plenário da Câmara o projeto de Dilma Rousseff que destina 100% dos royalties do petróleo à educação. É o primeiro item da pauta. Como tramita em regime de urgência constitucional, nada pode ser votado na frente. Em reunião com governadores e prefeitos, nesta segunda (24), a presidente pedirá apoio ao projeto. Gostaria de vê-lo aprovado pelos deputados ainda nesta semana.

A aplicação dos royalties na área educacional foi mencionada por Dilma no pronunciamento que fez na sexta (21), em reação aos protestos de rua. É a segunda vez que ela tenta emplacar o projeto. A mesma ideia já havia tramitado no Legislativo na forma de medida provisória. Perdeu a validade em 12 de maio sem ser votada. Dilma ressuscitou-a no projeto de lei com selo de urgente.

Se passar na Câmara, a proposta ainda terá de ser apreciada no Senado antes de chegar à mesa de Dilma, para a sanção. Há um quê de marketing no uso dessa proposta como remédio para a ira das ruas. Numa perspectiva otimista, o petróleo do pré-sal só jorrará em escala comercial entre 2018 e 2020. Ou seja, se tudo correr como planejado, a verba chegará às escolas na gestão do sucessor do sucessor de Dilma.
A presidente também citou no pronunciamento de sexta o programa de mobilidade urbana. É remédio velho para a doença nova da insatisfação popular explícita. A “mobilidade” foi um dos destaques do sétimo balanço da execução do PAC 2, feito em 10 de junho. O ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades) vinculou a iniciativa à Copa do Mundo, agora também convertida em mote de passeata.

“Estamos dentro do cronograma das obras que estão planejadas para a Copa. Nós estamos acompanhando a evolução de cada empreendimento”, disse. A ministra Miriam Belchior (Planejamento) deu ossatura numérica ao lero-lero: afora os mais de 100 municípios já beneficiados com empreendimentos na área de mobilidade urbana, o governo selecionou mais 63 obras para 59 cidades, afirmou ela. O orçamento, que era de R$ 52 bilhões, foi à casa dos R$ 60 bilhões.

No gogó, o governo está ajudando a dotar as cidades de metrôs, monotrilhos, aeromóveis, trens urbanos, veículos leves sobre trilhos (VLT), BRTs e corredores de ônibus. Na prática, os projetos enfrentam uma burocracia de licenças ambientais e desapropriações de imóveis que conspiram contra a transformação da propaganda oficial em fatos.

Na semana passada, em conversa privada com o vice-presidente Michel Temer e outros correligionários do PMDB, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, citava o exemplo da capital do seu Rio Grande do Norte. Incluída no circuito da Copa, Natal teve um estádio reformado. Mas as obras de mobilidade, nas palavras de Henrique “o principal legado da Copa”, não evoluíram.

De resto, Dilma incluiu no seu pacote pós-protestos o projeto de importar médicos para suprir carências do SUS em cidades do interior. A corporação médica do Brasil torce o nariz. Mas a maioria dos prefeitos deve apoiar a iniciativa. Para evitar que o projeto sofra ataques “ideológicos”, o governo planeja dar preferência a profissionais de países europeus em detrimento dos de Cuba.

Imagina-se que, para fugir da crise econômica, médicos da Espanha e de Portugal se animarão a dar expediente no Brasil. Noutra providência, dessa vez voltada para os jovens profissionais brasileiros, o governo abrirá vagas de médicos-residentes em hospitais universitários e deve autorizar a criação de novos cursos de medicina.