terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cota em universidade para aluno de escola pública divide opiniões; Presidente deve sancionar lei


A cota de 50% será distribuída prioritariamente para negros, pardos e índios, de acordo com a proporção dessas raças em cada estado

A presidente Dilma Rousseff tem até o dia 29 de agosto para sancionar o projeto de lei que reserva metade das vagas das universidades federais para os Alunos que cursaram todo o Ensino médio em Escolas públicas. O governo federal já sinalizou que irá vetar apenas um dispositivo da proposta, o que estabelece como critério para a escolha dos Alunos a média das notas no Ensino médio, sem vestibular ou exame parecido.

A proposta das cotas (PLC 180/08 no Senado e PL 73/99 na Câmara) foi aprovada no último dia 7 de agosto pelo Senado. O texto já havia sido aprovado em novembro de 2008 pela Câmara. Se for sancionado, metade das vagas de todas as universidades federais do País passa a seguir o novo critério de seleção.

Pela proposta, todas as vagas reservadas serão distribuídas prioritariamente para negros, pardos e índios, de acordo com a proporção dessas raças em cada estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se esses candidatos não preencherem todas as vagas disponíveis, as restantes serão ocupadas pelos demais Alunos das Escolas públicas.

Metade da cota, ou seja, 25% do total de vagas das federais serão destinados apenas aos Alunos com renda familiar de até um salário mínimo e meio (hoje R$ 933) por pessoa. O restante poderá ser ocupado por estudantes com renda maior. O critério racial, porém, deverá ser observado por ambos os grupos.

Fosso - O deputado Emiliano José (PT-BA), integrante de movimentos sociais pela igualdade racial, comemorou a aprovação da reserva de metade das vagas de universidades federais para Alunos de Escolas públicas, com prioridade para negros, pardos e índios. Segundo ele, a medida ajuda a superar “o fosso que existe entre brancos e negros”.

Emiliano José afirmou que a desigualdade deve ser combatida com políticas específicas. “Vivemos quase quatro séculos de escravidão e ninguém passa por isso impunemente. Acreditar que só pela melhoria geral da Educação, por exemplo, os negros iriam ascender é um equívoco muito grande”, argumentou.

No entanto, para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), integrante da Comissão de Educação, a regra reforça o preconceito no País. O parlamentar defende as chamadas cotas sociais, que levam em consideração somente critérios de renda, mas acredita que as cotas raciais tendem a aumentar a distância entre brancos e negros.

“Só há uma raça, a raça humana. Trazer para o Brasil o debate da questão racial é importar uma questão que nunca nos afetou. O Brasil é o país da mistura, da miscigenação”, afirmou.

Raça - Onyx Lorenzoni disse ainda que a prioridade para os autodeclarados negros, pardos e índios pode prejudicar os brancos que enfrentam dificuldades financeiras. “Como será quando o menino é pobre e branco, filho de imigrantes poloneses, filho de índios que se misturaram com imigrantes europeus? Eu não vejo nenhum sentido em ‘racializar’ um País que é uma grande mistura e tem nessa mistura sua força”, disse.

Emiliano José discordou. “O branco que é pobre não fica de fora porque a lei de cotas privilegia os egressos das Escolas públicas. O fato, no entanto, é que a maioria dos pobres é negra, e isso precisa ficar claro”, afirmou.

Fonte: Jornal da Câmara 24/08/2012

Governo estuda aplicar simulado do Enem no 1º ano


A proposta permitiria identificar no início do Ensino Médio quais são as falhas no processo de aprendizado a tempo de corrigi-las até o terceiro ano

O presidente do Inep (órgão vinculado ao Ministério da Educação), Luiz Cláudio Costa, disse ontem que há um estudo para aplicar uma prova semelhante ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para alunos do primeiro ano dessa etapa de ensino.

A ideia, ainda inicial, ajudaria a solucionar problemas diagnosticados no ensino médio da rede pública, cujo índice de avaliação permaneceu inalterado entre 2009 e 2011.

A proposta permitiria ao governo identificar no início do ensino médio quais são as falhas no processo de aprendizado a tempo de corrigi-las até o terceiro ano, quando o aluno prestará o Enem para ingresso no ensino superior.

A prova teria objetivos apenas pedagógicos -o desempenho do aluno não seria levado em conta quando ele prestasse o Enem dois anos depois.

Fonte: Folha de S. Paulo 24/08/2012

Folha ganha prêmio com reportagem sobre ensino superior


A Folha ganhou o prêmio Estácio de Jornalismo, na categoria impresso nacional, com a reportagem "Universidade frauda MEC e paga comissão a igrejas".

A Folha ganhou ontem (23/08) o prêmio Estácio de Jornalismo, na categoria impresso nacional, com a reportagem "Universidade frauda MEC e paga comissão a igrejas".

Assinada pelos jornalistas Fábio Takahashi e Vanessa Correa, a reportagem mostrou que a Uniesp (uma das maiores universidades de São Paulo) se comprometia a pagar um dízimo a igrejas que lhe indicassem estudantes.

O dízimo era abastecido com verbas provenientes dos governos federal e estadual.

Essa foi a segunda edição do prêmio, organizada pelo grupo Estácio de ensino superior, que premiou reportagens sobre o setor.

Fonte: Folha de S. Paulo 24/08/2012

Deputado quer royalties de todo o setor mineral aplicados na educação



O presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputado Newton Lima (PT-SP), recebeu com satisfação o anúncio, feito pelo ministro Aloizio Mercadante, de que o governo vai defender a aplicação de 100% dos recursos dos royalties do pré-sal na Educação

O presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputado Newton Lima (PT-SP), recebeu com satisfação o anúncio, feito pelo ministro Aloizio Mercadante, de que o governo vai defender a aplicação de 100% dos recursos dos royalties do pré-sal na educação durante 10 anos. No dia 18 de setembro, data em que a Câmara vai realizar uma comissão geral para debater o Plano Nacional de Educação (PNE), Lima vai defender que os recursos provenientes dos royalties de todo o setor mineral sejam destinados ao ensino.

Na avaliação do deputado, "as riquezas do nosso solo, do nosso mar, enfim, a riqueza mineral, seja na forma de petróleo ou de outros minérios, devem ser investidas no futuro, e não no dia a dia dos gastos correntes”. Ele propõe também que seja feita uma reforma tributária para melhorar a situação de estados e municípios.

Com a destinação dos recursos dos royalties para a educação, Newton Lima disse acreditar que a administração pública “certamente conseguirá mais recursos do próprio orçamento, recursos ordinários, para aplicar em ciência, tecnologia e inovação, o que é fundamental para dar competitividade às nossas empresas e reverter o processo de desindustrialização em curso."

Inviabilizar a aprovação dos 10%

Já a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) recebeu com mais cautela a notícia sobre a aplicação, no ensino, dos royalties do pré-sal. "O meu receio é o de que isso seja uma estratégia para poder ganhar tempo e, na verdade, inviabilizar os 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação, previstos na proposta para o PNE."

O projeto de lei do PNE foi aprovado em comissão especial da Câmara e aguarda a votação de recurso, apresentado pelo líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que decidirá se a matéria deve seguir diretamente para o Senado ou se será votada pelo Plenário da Casa. O texto aprovado na comissão estabelece as metas para o setor nos próximos 10 anos, com investimento de 10% do PIB do País em educação no mesmo período. Para alcançar esse montante, o parecer do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) estipula a utilização de 50% dos recursos do pré-sal, incluídos os royalties.

A deputada Dorinha Seabra ressalta que os estados e, principalmente, os municípios estão com grande expectativa em relação à aprovação da destinação desses recursos do PIB para a educação. Para ela, se essa discussão tiver o objetivo de inviabilizar a aprovação do PNE, e isso de fato ocorrer, "os municípios vão ter que abrir mão dos recursos destinados a outras áreas."

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou, na quarta-feira (22), que a única forma de cumprir o que determina o PNE é o direcionamento de 100% dos royalties do petróleo de áreas ainda não exploradas, incluindo os do pré-sal, e de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para investimentos em educação, propostas que tramitam no Congresso.

PNE e pré-sal

Caso o recurso sobre o PNE seja aprovado pelo Plenário, o texto final para a proposta poderá ser votado pelo Plenário da Câmara em 19 de setembro. Os líderes partidários chegaram a um acordo sobre a data durante reunião nesta semana.

O projeto que altera a divisão dos royalties e da participação especial da exploração de petróleo entre os estados também está pronto para ser votado no Plenário da Câmara. Já a proposta que destina às áreas de educação e de ciência e tecnologia metade dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal aguarda votação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Fonte: Agência Câmara 23/08/2012

Educação é mais eficaz que assistencialismo

"Não será pela via da tutela de um Estado assistencialista que o Brasil terá uma repartição de renda política e socialmente aceitável, mas pelo aprimoramento da mão de obra, em todos os níveis, função direta da qualidade da Educação", afirma jornal

O ex-presidente Fernando Henrique costuma dizer, com razão, que o Brasil não é pobre, mas injusto. Há várias provas disto. A última se encontra no trabalho "Estado das cidades da América Latina e Caribe", da ONU-Habitat, no qual o país aparece como o quarto de pior distribuição de renda da América Latina, superado, apenas, em ordem decrescente, por Guatemala, Honduras e Colômbia.

O caráter da injustiça nacional fica evidente ao se comparar a mazela ao fato de o Brasil ter subido no ranking de PIBs mundiais, estando entre os seis primeiros. Mas já foi pior. Em 1990, o país liderava a lista da desigualdade continental.

Nestes 12 anos, todos reconhecem, avançou-se muito - mas não o bastante - no combate às disparidades de renda. A política de recuperação do poder aquisitivo do salário mínimo e as ações de transferência de renda, iniciadas na Era FH e radicalizadas a partir de Lula, são a mola mestra da mudança para melhor.

Mas não foi o bastante porque não se deve considerar positivo ter uma distribuição de rendimentos pior que Nicarágua, Bolívia e até Venezuela. Claro que índice de repartição da renda entre a população não pode ser considerado termômetro absoluto da situação de um país. A Venezuela, por exemplo, tem uma inflação crônica acima dos 20% e um regime que desmantela de maneira competente seu parque produtivo. Cuba, outro exemplo, deve ter boa distribuição de renda, reflexo de uma pobreza socializada equitativamente.

Porém, não se pode subvalorizar o indicador. Nem supervalorizar a melhoria do cenário social brasileiro. Ela foi importante, mas, apesar das dezenas de bilhões de reais gastos todo ano com transferências de renda, via Bolsa Família e por meio do sistema previdenciário (Loas e aposentadoria rural), o Brasil está longe de ter uma distribuição equivalente à de El Salvador.

Além de se reconhecer a injustiça do padrão de desenvolvimento brasileiro, é preciso apontar responsabilidades, causas. O economista Marcelo Neri, da FGV, especialista em políticas sociais, diagnostica que Bolsa Família, aposentadorias e pensões previdenciárias respondem por apenas um terço dos avanços. O resto se deve à renda do trabalho.

Quer dizer, não será - nem tem sido - pela via da tutela de um Estado assistencialista que o Brasil terá uma repartição de renda política e socialmente aceitável, mas pelo aprimoramento da mão de obra, em todos os níveis, função direta da qualidade da Educação - quesito em que o Brasil tem sido reprovado.

Explica-se, portanto, por que, apesar de todo o esforço feito desde a redemocratização no resgate da "dívida social", ainda há ponderável saldo a ser pago. A constatação precisa não apenas reforçar o consenso nacional em torno da prioridade no resgate do Ensino público básico, mas levar o Estado brasileiro a dar mais velocidade e abrangência aos projetos voltados à Educação.

Fonte: O Globo (RJ) 23/08/2012

Influência positiva da auto-afirmação na aprendizagem


2009-05-05

Por Isabel Azevedo *

Jovens negros vítimas de ameaça psicológica por estereotipia negativa

Na Science de 17 de Abril (2009) foi publicado um estudo cujas conclusões são da maior importância (Cohen GL, Garcia J, Purdie-Vaughns V, Apfel N, Brzustoski P: Recursive processes in self-affirmation: intervening to close the minority achievement gap. Science 324: 400, 2009) . Diz respeito à influência que uma intervenção simples – uma série de trabalhos escritos curtos mas estruturados sobre um valor importante para a auto-afirmação (por exemplo relação com familiares ou amigos ou interesses musicais), realizados ao longo do sétimo ano – tem sobre a performance escolar de alunos vítimas de ameaça psicológica por estereotipia negativa (isto é, por serem considerados menos capazes pelos professores e colegas; no caso em estudo por serem negros).

*Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Uma publicação anterior do mesmo grupo (Cohen GL, Garcia J, Apfel N, Master A: Reducing the racial achievement gap: a social-psychological intervention. Science 313: 1307, 2006) referia uma influência positiva significativa daquela intervenção sobre as notas desse mesmo ano por parte dos alunos discriminados negativamente, mais marcada no caso dos piores alunos.

A publicação deste ano refere-se à reavaliação dos mesmos alunos, dois anos após a intervenção referida no primeiro trabalho: a conclusão é que o ganho na performance escolar observado no ano da intervenção se mantém ao fim de dois anos!

Como referido no artigo, no ambiente de avaliação crónica da escola a performance está sujeita a uma retro-alimentação positiva. Um ciclo recursivo, em que a ameaça psicológica prejudica a performance, o que reforça a ameaça, o que diminui ainda mais a performance, etc., precisa duma intervenção atempada que interrompa o ciclo vicioso. Nesta investigação os autores mostram como uma intervenção relativamente simples o pode fazer.

Estes resultados não me surpreendem. Mas penso ser muito importante divulgá-los em Portugal, “país no grupo dos seis (países da Europa e América do Norte) onde mais jovens se sentem pressionados pela escola e onde maior número acredita que os professores não os acham capazes”, segundo estudo da Organização Mundial de Saúde (Health Behaviour in Schoolaged Children, inquérito feito de quatro em quatro anos).

Influência positiva da auto-afirmação na aprendizagem


2009-05-05

Por Isabel Azevedo *

Jovens negros vítimas de ameaça psicológica por estereotipia negativa

Na Science de 17 de Abril (2009) foi publicado um estudo cujas conclusões são da maior importância (Cohen GL, Garcia J, Purdie-Vaughns V, Apfel N, Brzustoski P: Recursive processes in self-affirmation: intervening to close the minority achievement gap. Science 324: 400, 2009) . Diz respeito à influência que uma intervenção simples – uma série de trabalhos escritos curtos mas estruturados sobre um valor importante para a auto-afirmação (por exemplo relação com familiares ou amigos ou interesses musicais), realizados ao longo do sétimo ano – tem sobre a performance escolar de alunos vítimas de ameaça psicológica por estereotipia negativa (isto é, por serem considerados menos capazes pelos professores e colegas; no caso em estudo por serem negros).

*Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Uma publicação anterior do mesmo grupo (Cohen GL, Garcia J, Apfel N, Master A: Reducing the racial achievement gap: a social-psychological intervention. Science 313: 1307, 2006) referia uma influência positiva significativa daquela intervenção sobre as notas desse mesmo ano por parte dos alunos discriminados negativamente, mais marcada no caso dos piores alunos.

A publicação deste ano refere-se à reavaliação dos mesmos alunos, dois anos após a intervenção referida no primeiro trabalho: a conclusão é que o ganho na performance escolar observado no ano da intervenção se mantém ao fim de dois anos!

Como referido no artigo, no ambiente de avaliação crónica da escola a performance está sujeita a uma retro-alimentação positiva. Um ciclo recursivo, em que a ameaça psicológica prejudica a performance, o que reforça a ameaça, o que diminui ainda mais a performance, etc., precisa duma intervenção atempada que interrompa o ciclo vicioso. Nesta investigação os autores mostram como uma intervenção relativamente simples o pode fazer.

Estes resultados não me surpreendem. Mas penso ser muito importante divulgá-los em Portugal, “país no grupo dos seis (países da Europa e América do Norte) onde mais jovens se sentem pressionados pela escola e onde maior número acredita que os professores não os acham capazes”, segundo estudo da Organização Mundial de Saúde (Health Behaviour in Schoolaged Children, inquérito feito de quatro em quatro anos).

Recursos hídricos, registos, educação e trabalho


2009-05-15

Por Isabel Azevedo *

As notícias e reportagens publicadas esta semana sobre a obrigatoriedade de registo dos poços, furos e outros processos de extracção de água mostraram como esta poderia ser uma excelente oportunidade para educação e ocupação realizante (com pagamento, por projecto) a jovens sem trabalho.

Para além da aprendizagem desses eventuais contratados para o trabalho, a interacção que estes teriam que ter com os milhares de proprietários dos poços permitiria um alastramento fácil desse conhecimento.

E ele, esse conhecimento, terá interesse?

* Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

É óbvio que tem, quer para o governo imediato das pequenas/grandes coisas básicas da vida, quer para o governo ecológico, não só no que respeita à água mas, por arrastamento, a um âmbito mais largo, eventualmente universal. Teriam de ser aprendidas as noções fundamentais da geografia física, dos recursos hídricos, dos parâmetros pedidos para o registo (numa reportagem televisiva um trabalhador rural perguntava: caudal? isso são os metros de fundo?), da leitura de cartas geográficas, etc..

Por que seria esta uma boa oportunidade para aprender? Porque se aprende muito melhor a ciência de que se sente a necessidade (Ortega y Gasset: Sobre o estudar e o estudante. Em: Hannah Arendt, Eric Veil, Bertrand Russell e Ortega y Gasset: Quatro textos excêntricos. Relógio d' Água, 2000).

Poupar-se-ia na perturbação dos serviços públicos que serão assoberbados por muita gente a precisar de ajuda, na preocupação e irritação das pessoas perante mais um ataque de burocracia, e talvez o trabalho no fim ficasse mais bem feito: afinal é um trabalho do princípio ao fim do espaço nacional, a fazer num período de tempo limitado.

Estarei a ver mal?

O senhor século XX

Neil Armstrong morreu aos 82 anos

2012-08-25

Por Jorge Massada

Lua, Julho de 1969 (imagens NASA)

Se alguém me perguntasse o nome de alguém que personificasse o século XX responderia sem hesitar: Neil Armstrong. Porque chefiou a missão que constituiu, para mim, o maior feito da humanidade: Chegar a outro planeta ou, mais exactamente, ao nosso satélite. Porque foi o primeiro homem a pisar outro mundo que não a Terra. Morreu este sábado na sequência de complicações que resultaram de uma intervenção cirúrgica ao coração no princípio de Agosto. Como por ironia faleceu enquanto decorre outra missão eapacial de grande envergadura: a pesquisa feita em Marte pelo robot Curiosity.

Sendo que o século XX foi palco de grandes transformações sociais, como duas grandes guerras mundiais, a implantação do comunismo, a invenção da pílula, o surgimento da Internet - tantas e tantas alterações e descobertas - o grande momento aconteceu a 20 de Julho (21 em Portugal) de 1969. Foi a chegada do homem à Lua, menos de um mês antes de outro acontecimento que deixou as suas marcas: o festival de Woodstock.

"Um pequeno passo para o homem, uma salto gigante para a humanidade" - disse Armstrong ao alunar. Depois colocou a bandeira dos Estados Unidos (cozida pela portuguesa Isilda Ribeiro, hoje regressada a Vagos, distrito de Aveiro).

Buzz Aldrin juntou-se a Neil Armstrong para um passeio lunar de duas hora durante as quais recolheram 21 quilogramas de rochas e tiraram fotografias. Miclhel Collins, o terceiro membro da tripulação da Apolo XI, permaceu mo módulo de comando em órbita.

A madrugada de 21 de Julho (em Portugal) permanecerá na memória de todos os que puderam assisitir à transmissão televisiva do maior momento da exploração do espaço. Ficará também como um momento de intensa emoção.

Investigadores facilitam aprendizagem do português

REAP.PT é uma plataforma de ensino da língua assistido por computador
2012-08-16
Por Susana Lage

Nuno Mamede
Investigadores do Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, do INESC-ID, da Universidade do Algarve, da Fundação da Universidade de Lisboa e da Carnegie Mellon University estão a desenvolver uma plataforma que permite o ensino da língua portuguesa assistido por computador.

O projeto de investigação chama-se REAP.PT e para aceder a este basta que se tenha acesso à internet. O objectivo é desenvolver ferramentas que podem melhorar o processo de aprendizagem de uma língua.

Neste momento, “a infraestrutura do sistema está concluída" e permite "que o aluno possa não só ler como ‘ouvir’ texto”, explica Nuno Mamede ao Ciência Hoje.

Segundo o investigador, o módulo de perguntas de resposta múltipla, que treinam o uso de vocabulário em contexto foi desenvolvido e complementado com um conjunto de jogos didáticos: jogos que visam treinar o reconhecimento dos sons do Português europeu, uma língua caracterizada pela forte redução de vogais; jogos que treinam o uso de modos verbais ou o emprego de nomes colectivos, ou outras competências gramaticais. Muito recentemente, o sistema passou a contar com um fluxo regular de textos diários, retirados da imprensa on-line, com textos cuja atualidade serve de maior motivação para a leitura, já que são selecionados de acordo com as preferências temáticas do aluno.

“O REAP.PT pode tornar-se num importante instrumento de apoio para os professores que ensinam a língua portuguesa a estrangeiros. Veja-se, por exemplo, o caso dos alunos estrangeiros que frequentam as universidades portuguesas”, diz Nuno Mamede.

Este sistema já está a ser testado há mais de um ano e meio por alunos do curso anual de português para estrangeiros promovido pela Universidade do Algarve e os resultados têm sido “muito positivos”. O investigador salienta ainda que o REAP.PT é “bastante flexível” e tanto pode ser usado durante uma aula, como complemento ao trabalho do professor ou como instrumento de auto-estudo, permitindo ao mesmo tempo que o professor possa avaliar a progressão do aluno.

A construção do sistema REAP envolveu uma multiplicidade de tarefas, desde o desenvolvimento e integração de recursos linguísticos, como por exemplo dicionários, lista académica de palavras, perguntas de escolha múltipla, até ao desenvolvimento e adaptação de ferramentas transversais ao Processamento de Língua Natural, como, por exemplo, classificadores de categorias gramaticais, sintetizadores de fala e reconhecedores de fala.

Imagem do jogo que permite aos alunos estrangeiros aprender as preposições de lugar
Para Nuno Mamede, as maiores dificuldades que têm surgido ao longo do projeto são a “falta de recursos linguísticos de base e o muito trabalho que se tem realizar no desenvolvimento das tarefas de implementação”. O mais desafiante, acrescenta, é a “utilização de estratégias inovadoras para um sistema novo, que pretende ensinar uma língua com características bastante diferentes das do Inglês”.

O financiamento deste projeto termina em Outubro, mas o desenvolvimento e a investigação vão continuar. Em Janeiro, foi submetida uma proposta à FCT que visa a continuação deste projeto. Também se tem procurado um investidor nacional interessado em comercializar a tecnologia desenvolvida.

“No futuro pretendemos que este instrumento permita a construção de um teste cientificamente válido, ou seja, a padronização dos testes de proficiência da língua portuguesa, por exemplo. Outro objectivo prende-se com a investigação no desenvolvimento do modelo de aluno, que permite ao sistema adaptar-se dinamicamente ao nível de conhecimentos e progresso que o aluno vai fazendo, ao longo da interação com o sistema. Também queremos desenvolver recursos que possam ser usados tanto pelos docentes no ensino da língua portuguesa como pelos alunos que pretendam aprender o português de forma autónoma”, avança Nuno Mamede.

Uma demo do jogo que permite aos alunos estrangeiros aprender as preposições de lugar pode ser vista aqui.

Promover a criatividade com ciência e matemática

Projecto europeu pretende estimular em idade pré-escolar
2012-08-22

Europa quer pequenos cientistas criativos

O «Creative Little Scientists» (CLS) é um projecto europeu coordenado em Portugal pela Universidade do Minho (UMinho), que pretende promover a criatividade através da ciência e da matemática em idade pré-escolar e no primeiro ciclo é o enquadramento. Para além a instituição portuguesa, o estudo envolve mais dez universidades europeias, e é apoiado financeiramente pela Comissão Europeia no âmbito do Sétimo Programa-Quadro.

A sua área de intervenção é o estudo e a coordenação de acções de avaliação do estado do ensino da matemática e das ciências no ensino pré-escolar e no 1º ciclo, apontando para a proposta de novas direcções que englobam o desenvolvimento de competências criativas nestes níveis etários. O objecto de estudo incide nos nove países da amostra: Alemanha, Bélgica, Finlândia, França, Grécia, Inglaterra, Malta, Roménia e Portugal.

Segundo Manuel Filipe Costa, coordenador nacional da iniciativa e professor do Departamento de Física da UMinho, “a ciência e a matemática, assim como a criatividade e a inovação são áreas reconhecidas como de importância fundamental para a desenvolvimento na Europa”, pelo que o seu fortalecimento é uma prioridade vital.

O projecto pretende constituir um contributo para uma melhor compreensão do potencial disponível ao nível do ensino da ciência e da matemática, compartilhável de forma criativa, na educação pré-escolar e escolar primária (com crianças até aos oito anos de idade).

A iniciativa termina em Março de 2014 e visa “dotar a Europa de uma ideia clara quanto às potencialidades e oportunidades de inserção da ciência e da matemática na aprendizagem, com o desenvolvimento de habilidades criativas, nos primeiros anos da formação das nossas crianças”. Por outro lado, “pretende ainda transformar o conhecimento gerado em directrizes políticas, orientações curriculares, manuais e outros instrumentos para a formação de professores nestas perspectivas e nos vários contextos europeus”.

Os trabalhos do CLS farão avaliação de resultados e proporão um conjunto de princípios e orientações concretas para a formação de professores, para além de programas de desenvolvimento, baseados no aprofundamento da introdução do estudo da ciência e da matemática na aprendizagem nos primeiros anos de educação escolar.

O conjunto de instrumentos será amplamente difundido e divulgado, com vista a influenciar desde as decisões políticas e tutelares, até aos profissionais da educação na aplicação directa dos princípios do ensino. Para atingir os objectivos, o consórcio de investigação projectou a realização de observações, a recolha de elementos de pesquisa comparativa e o desenvolvimento de estudos de campo, entre outras iniciativas.

Estudo mostra diferenças entre o ciúme feminino e masculino

Psicologia evolutiva explica que se deve a vínculo com a prole
2012-08-23

Homens sentem mais ciúme sexual e mulheres emocional

Uma investigadora chilena, da Universidade de Santiago do Chile, que se debruçou sobre as manifestações emocionais do ciúme refere que existem diferenças significativas entre as do homem e da mulher.

Para o estudo, Ana Maria Fernandez usou excertos do filme «Closer», com Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen e Natalie Portman, com cenas que envolviam momentos de traição conjugal. Os trechos da longa-metragem foram utilizados para induzir ciúmes nos participantes, controlando determinados parâmetros fisiológicos, como a respiração e batimentos cardíacos.

Embora existam diferenças, dependendo da cultura, a psicóloga defende que geralmente os homens sofrem mais de ciúme sexual e as mulheres de ciúme emocional. No entanto, ambos, homens e mulheres, sentem ciúme sexual e emocional – a proporção relativa de cada tipo é que varia.

O sexo masculino sente-se mais motivado por sentimentos de agressividade e a vontade de manter a relação por competição, mas o lado feminino aproxima-se mais da dor e tristeza, mas ambos sentem sentimentos de possessividade em relação ao outro.

Do ponto de vista da psicologia evolutiva, nos mamíferos, as fêmeas têm sempre a certeza de que os filhos são seus, já os machos podem ficar-se pela dúvida e isso pode ter influenciado a evolução do tipo de ciúme entre os géneros. As mulheres temiam acima de tudo, que se perdesse o vínculo emocional e a ajuda paterna e os homens o facto de estarem a criar um filho de outro.

Em suma, o amor e o ciúme são comportamentais muito importantes evolutivamente para a reprodução humana, mas essencialmente na manutenção do vínculo.

Família das línguas indo-europeias terá surgido na Anatólia

Investigadores utilizaram métodos desenvolvidos para fazer o rastreio de surtos virais
2012-08-24

Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland

Um novo estudo sobre a origem da família linguística indo-europeia defende a hipótese de que esta apareceu e se disseminou a partir da região da Anatólia (a actual parte asiática da Turquia), há 8000-9500 anos atrás.

A teoria mais aceite até agora, contrariada por estes investigadores da Universidade de Auckland (Nova Zelândia), diz que esta família teria surgido milhares de anos mais tarde perto do mar Cáspio (na estepe pôntico-cáspia).

Os investigadores utilizaram métodos desenvolvidos para rastrear a origem geográfica de surtos virais.“Sabendo como os vírus se relacionam entre si, é possível rastreá-los através da sua ascendência e descobrir onde tiveram origem. Aplicámos esse método às línguas”, explica Quentin Atkinson, autor principal do estudo agora publicado na «Science».

O investigador do Departamento de Psicologia da Universidade de Auckland trabalhou com equipas europeias e norte-americanas. O estudo analisa o vocabulário básico e a informação geográfica de 103 línguas indo-europeias antigas e contemporâneas. A localização e a antiguidade do antepassado comum é consistente com a hipótese da Anatólia.

É também coerente com a teoria da expansão da agricultura via Balcãs, que chegou à Europa mais ocidental há 5 mil anos. Vai, igualmente, de encontro aos dados que indicam a contribuição das populações daquela zona para o património genético europeu.

Este trabalho é a continuação de um outro estudo publicado em 2003 na «Nature» pela mesma equipa. Naquele, utilizaram métodos da biologia evolutiva para construir uma árvore genealógica das línguas. Já ali contrariaram a teoria mais convencional de que este grupo linguístico teria surgido milhares de anos mais tarde perto do mar Cáspio.

A família indo-europeia engloba numerosas línguas e dialectos da Europa, Irão e do norte da Índia.

Artigo: Mapping the Origins and Expansion of the Indo-European Language Family

Migrações humanas começaram mais cedo do que se pensava

Esqueleto com 60 mil anos encontrado no Laos
2012-08-21

Laura Shackelford

Um esqueleto muito antigo foi encontrado numa gruta nas montanhas Anamitas, no norte do Laos. Os fragmentos demonstram que as migrações humanas para o Sudeste Asiático começaram 20 mil anos antes do que se pensava, segundo revelou um estudo norte-americano publicado na PNAS.

Os fragmentos, onde se encontrava também um crânio, têm entre 46 mil e 63 mil anos – constituindo os restos humanos mais antigos até agora descobertos no e sugere que o êxodo não ocorreu apenas junto à costa marítima.

A descoberta vem mostrar ainda que os primeiros seres humanos também se instalaram no interior em locais pouco conhecidos, quando se deslocaram da áfrica para a Austrália, segundo refere no estudo Laura Shackelford, paleoantropóloga da Universidade de Illinois (EUA).

A investigadora considera que o fóssil encontrado apoia o Modelo Fora de África (ou Hipótese da origem única) que defende que todos os seres humanos hoje vivos descendem de um único grupo de Homo sapiens, surgido entre há 200 mil e 100 mil anos, que teria deixado posteriormente o continente africano há aproximadamente três mil gerações, ou entre 55 mil e 60 mil anos.

Os resultados de estudos genéticos levados a cabo pela equipa de Shackelford indicam a passagem dos primeiros humanos na região há pelo menos 60 mil anos.

Nova doença auto-imune identificada na Ásia

Doença não é contraída através de vírus
2012-08-27

Doença caracteriza-se pelo enfraquecimento do sistema imunitário, tal como acontece com a SIDA

Uma nova doença, encontrada na Ásia, tem vindo a intrigar investigadores. A maleita surgiu apenas em asiáticos e, por norma, aparece na idade adulta, por volta dos 50 anos, em média, e caracteriza-se pelo enfraquecimento do sistema imunitário, tal como no caso da SIDA, provocada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH). No entanto, nenhum dos pacientes observados tinha contraído VIH.

Segundo a equipa de cientistas que desenvolveu o estudo na Tailândia e em Taiwan, a doença não é contraída através de um vírus nem por herança familiar. A investigação contou com mais de 200 pacientes, entre 18 e 78 anos, e revelou que os voluntários portadores da nova doença possuíam anticorpos capazes de destruir uma das substâncias que combatem infecções no organismo.

Sarah Browne, cientista do National Institute of Allergy and Infectious Deseases (NIAID) e uma das autoras do estudo publicado no «New England Journal of Medicine», entre os agentes dispostos pelo sistema imunitário, para combater infecções, encontram-se as proteínas interferon-gama (IFN-gama). Estas moléculas são segregadas desde o início de uma infecção viral e activam uma segunda linha de defesa.

O grupo de trabalho chegou à constatação que a acção dos interferon-gama está bloqueada por outra molécula produzida pelo sistema imunitário, em pessoas que desenvolveram a doença.

No entanto, o que levou ao aparecimento desta doença continua inexplicado, já que apenas ocorre em asiáticos. A equipa acredita que poderá estar ligada a um factor genético ou ambiental.

Entretanto, já se sabe que antibióticos não são eficazes no combate à doença, mas não é uma doença viral ou contagiosa.

A felicidade deve ser conquistada e alimentada; faça o teste e saiba se você é uma pessoa feliz

Rosana Faria de Freitas
Do UOL, em São Paulo

Acreditando ou não na felicidade, você pode batalhar para rechear sua vida de momentos únicos e especiais

O tema é amplo, ‘enorme’, quase inesgotável: o que é a felicidade? Mesmo considerando que dá muito pano para manga, podemos tentar condensar dizendo que é um estado de bem-estar singular, diferente para cada um, que ajuda a pessoa a sustentar a alegria de viver.

“Está relacionada com o desejo que vai além da vontade, além da necessidade. O ser humano se aproxima dela quando vive seus sonhos, realiza seus projetos de vida, consegue amar”, explica Araceli Albino, psicanalista, graduada e doutoranda em psicanálise, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo.

É fato: existe uma grande variedade de conceitos e definições de felicidade. Muito já foi falado e escrito sobre o tema, mas não há uma definição absoluta do que seja – talvez porque signifique algo diferente para cada indivíduo.

“Gosto de pensar na ideia de felicidade como uma disposição, um estado de espírito. Algo dinâmico, que tem a ver com a maneira como nos relacionamos com a vida”,
destaca Marília Castello Branco, psicóloga e escritora, terapeuta dos setores de adolescentes e mulheres do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Proad/Unifesp).

Seria, então, a capacidade de viver plenamente, em um estado de serenidade, realização, satisfação e plenitude, “apesar dessa incompletude que é inerente à experiência humana”. Tal disposição, acredita a médica, nos habilita a aproveitar todas as vivências de maneira positiva, proporcionando o aprimoramento pessoal.


Para muitos, ela não existe

Pronto, agora você já sabe o que é a felicidade. Simples, assim? A verdade é que não. Se pensarmos nela como um estado permanente de alegria, deleite, prazer e ausência de sofrimento, veremos que é impossível de alcançar.

“A tristeza, a dor, a frustração – tudo isso faz parte da vida e é necessário para o desenvolvimento da nossa personalidade. O ser humano é imperfeito, incompleto, e a vida nos proporciona inúmeras dificuldades, limitações, doenças, perdas. É preciso crescer, amadurecer, descobrindo que não se é onipotente e aprendendo a lidar com tais condições”, salienta Marília.

Há quem defenda que a felicidade simplesmente não existe – como Sigmund Freud, o criador da psicanálise. Para ele, o homem é um incansável caçador do prazer e, cada vez que tem de renunciar a ele, isso lhe custa muito e é dificílimo suportar a frustração, o que o deixa distante da felicidade.

“Segundo essa teoria, nós só podemos ter satisfação parcial. A completude, a perfeição e o contentamento total não existiriam, pois sempre há falhas pelo caminho, a falta de alguma coisa que para nós é primordial”, reflete Araceli Albino.

Desalentador? Nem tanto. Acreditando ou não na felicidade plena, você pode batalhar para rechear sua vida de momentos únicos, especiais, aprazíveis. Veja, abaixo, algumas reflexões e atitudes que podem dar uma força nessa busca. Aproveite também para fazer o teste acima e ver como anda seu grau de felicidade.

Pensamentos que ajudam a chegar lá

Não aceite os modelos impostos pela sociedade. De acordo com as convenções atuais, está bem na fita quem tem corpo talhado, roupas de grife, carro de último tipo e outras aquisições que sustentam valores como status e poder. “Tais prazeres estão ao alcance de todos, basta ter dinheiro para comprá-los, o que acaba gerando uma grande ilusão. Se a pessoa não os obtém, é como se não pudesse ser feliz. Trata-se de um desejo insaciável, baseado na falsa teoria de que a felicidade pode ser comprada, e não conquistada”, diz a psicanalista Araceli Albino

Entenda que o sofrimento faz parte da vida. Procure, então, forças para lidar com as questões desagradáveis que surgirem, resolvendo-as sem se perder, sem deixar de caminhar para frente com disposição. “Não dá para esperar apenas gozo, realizações, alegrias. As dores fazem parte e nos impulsionam a crescer, evoluir”, salienta a psicanalista. “Tais sentimentos são necessários porque nos levam a um estado de introversão e profundidade. Dessa forma, paramos e olhamos para dentro de nós mesmos. Alguém que se sente o tempo todo alegre está numa condição defensiva, superficial, evitando entrar em contato consigo”, completa a psicóloga Marília Castello Branco

Aproveite os momentos infelizes para crescer. Refletir sobre os revezes, entender por que aconteceram, buscar soluções com dignidade e não se revoltar – tudo isso ajuda, e muito. Na maioria das vezes, sofrer é abrir as portas para evoluir e melhorar como ser humano. “É interessante observar que muitas pessoas que passaram por situações limite de doenças graves ou perdas extremas relataram que tais vivências, embora devastadoras, tiveram impacto positivo. E que, depois delas, se tornaram mais plenos”, observa Castello Branco

Tenha autoestima. E, atenção, isso não significa se achar o máximo – quem pensa assim na verdade está se defendendo contra sentimentos de inferioridade. Para gostar de si mesmo, é essencial se reconhecer como ser humano, acatar suas limitações e perdoar suas falhas e seus fracassos

Exercite o desapego. Acredite, de verdade, que qualquer pessoa pode ser feliz com menos, ou com pouco. Um armário abarrotado de roupas – muitas delas que você não usa há um tempão – não é nem um pouco decisivo para a sua felicidade. Exercendo a abnegação, você pode cultivar uma das qualidades mais nobres que existe, a generosidade. “Vivemos em uma cultura consumista que propõe a busca incessante pelo prazer através das coisas, da satisfação imediata dos desejos. É por isso que vemos, nas últimas décadas, um grande aumento de doenças que têm a ver com impulsos – como os transtornos alimentares e as dependências químicas e não químicas”, diz a psicóloga, que recomenda um freio nessa ânsia que parece não ter fim.

Conviva com pessoas. A sensação de pertencimento é importante para o homem. Fazer parte de uma família, um grupo, uma comunidade traz segurança e a impressão reconfortante de ser compreendido.

Faça algo pelo outro. “Frequentemente, doar-se traz mais satisfação do que uma conquista voltada para si mesmo”, defende Castello Branco. Ela acredita que, à medida que desenvolvemos a auto-estima e aprendemos a cuidar dos outros e não apenas de nós, acabamos nos tornando mais capazes de lidar com nossas carências e aceitar as limitações como parte da condição humana. “A angústia e a solidão tendem a ser relativizadas.”

Busque o autoconhecimento. Saber identificar seus sentimentos, suas capacidades e seus limites lhe permitirá avaliar as situações para fazer as melhores escolhas. “Alguém que não compreende a si mesmo fica perdido, sempre em compasso de espera, adiando decisões. Há um desgaste constante de energia para nada, é o mesmo que água que corre pelo ralo – o que, consequentemente, trará mais momentos infelizes”, sustenta Albino. O autoconhecimento fortalece o indivíduo para lidar com os inevitáveis insucessos. Ele resolve as questões difíceis de uma maneira simples, sem tentar mudar o que não é possível. “Em resumo, leva a pessoa a viver a realidade, resolvendo o que é preciso e usufruindo os prazeres que tem".

Não sacrifique sua própria felicidade em detrimento de ninguém. Nem dos filhos. “Tal ato não tornará as crianças mais felizes. Apenas irá ensiná-las de que a busca pela felicidade é algo menor, que se deve e pode abrir mão. Se quer vê-las bem, o mais valioso é mostrar, pelo exemplo, o quanto essa luta é válida para quem está disposto a isso. Provavelmente, eles farão o mesmo”, diz Castello Branco

Pense que a felicidade não é obrigatória. “Nem todo mundo quer ser feliz. Muitas pessoas não acreditam que isso existe. Outras têm medo, e existem até as que encontram prazer no sofrimento. A felicidade, como a liberdade, não pode ser obrigatória”, assegura Castello Branco

Procure ajuda, caso se sinta perdido em relação ao tema. “Um sujeito eternamente insatisfeito e mal humorado pode estar sofrendo de depressão”, diz a psicóloga, observando que nossa cultura privilegia muito a extroversão. “A introversão passa a ser algo indesejado. E a tristeza, que é um sentimento natural e necessário, acaba se transformando em uma patologia.” Vale citar também a ansiedade, comum em uma sociedade que cobra tanto pelo desempenho. “Tem a ver com o medo. Enquanto o depressivo vive no passado, na culpa pelo que vivenciou, o ansioso vive no futuro, antecipando e temendo o que vai acontecer. Isso pode ser muito angustiante”
Recorra a atividades que proporcionam realização e dão sentido à existência.

Especialmente as voltadas para o desenvolvimento pessoal, como psicoterapia, vivências espirituais, meditação

Por fim, acredite que não existe milagre, nem um livro de receitas. A felicidade é algo que precisa ser conquistado, e cultivado. “Se tiver que ser a qualquer preço, sem ética, será só uma manifestação da insatisfação, da agressividade interior. É preciso investir em algo bom, construtivo, que fará com que você se sinta realizado com suas ações e seus afetos. O sentido da vida é singular, de cada um, então é preciso se questionar sempre e ir atrás de respostas que irão pautar suas escolhas.

Só assim teremos mais momentos plenos e uma vida saudável”, enfatiza Albino. “A busca precisa ser feita dentro de nós mesmos. Paradoxalmente, a pessoa feliz é também aquela que consegue entrar em contato com o sofrimento”, finaliza Castello Branco

Estudante de 13 anos de SC cria página no Facebook para relatar problemas da escolas


Rafael Targino e Suellen Smosinski
Do UOL, em São Paulo

Reprodução da página "Diário de Classe", criada por estudante de 13 anos de Santa Catarina

Uma aluna de 13 anos de Florianópolis criou uma página no Facebook, o "Diário de Classe", que vem mobilizando estudantes e professores para denunciar as condições da escola em que estuda. Inspirada no blog de uma menina inglesa que contava sobre as condições da merenda, Isadora Faber conta os problemas que enfrenta em suas aulas e mostra como está a infraestrutura do prédio.

Entre as postagens, estão fotos com o ventilador quebrado com fios que davam choque, a quadra de esportes sem pintura, vídeos de aulas (ou da falta delas) e comentários sobre a rotina da escola (como quantas aulas foram dadas por professores titulares ou substitutos). Após as postagens, alguns dos problemas da Escola Básica Maria Tomázia Coelho –como uma maçaneta quebrada– foram resolvidos.

Os vídeos são feitos, segundo Isadora, pela irmã mais velha, que foi quem apresentou o blog da menina inglesa a ela.

Represálias

Isadora diz ter sofrido represálias na escola. “Os professores não aprovaram. As merendeiras riam, as pessoas fazem algumas indiretas. Chamaram minha mãe e disseram que eu não podia estar fazendo isso”, contou.

Ao UOL, a mãe de Isadora, Mel Faber, afirmou que a escola pediu para tirar a página do ar. “A gente foi chamado sim, porque a primeira versão da escola foi pra tirar do ar. A Isadora foi ameaçada por professores. A gente [ela e o pai] falou que apoiava”, disse.

No começo, a estudante tinha o apoio de uma amiga. No entanto, os pais da outra aluna pediram que ela parasse de alimentar a página. Isadora, então, ficou sozinha.

“Não é só porque é uma escola pública que não pode ter um ensino de qualidade”, afirmou Isadora. “Todo mundo merece ter o mesmo. Todo mundo no final do mês paga um pouquinho, que vai para as escolas públicas.”

Secretaria

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, está marcada para amanhã (28), às 14h, uma reunião entre a secretária de Educação, Sidneya de Oliveira, a diretoria de infraestrutura, a diretoria de ensino fundamental e a diretora da escola para fazer uma checagem do que procede e do que não procede nas postagens do "Diário de Classe". Um posicionamento oficial só será apresentado após a reunião.

Ainda de acordo com a assessoria, a mãe da garota também será convidada para uma conversa com a secretária de Educação e poderá levar a filha, se quiser.

Cérebro é capaz de aprender durante o sono

Estudo do instituto israelense Weizmann conclui que o cérebro humano tem capacidade de captar informações novas durante o sono

Pesquisa mostra que cérebro é capaz de aprender durante sono

BBC BRASIL

O cérebro humano tem a capacidade de captar informações novas durante o sono, concluiu uma pesquisa publicada na segunda-feira (27) por pesquisadores do instituto israelense Weizmann.

A pesquisa, realizada ao longo de três anos pela neurobióloga Anat Arzi, examinou a correlação entre olfato e audição e a memória armazenada no cérebro.

'Esta é a primeira vez que uma pesquisa científica consegue demonstrar que o cérebro é capaz de aprender durante o sono', disse Arzi à BBC Brasil.

Segundo a cientista, estudos prévios já demonstraram a capacidade de bebês aprenderem enquanto dormem, mas a pesquisa recém-divulgada descobriu que o mesmo vale para adultos.

'Aprendizagem associativa'

O experimento, realizado por Arzi em colaboração com o professor Noam Sobel, diretor do Laboratório do Olfato do instituto, examinou as reações de 55 pessoas que foram expostas a sequências de sons e cheiros enquanto dormiam.

As sequências, que incluiam um intervalo de 2,5 segundos entre o som e o cheiro, expunham os participantes a odores agradáveis (de perfume ou xampu) ou desagradáveis (de peixes podres ou outros animais em decomposição), de forma sistemática e sempre antecedidos por sons que se repetiam.

'A vantagem de se utilizar o olfato é que os cheiros geralmente não interrompem o sono, a não ser que sejam muito irritantes para as vias respiratórias', explicou a cientista.

Durante o experimento os cientistas observaram sinais de que os participantes adormecidos passaram por uma 'aprendizagem associativa'.

'Com o tempo, criou-se um condicionamento. Bastava que (os participantes) ouvissem determinado som para que a respiração deles se alterasse e se tornasse mais longa e profunda - em casos de associação com odores agradáveis -, ou mais curta e superficial - em casos de sons ligados a cheiros desagradáveis', afirmou Arzi.

A cientista também relatou que as mesmas reações ocorriam na manhã seguinte, quando os participantes acordavam. Se fossem expostos a um som associado com um odor agradável, respiravam longa e profundamente.

Informações gravadas

'O fato de que as informações ficaram gravadas no cérebro e causaram reações fisiológicas idênticas, mesmo quando os participantes estavam despertos, demonstra que eles passaram por uma aprendizagem associativa enquanto dormiam', disse.

Pessoas com lesões no hipocampo - região do cérebro relacionada à criação da memória - não registraram as informações, disse a neurobióloga.

Para Arzi, a descoberta pode ser 'um primeiro passo no estudo da capacidade do cérebro humano de obter uma aprendizagem mais complexa durante o sono'.

No entanto, segundo a cientista, são necessárias mais pesquisas para examinar as diferenças entre o funcionamento dos mecanismos cerebrais de pessoas adormecidas e despertas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Leitura acadêmica e escrita científica na universidade: dois problemas (ainda) mal resolvidos

Marcos Pereira dos Santos

Em linhas gerais, ler e escrever se configuram como duas práticas notadamente distintas. No entanto, a relação de interdependência existente entre elas são muito maiores do que podemos imaginar, principalmente quando se busca analisar essa questão no contexto da Educação Superior.

Na escola de Ensino Médio e, particularmente, na universidade são frequentes as queixas de muitos alunos quando o professor de uma determinada disciplina solicita a leitura de obras literárias, de artigos científicos relativamente extensos ou mesmo a produção de textos de diferentes estilos como critério de atividade didática em sala de aula ou avaliação parcial bimestral.

Com base em nossa larga experiência profissional docente na Educação Superior, pública e privada, podemos dizer, grosso modo, que as dificuldades de leitura acadêmica nesse nível de ensino têm como principais origens a falta do hábito de leitura por parte dos estudantes; a não familiaridade com leituras de teor científico, visando investigação, pesquisa e análise crítico-reflexiva; a formação precária recebida pelos alunos na educação escolar básica; e a ausência de percepção acerca da importância da leitura como condição de acesso ao conhecimento científico e à composição escrita de diferentes tipos de textos.

Além desses fatores causais, é possível citar ainda os problemas de atenção, concentração, estímulo, motivação e interesse por parte dos educandos; a ausência de interação dialógica entre leitor-autor; a falta de costume em destacar partes importantes de um texto científico durante o processo de leitura; e até mesmo a prática de leitura como mera memorização de definições conceituais e consequente reprodução de ideias expressas por autores de textos e obras literárias.

No que diz respeito especificamente às dificuldades de escrita científica demonstradas por estudantes universitários, pode-se dizer que as mesmas são oriundas da não priorização da leitura como condição prévia e essencial para a construção escrita de diferentes tipos de textos acadêmicos; da incompreensão dos alunos acerca das concepções teóricas expressas por autores em obras literárias; e da falta de conhecimento aprofundado sobre determinados assuntos de viés político, econômico, cultural etc. Some-se a esses entraves, o desconhecimento sobre a estrutura morfológico-sintática de um texto científico; a falta de coerência e coesão textuais, conhecimento de normas ortográficas e uso de vocabulário linguístico formal no processo de escrita; a não organização lógica de ideias a serem transcritas entre outros empecilhos.

Para que seja possível sanar, ou ao menos minimizar, as dificuldades de leitura acadêmica e escrita científica apresentadas pela grande maioria dos estudantes universitários, faz-se necessário que algumas medidas de intervenção didático-pedagógica sejam aplicadas de forma mais ou menos intensa, dentre as quais destacamos: a) incentivo da família para o hábito de leitura; b) maior frequência dos alunos às bibliotecas públicas e escolares; c) estímulo do professor para a prática de leitura e escrita de diferentes textos, iniciando por temas de interesse particular dos alunos; d) proposição de atividades avaliativas e não avaliativas referentes à reestruturação de textos de diversos estilos e elaboração de resumos, resenhas, papers, relatórios, ensaios e artigos científicos; e) participação dos estudantes em cursos de nivelamento acadêmico, oficinas de leitura e escrita acadêmica e outros eventos de natureza similar; e f) melhoria da qualidade do ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica e do encaminhamento metodológico às disciplinas de “Português Instrumental”, “Metodologia da Pesquisa Científica” e “Trabalho de Conclusão de Curso” na universidade.

Face ao exposto, entendemos ser fundamental e urgente atentar para essas questões; pois assim como a teoria não pode estar dissociada da prática, da mesma forma ler e escrever são verbos que devem ser paralelamente conjugados, embora denotem ações distintas em sua essência. São “faces da mesma moeda”. É preciso, portanto, adentrarmos ao universo da leitura e da escrita e nele descobrir as riquezas encobertas. O desafio está posto. Já é hora de encontrar uma solução eficaz e eficiente para os problemas enfrentados pelos estudantes universitários em termos de leitura acadêmica e escrita científica. Mãos à obra!

Marcos Pereira dos Santos
mestrepedago@yahoo.com.br
Doutorando em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/PR) e professor Adjunto do Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais (CESCAGE/PR).

sábado, 25 de agosto de 2012

Diante da maldade

por Carlos Hilsdorf


A realidade supera as mais criativas formas de ficção. Nenhum vilão criado até hoje pela indústria cinematográfica pode superar as maldades cotidianas cometidas por pessoas que podem estar muito próximas a nós.

Por entendermos que a essência do Homem é boa, distraímo-nos acreditando que todas as pessoas agem baseadas na bondade. Não é sempre assim.

É fato que existem mentes perigosas, dispostas a destruir pelo prazer de destruir; ardilosas, inteligentes e completamente desvinculadas da lógica, da racionalidade, da moral e da ética.

Essas pessoas estão conosco nas ruas e no trabalho, no lar e no encontro casual em um shopping center. Elas procuram “vítimas” e, frequentemente, as encontram entre as pessoas mais frágeis, bondosas e afetivas. Elas têm predileção por pessoas que demonstram lacunas emocionais doloridas - pessoas fragilizadas que acreditam em tudo o que possa parecer uma possibilidade de curá-las dessas dores.

Na Era Cristã, já se falava daqueles que devoravam a casa das viúvas, aproveitando-se de sua solidão e carência. As coisas não mudaram, apenas sofisticaram.

Sim, há pessoas destituídas de sentimentos de compaixão, amor e empatia. E elas, por aparente ironia, são as que mais acusam as outras pessoas de serem assim. O disfarce perfeito: a mãe que não age como mãe, mas finge preocupar-se ilimitadamente com os filhos; o pai que não age como pai, não protege, não provê, não se envolve, mas chora de saudade dos filhos para os quais nunca liga ou visita; a irmã invejosa da beleza da mais nova que chantageia a mãe para tornar a outra “borralheira”; a terapeuta sexual, que sequer estuda o assunto, mas é excelente para palpitar na vida dos outros com ares de especialista, enquanto em casa possui vida íntima destruída e dedica-se a prejudicar pessoas e afastar amizades que favoreçam o crescimento do marido, que quer cativo.

Há milhares de pessoas que espancam com as mãos, outras com palavras, chefes tiranos, negociantes gananciosos e uma categoria sem fim de vilões cotidianos com os quais cruzamos nas esquinas de nossas vidas. Isso quando não passamos a dividi-las com eles.

Há quem defenda que os vilões são apaixonantes, ao menos para o delírio dos que lhes querem servir de vítimas.

O fato é que podemos estar tomando café da manhã com o inimigo, dormindo com a inimiga, trabalhando lado a lado com o traidor e até mesmo, nos tornarmos vilões de nós mesmos - sabotando nossa própria felicidade e agindo com crueldade com relação a nossa própria vida.

Há muita maldade no mundo e a maldade é ausência de amor. Todo aquele que não ama e não recebe amor corre grave perigo. Trate o mal com o bem, amando o próximo, especialmente o mais próximo, mas cuidado para não levar o inimigo para dentro de casa e de não confundir inimigos com amigos.

A patologia da maldade é perigosa, desestruturante e de consequências imprevisíveis. Se fizéssemos uma pesquisa nos manicômios sobre as origens que conduziram pessoas antes consideradas normais até aquele estado encontraríamos o egoísmo, a vaidade, o orgulho e o prazer em provocar deliberadamente a dor, na base da imensa maioria dos fenômenos a que convencionamos chamar loucura.

Todo vilão é um “louco” em potencial, com incrível capacidade de tornar-se um “louco” realizado!

Não desacredite da humanidade, tampouco ande por aí de maneira desavisada convidando vilões para jantar. Na vida real, a despeito da novela, poderá não haver ninguém da produção para salvá-lo das consequências, nenhum diretor para dizer: - “Corta!”

Vilões de verdade não param, não desistem e não obedecem a direção alguma. Estão doentes, precisam de ajuda. Se quiser ajudá-los, não se torne uma vítima, vítimas nem sempre têm uma segunda chance! Mesmo que seja para ajudar...

Os bons sofrem demais porque esquecem que também é bondade denunciar e não aceitar a maldade. Ser conivente com a vilania é uma maneira de se aproximar da aquisição de seus hábitos. Saia desse âmbito de ação. Neutralize as possibilidades de que apliquem vilania à sua vida.

Se você consentir ser prisioneiro ou refém de algo ou alguém, não faltarão candidatos à vaga de vilões e sequestradores do seu destino.

A realidade supera, em muito, à ficção. Fique alerta, troque de canal, vire a página, abandone a história, esqueça a personagem...

Liberte-se!