domingo, 6 de novembro de 2011

O Enem e a literatura

LUIZ CARLOS AMORIM

O Enem - Exame Nacional do Ensino Médio, que está se transformando no substituto do vestibular, valendo já para várias universidades, dá muito pouca importância à literatura.

Dá pra contar nos dedos os escritores brasileiros consagrados contemporâneos e/ou clássicos que foram mencionados em questões do Enem, incluindo-se aquelas em que eles são citados, mas a pergunta não se refere à literatura.

Segundo a matéria, que listou os gêneros literários já abordados, histórias em quadrinhos foram mais lembradas para questionar os estudantes do que autores de crônica, de romance, de conto, etc. Para se ter uma idéia, autores como Euclides da Cunha, José de Alencar, Quintana, Coralina e outros, nunca foram abordados.

Que prova é essa que não quer saber se os estudantes leram algum clássico da nossa literatura, se conhecem os nossos mais importantes escritores contemporâneos? Que quer saber se os estudantes leram Garfield, Mafalda, Hagar, personagens de quadrinhos que nem de autores nacionais são?

Que Ministério da Cultura é esse, que formula provas para nossos estudantes de segundo grau, provas essas que valem por um vestibular, mas não cobra o conteúdo que eles deveriam ter tido em suas escolas?

Isso, mais os escândalos que tem permeado a atuação pífia do Minc em edições anteriores do Enem, evidenciam bem o descaso com a educação neste nosso Brasil de corrupções e impunidades. Provas que deveriam avaliar a qualidade de nossas escolas e que agora estão se encaminhando para tomar o lugar do vestibular, parecem ser feitas por qualquer um, sem nenhum conhecimento ou preparo para tal.

Com o abandono de nossas escolas e com uma prova que não tem condições de avaliar nada, agora com status de passaporte para a universidade, como esperar que nossos jovens cheguem ao ensino superior com condições de acompanhar os estudos e se formarem bons profissionais?

Gastam quantidades enormes de dinheiro público para aplicar a prova do Enem, uma prova com o cuidado muito aquém do que realmente merece, considerando-se as usas finalidades, mas não há dinheiro para pagar melhor professores, para fazer manutenção nas escolas que caem aos pedaços, para equipar essas mesmas escolas públicas.

Vai ver que é porque pagamos muito pouco impostos. A quantidade escorchante de impostos que pagamos não chega para financiar a educação, a saúde, a segurança e ainda disponibilizar recursos para a roubalheira de nossos políticos.

O último item tem prioridade, não é?

LUIZ CARLOS AMORIM é escritor e coordenador do Grupo Literário "A Ilha", em Santa Catarina.
luizcarlosamorim.blogspot.com/lc
amorim@ig.com.br

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