quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A importância da relação entre família e escola

Silvana Sandri

Seduc\MT
sexta-feira, 20 de julho de 2012


A necessidade de uma maior clareza sobre a responsabilidade e alcance da escola na formação da criança tem favorecido muitas discussões por parte dos educadores. Isso porque existe, uma grande transferência de papéis e funções que são próprios da família para a escola. Na modernidade, a família apresenta uma enorme falta de tempo para conviver, interagir, dialogar, enfim, fazer-se presente junto aos seus filhos. E, isso precisa mudar, a fim de que família e escola possam cumprir integralmente a sua função social. Por ser uma questão complexa e na tentativa de minimizar esses problemas e cumprir o seu papel social, a escola procura manter uma parceria com as famílias. Isso decorre da compreensão de que o processo formativo integral pressupõe a participação efetiva tanto da escola quanto da família.

Quando se fala em educação, cabe uma reflexão à respeito dos deveres da família, escola, comunidade, enfim, sociedade em geral.A intervenção conjunta é a que melhor atende aos interesses de todos, posto que cada um, dentro da sua especificidade, procure desempenhar sua função de educador.

A escola deve desempenhar não o papel de educar o aluno, dar a educação que seus pais deveriam dar. Seu papel é criar um bom relacionamento com os pais dos alunos e conscientizá-los da importância da união entre a escola, o pai e a mãe para a educação de seus filhos. A importância deste tipo de união é percebida no momento em que estes três elementos cobram do aluno/filho o mesmo padrão de conduta, ou seja, eles devem ser bem tratados na escola, mas também receber punições e gratificações conforme seu comportamento, isto tudo com o respaldo dos pais, e as crianças sabe que seus pais aprovam esta posição e, ainda, tem a mesma posição dentro do ambiente familiar.

Os pais precisam ter conhecimento da importância que se tem que dar a educação de seus filhos. Existem certas coisas que podem ser substituídas, outras
não podem ser por hipótese nenhuma: a educação familiar, que deve ser dada pelos pais, e, somente eles podem dar, bem como a educação escolar, que pode ser oferecida e proporcionada somente pela escola. Quando se fala em educação, pensa-se logo na escola, mas, no processo educacional ocorre que, as razões que levam o aluno a progredir tanto na escola quanto na sociedade podem estar centradas na própria família.

As famílias estabelecem fundos de conhecimento diversos, de acordo com sua própria história. São conhecimentos construídos na esfera das relações sociais, ensinados/aprendidos na atividade produtiva mediante os intercâmbios que produzem contextos onde a necessidade de aplicação e aquisição dos conhecimentos facilita estruturas de aprendizagem com ajuda. (BOURDIEU, 1998: 26).

Isso implica dizer que a família tem a responsabilidade de transmitir conhecimentos a partir da história devida o qual a criança faz parte aproveitando os laços de afetividade que dão facilidade pra que se construa uma aprendizagem significativa.
A participação da família na vida escolar da criança é de grande importância para o desenvolvimento da aprendizagem.

As escolas hoje fornecem refeições e serviço de creche, além de terem uma participação direta no ensino de habilidades até então reservadas tradicionalmente à família e a igreja – de aulas de direção a educação sexual, de natação e higiene pessoal. (SCHARGEL, 2002: 8)

Dessa forma, os profissionais da educação realizam as tarefas que deveria ser conferida à família, os educadores agem como pais substitutos, além de exercer o papel de médico, psicólogo, dentre outros.

A maioria das famílias é vista como uma instituição carregada de problemas, tanto financeiros quanto afetivo, mas, se esta procurasse mais a escola e se interessasse mais pelo saber da criança, talvez seria possível ter uma aprendizagem de maior qualidade.
Para muitos pais ou responsáveis, a escola nada mais é do que uma instituição social, que traz possibilidades de um futuro melhor aos seus filhos, por haver esta compreensão, e, uma certa confiança nos educadores, os pais acabam esquecendo de suas obrigações, e, mesmo tendo a consciência da importância que os estudos tem na vida, conforme a situação que a família enfrenta, os próprios pais tiram os filhos das escolas.

Afamília é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do engajo familiar ou da forma como vem se estruturando. (KALOUSTIAN, 1988: 68)

Segundo o autor, é a família que propicia os suportes afetivos e sobretudo materiais, necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela representa um papel decisivo na educação informal e formal, é em seu espaço que são absolvidos os valores morais e humanitários. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais e os laços de solidariedade.

Em suma, pode-se dizer que as crianças que têm o envolvimento da família em sua vida escolar têm grandes desenvolvimentos em seu potencial de aprender. Já aquelas que a família não acompanha estão constantemente sem motivação e na maioria das vezes possuem um baixo rendimento escolar ou um comportamento fora dos padrões da turma, indicando que provavelmente exista uma associação direta entre o envolvimento da família e seu arranjo enquanto organização social e o desempenho da criança ou adolescente na escola.

Para que as crianças tenham sucesso na sala de aula e na vida, não basta garantir-lhes uma vaga na escola, é necessário muito mais que isso.

É necessário que a família seja convocada a trabalhar e lutar pela criação de condições que venham contribuir para que cada uma criança, que, passa pela escola, tenha sucesso tanto na sala de aula quanto na vida.

A ação da família é, no entanto, uma ação complementar à da escola e a ela subordinada, porque se desconfia da competência da família para o bem educar, na verdade, no mais das vezes, afirma-se que a família não consegue mais educar os seus filhos. A esse respeito, o grande problema visto pelos educadores, é que os pais não se mostram interessados em participar da escola, pois dela também se sentem afastados.

A escola deve, não só reconhecer que o aluno realiza conexões dos conhecimentos adquiridos na família, e faz deles sua referencia no intuito de compreender e estabelecer suas relações com os conteúdos curriculares, mas também implementar ações subsidiadas em tais conexões. Não é somente a criança que é afetada pela visão estanque dos conhecimentos e experiências adquiridas fora da escola, mas também pais e professores, que sentem esta ruptura e isolamento, tendo como conseqüência o prejuízo das relações interpessoais e da própria aprendizagem do aluno. (LOPEL, 2002: 39)

Para este autor, a escola deve procurar integrar os conhecimentos que a criança traz de casa, nos conteúdos escolares, podendo assim, facilitar o desenvolvimento da aprendizagem já que, o aluno estará estudando a partir de situações concretas por ele vivenciadas.

Isso posto, cabe tanto a escola quanto a família analisar acerca de suas aproximações, diante da necessidade de um trabalho em parceria em prol da educação dos filhos e alunos.

A família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. Sendo assim, uma educação bem sucedida da criança na família é que servirá de apoio a sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando se tornar adulto. No desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas, a família sempre será a influencia de maior poder.

Formar, educar o cidadão para a vida não é um trabalho simples. Quanto maior for a parceria e a solidariedade entre escola e comunidade na identificação de valores éticos, na definição de objetivos e na consolidação de um projeto pedagógico, maior será a possibilidade de oferecer aos alunos um ambiente onde desenvolvam suas potencialidades.

Ainda pode-se dizer, que a escola encontra muita dificuldade no envolvimento com a comunidade, porque a família transferiu para ela toda a responsabilidade de educar.
Hoje há uma confusão de papéis, cobranças para ambos os lados. Parece haver, por um lado, uma incapacidade de compreensão por parte dos pais a respeito daquilo que é transmitido pela escola. Por outro lado, há uma falta de habilidade dos professores em promover essa comunicação.

Mas, a escola deve e têm tentado utilizar todas as oportunidades de contato com os pais para transmitir informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim os pais se sentirão comprometidas com a melhoria da qualidade escolar.

Quando a comunidade entender que a escola não é do diretor, nem do professor e, sim de todos, ela então irá se interessar pela escola e pela educação a qual está sendo oferecida aos seus filhos.

Assim, educadores, pais e alunos passarão a um lutar por um único ideal, que é uma educação de qualidade, que vise a formação do cidadão crítico, consciente de sua realidade, e, acima de tudo, feliz.

Silvana Sandri: Professora da Educação Básica de Barra do Bugres; Estado de Mato Grosso. Graduada em Normal Superior “ Anos Iniciais” e Pós Graduada Em Psicopedagogia e Gestão Escolar.

Seduc\MT.Seminário de Avaliação e Relatos de Experiências divulga programação

A Secretaria Adjunta de Políticas Educacionais (SAPE), por meio da Coordenadoria de Ensino Médio (CEM/Sueb) promoverá, nos dias 22 e 23 de agosto, um Seminário de Avaliação e Relatos de Experiências, com a participação de coordenadores pedagógicos e professores das escolas estaduais inscritas no Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI) e de escolas que ofertam ensino médio noturno (ver programação abaixo).

Os inscritos no evento deverão realizar a leitura prévia do texto encaminhado pela palestrante do dia 22, Profa. Dra. Mônica Ribeiro Silva (UFPR), para subsidiar os diálogos e a interação (link abaixo)

A Coordenadoria de Ensino Médio deseja que o evento possibilite um efetivo diálogo entre os participantes e que a troca de experiências seja profícua para a promoção da qualidade do ensino.

Coordenadoria de Ensino Médio/Seduc

Ensino fundamental avança no Brasil e médio fica estagnado

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostra...

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que o Brasil teve avanços nos primeiros anos do ensino fundamental, etapa da 1.ª à 4.ª série, tanto nos indicadores totais, incluindo redes privadas, quanto somente na rede pública. Levando em conta o desempenho de todas as escolas, o País saltou, de 2009 para 2011, da nota 4,6 para 5, superando a meta estipulada pelo governo, de 4,6. Na rede pública, a nota foi de 4,4 para 4,7, e a meta definida era de 4,7. A escala vai de 0 a 10.

Nos anos finais do ensino fundamental, de 5.ª à 8.ª série, o avanço foi menor. A média de todas as redes do País passou de 4,0 para 4,1, superando a meta de 3,9. Na rede pública, a pontuação foi 3,7 para 3,9, e a meta era de 3,7.

Dados detalhados desse indicador, porém, mostram que os alunos não aprenderam mais português e matemática - a proficiência dos estudantes aumentou apenas 0,22. O restante ocorreu por causa do aumento na progressão dos estudantes - houve menos repetência.

No ensino médio, a etapa tradicionalmente mais complicada do ensino, o Ideb ficou estagnado: de 3,6 para 3,7 na média geral (meta 3,7) e permaneceu em 3,4 na rede pública (meta 3,4). Nesses anos houve uma piora em nove Estados e no Distrito Federal. O objetivo do governo é chegar a 5,2 em 2021.

Para especialistas ouvidos pelo Estado, os dados indicam que o Brasil conseguiu avanços muito tímidos e grande parte dos estudantes ainda sai das escolas sem aprender o que deveriam nas suas respectivas séries.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Criticada, Lei das Cotas terá de ser adotada por metade das instituições

Estadão de São Paulo


A Lei das Cotas, aprovada na terça-feira, dia 7, pelo Senado, exige que 50% das vagas de todos os cursos das federais sejam reservadas a estudantes que cursaram o ensino médio em escola pública. A principal crítica de reitores à decisão do Senado, no entanto, é que, aprovado o projeto, sancionado pela presidente Dilma Rousseff em até 15 dias, haja quebra da autonomia universitária.

As universidades federais terão até quatro anos para se adaptar às novas regras, mas apenas um ano para adotar ao menos 25% do que a lei prevê - ou seja, terão de implementar o modelo único de cotas em uma escala menor. De acordo com levantamento do G1, atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais

A notícia não foi bem recebida, por exemplo, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conforme apurou o 'Estado' em matéria publicada na semana passada, que tem um dos cursos de Medicina mais bem avaliados e disputados do País. Segundo o reitor, Walter Albertoni, o assunto deveria ficar para a universidade.

O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, também criticou a aprovação pelo Senado da reserva de metade das vagas das instituições federais para alunos da escola pública. Ele classificou a decisão como uma "intromissão indevida".

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) precisará de poucos ajustes para adequar seu processo de seleção de alunos ao projeto de lei que prevê a reserva de 50% das vagas para estudantes egressos do ensino médio na rede pública.

Em vigor desde 2004, o sistema de cotas da UFBA reserva 43% das vagas a estudantes que tenham cursado todo o ensino médio - além de pelo menos um ano do ensino fundamental - em escolas públicas. Além disso, oferece 2% das vagas a descendentes de índios. Dentro dos 43% destinados a estudantes da rede pública, 85% das vagas são direcionadas a quem se intitula negro ou pardo, seguindo as proporções da população baiana.

Reitor da Federal do Pará (UFPA), ele ressalta que a uniformidade não é uma boa saída. "Aqui no Pará definimos cota de 50% para escola pública. Mas fomos nós que decidimos e tenho certeza de que essa fórmula não pode ser aplicada em todas.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), de acordo com levantamento do G1, é uma das universidades que não oferece sistema de ação afirmativa, e deverá se adequar à nova lei. As vagas oferecidas pela Ufam são divididas igualmente em dois processos seletivos.

A Universidade Federal do Ceará (UFC) pretende se adaptar de forma progressiva à lei. O pró-reitor de graduação da UFC, Custódio Almeida, defende que um terço da cota seja aplicada a cada ano, a partir de 2013. Em 2016, segundo a sugestão de Almeida, a UFC estaria cumprindo a lei, que exige que as universidades estejam adaptadas até este ano.

A UFC aprovou em 2012 5.784 candidatos em 2012, todos por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A universidade nunca adotou sistemas de cota para ingressar na faculdade, mas debateu o assunto em 2006. "Na época houve votação, mas o conselho não aceitou as cotas raciais, em função de não ter havido muita discussão sobre o assunto", diz Almeida.

A Universidade de Brasília (UnB) informou nesta quarta-feira (8) que uma comissão formada por alunos e professores será criada para discutir a adaptação do sistema de cotas da instituição ao projeto de lei aprovado pelo Senado. A UnB foi a primeira universidade federal a instituir o sistema de cotas raciais e destina, desde junho de 2004, 20% das vagas para candidatos negros.

De acordo com o decano de ensino e graduação da UnB, José Américo Garcia, a adaptação no sistema pode ser feita rapidamente após o fim da greve. "É um processo rápido. Basta apenas a gente deliberar no nosso conselho. Deliberando, eu já consigo implementá-lo e já para 2013, para o próximo vestibular."

Atualmente, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do estado (Ifes) trabalham com o sistema de cotas sociais. Na universidade, entre 40% a 45% das vagas de cada curso são reservadas para o candidato que comprovar que cursou apenas a escola pública e ter renda familiar inferior a sete salários mínimos. Já no instituto, 50% das vagas foram distribuídas para estudantes da rede pública.

De acordo com o reitor da Ufes, Reinaldo Centoducate, desde 2008, mais de 5 mil alunos já ingressaram na universidade pelo sistema de cotas sociais. "A Ufes até então empregava exclusivamente a cota social, mas depois que a lei for regulamentada precisaremos estudar como será feito aqui. Acredito que as escolas públicas devem se adequar e oferecer um ensino de excelente qualidade na sua base", disse.

A aprovação do projeto de lei preocupa o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil, para quem a medida interfere na autonomia universitária. "A minha posição enquanto gestor da UFG e vice-presidente da Andifes [Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior] é de que esse modelo traz um componente preocupante sobre a autonomia universitária", ressalta.

Atualmente, a UFG oferece nos processos seletivos seis mil vagas por ano. A grande maioria dessas vagas é ofertada no vestibular do início de ano. As demais, cerca de 500, são oferecidas no processo seletivo de meio de ano. Ao todo, 80% das seis mil vagas são do vestibular tradicional e 20% do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). "No vestibular tradicional, usamos as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como um dos componentes na nota final", disse o reitor.

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) reserva 50% das vagas ofertadas em todos os cursos de graduação para cotistas: são 30% das vagas para estudantes que cursavam todo o ensino básico em escolas públicas e 20% para estudantes negros também de escolas públicas. As eventuais vagas remanescentes das cotas para estudantes negros são oferecidas primeiramente para candidatos de escola pública e, caso ainda sobrem, para a ampla concorrência. Em abril deste ano, a UFMT estudava implantar, em 2013, a reserva de 100 vagas por ano para indígenas que tenham estudado em escola pública.

A Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) já reservam 50% das vagas a estudantes de escolas públicas, como prevê o projeto de lei aprovado nesta semana pelo Senado. No caso da UFSJ, dos três critérios propostos na lei - rede de ensino, renda familiar, cor e raça -, a instituição já utiliza dois: rede de ensino e cor e raça.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oferece sistema de bônus há quatro anos para estudantes de escolas públicas. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, assim que a lei for sancionada, a UFMG vai começar a trabalhar para se adequar. O edital do vestibular 2013 já foi publicado. O sistema de bônus será oferecido, mas não haverá adoção do Sisu. Na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), na seleção seriada, 60% das vagas são para alunos de escolas públicas. Já no Enem e no Sisu, 40% são para estudantes de instituições públicas.

Duas instituições mineiras não usam sistema de cotas: o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Na Paraíba, as instituições federais adotam o sistema de cotas desde o processo seletivo de 2011. Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), 30% das vagas foram destinadas para candidatos vindos do ensino público. De acordo com o presidente da Comissão Permanente do Concurso do Vestibular da UFPB (Coperve), João Lins, o percentual deve ser aumentado para 35% para o próximo ano e 40% para 2014.

No Instituto Federal da Paraíba (IFPB), foram ofertadas entre 20 e 50% das vagas dos cursos técnicos para candidatos vindos da rede pública, além 5% em todas as unidades para portadores de deficiência física. As cotas do IFPB também atingem o Sisu, com 5% para portadores de deficiência, 60% para quem mora no estado e 20% para os candidatos nascidos em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

A Universidade Federal da Paraíba (UFCG) é a única instituição federal na Paraíba que não utiliza o sistema de cotas. De acordo com sua assessoria, todo o processo seletivo é feito através do Enem. Com a iminente aprovação da cota em 50%, o colegiado na universidade irá se reunir em 2013 para discutir o sistema de cotas na UFCG.

No estado, a Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, já adota essa porcentagem de cotas desde 2010. Enquanto isso, as universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) preferem aguardar a sanção da presidente antes de iniciarem o sistema de cotas sociais.

Em seu último vestibular, a UFPE ofereceu 6.492 vagas, das quais 34% foram conquistadas por alunos de instituições públicas. Segundo a assessoria, a seleção da UFPE apresenta um sistema onde alunos da rede pública de ensino recebem acréscimo de 10% em suas notas, mas isso só interfere na quantidade de vagas ocupadas quando as notas dos alunos já estão próximas à média de aprovação de seus cursos.

A UFRPE também dá bônus de 10% na nota de alguns estudantes, desde que eles tenham feito o ensino médio no Agreste ou no Sertão pernambucano, e que escolham estudar na própria região. No vestibular 2012, a instituição ofereceu 3.240 vagas, divididas em 1.960 no Recife, 560 em Garanhuns e 720 em Serra Talhada. Atualmente, todas as vagas da Rural são preenchidas através do Sisu.

O vestibular 2013 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) não obedecerá a lei de cotas sociais aprovada pelo Senado. A decisão da presidenta da Comissão Permanente de Vestibular (Comperve), Magda Pinheiro, só poderá ser revertida se a instituição for acionada judicialmente. Ela explicou que o edital do concurso já havia sido lançado quando o texto-base da lei de cotas sociais foi aprovado pelos senadores e, além disso, irá aguardar o posicionamento de Dilma Rousseff quanto à sanção parcial ou integral do projeto de lei ou, ainda, a possibilidade de veto total ao conteúdo original apreciado pelo Senado.

A presidenta da Comperve explicou que, desde 2006, a UFRN seleciona estudantes utilizando o argumento de inclusão, que consiste numa bonificação de 10% no argumento final do candidato oriundo de escola pública.

Apesar da aprovação da lei no Senado na última terça-feira, as universidades do Rio Grande do Sul ainda não traçaram o plano para se enquadrar na nova regra. O assunto deve começar a ser tratado somente depois da sanção presidencial. No último vestibular, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reservou 30% das vagas para estudantes vindos do ensino público e autodeclarados negros. Também são disponibilizadas 10 vagas anuais para indígenas, que participam de um vestibular diferenciado.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) separa cotas de 15% para autodeclarados negros, 5% para portadores de necessidades especiais e 20% para alunos da rede pública. Também há 10 vagas para indígenas. A direção da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) afirmou que ainda não faz reserva de vagas, e que o Conselho Superior se reunirá na próxima segunda-feira (13) para discutir as mudanças com a nova lei.

A Universidade Federal de Rio Grande (Furg) não reserva vagas, mas, através do Programa de Ação Inclusiva (Proai), dá pontos extras na nota final de estudantes que cursaram o ensino público ou que são portadores de deficiência.

As duas instituições federais de ensino no estado de Rondônia, a Universidade Federal (Unir) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro), também terão que se adaptar à nova regra. Atualmente, a Unir não admite nenhum aluno através do sistema de cotas, enquanto que o Ifro tem 70% de suas vagas destinadas a alunos de condições diversas, mas não por cotas.

Em 2012, a Unir selecionou 2.400 estudantes pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sem que nenhuma vaga seja destinada para cotas. "A questão de receber o sistema de cotas chegou a ser discutida há dois anos, mas não chegou a ser implantado", afirmou o pró-reitor de graduação, Jorge Coimbra de Oliveira. No primeiro semestre de 2012 o Ifro disponibilizou 1.720 mil vagas pelo vestibular tradicional, entre os cursos técnicos de nível médio e de graduação. Pelo Sisu foram oferecidas 16 vagas neste ano. O Ifro destinou 10% das vagas para candidatos que fizeram o fundamental na Educação de Jovens e Adultos (EJA), outros 10% para candidatas participantes do Programa Mulheres Mil em Jequitibá e 50% para produtores rurais, agricultores familiares e lavradores.

Santa Catarina possui duas instituições federais de ensino afetadas pelo projeto de lei aprovado pelo Senado. Na UFSC, 20% das 3.239 vagas no vestibular 2012 foram destinadas a candidatos que cursaram integralmente o ensino fundamental e médio em escolas públicas e 10% a candidatos que se autodeclararam negros ou pardos e também tenham cursado os ensinos fundamental e médio em colégios públicos.

Já no IFSC, metade das 544 vagas foram destinadas a candidatos que estudaram todo o ensino médio em escola pública, e 10% a negros que cursaram todo o ensino médio em escola pública. Caso essas vagas não fossem preenchidas pelos candidatos a quem eram destinadas, elas seriam ocupadas por aqueles que não optaram pelas ações afirmativas. De acordo com o coordenador do Departamento de Ingresso do IFSC, André Soares Alves, afirma que o IFSC vai aguardar a sanção presidencial para ver como vai ficar a distribuição das cotas.

O Instituto Federal de Sergipe (IFS), atualmente, já trabalha com o sistema de cotas sociais. No último processo seletivo tradicional e dos cursos de graduação e técnicos ofertados pela instituição, 200 vagas foram ofertadas. No Sisu, o instituto ofereceu 145 vagas para cursos de graduação presenciais. Destas, 5% foram para pessoas com baixa renda e 5% para pessoas que cursaram a escola pública durante o ensino médio.

O pró-reitor de ensino da instituição, José Adelmo Menezes de Oliveira, afirma que o IFS ainda fará uma reunião para decidir como se adaptará à nova lei.

Inscrições para o Enade 2012 terminam sexta

Redação 24 Horas News


O prazo para instituições de ensino superior inscreverem alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2012 vai até a próxima sexta-feira, 17 de agosto. As inscrições podem ser feitas no site oficial do Enade. As provas serão aplicadas em 25 de novembro, em todo o País.

Em março, o ministro Aloizio Mercadante anunciou mudanças nas regras do exame, que valem a partir deste ano. O Enade, que era aplicado apenas a estudantes que estão concluindo o curso superior, avaliará também alunos do penúltimo semestre de graduação.

Serão avaliados alunos dos cursos de administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo e turismo. Também vão ser avaliados estudantes dos cursos de gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais. A área de comunicação social poderá ser organizada em subgrupos que permitam a avaliação de componentes específicos do setor.

Ficam dispensados do Enade 2012 os estudantes dos cursos descritos acima que colarem grau até 31 de agosto deste ano. Ficam dispensados também os estudantes que estiverem oficialmente matriculados e cursando atividades curriculares fora do Brasil, na data de realização do Enade 2012, em órgão conveniado com a instituição de ensino superior (IES) de origem do aluno.

O exame é obrigatório para os alunos selecionados e condição indispensável para a emissão do histórico escolar. A primeira aplicação ocorreu em 2004 e a periodicidade máxima com que cada área do conhecimento é avaliada é trienal.

A ausência de inscrição de alunos habilitados para participação no Enade 2012, nos termos e prazos estipulados, poderá levar à suspensão de processo seletivo para os cursos.

Unemat oferece 12 vagas no mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas

A Unemat divulga edital de seleção para o preenchimento das vagas do curso de mestrado em Melhoramento Genético Vegetal, com linhas de pesquisa em Melhoramento Genético de Plantas e Biotecnologia e Recursos Genéticos Vegetais. Serão disponibilizadas 12 vagas, sendo 6 para cada linha de pesquisa.

O período de inscrição vai até 01 de outubro. Poderão se candidatar, portadores de diploma de graduação de agronomia, biologia, engenharia florestal e áreas afins.

Para tanto, e necessário apresentar: requerimento de inscrição, cópia do diploma de graduação, histórico escolar, currículo lattes comprovado, declaração de dedicação exclusiva ao programa, duas cartas de referência, duas fotos 3x4, cópia do RG, CPF, título de eleitor, com quitação, certificado de quitação de serviço militar, barema preenchido pelo candidato e comprovante de pagamento da taxa de inscrição de R$ 100.

Os formulários específicos e o edital do processo seletivo estão disponíveis na página do programa www.unemat.br/prppg/pgmp.

As disciplinas serão ofertadas nos campi de Alta Floresta, Cáceres e Tangará da Serra, em módulos quinzenais, sendo que o período de execução ocorrerá de maneira sequencial, ou seja, não haverá sobreposição de módulos.

Aprovado pela Capes com conceito 4, este o único curso nessa especialidade em Mato Grosso. O curso visa formar profissionais aptos a desenvolver pesquisa e atividades que contribuam para o desenvolvimento da produção agrícola, especialmente nos biomas característicos do Estado.

O programa é na modalidade de associação temporária com o Programa de Pós-graduação em Genética e Melhoramento de Plantas da Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Comunidade do bairro Alvorada comemora inauguração da creche Mãe Nhara

Redação 24 Horas News


Os moradores do bairro Alvorada participaram e comemoraram, na manhã desta sexta-feira (10-08), a inauguração da creche municipal Tertuliana Maria de Arruda Souza, conhecida como “Mãe Nhara”.

A unidade, que começa a funcionar a partir de segunda-feira (13-08), atenderá 70 crianças, que receberão acompanhamento de Técnicas em Desenvolvimento Infantil (TDI’s) em uma estrutura nova e de qualidade, atendendo as necessidades dos profissionais e, além disso, tranquilizando os pais e responsáveis, que agora podem ir trabalhar despreocupados por saberem que seus filhos estão em um local seguro e com profissionais competentes.

“Antes eu tinha que pagar babá para poder trabalhar, mas agora eu vou ficar menos preocupada, porque sei que ele vai estar sendo bem cuidado. Também não vou mais precisar gastar com babá. Isso vai me ajudar muito”, conta Rayelli da Silva Ribeiro, mãe de Cauan, de apenas dois anos.

Esta obra é resultado de uma ação mitigadora do Grupo André Maggi que, em maio de 2011, construiu sua sede na avenida Dr. Hélio Ribeiro da Silva, ao lado do complexo do Centro Político Administrativo. O projeto original desta nova sede não chegaria a 10 mil metros quadrados, mas foram acrescentados mais 1,4 mil metros à obra.

Dessa forma, para compensar os impactos causados à comunidade, foi firmado um termo de compromisso entre o Grupo e a Prefeitura de Cuiabá, que previa a construção de uma creche no bairro Alvorada, de acordo com o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e Relatório de Impacto de Vizinhança (EIV), apresentados na época, e necessários para a regularização de tal empreendimento.

O diretor operacional do grupo AMaggi, Jorge Zanata, agradeceu o apoio do prefeito Francisco Galindo. “Agradeço o apoio do prefeito, que teve um papel muito importante para o sucesso desse empreendimento, que agora irá atender estas crianças”, disse.

Sob a administração da Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), a unidade inaugurada hoje conta com duas salas, equipadas com ar-condicionado, armários, televisão e brinquedos. A creche conta ainda com cozinha, refeitório com ar-condicionado, banheiros feminino, masculino e para crianças com necessidades educacionais especiais, além de um pátio gramado, que poderá ser utilizado para o desenvolvimento de algumas atividades ao ar livre.

“Esta creche era esperada há muito tempo. A comunidade está muito feliz e nós vamos fazer de tudo para agradar a todos, com muita força, muita garra e muito trabalho”, diz a diretora da creche, Zenaide da Conceição Arruda.

Na ocasião, o prefeito de Cuiabá cumprimentou e agradeceu todos os envolvidos nesta obra, lembrando a participação do ex-secretário de Educação, Permínio Pinto Filho, que acompanhou o processo de construção da creche. “Agradeço a família Maggi, que investiu na educação de Cuiabá. Com apoio e coerência naquilo que estamos fazendo, vamos continuar caminhando em um rumo de disciplina. A educação das nossas crianças é responsável pelo futuro da nossa cidade, e é por isso que devemos continuar lutando por estas melhorias”.

Além disso, o prefeito destacou a construção dos 23 novos Centros de Educação Infantil, que vão dobrar o número de atendimentos, que hoje gira em torno de 6 mil.

O secretário municipal de Educação, Silvio Fidélis, pontuou a importância de medidas compensatórias como esta. “Vejo que o empenho de todos nesta medida é um grande avanço. Até o dia 31 de dezembro estarei à frente da Secretaria Municipal de Educação, e nós queremos consolidar a nossa política de educação infantil, para que este trabalho tenha uma sequência nos próximos anos, e que ações como esta continuem acontecendo, melhorando o futuro das nossas crianças”.

Homenagem

O nome da creche homenageia a senhora Tertuliana Maria Arruda Souza, conhecida como mãe Nhara – primeira mãe “crecheira” do antigo bairro Quarta-Feira, atual bairro Alvorada. Dedicada, criou 16 filhos, dando a cada um deles muito amor e carinho, mas principalmente uma base sólida, construída por meio de valores humanos, essenciais para a formação de um cidadão de bem.

Mãe Nhara era uma líder das causas sociais, religiosas e familiares. Um dos filhos da homenageada, e servidor da SME, José Sebastião Arruda Souza, o Zezinho, como é chamado pelos colegas de trabalho, se emocionou e agradeceu pela homenagem prestada a sua mãe, que faleceu em 1995. “Eu e minha família agradecemos pela escolha do nome de minha mãe, que foi uma representante popular. Queremos que esta creche tenha como prioridade, antes de tudo, as crianças. Todos os profissionais, lotados nesta unidade, tem como obrigação somar na educação das crianças do bairro Alvorada”.

O evento contou com a presença da secretária adjunta de Educação, Cilene Antunes Maciel; do secretário municipal de Cultura, Luiz Poção; secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Márcio Puga; Joelson, representando o vereador Antônio Fernandes, que também trabalhou por esta conquista; do administrador da regional Oeste, Carlos Roberto Vieira; do vice-presidente da Associação de Moradores do bairro Alvorada, Erenite Júnior, bem como a de representantes do poder Judiciário, diretores da SME, servidores da Educação, e a comunidade em geral.

Unemat de Alto Araguaia abre agendamento para Vestibular 2012/2

Redação 24 Horas News


A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) abre o agendamento para o Vestibular 2012/2 para os cursos de graduação ofertados no campus universitário de Alto Araguaia. No total, são oferecidas 31 vagas para o curso de Comunicação Social, 19 para Letras e 23 para licenciatura em Computação. O período de agendamento segue até o dia 17 de agosto e as inscrições são gratuitas.

Para o agendamento, os interessados devem ligar das 8h às 22h (segunda à sexta-feira) para o número (66) 3481-1857, ramal 212. Para a inscrição de candidatos portadores de nível superior, é necessário apresentar diploma ou atestado de conclusão; histórico da 1ª graduação e carta de intenção (memorial manuscrito explicitando os motivos que o levaram a se inscrever na seleção para o curso). Já o candidato que possui o Ensino Médio deve apresentar, além da carta de intenção, o diploma ou histórico do Ensino Médio.

A seleção inclui análise da documentação entregue, análise da carta de intenção e prova escrita. Além disso, as provas serão específicas para cada curso de acordo com a seguinte ordem: Letras (prova escrita de Língua Portuguesa e Redação); Computação (Matemática e Redação); Comunicação Social (Conhecimentos Gerais e Redação).

As provas serão realizadas no Mini Auditório de Letras, no dia 19 de agosto, às 8h (horário oficial de Mato Grosso). A matrícula dos classificados ocorrerá 24 horas após a divulgação do resultado e as aulas terão início no dia 03 de setembro deste ano.
Para acessar o edital: http://www.aia.unemat.br/wp-content/uploads/edital-alto-araguaia.doc.

Escola Dom Bosco representará Mato Grosso no Prêmio Gestão Escolar 2012

Redação 24 Horas News


A Escola Estadual Dom Bosco, da cidade de Lucas do Rio Verde, representará Mato Grosso na etapa nacional do Prêmio Gestão Escolar 2012, que será realizado em novembro deste ano. No total, seis escolas da rede pública brasileira concorrerão ao reconhecimento máximo como 'Escola Referência Nacional em Gestão Escolar’. A escolha levou em consideração a análise de um extenso dossiê avaliativo contendo informações nas dimensões gestão pedagógica, gestão de resultados educacionais, gestão participativa, gestão de serviços e gestão de pessoas.

O processo de análise de dossiês realizado pelo Comitê Estadual (composto por representantes de distintos segmentos da Educação) resultou ainda na seleção outras cinco escolas com experiências bem sucedidas nas dimensões da gestão escolar. Elas receberão a premiação estadual pela participação e práticas desenvolvidas. A Escola Estadual João Paulo I, da cidade de Paranaíta, Escola Municipal Ensino Básico Napoleão José da Costa, de Várzea Grande, Escola Estadual Maria Hermínia Alves, de Cuiabá, e Escola Estadual Ana Neri, de Juína, participarão na segunda quinzena de novembro de um grande evento promovido pela Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso (Seduc/MT), como uma ação de incentivo e reconhecimento ao trabalhos desenvolvidos.

“É importante frisar que nós não fizemos um ranking das escolas participantes e, muito menos, das selecionadas. Todas, de maneira geral, apresentaram um desempenho muito interessante”, explica a coordenadora do PGE na Secretaria de Estado de Educação, Cátia Figueiredo. Ela salienta que o exercício de registro das atividades, a construção coletiva das ações, a busca pelo envolvimento da comunidade nas discussões pertinentes à escola só enriquecem o processo de construção de uma escola democrática.

Sobre a unidade selecionada como Destaque Estadual ela cita que a escola “conseguiu proporcionar ações que ajudaram na promoção de práticas que extrapolaram os muros da escola e tornaram os estudantes protagonistas juvenis”. Em 2012, Cátia cita que houve um expressivo número de escolas inscritas à premiação, passando das 69, em 2011, para 141, em 2012 (sendo 21 unidades da rede municipal e 120 da rede estadual).

Destaque Estadual

Desde 2007, a Escola Estadual Dom Bosco participa do Prêmio Gestão Escolar e a seleção em 2012 representa fruto de um processo coletivo construído com o passar dos anos. “O início foi complicado. Nós não possuíamos a cultura de realizar o registro, de planejar e documentar as ações nas mais distintas dimensões. Faço parte da equipe de coordenação da escola há alguns anos e posso dizer que o dossiê é um instrumento que auxílio para a promoção de melhoria do processo de ensino e aprendizagem. Esse é um processo iniciado anos atrás, coletivamente”. O relato é da gestora Soleni Teresinha Vendruscoso Ióris.

Ela pontua que o exercício diário de registro das boas práticas possibilita a avaliação e facilita interligar as dimensões da educação. “Muitos ainda são os desafios, mas percebemos uma sensível ascendência em indicadores nacionais a partir da adoção de medidas propostas com autoavaliação. “Em 2005, nossa escola foi considerada com uma das que deveriam ter atenção priorizada, por registrar Ideb de 2,5. Em 2007, já com a participação no Prêmio, passamos para 4,6. Dois anos depois chegamos a 5,2 e estamos na expectativa da divulgação de novos resultados”.

A unidade Dom Bosco atende a um total de 1,6 mil estudantes matriculados no Ensino Médio. A escola disponibiliza ainda aulas do Ensino Médio Integrado Profissionalizante, com cursos de Técnico em Informática e Técnico em Administração.

Premiação

As escolas representantes dos estados e do Distrito Federal recebem o diploma de destaque estadual/distrital e R$ 6 mil. As seis escolas finalistas, além do diploma de destaque nacional, recebem R$ 10 mil cada. A selecionada como primeira colocada ganha R$ 30 mil e o título de Referência Brasil. Os prêmios em dinheiro não são cumulativos. Os diretores de todas as instituições de ensino selecionadas para representar seus estados também são contemplados com uma viagem de intercâmbio para os Estados Unidos.

Criado em 1998 pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), em parceria com entidades que apoiam o fomento da educação no Brasil, a premiação busca valorizar e motivar as escolas públicas no desenvolvimento de uma gestão democrática e de qualidade. Ao todo, 25.139 instituições já participaram.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Modelo inovador ajuda alunos no sucesso escolar

Sara R. Oliveira

Modelo propõe ensino supervisionado e diferenciado nas disciplinas teóricas para crianças com dificuldades de aprendizagem. Resultados demonstram que alunos aprendem melhor e ganham mais confiança.

Antes de o colocar no papel e depois de o aplicar na parte prática da sua tese de doutoramento, que apresentou na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Maria Amélia Dias Martins, especialista em insucesso escolar, já tinha testado o modelo em contexto real em algumas escolas do país, durante vários anos. O modelo NEERE - Modelo de Não Exclusão pela Eficácia da Remediação Educativa - propõe um ensino supervisionado e diferenciado nas disciplinas teóricas de Português, História, Ciências, Matemática e Inglês, para as crianças com dificuldades de aprendizagem.

É um modelo inovador, económico, fácil de gerir e com premissas bem definidas. Um professor ansioso, por exemplo, não pode ensinar um aluno hiperativo. Os docentes são escolhidos em função dos alunos com quem irão trabalhar. "Um professor ansioso não pode ter um aluno que se porta mal", especifica a especialista, que acrescenta que é importante ter professores exigentes consigo próprios e com os seus alunos. A seleção é um passo importante do processo. "Escolher professores que no seu percurso escolar tenham demonstrado bons resultados com alguns alunos que desenvolvem problemas e dificuldades de aprendizagem". Os docentes recebem formação adequada para aplicar o modelo NEERE.

Os resultados são reveladores. Adequadamente aplicado, o novo modelo educativo pode aumentar, em mais de 50%, o sucesso escolar das crianças com dificuldades acentuadas na aprendizagem, de uma forma mais eficaz e economicamente viável. No âmbito da tese de doutoramento, Maria Amélia Dias Martins comprovou que os alunos aprendem melhor, têm mais confiança em si próprios e, em cem por cento dos casos, passaram de ano com aproveitamento.

Este modelo de ensino pretende aproveitar recursos já existentes e ajudar alunos com insucesso escolar. Durante um ano letivo, a especialista aplicou o modelo de educação pioneiro para crianças com dificuldades escolares acentuadas. Selecionou 24 crianças com insucesso escolar, em transição do 1.º para o 2.º ciclo, dividindo-as por um grupo experimental de 11 crianças, no qual foi aplicado o modelo NEERE, e um grupo de controlo de 13, onde vigorou o modelo de currículo comum. Os 13 alunos do grupo de controlo foram distribuídos por diferentes turmas de 5.º ano do ensino regular. Os 11 alunos do grupo experimental foram inseridos numa turma de 5.º ano, mas separados dos restantes elementos da turma nas disciplinas de Português, História, Ciências, Matemática e Inglês, com um professor por disciplina, selecionado para o estudo.

Nas aulas em que o modelo NEERE foi seguido, os docentes tiveram liberdade de utilizar métodos e materiais que consideravam mais adequados à sua área de especialidade. Esta intervenção educativa esteve subordinada aos mesmos conteúdos programáticos dos restantes alunos e a sua avaliação decorreu da mesma forma. Após um ano de aplicação, os efeitos da intervenção são visíveis. O estudo demonstra que os resultados relativos ao rendimento escolar foram positivos no grupo experimental, enquanto que no grupo de controlo continuaram negativos quando comparados com os do início do ano escolar.

No final do ano letivo, 100% dos alunos do grupo experimental transitaram para 6.º ano, o que só se verificou com 38% dos alunos que seguiram um currículo comum. Em relação à dimensão afetiva, a estabilidade emocional das crianças era considerada semelhante no início do estudo. Já a confiança dos alunos nas suas capacidades era mais elevada no grupo de controlo; o grupo experimental considerava-se menos capaz de desempenhar tarefas escolares.

No final do ano de escolaridade, as crianças ensinadas pelo modelo NEERE, apesar de ainda estarem instáveis a nível emocional, registaram um aumento significativo na sua autoconfiança. O grupo a quem foi aplicado o modelo convencional manifestou, no final do ano, mais sinais de instabilidade emocional e um nível muito mais baixo de confiança nas suas capacidades. Os resultados são claros: os alunos chegaram ao final do ano com melhor rendimento escolar, maior estabilidade emocional e uma maior confiança na sua capacidade de trabalho, em comparação com os seus colegas abrangidos pelo método de ensino atualmente em vigor.

Para Maria Amélia Dias Martins, educação é educação e ponto final. O termo educação especial é, em seu entender, subjetivo. "As escolas têm de estar equipadas para serem capazes de responder a todos os alunos que lhe aparecem", refere. O modelo acabou por surgir no final da década de 90 depois de olhar à volta e de constatar como funciona a realidade. "Há necessidade de rentabilizar, por um lado, os professores e, por outro, de os alunos se sentirem motivados entre os seus pares", comenta. As necessidades dos alunos não são colocadas de lado e os patamares de desenvolvimento são respeitados. "Todo o currículo é lecionado de acordo com o desenvolvimento da criança".

"O segredo está na supervisão, além da avaliação diagnóstica prévia", sublinha. A supervisão permanente faz toda a diferença no modelo NEERE que envolve todos os atores - professores, alunos, pais, comunidade educativa - no processo. Um modelo transversal, que se concentra sobretudo numa altura delicada do percurso escolar dos alunos, ou seja, na transição do 1.º para o 2.º ciclos. "É fundamental criar capacidades e conhecimentos e não há competências sem capacidades e sem conhecimentos", afirma Maria Amélia Dias Martins.

Neste momento, o modelo NEERE não está a ser aplicado em nenhuma escola.

Alunos do 5.º ano não podem dar erros de ortografia

Sara R. Oliveira


MEC divulga as metas curriculares que serão recomendadas no próximo ano letivo e que deverão passar a obrigatórias nos anos seguintes. Em Português, há um novo domínio: a educação literária.

A versão final das metas curriculares para o Ensino Básico está fechada. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) fixou os conhecimentos e as capacidades que os alunos devem dominar em cada ano nas disciplinas de Português, Matemática, Educação Visual, Educação Tecnológica e Tecnologias da Informação e Comunicação. No próximo ano letivo, as metas serão "fortemente recomendadas" nas escolas e deverão tornar-se obrigatórias nos anos seguintes.

Durante o período de discussão pública, a tutela recebeu 178 contributos, 90 dos quais de "sociedades científicas, associações de professores e outras entidades". O MEC adianta, em comunicado, que as propostas foram analisadas e desses contributos "foram integrados os elementos suscetíveis de enriquecer e melhorar os documentos iniciais".

Os professores de Matemática do Ensino Básico terão um caderno de apoio às metas curriculares com os suportes teóricos que sustentam os objetivos pretendidos. No 1.º ciclo, os temas são introduzidos de forma progressiva. Começa-se por "um tratamento experimental e concreto caminhando-se faseadamente para uma conceção mais abstrata e sistematizada dos diferentes conteúdos e procedimentos". Por exemplo, no 1.º ano, os alunos têm de saber contar até 100, descodificar o sistema de numeração decimal, subtrair números, contar dinheiro. No 2.º ano, conta-se até mil, multiplicam-se números naturais, resolvem-se problemas, situam-se objetos no espaço, medem-se distâncias e comprimentos. No 3.º ano, aumenta-se a contagem para um milhão e os alunos devem conhecer a numeração romana, efetuar divisões inteiras, medir com frações. No último ano do 1.º ciclo, é tempo de saber simplificar frações, multiplicar e dividir números racionais não negativos, reconhecer prioridades geométricas.

As metas de Matemática para o 2.º ciclo também estão definidas. "Os alunos deverão, à entrada do 3.º ciclo, mostrar fluência e desembaraço na utilização de números racionais em contextos variados, relacionar de forma eficaz as suas diversas representações (frações, dízimas, números mistos, percentagens) e tratar situações que envolvam proporcionalidade direta entre grandezas", lê-se no documento elaborado pelo MEC. No 5.º ano, é preciso saber efetuar operações com números racionais não negativos, aplicar propriedades dos divisores, reconhecer ângulos, entre outras matérias. No 6.º ano, as metas passam por conhecer e aplicar propriedades dos números primos, relacionar circunferências com ângulos, retas e polígonos, medir volumes de sólidos, entre outros exercícios. No 3.º ciclo, há mais metas definidas para os três anos. No 9.º ano, antes da passagem para o secundário, os alunos têm, por exemplo, de saber identificar factos essenciais da axiomatização da Geometria, bem como utilizar corretamente a linguagem da probabilidade.

Nas metas relativas à disciplina de Português, os domínios existentes - oralidade, leitura, escrita e conhecimento explícito da língua, agora denominado gramática - foram respeitados, acrescentando-se outro relativo à educação literária, para a qual foi criada uma lista de obras e textos literários para leitura anual, válida a nível nacional. No primeiro ano da escola, as crianças devem aprender a respeitar as regras e esperar a sua vez para falar. Articular palavras, partilhar ideias e sentimentos e conhecer o alfabeto são alguns dos objetivos que devem alcançar. No 2.º ano, já devem ser capazes de produzir corretamente um discurso oral, responder adequadamente a perguntas, apropriar-se de novos vocábulos. No ano seguinte, é tempo de operar com fonemas e monitorizar a compreensão. No 4.º ano, exige-se que os alunos saibam procurar informações em variados suportes de escrita, utilizar uma caligrafia legível, interpretar sentidos da linguagem figurada.

No 2.º ciclo, dão-se mais passos na disciplina de Português. Os alunos do 5.º ano devem ser capazes de escrever sem erros, escrever pequenas narrativas e colocar no papel o guião de uma entrevista. No final do 6.º ano, os estudantes devem saber fazer deduções e inferências e usar vocabulário diversificado e adequado. No 3.º ciclo, o nível de complexidade aumenta e é necessário saber produzir textos orais corretos, usando vocabulário e estruturas gramaticais diversificados e recorrendo a mecanismos de organização e de coesão discursiva.

Promover a autonomia dos alunos
Em Educação Visual, sublinha-se a importância de desenvolver a curiosidade, a imaginação, a criatividade dos alunos através de ações e experiências sistemáticas. "Neste sentido, as metas de Educação Visual pretendem estimular um universo de conhecimentos abrangentes, incentivar a assimilação de conhecimentos em rede, em que as informações são sincronizadas, permitindo alcançar uma educação em que o conhecimento circula, progride e se difunde", refere-se nos propósitos definidos pelo MEC. Técnica, representação, discurso e projeto são os domínios que sustentam as metas da disciplina.

No 2.º ciclo, as metas concentram-se nos materiais básicos de desenho, nos elementos que constituem a forma, a narrativa visual, a cor, o espaço. No 3.º ciclo, a representação de formas geométricas, o desenho expressivo, o design, a perceção visual e a construção da imagem são áreas a explorar com objetivos assumidos e para cumprir.

Articular conteúdos e expandir conhecimentos são os principais objetivos a respeitar na disciplina de Educação Tecnológica. "Esta dinâmica, que pressupõe a experiência e o erro como instrumentos, incentiva a reflexão e impulsiona o pensamento divergente." Nesse sentido, as metas incidem nas experiências práticas e num ensino focado na ampliação do conhecimento como um dos fatores diferenciadores desta área. E há quatro domínios que se destacam: técnica, representação, discurso e projeto.

Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nos 7.º e 8.º anos de escolaridade aparecem no horário como uma disciplina semestral ou anual, com uma forte componente prática e organizada nos domínios de informação, produção e comunicação e colaboração. A segurança surge como tema transversal. "Os alunos devem ser, desde o seu primeiro momento, nas aulas desta disciplina, utilizadores ativos dos computadores, das redes e da Internet." Os professores, por seu turno, devem criar situações que promovam a autonomia dos alunos. As metas das TIC devem ser vistas como objetivos finais de aprendizagem e não como uma lista de conteúdos a transmitir de uma forma sequencial.

"A definição da planificação para cada ano de escolaridade deverá ser desenvolvida de forma autónoma pelo professor, em função de uma cuidada avaliação diagnóstica". As aulas de TIC devem assim estimular a participação dos alunos em pequenos projetos, a resolução de problemas e incidir em exercícios práticos contextualizados. "A avaliação dos alunos nesta disciplina tem de ser articulada de forma coerente com o seu carácter prático e experimental", sublinha-se no documento.

Professores vão fazer exame de ingresso na carreira este ano

Lusa / EDUCARE


Os professores com menos tempo de serviço vão realizar este ano civil uma prova de avaliação que terá influência no concurso de colocação, com vista a selecionar os melhores docentes, afirmou hoje o ministro da Educação.

Nuno Crato respondia a perguntas dos jornalistas no final de um almoço do American Club, em Lisboa, em que falou das medidas que o Governo tem estado a desenvolver na área da educação.

Os moldes em que a prova vai ser aplicada estão ainda a ser discutidos pela equipa de Nuno Crato, que admite, no entanto, dispensar daquele exame "professores com um determinado tempo de serviço", tal como chegou a ser equacionado pela tutela de Maria de Lurdes Rodrigues.

Durante o discurso que proferiu perante a plateia de convidados, o ministro sublinhou que a peça principal do ensino são os professores e que estes só podem ensinar bem se dominarem o conhecimento das matérias que têm de transmitir.

De acordo com Nuno Crato, não basta aumentar a escolaridade obrigatória e pôr mais dinheiro na educação para melhorar a qualidade do ensino.

Aos jornalistas, Crato afirmou que estão a ser introduzidas algumas mudanças em relação ao recrutamento e à formação inicial de professores.

"Queremos dar, na formação inicial de professores, mais peso aos conteúdos. Ninguém pode ensinar muito bem se não dominar aquilo que vai ensinar. E estamos a introduzir uma prova de acesso à carreira docente, que, aliás, está na lei, mas que vai este ano ser implementada", indicou.

Os professores do quadro não terão de se submeter a esta avaliação, mas "para entrar na profissão, em termos definitivos, vai haver uma prova de acesso", garantiu o ministro.
Nuno Crato referiu também a autonomia que progressivamente está a ser dada às escolas e manifestou o desejo de a ver reforçada.

"Estamos a reforçar os contratos de autonomia, têm sido experiências muito positivas", disse, acrescentando que, havendo ainda concursos nacionais, a equipa que dirige gostaria também que "houvesse uma maior autonomia das escolas na contratação de professores".

São questões que, segundo o ministro, têm de "ser resolvidas a pouco e pouco".

Aos participantes no evento, Nuno Crato disse que o Governo está empenhado em reforçar os conhecimentos dos alunos nas matérias essenciais e selecionar os melhores professores para melhorar a qualidade do ensino.

"A peça essencial que garante a qualidade do ensino chama-se professor. Sem bons professores é muito difícil ter sucesso no sistema de ensino", afirmou, destacando: "Estamos a dar uma grande atenção à formação inicial de professores, avaliação e seleção. Queremos que os professores que vão ensinar sejam aqueles mais bem preparados."

Portugueses descobrem novo ‘culpado’ pela origem de Parkinson

Disfunção da mitocôndria é a grande responsável pelo aparecimento da doença

Sandra Morais CardosoSandra Morais Cardoso lidera a equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra que acaba de identificar um novo mecanismo responsável pela origem da Doença de Parkinson.

A descoberta contraria algumas das últimas teses científicas sobre as causas de uma das patologias neurodegenerativas mais comuns que afecta mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo.

Segundo o estudo, publicado na revista Human Molecular Genetics, cuja primeira autora é a aluna de doutoramento Daniela Moniz Arduíno, a disfunção da mitocôndria (que produz energia nas células) é a grande responsável pelo aparecimento da doença.

Através de estudos ex-vivo (com células de doentes de Parkinson), os cientistas portugueses demonstraram, pela primeira vez, que a deficiência no tráfego intracelular (autoestradas celulares) é provocada pela disfunção das mitocôndrias dos doentes.

“Analisámos toda a via e verificámos que a disfunção mitocondrial é o evento que está na base de uma deficiente autofagia, um mecanismo através do qual ocorre a degradação de organelos disfuncionais e de proteínas danificadas (lixo biológico que se vai acumulando ao longo do envelhecimento e que se não for eliminado leva à morte das células)”, explica Sandra Morais Cardoso.

A descoberta, fornece novas pistas para o desenvolvimento de futuros fármacos que previnam a interrupção do tráfego e, deste modo, assegurem o normal transporte intracelular, que se processa ao longo de todo o neurónio, desde o núcleo até às aos terminais sinápticos.

“Verificámos que por si só a autofagia não poderá ser utilizada como alvo terapêutico após diagnóstico, sendo por isso necessário desenvolver abordagens terapêuticas que simultaneamente promovam a autofagia e restaurem o tráfego celular”, continua a também professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Considerando que o processo autofágico tem duas componentes distintas, assumindo, por um lado, o papel de controlo de qualidade das células e, por outro, transformando os elementos da célula em nutrientes para prolongar a preservação do organismo, os investigadores estudaram todo o processo autofágico e verificaram que, na doença de Parkinson, a sua activação pode ser prejudicial.

Identificado o novo mecanismo ‘culpado’ pela origem da Doença de Parkinson, agora “o nosso desafio é estudar e perceber como é que a disfunção da mitocôndria leva à destabilização das autoestradas celulares”, conclui a investigadora.

Quando a cabeça tem uma paixão lá dentro!

Paixão, amor romântico e amor incondicional são processos distintos

Por Ana Margarida Nunes

O coração dispara, aquela pessoa não sai da nossa cabeça, maior motivação, brilho especial no olhos e sorriso constante no rosto são algumas das sensações que todos associamos a “estar apaixonado”.

* Licenciada em Biologia Microbiana e Genética pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e doutorada em Neurociências pelo King's College London em 2009.
Parece um processo simples mas na verdade é um processo muito complexo que acontece apenas 12 segundos. De repente, aquela pessoa tornou-se a mais importante! “Houve uma química!” E é verdade, estar apaixonado implica uma série de processos químicos mas também elétricos.

Hoje sabe-se que a paixão, activa várias regiões do cérebro que libertam uma série de infinitas moléculas, os neurotransmissores, que perpetuam o enamoramento. São o Cortex, os Nucleus Caudados e a Área Tegmental Ventral (VTA) as regiões do cérebro mais culpadas! O Cortex localiza-se mais ou menos na testa e no alto da cabeça. Os Nucleus Caudados e a VTA localizam-se bem lá no interior do cérebro.

O cupido acertou em cheio! Momento mágico! Explosão de sensações!O Cortex recebe informação do exterior que envia por impulsos eléctricos aos Nucleus Caudados e à VTA. Aqui, os impulsos eléctricos transformam-se em impulsos químicos. A VTA produz a Dopamina, neurotransmissor responsável pelo desejo, motivação sexual e “disparo do coração”. Isto porque a Dopamina e capaz de se converter em Adrenalina e Testosterona, também nas mulheres! Já o “brilho nos olhos” parece estar relacionado com a dilatação das pupilas do olho, aumentando a sensualidade.

Simplisticamente, quando avistamos o “objecto de paixão” recebemos informação visual que é captada no Cortex. Este emite informação para o Caudado e VTA que libertam dopamina - “et voilá” - o cupido acertou em cheio! Momento mágico! Explosão de sensações!

Ana Margarida NunesMas é claro, que este tipo de investigação tem um objectivo mais prático. Conhecer melhor o processo de enamoramento pode ajudar a tratar doenças como autismo, esquizofrenia e depressão, marcadas por disfunções sociais como a incapacidade de estabelecer contacto relacional e de estados de apatia sentimental. Estudos feitos em animais sugerem até que a “poção do amor” pode ser uma realidade.

Parece-me assim que afinal a “paixão pode ser uma droga” e que há um motivo biológico para eu acreditar em amor à primeira vista. No entanto, importa salientar que a paixão, o amor romântico e o amor incondicional são processos distintos que activam regiões distintas. Mas isso fica para uma próxima crónica!

Entrevista: "Professores não devem ser pagos só pelo desempenho"Christopher Day, professor da Universidade de Nottingham

Itamar Melo | itamar.melo@zerohora.com.br

Especialista em educação, o professor Christopher Day, da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha, avalia a meritocracia nas escolas. Leia trechos da entrevista concedida por e-mail a Zero Hora:

Zero Hora – Quais são os melhores caminhos para ter bom professores nas escolas? Como fazer para aperfeiçoá-los?

Christopher Day – Não há uma solução-atalho. Há um número de condições que precisam ser ordenadas. Primeiro, a atividade de ensino por si precisa ser atraente em termos de condições (incluindo salário, mas mais importante, condições do local de trabalho para o ensino e o aprendizado). Segundo, ela precisa ser respeitada por público e mídia. Terceiro, os treinamentos para antes e durante o ato de lecionar precisam ser de alta qualidade. E quarto, as qualificações para lecionar precisam ser reforçadas.

ZH – O senhor acredita que professores devem ser avaliados e pagos de acordo com o desempenho de seus alunos?

Day – Professores não devem ser avaliados e pagos apenas de acordo com o desempenho de seus alunos, pois é difícil indicar um relacionamento direto de “causa e efeito” entre o ensino e a realização. É claro, estudantes devem progredir guiados por um professor, então o progresso e o desempenho devem ser monitorados. Entretanto, o significado de “desempenho” é interpretado de forma diferente por pessoas diferentes. Por exemplo, enquanto é relativamente fácil examinar o progresso em matemática, é mais difícil examiná-lo no desenvolvimento de habilidades de raciocínio ou em criatividade. Finalmente, em razão de dificuldades externas em famílias e na sociedade, pode ser mais difícil de engajar e motivar alguns estudantes do que outros. Os professores, é claro, devem fazer diferença no aprendizado dos alunos.

ZH – A avaliação e a remuneração de professores de acordo com esse modelo são comuns na Grã-Bretanha?

Day – São avaliados a cada ano. Chamamos isto de “administração de desempenho”. É baseado em documentação e em observações em sala de aula. A avaliação é baseada na descrição do trabalho do professor, com foco em três tópicos: progresso e realização do estudante, padrões nacionais de ensino e planejamento do desenvolvimento do professor no contexto do plano de melhorias da escola. Isso está associado com progressão na carreira e com aumentos salariais.


ZERO HORA

Da espiritualidade ao materialismo religioso. Contradições políticas em forma de fé.

Igreja e Religião

Sou teólogo de formação. Sou Cristão. Sou católico. Vou a Igreja. Cumpro minhas obrigações doutrinárias, mas também sou humano e ser social. Respeitos outras formas de expressões religiosas, sejam cristãs ou não.

JOÃO EDISOM DE SOUSA


Sou teólogo de formação. Sou Cristão. Sou católico. Vou a Igreja. Cumpro minhas obrigações doutrinárias, mas também sou humano e ser social. Respeitos outras formas de expressões religiosas, sejam cristãs ou não.

Bispo da Igreja Renascer, Edir Macedo e agora o Pastor Valdomiro. Estes último tem sido a bola da vez e ambos viraram sinônimo de exploração da dor e da fé de seus seguidores para fomentar seu próprio capital. Isso há alguns anos ocorreu com Edir Macedo, mestre do próprio Valdomiro e discípulo de tantas outras Igrejas, seja ela católica, protestante, evangélica ou de outras doutrinas cristãs ou não. Pensamos em tantos outros espalhados por aí que sequer viram história ou notícia.

A verdade é que sempre houveram homens que, em nome de Deus, comeram o pão e beberam o vinho com o suor do rosto do outro. Por isso, sabiamente, dentre os dez mandamentos da religião cristã, um diz: “não tomarás seu santo nome em vão”. O problema não é a religião, mas as pessoas, o poder gerado pela igreja, o egoísmo e o poder macro de ser íntimo de Deus, o poder econômico e o poder metafísico daquele que diz ser mais especial que os demais. Os “escolhidos” não sei por quem. Acredito que por eles mesmos.

A história das políticas das Igrejas e das pessoas que as comandam são tão contraditórias e perversas quanto a política de estados ditatoriais. E tudo isso se torna pior quando grupos religiosos tentam fazer do estado uma extensão de suas doutrinas, tipo “bancada evangélica”, ou coisa semelhante. Isto significa busca do poder e não busca de Deus. É a petulância da chamada “evangelização” onde são sub-julgados a cultura e o saber dos povos em busca de uma única verdade: “daí a Cezar o que é de Cézar, e a Deus o que é de Deus”.

A contradição é que para alcançar a vida espiritual, o cidadão tem que pagar para um homem ou para uma organização. Ou seja, comprar com o dinheiro de seu suor, muitas vezes retirado do próprio alimento, do remédio, do conforto de sua família, dinheiro que vai para construir templos lindíssimos, adquirir propriedades valiosas, pagar luxo que por poucos são usufruídos... Tudo em nome da espiritualidade, em nome de Deus.

O que os homens oferecem materialmente a igreja, esta devolve em forma de benefício espiritual. Até ai tudo bem afinal, conforto espiritual não tem preço. Mas a pergunta que não quer calar é: por que então apenas uns homens são mais capazes que os demais usufruir do dinheiro arrecadado? Deus precisa de dinheiro para atender nossos pedidos? Deus fez uns homens para trabalhar e outros para viverem da exploração do trabalho deste?

Da teologia dos sacrifícios cultuados pelos primitivos, pelos Gregos antigos, pelo judaísmo, pelo Islã, ou pelo Candomblé ao dízimo das religiões abraâmicas, das indulgências da Igreja Católica na Idade Média as doações “espontâneas” dos diversos templos esparramados mundo afora, um ponto é comum a todos: arrecadam dinheiro vivo para receber benefícios espirituais, para serem mais privilegiados que os outros. É a psique humana explorada em nome dá fé para aliviar nossos pecados do dia a dia. Então vem a pergunta: por que Crucificar o pastor Valdomiro quando o método é antigo e funciona?

Os homens que comandam as diversas Igrejas mundo afora, na verdade estão pregando a desigualdade entre a humanidade. Afinal, somos diferentes e para alguns prosperarem outros terão que pagar, ou serem prejudicados. Minha vitória significa a derrota de alguém. E pergunto: não são os pregadores que vivem falando da desgraça e dos defeitos dos outros, afirmando que sua igreja é melhor que as demais, que Deus tem uma atenção especial aos seus? Por que não aos outros? Será que todos os demais estão errados? Os primitivos então coitados? Os índios? Coitados! São culpados por terem nascido em uma cultura sem tal templo, sem a dádiva de ter tido tais pastores em suas vidas. E só por isso já são desgraçados por natureza?

Para analisar Valdomiro não posso usar dois pesos e duas medidas. O que me resta é a fé em Deus e não nos homens que falam em Seu nome e pedem dinheiro. Para agradar Deus devo fazer o bem ao meu irmão, principalmente aos mais necessitados e não aos que pedem em nome de Deus. Jesus afirmou “que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 5-12-14). Entendo que possamos ser melhores se substituirmos as pregações moralistas pela compreensão a dor do próximo. Substituir o julgamento da solidão alheia pelo amor ao próximo. O dízimo pela ajuda aos necessitados. A indulgencia pelo respeito a todos os credos e formas de fé que não envolvam troca e nem compra de curas e milagres.

(*) JOÃO EDISOM DE SOUSA




Ensino – Aprendizagem: Os Múltiplos Desafios

Vanessa Sanceverino Esteves


Há tempos, a avaliação era motivo para medo, tensão e ansiedade. Hoje em dia, as idéias em relação a este processo mudaram bastante, podendo evoluir ainda mais. O que se precisa fazer é escolher o método avaliativo ideal para cada grupo em questão. Sendo assim, o processo será melhor aproveitado tanto pelo educador como para o educando.

O educador precisa estar atento ao grupo analisado, percebendo que o desempenho do aluno pode ser mensurado pela maneira com que se trabalham os conteúdos, na sua participação nas aulas, no contato com o grande grupo, etc. Através dessa observação o educador pode ver onde há dificuldades e também as vitórias da turma, podendo escolher qual é a melhor forma de trabalhá-las. Acima de tudo, o crescimento pessoal e em grupo do aluno deve ser levado também em conta, não só a nota atribuída a ele através de métodos avaliativos escritos.

É importante para o educando saber como será avaliado no decorrer dos trabalhos em sala, e também quais os critérios utilizados pelo educador nesse momento. Estando por dentro desse contexto, haverá maior empenho e preparação do aluno. Nestes casos, o processo avaliativo tende a ser mais bem sucedido tanto para o professor como para o aluno, além de tudo pode-se interpretar de forma mais clara os resultados alcançados no processo ensino-aprendizagem.

Mas o grande passo para o processo avaliativo de sucesso consta em inovar sempre. Buscar esses métodos analisando a realidade do aluno, facilita muito na escolha da melhor forma avaliativa. Desmistificando o “terror” do processo avaliativo, o professor alcançará os resultados positivos e esperados com mais facilidade e aproveitamento. Importante ainda dizer que o aluno deve ter oportunidade de participar da elaboração das regras, dos limites, dos critérios de avaliação, das tomadas de decisão, além de assumir pequenas responsabilidades.

Um processo avaliativo interessante são os seminários, onde é possível uma troca rica de vivências e experiências. O conteúdo trabalhado pode ser mais bem explanado e discutido de forma simples, informal e completa. A auto-avaliação pode ser muito proveitosa também. O aluno torna-se crítico e analisa seu processo de aprendizagem. Essa análise faz o aluno perceber onde há dificuldades e também os pontos fortes nesse processo. Além disso, o professor pode sugerir atividades para melhoria dessas dificuldades, e não corre o risco de ser injusto em alguma avaliação.


Essa forma avaliativa pode ser através de questionários, de conversas no coletivo ou de entrevistas individuais. Pretende-se que ela ajude o aluno a criar senso de responsabilidade, o faça exercitar a capacidade de autocrítica, que o instigue a refletir sobre sua conduta. Este é realmente o papel da auto-avaliação.

Os conselhos de classe são uma forma de melhorar o trabalho docente em sala e também adaptar o currículo da forma mais flexível para o grupo. Nas reuniões pode haver a troca de experiências entre os educadores e também diversas opiniões sobre os alunos em questão. Uma sugestão para enriquecer ainda mais essas reuniões é interagir com a família do aluno. A troca de experiências família x escola pode ser muito produtiva quando o assunto é avaliação. As escolas deveriam investir nessa interação sempre que possível.

A avaliação é um dos meios pelos quais podemos conhecer os alunos. Ela permite acompanhar os seus passos no dia-a-dia. Descreve as trajetórias, seus problemas e suas potencialidades, favorecendo que o trabalho de ensino-aprendizagem se dê de forma coerente com os objetivos e desejos de professores e alunos.

É muito simples tratar a avaliação ao nível de importância de seus instrumentos. Alguns teimam em entender por avaliação os tipos de provas, de exercícios, de testes, de trabalhos etc. Mas a avaliação deve ser vista como um processo amplo da aprendizagem, indissociável do todo, envolvendo responsabilidades do professor e do aluno. Ao tratar a avaliação dessa forma, percebemos seus verdadeiros propósitos, sua relação com o ensinamento, seu aspecto formativo e contínuo no processo educacional da atualidade.


Vanessa Sanceverino Esteves é Coordenadora do DC na Sala de Aula

Publicado no Suplemento DC na Sala de Aula

Aluno branco de escola privada tem nota 21% maior que negro da rede pública

Carlos Lordelo e Davi Lira, do Estadão.edu, Ocimara Balmant e Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo


Recorte inédito de dados de desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010 nas capitais do País, além de confirmar a distância entre as notas médias dos estudantes de colégios particulares e os de escolas públicas, revela o abismo que separa estudantes brancos e negros das duas redes.

Os números mostram que as notas tiradas pelos alunos brancos de escolas particulares no exame são, em média, 21% superiores às dos negros da rede pública - acima da diferença de 17% entre as notas gerais, independentemente da cor da pele, dos estudantes da rede privada e os da rede pública.

O levantamento também aponta distorções entre os Estados. De acordo com especialistas, esse cenário é o reflexo da desigualdade social e também da diferença dos níveis de qualidade das redes estaduais.

A reserva de vagas por cor de pele está na Lei de Cotas aprovada no Senado na semana passada. O projeto, que precisa ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff, prevê que 50% das vagas das universidade federais sejam reservadas para alunos da escola pública - respeitando critérios de renda e reservas proporcionais por Estado para pretos, pardos e indígenas.

Como a maioria das federais adota o Enem como critério de seleção, o levantamento indica um cenário aproximado sob a nova Lei das Cotas.

Vantagem da escola paga. Por sua vez, a nota média de negros que estudam em escola privada é 15% superior às dos negros da rede pública - próxima dos 17% entre todos os estudantes da rede particular e da rede pública.

Embora em menor dimensão, a variação de desempenho entre negros e brancos dentro da escola pública também é desvantajosa para o primeiro grupo. Na média, os brancos têm médias 3% maiores que os negros. O fato de os negros terem rendimento menor do que os brancos, mesmo dentro da rede pública, tem explicações econômicas e pedagógicas, segundo a diretora do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

Na questão econômica, segundo ela, a explicação é que "entre os pobres, os negros são os mais pobres". O lado pedagógico refletiria a baixa expectativa. "Em uma sala de aula, se uma criança negra começa a apresentar dificuldade, a professora desiste de ensiná-la muito mais rapidamente do que desistiria de um estudante branco."

O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), José Fernandes Lima, ressalta que há um "acúmulo de desigualdades". "Fica claro que temos dois tipos de desigualdade: a social e racial. É a soma de dificuldades", afirma ele, que defende a combinação do fator racial com a cota cujo princípio é a escola pública. "Se os alunos da escola pública entram em desvantagem com a rede privada, os alunos negros da escola pública têm uma desvantagem ainda maior."

Abismos. Segundo Lima, há outros fatores importantes para entender os dados, como a qualidade das redes públicas - principalmente estaduais -, índices de reprovação e até realidades culturais locais.

Essa complexidade de fatores fica clara ao analisar os dados por capitais. O mapa do desempenho pelo fator racial mostra verdadeiros abismos. O negro de Belo Horizonte que estuda em escola pública, por exemplo, tem nota 12% superior à do negro da mesma rede em Manaus. As duas cidades têm os extremos de notas desse grupo: 521,03 e 463,85, respectivamente.

Vitória, capital capixaba, tem uma média de 502,59 nas provas objetivas (sem a redação) dos estudantes negros, a sexta maior entre as capitais. Mas na comparação com os alunos brancos de escolas particulares, a diferença é a maior de todas: os brancos da rede privada têm média 27% superior à dos negros das públicas.

Não por acaso, os negros de escolas públicas de Vitória têm o pior desempenho na comparação com os brancos da mesma rede: nota 8% inferior, demonstrando que as diferenças raciais se reforçam até na mesma realidade escolar daquele Estado. Os negros das escolas particulares não têm o mesmo sucesso em notas que os brancos da mesma rede.

A proporção de negros por Estado, que vai servir como critério para a reserva de vagas nas universidades e escolas técnicas federais, influencia as médias. Salvador, por exemplo, tem uma das maiores proporções de negros na sua população. Apesar da participação maciça desse grupo na escola pública, a diferença de nota para os brancos de escolas privadas bate em 25% - só perde para Vitória.

Textos. Em geral, as diferenças de desempenho entre negros e brancos sempre são menores nas notas das redações. Em Florianópolis, considerando a parte objetiva do Enem, há uma distância de 20% entre a nota média de negros de escolas públicas e a de brancos das particulares. Na redação, essa diferença cai para 8%.

Segundo o professor Francisco Platão Savioli, da USP e do Anglo, a explicação envolve os tipos de competências que a redação consegue avaliar. "A redação não mede um conhecimento momentâneo, mas um conhecimento calcado na experiência de vida, até mesmo na luta contra as contrariedades", diz ele. "O texto avalia competências que outras matérias não avaliam."


Dia Nacional dos Estudantes em MT é comemorado com apresentações

ATIVIDADES CULTURAIS

Alunos realizam eventos culturais em praça de Cuiabá.

Dia Nacional dos Estudantes é comemorado neste sábado (11)
G1 MTEstudantes realizam apresentações em praça de Cuiabá (Foto: Marcelo Ferraz/G1)
Alunos das escolas estaduais e municipais de Mato Grosso participaram das atividades culturais realizadas na Praça Alencastro, em Cuiabá, em comemoração ao Dia Nacional dos Estudantes, neste sábado (11).

A presidente estadual da Associação Mato-grossense dos Estudantes Secundaristas (AME), Danielly Alcântara, as atividades culturais têm o intuito de chamar o sociedade para debater os problemas da juventude enfrentados nas escolas públicas. “Nós estamos visitando as escolas e chamando a juventude para debater sobre a questão da Educação”, pontuou.

Além disso, ela ressaltou que, o objetivo maior da data, também é estimular a construção de grêmios nas escolas para que os alunos se organizem em entidades políticas. “Estamos explicando como é a formação do grêmio porque é importante participar dessas organizações estudantis. Tudo, para estimular os alunos a participarem de forma organizada no processo de reivindicação social”, afirmou.

Para Jandyel Patrick Souza, estudante do ensino médio da Escola Estadual Rafael Rueda Caic, o maior problema das escolas públicas em Mato Grosso é a falta de estrutura. “Falta um ambiente mais equipado, com ventiladores novos e carteiras adequadas para os alunos e professores”, ressaltou o aluno.

Para a secretária municipal da Juventude, Patrícia Nogueira, umas das organizadoras do evento, as atividades culturais são amostras do que os alunos estão desenvolvendo nas escolas. “Estamos mostrando um pouco do que os alunos vêm trabalhando nas escolas. Porém, essa data, também tem o intuito de debater junto com a juventude e a sociedade, a cultura , o esporte e o tempo livre”, concluiu a secretária.

Apresentações culturais
Vários grupos de danças se apresentaram na Praça Alencastro para comemorar o Dia Nacional do Estudante, nesta sexta-feira (10). O grupo de dança da escola municipal Tereza Lobo apresentou no palco “O Sol de Angola”, ressaltando na dança, o ritmo das batidas da África. Além da escola, a companhia M.U.V, grupo de hip hop, também se apresentou no local.

“Através da dança, eu me foquei em um objetivo e com o tempo fui me profissionalizando. E hoje, estou aqui ensinado as crianças a dançar também”, revela Matheus de Luca Aguiar , de 18 anos, que há 7 anos realiza apresentações de hip hop em Cuiabá.

É tempo de investir na Educação Infantil

Anita Adas

Novos recursos tecnológicos? Primeiramente, para os alunos mais velhos. Laboratórios de ciências sofisticados? Melhor priorizar o Ensino Médio. Formação de professores? Ah! Formaremos inicialmente os professores especialistas... Ao longo do tempo, as escolas geralmente focaram os principais investimentos nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Isso ocorre por diversas razões, entre elas, pela crença de que o trabalho pedagógico nesses segmentos é mais complexo e que há uma demanda mais clara das famílias e da sociedade por qualidade de ensino.

Entretanto, é muito importante rever essas ideias. Os avanços da ciência e da pedagogia vêm mostrando que é essencial concentrar esforços também na educação de crianças pequenas.

A escola de Educação Infantil é, muitas vezes, o primeiro espaço público com o qual os pequenos entram em contato. É neste palco privilegiado da vida coletiva que eles se encontram com o conhecimento elaborado. Dele se espera que eles se apropriem em um movimento contínuo e se exercitem como pessoas do mundo.

É nesse espaço público que se pode valorizar a construção de repertório, o desenvolvimento do pensamento lógico e a formação de valores e atitudes positivas, entre outras possibilidades que terão impacto para sempre. A educação escolar é um longo processo que se fundamenta na diversidade de experiências culturais, educativas, intelectuais e sociais durante toda a vida escolar de uma criança.

Ainda que os argumentos pedagógicos não sejam suficientes para a reflexão a respeito da importância de maiores investimentos na educação de crianças pequenas, pode-se pensar no atendimento às expectativas das famílias. Com as tendências de estabilização ou queda das taxas demográficas e o aumento da concorrência, elas vêm buscando projetos de uma educação “mais completa e abrangente” para seus filhos desde o primeiro momento. Então, os pais ou responsáveis pelas crianças procuram escolas já de olho em seus futuros: se confiarem no projeto, permanecem; se não estiverem convencidos, partem para aquelas escolas que oferecem propostas mais consistentes.

Para que se construa uma educação de qualidade, é urgente superar o nosso olhar “adultocêntrico”, como diria a educadora e doutora em psicologia Telma Weisz. É também urgente estabelecer coerência entre o que consta nos documentos oficiais e o que se realiza no ambiente escolar, assim como é urgente acreditar na importância do investimento – humano e material – nas escolas de Educação Infantil.


Anita Adas
aagalo@editorasaraiva.com.br
Pedagoga, mestre em educação escolar e coordenadora pedagógica do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva.