terça-feira, 18 de junho de 2013

A Pedagogia do Movimento Sem-Terra: uma análise da prática educativa em um assentamento rural


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) possui uma proposta educativa baseada na participação, no trabalho e em pressupostos advindos de premissas marxistas para a educação, propondo uma educação voltada para a transformação social e para a possibilidade de libertação e emancipação dos sujeitos educativos que estão inseridos no processo de construção do conhecimento.

Esta pesquisa pretende analisar a forma pela qual a ideologia, ou visão social de mundo, de determinada sociedade, tem influência direta sobre suas práticas educativas, apoiada nos conceitos de reprodução social e transformação. Para tanto, o presente trabalho se utiliza de um recorte social, explorando sua inserção na sociedade e suas diretrizes pedagógicas: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. O contexto social analisado é o Assentamento Oziel Alves Pereira, localizado no município de Governador Valadares. O assentamento, criado desde 1996, se destaca social e politicamente, tratando-se da participação social e da formação de militantes Sem-Terra. O assentamento, que possui um expressivo núcleo de formação e oferece cursos para militantes de toda a América Latina, possui uma escola onde as crianças assentadas são conduzidas a uma prática escolar em concordância com a Pedagogia do MST.

Como procedimentos metodológicos, para a efetivação da pesquisa, foram utilizados dois eixos metodológicos: a observação participante e a entrevista. Ao longo da discussão proposta por esta pesquisa percebem-se as nuances da prática escolar observada, que se caracteriza por metodologias em favor da promoção da cidadania e da emancipação social.

Descrição dos Objetivos

Na presente pesquisa, busca-se analisar a forma como a visão social de mundo do movimento em questão, que aqui será chamada de ideologia, direciona suas práticas educativas e posturas pedagógicas. Também se procura analisar as nuances da prática educativa nas escolas do MST, e sua postura pedagógica frente a fatores como currículo, avaliação e metodologias de ensino.

Desenvolvimento

A formação dos sujeitos educativos através da Pedagogia do Movimento Sem-Terra
Considerando que as crianças sem-terra, chamadas pelos próprios integrantes do movimento como sem-terrinhas, têm uma experiência cotidiana diferenciada de outras crianças, e de que a “luta” pela terra pode estar permeada no processo educativo, o MST desenvolve sua educação em torno de uma pedagogia própria, vivida pelas crianças do assentamento investigado:

Lá é bom demais, lá a gente aprende a lutar, aprende as coisas que serve prá gente viver na terra e aqui a gente é livre dos dinheiro da cidade ( menina, 9 anos).

Vinculado a um projeto político de transformação social, o MST se apóia na proposta gramsciniana de trabalho industrial como princípio educativo, quando este último trata da consciência crítica e da crítica do senso comum, a partir de uma Filosofia da Práxis, e às propostas de escola aliada ao trabalho e ao exercício de práticas produtivas. Outra fonte de apoio do movimento no que tange às propostas pedagógicas de transformação da sociedade é a teoria de Paulo Freire, que, apesar de não ter se dedicado exatamente aos movimentos sociais como principal foco de sua intervenção pedagógica, é considerado pelo movimento como um estimulador do diálogo e do processo de produção do ser humano como sujeito e da potencialidade educativa da condição de oprimido e do esforço de inverter tal situação. Em sua Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire expressa, sobre a realidade de opressão e necessidade da libertação da classe menos favorecida:

A pedagogia do Oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois momentos distintos. O primeiro, em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens e processo de permanente libertação (FREIRE, 1981, p.44).

Diante de tal perspectiva de transformação social e da constituição do MST como movimento social de princípio educativo, onde a coletividade produz uma referência de sentido na ação, estrutura ou sujeito que constitui o cotidiano, o movimento enumera alguns processos pedagógicos básicos, que, segundo Caldart (2000) podem ser traduzidos por expressões, como luta, organização, coletividade, terra, trabalho e produção, cultura e história. O depoimento da professora abaixo demonstra tal preocupação com o caráter transformador da realidade que é atribuído à educação no MST:

Mesmo eu tendo a dificuldade de trabalhar com tantas crianças e cada uma de uma idade diferente, eu fico todo dia tentando me lembrar dos cursos de formação que a gente já fez. Eles sempre falam que o mais importante é pegar o tema que a gente ta trabalhando e ligar isso com a terra, com a realidade aqui do assentamento. Então eu não esqueço nunca dessas duas coisas: que nós somos sem-terra e que tudo que eu falo na sala de aula tem que ter a ver com a nossa vida aqui (Professora, cerca de 40 anos).

Segundo Caldart (2000) partindo da idéia de uma pedagogia da luta social e buscando transformar a própria realidade da pedagogia e promovendo o aprendizado da postura política e cultural, chega-se a um segundo propósito, à pedagogia em torno da organização coletiva, que engloba a discussão acerca da coletividade, a partir do momento em que se faz do ambiente um local de produção de uma identidade coletiva processada através de cada sujeito. Uma das professoras entrevistadas afirmou sua prática pedagógica “é um trabalho que desenvolve várias questões nas crianças: o contato com a terra, os frutos, a sucata e também elas aprendem que tudo nós fazemos cooperando, sendo companheiros”

Menezes Neto (2003) defende que a educação não pode ser desvinculada do processo mais amplo de relações sociais e políticas. Nessa perspectiva, o MST, no que diz respeito à sua intencionalidade pedagógica, concebe a escola como parte da concepção de sua própria pedagogia, à medida que, insistentemente, é chamada à vincular-se à sua organicidade, e realizar tarefas específicas no processo de formação dos Sem-Terra. Através de metodologias que o movimento considera como “libertadoras”, como a Pedagogia de Projetos, a Aprendizagem Significativa e a Avaliação Formativa e Processual, tal postura pedagógica se afirma construtora de uma nova realidade e capaz de “gerar” novos direcionamentos para o próprio movimento e para a realidade social cotidiana de seus sujeitos. Uma das professoras entrevistadas faz uma importante colocação sobre a possibilidade de transformação social através da Pedagogia do MST:

Eu tenho uma missão, sabe? De levar prá essas crianças uma consciência que aqui é precioso prá nós e que a terra é nossa grande oportunidade de transformar o mundo que a gente vive. A gente aprende isso na nossa pedagogia (Professora, cerca de 40 anos).

A mesma professora ainda relata sobre sua atuação frente à consciência crítica das crianças enquanto integrante do MST e da sociedade na qual está inserido, desenvolvendo atitudes de cooperação e trabalho:
A gente tenta é… trabalhar de forma… levando em conta essa ideologia e uma das coisas que a gente mais preza assim na escola é a questão do trabalho coletivo, a não competição, sabe? Da cooperação, a gente tenta, assim, tirar esse negócio do aluno ser melhor, a escola sempre prepara prá isso, prá o aluno ser o melhor, né? Essa é uma das ideologias do movimento que, na prática a gente tenta trabalhar (Professora, cerca de 40 anos).

Trata-se de, conforme denomina Bezerra Neto (1999) de uma concepção eclética de ensino, latente e ativa quanto à movimentação social, política e cultural do MST, e de uma interligação desses fatores ao universo infantil, a fim de tornar temas como cooperação, trabalho e participação social, uma tônica na vida escolar das crianças assentadas.

Conclusão

A educação, bem como todos os aspectos que envolvem a intervenção e as relações sociais, pode ser considerada um processo em movimento, por sua dinamicidade e contato com as experiências humanas, aliadas ao processo histórico-cultural da realidade social na qual intervém.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra encontra na educação um processo mais do que informacional, mas uma oportunidade de manter suas relações fixas de acordo com sua visão social de mundo, sua opção ideológica, conforme observou-se nos relatos dos assentados entrevistados, referentes ao Assentamento Oziel Alves Pereira. A fim de promover uma educação favorável à continuidade da reflexão acerca da busca por uma vida socialista, o movimento estudado alia a seu projeto educativo as experiências de seus sujeitos com as relações de trabalho cotidianas e com a realidade cultural, social e econômica de seus integrantes. Nesse sentido, os sem-terrinhas, crianças moradoras dos assentamentos e acampamentos, recebem uma educação pautada na Pedagogia da terra ou Pedagogia do MST.
Referências Bibliográficas

BEZERRA NETO, Luiz. Sem-Terra Aprende e Ensina: estudo sobre as práticas educativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais. Campinas: Autores Associados: 1999.

CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem-Terra: escola é mais do que escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

MENEZES NETO, Antonio Julio de. Além da Terra: cooperativismo e trabalho na Educação do MST. Rio de Janeiro: Quartet, 2003.

Bolsistas que estudam em cidades ‘caras’ receberão adicional do CNPq

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) publicou resolução normativa na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União para regulamentar o pagamento adicional a bolsistas de graduação e pós-graduação no exterior que estudam em locais considerados de alto custo de vida.

Segundo o CNPq, as bolsas para as cidades consideradas “caras” serão acrescidas de um “adicional de localidade”, que varia de acordo com a região. Entre os locais, estão Frankfurt (Alemanha), Paris (França), Milão (Itália), Tóquio (Japão), Washington (EUA).

Os locais foram selecionados levando em conta acordos entre parceiros, relatórios das embaixadas e pesquisas nos principais rankings internacionais. A lista completa com os valores das bolsas está disponível no site doCNPq. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira.

Fonte: Terra Educação

Estudantes da rede pública terão prova nacional de alfabetização

DE BRASÍLIA
O MEC (Ministério da Educação) estabeleceu, em portaria publicada anteontem no "Diário Oficial da União", que o sistema de avaliação da educação básica na rede pública do país será formada a partir de agora por três exames.

Além da Prova Brasil, que já é aplicada a todos os alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental, e do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), avaliação amostral da última série do ensino médio, haverá ainda, a partir deste ano, a chamada ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização).

A avaliação, cujo público-alvo são os alunos do 3º ano do ensino fundamental, é uma das medidas do pacto nacional pela alfabetização na idade certa, lançado pela presidente Dilma Rousseff em novembro de 2012.
"Todas as crianças serão avaliadas aos sete anos e aos oito anos, para gente saber exatamente o que está acontecendo em cada escola", declarou o ministro Aloizio Mercadante (Educação) na ocasião.

A partir do próximo ano, as crianças do 2º ano do ensino fundamental também deverão passar pelo novo sistema de avaliação do nível de alfabetização.

MEC vai criar universidade federal de educação à distância

FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA
O ministro Aloizio Mercadante (Educação) afirmou nesta segunda-feira (17) que a pasta deve enviar ao Congresso Nacional projeto de lei para criação da primeira universidade federal de educação à distância.
Hoje, o investimento do governo federal na modalidade se resume à UAB (Universidade Aberta do Brasil), criada em 2005 com foco na formação de professores de educação básica. A instituição oferta hoje cursos de licenciatura e administração. Segundo Mercadante, essas matrículas seriam absorvidas com a criação da nova universidade.

"Cada curso de cada universidade poderá ser ofertado na universidade federal de educação a distância. Então, [o curso de] engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul pode ser ofertado como sendo também curso à distância", disse.

Mercadante ressaltou que enquanto no Brasil cerca de 15% dos estudantes do ensino superior estudam nessa modalidade, entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) esse percentual chega a 50%.

"O Brasil é um dos poucos países que não tem uma universidade nacional pública à distância", disse o secretário Paulo Speller (Educação Superior), citando como exemplo países como Inglaterra, Espanha e Portugal.

Segundo ele, cursos como direito e algumas engenharias poderão ser ofertadas na nova instituição.
A intenção é encaminhar a proposta ao Legislativo em agosto e, assim, aumentar a capacidade de absorção da demanda por ensino superior no país. Segundo Mercadante, a nova universidade irá absorver as matrículas da UAB, em torno de 250 mil.

"Não há como atender o tamanho da demanda se não for por educação à distância e essa é a prioridade do MEC", disse o ministro.

Professor do ensino médio terá bolsa para melhorar desempenho

FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA
Professores do ensino médio da rede pública receberão uma bolsa do Ministério da Educação para participar de curso de aprimoramento.

A medida faz parte de uma série de ações em estudo pela pasta, em parceria com o Consed (conselho de secretários estaduais de educação), para melhorar a qualidade dessa etapa da educação.

O objetivo é corrigir eventuais deficiências da graduação do docente, com foco nos métodos usados em sala de aula e no novo currículo escolar, multidisciplinar, a exemplo da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A bolsa pode ter início ainda no segundo semestre, mas ainda não há orçamento definido. A medida segue projeto já adotado pelo MEC para os professores alfabetizadores.

Esses docentes vêm recebendo desde 2012 auxílio de R$ 200 para participar de curso de formação de dois anos.

"Vamos trabalhar em princípio com todas as matérias, mas nosso maior desafio hoje é matemática, física e química. É onde não temos professores formados nessas áreas e onde estão as maiores deficiências", afirmou o ministro Aloizio Mercadante.

LARGA ESCALA
 
Priscila Cruz, diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, elogia a iniciativa, mas pondera que o universo de professores pode, na prática, dificultar bons resultados.

Pelos dados oficiais, o país tinha no ano passado 418.665 docentes do ensino médio na rede pública (um pode aparecer mais de uma vez caso atue em mais de um Estado).

"É uma formação em larguíssima escala, no Brasil inteiro, e o desafio está mais na implementação do que na concepção. Quem é que vai ser o formador desse professor? Temos profissionais suficientes com conhecimento específico, por exemplo, sobre didática [para aulas] de matemática?"

As ações para a reformulação do ensino médio devem ser apresentadas pelo MEC na próxima semana.
Na visão do Consed, o curso de aprimoramento deve respeitar as diferenças regionais dos professores.
"Dificilmente será possível estabelecer um curso de formação único. Os conteúdos deverão ser diversificados para cada tipo de professor", diz Eduardo Deschamps, secretário de Educação de SC.

Para o conselho, existe uma "necessidade urgente" de rever o conteúdo da graduação desses professores, apontado como muito teórico e "dissociado do cotidiano da escola".

Seduc/MT - Notícias

Prorrogado prazo para envio de relatos sobre protagonismo juvenil
 
A coordenadoria de Ensino Médio informa às escolas a prorrogação do prazo, 21 de junho, para o encaminhamento de relatos de atividades que apresentem ações de protagonismo juvenil em Mato Grosso. Os relatos coletados serão publicados numa revista pedagógica que terá o objetivo de divulgar e disseminar as ações estudantis.

As escolas deverão encaminhar os textos sobre conquistas, participações em eventos, planos de ações e projetos que demonstrem a efetiva participação juvenil organizada e que queiram compartilhar através da publicação impressa (com fotos e imagens que ilustrem esses trabalhos, estejam eles vinculados ou não a um Grêmio Estudantil). 

“Acreditamos que a Educação Básica é verdadeiramente significativa quando os estudantes são os protagonistas dos processos educativos”, destaca a gerente de organização curricular, professora mestre Dariluce Gomes da Silva.

As  fotografias devem se encaminhadas acompanhadas do termo de autorização de uso de imagem devidamente preenchido (em  anexo). O material e outras informações devem  ser enviado por email, para os endereços eletrônicos jorge.rodrigues@seduc.mt.gov.br e/ou  dariluce.silva@seduc.mt.gov.br

Assessoria/Seduc-MT

Oficina de desossa de frango trabalha conceitos da economia solidária
 
Com foco na economia solidária estudantes do período matutino do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) “Professor Multim Marques Curvo”, de Cáceres, aula prática sobre desossa de frango. A oficina ocorrida durante sábado (15.06) reuniu elemento teóricos das Ciências Humanas, Sociais, e suas Tecnologias. Orientada pela professora da área, Rosângela Antonini Franco, integrou todas as demais disciplinas e foi ministrada pela culinarista Mirian da Silva Marinho Moreira.  

A oficina culinária teve como objetivo aumentar os conhecimentos e ampliar o rendimento mensal das famílias. Os estudantes que participaram tiveram na prática o conceito da Economia Solidária, ou seja,  a agregação do trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social. A partir do frango desossado os alunos multiplicaram o conhecimento com receitas baseadas na desossa do frango como: rocambole de frango; e ainda, frango inteiro  e a coxa recheadas. 

Durante o exercício, os participantes aprenderam fazer a higienização do ambiente, das mãos e dos frangos, antes de começar a desossa. E mais, aprenderam também a temperar, rechear e costurar os frangos que podem ser comercializado com acompanhados. “A oficina vislumbrou para alguns alunos a possibilidade de uma fonte de renda a mais em seus orçamentos mensais”, destacou a profesora Rosângela Franco. 

Conforme os idealizadores, essa forma de ganhar dinheiro está inserida nos alicerces da economia solidária. “Ela aponta para uma nova lógica de desenvolvimento sustentável com geração de trabalho e distribuição de renda, mediante um crescimento econômico com proteção dos ecossistemas”.

Segundo a equipe gestora, o Ceja “Professor Milton Marques Curvo”, compartilha a ideia de que todos são capazes de prover o próprio sustento, balizados nos princípios de que podemos aumentar nossa renda doméstica a partir do fazer cotidiano. (com informações do Ceja)

Assessoria/Seduc-MT

Estudantes de escolas estaduais participam de Concertos Didáticos
 
Alunos de 27 Escolas Estaduais e quatro municipais de Cuiabá, Várzea Grande e Nobres participam a partir dessa terça-feira (18.06), às 14h, de Concertos Didáticos realizados pela Orquestra do Estado de Mato Grosso (OEMT). As apresentações prosseguem até a sexta-feira (21.06) no Cine Teatro da capital. 

De acordo com a assessoria da OEMT, os espetáculos contarão a história de Peer Gynt, romance de Enrik Ibsen musicado por Edvard Grieg, que conta a trajetória de um anti-herói que contradiz os valores monarquistas do período da Europa iluminista. O objetivo é provocar nos alunos reflexões sobre os dias atuais.
Quanto representamos em nosso dia a dia? Existe algo que molda as nossas relações sociais e que nos faz ser cada vez menos indivíduos e, do contrário, parte de uma massa disforme e sem escrúpulos? Essas são perguntas que a Orquestra,em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), quer que os estudantes reflitam, a partir da música.

Para mobilizar os estudantes, servidores da OEMT foram às Escolas efetuar o convite à participação bem como para organizar a logística de transporte e dos horários. “Fomos sempre bem recebidos e com muito entusiasmo. O tema foi muito bem aceito nas escolas e isso tem gerado bons trabalhos dos alunos que participarão dos concertos”, disseram os responsáveis pelo projeto.

Antes de dar início ao período de apresentações, houve ações direcionadas aos educadores. A atividade foi ofertada pelo núcleo pedagógico da Orquestra formado por professores e instrumentistas. Houve aplicação de conteúdo em sala de aula com monitoramento do núcleo pedagógico durante todo o decorrer da série.

As Escolas também receberão kits multimídias e interdisciplinares, contendo material de suporte e fontes de pesquisa que tendem a interagir com o plano pedagógico do educador. (Com Assessoria da OEMT)
Clique no link abaixo e confira as Escolas que participarão dos concertos e os horários das apresentações.

Assessoria/Seduc-MT



Abertas inscrições para unidades participarem de mostra do Semiedu
 
A Secretaria de Estado de Educação, por meio da Coordenadoria do Ensino Fundamental, comunica as escolas a abertura de inscrições para a 3ª Mostra o Relatos de Experiências, na modalidade pôster, dentro do Seminário de Educação (09 a 13 de setembro) na Universidade Federal de Mato Grosso.

As unidades interessadas em inscrever trabalhos devem encaminhar o documento conforme determina regulamento (anexo) para a coordenadoria de Ensino Fundamental da Seduc, até 15 de julho.

A participação tem como objetivo fortalecer o debate sobre a Proposta Político Pedagógica de trabalho nos Ciclos de Formação Humana e ao mesmo tempo dar visibilidade às práticas dos profissionais da educação atuantes nas escolas matogrossenses.

Na mostra serão apresentadas as seguintes temáticas: relatos de Prática Pedagógica; relatos de Apoio Pedagógico (Articulação e Superação); relatos de práticas de Gestão Democrática; e relatos de Formação Continuada.

Nas edições anteriores do Seminário de Educação foram apresentados trabalhos que contribuíram para integração e diálogo entre as instituições, além da divulgação cientifica do professor.

Mais informações

- CartaSEMIEDU2013

- Normas e Inscrição SEMIEDU 2013

- Blog SEMIEDU 2013

Assessoria/Seduc-MT








segunda-feira, 17 de junho de 2013

Os filhos do ECA

Marcos Schneider - mschneider@sanepar.com.br
Geógrafo, Especialista em Geoprocessamento e Geografia Ambiental.

Instituída pela Lei n.º 8.069 de 13 de julho de 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (prestes a completar 23 anos) regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes “amparados” pelas normas da Constituição Federal Brasileira de 1988 – A primeira Constituição promulgada democraticamente pelo país.

Outros fatores importantes do ECA, que marcam um forte avanço do velho para um novo paradigma com relação à “proteção” da criança e o adolescente: a prioridade do direito à convivência familiar e comunitária; a priorização das medidas de proteção socioeducativas; a integração e a articulação das ações governamentais e não-governamentais na política de atendimento; a garantia do devido processo legal e da defesa ao adolescente a quem se atribua a autoria de ato infracional; a municipalização do atendimento.
Mas afinal, quem são os filhos ECA hoje?

Esta mais do que claro que o Estatuto da Criança e do Adolescente foi um grande avanço no que diz respeito a proteção, zelo e futuro deste público. Assim como o Código Penal Brasileiro, por exemplo, o ECA precisa urgentemente de uma reformulação e atualização com relação as suas normativas.

Nestes 23 anos de ECA a realidade com relação a educação base da criança e do adolescente oriunda do convívio familiar mudou muito. Hoje, felizmente ou infelizmente, a criança e o adolescente nasce sabendo dos seus direitos e deveres amparos pela Lei através do Estado e esquece que o seu maior e principal dever é gozar de toda sua “rede de desenvolvimento” através de um bom convívio familiar e social desde pequenino, refletindo em todos os sentidos num futuro promissor e sustentável.

O título desta leitura – Os Filhos do ECA! – é uma pequena crítica construtiva da realidade em que vivenciamos constantemente em jornais e revistas onde menores matam, roubam, queimam, xingam, etc., e se tornam impunes perante a Lei mediante o julgamento dos seus atos (na grande maioria dos casos). A culpa ou a solução não deverá estar apenas no Estado, mas sim principalmente, no núcleo familiar. É neste núcleo sólido e construtivo, que se dará à base de um crescimento saudável da sociedade. Infelizmente, o que vemos de negativo nos vários meios de comunicação hoje, nada mais é do que se fechar os olhos e se abster de uma realidade pública que está a cada instante batendo em nossa porta pedindo socorro.

O Estatuto da Criança e do Adolescente criou uma série de mecanismos de proteção nas áreas de educação, saúde, trabalho e assistência social. Lembro, que estes mecanismos “não são” a base apenas de proteção. A educação promovida dentro do ambiente familiar através do “sim ou não” ou “eu posso e não posso” mais a educação de conhecimento (aquela adquirida no ambiente escolar) mostra que esta é a receita de que podemos e devemos construir para uma sociedade justa e igualitária, independente de idade, para um futuro que começa hoje!

Família e Escola, uma parceria necessária

Daniele Vilela Leite - daniele.leite@fk1.com.br
Daniele Vilela Leite é Orientadora Educacional na empresa Planeta Educação; Formada em Serviço Social pela Univap, com larga experiência em trabalhos em creches no interior de São Paulo.

Quando pensamos numa configuração familiar de “antigamente”, logo nos vem à cabeça a família patriarcal, na qual o pai era o grande provedor e o polo dominante e a mãe, subalterna, ocupava a posição de cuidadora da família.

Mas os tempos mudaram muito e hoje, em nossa sociedade, além da presença das famílias nucleares, temos várias outras configurações familiares. Temos, por exemplo, famílias reconstituídas, com filhos e filhas, mães e pais divorciados ou recasados; famílias monoparentais, nas quais apenas o pai ou a mãe assume responsabilidade com os filhos; famílias unipessoais, caracterizadas pelo fato de a pessoa viver sozinha por opção ou por necessidade; famílias binucleares, nas quais filhos de pais separados vivem sob guarda compartilhada; famílias homoafetivas, formadas por casais do mesmo sexo com filhos; uniões consensuais, nas quais os casais não formalizam sua união; e casais sem filhos por opção, entre outras. Finalmente, como aumentou muito o número de casais que se separam, também cresceram as famílias monoparentais sustentadas por mulheres.

Diversas causas – sociais, culturais, econômicas, afetivas e até tecnológicas – explicam essas novas configurações. Mas o fato é que essas mudanças nos colocam novos desafios, entre eles o resgate da participação da família na vida escolar de seus filhos. Pois é sabido que, quando os pais não acompanham nem participam das atividades dos filhos na escola, estão de certa forma ajudando a aumentar a evasão escolar; o absenteísmo; a falta de comprometimento com os estudos; e as dificuldades de aprendizagem, entre outros problemas que contribuem para o fracasso escolar.

Precisamente com o objetivo de resgatar esse elo entre Família e Escola foi criado um programa chamado Pró-Família Harvard, desenvolvido pela empresa Planeta Educação. Esse programa é baseado em um projeto criado pela Universidade de Harvard, em Boston (EUA), denominado Havard Family Research Project e adaptado à realidade brasileira.

O conceito orientador do Pró-Família Harvard é simples: ao invés de culpar uns aos outros, professores e pais atuam como parceiros, de maneira a estabelecer relações e a construir confiança mútua, utilizando o tempo de convivência para dividir sonhos, expectativas e experiências, visando o sucesso social e acadêmico dos alunos.

Com metodologia inovadora, profissionais devidamente preparados visitam as residências dos alunos. Nessas visitas, o Agente Educacional conversa com a família, orientando pais e responsáveis sobre a importância da participação deles junto à escola. São oferecidas às famílias dicas simples e práticas, mas que fazem toda diferença na hora do estudo da criança em casa. Coisas como a importância da participação da reunião de pais; de ter um local adequado para realização da lição de casa, de se determinar um horário para estudos, entre outras. Em contrapartida, escola e professor recebem um retorno sobre cada aluno, com a realidade de cada criança ou adolescente. Com esse retorno, pode-se entender melhor a dinâmica familiar de cada aluno e, desta forma, mudar o olhar e ter um diferencial no trato com esse aluno. Com a visita, a criança se sente mais importante, melhora sua autoestima e, comprovadamente, melhora seu comportamento e desempenho acadêmico no ambiente escolar.

A importância de um estágio bem feito

Mauro Andreassa - mandreas@uol.com.br
Físico, professor do Instituto Mauá de Tecnologia e membro do Comitê de Educação do Congresso SAE BRASIL 2013.

O estágio é uma atividade de cunho educativo e complementar ao ensino formal para a integração do estudante no ambiente profissional. Além de oferecer a oportunidade de aplicação do conhecimento acadêmico no mundo real, coloca o futuro profissional em contato com diferentes realidades culturais, e também contribui para sua iniciação na rede de relacionamentos profissionais.

Os primeiros exemplos recebidos no universo profissional deixam marcas profundas para o restante da nossa trajetória. São um imprinting cultural, termo cunhado pelo cientista austríaco prêmio Nobel 1973 de Medicina, Konrad Lorenz, para designar a tendência intrínseca dos filhotes ao nascer, qual seja a de seguir o primeiro ser em movimento como fosse sua mãe.

Dedicado ao estudo do comportamento instintivo, Lorenz fez inicialmente experimentos com gansos. Mais tarde passou a estudar o ser humano demonstrando a importância das primeiras impressões do ambiente. Como o bebê passarinho ao sair do ovo, o estagiário também segue o primeiro ser vivo que passar diante de seus olhos.

Segundo o célebre filósofo francês Edgar Morin, o imprinting cultural marca os seres humanos desde o nascimento: primeiro com o selo da cultura familiar, em seguida com o selo da escola, e depois prossegue na universidade e na vida profissional.

Recém-ingresso no ambiente corporativo, o primeiro contato do estagiário é com profissionais aculturados à empresa. O choque entre o conhecimento acadêmico e a cultura de um meio profissional bastante solidificado é inevitável, e provoca um misto de surpresas, indagações e, depois, de reflexões.

Sob o efeito do imprinting o estagiário reproduz o comportamento dos profissionais mais próximos dele na ânsia de ser aceito e efetivado na organização e visando a uma carreira futura. Mas quão benéfico pode ser esse imprinting? Será que esse estagiário representará a pretendida oxigenação de que toda empresa precisa? O bom-senso recomenda que, uma vez instalado na empresa, no ambiente propício, esse jovem capital humano seja estimulado e direcionado para a inovação.

Bom seria se esse processo começasse na universidade com o que o mundo corporativo chama de coaching, algo que supera a prática atual acadêmica de aprovação de relatórios finais de estágio com diálogo e acompanhamento das experiências dos jovens, para ajudá-los a filtrar o lado negativo do imprinting.

Conversas regulares podem ser importantes para o aluno mais tarde evitar a reprodução de modelos viciados de comportamento. Todo esforço vale à pena para que se preserve a chama da reflexão e da inovação nas novas gerações de profissionais.

Ao cuidar de um jovem em formação como de um filho, monitorando a aplicação dos conceitos aprendidos nos bancos da universidade e incentivando na empresa a atitude e o trabalho colaborativo que se espera de um profissional bem formado, escolas e empresas dariam inestimável contribuição à sociedade e à Nação. A de entregar um profissional para o futuro, livre para criar e inovar.

Projeto que destina royalties do petróleo para educação é destaque do Plenário da Câmara

Agência Câmara

O projeto de lei que destina os recursos dos royalties do petróleo para a educação é o destaque do Plenário da Câmara dos Deputados nesta semana, cuja pauta está trancada por essa proposta do Executivo (PL 5500/13) devido à urgência constitucional.

A proposta destina exclusivamente à educação os royalties e recursos da participação especial relativos aos contratos fechados a partir de 3 de dezembro de 2012, sob os regimes de concessão e de partilha de produção. A educação também receberá a metade dos recursos obtidos com o retorno sobre o capital do Fundo Social do Pré-Sal (Lei 12.351/10).

Ele está apensado ao PL 323/07, do ex-deputado Brizola Neto, que prevê a divisão desses recursos entre a educação (30%), as ações ambientais (30%) e a infraestrutura (40%).

O projeto deve ser relatado no Plenário pelo deputado André Figueiredo (PDT-CE), que é relator na comissão especial.

Comissão de Educação aprova criação do Insaes


Amábile Pácios, presidente da Fenep.


A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto de lei que cria o Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação do Ensino Superior (Insaes), que ficou conhecido como ‘superinstituto’ do Ministério da Educação. O projeto precisa ainda passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado para vir a ser sancionado.

O projeto prevê a criação de 550 cargos ao custo de R$ 43,4 milhões por ano. Segundo dados do MEC, a nova autarquia ficará responsável pela regulação, supervisão e avaliação das instituições particulares e federais de ensino.

De acordo com o deputado Waldenor Pereira (PT-BA) pode ser que a autarquia ganhe vida muito antes do imaginado. Isto porque já existe um requerimento de urgência em curso para que o projeto possa ser apreciado no plenário sem passar por diversas outras comissões, como de Trabalho, Finanças, Tributação e de Constituição e Justiça.

Na visão de deputado são “sólidos” os argumentos para a criação do Insaes. Segundo ele a atual estrutura do MEC é precária e insuficiente para dar conta da expansão no número de matrículas do ensino superior. Com a criação, o instituto passa a assumir algumas funções atualmente de responsabilidade da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) vinculada ao MEC, e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) – como a avaliação das instituições, por exemplo.

A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) chegou a criticar a criação do Instituto, mas depois de muita negociação com o Ministério da Educação houve avanços. “Estamos há mais de um ano negociando com o MEC. A proposta não está como queríamos e precisávamos, mas já houve mudanças significativas”, diz a presidente da entidade, Amábile Pácios.

Segundo ela, ainda não é o projeto ideal, mas acredita que o superinstituto irá dar agilidade a processos que, atualmente, demoram três, quatro anos para aprovação. “Com o tempo ainda poderemos discutir novos avanços para o ensino superior privado”, considera.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Do virtual para o mundo real


Passar muito tempo no computador afasta prazeres da vida cotidiana

Definitivamente a internet mudou o conceito de contato, amizade, namoro e aquisição de conhecimento, além de também ter mexido com o conceito de tempo. As pessoas com menos de 30 ou 35 anos podem ter uma vaga lembrança de como eram suas vidas antes da internet, mas certamente as que são um pouco mais velhas que isso conheceram situações e sentimentos que a geração atual sequer pode imaginar.

Escrever uma carta era algo solene, exigia um ritual. Era preciso comprar envelope, selos, sentar-se à mesa ou à escrivaninha e, artesanalmente, falar sobre as novidades, sobre o estado de saúde, enviar notícias dos amigos e parentes. E depois, é claro, ir ao correio e postar a carta. Lá do outro lado, na outra cidade ou país, estava o destinatário, ansioso por notícias. Quando a carta chegava - geralmente em uma semana - as notícias ainda eram frescas. Enviar flores exigia também tempo, disposição e um carinho especial para se locomover até a floricultura, escolher o buquê e pagar a entrega, que geralmente só era possível se a outra pessoa morasse no mesmo bairro ou cidade.

É claro que as facilidades da internet são maravilhosas porque quase tudo acontece praticamente em tempo real: podemos ver as pessoas distantes, falar com elas sem gastar com telefonemas, escrever emails (as antigas cartas...), enviar documentos, pagar contas e mandar flores e presentes praticamente sem sair do lugar. Podemos conhecer museus, parques, cidades inteiras, fazer cursos, assistir a jogos, filmes e trabalhar, às vezes tudo ao mesmo tempo, bastando mudar de tela.

Transporte para o mundo real

A internet é algo mágico, tão mágico que para muitos é possível até sentir o estado de ânimo do interlocutor. Ela é quase a máquina de teletransporte! Mas quem passa horas, dias, semanas a fio ao computador, acaba esquecendo que no mundo real estão os cheiros, a brisa, o calor do sol, o contato da pele do amigo no abraço longo, o perfume das flores escolhidas com carinho, o verde vivo das árvores, a vibração da torcida no estádio e o som ao vivo da banda predileta.

Veja bem quantas horas por semana você economiza não precisando ir ao banco, por exemplo. Mas o que você faz com o tempo que gastaria se locomovendo ou na fila? Fica em joguinhos de internet ou em sites de relacionamento? Continua navegando sem muito rumo ou propósito?

É evidente que a internet é muito sedutora, milhares de profissionais se especializam todos os dias para capturar a atenção dos navegantes e, por ser sedutora, inovadora e criativa, fica-se sempre à espera de mais: mais imagens, mais notícias, mais conversa, mais fotos, e não necessariamente isso tudo tem um propósito definido. É a informação pela informação, não importando se vai ou não fazer diferença em nossas vidas, se vai acrescentar mais conhecimento que sabedoria, se vai nos tornar pessoas melhores ou nos preencher de bytes e nos esvaziar de emoções vividas em primeira pessoa. Por que enquanto nos divertimos com quem faz acontecer, deixamos de viver o que poderia nos fazer mais sensíveis e participativos.

Pois fica aqui a sugestão para quem não sabe ou não se lembra mais o que está perdendo quando vive a maior parte do tempo nas tramas da rede:

Marque um encontro real com o grupo que conheceu na internet, deixe que ouçam sua voz e permita-se rir ao vivo com aqueles com quem troca ideias virtualmente.

Experimente escrever uma carta e peça que alguém faça o mesmo para você. Use papel e caneta, coloque ali a sua letra (você ainda lembra da sua letra?) e suas emoções. Veja qual é a sensação de receber do correio algo que não seja uma conta para pagar ou um folheto de propaganda.

Faça uma visita à casa de um amigo ou parente, coloque os assuntos em dia tomando um cafezinho real com aquela pessoa que você só fala por telefone ou pela internet.

Vá pessoalmente (e não virtualmente) a um museu, sinta a emoção de ver ao vivo as obras de arte que você já viu na tela do computador.

Vá ao zoológico ou ao aquário de sua cidade conhecer o real tamanho dos animais, suas cores vibrantes, os sons que emitem e seus movimentos.

Faça passeios na natureza e tire suas próprias fotos ao invés de conhecer os lugares só pelas fotos que os outros tiraram. Veja as mudanças das cores do dia, da temperatura... Olhe o céu anoitecendo, curta o encanto de um pôr de sol.

Convide os amigos para vocês estudarem juntos ou para formar um grupo de estudos de interesse comum, ao invés de apenas comentarem pela internet sobre o que leram. Pode ser um momento agradável, de troca de conhecimento e informação, com pausa para um lanche e para relaxar, interagindo de forma mais dinâmica e corporal, e não apenas mental.

Essas são algumas das muitas coisas que você pode fazer quando abandona o mundo virtual por algumas horas no dia ou num fim de semana inteiro, para se dedicar àquela parte da vida que se comunica com calor. Além de arejar a mente, você protagoniza os fatos, está "lá" de verdade, se indignando, se emocionando e observando, além de fazer e ter história para contar.

Não resta dúvida de que a internet passou a ser fundamental no nosso dia-a-dia, afinal você está lendo esse artigo numa página virtual. Mas ela deve ser um meio, e não um fim em si mesma. A vida acontece com muito mais intensidade e possibilidades quando estamos nela de corpo presente.

Sobre o autor

Psicoterapeuta Holística, utiliza florais e técnicas da psicossíntese como apoio ao processo terapêutico. Presta atendimento individual e em grupo, e serviços de mentoring pessoal e profissional. .

Mato Grosso, 265 anos

 Comemorar a data não é ufanismo idiota, é festejar a riqueza construída

Depois de amanhã, 9 de maio, deveríamos comemorar com muita festa e orgulho o 265° aniversário de Mato Grosso, data que lembra o ano de 1748, quando o rei de Portugal, dom João V, através de Carta Régia determina a criação de duas Capitanias, “uma nas Minas de Goiás e outra nas de Cuiabá”.

A Capitania das Minas de Cuiabá virou a Capitania de Mato Grosso e para governá-la foi designado Dom Antonio Rolim de Moura, que tomou posse e permaneceu em Cuiabá por cerca de um ano, até que Vila Bela fosse construída.

Morou no centro histórico de Cuiabá, próximo à praça que tem o seu nome e que é popularmente conhecida como Largo da Mandioca.

Depois, chegou a ser o Vice-Rei do Brasil, o governante maior do país na época, já que El-Rey ficava em Portugal. Seria possível pensar na reconstrução da casa de Rolim de Moura, criando uma nova atração no centro histórico?

Sei que existem aqueles que acham que não temos nada a comemorar, pois em Mato Grosso faltam escolas, faltam hospitais, não tem esgoto, não tem estradas, não tem ferrovias, não tem, não tem... São os que só enxergam o que falta. E é importante que existam pessoas assim, em especial aqueles que nessa visão produzem uma critica positiva.

Eu já sou da turma que prefere enxergar aquilo que existe, em especial, aquilo que foi produzido pelo trabalho do povo, patrões e empregados, apesar de todas as dificuldades, apesar de tudo aquilo que nos falta.

Mato Grosso é hoje o maior produtor agropecuário do país, liderando o país em algodão, milho, girassol, soja e também é um dos maiores produtores de ouro, diamante, madeira, álcool, biodiesel, carnes de frango, suíno, peixe, gado, com um rebanho bovino de quase 30 milhões de cabeças.

Mato Grosso não produz armas, bombas atômicas, mísseis, aviões de guerra, como muitos daqueles que nos criticam. Mato Grosso é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e com muito orgulho ajuda a matar a fome de um planeta cada vez mais carente de alimentos.

Para chegar a esta posição, Mato Grosso contou com a extensão e diversidade produtiva de seu território e, principalmente, com o trabalho determinado e sofrido de sua gente em todos os seus cantos e recantos.

Comemorar os 265 anos de Mato Grosso é festejar a grande obra do mato-grossense que ano passado produziu um superávit comercial de US$ 13,0 bilhões para o Brasil e que daria para construir vários hospitais, escolas, ferrovias, duplicações rodoviárias e melhorar em muito a qualidade dos serviços públicos.

Mato Grosso, no mês passado, entupiu literalmente o Brasil de grãos, mostrando ao mundo que o país não se preparou em termos de infraestrutura para tudo o que o estado produz, num descompasso que já custa muito caro aos brasileiros em termos econômicos, ambientais e de sacrifício de vidas humanas.

Comemorar os 265 anos de Mato Grosso não é ufanismo idiota nem deitar em berço esplêndido, é festejar a riqueza construída e, antes de tudo cobrar, em especial da União, tudo aquilo que o povo que a produz tem direito.

É ter vibrado domingo passado com Cuiabá e Mixto na final do campeonato mato-grossense de futebol, com o Dutrinha lotado, e ainda torcer unidos pelo Luverdense depois de amanhã na Taça do Brasil. A pobreza sempre foi o álibi dos maus governantes e agora Mato Grosso é rico sim.

Essa desculpa não vale mais. O mato-grossense tem que festejar com alegria, orgulho e muitas cobranças. O sucesso de Mato Grosso é a força do trabalho de seu povo unido na grandeza e diversidade de seu território, nas dimensões exatas exigidas pelo século XXI, o século da internet, da TV a cabo, do asfalto, do avião a jato.

Ainda que tenha muito a consertar, Mato Grosso é para ser festejado, imitado e, principalmente, aplaudido. Viva Mato Grosso!

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário em Cuiabá.

joseantoniols2@gmail.com

Secretário rebate sindicato e anuncia mais escolas em MT

Ságuas Moraes diz que, até o ano que vem, 100% das unidades estarão reformadasMary Juruna/MidiaNews
Secretário de Educação, Ságuas Moraes (PT): Governo não está alheio e investe muito no setor

LISLAINE DOS ANJOS

DA REDAÇÃO

O secretário de Estado de Educação, Ságuas Moraes (PT), negou que o dossiê montado pelos trabalhadores da educação e protocolado nos órgãos estaduais contenha alguma novidade do que já é de conhecimento da pasta (leia mais AQUI).

Moraes afirmou que o Governo do Estado está mapeando as escolas que ainda não passaram por reformas estruturais e que sabe dos problemas enfrentados por cada unidade.

"Estamos nos esforçando para chegar ao ano que vem com 100% das escolas estaduais atendidas com reformas estruturais, que são trocas de cobertura e do forro, da rede elétrica, construção de banheiros, cozinhas e refeitórios novos"

“Na verdade, tudo que está colocado no dossiê ou já está acontecendo, está em processo de licitação ou está previsto para ser feito até o ano que vem. A expectativa é de que, até o ano que vem, nós tenhamos 100% dos prédios das escolas estaduais totalmente novos ou reformados”, afirmou.

Em entrevista ao MidiaNews, o secretário de Educação observou que apenas 80 das 739 unidades de ensino existentes em Mato Grosso ainda não foram reformadas.

“Ou seja, apenas 10% não passaram por reformas. E eu me refiro à reforma estrutural, não a pequenos reparos. Estamos nos esforçando para chegar ao ano que vem com 100% das escolas estaduais atendidas com reformas estruturais, que são trocas de cobertura e do forro, da rede elétrica, construção de banheiros, cozinhas e refeitórios novos”, disse.

Dentre as unidades que não foram reformadas, segundo ele, 30 já tiveram as obras necessárias licitadas e dez estão passando pelo processo de licitação. Segundo Ságuas Moraes, o valor dessas obras está orçado em R$ 35 milhões.
“Na verdade, dessas 80 escolas, 40 já estão com ordem de serviço emitida ou com a obra sendo licitada. E nós ainda queremos atender a mais dez escolas ainda neste ano, que são unidades com situações de mais precariedade. Assim, sobrariam apenas 30 escolas para serem licitadas no próximo ano”, afirmou.

Um dos pontos criticados no dossiê se refere à climatização das unidades escolares, que não contariam com a rede elétrica adequada para suportar a instalação dos aparelhos de ar-condicionado, já adquiridos pelo Estado.
O secretário reconheceu a necessidade da climatização nas escolas, devido ao calor predominante na maior parte do ano no Estado, e afirmou que a meta da pasta é garantir, até agosto deste ano, a climatização de 60% das escolas estaduais, o que equivale a 450 unidades de ensino.

“Já temos mais de 100 escolas climatizadas e entrarão nessa lista mais 300 unidades. Nas escolas que estão sendo reformadas, a rede elétrica já é adequada para a climatização. As escolas novas ou que passaram por reformas e cuja rede elétrica não é preparada para a climatização, nós iremos liberar na conta da escola a verba necessária para fazer a readequação da rede elétrica. A previsão é de que até julho esse valor seja liberado”, disse.

Qualidade das reformas

O secretário de Educação rebateu a crítica feita pelos trabalhadores, por meio do sindicato, de que algumas reformas realizadas pela Seduc já apresentam problemas, o que sugere má qualidade na execução da obra.

"Na verdade, tudo que está colocado no dossiê ou já está acontecendo, está em processo de licitação ou está previsto para ser feito até o ano que vem"

Segundo ele, desde 2007, a execução e fiscalização das obras da Educação são feitas pela Seduc e não mais pela Secretaria de Infraestrutura, e que essa medida tem feito com que os problemas encontrados sejam menores.

Ságua Moraes criticou o modelo de licitação atual, em que a empresa que apresenta o menor preço acaba vencendo o certame e se tornando responsável pela execução da obra.

“Nós não podemos escolher a empresa que vai executar as obras, porque a licitação decide a empresa que vai ganhar. E a lógica do menor preço não significa maior qualidade também. É uma coisa que está sendo discutida na Lei de Licitação no Brasil, para que não apenas o menor preço seja considerado. Porque a empresa quebra, apresenta problemas no decorrer da obra”, explicou.

De acordo com Moraes, a pasta tem realizado uma média de 250 a 300 obras por ano, tendo aumentado a fiscalização para evitar prejuízos futuros.

Ele negou que alguma reforma já tenha apresentado problema na execução por completo, mas reconheceu que problemas pontuais já foram encontrados.

“Quando a empresa apresenta algum problema, a gente intervém com a nossa fiscalização, paralisa a obra e descredencia a empresa. Não podemos dizer que o problema está zerado, porque a empresa pode ser boa hoje, sofrer um problema financeiro e quebrar lá na frente. Mas, somos rigorosos nas intervenções e na fiscalização para que as reformas de má qualidade não aconteçam”, disse.

Orçamento comprometido

"O volume de necessidade de atendimento é muito grande na secretaria e isso tudo faz com que o nosso orçamento não seja ideal"

O orçamento deste ano da pasta de Educação é de R$ 1,647 bilhão. O valor, porém, está aquém do ideal, de acordo com o secretário, por estar totalmente comprometido com a folha de pagamento dos servidores do setor.

“Não é suficiente porque a gente gasta de 82% a 89% do orçamento com o pagamento da folha. O restante é usado para o custeio de manutenção das 739 escolas, investimentos de reforma, aquisição de equipamentos. Só de carteiras, nós temos que fazer a substituição de 40 mil unidades por ano”, disse.

“O volume de necessidade de atendimento é muito grande na secretaria e isso tudo faz com que o nosso orçamento não seja ideal. E à medida que há aumento no orçamento, há a reivindicação por aumento de salário também. Então, estamos sempre trabalhando no limite”, completou o secretário.

Segundo Ságuas Moraes, o valor ideal do orçamento da Educação seria aquele que permitisse à pasta comprometer, no máximo, 80% do orçamento com gastos da folha de pagamento bruta.

Dessa forma sobrariam mais verbas para a realização dos investimentos necessários nas unidades educacionais, uma vez que é impossível, segundo o gestor, diminuir a remuneração atual.

“A folha tem um crescimento vegetativo de 3% ao ano. E em uma crise mundial como a que acontece agora, você não tem como diminuir a receita e acaba indiretamente aumentando seus gastos com a folha. Com a receita baixa, você tem que manter a remuneração e reduzir a possibilidade de investimento”, justificou.

"À medida que há aumento no orçamento, há a reivindicação por aumento de salário também. Então, estamos sempre trabalhando no limite"

Investimentos

O secretário anunciou que, apesar do baixo orçamento, a pasta irá construir mais 30 unidades de ensino em todo o Estado, resultado de uma parceria realizada com o Ministério da Educação (MEC).

“Já está em processo de licitação a construção de mais 30 escolas no Estado. Temos hoje os recursos destinados para construir as novas escolas no valor de R$ 100 milhões. Esse é o investimento previsto para agora”, disse.

Outros R$ 10 milhões também já estão previstos para serem usados pela pasta, ainda em parceria com o MEC, para a construção de vinte novas quadras esportivas cobertas nas escolas, segundo Ságuas Moraes.

Presidente do SIntep-MT, Henrique Nascimento, protocola (dest.) dossiê no MPE

Trabalhadores denunciam precariedade nas escolas de MTDossiê com relatos e fotos das unidades estaduais foi protocolado em órgãos do GovernoMary Juruna/MidiaNews/Divulgação


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LISLAINE DOS ANJOS

DA REDAÇÃO


O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) protocolou em órgãos do Governo, na quarta-feira (15), um dossiê que revela as condições físicas das escolas estaduais.

São 264 páginas com relatos e fotografias que apontam o cenário atual a que estão expostos alunos e trabalhadores da Educação.

O documento foi primeiramente exposto à população na Praça Alencastro, em Cuiabá. Em seguida, o Sintep protocolou o dossiê no Palácio do Governo, Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e Assembleia Legislativa.

Mary Juruna/MidiaNews

Situação das escolas foi exposta em painéis na Praça Alencastro

O objetivo, segundo o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes do Nascimento, é cobrar dos gestores públicos um posicionamento imediato sobre os investimentos em Educação.

“Como a área deve ter recursos garantidos conforme a legislação, é necessário destinar recursos para construção de novas escolas e realizar reformas das já existentes. Muitos prédios já passaram por reformas recentemente e ainda apresentam problemas”, disse.

As denúncias são, em geral, de precariedade no espaço físico, insuficiência de redes elétrica e hidráulica, o que, segundo o sindicato, é de conhecimento do Governo Estadual.

Os trabalhadores apontam que esses “gargalos” afetam não somente a qualidade do ensino oferecido aos estudantes, mas também a aprendizagem dos alunos.

Problemas relatados


De acordo com o dossiê, faltam espaços nos prédios escolares para atendimento de alunos em salas de apoio pedagógico, salas de superação e sala de atendimento educacional especializado (educação especial), bem como espaços adequados nas escolas para práticas de esportes, artes, cultura, dança, teatro, cinema.

Problema de climatização por falta de infraestrutura adequada (rede de energia) e falta de laboratórios de ciências, informática, bibliotecas e sala de leitura nas unidades estaduais de ensino também foram relatadas.

Além disso, os trabalhadores afirmam serem comuns nas escolas a falta de infraestrutura da cozinha, refeitórios e telhado, bem como banheiros inadequados e quadra de esportes em péssimo estado de conservação ou a própria ausência destes espaços.

Mary Juruna/MidiaNews

Dossiê com relatos e fotos expondo a precariedade das unidades estaduais de ensino tem 264 páginas

O transporte escolar também foi citado no documento, uma vez que os trabalhadores e alunos afirmam ter dificuldades em utilizá-lo. Isso porque os veículos seriam antigos e sem condições mínimas de segurança.

“Precisamos de providência diante deste cenário tão prejudicial para nossos educadores e crianças”, afirmou Nascimento.

Exposição

Entre as escolas apresentadas na exposição da Praça Alencastro estava a Sebastião Patrício de Primavera do Leste (a 240 km da Capital).
O diretor da subsede do Sintep/MT, Edevaldo José, conta que 3 salas estão interditadas desde o início do ano por não apresentarem condições mínimas de uso.

São problemas de infiltração e proliferação de cupim pelas paredes que tornaram inviáveis o uso das salas de informática, vídeo e biblioteca.

Cerca de 500 alunos matriculados na unidade são prejudicados diretamente por esta situação. Um laudo do Corpo de Bombeiros atestou a interdição e o Ministério Público solicita providência.

“É um descaso do poder público. Os profissionais que passaram no concurso nem querem trabalhar nesta escola”, diz Edevaldo.

Outras situações semelhantes foram relatadas por educadores de todo o Estado, no campo ou cidade.

Dia D

A partir deste ano, os trabalhadores da educação de Mato Grosso realizarão sempre no dia 15 de maio manifestação em prol do ensino público de qualidade.

A data foi fixada no calendário a partir da deliberação da categoria na última assembleia geral realizada no dia 26 de abril.

Intitulado Dia D, a data tem o objetivo de cobrar melhorias na infraestrutura dos prédios destinados ao ensino público.

De acordo com o MEC Universidades recebem filhos do Enem que mal sabem assinar o nome

Roberto Boaventura da Silva Sá


Desde que o PT assumiu as matrizes de projetos políticos do PSDB, ditados por organismos internacionais, não tenho conseguido aceitar nenhum de seus encaminhamentos, invariavelmente, impostos ao país. Na verdade, sequer tenho concordado com pronunciamentos de seus agentes, em geral, autoritários.

Todavia, isso foi pontualmente quebrado! E justo com o ministro da Educação – Aloizio Mercadante – que arrebentou com a última greve e a carreira docente das federais, usando para tanto o Proifes, ou seja, um tipo de sindicatozinho de pelegos, forjado no primeiro mandato de Lula.
Mas como pude concordar com o ministro?

No último dia 08, Mercadante – um economista e não um professor de Língua Portuguesa –, ao anunciar a abertura das inscrições para o Enem/2013, sentiu-se na obrigação moral de destacar mudanças na redação, que é o ponto mais vulnerável do exame.

Como todos se recordam, na edição do Enem/2012, sem falar de todas as redações mal corrigidas, pelo menos duas delas ridicularizaram o processo seletivo em si.

Em uma, o candidato inseriu em seu texto, sem nexo algum, o hino do Palmeiras. Em outra, foi transcrita, também sem nexo, uma receita de miojo, um tipo de macarrão instantâneo para momentos de preguiça culinária.

Pois bem. Ao invés de ser atribuída a pontuação devida a ambas as redações – zero –, os corretores, no mínimo, generosos, numa escala de 1.000, aprovaram-nas com 500 e 560 pontos, respectivamente. Constrangimento.
Na verdade, aqueles dois candidatos – que talvez nem fosse um tão fanático torcedor do Palmeiras e o outro nem tão esfomeado como poderia parecer – queriam provar que as correções das redações do Enem não eram confiáveis. Provaram.

Aliás, de minha parte, dentre tantos outros problemas, numa série de aproximadamente vinte artigos sobre o tema, eu já havia afirmado isso; e afirmei antes da realização do primeiro Enem.

Naquele momento, eu disse que não teríamos nenhum tipo de controle sobre as correções das redações. Disse mais: que muitos corretores não tinham o menor preparo para a tarefa. Portanto, aqueles dois “meninos brincalhões” apenas comprovaram o óbvio.

Diante do vexame, Mercadante disse que, a partir de agora, haverá “maior rigor com a redação”. Para isso, os textos com deboche serão anulados. A discrepância entre as notas dos corretores será reduzida. As redações nota 1.000, com erros, terão de ser justificadas.

Mas Mercadante disse ainda o mais importante: que “o domínio da norma padrão da língua escrita precisa ser mais observado”.

Eis a centralidade do meu acordo com o ministro, pois as universidades já estão recebendo filhos do Enem com alfabetização semelhante à daquele deputado federal que, para assumir sua vaga, “aprendeu” às pressas a assinar seu próprio nome.

Aproveitando o clima, sugiro ao ministro que peça principalmente aos colegas de língua portuguesa de todos os cursos de Letras do Brasil que voltem a ensinar com esmero a norma padrão de nossa língua. Hoje, por conta das novas práticas pedagógicas, poucos são os que ensinam essa modalidade linguística. Daí o desastre geral.

Outra sugestão: pedir aos professores – de todos os níveis de ensino – que, por favor, passem a usar – sem vergonha alguma – a língua padrão, ou algo mais próximo disso, mesmo quando a manifestação se der no plano da oralidade.

Do que jeito que está, os alunos não diferenciam mais a expressão linguística de um professor, em sala de aula, do falar de outro trabalhador, do qual sequer se obriga a escolaridade básica.

ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ é doutor em Ciência da Comunicação pela USP e professor de Literatura da UFMT.

Os bailes em Cuiabá


Wilson Carlos Fuá

Em Cuiabá existia aquelas festas dançantes chamadas de “brincadeiras dançantes” e matinês aos domingos, e através dos sons das Sonatas, dançavam grandes bailes, eram as famosas festas dos bairros, e que se transformavam em festa da cidade, dançavam-se o dia todo ao som de Renato e seus Bleu’s Caps, os Milionários, Demônios da Garoa, Roberto Carlos e toda a Jovem Guarda; The Fivers, etc.

E existia aqueles namoradores, os chamados bons de “bicarias”, esses conseguiam ter uma namorada em cada baile, quantos casamentos não saíram dali. Cuiabá era uma festa, as drogas não existiam, as bebidas eram simples e baratas, bebiam-se a famosa Cuba Libre e o Ponche ( mistura de vinho, maça cortada - em fervura), fumam-se apenas os cigarros: Continental, Hollywood e Hilton longo, maconha ? Ninguém ouvia falar.

Mas, existia um jovem, que tinha os seus problemas, e por isso recebia um monte de apelidos, o mais usado era de Dito Bode Expiatório (hoje denominado de bullyng). Ele recolhia-se dentro do seu interior, e seu corpo era sua moradia espiritual, era de uma tristeza de dar dó, e ficava sempre a olhar as danças do lado de fora, achando que ele nunca seria convidado, não se enturmava, vivendo sua vida deslocada, e achava que todas aquelas pessoas eram convidas e apenas ele não, e na sua tristeza “sapeava” pelas janelas todos aqueles jovens contemporâneos se divertindo, via todos encontrando os seus pares, parecia que as músicas eram excelentes para eles, e Dito ficava pensando porque só ele não era convidado para essas festas, as vezes até ele tentava entrar, mas sua introspecção era transformada em portaria imaginária que barra sua entrada.

Muitos como ele pensam que a vida é uma alegria em forma de festa, ficam parado no tempo esperando o seu convite, e operando o seu próprio observatório, pensa que tudo esta perfeito para os outros mas para ele não.

Quem é que vai lhe telefonar para convidar?

Até que, um dia, ele resolveu entrar de qualquer maneira nessa festa, chamada de farra da vida.

A festa da vida, tem poucas pessoas que pode viver com toda animação. E no baile da vida se conhece poucas pessoas, é uma sociedade formada por um círculo fechado, onde um tem o segredo do outro, eles são da mesma espécie, e é por isso que existe aquela alegria artificial calcinada por bebidas, se você entrar lá, ficará mais triste ainda.

Talvez através de passe mágica ou um milagre absolutamente inesperado – alguém lhe convida para entrar nessa sociedade restritamente limitada e cheia de segredos, onde está o mundo dos afortunado, o mundo dos bens sucedidos, e nessa festa da vida logo alguém pode lhe convidar para dançar, e como você veio de um mundo puro e simples, não conseguirá dar um passo certo.
Você já se sentiu ou está se sentindo assim?

Como você, muitas pessoas são humilhadas por ser honestas, não são convidadas para a festa da vida por seguir os passos da dança diferentemente.

Essa tal festa será que existe?

Dito Bode Expiatório existe sim senhor.

Como?

A festa não é para todos, mas ela existe sim.

Somos apenas operadores do observatório humano, pois na realidade observamos as ações alheias e não fazemos nada para mudar a nossa realidade. Somos eternos aprendizes e péssimos organizadores das nossas festas interiores, que na verdade é em nossas almas que estão todas as nossas virtudes interiores, sem definição da responsabilidade com a nossa vida, nada podemos fazer nada para que tudo possa acontecer um dia de forma correta e justa.

Todos querem a resposta sobre a vida. As pessoas estão muito preocupadas com as respostas, mas, no entanto não estão preparadas para fazer as perguntas. Existem pessoas procurando o sentido da vida em livros, como fosse possível encontrar todas as respostas, querem respostas, mas por não saber ler as mensagens periféricas, deixam passar muitas coisas simples que estão embutidas na verdadeira razão de viver, ou seja partilhar e acertar os passos da dança no baile da vida.

Não adianta ficarmos sempre querendo sentir o que os outros estão sentindo, pois realmente, temos que fazer a nossa festa, dentro da nossa realidade, sendo feliz e aguardando sempre o que a vida nos reserva para partilhamos. Estar vivo já é uma grande razão para ser feliz, quem nasce já teve a gigantesca sorte de poder viver, ninguém precisa de auxílios e bengalas, o importante é ser correto e justo, para não ter arrependimentos e não passar os dias vivendo como Dito Bode Expiatório.

Unemat em Várzea Grande


Alfredo da Mota Menezes

Foi aprovado pela Assembleia Legislativa que a Unemat ou universidade estadual terá direito a 2% da receita líquida do estado. Esse número ainda deve crescer até 2018 e, no final, ela terá 2.5% daquela receita. E não pode haver nem contingenciamento do recurso da universidade. É a independência financeira da Unemat. Não existem mais desculpas para não trazer essa universidade estadual para o Vale do Rio Cuiabá.

Ela está em todo o estado e não tem nem um tamborete no lugar onde pontuam Cuiabá e V. Grande. É aqui que se tem a maior fatia do ICMS, base maior da arrecadação do estado. Além disso, pensando no lado eleitoral, esta região é a que tem o maior número de eleitores. É incompreensível não ter essa universidade neste pedaço do estado.

Não cabem mais escusas como aquela do receio de Cáceres perder o reitorado da universidade. Uma sugestão? Por que não se faz um decreto de que a direção não sairá dali? Outra desculpa era que a Unemat não iria onde se tivesse a UFMT.

Em Sinop tem UFMT e Unemat.

Por que não levá-la para Várzea Grande? Ali é um lugar de gente pobre e só tem universidades particulares. O prefeito da cidade é do PMDB, o governador também. Quem fizer essa mexida será reconhecido eternamente pela população dali num lugar que, para criar mais apetite na classe política, se tem o segundo eleitorado do estado.

Foi no governo Jaime Campos que se criou a Unemat. Se o atual governador a levar para V. Grande, vai ficar melhor na foto ali do que o Jaime que a criou e não a levou para aquela localidade.

E, pensando ainda em voto, combustível que empurra a classe política, se diz que o Silval vai fazer outras obras em V. Grande como trincheira, VLT, estádio e até uma rodoviária. Se levar a Unemat fecharia o ciclo favorável em termos de votos futuros.
A parte tecnológica da UFMT vai para V. Grande, bem como a nova escola técnica federal. Parece que já se tem uma área para isso.

Por que não levar a Unemat para este mesmo local?

Ou, antes disso, por que não começar com poucos cursos sem aquela infraestrutura? Será que o dinheiro novo não daria para alugar um espaço enquanto não se constrói algo maior e definitivo? Fala-se ainda que em Várzea Grande será a sede do Parque Tecnológico. Todos que existem no Brasil estão ligados a uma universidade. É dali que saem pesquisas novas que municiam esses parques. Por que, mais uma vez, não acoplar o Parque e a Unemat?

Alguém poderia explicar quais os motivos que impedem a vinda desta universidade estadual para esta região? Onde é que é que está enterrada essa cabeça de burro que impede o governo dá um passo tão óbvio?



Com Bolsa Família, alunos do Norte e NE têm aprovação maior que média


UOL

Estudantes beneficiados pelo programa governamental Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média brasileira no ensino médio das escolas públicas. A taxa de aprovação desses alunos é de 82,3% no Norte e de 82,7% no Nordeste, enquanto a taxa brasileira é 75,2%.

Os números foram feitos com o cruzamento de dados de 2011 do MEC (Ministério da Educação) e do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e apresentados hoje (16) pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, no 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).

"Os mais pobres tiveram um desempenho melhor do que a média", constata Tereza Campello. "Não só conseguimos garantir que essas crianças não saiam mais da escola, mas conseguimos garantir que elas consigam ir melhor na escola".

Ela atribui o rendimento ao fato de que os estudantes beneficiados pelo programa não podem ter uma taxa de frequência inferior a 85%. Para os demais alunos, a taxa é 75%.

"Além disso, esses estudantes são superestimulados, as famílias entendem que é um ganho muito grande", diz a ministra.

No Brasil, esses estudantes também se destacam. A taxa de abandono escolar brasileira no ensino médio era de 10,8% em 2011, mas entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família, a taxa foi de 7,1%. A taxa de aprovação entre os beneficiados foi de 79,9% em comparação à taxa nacional de 75,2%.