quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Em artigos, Rosângela trará toda semana o cotidiano do professor

Romilson Dourado 

A professora Rosângela Cadidé, com experiência de uma década em sala de aula em escola pública, vai trazer, a cada semana, um episódio sobre o cotidiano dos profissionais da educação. Ela passa a escrever artigo neste blog toda sexta-feira. Rosa, como é conhecida, é formada em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso e possui especialização em Recreação e Lazer.
Para ela, a profissão mais importante do mundo está cada vez mais desvalorizada e, o pior, com seus educadores desmotivados. Ela lembra que o Ministério da Educação está incentivando, em campanhas publicitárias, os jovens a escolher como profissão ser professor. "Mas, se perguntarmos aos nossos alunos, principalmente os que estão concluindo o Ensino Médio, se pretende escolher a vida de educador, é pouco provável que encontremos um disposto a isso". O principal motivo, comenta a professora, é a baixa remuneração.

"Alguns até fazem piadinhas como: 'Já viram professor bem sucedido financeiramente? Claro, que não! Se for bem sucedido financeiramente é porque tem algum vínculo com alguém da família que escolheu outra profissão".

Rosa observa que, além do professor não ter um salário digno de acordo com a importância de sua profissão, quando persiste, corre risco de vida no ambiente de trabalho. Em seus artigos, ele vai discorrer sobre esses e outros assuntos, que instiga a todos a repensar a educação no país.

"Sobre esse assunto (risco à integridade física do professor), a sociedade pouco conhece. O fato ocorre apenas nos bastidores da vida do profissional. Vivenciei e ouvi vários depoimentos de professores que passaram por várias situações que colocaram em risco suas vidas. Contarei esse cotidiano em episódios. Muitos vão pensar até se tratar de ficção, mas, infelizmente, são histórias baseadas em fatos reais e que possivelmente estão ainda acontecendo", comenta a educadora.

A cidade de costas para o Rio Cuiabá

Maria Rita
 

Lembro a primeira vez que vi o Rio Cuiabá. Eu tinha 13 anos e vim de férias para conhecer a cidade onde em breve eu iria morar com meus pais. Atravessamos de carro a ponte que liga a região do Porto a Várzea Grande. O tamanho do rio me impressionou. A cidade em que morava no interior do Paraná não possuía nada parecido.
Nesta mesma viagem fui levada à Passagem da Conceição e Bonsucesso. Adorei o Pacu e comi receosa a Piraputanga, pois não tinha ainda desenvolvido a capacidade de retirar os espinhos com a boca. Digo isso, pois diferente dos cuiabanos de nascimento, eu não tinha a cultura do peixe, mas rapidamente aprendi a valorizar as riquezas oriundas daquele rio. Mas o tempo foi passando e atravessar a ponte se tornou uma situação banal. Escola, trabalho e o cotidiano atribulado tornaram o Rio Cuiabá um coadjuvante na paisagem para mim. Nenhum dos meus amigos tinha o hábito de frequentar o rio, isso não pertencia ao nosso universo.

Quem passa pelas pontes observa uma cena triste. Lixo e esgoto se misturam às águas. Outro problema sério é que o Rio Cuiabá fica escondido na cidade. As pontes são os únicos pontos de onde é possível observar suas águas mansas. O planejamento urbano de Cuiabá e Várzea Grande, ou melhor, a falta dele, possibilitou que empreendimentos tomassem conta das margens e hoje quem pretende tomar banho, pescar ou usufruir de outra maneira tem que se dirigir a regiões distantes, pois não há áreas de lazer urbanas para tal finalidade.

Por conta disso é difícil acreditar que seja possível fazer turismo no Rio Cuiabá em Cuiabá. Mas para nossa surpresa tem muita gente interessada em passar o dia remando por suas águas. Escolhemos um roteiro que se inicia em Baús, distrito de Acorizal, e segue até o porto público de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá. São 16 quilômetros de expedição percorridos em cerca de cinco horas. Quando abrimos o passeio não tínhamos noção da demanda. O produto que lançamos causou um estranhamento inicial em nossos clientes já que normalmente descemos os rios cristalinos de Chapada. Muitos tiveram que ser convencidos de que o trajeto escolhido não é poluído, pois é visível que o problema do rio começa onde a concentração urbana da capital é maior.

Mas pouco depois de lançarmos a expedição já não tínhamos mais vagas. Lotamos de clientes cuiabanos e percebemos como a população da capital é carente deste convívio com o rio. Espero que o próximo prefeito promova políticas públicas para resgatar esta cultura por meio do desenvolvimento sustentável. Além disso, é vital que o governo, em qualquer instancia, desenvolva um programa de despoluição do Rio Cuiabá. Vale lembrar que primeiro veio o nome do rio e, depois, o da cidade. Não podemos e não queremos mais ignorar o maior ícone do meio ambiente e da cultura da capital.

Maria Rita Ferreira Uemura é jornalista, empresária, diretora da empresa de turismo de aventura Tribo do Remo e escreve exclusivamente para este blog toda quinta-feira (www.tribodoremo.com.br). e-mail: ferreirauemura@gmail.com

Trabalhos de Lucas representam o município na etapa estadual das Olimpíadas de Língua Portuguesa


Redação 24 Horas News

Dois textos da Escola Municipal São Cristóvão e dois da Escola Estadual Dom Bosco representam a educação pública de Lucas do Rio Verde na etapa estadual da 3º edição das Olimpíadas de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro”.
Os quatro trabalhos foram escolhidos pela Comissão Julgadora Municipal que se reuniu no dia 13 de setembro deste ano e avaliou os textos apresentados pelas 12 escolas municipais e três estaduais. 

A seletiva estadual acontece em Cuiabá, até o dia 17 de outubro com a leitura e escolha dos trabalhos que irão representar o Estado de Mato Grosso na etapa nacional, que acontece em novembro, com local e data ainda não definidos.

Participam das olimpíadas estudantes de todo o País, com textos em diversos gêneros literários, abordando o tema “O lugar onde vivo”. Em Lucas do Rio Verde, os professores desenvolveram diferentes atividades didáticas, com o objetivo de preparar e incentivar os alunos a participarem da competição.

De acordo com a assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Ana Cristina Blessa, independente do resultado da competição, as olimpíadas conseguem motivar os alunos a ler e escrever. “É um recurso mais atraente, que consegue fazer com que os alunos participem das atividades e quem sabe, até tomem gosto pela leitura e escrita.”

Concorrem a etapa estadual, as alunas Thaiza de Carvalho Souto (categoria - Poema) e Vitória Karolin Ribas Batista (categoria - Memórias Literárias), ambas da Escola Municipal São Cristóvão e da Escola Estadual Dom Bosco, os alunos Djeison Rique Barazetti (categoria - Crônica) e Natália Duarte Bueno (Artigo de Opinião).

LBV abre vagas para crianças de 06 a 12 anos

Redação 24 Horas News

A Legião da Boa Vontade (LBV) mantém, na cidade de Cuiabá, o seu Centro Comunitário de Assistência Social, oferecendo de forma planejada, diária e sistemática, serviços de proteção social gratuitos e permanentes a usuários da assistência social e encaminhamentos necessários.


A instituição comunica que há vagas no Programa LBV Criança Futuro No Presente! para crianças de 06 a 12 anos, no horário inverso ao escolar, neste programa as crianças recebem alimentação completa, uniforme e participam de diversas oficinas, com acompanhamento de psicólogo, assistente social, educadoras sociais e professor de educação física. O programa tem como objetivo contribuir para o protagonismo de crianças em situação de vulnerabilidade social, considerando a história de vida e as singularidades delas, por meio de atividades que despertem competências e habilidades, que promovam a vivência de valores e integrem a família.

UFMT oferece mestrado em Educação, no Rondonópolis


Redação 24 Horas News


O Programa de Pós-graduação em Educação (PPGEdu) do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), campus universitário de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), oferece 19 vagas para o curso de mestrado em Educação, distribuídas em duas linhas de pesquisa: Linguagens, cultura e construção do conhecimento e Formação de professores e políticas públicas educacionais.
As inscrições podem ser feitas até o dia 11 de outubro. É cobrada uma taxa de R$ 100,00. Os interessados devem procurar a secretaria do PPGEdu, no ICHS, campus de Rondonópolis, das 8h às 11h e das 14h às 17h, munidos com os seguintes documentos: fotocópias dos diplomas de graduação e da documentação pessoal, curriculum-vitae conforme modelo Lattes/CNPq, memorial crítico e projeto de pesquisa. Os candidatos passarão por um teste de proficiência em idioma estrangeiro (inglês, francês ou espanhol). O resultado das inscrições deferidas será divulgado no dia 26 de outubro.

O processo de seleção será realizado por meio de prova escrita (dia 5 de novembro), análise do projeto de pesquisa e do curriculum lattes, e arguição (de 28 a 30 de novembro). 

O resultado final será divulgado no dia 11 de dezembro. Os candidatos selecionados deverão efetivar a matrícula no período de 11 a 13 de março 2013. O início das aulas está previsto para o dia 18 de março de 2013.

Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3410 4055.

Depressão infantil


Autor: José de Paiva Netto 

Recente levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstra que, em todo o planeta, 20% das crianças e dos adolescentes apresentam sintomas de depressão, como irritabilidade ou apatia e desânimo. Os dados referentes ao Brasil sugerem que esse tipo de distúrbio se faz presente entre 8% e 12% da população infantojuvenil.

É um número preocupante. Saber lidar com essa problemática, que jamais esteve restrita a adultos e idosos, é providência urgente para pais e educadores.

O programa “Educação em Debate”, da Boa Vontade TV (canal 23 da SKY), que discute os principais assuntos da educação pela ótica da Espiritualidade Ecumênica, entrevistou o dr. Gustavo Lima, psiquiatra da Infância e da Adolescência, que nos aponta algumas causas da depressão nas fases iniciais da vida e como notá-las: “Primeira coisa — uma investigação clínica pormenorizada. Segunda coisa — é muito importante lembrar que os transtornos afetivos na infância e na adolescência são de causa multifatorial, ou seja, diversos fatores podem causar a depressão: genéticos, ambientais, entre outros. Entretanto, na nossa prática clínica, o que aumenta muito a chance de uma criança ficar deprimida são os ambientes familiar e escolar desfavoráveis”.



DIFERENÇA COMPORTAMENTAL

O que dificulta, de certa maneira, pais e educadores perceberem que o filho ou o educando está deprimido é o comportamento dessa patologia entre as faixas etárias: “Diferentemente dos adultos, as crianças não ficam deprimidas o tempo inteiro. Às vezes, os pais deixam de levar o filho para uma avaliação porque em algum momento do dia ele se divertiu. E isso não significa que não esteja deprimido”, esclareceu o especialista.

E alertou ainda: “É preciso, também, muito cuidado com os sintomas de ideação de morte, quando vêm à mente ideias suicidas. Quando você está diante de uma criança deprimida com esses sintomas, é muito importante uma avaliação médica e um tratamento com psicólogo. Em alguns casos, dependendo da gravidade, recorrer a tratamento farmacológico”.


PREVENÇÃO

Para o dr. Gustavo Lima — que é membro do Programa de Atendimento a Transtornos Afetivos do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP — existem algumas atitudes que podem ajudar a prevenir a depressão nas crianças: “Além de um acompanhamento pediátrico, cuidar das horas de sono e da alimentação, um ambiente familiar estruturado é fundamental. Outra coisa importante é uma escola que favoreça o desenvolvimento da criança, que consiga identificar as reais potencialidades dela. Então, saúde, bem-estar, ambientes familiar e escolar favoráveis, prestar atenção também em questões genéticas contribuem, e muito, para se prevenir a depressão infantil”.

Atentemos, pois, às elucidativas recomendações do dr. Gustavo Lima. E não descuidemos de proporcionar aos pequenos e aos jovens um espaço sadio, enriquecido por uma Espiritualidade Ecumênica orientada pelos melhores princípios éticos. Desde cedo, devemos ter consciência de que a prece, a meditação, a confiança em Deus ou nas forças da Natureza são eficientes recursos ao equilíbrio bio-psíquico-espiritual.

Mulheres sem câncer de mama

Autor: Dr. Guilherme Bezerra de Castro

O câncer de mama é uma das mais agressivas patologias humanas, não só pelo aspecto biológico, mas como uma entidade psico-social importante. A mama feminina é um órgão dinâmico, que se modifica ao longo do mês, embalada pelos hormônios sexuais, que regem o ciclo menstrual mensal.
 Como um roseiral com botões, a glândula mamária só se torna madura após a abertura das flores, o que só ocorre após uma gestação à termo, isto é, que chega ao final. Por isso o conceito de que engravidar e amamentar reduz o risco de desenvolver câncer no órgão. Por lógica, as estruturas mais frágeis, imaturas, são mais sensíveis às agressões que favorecem doenças. Portanto, se a mulher teve uma gestação que chegou ao final ou amamentou, ela terá uma mama mais madura, cheia de botões abertos, mais protegida e com menor chance de agressão.
O que não a protege 100%, pois mesmo assim ainda terá botões imaturos num universo de rosas abertas. A mama na mulher é substrato da sua feminilidade, maternidade, vaidade, beleza e sexualidade. Enfim, suporta uma carga imensa no psiquismo e socialização, mais que qualquer órgão no ser humano. A idade reduz a agressão hormonal mensal, mas traz um processo de substituição de tecido mamário pelo adiposo, tornando o órgão flácido e com conflitos internos devido a esse processo biológico.
A guerra travada pelos tipos de tecido em transformação é uma das causas, atualmente conhecidas, do aumento da incidência do câncer de mama a partir dos 40 anos de idade. Onde há conflito tecidual, ocorre fragilidade e o surgimento de um ambiente fértil para a transformação celular maligna. Pesquisadores em todo o mundo se debruçam na busca de dados que possam reduzir a incidência do câncer de mama, tornando-se a patologia humana mais estudada no momento. Por essa razão a medicina conseguiu reduzir a mortalidade, mesmo que a incidência tenha aumentado exponencialmente.
O incremento do número dos casos novos se deve em especial pelo ganho na expectativa de vida das mulheres, que em todo o mundo supera ao dos homens e a redução nos óbitos pela divulgação da existência do problema, tornando as mulheres mais atentas e diagnosticando com precocidade, o que favorece a redução das complicações presentes em situações de doença avançada. Como sabemos, ninguém morre de câncer de mama pela mama, mas sim pelas complicações da doença em outros órgão mais nobres, sob o ponto de vista biológico.
 O nosso grupo de estudos tenta contribuir com a melhora na abordagem à doença, desenvolvendo uma pesquisa com cientistas de diversas nacionalidades, que utilizam uma observação clínica, feita por mim, aqui em Mato Grosso, de que as índias brasileiras não possuem essa doença. O que parecia ser impensável mostrou-se tecnicamente comprovado e análises de DNA dessa população revelaram um surpreendente achado.
Sabemos que as células eucariontes (as que possuem núcleo), há milhões de anos atrás, estabeleceram uma parceria com algumas bactérias produtoras de energia e se agruparam numa simbiose, onde as primeiras oferecem condições satisfatórias de desenvolvimento com suprimento protéico, e as outras, em troca, produzem energia. Como toda produção de energia resulta em lixo tóxico, essas bactérias, chamadas mitocôndrias, possuem um mecanismo natural de eliminação dos resíduos. A esse processo denominamos antioxidação.
 As índias brasileiras possuem uma super-expressão de um gene responsável pela antioxidação celular, o que em síntese reduz agressões ao núcleo celular e a ocorrência de mutações responsáveis pela promoção inicial do câncer mamário. Encontra-se em andamento um estudo que propõe a inserção de novos hábitos alimentares que, espera-se, deverão reduzir a incidência da doença significativamente. No mês de outubro o mundo científico se movimenta em alerta contra a doença.
 As cidades se colorem de rosa para chamar a atenção para o problema, criando a sensação para as portadoras de que não estamos desatentos e vamos vencê-lo em breve. Por enquanto só podemos convencer as mulheres de não terem medo de desenvolverem câncer de mama, pois ainda esta é a nossa maior arma, não ter medo, pois dessa forma conseguem identificá-lo precocemente e eliminá-lo com segurança.

 

Regulamentação sai até quarta-feira

Lei prevê reserva de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas

AGÊNCIA BRASIL

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse hoje (9) que a regulamentação da Lei de Cotas, sancionada no fim de agosto, deve sair até amanhã (10) e que as universidades terão que adaptar seus cronogramas para que a lei entre em vigor no começo de 2013.

A lei prevê que as universidades públicas federais e os institutos técnicos federais reservem, no mínimo, 50% das vagas para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas da rede pública, com distribuição proporcional das vagas entre negros, pardos e indígenas.

“Vamos tentar de hoje para amanhã. As universidades que já publicaram seus editais terão que fazer ajustes. A lei terá que ser rigorosamente cumprida”, disse Mercadante, antes de participar da reunião de trabalho entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da Irlanda, Michael Higgins, que está em visita oficial ao Brasil.

O decreto vai detalhar as regras e o cronograma de implementação do novo sistema de distribuição de vagas no sistema federal de ensino superior. As universidades e institutos federais terão quatro anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas estabelecido pela lei, mesmo as que já adotam algum tipo de sistema afirmativo na seleção de estudantes.

A regulamentação também deverá criar mecanismos para compensar eventuais diferenças entre alunos que ingressaram pelas cotas e os egressos do sistema universal, como aulas de reforço.

 


 

O jovem e o emprego              

A crise econômica mundial, que afetou de início os Estados Unidos e agora instalou-se na Europa com marolas perigosas para o Sudeste Asiático e América Latina, é a principal causa do desemprego crescente, principalmente entre os jovens europeus.
Em alguns países do velho continente como Espanha, Itália e Grécia, a população enfrenta índices de desemprego bastante indigestos. Apesar de estarem numa situação mais confortável, em termos de oferta de vagas e desempenho da economia, os jovens brasileiros continuam amargando níveis históricos de desemprego.

A falta de formação profissional adequada e a educação deficiente são os grandes males. Sem o treinamento prático promovido pelo estágio e com a carência de cursos de qualificação e especialização, eles não conseguem espaço no mercado de trabalho. A desocupação é um dos graves problemas sociais, pois muitos, que deveriam estar estudando ou exercendo atividades profissionais, ficam nas ruas, correndo o risco de serem cooptados por maus elementos, facilitando assim o contato com as drogas e outros delitos. Por isso são de comemorar os índices de efetivação de quem consegue fazer um estágio. Segundo recente pesquisa da Hay Group, 86% das empresas admitem que podem efetivar seus estagiários antes mesmo do término do contrato. Isso ocorre porque as empresas estão cada vez mais preocupadas com a formação qualificada de sua mão de obra. Esse dado confirma pesquisa, realizada pelo instituto TNSInterScience, que revela que 64% dos estagiários do CIEE são efetivados. Ao que tudo indica, as empresas já descobriram que não é boa política formar o estagiário, treiná-lo dentro da sua cultura e necessidades, e deixar que, como profissional, leve os conhecimentos adquiridos para a concorrência.

Outro fator que aproxima os jovens do mercado de trabalho é a formação nas escolas técnicas. Nove de dez alunos dos cursos técnicos públicos em São Paulo já saem com uma colocação no mercado. Nas faculdades de tecnologia (Fatecs), os índices de empregabilidade chegam a surpreendentes 92%. Nas escolas técnicas (Etecs), destinadas a alunos que terminaram o ensino fundamental, a porcentagem é de 79%. Importante lembrar que os estudantes das Fatecs e Etecs também podem aperfeiçoar seus conhecimentos práticos no estágio, aproximando-se da oportunidade de um bom emprego.


* Luiz Gonzaga Bertelli é presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

Formação de Professor : ainda não saimos das Disposições Transitórias da LDB/96.

Iza Aparecida Saliés

A educação, como sabemos, precisa avançar muito, conforme dados do MEC 119 mil professores são leigos, ou seja, não possuem habilitação, estão nas redes pública e particulare. A educação básica brasileira ainda convive com pessoas exercendo a docência sem formação apropriada, com formação frágil para a série/turma que leciona.

A formação de professor posta no Artigo 61 da LDB tem como pressuposto garantir uma melhor qualificação e valorização dos profissionais da educação, como também, erradicar os antigos professores leigos , que ainda permanecem nos quadros das escolas, atuando como professor por falta de oferta da habilitação especifica para lecionar .

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ? LDB/96 está preste a completar quase 15 anos e ainda sinaliza necessidades de ser efetivada em alguns quesitos dos dispositivos legais sob a sua égide. Da implantação até os dias atuais percebemos que houve grandes avanços, mas ainda assim, convivemos com fragilidades estruturais no Sistema de Ensino brasileiro, dentre eles, a formação de professor.

Para cumprir os ditames da lei os Sistemas de Ensino Estaduais deveriam ofertar, em convênio com as Instituições Formadoras, cursos de magistério superior (pedagogia) e licenciatura para professores que estavam atuando na educação básica, sem formação inicial tanto na rede publica como privada.

Pois o artigo 87, § 4º da lei diz que, só poderão ser admitidos professores habilitados em nível superior e os sistemas de ensino teriam 10 anos, a partir da data da publicação da citada lei para adaptar suas antigas Políticas Educacionais, tendo em vista a necessidade de suprir a rede com professor habilitado.

As formações realizadas pelos Sistemas de Ensino estavam respaldadas nas necessidades de cada realidade. Mas, o governo entendeu que a Plataforma Freire seria o programa que agregaria todas as ações de formação inicial da educação básica surgidas das demandas dos Estados e do Distrito Federal.

Só que a Plataforma Freire, que foi um cadastro das intenções de formação inicial e de uma segunda habilitação, não teve êxito considerando que ao centralizar as ações do programa o governo licitou instituições de ensino superior de um estado para atender outro estado gerando confronto de finalidades e condições de realização da formação necessária á realidade de cada Sistema.

O Ministério da Educação anunciou recentemente que vai repassar R$ 1,9 bilhão para as instituições de ensino superior para serem investidos na graduação de professores. A finalidade é oferecer cursos para a primeira licenciatura para professores não habilitados, a segunda licenciatura para os que são formados, mas ensinam em áreas diversas das que se graduaram e para bacharéis que precisam de complementação pedagógica para o exercício da docência.

Como forma de garantir a formação inicial para os professores o MEC vai propor ao Congresso Nacional a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), determinando a obrigatoriedade da formação em nível superior para todas as etapas de ensino da educação básica. Atualmente, a LDB permite formação mínima de nível médio na modalidade Normal para os que lecionam nos anos iniciais do ensino fundamental e na educação infantil.

Os professores denominados "leigos" cursaram somente o ensino fundamental (15,9 mil) ou o ensino médio regular (103,3 mil). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação exige que a formação de docentes seja em nível superior, em cursos de licenciatura, admitindo-se o nível médio na modalidade Normal somente para quem ensina no começo do ensino fundamental ou na educação infantil.

Os dados apresentados pelo censo da educação básica de 2007 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacional (Inep), diz que a maioria dos professores tem "apenas" o bacharelado ou lecionam em disciplinas de áreas diferentes da sua formação superior.

Mesmo com os avanços conquistados com a formação de professores no Brasil, encontramos dificuldades quanto aos conhecimentos que são trabalhados na universidade nas disciplinas pedagógicas quanto à matriz curricular, seja do curso de pedagogia ou das licenciaturas. Parece que o tempo acadêmico é curto para todas as demandas teóricas e práticas necessárias para o desempenho da função docente, muitos assuntos de fundamental importância para o professor deixam de ser abordados ou não são tratados com a profundidade que requer, considerando a necessidade de cumprir a extensa matriz curricular dos cursos.

Para Ângela Kleiman? pois os alunos que chegam às universidades têm um embasamento muito precário no que diz respeito à área de linguagem, não sabem fazer uma análise textual, por exemplo, na pedagogia menos ainda.

Essa é a clientela vai para rede pública de ensino. A escola recebe os recém pedagogos e ou licenciados, futuros professores, desprovidos de conhecimentos das Políticas Educacionais do Estado. Para a autora a academia não tem conseguido apresentar conhecimento de linguagem que seja relevante para o professor. A academia não tem produção científica o suficiente para atender as necessidades de formação, ocasionando sérios problemas para o Sistema Estadual de Ensino.

Só para exemplificar, o professor precisa conhecer o aluno e suas fases de desenvolvimento, ou seja, infância, adolescência, juventude, adulta, seu histórico social e econômico, só assim, de posse dessas informações é que o professor pode discutir o currículo de ensino que possa atender de fato as necessidades de aprendizagem para a formação do aluno.

Se o professor vai dar aula na Educação de Jovens e Adultos, ele precisa dominar as metodologias que dizem respeito à aprendizagem do adulto, ou seja, Andragogia.

Então o que aprender na academia para poder ensinar?

Quando o estudante da pedagogia ou da licenciatura faz um diagnóstico dos seus alunos para elaborar o Projeto Político Pedagógico da Escola, de posse desses dados, deve fazer uma análise, essa análise o professor deveria aprender na formação inicial e não na formação continuada, está deve ser para estudos e reflexões sobre a prática do professor.

Quando o aluno (da universidade) faz uma iniciação à pesquisa com um problema de sala de aula, de ensino, ele está avançando muito na sua formação como professor. Ele se vê forçado a reavaliar tudo o que aprendeu na prática acadêmica, tem a possibilidade de uma experiência com uma reflexão sobre a linguagem.

Essa é apenas uma das diversas situações que encontramos nos sistemas estaduais e municipais de ensino. Infelizmente encontramos professores gambiarra, ou seja, pessoas não habilitadas gerenciando salas de aula, esse é um ranço muito antigo.


REFERÊNCIAS

CASTRO, A. H. O professor e o mundo contemporâneo. Jornal O Diário Barretos, opinião aberta, 08 jul 2004.
GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2000.



Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/formacao-de-professor-ainda-nao-saimos-das-disposicoes-transitorias-da-ldb-96/70909/#ixzz292jnV6Jl

sábado, 6 de outubro de 2012

Jovem brasileiro – despreparo e baixa educação

por Antônio Gois/Folha Online

De cada 100 brasileiros de 15 a 19 anos, 72 não estão preparados para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. A constatação é de um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre a qualidade do ensino na América Latina.

A mesma conta foi feita em outros cinco países da região: Peru, México, Uruguai, Chile e Argentina. O percentual do Brasil só não foi pior do que o verificado no Peru.

Para chegar a essa conclusão, os autores do estudo levaram em conta não só o percentual de jovens sem ensino fundamental completo mas também aqueles que, mesmo concluindo este nível, tiveram uma educação de péssima qualidade.

No caso do Brasil, 43% dos jovens de 15 a 19 anos sequer haviam conseguido concluir o ensino fundamental. Dos 57% que fizeram o fundamental, no entanto, o estudo estima que metade teve uma educação de baixa qualidade, já que 50% dos alunos brasileiros que fizeram a prova de leitura do Pisa (exame internacional que compara a educação em diferentes países) não passaram do nível 1 de aprendizado, o mais baixo.

“Não estamos dizendo que esses jovens não conseguirão emprego algum. Poderão até trabalhar em atividades mais básicas, mas não será essa força de trabalho que atrairá empresas de alta tecnologia”, diz o economista responsável pelo estudo, Juan Carlos Navarro.

 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Querem puxar seu tapete? Saiba lidar com colegas de trabalho competitivos demais

Andrezza Czech
Do UOL, em São Paulo


Você acabou de defender aquela sua ideia incrível na frente de todos e estava a um passo de ter seu projeto aprovado pelo chefe quando, de repente, um colega decide criticar sua proposta. Como agir? Essa é uma das situações mais frequentes quando se tem colegas competitivos demais na equipe –aqueles que, a qualquer momento, podem puxar o seu tapete. “É impossível a competição não aparecer no mercado de trabalho, mas ela precisa ser saudável”, diz Roberto Picino, diretor-executivo da Page Personnel, empresa especializada em recrutamento.

Para que isso aconteça, especialistas acreditam que regras devem ser estabelecidas. “Quando há normas para promoção, metas para atingir e resultados para entregar, a competição se torna saudável. Mas raras são as empresas que têm uma ferramenta de avaliação de desempenho dessa forma”, diz a coach Daniela do Lago, mestre em comportamento organizacional. Quando os critérios não são claros, os funcionários competitivos demais veem uma oportunidade para tentar desestabilizar e prejudicar colegas que consideram uma ameaça a eles. “A competição fica ferrenha quando ocorre por causa de um nível hierárquico. Nem todo mundo tem o bom senso de não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com ele”, diz Daniela. “Tem gente que compete até porque o chefe elogiou o trabalho de outro, e não o dele”.

Para Mike Martins, diretor-executivo da Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC), a competição pode ser prejudicial quando passa dos limites. “É perigoso quando a pessoa prejudica seus colegas, seus clientes e até a própria saúde. Ser altamente competitivo é nocivo quando isso toma horas da sua vida e compromete a vida pessoal”, diz ele.

O UOL Comportamento conversou com especialistas para entender como lidar com as atitudes mais frequentes –e prejudiciais– que os colegas competitivos tomam ao tentar puxar seu tapete.


Indicação de profissional ruim pode prejudicar sua imagem; saiba agir com quem pede ajuda

Andrezza Czech
Do UOL, em São Paulo


Seja um antigo colega ou um grande amigo, quando alguém lhe pede uma indicação para uma vaga de trabalho, a saia justa é a mesma. Até quando você não tem certeza da capacidade profissional dessa pessoa, é comum que a camaradagem fale mais alto. Com isso, há o risco de estar colaborando com a entrada de um funcionário pouco competente na empresa onde você atua.

Mas será que isso pode prejudicar a sua carreira? A resposta é sim. "Quando você indica alguém ruim, sua reputação será questionada. Por mais que seu chefe o enxergue como um bom profissional, ele passa a te ver como alguém sem discernimento", diz o especialista em desenvolvimento profissional, liderança e gestão Renato Grinberg.

Segundo Mike Martins, diretor-executivo da Sociedade Latino Americana de Coaching, qualquer problema que ocorrer dentro da empresa por culpa da pessoa indicada poderá ter reflexos em você. "Indicar alguém pode melhorar sua imagem rapidamente ou prejudicá-la. Se o novo funcionário causar danos enormes à empresa, ambos podem ser demitidos", afirma.

Arriscar ou não?
Com tantos riscos, a solução para evitar o erro parece simples: jamais indicar alguém. Na prática, porém, dizer não é difícil e significa que você jamais poderá pedir ajuda para essa pessoa, caso necessite no futuro. E embora a regra seja não colocar a mão no fogo por alguém, ser sempre isento não é bom.

"Você não pode perder a chance de resolver um problema do seu chefe levando um bom profissional para a equipe. É possível ganhar pontos positivos por isso. Às vezes, é preciso correr alguns riscos, ainda que calculados", segundo Grinberg.

Viver bem na cidade


Os jovens hoje na faixa dos 20 anos ingressarão na terceira idade a partir de 2050, segundo levantamentos internacionais que apontam para o envelhecimento populacional.

Notícia da ONU em outubro do ano passado já confirmava 700 milhões de pessoas com mais de 60 anos em todo o mundo. Até 2050, a organização previu que essa população seja superior a 2 bilhões e ultrapasse o número de crianças com até 14 anos de idade.

O Brasil confirma a tendência do envelhecimento mundial. Em 2010, as pessoas com 60 anos ou mais correspondiam a 10,8% da população total, ou 20,5 milhões. Para 2025, segundo estimativa do IBGE, os idosos serão cerca de 13% da população. Assim, o Brasil terá a sexta população de idosos em termos absolutos.

Não há nada de errado com um país que envelhece. Os países, assim como as pessoas, passam por fases e em todas elas enfrentam desafios. O importante é saber superá-los.

Um guia para as cidades


A questão da velhice é recorrente no noticiário nacional porque o Brasil não se preparou para ela. Agora, precisa correr contra o tempo. Há muito por fazer e talvez o mais difícil seja a mudança de comportamento de uma sociedade que cultua a juventude em todos os sentidos.

No final de março de 2011, o IEA (Instituto de Estudos Avançados) da USP, em parceria com o Grupo Mais-Hospital Premier e a Oboré Projetos Especiais de Comunicação e Artes, realizou o ciclo “Idosos no Brasil: Estado da Arte e Desafios”. Os debates ocorridos naquela oportunidade, passado mais de um ano, permanecem atuais.

Atento para a mesa-redonda “Aspectos urbanos e habitacionais em uma sociedade que envelhece”, que teve a participação de Alexandre Kalache, da Academia de Medicina de Nova York e da professora Guita Grin Debert, do Departamento de Antropologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Em trecho do seu pronunciamento, Kalache lembrou que a concentração urbana também cresceu vertiginosamente no Brasil e afirmou: “Vamos precisar mudar a realidade do idoso no contexto urbano e, para isso, é fundamental ouvi-lo e fazê-lo contar como é a experiência de ser idoso na cidade”.

Essa é justamente a proposta do Guia Global das Cidades Amigas das Pessoas Idosas, que ele desenvolveu com Louise Plouffe em 2007 para a OMS (Organização Mundial da Saúde) e que contou com a colaboração de representantes de vários países-membros.

Ouvir para mudar


Em São Paulo (SP), um grupo de arquitetos de prestígio internacional participou do Arq.Futuro SP nos dias 24 e 25 deste mês para discutir as possibilidades da cidade para o futuro. O evento terá uma edição em Minas Gerais no início de novembro. Para 2013 estão previstas edições no Rio de Janeiro e na Bahia.

Cito a reunião dos arquitetos porque, de todas as entrevistas que acompanhei, a maioria dos profissionais declarou que é muito importante ouvir a opinião dos moradores da cidade.

O crescimento da população idosa e a concentração urbana seguem juntos e acelerados. Cerca de 87% dos brasileiros vivem em cidades. Portanto, ouvi-los parece ser fundamental para melhorar a qualidade da vida para moradores de todas as idades.

O Guia Global das Cidades Amigas das Pessoas Idosas resultou, entre outras fontes, de pesquisas junto a idosos e cuidadores durante seis meses em 35 cidades do mundo. A contribuição do Brasil para o projeto saiu do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, conhecido por concentrar a maior população de idosos no país.

Os principais temas do estudo são: espaços externos e edifícios, transportes, habitação, participação social, respeito e inclusão social, participação cívica e emprego, comunicação e informação, apoio comunitário e serviços de saúde.

Em 2009, a Fundação Calouste Gulbekian patrocinou uma edição do guia em português de Portugal, a qual pode ser acessada no link: http://www.gulbenkian.pt/section154artId1949langId1.html

Vale a pena ler e ampliar as oportunidades para que os idosos do século 21 mostrem a que vieram.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.
 

Coluna da Lucila Cano



Em creche de SP, crianças aprendem a conviver com deficiente e estrangeiro sem preconceito

Mariana Monzani
Do UOL, em São Paulo


As crianças estão curiosas: seus olhos atentos seguem a repórter, o fotógrafo e uma das funcionárias que acompanha a visita da equipe à creche. Mas essa novidade não causa estranheza ou medo – afinal, o ambiente ali foi configurado para que o diferente fosse bem aceito e tolerado.

Lucas, 5, é o primeiro a puxar conversa. “Você conhece minha sala? Vou te mostrar”, diz o menino que tem síndrome de Down. Ele mostra o que trouxe na mochila, apresenta a sala e já repassa a rotina do dia:

Na creche pré-escola Oeste da USP (Universidade de São Paulo), a diversidade é parte da rotina. A unidade, que fica na Cidade Universitária, em São Paulo, recebe, com naturalidade, alunos deficientes, estrangeiros recém-chegados ao país e crianças das diversas classes sociais.


Creche inclusiva 

Foto 3 de 17 - Antonio, 6, observa o fotógrafo de cima do escorregador do pátio da creche. Segundo a LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional) a escola deveria ser direito de todos, seja de crianças e adolescentes em situação de inclusão ou não. De acordo com a Constituição, a lei garante o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino Leonardo Soares/UOL 

Mais tolerantes

Essa abertura – ou tolerância como alguns preferem chamar – é uma característica que tende a acompanhar essas crianças ao longo de suas vidas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da USP, justamente com os “alunos” dessa creche, mostrou que vivenciar a experiência da educação inclusiva na pré-escola pode evitar diversos tipos de preconceito de forma duradoura.

Inclusão na creche


Segundo Marie Claire Sekkel, coordenadora do estudo, “as crianças mantêm atitudes de abertura ao relacionamento com pessoas significativamente diferentes, independentemente de valores familiares”.

Tiano 5, que é de Moçambique , quer falar sobre a história da família. Antônio também deseja participar, mas corre, com vergonha. Laura pede para trocar de roupa.

Inclusão num sentido amplo

A creche possibilita essa oportunidade para que essas crianças aprendam a trabalhar e a conviver em grupo com quem é diferente (seja por alguma condição física ou social) e a aceitar essas diferenças. Esse tipo de experiência é positivo no desenvolvimento da educação infantil.

Nesse sentido, a educação inclusiva, que integra alunos em situação de inclusão a turmas regulares, evidencia esse espírito de “estar com o diferente” e aprender com essas relações. As crianças, segundo princípios da educação inclusiva, devem aprender juntas, independentemente das dificuldades que possam ter.

“Nosso foco principal é olhar para a criança em situação de inclusão e ajudá-la a participar das propostas junto ao grupo dela, facilitando as relações entre eles, a aquisição de conhecimento, de descobertas, o fomento a criatividade, ao conhecimento, sendo crianças em situação de inclusão ou não”, explica Prislaine Krodi, psicóloga da Creche/Pré-Escola Oeste da USP.

Coluna da Lucila Cano

Para analistas, baixa qualidade do ensino e taxa de reprovação "expulsam" jovem da escola

Cristiane Capuchinho
Do UOL, em São Paulo


Aluns assistem a aulas a distância para o ensino médio no Amazonas

Caiu o número de jovens na escola a partir dos 15 anos de idade. O dado da Pnad 2011 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), explicita um problema que preocupa há algum tempo pesquisadores da educação: a escola não consegue reter o adolescente.


"O jovem que vai à escola não encontra o professor de determinada disciplina ou não tem a aula de maneira adequada. Esse jovem percebe que essa escola [da maneira como é oferecida] não garante um lugar no mercado de trabalho. Então considera que o mais lógico é abandonar a escola", explica a professora Marcia Malavasi, da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Dessa maneira, a escola 'expulsa' os jovens do ensino médio", conclui.


Desinteresse

"O jovem diz que não tem interesse, não tem saco, não gosta da escola", afirma Haroldo Torres, diretor de análise e disseminação de informações da Fundação Seade. Segundo ele, até existe um reconhecimento de que estudar "é importante para o futuro", mas isso não se traduz em esforço para se manter na escola.

A falta de interesse do aluno parece ser resultado de um conjunto de situações, que vão da baixa qualidade do ensino, falta de professores e altos índices de reprovação a problemas de infraestrutura escolar, como a falta de bibliotecas e salas de estudo.

"O jovem tem dificuldades para chegar até a escola, pois é longe e o transporte é caro. Quando ele chega, não tem professor e a escola sequer tem uma biblioteca para manter o aluno ali estudando", critica Marcia.

Retenção

A probabilidade de evasão do jovem aumenta conforme o número de repetências no histórico escolar. "O nosso sistema é muito reprovador, sobretudo em algumas regiões. No Nordeste, por exemplo, é muito comum as pessoas ficarem retidas no ensino fundamental", explica Torres.

Não dá para dizer que o jovem está saindo da escola para ir trabalhar, pois caiu a taxa de ocupação até os 29 anos. Existe uma parte da população aí que não estuda nem trabalha

MARIA LUCIA VIEIRA, gerente de pesquisa do IBGE


A avaliação de que os altos índices de retenção desestimulam o aluno ecoa na fala do pesquisador Simon Schwartzman, do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade).

"A educação pública brasileira é em geral muito mal gerenciada, com níveis absurdos de reprovação e dependência. Basta "arrumar a casa", garantir que os professores venham e dar aulas de reforço para os alunos que ficam para trás para que os indicadores comecem a melhorar", diagnostica.

Estrutura

Apesar do aumento no investimento no ensino médio, com a criação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) que atende toda a educação básica, os números do ensino médio não melhoraram. Uma das hipóteses é de que o currículo não agrade a esse jovem.

"É importante deixar de obrigar todos a seguirem os mesmos currículos, abrir espaço para escolhas, e ampliar de maneira muito significativa a alternativa de formaçao profissional sem mantê-la atrelada ao ensino médio regular", argumenta Schwartzman.