quarta-feira, 26 de março de 2014

MT - Os tradicionais mercados e feiras livres de Cuiabá

Quem vai às compras hoje nem pode imaginar que esse singular comércio cuiabano já foi uma bagunça que faltava gente pra ver

NELSON SEVERINO



Quem vai às compras nos dias atuais nos dois principais terminais atacadistas de Cuiabá – o do Porto e o do Verdão – e vê aquela abundância de produtos que são ofertados à clientela, sem contar as feiras livres domingueiras que se espalham pela capital mato-grossense, nem de longe pode imaginar que esse singular comércio cuiabano já foi uma bagunça que faltava gente pra ver. Como toda feira livre que se preza...

Hoje, todo tipo de mercadorias chega a Cuiabá em grandes containers, caminhões frigoríficos e ate de avião, tudo isso sob rigorosa fiscalização da saúde pública. Em tempos bem remotos, não tinha nada disso! Os gêneros alimentícios, incluindo peixes, naturalmente, chegavam na primeira feira livre de Cuiabá, a do Largo da Cruz das Almas, hoje Praça Ipiranga, de canoas ou pequenos botes, impulsionados a remo, através do córrego da Prainha.
Arquivo Pessoal/Aníbal Alencastro
Feira da Avenida General Ponce, além de ser o centro comercial nos finais de semana, era palco das batalhas de confetes nos períodos carnavalescos
O transporte dos produtos que a população consumia era feito pelos próprios chacareiros e sitiantes que subiam ou desciam o Rio Cuiabá até a “Boca do Valo”, que é onde o córrego da Prainha se encontra com o grande rio que banha a capital. Na época, o córrego da Prainha, com um grande volume de água, era totalmente navegável, facilitando o trabalho dos remadores, que iam vender diariamente ou de vez em quando seus produtos aos cuiabanos.

Geógrafo, historiador e professor universitário aposentado, o escritor Aníbal Alencastro dá um mergulho no passado e relembra detalhes interessantes dos mercados e feiras livres de Cuiabá. A confusão que caracteriza as feiras era uma diversão para os seus frequentadores habituais. O texto que se segue é de sua autoria. As fotos que ilustram o material jornalístico são de Laércio Ojeda.  Alencastro é autor de vários livros, entre os quais Cuyabá histórias, crônicas e lendas (já esgotado) e colaborador do HiperNotícias.

A história das feiras e mercados de Cuiabá tem suas origens no antigo Largo Cruz das Almas, hoje Praça Ypiranga.

No século XIX, na região ribeirinha do Rio Cuiabá, havia muitos sítios e chácaras que produziam em pequena escala produtos hortifrutigranjeiros e cujos proprietários, que também eram exímios pescadores, transportavam quase que diariamente tudo o que tiravam de suas terras em suas modestas canoas ou botes, subindo ou descendo o rio até a “Boca do Valo”, ou seja, a foz do córrego da Prainha com o Cuiabá.

Com suas canoas abarrotadas de cargas, subiam o córrego da Prainha, que na época era navegável, em direção a cidade, onde em frente ao Largo Cruz das Almas atracavam suas embarcações e descarregavam aquelas variedades de mercadorias e onde de forma improvisada vendiam seus produtos aos clientes que ali apareciam. Entre a variedade de produtos, vendiam também peixes como pacus, curimbatás, piraputangas, pintados, dourados, cacharas, etc.

Aquele espaço do largo logo se converteu em um pequeno comércio informal (1ª feira livre), preocupando o poder público, que compreendendo a necessidade do evento, resolveu empreender a construção de um mercado público para melhor acomodar aqueles feirantes e para trazer, automaticamente, benefícios à sociedade e mesmo para o governo, através da cobrança de impostos.

Laércio Ojeda
Feira da Avenida Ponce foi transferida para o Arsenal de Guerra, atrás do Estádio Presidente Dutra

Esse fato se deu na administração do presidente da Província de Mato Grosso, Augusto de Leverger (1852), com a construção do casarão do mercado, onde funciona hoje o Ganha Tempo.

A denominação do Largo da Cruz das Almas está atrelada ao nome do córrego Cruz das Almas, que existiu no meio da Avenida Generoso Ponce e cuja vertente vinha da então Rua do Coxim e da Cacimba do Soldado.

O Largo da Cruz das Almas, com o passar do tempo, ganhou o nome de Praça Marquês de Aracaty, em homenagem ao 8º Capitão General da Capitania de Mato Grosso, João Carlos Augusto Oeynhansem de Gravemberg, quando a praça foi urbanizada e cercada com grades de ferro.

Já no século XX a Câmara Municipal achou por bem trocar o nome do local para Praça do Ypiranga em homenagem a data cívica de 7 de Setembro,.relembrando o Grito da Independência às margens do riacho do Ypiranga, em São Paulo.

O antigo casarão do Mercado Público perdeu sua condição de mercado, quando foi impostamente ocupado pela Força Militar no período da Guerra do Paraguai, passando a servir de enfermaria aos soldados acometidos de varíola, a temida bexiguinha preta.

Em 1910, o então intendente geral do município de Cuiabá, tenente coronel Avelino de Siqueira, foi autorizado através da Resolução nº 75 e aprovada pela Câmara Municipal a contrair empréstimo de quinhentos contos de réis para construir o segundo Mercado Público, que foi edificado na Rua Formosa (hoje Joaquim Murtinho), esquina com a Avenida Generoso Ponce (antiga Vilas Boas).

O tradicional Mercado Público foi um dos mais importantes centros de abastecimento de Cuiabá, principalmente depois de desativada a navegação pelo córrego da Prainha, evidentemente por causa do assoreamento do seu leito.

Com isso, o abastecimento do novo mercado passou a ser compensado pela chegada de tropas de mulas advindas de várias localidades ao redor de Cuiabá, entre elas Nossa Senhora do Livramento, Nossa Senhora da Guia, Aricá, Chapada dos Guimarães, Santo Antonio do Rio Abaixo, etc.

Orlando Nigro/Acervo Leopoldo Nigro/C&C
Em 1964 a Prefeitura resolveu transferir todos os feirantes para o Mercado do Porto, no antigo Campo do Bode

Até os anos 50, era comum se ver nas ruas de Cuiabá as figuras dos tropeiros com seus bois de cangalhas carregados de mantimentos, lenhas, cachos de bananas, entre outros produtos do campo, dirigindo-se para o grande quintal do Mercado Público onde as ripas de mulas ou bois eram devidamente acomodadas, bebendo água de um velho poço artesiano ali existente.

O velho casarão do mercado tinha a sua frente principal para a Rua Joaquim Murtinho, com um belo portão de ferro na entrada e suas amplas dependências, permitindo a exposição e mostra dos mais diversos produtos trazidos pelos tropeiros, acondicionados em bruacas de couro cru ou em sacos de mantimentos. Era intenso o movimento comercial entre vendedores e compradores.

O espaço do Mercado Público era imenso, principalmente o quintal (área externa), que era cercado de grades de ferro e algumas vezes requisitado pelas companhias circenses que visitavam Cuiabá, a exemplo do inesquecível Circo Garcia, com sua maior atração, o leão “Minelique”, que muito emocionou o público cuiabano.

AS FEIRAS LIVRES

As feiras livres sempre fizeram parte das tradições cuiabanas. Uma vez desativada a do Largo da Cruz das Almas por ocasião da construção do Mercado Público, também pela urbanização da Praça Marquês de Aracaty (a Praça Ypiranga), a feira se deslocou para a Avenida General Ponce (antiga Travessa Vilas Boas), recém construída pelo então prefeito Isaac Póvoas no ano de 1939, quando esta avenida foi calçada com paralelepípedo e o córrego foi encoberto.

Esta grande feira se tornou o espaço tradicional de Cuiabá: além de ser o centro comercial nos finais de semana, ali era realizada as batalhas de confetes nos períodos carnavalescos e o ponto atrativo para os desfiles dos eventos do Rei Momo. Sempre esteve presente naqueles eventos a tradicional Rádio Clube Voz D’Oeste, irradiando os desfiles.

Com a modernização da Avenida Generoso Ponce no final dos anos 60, quando foi alargada e asfaltada, ela perdeu aqueles ares românticos do calçamento de paralelepípedos e dos tradicionais postes de ferro assentados no meio da avenida, com luminárias de dois braços, com imensas lâmpadas incandescentes. Nesse tempo, nossa luz elétrica era produzida pela Empresa de Força Luz e Água (Efla).

Tudo mudou radicalmente: a nossa da Avenida Ponce foi transladada para a Rua 13 de Junho, em frente ao Arsenal de Guerra (Sesc Arsenal), localizada atrás do Estádio Presidente Dutra.

No ano de 1964 a Prefeitura Municipal resolveu transferir todos os feirantes para o amplo Mercado do Porto, localizado no antigo Campo do Bode nas proximidades do velho Mercado do Peixe, construído no distante século XIX, no ano de 1899, nas margens do Rio Cuiabá e que foi transformado no Museu do Rio Hid Alfredo Scaff, antigo proprietário da Empresa de Navegação Scaff Gattas & Cia.

O VERDUREIRO–PEIXEIRO

Falando em feiras e mercado, ponto de encontro dos pequenos comerciantes, isto é, pequenos mais importantes para o nosso dia a dia, proporcionando à nossa gastronomia produtos de boa qualidade, etc., não podemos nos esquecer dos tradicionais e inesquecíveis verdureiros-peixeiros. A começar do fato da criançada mudar o vocábulo vulgarmente para “verduleiro”.

Lembro-me dos meus dias de criança, quando a mamãe mandava eu ficar na porta de casa a espera da passagem do verdureiro ou peixeiro, para poder comprar aqueles produtos fresquinhos!

Os verdureiros ou peixeiros, assim denominados pela população, eram pessoas determinadas, que altas madrugadas desciam até o mercado do peixe no Porto, com seus modestos “carrinhos de mão” para comprar o peixe fresco ou outros produtos como verduras, temperos, frutas, etc., para vender de porta em porta para a população.

E aí, ainda em plena madrugada, seguindo seus costumeiros roteiros pelas ruas desertas da cidade, saiam gritando: “ó o peixe”, “ó o verdureiro”. Na nossa Cuiabá do passado, esse ritual fazia parte do nosso cotidiano.

OS PADEIROS

Naquele mesmo ritual da madrugada outro personagem que fazia parte daquele teatro urbano era o padeiro, geralmente montado a cavalo entre dois imensos balaios abarrotados de pães, ainda quentinhos recém tirados dos fornos de lenha das tradicionais padarias da cidade. Lá iam eles, os padeiros cuiabanos, deixando os pães nas janelas das casas. Alguns proprietários fincavam alguns pregos na janela onde eram afixados os pães...

Lembro-me da rapaziada que ao retornar dos bailes já na madrugada, vindos dos clubes Dom Bosco ou Náutico, pegavam os pães nas janelas das casas... mas sempre deixando um ou dois para que o morador do imóvel não ficasse sem o seu pão de cada dia...

MT - Governo inicia processo para novo Concurso Público

Os integrantes ficam responsáveis pelo levantamento de vagas e composição dos critérios que definirão as normas do Edital

DA REDAÇÃO






As Secretarias de Estado de Educação (Seduc) e a de Administração (SAD) já publicaram no Diário Oficial do Estado, a Portaria 004/2014, de 18 de março de 2014, que institui os representantes da Comissão Especial de Concurso Público que ficará responsável pela elaboração do Edital do novo certame para professor da Educação Básica estadual.

A Comissão que inicia os trabalhos para o próximo concurso público da Seduc será presidida por Sebastião Soares da Silva (Seduc) e composta por Angela Aparecida Perottoni (Seduc), Cinthia Camargo Delgado (SAD), Cristiane Fabiano Pereira Rodrigues (SAD), Lara Catarina Moura Moraes (SAD), Leize Lima de Oliveira (Seduc).

 Na elaboração dos trabalhos fica assegurada a participação do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de mato Grosso (Sintep-MT).

Os integrantes ficam responsáveis pelo levantamento de vagas e composição dos critérios que definirão as normas do Edital. A previsão é de que até junho deste ano seja realizado o Concurso.

(Com informações da Assessoria)

MT - Greve municipal dos professores termina na Cidade Industrial

Sintep garantiu que professores já voltaram as aulas nesta quarta-feira



DA REDAÇÃO

Após intervenção do Poder Judiciário, os professores da rede pública municipal de ensino de Várzea Grande encerraram, nesta terça-feira (25 de março), a greve que durou 37 dias. O presidente do Sintep de VG, Gilmar Soares Ferreira, garante que amanhã (26 de março) os professores já voltam às salas de aula. Para que houvesse acordo entre a categoria e a administração municipal e se evitassem maiores prejuízos às milhares de crianças que estavam perdendo aula, a atuação do Núcleo de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do Tribunal de Justiça foi essencial.

“O fato da Secretaria de Educação ter assinado o acordo, sob o crivo do Judiciário, foi um grande avanço e a participação das magistradas e conciliadoras foi fundamental. A presença do Judiciário nos dá maior segurança de que o acordo será cumprido, porque em 2013 realizamos duas greves e em todas as oportunidades a Prefeitura descumpriu o que nos havia prometido”, enfatiza Gilmar Soares.

A conciliação foi feita pelo Judiciário em duas etapas e na última audiência, realizada na sexta-feira (21 de março), chegou-se a um consenso. O acordo que será homologado pela Justiça possui sete cláusulas. O principal ponto acordado é que no mês de maio a Prefeitura fará a recomposição salarial dos profissionais em 16,32%, percentual que corresponde à soma das perdas inflacionárias ocorridas em 2013 e 2014. Conforme o Sintep, hoje a categoria recebe o salário de 2012. “O piso é de R$ 906 e deveria ser de R$ 1.060”, frisa Gilmar.

Além disso, no mesmo prazo a Prefeitura tem que apresentar um estudo de impacto financeiro do retroativo desta recomposição salarial e em três meses apresentar a proposta de parcelamento da dívida, bem como o calendário de gozo de férias e licenças-prêmio.

A coordenadora da Central de Conciliação de Cuiabá, juíza Adair Julieta da Silva, foi quem conduziu a conciliação no dia 21, juntamente com a mediadora Silvia Melhorança. Adair frisa que desde o mês passado havia uma liminar do desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha decretando a ilegalidade da greve e estipulando multa diária de R$ 10 mil ao Sindicato, mesmo assim o Núcleo sentiu a necessidade de restabelecer este diálogo entre as partes e promover a pacificação social.

“Se não houvesse o acordo, daqui a dois ou três meses a categoria poderia fazer nova greve. Agora quem mais sai ganhando é a sociedade, porque a educação é um dos pilares do país e um direito constitucional”, observa. Ela destaca ainda que os professores tiveram as reivindicações atendidas em parte, dentro do que foi possível para não haver desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal.

Segundo a juíza, o acordo será juntado aos autos do processo que tramita no TJ sob a relatoria da desembargadora Maria Gargaglione Póvoas e este será extinto. Assim a Prefeitura não poderá mais executar a multa, tampouco fazer corte de ponto e salário dos grevistas.

Sintep-MT denuncia exclusão do sindicato na comissão de concurso público

Sindicato reclama, ainda, do número de contratos temporários no Estado

DA REDAÇÃO
Depois de intensa cobrança do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) para a realização de novo concurso público, o Governo publicou a portaria que institui a comissão para atuar no certame, porém, nessa comissão foi excluída a participação efetiva do Sintep/MT.

Recentemente o Tribunal de Contas da União (TCU) publicou estudo que confirma a situação já denunciada pelo Sintep/MT há alguns anos, quanto ao grande número de contratos temporários no Estado. Uma situação que passou a ser regra e não excepcionalidade conforme dispõe a Constituição Federal. Como a lei não é cumprida em Mato Grosso, este tema é pauta permanente do Sindicato e faz parte do acordo que suspendeu a greve de 67 dias em 2013.

Na Portaria publicada no Diário Oficial no dia 18 de março são listados como membros da Comissão Especial de Concurso público três servidores da Seduc e três da Secretaria de Estado de Administração (SAD). "No segundo parágrafo da portaria 004/2014 fica definido que o Sintep/MT poderá apenas acompanhar os trabalhos da Comissão, mas historicamente o Sindicato sempre fez parte da Comissão que era constituída de forma paritária", relembra o secretário de Finanças do Sintep/MT, Orlando Francisco.

Na audiência de janeiro entre SEDUC e SINTEP a Secretária de Educação comunicou que já havia sido realizado estudos técnicos para o concurso e oficializou ao SINTEP-MT a solicitação dos nomes para compor a Comissão, o que foi respondido prontamente pelo Sindicato.

"O Sintep/MT ficou surpreso com a ausência na Portaria dos nomes encaminhados para compor a Comissão, contrariando o que havia sido definido na referida audiência. Não podemos aceitar esta atitude por parte do governo que demonstra novamente a falta de vontade em garantir os direitos dos trabalhadores da educação ", avalia a secretária de Assuntos Jurídicos e Legislativos do Sintep/MT, Vânia Maria Rodrigues Miranda.

terça-feira, 25 de março de 2014

Mãe Bonifácia guiava os escravos pelo córrego, curava as dores com o coração, se imortalizou em estátua e virou lenda

Da Redação - Marianna Marimon

Seu coração era do tamanho de todas as mães que passaram por essa terra. Em seu coração, cabiam todos os exilados, desabrigados, pobres, maltrapilhos, os escravos. Em seu coração, havia a igualdade e bondade que deveria haver em todos os outros corações. Em seu coração, gritava alto o sentimento de busca pela liberdade, e de acreditar que existe sim, a possibilidade de ser feliz em um mundo injusto e cruel. Seu coração nunca se calou diante das atrocidades humanas. Seu coração lutou até quando pode, porque parar nunca foi uma opção. Alguns duvidam da sua existência enquanto outros cultivam o mito em torno da sua figura lendária para que a esperança seja sempre revigorada com a sua história ousada. O seu nome? Não sabemos. Só podemos chamá-la de Mãe Bonifácia.

Ela se tornou uma lenda em Cuiabá. Mas é recorrente muitos duvidarem da veracidade da sua história, afinal, no século 19, uma mulher negra e escrava, que auxiliava a fuga dos outros escravos, parece ser ficção. Porque deixariam Mãe Bonifácia livre, enquanto todos os outros estavam encarcerados? A resposta quem dá é o historiador Aníbal Alencastro, que rememorou a história da negra escrava no livro “Cuiabá: histórias, crônicas e lendas”.

A história de Mãe Bonifácia marcou mesmo já no fim da sua vida. Aníbal conta que a velha negra e escrava parou de ser incomodada devido a idade avançada e ao deixarem de usar seus serviços, foi morar na saída para a Estrada da Guia, em um barracão em frente ao 44º Batalhão e também era ali que nascia o córrego, que viria a ter o mesmo nome “Mãe Bonifácia”.

Curandeira, africana, com um vasto conhecimento sobre as plantas. Mas, porque a sua história marcou tanto? A estátua que hoje se situa no parque que leva o nome da mãe negra, retrata bem a conduta de Mãe Bonifácia diante dos fracos e oprimidos. Ela curava os negros, os salvava da perseguição e os guiava pelo rio até o quilombo situado na mata densa, onde hoje se localiza o parque. A dor que ela sentia no peito, só podia ser esvaziada se pudesse salvar aqueles que passavam pelo mesmo sofrimento que ela: a privação da liberdade.

Quando havia revolta em Cuiabá, e os negros fugiam, era atrás da Mãe Bonifácia que iam em busca de auxílio, já que ela os escondia. A negra orientava os fugitivos a andarem pelo córrego para que os cães dos capitães do mato, não pudessem farejá-los. Com isso, Mãe Bonifácia os guiava mata adentro, até o quilombo (que depois originou o nome do Bairro do Quilombo).

Com relação aos questionamentos sobre a sua existência, Aníbal é categórico “sim, ela viveu aqui, sua história é real”. O pesquisador levantou a trajetória de Mãe Bonifácia a partir de familiares remanescentes de escravos, que até a década de 1950, os avós destes que residem atualmente, viviam no Despraiado e contavam a história da negra velha que ajudava os escravos. Os refugiados também chegaram a ser retratados em livro de Estevão de Mendonça.

A Lei Áurea só foi aprovada em 1888, já no fim do século 19, quando Cuiabá era apenas a região do Centro, da Prainha, com o ouro a jorrar das águas, com a exploração do garimpo em pleno vapor e a exploração do trabalho escravo também. O ouro resplandecia mas, era preciso um olhar atento, para entrever que era também a ruína, a escuridão, a morte que espreitava os negros exauridos pelo trabalho árduo, pelas injustiças, surras, e ver seu corpo valer menos que a sua própria vida.

Os descendentes dos refugiados ainda estão na Estrada do Despraiado. Há um fundo de verdade sobre Mãe Bonifácia. Aníbal ressalta a importância de se manter viva a sua história e memória, “é a nossa raiz, os negros que fizeram Cuiabá em seus primórdios, com as minas de ouro e as mucamas nas casas dos patrões”.

O título de mãe é justamente por isto: por abraçar a desigualdade, romper com os padrões vigentes e abrigar em seu coração toda a dor humana. A estátua é a única representação que sobrou dos seus dias de vida. A mãe negra abraça o filho escravo, mas não é o sangue que a liga a todos os homens, é a sua alma, o seu coração que precisa estancar a dor e acalentar o choro, curar a diferença com amor, com solidariedade, com esperança. Sua história deve ser perpetuada como o único retrato que sobrou envolto em toda a lenda: a mão aberta, estendida, para salvar aqueles que eram expurgados da própria vida.

A mão estendida, o peito aberto e o amor de mãe foram o que a eternizou. E a sua lição é o que nos sobrou: amar independente de todas as adversidades e acreditar que através de nossas próprias mãos, um mundo melhor é possível, basta lutar.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Destemido, irreverente e sarcástico: Jejé de Oyá, o colunista social que apavorou Cuiabá por mais de 30 anos

Da Redação - Marianna Marimon

Sua presença é cheia de irreverência e a memória de sua figura evoca diferentes cores, que combinam com as suas vestimentas em estilo bizantino, mas destoam daquele lugar-comum cheio de referências do passado. Sua presença é ainda moderna, porque a autenticidade não se perde com o tempo, apenas se acentua e se concretiza. E foi assim com sua personalidade. Antes, poderia ser enquadrado como mais um enjeitado pela sociedade, porém, sua história foi diferente. Ao desafiar tudo e todos, romper com os padrões morais e revelar as facetas da conhecida cuiabania, teve que se desfazer da sua roupagem tradicional e inventar um personagem. Personagem este que se transfigura em ícone e se perpetua no imaginário popular da cidade. Nascido José Jacinto Siqueira de Arruda será sempre lembrado como o Jejé de Oyá.

O mais famoso colunista social de Cuiabá que desafiou a conhecida cuiabania, a tradicional elite da capital de Mato Grosso, com o poder econômico, social e político, Jejé de Oyá é temido. Conhece como poucos as nuances das principais famílias do Estado, que fizeram história nesta terra, em diferentes espaços e cenários. Jejé se aventurou a narrar este cotidiano social, as festas, os ‘bafos’, e declarou em entrevistas que se fosse escrever um livro, estaria morto no primeiro parágrafo.

Os mistérios e segredos de Jejé de Oyá serão levados para o túmulo. E porque evocar o seu personagem nesta sexta-feira, 28 de fevereiro? Por que o carnaval chegou. E não há figura melhor para representar a folia que toma conta das ruas cuiabanas, do que um dos personagens mais irreverentes oriundos da nossa Cuiabá.

Jejé de Oyá é homossexual assumido, negro e nasceu pobre, mas acabou sendo adotado por uma família cuiabana, já que sua mãe não tinha condições de cuidar dele por ser doente mental. Eu não o conheci, e sei que está nos momentos finais da sua vida, mas o imagino sarcástico, com a ironia correndo-lhe pela boca, e as sacadas e tiradas que deixavam os figurões de cabelo em pé. Jejé de Oya é homossexual, mas é cabra macho, afinal, mexer com tanta gente poderosa, como ele sempre fez, não é para qualquer um.

Podemos dizer que durante os 30 anos que fez colunismo social em Cuiabá, Jejé foi destemido e por isso se tornou temido.

Nascido em Rosário Oeste, veio para Cuiabá ainda criança, com apenas quatro anos de idade. E por ser adotado, pode estudar em uma escola particular e depois optou por fazer sapataria na Escola Técnica Federal, antiga Escola Industrial de Cuiabá. Mas, devido a ‘sujeira’ e cheiro incomodo da cola de sapateiro, Jejé optou por mudar para a alfaiataria, pois, era mais chique. Depois, devido a sua língua ferina ao delatar a postura incorreta de um professor para sua esposa, teve que terminar o curso de alfaiataria na Escola Profissional Salesiana, hoje Colégio São Gonçalo. E fez todo o tipo de vestimenta, inclusive para Dom Aquino Côrrea.

Porém, o sonho da vida de Jejé contrasta com a sua própria história, pois, destoa daquilo que representou. Seu sonho era ser padre. Vestir a batina e realizar missas. Este era seu desejo desde criança, e do mesmo jeito que sonhou, viu tudo se evaporar, quando fez o internato de cinco anos na Escola Salesiana. No último ano do curso cometeu um sacrilégio: colocou as vestimentas do padre e começou a rezar a missa em latim. Quase foi expulso do colégio.

A caracterização de seu personagem como colunista social foi acontecer lá no fim da década de 1960, quando começou a frequentar festas e conhecer as pessoas. Jejé gostava era de participar dos grandes bailes, como o Operário e no Clube Feminino, e neste último chegou a sofrer discriminação por ser negro. Não deixavam Jejé adentrar a pista de dança, só podia ficar se permanecesse sentado, como um eterno observador, sem poder fazer parte da folia.

Foi assim que decidiu escrever sobre tudo o que via e ouvia, e assim nasceu o colunista Dino Danuza, um pseudônimo para protegê-lo. Logo descobriram o disfarce e Jejé Oyá incorporou o seu personagem principal para sempre: ele próprio. De José para Jejé, se transformou em um arquivo vivo sobre tudo o que acontecia em Cuiabá.

E conheceu tudo e todos, através de um universo festivo e desejado. Jejé vivenciou tudo de perto, com seus olhos curiosos e transcreveu com ironia para revelar um mundo que era fechado em um pequeno círculo e o expandiu para toda a cidade.


O Diário de Cuiabá fez uma enquete por volta dos anos 90, e por maioria do povo cuiabano, Jejé Oyá foi eleito a personalidade que tem a cara da cidade.

Festivo, odiado por muitos, mas venerado por todos, Jejé de Oyá será sempre lembrado pelo colorido das roupas, pelo brilho no olhar, pela escrita ferina que destilava o veneno e a realidade daqueles que não queriam se enxergar neste espelho social.

Jejé é um símbolo porque é negro, é homossexual e ainda assim, desafiou uma capital patriarcal e não se recolheu. Jejé representa Cuiabá porque é desbocado, com o linguajar puxado, e é a cara do povo que só quer ser lembrado, como parte preponderante, de toda boa história, mito, ou lenda que circunda tantos mistérios nesse cerrado.

Destemido, levanta da cadeira sem se importar com preconceitos, e toma seu espaço definitivo na dança do baile da vida.

Educação ambiental como instrumento de consciência social

Alex Rufino da Silva
Um dos maiores problemas atuais vem sendo sentido em todo Planeta, as mudanças climáticas. Mais o que são as mudanças climáticas? São alterações no sistema climático provocadas pelo aquecimento global, que por sua vez é causado pelo aumento de gases do efeito estufa, ao reduzir a capacidade da Terra de se resfriar. O aumento da temperatura média do Planeta acarreta mudanças na intensidade e frequência das chuvas e na evaporação e na temperatura dos oceanos, entre outros fenômenos. Os efeitos não são iguais em todas as regiões, mas as mudanças ameaçam a agricultura, o abastecimento de água, o equilíbrio dos ecossistemas e a vida de muitas espécies.

Diariamente, os veículos de comunicação vêm noticiando manchetes que mostram claramente o quadro assustador e trágico causados pelo aquecimento global, o aumento do nível dos mares e da temperatura ocasionando vários desastres naturais. São evidentes, que esses fatores causam prejuízos enormes à saúde humana e provocam problemas na economia mundial.

Reduzir drasticamente as emissões dos gases de efeito estufa, além da ação dos governos e dos empresários, se faz necessário que os cidadãos mudem seus hábitos e passem a construir uma consciência sócio-ambiental. Para tanto, precisamos na nossa própria casa, aprender a economizar energia, apagando as luzes desnecessárias, comprar eletrodomésticos de nível “A” em eficiência energética porque reduzem a emissão de CO2; evitar abrir freqüentemente portas de freezers e geladeiras, pois economiza 15% de energia; desligar da tomada os aparelhos com standy-by quando não estiverem em uso; trocar as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, que gastam cerca de 80% menos energia; usar ar-condicionado o mínimo possível; no uso da água, evite o desperdício e procure reaproveitar sempre que possível; cuide bem do seu lixo – separe tudo para que seja possível reciclar; rejeite produtos com CFC (clorofluorcarbono), gás que destrói a camada de ozônio; evite trazer excesso de sacolas plásticas do supermercado e peça ao estabelecimento para trocá-las por sacolas de papel. Já no transporte, alguns hábitos devem ser mudados, como por exemplo, deixar o carro na garagem e usar o transporte coletivo ou bicicleta sempre que possível; dar preferência a biocombustíveis como o álcool e biodiesel; manter motor do carro regulado e pneus calibrados; evite mudanças bruscas de velocidade, antecipando as paradas nos semáforos; reduza a velocidade de passeio para máximo de 100 km/h – isso diminui o consumo de combustível em 15%; não exagere no uso de ar-condicionado e de sistemas de som potentes, que consomem 13% mais energia.

Além é claro, ajudar a recuperar o verde de sua cidade, evitando cimentar área verde em casa; denunciando derrubada ilegal de árvores; cobrando da prefeitura sistemas eficientes de drenagem de águas da chuva e de coleta e tratamento adequados de esgoto e do lixo.

A nossa qualidade de vida esta sendo comprometida pelos altos índices de poluição do ar e do solo, principalmente nas grandes cidades brasileiras, provocada pelos principais agentes desse processo, as indústrias, a queima de combustíveis fósseis (veículos automotores, principalmente) e as usinas termoelétricas. As doenças respiratórias como a bronquite, rinite alérgica, alergias, asma levam milhares de pessoas aos hospitais todos os anos. A OMS – Organização Mundial de Saúde divulgou que 3 milhões de pessoas morrem anualmente devido aos efeitos da poluição atmosférica.

"A educação ambiental deve ser inserida nos currículos escolares do ensino fundamental, médio e superior, pois é a principal ferramenta para que os cidadãos e as comunidades adquiram conhecimentos, habilidades, experiências e valores"

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [Ipea], relativos a 2007, indicam que 76 milhões de brasileiros não têm acesso ao serviço de esgoto sanitário em seus domicílios.

A questão da água é outro problema sério que precisa ser enfrentado por todos nós, sociedade. A histórica agressão ao recurso e o desperdício, além da má utilização do solo provocado pelos constantes desmatamentos, uso de agrotóxicos, a expansão urbana e a deposição inadequada de lixo. Neste Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, convida todo mundo a refletirmos sobre o assunto, pois atualmente, mais de 1,4 bilhão de pessoas no mundo vivem sem acesso a água potável. A insegurança da água e as alterações climáticas ameaçam aumentar, até 2080, de 75 milhões para 125 milhões o número de pessoas subnutridas em todo o mundo.

Até quando vamos continuar a celebrar esse caos ambiental? Precisamos refletir sobre o nosso papel no Planeta e não ficar somente procurando culpados. Sabemos que os maiores vilões são os Países mais ricos do Mundo, que fazem parte do G8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Rússia), mais mesmo assim, precisamos fazer a nossa parte.

A educação ambiental deve ser inserida nos currículos escolares do ensino fundamental, médio e superior, pois é a principal ferramenta para que os cidadãos e as comunidades adquiram conhecimentos, habilidades, experiências e valores, e assim possam agir individualmente ou coletivamente objetivando alcançar soluções para os problemas ambientais presentes e futuros. Para tanto, se faz necessário o apoio dos meios de comunicação nesse contexto, democratizando as informações, acerca da questão ambiental e disseminando em todas as suas programações. Deve ser um esforço conjunto, educadores, sociedade civil, ONGs, Associações de bairros, centros comunitários, governantes e empresários.

Mudar nossos padrões de produção e consumo é o desafio atual para protegermos o nosso Planeta. A busca do equilíbrio entre o homem e o meio ambiente, deve ser pautada no modelo de desenvolvimento sustentável, onde a palavra de ordem deve ser: reduzir, reutilizar e reciclar.


Alex Rufino da Silva é professor, historiador e bacharel em Direito

domingo, 23 de março de 2014

Do poeta ao diretor de teatro, Francisco Aquino Amorim é o Chico boêmio, subversivo e com fina ironia

Da Redação - Marianna Marimon

“É o morto mais vivo de Cuiabá”, profetiza o amigo, compadre e parceiro de primeira hora, o escritor Lorenzo Falcão. A memória permanece e continua a viver através das lembranças dos amigos e dos familiares, que sempre retomam em suas conversas, os causos e acasos desta figura emblemática. Muitos, talvez, não o conheçam e por isso, é preciso destrinchar com cuidado para desanuviar as ideias e encontrar o caminho, o mesmo que ele gostaria de trilhar. Com fina ironia, escreveu e dirigiu inúmeras peças em Cuiabá, tirou o riso da plateia na parceria com Liu Arruda e também cutucou políticos e dondocas, meteu um monte de gente nua em cima de um palco no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso no Grosso (UFMT) e rompeu com qualquer moralismo que pudesse existir. Dominou uma cidade patriarcal com sua fina ironia, sua boêmia desregrada, suas ideias subversivas e se tornou lenda. Francisco Aquino Amorim é o diretor de teatro, poeta e mais um louco desgarrado dos anais da história cuiabana, mas o chamemos como os amigos, apenas de Chico Amorim.

Ousado, despojado e desbocado. Iremos narrar algumas desventuras de Francisco Aquino Amorim (1956-2002), mais conhecido como o diretor maldito de teatro, que trabalhou com Liu Arruda e se engajou na recuperação da autoestima do cuiabano.

Todos os amigos o lembram da mesma maneira: um personagem alegre, com um vozeirão forte, com um chinelo velho nos pés e o jeito preguiçoso do cuiabano. Escrever sobre ele é difícil, porque eu o conheci, e fiz um poema em sua homenagem na ocasião de sua morte, a primeira vez que vi lágrimas nos olhos do meu pai. Até hoje essa trupe de artistas o guarda na memória, quando na década de 80 revolucionaram Cuiabá e a transformaram em um caldeirão borbulhante de ideias, que até hoje não alcança a mesma efervescência.

Com Lorenzo Falcão e sua companheira Fátima Sonoda, Carlão dos Bonecos e outros personagens, montaram o Grupo de Risco, de teatro experimental em Cuiabá. Foi aí que fizeram a adaptação de “O Capote” do escritor russo Gógol em 1988. Lorenzo conta que na peça, o elenco fazia a apresentação sem roupa nenhuma. Questionei se deu público e como foi a recepção, o escritor adiantou que foram mais de 10 apresentações, e que até avós, tias e mães foram prestigiar, pois, “O Capote” tinha muitas referências eruditas, música sacra, contemporânea, brega, minimalista. A estreia foi dedicada ao poeta visual Wlademir Dias-Pino.

E Chico tinha tiradas como ninguém e soltava: “tudo na vida evolui, menos a baixaria”, “Hollywood, Hollywood, comigo ninguém pude”, “eu me amo, mas não sou correspondido”. Chico Amorim era assim, de bar em bar, de mesa e mesa, disparava como uma metralhadora e podia dominar vários assuntos, afinal, não gostava apenas de arte e cultura, mas de novelas e também fofocas. Era um boêmio. Sair para a noite cuiabana era como uma obrigação, relembra Lorenzo.

Chico Amorim montou diversas peças com Liu Arruda, como a que tratava de política “Cidade Pedra Lascada” e também foi a sua ideia de casar Comadre Nhara com Juca e assim, nasceram mais dois personagens deste casório: Ramona e Gladstone.

“Porque sobre ele (Chico) não tem quase nada publicado. Foi um artista que vive na memória dos amigos ao invés dos anais acadêmicos e documentais. Não há registro, e desde o final dos anos 1970, que Chico trabalhava com o teatro, e junto com o Liu veio essa ideia de recuperar a autoestima do cuiabano, e começou a despontar porque todo mundo tinha vergonha, do jeito de falar, das roupas, do siriri e cururu, e ele usou isso, com irreverência”, contou Lorenzo.

Trabalharam com teatro de bonecos, fizeram a Máquina da Palavra no Clube Feminino, com música e literatura. Quando de sua morte em 2002, fizeram um caderno intitulado Chico, no Correio Várzea-Grandense, com uma foto enorme dele na capa. Um documentário também foi produzido pela TV Assembleia, mas não se encontra digitalizado. Lorenzo cobra a si próprio e dos amigos, que reúnam todo o material existente para que possam compilar tudo o que Chico Amorim representou para Cuiabá e transformar a sua história viva em memória fixa, em um livro.

Lembro de uma história engraçada que envolve o Chico. Quando criança, não entendia porque meu pai tinha que sair de casa todos os dias (no caso ele ia trabalhar), e eu me escondi no porta-malas do carro para descobrir aonde ele ia. Nesse dia, meu pai levava a minha mãe e deram uma carona pro Chico. E eu vez ou outra levantava a cabeça para olhar aonde íamos. Foi então que o Chico disse: “Eduardo, acho que tem uma cabeça loira aqui no seu porta-malas”. Meu pai e minha mãe deram risada, e creditaram isso a loucura ou bebedeira de Chico.

Mas, é na loucura que se encontra a sanidade ou então que se abraça todo o caos que existe no Universo, para viver em paz. Valéria Del Cueto, outra amiga de Chico, relembra uma imagem que deve estar na mente de todos os que o conheceram: deitado na rede, a contemplar o vazio, com os olhos fitos na imensidão, provavelmente a descobrir novos significados para a vida. E segurando os chinelos apenas com as pontes dos pés. E divagava, mas sempre, sorria.

Para encerrar, acho que é melhor deixar Chico falar por si só.

"Todas estas coisas
Que sobrevoam a minha mente
Quando em versos se desfazem
Me deixam meio frustrado
Porque perdem seu mistério
E me parecem diferentes
Todas estas coisas
Que minha mente
Sobrevoam
Me deixam meio frustrado
Quando em versos se desfazem
Porque perdem o mistério
Que as confere o pensar
E diferentes parecem

Quero algo mais profundo
Não quero saber de mim
Nem quero o saber do mundo
Quero algo mais profundo
Não quero saber do mundo
Quero um pedaço de pão
Quero algo mais profundo:
Me afundo"
Chico Amorim

"Eu queria ser muito rico
Para ter todas as drogas
Que conduzem meu pensamento
Palavras e obras

Atrás de mim
A vassoura do tempo
Varrendo os rastros
Do meu passo
Apagando todas as paixões
Com o estardalhaço absurdo
Do silêncio"
Chico Amorim

sábado, 22 de março de 2014

Poetisa, educadora e escritora, com a força emblemática de seu nome, Maria é de Arruda Muller

Da Redação - Marianna Marimon

 Parar tentar entendê-la é preciso colocar-se em seu lugar, delinear por seus anseios, pela sua vida repleta de ações sociais, de educação, de poesia. Talvez, seja este seu ponto principal: era uma poetisa, e os poetas são atormentados pela realidade do mundo que não podem mudar, e recorrem ao papel para enfim, terem a liberdade almejada. As ruelas de Cuiabá eram ainda mais apertadas, afinal, no século XIX, as mulheres ainda ocupavam um papel de coadjuvantes na história. Mas, seu nome é Maria, e como toda Maria, rompeu com o que não cabia em seu coração de poeta e abrigou o mundo em um abraço maior que a sua vida. Educadora, poetisa, escritora. A segunda mulher a ocupar uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras em 1930, não é só Maria é Maria de Arruda Müller (1898-2003).

Sua vida foi longa e fechou seus olhos pela última vez aos 104 anos. Sua história revela toda a coragem que havia em seu coração e em sua vontade em ser mais do que as meninas que esperam sentadas no baile. Sua vontade era levantar e dançar sozinha para conquistar o mundo com as palavras, com a educação, e fez de Cuiabá, uma cidade melhor, que pode vivenciar toda a bondade que havia em ensinar para transformação das mentes e da cultura.

Desde o início demonstrou a vocação para aquilo que faria para o resto de sua vida, afinal, aos cinco anos de idade já havia sido alfabetizada pela mãe. Sua missão alcançou o resultado, e em 2002, em seu último ano de vida, antes de dar o suspiro final, recebeu do Ministério da Educação, a Ordem Nacional do Mérito Educativo, grau de Grande Oficial, como a mais antiga educadora do Brasil.

Maria de Arruda Müller vivenciou três séculos de história, e pode ver o mundo se transformar aos seus olhos questionadores, que viviam além do que a margem pode mostrar. Filha do coronel João Pedro de Arruda e de Adelina Ponce de Arruda e neta de Generoso Ponce, começou a vida profissional como auxiliar de professora. Casou com Júlio Muller, em abril de 1919, o então interventor do Estado de Mato Grosso. Teve sete filhos e uma enorme prole de netos, bisnetos e tataranetos.

Em 1916, nascia em Cuiabá, a revista feminista “A Violeta”, tendo em Maria uma das fundadoras. A revista ocupou o 2º lugar na história do país em longevidade na lista dos periódicos escritos e dirigidos por mulheres. A escritora e pesquisadora da literatura, Yasmin Nadaf mergulhou no universo feminino de A Violeta e lançou o livro “Sob o signo de uma flor – Estudo de A Violeta, publicação do Grêmio Literário Júlia Lopes – 1916 a 1950” de 1993.

Estas pesquisas evidenciaram que as escritoras de Mato Grosso, seguiam os cânones do Movimento Literário Romântico no Brasil. A revista que foi uma empreitada de Maria, reúne um significativo e legítimo volume da escrita de autoria feminina do Estado e revelava parte acentuada deste universo do passado. Um olhar destas mulheres sobre elas mesmas e o contexto social na qual estão inseridas. É difícil imaginar como produziam tanto em uma época em que as mulheres não eram consideradas intelectualmente. Maria rompeu paradigmas.

“Não era apenas um periódico literário, mas também abordou a política, a história, o feminismo, a moda para a mulher, a culinária, a campanhas educativas, de higiene e de saúde, a registros da sociedade mato-grossense, etc. Seu ecletismo temático foi tamanho que levou a revista à ambigüidade: de um lado o individualismo, o amor subjetivo, o culto à beleza da natureza, as flores, o luar, o pôr-do-sol, e de outro, o desejo de solidariedade, o amor à pátria, as lutas pelo progresso da região de Mato Grosso e pela educação e profissionalização da mulher. Isolou-se do real com signos como o da flor, e ao mesmo tempo dele se aproximou quando falou do Progresso, da Civilização e da Modernidade, que englobam a cultura, a educação, o saneamento, a comunicação, o transporte, a saúde, a realidade circundante”, acrescenta Yasmin em sua pesquisa.

A vida literária da época também ganhou o coração destas mulheres que realizavam saraus literários como o sarau do Grêmio “A Violeta falada”, entre outros encontros literários e políticos. E nossa icônica Maria Muller assinava suas publicações com diversos pseudônimos como Mary, Chloé, Vampira, Consuelo, Sara, Lucrécia, Ofélia e Vespertina.

Foram 76 anos dentro das salas de aula: só saiu aos 96 por problemas de saúde, e também dedicou sua vida com o social e a política. Fundou o Abrigo Bom Jesus de Cuiabá (dos Velhos e das Crianças). Em 1942, revelando seu lado de ativista feminina, fundou a Sociedade de Proteção à Maternidade e Infância de Cuiabá. Presidiu a LBA – Legião Brasileira de Assistência durante a Segunda Guerra Mundial.

Como escritora, publicou em 1972 o livro 'Família Arruda'. Anos depois, em parceria com a amiga, musicista e poetisa Dunga Rodrigues, escreveu "Cuiabá ao longo de 100 anos". Outra obra de sucesso foi lançada em comemoração ao centenário de Maria de Arruda Müller. No ano de 1998 ela publicou "Sons Longínquos", uma coletânea de seus poemas. Sua atuação rendeu-lhe o seu nome no Colégio Liceu Cuiabano.

Um sopro de memória que nos leva para os caminhos de uma mulher que desbravou as letras para firmar seu espaço em uma sociedade machista e patriarcal. O seu olhar sobre o mundo tentou traduzir um pouco do seu universo particular em poemas, em textos, e abriu precedentes para que outras mulheres tivessem a coragem de buscar o seu lugar. Maria foi como muitas outras Marias, mas não deixou de ter a força significativa e emblemática que carrega o seu nome. Sua presença pode não ser mais física, mas suas palavras continuarão a embalar a esperança que há nos corações cuiabanos.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Musicista, escritora, historiadora e poetista: De Maria Benedita Deschamps Rodrigues para a eterna Dunga

Da Redação - Marianna Marimon

Suas mãos corriam apressadas pelo piano, mas com leveza e sensibilidade transmitiam o som que tocava dentro do seu coração. Todo o dia pela manhã, abria a janela para deixar o sol entrar e pedia mais um dia, porque sua vontade de viver era tamanha que não cabia só em Cuiabá. Em um baú guardava as recordações da infância, quando sonhava com o mundo que queria conquistar, e com uma imaginação em polvorosa estava sempre a trocar de nome. Chegou a se chamar Simiramis,Amarilis, Adeuzinda, até que então, ao ouvir uma história do tio José Rodrigues sobre um moço feio e todo torto, chamado Dunga, se divertiu tanto que só queria ser chamada assim. De Maria Benedita Deschamps Rodrigues para a eterna Dunga Rodrigues, pianista, escritora, poetisa e historiadora.

Dunga nasceu em 15 de julho de 1908 e faleceu em 6 de janeiro de 2002, no Dia de Reis. Quando criança, era muito espevitada e fugia sempre da casa da mãe para abrigar-se na avó, e se colocava na janela a pedir para qualquer adulto que passasse que a levasse. Nestas fugas, Dunga contou com a ajuda de Dom Aquino Côrrea, que naquela época ia até a Igreja do São Gonçalo a pé e dava a mão para a jovem menina e a auxiliava em sua empreitada. A musicista contava que tinha que dar pequenos trotes para acompanhar o passo largo dos padres.

A terceira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Matogrossense de Letras começou a estudar piano aos cinco anos de idade e ia até os domingos na escola de tanto que gostava de tocar. E sobre a literatura, dizia não se recordar muito bem porque começou a escrever. Não sabia se era pelo cérebro que havia absorvido muitas histórias ou se pelo estômago, é que quando estava no colégio Dunga começou a trocar composições com outros alunos por bolinhos de ‘queimada de rapadura’.

Mas, a relação com as letras também começou cedo, assim como a dedicação pela música. Dunga ia para a livraria de Chiquinho Côrrea e devorava livros de história e história moderna, ainda mais com a ‘graça’ que o pai fez ao dar crédito para que ela pudesse adquirir tais obras. Era a primeira filha de Firmo José Rodrigues e Maria Rita Deschamps Rodrigues.

Era considerada polêmica, afinal, nunca chegou a se casar e era totalmente independente. Quando tomou um copo de cerveja pela primeira vez no Clube Feminino, lembrava que todos os olhares se voltaram para ela, que calmamente virou a sua bebida e pronto, ficou por isso mesmo.

Sua paixão não era apenas tocar, mas também ensinar, tendo sido professora durante muitos anos. A relação com o piano ficou mais estreita ainda por morar no Bairro do Porto e tocar me todos os bailes, e considerava que talvez por isso, não tenha se casado, afinal, enquanto todos namoravam ela estava entretida com o instrumento musical.

“A música está em toda a parte, no canto dos pássaros, na natureza, e até no barulho dos automóveis. Acho que é uma graça que Deus criou para gente”, narrou em um curto documentário sobre a sua vida, que está disposto na íntegra ao fim da matéria.

Entre suas publicações literárias constam: Reminiscências de Cuiabá, Roteiro Musical da Cuiabania, Marphysa: Romance de Costumes, Os Vizinhos, Cuiabá: Roteiro das Lendas, Cuiabá ao Longo de Cem Anos, Lendas de Mato Grosso, entre outros. Sobre estas lendas, causos e acasos diz que colecionou das estórias que escutou de Maria Euzébia.

Uma mulher sobretudo moderna, sem deixar o lado tradicional de uma cidade patriarcal como Cuiabá. Dunga Rodrigues era muito viajada, relembra a escritora e bibliófila Yasmin Nadaf, enquanto as mulheres ainda não saíam da capital do Estado, a musicista já tinha perambulado pelo Rio de Janeiro, que era seu destino certo e também pela Europa. “Ela viajou o mundo todo”, contou Yasmin.

Um dos momentos que retratam esta fusão de tempos e quebra de paradigmas, foi quando Dunga Rodrigues tocou em 1995, na posse de Yasmin como membro da Academia Matogrossense de Letras, ao lado de Abel Santos. Era a primeira vez que na história da Academia, o piano e a viola de cocho se encontravam para brindar com todos os que estiveram ali, um retrato do regional misturado com o clássico. Um momento que define um pouco do que foi Dunga Rodrigues.
Era considerada sempre uma mulher alegre e simples. Sua vontade de viver era maior do que a própria vida e filosofava sobre o tempo que tinha, as memórias saudosas da infância, a vida rica em poesia, literatura e música. “A vida é isso o que vivemos agora”, sentenciava. “É falar, conversar, caminhar em paz consigo mesmo e depois com os outros”, opinou.

“A juventude, eu finjo que conservo, é tão gostoso que não dá vontade de abrir mão. Cada um tem um caminho para a velhice, mas você quer se agarrar na juventude”, observou. Sobre o século XXI, sabia que devia aproveitar todos os momentos, pois, o caminho era inevitável, apesar de assegurar que quanto mais demorasse seria melhor. Ao definir a si mesma, a artista disse: “Dunga Rodrigues é metida a sabe de tudo, mas não sabe nada. Gosta dos seres humanos, dos pássaros, da natureza e da vida”.

A vontade que dá é voltar no tempo para poder ouvi-la tocar o piano, e dedilhar pelas teclas com a força de toda a sua vida, para traduzir um pouco de tudo o que possuía em seu coração. Todos a classificam em unanimidade como simples, com um bom humor inconfundível e parece que escuto a sua risada, pois, sabia que seria hoje, amanhã e para toda a vida, a Dunga Rodrigues, pianista e desbravadora de histórias e palavras, que chocou a sociedade cuiabana e se perpetuou eternamente como uma das mulheres responsáveis pela vida cultural efervescente, com seus saraus e recitais, atividades pelo Grêmio Julia Lopes e contribuições para a conservação e construção da história de Mato Grosso.

Todo o dia pela manhã, abria a janela e pedia um novo dia, porque viver para ela, nunca foi demais.

A palavra esclarece, o exemplo convence


Por Cândida Moraes
Profª Esp. Língua Portuguesa

Os mestres também são os pais. Suas atitudes se tornam exemplos para os filhos. Pais que mentem, mesmo com “aquelas constantes mentirinhas por uma boa causa”, criam filhos que também mentem.  É justificável a mentira “politicamente correta” ou a “piedosa” na educação dos filhos?

Não é tarefa fácil lidar com realidades que se originam de casa. Não vamos muito longe. Dois exemplos simples, digamos que frequentes.  O telefone toca ou alguém bate à porta. Pais que não querem ser incomodados, pedem  ao filho dizer que “não estão em casa”  ou  antes  de saírem de casa, fazem inúmeras promessas para evitar o choro de seu filho. O que o filho tem como exemplo? A incoerência. Os próprios pais que fomentam discursos sobre a verdade, na prática, se comportam de modo contrário.  

Há uma fase em que a criança relata fatos fantasiosos quando nada aconteceu. Consequência disto é que ela ainda não consegue dissociar fantasia e realidade. Muitas vezes os pais compreendem o feito como mentira.  É importante entender que há fantasia e não mentira, mas sem deixar de apontar para o seu filho o que é realidade.

Quando a criança entende que pode escapar de um problema usando a mentira como forma mais prática de solucioná-lo, pelo menos temporariamente, o faz sabendo que não deveria fazer mas sustenta a mentira até onde consegue.  Interpelação como: “Você rabiscou o documento?”  Por medo ela manterá a mentira. Não perguntem se a criança rabiscou seu documento, sabendo que é dela a grafia. É mais sábio afirmar quando se tem certeza: “Você rabiscou o documento!” 

Tomar providência, evitar a possibilidade de mentir, ensinar a criança refletir sobre o que fez e deixar bem claro que a mentira induz o erro constituem uma postura sábia. Evitem corrigir a criança publicamente, não expressem autoridade com agressividade. Nada de excessiva crítica, porque esse tipo de atitude obstrui a infância e destrói sonhos e esperanças. Coloquem limites, expliquem o porquê e cumpram com a palavra.

Muitas vezes pode ser doloroso para a criança aceitar, ou melhor, lidar com os “nãos”, porque é mais fácil para ela tentar manipular, usando a mentira com intuito de satisfazer suas vontades.  Os pais devem entender que a criança pode tentar mentir, omitir, fingir, enganar, até encenar vitimadamente com choramingo para conseguir o que deseja ou convencer. É nesse momento que os pais devem intervir, ensinar o que é correto, o que é bom e o que não faz bem. São eles que precisam orientar e ensinar princípios, regras que dirigem sua conduta, para que a mentira não se torne consciente, estrategicamente pensada. Mentiras  não corrigidas podem comprometer a conduta e atingir a formação de caráter da criança.

De casa para a escola, da escola para casa... A mentira também circula no ambiente escolar. Não é raro o professor que se depara com um aluno que mente.  A mentira pode ir de um resfriado inventado para justificar uma tarefa não realizada a uma Ferrari que os pais não possuem na garagem de casa. Escola e família devem evitar fugir à responsabilidade de corrigir inverdades de nossos filhos/alunos, para que não se torne mais difícil e complicado termos valores perdidos em relação à educação que receberam ou que se transformem em mentirosos compulsivos, que colocam em risco a integridade dos outros. Ao hábito de mentir se alia a frieza, o desrespeito e a agressividade.

Afinal, é fato que nós não nascemos sabendo o que é certo ou errado, o que nos faz bem ou mal, mas aprendemos com nossos pais. E pais que mentem são exemplos de que o filho também pode ter a mesma conduta. Pais que cuidam de que o exemplo seja positivo sem mentir nem encobrir a verdade, usam do desvelamento, assumem o que fazem e dizem, ensinam e educam filhos responsáveis, sabedores de que é preciso ter coragem e autoconfiança para fazer a opção pela verdade e pela ética.

Bullying. Não sofra. Fale.


Por Cândida Moraes
Profª Esp. Língua Portuguesa

O bullying é um tema que ultimamente vem sendo bem discutido com intuito de disseminar informações sobre o fenômeno e inibir ações de violência de forma direta ou indireta. Campanhas lançadas pela mídia deixam bem claro que o objetivo é alertar toda a sociedade para o grave problema que é essa violência entre pares.

Estudos mais aprofundados sobre o fenômeno têm sido desenvolvidos por especialistas, psicólogos, pedagogos voltados para a educação orientando que é um problema sério e que não deve ser tratado como brincadeira despretensiosa, mas caso de violência que estimula a delinquência, onde o espaço é ocupado por vítimas, agressores, culpados e inocentes. O fato não se restringe somente às escolas, mas às outras instâncias da sociedade.  Fora da escola, na rua, no trabalho, nos centros comerciais, enfim.

Quando nos referimos à violência nas escolas, logo pensamos em agressões a professores ou vandalismo. Esquecemos que as escolas têm experimentado uma violência mais cruel, silenciosa, por vezes ignorada por pais e professores.

O que antes era um conjunto de atitudes remediado pelo  “Não dê importância! Ignore. Logo eles se cansam!”  hoje recebe o nome  “bullying”. Uma prática perversa de exclusão, perseguição e humilhação. Violência  implícita que se amplifica nos apelidos inconvenientes usados para as pessoas conforme suas particularidades físicas, nas gozações que constrangem, na imposição física para obter vantagens, nas atitudes racistas e até mesmo homofóbicas.

O perfil de quem é agredido pode ser entendido por fugir, segundo seus agressores, dos padrões comuns à turma – o mais inteligente, o filhinho de papai, o mais pobre, o gordinho, o mais magrinho, o que usa óculos ou a cor da pele.  As velhas brincadeiras compreendidas somente como “sem graças”, na verdade afetam emocionalmente e podem deixar marcas profundas naquele que não consegue reagir, porque não é capaz de demonstrar seu sofrimento por conta de sua timidez.

O isolamento intencional é um dos primeiros sinais de quem sofre com bullying. A situação se agrava mais quando, para a vítima, a escola torna-se um ambiente angustiante, repentinamente as dificuldades surgem no aprendizado apontando para o baixo rendimento escolar, as ausências se tornam constantes e ainda há insistência para mudar de escola. Os sintomas se manifestam sob a forma de estado depressivo, sentimento de vingança, baixa autoestima, ansiedade, sentimentos negativos, problemas interpessoais, evasão escolar, déficits de atenção e concentração, stress, ideações suicidas, alterações do humor. Em razão disso, são vítimas que não se sentem amparadas, são inseguras porque também sentem dificuldades em ser aceitas pelo grupo.

Por outro lado, os agressores se definem bem.  São os líderes da turma, os mais fortes, os mais populares, os que não respeitam as diferenças e proliferam um repertório de gozações, humilhando os colegas mais frágeis. Os agressores são agentes que devem ser identificados, encaminhados a tratamento profissional, para que futuramente não se tornem adultos violentos com forte tendência para atitudes criminosas. A família deve estar atenta a esse tipo de comportamento.

Segundo especialistas, há dois caminhos para que o trabalho preventivo se efetive.

O primeiro caminho é pela educação; o segundo é impor limites através do diálogo e, principalmente, do exemplo. Importa dizer que limites nunca fez mal a alguém. Impor limites é educar. Não impô-los é investir no desrespeito às diferenças, é ser conivente, é contribuir para que ações violentas se disseminem até a delinquência, ao limiar da criminalidade.

É de máxima urgência o trabalho preventivo nas escolas e a esperança nesse instante é que não caminhem solitárias no processo de investimento e esforço permanente contra a prática do bullying no âmbito escolar. É fundamental a participação efetiva da família, o amparo da comunidade jurídica e o apoio de equipes de atendimento. O envolvimento dos pais, alunos e escola em busca de inibir as práticas de violência é indispensável no desenvolvimento de estratégias no combate a agressões veladas.

Não é demais reforçar a afirmação anterior de que o problema é muito sério e não surgiu recentemente na escola do bairro, nas escolas das cidades, nas escolas do nosso país. Bullying é um problema mundial e vai mais longe. Não se resolve da noite para o dia. Nenhuma escola está livre do bullying. E mais. Adultos não são testemunhas. Alunos sim.

Aos pais, fica a orientação de que sejam sempre abertos a ouvir, a conversar com seus filhos e a orientá-los sobre esse tipo de situação, deixando bem claro que não é normal a prática do bullying. Ainda devem se atentar às bruscas mudanças de comportamento de seus filhos no ambiente doméstico. Os filhos sentem-se mais confiantes quando percebem que o primeiro passo pode ser dado com a denúncia sem pressões, medo, julgamentos ou críticas.

Estão abertas as inscrições para 11ªedição do Parlamento Jovem

A Câmara dos Deputados abriu inscrições para a 11ª edição do programa Parlamento Jovem Brasileiro. O programa simula uma jornada parlamentar, em que os estudantes participam de debates e votações como se fossem deputados, conhecendo, com isso, o trabalho legislativo. O evento será realizado entre 21 e 26 de setembro nas dependências do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor) e nos plenários das comissões da Câmara. As inscrições podem ser feitas até 23 de maio.

O programa – que mantém uma fanpage  no Facebook –  é voltado para alunos do ensino médio ou técnico de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, com idade entre 16 e 22 anos. O jovem tem que estar matriculado no 2º ou no 3º ano do ensino médio ou no 2º, 3º ou 4º ano do ensino técnico, na modalidade integrada ao ensino médio. Para participar, é preciso elaborar um projeto de lei propondo mudanças para melhorar a realidade do País. O tema é livre, mas deve ter impacto nacional.

Os interessados devem entregar a ficha de inscrição na sua escola, junto com a proposta de projeto de lei, a cópia da identidade, a declaração de matrícula no ensino médio ou técnico e, em caso de menor de idade, o termo de autorização dos pais ou responsáveis. Esses documentos serão encaminhados aos coordenadores do programa nas secretarias de Educação dos estados, responsáveis pela primeira etapa da seleção.

Serão selecionados 78 projetos. O número de representantes jovens por estado é proporcional ao número de deputados de cada um deles. São Paulo, por exemplo, que tem o maior número de deputados na Casa, recebe 11 parlamentares jovens, enquanto o Distrito Federal e o Acre, que têm oito representantes, recebem um representante jovem.

A primeira edição do Parlamento Jovem ocorreu em 2004. Em 2013, a décima edição alcançou recorde de inscrições, chegando a 1.631 projetos de lei encaminhados por estudantes de todo o País.

SERVIÇO
11ª edição do Parlamento Jovem Brasileiro
Inscrições: de 17 de março a 23 de maio
Evento: de 21 a 26 de setembro, na Câmara

Assessoria/Câmara dos Deputados

Gestão de governança nas Secretarias de Educação será o tema da Iª Reunião do Consed

Reunião de secretários estaduais de Educação de todo o país, acontece nos dias 20 e 21 de março, em Macapá-AP

Secretários de todos os estados do Brasil estarão reunidos nos dias 20 e 21 de março para a realização da Iª Reunião Ordinária do Fórum do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).  A Reunião acontecerá no Auditório do Ceta Ecotel, em Macapá, no Amapá.

O Consed realiza quatro reuniões ordinárias por ano, para a discussão de estratégias e ações que visam melhorias da educação pública. O primeiro encontro contará com secretários e representações dos 26 estados e do Distrito Federal.

A agenda dos dois dias é extensa, dentre assuntos propostos,  acontecerá a apresentação do relatório final da Pesquisa de Governança nas Secretarias Estaduais de Educação, além de cases de gestão nos estados. Também ocorrerá o lançamento do site para disseminação das boas práticas.

Como de praxe nas reuniões do Fórum, o primeiro dia de reunião será para aprofundamento do tema objeto da reunião. No segundo dia, teremos uma apresentação do panorama de gestão da educação no estado do Amapá, apresentado pela secretária Elda Gomes Araújo.

Educação no Amapá - A Secretária de Educação do Estado do Amapá tem como atual secretária a professora Elda Gomes Araújo. O Amapá possui 835 escolas, de acordo com o IDEB. A Secretaria de Educação é dividida em sete Coordenadorias e um Centro de Pesquisas Educacionais e tem como destaques o projeto “Nota Azul”, programa que nasceu com o intuito de incentivar os alunos no ambiente escolar a alcançarem bons resultados de aprovação no fim do ano letivo e que tem sido atingido suas metas premiando 75 alunos da Escola Estadual Maria Ivone no último ano.
Ascom/Consed

MT - Projeto Pixaim retoma as atividades

O projeto Caravana  Pixaim - que possibilita o debate sobre a diversidade racial e também promove a valorização da cultura negra  - será retomado em  13 escolas da rede estadual. As ações, promovidas pela Central Única das Favelas (Cufa) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) serão desenvolvidas no período de 24 de março a 4 de abril, beneficiando 3.339 alunos.

No total, 22 unidades escolares da rede estadual foram contempladas com as atividades do projeto iniciado em 2013 e  suspenso em decorrência do período de greve. No retorno desenvolverão nessas unidades oficinas de  penteados (trancinhas), apresentação de peça teatral com o tema "Cabelo Ruim" (obra da Jornalista/Escritora Neuza Baptista), além de bate-papo literário.

As práticas irão beneficiar estudantes dos municípios de  Rosário Oeste, Nobres, Diamantino, Alto Paraguai, Sapezal , Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Barão de Melgaço, Cáceres, Tangará da Serra, Dom Aquino e Rondonópolis.

O coordenador de projetos educativos da Seduc-MT, Guilherme Costa, explica que as atividades são destinadas aos estudantes do Ensino Fundamental e foram agendadas visando atender o maior número de alunos. Desde 2009, a Seduc é parceria do Projeto.
Confira abaixo o quadro de escolas e os horários:
1 Rosário Oeste - EE Marechal Rondon - 24/03 - Matutino - Ensino Fundamental - 110 alunos + conv.
Contatos: Gislaine/Coord. Ped. e Maria Aparecida/Ass. Ped.

2. Nobres - EE Pref. Mario Abraão Nassarden - 24/03 - Vespertino - Ens. Fund. + Méd - 230 alunos + conv.
Contatos: Jussara e Marinilda/ Prof. e Joaquim/Ass. Ped.


3. Diamantino - EE João Batista de Almeida - 25/03 - Matutino - Ens. Fund. - 110 alunos + conv.
Contatos: Janete/Prof. e Jamil/Ass. Ped.


4. Alto Paraguai - Alexandre Gomes S.Chaves - 25/03 - Vespertino - Ens. Fund. - 250 alunos + conv.
Contatos: Sulamita/Coord. Ped.


5.Sapezal - EE Luiz Frutuoso da Silva - 26/03 - Matutino - Ens. Fund. - 236 alunos + conv.
Contatos: Drieli/Sec. e Roseli/Téc. da Ass. Ped.


6. Nova Mutum - EE Virgilio Correa Filho - 27/03 - Matutino - Ens. Fund. - 330 alunos + conv.
Contatos: Maria Rosi/Prof. e Alice/Ass. Ped.


7. Lucas do Rio Verde - EE Luiz Carlos Ceconello - 27/03 - Vespertino - Ens. Fund. - 423 alunos + conv.
Contatos: Aguina Cira/Sec. - Nadir Lazroto/Prof. e Ester/Ass. Ped.


8. Sorriso - EE Ignácio Schevinski Filho - 28/03 - Matutino - Ens. Fund. - 420 alunos + conv.
Contatos: Shirlei Ap. de Melo Faria/Prof. e Fernando/Téc. Ass. Ped.


9. Barão de Melgaço - EE Ciro Siqueira Gonçalves - 31/03 - Vespertino - Ens. Fund. - 90 alunos + conv.
Contatos: Enilza/Ass. Ped. - Sebastião Pereira/Artic. - Maria do Carmo/Dir. - Maurindo


10. Cáceres - EE Prof. Natalino Ferreira Mendes - 01/04 - Vespertino - Ens. Fund. - 320 alunos + conv.
Contatos: Odilma da Silva/Prof. - Alessandra/Téc. Ass.

11. Tangará da Serra - EE Ver. Manoel Marinheiro - 02/04 - Vespertino - Ens. Fund. - 200 alunos + conv.
Contatos: Adriana Germano/Prof. - Luzia e Eunice/Ass. Ped.

12. Dom Aquino - EE Vinicius de Moraes - 03/04 - Matutino - Ens. Fund. - 250 + conv.
Contatos: Valnair/Prof. - Deja/Dir. - Sonia/Ass. Ped.

13. Rondonópolis - EE Daniel Martins Moura - 04/04 - Vespertino - Ens. Fund. = 370 + conv.

Contatos: Marco Túlio/Dir. Rivelino/Seduc.Ass. Jurid.
Patrícia Neves
Assessoria Seduc-MT

MT - Inscrições para o Encceja terminam dia 31.03

Os interessados em fazer as inscrições para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) terão até dia 31 de março para realizarem o cadastramento pelo link itemaencceja3.inep.gov.br/ inscricaoEncceja. As provas acontecem no dia 1 de junho, em todo o país, nas localidades definidas para as provas.

O Encceja é o exame certificador de conclusão para estudantes do Ensino Fundamental. Para participar o candidato deve ter no mínimo 15 anos. Em Mato Grosso as provas acontecem nos municípios de Barra do Garças, Cáceres, Colider, Confresa, Cuiabá, Diamantino, Guarantã do Norte, Juara, Juína, Nova Mutum, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra, Várzea Grande e Vila Rica.
O local da prova será  informado no cartão de confirmação da inscrição ou no sistema de divulgação local de prova no endereço sitemaencceja3.inep.gov.br/localdaprova.

Na inscrição os candidatos deverão optar por uma ou mais áreas de conhecimentos que serão avaliadas  como; Língua Portuguesa , com Redação, Língua Estrangeira moderna, Educação Física e Educação Artística, Matemática, História e Geografia,  e Ciências Sociais.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep – informa que os candidatos com deficiência terão assegurados atendimento especial. E mais, que a certificação será emitida pela Secretaria de Estado de Educação, por isso na inscrição é necessário informar a qual secretaria pertence. No caso dos estudantes de Mato Grosso, a Seduc-MT.

Clique aqui para fazer sua inscrição

Assessoria/Seduc-MT

MT Membros do I Comitê Estadual de Educação Integral tomam posse dia 21.03

Nesta sexta feira, 21 de março, no auditório da Secretária de Estado de Educação (Seduc), das 8h às 18h, se realiza o I Encontro Comitê Estadual da Educação Integral de Mato Grosso. Na oportunidade se dada posse aos futuros membros do Comitê que tratarão da criação de programas e iniciativas que levem á concretização de políticas públicas de educação integral nas escolas do Estado.

O Comitê será formado por cerca de 20 entidades, entre elas estão a Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação – (MEC/SEB),  secretarias de Estado de Educação,  Saúde e  Cultura, incluindo órgãos federais, como a Universidade de Mato Grosso (UFMT-MT), e do Estado, como Assembléia Legislativa de Mato Grosso, entre outros.

Dentre os temas discutidos pelo futuro Comitê está o programa Mais Educação que desenvolve ações no contraturno do período escolar complementando a carga horária dos estudantes. Atualmente 375 escolas no Estado optaram por desenvolver o Programa. O Mais Educação trabalha com atividades nas áreas educativas, culturais e recreativas, como: acompanhamento pedagógico,  esporte e lazer, cultura e artes, cultura digital, ciências da natureza e educação econômica.

Segundo a professora Luzia Abich, gestora do Programa no Estado, o foco do Mais Educação não é assistencialista e sim, a definição de um modelo contemporâneo de educação integral. “Entende-se por meio do Programa que o território da educação escolar pode se expandir para além dos muros da escola, alcançando seu entorno suas múltiplas possibilidades educativas”.

Essa e outras políticas de educação em tempo integral serão temas de discussão pelo Comitê.
Confira a programação.

Assessoria/Seduc-MT

MT - Professor do Ceja Milton Curvo apresenta trabalho no México

Professor Joari Costa de Arruda


O trabalho científico do professor Joari Costa de Arruda, do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Milton Curvo, será apresentado no IX Congresso Mexicano de Etnobiologia, no México, de 27 de abril a 2 de maio. O estudo que trata sobre o Conhecimento e uso do babaçu nas comunidades quilombolas na Amazônia Meridional.  Natural da zona rural de Cáceres e ex-estudante da rede pública, pontua que o desenvolvimento de pesquisas figuram como um instrumento de estímulo aos estudantes.

Professor da rede desde 2011, busca incentivar os estudantes a desenvolverem trabalhos por meio de uma série de discussões, cujo o foco é o ambiental. Neste ano abordará dentro das Ciências da Natureza, a pesquisas em campo. “Nesse trimestre, por exemplo, nosso foco são as diferentes formas de produção de energia”, diz.
Quanto à participação no evento internacional ele cita que a experiência irá “permitir ingressar em salas de aula com novas perspectivas”.

Assessoria Seduc-/MT

Seduc/MT Formação busca a redução do analfabetismo

A troca de experiência dos coordenadores e alfabetizadores no processo de formação do Programa Brasil Alfabetizado (PBA) é uma forma de expandir conhecimentos e contribuir para redução do analfabetismo em Mato Grosso. Com esse objetivo a alfabetizadora Maria Conceição dos Santos, de Chapada dos Guimarães, definiu a primeira de quatro etapas de capacitação que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) realiza com voluntários que atuarão no PBA em 2014. A primeira formação, que ocorre no Hotel Fazenda Mato Grosso, termina nesta sexta-feira (21).




Maria Conceição, que atua como alfabetizadora há três anos, diz que se interessou pelo PBA a partir da experiência de uma amiga que dava aulas. Maria diz que já trabalhava em uma Biblioteca Municipal e por várias vezes  havia ensinado pessoas que passavam por lá e queriam entender o que os livros tinham a oferecer. “Enfrentei muita dificuldade, mas nunca desisti. Por vezes, tive que dar as aulas em minha casa. Mas, quando deparei com a grande necessidade de meus alunos, muitos envergonhados por não saberem assinar nome, ou pegar um ônibus, vi que era preciso continuar. E a cada dia me alegro ao ver a felicidade de uma pessoa que aprende uma palavra nova”, diz a alfabetizadora.
 



Coordenadora do programa no município de Nossa Senhora do Livramento, Lia Mara Ferraz, ressalta que o maior problema do analfabetismo está na zona rural. O impasse se agrava ainda mais por falta de apoio do município. “Mesmo diante de todas as dificuldades, a conquista das pessoas nos retribui. Hoje coordeno e acompanho o programa, mas já cheguei a dar aula para pessoas com idades variando entre 39 a mais de 90 anos. No programa alfabetizei meu avô, de 98 anos, a minha mãe também. Então é algo que não dá para explicar”, confirma Lia Mara.
 



Ângela Rita Christofolo de Mello, formadora de Juara desde 2004, diz que a capacitação contribui para disseminação das políticas públicas do Estado. Segundo Ângela, o público da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é apaixonado por conhecimento científico.  “Falar de alfabetização de jovens e adultos é complexo. A não evasão dos alunos depende também do alfabetizador, por isso, a importância da formação” diz Ângela Mello.
 Nesta primeira etapa, oito municípios - representados por 169 educadores - são contemplados com a formação. Na segunda etapa, que segue de 24 a 28 de março serão capacitados  alfabetizadores de Cuiabá e Várzea Grande. A 3ª e 4ª , realizadas em 31.03 a 04.04 e de 22 a 26.04, respectivamente, atenderá a cerca de 70 municípios do Estado.

ALINE MARQUES
Assessoria/Seduc-MT